517 - BINO

Ainda nas camadas de formação, as suas prestações ao serviço do FC Porto levariam Carlos Queiroz a incluí-lo nas convocatórias da selecção nacional. Ao lado de jogadores como Luís Figo, Rui Costa ou João Pinto, Bino, também ele, acabaria por fazer parte da intitulada "Geração de Ouro" do futebol português. É verdade que falhou a fase final do Mundial s-20 de 1991. Contudo, a sua ausência no torneio organizado em Portugal não lhe tira qualquer mérito, e a sua presença nesse restrito rol de atletas era, à altura, vista como um sinal de futuro sucesso.
É também no decorrer da temporada de 1990/91 que o médio se estreia na principal equipa dos "Dragões". Joga apenas uma partida e, como é normal em jogadores ainda em evolução, a época seguinte passa-a, por empréstimo, ao serviço do Rio Ave.
Apesar de mostrar talento, onde a sua técnica, capacidade de passe e visão de jogo eram os seus melhores atributos, para Bino, cada regresso à "casa mãe" era, acho que assim o posso classificar, um pequeno desaire. Sem que se entendesse muito bem o porquê, o jovem jogador teimava em não conseguir impor-se nas Antas. Ano após ano, mesmo quando na primeira metade da época era incluído no plantel, acabava sempre cedido a outras formações. Salgueiros, Belenenses e Marítimo haveriam de ser os emblemas que, nesta roda-viva, o jogador haveria de representar nos anos seguintes. Engraçado é que, mesmo sem nunca ter conseguido garantir inequivocamente um lugar nos "Dragões", Bino, com as poucas participações que teve ao serviço do FC Porto, conseguiria acrescentar ao seu currículo, nada mais, nada menos, do que 3 Campeonatos Nacionais.
Finalmente, corria o Verão de 1998, dá-se o negócio que viria a mudar o rumo da carreira do centrocampista. A "troca" leva-o até Alvalade. Na ida para Sul é acompanhado por Rui Jorge, enquanto no sentido contrário seguiriam viagem Costinha e Peixe. Já de "Leão" ao peito, Bino vive os seus melhores anos. Joga regularmente, mostra um futebol bonito e acaba por ser um dos esteios leoninos na conquista do Campeonato Nacional de 1999/00. Este feito, não esquecer que o Sporting estava há 18 anos sem vencer o Campeonato, leva-o, novamente, a entrar nas contas dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. É assim, pela mão de António Oliveira, que Bino acaba por fazer a sua estreia na equipa "A" portuguesa.
Ora, os anos passados de "verde e branco" dariam ao atleta uma projecção que nunca havia tido enquanto sénior. O resultado de tal visibilidade acaba por ser o convite recebido pelo Tenerife. Em resposta à proposta do emblema espanhol, Bino muda-se para as Canárias. Joga uma temporada, 2001/02, no principal escalão da "La Liga" e, já depois de, durante um ano, ter acompanhado a sua equipa na descida de divisão, decide voltar ao seu país.
Este regresso voltaria a mostrar um Bino desligado da sua melhor forma. A sua passagem pelo Marítimo, discreta, acaba por ser o primeiro capítulo daquilo que poderei referir como o ocaso da sua vida dentro dos relvados. O fim chegaria quatro épocas depois e, sempre pelos escalões secundários, após representar o Moreirense.

516 - ROMEU

Natural do Minho, mas tendo passado a sua infância em Moçambique, seria nos emblemas da antiga colónia portuguesa que daria os primeiros passos no futebol. Certo dia, por ocasião do regresso a Portugal para passar férias, e por influência de dois primos seus que aí jogavam - Ibraim e José Carlos - Romeu decide prestar provas no clube de simpatia do seu pai. Agradou e, desse modo, ainda com a idade de júnior, ingressa no Vitória de Guimarães.
É ainda nessa temporada de 1972/73 que Mário Wilson, à altura o treinador dos vimaranenses, decide lançá-lo na equipa principal. As suas qualidades, principalmente aquelas que faziam dele um lutador incansável, logo projectaram a ideia de que, futuramente, haveria de ser uma peça fundamental do onze inicial. A prova viria nas duas épocas seguintes, onde o médio conseguiria ser um dos mais utilizados durante o campeonato.
A regularidade que demonstrava fazia dele um dos mais apreciados, não só entre os adeptos, mas, também, pelo técnico Mário Wilson. Essa admiração de que era alvo, faria com que o "Velho Capitão", após assinar contrato pelo Benfica, o quisesse no plantel da "Luz". Sendo internacional “A”, estatuto que entretanto tinha atingido, e um dos mais promissores centrocampistas portugueses, a exigência do técnico haveria de ser aceite pelos responsáveis "encarnados". Já em Lisboa, a afirmação de Romeu haveria ser afectada por uma grave lesão, contraída logo no início da temporada. O segundo ano de "Águia" ao peito, já com John Mortimore aos comandos da equipa, também não correria de feição para o atleta. Tapado por uma forte concorrência, que ocupava tanto o lado canhoto do meio campo, como a faixa central do mesmo, a Romeu é pedido que se adapte à posição de lateral esquerdo. Sem vocação para tais funções, as exibições do jogador decrescem significativamente. Ora, o desfecho de tal não poderia ser pior e no final dessa campanha de 1976/77, Romeu vê-se dispensado.
Como "há males que vêm por bem", o regresso de Romeu à "Cidade Berço" teria o condão de relançar a sua carreira. Novamente tido como um dos melhores no seu lugar, desta feita é o FC Porto que decide arriscar a sua contratação. Nos "Dragões" encontra-se com José Maria Pedroto, que, para essa temporada de 1979/80 tinha como principal intuito a conquista do "tri-campeonato". Apesar de falhado tal objectivo, Romeu vê-se transformado num dos pilares da equipa. Com isso volta a ser chamado à Selecção Nacional, atravessando, nesses anos, os melhores que teria como profissional.
É já depois de 4 temporadas na "Invicta", e de juntar aos 2 Campeonatos ganhos no Benfica, mais 2 Supertaças, que Romeu chega ao Sporting. O seu começo em Alvalade, principalmente no ano inicial, pode dizer-se proveitoso. No entanto, algumas debilidades físicas, resultantes, talvez, da entrada numa fase descendente da carreira, acabam por não permitir que o jogador mostrasse todo o valor nele reconhecido.
O fim da sua vida nos relvados aconteceria em 1988, após passagem pelo Salgueiros e, já nos escalões secundários do nosso futebol, ao serviço do Amora.

