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1081 - DINO

Como preferem? Raimundo Barreto, Dino Furacão ou, simplesmente, Dino?
Bem, para pôr justiça numa possível resposta, há que facultar outros dados. Nesse propósito, e penso que sem grande surpresa, posso confessar-vos que a primeira opção é um singelo nome de baptismo. Já a última escolha indica-nos o vocábulo pelo qual ficou conhecido em Portugal. Por outro lado, temos ainda um tal fenómeno meteorológico que, mais do que a alcunha ganha no Brasil, haveria de tornar-se na sua imagem dentro de campo… Já escolheram? Enquanto pensam, vou contar-vos a história deste avançado!
Depois de terminar a formação no Bahia, seria o emblema sediado em São Salvador que também daria a oportunidade a Dino para rubricar o seu primeiro contrato profissional. Passados alguns anos, ainda que num dos históricos emblemas do desporto brasileiro, o avançado acabaria por mudar-se para um dos maiores centros futebolísticos do país. No Estado de São Paulo, começaria por representar o XV de Jaú, para, de seguida, vestir as cores do São Bento. Seria já no conjunto de Sorocaba que o atacante seria convocado para a selecção estadual. As boas exibições acabariam por despertar a atenção dos responsáveis do Santos, que, em 1985, tomariam a decisão de contratar o atleta de 25 anos.
Talvez à procura de mais oportunidades para jogar, Dino aceitaria o convite vindo da 2ª divisão portuguesa. Porém, o desafio lançado pelo Nacional da Madeira, e anuído pelo jogador, pouco tempo manteria o avançado longe dos principais escaparates. Após a promoção conseguida no final da temporada de 1987/88, a campanha seguinte entregaria o atacante ao patamar máximo do futebol luso. Ainda com as cores do emblema insular, as suas qualidades levá-lo-iam a destacar-se como um dos melhores intérpretes do nosso Campeonato. Com uma velocidade estonteante, uma boa técnica e uma vontade sagaz, o acréscimo dado por si aos grupos onde estava inserido tornar-se-ia evidente. E se, nesse sentido, a colectividade funchalense serviria para confirmar o que no Brasil já era sabido, seria o Beira-Mar que haveria de consagrá-lo como uma verdadeira “estrela”.
A mudança para Aveiro, selada na temporada de 1990/91, coincidiria com um dos mais importantes capítulos da história dos “Aurinegros”. Com Dino a marcar 5 golos durante as eliminatórias, o Beira-Mar, no culminar de uma campanha invejável, chegaria à final da Taça de Portugal. Já no Jamor, o desafio daria pelo nome de FC Porto. Com o treinador Vítor Urbano a eleger o avançado para o “onze” inicial, nem aquele que era um conjunto composto por atletas de muita experiência conseguiria levar de vencida a equipa “Azul e Branca”. O troféu acabaria no museu dos “Dragões”. Ainda assim, nem tudo tinham sido derrotas e as boas exibições do conjunto vouguense serviriam para alicerçar o clube como uma equipa difícil de ultrapassar.
As dificuldades impostas nos embates do Estádio Mário Duarte, dariam jus a uma série de episódios memoráveis. Mais caricata seria ainda a circunstância da história vivida por Dino na sequência de um golo que retiraria às “Águias” a hipótese de conquistar o título de 1992/93 – “Quando voltei para Portugal, no ano seguinte, o avião não foi para o Porto mas para Lisboa. Quando ia apanhar o táxi para ir para Aveiro fui insultado pelo taxista que era benfiquista. Xingou-me, disse-me palavras não muito boas. Pensei que ia ficar em Lisboa, mas lá consegui ir para Aveiro”*.
As últimas temporadas de Dino como futebolista profissional seriam passadas em Portugal. Depois de envergar as camisolas do Vitória de Setúbal e do Desportivo de Chaves, o ano de 1996 marcaria o fim da sua carreira. Depois da sua “aposentação”, e formado em Educação Física, o antigo avançado fixar-se-ia no Brasil e passaria a dedicar-se ao ensino.

