934 - SKUHRAVÝ

Descoberto pelo Sparta de Praga nas “escolas” do modesto Prerov Nad Labem, seria no histórico emblema da capital que Skuhravý terminaria a sua formação como jogador. A transição feita na época de 1982/83, e tendo em conta que o atacante era visto como uma das maiores promessas do clube, acabaria por desapontar algumas pessoas. No entanto, os responsáveis da equipa sabiam que as suas qualidades não tinham desaparecido. A aposta na sua progressão manter-se-ia e, depois de 2 temporadas em que pouco seria utilizado, a solução encontrada levá-lo-ia a um empréstimo de 2 anos.
A evolução demonstrada no Rudá Hvezda Cheb surpreenderia até os mais cépticos. Dono de um físico imponente, o seu “faro” para o golo também o asseveraria como um dos bons avançados a actuar no país. Tal seria a qualidade das suas exibições que, antes de voltar ao Sparta, Skuhravý seria chamado à principal selecção da Checoslováquia. Esse particular disputado frente à Polónia em Setembro de 1985, serviria para reforçar a ideia que não tardaria muito até que o emblema titular do seu “passe” desse instruções para o seu regresso.
De volta ao emblema de origem, as 4 temporadas seguintes serviriam para a sua consagração. O ponta-de-lança, que pelo clube já contava com a vitória no Campeonato e Taça de 1983/84, viria o seu palmarés crescer imenso. Num grupo recheado de internacionais, como Chovanec, Jirí Novotny, Jan Stejskal, Nemecek, Bilek, entre tantos outros, os sucessos chegariam em catadupa. Mais 4 Campeonatos e 2 Taças acabariam por ser o saldo desse seu regresso.
Mesmo tendo em conta todas essas vitórias, o momento que realmente lançaria o atleta para os escaparates do futebol seria o Campeonato do Mundo de 1990. Com o Sparta a não conseguir ir muito além nas provas continentais, o torneio disputado em Itália seria a oportunidade para Skuhravý demonstrar que as suas qualidades mereciam outros desafios. Com 5 golos concretizados durante o torneio, só o italiano Salvatore Schillaci conseguiria ultrapassar o avançado checo. Esse 2º posto na tabela dos Melhores Marcadores, levaria a que alguns emblemas das principais ligas europeias o arrolassem como prioridade na lista de contratações. Não tardou muito a que os convites tomassem corpo e seria no “Calcio” que, a partir desse capítulo, o atleta daria continuidade à sua carreira.
As portas abertas pelo Genoa elevá-lo-iam à condição de estrela. Para isso muito contribuiriam as boas exibições do colectivo onde, no ataque, faria dupla com o uruguaio Carlos Aguilera. Essa parceria seria um dos principais pilares para o 4º lugar alcançado na temporada de 1990/91. A classificação para as provas europeias levaria o conjunto a mais uma bela campanha. Na Taça UEFA do ano seguinte, os “Rossoblu” encetariam uma caminhada que levaria o conjunto a atingir as meias-finais. Nessa aventura, também os golos de Skuhravý contribuiriam para que equipa progredisse na prova e ultrapassasse Real Oviedo, Dínamo de Bucareste, Steaua de Bucareste e até o Liverpool. Contudo, tal como noutros cenários competitivos, a maior contribuição do avançado viria do seu físico. Capaz de, no alto do seu 1,93m e quase 100kg, dar cabo de uma defesa, o cansaço que impunha aos adversários eram uma porta aberta para as rápidas ofensivas do companheiro sul-americano.
A dupla manter-se-ia apenas durante essas duas primeiras temporadas. Outros chegariam como o holandês John van’t Schip ou o nipónico Kazu Miura. Ainda assim, os resultados acabariam por não ser tão prolíferos quanto aqueles alcançados pelo consórcio checo/uruguaio. O reflexo ver-se-ia também nas prestações colectivas. O Genoa passaria os anos seguintes a lutar pela permanência. Skuhravý, parecendo acompanhar a descida de rendimento do clube, também entra em declínio. Aos poucos, o avançado começa a aparecer nos jornais mais por aquilo que fazia fora dos campos, do que dentro deles. As manchetes referentes às noitadas ou aos acidentes rodoviários seriam mais frequentes que aquelas que noticiavam as boas exibições do atleta. A descida do clube à “Serie B” pioraria todo esse cenário e, já no decorrer da temporada de 1994/95, é negociada a sua saída.
É Pedro Santana Lopes, à altura o Presidente do Sporting, que abençoaria as negociações que conduziriam o ponta-de-lança ao Sporting. Em Alvalade, Skuhravý continuaria na senda das exibições discretas. Bem longe dos tempos que o haviam notabilizado, a meia época feita ao serviço dos “Leões” resultaria apenas em 4 partidas disputadas. Na verdade, o maior destaque que conseguiria da imprensa nacional seria, mais uma vez, a notícia de outro carro espatifado.
A mudança para o Viktoria Zizkov em 1997/98, selaria o fim da sua carreira como futebolista. Ainda que ligado à modalidade, as suas aparições no futebol têm estado mais relacionadas com o comentário desportivo. Paralelamente, tem dado a sua ajuda a discretos emblemas italianos. No Ischia Isolaverde ficaria encarregue pelas camadas jovens; no Real Vicenza seria consultor técnico; e no Varazze seria contratado para “manager”.

