TERNURA DOS 40

Apesar de cada vez mais contrariada a tendência, há ainda quem insista que, a partir dos 30 anos idade, o futebolista começa o seu trajecto descendente. Negando essa máxima, houve muitos praticantes que, em melhor ou pior forma, conseguiram estender o seu caminho competitivo. Ora, é para recordar muitos desses resistentes que o mês de Agosto será dedicado à “Ternura dos 40”.

901 - JESUS CORREIA

Ainda antes de chegar ao mais alto nível, já Jesus Correia dividia a sua existência entre duas paixões. Futebol e hóquei em patins eram as modalidades que prendiam a sua atenção. Ao mesmo tempo que brilhava como patinador do Paço de Arcos, também noutras associações daquela localidade jogava à bola. Foi então que um ultimato fê-lo optar pela disciplina dos ringues. Contudo, o jovem praticante jamais esqueceria esse segundo amor e anos mais tarde, no Belenenses, haveria tentar a sua sorte. Curiosamente, dizem que por conta da sua tenra idade, seria recusado. Augusto Silva, antiga estrela da “Cruz de Cristo”, dir-lhe-ia para voltar no ano seguinte. Tarde demais. O atacante não regressaria às Salésias e quem acabaria por ganhar com tudo isso seria outro dos “grandes” de Lisboa.
Quem não o deixaria escapar seria Joseph Szabo. Avisado para o seu excelente potencial, o treinador do Sporting faria tudo para o juntar ao plantel leonino. Claro está que havia ainda a questão do vínculo ao Paço de Arcos. Apesar da relutância em libertar o atleta, a pressão para que tal acontecesse, levaria a que o emblema da “Linha de Cascais” convocasse uma assembleia para deliberar sobre o assunto. É então que tudo fica decidido e, em paralelo com o hóquei, Jesus Correia passa a representar o futebol “Verde e Branco”.
Em Alvalade não demoraria muito até que o jogador conseguisse afirmar-se como um dos elementos mais importantes do conjunto. Com velocidade, excelente técnica e uma, igualmente boa, capacidade finalizadora, Jesus Correia tanto servia para o eixo do ataque, como na extrema-direita do campo. Logo na segunda campanha, com Peyroteo a ocupar a posição de ponta-de-lança, conseguiria um lugar na ala destra dos afamados “Cinco Violinos”. Ainda antes de conquistar a titularidade, sendo suplente de Adolfo Mourão, o atacante começaria a juntar os primeiros títulos ao seu palmarés. Aliás, durante as 10 temporadas que passaria de “Leão” ao peito, os troféus seriam uma constante. Campeão Nacional por 7 vezes, juntaria ainda ao seu currículo 2 Taças de Portugal e 2 “Regionais” de Lisboa.
Também no Hóquei o seu sucesso foi incrível. Pertencendo a uma das melhores equipas de sempre do Paço de Arcos, Jesus Correia começaria por amealhar diversos títulos nacionais. Pela selecção o seu êxito ainda foi maior. Para além dos títulos europeus, o atleta ajudaria Portugal a conquistar 6 Campeonatos do Mundo. Aliás, seria na antevisão de um desses certames que estalaria a guerra entra as duas federações em que estava inscrito. Com mais um torneio à vista, a Federação Portuguesa de Patinagem pede à Direcção Geral dos Desportos para que cancelasse a sua licença de futebolista. O pedido é recusado. Todavia, a contenda faz com que o Sporting exija ao jogador a sua exclusividade. O que ninguém da direcção leonina devia estar à espera, é que o atleta escolhesse a modalidade dos ringues. Assim foi e, sem completar 30 anos de idade, o avançado deixa o futebol.
Apesar do abandono precoce na temporada de 1952/53, o legado deixado por Jesus Correia foi enorme. Para a memória ficarão os 6 remates certeiros conseguidos frente ao Atlético de Madrid, em plena capital espanhola. Também no plano nacional, os seus golos seriam de enorme importância. Com a camisola do Sporting conseguiria, só em partidas oficiais, concretizar mais de 150. Um deles, no entanto, haveria de o lançar para o coração de todos os sportinguintas. Numa altura em que ainda procurava cimentar o seu lugar na equipa, o golo conseguido na final da Taça de Portugal de 1944/45 elevá-lo-ia à condição de estrela do clube.
Alguns anos mais tarde ainda voltaria a envergar as cores de outro emblema. Na temporada de 1955/56, pela CUF do Barreiro, Jesus Correia ainda faria algumas partidas. Contudo, a verdade é que o Hóquei era sua maior paixão. Na modalidade ainda abraçaria as tarefas de treinador. Nessas funções e comandando o seleccionado português, conseguiria juntar ao seu já rico palmarés, mais 2 títulos de Campeão Mundial.

900 - MAX WOOSNAM

Ainda nos tempos de escola, começaria por destacar-se como um desportista versátil. Apesar de praticar diversas modalidades, em todas elas o jovem praticante parecia conseguir destacar-se. Tanto no ténis, como no golfe, cricket ou futebol Max Woosnam excedia-se em cada partida jogada. Já como aluno da Universidade de Cambridge, sempre dentro do contexto escolar, as distinções continuariam a fazer parte da sua vida.
Com o fim dos estudos, o defesa central decide alistar-se numa equipa. Vendo no desporto amador uma virtude, o Corinthian, popular conjunto londrino, acabaria por ser a sua escolha. Logo no ano da estreia, é incluído numa digressão que o levaria ao Brasil. Tanto a enfrentar equipas do Rio de Janeiro como de São Paulo, as suas exibições seriam alvo de destacados louvores. Sensivelmente um ano depois, e já em plena viagem para a América do Sul, rebenta a 1ª Grande Guerra. Decidindo que o dever de ajudar o país era superior a qualquer interesse desportivo, todos os elementos do conjunto resolveriam cancelar a nova tournée, regressar ao Reino Unido e alistar-se no exército.
Durante a Guerra, Max Woosnam seria destacado para diferentes frentes. Tanto na Turquia, quanto em França, o desporto não seria esquecido. Esses desafios serviriam para alimentar a paixão que, terminados os conflitos bélicos, voltariam à sua rotina. Regressado a Inglaterra é o ténis e o futebol que mais preencheriam os seus dias. Tendo, antes do conflito mundial, feito algumas partidas pelo clube, é com as cores do Chelsea que dá continuidade à sua carreira. Ao mesmo tempo, os “courts” passam a ter um grande peso no seu percurso competitivo. Aliás, seria nessa modalidade que conseguiria os maiores feitos. Em 1920 participa nos Jogos Olímpicos. Na cidade belga de Antuérpia consegue ganhar duas medalhas. Nos pares masculinos vence a de ouro, enquanto na variante de pares mistos conquista a de prata.
Já depois das Olimpíadas, é em 1921 que, ao lado de Randolph Lycett, vence o torneio de pares mistos de Wimbledon. Ainda antes desses sucessos no ténis, já Max Woosnam, à custa de um novo trabalho na cidade de Manchester, tinha mudado de equipa. Com o Manchester City, mais uma vez recusando um contrato profissional, consegue os maiores feitos no futebol. Na temporada de 1920/21 ajuda o conjunto a chegar ao 2º lugar da “first division” e, por nomeação dos colegas, torna-se no capitão de equipa.
Aliás as suas capacidades de liderança seriam reconhecidas em muitos aspectos da sua vida. No desporto, essa característica levá-lo-ia, na única chamada à selecção inglesa, a envergar a braçadeira de capitão. Também no ténis seriam entregues à sua pessoa as mesmas responsabilidades. Na Taça Davis lideraria o conjunto britânico numa passagem pelos Estados Unidos da América. É dessa altura uma das histórias mais curiosas da sua vida. Convidado por Charlie Chaplin para sua casa, Max Woosnam não só derrotaria o actor no “court”, como, desafiado para uma partida de “ping-pong”, venceria o seu anfitrião usando uma faca de barrar manteiga!

