745 - GASPAR

É a 6ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão que, na temporada de 1995/96, marca a estreia de Gaspar no nosso escalão máximo. Contudo, esse desafio frente ao Felgueiras, não era o primeiro do jogador como sénior. Antes de envergar as cores do Tirsense, já o defesa tinha representado o Trofense. Aliás, seria pelo emblema da Trofa que o jogador terminaria a sua formação.
A temporada ao serviço do Tirsense acabaria por, em termos colectivos, não correr como esperado. Mesmo tendo um plantel forte, onde os internacionais Caetano (Portugal), Daoudi (Marrocos) e Siasia (Nigéria) eram as estrelas da companhia, o clube acabaria por não evitar a descida de divisão. Apesar desse desaire, as boas exibições do central permitir-lhe-iam captar a atenção de outros emblemas. O Vitória de Setúbal decide-se então pela sua contratação, fazendo com que o atleta continuasse a exibir-se nos principais campos nacionais.
Nisto do seu percurso profissional, a 1ª divisão acabaria por ser uma quase constante. Ainda que, durante a sua carreira, tenha representado quase uma dezena e meia de clubes, a firmeza com que se apresentava em campo torná-lo-ia num jogador muito apreciado. Conhecido pelo seu físico possante, Gaspar valia-se desses atributos para vingar no futebol. Duro nas disputas de bola, inabalável nas marcações e com um grande poder de impulsão, o atleta ganharia a fama de agressivo.
Apesar de ter sido sempre apontado pelos excessos de ímpeto, a verdade é que seria essa sua faceta que o manteria ao mais alto nível. Foi isso mesmo que viram os responsáveis do FC Porto quando, para a temporada de 1997/98, o contrataram. Nos “Azuis e Brancos”, ainda que pouco utilizado, Gaspar conseguiria as mais importantes vitórias da sua carreira. Todavia, nem a conquista da “dobradinha” haveria de conseguir manter o defesa no plantel. Tapado por Jorge Costa, Aloísio, Lula e ainda por João Manuel Pinto, as oportunidades para Gaspar eram poucas. Ao fim de 1 ano nas Antas, durante o qual contribuiria para o inesquecível “Penta”, Gaspar é preterido por Fernando Santos e, inicialmente, cedido a outros clubes.
Num percurso que caracterizado pela sua errância, Gaspar, nos anos que se seguiram à sua saída do FC Porto, representaria os mais diversos emblemas. Leça, Alverca, Paços de Ferreira e Gil Vicente acabariam por preencher essa parte do seu caminho. Nisto, reflexo dos bons desempenhos, surge a oportunidade de experimentar outro campeonato. Na Liga francesa, para a temporada de 2004/05, o jogador iria reforçar o sector mais recuado do Ajaccio. Todavia, essa passagem por terras gaulesas acabaria por não surtir os resultados esperados e, um ano após a sua partida, o central estava de volta a Portugal.
Naquela que seria a última metade da sua carreira desportiva, e, a todos os níveis, a mais estável, Gaspar, vestiria as camisolas do Belenenses e Rio Ave. Na equipa de Vila do Conde, ainda que sem conseguir perder o estigma de agressivo, o atleta consolida-se como um dos bons praticantes em Portugal. Esse estatuto, para o qual a sua entrega muito contribuiu, acabaria por fazer dele um exemplo. A prova disso mesmo viria com a época de 2010/11, durante a qual passaria a envergar a braçadeira de capitão dos vilacondenses.
Já depois de, nos escalões inferiores, ter representado Sp.Covilhã e Varzim, eis que Gaspar tenta a sua sorte em Espanha. A curta passagem pelo modesto Repilado acabaria por tornar-se na sua derradeira aparição nos rectângulos de jogo. O que veio a seguir tornar-se-ia numa surpresa para todos. Mesmo tendo tirado o curso de treinadores, o antigo internacional s-21 decidiria afastar-se do futebol. Abraçaria uma nova profissão e hoje é técnico especializado no ramo da metalo-mecânica de precisão.

744 - VINNIE JONES

Ao dar os primeiros passos como sénior no Wealdstone FC, emblema dos escalões amadores ingleses, Vinnie Jones haveria de conciliar o começo da sua carreira com o trabalho na construção civil.
É já após uma curiosa passagem pelos suecos do IFK Holmsund, que o seu percurso como futebolista sofre uma mudança significativa. Ainda com ligação ao Wealdstone FC, o médio vê o Wimbledon interessar-se pela sua contratação. Com o clube da zona de Londres a disputar o escalão máximo inglês, Vinnie Jones, mesmo sendo um estreante nesse contexto competitivo, consegue adaptar-se rapidamente. O seu estilo agressivo, imagem que o havia de acompanhar durante o seu trajecto profissional, encaixava perfeitamente na filosofia do grupo. O plantel, que contava com jogadores como Dennis Wise ou John Fashanu, acabaria por ficar conhecido pelo futebol (demasiado) musculado e apelidado de “Crazy Gang”.
Durante os anos em que vestiria as cores do Wimbledon, as contendas com outros jogadores seriam a imagem de marca não só de Vinnie Jones, mas também de muitos dos seus colegas de equipa. Momentos como os do médio a apertar os testículos do Paul Gascoine ou a entrada sofrida por Eric Cantona durante uma eliminatória da FA Cup de 1993/94, haveriam de correr mundo. Lances como esses, mesmo tendo em conta a extrema brutalidade, não eram casos excepcionais. Agressões sem bola e um sem-número de outro tipo de ataques e insultos transformar-se-iam em algo de cariz rotineiro. Nisto de “pancadaria”, e numa altura em que já jogava pelo Chelsea, não podemos esquecer aquele que é um dos seus recordes. Numa partida para a Taça de Inglaterra, disputada frente ao Sheffield United, o antigo futebolista haveria de ter uma entrada duríssima sobre um adversário. Até aqui, nada de extraordinário. O curioso é que o lance ocorreria aos 3 segundos de jogo e valeria a Vinnie Jones o cartão mais rápido da história do futebol.
O Wimbledon, durante os anos do já referido “Crazy Gang, até conseguiria classificações interessantes no campeonato inglês. Para além desse sucesso, a carreira de Vinnie Jones também seria marcada pelo alcançar de outras metas. As internacionalizações pelo País de Gales seria um desses êxitos. O outro, talvez o maior, acabaria por ser a vitória na edição de 1987/88 da Taça de Inglaterra. No decisivo encontro, ao Wimbledon calharia defrontar o poderoso Liverpool. Em Wembley, e contra todas as probabilidades, um golo de Lawrie Sanchez seria suficiente para vencer a referida final.
Num percurso que também passaria pelo Leeds United, Sheffield United, pelo já referido Chelsea e ainda pelo Queens Park Rangers, muitas polémicas haveriam de surgir. Extra-futebol, a sua participação como cicerone no documentário “Soccer’s Hard Men”, valer-lhe-ia uma valente suspensão. Acusado de desonrar o jogo, o jogador haveria de ser banido por 6 meses.
Já depois de, no final de 1998/99, ter posto um ponto final na sua carreira. Vinnie Jones notabilizar-se-ia numa actividade completamente diferente. Mormente escolhido para abraçar papéis de vilão, o antigo futebolista tem conseguido notabilizar-se pelos trabalhos como actor. Tendo feito parte de inúmeros elencos, a seu currículo no cinema conta com a presença em filme com “Snatch”, “Lock, Stock and Two Smoking Barrels” ou em “X-Men: The Last Stand”.

743 - FLÁVIO MEIRELES

Natural de Ribeira de Pena, distrito de Vila Real, seriam os encontros entre o clube local e o Vitória de Guimarães que acabariam por transformar a vida de Flávio Meireles. Agradados com as suas capacidades, os responsáveis vimaranenses remeter-lhe-iam um convite para treinar à experiência. Confirmados os seus atributos, o jovem desportista, de apenas 14 anos, muda-se para a “Cidade Berço” e junta-se às “escolas” vimaranenses.
Já depois de completar a formação, a sua entrada na equipa principal seria tudo menos consensual. Essa transição, sem que conseguisse conquistar um lugar, levá-lo-ia a cirandar por emblemas como o Moreirense e o Fafe. Após esses primeiros anos, sempre a disputar as divisões inferiores do nosso futebol, Flávio Meireles ainda mereceria nova oportunidade. Apesar da chance dada, o desfecho acabaria por ser o mesmo. O médio defensivo ver-se-ia afastado do Vitória de Guimarães e, mais uma vez, no trilho dos emblemas que o tinham acompanhado nos primeiros anos de sénior.
No final de 2002/03, e numa altura em que, a título definitivo, estava ligado ao Moreirense, ressuscita-se o interesse do seu antigo emblema. Com 26 anos, Flávio Meireles era, por essa altura, um dos pilares do conjunto de Moreira de Cónegos e um dos principais responsáveis pela caminhada do emblema até à 1ª divisão. É nesse contexto que surge então a proposta para regressar ao Vitória de Guimarães – “Volto com grande orgulho ao clube do meu coração, pois foi o Vitória que me formou como jogador e como homem. Estou muito feliz pelo regresso e determinado em triunfar num plantel de grande qualidade e num clube cujas ambições são sempre altas. Ainda por cima, esta é uma época especial, pois vamos jogar no renovado estádio, que é praticamente novo, devido ao Europeu de 2004”*.
Já depois de concretizada a transferência, o jogador, ao contrário do que, até então, tinha acontecido, consegue consolidar-se no plantel e acaba por transformar-se numa das lendas do clube. Abnegado, a sua faceta combativa faz com que, rapidamente, conquiste um lugar no “onze” principal. Todavia, e comum a muitos jogadores de apanágios semelhantes, as suas características passam a valer-lhe a fama de agressivo. Ainda assim, e mesmo tendo em conta as frequentes admoestações, Flávio Meireles cimenta-se como um elemento preponderante. Consequência desse estatuto, torna-se num símbolo para colegas e adeptos e, nos anos vindouros, acompanha o Vitória de Guimarães em todos os altos e baixos do seu percurso.
Nisto de sucessos e desaires, o trinco viveria de tudo. Como mero jogador ou já com a responsabilidade de capitão, Flávio Meireles ajudaria a escrever vários capítulos da história do clube. A descida de divisão, em 2006, terá sido o pior momento. Depois, logo no ano do regresso ao escalão máximo do futebol português, veio a 3ª posição e a conquista de um lugar na pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Finalmente, e naquela que viria a tornar-se na sua derradeira época como futebolista (2010/11), vem a presença na final da Taça de Portugal.
Depois da partida no Estádio Jamor, em que o FC Porto derrotaria os minhotos, Flávio Meireles decide “pendurar as chuteiras”. Contudo, a paixão que tinha pelo clube, não o deixa afastar-se. Logo no começo da temporada seguinte, o antigo jogador assume o cargo de treinador-adjunto. Nessas funções, não chegaria a estar nem um ano, pois, em Maio de 2012, seria nomeado como director-desportivo.Já no referido cargo, ajudaria o Vitória de Guimarães à conquista da Taça de Portugal de 2012/13.