515 - LARANJEIRA

Nascido no mais "Alfacinha" dos bairros lisboetas, Alfama, foi em pequenas colectividades que Laranjeira deu os primeiros passos como jogador de futebol. Depois de Arroios, Leões da Bica e Real Clube da Boavista (não sei se por esta ordem ou se, ao menos, a lista está completa) chega a vez do Sporting. Nas escolas leoninas, a sua maneira assertiva de jogar, tornam-no, desde muito cedo, num dos destaques das equipas por onde passa. Por razão desse mesmo sucesso, começa também a frequentar os escalões de formação da selecção nacional.
A sua estreia no principal plantel "Verde e Branco", dá-se já na temporada de 1970/71. De início, não joga muito. Mas, num grupo onde nomes como os de Alexandre Baptista ou José Carlos eram incontestáveis, um jovem nunca poderia contar com muitas oportunidades. Como em tudo, a ordem natural das coisas haveria de mostrar o caminho da sucessão no "Reino do Leão". Retiram-se os mais velhos e Laranjeira, logo no seu segundo ano de sénior, conquistaria o seu lugar no centro da defesa sportinguista.
Simples na sua maneira de abordar os lances; vigoroso, mas sempre leal; e com uma capacidade excepcional para as bolas altas, Laranjeira mostrava-se portentoso no derradeiro sector leonino. Com tais qualidades, inatas que eram, o seu nome, rapidamente, passa a ser um dos indiscutíveis no escalonamento do "onze" inicial. Tal estatuto, que se manteria nas épocas vindouras, abrir-lhe-ia as portas da principal selecção portuguesa. Começa na Mini Copa de 1972, frente ao Equador. Contudo, e apesar deste início prometedor, a sua vida com a "camisola das Quinas" acabaria por não ter a constância que se esperaria após esta estreia. A explicação para tal poder-se-á encontrar naquilo que foi um dos tormentos da sua carreira, as lesões. O pior desses episódios aconteceria no decorrer da temporada de 1973/74. Por essa altura, e na sequência de uma grave lesão num dos joelhos, houve quem vaticinasse o fim da sua vida profissional. No entanto, uma intervenção cirúrgica efectuada em Londres, e durante a qual a sua rótula seria substituída por uma artificial, devolvê-lo-ia à prática do futebol.
Após dois anos afastado dos relvados, Laranjeira regressa. A vontade de ajudar aquele que sempre foi o clube do seu coração, mostra um atleta que nem parecia ter passado por um terrível calvário. Aparentemente indiferente ao que se tinha passado, o defesa volta a conquistar o seu lugar no centro da defesa. Mantem-se como um dos indiscutíveis do clube e acaba mesmo por chegar a capitão de equipa.
Depois de mais de uma década ao serviço do Sporting, e sem que alguém adivinhasse tal desfecho, Laranjeira abandona Alvalade. A separação resultaria da falta de acordo na renovação do seu contrato... o seu destino, em mais uma daquelas contenciosas "trocas" entre os eternos rivais lisboetas, acabaria por ser o Benfica. Nas "Águias" passa as 3 temporadas seguintes. Apesar de regularmente utilizado, acaba por não conseguir impor-se da mesma maneira que no Sporting. Ainda assim, os anos de "encarnado" são proveitosos para o jogador. 1 Campeonato, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça, a juntar ao Campeonato e às 3 Taças de Portugal vencidas de "Verde e Branco", haveriam de enriquecer o currículo de Laranjeira.
Na 1ª Divisão, ainda faria uma derradeira temporada (1982/83) ao serviço do Amora. Já o fim da sua carreira, tenha acontecido no emblema da margem Sul do Tejo ou, como também vi relatado, na "North American Soccer League", não consegui apurar. Deixo aos nossos leitores o seguinte desafio: "Onde é que Laranjeira pendurou as chuteiras?".

