919 - FÉHER

Já ia na segunda temporada como sénior quando o prémio de Melhor Jogador Jovem do ano foi atribuído ao avançado. O galardão conquistado em 1997, em simultâneo com a sua presença no Campeonato da Europa de sub-18, levaria a que a carreira de Miki Féher passasse a ser observada com um pouco mais de atenção.
Nesse sentido, a evolução que ia mostrando ao serviço do Gyõri ETO faria com o FC Porto decidisse apostar na sua contratação. Por altura da sua chegada ao Estádio das Antas, Féher era tido como uma das maiores esperanças do futebol magiar. No entanto, com os “Azuis e Brancos” a viver os anos do “Penta”, a adaptação do jovem atleta não seria a mais fácil. Com o sector mais ofensivo dos “Dragões” entregue a nomes como Mário Jardel, Quinzinho ou Mielcarski, o húngaro teria que contentar-se com o facto de, para a época de 1998/99, não conseguir ser mais que uma segunda ou terceira escolha.
Na segunda temporada em Portugal, e tendo em conta que a esperança depositada em si continuava bem presente, a gestão da sua carreira levaria o FC Porto a emprestá-lo a outros emblemas. Com receio que o avançado tivesse pouco espaço no plantel “Azul e Branco”, a cedência ao Salgueiros e, já na campanha seguinte, ao Sporting de Braga parecia ser a solução mais acertada. Após não ter passado da equipa “b” na primeira metade 1999/00, a ida para Paranhos acabaria por ter o resultado esperado. Com mais oportunidades para jogar, o ponta-de-lança começaria a demonstrar que a sua contratação não tinha sido um equívoco.
Os golos conseguidos durante essa temporada e meia, levariam a que o seu regresso ficasse assegurado. As portas das Antas, para a temporada 2001/02, abrir-se-iam mais uma vez ao atacante. Todavia, o que parecia ser uma nova oportunidade acabaria por tornar-se em mais um revés no seu percurso. Por alegados desentendimentos entre o seu empresário e o Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, um ultimato seria feito ao jogador. Com Féher a tomar a posição do seu representante, a consequência de tal decisão seria a sua proscrição. Ainda assim e sem conseguir jogar regularmente, a verdade é que a sua presença na selecção pouco seria afectada. Depois de ter feito a estreia pela equipa “A” húngara em Outubro de 1998, a assiduidade com que era convocado serviria de tónico para uma nova aposta. Esse desafio viria de um dos maiores rivais do FC Porto e o atleta acabaria por rumar a Sul.
No Benfica, mesmo sem conseguir conquistar um lugar como titular absoluto, tudo parecia apontar para o despontar do avançado. A segunda temporada com as “Águias”, a de 2003/04, indicava isso mesmo. Sendo um dos suplentes mais utilizados, foi sob esse estatuto que, a 25 de Janeiro de 2004, entraria em campo. A viagem a Guimarães, a contar para a 19ª jornada do Campeonato Nacional, adivinhava-se difícil. No sentido de tentar conquistar os 3 pontos, aos 59 minutos, José António Camacho faria o atacante entrar em campo. Perto do fim do encontro os “Encarnados”, com a tentativa certeira de Fernando Aguiar, conseguiriam inaugurar o “placard”. Quando tudo parecia encaminhar-se para mais uma vitória, é então que a desgraça desaba sob o Estádio D. Afonso Henriques. Já nos descontos, e logo após ver um cartão amarelo por obstruir o lançamento de Rogério Matias, Miki Féher esboça um sorriso e cai no relvado. Inanimado na sequência de um problema cardíaco fulminante, o internacional húngaro acabaria por falecer.
Durante os tempos vindouros, as homenagens suceder-se-iam. O clube anunciaria a retirada do número 29; o seu corpo, em câmara ardente no Estádio “da Luz”, receberia a visita das mais altas figuras, colegas e rivais; um busto seria esculpido em sua memória; todos os jogadores do plantel, no jogo seguinte, entrariam em campo com o seu nome nas camisolas; a Taça de Portugal, vencida nesse ano, seria a si dedicada; e, em 2009, o Benfica anunciaria um galardão com o seu nome, para premiar jovens desportistas húngaros.