 
*retirado do jornal "Record", artigo de 19/06/2003

742 - GATTUSO


Congregar no mesmo “onze” alguns jogadores é, na verdade, saber transformar meras partidas de futebol em momentos (e caneladas) inesquecíveis. Duplas como Dennis Wise e Vinnie Jones (Wimbledon), Jorge Costa e Paulinho Santos (FC Porto) só poderiam ser ultrapassadas, no que ao terror e pancada diz respeito, se conseguíssemos juntar na mesma equipa Marco Materezzi e Gennaro Gattuso. Pois bem, isso até já aconteceu!!!
Gattuso apareceu no futebol com as cores do Perugia. No emblema do centro de Itália, o médio cresceria ao lado de alguns nomes históricos do “Calcio”. Todavia, e como o próprio já o referiu, seria com o antigo central que acabaria por criar fortes laços de amizade – “O Marco foi o meu grande irmão dessa altura (…). Ele levava-me para todo o lado, no seu carro, porque eu ainda não tinha carta de condução, e até me ajudou com dinheiro”*.
Sem grandes oportunidades na Serie A, é no Verão de 1997 que o jogador decide tentar a sua sorte no estrangeiro. Tão novo era, que, com os seus 19 anos de idade, torna-se no atleta mais jovem de sempre a deixar o seu país. Já em Glasgow, vestiria as cores do Rangers e… encontrar-se-ia com Paul Gascoine!!! Ora, as praxes do antigo internacional inglês, tornar-se-iam recorrentes – “Uma vez, estou a equipar-me no balneário para um treino quando toco nos meus calções e noto-os mais pesados que nunca. E é aí que vejo que ele borrou-se no meio dos meus calções”*. Ainda assim, e ao contrário do que possa pensar-se, esta, tal como outras peripécias, acabariam por facilitar a integração de Gattuso.
No que seria o seu processo de adaptação, também a forma como jogava ajudá-lo-ia a afirmar-se na Escócia. Ríspido na disputa de qualquer bola, a sua agressividade adaptava-se bem à cultura futebolística daquele país. Walter Smith rapidamente entende essa mais-valia e, com bastante frequência, começa a incluí-lo no “onze” titular. No entanto, a mesma impetuosidade que o ajudava acabaria por trazer-lhe alguns dissabores. Um deles ocorreria no seu primeiro “Old Firm”. Nesse “derby” de Glasgow, tendo sido chamado ao alinhamento inicial, Gattuso consegue o impensável. Ainda durante os primeiros instantes de jogo, vê um amarelo. Depois, passados apenas 10 minutos, volta a incidir no disparate e, com mais uma cartolina, acaba por ser expulso.
O entendimento que Dick Advocaat, técnico que substituiria Walter Smith, tinha acerca da sua utilidade em campo, faria com que Gattuso, a meio da temporada de 1998/99, decidisse voltar para Itália. No Salernitana, e apesar da fraca prestação colectiva, as boas exibições individuais levariam a que o AC Milan, no final dessa mesma época, decida contratá-lo. Nos “Rossoneri” a sua carreira iria mudar radicalmente. Durante os 13 anos em que representaria o clube do seu coração, Gattuso partilharia o balneário com as mais diferentes estrelas do futebol mundial. Rui Costa, Maldini, Boban, Pirlo, Zlatan Ibrahimovic, Kaká e Shevchenko são apenas alguns dos nomes que ajudariam o médio a construir um currículo invejável. Para além de 2 “Scudettos”, 1 “Coppa” de Itália, 2 “Supercoppa”, também no plano internacional a sua carreira ficaria marcada pelo sucesso. Nesse campo, títulos como as 2 “Champions League”, 2 Supertaças da UEFA e 1 Mundial de clubes só seriam equiparados à conquista conseguida com a selecção italiana. No Mundial de 2006, torneio que ficaria marcado pelo desentendimento entre Zidane e o seu amigo Materazzi, essa mesma final daria a Gattuso o mais prestigiante troféu da sua vida como profissional.
É claro que, paralelamente ao sucesso desportivo, a sua carreira haveria de ser marcada pela excessiva agressividade. Querelas com colegas, adversários, treinadores e quem mais se atravessasse no seu caminho, seriam o alimento predilecto de todos os pasquins desportivos. Espantosamente, esse seu mau génio manter-se-ia mesmo depois de ter abraçado as funções de treinador. Já depois de no Sion, em 2012/13, ter feito a transição dos relvados para o “banco”, Gattuso passaria pelo comando do Palermo e OFI Creta. Seria, no entanto, já ao serviço do Pisa que novo episódio preencheria os cabeçalhos dos jornais. No final da época passada (2016/17) e no jogo que viria a decidir a subida do seu clube, o antigo internacional, exaltado com o desenrolar da partida acabaria por agredir o seu próprio adjunto!


*adaptado da entrevista de Rui Miguel Tovar, em www.observador.pt, a 08/12/2016

741 - TAHAR EL-KHALEJ

Tendo ganho fama ao serviço do Kawkab, clube pelo qual conseguiria sagrar-se campeão de Marrocos, Tahar cria a reputação de ser um dos melhores jogadores a actuar no seu país. Este facto, aliado às constantes convocatórias para a selecção, faz com que o seu prestígio comece a aumentar. As chamadas à CAN de 1992 e, posteriormente, ao Mundial de 1994, serviriam apenas para reavivar a ideia de que o jogador já merecia uma mudança na sua carreira.
A transferência acabaria mesmo por acontecer. É então, na União de Leiria que surge a “porta” que permitiria ao atleta fazer a sua estreia na Europa. Mesmo tratando-se de um emblema modesto – lembre-se que o clube, nesse ano 1994, tinha conseguido a promoção à 1ª divisão – a verdade é que para Tahar esta era a oportunidade de mostrar as suas habilidades num contexto competitivo de maior valor.
No campeonato português, Tahar afirma-se como um jogador determinado e muito aguerrido. Tendo até começado por posições mais avançadas, é nas estratégias defensivas que o jogador acaba por melhor conseguir expor as suas qualidades. Como “trinco”, mas podendo também ocupar um lugar no centro da defesa, o internacional marroquino seria peça fulcral nas boas campanhas do clube leiriense.
Duas temporadas após a sua chegada a Portugal, é então que o Benfica decide apostar na sua contratação. Com 28 anos de idade, Tahar daria o maior passo no seu percurso como profissional. Na “Luz”, com o clube a atravessar uma das piores fases da sua história, a vida do médio nem sempre foi fácil. Por razão da sua excessiva agressividade, as constantes expulsões acabam por fazê-lo desperdiçar muitas das chances conseguidas. Ainda assim, e durante os primeiros anos, o jogador acaba por cotar-se com um dos mais utilizados e merece a chamada ao Mundial de 1998. Todavia, a sua situação acabaria por alterar-se. Com a chegada de Jupp Heynckes, a sua impetuosidade começa a merecer algumas críticas. Após um empate caseiro frente ao Boavista, em que Tahar, com um duplo amarelo, é expulso cerca de 20 minutos após “saltar do banco”, o técnico alemão como que perde a paciência – “Como é óbvio, não apreciei a expulsão de El Khalej. É uma situação que não deve suceder a um profissional como ele. Por intermédio de Chano, avisei-o antes da expulsão para não efectuar faltas tontas. Isso não deve tornar a acontecer. Ele sabe-o, pois já falámos sobre o assunto”*.
O último jogo realizado com a camisola das “Águias” haveria de ser a derrota por 7-0, frente ao Celta de Vigo. Depois desse jogo no Estádio de Balaídos, Tahar enfrentaria um longo período sem ser chamado às opções de Jupp Heynckes. Em Março de 2000, vinda de Inglaterra, surge a opção para dar continuidade à sua carreira. Depois de alguns jogos à experiência, Tahar consegue convencer Glenn Hoddle e acaba por assinar pelo Southampton.
Já nos “Saints”, Tahar mantém toda a sua fogosidade. Mesmo num futebol conhecido pela sua dureza, a rispidez do jogador acaba por trazer alguns dissabores. Um dos episódios mais polémicos na sua passagem pela “Premier League”, acabaria por ser um lance com Kieron Dyer. Numa entrada duríssima, Tahar acaba por magoar o atleta do Newcastle. A lesão, bastante grave, haveria de pôr em dúvida a presença do internacional inglês no Mundial de 2002. Irritado com a situação, Dyer ainda ameaça processar o atleta marroquino – “Eu estava extremamente zangado porque pensei que a bola já estava longe e ele teve apenas uma intenção – deitar-me abaixo (…). Se as minhas chances de ir à fase final, forem roubadas por aquela entrada, vai ser muito difícil aceitá-lo (…). Se o perdoo-o? Se for à fase final do Mundial, então, sim. É tão simples quanto isso. Se vou tomar alguma acção legal? Não decidi e estou a deixar tudo em aberto, neste momento”**.
Já depois de, no decorrer da temporada de 2002/03, ter sido emprestado ao Charlton, Tahar decide terminar a sua carreira como desportista. O seu regresso a Marrocos e a Marraquexe, dar-lhe-ia a oportunidade para retomar a sua ligação ao futebol. Como Presidente do Kawkab, o antigo jogador acabaria por ajudar o clube que o lançou, a regressar ao patamar principal daquele país.

