818 - ZÉ NANDO

Com o percurso formativo intimamente ligado ao FC Porto, é na temporada de 1985/86, numa altura que ainda era júnior, que o seu nome aparece na ficha de jogo da equipa principal. Apesar de, nessa 14ª jornada do Campeonato Nacional, ter estado sentado no banco de suplentes, a verdade é que Zé Nando nunca mais haveria de ter outra oportunidade de “Azul e Branco”.
Com diversas internacionalizações conseguidas nas jovens selecções nacionais, tendo, inclusive, participado na fase final do Campeonato Europeu S-16 de 1985, o jovem atleta seria incapaz de convencer os responsáveis dos “Dragões” a integrá-lo no plantel. Com as portas do Estádio das Antas fechadas, o esquerdino, que podia jogar na defesa ou mais avançado no campo, decide tentar a sua sorte com outras cores. Começa pelo Desportivo das Aves e, naquelas que foram as suas 4 primeiras temporadas, mantem-se a disputar os escalões secundários do nosso futebol. A 1ª divisão chega à sua carreira na temporada de 1991/92. Já depois de ter também envergado as cores de Famalicão, Varzim e Académico de Viseu, é pelo conjunto de Barcelos que Zé Nando enfrenta a mais importante competição nacional.
Sem nunca passar um longo período ao serviço do mesmo emblema, curiosidade que haveria de caracterizar a primeira metade do seu percurso profissional, a presença de Zé Nando no patamar máximo também não seria a mais constante. No entanto, a temporada de 1995/96 alteraria, pelo menos um desses paradigmas. Sem grande espaço num Felgueiras orientado por Jorge Jesus, o defesa opta por deixar o emblema do Vale do Sousa e passa a integrar o plantel da Académica de Coimbra.
A referida mudança levaria a que o atleta conseguisse, finalmente, manter-se num só emblema por mais tempo. De forma completamente contrária às épocas precedentes, o jogador fixa-se na “Cidade dos Estudantes” e aí permanece anos a fio. A sua devoção ao clube conimbricense seria de tal ordem que, ao cabo de algumas temporadas, passaria a ser visto como uma das referências do plantel. Ao serviço da “Briosa”, só na condição de atleta, Zé Nando participaria em 8 campanhas. Já em 2003, terminado o seu tempo de futebolista, inicia a sua caminhada como técnico. Nessas funções começa por orientar as camadas jovens, passando, alguns anos cumpridos, a colaborar com a equipa principal.
Apesar de algumas experiências como técnico-principal, caso da passagem pelo Tourizense em 2008/09 (à altura o “satélite” da Académica), uma boa parte da sua carreira tem sido feita como adjunto. Na selecção do Burkina Faso, auxiliando Paulo Duarte, o antigo jogador teria tarefa idêntica.  Outra excepção aconteceria aquando da sua ida para o Médio Oriente. No Catar ficaria à frente dos destinos do Al-Shahaniva, período esse que antecederia a sua vinda para Portugal. De regresso aos Campeonatos Nacionais, Zé Nando volta a juntar-se a Manuel Machado. Já depois de, na Académica, ter trabalhado com o referido treinador, este ano (2017/18) apresenta-se como um dos elementos que compõem a equipa técnica do Moreirense.

817 - PEDRO SILVA

Conseguir manter-se no plantel do Palmeiras após ter saído da formação do clube, poderia ter sido um bom prenúncio para si. Contudo, e após alguns anos sem conseguir impor-se no Palestra Itália, o jovem atleta começa uma longa caminhada de empréstimos. Nesse contexto, e sempre a disputar o maior escalão brasileiro, Pedro Silva acabaria por passar por diversas colectividades. Com diferentes sortes, as referidas cedências levá-lo-iam a atravessar o país de Norte a Sul e a vestir as camisolas de Figueirense (2003), Vitória Bahia (2004), e Internacional de Porto Alegre (2005). Nos dois últimos emblemas, o lateral acabaria por ajudar à conquista dos respectivos Estaduais. Ainda assim, e com as vitórias no Campeonato Baiano e no Campeonato Gaúcho a embelezarem-lhe o palmarés, o regresso à “casa-mãe” seria mais uma vez adiado.
É nesse sentido que o defesa tem a sua primeira experiência no estrangeiro. Mais uma vez cedido pelo Palmeiras, Pedro Silva acabaria por aterrar na Europa. Em Portugal, mais concretamente na cidade de Coimbra, o jogador veste as cores da Académica. Com os “Estudantes” a disputar a 1ª divisão, a temporada de 2005/06 até correria de forma bastante positiva. Chegar-se-ia a falar na aquisição do seu “passe” por parte do clube beirão. No entanto, o preço exigido pela sua transferência, incomportável para os cofres do emblema português, levaria a que os responsáveis da “Briosa” recuassem na intenção de, em definitivo, o juntar ao plantel.
O Iraty foi a solução encontrada para o seu regresso ao Brasil. Todavia, a sua passagem pelo Estado do Paraná seria bem curta. O Santos, com Vanderlei Luxemburgo ao leme, apostaria na sua contratação. De volta a São Paulo, ao invés de aproveitar a oportunidade dada, Pedro Silva vê-se envolvido em algumas polémicas com o seu treinador. Aliás, esse tipo de episódio não seria caso isolado na sua carreira e, nos anos vindouros, outros exemplos de indisciplina seriam difundidos pela imprensa desportiva. Nesta senda, também a sua saída para o Corinthians, em razão da já referida contenda, não traria grandes resultados desportivos. Em sentido oposto, os jornais voltariam a veicular problemas de insubordinação. A direcção do emblema paulista, através de um comunicado oficial, relataria que o defesa, sem qualquer autorização, havia abandonado o estágio da equipa. Resultado: processo disciplinar e novo “empurrão porta fora”.
Mesmo sabendo do comportamento do atleta, o Sporting recebe-o de braços abertos. A aposta no lateral-direito, que também sabia colocar-se no lado oposto do campo, era de tal forma evidente que, logo no jogo da Supertaça de 2007/08, aparece como um dos titulares. Os “Leões” conseguiriam conquistar o troféu, mas Pedro Silva começa aí um calvário de lesões. Após ter saído aleijado aos 10 minutos desse encontro, e já depois de concluída a recuperação, o defesa volta ao boletim clínico. Desta feita bem mais grave, a mazela levá-lo-iam ao bloco operatório e a uma longa paragem.
Apesar deste começo atribulado, as épocas que se seguiriam seriam proveitosas para si. Como um dos principais trunfos de Paulo Bento, o atleta conseguiria vencer a oposição de Abel para a direita da defesa e acabaria por recuperar o posto. Mas muito mais do que a disputa por um lugar no “onze” inicial, a temporada de 2008/09 ficaria marcada por mais um momento controverso. Na final da Taça da Liga, encontro disputado frente ao Benfica, um “penalty” muito discutível resultaria no empate para os “Encarnados” e na expulsão de Pedro Silva. Os “Leões” acabariam derrotados na resolução por grandes penalidades e, já na cerimónia de entrega de prémios, o jogador haveria de recusar a sua medalha, arremessando-a para o meio do relvado.
A chegada de Paulo Sérgio a Alvalade marcaria o fim do seu caminho em Lisboa. Dispensado pelo novo treinador, o defesa acabaria por ser emprestado ao Portimonense. Com a despromoção dos algarvios no final dessa época de 2010/11, o atleta decide ser a altura certa para regressar ao seu país. Mais uma vez no Brasil, o lateral acabaria por entrar na derradeira fase do seu percurso como desportista. Após vestir as cores do Novo Hamburgo, ABC, ASA Arapiraca e CSA, eis que chega a hora de “pendurar as chuteiras”. Ainda assim, o antigo futebolista não ficaria muito tempo afastado da modalidade e, no decorrer desse ano de 2014, volta a Portugal para começar a sua carreira de treinador. Como técnico tem desempenhado as funções de adjunto. Desde então no Portimonense, e a cumprir idênticas tarefas, Pedro Silva começou esta temporada (2017/18) como um dos ajudantes de Vítor Oliveira.