899 - SERRA E MOURA

Tendo começado muito novo nas lides do desporto, a primeira modalidade que, com mais afinco, praticaria seria o atletismo. Tanto no salto em comprimento, como nas disciplinas de velocidade, Serra e Moura vestiria as cores do Sporting. Sempre de “Leão” ao peito, alguns anos mais tarde viria a descobrir aquela que acabaria por tornar-se na sua maior paixão.
No futebol, muito mais do que a entrega que mostrava dentro de campo, a sua grande característica era a habilidade que tinha com a bola nos pés. Numa altura em que a modalidade era mais força do que jeito, a arte que Serra e Moura mostrava em cada toque destacava-o dos demais atletas. Curiosamente, a estreia do médio na categoria principal leonina aconteceria já este contava com 26 anos de idade. Logo nessa temporada, a de 1924/25, o médio conseguiria amealhar para o seu currículo o “Regional” de Lisboa. Ainda que tenha feito apenas um jogo durante essa campanha, os sinais que deixaria permitir-lhe-iam ganhar um lugar no plantel. Já na época seguinte, o seu peso nos destinos da equipa seria bem diferente. Titular indiscutível, o jogador passaria a ser o “dono e senhor” da posição de interior-direito.
Apesar da sua preponderância no desenho táctico do conjunto “verde e branco”, as suas exibições melhorariam ainda mais com a sua mudança dentro de campo. Entendo que as suas características valeriam mais no miolo do terreno, Augusto Sabbo, treinador germânico e antigo atleta dos lisboetas do CIF, muda-o para médio-centro. A adaptação revelá-lo-ia como um grande estratega. Aliada a sua capacidade técnica, a maneira como lia o jogo faria dele o cérebro de toda a equipa. Essa condição faria dele um dos “capitães” do Sporting e, para além disso, levá-lo-ia à estreia com a “camisola das quinas”.
O dia 1 de Abril de 1928, convocado por Cândido de Oliveira, marcaria assim a sua estreia com as cores de Portugal. Para além desse particular frente à Argentina, pela selecção nacional Serra e Moura ainda teria a oportunidade de jogar mais 2 partidas. Apesar de contar com apenas 3 internacionalizações, a verdade é que a mística do jogador sentir-se-ia de imediato. Se mais provas não houvesse, então a braçadeira de “capitão”, entregue ao seu encargo aquando da sua segunda chamada, serviria como testemunha.
Infelizmente, e quando o seu perfil era já o de uma das maiores estrelas do futebol luso, uma grave infecção numa perna afastá-lo-ia da prática desportiva. Pior ainda foi quando a doença, mal debelada, passou à condição de septicémia. Espalhada pelo corpo, a contaminação ceifar-lhe-ia a vida.

898 - GUSTAVO TEIXEIRA


Com 10 anos de idade deixa a sua Vila Real natal para dar continuidade aos estudos na Casa Pia. Na escola lisboeta, sendo a ideia intrínseca à instituição, a prática desportiva começa a fazer parte da sua vida. Nas piscinas ou no campo da bola Gustavo Teixeira começa a destacar-se. Nesse sentido, e no mesmo ano em que entra para os seniores dos “Gansos”, faz a sua estreia pela selecção portuguesa de natação.
No futebol, sempre do lado canhoto do campo, é pelo ataque que começa. Sem ser muito veloz, a técnica, a capacidade de passe e o entendimento que tinha de toda a estratégia eram as suas armas. Tal era a evidência das suas capacidades que, ainda nas primeiras épocas como sénior, começa a ser requisitado por outros emblemas. Um dos desafios surgiria do Sporting que, tendo planeada uma digressão pelo Brasil, logo solicitaria a sua presença na comitiva. O convite acabaria por não resultar em nada mais. Contudo, as suas exibições ficariam na retina de muita gente. A imprensa local ficaria fascinada com tanta qualidade que acabaria por apelidar o atleta como o “Pé de Ouro”.
De volta ao Casa Pia, Gustavo Teixeira continuaria a representar a categoria principal. Jogando sempre ao mais alto nível, foi com normalidade que da selecção nacional chegaria a primeira convocatória. Tendo feito a estreia com a “camisola das quinas” num “amigável” frente à Bélgica, essa partida daria início a uma caminhada que, sensivelmente 8 anos depois, chegaria à dezena de participações.
O estatuto de internacional fez ainda com que fosse mais desejado. Em 1932, dessa feita pelo Benfica, é mais uma vez requisitado ao Casa Pia. Todavia, o desfecho da história seria diferente. Após envergar a camisola encarnada frente ao Barcelona, desafio que servia para comemorar o aniversário dos “Encarnados”, é endereçado a Gustavo Teixeira uma proposta. Ora, o convite é aceite e o atleta muda-se para as “Águias”. A partir dessa temporada de 1932/33, também os títulos passaram a fazer parte do seu currículo. Logo na época de estreia ajuda o clube a vencer o “Regional” de Lisboa. Depois viriam ainda as vitórias no Campeonato de Portugal de 1934/35 e, entre 1935/36 e 1937/38, o “Tri” no antigo no “Campeonato da Liga da 1ª divisão”.
Curiosamente, enquanto a sua carreira andava para à frente, a sua posição no campo evoluía para trás. Vítor Gonçalves, à altura treinador dos benfiquistas, entendo ser mais útil noutras partes do campo, começou por mover Gustavo Teixeira para o meio-campo. Daí ainda recuou mais um pouco. Sempre à esquerda, acabou como defesa e, por mérito da sua exemplar entrega, terminaria também como “capitão” de equipa.