514 - AMARAL

Com percurso feito nas camadas jovens do Sporting e, em paralelo, por todos os escalões de formação das selecções portugueses, Amaral afigurava-se como mais uma das pérolas saídas da "cantera" leonina. Como tantos outros que são promovidos, a primeira temporada como sénior passá-la-ia, cedido num empréstimo, ao serviço do Académico de Viseu.
Por altura da cedência ao emblema beirão, aquele jovem que, preferencialmente, subia pela ala direita do ataque, era ainda um desconhecido do grande público. Tal facto viria a inverter-se radicalmente quando, mais ou menos a meio dessa temporada de 1988/89, a convocatória de Carlos Queiroz o leva a viajar até à Arábia Saudita. No Mundial de s-20, Amaral teria um papel fundamental na campanha vitoriosa dos jovens jogadores lusos. O momento apoteótico dessa sua participação, aconteceria durante as meias finais, frente ao Brasil. Nesse importante desafio, ao 68º minuto, Amaral marcaria o único tento da partida, o mesmo que haveria de pôr Portugal a um passo do título.
Depois de uma época muito positiva no clube viseense e da vitória no Mundial s-20, o seu regresso a Alvalade estava garantido. Mas num plantel onde Marlon Brandão era dono e senhor do lado direito do ataque, o jovem extremo haveria de ter muitas dificuldades em afirmar-se. A temporada seguinte era, sem sombra de dúvida, a altura certa para o atleta se revelar na equipa do Sporting. Tendo a velocidade como a sua principal arma, Amaral perfilava-se, desse modo, como um dos principais trunfos para a temporada de 1990/91. No entanto, o azar bater-lhe-ia à porta e na sequência de um acidente de viação, ver-se-ia afastado dos relvados durante todo esse ano. Adiada a sua afirmação na equipa, a carreira de Amaral pareceu começar a perder o rumo. A pouca utilização e uma concorrência de peso (como é o caso de Luís Figo,) levaram o jogador a um ocaso muito antes do tempo.
Um novo fôlego na sua vida profissional apareceria quando o Benfica, como vingança pela ida para Alvalade de Pacheco e Paulo Sousa, o resgata (juntamente com Marinho) ao esquecimento. Contudo, a nova porta que se abriria ao jogador, depressa se fecharia e, tal como nos "Leões", a ida para os rivais do outro lado da 2ª Circular, nada traria de vantajoso para si.
Daí em diante, a sua carreira caracterizar-se-ia pela (quase) constância anual na mudança de emblema. Nem mesmo algumas alterações na sua maneira de jogar, perpetradas por alguns dos técnicos com que se foi cruzando, e que o levariam a alinhar a lateral direito, pareciam conseguir mudar o rumo das coisas. Ainda assim, e sem conseguir afirmar-se em nenhum dos clubes porque passou, Amaral mantinha-se pela Primeira Divisão. Felgueiras, Belenenses, Vitória de Setúbal e Santa Clara, seriam os clubes que fariam parte desse seu trajecto.
Já o ano de 2000 marcaria o afastamento de Amaral dos escalões profissionais. Na 2ª Divisão B cumpriria o restante da sua carreira, a qual, em 2005 e depois das passagens por Atlético, Olhanense e Beira-Mar de Monte Gordo, chegaria a um fim.

513 - GABRIEL


Tendo, com distinção, terminado a sua formação nas escolas do FC Porto, foi com naturalidade que Gabriel seria promovido à equipa principal "Azul e Branca". E se de início, a disputa pelo lugar de defesa direito esbarrou tanto na sua inexperiência, quanto na qualidade dos seus mais directos rivais, já o seu regresso do empréstimo ao Sp. Espinho mostraria um jovem futebolista a evoluir favoravelmente. Cientes disso mesmo, os técnicos que, daí em diante, acabariam por tomar as rédeas do FC Porto, não tiveram qualquer dúvida em pô-lo na linha da frente para o escalonamento da equipa. Seriam 8 temporadas em que a sua propensão ofensiva, num incansável vai e vem pela linha lateral, paralelamente a uma segurança defensiva extraordinária, fariam dele um dos indiscutíveis nos "Dragões".
A estabilidade que dava ao lado direito da equipa, juntamente com a força dos restantes três do quarteto defensivo, foi, para muitos, o segredo do sucesso de José Maria Pedroto, enquanto técnico do FC Porto. Ora, o culminar desse trabalho, seria marcado pelo quebrar de um jejum que já durava há 19 anos. O bi-Campeonato de 1977-78 / 1978-79, coroando a vitória na Taça de Portugal da época que precedeu essas duas, seria, sem sombra de dúvida, o apogeu da carreira de Gabriel.
Momento igualmente importante, tal como para qualquer outro desportista, seria a sua estreia na Selecção Nacional. O dito momento aconteceria num particular frente à congénere da Suíça. Jogo que, tendo sido disputado no Funchal, terminaria com a vitória portuguesa, por 1-0.
Se já referi as 8 primeiras temporadas de Gabriel no FC Porto, a que se seguiria marcaria uma viragem na sua vida profissional. É deste modo que 1982 marca uma mudança de pragmatismo defensivo nas Antas. O nome que a tal está ligado é o do antigo capitão, João Pinto. Com a ascensão deste último, a perda da titularidade de Gabriel acabaria por se tornar inevitável. Tal facto levaria com que o internacional, no intuito de conseguir jogar mais, abandonasse o Estádio das Antas. Essa separação levá-lo-ia a assinar por outro dos "Grandes" do futebol nacional. Em Alvalade passaria as 4 temporadas seguintes. Jogaria, tal como era o seu objectivo. No entanto, nessa sua passagem pelo Sporting, faltar-lhe-ia algo que lhe colorisse, um pouco mais, o currículo. Sem títulos conquistados pelos "Leões" e já numa fase descendente da sua carreira, Gabriel faria uma derradeira época ao serviço do Sp. Covilhã.
Depois de "penduradas as chuteiras", e tendo experimentado, em equipas de escalões secundários, o ofício de treinador, Gabriel, ao volante de um Táxi, é (será ainda?) um dos mais distintos "Chauffeur" de Praça da cidade do Porto.

