984 - ZAHOVIC

Representava o Kovinar Maribor quando Milko Djurovski, a cumprir o serviço militar na região, o descobre. Zlatko Zahovic, depois da observação feita pelo atleta do Partizan, é convidado a juntar-se ao emblema de Belgrado. Chega à capital da antiga Jugoslávia na temporada de 1989/90, para entrar num balneário que, entre outros internacionais, contava com Predrag Mijatovic. A presença de vários craques faz com a afirmação do jovem jogador tome um caminho mais tortuoso. Na época seguinte acaba cedido aos também primodivisionários do Proleter Zrenjanin. Passa a jogar com maior regularidade e, dando sinais positivos, começa a dar razão a quem nele tinha apostado.
No regresso ao Partizan, Zahovic começa a gozar de outra preponderância. Esse destaque, em Novembro de 1992, leva-o à estreia na selecção principal da Eslovénia. Contudo, o desenrolar da guerra dos Balcãs, e o êxodo daí resultante, faz com que o médio comece a ver com bons olhos a mudança para outro país. Em 1993, e já com 1 Campeonato e 1 Taça no currículo, aceita o convite do Vitória de Guimarães e dá início a uma longa ligação com Portugal.
No Minho, em toda a sua plenitude, mostra as qualidades que tinham feito dele uma grande promessa. Uma técnica singular, com um drible e uma capacidade de passe sublimes, aliada a uma soberba visão de jogo, fazem de Zahovic um dos melhores “10” a actuar no nosso Campeonato. O desempenho colectivo do Vitória de Guimarães, onde pontuavam jogadores como Dimas, Paulo Bento, Pedro Barbosa, José Carlos, Ziad, Pedro Martins, Vítor Paneira ou Capucho, seria também um factor decisivo para o acréscimo de valor na sua carreira. A sua evolução, auxiliada por um percurso internacional em crescendo, leva-lo a entrar no “radar” de emblemas de outra monta. Quem ganha a corrida acaba por ser o FC Porto e, com a mudança para o Estádio das Antas, o seu percurso profissional ganha um novo ímpeto.
Com o “Penta” a entrar no 3º capítulo, Zahovic estreia-se com a camisola “azul e branca”. António Oliveira, como timoneiro do conjunto portuense, lança o esloveno no “onze” inicial. A sua qualidade impõe-se de imediato e o médio passa a ser um dos grandes estrategas da equipa. As exibições por si conseguidas, muito mais do que um tónico para o grupo, transformam-se num dos pilares para as futuras conquistas. Com os agentes do futebol de olhos no FC Porto, os melhores intérpretes desse ciclo de 5 vitórias consecutivas começam a ser cobiçados. Para o médio surgem nas Antas diversas propostas e no Verão de 1999 dá-se a sua partida.
Apesar da vontade do atleta não estar em sintonia com a do clube, o negócio da sua transferência leva-o ao Olympiakos. Tanto na Grécia, como já ao serviço do Valência, o desempenho do médio, em termos de protagonismo, acaba por ser ultrapassado pelas diversas polémicas vividas com os treinadores. Primeiro em Pireus, e depois em Espanha, Zahovic passa mais tempo a discutir a sua utilização do que a jogar. Salva-se o Euro 2000. O médio é chamado àquele que, à altura, passa a ser o primeiro grande torneio disputado pelo seu país. No certame organizado entre a Bélgica e a Holanda, o atleta destaca-se. Boas exibições e 3 golos em 3 partidas, seriam suficientes para manter o seu valor bem alto.
Após a passagem pela “La Liga”, num negócio que envolve a ida de Marchena para Valência, Zahovic regressa a Portugal. Para jogar com as cores do Benfica, o médio chega a Lisboa numa altura em que as “Águias” já estavam na fase de transição entre os “anos negros” de Vale e Azevedo e o recobro planeado por Luís Filipe Vieira. A mudança directiva permite ao clube voltar a sonhar com títulos. O desempenho do médio esloveno, ainda que longe dos anos no FC Porto, toma um papel importante na recuperação e nos troféus conquistados. Porém, e antes das vitórias, mais uma polémica com um treinador. Com Katanec no lugar de seleccionador, a ida da Eslovénia ao Mundial de 2002 resulta em mais uma contenda. Ao discordar da táctica utilizada, o atleta, pouco utilizado, vem a público criticar as opções do treinador.
Já as vitórias no Benfica coincidem com os 2 últimos anos de Zahovic como atleta profissional. A Taça de Portugal de 2003/04 e a conquista da Liga de 2004/05 fecham “com chave d’ouro” a sua caminhada desportiva. Não muito tempo depois vêm o início das funções como dirigente. De volta ao país natal, o antigo internacional enceta um novo capítulo na vida. No NK Maribor, onde entra em 2007, dá os primeiros passos como Director Desportivo. No entanto, não pensem que tais tarefas o afastam dos campos. Com saudades dos relvados, aceita o convite do Limbus Pekre e passa a actuar nos “regionais” da Eslovénia.