897 - ANTÓNIO STROMP

Se mais nada houvesse, a data de 1 de Julho de 1906 seria o bastante para que entrasse na história do Sporting Clube de Portugal. Todavia, não só como fundador dos “Leões” fez da cronologia da colectividade lisboeta a sua. O jovem atleta haveria de gravar o seu nome das mais diversas maneiras. No futebol, no atletismo, no cricket, na esgrima e no ténis António Stromp tornar-se-ia no símbolo da maior bandeira do emblema da capital, o eclectismo.
Nessa sua caminhada, e tendo conseguido um lugar na categoria principal com apenas 16 anos, o extremo-direito rapidamente chegaria à condição de estrela maior do conjunto. A velocidade, aliada à habilidade com a bola nos pés, faziam dele um grande futebolista. Tal eram as suas qualidades que, cada vez que uma digressão era organizada, o seu nome era convocado para vestir as cores da selecção de Lisboa. Fosse em Espanha ou noutro país qualquer, eram para si os maiores destaques. Já numa tournée pelo Brasil, as suas exibições seriam de tal ordem boas que diversos clubes tentariam a sua contratação. No entanto, a paixão que tinha pela cidade “alfacinha” e pelo clube eram de tal ordem que todos os convites seriam recusados.
Mas não só de futebol seria a feita a sua passagem pelo desporto. De todas as modalidades já referidas, seria no atletismo que melhores performances obteria. Nas pistas, António Stromp seria um ganhador. Recordista Nacional no salto com vara, nos 100 metros e nos 200 metros, também na estafeta conseguiria adicionar troféus aos escaparates do Sporting. Seria também nas disciplinas de velocidade que participaria nos Jogos Olímpicos de 1912. Em Estocolmo, o multifacetado atleta tornar-se-ia, não só no primeiro sportinguista, como no primeiro português a participar numas olimpíadas. Os resultados não seriam famosos. Contudo, nem o facto de ter perecido logo nas primeiras rondas tira qualquer mérito à sua presença no certame organizado na Suécia.
Apesar de todo o sucesso, e de tudo o que o futuro parecia prometer, a sua carreira seria curta. Acossado por uma terrível doença, os últimos anos da sua existência seriam passados em retiro. A sífilis acabaria por vencer. Ainda assim, anos antes de decidir retirar-se de todas as competições, António Stromp daria um enorme contributo para a primeira grande conquista do futebol “Verde e Branco”. Na temporada de 1914/15, o atacante seria uma das personagens principais da vitória no Campeonato Regional de Lisboa.

896 - C. B. FRY

Se houve “homem dos 7 ofícios”, um deles, por certo, foi C. B. Fry. No entanto, muito mais do que ficar restrito às artes do desporto, os seus interesses abrangeriam uma enorme série de outras actividades. Desde o futebol, ao cricket, ao atletismo, ao rugby, passando pela política, diplomacia, jornalismo, ensino ou escrita, Charles Burgess entraria para a memória inglesa como uma das figuras mais brilhantes da sua história.
Ainda durante a adolescência, C. B. Fry mostrara ser bastante dotado em diferentes áreas. Para além dos estudos, onde a literatura era onde mais brilhava, também no desporto começava a mostrar excelsas qualidades. No futebol, onde era a figura de destaque na escola, aos 16 anos seria chamado pelos Casuals FC para disputar a Taça de Inglaterra. Já a ida para universidade não abrandaria o seu gosto pelo “jogo da bola”. Ao mesmo tempo que representava a equipa da Oxford University, o defesa entraria para outra equipa londrina, os Corinthian. Claro está que as suas habilidades só poderiam resultar numa coisa. Sendo um jogador refinado, pouco normal para a época, não foi muito difícil conseguir um lugar no Southampton. Ora, a presença numa equipa profissional permitir-lhe-ia alcançar outros sonhos. A 9 de Março de 1901, o central seria chamado a representar Inglaterra. Essa partida frente à Irlanda, marcante na sua carreira, só teria comparação com outro momento. Na temporada seguinte, participando em vários desafios, o atleta teria o prazer de também disputar a final da Taça de Inglaterra.
Também noutros desportos, como já aqui foi referido, C. B. Fry chegaria à elite das respectivas modalidades. No cricket, onde mais brilhou, alcançaria o estatuto de internacional, chegando, inclusive, a capitanear o seleccionado inglês. No atletismo, ainda antes do fulgor do futebol, já ele era uma estrela. Com capacidades que permitiam disputar diversas disciplinas, foi no salto em comprimento que mereceu os maiores louvores. Em 1892, aos 20 anos de idade, haveria de quebrar o recorde britânico. Sensivelmente um ano depois, foi a altura de tomar para si a marca mundial. Nesse momento histórico, mesmo não tendo ultrapassado a distância de Charles Reber, conseguira obteria o mesmo registo do norte-americano.
Muito para além dos estádios, também fora deles C. B. Fry conseguiria atrair atenções. Como assistente do seu antigo colega no cricket, Ranjitsinhji Vibhaji Jadeja, trabalharia na Sociedade das Nações (a actual ONU), em Genebra. Por outro lado, e mesmo sem conseguir ser eleito, concorreria pelo Partido Liberal a várias eleições.  Todavia, a história mais curiosa da sua vida, aconteceria aquando da sua passagem pela Suíça. Anteriormente ocupada pela Liga Balcânica, a declaração de independência da Albânia levaria a que muitos nomes surgissem como legítimos ocupantes do trono. Mas se por essa altura, o escolhido acabaria por ser Guilherme Frederico Henrique de Wied, diz-se que, já nos anos 20, o seu nome seria equacionado para preencher o lugar. O convite seria recusado pelo antigo atleta.

895 - ESPÍRITO SANTO

Benfiquista desde que a memória o consente, seria a mudança para a Angola que permitiria a Espírito Santo dar os primeiros passos no futebol. Longe da sua Lisboa natal e do clube do coração, a melhor solução encontrada para dar seguimento à paixão pelo jogo da bola seria o Sport Luanda e Benfica. Na filial das “Águias” estaria até que a sua mãe, insatisfeita por o jovem dar mais atenção ao desporto que aos estudos, o mandar de volta à metrópole e a casa dos avós. Contudo, já na capital, os intentos da sua progenitora sairiam gorados. O atleta decide inscrever-se nos treinos do Benfica, agrada e fica!
Tendo a agilidade de reflexos e a velocidade como grandes armas, a sua habilidade para marcar golos também não ficava muito atrás. Tudo junto faria com que, logo de início, conseguisse impressionar os responsáveis técnicos. Vítor Gonçalves, sem medo de arriscar, decide apostar no jogador para substituir o incontornável Vítor Silva. No lugar do seu ídolo de infância, a estreia de Espírito Santo ficaria na história do clube. Nessa temporada de 1936/37, o avançado-centro tornar-se-ia no mais jovem de sempre a jogar e a concretizar um golo pela equipa principal. Aliás, muitos foram os recordes que coloririam a sua carreira. Frente ao Casa Pia, numa partida a contar para o “regional alfacinha”, 9 golos por si concretizados permitiriam o quebrar de mais uma marca. Todavia, e ainda nesse campo, onde mais metas conquistaria seria… no atletismo!
É curiosa sua história. Diz-se que num dia em que treinava futebol, a saída da bola pela lateral mudaria o rumo da sua vida. Indo atrás do esférico, e estando os atletas do salto em altura a treinar à beira do campo, Espírito Santo decide galgar por cima de um obstáculo que o atrapalhava naquela perseguição. Sem bem entender o porquê, aquele pulo surpreenderia todos aqueles que ali estavam. A razão? O jovem futebolista tinha conseguido, sem qualquer preparação prévia, elevar-se até onde nenhum dos praticantes da modalidade tinha ainda conseguido. Ora, tal exibição só poderia acabar de uma maneira. Com a sua inclusão na equipa de atletismo, os resultados não demorariam muito a aparecer. Após uma fase inicial de adaptação, no Verão de 1938 os recordes nacionais do salto em altura, salto em comprimento e triplo salto passam a ter o seu nome.
A selecção nacional, incontestavelmente, também faria parte do seu currículo. Ainda assim, seria no rescaldo de uma partida com as cores de Portugal que Espírito Santo encetaria um dos períodos mais negros da sua vida. Depois de um jogo disputado em Bilbau, o seu estado de saúde ficaria pior. Agravada uma doença pulmonar que o afectava há alguns anos, o único remédio foi afastar-se da prática desportiva. No entanto, aquilo que todos pensavam ser uma solução de curto prazo, prolongar-se-ia por mais de 3 anos. Findo esse calvário, o avançado regressaria na segunda metade de 1943/44. Passando a jogar a extremo, o atleta juntaria ao já ganho mais alguns troféus. No cômputo desses dois períodos, e só no futebol, o atacante venceria 4 Campeonatos Nacionais, 3 Taça de Portugal e 1 Campeonato de Lisboa.
Em 1950, e depois de ter capitaneado o Benfica durante diversos jogos, Espírito Santo decidiria ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Contudo, o seu trajecto como desportista prosseguiria. Mantendo a ligação aos “Encarnados”, o antigo futebolista passaria a jogar ténis. O vínculo com o clube, que manteria até aos últimos anos da sua vida, transformar-se-ia em merecidas distinções. Em 2000, seria agraciado com a “Águia de Ouro”. Já em 2004, pela altura da comemoração dos 100 anos do emblema lisboeta, seria nomeado Presidente Honorário do Centenário.