816 - DEMBELÉ

Depois de ter andado diversos anos a cirandar por emblemas amadores dos subúrbios parisienses, é já numa altura em que poucos acreditariam numa mudança radical desse paradigma que surge uma nova oportunidade para Siramana Dembelé. Com passagens por Villiers-le-Bel, Saint-Denis e FC Les Lilas, é na época de 2002/03 que é posta em cima da mesa a primeira proposta para assinar um contrato profissional. Apesar dos 25 anos de idade, as suas qualidades fariam com o Olympique Alès, à altura no 3º escalão francês, decidisse apostar na sua aquisição. Muito forte fisicamente, mas sem descurar a parte mais técnica, as capacidades do médio faziam dele um bom reforço para as manobras defensivas, tal como para as atacantes.
A melhor prova que Dembelé era um jogador com capacidades para enfrentar desafios maiores viria logo nos anos seguintes. Ainda que sem abandonar os patamares secundários, as boas exibições que conseguiria fariam com que clubes com mais tradição no futebol gaulês começassem a vê-lo com outros olhos. Cannes e Nîmes seriam os emblemas seguintes no seu percurso futebolístico. No entanto, o grande salto da sua carreira, aquele que o levaria a disputar uma competição de topo, seria dado pela mão de um antigo internacional português.
Contratado pelo Vitória de Setúbal para a temporada de 2005/06, Norton de Matos faz uma grande aposta no mercado francês para reforçar o seu plantel. É então que, por entre nomes como os de Gregóry Lacombe, Mamadou Diakité ou Oumar Tchomogo surge também a transferência do médio. Mais uma vez, Dembelé supera todas as expectativas. Tendo conseguido agarrar a titularidade com relativa facilidade, pouco tempo após a sua chegada a Portugal surge uma proposta de outro clube de renome na Europa. Com o “mercado de Inverno” aberto, é do Standard Liège que vem o novo convite. Numa altura em que o emblema belga tinha nos seus quadros alguns nomes bem conhecidos do futebol “luso”, casos de Jorge Costa ou Almani Moreira, é a presença de Sérgio Conceição que, anos mais tarde, iria mudar a vida do jogador.
Voltemos ao Standard Liège… Seria por este emblema que Dembelé ganharia os troféus mais importantes da sua carreira. Em 2007/08, sob o comando de Michel Preud’Homme, ajudaria à conquista da “Pro League”. Já na temporada seguinte, e com Laszlo Bölöni como treinador, o médio participa na vitória da Supertaça. Curiosamente, a disputa desse último troféu representaria a derradeira partida com as cores do emblema belga. Antes do fecho do “mercado”, o atleta assinaria pelo Maccabi Petah Tikva e mudar-se-ia para Israel.
É no clube israelita, no final da campanha de 2008/09, que decide pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Já em 2010 volta ao Standard, para ocupar a posição de treinador-adjunto. É nesse regresso à Bélgica que reencontra Sérgio Conceição, também ele um dos assistentes de Dominique D’Onofrio. Todavia, com a contratação do ex-atleta português para técnico-principal do Olhanense, o francês decide segui-lo. É partir desse momento que antigo centrocampista passa a ser um dos fiéis escudeiros do internacional “luso”. Desde então, já representou Académica, Sporting de Braga e Nantes, para, no início desta temporada (2017/18), ser apresentado como um dos elementos da equipa técnica do FC Porto.

815 - JORGE SIMÃO

Com a formação feita no Estrela da Amadora, a transição de Jorge Simão para o patamar sénior transformar-se-ia numa desilusão. Sem espaço na equipa da “Linha de Sintra”, que em meados dos anos 90 era presença assídua no nosso principal escalão, a solução para prosseguir a sua carreira acabaria por passar pelo ingresso no Real de Massamá.
No entanto, o que poderia ter sido um episódio transitório, no sentido de ganhar algum traquejo, tornar-se-ia na regra do seu percurso. Ao invés de regressar ao emblema que o tinha formado, Jorge Simão, e durante os anos que haveriam de compor a sua passagem pelos relvados, acabaria por quedar-se pelas divisões secundárias. Ainda assim, o que passou a ser a sua rotina futebolística foi incapaz de o desviar de um objectivo maior. Em paralelo com o seu trajecto nos “campos da bola”, e crendo que o seu lugar seria a elite do desporto nacional, o médio começa a investir noutras vertentes.
Estudante de Ciências do Desporto na Faculdade de Motricidade Humana, o atleta, ainda em tenra idade, aposta também nos Cursos de Treinador. Tendo feito todo esse investimento, e com a consciência que a sua vida de jogador dificilmente escaparia à sombra dos emblemas mais modestos, Jorge Simão decide aceitar novo desafio. Com 27 anos, abandona as obrigações de atleta e passa a abraçar as tarefas de treinador. Depois de, como centrocampista, ter vestido as cores de Real, Atlético do Cacém, Fanhões ou Carregado, 2003 torna-se num momento de viragem na sua vida.
Como técnico, naquela que foi uma mutação precoce, também começa por baixo. O regresso ao Atlético do Cacém, e apenas como adjunto, é o primeiro passo para essa mudança. Aliás, os primeiros anos nessas funções não seriam fáceis para si. Com muita coragem, trabalho e resiliência Jorge Simão começa a superar alguns obstáculos e a abrir outras tantas portas. É na temporada de 2013/14 que surge, então, uma grande oportunidade. Após ter passado pelo Estrela da Amadora em 2008/09 e ter sido assistido Mitchell van der Gaag no Belenenses, é do Atlético que surge o convite para passar a treinador-principal.
No emblema do bairro de Alcântara assume o papel onde viria a destacar-se. Subindo a pulso, começa a ganhar competências que o fazem apontar a desafios cada vez maiores. Na época seguinte, e depois de ter deixado o Mafra no caminho da promoção, o Belenenses endereça-lhe novo desafio. O convite é impossível de recusar e Jorge Simão não só faz a sua estreia na 1ª divisão, como leva os da “Cruz de Cristo” aos lugares de acesso às provas da UEFA. Curiosamente, e com o apuramento para as competições europeias a embelezar-lhe o currículo, dá-se a sua saída do Restelo. Seguem-se Paços de Ferreira e Desportivo de Chaves. Em ambos os clubes, o seu trabalho excede todas as expectativas. Esse sucesso leva António Salvador, Presidente do Sporting de Braga, a propor-lhe o lugar que tinha sido de José Peseiro. A meio de 2016/17, Jorge Simão muda-se de Trás-os-Montes para o Minho. Contudo, o desafio não corre de feição e o treinador, após não conseguir atingir os objectivos traçados por si, apresenta a demissão.
Sem orientar qualquer clube desde a 30ª jornada da campanha passada, Jorge Simão, à 6ª ronda desta nova época (2017/18) seria apresentado com as cores do Boavista. Para já, e com poucos desafios decorridos desde a sua nomeação, fica o registo para uma estreia de sonho. Aquele que substituiu Miguel Leal haveria de arrancar no comando dos “Axadrezados” com uma vitória caseira frente aos “Tetra- Campeões”, o Sport Lisboa e Benfica.