983 - BAPTISTA

Nascido em Setúbal, chegaria à primeira categoria do FC Porto já com 23 anos de idade. Tendo sido essa temporada de 1949/50 a única campanha em que há registos da sua participação na equipa principal “Azul e Branca”, a questão que aqui levanto é: por onde terá andado Ezequiel Baptista, até então? A resposta, para quem tenha acesso a outro tipo de arquivos, poderá ser fácil. Eu não a encontrei!
Voltando à sua passagem pelo FC Porto, ainda a jogar no Campo da Constituição, seria, como aqui já foi dito, de pouca duração. Num ano atribulado, com diversas mudanças de treinador, os “Dragões” acabariam (em termos de pontos) mais perto da “linha-de água”, do que do topo da tabela classificativa. Talvez esse turbilhão tivesse, de alguma forma, atrapalhado a adaptação do médio. Pouco utilizado, o seu peso dentro do plantel acabaria por levá-lo a escolher outro caminho para a sua carreira de futebolista. A solução seria encontrada um pouco mais a Norte e a transferência para o Sporting de Braga, com uma época de hiato nos arquivos da sua actividade, tomaria corpo em 1951/52.
A mudança para o Minho seria de fulcral importância para o estatuto de que viria a usufruir mais adiante. Podendo jogar no miolo do terreno, como mais inclinado para a direita do sector intermediário, Baptista tornar-se-ia num elemento fundamental para as manobras tácticas dos bracarenses. Com uma primeira temporada algo discreta, as campanhas seguintes mostrariam o atleta como um dos nomes habituais na ficha de jogo. Essa regularidade exibicional acabaria por levá-lo a vestir a “camisola das quinas”. Baptista, que, frente ao Luxemburgo, também faria uma partida pela equipa “B”, conseguiria a estreia no conjunto principal em Dezembro de 1954. No particular frente à Alemanha Ocidental, disputado no Estádio Nacional, o médio entraria para o “onze” inicial. Escalonado por Fernando Vaz, o jogador acabaria por exibir-se ao lado de nomes como José Maria Pedroto, Vasques, Matateu ou Albano.
A internacionalização conseguida pelo centrocampista, haveria de consagrá-lo na história do emblema bracarense como o segundo atleta da casa, a seguir a Alberto Augusto, a vestir as cores de Portugal. Aliás, poderá haver uma correlação entre o nome de Alberto Augusto e a ida de Baptista para o Sporting de Braga. Nessa atribulada época de 1949/50, a tal do médio na equipa principal do FC Porto, Alberto Augusto orientaria o conjunto “Azul e Branco” até Novembro. Se essa correspondência terá tido, ou não, alguma influência na sua contratação por parte do emblema minhoto, não consegui confirmá-la. No entanto, não deixa de ser curiosa e passível de ser bem investigada.
No Sporting de Braga passaria 6 temporadas. Com o húngaro Joseph Szabo, que já tinha orientado o FC Porto uns anos antes, como o seu primeiro treinador, a caminhada de Ezequiel Baptista com as cores dos “Arsenalistas”, terminaria sob a alçada do mesmo técnico. Essa temporada de 1956/57, em que, após a despromoção 1 ano antes, ajudaria o conjunto minhoto a regressar à 1ª divisão, marcaria o fim da ligação entre o atleta e o clube. Depois viria o Leixões e finda essa campanha vivida em Matosinhos, a impossibilidade de acompanhar o que terá acontecido de seguida. Com 32 anos cumpridos, é bem possível que o médio tenha decidido pôr um “ponto final” no seu trajecto competitivo. Se tal aconteceu ou se, por outro lado, manteve alguma ligação à modalidade, não sei! Talvez seja mais uma boa questão para averiguar!

