1042 - LOURENÇO

Formado nas “escolas” do Ginásio de Alcobaça, Lourenço, ainda como atleta do emblema da sua terra natal, começaria a demonstrar ser um dos grandes talentos da sua geração. Aliás, ainda antes de ser promovido a sénior, já o avançado-centro entrava nas contas da Federação Portuguesa de Futebol. Parte integrante da selecção, o atacante seria chamado a participar no Torneio Internacional de Juniores da UEFA, organizado em 1960, na Áustria.
Sendo um avançado com boa técnica, sentido posicional apurado e, fosse de cabeça ou com qualquer um dos pés, dono de uma finalização mortífera, a elegância que apresentava dentro de campo dava a adivinhar voos bem altos para a sua carreira. Nesse sentido, não tardaria muito até que nova oportunidade surgisse no seu percurso competitivo. Após a estreia na equipa principal do Ginásio de Alcobaça, que em 1960/61 militava na 3ª divisão, surgiria a Académica como principal interessada na sua contratação.
A mudança para Coimbra, logo na temporada seguinte à sua elevação a sénior, em nada assustaria o ponta-de-lança. Nem mesmo a presença de praticantes mais experientes, como Gaio ou Rocha, haveria de demover o jovem atleta na luta por um lugar na equipa. Ao fim de pouco tempo, já era um dos nomes com presença habitual nas fichas de jogo. Na campanha seguinte, com a “Briosa” a quedar-se apenas pelo 10º lugar, mais uma prova do seu valor. Num pódio que contaria com o vencedor José Torres e ainda com Eusébio, Lourenço conseguiria, à custa dos seus 24 golos, o 2º posto na classificação dos Melhores Marcadores do Campeonato Nacional.
A sua saída para o Sporting, para integrar o plantel de 1964/65, acabaria por ser vista como o passo normal para uma carreira em evolução positiva. Apesar de um começo um pouco apagado, seria ainda sob o comando de Jean Luciano que o avançado faria a estreia na equipa principal. Depois dessa partida à 8ª jornada, a dispensa do treinador francês levaria a que Lourenço passasse a ser utilizado com bastante mais frequência. A bem dizer, a partir desse momento, o ponta-de-lança conquistaria o estatuto de titular. A grande curiosidade é que, por razões difíceis de entender, a sua passagem por Alvalade jamais seria consensual. Nem sempre amado pelos adeptos, houve no entanto um episódio do qual sairia sob aplausos generalizados. Falo do mítico “poker” conseguido na temporada de 1965/66, em plena “Luz”.
As grandes exibições de Lourenço, que, em abono da verdade, seriam um dos pilares da vitória leonina no Nacional de 1965/66, tornar-se-iam na principal motivação para a sua integração na comitiva que iria disputar o Mundial de 1966. Convocado aos “Magriços” por Manuel da Luz Afonso, Lourenço acabaria por nunca ser chamado a jogo pelo treinador Otto Glória. Muito mais do que uma infelicidade, a falta de minutos no torneio organizado em Inglaterra tornar-se-ia numa injustiça. Pior ainda, pior do que não ter entrado em campo no Campeonato do Mundo, ficaria a mágoa de, durante uma carreira de excelência, nunca ter conseguido disputar qualquer peleja pela principal selecção portuguesa.
Porém, números houve que, para além de qualquer desaire ou contestação, entregariam Lourenço ao estatuto de estrela. Um desses registos seriam os golos marcados com as cores do Sporting, nas competições continentais. O recorde da altura, ultrapassado apenas por Manuel Fernandes e Liedson, seria uma dessas marcas. Depois, temos também os títulos. Nesse capítulo, e tendo o avançado grande peso nas suas conquistas, aparecem no seu palmarés 2 Campeonatos e 1 Taça de Portugal.