 
*retirado da reportagem de Nuno Pombo no jornal “Record”, a 31/10/1999
**retirado da reportagem do jornal “The Guardian”, a 20/05/2002

740 - ROY KEANE

Apesar de hoje reconhecermos o valor da sua carreira, a verdade é que o início da mesma seria tudo menos fácil. Com uma constituição física pouco impressionante, Roy Keane, ainda durante a adolescência, haveria de ser recusado pelos mais diversos treinadores. Chumbado nos testes para os “schoolboys” irlandeses, o passo seguinte seria tentar ser aceite por um clube em Inglaterra. Nessas tentativas, o tal entrave físico, mais uma vez, haveria de barrar aquele que era o seu grande sonho. Todavia, e como haveria de demonstrar nos anos vindouros, a sua tenacidade impedi-lo-ia de desistir.
Ao contrário do que é possível entender pelo parágrafo anterior, as tentativas de embicar a sua vida futebolística para um patamar profissional, nunca impediram Roy Keane de praticar a modalidade que tanto o apaixonava. Parte integrante das camadas jovens do Rockmount, o jovem jogador, curiosamente, até era tido como um dos grandes craques da equipa. No entanto, e ao invés de outros que acabariam por conquistar as suas oportunidades, o médio, na hora de mostrar o seu real valor, acabava sempre por claudicar.
Esta sina acabaria por mudar aquando do convite dos responsáveis do Cobh Ramblers. O emblema da zona de Cork, ainda que semi-profissional, tornar-se-ia na rampa de lançamento para um percurso memorável. Rapidamente, as suas exibições começariam a chamar a atenção de outros clubes. É na sequência desta evolução que, por convite de um dos “olheiros” do Nottingham Forest, Roy keane acaba a treinar-se às ordens de Brian Clough. Tendo agradado, o destino do médio acabaria por ser apontado, em primeiro lugar, à equipa dos s-21. Depois chegaria a oportunidade nas “reservas”, para, finalmente, conquistar um lugar no plantel principal.
A estreia na primeira equipa do Nottingham Forest ocorreria logo no ano da sua chegada. A temporada de 1990/91, muito mais do que proporcionar ao jogador algumas oportunidades, acabaria por revelá-lo com um elemento de enorme preponderância. Brian Clough, rendido às capacidades do “trinco”, acabaria por afiançar-lhe a titularidade. Não tendo decepcionado, Roy Keane, ao longo dessa época, conseguiria manter esse estatuto. Já com o ano desportivo quase a terminar, e a testemunhar todo o seu crescimento, é então que surge a primeira chamada à principal selecção irlandesa. Depois desse “amigável” frente ao Chile, o seu caminho fica traçado e o sucesso começa a avistar-se.
Muito mais do que qualquer outra camisola por si envergada, aquela que mais sublinharia as suas excelsas qualidades seria, sem sombra de dúvida, a do Manchester United. Após, nas 3 campanhas realizadas pelo emblema de Nottingham, ter convencido Alex Ferguson, o “internacional” irlandês mudar-se-ia para Old Trafford. Aí, e como parte influente num dos melhores períodos da história do emblema, Roy Keane transformar-se-ia num atleta de classe mundial.
Nem só os títulos fariam de Roy Keane um dos elementos de maior importância no percurso dos “Red Devils”. A sua entrega, incontestável, faria dele um exemplo para os demais colegas. Já como capitão de equipa, a motivação que mostrava em campo era a mesma que exigia dos outros elementos do plantel. É verdade que essa sua atitude, nem sempre trouxe os melhores resultados. Algum exagero na postura, talvez empolada pela visibilidade que o clube ainda hoje merece, acabaria por denegrir um pouco a sua imagem. Apesar de adorado pelos adeptos e de merecer a confiança do corpo técnico, foram comuns as suas altercações com colegas e adversários. Já numa fase mais adiantada da sua carreira, quando as mazelas físicas e o avançar da idade começaram a impedir o jogador de atingir as metas de outrora, essa faceta quezilenta tornar-se-ia ainda mais evidente. Como Alex Ferguson recordaria – “A energia que o Roy despendia nos jogos era verdadeiramente excepcional, mas quando tu entras nos teus trintas é difícil de compreenderes onde estás a errar (…). Ficou claro para nós que já não estávamos a lidar com o mesmo Roy Keane. (…) Tentámos alterar o seu papel, desencorajando-o de carregar pelo campo fora e de fazer tantas corridas para a frente (…). Acho que ele conseguia ver a verdade naquilo que lhe dizíamos, mas render-se a isso era uma grande afronta ao seu brio”*.
A sua relação com os colegas e responsáveis técnicos denegrir-se-ia até ao ponto de ruptura. Constantes discussões, exigências e posturas caprichosas atingiriam o seu ponto mais alto com uma polémica entrevista ao canal televisivo do clube. Na conversa com os jornalistas, Roy Keane criticaria tudo e todos. A sua intervenção seria tida como uma afronta imperdoável e, a meio dessa temporada de 2005-06, acabaria por levar à sua transferência para o Celtic.
Com o Manchester United, Roy Keane venceria 7 “Premier Leagues”, 4 “F.A. Cups”, 4 “Community Shields”, 1 Taça Intercontinental e 1 “Champions”. Já a mudança para a Escócia marcaria o fim da sua carreira. Em Glasgow, longe das exibições que o haviam delineado como um grande atleta, passaria os últimos meses daquela que seria a sua derradeira época como futebolista. Ajudaria a conquistar a “dobradinha” e, na transição para a temporada seguinte, passaria a assumir novas funções no futebol. Tendo começado como treinador principal, o antigo jogador tomaria as rédeas do Sunderland. Alguns anos mais tarde, acabaria também por passar pelo comando do Ipswich. Contudo, e ao que consta, o seu feitio eruptivo tem-no impedido de melhores resultados. Ainda assim, e após um interregno, durante o qual trabalharia como comentador televisivo, a Federação irlandesa endereçaria um convite a Roy Keane. Como adjunto, o antigo jogador tem continuado a dar o seu contributo no futebol. Como curiosidade, temos ainda a sua passagem pelo corpo técnico do Aston Villa, em simultâneo com o compromisso arcado com a selecção do seu país.


*adaptado do livro “Alex Ferguson, my autobiography”, por Sir Alex Ferguson

BAD BOYS

"Bad boys, bad boys
What'cha gonna do, what'cha gonna do
When they come for you?"*