894 - ACÚRSIO

Nascido em Oeiras, seria na localidade dos arredores de Lisboa que Acúrsio, juntamente com o irmão mais novo, daria os primeiros passos no hóquei. Já a entrada na maioridade levá-lo-ia a outra aventura. Em Moçambique, para onde iria à procura de trabalho, as cores do Ferroviário de Lourenço Marques passariam a fazer parte da sua vida. No emblema da actual Maputo, o ecléctico praticante partilharia o tempo entre duas actividades desportivas. No futebol destacar-se-ia como guarda-redes. Já na modalidade em patins, curiosamente, a sua posição era no ataque.
Na sua evolução como desportista, e apesar da maior popularidade que o futebol sempre auferiu, seria no ringue de patinagem que Acúrsio mais depressa conseguiria destacar-se. Ainda em África, começaria a ser chamado à selecção nacional portuguesa, pela qual participaria no Mundial de 1954. Contudo, também no futebol dava cartas. A sua altura faria com que, nas bolas altas, conseguisse impor-se com relativa facilidade. Ainda assim, não era desprovido de bons reflexos e, entre os postes, as defesas que fazia eram fonte de grandes louvores.
Sendo um craque no futebol e no hóquei, o FC Porto, que procurava reforços para ambas as modalidades, veria nele um bom elemento para envergar as cores do clube. Tendo regressado a Portugal para a temporada de 1955/56, mais uma vez seria de setique na mão que começaria por destacar-se. Tornando-se no primeiro internacional “Azul e Branco” na disciplina dos ringues, já no “campo da bola” as coisas não começariam assim tão bem. Com Dorival Yustrich a dar preferência a Pinho, Acúrsio teria poucas oportunidades para jogar. Mesmo tendo conseguido vencer o Campeonato e a Taça logo no ano de estreia, o guarda-redes só conquistaria a titularidade no decorrer da 3ª época de “Dragão” ao peito. Curiosamente, seria nessa campanha de 1957/58 que viveria um dos momentos mais marcantes da sua carreira. No desafio da última jornada, num pontapé de baliza a baliza, o guardião inscreveria o seu nome na lista dos marcadores. Nessa vitória frente ao Belenenses, e já depois do tento conseguido, o atleta fracturaria o braço. Todavia, e ao contrário daquilo que seria esperado, não sairia e, aguentando as terríveis dores, terminaria o encontro.
As boas exibições na guarda da baliza do FC Porto, levá-lo-iam, por fim, a vestir as cores nacionais. Com a estreia em Maio de 1959, esse “amigável” disputado em Gotemburgo marcaria o começo de uma caminhada que, sensivelmente um ano depois, terminaria com um total de 7 internacionalizações. Às parcas partidas disputadas com a camisola de Portugal não é indiferente a decisão por si tomada, pouco tempo depois. Numa altura em que a profissionalização era um facto incontornável no nosso país, Acúrsio teria que dedicar-se em exclusivo ao futebol. Ainda assim, o atleta pouco tempo conseguiria viver com tal resolução. Desejando voltar a praticar ambas as modalidades, a solução encontrada fá-lo-ia voltar a Moçambique. Com mais um Campeonato (1958/59) a embelezar-lhe o palmarés, Acúrsio, no final da época de 1960/61,transfere-se de novo para o Ferroviário. Seria no emblema de Lourenço Marques, que o antigo jogador portista faria a transição para as tarefas de técnico. Ainda como treinador de hóquei, destaque para o seu regresso à terra natal, onde orientaria o AD Oeiras.

893 - OLIVEIRA MARTINS

Começaria por representar as camadas jovens do Sporting para, ainda em idade adolescente, chegar à 4ª categoria do futebol “verde e branco”. Mesmo sendo um atleta de excelência, a facilidade com que, ainda nesse primeiro ano de sénior, conseguiria chegar à equipa principal seria surpreendente. Essa celeridade, a mesma que o tinha levado a conviver com as maiores estrelas do clube, seria também aquela que empurraria o jovem atacante para o “onze” leonino.
Orientado pelo britânico Charles Bell, o sucesso que conseguia traduzia-se pela quantidade de golos que obtinha. Ao destacar-se na posição de avançado-centro, as suas exibições em muito contribuiriam para o sucesso da equipa. Ora, esse êxito levá-lo-ia também a vestir a camisola da selecção de Lisboa. Aliás, uma das histórias mais famosas na sua carreira envolveria as cores da capital. Numa altura em que era habitual jogar-se duas partidas no mesmo dia, Oliveira Martins, numa contenda frente à congénere do Porto, seria convocado para capitanear os “Alfacinhas”. Depois desse encontro disputado pela manhã, à tarde jogaria frente ao FC Porto. Nesse desafio a contar para a edição de 1928/29 do Campeonato de Portugal, o atacante seria o principal intérprete da vitória por 3-2, contribuindo com um “hat-trick”.
Todavia, aquilo que podia ter sido uma carreira de enorme sucesso, teria um final tão inesperado quanto o seu surgimento. Depois da contratação do avançado Rogério de Sousa em 1929/30, Oliveira Martins começaria a perder algum fulgor. Não sendo chamado a jogo com a mesma frequência, a solução passaria por representar as “Reservas” leoninas. O seu afastamento da equipa principal tornar-se-ia ainda mais notório com o agravamento de uma lesão. Distante das qualidades que o tinham tornado num ídolo da massa adepta, o fim do seu percurso como futebolista viria quando estava perto de completar 24 anos de idade.
Com o terminar da campanha de 1934/35, época em que se afastaria dos campos da bola, aqueles que pensaram que Oliveira Martins estava terminado para o desporto, enganaram-se. Separado da modalidade que o tinha empurrado para a popularidade, o antigo ponta-de-lança dedicar-se-ia a outras disciplinas. Basquetebol, onde chegaria a internacional português, andebol, râguebi ou atletismo fariam parte da lista de 11 modalidades em que também envergaria o “Leão” ao peito.
Sempre ligado ao Sporting, o ecléctico praticante também era um dedicado estudante. Licenciado em Ciências Económicas e Financeiras, as valências obtidas durante a vida académica levá-lo-iam a desempenhar diversos cargos de dirigente no emblema “verde e branco”. Tendo sido Vice-Presidente em diversas áreas e também membro do Conselho Fiscal, a dedicação de Oliveira Martins aos “Leões” permitir-lhe-ia a entrada na história da colectividade. O emblema lisboeta também não esqueceria a importância da sua devoção. Agraciado diversas vezes “pelos bons serviços” prestados ao clube, em 1950 seria condecorado como “Sócio Benemérito”.
Curiosamente, não só no desporto chegou ao estrelato. Tendo participado em diversos filmes, entre os quais “Maria do Mar”, “Fátima, Terra de Fé”, “Varanda dos Rouxinóis” ou “As Pupilas do Senhor Reitor”, Oliveira Martins foi um dos galãs do cinema português dos anos 30.