1041 - SANTOS


Começando por destacar-se nas “escolas” do Brasília e nas selecções jovens do Distrito Federal, a sua evolução mostraria um atleta cheio de predicados. Veloz, com boa técnica e com extinto suficiente para, inúmeras vezes, conseguir destacar-se na tabela dos goleadores, a sua estreia nos seniores aconteceria, ainda com Marcílio Santos em idade júnior, no decorrer da campanha de 1981. Os anos seguintes acabariam por mostrar um atleta bem adaptado à competição profissional. Já como um dos pilares da equipa da capital, o avançado, entre 1982 e 1984, ajudaria à conquista de 3 campeonatos estaduais consecutivos. Aliás, a sua importância seria enorme. Para o aferir, ficaria também o registo de 23 golos e que levá-lo-ia a ganhar o título “regional” de Melhor Marcador.
Em 1984 dar-se-ia a sua mudança para o Vasco da Gama. Com uma estreia auspiciosa, na qual ajudaria a vencer a Taça Rio, a sua passagem pelo emblema fundado por portugueses acabaria aquém do esperado. No Rio de Janeiro deparar-se-ia com uma forte concorrência para as posições do sector ofensivo. Nem mesmo a sua polivalência, que permitia ao atleta jogar no centro ou nas alas do ataque, ser-lhe-ia favorável na hora de conquistar um lugar no “onze”. Com Roberto Dinamite, Mauricinho e um jovem Romário a colherem a preferência dos técnicos, Santos nunca conseguiria passar de escolha secundária. Ao fim de, sensivelmente, 2 anos e meio, tal contexto levaria o futebolista a procurar novas oportunidades. Um curto empréstimo à Portuguesa de São Paulo, precederia a sua primeira experiência no estrangeiro e a sua chegada a Portugal.
Santos acabaria por reforçar o plantel de 1987/88 do Sporting de Braga. Sendo um jogador habilidoso, a sua integração ocorreria com normalidade. Ao contrário do que tinha acontecido no Vasco da Gama, o avançado conseguiria impor-se como um dos atletas mais influentes do plantel bracarense. No Minho, mesmo com o colectivo a quedar-se por classificações de meio da tabela, o atacante disputaria 4 temporadas de bom nível. Tendo isso em conta, a sua mudança para o Desportivo de Chaves não deixaria de ser uma surpresa. Estranheza também emergiria com os seus desempenhos em Trás-Os-Montes. Aliás, essa campanha de cariz mais pobre tornar-se-ia na última disputada por si na 1ª divisão.
União de Leiria, Peniche e Naval 1º de Maio acabariam por preencher a segunda metade dos 10 anos passados pelo avançado em Portugal. No regresso ao Brasil, tempo ainda para, com as cores do Gama, conseguir amealhar outro título de Campeão do Distrito Federal. Seguir-se-iam, sempre no mesmo estado, o Guará e o Dom Pedro II. Seria mesmo nesse último emblema que, ao pôr um ponto final na sua caminhada como futebolista, tentaria iniciar a carreira de treinador. Apesar de não ter durado muito tempo a experiência como técnico, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Fundaria uma escola, a Cruzeirinho, e passaria a dedicar-se à formação de jovens talentos.

1040 - MARCO FREITAS

Nascido em Angola, a mudança da sua família para a Ilha da Madeira permitir-lhe-ia dar os primeiros passos no futebol. Ainda em idade adolescente, ligar-se-ia às escolas do Machico. Porém, as boas prestações rapidamente levariam o Nacional a contratá-lo. Nesse sentido, seria nos escalões jovens da equipa funchalense que o médio acabaria por terminar a etapa formativa. Curiosamente, e por altura da subida a sénior, um empréstimo levá-lo-ia a voltar ao primeiro emblema. A cedência, sempre a pensar na sua evolução competitiva, dar-lhe-ia o traquejo necessário para singrar no regresso aos “Alvi-negros”. Mesmo a competir na divisão de Honra, Marco Freitas conseguiria chamar a atenção de colectividades primodivisionárias. Depois de 4 temporadas nos patamares secundários, o Vitória de Guimarães chegaria ao seu trajecto profissional e a mudança para o Minho acabaria por catapultar a sua carreira.
A chegada à “Cidade Berço” na temporada de 1995/96, levaria o “trinco” a viver os melhores anos da sua caminhada profissional. Com um começo ainda ofuscado pela presença de atletas mais experientes, a mudança de treinador viria a alterar esse panorama. A contratação de Jaime Pacheco, faria com que Marco Freitas passasse de suplente para um dos atletas mais utilizados no plantel. Com isso, transformar-se-ia num dos pilares das boas classificações conseguidas pelo emblema minhoto nesse ano e nas campanhas seguintes. A participação do médio-defensivo nas competições europeias e, principalmente, os lugares cimeiros na tabela classificativa do Campeonato, levariam clubes de outra monta a olhar para si como um bom reforço.
Sendo um atleta de características essencialmente defensivas, mas que, por razão do seu bom remate, também gostava de subir no terreno de jogo, não causaria qualquer surpresa o surgimento do interesse do Benfica. No entanto, a mudança para a “Luz” não traria ao atleta as vantagens prometidas. Depois de cumprir a pré-época de 1998/99 com as “Águias”, o treinador Graeme Souness decidiria emprestá-lo ao Alverca. Já a chegada ao comando técnico do alemão Jupp Heynckes, daria ao jogador nova esperança. A verdade é que, mesmo integrado no plantel, Marco Freitas nunca conseguiria tornar-se numa opção válida. Pouco jogaria na temporada de 1999/00 e, finda a dita campanha, regressaria ao emblema sediado no Ribatejo.
A carreira de Marco Freitas, daí em diante, acabaria por decrescer em qualidade. Mesmo mantendo-se na 1ª divisão, a sua passagem pelo já referido Alverca e, posteriormente, pelo Salgueiros, revelaria o atleta longe das exibições que, em anos anteriores, o tinham posto num lugar de destaque. Aliás, seria ao serviço do emblema de Paranhos que o médio voltaria aos escalões secundários. A excepção a esse progressivo ocaso, surgiria com a sua primeira internacionalização. Depois de, muitas vezes, ter sido veiculada a sua integração nos trabalhos da selecção portuguesa, o “trinco” acabaria por vestir as cores do seu país natal. Tendo a sua estreia por Angola acontecido em 2001, o jogador representaria a nação africana ainda por mais 2 vezes.
Felgueiras, e na volta à Madeira, o Pontassolense e o Machico, tornar-se-iam nos derradeiros emblemas do seu trajecto desportivo. Em abono da verdade, o fim da sua ligação ao futebol não aconteceria na temporada de 2007/08. Existem, após alguns anos de interregno, registos do seu regresso. Em 2011/12, sem que tenha conseguido confirmar fidedignamente tal informação, Marco Freitas ligar-se-ia aos amadores do Porto da Cruz como “Massagista-Jogador”!!!