 *retirado da música "Bad Boys", de Inner Circle, lançada em 1987

739 - RICARDO ROCHA

Depois de um período de formação onde passaria por diversos emblemas, é o regresso ao Famalicão que, em 1997/98, marca o começo da sua caminhada como sénior. Ainda a actuar na 2ª divisão “b”, as boas exibições do defesa levariam a que o Sporting de Braga apostasse na sua contratação. Ainda assim, e mesmo sendo tido como um bom investimento, Ricardo Rocha, ao invés de ser colocado no plantel principal, acabaria a trabalhar com os “bb” bracarenses.
Após a época de estreia na “Cidade dos Arcebispos”, e de uma segunda em que, na primeira equipa, começaria a aparecer com relativa frequência, é a temporada de 2001/02 que, em definitivo, o põe nas “bocas” do futebol nacional. Extremamente seguro na hora de defender, Ricardo Rocha mostrava qualidades que, ao contrário de muitos dos seus colegas de posição, também faziam com que a bola, sempre que na sua posse, fosse o mais “bem tratada” possível. Esses predicados, que haveriam de pô-lo na primeira linha de escolhas do Sporting de Braga, acabariam por ser os mesmos que atrairiam os responsáveis do Benfica. Sendo os “Encarnados”, como o próprio haveria confessar, o “clube do seu coração”, a mudança para a “Luz” como que tomaria contornos de inevitabilidade. A estreia acabaria por acontecer no Verão de 2002 e, desde logo, o central afirmar-se-ia como um dos principais elementos da equipa.
Incontornavelmente, terei de referir os títulos como os pontos mais altos da sua passagem pelo Benfica. Também é certo que houve outros momentos bem marcantes. Ora, sendo Ricardo Rocha um atleta que, pelas suas aptidões técnicas, podia ocupar diversas posições na defesa, um desses episódios acabaria por estar relacionado com uma adaptação – “Embora o ‘mister’ alternasse entre mim e o Anderson a central, com a lesão do Nélson, faltavam opções naquela posição e, embora com dúvidas, Koeman chamou-me ao gabinete e disse que ia apostar em mim a lateral-direito no jogo antes da Champions, para a Liga, precisamente com o Braga. Como a experiência correu bem, tive a oportunidade de defrontar o melhor jogador do mundo na altura, Ronaldinho Gaúcho. Lembro-me perfeitamente na altura de tanto adeptos, como comentadores dizerem que era um erro eu jogar, que ao fim de 10 minutos seria expulso. A verdade é que fiz um grande jogo, sem cartões e sem uma única falta feita”*.
Resultado dos troféus ganhos, presença na Liga dos Campeões e das chamadas à selecção nacional, Ricardo Rocha vê a sua cotação a aumentar. Nesse sentido, o assédio por parte de outros emblemas começa também a sentir-se. É já com 1 Taça de Portugal (2003/04), 1 Campeonato (2004/05) e 1 Supertaça (2005/06) que, a meio da temporada de 2006/07, o jogador deixa Lisboa para viajar até Londres. Ao serviço do Tottenham, muito por culpa das lesões, Ricardo Rocha vê-se posto de parte. Apesar das propostas de outros emblemas, inclusive de Portugal, os responsáveis do clube londrino teimariam em não deixar sair o atleta. Praticamente sem jogar durante os 2 anos e meio de vínculo, só mesmo no final do contrato é que o defesa conseguiria ir em busco de um novo rumo.
A solução apareceria vinda da Bélgica. Com László Bölöni aos comandos do Standard de Liège, a ida de Ricardo Rocha para aquele país tornar-se-ia fácil. Com o clube a atravessar uma boa fase, como comprova a presença na “Champions”, o atleta conseguiria projectar-se de tal modo que, após meio ano afastado de Inglaterra, volta a receber nova proposta de “Terras de Sua Majestade”. Desta feita, o convite apareceria do Portsmouth.
Mesmo estando à beira de uma crise financeira, ainda assim, o emblema do Sul do país, nessa temporada de 2009/10, conseguiria o feito de atingir a final da Taça de Inglaterra. Nessa caminhada, destaque para o embate nas meias-finais com o Tottenham, o antigo clube de Ricardo Rocha – “Graças a Deus, ganhámos o jogo por 2-0 e eu fui considerado o melhor jogador em campo, o que me deu uma satisfação do outro mundo!”*.
Com a queda do Portsmouth nos escalões secundários, também a carreira de Ricardo Rocha começou a entrar na fase descendente. Já depois de ter sido distinguido pelo clube com o prémio de Jogador do Ano, o atleta acabaria por deixar o Fratton Park no final desse 2011/12. Entretanto, sem conseguir arranjar novo clube, o jogador começaria a treinar à experiência noutros emblemas. Ipswich Town e Leeds United acabariam por ser testes falhados. Nisto dá-se o regresso ao Portsmouth e, com o terminar da temporada de 2012/13, o ponto final na sua vida como futebolista.


*retirado da entrevista em “grandecirculo.net”, a 24 de Outubro de 2014

738 - CARLOS CARNEIRO

Produto das escolas pacenses, Carlos Carneiro, durante os seus primeiros anos como sénior, iria alternar a sua presença na Mata Real com alguns empréstimos a outros clubes. Depois de uma primeira cedência ao Lousada (1994/95), eis que um par de anos a disputar um lugar no plantel do Paços de Ferreira, dava a entender que a sua continuidade no grupo era um dado adquirido. Contudo, a meio da temporada de 1997/98 mais um empréstimo na calha e, desta feita, o avançado partiria para o Sporting da Covilhã.
De volta da cidade beirã, Carlos Carneiro teria a oportunidade de aumentar a sua influência nas estratégias da equipa. Forte fisicamente e com um bom sentido posicional, o atacante acabaria por ser parte importante no assalto à 1ª divisão. O regresso dos “Castores” ao escalão máximo do futebol nacional (2000/01), permitiria ao ponta-de-lança fazer a sua estreia no referido patamar. Os anos que se seguiriam, com o atleta a jogar com bastante regularidade, fá-lo-iam cimentar-se como um dos bons avançados a actuar em Portugal. Nisto, o assédio de outros clubes fazem com que a sua cotação comece a aumentar. Ao Paços de Ferreira começa a ser difícil segurar o jogador e, no Verão de 2003, Carlos Carneiro acaba por partir em direcção a um novo desafio.
A sua ida para Guimarães acabaria por não correr como desejado. Tapado por outros colegas, casos de João Tomás ou Elpídio Silva, os espaços deixados no “onze” não seriam muitos. É então, a meio da temporada de 2004/05, que surge o convite do Gil Vicente. Em Barcelos, regressa às boas exibições. Carlos Carneiro volta a cotar-se como um bom ponta-de-lança, e esse facto relança-o no mercado das transferências.
Com muitos futebolistas a migrar para o campeonato helénico, a ida do jogador para a Grécia não foi, de todo, uma surpresa. Todavia, a sua passagem pelo Panionios, onde iria encontrar-se com o ex-sportinguista Luís Lourenço, acabaria por tornar-se numa espécie de mudança de paradigma. Mostrando, nos anos antes à sua mudança, estar em franca ascensão, aquela que seria a sua primeira experiência no estrangeiro, não revelaria mais do que um atleta a entrar na última fase da carreira.
Após a passagem pela Grécia, e tal como com Jorge Leitão, Carlos Carneiro faria dos ingleses do Walsall a sua tentativa para relançar-se no mundo do futebol. No entanto, e depois de ter agradado durante o período experimental, eis que uma lesão no ombro acaba por afastá-lo das escolhas do treinador.  A solução, acordada entre o atleta e o clube, acabaria por levar à rescisão do contrato. Esta situação leva-o a um regresso ao Paços de Ferreira, onde mais um incidente acaba por pôr em risco a continuidade da sua carreira. Apanhado, numa partida referente à 29ª jornada de 2007/08, num controlo anti-doping, o avançado vê confirmada a sua suspensão de 4 meses. Depois de cumprido o castigo, o avançado ainda jogaria durante mais duas temporadas, nas quais vestiria as camisolas de Paços de Ferreira, Vizela e Penafiel.
Após retirar-se dos relvados, não demorou muito para que Carlos Carneiro retornasse ao futebol. Desta feita como director-desportivo, o antigo futebolista voltaria ao Paços de Ferreira. Por lá ficaria alguns anos, ajudando, durante esse período, o clube a atingir o 3º lugar e a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. No desempenho das funções já referidas, acabaria por ser ao serviço do Tondela que, já no decorrer desta temporada de 2016/17, voltaria a mostrar-se ao desporto português.