918 - WALTER

Seria no Caldas que, na temporada 1986/87, Walter faria a transição para o patamar sénior. Depois de 4 campanhas no plantel principal, as suas prestações mereceriam por parte de um dos históricos do futebol português uma atenção mais pormenorizada. A conclusão chegada após essas observações, levaria a que a Académica de Coimbra assinasse um acordo com o atleta. A mudança chegaria pouco tempo depois e no final Verão de 1990 já o lateral-direito trabalhava com o plantel dos “Estudantes”.
Com Mota e, já na segunda campanha, com Crisanto a tomar para si o lugar na direita da defesa, as oportunidades dadas a Walter seriam escassas. Durante os 2 primeiros anos o atleta, à custa da maior experiência dos seus colegas, acabaria por ter que contentar-se com a condição de suplente. No entanto, a partir de 1989/90 tudo mudaria. Nesse sentido, e mesmo sem nunca ter a possibilidade de disputar o nosso escalão máximo, as suas exibições levá-lo-iam a ser cobiçado por emblemas de maior monta.
O clube que haveria de apostar na sua contratação seria o Vitória de Guimarães. A transferência, para a temporada de 1994/95, levaria o jogador à estreia na 1ª divisão. Todavia, a sua chegada ao principal patamar do futebol português acabaria por não ter a resposta esperada. Tanto nos vimaranenses, como, passados dois anos, já com as cores do Leça, Walter não conseguiria tornar-se num pilar para os seus treinadores. Ainda assim, essas 3 épocas serviriam para que o defesa conseguisse chegar a internacional. Tendo dupla nacionalidade, seria por Angola que o futebolista decidiria jogar. Chamado a representar o seu país, o lateral seria convocado para a disputa da CAN (Taça de África das Nações). Em 1996, ao lado do seu irmão Wilson, viajaria para a África do Sul e aí viveria um dos momentos mais altos da sua carreira.
Em 1997, o lateral regressaria aos escalões secundários. A partir desse momento, e no que restaria da sua caminhada, Walter não voltaria ao convívio dos “grandes”. Gil Vicente, Caldas, Nazarenos e Marinhense preencheriam assim o derradeiro terço do seu percurso. No conjunto da Marinha Grande, o defesa decidiria ser a altura certa para pôr um ponto final na carreira de futebolista. Todavia, não seria por muito tempo que ficaria afastado da modalidade. Em 2006, num regresso ao clube que também tinha representado nos escalões jovens, dá os primeiros passos nas tarefas de treinador. Depois das “escolas” do Nazarenos, o antigo jogador daria seguimento à nova actividade. Como uma trajectória que tem sido dedicada aos emblemas da Associação de Futebol de Leira, destaque para a sua passagem pelo Ginásio de Alcobaça.

917 - LITO

Terminada a formação no Vitória de Setúbal, seria também no emblema da margem norte do Sado que, na temporada de 1974/75, Lito faria a primeira aparição no patamar sénior. Mesmo com a época de estreia a merecer uma avaliação discreta, as campanhas seguintes revelariam um atleta já preparado para desafios maiores. Veloz e com uma técnica apurada, o extremo-direito começaria a impor-se na equipa principal do Bonfim logo ao segundo ano como profissional. Todavia, tudo aquilo que o jogador começava a conquistar não era, na verdade, uma grande surpresa. Por essa altura, o atacante já era visto como uma das grandes promessas do futebol nacional e, se mais provas fossem necessárias, as chamadas às jovens selecções portuguesas eram a prova da sua qualidade.
Três anos passados sobre a estreia, a mudança do Vitória de Setúbal para o Sporting de Braga em nada diminuiria o valor das suas exibições. Aliás, a sua chegada ao Minho na temporada de 1977/78, serviria para sublinhar o avançado como um dos jogadores mais apetecíveis no mercado nacional. Com duas temporadas em que o colectivo bracarense andaria na luta pelos lugares cimeiros do Campeonato, também o valor de Lito acabaria por crescer de forma exponencial.
Tornando-se num dos pilares das referidas campanhas, seria com naturalidade que surgiria o interesse de emblemas de outra monta. Tomando a dianteira, o Sporting chegaria a um acordo com o atleta e a transferência consumar-se-ia no decorrer da temporada de 1979/80. Com a estreia a acontecer apenas em Janeiro de 1980, resultado de uma curta passagem do atacante pelos brasileiros do Vasco da gama, esse jogo da Taça de Portugal acabaria por ser uma das poucas oportunidades que o ala-direito conseguiria durante a primeira campanha de “verde e branco”. A falta de chances, justificada pela presença de atletas como Manuel Fernandes, Manoel, Jordão e, mais tarde, de António Oliveira, faria com que Lito não conseguisse assumir um papel tão relevante quanto seria esperado. Ainda assim, as épocas seguintes elevá-lo-iam à condição de suplente bastante utilizado e, desse modo, muito importante nos triunfos alcançados.
A vitória no Campeonato de 1979/89 e a “dobradinha” de 1981/82 acabariam por preceder aqueles que seriam os melhores anos da sua carreira. Com o avançar da época de 1982/83, principalmente após António Oliveira assumir as funções de treinador-jogador, Lito conseguiria granjear da importância que há muito merecia. Sendo o atleta mais utilizado durante essa campanha, o prémio maior viria com o fim da referida temporada. A 8 de Junho de 1983, convocado pelo mítico Otto Glória, o extremo faz a estreia pela “Equipa das Quinas”. A esse jogo frente ao Brasil, seguir-se-ia a chamada para outro embate da selecção. Infelizmente para o atleta, a partida disputada na Polónia, a contar para o apuramento do Euro 84, não teria seguimento. Ainda assim, no cômputo de todos os escalões, o atacante conseguiria mais de uma dezena e meia de internacionalizações.
Após mais uma temporada ao mais alto nível, a contratação do galês John Toshack para técnico dos “Leões” iria alterar o estatuto do atleta. Com o técnico a dar preferência a outros jogadores, Lito ver-se-ia remetido, mais uma vez, para a condição de suplente. Essa situação faria com o atacante preferisse dar outro rumo à sua carreira. O regresso ao Sporting de Braga acabaria por ser a solução encontrada para a pouca utilização em Alvalade. Curiosamente, o desfecho de tal transferência quase ninguém o imaginaria. Pouco mais de um ano após a chegada ao antigo Estádio 1º de Maio, o extremo, ainda com muito a dar à modalidade, decidiria ser a altura certa para deixar o futebol.

