1006 - MARLON BRANDÃO

O destaque que acabaria por conquistar nas “escolas” do Marília, levá-lo-ia, em 1980 e com 16 anos apenas, a ser testado na equipa principal. A aposta correria bem e não tardaria muito para que outros emblemas viessem no seu encalço. Pelo Matsubara do Paraná, incluído no conjunto júnior, haveria de vencer a Taça de São Paulo. Passaria depois pelo Guarani, período que servira também para representar a Selecção Paulista de Juniores. No emblema da cidade de Campinas, Marlon mudaria a sua maneira de jogar. Habituado a posicionar-se como avançado centro, a sua baixa estatura faria com que os treinadores vissem nele maior aptidão para o lugar de extremo. Rápido e com bom engenho no passe e “drible”, a alteração potenciaria as suas qualidades e o jovem atleta tornar-se-ia ainda mais apetecível.
Contrariamente àquilo que a sua evolução prometia, a falta de espaço na equipa principal do Guarani levaria o avançado a tentar a sorte noutro emblema. Na temporada de 1984, Marlon mudar-se-ia para o Esportivo de Bento Gonçalves. Todavia, a passagem pelo emblema sediado no Rio Grande do Sul seria curta. Com potencial para colectividades de maior monta, ao extremo começariam a chegar algumas propostas. Com o Náutico a aproximar-se, seria o Santa Cruz a levar a melhor. Todavia, a impossibilidade de contratar o atleta em definitivo, levaria o clube a optar pelo seu empréstimo. Quem não ficaria assim tão contente com a opção, seriam os adeptos. Agradados com as exibições do recente reforço, acabariam por inspirar a realização de um “particular” que, com o lucro da bilheteira, serviria para a aquisição do seu “passe”.
Pelo conjunto “tricolor”, o extremo acabaria por viver os melhores momentos no seu país. A disputar o patamar máximo do “Brasileirão”, também no Campeonato de Pernambuco as suas exibições seriam louvadas. Aliás, seria no “Estadual” que Marlon venceria um dos mais importantes títulos enquanto futebolista. Porém, a conquista da edição de 1986 do “Pernambucano”, não traria apenas o troféu para o seu currículo. A referida vitória serviria também para lançá-lo nas camadas jovens da selecção brasileira. Depois da estreia pelo “Escrete”, a glória alcançada alimentaria outro salto e, já no início de 1987, dar-se-ia a troca do Santa Cruz por um novo desafio na Europa.
Quem acabaria por contratar o atacante brasileiro, depois de difíceis negociações, seria o Sporting. Com Palmeiras, Santos e Fluminense e tentarem imiscuir-se no “namoro”, o atleta decidir-se-ia pelo emblema português. Ao chegar a Alvalade a meio da temporada de 1986/87, a sua estreia aconteceria ainda com Manuel José no comando dos “Leões”. Mesmo com várias trocas de treinador, Marlon Brandão, manter-se-ia como um dos atletas mais utilizados nas duas primeiras temporadas de “verde e branco”. Nesse contexto, seria grande a surpresa aquando do anúncio do seu empréstimo ao Estrela da Amadora. Contudo, a passagem pela Reboleira daria novo impulso à sua caminhada e, na época seguinte, receberia indicações para voltar.
Mais um ano ao serviço do Sporting e as recorrentes convulsões levariam à sua dispensa. Com apenas 1 Supertaça somada ao currículo, o extremo deixaria Lisboa para juntar-se ao Boavista. Seria já na cidade do Porto que voltaria a trabalhar com Manuel José. Muito apreciado pelo treinador português, Marlon Brandão tornar-se-ia num dos principais intérpretes da estratégia montada. Como municiador ou mesmo no papel de finalizador, a sua interacção com Ricky, Artur, João Vieira Pinto ou Nélson Bertolazzi traria bons resultados às “Panteras”. Ainda assim, a sua passagem pelo Bessa também teria alturas menos boas. Na disputa da Taça UEFA de 1991/92 e depois da eliminação do Inter de Milão, aos “Axadrezados” calharia em sorte o Torino. Na primeira das duas mãos, Marlon acabaria por viver um dos momentos mais aterradores da sua vida. Num lance de ataque, o avançado decidiria disputar uma bola lançada para a área dos italianos. Com Marchegiani a sair de entre os postes, dar-se-ia o inevitável choque. O extremo ficaria entalado entre o guarda-redes e um dos defensores. Imediatamente, cairia no chão inanimado e tal seria a força do embate que acabaria com uma paragem cardíaca.
Com as suas exibições a ajudarem à conquista de 1 Taça de Portugal e de 1 Supertaça, a cotação do avançado, também pelas prestações do Boavista nas provas continentais, subiria em flecha. Como reflexo do seu valor, surgiria o convite do Valladolid. A transferência para o patamar máximo da “La Liga” consumar-se-ia a meio da campanha de 1993/94, mas o atleta passaria apenas alguns meses em Espanha. Depois, segundo algumas fontes, viria ainda uma experiência nos Estados Unidos. O certo é que Marlon Brandão, passados alguns anos, deixaria a competição, para passar a dedicar-se às tarefas de empresário de futebol.