933 - GOMES

De quando em vez aparece-nos um desafio que, em muitos aspectos, o torna mais difícil que os demais. Como será simples de entender, a pouca informação encontrada sobre Gomes tornou este “post” num repto diferente da maioria. Para muitos daqueles que visitam o nosso “blog”, também não será fácil perceber o porquê da escolha do atleta para número 933. No entanto, e como poderão asseverar nas próximas linhas, o médio até conseguiria desenhar uma carreira desportiva com diversos pontos de interesse.
Tendo terminado a sua formação nos juniores da AD Fafe, seria no começo da década de 80 que Gomes faria as suas primeiras aparições na categoria principal do conjunto minhoto. Ainda que promovido numa altura em que o clube andava entre o segundo e terceiro escalão nacionais, os anos seguintes mostrariam uma equipa que, estando mais estável nas suas ambições, começava a sonhar com outros objectivos.
O culminar dessa ambição começaria a tomar forma, ainda que com algumas peripécias, na temporada de 1987/88. O grupo, então comandado pelo técnico José Rachão, muito mais do que conseguir atingir os quartos-de-final da Taça de Portugal, haveria de classificar-se na 3ª posição da 2ª divisão – Zona Norte. A posição alcançada, como é fácil de constatar, não dava lugar à tão almejada promoção. É então que, com a época de 1988/89 prestes a começar, rebenta um escândalo de suposta corrupção. Os campeonatos ainda dão os primeiros passos. Entretanto, a sentença saída do processo que envolvia o alegado aliciamento do Famalicão ao Macedo de Cavaleiros, pune os minhotos*. Tudo muda! O Famalicão, que tinha conseguido a promoção à 1ª divisão, é castigado com a descida à 3ª divisão. Como resultado, e para substituir os condenados, a AD Fafe é chamada à disputa do escalão máximo.
Com a inesperada convocatória, Gomes torna-se também numa das boas surpresas do Campeonato Nacional. Tanto nos planos do já referido José Rachão como, depois da 16ª jornada, nas fichas de jogo preenchidas por Manuel de Oliveira, o médio tornar-se-ia num dos atletas com mais presenças em campo. Ao lado de Rogério Leite, com quem faria dupla no miolo fafense, o centrocampista acabaria por ver o conjunto falhar a meta da manutenção. Após essa curta aventura primodivisionária, seria no regresso aos patamares secundários que o jogador daria seguimento ao seu percurso profissional.
Depois de mais de uma década a representar a AD Fafe, a descida significaria o divórcio entre o clube e o futebolista. Para esse facto muito contribuiria o convite de Manuel de Oliveira que, logo na temporada seguinte, o levaria para o Varzim. Curiosamente, alguns anos depois também voltaria a reencontrar-se com um dos treinadores que o haviam acompanhado no escalão maior do futebol português. Como que a asseverar a qualidade das suas exibições e entrega, um dos seus antigos técnicos lembra-se do velho discípulo. Após deixar os poveiros e de ter passado uma campanha com as cores do Louletano, é na histórica Académica de Coimbra que Gomes voltaria a trabalhar com José Rachão.
O que restou da sua carreira, mantendo sempre a preponderância de épocas anteriores, seria passada em emblemas mais modestos. Num percurso que ainda duraria muitos anos, destaque para o regresso ao Varzim em 1992/93 e para as diversas campanhas com as cores do Lixa. A sua caminhada sénior, de quase duas décadas e meia, terminaria nos “distritais” de Braga e com Gomes a ultrapassar a barreira dos 40 anos de idade.