916 - GALO

Formado pelo Almada, seria no emblema da margem sul do Rio Tejo que, no início dos anos 80, Galo faria a transição para o patamar sénior. Curiosamente, e sendo um clube dos escalões inferiores, por essa altura a colectividade albergava atletas cujos nomes iriam tornar-se familiares no nosso principal escalão. Oceano e Paulo Monteiro seriam, por essa razão, alguns dos colegas que acompanhariam o lateral-direito nos primeiros anos da sua carreira.
Mesmo estando incluído em tão rica fornada, a verdade é que o jogador ainda teria que esperar alguns anos até ver o seu valor reconhecido por emblemas de maior tradição. Seria já em meados da década de 80 que o Atlético decidiria recrutá-lo ao emblema que o tinha lançado. No bairro de Alcântara, resultado da maior visibilidade obtida, o tempo aí passado serviria para que conseguisse alcançar o principal patamar do futebol português. Nessa transição, sempre acompanhado pelo já referido Paulo Monteiro, o defesa chegaria ao Belenenses na temporada de 1986/87.
Mesmo com a sua idade, 25 anos, a ditar uma maior experiência, a luta por um lugar no “onze” não seria assim tão pacífica. Com a titularidade dividida com Carlos Ribeiro e Teixeira, as primeiras temporadas com os da “Cruz de Cristo” serviriam para confirmar Galo como um defesa trabalhador e fiável. Ainda que sem ser um dos indiscutíveis do plantel, essas campanhas levariam o atleta a atingir algumas metas importantes. As competições europeias, onde faria a estreia em 1988/89, seria o primeiro passo para voos maiores. No final dessa temporada, numa campanha em que o conjunto do Restelo eliminaria o FC Porto e o Sporting, a chegada ao derradeiro desafio da Taça de Portugal transformar-se-ia num marco da sua carreira. No Estádio Nacional, mesmo não vendo o seu nome na ficha de jogo, o lateral testemunharia a conquista daquele que é o maior troféu no seu palmarés.
Com a saída de Marinho Peres, o técnico brasileiro responsável pela vitória no Jamor, Galo passaria a desempenhar um papel de maior importância no seio do plantel “Azul”. Esse destaque acabaria por ficar bem patente já no começo da época seguinte. Com Artur Jorge no lugar de seleccionador, o defesa-direito seria chamado à equipa nacional. O particular, disputado no Estádio “da Luz” em Agosto de 1990, tornar-se-ia no prémio para umas das melhores temporadas conseguidas pelo futebolista. Frente à antiga República Federal Alemã, o lateral entraria de início, sendo, no decorrer da partida, substituído pelo benfiquista José Carlos.
Por essa altura, o caminho que parecia levar à sua afirmação, acabaria por sofrer um volte-face. Com uma campanha de 1990/91 a terminar com a despromoção do Belenenses, o início da temporada seguinte não seria mais fácil para o jogador. Afastado, diz-se que por decisão dos dirigentes em função, a sua saída acabaria por ser tudo menos pacífica. Essa cisão, mesmo com o atleta a contar com apenas 30 anos de idade, levá-lo-ia a decidir-se pelo fim do seu percurso profissional. Ainda que tendo terminado a sua relação contratual, a sua ligação ao clube manter-se-ia bem viva. Galo, que chegaria a envergar a braçadeira de capitão, ainda voltaria a carregar a “Cruz de Cristo”. Em 2009, num conjunto que contava com antigas estrelas como Jorge Martins, Sobrinho, Jaime, Rui Gregório, Paulo Sérgio e Gonçalves, o antigo internacional português defenderia o clube no futebol de praia.

