248 - FRASCO

Já aqui falamos neste "blog" do autor do primeiro... e do segundo golo também! Contámos a história de quem fez as respectivas assistências! Mas quem foi, dentro de campo, que realmente desencadeou toda reviravolta na final da Taça dos Campeões Europeus de 1987???!!! Pois é, como já adivinharam, esse foi o papel de Frasco!!!
À imagem de Juary - outro dos grandes trunfos de Artur Jorge nessa noite de Viena - Frasco começaria o encontro alinhado no banco de suplentes. Sentado, esperaria 66 minutos até que a inevitabilidade da desvantagem no marcador faria com que, tal como ao avançado brasileiro já acontecera, tivesse que saltar para dentro de campo. Já se sabia que o médio era capaz das melhores e mais audazes jogadas; sobejamente também era conhecida a capacidade que tinha em conseguir manter o esférico bem perto das suas chuteiras. E era mesmo isso que faltava ao FC Porto até esse instante, posse de bola! Como esperado, o propósito da substituição logo emergiu. O antigo discípulo dos "Bébés de Matosinhos" - nome que carinhosamente é dado a todos aqueles que saem da formação leixonense - pegou no jogo, pautou-o e desses mesmos pés que no Estádio do Mar começaram a cativar o futebol português e que José Maria Pedroto, como ele bem sabia fazer, não deixou escapar e levou para as Antas, encetou a jogada que terminaria com o empurrão inicial na conquista europeia dos "Dragãos" - o tal golo de Madjer, o primeiro dos portistas frente ao Bayern Munique.
Poderia dizer-se que ao pé disto tudo o resto na sua carreira pareceria insignificante, mas não!!! O seu rol de troféus, noites e tardes de glória é imenso. E se mesmo essa extensa lista feita de Campeonatos e Taças não contasse para nada, sempre tínhamos as suas mais de 400 partidas na divisão maior do nosso futebol para testemunhar o valor desse que, do alto do seu 1,68m, foi um pequeno grande jogador.

247 - QUIM


Se para o meio campo "Azul e Branco" acabava de chegar do Varzim, André, ao Rio Ave era contratado nesse mesmo ano de 1984, outro médio nascido em Vila do Conde, Quim. A par entraram no Estádio da Antas e seria, igualmente, lado a lado que continuariam a contribuir para um vindouro amealhar de triunfos portistas. A verdade é que não terá sido bem assim, já que Quim, ao contrário do seu conterrâneo, nem em todas as temporadas de "Dragão" ao peito conseguiria convencer os treinadores a dar-lhe, regularmente, a titularidade. No entanto, naquela que viria a culminar com a conquista do FC Porto na Taça dos Campeões Europeus, a de 1986/87, haveria de ser um dos preferidos de Artur Jorge para ocupar o sector intermediário do relvado. O que era mais curioso em Quim, é que não só de força, algo que lhe era sobejamente reconhecido, vivia o seu futebol - ele tinha também uma notável capacidade técnica. Permitia-se desse modo, "sair com o esférico a jogar" e quando mais próximo da baliza adversária chegava, não se mostrava rogado em aplicar o seu forte remate de pé esquerdo. Isso tudo fazia dele um executante completo - bom a defender e recuperar bolas e com uma objectividade construtiva que a muitos na sua posição faltava.
Contribuiu, de que maneira, para uma das épocas douradas do FC Porto, o que fez com que o seu nome, para sempre, esteja ligado à sua história. Mas se é justo dizer-se que faz parte dos egrégios do clube da "Invicta", é no Rio Ave que a sua notoriedade atinge o pico máximo! Para o demonstrar temos o resultado da votação de um desafio lançado por alguns associados do emblema vilacondense, "administradores" do Blogue "Reis do Ave". Nele, à frente de outros louváveis atletas que também vestiram a camisola riscada de verde e branco, como Dibo ou Fábio Coentrão, respectivamente os 2º e 3º na dita eleição, Quim "Vitorino", como é carinhosamente conhecido pelos adeptos, seria considerado como o "Melhor de Sempre". Para além desta distinção, e percebendo a direcção do clube da importância de tal iniciativa, em Janeiro de 2011 haveria de ser agraciado em pleno relvado do Estádio dos Arcos, recebendo de todos aqueles que nele votaram, os mais merecidos aplausos.

