156 - SECRETÁRIO

Quando pensei em escrever sobre um jogador que, no seu currículo, tivesse uma passagem pelo Real Madrid, pareceu-me óbvio que teria de, obrigatoriamente, utilizar adjectivos como “fenomenal”. Fiquei também ciente que, ao ouvirem tão faustosa palavra, muitos pudessem ficar na dúvida sobre o meu propósito e cogitassem que, ironicamente, estava a pôr em causa o primor futebolístico do tal intérprete. Nunca foi esse o meu fim!
Alinhando as coisas de forma correcta, há que dizer que nem os adeptos dos “Merengues”, os poucos que do jogador ainda têm recordações, alguma vez puseram em cheque o seu singular talento! Dito isto, temos igualmente de concordar que sentir a exaltação do “speaker”, ao mesmo tempo que vemos surgir Carlos Secretário em pleno Santiago Barnabéu, dá azo a que se apelide o negócio perpetrado por Jorge Nuno Pinto da Costa, como um fenómeno! Infelizmente para o atleta, a ilusão pouco passou da apoteótica apresentação no Verão de 1996. Ingrato como só o mundo do futebol sabe ser, depois de temporada e meia a alimentar o riso dos aficionados espanhóis, o português passou a ser tido como trapalhão, lento e pouco seguro. Ao “esquecer-se” de voltar às posições mais recuadas, ao expor constantemente os colegas a grandes aflições, as gargalhadas depressam começaram a transverter-se em apupos. Para piorar a situação do defesa, ou talvez não, ainda surgiu outro momento anedótico. Falo do tal episódio em que, aliando-se completamente do jogo, ingloriamente correu atrás de um "perro" que invadiu o relvado.
Secretário terminou a diáspora devolvido – por certo dentro da garantia – ao FC Porto. Bem sei que é difícil entender a sua dispensa! Se pensarmos que o desporto, aos dias de hoje, também é "merchandising" e que o defesa, uns tempos antes, tinha sido transformado numa das mais mediáticas figuras do “desporto rei”, então é incompreensível a decisão tomada pelos responsáveis do Real Madrid. Foi peremptória a falta de visão! Foi um erro tremendo não reconhecer nele um potencial "vendedor de camisolas", quando, na sequência de uma reportagem emitida pelo programa da SIC, "Os Donos da Bola", "Paula", a mercenária contratada, humilhou o seu desempenho durante um estágio da Selecção.
De volta às Antas, para bem ou para mal, estava aquele que chegou a ser vaticinado como o sucessor do mítico João Pinto. Talvez esse ousado profeta tivesse vislumbrado, entre os dois, algumas semelhanças... coisas! Para mim, tirando a eloquência argumentativa, nada mais vi em comum! Nada, não é bem assim! Há também os troféus! É que Carlos Secretário aposentou-se com o palmarés pessoal, entre muitos outros números, recheado pelas conquistas de 1 “La Liga”, 6 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal, 4 Supertaças Cândido de Oliveira, 1 Taça UEFA e 1 “Champions League”!

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