814 - ABEL

Formado nas “escolas” do Penafiel, as qualidades de Abel fariam com que conseguisse destacar-se dos demais colegas da “formação”. Rápido, com boa técnica e assertivo nas missões ofensivas e defensivas, o jovem atleta caracterizava-se pela elegância com que abordava todos os lances do jogo.
Tendo a sua estreia na equipa sénior ocorrido no decorrer da temporada 1997/98, à segunda campanha no referido patamar já Abel era um dos principais esteios da equipa duriense. Ainda que a disputar os escalões secundários dos nossos campeonatos, o defesa rapidamente começa a merecer a atenção de outras colectividades. O potencial exibido era de tal forma evidente que o Vitória de Guimarães, um dos maiores emblemas do nosso futebol, decide apostar na sua contratação para a época de 2000/01. Logo à chegada à “Cidade Berço”, ele que era apenas uma esperança, torna-se numa das principais apostas do clube. Numa época bastante conturbada, sublinhada pelas várias mudanças de treinador, o lateral haveria de conseguir manter a constância exibicional, conquistando a um lugar no “onze” inicial.
Já na campanha seguinte, e ainda sob o comando de Augusto Inácio, o atleta, muito para além de manter o estatuto de titular, conseguiria ser chamado aos trabalhos da selecção “B” de Portugal. Curiosamente, é ainda sob a batuta do antigo internacional “luso”, que o jogador começa a perder algum espaço no seio do plantel vimaranense. Também a chegada de Jorge Jesus pouco alteraria essa sua condição. É então que ocorre uma reviravolta na sua carreira. Ao trocar o Vitória de Guimarães por um dos seus maiores rivais, Abel passa a vestir as cores do Sporting de Braga. No novo clube, rapidamente consegue recuperar a sua cotação e, no espaço de temporada e meia, volta a ser um dos laterais de maior valor na Liga portuguesa.
Tendo ficado evidente esse próximo passo, o novo capítulo da carreira de Abel só poderia ser escrito ao serviço de um dos denominados “3 grandes”. Essa mudança ocorreria a meio da temporada de 2005/06 e a experiência seria de tal forma agradável que, aquilo que tinha começado como um empréstimo, transformar-se-ia na compra em definitivo do seu “passe”. Com Paulo Bento à frente do Sporting, e mesmo com a chegada de novos treinadores, a sua presença nas fichas de jogo manteve-se bastante elevada. Também em termos de títulos, esta fase seria a mais prolífera. As vitórias na Taça de Portugal (2006/07; 2007/08) e na Supertaça (2007/08; 2008/09) seriam os momentos mais altos do seu percurso como atleta.
Quando já tinha completado os 32 anos de idade, uma grave lesão precipita o fim da sua carreira como futebolista. A rotura dos ligamentos cruzados, numa altura em que também se falava da sua passagem para os quadros técnicos do clube, faz com que Abel responda positivamente ao convite do então Presidente Godinho Lopes. O antigo defesa passa a desempenhar tarefas nas “camadas jovens” e, como treinador-principal dos juniores “leoninos”, consegue conquistar o Campeonato Nacional de 2011/12.
Já depois de ter sido dispensado por Bruno de Carvalho de treinador da equipa “B” do Sporting, Abel aceita idênticas funções no Sporting de Braga. Desde 2014 ao serviço dos “Guerreiros do Minho”, as prestações medíocres da principal equipa “arsenalista” na temporada transacta (2016/17) levariam a que assumisse o comando desse grupo. A primeira experiência, ainda que interinamente, levá-lo-ia a vencer os “Leões” em pleno Estádio de Alvalade. Já mais para o final da temporada, em substituição de Jorge Simão, assumiria o cargo em definitivo e já com olhos postos nos desafios desta nova época (2017/18).

EQUIPAS TÉCNICAS 2017

O começo de mais uma temporada renova os desafios de clubes e dos seus responsáveis. É acerca desses, daqueles que todos os dias trabalham no campo com os jogadores, que falaremos durante este mês. Assim, e durante todo Outubro, dedicaremos o nosso tempo às “Equipas Técnicas”.

813 - ESQUERDINHA

Mesmo não tendo a benção do seu pai, Esquerdinha, ainda um adolescente, haveria de insistir na sua carreira de futebolista. Já em 1989, a actuar pelo Santos de Paraíba, conseguiria assinar o seu primeiro contrato como profissional. Contudo, aqueles que eram os passos iniciais de um sonho transformar-se-iam, bem depressa, numa grande desilusão.
Tendo regressado ao Botafogo de Paraíba, o emblema onde tinha passado grande parte da sua formação, o contrato oferecido não assegurava as condições necessárias para que o atleta pudesse sobreviver. Sem ter como sustentar-se, decide abandonar o futebol para procurar outra profissão. Todavia, e com cerca de um ano de interregno, as saudades da modalidade começariam a aumentar. Então, resolve voltar aos relvados e ao Botafogo.
Seria em 1993, uma temporada após o dito regresso, que tudo ficaria bem definido na sua cabeça. Nuno Leal Maia, afamado actor brasileiro, era o treinador do clube. Tendo detectado a falta de um lateral-esquerdo no plantel, decidiria lançar o desafio a Esquerdinha, pedindo-lhe para ocupara a posição. Não estando familiarizado com tais funções, a verdade é que a mudança correria de feição. O atleta deixaria de ser uma segunda escolha e passaria a ocupar um lugar como titular.
A adaptação a defesa, e as boas exibições conseguidas, fariam com que Esquerdinha passasse a ser bastante cobiçado. Esporte Bahia e Fluminense apareceriam como os principais candidatos à aquisição do seu passe. A transferência acabaria por não se concretizar e o atleta, muito por culpa da ligação que tinha ao seu empresário, acabaria a disputar a 2ª divisão paulista e no Paraguaçuense.
Apesar de afastado dos “grandes palcos”, a qualidade do defesa faria com que, mais uma vez, clubes de maior nomeada fossem no seu encalço. Seguir-se-iam Esporte Bahia, Atlético de Minas Gerais e Fluminense. Contudo, e depois de curtas passagens pelos emblemas referidos, seria no Vitória da Bahia que a sua carreira sofreria um verdadeiro impulso. Sendo um dos principais pilares dos sucessos da equipa, os 2 “Estaduais” conquistados, a Taça do Nordeste e a estreia do clube nas competições internacionais fariam com a sua cotação subisse em flecha. Da Europa surgem alguns interessados e numa corrida que envolveria portugueses e italianos, o FC Porto acabaria por levar de vencida o Venezia.
A chegada às Antas não seria fácil para o atleta. Tendo de enfrentar a concorrência de atletas consagrados, casos de Fernando Mendes e Paulinho Santos, a sua maior dificuldade prender-se-ia com o estilo de jogo. Apesar de ser um atleta raçudo e rápido, as mudanças tácticas a que ficaria sujeito acabariam por não facilitar a sua adaptação. Pouco habituado às tarefas defensivas, Esquerdinha passaria ainda um longo período afastado das escolhas de Fernando Santos.
 A sua estreia de “azul e branco” aconteceria apenas na 2ª volta do campeonato de 1998/99, mas ainda a tempo de ajudar a selar o último título do inesquecível “Penta”. Nas duas épocas seguintes conseguiria ainda acrescentar ao seu palmarés 2 Taças de Portugal (1999/00; 2000/01) e 1 Supertaça (1999/00). Ainda assim, e apesar de continuar a ser um elemento preponderante no seio da equipa, a chegada de Octávio Machado ao comando dos “Dragões” levaria à sua dispensa. Passaria ainda pelo Zaragoza e, de volta ao nosso país, pela Académica de Coimbra. Já o regresso ao Brasil levaria o atleta, que ficaria conhecido pela maneira assertiva como batia os livres-directos, a caminhar para o fim do seu percurso de futebolista. Após ter “pendurado as chuteiras”, Esquerdinha, sem nunca ter a ambição fazer grande carreira de nessas funções, ainda teria algumas experiências como técnico.

812 - ESQUERDINHA


No início dos anos 80, emerge das categorias de formação do Palmeiras um jovem rápido e muito habilidoso com a bola nos pés. Sendo canhoto, Décio de Abreu ficaria conhecido no mundo do futebol brasileiro como Esquerdinha. Ora, seria também desse lado do campo que o jovem atleta tentaria afirmar-se. Contudo, nas posições mais avançadas do terreno de jogo, o emblema de São Paulo tinha no seu plantel futebolistas de grande categoria. Esse factor, aliado à sua inexperiência, faria com que encontrasse bastante dificuldade na altura de conseguir afirmar-se. Nos 3 anos que haveria de permanecer no plantel principal do “Palestra Itália”, o extremo acabaria por jogar pouco e, ao fim do referido período, seria emprestado ao Santo André.
Ao fim de uma temporada cedido, Esquerdinha vê-se como “moeda de troca” na transferência de outro atleta. Como resultado do tal negócio, o extremo, que também podia actuar como médio-esquerdo, acabaria por passar a vestir as cores da Portuguesa dos Desportos. Na “Lusa”, dando sequência ao trabalho realizado durante o empréstimo ao Santo André, o atleta começa a destacar-se. Logo no ano da chegada ao novo grupo de trabalho, o clube consegue chegar à final do “Paulistão” de 1985. Essa campanha, na qual seria um dos melhores intérpretes, ajudaria a que a sua cotação também subisse. Nisto da fama, e para além da maneira como conseguia conduzir os ataques da equipa, os festejos por cada golo seu também ficariam célebres. Ora, cada vez que conseguia introduzir a bola nas redes adversárias, era costume vê-lo beijar a ponta da bota esquerda!
A notoriedade que ganharia nas épocas ao serviço da Portuguesa faria com que outros emblemas fossem no seu encalço. Da Europa, destino predilecto de tantos futebolistas sul-americanos, surge, em 1988, o convite do Marítimo. O desafio apresentado, e bastante aliciante, levá-lo-ia a aceitar a proposta dos funchalenses. Ainda assim, e apesar de ter sempre actuado no nosso maior escalão, as exibições da equipa madeirense seriam insuficientes para que o conjunto conseguisse passar dos lugares do meio da tabela. Com prestações colectivas pouco exuberantes, e mesmo sendo um dos atletas mais utilizados, a verdade é que as 3 temporadas que passaria no Campeonato português não revelariam um atleta com qualidade suficiente para outros voos. De certa maneira impedido de “dar o salto” para um emblema de maior nomeada, Esquerdinha acabaria por voltar ao Brasil.
Já perto de completar 30 anos de idade, o regresso aos campeonatos “canarinhos” daria início a um périplo que ficaria caracterizado por diversas mudanças. Durante esse período, que ainda duraria cerca de uma década, o esquerdino acabaria por vestir diversas camisolas. Tendo actuado em diferentes escalões do “Brasileirão”, merecem destaque as suas passagens pelo União de São João ou pelo Bragantino.
Em 2001, depois de uma derradeira campanha com o emblema do Sãocarlense, Esquerdinha decidiria ser a altura certa para pôr um ponto final no seu trajecto como futebolista. Tendo deixado os relvados perto de entrar nos 40, o antigo atleta não abandonaria a modalidade. Desse momento em diante, passaria a desempenhar as funções de treinador. Com essas tarefas destacar-se-ia como técnico de camadas jovens e emblemas de menor monta.