246 - JUARY


Todos se lembram do fenomenal golo de calcanhar concretizado por Madjer. Mas será que alguém se esqueceu que foi de Juary o tento, também a passe do argelino, que na final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, completou a reviravolta no marcador? Com certeza que não!!!
O mais engraçado é que Juary, por estar "tocado", começaria esse encontro no banco de suplentes. Contudo, o "placard" desfavorável de 1-0 levaria Artur Jorge, logo a seguir ao intervalo, a fazer entrar o brasileiro para o lugar de Quim. O resultado de tal alteração não seria imediato, no entanto, bem perto do fim, haveria de surtir o efeito desejado quando, já depois de aos 78 minutos ter feito a primeira assistência, o avançado empurrou a bola para o fundo das redes à guarda do belga Jean-Marie Pfaff.
Por certo, a saudosa noite de Viena terá sido uma das melhores da sua vida enquanto futebolista profissional. A verdade é que a sua carreira começou muitos anos antes, no Santos. Aí fez parte dos "Meninos da Vila", nome dado ao inesquecível grupo de jovens formados na casa e que alinhou no final dos anos 70 pelo emblema paulista. Na Vila Belmiro, bairro onde está instalado o clube, Juary aprendeu que não era necessário ser-se alto para conseguir ser um bom avançado. A sua perícia resultava de uma velocidade estonteante e de um jeito só seu de aparecer na grande-área. Peculiar era também a maneira como comemorava os golos. Juary ainda hoje é lembrado pelas voltas que dava agarrado à bandeirola de canto sempre que acertava na baliza. E muitas vezes o fez. Tantas que os seus 101 golos pelo Santos constituem um marco que poucos se podem orgulhar.
Depois da notoriedade ganha o ter levado à selecção "canarinha", só lhe faltava dar o "salto" até à Europa. Esse horizonte haveria de o atingir passados poucos anos e após ainda uma passagem pelo México. Já em Itália as suas exibições pelo Avellino, conseguiriam assegurar-lhe uma mudança para Milão. Mas como próprio chegou a contar - "No Inter foi um ano para esquecer em termos de futebol, pois não consegui praticamente render nada. Aprendi muita coisa a nível humano, mas futebolisticamente nada". A solução foi transferir-se novamente para clubes de menor monta. No Ascoli e Cremonese passou as temporadas seguintes, e quando já equacionava o regresso ao Brasil, apareceu uma oportunidade em Portugal.
No FC Porto rapidamente mostrou ainda saber da arte do golo. Na sua estreia no Campeonato, no Estádio das Antas frente ao Benfica, marcaria o seu primeiro tento pelos "Azuis e Brancos". Ainda no decorrer dessa temporada, a de 1985/86, num encontro para as competições europeias, faria um "hat-trick" contra o Barcelona, que infelizmente, por razão dos 2-0 da Catalunha e de um mais golo sofrido nessa dita segunda volta, não seriam suficientes para passar a eliminatória. Não serviram esses 3, chegou o que aos 80 minutos derrotou o Bayern de Munique e que ainda hoje o tem num lugar de destaque no coração de todos os portistas.