*Sensivelmente um ano depois, o caso sofreria um “volte-face”. Tendo-se provado que tudo era mentira o Famalicão voltaria à 1ª divisão em 1990/91

932 - STRÖMBERG

É em 1979, com a chegada de Sven-Göran Eriksson ao comando técnico do IFK Göteborg, que Strömberg passa a ter um papel de extrema importância no desenhar táctico da equipa sueca. Ainda que muito novo, daí em diante o seu nome passa a ter um lugar cativo no meio-campo. Com um físico possante, passada larga e um estilo intrépido, ao jovem atleta também não faltava qualidade técnica. A sua visão de jogo e capacidade de passe eram, bem acima do que emprestava ao conjunto em termos defensivos, a sua mais-valia.
A sua evolução haveria de alcançar um dos maiores picos já em 1982. Numa temporada histórica para o emblema escandinavo, a campanha na Taça UEFA acabaria por tornar-se memorável. Após conseguirem eliminar diversos candidatos à vitória na prova, os suecos acabariam por, na final, defrontar os alemães do Hamburger. Em ambas as partidas, Strömberg seria escolhido para ocupar um lugar no meio-campo. A sua contribuição para a conquista do título europeu seria inegável e o seu prestígio sairia deveras valorizado.
Curiosamente, só após a dita vitória nas competições internacionais é que Glenn Strömberg seria chamado à selecção “A” da Suécia. Todavia, e apesar de tardia, essa primeira convocatória ajudaria também para valorizar o seu currículo. Com a estreia a acontecer num amigável disputado em Junho de 1982, essa partida frente à antiga União Soviética serviria de preâmbulo para uma história que o conduziria à presença no Mundial de 1990. No torneio disputado em Itália, o seu país, sem conseguir pontuar, não passaria da fase de grupos. Ainda assim, ao lado dos benfiquistas Mats Magnusson e Jonas Thern, o médio acabaria por ser um dos que melhores exibições conseguiria cerzir.
Aliás, seria com as cores do Benfica que Strömberg, em definitivo, lançaria a carreira. Trazido para a “Luz” a meio da temporada de 1982/83, pelo já referido Sven-Göran Eriksson, a sua estreia de “Águia” ao peito aconteceria em Fevereiro de 1983. Apesar de tapado por outros colegas durante a primeira campanha, esse período de adaptação precederia uma segunda época de total consagração. Tendo, pelo meio, ajudado à conquista do Campeonato, da Taça de Portugal e à chegada do clube à final da Taça UEFA, o sueco tornar-se-ia num dos elementos mais preponderantes nos êxitos vindouros.
O protagonismo ganho no nosso país, faria com que o seu valor voltasse a disparar. Já com mais 1 Campeonato no seu currículo, seria do “Calcio” que surgiria um novo desafio. A irrecusável proposta vinda da Atalanta, levaria o atleta a experimentar a “Serie A”. Com as cores do emblema de Bergamo, o centrocampista tornar-se num dos principais craques do campeonato italiano. Mesmo tendo passado pela infelicidade da despromoção, a passagem pelo 2º escalão daria, no entanto, a responsabilidade do jogador passar a envergar a braçadeira de “capitão”. É nessa condição que, já de regresso à principal divisão, conduziria o clube a uma das melhores fases da sua história.
Já depois de ajudar a Atalanta a conseguir diversas qualificações para as competições europeias, é em 1992 que o médio decide ser a altura certa para pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Desde então, a sua relação com a modalidade mudou. Sem nunca ter abraçado as funções de técnico, Strömberg é um consagrado comentador desportivo. Paralelamente, o antigo internacional sueco é também consultor para “sites” de apostas e gere uma página electrónica dedicada ao futebol.