1005 - CARLOS DUARTE

Tendo também o propósito de observar novos jogadores, o FC Porto, na transição da década de 40 para a de 50, haveria de encetar uma digressão pelas antigas colónias portuguesas em África. Como resultado dessa prospecção, chegaria à “Cidade Invicta” um lote de 4 atletas com enorme potencial. Em Moçambique os responsáveis da equipa descobririam Albasini e Perdigão. Já de Angola, os nomes escolhidos para integrar o plantel “azul e branco” seriam Miguel Arcanjo e Carlos Duarte.
Carlos Duarte, depois de ter jogado pelo Atlético de Nova Lisboa, seria descoberto já ao serviço do GD Ferrovia. Veloz e de “drible” fácil, o extremo-direito seria visto como um exímio intérprete do jogo directo. Essas suas qualidades, e com o objectivo de reforçar as hostes portistas, fá-lo-iam, em 1952, embarcar para a metrópole. Já instalado na cidade do Porto, o jovem atleta haveria de adaptar-se rapidamente. Tão depressa quanto a sua integração, os seus dotes transformá-lo-iam numa das principais estrelas do clube. Ao formar com Virgílio e Hernâni um trio de dinamismo ímpar, o atacante acabaria por tornar-se num dos responsáveis pelo regresso do clube aos títulos.
Com a chegada de Dorival Yustrich em 1955, o FC Porto acabaria por pôr termo a um jejum que durava há 16 anos. Mesmo não sendo visto pelo técnico brasileiro como um dos titulares absolutos, Carlos Duarte manter-se-ia como um dos elementos mais importantes no seio do grupo de trabalho. A sua relevância, que conservaria o seu nome no “onze” tipo, haveria de ser fulcral na conquista da “dobradinha” de 1955/56. Com a vitória no Campeonato, a temporada seguinte, à imagem da estreia do clube, daria a oportunidade ao extremo de participar pela primeira vez nas competições organizadas pela UEFA. Aliás, muitos dos principais episódios da carreira do atacante seriam vividos fora de portas.
Também pela selecção, cuja sua estreia, frente à África do Sul, aconteceria em Novembro de 1953, Carlos Duarte viveria ocorrências inolvidáveis. Um desses momentos seria passado num “particular” disputado frente à Inglaterra. Em Wembley, onde Portugal nunca tinha vencido ou marcado, o extremo deixaria a sua marca. Com um total de 7 partidas disputadas com a “camisola das quinas”, seria o mítico estádio londrino a apadrinhar o seu único golo concretizado pelo nosso país. Mesmo não tendo evitado a derrota lusa, a exibição do atacante não passaria despercebida. Com os diversos meios de comunicação a louvar a sua prestação, o atleta, nesse embate de Maio de 1958, terminaria o jogo como um dos melhores em campo.
As duas temporadas que açambarcariam o ano civil de 1958, acabariam por transformar-se num período de grande importância para Carlos Duarte. Para além dos troféus ganhos, nos quais ficariam listados a vitória na Taça de Portugal de 1957/58 e no Campeonato Nacional da campanha seguinte, surgiria o interesse de um dos “gigantes” do futebol mundial. Na pausa estival entre as referidas épocas, o AC Milan haveria de sugerir a transferência do avançado para o “cálcio”. Contudo, as centenas de contos apresentadas pelo emblema italiano acabariam por não impressionar as hostes portistas. Com a saída de Jaburú a ser equacionada, o Presidente Paulo Pombo, prevendo uma excessiva delapidação do plantel, recusaria a proposta. Para o extremo, que aceitaria a decisão directiva, a hipótese de jogar no estrangeiro esfumar-se-ia.
No começo da temporada de 1959/60, Carlos Duarte lesionar-se-ia com gravidade. O recobro, resultante da cirurgia ao joelho, afastaria o atleta das competições. Durante quase um ano, o extremo ver-se-ia na impossibilidade de dar o seu contributo à equipa. Dir-se-ia que no regresso à actividade competitiva, a sua habilidade, que a tantos tinha impressionado, havia ficado diluída na recuperação. Ainda assim, a sua presença em campo era tida como de vital importância e, nos anos vindouros, a inscrição do seu nome nas fichas de jogo manter-se-ia constante.
Mesmo tendo perdido alguma habilidade física, Carlos Duarte ainda manteria a sua ligação ao FC Porto durante alguns anos. No final da temporada de 1963/64, a separação, tantas vezes alvitrada, consumar-se-ia. Todavia, o fim da ligação entre os “Dragões” e o atleta acabaria por não significar o fim da carreira do extremo. O Leixões abrir-lhe-ia as portas e no emblema de Matosinhos encerraria um ciclo que, na sua vida desportiva, congregaria um total de 12 temporadas disputadas no patamar maior do futebol português.