982- JANKAUSKAS


A carreira daquele que, até aos dias de hoje, pode ser visto como um dos melhores futebolistas do seu país começaria no Zalgiris Vilnius. A ida para o novo clube, onde faria a estreia sénior ainda em idade adolescente, permitir-lhe-ia, quase automaticamente, a estreia pela selecção nacional. Com as cores da Lituânia conseguiria frente à Estónia, e com 16 anos apenas, a primeira internacionalização “A”. Essa edição de 1991 da Taça do Báltico acabaria por representar um pouco mais no seu trajecto desportivo e, com a vitória da sua equipa no torneio, dar-lhe-ia também o primeiro troféu da carreira.
Com o andar dos anos, com os golos que abrilhantariam as suas exibições e com as competições ganhas, o seu valor começaria a subir. Mesmo não tendo a Liga lituana grande visibilidade, a verdade é que a proximidade histórica e geográfica com a Rússia levaria a que alguns clubes desse país reparassem nas capacidades de Jankauskas. Fisicamente possante e com um bom sentido de área, o CSKA de Moscovo veria no ponta-de-lança um bom reforço. Após ter vencido 2 Ligas e 3 Taças no seu país, a mudança para a capital russa representaria um grande desafio. No entanto, o atleta não deixaria amedrontar-se e no já referido emblema, tal como na mudança para o Torpedo, o avançado continuaria a brindar os adeptos com jogos de qualidade superior.
Depois de ter chegado à Rússia em 1996, seria para a temporada de 1997/98 que nova mudança surgiria na sua caminhada profissional. A transferência para o Club Brugge acabaria por catapultar o estatuto do atleta. A vitória na “Pro League”, logo na época da sua chegada, e a conquista da Supertaça da campanha seguinte, serviriam, a par da constância dos seus golos, para colorir ainda mais o seu percurso. Em Janeiro de 2000, conseguiria alcançar mais uma marca para a sua carreira e para o desporto do seu país. Com a Real Sociedad a comprar o seu “passe”, os valores envolvidos nesse negócio transformariam Jankauskas no praticante mais caro de sempre na história do futebol lituano.
O capítulo seguinte na sua carreira seria, sem sombra de dúvidas, o mais prolífero. Apesar do sucesso alcançado ter sido vivido mais a Norte, a sua entrada em Portugal far-se-ia através de um “empréstimo” ao Benfica. Depois de meia temporada sob a orientação de Jesualdo Ferreira, o FC Porto conseguiria passar à frente das “Águias” e, em definitivo, contratar o ponta-de-lança. Com os “Azuis e Brancos” na alçada de José Mourinho, o clube atravessaria uma das mais brilhantes fases da sua história recente. O resultado desses dois anos de Jankauskas na “Cidade Invicta” saldar-se-ia por, nada mais que a vitória em 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça, 1 Taça UEFA e 1 Liga dos Campeões.
Com a substituição de Mourinho por Luigi Del Neri e, logo de seguida, com a contratação do espanhol Víctor Fernandez, o ponta-de-lança acabaria por perder o seu espaço no plantel do FC Porto. A solução encontrada na sua cedência ao Nice levaria Jankauskas a entrar numa fase mais errante. Com presença em 8 países e 9 emblemas diferentes, destaque para a sua presença sua passagem pelos escoceses do Hearts, pela MLS e, num curto regresso a Portugal, a meia temporada feita pelo Belenenses.
Já os seus últimos anos como futebolista seriam passados em convivência com os primeiros passos que daria como treinador. Tendo começado nas tarefas de adjunto em emblemas como o Hearts ou Lokomotiv de Moscovo, esse percurso levá-lo-ia ao cargo de seleccionador da Lituânia. Como timoneiro principal da equipa nacional do seu país, o antigo avançado faria a Fase de Qualificação para o Mundial de 2018 e a UEFA Nations League.

981 - PAULO ADRIANO

Subiria à categoria principal do Anadia em 1995/96. Após 3 temporadas no emblema do Distrito de Aveiro, a Académica, talvez impulsionada por uma contratação passada, veria em Paulo Adriano um bom reforço. Em Coimbra, o médio voltaria a cruzar-se com o seu antigo colega. João Tomás, por essa altura, já era um dos atletas mais consagrados do emblema estudantil e, de certo modo, ajudaria a apadrinhar a entrada do novo jogador.
A sua chegada em 1998/99 coincidiria com a despromoção do clube, no final da referida temporada. Por essa razão, e depois do pulo do 3º escalão para o patamar máximo do futebol nacional, o médio, nos anos seguintes, acabaria por disputar a Divisão de Honra. No entanto, esse passo atrás permitiria ao jogador afirmar-se no grupo conimbricense. A continuidade no seio do plantel estudantil, levá-lo-ia a tornar-se numa referência do mesmo. O peso que começaria a ter nas manobras da equipa, assim o justificaria. Porém, outro factor surgiria. Personificar aquilo que de mais nobre há na cultura e história da Académica, o centrocampista escolheria, ao iniciar os estudos em Geografia, alimentar a imagem do atleta-estudante.
Para ser mais correcto, a sua passagem pela Académica acabaria por ter certos períodos de alguma intermitência. Nem sempre amado, nem sempre compreendido, seria por vezes acusado de alguma lentidão e displicência. Ao ocupar uma posição entre o “lugar 6” e o miolo do terreno, Paulo Adriano caracterizar-se-ia por ser um jogador de grande sentido posicional. Podia não ser o elemento mais vistoso na equipa. Porém, era de uma utilidade fulcral. A sua consciência táctica torná-lo-ia, principalmente nos últimos anos a jogar pelos “Estudantes”, numa das peças basilares do grupo. Esse peso traduzir-se-ia, não só pelo número de presenças em campo, mas, essencialmente, pelas vezes que envergaria a braçadeira de capitão.
No final da temporada de 2005/06 e com a troca de Nelo Vingada por Manuel Machado, a separação entre o atleta e o clube consumar-se-ia. Ao fim de 8 anos, Paulo Adriano deixaria as margens do Mondego para, naquela que seria a primeira aventura no estrangeiro, viajar para o Chipre. No AEK Larnaca, onde iria encontrar-se com os portugueses Zé Nando e Miguel Fidalgo, a passagem seria de curta duração. Começaria aí uma fase nova na sua carreira, durante a qual experimentaria jogar por diversos clubes e em diferentes países. O Vitória de Guimarães, na fatídica época na Divisão de Honra, os romenos do Brasov e ainda uma passagem pelos russos do Alania tornar-se-iam nas cores desse capítulo.
O regresso a Portugal representaria para o futebolista a entrada na derradeira fase do seu percurso desportivo. De volta ao Anadia na campanha de 2009/10, Paulo Adriano manter-se-ia no emblema da sua terra natal por 4 temporadas. Contribuiria para a promoção do clube à 2ª divisão e, nas épocas seguintes, seria uma preciosa ajuda na permanência da colectividade no referido escalão.
Depois de uma derradeira temporada ao serviço do Oliveira do Bairro, Paulo Adriano, em 2014, poria um ponto final na vida de futebolista. Alguns anos após o seu afastamento, o antigo médio passaria a dedicar-se à política. Nas listas do Partido Social Democrático seria, no âmbito das Eleições Autárquicas de 2017, o candidato à Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Arcos e Mogofores.