811 - NIVALDO

Saído das “escolas” do Londrina, Nivaldo rapidamente conseguiria destacar-se como uma das grandes promessas do clube. Nesse seu primeiro ano como sénior, ainda sem a importância que viria a merecer nos anos vindouros, o avançado faria parte do grupo de trabalho que, no final da edição de 1977 do “Brasileirão”, conseguiria alcançar a 4ª posição da referida competição.
O feito conseguido pela equipa do Paraná, faria com que todas as atenções se virassem para os seus atletas. Nesse sentido, Nivaldo continuaria a mostrar as suas qualidades no ataque às áreas adversárias. Logo no ano seguinte ao da sua estreia, com a frequência das suas chamadas a jogo a crescer, torna-se num dos elementos de maior preponderância no esquema táctico da colectividade. Esse estatuto manter-se-ia ao longo das temporadas vindouras. Nem a rápida passagem do seu clube pelo 2º escalão brasileiro afectaria as suas capacidades. Se dúvidas houvesse acerca de tal assunto, então o Campeonato Estadual viria a dissipá-las. Tendo nesse mesmo ano conseguido regressar ao convívio dos “grandes”, o Londrina, com o ponta-de-lança em destaque, alcançaria também o título de campeão paranaense de 1981.
Já depois da sua mudança para o São Bento de Sorocaba, onde jogaria durante as próximas 4 temporadas, o valor de Nivaldo, em consonância com aquilo que eram as suas belas exibições, subiria exponencialmente. Já com o Santos no seu encalço, surge então uma proposta vinda da Europa. Nessa corrida, o contrato oferecido pelo Vitória de Guimarães acabaria por ser mais vantajoso para o atleta. Preferindo o emblema minhoto em detrimento do lendário clube do astro Pelé, o atacante deixa o “Paulistão” e segue em direcção a Portugal.
Apesar de ser uma escolha pessoal de Paulo Autuori, à altura o treinador-adjunto de Marinho Peres nos vimaranenses, a verdade é que a adaptação do avançado a um universo futebolístico diferente acabaria por não trazer os frutos esperados. Tendo chegado com o rótulo de craque, Nivaldo não conseguiria um rendimento condizente com a sua fama. Preterido por outros colegas da mesma posição, como é exemplo Paulinho Cascavel, a época de 1986/87 transformar-se-ia numa campanha bem discreta para o ponta-de-lança.
No rescaldo desse seu primeiro campeonato em Portugal, Nivaldo acabaria por ser incluído na lista de dispensáveis do Vitória de Guimarães. Posto de parte pelos novos responsáveis técnicos, a solução encontrada para o atleta seria a sua saída para o Varzim. Mantendo-se a disputar o patamar máximo do nosso futebol, o jogador passaria a ser uma das referências do sector mais ofensivo dos da Póvoa. Mesmo não tendo conseguido evitar a despromoção da sua equipa, o avançado manter-se-ia no clube. Já na 2ª divisão nacional, disputaria mais duas temporadas com os “Lobos do Mar”, para, na época de 1990/91, fazer a sua derradeira temporada no nosso país.
Depois dessa passagem pelo União de Leiria, Nivaldo decidiria regressar ao Brasil. Tendo já ultrapassado a barreira dos 30 anos de idade, o avançado fixar-se-ia no Estado de Santa Catarina e acabaria por vestir as camisolas dos dois emblemas mais representativos da cidade de Florianópolis, o Avaí e o Figueirense.

810 - NIVALDO

Já depois de, nas categorias jovens do Sport Recife, ter terminado o seu percurso formativo, Nivaldo juntar-se-ia à equipa sénior do clube. Logo nesse ano de estreia (1977), ele que também tinha conseguido o mesmo título a jogar pelos juniores, sagra-se campeão de Pernambuco. Curiosamente, a temporada seguinte ficaria marcada por uma contenda entre o seu emblema e a Federação Pernambucana de Futebol. O desentendimento, com a recusa da colectividade em participar nos Estaduais, levaria a que vários atletas procurassem outros destinos. Por empréstimo, o jogador acabaria por passar pela Portuguesa dos Desportos e, já depois de resolvida a referida altercação, ainda jogaria pelo Cruzeiro de Belo Horizonte.
Após o regresso ao Sport Recife, onde ainda conquistaria o Estadual de 1980, surge o convite do Vitória de Guimarães. Por intermédio de António Pimenta Machado, primo do, à altura, Presidente Pimenta Machado, Nivaldo acerta tudo com os minhotos. Na “Cidade Berço”, o atleta confirma todas as qualidades que já tinha evidenciado no seu país natal. Já depois de ter sido devolvido à sua posição original, ele que nos seus primeiros anos como profissional seria adaptado a lateral, o médio rapidamente conseguiria um lugar no meio-campo. As suas prestações seriam de tal forma convincentes que, muito para além de tornar-se num dos indiscutíveis no alinhamento inicial, Nivaldo começaria a ser cobiçado por emblemas de outra monta.
Após 4 temporadas no antigo Municipal de Guimarães, e apesar do desejo do Portimonense, o Benfica consegue convencê-lo a mudar-se para a capital. Contudo, e tendo a sua contratação tido o aval de Sven-Göran Eriksson, a saída do técnico sueco para a Fiorentina haveria de causar alguns problemas ao centrocampista – “O Benfica, foi o sonho que virou pesadelo, este enorme clube do futebol mundial, sonhou comigo vários anos, como eu também sonhei, no entanto, o momento que escolhemos para concretizar o casamento, foi o pior possível, neste ano (1984) o clube resolveu trazer a Portugal, o pior treinador que existia em toda Europa. Não vou perder tempo com ele, o nome dele, é Pal Csernai!”*.
A curta passagem pelo Estádio da “Luz”, com o atleta a ser muito pouco utilizado, serviria apenas de interlúdio para um novo capítulo na sua carreira. Já depois de um primeiro “namoro” com os algarvios, a saída do Benfica permitiria ao atleta viajar para Sul. Nessa temporada de 1985/86, e tendo já disputado as provas europeias pelos vimaranenses e “Encarnados”, a presença do Portimonense na Taça UEFA seria bem mais especial. Tendo entrado em campo nas duas partidas frente ao Partizan de Belgrado, Nivaldo acabaria por entrar na história do clube que, na referida campanha, fazia a sua estreia em andanças internacionais.
Em 1991, ao serviço do União de Leiria, o atleta decidiria ser a hora certa para pôr um ponto final no seu percurso como futebolista. Todavia, e após regressar ao Brasil, o antigo “trinco” continuaria ligado à modalidade. Em parceria com a sua esposa, criaria uma empresa dedicada às actividades turísticas. Em paralelo, e credenciado pela FIFA, Nivaldo fundaria uma agência dedicada à representação de novos “craques”.