737 - JORGE LEITÃO

Durante anos a fio, o avançado não passou de um desconhecido para o futebol português. Tanto assim foi que, apenas aos 24 anos de idade, Jorge Leitão conseguiria deixar os “regionais” para ingressar num emblema com alguma tradição. Depois de Coimbrões e Avintes, eis que, na temporada de 1998/99, chega a vez do Feirense. Com este novo contrato, chega também a oportunidade para disputar a divisão de honra (2º escalão). Contudo, as boas exibições do atacante seriam insuficientes para afastar a equipa de uma má classificação e, no final dessa campanha, o atleta acabaria por conhecer o amargo da despromoção.
Se em termos colectivos Jorge Leitão andava longe do sucesso, as prestações que conseguiria durante as 2 épocas passadas ao serviço do emblema de Santa Maria da Feira, fariam com que recebesse um convite surpreendente. De Inglaterra, os responsáveis do Walsall pareciam interessados no seu concurso. É então, no Verão de 2000, que Jorge Leitão faz a sua primeira aparição com a camisola do clube. Numa digressão pela Escócia, e logo no jogo de estreia, o avançado acabaria por marcar 2 golos. Impressionado com a sua exibição, o “manager” Ray Graydon, com medo de que nas bancadas estivessem outros “olheiros”, haveria de o substituir ao intervalo. Dias depois terminaria o período experimental e firmar-se-ia o contrato que daria início a uma ligação de 5 anos e meio.
A partir desse desafio inicial frente ao Raith Rovers, até ao momento da sua despedida, a estima entre Jorge Leitão e os seguidores do clube foi crescendo – “Desde o primeiro dia, os fãs sempre me apoiaram e isso teve grande significado. Eu nunca esquecerei porque, vindo do estrangeiro para adaptar-me a um novo país, isso ajudou-me verdadeiramente”*. Logicamente, esse apoio haveria de ser alicerçado naquilo que o atleta mostrava dentro de campo. Logo nesse primeiro ano, o rol de golos que conseguiria em todas as competições, a rondar as duas dezenas, pô-lo-ia no topo das preferências dos adeptos. Mesmo em anos menos prolíferos, a admiração que os apoiantes dos “Saddlers” por si nutriam, não diminuía. Isso justificava-se pela sua atitude, pela incansável entrega e intrépida veia lutadora.
A meio da temporada de 2005/06, seria o jogo frente ao Blackpool que marcaria o adeus de Jorge Leitão. Durante grande parte do desafio, os adeptos entoariam o seu nome e aplaudiriam todas as suas jogadas. O atleta acabaria lavado em lágrimas. Todavia, na razão da sua partida, para além de um convite do Beira-Mar, estava a enorme vontade de voltar ao seu país. O regresso a Portugal, e depois da promoção conseguida no final da já referida temporada, levaria a que o jogador conseguisse estrear-se na 1ª divisão. Contudo, a presença de fortes concorrentes à disputa de um lugar no “onze”, casos de Mário Jardel, Rui Lima entre outros, acabaria por retirar-lhe alguma preponderância.
Ainda no decorrer desse campeonato, o avançado deixaria o emblema de Aveiro para voltar a uma casa bem conhecida. Mais uma vez com as cores do Feirense, a mudança de emblema como que marcaria a entrada na derradeira fase da sua carreira. De regresso aos escalões secundários, Jorge Leitão ainda representaria o Arouca. Depois, em 2012, acabaria por pôr termo à sua vida nos relvados. Contudo, manter-se-ia ligado à modalidade e, sem abandonar o emblema do Distrito de Aveiro, encetaria o seu caminho como treinador-adjunto.
Seria já no desempenho das novas funções que, no Verão de 2014, recebe um convite do Walsall. O clube inglês pretendia juntar antigos atletas para a disputa de uma “partida amigável”. Entre outras glórias, Jorge Leitão seria recebido como uma verdadeira “lenda”. Muito para além do jogo, o antigo avançado seria chamado a participar num convívio com os adeptos do clube, onde, num “pub” local, haveria de participar numa sessão de autógrafos e fotografias.


*retirado do artigo de Andrew Poole, em www.saddlers.co.uk, a 12 de Julho de 2014

736 - MARCO ALMEIDA

Se tivesse que sumarizar a sua carreira, então poderia dizer que Marco Almeida passou “de grande promessa a saltimbanco do futebol português”.
Formado no Sporting, o defesa-central era um dos mais promissores atletas das escolas do clube. Para provar tal ideia, aí estavam as recorrentes convocatórias às selecções jovens de Portugal. Todavia, e na altura de fazer a transição do futebol júnior para o patamar sénior, Marco Almeida, sem nunca passar muito tempo nos emblemas por onde passou, acabaria por nunca conseguir confirmar as expectativas nele confiadas.
Já depois dos primeiros empréstimos, que o poriam no caminho do Lourinhanense (antigo “satélite” do Sporting) e do Campomaiorense, o central é cedido aos ingleses do Southampton. A disputar a “Premier League”, as oportunidades dadas ao jovem jogador não seriam as melhores. Ainda assim, Marco Almeida, nos poucos minutos feitos no escalão máximo inglês, haveria de participar num dos lances históricos do futebol desse país. Tendo entrando já no final de uma partida frente ao Arsenal, o atleta vê Tony Adams fazer um passe para um dos novos reforços dos “Gunners”. Ao tentar travar a avançada dos adversários, Marco Almeida tropeça. A bola segue para os pés de Thierry Henry que, dessa maneira, faz o seu golo de estreia em Inglaterra.
A passagem por “Terras de Sua Majestade” não correria de feição. Esse facto faria com que o atleta acabasse por regressar mais cedo a Alvalade. O positivo desse episódio, é que Marco Almeida ainda voltaria a tempo de participar na campanha de 1999/00. Tendo entrado no decorrer da partida frente ao Campomaiorense, jogo a contar para a 27ª jornada do Campeonato Nacional, o defesa acabaria por fazer parte da lista de atletas que, após 18 anos de jejum, ajudariam o Sporting a levantar o troféu de campeão.
Após o título conquistado pelos “Leões”, e que acabaria por tornar-se no maior triunfo da sua vida como futebolista, Marco Almeida dá continuidade a um périplo que, no cômputo da sua carreira, o levaria a vestir mais de 10 camisolas. Começa por tentar o Bolton, onde acaba por não ficar. Depois, e mais uma vez por empréstimo, volta ao Campomaiorense. A seguir chega a vez do Alverca, que, pelas 3 temporadas aí passadas, acaba por tornar-se num dos clubes mais representativos do seu percurso profissional.
Já depois de, no final de 2003/04, ter posto um ponto final à ligação que o unia ao emblema ribatejano, a cadência com que começa a mudar de clube consegue ainda aumentar. Ciudad de Murcia (Espanha), Maia e Portimonense, precederiam nova tentativa em Inglaterra, desta feita com o Cardiff City. Mesmo tendo agradado a Dave Jones, seu antigo treinador no Southampton, os números que envolveriam a proposta de contrato não agradam ao atleta que assim ruma ao Chipre.
Nea Salamina e Akritas, com um pequeno interregno que o levaria ao Lusitânia de Lourosa, tornar-se-iam no derradeiro capítulo da sua “vida nos relvados”. Já depois de em 2011 ter “pendurado as chuteiras”, Marco Almeida tem acumulado alguma experiência como técnico. Passando por clubes amadores da região de Lisboa, o antigo futebolista tem assumido o cargo de treinador-adjunto.

735 - CÂNDIDO COSTA

Após ter começado na Sanjoanense, onde, sem sucesso, também tentaria a sua sorte no hóquei em patins, Cândido Costa vê o Benfica interessar-se na sua contratação. Ainda em idade juvenil, e demonstrando verdadeiros predicados, o atleta deixa São João da Madeira para mudar-se para Lisboa. De “Águia” ao peito, o extremo confirmaria todas as qualidades. Começa a ser chamado aos trabalhos das camadas jovens da selecção nacional e, como “capitão” dos s-18 portugueses, lidera os seus companheiros à vitória no Europeu de 1999.
Sendo considerado como uma das grandes promessas das “escolas encarnadas”, foi com grande surpresa que a sua dispensa foi anunciada. O Benfica, sob o “reinado” de João Vale e Azevedo, deixava sair um dos seus melhores jogadores que, logo de seguida, haveria de encontrar nova “casa”. Sob a orientação de Dito, também ele um antigo atleta do emblema da “Luz”, é no Salgueiros que Cândido Costa faz a sua estreia no patamar sénior. Contudo, a sua estadia em Vidal Pinheiro seria curta e, ainda nessa temporada de 1999/00, o avançado mudar-se-ia para o FC Porto.
A sua estadia nas Antas começaria pela equipa “b”. Só no ano seguinte à sua chegada é que Cândido Costa seria chamado ao plantel principal “Azul e Branco”. Já integrado na equipa, os seus primeiros tempos seriam marcados pelas praxes de um dos mais emblemáticos jogadores do clube – “Quando fiz o primeiro estágio pelo FC Porto em França, com 18 anos, calhou-me como colega de quarto o famoso Paulinho Santos (…).Dirigi-me ao Paulinho, receoso, e lá lhe disse «Senhor Paulinho, somos os dois no quarto», ao qual ele respondeu: «a sério? Então leva-me o saco que estou à rasquinha das costas». E eu, claro, lá peguei no saco, fui para o quarto e esperei por ele. Passados uns 15 minutos lá chegou o Paulinho, que me perguntou logo qual era a cama que eu preferia. Eu, humildemente, respondi que ele é que escolhia. Ele insistiu, e eu acabei por dizer que gostava da cama perto da varanda. E ele prontamente disse: «então ficas na outra!» (…). Ainda nesse dia, durante o treino, deu-me uma porrada que me obrigou a sair mais cedo. No quarto, disse-lhe «Paulinho, para protector quase que me partias a perna», ao que ele respondeu «é para cresceres e ganhares nervo. Um dia vais-me agradecer por isto»”*.
Os anos que passaria no FC Porto, acabariam por não ser muito proveitosos em termos pessoais. Sendo quase sempre uma segunda escolha, muito por culpa de jogadores como Nuno Capucho, o atleta acabaria por ser pouco utilizado. Já na questão dos títulos, as contas seriam um puco diferentes. Tendo feito parte da equipa comanda por José Mourinho, Cândido Costa, a juntar à Taça de Portugal conquistada em 2000/01, ajudaria a vencer a “Dobradinha” e a Taça UEFA de 2002/03.
É já depois de no decorrer dessa temporada de 2002/03, ter sido cedido ao Vitória de Setúbal, que um novo empréstimo acontece na sua carreira. Desta feita no estrangeiro, o sucesso que teria no segundo escalão inglês, levaria a que a pensar que a sua carreira estava relançada. Todavia, depois de deixar o Derby County, a sua ida para o Sporting de Braga não correria como o esperado. Tendo feito uma boa primeira época (2004/05), a segunda campanha devolveria o jogador à condição de pouco utilizado. É então que surge o Belenenses. Ainda com a decisão do “Caso Mateus” por resolver, Cândido Costa, sem saber ainda em que divisão iria jogar, decide regressar a Lisboa – “Eu sabia que vir para o Belenenses seria para mim uma prova de fogo. Depois de ter sido uma das maiores promessas do futebol português aos 18, 20 anos, foi-me dada alguma credibilidade. Mantive-a quando fui para Inglaterra, onde joguei sempre e fui uma das figuras da equipa da altura. Braga tirou-me essa credibilidade, essa notoriedade. Então eu sabia que o meu ingresso no Belenenses seria uma prova de fogo: ou seria a eterna promessa e nunca ia de facto ter consistência, ou não”**.
No Restelo faria 4 temporadas. Durante esse período, e numa altura em que começou a ser mais utilizado como lateral-direito, Cândido Costa voltaria a uma constância exibicional muito positiva. Tendo sempre a disputado a divisão maior do futebol português, os créditos que foi amealhando abrir-lhe-iam as portas de outro histórico do futebol europeu. No Rapid de Bucareste, já depois de no Verão de 2010 ter deixado o Belenenses, o atleta iniciaria aquela que poderá ser vista como a derradeira etapa do seu percurso profissional. Após a experiência na Roménia, Arouca, Tondela, São João de Ver e Ovarense acabariam por marcar os derradeiros passos da sua carreira.
Já depois de, em 2015, ter “pendurado as chuteiras”, Cândido Costa escreveria as primeiras páginas como treinador. No futebol feminino da Ovarense e, mais tarde, como adjunto na Sanjoanense, o antigo jogador acabaria por dar os passos iniciais, num caminho que se espera com novas e longas viagens.
   