980 - MICKEY WALSH

Nascido no Condado de Lancastre, mas de ascendência irlandesa, Mikey Walsh destacar-se-ia no Chorley FC, clube da sua terra natal. Com 19 anos é descoberto pelo Blackpool. Fisicamente possante, bom no jogo aéreo e com um sentido posicional ideal para marcar muitos golos, o ponta-de-lança parecia, no jogo directo, encaixar-se na perfeição. Tendo isso em conta, a ninguém surpreenderia o sucesso que conseguiria alcançar logo nos primeiros anos como profissional. Mesmo a disputar o 2º escalão inglês, os seus desempenhos acabariam por empurrá-lo para uma carreira internacional. Tendo em conta os seus antepassados, o convite feito pela Football Association of Ireland seria aceite pelo jogador e a estreia pela equipa principal, num “amigável” frente à Noruega, aconteceria em Março de 1976.
Passadas 5 temporadas sobre a sua chegada ao Blackpool e o Everton decide apostar na sua contratação. Entra em Goodison Park na campanha de 1978/79 para, desse modo, estrear-se no escalão máximo inglês. No emblema sediado na cidade de Liverpool, seriam dadas ao avançado oportunidades suficientes para conseguir exibir o seu potencial. No entanto, tal como aconteceria já na sua passagem pelo Queens Park Rangers, as bolas pareciam não querer entrar nas balizas adversárias. Sem os golos que o tinham notabilizado, as suas passagens pelos dois referidos emblemas seriam curtas e, de certo modo, marcadas por alguma desilusão.
Após essas duas épocas, a Walsh é dada uma nova oportunidade. O FC Porto, à procura de colmatar a saída de Fernando Gomes para o Sporting Gijon, olharia para o internacional irlandês como uma solução válida para o ataque. Todavia, as características do avançado, pouco móvel e com algumas falhas nos aspectos técnicos, nem sempre haveriam de agradar aos treinadores do clube “azul e branco”. Por essa razão, e apesar de ser recordado como um bom elemento, a presença do ponta-de-lança caracterizar-se-ia por alguma intermitência exibicional.
Alternando campanhas de grande proveito com outras de desempenhos mais modestos, Walsh, num total de 6 temporadas e 123 partidas disputadas, ainda conseguiria a bela marca de 56 golos. Muitos desses remates certeiros, durante o referido período, seriam importantes para os títulos alcançados pelo grupo. Houve um golo, no entanto, que ficou na memória dos adeptos. Na Taça dos Vencedores das Taças de 1983/84, numa campanha em que o FC Porto chega à final, o atacante, à conta desse lance, tornar-se fulcral na caminhada até à derradeira partida do torneio. Nos quartos-de-final, numa eliminatória em que os “Dragões” enfrentavam o Shakhtar Donetsk, o resultado na 2ª mão atirava os portugueses para fora da prova. É então que António Morais decide pôr em campo o irlandês. Entra aos 67 minutos para aos 72 marcar o tento que empatava o desafio. O 1-1 conseguido na antiga União Soviética, depois do 3-2 verificado nas Antas, empurrava os portistas para a ronda seguinte. Frente ao Aberdeen e na final de Basileia, o atleta manteve a condição de suplente. Ainda entra em campo na partida com a Juventus, mas a sua ajuda seria insuficiente para contrariar a vitória dos italianos.
Com 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças ganhas, o tempo passado no Estádio das Antas seria o mais prolífero da sua carreira. Todavia, a irregularidade que aqui já foi falada ditaria a sua saída do FC Porto. Mikey Walsh, depois da separação, daria seguimento à sua carreira em Portugal. Salgueiros e Sporting de Espinho, ainda na 1ª divisão, e Rio Ave seriam os clubes onde embarcaria. Em Vila do Conde acabaria por pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Depois de retirar-se, o antigo avançado manter-se-ia ligado à modalidade, mas nas funções de Agente Desportivo.