931 - JOSÉ CARLOS

Antes de chegar a Portugal, já José Carlos tinha conseguido construir um belíssimo percurso no futebol brasileiro. Nesse trajecto de 7 temporadas, seria a campanha de 1983 que levaria o central à estreia na equipa principal do Flamengo. Num conjunto que, durante os anos da sua presença, contaria com imensas estrelas, nem sempre a sua chamada ao “onze” seria uma constante. Ainda assim, nomes como os internacionais Mozer, Leandro ou Aldair acabariam por não ser um entrave à sua progressiva afirmação. Nesse sentido, as últimas 3 épocas com o “Mengão” seriam fulcrais para o seu catapultar. Chamado à equipa com bastante frequência, o defesa acabaria por tornar-se num dos mais importantes elementos do plantel.
Em 1989 chegaria à sua carreira o momento com que tantos jogadores sul-americanos sonham. Contratado pelo FC Porto numa altura em que o seu palmarés contava com 1 “Estadual” Carioca, 3 Taças Guanabara, 3 Taças do Rio e 1 “Brasileirão”, José Carlos faria a sua estreia no futebol europeu em Agosto do já referido ano. Com um golo marcado nessa partida frente ao Nacional, tudo apontava para que a sua ambientação fosse fácil. Todavia, as coisas não correriam como o esperado – “A adaptação foi complicada. O futebol era muito diferente. Estava habituado ao estilo do Brasil, um futebol mais tranquilo em que pediam mais qualidade. Em Portugal era muito mais disputado cada lance. Era mais à base da força, principalmente para os defesas. Tínhamos de ser mais bruscos”*.
Artur Jorge, à altura no comando dos “Azuis e Brancos”, acabaria por empurrar o atleta para um empréstimo. A temporada de 1990/91, ao serviço do recém-promovido Gil Vicente, faria com o treinador português mudasse de opinião sobre o jogador e ordenasse o seu regresso. De volta ao antigo Estádio das Antas, José Carlos já não encontraria o referido técnico, mas o brasileiro Carlos Alberto Silva. Ainda que sem conseguir ser um dos indiscutíveis no “onze” portista, o defesa, daí em diante, passaria a ocupar um lugar de maior relevância no seio do plantel. Essa importância daria mais força ao grupo e acabaria por ser fulcral nos troféus alcançados pelo clube durante os anos 90. Para além do óbvio “Penta”, essas 5 vitórias consecutivas no Campeonato Nacional seriam rematadas por mais 1 Taça de Portugal e 3 Supertaças.
Após sair do FC Porto, com a curiosidade dos seus 26 golos o terem transformado no defesa com mais remates certeiros conseguidos pelo clube, Vasco da Gama e o regresso a Portugal para vestir as cores do Marítimo, marcariam o fim da sua carreira. Depois de 1997, José Carlos afastar-se-ia, de certo modo, da modalidade que, durante cerca de década e meia, praticaria. Continua ligado ao Flamengo, no qual joga pelos “veteranos”. Profissionalmente, gere um quiosque na mundialmente famosa Praia de Copacabana.

*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo e Pedro Jorge da Cunha, publicado a 05/05/2016, em https://maisfutebol.iol.pt

930 - GERMANO

Após emergir das “escolas” do Sporting pela mão de John Toshack, os poucos jogos disputados nas temporadas de 1983/84 e 1984/85 levariam os responsáveis leoninos a equacionar a sua cedência. Nesse sentido, as 3 campanhas seguintes seriam passadas na condição de “emprestado” – “Ingressei na época de 85-86 no SC Covilhã devido a estar ligado contratualmente ao Sporting Clube de Portugal e sendo o Covilhã uma filial, demos preferência ao clube para poder jogar com mais regularidade e ganhar experiência. Na época 87-88 foi totalmente diferente, porque tinha o SC Farense, que representei na época anterior, interessado na minha continuidade, assim como outros clubes da 1ª divisão, mas optei pelo Covilhã, por ter adorado a cidade e o clube”*.
Seria também ao serviço dos “Serranos” que Germano voltaria às selecções lusas. Tendo vestido as cores nacionais nos diversos escalões de formação, o defesa acabaria por ter a oportunidade de, mais uma vez, jogar por Portugal. As ditas chamadas seriam, acima de tudo, a prova de que era uma das grandes promessas do nosso futebol. Esse estatuto, juntamente com a experiência que tinha adquirido no escalão principal, transformá-lo-iam num atleta de cariz primodivisionário. Tal aferição levaria a que outros emblemas fossem no seu encalço. No meio disso tudo, a transferência do internacional Miguel do Vitória de Guimarães para Alvalade, levaria a que o central viajasse no sentido contrário.
A chegada à “Cidade Berço” em 1988/89, transformar-se-ia no melhor período da sua carreira. Tido como um jogador disciplinado tacticamente e lutador, a sua estatura física ajudaria também a que Germano ganhasse um lugar no centro da defesa vimaranense. Durante as 3 primeiras temporadas o defesa seria um dos mais utilizados no plantel. Visto como um exemplo, também a braçadeira de “capitão” seria entregue à sua responsabilidade. No entanto, o que parecia ser uma rampa de lançamento para novos sonhos, acabaria por conhecer alguns infortúnios. Afectado por graves lesões, o atleta acabaria por ser ultrapassado por outros colegas. Ainda assim, a sua passagem pelo Vitória de Guimarães seria bastante positiva. Rescaldo feito e esse período de 5 anos saldar-se-ia pela luta dos lugares cimeiros na tabela classificativa, pela participação nas competições europeias e, acima de tudo, pela conquista da Supertaça de 1988/89.
O que restou da sua carreira seria, na sua maioria, passada na 1ª divisão. O União da Madeira serviria assim para as 2 derradeiras temporadas entre os “grandes”. Mesmo havendo fontes que referem uma última aparição ao serviço do Seixal, Germano terminaria o seu percurso profissional com 30 anos de idade. Após o fim da sua caminhada como desportista, o antigo defesa afastar-se-ia do futebol. Desde então, tem-se dedicado aos seus negócios, nomeadamente na gestão de uma oficina de automóveis, de um salão de beleza e de um cabeleireiro.