512 - EURICO

Tendo sido Carlos Alhinho o primeiro português, Derlei o primeiro a estrangeiro e Otto Glória o primeiro treinador a representar os três "grandes", então, Eurico foi o primeiro que conseguiu ser campeão por todos eles!!!
Claro que estes factos servem para apimentar uma qualquer história. No entanto, há muito mais a dizer de Eurico, e por trás do jogador houve sempre um Homem de convicções inabaláveis. Foi essa mesma determinação que, ainda muito novo, o fez deixar Trás-os-Montes para, em Lisboa, correr atrás do intuito de jogar pelo Benfica. Mas como em tudo na vida, há prioridades que nos condicionam e quando o salário oferecido pelos "Encarnados", se mostrou muito aquém daquele que recebia na oficina onde, entretanto, se tinha empregado, o jovem rapaz acabaria por recuar no seu sonho de vestir a camisola das "Águias".
Em Odivelas, e porque aí o jogo da bola não lhe roubava tempo ao ofício que punha o dinheiro em casa, aceita jogar pelo emblema local. Apesar de afastado da "Luz", os responsáveis do clube, sabendo do seu valor, acabariam por nunca o perder de vista. Então, passado um ano sobre a primeira investida, o Benfica volta a carga. Desta feita, um acréscimo substancial na proposta salarial, acabaria por convencer Eurico a ingressar nos juvenis. Daí em diante, o caminho trilhado pelos escalões de formação, leva-o à categoria principal. Ora, se naturalmente aí chegou, também seria com naturalidade que o defesa central se haveria de impor no sector mais recuado da equipa. Não pensem que a tarefa foi fácil! Claro que não! Mas muito para além do peso da camisola, a responsabilidade que sobre si recaia, estava acrescida de outra coisa. É que a sua chamada, por essa altura, servia para colmatar a saída de Humberto Coelho, que havia assinado pelo PSG.
Certo do seu valor, Eurico haveria de fazer da sua presença no "onze" benfiquista, algo de muito valioso. Esse estatuto consegui-lo-ia manter quase até ao fim da sua estadia no Benfica, altura em que, por desentendimentos com a direcção, haveria de assinar pelo Sporting - "No final dos anos 70, havia o livre direito de opção no final do contrato. Só não podíamos sair para o estrangeiro. Nantes e St. Etienne interessaram-se por mim mas o Benfica não me deixou sair. Então, quando os meus três anos de contrato estavam quase no fim, pedi um aumento de 15 contos por mês para renovar. Um dirigente disse-me que não, que era um jogador da casa e não acreditou na minha saída"*.
Com esta situação, os "Leões" acabavam de ganhar, a custo zero, um reforço de peso. Ágil no desarme, inteligente no seu entendimento do jogo e fortíssimo tanto nas bolas aéreas como nas marcações, Eurico era o verdadeiro esteio da defesa "verde e branca". Com tantos predicados, acabaria por se tornar num dos principais pilares, ele que pelo Benfica já tinha vencido o Campeonato em 1975/76 e 1976/77, da vitoriosa campanha de 1979/80 e da "dobradinha" de 1981/82.
Seria uma história idêntica que o faria deixar Alvalade para rumar ao Norte de Portugal. No FC Porto de José Maria Pedroto, a sua contratação, como nos demais emblemas que representou, estaria intimamente ligada ao sucesso do clube. Os anos de "Dragão" ao peito, serviriam para provar que Eurico era cada vez mais, e como assim ficou reconhecido, uns dos melhores defesas portugueses de sempre e, porque não dizê-lo, a actuar no futebol europeu de então. Os títulos (2 Campeonatos; 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças), a presença na Final da Taça das Taças de 1984 e as excelentes exibições no Europeu desse mesmo ano, são apenas o reflexo de tudo aquilo que Eurico atingiu como jogador. Só não conseguiu mais, pois uma grave lesão (perna partida) contraída numa disputa com o benfiquista Nunes, deixaria Eurico afastado dos relvados por muito tempo. Sobre este episódio, desde a falta de cuidado com que o seu adversário abordou o dito lance, a tantas outras coisas, muito se falou. Mas há aspectos muito mais curiosos e dois desses seriam contadas na primeira pessoa:


O primeiro - "(...) fomos à Corunha, de autocarro, para o Torneio Teresa Herrera, e entregaram-me o meu fato de treino. Qual não é o meu espanto quando detecto um escorpião enrolado numa folha de papel com uma oração de plástico transparente, enrolada num fio vermelho. Pensei, «caraças, mas o que é isto?», mas não disse nada. Nesse Teresa Herrera, perdemos a final com o Atlético Madrid com um penálti roubado pelo árbitro, feito por mim. Em toda a carreira, se eu fiz dois penáltis, foi muito... Barafustei com o árbitro e fui expulso. Dias depois, na primeira jornada do campeonato, com o Benfica, vamos para estágio na Batalha e entrego o escorpião ao roupeiro. Pergunto-lhe o que era aquilo e ele diz que nada sabe. Bem, fui a jogo. Aos 17 minutos, saio lesionado! Tenho duas conclusões: ou alguém vestiu as minhas calças de fato de treino no Canadá [onde o FC Porto tinha feito uma "tournée"] ou alguém meteu aquilo de propósito nas calças. Na área da parapsicologia, aquilo foi intencional. Mas não era para mim, era para alguém. Fui eu o atingido e fui eu a vítima".*

O segundo - "«Vou fazer-te uma operação que é uma novidade. A capacidade de recuperação é metade do habitual.» E deram-me oito meses. Passado esse tempo, recebo a notícia de que tenho mais oito/dez meses de lesão. Assustei-me. Marquei o melhor hospital ortopédico de Londres e procurei alguém neutro. E esse médico disse-me que a minha tíbia só conseguia suportar as cargas que a alta competição exige entre 10/12 meses. Vim de Londres desiludido. Então, por interferência de alguém próximo de mim, dirijo-me ao padre Miguel. Perguntam-me se acredito em santos e eu digo que sim. Visitei o padre Miguel (faço um parênteses para dizer que o padre Miguel era o pároco da aldeia da minha família materna) e passei uma tarde com ele. O padre Miguel viu-me e... ao fim de um mês e meio, estava pronto para treinar. Fiz uma radiografia e mostrei-a ao médico que me operou. Caiu na cadeira, redondo. Deu-me alta numa sexta-feira"*.

Eurico ainda voltaria aos relvados, ao vestir a camisola do Vitória de Setúbal. Mas depois de tal calvário, as suas capacidades encontravam-se, compreensivelmente, afectadas. Duas temporadas após o seu regresso, corria a Primavera de 1989, e por razão das ditas mazelas, Eurico decide-se por um ponto final na sua carreira de futebolista. Ainda nesse mesmo ano, enceta a sua vida de treinador. Nessas funções, ainda que longe da ribalta de outros tempos, tem mostrado bons resultados, onde se destaca o trabalho feito com alguns dos clubes de menor monta em Portugal.