*retirado de “www.relato.pt”
**retirado de entrevista dada ao “belematemorrer.blogspot.com”

734 - NUNO VALENTE

Apesar de reconhecido como um potencial bom jogador, os primeiros passos de Nuno Valente, como recorda Aurélio Pereira, não haveriam de ser fáceis – "Quando estava no seu segundo ano de iniciado, o Nuno Valente foi emprestado ao Vitória da Picheleira. Mais tarde, no seu segundo ano de juvenil, com sensivelmente 15/16 anos, voltou ao Sporting. Quando o vi, nessa época, fiquei admirado com a sua altura. Tinha crescido muito. Deu um grande salto nesse período!"*.
Muito para além da desenvoltura física, a postura de trabalho faria do jovem defesa-esquerdo um exemplo a seguir. Essa entrega mantê-lo-ia, até ao fim da formação, como uma das principais promessas “leoninas”. Todavia, na altura de passar para a equipa principal, a opção encontrada levá-lo-ia para longe de Alvalade. No Portimonense, na temporada de 1993/94, Nuno Valente faria a sua estreia como sénior. Esse ano passado na divisão de Honra acabaria por ser proveitoso, levando a que o seu regresso ao Sporting ficasse garantido.
Estando à frente da equipa alguém que era reconhecido pelo trabalho com jovens, a probabilidade de Nuno Valente ter sucesso era maior. A verdade é que Carlos Queiroz, dando preferência a Paulo Torres e à adaptação de Vujacic ao lado canhoto da defesa, acabaria por não apostar muito no lateral. Mesmo depois da saída do técnico, o seu paradigma manter-se-ia inalterado. Essas duas temporadas, para além da vitória na Taça de Portugal de 1994/95, pouco mais renderia ao atleta do que duas dezenas de partidas disputadas.
É já depois de um novo empréstimo, desta feita ao Marítimo, que Nuno Valente passa as últimas temporadas de “leão ao peito”. Curiosamente, com o terminar da época de 1998/99, e mesmo sem ter jogado muito, a renovação do seu contrato ainda haveria de estar em “cima da mesa”. Contudo, o final das férias revelaria uma realidade bem diferente e, para surpresa do atleta, os dirigentes do Sporting informam-no da sua dispensa.
O União de Leiria é o emblema que se segue. Na “Cidade do Lis”, onde passaria 3 temporadas, Nuno Valente conhece aquele que mudaria a sua vida desportiva. Tendo sido orientado por José Mourinho, é a ida deste último para o FC Porto que faz com que a carreira do defesa sofra novo impulso. Contratado pelo novo treinador dos “Dragões”, as duas primeiras épocas de Nuno Valente revelam-se perfeitas. O FC Porto vence tudo o que tinha para vencer e o jogador, muito para além da sua estreia na principal selecção portuguesa, passa a contar no seu currículo com mais 2 Campeonatos (2002/03; 2003/04), 1 Taça de Portugal (2002/03), 1 Supertaça (2003/04), 1 Taça UEFA (2002/03) e 1 Liga dos Campeões (2003/04).
É já depois da vitória na “Champions”, que Luíz Felipe Scolari o chama a disputar o Euro 2004. Organizado no nosso país, o Europeu de selecções acaba por revelar-se muito positivo para a “Equipa das Quinas”. Com Nuno Valente a disputar 5 das 6 partidas, Portugal até chega à final. Contudo, nesse derradeiro jogo, e com o jogador a ocupar um lugar no “onze inicial”, o conjunto “luso” sede perante a congénere grega, perdendo por 1-0.
Com a partida de José Mourinho para o Chelsea, Nuno Valente começou a perder espaço no FC Porto. Pressionado pelo clube para renegar à equipa nacional, o defesa, contrariando tal indicação, acabaria por ser posto de parte. A solução acabaria por vir de Inglaterra e da “Premier League”. Já no Everton, e como na última época de “azul e branco”, o jogador voltaria a ser assolado por imensas lesões. Ainda assim, o internacional português conseguiria manter-se em Goodison Park durante 3 anos. No final desse período, e aceitando um convite do clube para fazer parte da equipa de “scouts”, Nuno Valente poria um ponto final no seu percurso de futebolista.
Depois dessa primeira experiência, Nuno Valente deixaria a cidade de Liverpool para regressar ao Sporting. Em Alvalade começaria por ser adjunto de Paulo Sérgio. Após a saída deste voltaria a assumir o papel de “olheiro”, cargo que ocupou até 2014/15.


*retirado da entrevista a Aurélio Pereira, por Tiago Silva Pires, em Diário de Noticias (20/06/2006)

733 - NUNO SANTOS

Foi nas escolas do Vitória de Setúbal, onde seria treinado por José Mourinho e Jaime Graça, que Nuno Santos faria grande parte do seu trajecto formativo. Já os primeiros anos como sénior, episódio comum a tantos jovens atletas, passá-los-ia entre empréstimos a outros emblemas e o “banco” sadino.
Caldas SC (1991/92) e Operário dos Açores (1993/94), onde jogaria ao lado de Pauleta, seriam os emblemas que abririam as portas ao guarda-redes. Preparado para os anos vindouros, Nuno Santos acabaria por conseguir um lugar no plantel do Vitória de Setúbal. Todavia, as exigências que enfrentaria, fariam com os seus primeiros jogos no Campeonato ocorressem apenas na temporada de 1996/97. Lançado por Manuel Fernandes, Nuno Santos agarraria a oportunidade de forma imaculada. Fortíssimo no um-contra-um e com uma grande agilidade, o guardião acabaria por manter o seu lugar no “onze” inicial.
A evolução que mostrava, a consistência exibicional e uma inabalável confiança, rapidamente fariam dele uma das boas revelações. Com tal progresso, bastou mais uma campanha para que, de emblemas de outra monta, começasse a surgir algum interesse no seu concurso. É nesse contexto que surge o convite do Leeds United. Orientado por George Graham, o clube, por essa altura, contava nas suas fileiras com Bruno Ribeiro. Juntando as informações dadas pelo ex-setubalense às notas recolhidas em diversas observações, o “manager” inglês decide-se pela sua contratação. Contudo, e num plantel que contava com o internacional Nigel Martyn e com o emergente Paul Robinson, as chances adivinhavam-se difíceis. Ainda assim, o guarda-redes português decide aceitar o desafio e, na temporada de 1998/99, assina contrato com o emblema da “Premier League”.
Excepção feita a algumas presenças no “banco” da equipa principal, Nuno Santos passaria grande parte da época a jogar pelas “reservas” do Leeds United. Apesar das boas exibições feitas pela “segunda equipa”, a escassez de verdadeiras oportunidades levaria o atleta a repensar o seu percurso. Por essa razão, e aquando do convite do Benfica, o guarda-redes decide voltar a Portugal. Contudo, o regresso acabaria por não trazer os resultados esperados e, depois de uma temporada assolada por diversas lesões, seguir-se-iam novos empréstimos.
Badajoz (Espanha) e Santa Clara precederiam uma época bastante positiva com as cores do Beira-Mar. O ano passado em Aveiro (2000/01) revelar-se-ia de tal maneira proveitoso que o Benfica, muito para além de exigir o seu regresso, apresentaria ao atleta uma proposta para renovar o seu contrato. Apesar das espectativas criadas, esse novo período na “Luz” acabaria por ser, mais uma vez, decepcionante. Daí em diante, Nuno Santos entraria num longo períplo, acabando por jogar em diversos emblemas e, inclusive, em diferentes campeonatos.
É no decorrer desta fase que Nuno Santos tem os primeiros registos como técnico. Depois de vestir a camisola do Vitória de Setúbal e do Santa Clara, é já como participante das ligas norte-americanas que aceita o convite da Euro Star Goalkeeper Academy. Jogando pelo Rochester Rhinos e, posteriormente, pelo Toronto FC, o guarda-redes acabaria por dividir o seu tempo entre a defesa das redes e o treino de jovens guardiões. Já a experiência seguinte tê-la-ia ao serviço do Arouca (2009/10). Com clube ainda a militar na 2ª divisão “B”, o atleta acabaria por aceitar o convite de Carlos Secretário e, em simultâneo, desempenhar as funções de futebolista e de treinador de guarda-redes.
É já depois de duas temporadas a jogar pelos cipriotas do Ethnikos Assias, que Nuno Santos decide ser a hora de “pendurar as luvas”. Após o fim da sua carreira como desportista, o antigo guardião manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador de guarda-redes, representaria o Farense. Hoje em dia está ligado à Federação Canadiana de Futebol e, tendo passado pelo futebol de praia, é o actual Coordenador da Formação de Guarda-Redes.