ECLECTISMO

Há certas coisas que no futebol de alto nível são, se não impossíveis, por certo impensáveis. Ter atletas que, entre diferentes modalidades, consigam dividir a sua atenção não é, nos dias que correm, exequível. Contudo, nem sempre foi assim! Futebol, atletismo, natação, ténis, hóquei, entre tantas outras, já souberam conviver em perfeita harmonia. É por isso que, durante o mês de Julho vamos falar de “Eclectismo”.

892 - JORGE HUMBERTO

Era ainda um aluno do liceu quando, na Académica do Mindelo, começa a dar os primeiros chutos na bola. A vontade de continuar os estudos e a ilusão de poder construir um futuro no futebol, levá-lo-ia a querer mudar-se para Coimbra. Juntamente com dois amigos, tal como ele de famílias modestas, decidem ir falar com o Governador de Cabo Verde e pedir ajuda. O auxílio chegaria na forma de bolsa que, a dividir pelos três rapazes, tinha duração de apenas 6 meses.
Mesmo com tão escasso recurso, os amigos não pensaram duas vezes. Viajam para Portugal e, aí chegados, dão forma aos seus sonhos. Todavia, para Jorge Humberto havia algo mais a perseguir. Feitas provas na “Briosa”, a velocidade que apresentava em campo, a força física e a facilidade com acertava nas balizas adversárias abrir-lhe-iam um lugar nos juniores da equipa conimbricense. Já no campo académico, a dúvida entre Engenharia e Medicina depressa desapareceria. O atleta decidir-se-ia por atacar a vida de médico e, entre os livros e as chuteiras, lá ia alinhavando o seu futuro.
Pertencendo a uma das mais brilhantes gerações da Académica de Coimbra, onde a figura do atleta-estudante era a alma da equipa, Jorge Humberto chega à primeira categoria. Maló, Manuel António, os irmãos Mário e Vítor Campos ou Artur Jorge seriam alguns dos nomes que o acompanhariam nessa aventura. Em 1956/57, Cândido de Oliveira dá-lhe a oportunidade de fazer a estreia pela equipa principal. Contudo, o azar bate-lhe à porta e a grave lesão contraída nesse jogo chega a pôr a sua carreira em causa. Recupera. Ainda volta aos juniores, mas a sua qualidade, de tão inegável que era, não o afastaria por muito mais tempo dos grandes palcos do futebol.
Já no rescaldo da temporada de 1960/61, e em plena época de exames, Jorge Humberto recebe um telefonema estranho. Do outro lado da linha, convidando-o a juntar-se ao Inter de Milão, apresentava-se o treinador Helenio Herrera. Acreditando tratar-se de uma partida, o avançado desligaria a primeira chamada. Perante a insistência de quem ligava, foi então que o jogador decide pedir que asseverassem a veracidade de tal conversa, com o envio de um telegrama. A confirmação chegaria pouco tempo depois e a surpresa daria lugar a um sentimento arrebatador.
Em Milão, para onde viajaria a fim de jogar uma partida amigável, o avançado causaria boa impressão. Os golos marcados ao Spartak assegurar-lhe-iam um lugar no meio de atletas como Sandro Mazzola, Giacinto Facchetti ou Lorenzo Buffon. Mesmo tendo características que agradavam ao já referido técnico argentino, a verdade é que a limitação de dois estrangeiros imposta pela liga italiana, influenciaria a afirmação do atacante. Com o espanhol Luis Suárez e o inglês Gerry Hitchens à sua frente, Jorge Humberto poucas oportunidades conseguiria durante a temporada passada com as cores “Nerazzurri”. Seguir-se-iam dois anos no Vicenza. Todavia, a vontade de terminar o curso de medicina sobrepor-se-ia à proposta para continuar no “calcio”, acabando o atleta por regressar a Portugal.
Depois de 2 mais épocas na Académica, a decisão de pôr um ponto final na carreira de futebolista precipitar-se-ia com o surgimento de uma grave lesão. Nesse mesmo de 1966, termina também o curso. Depois veio o destacamento para a guerra em Angola e o adiar de mais um sonho. Essa meta, a da especialização em Pediatria, conclui-la-ia passados alguns anos. Desde então, essa tem sido a sua ocupação, a qual, nos anos 80, levá-lo-ia a mudar-se para Macau.

891 - CÉSAR

Depois de um percurso juvenil em emblemas como a Sanjoanense (a de São João da Barra, Brasil!!!) ou o Americano de Campos, é neste último que César faz a transição para o patamar sénior. Apesar de representar uma colectividade amadora, as prestações dentro de campo fariam com que outros clubes começassem a reparar nas suas qualidades. Ajudado pelas vitórias colectivas nas provas locais, é o América que mais aposta na sua contratação. Em 1976, a poucos meses de completar 20 anos de idade, o avançado assina o primeiro contrato profissional e muda-se para a equipa do Estado do Rio de Janeiro.
No América a sua carreira toma proporções que poucos adivinhariam. Rapidamente consegue um lugar no “onze” inicial e os seus golos, muito mais do que as presenças na equipa titular, tornam-se de vital importância para as vitórias colectivas. Nesse sentido, e naquela que seria a 4ª temporada ao serviço do “Rubro”, César consegue sagrar-se o Melhor Marcador do “Brasileirão”. Ora, tão grande façanha abriria ao atacante muitas portas – “(…) o Flamengo queria me contratar. O Flamengo estava vendendo o Cláudio Adão para o Benfica. Mas o Cláudio Adão não tinha ido bem naquele ano no Flamengo. O Benfica, vendo que o Flamengo me queria, foi lá e me contratou, foi uma aposta. Os sócios do Benfica estavam querendo a cabeça do presidente do clube porque o Benfica tinha perdido o Campeonato Nacional para o Sporting. Só restava a Taça de Portugal para salvar o ano. A final foi entre Benfica e Porto. E eu marquei o gol do título. Ganhei até um troféu pelo feito”*.
Curiosamente, César acabaria por transformar-se num homem de golos determinantes. Depois dessa partida no Jamor em 1979/80, também no regresso ao Brasil o avançado conseguiria tentos fulcrais no destino das suas equipas. Depois de em Portugal ter ainda ajudado as “Águias” nas conquistas das “dobradinhas” de 1980/81 e 1982/83, é já com as cores do Grêmio que consegue um dos títulos mais importantes na sua carreira. Com o “Tricolor” de Porto Alegre, o avançado disputaria a edição de 1983 da Copa Libertadores da América. Naquele que seria o jogo decisivo para a atribuição do troféu, e com tudo empatado, o jogador assumiria um papel de extrema importância. Na partida da 2ª mão e com “placard” a repetir o 1-1 da primeira ronda, é o remate certeiro do atacante que, aos 77 minutos, desata o resultado.
Mesmo sendo um jogador decisivo as lesões acabariam por ser determinantes no precoce desfecho do seu percurso como futebolista. As mazelas que já trazia desde os tempos passados em Lisboa agravar-se-iam. Limitado, César começa a ponderar o fim da carreira. Ainda assim, aceita mias alguns desafios. Depois das 2 temporadas no Grêmio e de mais 1 no Palmeiras, sempre no principal escalão brasileiro, é o São Bento e o Pelotas que encerrariam essa caminhada. Para terminar, a curiosidade de no seu último emblema ter sido treinado por um velho conhecido do desporto “luso”, o técnico Luiz Felipe Scolari.