1039 - VIRGÍLIO

Jimmy Hagan lançá-lo-ia no patamar sénior, no decorrer da derradeira ronda de 1976/77. Depois de terminar a formação no Sporting e, por razão dos bons desempenhos, ter também chegado às jovens selecções portuguesas, o técnico inglês decidiria ser a altura certa para Virgílio ter a primeira oportunidade no conjunto principal. A promoção acabaria por não ter continuidade na temporada seguinte. Mesmo sendo um atleta polivalente, e com isso almejar a mais chances, a presença no plantel de jogadores mais experientes determinaria o ocaso do jovem futebolista. Para contrariar tal tendência, e sempre com a sua evolução em mente, o seu empréstimo acabaria por ser equacionado. A cedência, depois da vitória na Taça de Portugal de 1977/78, aconteceria na campanha seguinte e levá-lo-ia até ao Minho.
Os 3 anos passados no Famalicão representariam para o jovem praticante uma evolução notável. Com o treinador Mário Imbelloni como o primeiro impulsionador desse seu crescimento, Virgílio passaria a jogar com grande regularidade. Mesmo com os 2 últimos anos a ser disputados no escalão secundário, os sinais dados pelo atleta dariam azo ao seu retorno a Alvalade. De volta ao Sporting, o jogador, que até então tinha ocupado posições mais recuadas, passaria a preencher a posição de médio-defensivo. Num meio-campo musculado, ao lado de Ademar e Nogueira, tornar-se-ia num dos principais pilares da estratégia montada por Malcolm Allison. Logo na campanha do seu regresso, a de 1981/82, o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal dariam mais cor ao seu currículo. Na época seguinte, e com a Supertaça a engrossar o seu palmarés, chegaria a vez da primeira internacionalização “A”.
Com as cores de Portugal, e mesmo tendo em conta a passagem por diversos escalões, o seu trajecto ficaria aquém da sua qualidade. Depois da chamada de Otto Glória, e que, num particular frente à França, levá-lo-ia à estreia no principal conjunto das “quinas”, o seu trajecto com as cores de Portugal teria apenas mais 2 participações. Tendo ambas acontecido na Fase de Qualificação para o Mundial de 1986, a falta de mais presenças na referida etapa de apuramento acabaria por afastá-lo do torneio organizado no México. Na verdade, essa não seria a única razão para a sua exclusão da lista de convocados para o Campeonato do Mundo. Com rigor, a temporada de 1985/86 seria uma das menos produtivas da sua carreira. Aliás, essa campanha acabaria por marcar um certo declínio exibicional.
Tendo perdido alguma preponderância na equipa, a sua saída em 1988, acabaria por ser encarada com uma certa naturalidade. O Sporting de Braga tornar-se-ia, desse modo, no último capítulo do seu trajecto como futebolista. No Minho passaria duas temporadas, mas já longe do nível exibicional que o tinha notabilizado na primeira metade da década de 80. Com a entrada nos anos 90, o antigo jogador decidir-se-ia pelo fim da sua carreira. Durante mais de duas dezenas de anos, viveria um certo recato. No entanto, o seu afastamento terminaria com a primeira candidatura de Bruno de Carvalho à Presidência do Sporting. Depois das primeiras eleições perdidas, a segunda tentativa resultaria na eleição do já referido dirigente. Com isso, Virgílio passaria a desempenhar um cargo na estrutura leonina, ocupando o lugar de Director da Academia. Já esta temporada (2019/20), a convite do Torreense, o antigo internacional português seria nomeado para Director Geral do Futebol.