*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 30/04/2015

1080 - SEMEDO

Ao cumprir as últimas etapas do percurso formativo já no FC Porto, as chamadas às camadas jovens da selecção nacional serviriam, de igual modo, para consolidar José Semedo como uma das grandes promessas da década de 80. Quem também haveria de reparar nas suas boas qualidades, seria José Maria Pedroto. Pela mão do saudoso treinador, o médio acabaria promovido à equipa principal dos “Azuis e Brancos”. Com a sua estreia a surgir na temporada de 1983/84, seriam necessários ainda alguns anos para que o atleta conseguisse afirmar-se no “onze” portista. Tal aconteceria na campanha de 1987/88 e já no rescaldo da vitória na Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Seria Tomislav Ivic que cimentaria Semedo como um atleta titular. A maneira elegante de percorrer o campo, aliada a uma superior capacidade técnica e táctica agradariam ao técnico nascido na antiga Jugoslávia. A crescente regularidade das suas aparições permitir-lhe-iam, para além de aparecer nas provas nacionais, a participação nos certames internacionais de clubes. A sua entrada no jogo da 2ª mão da Supertaça Europeia de 1987/88, competição disputada com os holandeses do Ajax, faria com que ao seu palmarés fosse acrescentada a conquista do referido troféu.
Apesar da importância da primeira parte da sua carreira, o peso de Semedo no FC Porto far-se-ia sentir, de forma mais vincada, na transição para a década de 90. Essa preponderância, levá-lo-ia à estreia na principal selecção nacional. Com a primeira partida a acontecer em Janeiro de 1989, a assiduidade com que apareceria nas convocatórias seguintes dar-lhe-ia a oportunidade de, por diversas vezes, envergar a “camisola das quinas”. Depois do particular disputado frente à Grécia, o médio-esquerdo participaria em vários desafios nas qualificações para os Mundiais de 1990 e 1994 e para o Euro de 1992. Mesmo nunca tendo disputado uma fase final, o atleta conseguiria acumular por Portugal, para além das partidas nos escalões jovens, um total de 21 internacionalizações “A”.
Curiosamente, e apesar de reconhecido o seu valor, Semedo nunca conseguiria tornar-se, aos olhos dos seguidores portistas, numa figura unânime. Mesmo tendo ajudado muito para os sucessos colectivos, certos adeptos haveriam de apontar ao médio alguma falta de garra. Todavia, a sua atitude não era displicente. É verdade que o jogador não era dado a grandes embates físicos. Talvez isso fosse explicado pela sua propensão para as lesões; talvez essa sua atitude fosse uma maneira inteligente de dar ainda mais ao seu clube. Sem entrar em grandes especulações, os números da sua passagem pelo FC Porto transformar-se-iam na sua melhor testemunha. Nesse sentido, as 313 partidas disputadas e os 47 golos por si concretizados, seriam um dos pilares da conquista de 8 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal e 6 Supertaças.
Já os últimos anos no FC Porto seriam marcados por alguma perda de preponderância. Preterido em favor de outros colegas, também as mazelas físicas começariam a fustigar o atleta. Em 1994, Semedo sofreria uma grave lesão que acabaria por pôr em causa a sua continuidade. Pior viria com o seu envolvimento num caso de doping. No entanto, e depois de passar por uma fase mais negativa, o médio voltaria à competição. Ao serviço do Salgueiros, sempre na 1ª divisão, Semedo jogaria até 1999.
Já na entrada para a 2ª década do novo milénio, Semedo voltaria a ligar-se ao FC Porto. Como treinador, o antigo médio, nas funções de ajunto, tem passado pelos diversos escalões “Azuis e Brancos”, inclusive pela equipa principal.