1004 - CEPEDA

Com o percurso formativo a terminar no Dramático, bastaria uma temporada na equipa sénior, que militava apenas nos “regionais” de Lisboa, para que o Barreirense reparasse nas suas qualidades como jogador. A transferência, que levaria o jovem extremo de Cascais para a Margem Sul do Rio Tejo, acabaria também por catapultá-lo para a 1ª divisão. Na equipa comandada pelo mítico Manuel de Oliveira, Cepeda, progressivamente, começaria a ganhar algum espaço. Estrear-se-ia no “derby” frente à CUF, mas, na viragem para a 2ª metade da campanha de 1969/70, uma grave lesão iria comprometer o resto da sua temporada.
Como resultado de tal revés, Cepeda aceitaria dar continuidade à sua caminhada no Estoril Praia. No emblema da sua terra natal, no que poderia ter sido visto como um passo atrás, o atacante acabaria por construir as bases de uma evolução sustentada. Com a colectividade a disputar a 3ª divisão, o jogador, no seio de um plantel maioritariamente amador, tornar-se-ia numa das figuras mais cotadas. Já sob a alçada de Jimmy Hagan, a temporada de 1973/74 serviria para lançar o regresso do emblema “canarinho” ao patamar máximo do futebol português. Sendo uma das principais peças da referida demanda, o extremo-esquerdo ajudaria o conjunto a uma notável senda de boas exibições. Com duas subidas em dois anos consecutivos, os da Linha de Cascais conseguiriam concretizar o sonho de voltar a competir entre os “grandes”. Quem também aproveitaria a oportunidade seria Cepeda, que, ao mais alto nível, transformar-se-ia num intérprete de referência.
Após 3 anos a disputar a 1ª divisão, Cepeda seria convidado a mudar-se para o Belenenses. Aproveitando a presença de António Medeiros no comando técnico dos “Azuis”, o extremo aceitaria o desafio. Com o referido treinador, que também tinha orientado o atleta nos “Canarinhos”, o avançado acabaria por viver um dos momentos mais caricatos da sua carreira – “No encontro da primeira volta, que os azuis venceram por 2-1, o treinador, que tinha saído do Estoril para o Belenenses, considerou que os balneários da Amoreira não tinham condições. Daí que tenha mandado os jogadores equiparem-se todos no autocarro e, no fim, levou a equipa a tomar banho no Restelo”*. Nova provocação, dessa feita protagonizada pelo Presidente do Estoril Praia, chegaria com a 2ª metade do Campeonato. Jorge Dias entregaria a Cepeda uma boca de chuveiro, com o recado que a peça deveria ser oferecida ao seu treinador.
Entre 1978 e 1982, 4 seriam as temporadas vividas com a “Cruz de Cristo” ao peito. A sua passagem pelo Belenenses alimentaria, ainda mais, o seu estatuto de cariz primodivisionário. Mesmo a jogar pouco durante a última campanha, o que já tinha alcançado nos anos anteriores seria suficiente para inscrever o seu nome na história do clube. Com o fim da carreira já bem próximo, ter-lhe-á faltado, por certo, duas coisas. A primeira, e ao “pendurar aos chuteiras” ao serviço do Pêro Pinheiro, ter terminado o percurso desportivo num dos dois emblemas mais marcantes da sua caminhada profissional. A outra seria a falta de oportunidade para vestir, fosse em que patamar fosse, a “camisola das quinas”.

*retirado de artigo publicado em www.record.pt, a 12/03/2015

1003 - ARTUR FUTRE

É fácil entender que ao nascer como sobrinho de Paulo Futre, Artur, logo nos primeiros passos dados como futebolista, teria que ter estofo para aguentar as, mais que certas, comparações. Sem que tenha qualquer informação para aferir tal contexto, a verdade é que o jovem avançado, depois de cumprir grande parte do seu percurso formativo no Sporting, haveria de deixar o clube. Já com contrato assinado pelo Alverca, depois de também ter passado pelas “escolas” do Vitória de Setúbal, o jovem atleta haveria de fazer a transição para a equipa principal. Tendo a sua estreia acontecido na temporada de 2002/03, também o Lourinhanense haveria de constar nos primeiros passos da sua carreira sénior.
Por razão do acordo de cooperação entre o clube ribatejano e o emblema da Zona Oeste, Artur Futre haveria de dividir as duas primeiras temporadas entre as referidas colectividades. Mesmo a viver nesse vaivém, os dividendos tirados pelo avançado seriam bem positivos. Aliás, tudo o que o jogador conseguiria mostrar dentro e fora de campo, apontariam para uma promissora carreira. A estreia primodivisionária na campanha de 2003/04 e, na metade inicial dessa temporada, o primeiro jogo feito pela selecção portuguesa de sub-20, transformar-se-iam nas provas de uma evolução animadora.
Atento ao seu crescimento estaria também o Benfica. Já com o atleta a auferir do estatuto de jovem internacional, o emblema lisboeta decidir-se-ia pela sua contratação. No entanto, e com um balneário cheio de craques, a sua integração no plantel “encarnado” de 2004/05 tornar-se-ia numa missão quase impossível. Artur Futre, que podia posicionar-se como avançado ou como “10”, haveria de esbarrar na presença de atletas como Nuno Gomes, Mantorras ou Zahovic. Sem espaço para jogar e preocupados com o seu crescimento desportivo, os responsáveis do clube optariam pela sua cedência. Nesse sentido, regressaria ao Alverca, para, na época seguinte, representar o Maia.
O terceiro empréstimo aconteceria na temporada de 2006/07. Com o Desportivo das Aves de regresso ao escalão máximo português, Artur Futre teria assim mais uma oportunidade para, nos maiores palcos do futebol nacional, conseguir mostrar as qualidades que tinham feito dele uma promessa. Não tendo desperdiçado por completo essa chance, ainda assim a experiência no conjunto nortenho acabaria por ficar aquém do esperado. Mesmo não tendo atingido os números desejados, o que aconteceria no final da referida época acabaria por surpreender muita gente. Com 24 anos apenas, o atacante, passando a dedicar-se à organização de eventos desportivos, decidir-se-ia por uma estranha sabática.
O seu regresso à competição dar-se-ia após um ano de pausa. Em 2008, Artur Futre, dessa feita com as cores do Olímpico do Montijo, voltaria a apresentar-se em campo. Todavia, a disputa dos campeonatos regionais serviriam de pouca inspiração para o atleta. Com 3 campanhas volvidas após a sua decisão de voltar a jogar futebol, Artur Futre, com resultados aparentemente mais definidos, resolveria abandonar a modalidade.