1038 - JORGE FERREIRA

Seria ainda como atleta do Barreirense, emblema onde terminaria a sua etapa formativa, que o jovem defesa começaria a dar nas vistas. Mesmo a disputar a 2ª divisão, as características de Jorge Ferreira permitir-lhe-iam exibições com qualidade suficiente para que da Federação Portuguesa de Futebol quisessem a sua presença nas camadas jovens. Depois de, como júnior, envergar a “camisola das quinas” no Europeu de 1984, a sua chamada aos sub-21 levá-lo-ia, na edição de 1987, a participar no afamado Torneio de Toulon.
Já na categoria principal do conjunto da cidade do Barreiro, onde chegaria na temporada de 1984/85, o central jogaria durante 4 campanhas. Ao conseguir ser um dos titulares da equipa e mantendo-se nas convocatórias das jovens selecções portuguesas, a única surpresa seria o tempo que acabaria por demorar a chegar ao patamar máximo do nosso futebol. Teria que esperar pelo “defeso” de 1988 para que no Vitória de Setúbal consumasse essa meta.
A mudança para a capital de Distrito levá-lo-ia à melhor fase da sua carreira. Mesmo com a concorrência de experientes colegas como Edmundo, Eurico ou Zezinho, Jorge Ferreira conseguiria conquistar o seu espaço no plantel. Como central ou, por vezes, a competir um pouco mais avançado no terreno, o atleta continuaria a ser visto como um jogador de topo. Aliás, muito mais do que alicerçar-se como um futebolista primodivisionário, o defesa, durante a sua estadia na margem direita do Sado, chegaria ao estatuto de internacional. Depois do percurso já feito como as cores lusas, em Agosto de 1989, o atleta conquistaria a sua primeira internacionalização “A”. Com a estreia, num particular frente à Roménia, a acontecer no Estádio do Bonfim, a essa primeira convocatória seguir-se-iam mais 3 chamadas por Portugal.
Com a despromoção dos “Sadinos” no final de 1990/91, e com a impossibilidade do regresso da equipa ao principal patamar do nosso futebol, dar-se-ia a transferência de Jorge Ferreira para o Sporting de Braga. A ida para o Minho em nada afectaria as suas exibições. Mais uma vez como um dos elementos importantes do “onze”, a sua passagem pelos “Arsenalistas” traria ao seu percurso profissional mais 4 campanhas na 1ª divisão. Curiosamente, seria a ida para o Campomaiorense que permitiria algo inédito na sua carreira. Com os Alentejanos a conseguirem uma progressão fantástica na edição de 1998/99 da Taça de Portugal, o central também ajudaria a conquistar a presença no Jamor. Para sua infelicidade, o defesa acabaria por não comparecer no relvado do Estádio Nacional. Pior ainda, terá sido assistir à derrota da sua equipa frente ao Beira-Mar.
A passagem por Campo Maior marcaria o fim da sua história na 1ª divisão. União da Madeira, Alcochetense e, já nos “regionais” de Setúbal, o Quintajense marcariam o derradeiro capítulo do seu percurso enquanto desportista. Apesar de uma duradoura carreira que, em 2008, terminaria já para além dos 40 anos de idade, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Depois de “penduradas as chuteiras”, o antigo internacional ainda experimentaria as tarefas de treinador. De regresso ao Barreirense, em 2009 Jorge Ferreira abraçaria as funções de técnico-adjunto.