*retirado da entrevista publicada em http://www.historiascc.com

929 - FESTAS

Com a formação repartida entre o Leça e a Académica de Coimbra, seria com as cores do Varzim que Festas faria a sua aparição no escalão sénior. O jovem atleta, que tanto podia actuar no eixo da defesa como na posição mais recuada do meio-campo, acabaria por participar numa das melhores fases da história dos “Lobos-do-Mar”. Orientados por António Teixeira, antiga estrela do FC Porto, os “Povoeiros” acabariam a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa.
Após a subida de divisão no final de 1975/76, as épocas seguintes revelariam um Varzim de grandes recursos. Com Festas a assumir um papel cada vez mais relevante, o grupo conseguiria atingir o 7º posto em 1977/78 e o 5º lugar duas temporadas depois. Pelo meio, o jovem atleta acabaria por ser chamado aos sub-21 portugueses. Esses bons resultados e as internacionalizações daí resultantes, acabariam por pôr o jogador na rota de outros clubes. Quem ganharia a corrida seria o Vitória de Guimarães e a transferência consumar-se-ia no Verão de 1979.
Na equipa minhota o atleta veria o seu estatuto a ser catapultado. A coragem que mostrava em campo levá-lo-ia a ser considerado como um dos grandes futebolistas a actuar na 1ª divisão nacional. Incapaz de virar as costas à luta, as 3 temporadas passadas na “Cidade Berço” fariam dele um esteio na composição táctica da equipa. O apoio defensivo que dava a toda a equipa começaria a ser visto como fulcral nos objectivos do conjunto. Mesmo sendo avaliado por alguns como um jogador “duro”, essa aferição não seria suficiente para diminuir as suas qualidades. Foi isso mesmo que os responsáveis do Sporting entenderiam.
Impressionados pelas suas características, a transferência de Festas para Alvalade consumar-se-ia no “defeso” de 1982. Com os “Leões” a saírem de uma “dobradinha”, a sua contratação teria como objectivo dar mais segurança ao sector intermediário. Mesmo sendo visto como o “polícia” ideal para um departamento liderado por António Oliveira, a verdade é que o “trinco” nunca haveria de impor-se de forma indiscutível no “onze” inicial. Ainda assim, as suas exibições durante a primeira temporada de “verde e branco” seriam suficientes para que Otto Glória visse nele um elemento válido para também vestir as cores de Portugal. Com a estreia a acontecer num “amigável” frente à antiga Alemanha Federal, seria durante o ano de 1983 que o jogador conseguiria as suas 4 internacionalizações “A”.
Tido como uma pessoa um tanto fleumática, seria dito que a sua saída de Alvalade dever-se-ia a polémicas com a Direcção do clube. Verdade ou não, o que é certo é que na temporada de 1984/85 o atleta passaria a representar o Sporting de Braga. Depois de uma campanha no Minho, a sua transferência para o Salgueiros marcaria uma mudança na sua relação com o futebol. Durante a época de 1986/87, Festas seria convidado a comandar os seus colegas. Apenas com 30 anos de idade, o antigo internacional daria o passo inicial de uma carreira que, passados alguns meses, assumiria em exclusivo. Como treinador, o seu percurso seria feito, em grande parte, nos escalões secundários. Excepção para duas situações: a já referida experiência em Paranhos e, em 1995/96, a passagem pelo comando técnico do Leça.