*retirado da entrevista de Pedro Simões, publicada em http://blogdoportimonense.blogspot.pt, a 17/10/2007

809 - NOGUEIRA

Ainda muito novo chegou a Portugal, vindo da Guiné-Bissau. Tinha, por essa altura, representado os Balantas de Mansoa e o Sport Bissau e Benfica, bem como a selecção do seu país natal. Vinha para mostrar a sua habilidade desportiva e apesar da ilusão de ser contratado por um clube de maior tradição no nosso país, o destino empurrá-lo-ia em direcção aos “regionais”. A sua modéstia fá-lo-ia encarar esse desafio como se num “grande” estivesse a jogar. O resultado dessa sua atitude, lado-a-lado com as suas qualidades futebolísticas, depressa ditaria que o seu lugar estava longe de tão modesto escalão. Rapidamente, o Ala-Arriba tornou-se pequeno demais e bastaria uma temporada para que Nogueira encontrasse nova morada.
Como um avançado rápido e de boa técnica, o União de Coimbra, à altura a disputar a 2ª divisão, decide apostar na sua contratação. Também na “Cidade dos Estudantes”, as suas exibições seriam merecedoras de enorme destaque. Todo o relevo dado, faria com que alguns emblemas de maior monta mostrassem interesse em juntá-lo aos seus plantéis. Falar-se-ia de Boavista e Belenenses, mas a ligação que havia assinado com o clube conimbricense acabaria por atrasar a sua chegada ao maior escalão do futebol português.
A sua estreia na 1ª divisão acabaria por acontecer 4 anos após a sua chegada a Portugal. Com o Gil Vicente, também ele pela primeira vez nessas andanças, a época de 1990/91 correria de feição para o ponta-de-lança. Sob a alçada de Rodolfo Reis, Nogueira acabaria por ser um dos atletas mais chamados a jogo, contribuindo para o 13º lugar e consequente “manutenção” da equipa de Barcelos.
Pior seriam as épocas seguintes. Assolado por graves lesões, o atacante acabaria por perder o protagonismo até aí alcançado. Quase sem jogar, o final da temporada de 1992/93 levaria ao fim da sua ligação com o Gil Vicente. Seguir-se-iam Maia e União de Montemor. Apesar de no clube dos arredores do Porto ter tido uma primeira temporada modesta, as restantes campanhas, ainda que na 2ª divisão “b”, faziam prever um novo salto até aos escalões superiores. Contudo, tal não aconteceria e o avançado acabaria por encontrar nova solução para dar seguimento à sua carreira.
Sem oportunidades em Portugal, é então que chega um convite do Médio Oriente. Da Península Arábica, ainda longe do “El Dorado” dos dias de hoje, surge a proposta do Qatar SC. Pelo emblema por onde já passaram nomes conhecidos do nosso futebol, casos de Caniggia, Akwá, ou Roger, Nogueira estaria ao serviço entre 1996 e 1999. Já o regresso aos nossos campeonatos, mais uma vez vetaria o atleta às divisões secundárias. Por entre diversos clubes, destaque para a sua passagem pelo Nacional da Madeira. Com José Peseiro ao comando dos insulares, o ponta-de-lança seria um dos intérpretes do regresso dos “Alvi-Negros” à 1ª divisão.

Após Trofense, São Vicente e de ter terminado a carreira ao serviço do Seixal, o regresso ao seu país levá-lo-ia a desempenhar novas funções no futebol. Fundou a Associação Academia de Futebol Anopisa & Amigos; foi Agente FIFA; cumpriu funções como Vice-Presidente para Desenvolvimento do Futebol; e, já em 2016, anunciaria a sua candidatura à Presidência da Federação de Futebol da Guiné-Bissau.

808 - NOGUEIRA

Já depois de terminar o seu percurso formativo com a “Cruz de Cristo” ao peito, a impossibilidade de conquistar um lugar no principal plantel do Belenenses, levaria Nogueira a tentar a sua sorte em clubes de menor monta. Essa caminhada, que começaria na 3ª divisão ao serviço do Tires, acabaria por sujeitar o defesa a diferentes experiências nos escalões secundários do nosso futebol. Vialonga, Oriental e Sacavenense seguir-se-iam no seu caminho e prolongariam por vários anos esse seu périplo.
Após meia dúzia de épocas sem nunca conhecer os palcos da 1ª divisão, o Académico de Viseu, recém-promovido ao nosso escalão máximo, decide apostar na sua contratação. No Estádio do Fontelo, e com o avançar da temporada de 1988/89, Nogueira começa a destacar-se pelas suas boas exibições. Apesar de apresentar um físico peculiar para um atleta da sua posição, a sua compleição alta e magra nunca haveria de estorvar a sua competência.
Foi uma nova passagem pela 2ª divisão que precedeu a sua afirmação definitiva como um futebolista primodivisionário. Ora, depois dessa campanha ao serviço do Fafe, seria o Penafiel a apostar no seu concurso. Mais uma vez, e como um dos mais utilizados no plantel duriense, Nogueira seria alvo de todo o tipo de elogios. Quem não ficaria indiferente às suas boas prestações, seriam os responsáveis do Boavista e, por essa razão, decidem avançar para a sua contratação.
Com Manuel José ao comando das “Panteras”, o sistema de 3 centrais imposto pelo treinador favoreceria a integração do defesa. Depressa conseguiria impor-se como um dos membros mais importantes do grupo de trabalho e essa sua rápida evolução acabaria por ter outros reflexos. Nesse sentido, e pouco tempo após a sua chegada ao Estádio do Bessa, Nogueira conseguiria a sua primeira chamada à selecção nacional. Esse particular frente ao Luxemburgo marcaria a primeira de 7 internacionalizações por Portugal. Curiosamente, a sua estreia com a camisola lusa seria brindada por um golo da sua autoria.
Também no que a troféus diz respeito, a sua passagem pelos “Axadrezados” seria generosa. Na temporada de estreia com o emblema portuense, e numa final em que entraria em campo à passagem do minuto 62, Nogueira ajudaria ao triunfo na Taça de Portugal de 1991/92. Logo na época seguinte, seria a vez da Supertaça Cândido de Oliveira. Mais uma vez frente ao FC Porto, o defesa teria um papel decisivo na conquista da referida prova. Jogando em ambas as partidas como titular, o atleta conseguira adicionar mais uma vitória ao seu currículo.
4 épocas a defender as cores do Boavista, aproximariam Nogueira do fim da sua carreira desportiva. Todavia, e tendo essa ligação chegado ao fim, a força que sempre apresentou dentro de campo permitiria ao jogador fazer mais um par de temporadas. No fim das referidas campanhas, o internacional português tomaria a decisão de pôr um ponto final no seu percurso profissional. Seria então com o “terminus” do campeonato de 1996/97, e a envergar a camisola do Vitória de Setúbal, que o central acabaria por “pendurar as chuteiras”.

807 - NOGUEIRA


Feito nas escolas do Atlético, seria no emblema do popular bairro de Alcântara que Nogueira chegaria aos seniores. Na equipa principal, e com a colectividade lisboeta a militar entre os dois primeiros escalões do futebol nacional, a fama do médio foi crescendo.
Depois de meia-dúzia de temporadas de amarelo e azul, e com os da Tapadinha a perderem-se definitivamente nas divisões secundárias, o atleta acabaria por dar continuidade ao seu percurso profissional com as cores de um dos clubes com mais tradição em Portugal. Sendo um centrocampista bastante aguerrido, seria essa sua combatividade que levaria o Sporting de Braga a adquiri-lo para a temporada de 1975/76. Contudo, esse ingresso nos “Guerreiros do Minho” serviria apenas de salto para o Boavista. Ora, já no Bessa, onde passaria as 3 épocas seguintes, as suas exibições levariam a que sua cotação subisse ainda mais. Foi por essa altura que um dos “3 grandes” haveria de tentar a sua contratação – “Ao longo da minha carreira, errei ao assinar contratos longos, de três anos. Quando estava no Boavista, recebi um convite do Sporting. Lesionei-me no joelho e fiz a minha recuperação em Alvalade, com o médico Branco do Amaral. Foi o próprio Sporting que me operou e estava previsto que assinasse pelo Sporting na época seguinte, mas o Valentim Loureiro (presidente do Boavista, na altura) pediu muito dinheiro”*.
Gorada a ida para Alvalade, o destino do atleta levá-lo-ia, na mesma, de volta a Lisboa! Com o Belenenses, e numa altura em que pelo Boavista já tinha vencido 1 Taça de Portugal (1978/79), Nogueira viveria os melhores anos da sua carreira. Resultado desse sucesso, o médio conseguiria a sua primeira, e única, chamada à principal selecção “lusa”. Convocado por Juca, seu antigo treinador nos da “Cruz de Cristo”, Nogueira faria a estreia com a camisola da selecção portuguesa num “particular” frente à Espanha. Nessa partida disputada no Estádio das Antas em Junho de 1981, o jogador acabaria também por contribuir para o resultado final de 2-0 – “Peguei na bola a meio-campo, passei a bola por baixo das pernas do Camacho, à entrada onde área, voltei a pôr a bola por entre as pernas de um adversário e à saída do Arconada, que na altura era o melhor guarda-redes do mundo, meti-lhe a bola também por baixo das pernas!”*.
Apesar de já ter passado a barreira dos 30, os anos em que jogou pelo Belenenses levá-lo-iam, finalmente, a vestir de “verde e branco”. No Sporting faria parte de um trio de centrocampistas composto também por Ademar e Virgílio. A força que os referidos atletas davam ao meio-campo leonino, contribuiria para que os de Alvalade conseguissem conquistar a “dobradinha” de 1981/82. Nogueira venceria mais uma Taça de Portugal e, sendo esse o troféu mais importante da sua carreira, adicionaria ao seu palmarés o título de campeão nacional. Mesmo assim, e sendo um dos homens mais utilizados dessa e da campanha seguinte, a saída de Malcolm Allison acabaria por pôr em causa a sua continuidade no clube – “Já tinha 32 anos, mas na época anterior até tinha sido titular indiscutível e o meu contrato só terminava um ano depois. Mas disseram-me que o António Oliveira não contava comigo. Isto apesar do treinador até ser o Joseph Venglos, só que o Oliveira tinha muito poder… Se calhar, ficou com ciúmes por eu ter sido considerado o melhor médio do campeonato quando fomos campeões e a ele não lhe ter sido entregue qualquer prémio!”*.
O pouco que restaria da sua carreira, passá-la-ia ao serviço do Recreio de Águeda e União de Almeirim. Depois de, ainda com as cores da equipa do distrito de Aveiro, disputar uma última temporada na 1ª divisão (1983/84), Nogueira passaria a militar nos escalões inferiores do nosso futebol. O fim do seu percurso profissional aconteceria no final da campanha de 1987/88 e ao serviço da referida equipa ribatejana. Após “pendurar as chuteiras”, o antigo internacional ainda chegaria a orientar algumas equipas de menor monta. Depois chegaria a trabalhar para o jornal “O Jogo”, onde cumpria as funções de chefe de expedição. Anos mais tarde enveredaria por um caminho completamente diferente, dedicando-se ao comércio de peixe.