1002 - PEDRAS

Tendo chegado à equipa sénior do Vitória de Guimarães depois do 3º lugar conquistado no Europeu de Juniores de 1960, Pedras sublinharia o seu nome como uma das grandes promessas do futebol nacional. Conseguindo estrear-se na principal equipa vimaranense na temporada de 1960/61, o médio, logo à partida, demonstraria que toda a esperança nele depositada dificilmente cairia em saco roto. Atleta com propensões ofensivas, o que traria para o seu currículo muitos golos, seriam necessárias apenas duas temporadas para que o Benfica fosse no seu encalço. A transferência concretizar-se-ia para a campanha de 1962/63 e o jovem centrocampista seria levado para o seio do grupo bicampeão europeu.
Numa equipa tão poderosa, e não pondo em causa a qualidade do jogador, a verdade é que a sua adaptação seria sempre complicada. A presença no plantel de nomes como José Neto ou Mário Coluna deixariam o médio sem grande margem para conseguir impor-se na equipa. Em 4 temporadas de “Águia” ao peito, poucas seriam as oportunidades dadas a Pedras. Por outro lado, e mesmo tendo jogado apenas 31 partidas durante a sua passagem pela “Luz”, o centrocampista conseguiria acrescentar ao seu currículo um total de 3 Campeonatos e 1 Taça de Portugal.
A transferência para o Vitória de Setúbal, além de dar ao jogador uma chance para relançar a carreira, acabaria por catapultá-lo para um nível já há muito merecido. Envolvido no negócio que levaria Jaime Graça para a “Luz”, Pedras, juntamente com Guerreiro e Arcanjo, partiriam para as margens do Sado. Nos dois anos em que vestiria o listado verde e branco do clube, o médio granjearia do merecido destaque. A presença em 2 finais da Taça de Portugal, tendo ajudado a ganhar a edição de 1966/67, seria superada em importância apenas pelas chamadas à principal selecção nacional. Pelos “AA” de Portugal, tendo também conseguido uma presença no conjunto “B”, jogaria 3 vezes. Bulgária, em duas ocasiões, e Brasil apadrinhariam as suas internacionalizações. No que diria respeito a seleccionadores, José Gomes da Silva e, mais tarde, José Maria Antunes transformar-se-iam nos seus timoneiros.
Após o destaque conseguido com os “Sadinos”, seria o Sporting a ir no seu encalço. Tendo, na temporada de 1968/69, conseguido agarrar a titularidade, o que aconteceria nas campanhas seguintes voltaria a levantar dúvidas sobre a sua real qualidade. Tal como já tinha sido verificado na passagem pelo Benfica, Pedras, ao perder muito fulgor, passaria os 2 anos seguintes sem ser tantas vezes chamado ao “onze” titular. Mais uma vez, salvar-se-iam os títulos e a vitória no Campeonato Nacional de 1969/70 e na Taça de Portugal do ano seguinte, serviriam para colorir o palmarés do atleta.
Na derradeira etapa da sua carreira, tempo ainda para representar outro emblema naquele que é o nosso escalão máximo. Depois de um par de épocas com as cores do Atlético, Sintrense e o Seixal seriam os passos finais de uma caminhada que terminaria com o fim da temporada de 1974/75.