915 - OLIVEIRA


Tendo aparecido na primeira equipa da CUF na temporada de 1978/79, Oliveira estaria tempo suficiente no grupo do Barreiro para acompanhar a transição da colectividade para Quimigal. Mesmo tendo representado o clube numa fase em que o mesmo já estava bem distante dos anos de glória, o defesa acabaria por destacar-se pela seriedade com que encarava todas as partidas.
Com processos discretos, mas pragmáticos, as 4 épocas passadas na 2ª divisão seriam suficientes para chamar à atenção de outra estrela do futebol barreirense. Segundo consta, Manuel de Oliveira, ainda na condição de treinador do Marítimo, haveria de recomendar a contratação do central. A transferência, mesmo com o referido técnico afastado do comando dos madeirenses, acabaria mesmo por concretizar-se. Seria desse modo que, na campanha de 1982/83, Oliveira conseguiria chegar ao principal escalão português. Curiosamente, ele que faria a dita estreia já com 24 anos, a partir desse momento veria a sua carreira a crescer exponencialmente.
A primeira chamada à principal selecção portuguesa, num particular frente ao Brasil, precederia a sua mudança para o Benfica. Nas “Águias”, Oliveira conseguiria destacar-se ao ponto de, logo na temporada de 1983/84, ser um dos mais utilizados no “onze” dos “Encarnados”. Com o decorrer dos anos, o defesa conseguiria cimentar a sua posição de titular. Esse estatuto sairia ainda mais reforçado quando, em 1986, José Torres decide chamá-lo para o Mundial desse ano. Integrado na comitiva que viajaria para o México, o atleta participaria em todos os jogos dos “Infantes”. Apesar de ter visto as suas exibições tidas como positivas, o rescaldo do caso “Saltillo” afastá-lo-ia da equipa nacional. Aliás, a sua carreira, que tinha crescido de uma forma espantosa, acabaria, depois desse Campeonato do Mundo, por sofrer um volte-face igualmente surpreendente.
Regressado ao Benfica, a temporada de 1986/87 parecia correr com normalidade para o atleta. À 14ª jornada do Campeonato Nacional, o Benfica, com Oliveira a titular, haveria de apresentar-se no antigo Estádio de Alvalade. O resultado desse confronto, histórico para o futebol português, acabaria com o Sporting a vencer por 7-1. Uma das vítimas dessa goleada, para muitos transformado no bode expiatório, seria o central. A partir desse infortúnio, o defesa raramente seria chamado a jogo, aparecendo, no final dessa campanha, na lista de transferíveis.
Com 2 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e 1 Supertaça no currículo, Oliveira deixaria o Benfica no Verão de 1987. Ainda assim, a qualidade ganha durante esses anos mantê-lo-ia na 1ª divisão. Até ao final do seu percurso profissional, o defesa não voltaria a disputar outro escalão. Primeiro no Marítimo e, nos últimos anos da carreira, com as cores do Beira-Mar, as boas exibições seriam uma constante. Aliás, seria já ao serviço dos “Verde-rubro” que o central voltaria a ser chamado à selecção. Também no emblema aveirense, o jogador haveria de viver momentos inesquecíveis. Um deles seria a disputa da Taça de Portugal. Na temporada de 1990/91, os “Auri-Negros” chegariam à derradeira partida da prova. No Jamor enfrentariam o FC Porto, e mesmo tendo em conta a derrota por 3-1, esse capítulo transformar-se-ia num marco na caminhada do atleta.
Após o fim da carreira como futebolista, Oliveira daria início ao seu percurso como treinador. Aceitando um convite do seu conterrâneo, Manuel Fernandes, iria passar pelo Campomaiorense. Ainda nas funções de adjunto, o antigo internacional português orientaria clubes como o Tirsense, Vitória de Setúbal, Santa Clara ou Penafiel.