928 - PEDRO ESPINHA

Apesar de ter terminado a formação no Belenenses, Pedro Espinha só voltaria ao emblema do Restelo passados alguns anos. Sem lugar no plantel de 1984/85, seria no Cova da Piedade que, nessa mesma temporada, conseguiria fazer a sua estreia como sénior. Na 2ª divisão, e apesar de mudar de clube, continuaria por mais uma campanha. Contudo, a passagem pelo Torreense teria resultados completamente diferentes. Com exibições que já demonstravam algum grau de maturidade, o guardião haveria de despertar a curiosidade de emblemas de outra monta.
A Académica surgiria no seu percurso na época de 1986/87. Mesmo não tendo conseguido sair da sombra de Vítor Nóvoa, essa temporada, ainda assim, serviria para o seu lançamento na 1ª divisão. Apesar do desafio para o Campeonato frente ao Benfica e ainda da comparência numa partida a contar para a Taça de Portugal, as poucas presenças em campo levariam o jovem guarda-redes a procurar uma solução que asseverasse melhor a sua evolução. Nesse sentido, o regresso aos escalões secundários, dessa feita ao serviço do Sacavenense, serviria para relançar a sua carreira.
É já em 1989/90 que o Belenenses volta ao seu dia-a-dia. Com uma chegada discreta, Pedro Espinha, ao longo das temporadas seguintes, iria impor-se no plantel “Azul”. Aos poucos, a segurança que mostrava entre os postes, a maneira sóbria como atacava cada lance, levá-lo-ia a conquistar o seu lugar no “onze” inicial. Essas exibições, já depois de uma curta passagem do clube pelo 2º escalão, iria sublinhá-lo como um dos melhores atletas a actuar na sua posição.
Tanto no Salgueiros, para onde seria transferido no Verão de 1994, como no Vitória de Guimarães a sua qualidade mantê-lo-ia no topo. Esse estatuto só poderia resultar na sua convocatória para a selecção nacional. Com a “camisola das quinas”, Pedro Espinha, segundo palavras do próprio, viveria um dos momentos mais importantes do seu percurso profissional. Convocado por Humberto Coelho para o Euro 2000, o guarda-redes seria chamado a jogo na partida frente à Alemanha – “Na altura tinha 35 anos, era um jogador com experiência, pelos muitos jogos que fiz. Encarei o jogo mais como um fator motivacional do que como inibidor. E, até hoje, foi o jogo que mais me marcou em termos de carreira, sem dúvida (…).É lógico que recebi a notícia com uma grande alegria, por dois motivos: porque iria ser a minha estreia no campeonato da Europa e porque era a minha primeira e única participação”*.
Outro prémio, que viria na sequência da sua participação no Europeu, acabaria por ser o interesse demonstrado pelos “grandes” do nosso futebol na aquisição do seu “passe”. O FC Porto, mesmo tendo em conta a sua idade, acabaria por ver no experiente atleta um bom reforço. Tendo que competir por um lugar com Vítor Baía, Ovchinnikov ou Rui Correia, as oportunidades que conquistaria nas Antas, tanto sob a alçada de Fernando Santos, como com Octávio Machado ou José Mourinho, acabariam por saber a pouco. Nisto, e numa carreira que o elevou a um dos grandes guardiões portugueses da sua era, faltaram mais alguns títulos. Mesmo tendo dado a sua contribuição para a conquista de 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça, a sua passagem pela “Cidade Invicta”, em certa medida, sairia defraudada – “Acima de tudo saio com uma frustração, porque na minha vinda para o F.C. Porto o objectivo era ser campeão. A passagem por aqui foi frustrante nesse sentido”**.
Com uma última temporada com as cores do Vitória de Setúbal, Pedro Espinha, que contava com 37 anos, decide ser a altura certa para pôr um ponto final na sua caminhada como futebolista. Após tomada essa decisão, o antigo internacional manter-se-ia ligado à modalidade. Tendo começado como técnico nas “escolas” dos “Sadinos”, seria na Federação Portuguesa de Futebol que, passados alguns anos, daria continuidade às novas funções. A trabalhar com as cores nacionais há mais de uma década, o ex-guarda redes continua a desenvolver o seu trabalho com jovens atletas.

*retirado do artigo publicado em https://desporto.sapo.pt, a 23/05/2012
**retirado do artigo de Filipe Caetano, publicado em https://tvi24.iol.pt, a 14/05/2002