1079 - CONCEIÇÃO

Nascido em Luanda, seria no São Paulo Futebol Clube, emblema da capital angolana, que Joaquim Conceição começaria a merecer algum destaque. Essa atenção faria com que o Vitória de Setúbal, ao adiantar-se a especulados interesses por parte de outros clubes nacionais, avançasse para a sua contratação. Chegaria à margem norte do Rio Sado para a temporada de 1962/63 e na companhia do irmão mais novo, José Maria. No entanto, e sem pôr em causa o seu potencial, a verdade é que as primeiras temporadas em Portugal não seriam fáceis para o defesa.
Acolhido pelo treinador argentino Filpo Núñez, o atleta teria poucas oportunidades. Só na sua 3ª campanha, já sob a alçada de Fernando Vaz, é que Conceição começaria a jogar com maior regularidade. Por coincidência, seria logo nessa época de 1964/65 que viveria um dos momentos mais altos da sua carreira. Numa altura em que já era um dos elementos mais utilizados do plantel sadino, o defesa seria chamado a disputar a final da Taça de Portugal. No Estádio do Jamor entraria de início e, frente a um poderoso Benfica, ajudaria a sua equipa a vencer o referido troféu.
Aliás, a denominada “Prova Rainha” tornar-se-ia icónica na sua caminhada competitiva. Para tal facto, muito contribuiriam outras 2 finais. Logo no ano a seguir à primeira conquista, o conjunto setubalense conseguiria, mais uma vez, chegar ao derradeiro desafio da competição. Perderia frente ao Sporting de Braga. No entanto, não demoraria muito até surgir uma nova vitória. Na temporada de 1966/67, com o defesa sempre em plano de destaque, seria a Académica de Coimbra que sairia derrotada pelos pupilos do supracitado Fernando Vaz. Outro prémio teria também Conceição. Por envergar a braçadeira de “capitão”, o atleta teria o orgulho de ser chamado à tribuna de honra e de receber, e erguer, a almejada taça.
Também as classificações cimeiras no Campeonato Nacional e as presenças nas provas europeias haveriam de marcar a carreira de Conceição. Por entre várias participações nas competições organizadas pela UEFA, talvez a chegada do Vitória de Setúbal aos quartos-de-final da Taça das Cidades com Feira de 1970/71, tenha sido a senda mais marcante. Todavia, e sem menosprezar o brilhantismo do seu trajecto desportivo, faltou ao defesa uma presença mais assídua na selecção nacional. Ainda assim, as suas chamadas não poderão deixar de ser vistas como um merecido prémio. Nesse sentido, estrear-se-ia em Abril de 1969, pela mão de José Maria Antunes. Esse “particular” frente ao México encetaria uma caminhada que, ao ser percorrida na qualificação para o Mundial de 1970, culminaria com um total de 5 internacionalizações por Portugal.
Os derradeiros anos da sua carreira passá-los-ia num rumo mais errático. A passagem pelo Farense, o regresso ao Vitória de Setúbal e, para culminar, os anos vividos com as cores do Juventude de Évora marcariam o final de um trajecto cheio de invejáveis capítulos e, acima de tudo, vestido de uma incontestável glória.

1078 - BALACÓ

 

Apesar de, nos dias de hoje, ser recordado como um dos nomes icónicos do futebol português dos anos 80, Balacó, ou Carlos Manuel Picado da Silva Ribeiro, demoraria ainda alguns anos até aparecer na ribalta das competições lusas. Até lá chegar, o defesa-central haveria de vogar, durante várias temporadas, pelos escalões secundários. Nessa caminhada, e depois de um percurso formativo feito no Gafanha, emblemas como o do Sport Lisboa e Cartaxo, do Oriental e do Benfica de Castelo Branco acabariam também por preencher a primeira parte da sua carreira desportiva.
Seria ao serviço da colectividade albicastrense que Balacó começaria a revelar-se. Ao conseguir destacar-se como um defesa de grande disponibilidade física e com uma agressividade tão típica para a altura, o Sporting de Espinho decidir-se-ia pela sua contratação. A sua chegada aos “Tigres” mostraria, logo à partida, um atleta com uma grande maturidade competitiva. Esse facto levaria a que o treinador Manuel José fizesse dele um dos esteios da equipa. A sua preponderância seria de tal ordem que, muito mais do que conquistar a titularidade, o jogador haveria de conseguir, nas 2 campanhas passadas na Costa Verde, falhar apenas 2 partidas para o Campeonato Nacional.
A fiabilidade demonstrada nessas 2 temporadas na 1ª divisão, rapidamente cimentariam o defesa como um dos bons elementos a actuar naquele que é o nosso escalão máximo. Como um dos preferidos de Manuel José, Balacó, com a ida do treinador para o Portimonense, seria também arrastado para o Sul do país. Já no Algarve, a sua importância nas manobras tácticas do referido técnico, manter-se-ia inalterada. Como um dos pilares do conjunto do Barlavento, a sua presença em campo seria fulcral para assegurar o crescimento do colectivo. A rápida evolução da equipa levaria a que, o 5º lugar conseguido na campanha de 1984/85, conferisse o direito à sua participação nas provas continentais. Já sob o comando de Vítor Oliveira, o central conservaria o seu lugar no “onze” e, na disputa da Taça UEFA, marcaria presença nas 2 partidas frente ao Partizan de Belgrado.
Seria no final da temporada de 1986/87 que Balacó deixaria o Portimonense. A partida, quando contava 32 anos de idade, marcaria também a sua despedida da 1ª divisão. Ao fim de 6 épocas ao mais alto nível, o defesa regressaria aos escalões secundários e para uma aventura no Louletano. Em 1990, após uma derradeira campanha com as cores do Recreio de Águeda, o atleta decidiria ser a altura certa para pôr um ponto final na sua carreira como futebolista profissional.
Depois de retirado das sendas da alta-competição, o antigo atleta fixar-se-ia pelo Algarve. Para além de exercer as funções de Auxiliar de Acção Educativa, Balacó haveria de manter a sua ligação à modalidade. Abraçaria a camisola dos “Veteranos” do Portimonense e, como adjunto do seu antigo colega Joaquim Mendes, passaria também pelo comando técnico do Lagoa.