245 - JAIME MAGALHÃES

Durante uma série de temporadas formou com João Pinto uma das alas direitas mais famosas do FC Porto. Com uma capacidade de passe excepcional, os seus milimétricos centros, constantemente, levavam às grande-áreas adversárias bolas de muito perigo. No entanto, e apesar dessa sua propensão atacante, Jaime Magalhães nunca descurava os aspectos defensivos do jogo, sendo um precioso auxilio dos seus companheiros nessas funções. Era por isso um jogador muito valioso, pois o seu entendimento táctico de uma partida ultrapassava aquilo que por regra era pedido aos da sua posição. Na verdade, no FC Porto sempre foi requisito obrigatório ter-se um pouco mais de espírito de luta do que o normal. O constante sublinhar dessa mesma máxima fez com que o extremo direito conseguisse manter-se durante década e meia no clube, passando grande parte desse tempo  como titular indiscutível. Foi por isso peça fulcral nas brilhantes campanhas internacionais dos "Dragões" nos anos 80 - em 1984, na final da Taça das Taças, apesar da derrota por 2-1 frente à Juventus, haveria de ser dele a assistência para o golo de Sousa; anos mais tarde, em Viena, e posteriormente na disputa da Supertaça Europeia e da Taça Intercontinental, teria a oportunidade de sublinhar toda a sua importância no seio do grupo "Azul e Branco", participando em grande parte dos encontros.
Jaime Magalhães foi também um dos três atletas, ao lado do já referido João Pinto e de André, a fazer a transição entre as vitórias europeias e outra fase de glória do FC Porto, o "Pentacampeonato". Acabaria só por participar no primeiro desses cinco troféus, pois a idade, 33 anos, começava agora a pesar-lhe nas pernas. Contudo, a sua vontade de continuar a jogar com mais regularidade, fê-lo transferir-se para o Leça, clube dos arredores da cidade do Porto. Infelizmente essa sua mudança não lhe traria grande felicidade, pois uma perna partida fez com que falhasse praticamente todas as jornadas, entrando apenas em 4 partidas e acabando mesmo por ter que abandonar a carreira no final da dita temporada.

244 - JOÃO PINTO


Jogar 16 anos pela equipa sénior do FC Porto serão suficientes para personificar a sua mística??? Para João Pinto, é claro que não!!! Para ele todo esse tempo que passou de "azul e branco" não significaria nada, se o mesmo não fosse, sem excepção de um único segundo, o melhor exemplo que alguém poderia dar de abnegação por um clube. Contudo, não pensem que esse sacrifício se resumiu às correrias de um normal jogo da bola! Nisso, como todos nós nos lembramos, também era incansável. Mas se calhar, o que muitos desconhecem, é que para o defesa poucas eram as lesões que o punham fora de combate - " (...) parti o dedo pequeno do pé direito e tanto o treinador como os médicos me disseram para esquecer, que não dava para jogar. Eu disse que jogava e joguei: cortei a bota para o dedo ficar de fora e pintei a meia, que era branca, de preto, para que os adversários não dessem por ela." De outra vez, como o próprio também conta - (...) estava com gripe e cheio de dores nas costas, até me custava a respirar. (...) só me diziam que devia ser uma costela partida, mas queria jogar. Ligaram-me o peito e fiz o jogo todo (...). O problema é que as dores aumentaram e no dia seguinte estava no Hospital (...). Fui operado a uma infecção na pleura".
Todo esse seu carácter contribuiu para que, incontestavelmente, João Pinto fosse durante vários anos o capitão de equipa, tendo com isso o prazer de erguer muitos dos troféus que venceria pelo emblema do "Dragão". Foi nesse papel que em Viena, naquela noite do Praterstadion, contra todas as expectativas, levantou bem alto a Taça dos Campeões Europeus de 1987. É certo que dessa vez, porque, lesionado, Gomes ficou impedido de jogar a partida, fê-lo em substituição do seu Capitão, mas a emoção era tanta que foi incapaz de largar tão precioso prémio!!! Correu e correu com ele nos braços e só o largou por dois brevíssimos instantes, para que tanto Madjer como o Presidente Pinto da Costa pudessem, literalmente, testemunhar o peso de tal conquista!!!
Na selecção, como no resto, soube sempre levar para dentro de campo toda a sua garra. Fê-lo em todos as partidas do Europeu de 1984 e, apesar de convocado, só não o repetiu no Mundial de 1986, pois encontrava-se ainda em recobro da já referida pleuresia.
Tantas foram as vezes que vestiu a "camisola das quinas" que, em 1994, por altura da sua 67ª "chamada" à equipa nacional, haveria de ultrapassar o número máximo de sempre de internacionalizações, recorde a que haveria de juntar o do atleta que, ainda hoje, envergou em mais encontros a braçadeira de capitão de Portugal - 42 vezes.