 
*retirado de http://atascadocherba.com/, citando artigo publicado no Jornal Sporting a 22/05/2013

806 - SILVINO

Com um grande percurso nas “escolas” do FC Porto, que o levaria a passar por quase todos os escalões de formação, a subida aos seniores ocorreria na temporada de 1984/85. Mesmo sendo um atleta com passagem pela selecção portuguesa de s-18, nem esse estatuto haveria de o favorecer na altura de competir por um lugar à baliza. Com atletas como Zé Beto, Barradas, Borota e Matos à sua frente, a impossibilidade de Silvino conquistar uma oportunidade transformar-se em mais do que uma certeza.
Essa evidência levá-lo-ia, logo na campanha seguinte, a transitar para o Sporting de Espinho. Já nos “Tigres”, o guardião teria a oportunidade de crescer. A sua evolução seria de tal forma clara que, por altura da subida do clube à 1ª divisão (1987/88), Silvino transformar-se-ia num dos mais promissores guarda-redes a actuar no Campeonato Nacional. Prova disso, seria a importância dada pela Federação Portuguesa de Futebol à sua progressão. Nesse sentido, mereceria novas chamadas à equipa de Portugal e, desta feita, para representar os s-21.
Afirmando-se no Sporting de Espinho à frente de nomes bem conceituados do nosso panorama desportivo, como seria o exemplo do experiente Delgado, o atleta conseguiria que o FC Porto voltasse a apostar nele. Todavia, e tal como da sua primeira inclusão no plantel principal “Azul e Branco”, o sucesso desse regresso acabaria por ficar bastante aquém do esperado. Pouco utilizado, Silvino, mais uma vez, terminaria a época na lista de jogadores a serem dispensados. Ainda assim, a sua utilização no empate frente ao Beira-Mar, desafio referente à 34ª jornada do Campeonato, faria com que o guardião conseguisse juntar o seu nome ao rol de campeões nacionais da temporada de 1989/90.
Após mais esta experiência no Estádio das Antas, a entrada nos anos 90 levaria Silvino a dar início a um périplo que, nem sempre, foi o mais proveitoso para o atleta. Vários clubes, constantes mudanças, levariam a que uma das grandes esperanças do nosso futebol começasse, de alguma forma, a esfumar-se. Com passagens, entre os dois principais escalões, por emblemas como Gil Vicente, Belenenses, Famalicão, Desportivo de Chaves ou Vitória de Setúbal, o guarda-redes quase sempre ficaria sujeito a ser uma segunda escolha. As excepções, quase como que a apontar um caminho predestinado, seriam as temporadas que, entre 1991 e 1993, passaria ao serviço do Sporting de Espinho.
O fim da sua carreira como futebolista, numa altura em que já andava afastado dos grandes palcos do futebol português, aconteceria com a viragem do milénio. Após defender as cores do Lusitânia de Lourosa, Silvino decide ser hora certa para “pendurar as luvas”. No entanto, pouco tempo teria para repousar, pois, quase de imediato, receberia um convite do FC Porto para integrar os quadros técnicos do clube. Como treinador de guarda-redes, o antigo internacional luso tem trilhado um caminho respeitado por todos. Para além do seu trabalho com a equipa “B” dos “Dragões, onde permaneceu diversos anos, também já conta com passagens por emblemas como a Académica de Coimbra, Sporting de Braga ou Moreirense.

805 - SILVINO

Nascido na cidade de Setúbal, foi no Vitória local que Silvino deu os primeiros passos. Todavia, e ao contrário de que possam pensar, foi o andebol que apaixonou o jovem desportista! O futebol, a modalidade em que construiria a sua carreira, viria apenas mais tarde.
Apesar desta história curiosa, foi mesmo no “jogo da bola” que Silvino viria a merecer grande destaque. Igualmente produto das “escolas” sadinas, desde muito cedo que conseguiria destacar-se na defesa das balizas do clube. Seria também ao serviço do Vitória de Setúbal que faria a transição para o patamar sénior. A esse nível e apesar de já trabalhar com o plantel há alguns anos, a sua estreia em alta competição, acabaria por acontecer apenas na temporada de 1978/79. Os resultados seriam excelentes e, logo nessa mesma época, o guardião acabaria por ser convocado para os trabalhos da equipa portuguesa s-21.
Mesmo com um começo auspicioso, a verdade é que a experiência de Jorge Amaral, seu colega de balneário, acabaria por destroná-lo da titularidade. Esse facto haveria de pesar na sua decisão de mudar de clube e, para a temporada de 1982/83, o atleta passa a apresentar-se com as cores do Vitória de Guimarães. Já no Minho, onde trabalharia sob a alçada de Manuel José e Hermann Stessl, Silvino voltaria a afirmar-se como uma das grandes esperanças do futebol português. O seu potencial, logo na época da chegada, ficaria sublinhado com a convocatória para a principal selecção nacional e a estreia num particular frente à Hungria.
É já com o estatuto de internacional que Silvino é transferido para o Benfica. Passadas 2 épocas após a sua chegada a Guimarães, o emblema da “Luz”, com o intuito de ir preparando a sucessão de Manuel Bento, decide apostar na sua contratação. Com tal lenda na baliza das “Águias”, a conquista de um lugar no “onze” foi sendo adiada. Sem grandes oportunidades, o jogador acabaria por ser cedido. Contudo, e no fim desse empréstimo ao Desportivo das Aves, o lugar finalmente seria seu.
No rescaldo do Mundial de 1986, onde Bento sofreria uma grave lesão, Silvino consegue afirmar-se nos “Encarnados”. Daí em diante, torna-se num dos incontestáveis no alinhamento benfiquista e, mais uma vez, passa a ser um dos nomes presentes nas chamadas à selecção. No clube, os títulos começam a suceder-se e a disputa das competições europeias permitem a sua presença em 2 finais da Taça dos Campeões Europeus (1988; 1990). No cômputo dessas 9 campanhas pelas “Águias”, o resultado para o seu palmarés seriam a conquista de 4 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça.
Mesmo sendo um dos elementos mais importantes no plantel, o regresso de Neno em 1990, leva a que a sua hegemonia comece a ser disputada. Alternando a titularidade com o seu colega de equipa, só a chegada do treinador Artur Jorge e a contratação de Michel Preud’Homme põe um ponto final na ligação entre o Benfica e Silvino. Ainda assim, a sua carreira estava longe de terminar e, com 35 anos de idade, volta a assinar contrato pelo Vitória de Setúbal. Todavia, esse regresso à cidade do Sado, serviria apenas de ponte para o seu ingresso noutro dos “3 grandes”. O FC Porto, a partir da época de 1995/96, transformar-se-ia na sua nova casa. O melhor, no entanto, estava ainda para vir. Após vencer mais 2 Campeonatos e 1 Supertaça pelos “Azuis e Brancos”, a sua transferência para o Salgueiros permitir-lhe-ia novas chamadas à “Equipa das Quinas”. Resultado de uma série de lesões, Silvino, ironicamente, é chamado pelo treinador que o havia dispensado do Benfica. Ora, é sob a orientação de Artur Jorge que o guardião participa em 2 partidas da fase de qualificação para o Mundial de 1998, tornando-se no segundo atleta do emblema de Paranhos a envergar as "quinas".
Já depois de em Vidal Pinheiro ter “pendurado as luvas”, a sua ligação ao futebol manter-se-ia. Como treinador de guarda-redes começaria a trabalhar, em simultâneo, com a Federação Portuguesa de Futebol e no FC Porto. Com a chegada de José Mourinho aos “Dragões”, Silvino tornar-se-ia num dos seus fiéis escudeiros. Acompanhando o técnico português, o antigo internacional luso tem representado os melhores emblemas mundiais e ajudado a evoluir muitos daqueles que são tidos como os melhores a defender as balizas. Os casos de Petr Cech, Júlio César e Iker Casillas são bem o exemplo do seu excelente trabalho. Hoje em dia (2016/17), e desde o regresso a Inglaterra, Silvino é “Assistent Manager” do “Special One”, no Manchester United.