979 - ABÍLIO

Com o último ano de júnior a ser cumprido pelo FC Porto, Abílio, que tinha feito o resto do seu percurso formativo com as cores do Candal, veria uma nova oportunidade a abrir-se no seu, ainda muito curto, trajecto desportivo. Todavia, a sempre difícil transição para o patamar sénior haveria de afastá-lo das Antas nos anos seguintes.
A 3ª divisão, com a Oliveirense e com o União de Lamas, daria corpo aos 2 primeiros anos como sénior. Depois surgiria o Leixões e, tendo ajudado o grupo a conseguir a promoção, viria a entrada no escalão máximo em 1988/89. Tendo conseguido destacar-se nessa temporada de estreia na 1ª divisão, o regresso ao FC Porto seria visto como um justo prémio para tão excelsas exibições. Após a entrada no plantel “azul e branco”, o médio teria que, de seguida, enfrentar algumas dificuldades de adaptação. Dando de caras com a concorrência de elementos como Semedo, ou até mesmo a de Madjer, as oportunidades que conseguiria conquistar durante as duas épocas passadas com os “Dragões”, seriam poucas. Ainda assim, o saldo desse período seria positivo, com 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça a dar cor ao seu palmarés.
A mudança para o Salgueiros em 1991/92, daria início à mais prolífera parte da sua carreira. Tendo Paranhos representado 7 anos no seu percurso profissional, seria aí que conseguiria mostrar, em toda a plenitude, os seus melhores atributos. Médio de fino recorte, as suas exibições eram plenas de técnica, capacidade de passe e visão de jogo. Gostava de posicionar-se, mormente em funções de transição ofensiva, entre o centro do terreno e o lugar de “10”. Tirando raras excepções, o atleta acabaria por reservar uma posição no “onze” titular. A sua entrada para o clube coincidiria também com a presença do emblema portuense nas competições europeias. Nessa eliminatória contra o Cannes, onde ainda pontuava Zinedine Zidane, Abílio participaria nas duas mãos.
Apesar de ter sido o Salgueiros o emblema mais figurativo da sua carreira, outros também preencheriam o seu espaço nessa caminhada. Primeiro, e representando 1 ano sabático na sua ligação ao Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro, surgiria o Belenenses. Depois e consumado o divórcio com os de Paranhos, viriam Campomaiorense, Desportivo das Aves e o regresso ao Leixões. Na colectividade de Matosinhos, numa altura em que as 13 temporadas consecutivas no escalão máximo do futebol português precediam a sua entrada pela 2ª divisão “B”, Abílio viveria mais um momento histórico. Num plantel recheado de talentos, casos de Antchouet, Besirovic ou Detinho, e com o treinador Carlos Carvalhal a dar os primeiros passos, o grupo conseguiria a proeza de chegar à final da edição de 2001/02 da Taça de Portugal.
Aliás, não seria um, mas vários os momentos marcantes que viveria nessa passagem pelo Leixões. Nesse sentido, é impossível desassociar a experiência vivida no Estádio do Mar, da presença na Supertaça e a disputa da Taça UEFA na época seguinte à presença no Estádio do Jamor. Para completar tudo isso, e a meio dessa segunda temporada, o médio seria convidado a ocupar o lugar deixado vago por Carlos Carvalhal. Começaria aí a sua carreira de treinador que, logo na estreia, contaria com uma subida de escalão. Daí em diante, o antigo futebolista manteria a ligação à modalidade. Nem sempre como técnico, tendo desempenhado funções de “olheiro” e até de Presidente do Sport Canidelo, Abílio tem vogado principalmente pelos patamares inferiores do nosso desporto.