914 - MÁRIO JOÃO

O aparecimento de Mário João na equipa principal do Vitória de Setúbal acabaria por não ter o seguimento desejado. A sua estreia em 1964/65, num plantel composto por nomes como Jaime Graça, Conceição, Mourinho Félix, Carriço, José Maria ou Emídio Graça, resultaria numa temporada mais discreta que o esperado. No final da referida campanha, a pouca utilização empurrá-lo-ia para os patamares secundários. Nas 3 épocas seguintes, Ovarense e Feirense tornar-se-iam nos emblemas dessa nova etapa. Ainda assim, e mesmo afastado dos grandes palcos nacionais, o defesa conseguiria destacar-se. As boas exibições levá-lo-iam a merecer nova oportunidade e o escalão máximo voltaria a ser uma realidade.
Seria o Boavista que, na época de 1969/70, daria ao central o ensejo para relançar a sua carreira. Logo nessa campanha, e ao contrário do que tinha acontecido na primeira experiência primodivisionária, Mário João acabaria por tornar-se num dos pilares da equipa. Forte fisicamente e, por essa razão, um obstáculo muito difícil de transpor, a arte do seu desarme tornar-se-ia num elemento importantíssimo. Daí em diante, independentemente dos treinadores em causa, o central passaria a ser visto como uma das referências no sector mais recuado e um dos intocáveis no “onze axadrezado”.
Com a chegada ao clube de José Maria Pedroto, a sua importância tornar-se-ia ainda mais notória. Sendo um dos indiscutíveis do técnico português, o defesa acabaria por tornar-se num dos símbolos da “dupla” vitória na Taça de Portugal. Após as referidas conquistas nas temporadas de 1974/75 e 1975/76, nas quais teria a honra de levantar os 2 troféus, o atleta ainda veria o seu palmarés enriquecido pelo triunfo em mais uma edição da “Prova Rainha”. Esse novo brilharete, alcançado na época de 1978/79, como que marcaria um ponto de viragem na sua carreira. Sendo que por essa altura já não era tão utilizado quanto em anos anteriores, o Verão de 1980 acabaria por trazer o fim da relação entre o atleta e o Boavista.
Após 11 campanhas de “Pantera” ao peito, o defesa, que contava com 36 anos de idade, decidiria que ainda não era a altura certa para pôr um ponto final na sua carreira. Para continuar a alimentar a vontade de competir, o central acabaria por regressar às divisões inferiores. Alguns anos passados em emblemas mais modestos, durante os quais ainda vestiria a camisola do Torreense, e 1985 marcaria em definitivo o fim do seu trajecto como futebolista. Essa derradeira etapa, que terminaria já o jogador tinha passado os 40, não significaria o fim da sua ligação com a modalidade. Tendo regressado ao conjunto do Bessa, o antigo craque haveria de ficar ligado às “escolas” da colectividade portuense.

913 - MALDINI

Sair da sombra de um nome como o de Cesare Maldini não é tarefa fácil. Todavia, o jovem Paolo, muito mais do que extinguir-se no estatuto do antigo craque, construiria uma carreira que em nada ficaria a dever à do seu pai.
Ainda que assolado pelas mais que certas comparações, a certeza das suas qualidades emergiria durante a sua caminhada formativa. À custa dessas características, Nils Liedholm, outra lenda na história “Rossoneri”, chamá-lo-ia à principal equipa do AC Milan. Essa partida inicial, quando apenas contava 16 anos de idade, seria mais um passo para que conseguisse um lugar no plantel sénior. Contudo, e mesmo tendo em conta a estreia precoce, poucos estariam à espera do que a temporada seguinte traria. Sem a experiência que justificasse tal opção, Maldini, no decorrer da campanha de 1985/86, apareceria como titular dos milaneses. Começando pelo lado direito da defesa, a sua polivalência depressa o faria ocupar outras posições. Nos anos seguintes, tal como no que restaria da sua carreira, o atleta também seria chamado a jogar à esquerda e no centro do sector mais recuado.
Apesar de a polivalência estar erradamente associada à incapacidade de certos atletas conseguirem mostrar excelsos predicados, o jovem atleta seria o perfeito exemplo de que tal não é verdadeiro. Nessa realidade, o defesa tornar-se-ia num pilar dos sucessos do AC Milan. No términus dos anos 80 e chegando a entrar pelo novo milénio adentro, o emblema italiano, à custa de uma enorme constelação de craques, cimentar-se-ia como a maior potência no futebol europeu. Ao lado de nomes como Baresi, Costacurta, Donadoni, Gullit, van Basten, Rijkaard, entre tantos outros, Maldini veria o seu palmarés colorir-se com inúmeros troféus. Tendo vencido o primeiro “Scudetto” em 1987/88, outos títulos seguir-se-iam a essa conquista da Serie A. Internamente, o sucesso das equipas que integrou levá-lo-iam a acrescentar ao seu currículo outros 6 Campeonatos italianos, 1 “Coppa”de Itália e 5 “Supercoppas”. Claro está que as competições internacionais também seriam prolíferas. Nesses terrenos, para além das vitórias em 4 Supertaças da UEFA, 2 Taças Intercontinentais ou 1 Mundial de clubes, há que destacar as 5 “Champions” vencidas*.
Também pela selecção, Madini conseguiria merecer o devido destaque. Com a estreia a acontecer em Março de 1988, a sua ligação à “Squadra Azzurra” prolongar-se-ia por cerca de 14 anos. Todavia, no que a títulos diz respeito, a sua história seria um pouco diferente da vivida no clube. Tendo participado em 4 Mundiais e 3 Europeus, o defesa não lograria ganhar qualquer um dos troféus disputados. Ainda assim, a sua importância é incontestável. Se mais provas fossem necessárias, bastariam as 126 partidas em representação de Itália para atestar o tamanho do seu vulto.
Nisto de números há também que acrescentar aqueles que o atleta conseguiria ao serviço do seu emblema. Sem nunca ter trocado de camisola, os 902 jogos feitos pelo clube deixá-lo-iam, em muitas frentes, na liderança. Ora, para além de não haver atleta com mais jogos feitos pelos “Rossoneri”, é também dele o recorde de partidas conseguidas na Serie A. A longevidade da sua carreira também permitiria ultrapassar algumas barreiras. Uma delas viria logo com a estreia, fazendo dele o mais jovem de sempre a envergar a camisola dos milaneses. A segunda chegaria com o fim do seu percurso como futebolista. Os 24 anos e 132 dias como profissional fariam dele o atleta que durante mais tempo defendeu o AC Milan.
Depois de retirado das competições, e de sempre ter afirmado que as funções de treinador não eram para si, Maldini não conseguiria manter-se afastado do desporto. Em 2015 compraria parte dos Miami FC, colectividade que disputa a North American Soccer League. Paralelamente, e alimentando outra das suas paixões competitivas, participaria no torneio de pares da edição de 2017 do Aspria Tennis Cup. Finalmente, e já no começo desta temporada de 2018/19, aceitaria o convite para ocupar o cargo de director do AC Milan.