*retirado do artigo de Wesley Machado, em www.museudapelada.com

890 - SÉRGIO SANTOS

Com um faustoso percurso feito nas camadas jovens do Torreense, foi com alguma naturalidade que, em 1987/88, chegaria à categoria principal da colectividade. Com Jesualdo Ferreira a empurra-lo para a estreia, aos poucos o jovem defesa conseguiria sublinhar o seu lugar no plantel. Alcançado esse tão desejado espaço, logo na 3ª temporada como sénior já Sérgio era um dos elementos com mais chamadas a jogo. Actuando preferencialmente na direita, a titularidade conquistada na defesa dos de Torres Vedras faria dele uma das principais figuras do regresso do clube à 1ª divisão.
Curiosamente, e depois de no ano anterior ter sido um dos indiscutíveis de Manuel Cajuda, a sua estreia na 1ª divisão ficaria marcada por alguma discrição. Com o treinador a dar preferência a Nuno Damas, antigo atleta do Benfica, Sérgio acabaria por não conseguir tantas oportunidades quanto as desejadas por si. Infelizmente, também em termos colectivos a temporada de 1991/92 não correria de feição. Com o 16º posto na tabela classificativa, não restaria mais nada ao jogador do que aceitar a despromoção. Ironicamente, essa realidade devolveria o atleta ao “onze” inicial. Contudo, nem o regresso à titularidade traria grande felicidade ao lateral. Sem conseguir voltar a disputar a principal prova nacional, o jogador decidiria apostar noutras paragens.
Num capítulo que o afastaria por alguns anos do Torreense, Sérgio começaria por envergar a camisola do Nacional da Madeira. Mesmo sem alcançar a tão almejada promoção, as boas exibições realizadas ao serviço dos insulares levariam a que outros clubes pensassem na sua contratação. É então que, já com a campanha de 1995/96 a decorrer, chega da União de Leira um convite tentador. Com Vítor Manuel como treinador, a nova passagem pelo escalão máximo do futebol português ficaria, mais uma vez, muito longe do traçado. Sem conseguir afirmar-se, a solução encontrada para a sua carreira levá-lo-ia a deixar a “Cidade do Liz”. O regresso à Ilha da Madeira em 1996/97, dessa feita com as cores do Câmara de Lobos, devolvê-lo-ia à titularidade. No entanto, e sem que tal pudesse ser adivinhado, o lateral-direito ficaria para sempre afastado da 1ª divisão.
O que sobrou do seu percurso profissional entregá-lo-ia a uma casa por si bem conhecida. De volta ao Torreense, agremiação da sua cidade natal, os anos seguintes fariam dele um dos históricos do clube. Essas 9 temporadas, se somadas ao primeiro capítulo vivido no emblema de Torres Vedras, transformar-se-iam num total de 16 campanhas aí passadas. Naquela que seria uma carreira estendida para além dos 40 de idade, tempo ainda para mais uma camisola. Já a disputar os “regionais”, seria no Encarnacense que, em 2009, poria um ponto final na vida de futebolista.

889 - RUI FILIPE

Apesar de ter terminado a formação nos escalões juniores do FC Porto, só passados alguns anos é que Rui Filipe apareceria como elemento do plantel principal “Azul e Branco”. O Gil Vicente, ainda na 2ª divisão, serviria na temporada de 1986/87 para a estreia do, à altura, avançado. Nessa sua evolução, e mesmo mostrando habilidades que prometiam outras aspirações, a verdade é que a passagem por equipas de menor monta prolongar-se-ia por diversos anos. Sporting de Espinho e um regresso ao conjunto de Barcelos acabariam por completar esse ciclo de 5 campanhas.
Quando em 1991/92 o FC Porto volta a apostar no atleta, já Rui Filipe contava com alguma experiência no escalão máximo. Essa prática faria com que, à chegada, fosse mais fácil a sua inclusão no “onze” inicial. Com Carlos Alberto Silva aos comandos da equipa, o médio tornar-se-ia num dos elementos mais importantes do grupo. Chamado muitas vezes a entrar em campo, a regularidade com o que o seu nome aparecia nas fichas de jogo levaria a que da selecção também começassem a equacionar a sua presença. Já com algumas partidas feitas pelos sub-21 nacionais, a primeira internacionalização “A” surgiria em Maio de 1992. Convocado por Carlos Queiroz, o “amigável” frente à Itália marcaria o seu arranque com a camisola “lusa”.
Mesmo tido como um elemento importante no escalonamento dos “Dragões”, é com a chegada à “Invicta” de Bobby Robson que Rui Filipe começa a ser visto como uma das grandes estrelas da equipa. No centro do terreno, e longe do estereótipo que, por norma, ocupava essas posições, a maneira como tratava a bola torná-lo-ia num dos favoritos do treinador inglês. Naturalmente tecnicista, eram habituais os lances bonitos saídos dos seus pés. É impossível esquecer alguns dos momentos que viveria com o listado das camisolas “azuis e brancas”. Uma das jogadas inolvidáveis, seria um dos golos por si concretizados em pleno Estádio “da Luz”. Depois de sentar Michel Preud’ Homme com uma “finta de corpo”, a bola enviada para o fundo das redes “encarnadas” contribuiria para o triunfo do FC Porto na Supertaça de 1993/94.
Tragicamente, esse encontro acabaria por ser o “canto do cisne” do jogador. Expulso, o castigo aplicado a Rui Filipe acabaria por excluí-lo da 2ª jornada do Campeonato de 1993/94. Após ter marcado na primeira ronda, golo esse que seria o primeiro concretizado no ciclo do “penta”, o dia do desafio frente ao Beira-Mar tornar-se-ia num dos mais fatídicos do desporto português. Nessa manhã, o jovem futebolista despistar-se-ia ao volante do seu automóvel. Em sequência desse acidente de viação, o atleta, que passava pelo pico da carreira, acabaria por falecer.
O FC Porto venceria os aveirenses e dedicaria a vitória ao médio. A admiração que os adeptos nutriam por si, perpetuar-se-ia nas homenagens realizadas. Saudade e pesar é o que ainda se sente quando o tema das conversas é Rui Filipe. No entanto, muito mais do que o triste episódio que poria termo à sua vida, aquilo que ficou na memória dos fãs do futebol, é a de um intérprete que, para além de requinte técnico, também conseguia atrair toda a gente com o seu lado batalhador e abnegado.