978 - SIMÕES

Apesar da curta passagem pelo Sporting, o percurso formativo de Simões dever-se-ia às “escolas” da Académica de Coimbra. Na temporada de 1969/70 é promovido à equipa principal, mas a presença de atletas com mais experiência, tais como Rui Rodrigues ou Carlos Alhinho, empurrariam o jovem defesa para um segundo plano.
Mesmo não conseguindo assegurar um lugar como titular, as qualidades que exibia seriam suficientes para que os treinadores responsáveis pela equipa quisessem mantê-lo no grupo de trabalho. Juca, técnico que o tinha promovido dos juniores, seria o mesmo que, já na campanha de 1971/72, começaria a chamá-lo ao “onze” inicial. Com a troca de treinadores e a entrada de Fernando Vaz, Simões não teria problemas em manter a sua importância no seio do plantel. Aliás, e após uma descida de divisão, o defesa central seria um dos esteios na campanha de promoção ao escalão máximo português.
O regresso à 1ª divisão serviria para consagrar Simões como um dos melhores a actuar na sua posição. O bom desempenho conseguido nessa temporada de 1973/74, seria o móbil para que emblemas de outra monta começassem a cobiçá-lo. FC Porto, que atravessava um longo jejum no Campeonato perfilar-se-ia como o melhor candidato à sua contratação e no começo da época seguinte já o atleta vestia de “azul e branco”.
No FC Porto, apesar de um arranque um pouco “envergonhado”, Simões estrear-se-ia logo em Setembro de 1974. Depois de pela Académica já ter participado nas competições europeias, seria a Taça UEFA e o Wolverhampton Wanderers a apadrinhar os seus primeiros passos de “Dragão” ao peito. Porém, muito mais que a participação nas provas continentais, a sua entrada na nova equipa seria sinónimo de troféus. Com os “Portistas” há 19 anos sem vencer o Campeonato, os triunfos ganhos em 1978 e em 1979 serviriam para colorir o seu palmarés. Como aperitivo a essa dupla vitória, a Taça de Portugal de 1976/77 também acabaria nos escaparates do clube. Para terminar, a conquista da edição de 1981/82 da Supertaça Cândido de Oliveira e a certeza que a passagem pela “Cidade Invicta” acabaria por ser o período mais importante do seu percurso profissional.
As nove épocas passadas no FC Porto não resultariam apenas em troféus. Seria também durante essa altura que Simões encetaria trabalhos na principal selecção “lusa”. O defesa, que já tinha amealhado algumas chamadas aos sub-18 nacionais, estrear-se-ia, pela mão de Mário Wilson, com a mais importante “camisola das quinas”. Após essa partida frente à Noruega, conseguiria mais 12 internacionalizações “A”. Seria entre Novembro de 1979 e Dezembro de 1981, cruzando duas fases de qualificação, que o atleta viveria o seu trajecto com as cores seniores de Portugal.
O derradeiro capítulo da sua carreira, numa história de 20 anos como sénior, vivê-lo-ia entre o Portimonense e a Académica. No Algarve, ao lado de Vital, Barão, Skoda, Cadorin, Nivaldo ou Freire, faria parte da mítica equipa que, na temporada de 1985/86 disputaria a Taça UEFA. No regresso à sua Coimbra natal, ainda viveria mais uma descida do clube. Na época seguinte acompanharia a “Briosa” no escalão secundário para, no final dessa campanha de 1988/89, pôr um ponto final na vida de futebolista.
Após deixar os relvados Simões continuaria ligado ao futebol. Como treinador faria a sua carreira pelos escalões secundários. Destaque pela sua passagem por alguns históricos do futebol nacional, casos de Académico de Viseu, Tirsense ou Campomaiorense.

977 - PETER BARRY

Veiculam-nos alguns sítios na “internet”, sem que tenha conseguido corroborar tal informação, que Peter Stuart Barry terá chegado ao Marítimo vindo do Manchester City. Se assim foi, também é fácil atestar que o avançado só poderá ter vestido a camisola do clube inglês nas categorias inferiores e nunca no conjunto principal. Outra verdade que contam é que, quando aterrou na Madeira para integrar o plantel de 1977/78, já o atleta tinha 22 anos. O que terá acontecido antes dessa transferência, anos de formação incluídos, é, pelo menos para mim, outro mistério.
Já no que à sua passagem por Portugal diz respeito, as passadas são fáceis de seguir. No Marítimo acabaria por viver uma das páginas históricas do conjunto insular. Nessa 1ª temporada na 1ª divisão, estreia para o clube e para o jogador, à adaptação a uma realidade competitiva diferente faria com que poucas vezes fosse escolhido para entrar em campo. Já no regresso aos “Verde-rubro”, depois de uma temporada no Nacional da Madeira, as coisas acabariam por melhorar um pouco. Mais de duas dezenas e meia de partidas disputadas e uma mão cheia de golos fariam com que Peter Barry conseguisse destacar-se dos seus colegas.
Esse protagonismo abrir-lhe-ia as portas para uma das equipas que, na passagem para os anos 80, começaria a crescer. O Portimonense seria o clube seguinte na carreira do ponta-de-lança. Orientado por Manuel de Oliveira, um dos seus treinadores na segunda passagem pelo Marítimo, a época de 1980/81 voltaria a correr positivamente. No que aos números diz respeito, e com a equipa a terminar ligeiramente abaixo do meio da tabela classificativa, Peter Barry cotar-se-ia como um dos atletas mais utilizados. No entanto, e quando a lógica parecia alimentar o prolongamento da ligação entre jogador e clube, a separação dá-se.
Curiosamente, na nova aventura, Peter Barry voltaria a cruzar-se com dois dos seus antigos treinadores. Na União de Leiria seria, mais uma vez, conduzido por Pedro Gomes (1º técnico no Marítimo) e, a partir da 10ª jornada desse Campeonato de 1981/82, por Manuel de Oliveira. Porém, e ao contrário do que começava a ser a norma da sua carreira, a temporada no conjunto da “Cidade do Liz” acabaria por não correr como esperado. Para além de pouco jogar, o inglês vê também o clube a terminar a referida campanha no último lugar da classificação.
No que restaria da sua passagem por Portugal, o avançado ainda teria tempo para escrever o seu nome na história de outro emblema nacional. No Desportivo de Chaves, após uma passagem de 2 anos pelo Leixões, Peter Barry faria parte dos grupos de trabalho que levariam o emblema transmontano à promoção e, já na temporada de 1985/86, à estreia na 1ª divisão.
Essa temporada de regresso ao escalão máximo do futebol português, coincidiria com os últimos registos da sua presença no nosso país. A idade que tinha à altura do “divórcio” com a colectividade flaviense, deixa adivinhar que o atacante até poderá ter dado seguimento à sua carreira desportiva. No entanto, o rumo que o jogador deu à sua vida depois dos 31 anos é, mais uma vez, uma incógnita. Resta-me apelar aos nossos leitores que, encarecidamente, preencham as lacunas nesta pequena biografia.