*incluídas 2 Taças dos Campeões Europeus.

912 - FILIPE AZEVEDO

Filho de emigrantes em França, seria no Marseille que Filipe Azevedo faria quase toda a sua formação. Chegaria também a representar os sub-18 gauleses, mas, incontornavelmente, o seu destino profissional estava fadado a Portugal. Ainda seria promovido à equipa sénior, onde haveria de partilhar o balneário com Rui Barros e Paulo Futre. Depois rebentaria o escândalo de corrupção, envolvendo o Presidente Bernard Tapie. Na debandada daí resultante, e com a maioria dos atletas à procura de novos destinos, também ele acabaria por partir.
Apesar de ter um convite do Sporting, o atacante daria a sua preferência ao recém-promovido Felgueiras. Com receio de não conseguir conquistar um lugar no conjunto de Alvalade, a sua escolha acabaria por incidir no emblema de onde eram oriundos os seus pais. A estreia na 1ª divisão portuguesa, com Jorge Jesus como treinador e um jovem Sérgio Conceição como colega, aconteceria no decorrer da campanha de 1995/96. Contudo, a escolha feita pelo avançado no início dessa temporada, revelar-se-ia pouco acertada e, depois de uma 2ª volta desastrosa, o emblema duriense não conseguiria evitar a descida.
Após 2 anos a disputar a Divisão de Honra, sem nunca conseguir a tão almejada promoção, o regresso de Filipe Azevedo ao patamar máximo do nosso futebol dar-se-ia com a mudança de clube. Tendo deixado o Felgueiras para ingressar no Alverca, o atacante daria novo elã à sua carreira. Depois de 2 campanhas em que os seus golos mereceriam o devido destaque, é do Leste da Europa que surge novo desafio – “Perguntaram-me: queres ir jogar na Liga dos Campeões? E eu fui para lá atrás desse sonho. Íamos participar na pré-eliminatória, que na altura era só a uma mão, só que calhou-nos jogar em Istambul contra o Besiktas e acabámos por ser eliminados”*.
A admiração que Yuriy Semin, à altura o treinador do Lokomotiv de Moscovo, tinha pelo trabalho do avançado, faria com que o mesmo tivesse um lugar assegurado no “onze” do emblema russo. Sendo o primeiro português a jogar no “País dos Czares” muitos estariam à espera que o avançado tivesse alguns problemas de adaptação. Contudo, e depois de um início bastante auspicioso, aquilo que deixaria a sua experiência um pouco aquém do esperado seria uma grave lesão. Tendo fracturado o pé, Filipe Azevedo ver-se-ia afastado dos relvados durante grande parte da temporada. Depois, e vivendo longe daqueles que deveria ter mais próximo, viriam os problemas familiares. Ora, a conjunção desses dois factores, mesmo com os responsáveis dos “Zheleznodorozhniki” (Ferroviários) a pedir a sua continuidade, levá-lo-iam a voltar a Portugal. A meio da temporada de 2000/01, o atacante passaria a vestir as cores de um primodivisionário Campomaiorense. Esse regresso marcaria a entrada na segunda metade da sua carreira, fase que acabaria por caracterizar-se pela passagem por vários clubes e campeonatos.
França, Índia, Espanha e Chipre seriam os países que também acabariam por colorir o seu trajecto. Tendo passado maior parte do seu tempo, desde a saída do clube alentejano, a disputar os escalões secundários, ainda assim há que destacar alguns momentos do que restou no seu percurso como futebolista. O regresso à “Ligue 1”, com as cores do Sedan ou a experiência num exótico Mahindra Utd, transformar-se-iam em pontos de interesse na carreira do avançado.
Mesmo afastado dos maiores palcos do futebol, a sua caminhada prolongar-se-ia até aos 35 anos. Já depois de em 2010 ter “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta tem procurado aprender outras realidades dentro da modalidade. Entre vários estágios feitos em França, cursos de treinador e uma experiência na Arábia Saudita como treinador-adjunto do Al-Qadisiya, foi na AD Camacha que aceitou um cargo como dirigente. Em 2017, com a criação da SAD do emblema madeirense, Filipe Azevedo seria escolhido para as funções de Director Desportivo.