HOMÓNIMOS, parte II

Com ou sem apelidos para acrescentar, com ou sem "I" ou "II" sucedendo-se à designação própria, no "Cromo sem caderneta" saberemos sempre distinguir todos os futebolistas que por aqui forem colados. Por isso, durante Setembro, e dando continuidade ao tema já abordado, daremos atenção aos craques que partilham o mesmo nome, num mês dedicado aos "Homónimos".

804 - PITICO

Já com alguns anos como profissional e passagem por diversos emblemas, o avançado Manoel Inácio da Silva Filho chega ao Sport. Bem, na verdade o nome que acabei de referir pouco diz respeito a esta história. O que interessa é falar de uma tal alcunha, de um tal Pitico, que, sob o comando do mítico Emerson Leão, haveria de ajudar a pôr o Recife em festa.
Pitico chegaria ao Nordeste brasileiro em 1986. Rapidamente, a sua fama de craque eleva-se ao ponto de ser comparado com “astro” Pelé. Ainda nesse ano, o avançado é “vítima” do primeiro assédio por parte de um clube europeu. O Sporting, que corria atrás de outro atacante, fica obcecado por ele. A dúvida instala-se e, na impossibilidade de contratar os dois atletas, os responsáveis leoninos mantêm-se na opção inicial. Nisto, quem acabaria por partir para Lisboa seria o avançado do Santa Cruz, Marlon Brandão. Pitico fica no Brasil e, como prémio, ajuda o Sport a vencer o “Brasileirão” de 1987. No final dessa temporada, e com a ida de Emerson Leão para São José, o jogador transforma-se na prioridade do treinador. Então, segue com ele para o emblema do estado de São Paulo e volta a ser alvo da cobiça de outra colectividade portuguesa.
A competir ao lado de jogadores como Mané ou Ricardo Narusevicius, Pitico, acompanhado pelos referidos companheiros de balneário, viaja para Portugal. Desta feita, o nome não é tão sonante quanto o do Sporting. Ainda assim, ao avançado pouco interessa o estatuto do clube que o acolhe e, rapidamente, consegue transformar-se num dos ídolos da massa adepta do Farense. No Algarve, quase sempre a disputar o nosso escalão máximo, o rápido atacante torna-se numa referência para o futebol nacional. Curiosamente, seria na única temporada em que, durante essas 6 épocas, estaria preso à 2ª divisão, que o seu nome fica consolidado como um dos craques a jogar em Portugal. Nessa campanha de 1989/90, com o clube afastado dos grandes palcos, é a Taça de Portugal que acabaria por o projectar. Numa final surpreendente, que oporia Estrela da Amadora e os algarvios, a vitória acabaria por sorrir aos da “Linha de Sintra”. No entanto, mais do que a “medalha de prata”, Pitico acabaria por ganhar a admiração de todos os fãs do “desporto rei”.
Esse respeito, como é lógico, consolidar-se-ia nos anos vindouros. As boas campanhas do Farense, onde o trabalho do catalão Paco Fortes merece todo o destaque, fariam com que o trabalho de Pitico granjeasse todo o tipo de louvores. O Sporting, usando o avançado Careca como moeda de troca, mais uma vez tentaria a sua aquisição. Falar-se-ia também de outro dos “grandes”, mas nenhuma dessas transferências acabaria por se concretizar. A fama de Pitico, no entanto, manter-se-ia inalterada. Mesmo depois de ter deixado o Sul do país e ter, já em Aveiro, envergado as cores do Beira-Mar, o avançado continuaria a apresentar números inequívocos e sinónimo da sua importância.
É certo que a passagem pelos “auri-negros” marcaria o fim do seu trajecto na 1ª divisão. Todavia, a sua carreira estava longe – muito longe! – de terminar. Imortal e Olhanense, num regresso ao Algarve, até dariam jus ao fim da sua carreira. Contudo, depois desse “pendurar de chuteiras” em 2001, surge o convite dos alentejanos do São Marcos. 3 anos de interregno não seriam suficientes para que Pitico encarasse esse novo desafio como uma mera brincadeira. O emblema do concelho de Castro Verde, ainda que a disputar apenas os “regionais”, conseguiria atrair grandes nomes da modalidade. Cadete, Fernando Mendes, Mané ou Hajry, todos eles seriam aliciados para o projecto da modesta colectividade. Entre estes craques, Pitico acabaria por ser o que, durante mais tempo, ficaria ligado ao emblema. Só em 2016, e já depois de ter ultrapassado os 50 anos de idade, é que o atleta decidiria, de uma vez por todas, abandonar a competição.

803 - NELO


Produto das escolas “axadrezadas”, Nelo, durante os primeiros anos como profissional, cumpriria o tão habitual périplo de empréstimos. Tendo, durante esse período, sido cedido a Felgueiras e, em por duas ocasiões diferentes, também ao Farense, a experiência ganha durante essas épocas iniciais permitiriam ao atleta conquistar o seu lugar no plantel do Boavista.
O seu regresso em definitivo aconteceria na temporada de 1990/91. À altura com 23 anos, o traquejo que já tinha, acrescido à chamada à selecção s-21, dar-lhe-ia a oportunidade de conseguir afirmar-se como um dos titulares. Preferencialmente pela esquerda, podendo actuar no meio-campo ou mais recuado, Nelo tornar-se-ia num dos homens mais importantes da manobra boavisteira. O seu sucesso seria de tal ordem que, poucos meses cumpridos após a sua reintegração no clube, da principal “equipa das quinas” receberia a primeira internacionalização. Nas Antas, numa partida frente à Holanda, o jogador passaria a fazer parte das contas do apuramento para o Euro 92. Todavia, e tendo participado noutras qualificações, ao atleta faltaria uma presença numa fase final de uma grande competição. Como que a compensar essa “falha”, destaque para a sua presença no Torneio Skydome de 1995, onde, na condição de “capitão”, ergueria o troféu organizado no Canadá.
Regressando ao Boavista, e numa altura em que o emblema sediado na cidade do Porto já estava a ser orientado por Manuel José, Nelo faria parte de um dos períodos áureos da história do clube. Batendo-se em todas as provas pelos lugares cimeiros, as “Panteras”, muito para além de afrontaram a hegemonia dos “3 grandes”, acabariam por vencer algumas competições. Tendo Nelo como um dos pilares dessas conquistas, o Boavista, sob a alçada do referido treinador, haveria de sair vitorioso numa Taça de Portugal (1991/92) e numa Supertaça (1992/93).
Claro está, também as competições europeias, resultado das boas classificações obtidas no Campeonato Nacional, fizeram parte do percurso de Nelo. Temporadas como a de 1993/94, na qual o Boavista conseguiria atingir os quartos-de-final da Taça UEFA, contribuiriam muito para exponenciar o seu valor. Neste sentido, nada teve de estranho o aparecimento de interessados na sua contratação. Quem acabaria por ganhar essa corrida, seria o Benfica. No entanto, a sua ida para a “Luz” acabaria por ser pouco positiva. Tendo a transferência ocorrido no início de uma fase conturbada para o clube lisboeta, a sua passagem pelas “Águias” não mostraria um jogador em posse de todas as suas capacidades. Provavelmente, e como o próprio viria a afirmar, alguns problemas familiares acabariam por prejudicar essa “aventura” – "Artur Jorge queria que continuássemos, mas a minha mulher não se adaptou a Lisboa, as minhas filhas choravam e a minha cabeça já não estava lá"*. No final, sobraria a experiência vivida na “Champions” de 1994/95, onde os “Encarnados” cairiam apenas aos pés do poderoso Milan.
O regresso ao Boavista acabaria por ficar marcado por dois acontecimentos de distinta importância. Primeiro, a vitória na Taça de Portugal de 1996/97. Já o segundo momento, logo a seguir à conquista da “Prova Rainha”, seria o fim da ligação com o clube. Com 30 anos de idade, ainda prosseguiria a sua actividade profissional na 1ª divisão. Contudo, e após esses 2 anos com o Rio Ave, o seu percurso conheceria uma realidade bem diferente da vivida até então e Nelo passaria a disputar os escalões inferiores do nosso futebol.
Tendo, durante essa derradeira fase do seu trajecto como futebolista, representado diversos emblemas, o jogador estenderia a sua carreira ainda durante vários anos. Com os 40 bem à vista, e ao serviço do Tirsense, Nelo decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. Desde a sua retirada dos relvados, o antigo internacional luso tem tido diversas experiências como treinador. Nessa nova caminhada, destaque para o seu trabalho no Boavista, onde é um dos responsáveis pelo trabalho com os craques das camadas jovens.