976 - MALCOLM ALLISON

O seu amor ao futebol foi enorme. Conta-se que ao fazer o exame de admissão para uma escola onde a modalidade principal era o “rugby”, decidiu fazer tudo para chumbar. Conseguiu! Alcançou tão teimoso objectivo, tal como calcorreou o seu trilho desportivo. Allison era um poço de perseverança. Muitas vezes utilizando caminhos excêntricos, a verdade é que era, acima desse exotismo que tantas vezes propagandeava, um homem focado nas suas metas profissionais. Tornou-se, emergindo como um ídolo “pop”, num ícone dos relvados. Como treinador, e apesar da fama de insurrecto, muitos testemunharam a seu favor. Na memória daqueles que com ele conviveram, ficou a máxima de que a autonomia era sinónimo de dever.
Começou no Charlton onde, na temporada de 1945/46, faz a sua estreia como sénior. Com o final da 2ª Guerra Mundial, a porta do desporto abre-se novamente para o jovem praticante que, desse modo, passa a dedicar-se à sua grande paixão. No entanto, a experiência no emblema do sudeste de Londres não seria assim tão prolífera. Sem conseguir adaptar-se, Malcolm Allison atravessa diversas campanhas sem conquistar grandes oportunidades. Ao fim de meia dúzia de épocas, e com um registo pequeno no número de partidas disputadas pela equipa principal, o defesa decide trocar de emblema.
Muda-se para o West Ham, não sem antes criticar publicamente os técnicos do Charlton pelos métodos de treino ultrapassados. A transferência para os “Hammers” rapidamente traz os seus resultados. Allison, o excendentário, transforma-se num dos principais elementos do novo clube. No centro da defesa, conquista a fama de jogador esforçado e que raramente cometia um erro. Ainda assim, onde mais brilhava era fora do campo. Alvo preferido dos tablóides, Malcolm fica conhecido pelas suas extravagâncias. O gosto que tinha pelos chapéus “Fedora”, os charutos e champagne que regularmente consumia, só seriam ultrapassados em popularidade pelas suas inúmeras relações amorosas.
Curiosamente, o seu comportamento extra desporto em nada alterava o seu desempenho futebolístico. O central continuava a ser um elemento importante para a equipa, com exibições condizentes com o seu estatuto. Infelizmente, e quando ainda tinha muito para a dar à modalidade, o infortúnio bate-lhe à porta. Atacado ferozmente por tuberculose, a Malcolm Allison é-lhe retirado um pulmão. Após a intervenção ainda tenta regressar à competição, mas as limitações impostas pela cirurgia acabariam por pôr um fim à sua carreira desportiva.
Os tempos seguintes revelam uma pessoa agastada pela infelicidade vivida. Passa a dedicar-se a outos negócios, sem, contudo, conseguir esquecer o futebol. Alguns anos volvidos sobre o seu afastamento e o convite dos amadores do Romford trazem Malcolm Allison de volta à competição. “Sol de pouca dura”, mas o suficiente para fazer renascer nele a vontade de, mais uma vez, ligar-se à modalidade. A oportunidade surgiria logo de seguida e, na temporada de 1963/64, o antigo defesa abraça as tarefas de técnico.
Nas novas funções, Malcolm Allison transforma-se num saltimbanco. Nesse longo trajecto, começa no modesto Bath City. No estrangeiro, onde tem diversas experiências, treina os canadianos do Toronto FC, o Galatasaray, a selecção do Kuwait e, em Portugal, 3 equipas diferentes. Em Inglaterra vive os melhores momentos da sua carreira no Manchester City e no Crystal Palace. Nos “Citizens” passa a ser adjunto de Joe Mercer, com o qual faz uma dupla inesquecível. Vencem a Liga em 1967/68, a Taça de Inglaterra e o Charity Shield em 1968/69. No ano seguinte, num plantel que contava com Mike Summerbee, Colin Bell ou Francis Lee, conquistam a Taça dos Vencedores das Taças e a Taça da Liga.
A sua ida para o Crystal Palace, já depois de ter assumido o cargo de treinador principal no Manchester City, leva-o, muito mais do que aos troféus, a uma nova polémica. Certo dia, depois de administrar um treino, convida uma estrela porno para entrar no balneário da equipa e juntos tomarem banho. Para registar tal ocorrência, os dois intervenientes principais fizeram-se acompanhar da imprensa que, desse modo, fotografaram o episódio. Quem não gostou nada das imagens foram os responsáveis da “Football Association”, que não tardaram em castigá-lo e afastá-lo das suas actividades profissionais.
Outra boa fase que passou como treinador foi em Portugal. Ao Sporting chega para a temporada de 1981/82 e faz a “dobradinha”. Contudo, nem as vitórias no Campeonato e Taça pareceram suficientes. Na pré-época seguinte acaba despedido. Diz-se que foi tramado pela pretensão do Presidente João Rocha, em conluio com alguns empresários, de trazer para os “Leões” o jugoslavo Josef Venglos. As razões dadas publicamente seriam outras e técnico inglês seria dispensado sob a acusação de conduta imprópria.
O resto da sua ligação ao futebol foi mais modesta. Tempo ainda para o regresso a Portugal, onde treinou Vitória de Setúbal e Farense.