927 - CÉSAR PRATES

Jovem estrela revelada pelo Internacional de Porto Alegre, César Prates conseguiria destacar-se pelas soberbas qualidades físicas e técnicas. A sua velocidade e os cruzamentos certeiros, muito mais do que o pôr em destaque no seu clube, levariam a que outros agentes do futebol começassem a prestar mais atenção aos seus desempenhos. Já depois de, no Outono de 1996, ter feito a estreia pela principal selecção brasileira, o Real Madrid decidiria apostar na sua contratação. A transferência do lateral-direito ocorreria em Janeiro de 1997. No entanto, a mudança para Espanha acabaria por não trazer os resultados esperados.
Conseguindo pouco mais do que jogar pela equipa “b” dos “Merengues”, o futuro de César Prates passaria pelo regresso ao seu país. Numa série sucessiva de empréstimos, o defesa acabaria por conseguir mostrar as suas habilidades com as cores do Vasco da Gama, Coritiba, Botafogo e Corinthians. Durante as referidas cedências, também o seu palmarés sairia revigorado. A juntar ao “Estudual Gaúcho”, ainda ganho ao serviço do Internacional, o currículo do atleta ficaria preenchido pelas vitórias no “Brasileirão” de 1997 e 1999.
Também o Sporting entraria no caminho do defesa através de um empréstimo do Real Madrid. Contratado no “Mercado de Inverno” de 2000, a sua transferência, a par da chegada de jogadores como André Cruz ou Mbo Mpenza, seria fulcral na conquista de um dos títulos mais importantes da história recente dos “Leões”. Após esse Campeonato de 1999/00, que poria fim a um jejum de 18 anos, o emblema de Alvalade tomaria a decisão de, em definitivo, adquirir o seu passe. Nas temporadas seguintes, manteria a sua importância no seio do plantel leonino. Tanto de início, com Augusto Inácio, como com Laszlo Bölöni, o atleta brasileiro conseguiria segurar o estatuto de titular. Dono da lateral direita, César Prates seria peça fundamental nas vitórias das Supertaças de 2000/01 e 2002/03 e na “dobradinha” conseguida na temporada de 2001/02.
Curiosamente, seria durante a sua estadia no Sporting que, das escolas “leoninas” emergiria um dos melhores jogadores na história do futebol mundial. Cristiano Ronaldo, ainda à procura de referências, veria no internacional brasileiro uma preciosa ajuda para a o seu crescimento técnica e também… na evolução do seu aspecto:
– “Uma coisa muito legal foi que eu batia faltas e chamava ele. Ensinava a fazer cobranças de falta (…). Quando eu vejo ele batendo na bola, fico muito feliz. Vejo que não sou responsável direto, mas era uma das virtudes que eu tinha e não queria que ficasse só comigo. Ele ficava batendo 20, 30 bolas depois do treino. Eu chamava ele e ensinava. Ele ouviu e colocou aquela postura”*.
– “O cabelo dele não era liso. E eu usava cabelo comprido e liso. E negão sempre tem cabelo ´black´. Eu usava cabelo comprido liso porque eu passava um produto pra alisar. E aí o que acontecia? Eu passava no cabelo dele também”*. 

Após a passagem por Lisboa, a falta de acordo para a renovação do contrato que o ligava ao Sporting, levá-lo-ia a optar pela Liga Turca e pelo Galatasaray. Daí em diante, até aos últimos dias do seu percurso profissional, o jogador encetaria uma caminhada que o conduziria a inúmeras colectividades. Em constantes mudanças de emblema, destaque para as suas passagens pela “Serie A” italiana, onde vestiria as camisolas de Livorno e Chievo, e pelo Figueirense, onde ajudaria à conquista do “Catarinense” de 2008.
Em 2010, o antigo futebolista decidiria pôr um ponto final na sua carreira. Desde então, a sua principal ocupação surgiria de outra das suas devoções. César Prates, sem nunca esquecer o futebol, começaria a exercer as suas funções de Pastor numa igreja da cidade de Balneário de Camboriú.

*retirado do artigo de José Ricardo Leite, publicado a 11/09/2012, em www.uol.com.br

926 - BRIGUEL

Nuno Miguel Pereira Sousa, mais conhecido por Briguel, ganharia a alcunha pela comparação com o antigo internacional alemão Hans-Peter Brigel. Tal como o germânico, o jovem jogador também sabia posicionar-se nas laterais do sector mais recuado. Evoluindo tanto à direita como na esquerda, o defesa atravessaria os diversos escalões de formação, até que, nos finais da década de 90, faria a estreia nas categorias seniores do Marítimo.
Com a presença nas “escolas” maritimistas a remontar aos seus 7 anos de idade, a estreia de Briguel na primeira categoria do emblema funchalense seria precedida também por alguns períodos no conjunto “B” e, em 1999/00, na AD Camacha*. Após a passagem por aquele que era, à altura, o “satélite” do Marítimo, Briguel não voltaria a experimentar outro clube. Na colectividade sediada no Estádio dos Barreiros, o defesa cumpriria a quase totalidade dos 18 anos como profissional. Tendo sido chamado ao banco de suplentes ainda na época de 1998/99, a primeira partida na equipa principal jogá-la-ia apenas na temporada de 2000/01. Esse desafio frente ao Alverca, referente à 1ª jornada da referida campanha, marcaria o começo de uma caminhada que o levaria a tornar-se num dos grandes símbolos da colectividade.
Muitos factores contribuiriam para a estima alcançada ao longo desses anos. Logicamente, um deles seria a fidelidade demonstrada. Apesar do assédio de outros emblemas, Briguel acabaria por nunca sair para outro conjunto - "Ao longo da minha carreira, cheguei a ter conversações com outros clubes, mas nunca chegaram a bom porto. E também entendi que devia retribuir tudo o que o Marítimo fez por mim"**. Outra causa desse seu estatuto seria o peso nos sucessos alcançados pelo colectivo. As diversas qualificações para as competições europeias, com a sua estreia a acontecer frente aos ingleses do Leeds United, ou a chegada à final da Taça de Portugal de 2000/01, seriam algumas das façanhas que ajudariam a cimentar a sua carreira.
Depois de, no final de 2015/16, ter posto um ponto final na sua carreira como atleta, Briguel manter-se-ia ligado à modalidade e ao clube. Após quase 350 partidas disputadas no principal escalão nacional e diversos anos a envergar a braçadeira de capitão, o reconhecimento pela sua entrega surgiria na forma de um novo desafio. Sobrinho do Presidente Carlos Pereira, o internacional sub-21 português, com presença no Europeu 2002, seria convidado a trocar os relvados pelos bastidores. Tendo sido nomeado na temporada de 2017/18, o antigo defesa ocupa o cargo de Director Desportivo para o futebol.