1037 - ANTÓNIO MORAIS

Ao ser descoberto no CD Candal, António Morais chegaria ao FC Porto para integrar as camadas jovens do clube. Tendo entrado para a categoria de juniores, o atacante acabaria por provar o sabor da vitória ainda nesse escalão. Depois do referido título de Campeão Nacional, ganho na temporada 1952/53, o primeiro jogo pela equipa principal viria apenas a acontecer na campanha de 1956/57.
Numa equipa recheada de talentos, António Morais nunca conseguiria assumir um plano de grande destaque. Ainda assim, e num grupo que contava com Pedroto, Carlos Duarte, Hernâni, Monteiro da Costa, Eleutério, Acúrsio, Teixeira ou Virgílio, o atleta nunca deixaria de ser visto como um elemento de grande utilidade. Prova disso mesmo, viria a ser a sua continuidade no plantel. Durante 6 temporadas manter-se-ia como um jogador que, mesmo sendo de segunda linha, a espaços ia aparecendo em campo. Essas presenças fariam com que desse a contribuição para a conquista de vários títulos. Nesse sentido, o seu palmarés ficaria colorido com a Taça de Portugal de 1957/58, com o Campeonato Nacional do ano seguinte e ainda com a vitória em 5 Taças da Associação de Futebol do Porto.
Depois de deixar os “Azuis e Brancos”, António Morais ainda vestiria as cores do Sp. Braga e do Tirsense. Em 1966, finda a campanha no emblema sediado em Santo Tirso, o jogador decidir-se-ia pelo fim da carreira enquanto desportista. “Penduradas as chuteiras”, a verdade é que a “reforma” não o afastaria da modalidade. Resultado da sua grande amizade com José Maria Pedroto, o antigo futebolista aceitaria o convite deste para adjuvá-lo no corpo técnico do FC Porto.
Com o primeiro passo dado no regresso às Antas, essa experiência levá-lo-ia a uma carreira de largos anos. Maioritariamente associado ao saudoso “Zé do Boné”, seria injusto não referir os diversos trabalhos que António Morais realizaria longe da alçada daquela que é uma das grandes figuras do universo competitivo nacional. FC Porto, onde venceria a Supertaça e a Taça de Portugal de 1983/84, Vitória de Guimarães, Rio Ave, Sporting e Leixões marcariam, desse modo, o seu trajecto como treinador principal. No entanto, houve dois momentos que, ainda hoje, aparecem como emblemáticos de uma caminhada marcada pela competência e seriedade. Falo, como é lógico da final da Taça dos Vencedores das Taças de 1984 e da sua presença no Euro 1984.
No primeiro dos referidos capítulos, disputada a partida na cidade suíça de Basileia, o FC Porto, ao ser derrotado pela Juventus, perderia o ensejo de estrear-se na conquista de troféus continentais. Já no segundo desses episódios, ao lado de Toni, José Augusto e Fernando Cabrita, António Morais faria parte de uma curiosa Comissão Técnica que orientaria a selecção portuguesa no certame organizado em França. No torneio, o conjunto luso, que fazia a sua estreia na fase final de um Europeu, acabaria por cair apenas nas meias-finais e com uma derrota frente à equipa da casa.