1001 - DAVID BYRNE

Nascido em Inglaterra e criado na África do Sul, seria nos Estados Unidos da América que David Byrne – não confundir com o músico dos Talking Heads – começaria a sua carreira profissional. Ora, tanta mudança explicar-se-ia, pelo menos nos primeiros anos da sua vida, com percurso do seu pai. Tendo como progenitor o avançado Johnny Byrne, astro maior do Crystal Palace, West Ham e também da selecção inglesa, a mudança deste para Durban levá-lo-ia a crescer no hemisfério sul.
Poucos anos após o fim da carreira do seu pai, David Byrne encetaria a dele. Tendo viajado para a América do Norte, começaria por disputar a National American Soccer League. Outra particularidade dessa sua primeira fase prender-se-ia com o facto de muitos clubes, à custa dos mesmos atletas, competirem na vertente de campo e na de pavilhão. Com os Atlanta Chiefs, tal como ao serviço dos Toronto Blizzard, o avançado acabaria por experimentar as duas variantes.
Desde a sua chegada na temporada de 1979/80, passando pela mudança de emblema em 1981/82, os números que o atacante começaria a registar alimentariam o seu estatuto de bom jogador. Já como um dos principais atletas da liga, e ao contrário do que era normal para época, o avançado decidiria deixar a América para tentar a sua sorte na Europa. No Estoril-Praia, David Byrne encontraria a oportunidade que tanto almejava. Com Mário Wilson aos comandos do conjunto “canarinho”, o atacante transformar-se-ia numa das grandes apostas da equipa técnica. Tendo conseguido estrear-se à 11ª jornada e logo frente ao Sporting, o seu nome tornar-se-ia habitual no escalonamento do “onze” inicial.
A boa prestação na temporada de 1983/84, levaria a que outros emblemas em Portugal mostrassem algum interesse na sua contratação. Nesse sentido, o Belenenses transformar-se-ia, logo na campanha seguinte, no seu novo clube. Com os da “Cruz de Cristo”, cuja estreia mais uma vez seria apadrinhada pelo Sporting, David Byrne voltaria a mostrar boas qualidades. Mesmo sem ser um goleador nato, a verdade é que a sua presença na equipa titular constituir-se-ia como uma constante. Orientado pelo inglês Jimmy Melia, o avançado ajudaria o emblema do Restelo a atingir o 6º posto na classificação final do Campeonato.
Sem uma razão bem visível, David Byrne, após a temporada vivida em Lisboa, jamais voltaria a vestir as cores de um clube europeu. O seu regresso à América do Norte levá-lo-ia às rotinas vividas nos primeiros anos como futebolista. Entre os campos e os pavilhões, o avançado regressaria aos números que, mormente na variante “indoor”, tinham feito dele uma referência. Com passagens por diferentes ligas nos Estados Unidos da América e Canadá, o jogador acabaria por envergar as camisolas de equipas como os Minnesota Strikers, Baltimore Blast, Wichita Wings e, no futebol “11”, dos Tampa Bay Rowdies e dos Toronto Blizzard.
Já os últimos anos como profissional, levá-lo-iam a regressar à África do Sul. Numa fase em que pensava na futura carreira de técnico, tempo ainda para jogar nos Hellenic FC, clube também representado pelo seu pai. Como treinador, a sua trajectória haveria de ser edificada no referido país africano. Tendo tido diversas passagens como adjunto, destaque para as suas experiências como o principal comandante dos Black Leopards ou dos Avendale Athletico.