243 - EDUARDO LUÍS

Quando no Verão de 1980 rebenta nas Antas o tão badalado "Verão Quente", Eduardo Luís parecia estar já com um pé a caminho do FC Porto. No entanto, em consequência do despedimento do, à altura director para o futebol, Pinto da Costa e do treinador, o negócio não se concretiza. Passados dois anos, seria o mesmo José Maria Pedroto que, de novo no comando técnico da equipa portista, faz questão de "voltar à carga" por um dos seus futebolistas de eleição a jogar em Portugal. O atleta deixava assim o Marítimo, no qual estivera os últimos 6 anos, para regressar a um "grande". Sim, regressar a um "grande"!!! Porque anos antes, muito antes de tudo aquilo que viria a conquistar a Norte, Eduardo Luís já tinha vestido a camisola vermelha do Benfica! É bem verdade que na "Luz" nunca teve grandes oportunidades, contudo o seu primeiro titulo, um Campeonato Nacional, haveria de ser conquistado de "Águia" ao peito.
Voltemos outra vez ao Porto, desta feita à temporada de 1983/84. Foi por esta altura que o "Dragão" começou a erguer-se na sua plenitude. A equipa atinge, através da Taça dos Vencedores das Taças, que acabaria por perder frente à Juventus, a sua primeira final europeia. Para Eduardo Luís a época representa também, e pela primeira vez de forma regular, um lugar titular no "onze", mas espante-se, numa posição nova para si!!! Depois de no Benfica ter jogado como médio e de no Funchal o terem recuado para o centro da defesa, agora a ideia era desviá-lo para a lateral - "Não foi fácil. Primeiro que me adaptasse ao lugar... Mas com insistência e o apoio de Pedroto consegui ser um bom defesa esquerdo." Não venceria em 1984, época onde ainda marcou presença no Europeu francês, mas ganhou em 1987. Regressado à posição de central, Eduardo Luís faria dupla com Celso no trajecto que levaria o FC Porto à conquista da Taça dos Campeões Europeus em Viena. Muito deste sucesso deveu-se, um pouco à imagem do brasileiro seu parceiro, à maneira airosa como tratava a bola e como assim a retirava aos adversários para, prontamente, a conduzir nos lances ofensivos da sua equipa.
Muito para além das vitórias, sete foram os anos em que se entregou de corpo e alma ao emblema que o levou à ribalta. Apesar de, ao passar primeiro pelo Rio Ave e depois pela Ovarense, ter terminado a sua carreira distante do FC Porto, para Eduardo Luís o clube será para sempre, como o próprio confessou - "a minha história (...) a minha referência (...) a minha vida"!

242 - CELSO

Celso nunca coube naquele grupo de centrais cujo lema era "cortar a bola e pontapé para a frente". Ele era bem mais do que um simples jogador possante, cujo único intuito era destruir jogo. Com ele podíamos contar com o esférico bem junto ao pé, dominado e pronto a municiar mais um ataque bem sustentado. É também impossível não falarmos do seu forte pontapé que, com uma colocação eximia, resultava, frequentemente, em belos golos na marcação de livres directos. Um deles, por certo o mais inolvidável, fará para sempre parte da história do FC Porto. O encontro na Ucrânia marcava a Segunda-Mão das Meias-Finais da edição de 1986/87 da Taça dos Campeões Europeus. Os "Dragões" na primeira ronda tinham ganho em casa por 2-1, um resultado que mantinha tudo inserto na eliminatória. Mas logo nos minutos iniciais dessa segunda partida, uma falta no meio campo defensivo do Dínamo de Kiev, dá a oportunidade ao atleta brasileiro para por à prova a sua bendita habilidade. Celso não falharia, dando uma vantagem preciosa ao seu grupo, que embalaria para nova vitória por 2-1, conseguindo assim o apuramento para a final de Viena, que venceriam frente ao Bayern de Munique.
Para além desta brilhante campanha, foi também parte importante dos títulos internacionais que os "Azuis e Brancos" conquistariam no ano seguinte, a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental. Alias, Celso foi praticamente um dos pilares defensivos do conjunto das Antas, desde o momento em que chegou à "Invicta", até ao seu regresso ao Brasil. E terá sido, por ventura, do seu país natal que veio a única desilusão na sua carreira. Com nome feito muito antes do seu ingresso no FC Porto, Celso, ainda por cima depois de tudo o que conquistou com a sua viagem para a Europa, talvez tivesse merecido uma oportunidade na selecção brasileira. Contudo nunca chegou a vestir o amarelo da "canarinha". Mas para seu regozijo, talvez até um pouco em tom de irónica compensação, apesar de não contar com nenhuma internacionalização pelo Brasil, pode orgulhar-se de, ao lado de grandes nomes do futebol, contar com uma chamada à Selecção do Mundo, na partida comemorativa do Centenário da Liga Inglesa.