1077 - IBRAIM SILVA

Ainda a jogar no Âncora Praia FC, emblema da sua terra natal, os dotes de Ibraim começariam a chamar a atenção de outros emblemas. Na linha-da-frente, perfilar-se-iam o FC Porto e o Vitória de Guimarães como os principais candidatos à sua contratação. No entanto, o afinco demonstrado pelos seus dirigentes e, principalmente, a presença do irmão José Carlos nos seniores do clube, levariam com que o jovem jogador optasse pelo conjunto da “Cidade Berço”.
Bastaria uma temporada nas “escolas” vimaranenses para que o treinador Jorge Vieira, na campanha de 1970/71, integrasse o avançado nos trabalhos da equipa principal. Resultado de uma habilidade excepcional, também da Federação Portuguesa de Futebol começariam a surgir chamadas, para que passasse a integrar a equipa de sub-18. Participaria, pela referida categoria, no Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1971. Ao lado de nomes como Shéu, Jordão ou Rodolfo, ajudaria o conjunto português a chegar a final do certame, onde, infelizmente, Portugal perderia frente à Inglaterra.
Visto como um prodígio, a sua integração na equipa principal aconteceria a um ritmo normal. Veloz, habilidoso e capaz de ler o jogo de forma superior, a sua presença em campo passaria a representar um acréscimo de qualidade nas manobras tácticas do grupo vitoriano. Esse facto também contribuiria para as boas campanhas do clube. Nos 3 anos a seguir à sua estreia nos seniores, o Vitória de Guimarães terminaria sempre em 6º lugar. Essas classificações serviriam de tónico para o interesse do Benfica que, na temporada de 1974/75, apresentaria o extremo-direito como reforço do seu plantel.
Em Lisboa, tapado por atletas de enorme gabarito, Ibraim Silva nunca chegaria a ser uma prioridade para o treinador Milorad Pavic. Na campanha da sua chegada à “Luz”, ainda conseguiria participar num número razoável de jogos. Essas inscrições na ficha de jogo permitir-lhe-iam vencer o Campeonato Nacional. Porém, a temporada seguinte, ao invés de consentir mais oportunidades ao atacante, levá-lo-ia à equipa de “reservas” e a encetar um périplo que faria o jogador experimentar o futebol da North American Soccer League.
Ao seguir uma norma que veio a tornar-se corriqueira naquela época, Ibraim Silva começaria a intercalar a sua participação nos Campeonatos Nacionais, com a presença nas provas futebolísticas da América do Norte. Maioritariamente nos Estados Unidos, o extremo vestiria a camisola dos Rochester Lancers, dos New York Arrows e, ao jogar ao lado de Víctor Baptista, dos San Jose Earthquakes. Também representaria os canadianos do First Portuguese e, em Portugal, envergaria as cores do Varzim, do Vianense e do Monção.
Já na derradeira fase da carreira como futebolista, a Académica de Coimbra, a disputar a 2ª divisão, receberia o atleta nas suas fileiras. Com Mário Wilson aos comandos da “Briosa”, treinador com quem já tinha trabalhado no Vitória de Guimarães e no Benfica, Ibraim ainda daria alguns passos no sentido de relançar a sua carreira por “terras lusas”. Após uma primeira temporada de bom nível, a campanha de 1982/83 revelar-se-ia deveras ingrata para o atacante. Na sequência de uma grave lesão, as mazelas daí resultantes impedi-lo-iam de voltar aos níveis exibicionais exigidos pela alta-competição. Não tardaria muito para que decidisse pôr um ponto final na sua caminhada. No Ancorense, ainda encetaria as tarefas de técnico. Porém, e com pouco mais de 30 anos, o ramo da restauração passaria a ser a sua actividade principal.