732 - JORDÃO

Após ter terminado a sua formação no Estrela da Amadora, as dificuldades demonstradas na adaptação à primeira equipa, leva o clube a optar pelo empréstimo. Campomaiorense e Leça, também estes a disputar a divisão de Honra, seriam os emblemas que, após duas épocas falhadas no emblema da “Linha de Sintra”, acabariam por acolher o atleta.
O regresso à “casa-mãe” ocorreria em 1995/96. Com o Estrela da Amadora a disputar a divisão maior do nosso futebol, o atleta, ao contrário daquilo que tinha conseguido até então, haveria de impor-se com alguma facilidade. Como um típico médio-defensivo, Jordão tinha na força e resistência as suas melhores armas. Fernando Santos, à altura o treinador, entendendo o que tinha em mãos, encaminharia o atleta no sentido de tirar dele o melhor rendimento. Potenciadas as suas características, Jordão passaria a ser um dos mais utilizados, tornando-se num dos pilares da equipa.
Duas temporadas de bom nível, seriam suficientes para que o “trinco” começasse a ser cotado como um dos melhores a actuar na sua posição. Este crescendo, levaria a que Manuel José, à procura de reforços para o meio-campo benfiquista, visse nele uma boa contratação. Nesse sentido, e tendo chegado a internacional nas camadas jovens portuguesas, Jordão parecia cotar-se como uma boa ajuda. Contudo, o que acabaria por se verificar seria o contrário. Não sendo chamado à equipa com a regularidade esperada, e já com Graeme Souness ao comando das “Águias”, o médio, no mesmo ano da sua chegada à “Luz”, acabaria por ser dispensado.
A sua ida para o Sporting de Braga, em Janeiro de 1988, voltaria a revelar um futebolista de qualidade. Preponderante nas manobras “arsenalistas”, Jordão recupera o seu estatuto de bom jogador e, mais uma vez, passa a ser cobiçado. Desta feita, e depois de duas temporadas e meia no Minho, o convite chega de Inglaterra. Já com a primeira jornada disputada, é o West Bromwich Albion (WBA) que vai no seu encalço. É ainda nessa temporada de 2000/01 que Jordão parte para “Terras de Sua Majestade”. Por lá ficaria 3 temporadas. As duas primeiras, com os “Baggies” a competir no 2º escalão, seriam bastante prolíferas para o jogador. Já a 3ª época, após a promoção do clube à “Premier League”, testemunharia um decréscimo exibicional do jogador que, no final dessa mesma campanha, conduziria ao fim da sua ligação com o emblema britânico.
O último capítulo da sua carreira seria escrito num regresso à Reboleira. No Estrela da Amadora, entre os dois escalões maiores do nosso futebol, Jordão faria mais 4 temporadas. O fim do seu percurso profissional acabaria por chegar com o términus da época de 2006/07, pondo termo a um trajecto com quase duas décadas.

731 - HILÁRIO

Produto das escolas portistas, Hilário, por conta de uma forte concorrência, acabaria por nunca conseguir afirmar-se de “Dragão” ao peito. Logo após o fim da sua formação, uma primeira cedência à Naval 1º de Maio (1994/95), para, logo de seguida, vestir as cores da Académica de Coimbra (1995/96), daria início a um périplo que, salvo algumas excepções, o manteria afastado do FC Porto.
O primeiro regresso ao Estádio das Antas ocorreria na temporada de 1996/97. Ainda que a saída de Vítor Baía para o Barcelona tenha dado mais chances ao guardião, a preferência por outros atletas, casos de Rui Correia, Costinha ou Wozniak, acabaria por, em grande parte das jornadas, afastar Hilário do “onze” titular. Novos empréstimos, num atleta em franca evolução, acabariam por solucionar a sua falta de jogos. Nesse sentido, Estrela da Amadora, Varzim e Académica, entre as temporadas que seria chamado a defender as redes do FC Porto, tornar-se-iam numa espécie de novos interlúdios.
É já com importantes títulos a colorir o seu currículo, que Hilário chega à ilha da Madeira. 2 Campeonatos e 3 Taças de Portugal seriam os principais títulos conquistados pelos “Dragões”, durante o período passado pelo guarda-redes na “Cidade Invicta”. Por essa razão, a sua chegada ao Nacional na época de 2003/04, acabaria por fazer dele um dos principais reforços para a referida temporada.
Inicialmente por empréstimo, a partir do 2º ano Hilário passa, em termos definitivos, a fazer parte do plantel “Alvi-Negro”. Tendo conseguido agarrar a titularidade, a verdade é que a chegada do suíço Benaglio acabaria, mais uma vez, por pôr em causa esse seu estatuto. Surpreendentemente, e após uma temporada intermitente, chega o convite do Chelsea (2006/07). Com José Mourinho aos comandos do clube, Hilário é contratado pelos londrinos. Quase sempre na sombra de Petr Cech, e durante os anos que passou ao serviço dos “Blues”, o jogador pouco mais passou da condição de suplente. Ainda assim, a temporada da sua chegada, com a grave lesão sofrida pelo guarda-redes da República Checa, daria ao português a oportunidade de justificar a sua transferência.
Mesmo sem ser utilizado com regularidade, da selecção chega uma oportunidade. Hilário, que já tinha internacionalizações nas camadas jovens e, inclusive, tinha sido chamado a jogar pela equipa “b”, é convocado por Carlos Queiroz. A sua estreia com a “camisola das quinas” acabaria por acontecer após a campanha de apuramento para o Mundial de 2010. Num particular frente à China, e entrando para o lugar de Eduardo, Hilário, e pela primeira vez, representaria a principal equipa de Portugal.
É no final de 2013/14, que Hilário decide anunciar o fim da sua carreira como futebolista. Depois de, pelo Chelsea, ter conquistado mais uma brilhante série de títulos (1 Liga; 4 FA Cup), o guarda-redes decide aceitar o convite do clube e passar para o corpo técnico. Desde então, tem feito parte das equipas de treinadores e, com os conhecimentos conseguidos ao longo de duas décadas, tem ajudado os atletas do clube a melhorar os seus atributos.

AT HER MAJESTY'S PLEASURE 2017

"Ano novo, vida nova"!!!
Com a entrada num novo ano, o "Cromo sem caderneta" prepara-se para uma nova mudança. De malas aviadas, Janeiro será o último mês do "blog" em Inglaterra. Por essa razão decidimos recordar alguns dos atletas que por cá passarem. Assim, durante os próximos dias viveremos "At her Majesty's Pleasure"!!!!

730 - RUI CARLOS

Já depois da Académica de Santarém, Rui Carlos prosseguiria a sua formação no Caldas Sport Clube. É no emblema das Caldas da Rainha que vai terminar o seu percurso nas camadas jovens e que, na temporada de 1987/88, faz a transição para a equipa principal.
Jogador aguerrido, com índices físicos impressionantes, Rui Carlos conseguiria, progressivamente, conquistar o seu lugar. Logo na segunda temporada como sénior, com o grupo a disputar a 2ª divisão nacional, o seu nome já era um dos mais regulares na ficha de jogo. A qualidade que, por essa altura, já demonstrava, faz com que a sua visibilidade aumente. Começam a surgir alguns interessados e, para a época de 1990/91, a tão esperada transferência concretiza-se.
O salto leva-o à estreia na 1ª divisão nacional. Com as cores do Gil Vicente, que também fazia a sua primeira temporada entre os “grandes”, Rui Carlos acabaria por confirmar aquilo que dele já se sabia. Veloz a atacar e intrépido na hora de defender, o lado canhoto do campo não tinha segredos para o, ainda jovem, jogador. Tanto na defesa, como no meio-campo, o esquerdino, nas 2 épocas que passa em Barcelos, acabaria por sublinhar o seu estatuto de primodivisionário. Por essa razão, foi até com alguma surpresa que, no final de 1991/92, Rui Carlos deixa o Gil Vicente para, na divisão de Honra, assinar contrato com o Vitória de Setúbal. Todavia, esse suposto passo atrás acabaria por revelar-se como frutuoso. Os “Sadinos”, logo nesse campeonato, conseguem a promoção e o jogador, mais uma vez, passa a disputar o escalão máximo do nosso futebol.
Com o Vitória de Setúbal, quase sempre na 1ª divisão, Rui Carlos disputaria 9 temporadas. Durante esse período, onde grande parte das vezes conseguiria ser titular, o jogador passaria a figurar como um dos mais respeitáveis atletas na história do clube. Destaque para a temporada de 1998/99, onde, com o 5º lugar na tabela classificativa, o Vitória de Setúbal consegue conquistar um lugar nas competições europeias.
Não tendo participado na eliminatória contra Roma, essa mesma temporada 1999/00 também marcaria uma mudança de paradigma na sua carreira. Assolado por uma grave lesão, que o manteria afastado dos relvados por um longo período, a relevância de Rui Carlos no seio do grupo acabaria por diminuir. Mesmo recuperado da mazela, os níveis exibicionais do atleta nunca voltariam a ser os mesmos. É então, no final da temporada de 2000/01, que a ligação que mantinha com o emblema setubalense conhece o fim.
Com a barreira dos 30 anos já passada, é depois de deixar o Bonfim que Rui Carlos começa a última fase do seu trajecto como jogador. Dando início a um périplo que, sempre nos escalões inferiores, o levaria a vestir as cores de clubes como o Seixal, Portimonense, Alcochetense, Estrela de Vendas Novas, é nos Açores, e no Vitória do Pico, que termina a sua carreira.
Na verdade ainda voltaria aos relvados. Em 2008/09 haveria de aceitar o cargo de jogador/treinador-adjunto e com o emblema do Fabril (antiga CUF), Rui Carlos faria a transição do rectângulo de jogo para o banco de suplentes. Já como técnico tem-se destacado pelo trabalho feito nas camadas jovens daquele que foi o seu primeiro emblema, a Académica de Santarém.