975 - VASCO MATOS

Com a formação tripartida entre os Aliados da Brandoa, Estrela da Amadora e Sporting, desde muito novo que Vasco Matos mostraria ter habilidade para o futebol. Corajoso, com uma técnica acima da média e uma vontade enorme para fazer golos, o atacante destacar-se-ia em todos os emblemas da sua juventude. Já a jogar em Alvalade, estádio onde estava habituado a ir com o pai, começaria a ser chamado aos trabalhos das jovens selecções portuguesas. Os sub-15 e os sub-17 “lusos” acabariam por sublinhar o sucesso que muitos já tinham como certo para o seu futuro. No entanto, a transição para o patamar sénior revelar-lhe-ia uma realidade nova e o extremo passaria por algumas dificuldades de adaptação.
Tendo evoluído ao lado de nomes como Simão Sabrosa, Marco Caneira ou Ricardo Quaresma, por altura da transição para sénior, Vasco Matos não teria a mesma sorte que estes seus colegas. Sem lugar na equipa principal, segue, a par de Hélder Rosário ou Vasco Faísca, para o “satélite” Lourinhanense. No emblema do Oeste, tendo aí chegado para a temporada de 1999/00, o extremo conseguiria destacar-se pelas boas exibições. Merece igual distinção na campanha seguinte, ao vestir as cores do Sporting “B”. Ainda assim, a sua integração na primeira equipa leonina seria, mais uma vez, adiada. Seguir-se-ia, por empréstimo, o Campomaiorense e o encontro com um treinador que, nos seus primeiros anos de profissional, marcaria a sua carreira.
Diamantino Miranda, ilustre figura do Benfica e da Selecção Nacional, recebê-lo-ia no Alentejo. Mesmo que essa época tenha marcado o fim do futebol profissional em Campo Maior, em termos evolutivos a dita campanha de 2001/02 seria positiva para o jogador. A passagem pela Divisão de Honra, abrir-lhe-ia as portas do patamar máximo do nosso futebol. O Vitória de Setúbal, onde a meio da temporada voltaria a ter o antigo atleta da “Águias” como treinador, seria o emblema que apadrinharia a sua estreia. Findo esse ano, e com a despromoção dos “Sadinos”, novo emblema para Vasco Matos, mas, mais uma vez, o treinador já aqui referido.
A ida para o Felgueiras representaria o seu afastamento da 1ª divisão. Desde esse momento, e com raras excepções, os escalões secundários passariam a ser a sua montra. Beira-Mar e, numa aventura pelo estrangeiro, o Rapid Bucaresti seriam essas prerrogativas. Na Roménia, acima do que foram os ganhos desportivos dessa meia temporada, Vasco Matos viveria muitas histórias rocambolescas – “Lembro-me que fomos jogar ao Cluj, que estava a lutar pelo título com o Steaua, rival do Rapid, e a administração informou o plantel que o Steaua dava 10 mil euros a cada jogador para ganharmos ao Cluj. A dada altura o Sapunaru, que depois esteve no FC Porto, levantou-se aos gritos. Disse que não podíamos ganhar ao Cluj, que o Steaua não podia ser campeão. Ele era todo rapidista. Steaua nem pensar. Perdemos 1-0, e curiosamente o golo foi uma bola nas costas do Sapunaru, mas ele fez um bom jogo (…). Uma vez fomos jogar a Buzau e um diretor estava em campo com uma pistola, para dar outro exemplo (…). Uma vez, num Rapid-Dinamo, estamos a ir para o estádio e o autocarro fica parado por causa da claque do Dinamo que estava a passar. Às tantas o treinador sai e começa a ir a pé para o estádio”*.
Portimonense, Desportivo das Aves, Benfica de Castelo Branco e Vilafranquense seriam os emblemas que colorariam a última parte da sua carreira como futebolista. Tendo posto um ponto final nesse trajecto em 2016, logo de seguida surgiria a possibilidade de encetar a sua vida como treinador. Numa caminhada que ainda é curta e que como técnico principal vai apenas na 3ª temporada, Vasco Matos é por esta altura o homem do momento. A razão? Muito simples! A eliminação do Sporting na 3ª ronda da Taça de Portugal, por parte do Alverca, conjunto do Campeonato Nacional de Seniores que orienta desde o início desta campanha de 2019/20.

*retirado da entrevista dada ao https://maisfutebol.iol.pt, conduzida por Nuno Travassos e publicada a 15/10/2019