888 - LUÍS FILIPE

Com a presença no escalão máximo e a chamada ao afamado Torneio de Toulon, a carreira de Luís Filipe parecia bem lançada. Com as cores “lusas”, dando mais fôlego a essa ideia de futuro sucesso, ainda marcaria um golo frente à Bélgica. No entanto, a descida do Atlético nessa temporada de 1976/77 acabaria por representar um passo atrás na progressão do jovem jogador. Muito para além de uma situação temporária, a passagem pela 2ª divisão, tornar-se-ia numa sentença muito pesada. Para o extremo, que por Portugal até tinha jogado ao lado de Fernando Gomes, os escalões secundários prolongar-se-iam na sua carreira durante anos a fio.
Já depois ter deixado a Tapadinha, Juventude de Évora, Desportivo de Chaves, Amarante e Rio Pele, seriam os emblemas que fariam parte do seu percurso como futebolista. Em nenhuma dessas colectividades conseguiria a oportunidade de voltar aos grandes palcos. Todavia, a situação alterar-se-ia com uma nova aposta. Depois de 1978/79, ao serviço do já referido emblema alentejano, ter estado perto da subida, só com a ligação ao Desportivo das Aves é que esse objectivo tornar-se-ia numa realidade.
A campanha de 1984/85, ao serviço do emblema sediado no concelho de Santo Tirso, daria novo alento à carreira do jogador. Após ajudar o seu clube a vencer a Zona Norte, Luís Filipe seria também uma das figuras na conquista do título de campeão da 2ª divisão. Esse feito daria ao clube, e também ao atleta, um lugar no escalão máximo. Na época seguinte, o ala-direito conservaria o seu lugar no “onze” inicial. Apesar da titularidade, e do peso que teria nas actuações do colectivo, as suas exibições seriam insuficientes para evitar a descida.
Com a despromoção, o atleta também acabaria afastado daquela que é a mais importante competição em Portugal. Naquilo que restou da sua carreira, esse objectivo jamais seria alcançado. As derradeiras 4 campanhas marcariam a última fase do seu percurso como futebolista. A sua carreira, já depois de representar Freamunde e Vilafranquense, terminaria no final da temporada de 1990/91.

887 - NANDINHO

Só aos 21 anos de idade é que Nandinho conseguiria ter a primeira oportunidade fora do futebol regional! No entanto, a sua qualidade destacá-lo-ia dos demais colegas. Nessa rápida progressão, bastaria apenas uma temporada mais para o extremo conseguir chegar ao nosso patamar máximo e à “camisola das quinas”.
Depois de ter passado pelo Candal e pelo Ataense, ambos nas divisões distritais da Associação de Futebol do Porto, é da 3ª divisão e do Castêlo da Maia que chega nova oportunidade. Nos “nacionais”, o rápido extremo impressionaria, não só pela velocidade, como pela técnica e habilidade dentro da área adversária. É então que o Salgueiros decide apostar nele. Logo na época de estreia, a de 1995/96, Nandinho conquista um lugar na direita do ataque do emblema de Paranhos. É também durante essa campanha que faz a sua estreia com as cores “lusas”. Convocado por Nelo Vingada e ao lado de nomes como Sérgio Conceição, Nuno Gomes ou Rui Jorge, o atacante é chamado aos sub-21 de Portugal, chegando mesmo a participar no Europeu da categoria.
Tornando-se num dos principais elementos do plantel do Salgueiros, foi natural o interesse de emblemas de outra monta na sua contratação. Após a excelente temporada de 1997/98, onde ajudaria o conjunto portuense a chegar a um auspicioso 8º lugar, o Benfica surge como o clube mais empenhado em adquirir os serviços do extremo-direito. O acordo entre as duas colectividades acabaria mesmo por surgir e Nandinho muda-se para o Estádio “da Luz”. No entanto, já em Lisboa, as expectativas criadas em seu redor acabariam por sair um pouco frustradas. Com o técnico Graeme Souness no comando das “Águias”, as oportunidades dadas ao atleta seriam poucas. Sem conseguir jogar regulamente, a solução acabaria por surgir no empréstimo ao Alverca. Nos ribatejanos, o atacante viveria um dos melhores momentos da sua carreira e numa vitória frente ao Sporting, faria um inesquecível “hat-trick”.
Mesmo tendo tido boas exibições com a camisola do Alverca, Nandinho não conseguiria assegurar um lugar no plantel benfiquista da época seguinte. Dispensado pelo treinador escocês, o jogador acabaria por rumar ao Vitória de Guimarães. A chegada ao Minho seria bem positiva para o atleta. Com muitas presenças em campo, a sua carreira parecia relançada. Contudo, a contratação de Paulo Autuori para a temporada de 2000/01, resultaria num enorme “volte-face”. Prescindido pelo treinador, o extremo começaria a treinar à parte. Só a substituição do técnico brasileiro por Augusto Inácio é que reverteria a situação… solução de pouca dura, pois no final dessa campanha o atacante por ser descartado.
Após algumas declarações polémicas, em que acusaria o clube vimaranense de ingratidão, a sua dispensa acabaria numa campanha inteira sem jogar. Findo esse calvário, atleta e clube lá chegariam a um acordo para, amigavelmente, pôr fim à união que os ligava. Já perto dos 30, Nandinho assina pelo Gil Vicente, acabando o emblema de Barcelos por tornar-se no mais representativo do seu percurso profissional. Os 4 anos e meio ao serviço dos “Galos” acabariam por anteceder o derradeiro capítulo da sua carreira. A segunda metade da temporada de 2006/07, passada no Leixões, marcaria o fim da sua vida como futebolista.
Depois de deixar os relvados, Nandinho encetaria o seu percurso como treinador. Nessas funções começaria por orientar os juniores do Gil Vicente, passando em 2015/16 para a equipa principal. Conta também com uma passagem pelo Famalicão.