729 - ANTÓNIO PEDRO

Indo assistir aos treinos do Operário Vilafranquense, a sua pequena estatura fazia com que os responsáveis pela equipa achassem que não tinha condições para singrar no futebol. Todavia, e por falta de um dos jogadores, um dia pedem ao jovem adepto para se juntar ao grupo. Mesmo jogando à defesa, posição a que não estava habituado, as suas habilidades haveriam de impressionar o responsável técnico da equipa, que pede a António Pedro para voltar a aparecer no campo.
Por razões burocráticas a sua inscrição seria adiada até à data do seu 17º aniversário. É por essa altura que, então, o médio faz a sua estreia pela equipa de juniores do Operário Vilafranquense:
 
“- Joguei a interior e marquei um golo... que me custou um olho negro !
- Bateram-lhe?
Sem querer, um adversário ao tentar aliviar com um pontapé "de bicicleta", apanhou-me a vista, quando meti a cabeça à bola para marcar o golo...
- De modo que deve ter recebido os abraços de felicitações a ver estrelas...
António Pedro riu-se e concordou (…)”*.

 
Já no seu segundo ano como júnior, António Pedro haveria de marcar presença em algumas das partidas das “reservas” e, igualmente, da primeira equipa. Contudo, só a partir da temporada de 1947/48 é que, em definitivo, passa a fazer parte do plantel principal.
Ainda que sem a experiência dos seus colegas, o jovem futebolista, que tanto podia jogar a médio centro como a interior, depressa começaria a exibir excelentes qualidades. Apesar de franzino, a disponibilidade que mostrava em campo, tornavam-no num dos melhores jogadores do emblema ribatejano. Rápido, com um bom passe e uma leitura de jogo superior, o atleta gostava de assumir a responsabilidade pela organização das jogadas. O peso que tinha no seio do grupo era enorme, e com o clube a abandonar a Associação de Futebol de Santarém para se juntar à de Lisboa (1949/50), António Pedro tornar-se-ia num dos principais responsáveis pelas consecutivas subidas de divisão.
Seria durante um encontro disputado em Pombal, partida a contar para a final da 3ª divisão, que António Pedro é descoberto por um antigo árbitro vila-franquense. Com residência nas Caldas da Rainha, o ex-juiz de jogo, que tinha por amigos alguns dos responsáveis do Caldas SC, dá boas indicações sobre o atleta. Convencidos do seu real valor, os dirigentes do clube, no intuito de o contratarem, partem para Vila Franca de Xira. Depois de muitas ofertas e outras tantas contrapropostas, é a altas-horas da noite, e já em plena rua, que o acordo é conseguido: para o clube – 12.500 escudos; para o atleta – um subsídio mensal de 500 escudos e a promessa de um emprego, onde iria auferir de um salário de 1.200 escudos.
Depois de trocar de emblema, mesmo tendo continuado a jogar na 3ª divisão, António Pedro começa a ser alvo de cobiça. O Sporting seria o primeiro a tentar a sua sorte e o atleta chegaria mesmo a treinar em Alvalade. Todavia, e achando o treinador Álvaro Cardozo que o médio não tinha qualidade suficiente para se juntar à equipa principal, a proposta para integrar a equipa de “reservas” e as fracas contrapartidas financeiras acabariam por não convencer António Pedro, que recusaria a oferta.
Com o avançar dos anos, e com o Caldas a subir na hierarquia das divisões, outras propostas foram surgindo. Sporting de Braga, Belenenses, Benfica e até o Ferroviário de Luanda, por diversas razões, foram sendo recusados. É nisto que o Caldas surge na 1ª divisão. No patamar mais alto do nosso futebol, o médio torna-se num dos atletas mais influentes do grupo. Tão importante era, que chega a ser chamado aos trabalhos da Selecção Nacional. Mesmo sem ter conseguido a tão almejada internacionalização, António Pedro continuaria como um dos mais utilizados no Caldas SC e peça fulcral das 4 campanhas feitas pelo emblema caldense nos grandes palcos do futebol português.
O seu caminho continuaria e terminaria no Caldas SC. Já depois de aí ter merecido a braçadeira de capitão e de ter granjeado a devoção de todos os que o viram jogar no Campo da Mata, António Pedro decide pôr um ponto final na sua vida de futebolista. Ainda assim, o antigo médio, que, ainda hoje, é tido como o melhor jogador a ter passado pelo emblema das Caldas da Rainha, continuaria ligado à modalidade. Nas funções de treinador, faria carreira no Caldas SC e, a exemplo, também no União de Santarém.

 
*excerto da entrevista dada à revista “Crónica Desportiva”, a 30 de Março de 1958

728 - FERNANDO VAZ


Dividindo a sua meninice entre Angola, onde nasceu, Trás-os-Montes e Lisboa, seria na capital que, desde os seus 9 anos, a sua família decide fixar-se. Órfão de pai e com mais 3 irmãos, é na Casa Pia que Fernando Vaz encontra a solução para prosseguir a sua educação. Todavia, muito mais do que dar continuidade aos estudos, seria na instituição lisboeta que, ainda petiz, começa a dar os primeiros passos no futebol.
Apaixonado pela modalidade, é nas equipas escolares e, mais tarde, nas camadas jovens do clube que enceta o seu caminho como jogador. Ao ser descoberto pelo técnico Arthur John, que muito admirou as suas qualidades, Fernando Vaz, ainda adolescente, passa a fazer parte do plantel sénior do Casa Pia Atlético Clube. É aí, na principal equipa dos “Gansos”, que faz toda a carreira de futebolista. Participa na edição de 1938/39 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, para, na temporada seguinte, pôr um ponto final na sua vida de desportista.
Com 22 anos apenas, Fernando Vaz decide pôr de parte o futebol, para dar prioridade ao emprego como bancário. A ajuda que precisava dar à família, leva-o a tomar esta difícil decisão. Mas, mesmo afastado do rectângulo de jogo, a sua paixão pela modalidade não diminuía e, colaborando com o Jornal de Lisboa e com a revista Stadium, a ligação ao “jogo da bola” manter-se-ia. Já alguns anos depois, e numa altura em que estava sem emprego, recebe uma proposta de Cândido de Oliveira. O convite leva-o a desempenhar as funções de redactor no jornal A Bola e a cimentar a amizade entre os dois homens do futebol.
No desempenho das funções de jornalista, Fernando Vaz acabaria por chegar a Chefe de Redacção. Contudo, o seu conhecimento profundo do jogo, das suas tácticas e psicologias, leva a que Cândido de Oliveira decida apostar em si para o auxiliar no Sporting. Em Alvalade, naquele que era o clube do seu coração, começa uma carreira que, de muito rica, o levaria a passar por diversos emblemas nacionais. Belenenses, Caldas (onde é considerado um dos melhores que por lá passaram), Vitória de Guimarães, CUF, Sporting de Braga, Académica, Atlético, Beira-Mar ou Marítimo, são, entre outros, alguns dos emblemas que representaria.
 Além dos já citados, houve outros emblemas que, porém, marcariam ainda mais a sua longa carreira de treinador. Podemos referir o FC Porto ou até a sua passagem pela Selecção Nacional. No entanto, há dois clubes que ficariam para sempre marcados no seu percurso. Um deles já aqui foi falado. No Sporting, Fernando Vaz acabaria por conseguir alguns dos seus maiores feitos. Primeiro, em 1969/70, venceria o Campeonato Nacional. Depois, e já na época seguinte, consegue conquistar a Taça de Portugal.
O emblema que aqui falta referir é o Vitória de Setúbal. Espalhadas por diversos períodos, as 10 temporadas passadas à frente dos “Sadinos”, fazem do clube o mais emblemático da sua carreira. Muito mais do que a longa ligação, o que Fernando Vaz realmente representa para o clube são os títulos conquistados durante a sua passagem. As Taças de Portugal de 1964/65 e 1966/67, adornadas ainda pela vitória na Taça Ribeiro dos Reis de 1968/69, são bem o exemplo da sua genialidade e competência.