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1076 - ERNST HAPPEL

Seria na primeira metade da década de 40, ainda no decorrer da 2ª guerra mundial, que o jovem jogador conseguiria subir à equipa principal do Rapid Viena. Atleta com um físico imponente, o defesa também impressionava pelo seu rigor táctico e habilidade de desarme. Esses seus predicados fariam com que, com alguma naturalidade, conseguisse tornar-se num dos pilares da equipa. Porém, a grande mudança na sua carreira aconteceria depois de uma digressão feita pelo conjunto austríaco ao Brasil. Influenciado pelo que tinha visto, o seu treinador decidiria pôr em prática um novo esquema táctico. Com as alterações, abrir-se-ia uma nova função no sector mais recuado e, para ocupar a posição de líbero, Ernst Happel, com toda a sua inteligência, acabaria por ser o escolhido.
 A sua qualidade futebolística e, principalmente, a segurança que dava ao conjunto do Rapid Viena, ajudariam, sem grande surpresa, a iluminar o caminho da equipa austríaca. Curiosamente, só na campanha de 1945/46, a sua 4ª como sénior, é que os troféus começariam a surgir no seu palmarés. Nessa temporada, a conquista da “dobradinha”, para além de abrir as portas a uma série de novas conquistas, empurraria o defesa em direcção à selecção. Em abono da verdade, seria necessário esperar mais de um ano para que a sua primeira internacionalização acontecesse. A chamada ocorreria em Setembro de 1947. Essa partida frente à Hungria, marcaria o arranque de uma caminhada que levaria o atleta a cumprir 51 jogos pelo seu país. Nesse cômputo, há que destacar a participação nos Mundial de 1954, onde a Áustria atingiria o 3º lugar, e a presença no certame de 1958.
Apesar de ter dedicado a quase totalidade da sua carreira ao Rapid Viena, Ernst Happel também haveria de ter uma aventura no estrangeiro. Já numa fase adiantada da sua vida como jogador, o defesa passaria 2 temporadas em França e ao serviço do Racing Club de Paris. Seria o regresso à sua cidade e ao clube do seu coração, que selaria o fim da sua caminhada como futebolista. Tempo ainda para enriquecer o seu palmarés que, desse modo, acabaria preenchido por 6 Campeonatos e 1 Taça da Áustria e pela vitória na Taça Mitropa de 1951.
Mas se o seu currículo como jogador foi brilhante, seria o trajecto como treinador que elevaria Ernst Happel à condição de ícone da modalidade. Depois de deixar os relvados em 1959, o antigo líbero, ainda no Rapid Viena, passaria a dedicar-se à arte do treino. Começaria como adjunto para, em 1962, assumir o primeiro projecto como técnico principal. Ao aceitar o convite do ADO Den Haag, o austríaco encetaria um trajecto, em tudo, brilhante. Tanto na Holanda, como na Bélgica, na Alemanha ou, por fim, no regresso à Áustria, o seu trabalho seria sempre louvado. Claro está que, pelo meio de tantos títulos, houve alguns que ficariam registados como excepcionais. A nível de clubes, não há como contornar as suas passagens pelo Feyenoord e pelo Hamburger SV. No emblema de Roterdão para além da vitória em 2 Campeonatos e 1 Taça, seria pela sua mão que o clube viria, em 1970, a tornar-se, na primeira colectividade holandesa a vencer a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Já na cidade do norte alemão repetiria o feito e, em 1983, voltaria a erguer o prestigiado troféu.
O papel de seleccionador também faria parte do seu caminho. À frente da Holanda, Ernst Happel conduziria uma constelação de estrelas ao Mundial de 1978. No torneio disputado na Argentina chegaria à final, mas, mais uma vez, a equipa “laranja” viria a ser derrotada. Frente ao conjunto da casa, o resultado até poderia ter sido diferente. Com o final do jogo à vista, e com o “placard” a mostrar 1-1, Rensenbrink, na cara do golo, conseguiria mandar uma bola à trave. O desafio seguiria para prolongamento e no final, com a partida desempatada, o 3-1 do marcador ditaria a vitória dos “Alvicelestes”.
Apesar de, nestes 2 últimos parágrafos, ter abordado aqueles que foram os momentos mais altos da sua carreira enquanto treinador, outros e muitos títulos também fizeram parte do seu longo trajecto. Com uma filosofia de jogo assente numa disponibilidade física inabalável e na pressão contínua sobre os adversários, Ernst Happel, como aqui já foi dito, teve êxito em quase todos os seus projectos. No sentido de fazer maior justiça ao seu brilhantismo, falta então descrever, num apanhado, o resto das suas conquistas. Assim sendo: no ADO Den Haag, venceu a Taça da Holanda de 1967/68; no Feyenoord também ganhou a Taça Intercontinental de 1970; já no Club Brugge, entre 1976 e 1978, celebrou o tricampeonato e a vitória na Taça de 1977; ao passar para o Standard Liège, veio, em 1979, mais 1 Taça; no Hamburger SV, entre 1982 e 1983, a dupla conquista da “Bundesliga” e a Taça da Alemanha em 1987; finalmente, pelo FC Tirol, 2 Ligas austríacas entre 1989 e 1990 e Taça de 1989.