1000 - PORTUGAL, EURO 2016


Com o apuramento a começar numa aparatosa derrota caseira frente à Albânia, muitos ficaram a pensar que, com aquela amostra, a chegada à fase final do Euro 2016 estava seriamente transformada numa miragem. A primeira vítima do desastroso 0-1 de Aveiro, acabaria por ser Paulo Bento. Após um Mundial também ele nada pomposo, o acidente frente a tão modesta congénere transformar-se-ia na óbvia razão para o despedimento do treinador. Porém, Portugal tinha ainda 7 jogos para inverter o mau agoiro da 1ª jornada. Para tal, era necessário um novo timoneiro e, para ocupar o lugar vago, a escolha do Presidente Fernando Gomes recairia em Fernando Santos.
A mudança de seleccionador haveria de alterar o destino da equipa portuguesa. Uma das primeiras medidas do “Engenheiro do Penta”, seria a recuperação de alguns nomes que, para Paulo Bento, já eram cartas fora do baralho. Ricardo Carvalho, Danny e Ricardo Quaresma, acabariam por ser três dos atletas reintegrados. Mesmo numa altura em que a necessidade apontava para uma renovação, a verdade é que a inclusão de jogadores com uma maior experiência traria ao grupo um pragmatismo evidente. Esse acréscimo ficaria bem patente nas jornadas seguintes. Mesmo com algumas exibições menos convincentes, Portugal passaria a ter resultados positivos. Aliás, daí em diante a selecção nacional, no que restaria da fase de qualificação, não conheceria nada mais do que vitórias. O Grupo I, onde estavam também Arménia, Sérvia e Dinamarca, terminaria com os dois primeiros lugares respectivamente entregues à “Equipa das Quinas” e à surpreendente Albânia.
Nada melhor para nutrir o ânimo do que um sorteio que, na fase final, acabaria por colocar Portugal no mesmo grupo que Islândia, Hungria e Áustria. Contudo, e contrariamente ao que seria espectável, os jogos tornar-se-iam numa desagradável surpresa. Após 2 partidas, apenas 2 pontos somados. Quem, contudo, não perderia a esperança, seria Fernando Santos. Numa conferência de imprensa dada após o embate com a equipa austríaca, o seleccionador deixaria o seguinte aviso – “eu já disse à minha família que sou vou dia 11 (…) e vou lá e vou ser recebido em festa”. O 3º jogo, com o 3º empate, deixaria Portugal com 3 pontos apenas. Não acredito que, se projectados antes de terminada a 1ª fase, alguém tivesse a coragem de afirmar que tais resultados seriam suficientes para a equipa lusa passasse à fase seguinte. O certo é que a obra, quase do foro sobrenatural, aconteceria mesmo e, apesar dos magros números, a repescagem dos melhores 3ºs lugares salvaria a equipa de todos nós de um regresso prematuro.
A fase a eliminar não seria, em quase nada, diferente da anterior. Nos oitavos-de-final, frente à Croácia, mais um empate no final do tempo regulamentar. Só no prolongamento é que um golo de Ricardo Quaresma poria o “placard” a nosso favor. Já nos quartos-de-final, com a Polónia, o 1-1 levar-nos-ia para os penalties. Depois de 120 minutos, a “roleta” de tal desempate, mais uma vez sorriria às cores lusas. Curiosamente, só na meia-final é que Portugal conseguiria, pela primeira vez em todo o certame, decidir uma partida em apenas 90 minutos. Na disputa de um lugar no derradeiro jogo do torneio, o País de Gales, com Gareth Bale como figura maior, seria incapaz de travar a previsão de Fernando Santos. Cristiano Ronaldo e Nani ajudariam à premonição do “Míster” e, com 1 golo cada, levariam todo o grupo para Saint-Denis.
Para adversário na final, marcada para o Stade de France a 10 de Julho de 2016, nada mais do que a equipa da casa. Todas as probabilidades davam como certa a vitória francesa. Veiculadas na comunicação social e redes sociais, começariam a circular algumas notícias que até o autocarro para os festejos gauleses estaria pronto. Começado o encontro, Portugal, numa constância louvável, parecia encaminhar o jogo para mais um empate. Aos 25 minutos, um grande revés para o conjunto luso. Cristiano Ronaldo, após uma entrada dura de Dimitri Payet, sairia lesionado. Mesmo sem o principal artista, o conjunto nacional continuaria a enfrentar a peleja com bravura. Na adversidade de perder o “capitão”, erguer-se-iam outros heróis. Rui Patrício, em felinas estiradas, transformar-se-ia numa barreira para as ofensivas adversárias. Porém, e com os primeiros 90 minutos cumpridos, outro 0-0. Curiosamente, e sem que ninguém desconfiasse, em campo já estava aquele que viria a transformar-se na figura maior do espectáculo. Aos 79 minutos, e para o lugar de Renato Sanches, entraria no relvado o avançado Éder. Muitos, por certo, questionariam a validade de tal substituição. A verdade é que o ponta-de-lança, tantas vezes criticado e ridicularizado pela falta de golos, haveria de pôr toda uma nação em polvorosa.
Depois de Raphael Guerreiro, na cobrança de um livre, ter feito a bola embater na barra, chegaria a inverosímil hora do “patinho feio”. Com Portugal a acercar-se da baliza contrária, João Moutinho entregaria o esférico a Éder. Pressionado por Laurent Koscielny, mas dando jus ao seu poderio físico, o atacante conseguiria desenvencilhar-se do defesa francês e continuaria a correr paralelamente à linha frontal da grande área. Ainda longe de entrar no último reduto gaulês, e conseguindo afastar-se das azuladas camisolas contrárias, Éder transformaria o minuto 109 no instante perfeito para desferir um forte remate. Afastada a bola para longe de Hugo Lloris, a flamejante coragem de um protagonista improvável, que nem Griezmann ou Pogba conseguiriam extinguir, transmutar-se-ia num faustoso…  golooooooooooooo!!!!