241 - ANDRÉ

Depois de nos seus primeiros anos como profissional o FC Porto ter feito uma primeira tentativa para o contratar, foi já passados alguns anos, por insistência de José Maria Pedroto, que o acordo com o Varzim para a sua transferência se concretizaria. André nunca chegou a ser orientado pelo mítico treinador "Azul e Branco", mas para o antigo pescador, que já jogador feito trocou definitivamente as redes pela bola, esta era na mesma uma grande oportunidade de firmar os seus créditos nesta actividade. Quem lhe apareceu pela frente no comando da equipa técnica, seria o também estreante Artur Jorge. Este último, facilmente compreendeu o que o médio defensivo poderia acrescentar ao grupo. E era isso mesmo que André era - um homem de equipa! Talvez pela filosofia que o mar ensina, o novo trinco dos "Dragões" aprendera a sacrificar-se pelos outros, a pôr o conjunto à frente daqueles que eram os seus desejos pessoais. Toda esta experiência reflectia-se em campo quando, de forma abnegada, nunca virava a cara por mais que se agigantasse a luta que se avizinhava. Muitos foram os desarmes essenciais que no miolo do terreno fez; de igual modéstia se vestiram os seus passes, balanceando a equipa para uma serie de novos ataques. Foi esta sua importância que fez com que nunca falhasse um jogo durante as campanhas que levariam o FC Porto a conquistar a Taça dos Campeões Europeus de 1987 e a Supertaça Europeia e a Intercontinental do ano seguinte.
Na selecção, ao contrário do que se passava no seu clube, nunca se assumiu como um indiscutível. Mesmo ficando longe do protagonismo a que estava habituado, José Torres, na altura seleccionador e que, igualmente, já havia sido seu treinador no Varzim, não abdicaria do seu contributo e incluiria-o tanto na campanha como, já depois, na convocatória para a fase final do Mundial de 1986 no México.
Mas a verdade é que as suas maiores glórias viveria-as no emblema das Antas. Para provar isso mesmo fica um registo que muito poucos podem exibir e orgulhar-se. Assim, e a juntar ao rol de vitórias que foi sendo descrito, podem ainda contabilizar-se nos 11 anos que representou o FC Porto, 7 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e 6 Supertaças, perfazendo um total de 19 títulos colectivos conquistados.