*retirado do artigo de Rui Frias, publicado em http://www.dn.pt, a 20/03/2016

802 - WENDER

Não sendo caso isolado, e até aqui no “blog” já foram feitas várias referências a diversos casos, Wender foi um jogador cujo caminho ficaria marcado por uma grande alternância de emblemas. Tendo, no cômputo da carreira, vestido 12 camisolas diferentes, só no Brasil, e mudando de camisola quase todos os anos, o extremo passaria por Sport, Botafogo, Ceará e Democrata.
Na sequência deste périplo inicial, seria já ao serviço do clube de Minas Gerais que o esquerdino receberia um convite vindo do outro lado do oceano. A Naval 1º de Maio, mesmo a disputar a Liga de Honra, acabaria por ser um bom desafio para o atleta e, na temporada de 1999/00, Wender apresenta-se em Portugal. Mesmo com os da Figueira da Foz sem conseguir a tão almejada promoção à 1ª divisão, as suas exibições começariam a despertar a cobiça de emblemas de maior monta. Ora, como um atleta Veloz e combativo, o seu tipo de jogo, directo, conseguiria chamar a atenção dos responsáveis técnicos do Sporting de Braga. Já no Minho, Wender torna-se num dos elementos chave da manobra ofensiva dos “arsenalistas”. Durante essas 3 temporadas, o atacante acabaria por ajudar o clube a regressar aos lugares cimeiros da tabela classificativa. Consequência desses bons resultados, viria também o apuramento para as competições internacionais e, frente aos escoceses do Hearts, faria a estreia na Taça UEFA.
É em 2005/06 que surge uma das melhores oportunidades para a carreira de Wender. Sob a alçada técnica de José Peseiro, a aposta do Sporting na sua contratação levá-lo-ia a mudar-se para Lisboa. Contudo, aquilo que parecia ser um salto muito positivo acabaria por tornar-se numa enorme desilusão. Com os “Leões” a viverem uma temporada bastante conturbada, o extremo também acabaria por ver defraudadas as suas expectativas. Poucas seriam as ocasiões em que o chamariam a jogo e, com a chegada de Paulo Bento para o lugar de treinador, Wender acabaria por ser cedido. Esse empréstimo ao Sporting de Braga, acabaria por resultar numa história curiosa. Tendo regressado ao Minho com a abertura do “Mercado de Inverno” de 2006, o primeiro desafio após a sua mudança para o Norte, seria entre os dois emblemas envolvidos na referida transferência. Wender acabaria escalonado para o “onze” arsenalista e, tendo marcado 2 golos à sua antiga equipa, ajudaria os “Guerreiros” a derrotar os “Leões” por 3-2.
2 anos e meio após regressar ao conjunto bracarense, os jogos disputados no início de 2008/09, permitir-lhe-iam juntar ao seu palmarés a vitória na Taça Intertoto desse ano. Curiosamente, depois de ter começado a época como titular, e antes do “fecho das inscrições”, dá-se a sua transferência para o Belenenses. A verdade é que essa mudança, numa altura em que Wender já contava com 33 anos de idade, como que assinalaria o início da derradeira fase do seu percurso como futebolista profissional.
Já depois da passagem pelo Restelo e de uma aventura pelo Chipre, o regresso a Portugal marca a sua primeira experiência como treinador. Todavia, e já como técnico das camadas de formação bracarenses, Wender aceitaria um convite dos amadores do Pasteleira. É, então, no final da temporada de 2013/14 que, no emblemático bairro portuense, o extremo põe um ponto final na sua carreira. Neste momento (2016/17) é um dos responsáveis pela equipa de s-17 do Sporting de Braga.

801 - CARRAÇA

Após a sua experiência no Vilafranquense, onde terminaria a sua formação e faria também a transição para o patamar sénior, António Carraça prosseguiria a sua carreira no Sacavenense. No emblema do subúrbio lisboeta, o médio conseguiria despertar a atenção de um dos emblemas que, nessa temporada de 1977/78, conseguiria a promoção ao patamar máximo português. Essa mudança para o Famalicão, iria permitir ao jovem atleta zarpar da 3ª divisão e estrear-se entre os “grandes” do nosso futebol.
No Minho, aquilo que poderia ter sido um passo importante na sua progressão, acabaria por ser pouco mais do que uma desilusão. Raramente utilizado, Carraça, no final desse ano, ainda teria que conviver com a despromoção da sua equipa. Continuaria ligado ao emblema famalicense mas, mesmo a disputar a 2ª divisão, a sua condição de 2ª escolha manter-se-ia inalterada. Curiosamente, seria o regresso ao Sacavenense que, na época de 1980/81, permitir-lhe-ia conseguir uma nova oportunidade. Sendo um médio que preferencialmente jogava pelo lado esquerdo, o Vitória de Guimarães, orientado por José Maria Pedroto, veria nele um bom elemento para reforçar o seu plantel. Todavia, e como já tinha acontecido na anterior aventura, as contas dessa nova passagem pela região, mostrariam números bem modestos.
Em 1984, depois de ter representado o Belenenses, a sua afirmação como um jogador primodivisionário parecia estar prestes a acontecer. Contratado pelo Farense, Carraça, finalmente consegue cimentar-se como um jogador titular. Na temporada seguinte, já com as cores do Vitória de Setúbal, o mesmo. O antigo internacional s-18 português mostrava estar preparado para enfrentar esses desafios da alta competição, quando, surpreendentemente, a sua carreira sofre um novo volte-face.
Com a sua ida para o Fafe em 1986, o seu percurso volta a entrar nos trilhos dos escalões secundários. Só que ao contrário de outras ocasiões, o regresso à divisão maior não mais aconteceria. Ora, tendo esta última parte da sua carreira sido preenchida por emblemas modestos, seria já no União de Montemor que outra mudança aconteceria. Tendo chegado ao clube alentejano em 1991, seria aí que, na condição de treinador-jogador, teria a sua primeira experiência como técnico.
Nessas novas funções, tendo também orientado “O Elvas” e Atlético, o seu percurso não seria muito longo. Mantendo-se sempre ligado à modalidade, Carraça acabaria por ter maior destaque como dirigente. Tendo entrado para o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol em 1997, e tendo sido eleito para Presidente em 2000, 7 seriam os anos em que manteria um vínculo com a instituição. No que a clubes diz respeito, o seu trabalho no Benfica e no grupo WS Sports (grupo ligado ao Pinhalnovense e Torreense), dar-lhe-ia grande credibilidade como Director Desportivo. Ainda nessas funções, e no âmbito do acordo de cooperação entre as “Águias” e Millonarios, António Carraça, já no decorrer deste ano (2017), mudar-se-ia para a Colômbia.