*retirado da entrevista ao Jornal i, conduzida por Rui Miguel Tovar

511 - OTTO GLÓRIA

Nem só de jogadores se faz o histórico das "trocas" entre os "grandes" do futebol português. Otto Glória, técnico nascido no Brasil, mas de ascendência portuguesa (tanto o avô paterno como o materno, eram portugueses), haveria de ser o primeiro treinador a comandar Benfica, FC Porto e Sporting. Claro está, sendo um dos nomes incontornáveis no futebol luso e, porque não dizê-lo, do futebol internacional, esta marca não é a única que, numa vida profissional recheada de sucessos, haveria de conseguir alcançar.
Tudo começou quando ainda era novo e dentro das "quatro linhas" de jogo. Tendo representado Vasco da Gama, Botafogo e Olaria, seria com 25 anos que decidiria terminar a sua actividade de futebolista. Surpresa? Talvez! Mas mais surpreendidos ficarão quando vos disser que o jovem Otto tomaria a decisão de "pendurar as chuteiras", para encetar uma carreira no basquetebol!!!
Anos mais tarde, seria também neste desporto que Otto Glória daria os primeiros passos como treinador. Sol de pouca dura, já que Flávio Costa, antigo seleccionador brasileiro e seu amigo pessoal, haveria de o convencer a regressar ao futebol. Começou no "banco" Vasco da Gama (camadas jovens e adjunto), ganhou o título carioca à frente do Botafogo e já depois de ter comandado mais algumas equipas no seu país natal, recebe um convite vindo do outro lado do Atlântico.
Por esta altura, o Benfica estava a dar os primeiros passos no sentido da profissionalização do seu futebol. A procura de um novo timoneiro para a equipa, era o passo inicial para um caminho que se queria cheio de triunfos. Ora, o que o Benfica necessitava era de alguém que, para além de brilhante nos aspectos técnicos e tácticos, conseguisse impor, fora de campo, algumas regras aos atletas. Com fama de duro, de disciplinador e de rigoroso na disposição das suas equipas, Otto Glória perfilava-se como a pessoa exacta para o cargo. É então que, em 1954, o brasileiro aterra em Lisboa. As reformas no clube da "Águia" não tardaram. Foi criado o "Lar do Jogador"; foram impostos estágios com regras duras, onde não havia permissão para, entre outras coisas, jogar às cartas ou usar o calão; e, por exemplo, até o Presidente Joaquim Bogalho seria proibido de entrar nos balneários.
Mas o principal objectivo da sua contratação eram os resultados desportivos. Ora, se era isso que queriam, foi isso que Otto Glória trouxe ao Benfica, onde 2 Campeonatos e 3 Taças de Portugal acabariam por ser o saldo dessa sua primeira passagem pela "Luz".
A seguir veio o Sporting e o Belenenses. E se nos do Restelo, ganharia uma nova Taça de Portugal, já nos "Leões" passaria por um episódio caricato. O começo da segunda temporada em Alvalade, depois de um primeiro ano sem títulos, encher-se-ia de contestações ao seu trabalho. Muitas vozes se levantaram contra si, até que o ridículo aconteceu. No próprio Jornal do Sporting as críticas rosaram o insulto, quando o intitularam de "ultrapassado". Ironicamente, tal desdém seria acompanhado pela vitória dos "Verde e Branco" em pleno Estádio das Antas. Aí, já nem as ovações valeriam de nada aos adeptos leoninos. Otto Glória pediria a demissão e, sem ainda saber que tinha lançado os alicerces da conquista do Campeonato desse ano, seguiria viagem até França.
Os anos que se seguiram, trariam ao destino de Otto Glória um par de endereços novos e diferentes clubes. É já depois deste périplo, com passagens pelo Marseille, Vasco da Gama e FC Porto, que o treinador volta a Alvalade. A época era a de 1965/66 e marcaria o regresso de Otto Glória aos grandes sucessos desportivos. Primeiro conquistaria o título nacional com Sporting, para, no final dessa temporada, conseguir, ao leme dos "Magriços", atingir o 3º lugar no Mundial, disputado em Inglaterra.
A medalha de bronze conseguida pela Selecção Portuguesa e, ao que parece, novo desentendimento em Alvalade, levá-lo-iam até ao Atletico Madrid. Contudo, o fado de Otto Glória estava em Portugal e bastariam dois anos para que este regressasse ao nosso país. O Benfica abrir-lhe-ia novamente as portas e, mais uma vez, tal união traria excelentes resultados.
Foi depois de conseguir, com a conquista de mais dois títulos, ser o treinador com mais Campeonatos ganhos em Portugal e de levar o Benfica à sua 5ª Final da Taça dos Campeões Europeus, que Otto Glória voltaria ao Brasil. Como não deixaria de ser, histórias interessantes não faltaram ao técnico. No entanto há uma que ninguém esquecerá. Na final do Campeonato de São Paulo, tudo estava para ser resolvido nos penalties. Alternavam-se as marcações, com é normal, entre os seus pupilos e os do Santos. Terminado o desempate a Portuguesa, comandada por Otto Glória, é dada como campeã. O engraçado é que, para além do treinador, são poucos os que reparam que o árbitro se havia enganado na contagem dos castigos máximos!!! Então, Otto Glória, reunindo os seus jogadores, manda-os, de imediato, para os balneários. A ordem era simples: tinham que se vestir rapidamente e ir para o autocarro... estava na hora de partir, antes que alguém desse pelo erro!!! Como é lógico, o equívoco viria à baila. O pior é que os jogadores da Portuguesa já não estavam no estádio e a recusa do treinador em repetir o encontro foi tal, que a Federação Paulista dividiria o título pelos dois emblemas.