999 - SAMBINHA

Jogava nos juniores do Lusitano do Lobito quando um antigo atleta do Belenenses assiste a uma das suas partidas. Sambinha, alcunha posta por outro adepto do emblema angolano, é de imediato recomendado ao clube lisboeta. Contudo, os da “Cruz de Cristo” não aceitariam prontamente a sugestão. Com uma digressão marcada para o país africano, os responsáveis da colectividade sediada em Belém, tomariam a decisão de estudar o jovem jogador por essa altura. Porém, e no dia de fazerem a tal aferição, o lateral direito não é chamado a jogo. Mesmo perdida a oportunidade, os dirigentes “azuis” decidiriam arriscar na avaliação do fortuito “observador” e a transferência acabaria acordada.
A sua chegada a Lisboa dá-se no seu último ano de júnior. As dificuldades de adaptação a uma realidade completamente diferente fariam com que o atleta pensasse, muitas vezes, em desistir. No entanto, as suas qualidades futebolísticas apontariam em sentido contrário. Sorrateiro e rápido nos movimentos, Sambinha era um jogador que, sem ter um grande físico, conseguia cumprir as tarefas defensivas muito pelo poder de antecipação e marcação. Com tais características, que agradariam aos responsáveis técnicos do Belenenses, ser-lhe-ia oferecida a oportunidade de, na equipa principal, dar seguimento ao seu percurso desportivo. Para sua surpresa, que recorrentemente subavaliava as suas exibições, ao lateral é oferecido novo contrato. O acordo, sem que na altura fosse possível sabê-lo, transformar-se-ia num dos primeiros passos para fazer de Raúl Ferreira dos Santos um dos históricos da “Cruz de Cristo”.
Seriam 13 as épocas que o lateral cumpriria ao serviço dos seniores do Belenenses. Em tão grande número de temporadas, muitos também seriam os momentos vivenciados pelo atleta. A sua participação nas provas nacionais, com mais de 200 jogos disputados só na 1ª divisão, seria apenas superada pela importância das competições continentais. O ponto alto nessa parte da sua carreira seria passado na campanha de 1976/77. Depois de, na temporada anterior, o 3º lugar na tabela classificativa ter posto o clube na senda da Taça UEFA, o sorteio levaria os “Azuis” até Camp Nou. Depois do surpreendente empate a 2 bolas no Estádio do Restelo, a viagem até à Catalunha serviria para exaltar Sambinha. Mesmo tendo perdido por 3-2, os portugueses seriam louvados pelo empenho posto na eliminatória. Destaque maior acabaria por merecer o lateral direito do conjunto nacional, que, segundo os relatos da altura, tornar-se-ia numa dor de cabeça para Johan Cruijff.
A verdade é que a relação que o jogador haveria de construir com o clube extravasaria os deveres desportivos. Sambinha assumiria um compromisso com o Belenenses que iria muito além daquilo que seriam as suas exibições. Se dentro de campo a sua postura, brava e arrebatadora, seria tida como exemplar, também fora do rectângulo de jogo a gratidão que mostrava pelo emblema seria vista como fora do vulgar. Um bom exemplo passar-se-ia com a presença na 2ª divisão, a primeira na história dos “Azuis”, na temporada de 1982/83. Para além de nunca ter querido sair do clube, apesar dos convites de Sporting, ou dos espanhóis Sporting de Gijon e Racing de Santander, o amor por aquele que era o emblema da sua infância, levá-lo-ia a ter uma postura abnegada. Perante o infortúnio da descida de escalão, o lateral, na altura de renovar o contracto, exigiria uma verba bem abaixo do espectável. Contrariamente ao pedido, a direcção recusaria tal proposta e, tendo em conta o que o jogador representava, oferecer-lhe-ia muito mais.
Com o fim da carreira a aproximar-se, Sambinha acabaria por exaltar duas mágoas. A primeira, e mesmo tendo jogado nos “BB” e sub-21, o facto de nunca ter vestido a principal camisola da selecção portuguesa. A outra teria a ver com o Belenenses. Dispensado no final da temporada de 1985/86, o defesa veria esfumar-se o desejo de terminar a sua caminhada de futebolista com a “Cruz de Cristo” ao peito. Na sequência da separação e, antes ainda de em 1989 tomar a decisão de aposentar-se, o lateral passaria por Trofense e Valenciano.

998 - MIGUEL LOURENÇO

Consta, em alguns registos, que terá chegado ao Benfica vindo do modesto Atlético de Reguengos. Tendo como certa essa transferência, a verdade é que Miguel Lourenço não terá deixado intimidar-se pela diferente grandeza das duas colectividades. Já ao serviço das “Águias”, o extremo, mesmo sem ser titular absoluto, conseguiria mostrar boas qualidades. Bastante utilizado nessa temporada de 1939/40, o atacante, nas duas campanhas seguintes, começaria a perder algum espaço. Ainda assim, o seu contributo serviria para que os “Encarnados” vencessem alguns títulos. Nesses 3 anos em que jogaria pela categoria principal, o atleta amealharia 1 Campeonato de Lisboa, 1 Taça de Portugal e, mesmo sem nunca ter sido chamado a jogo, faria parte do grupo que venceria o Campeonato Nacional de 1941/42.
Depois de um hiato de 2 anos, cujo seu paradeiro não consegui apurar, Miguel Lourenço aparece nos quadros do Estoril-Praia. A partir dessa temporada de 1944/45 e até ao fim da sua carreira como futebolista, o extremo passaria a envergar o amarelo dos da Linha de Cascais. Porém, e ao contrário daquilo que poderíamos concluir, a mudança de clube acabaria por não ser um revés na caminhada desportiva do atacante. Aliás, a sua passagem pelos “Canarinhos”, muito mais do que manter o atleta a disputar a 1ª divisão, serviria para que conseguisse atingir o patamar internacional.
Com as cores de Portugal, incluindo uma partida pelos “BB”, o avançado jogaria em 3 diferentes ocasiões. Tendo, pela mão do seleccionador Tavares da Silva, feito a estreia em Junho de 1946, Miguel Lourenço só voltaria a representar os “AA” do nosso país passados quase 3 anos. Depois da vitória por 3-1 no particular frente à República da Irlanda, o extremo regressaria aos trabalhos da principal equipa nacional em Fevereiro de 1949. No desafio frente à congénere italiana, e já sob a alçada de Armando Sampaio, a ajuda do atacante não evitaria a derrota por 4-1. No entanto, na ficha de jogo ficaria inscrito o seu nome, como o autor do golo português.
Apesar de não ser um dos grandes ícones do desporto nacional, a conclusão a que facilmente podem chegar, é que Miguel Lourenço conseguiu edificar uma carreira muito acima da média. Tendo chegado a internacional, também os seus números no Campeonato são de relevo. Com 10 temporadas disputadas no escalão máximo do futebol português, os registos do extremo leva-nos para a sua presença em mais de uma centena e meia de contendas. Também nos remates certeiros, os números são espantosos. Se tivermos em conta que a sua posição não era a que mais favorecia a marcação de golos, os 84 tentos, só naquela que é a principal prova nacional, também é uma marca de respeito.