*retirado da entrevista de Carlos Torres, publicada em www.sabado.pt, a 18.06.2017

911 - ALBINO

Seria no Sport Lisboa e Tortosendo (actual Sport Benfica e Tortosendo) que Francisco Albino teria o primeiro contacto com o futebol e com as cores da sua paixão. O “encarnado” acompanhá-lo-ia pela vida fora e a mudança da sua família para a capital, serviria para alimentar, ainda mais, esse furor. Tendo o bairro de Campolide como nova morada, a proximidade ao Estádio das Amoreiras seria a desculpa perfeita para assistir a todos os jogos e treinos daquele que era o emblema do seu coração. Ainda adolescente, e com a bênção do treinador Arthur John, entra para as camadas jovens das “Águias”. Entre essa temporada de 1929/30 e a de 1932/33, subiria pelas diferentes categorias do clube. Em Dezembro de 1932 é chamado à estreia no “onze” principal e, daí em diante, tornar-se numa das principais figuras do Benfica.
Apesar de franzino, a vontade que mostrava dentro de campo transformá-lo-ia num exemplo para todos os colegas. Mesmo não sendo um poço de técnica e virtuosismo, a verdade é que a sua entrega haveria de mantê-lo como um dos favoritos de treinadores e adeptos. No meio-campo, fosse à direita ou no centro, o atleta tornar-se-ia num dos indiscutíveis do Benfica. Entre o final dos anos 30 e a década de 40, e numa altura em que o Sporting era a maior potência do futebol português, Albino acabaria por personificar a luta, a resistência e o querer afrontar essa hegemonia “verde e branca”.
A imagem criada à sua volta, torná-lo-ia num dos estandartes do clube “alfacinha”. Conquistado esse estatuto, foi com normalidade que Albino recebeu a primeira chamada à “Equipa das Quinas”. A 5 de Maio de 1935, sob a alçada de Cândido de Oliveira, entraria de início num particular frente à Espanha. Depois desse amigável disputado no Estádio do Lumiar, o médio voltaria a representar as cores de Portugal por mais 9 vezes. Apesar de ser um jogador de referência no panorama nacional e de estar no pico da sua carreira, a verdade é que, depois de 1939, o jogador preferiu não mais vestir a camisola da selecção. A razão? Só uma! A saída do treinador que o tinha levado à estreia.
Continuou de “Águia” ao peito e durante anos a fio, num cômputo de 13 temporadas na primeira equipa, ajudou à “mística” do clube. Foi também parte importante de relevantes conquistas. Nesse campo, foi pilar na vitória em 2 Campeonatos de Lisboa, 1 Campeonato de Portugal, 3 Taças de Portugal e 6 Campeonatos Nacionais (incluídos 3 Campeonatos da Liga). Todavia, os melhores momentos da sua vida desportiva viriam com outro tipo de louvores. A braçadeira de capitão, que tantas vezes envergou, seria um deles. Entretanto viriam as condecorações. Eleito Sócio de Mérito do Benfica (1938), laureado com a Águia de Prata (1940) e com a Medalha de Ouro da Federação Portuguesa de Futebol, todos esses prémios seriam reflexo do valor que deu ao desporto nacional.
Em Maio de 1945 o Benfica organizaria, muito mais do que uma festa de despedida, um jogo em homenagem à sua postura e entrega. Essa dedicação ficaria bem explícita num dos pormenores mais caricatos da sua carreira. Impossível nos dias que correm, Albino e os dirigentes “Encarnados” nunca teriam qualquer necessidade em assinar um contrato. Todavia, esse facto não diminuiria a vontade do jogador em ver reconhecido, monetariamente, o esforço posto em campo. Aliás, o médio ficaria conhecido pela sua famosa frase “Quando é que vem o tempero”, referindo-se aos prémios de jogo!