510 - DERLEI

Por razão da passagem discreta pelo Guarani, ou por outros clubes de menor monta no Brasil (Madureira; América), quando Derlei, em 1999, chega à União de Leiria, era um verdadeiro desconhecido. No entanto, bastariam três temporadas para que o seu estatuto mudasse radicalmente. O seu estilo lutador, incansável na busca da bola, junto com a sua velocidade e boa técnica, fariam do avançado um dos mais cobiçados no "mercado" português.
Já depois de, um ano antes, ter sido sondado pelo Sporting, é no Verão de 2002 que Derlei veste a primeira camisola dos três "grandes". Ora, por essa altura, quem estava no comando técnico do FC Porto, era um velho conhecido seu. José Mourinho, que o havia treinado no clube da "Cidade do Liz", procurava, como é seu apanágio, atletas que, apesar de já terem provado a sua qualidade, ainda não tinham atingido estatuto de "estrela". Derlei, que acabava de marcar 21 golos no Campeonato português, enquadrava-se, e de que maneira, nesse dito perfil.
Se algumas desconfianças haviam no momento da sua contratação, Derlei, rapidamente, tratou de as dissipar. O primeiro passo foi conseguir assegurar a titularidade. A seguir, já com o lugar garantido na frente de ataque, onde preferencialmente ocupava o lugar de extremo, vieram os títulos. Neste capítulo, nada faltou ao brasileiro. Ajudou, logo na época da sua chegada, à conquista da Taça UEFA, Liga e Taça de Portugal. No ano que se seguiu, nova onda de sucessos, com a vitória na Supertaça, na Liga e, como todos se recordam, na "Champions".
Com um lugar na história dos "Dragões", cimentado pela conquista da Taça Intercontinental (2004/05), Derlei e o FC Porto pareciam ter uma relação que se adivinhava para muitos anos. É então que, na partida para as férias de Natal de 2004, um desentendimento entre o jogador e o treinador Víctor Fernandez, deita tudo a perder - "O meu filho Geovanni tinha nascido há cerca de um ano, precisamente à meia-noite do dia 1 de Janeiro. Na altura do nascimento, as coisas complicaram-se (...). Os médicos chegaram a colocar a hipótese de que ele não sobrevivesse. Ora, o que eu mais queria era ir ao Brasil e celebrar com ele, nessa altura, o seu primeiro aniversário, para agradecer o facto de ele estar vivo. O FC Porto deu-nos uma semana de folga, mas tínhamos de nos apresentar no dia 31 de Dezembro. Fui conversar com o treinador e perguntei-lhe se ele podia dar-me mais um dia de folga, explicando a situação. O Fernández disse-me que não poderia abrir essa excepção para mim, porque senão teria de fazê-lo com todos os jogadores"*. A verdade é que o atleta avisou logo que não iria acatar as ordens do treinador espanhol. Chegou com um dia de atraso e a punição para tal foi-lhe anunciada - "Quando me disseram que eu teria que treinar à parte, eu acatei. Depois já diziam que eu teria que ir treinar com a equipa B. E eu isso não aceitei". Com a última decisão o conflito agravar-se-ia e a solução para tal acabaria por ser encontrada na venda do atacante ao Dinamo de Moscovo.
Já na capital russa, num clube que apostava tudo na conquista de títulos, Derlei daria de caras com uma série de jogadores seus conhecidos. Nuno Espírito Santo, Thiago Silva, Seitaridis, Maniche e Costinha seriam os colegas que o brasileiro iria reencontrar. Se a estes juntarmos Jorge Ribeiro, Frechaut, Luís Loureiro, Danny, Enakarhire, Almani Moreira, Jorge Luís e Cícero, então, alguém, poderá começar a desconfiar que, por essa altura, todo o campeonato português se estava a mudar para a Rússia. A verdade é que a forte aposta no mercado luso, não traria para os moscovitas o resultado desejado. Longe dos títulos e com grande parte dos "reforços" a não conseguir adaptar-se a um contexto que, a todos os níveis, era muito diferente daquele a que estavam habituados, tudo começou a ser questionado. Foi, então, que se iniciou a debandada dos jogadores. Uns para um lado, outros para outro... e Derlei regressaria a Portugal.
Desta feita, o destino levá-lo-ia a Lisboa. Já não muito longe do Sporting, ainda assim do outro lado da 2ª Circular, a cor que Derlei envergaria seria o encarnado. No Benfica, a meia temporada que fez, com apenas um golo no Campeonato, não seria suficiente para conseguir convencer os responsáveis do clube na sua contratação definitiva. Mas se um de um lado se fecha uma porta, do outro pode sempre surgir uma oportunidade. A dita chance acabaria por ser o reatar de um "romance" antigo. Finalmente, Derlei e o Sporting, chegariam a um compromisso. A relação nascida nesse Verão de 2007, apesar de curta (2 anos), traria para ambos os lados, os seus frutos. Para o atleta foi a oportunidade de demonstrar que ainda não tinha perdido o talento. Já para os "Leões" seria a conquista de alguns títulos (2 Taças de Portugal e Supertaça) que, ainda longe do almejado Campeonato, adocicariam a boca aos seus adeptos.
Surpreendentemente, depois de um grande esforço - tanto por parte dos associados, como dos corpos directivos - para o convencer, Derlei, terminada a temporada de 2008/09, decide não renovar contrato com os de Alvalade. Segue para o Brasil e, daí em diante, a sua carreira apaga-se. Assina pelo Vitória, mas uma lesão só o deixa participar num jogo. O fim acabaria por acontecer pouco tempo depois, com o avançado a representar um dos emblemas do seu passado, o Madureira.