1075 - JOSÉ ROSA DOS SANTOS

José Rosa dos Santos, natural da alentejana cidade de Beja, sempre foi um apaixonado pelo “jogo da bola”. Ao contrário do que muitos podem pensar, a sua ligação à modalidade começaria, não como árbitro, mas como praticante. A experiência como guarda-redes do Despertar SC serviria para, já como sénior, envergar também a camisola do Desportivo de Beja. Porém, a sua caminhada como futebolista não iria além desses primeiros passos. A chamada para cumprir o Serviço Militar Obrigatório, muito mais do que interromper a sua carreira de jogador, acabaria por tecer uma inesperada mudança à sua ligação com o futebol.
A incorporação de José Rosa dos Santos numa companhia destacada em Angola, terminaria com um ferimento de guerra e, na sequência da grave lesão, com a perda de um pulmão. A mazela, impeditiva de sonhar com uma carreira aguerrida, fá-lo-ia olhar para o futebol numa outra perspectiva. Ao não querer desistir da sua ligação à modalidade, é então que toma a decisão de enveredar pelas tarefas de árbitro. Nesse sentido e, após encetar funções em 1969, o ano de 1975 marcaria a sua chegada à 1ª categoria do futebol português. Sem que tenha consigo encontrar dados que, com uma certeza absoluta, possam provar-me qual terá sido o seu encontro de estreia após a subida ao patamar máximo da arbitragem portuguesa, a partida entre a CUF e o Sporting, referente à 13ª jornada da época de 1975/76, afigura-se-me como uma boa possibilidade.
Outras datas e outros desafios dariam à sua carreira um brilhantismo ímpar. Ainda no plano nacional, é impossível desassociar o seu nome a um dos episódios mais caricatos do futebol português. A história todos os amantes da modalidade a conhecessem e haveria de passar-se num dos “derbies” de 1977/78, entre Benfica e Sporting – "O Vítor Baptista marcou aquele golo. De repente, vejo-o à procura de algo na grande área do Sporting, ele e mais jogadores. Andavam à procura do brinco e a malta do Sporting a pedir para reatar a partida. Tive de me impor para recomeçar o jogo sem o brinco"*.
Também além-fronteiras a sua carreira teria momentos inolvidáveis. Depois de chegar à categoria de internacional na primeira metade da década de 80, as provas continentais de clubes passariam a fazer parte do seu currículo. Curiosamente, com a presença em 3 semifinais, seria a extinta Taça dos Vencedores das Taças a competição que mais contribuiria para o seu prestígio. As partidas entre o Dínamo Kiev e o Dukla de Praga em 1985/86, entre o Borussia Mönchengladbach e o Dundee United em 1986/87 e, por fim, o jogo entre a Sampdoria e o AS Monaco em 1989/90, transformar-se-iam em momentos marcantes da sua caminhada. No entanto, também a Supertaça Europeia acabaria por dar ao português o merecido destaque. Convocado para apitar a 1ª mão da edição de 1990/91, o encontro entre o já referido emblema genovês e o AC Milan, serviria para sublinhar José Rosa dos Santos como um árbitro de topo.
Como é óbvio também no cenário das selecções, José Rosa dos Santos teria a oportunidade de mostrar as suas qualidades. Ao fazer o primeiro jogo em 1985, numa partida entre a Austrália e Israel, as suas chamadas aos Europeus de 1988 e 1992 tornar-se-iam no pináculo desse seu percurso internacional. Faltar-lhe-ia a presença num Mundial. Essa presença teve prestes a acontecer no Campeonato do Mundo de 1990. Consta que o seu nome acabaria subtraído à lista de árbitros arrolados para o certame organizado em Itália, por razão de um erro cometido nos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1988/89, ronda que acabaria com o apuramento do AC Milan.