*informação retirada de artigo publicado www.ojogo.pt, a 16/04/2014
**retirado do artigo de André Cruz Martins, publicado em relvado.aeiou.pt, a 08/11/2011

925 - VÍTOR MARTINS

Há uma expressão no futebol inglês capaz de definir a carreira do médio. Ora, um desportista que jogou a totalidade da sua carreira profissional num clube apenas, é um “One-Club men”… e foi isso que o Vítor Martins foi!
Antes ainda de chegar aos juniores do Benfica, seria nas “escolas” dos Nazarenos que Fernando Cabrita o descobriria. Transferido para a formação das “Águias”, e após uma passagem pelas “reservas”, seria na temporada de 1969/70 que participaria no primeiro jogo pela categoria principal. No entanto, não seria uma estreia qualquer! Frente a um Celtic que contava com Billy McNeill, Jim Craig ou Bobby Murdoch, vencedores da Taça dos Campeões Europeus uns anos antes, a confiança nas suas capacidades daria a Otto Glória a necessária certeza para lançá-lo numa partida de tal importância. O Benfica acabaria por perder na decisão por moeda ao ar, mas essa partida para as competições europeias marcaria o início de uma grande caminhada.
Muito desse seu trajecto seria feito de trabalho. Muito mais do que um virtuoso, o médio era um trabalhador. Recto nas suas intervenções, Vítor Martins não tinha medo de qualquer confronto mais físico. Ainda assim, era um atleta que tratava bem a bola. As habilidades técnicas que possuía permitir-lhe-iam posicionar-se em qualquer lugar no rectângulo de jogo. Por tudo isso, transformar-se-ia num elemento indispensável para qualquer um dos seus treinadores. Desde o já referido Otto Glória, a Jimmy Hagan, passando por Mário Wilson ou John Mortimore, a inscrição do seu nome na ficha de jogo passaria a ser uma rotina. Seria assim na maioria das 9 temporadas em que representou o plantel principal das “Águias” e, razão de tudo o que foi aqui escrito, um pilar em diversas conquistas.
Campeonatos seriam 6. Ainda somaria ao palmarés 2 Taças de Portugal. Ironicamente, seria naquela que é uma das provas mais estimadas por adeptos, técnicos e jogadores que Vítor Martins conheceria o fim da sua carreira. Nas rondas iniciais da edição de 1977/78 da “Prova Rainha”, calharia ao Benfica receber a formação do Desportivo de Chaves. Nesse fatídico dia 26 de Novembro Vítor Martins acabaria aleijado num joelho. Durante à operação ao menisco, o médio seria vítima de uma embolia cerebral. As mazelas resultantes do acidente obrigá-lo-iam a afastar-se do futebol.
Numa caminhada interrompida precocemente, os 27 anos que tinha na altura representariam a força de uma carreira no auge. Ainda assim, e apesar de curto, o seu trajecto ainda daria ao jogador a honra de vestir as cores nacionais. Representaria os sub-18, os sub-21 e, a meio do seu percurso profissional, a equipa “A”. Com a estreia a acontecer em Novembro de 1974, a chamada de José Maria Pedroto para um “amigável” frente à Suíça marcaria a primeira de 2 internacionalizações*.

*Vítor Martins jogaria uma terceira partida, não oficial, frente à selecção de Goiás.