997 - STOSIC

Vlada Stosic acabaria por surgir no plantel sénior do Estrela Vermelha, onde já brilhava Tomislav Ivkovic, em meados da década de 80. No entanto, ao enfrentar uma forte concorrência, as oportunidades conquistadas nas duas primeiras temporadas acabariam por ser poucas. Sem grandes chances para conseguir agarrar um lugar na equipa, o extremo direito encetaria um pequeno périplo de empréstimos. Mesmo não tendo ficado afastado do clube por mais de 2 anos, ainda assim, e durante esse período, o jovem jogador passaria por 3 equipas diferentes.
Depois de representar os australianos do Footscray Just e, de volta ao seu país, após ter envergado as cores do Rad Belgrado e do Radnicki Nis, o seu regresso ao Estrela Vermelha dar-se-ia na temporada de 1988/89. A estaleca ganha durante as referidas cedências, faria com que o paradigma dessa segunda passagem pelo emblema jugoslavo fosse bem diferente. Ao merecer a titularidade em boa parte dos jogos disputados, Stosic ajudaria a criar os alicerces que, passados apenas alguns anos, trariam a glória europeia ao clube.
Ao lado de craques como Prosinecki, Savicevic, Pancev, Jugovic ou Mihajlovic, o atacante faria parte de um grupo que, para além de dominar o futebol na antiga Jugoslávia, também daria cartas nas competições continentais. Com o tricampeonato ganho nas suas 3 últimas temporadas e ainda 1 Taça da Jugoslávia vencida, o currículo de Stosic tornar-se-ia ainda mais rico com a sua presença nas provas europeias de clubes. Nesse sentido, ficaria para a história a participação do Estrela Vermelha na edição de 1990/91 da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Durante a competição, na qual eliminariam o Bayern de Munique nas meias-finais, os de Belgrado chegariam à final. Como adversário, apresentar-se-ia no derradeiro jogo um poderosíssimo Marseille. O que poucos contavam é que, para defrontar Papin, Mozer, Chris Waddle, Abedi Pelé e companhia estava um conjunto extremamente motivado. Tendo começado no banco de suplentes, Stosic entraria em campo já no final do tempo regulamentar. Ajudaria os seus colegas a ultrapassar o prolongamento e, após o desempate por penalties, somaria ao seu palmarés o tão prestigiado troféu.
A meio da temporada seguinte, e após ter vencido a Taça Intercontinental frente aos chilenos do Colo-Colo, Stosic mudar-se-ia para Espanha. Tanto no Mallorca, como no Real Betis, o extremo conseguiria destacar-se. Sendo um dos atletas de realce na “La Liga”, a única curiosidade acabaria por ser a falta de chamadas à selecção nacional. O jogador que tinha conseguido a única internacionalização em Setembro de 1990, nunca mais seria convocado a jogar pela equipa do seu país. Tal circunstância tomaria dimensões ainda mais estranhas pelo facto do atleta participar numa das mais credenciadas ligas mundiais.
Ao fim de 5 anos em Espanha, e com a carreira de desportista a dar os últimos passos, Stosic transferir-se-ia para o México. No Atlante encontrar-se-ia com o antigo colega de balneário no Estrela Vermelha, o romeno Belodedici. Antes ainda de terminar a vida de futebolista, tempo para uma passagem por Portugal. A experiência no Vitória de Setúbal, com o atleta já distante dos desempenhos áureos, seria curta. No final da temporada de 1997/98 chegaria então o tempo de “pendurar as chuteiras”. Todavia, a sua história no futebol ainda não estava completa. Em 2010 o antigo internacional regressaria à Andaluzia e, como Director Desportivo, voltaria a juntar-se ao Real Betis.