*retirado do artigo de Isaura Almeida, publicado em www.dn.pt, a 26/03/2017

1074 - LACOMBE

Com um auspicioso começo de carreira, a Grégory Lacombe ficaria prometida uma caminhada desportiva de sucesso. Tudo para aí apontaria e a primeira temporada como sénior parecia ser desse destino uma prova cabal. O médio ofensivo, ao terminar o percurso formativo com as cores do AS Monaco, subiria aos seniores na temporada de 1999/00. Mesmo tendo jogado maior parte dessa época pelo conjunto “b” do Principado, as poucas chamadas à equipa principal serviriam para dar ao seu palmarés o título de Campeão Nacional de França.
Depois de nas campanhas seguintes não conseguir conquistar um lugar no “onze” do Monaco, a sua cedência ao Ajaccio acabaria por animar a carreira do jovem praticante. Sempre a disputar a “Ligue 1”, o médio ofensivo começa a jogar com maior frequência. Essa regularidade faria com que da Fédération Française de Football, começassem a ver nas suas exibições uma razão para chamá-lo aos trabalhos da selecção. Logo na temporada de 2002/03, a primeira de duas na passagem pela colectividade sediada na ilha da Córsega, Lacombe seria integrado no conjunto sub-21 francês. Jogaria 3 partidas pelos “Bleus”, que serviriam de tónico para os anos subsequentes.
Bem, na verdade, tirando a temporada imediatamente a seguir, os resultados dessas chamadas à selecção sub-21 acabariam por diluir-se. O regresso ao Monaco na época de 2004/05, seria disso prova. Sem contar para o treinador Didier Deschamps, o médio acabaria, no final da referida campanha, por ocupar um lugar na lista de excendentários. Quem aproveitaria a sua dispensa seria Norton de Matos. O treinador, à altura a orientar o Vitória de Setúbal, acabaria por trazer o jogador para o plantel sadino. Todavia, aquele que seria visto como o principal reforço para a temporada de 2005/06, não passaria de uma boa promessa. Ainda que dono de capacidades técnicas e tácticas superiores, Lacombe nunca conseguiria afirmar-se categoricamente. Sobrariam dessa sua passagem por Portugal alguns recortes de qualidade e a participação na Taça UEFA.
O regresso ao seu país e ao Ajaccio serviriam para dar novo alento à sua carreira. Ainda que no 2º patamar gaulês, o ano passado na Córsega serviria para alimentar o seu prestígio. Resultado desse crescimento, o Montpellier viria a contratá-lo para a temporada de 2007/08. Sem mudar de escalão, o final dessa primeira campanha marcaria a subida do conjunto do Sul de França. Como um dos melhores elementos do plantel, Lacombe voltaria à “Ligue 1”. Mesmo perdendo algum do protagonismo, o atleta manter-se-ia no clube. Nas 4 épocas seguintes, tirando uma curta passagem pelo Monaco, o centrocampista também contribuiria para o desenvolvimento de um projecto que, em 2011/12, terminaria com a conquista do Campeonato.
O ano de 2012 também marcaria o final da sua união com o Montpellier e com o patamar máximo do futebol gaulês. Clermont Foot, Uzes Pont du Gard e Marssac tornar-se-iam nos últimos emblemas de uma carreira, cuja ligação ao futebol far-se-ia também através da empresa por si gerida, a “Gold Soccer Albi”.