886 - DANRLEY

Inspirado pelo tio Beto, também ele guarda-redes do Grêmio de Porto Alegre, Danrley entra para as escolas do clube. Terminada a sua formação, é já em 1993 que o guardião faz a estreia pela equipa principal. Com Luíz Felipe Scolari como treinador, o jovem atleta ganha um lugar de destaque no “onze” inicial. Quase automaticamente, e numa altura em que os do Rio Grande do Sul começavam a dar cartas na conquista de troféus nacionais e continentais, os títulos passam a entrar no seu palmarés. Logo nos primeiros anos da carreira, ao lado de como Mário Jardel (Sporting e FC Porto), Carlos Miguel (Sporting), Cristiano (Beira-Mar e Benfica) ou Paulo Nunes (Benfica), o jogador venceria 3 “Estaduais” Gaúchos, a Copa do Brasil de 1994, o “Brasileirão” de 1996, a Copa dos Libertadores de 1995 e a Recopa sul-americana de 1996.
A evolução que demonstrava, rápida, faria com que a federação escolhesse o seu nome para integrar as comitivas brasileiras em diferentes certames. Atingidas as finais da Copa América de 1995 e da Golden Cup de 1996, outro dos grandes momentos na sua carreira viria com a chamada aos Jogos Olímpicos de Atlanta. Conquistada a Medalha de Bronze, vencida na goleada imposta a Portugal (5-0), a carreira de Danrley prosseguiria de “vento em popa”. É verdade que nunca chegaria a assumir o papel de titular no “Escrete”. Já em sentido contrário, no clube tornar-se-ia indiscutível no escalonamento do “onze” inicial. Aliás, as largas centenas de partidas disputadas e os títulos ganhos durante as 10 temporadas ao serviço dos “Tricolores”, permitiriam que o guardião entrasse tanto no coração dos adeptos, tal como para a história do clube.
Outra das características do jogador sempre foi o seu lado irascível. Por razão dessa maneira de ser, Danrley haveria de saltar inúmeras vezes para as capas dos jornais. As contendas que, durante os anos como profissional, teria com adeptos, árbitros, adversários, treinadores e, inclusive, com colegas de equipa alimentariam regularmente os periódicos. Por razão dessa atitude, e numa altura em que desportivamente a sua hegemonia começava a ficar ameaçada, o guarda-redes decide continuiar ao seu percurso noutros emblemas. Finda a ligação com o Grêmio, o jogador daria início a um período um tanto ao quanto errático. Depois de uma experiência pouco conseguida com o Fluminense, a passagem pelo Atlético Mineiro até deixava adivinhar uma fase mais estável. Puro engano! Logo em 2006, mais uma vez ao lado de Mário Jardel, o internacional “canarinho” é apresentado como um dos principais reforços do Beira-Mar. A sua estadia em Portugal pouco duraria e, logo na abertura do “Mercado de Inverno”, o atleta acertaria a rescisão de contrato com o emblema aveirense.
O resto da sua caminhada pelos “campos da bola” dar-se-ia após o regresso ao seu país. Após terminar a carreira em 2009, o antigo futebolista decidiria afastar-se da modalidade para dar corpo aos seus ensejos políticos. Primeiro pelo Partido Trabalhista e, depois, nas listas do Partido Social Democrata, Danrley tem sido eleito e assumido as tarefas de Deputado Federal, representando o Estado do Rio Grande do Sul.

885 - CHICO GORDO

Nascido num contexto modesto, foi nas ruas do Lobito que começou a dar os primeiros pontapés na bola. Bem depressa, os responsáveis do FC Lobito, filial do FC Porto em Angola, percebem que naquele rapaz estava um grande tesouro. Ingressa, ainda adolescente, no emblema da terra que o viu nascer. Contudo, a ligação não duraria assim tanto tempo, pois, da “Cidade Invicta”, houve quem perguntasse por ele. Sem tempo para desperdiçar, seria com 16 anos que Chico Gordo deixaria o seu país, para passra a jogar pelas “escolas” do emblema portuense.
O desafio que tinha pela frente, mesmo estando afastado do conforto do lar, jamais intimidaria o avançado. Continuou a fazer aquilo que melhor sabia. Os golos surgiam em catadupa e, nessa progressão, também da selecção haveriam de chamá-lo a jogo. Com as cores dos juniores portugueses, Chico Gordo faria algumas partidas. Claro está que, toda essa projecção teria repercussões no seu estatuto dentro do clube. Com José Maria Pedroto aos comandos do “Dragão”, o ponta-de-lança seria intimado a integrar os trabalhos da equipa principal.
É na época de 1968/69 que faz a estreia na primeira categoria. Ainda assim, a vida de “Azul e Branco” não seria fácil. Com atletas mais experientes a tomarem a dianteira por um lugar no “onze”, só na temporada seguinte é que conseguiria mais oportunidades. Depois, sem sair da 1ª divisão, viria a passagem pelo Tirsense. Contudo, e numa altura em que estava a conseguir conquistar o seu espaço no futebol profissional, o serviço militar viria estragar-lhe todos esses objectivos. Em seguida viria o destacamento para Angola e, mesmo tendo vestido as cores do FC Moxito, a ida para um cenário de guerra embargar-lhe-ia o evoluir da carreira.
Só em 1974 é que Chico Gordo, livre das obrigações para com o exército, volta a Portugal. Já depois de ter conseguido sagrar-se campeão angolano, é no Lusitânia de Lourosa que encontra novo abrigo. Começa por jogar nos campos da 2ª divisão, mas o regresso ao escalão maior do nosso futebol aconteceria num “piscar de olhos”. Um ano após ingressar na equipa do concelho de Santa Maria da Feira, é do Sporting de Braga que surge novo convite. Nos “Guerreiros” o seu impacto é imediato e, logo na temporada de 1975/76, o avançado surge como um dos principais elementos da equipa minhota.
Nos anos vindouros manter-se-ia como titular. Com um “faro” tremendo, Chico Gordo conseguia superar algumas limitações técnicas com um sentido posicional de excelência. O avançado parecia adivinhar onde a bola ia cair e, com o esférico em sua posse, a simplicidade com que executava os remates era mais uma das suas armas. Todas as temporadas, os seus golos tomavam uma importância suprema no desempenho da equipa bracarense. Seria com ele no plantel que o Sporting de Braga chegaria à final da Taça de Portugal de 1976/77. Depois, logo na época seguinte, ocorreria algo nunca visto na história do clube. O 4º posto no Campeonato, com o atacante a ser uma das principais figuras do conjunto, daria aos “Arsenalistas” a qualificação para as competições europeias.
No plano pessoal, tal como no colectivo, as coisas saiam bem ao atleta. Apesar de nunca ter conseguido sagrar-se o Melhor Marcador em Portugal, na época de 1977/78, sendo apenas ultrapassado por Fernando Gomes, Chico Gordo ficaria lá bem perto. Todavia, e como tudo na vida, também para o avançado o seu percurso como futebolista entraria no plano descendente. Depois de 5 temporadas ao serviço do Sporting de Braga, durante as quais conseguiria tornar-se no goleador máximo da equipa no Campeonato, o jogador opta por prosseguir no Vitória de Setúbal. Nas margens do Sado, ainda que longe dos anos dourados da sua carreira, os seus golos seriam cruciais. Depois viriam os escalões secundários e passagens por Beira-Mar, AD Guarda e Macedo de Cavaleiros.

CROMOS PEDIDOS 2018

E aí vão 8… bem, ainda faltam alguns dias mas, a 18 deste mês o “Cromo sem caderneta” completa mais um ciclo de existência. Assim sendo, e com tem sido habitual durante estes anos, não há melhor maneira para comemorar um aniversário do que dar a palavra aos nossos leitores. Ora, por essa razão, Junho será feito com as solicitações que nos vão chegando, num mês todo ele dedicado aos “Cromos Pedidos”.