*Retirado de desporto.sapo.cv, a 08-01-2014

509 - CARLOS ALHINHO

Jogava na Académica do Mindelo, quando os estudos o fizeram viajar para Portugal. Apesar da mudança para um novo país e para uma realidade bem diferente da que, até então, estava habituado, houve coisas que o jovem Carlos faria questão de manter na sua vida. Intacta, estava assim a sua paixão pelo futebol. E nesse seu novo cenário, sediado nas margens do Guadiana, nada melhor havia para ele do que manter-se fiel, também, ao preto das camisolas.
Como já devem ter adivinhado, o novo capítulo da sua vida desenrolar-se-ia em Coimbra. Como não poderia deixar de ser, paralelamente à sua formação estudantil, as cores da "Briosa" haveriam de marcar o seu caminho. Quatro temporadas ao serviço da Académica, acabariam por ser mais do que suficientes para que a sua cotação começasse a subir e outros destinos se desenhassem.
Paralelamente, no Verão de 1972, o Sporting, com o capitão José Carlos em final de carreira, começava a pensar num possível sucessor para o seu lugar. Procurava-se um atleta que, como central que se queria, deveria ser bom no jogo aéreo, com um sentido posicional excelente, valente no desarme e que, essencial para o seu desempenho, tivesse nervos de aço. Curiosamente, no plantel dos "Estudantes" que, contra todas as previsões, não tinha conseguido evitar a despromoção, havia alguém com tais características. O seu nome era Carlos Alhinho!
Em Alvalade, como seria de esperar, a sua vida não foi fácil. Mas apesar de não conseguir assegurar um lugar no "onze" inicial, o atleta não se demovia dos seus objectivos e continuava a manter inalteráveis as suas qualidades. A competência era a maneira que tinha de responder às oportunidades conseguidas. Tal jeito de encarar os desafios, valer-lhe-iam, ainda no decorrer dessa sua temporada de estreia nos "Leões", o devido prémio - a estreia nas convocatórias para a Selecção Nacional.
Mesmo tendo em conta a forte concorrência a que estava sujeito, bastou uma segunda época para que Carlos Alhinho conseguisse ficar dono e senhor no centro da defesa. Essa alteração no seio do último reduto leonino, acabaria por trazer uma estabilidade à equipa, não digo "nunca antes vista", mas de uma qualidade férrea. Os resultados não se fizeram esperar e, a juntar a Taça de Portugal ganha no ano anterior, o Sporting, nessa temporada de 1973/74, conseguiria conquistar a "Dobradinha".
Ora, por esta altura, Carlos Alhinho era, a par de Vítor Damas, o atleta mais utilizado no plantel do Sporting. Este facto dava-lhe uma projecção tal, que outros clubes começaram a reparar nele. Quem primeiro chegaria ao concurso do defesa, seriam os espanhóis do Atlético de Madrid. De malas aviadas para a capital de "Nuestros Hermanos", é então que algo de estranho se passa! Ao mesmo tempo que era contratado o central português, assinava também pelos "Colchoneros" o internacional brasileiro Luís Pereira. O pior é que por esses tempos, a Liga espanhola apenas permitia a inscrição de três estrangeiros. Ora, como no plantel já estavam outros dois, Levinha e Ayala, Carlos Alhinho ficaria sem espaço.
A solução para tal trapalhada passou pelo regresso a Portugal. Com o plantel do Sporting cheio, acabaria por ser no FC Porto que o defesa iria encontrar nova casa. "Sol de pouca dura", já que um ano passado de "Azul e Branco", foi suficiente para que Carlos Alhinho se aventurasse em mais uma incursão pelo estrangeiro. Mas, tal como da primeira vez em Espanha, esta ida para o Betis não correria de feição. Alguns meses depois e já estava de volta a Portugal, desta feita para completar o trio dos "Grandes", assinando pelo Benfica.
Ainda na ressaca da saída de Humberto Coelho para o PSG, Alhinho, num Campeonato que se revelaria do outro mundo, acaba por conseguir um lugar de destaque no plantel das “Águias” – “Quando cheguei à Luz o Benfica estava a dez pontos do Sporting e a nove do FC Porto. No final da época, fomos campeões com nove pontos de avanço sobre o Sporting”.
Foi também com o terminar dessa mesma temporada, sem se perceber muito bem a razão, que o defesa sairia para o RWD Molenbeek. Regressaria para temporada de 1978/79 e nas Águias, excepção feita à passagem de uns meses (tão típica nos anos 70) pelo futebol norte-americano, manter-se-ia durante os anos vindouros.
Já afectado pelas lesões que o iam impedindo de actuar ao melhor nível, os últimos anos da sua carreira passá-los-ia no Algarve. Vestiu a camisola do Portimonense e decidir-se-ia pelo fim depois de uma derradeira época ao serviço do Farense (1983/84).
Apaixonado como era pela modalidade, nunca esteve muito tempo afastado da mesma. Já como treinador, numa carreira sem o brilho que teve enquanto futebolista, destaque-se a primeira qualificação para a CAN, na história da equipa nacional de Angola; o prémio de Treinador do Ano em 2002, ao serviço Al Alhy (Qatar); ou a final da Taça da Asia, atingida enquanto técnico do Muhanrag (Barhein).

CLÁSSICOS

Um Campeonato, todos o sabem, faz-se de diferentes equipas, díspares objectivos e de tantas disputas quão variadas poderemos imaginar. No entanto, seja em que canto do planeta for, há confrontos que nos prendem de forma mais efectiva que os demais. Foi essa paixão que quisemos trazer ao "Cromo sem caderneta". Por isso mesmo, Benfica, FC Porto e Sporting vão a jogo. Não dentro de campo, mas nos cromos daqueles que carregaram as suas camisolas... e nos diferentes lados das trincheiras!!! Assim, de uma "sui generis" maneira, Setembro será dedicada aos confrontos entre os colossos do nosso futebol, ou, se preferirem, aos grandes "Clássicos".