240 - ARTUR JORGE

Confesso adepto portista, foi no emblema do "Dragão" que Artur Jorge haveria de, já depois de uma passagem pelo Académico do Porto, completar a sua formação como futebolista. Contudo, e apesar do jeito incontornável para o "jogo da bola", o seu horizonte ocupou-se sempre com objectivos muito mais amplos do que aqueles que o desporto lhe oferecia. Por isso, apenas um ano após a sua subida à equipa principal do FC Porto, onde acabaria por pouco jogar, o avançado prefere rumar à "Cidade dos Estudantes" para representar a Académica e, assim também, dar seguimento aos estudos. Em Coimbra, para além de frequentar a Universidade, começa, à custa da capacidade mortífera que tinha em aparecer na área, a destacar-se nos relvados. Aí conquistaria a sua primeira chamada à selecção, isto na mesma temporada, a de 1966/67, em que a sua equipa, ao ficar a apenas 3 pontos do Benfica, desafiou, até ao último momento, os "Encarnados" na disputa pelo titulo nacional. Mas um dos momentos mais curiosos por que passou, viveria-o logo na temporada de estreia na "Briosa". Num encontro frente às "Águias", choca fortuitamente com o "Pantera Negra" - "(...) foi aí que percebi que o Eusébio era humano." - provocando um traumatismo craniano ao astro benfiquista, que teria de ser conduzido ao hospital!!!
Passados alguns anos e já a jogar lado-a-lado com Eusébio, Artur Jorge haveria de se sagrar, em dois anos consecutivos, 1971 e 1972, o melhor marcador nacional. Seria também em 1972, ainda sob o regime fascista, que, juntamente com outros colegas de profissão, fundaria e presidiria ao Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. De resto, na "Luz" viveria os melhores anos como futebolista, conquistando, para além dos prémios individuais já referidos, 4 Campeonatos e 2 Taças de Portugal. Só não foi mais longe, pois as lesões que o apoquentaram ainda antes de atingir os 30 anos - foi operado cinco vezes a um joelho - não o deixariam alcançar o prometido auge. Para cúmulo seria mesmo uma perna partida durante um treino, representava então o Belenenses, que determinaria o fim da sua carreira.
Já depois das suas derradeiras épocas no Restelo, durante as quais fez um pequeno interregno para dar uma "perninha" nos norte-americanos do Rochester Lancers, Artur Jorge assume-se como treinador. Ainda com poucos anos de experiência na função, seria contratado para o comando da equipa principal do FC Porto. O risco que Pinto da Costa acabava de correr, ficaria mais do que justificado, pois, para além dos 2 Campeonatos vencidos, o técnico acabaria por ser o timoneiro dos "Azuis e Brancos" na campanha europeia vitoriosa, que terminaria a 27 de Maio de 1987, com o erguer da Taça dos Campeões Europeus. Foi a partir desta conquista que ganhou alguma projecção internacional, conseguindo logo de seguida uma transferência para o Racing de Paris, clube na altura propriedade da marca de automóveis Matra. Mas se esta sua primeira passagem pela capital francesa não lhe trouxe troféus, já a segunda, depois de mais um Campeonato ganho pelo FC Porto em 1989/90, acabaria por ser bem mais proveitosa. Dando continuidade a esse seu vai e vem entre e Portugal e França, agora no PSG, acabaria por vencer uma Taça de França e a "Ligue 1". Contudo, o acréscimo de notoriedade que estas novas vitórias lhe trouxeram não foram suficientes para o sustentar no passo que daria em seguida. Novamente de regresso a Portugal, desta feita ao Benfica, decide orquestrar uma "limpeza" num balneário que acabava de se sagrar campeão. Claro que se os resultados tivessem sido diferentes, tudo teria sido esquecido. No entanto, esses foram bem diferentes daqueles esperados com a revolução perpetrada por si, e Artur Jorge sairia do clube que verdadeiramente o catapultou no futebol, sem glória e, até aos dias de hoje, apontado pela massa adepta como um dos principais responsáveis pelos negros anos que se seguiriam na história do clube. Daí para a frente pouco mais de sustento desportivo tirou da sua actividade profissional. Destacam-se, ainda assim, a presença no Euro 96 à frente da selecção Suíça, a Taça das Taças Asiáticas ganha à frente dos sauditas do Al Hilal ou os quartos-de-final atingidos como seleccionador dos Camarões na CAN de 2006.

BODAS DE PRATA DO FC PORTO CAMPEÃO EUROPEU

Foi com algum desprezo para com o emblema português que os alemães do Bayern Munique encarariam a final de Viena. No Praterstadion o jogo até começaria de feição para os Bávaros, com um golo de Kögl a abrir o marcador. Mas poucas são as vezes que a presunção traz resultados positivos e, como que na forma de castigo, o FC Porto, com tentos de Madjer e Juary, haveria de virar o resultado para o 2-1 final.
É para recordar esse dia 27 de Maio de 1987, passados que estão quase 25 anos sobre a conquista "Azul e Branca", e já depois de aqui no nosso "blog" termos dado atenção a muitos dos protagonistas dessa campanha, que vamos dedicar este mês aos restantes heróis desse grande marco do futebol nacional. Assim, nos próximos 31 dias, todos os cromos serão sobre as "Bodas de Prata do FC Porto Campeão Europeu".


Ver também: Futre; Gomes; Inácio; Madjer; Mlynarczyk; Sousa; Zé Beto