910 - BARBOSA

Podia ter posto em causa toda a sua carreira quando, ainda em idade júnior, decide assinar contrato pela Académica. Tendo ligação ao Boavista, esse seu acto poderia ter sido visto como uma traição. Mesmo assim, António Gama decide pôr de parte as altercações e, no final da campanha de 1968/69, o referido treinador chama o jovem defesa à equipa principal.
Ainda que na 2ª divisão, esse fim de temporada daria óptimas indicações. Depois de consumada a subida de escalão, a época de 1969/70 serviria para a sua afirmação. Aferidas as suas qualidades, Barbosa logo ficou como uma das referências no centro da defesa “axadrezada”. Curiosamente, e depois de ter ganho um lugar ao lado de Mário João, a chegada de um novo treinador daria outra orientação à sua carreira. Tendo visto nele distintas qualidades, Fernando Caiado, estrela com carreira feita entre o Boavista e o Benfica, empurra o jogador para meio-campo.
Seria nessa posição mais adiantada que, a partir da época de 1970/71, passaria a jogar. Ainda que algo turbulentas para o jogador, essa e as seguintes campanhas assegurariam que Barbosa como uma das figuras mais importantes do plantel boavisteiro. Quem ainda mais sublinharia esse seu estatuto, seria o antigo internacional “canarinho” Aimoré Moreira. Percebendo a influência que o atleta tinha na dinâmica da equipa, o técnico brasileiro faria dele o “capitão”. A braçadeira mantê-la-ia até à Revolução do 25 de Abril de 1974. Sendo descendente de uma família com plantações de café em Angola, o atleta, com a política a imiscuir-se no desporto, veria a sua liderança a ser rebatida. Para pôr fim à polémica, o médio decidiria abdicar da braçadeira e entregá-la-ia a um dos seus colegas.
Apesar da controvérsia, a importância que tinha para o plantel manter-se-ia. Por essa razão, nem mesmo a chegada de José Maria Pedroto ao Bessa, beliscaria o seu estatuto de titular. Todavia, a contratação do treinador traria algumas mudanças. A primeira, seria a sua passagem do meio-campo para a lateral direita. Depois, viria aquilo que transformaria as épocas vindouras nas mais importantes da sua carreira. Os títulos chegariam resultado de campanhas muito acima do expectável. Muito mais do que os lugares cimeiros na tabela classificativa, ou da presença nas competições europeias, seria à custa da Taça de Portugal que o sucesso passaria a fazer parte do trajecto do atleta. As vitórias nas edições de 1975/76 e 1976/77 da “Prova Rainha”, daria outra cor ao seu currículo. Passado alguns anos, o seu palmarés voltaria a colorir-se. Sob o comando do inglês Jimmy Hagan e depois de Mário Lino, Barbosa ajudaria o clube a erguer mais 2 troféus: a Taça de Portugal de 1978/79 e a Supertaça do ano seguinte.
Com a entrada nos “30”, a frequência da sua presença nas fichas de jogo começaria a diminuir. Mesmo com o fim a aproximar-se, Manuel Barbosa preferiria manter-se de “axadrezado”. Naquilo que foi a sua carreira sénior, transformando-se no atleta que mais vezes representou o clube no escalão máximo, acabaria por nunca vestir outras cores para além das do Boavista. Mesmo, ainda nas camadas jovens, tendo envergado a camisola das “quinas”, talvez tenha faltado uma internacionalização “A” para embelezar, ainda mais, o seu trajecto. Já na derradeira temporada como futebolista, a meio, Valentim Loureiro endereçar-lhe-ia o convite que o levaria à próxima tarefa dentro da modalidade. Pondo de parte as chuteiras, os primeiros passos como técnico dá-los-ia nessa época de 1982/83. Na estreia, encetaria uma espantosa recuperação até ao 5º posto. Destaque também para as suas passagens na 1ª divisão, pelo Penafiel e Desportivo de Chaves. Nas funções de treinador há que ainda fazer referência à sua experiência na China, onde, em 2011, levaria o Tianjin Teda à final da Taça.