1036 - JUPP HEYNCKES

Logo no ano de estreia como sénior, Jupp Heynckes acabaria por revelar aquilo em que toda a sua carreira de jogador haveria de assentar. Com uma surpreendente marca de 23 golos em 25 jogos, o jovem avançado, na temporada de 1964/65, tornar-se-ia numa das grandes figuras da subida do Borussia Mönchengladbach ao patamar cimeiro da Bundesliga.
Nos anos seguintes, e com os seus registos a segurarem o atleta numa posição de destaque, outros emblemas haveriam de ir no seu encalço. Com o Borussia Mönchengladbach a quedar-se por posições mais modestas na tabela classificativa, o ponta-de-lança decidiria procurar a sua sorte em outro clube. Curiosamente, a sua partida para o Hannover 96 em 1967, marcaria o cerco do seu antigo emblema aos lugares cimeiros da liga alemã. Porém, a separação não duraria assim tanto tempo. Volvidos 3 anos após a desvinculação, Jupp Heynckes voltaria à colectividade onde também tinha terminado a sua formação.
O regresso não poderia ter sido mais oportuno para o jogador. Mais uma vez com Heynckes a destacar-se pelos seus golos, a campanha de 1970/71, naquilo que seria o bi-campeonato para a colectividade da Renânia do Norte-Vestfália, terminaria com o primeiro grande título da carreira do atacante. Nisso de conquistas, a sua caminhada enquanto desportista ficaria bem recheada. A somar ao já referido, ao seu currículo ainda seriam adicionadas mais 3 Ligas, 1 Taça da Republica Federal Alemã e a Taça UEFA de 1974/75. Aliás, as provas continentais seriam um dos grandes palcos do seu trajecto como futebolista. Para além da final vencida aos holandeses do Twente, onde, na 2ª mão, facturaria um “hat-trick”, o ponta-de-lança ainda marcaria presença em mais dois desses momentos decisivos. Infelizmente para si, a Taça UEFA de 1972/73 e a Taça dos Cubes Campeões Europeus de 1976/77 acabariam nas mãos do mesmo clube, o Liverpool.
Também a camisola da “Mannschaft” serviria para adornar uma carreira deveras rica. Com a estreia a acontecer em Fevereiro de 1967, num particular frente a Marrocos, os pontos altos da sua passagem pela principal selecção germânica surgiriam com as presenças no Euro 72 e Mundial de 1974. Em ambas situações, respectivamente nos certames organizados na Bélgica e na Alemanha Ocidental, a sua equipa sairia vencedora. Surpreendentemente, Heynckes, contrariando aquilo seria o seu apanágio, nunca conseguiria concretizar um golo nas fases finais. Mais estranho é esse registo, se tivermos em conta a quantidade de golos conseguidos por si, durante uma caminhada de quase década e meia. Nesse plano é igualmente faustoso o seu palmarés. Com 220 golos na Bundesliga, o antigo avançado é ainda o 3º melhor marcador da história da liga alemã. Nessa senda temos ainda que arrolar os prémios de Melhor Marcador do Campeonato em 1973/74 e 1974/75 e as distinções de goleador máximo na “Champions” de 1975/76, na Taça dos Vencedores das Taças de 1973/74, e nas edições de 1972/73 e 1974/75 da Taça UEFA.
Como treinador a sua carreira não ficaria nada aquém da trilhada enquanto futebolista. Ao trabalhar em diversos países e emblemas, o apogeu vivê-lo-ia na última passagem à frente do Bayern de Munique. Para ser correcto, também a experiência no Real Madrid, num plantel que contava com Carlos Secretário, haveria de ter os seus momentos altos. Nos “Merengues”, apesar de nunca ter conseguido vencer a “La Liga”, haveria de erguer a “Champions” de 1997/98. Curiosamente, seria depois desse sucesso que o Benfica entraria na sua vida. Numa altura muito conturbada da história das “Águias”, a temporada de 1999/00 nada traria de concreto ao seu trajecto. Após algumas partidas na campanha seguinte, João Vale e Azevedo dispensaria o técnico para contratar José Mourinho. A sua estadia em Lisboa, à margem da incontestável qualidade do seu trabalho, terminaria sem glória.
Nada de suficiente para abalar a sua fama. O regresso ao Athletic Bilbao, alguns meses após o despedimento, transformar-se-ia no primeiro passo para devolver o técnico à estrada dos sucessos. Num trajecto que, só na primeira metade, contava também com 8 anos no Borussia de Monchengladbach e 5 épocas e 2 Bundesligas ganhas ao serviço do Bayern de Munique, o retorno à Alemanha traria para si muitos motivos de orgulho. No Schalke 04 venceria 2 Taças Intertoto. Já no derradeiro capítulo vivido com as cores do emblema bávaro, Jupp Heynckes, a somar ao título de Campeão Nacional em 2017/18, só na temporada de 2012/13 arrecadaria a Bundesliga, a Taça da Alemanha e a 2ª “Champions” da sua carreira enquanto grande homem do futebol mundial.

1035 - GERALDÃO

Acabadinho de chegar às “escolas” do Cruzeiro de Belo Horizonte e, por razão da sua alta estatura, o jovem atleta acabaria por ser testado a avançado-centro. A conclusão da tal experiência revelaria que a melhor posição para Geraldão seria mesmo a defesa! Ainda assim, uma das qualidades que tinha levado o seu treinador ao referido ensaio, ser-lhe-ia muito útil para o resto da sua carreira. Bom de pés, o seu remate portentoso acabaria por tornar-se numa arma e em números nada comuns para alguém da sua posição.
Apesar de ter começado a treinar com equipa principal ainda em idade adolescente, só depois de um curioso empréstimo é que o defesa iria conseguir impor-se no conjunto de Minas Gerais. Após uma passagem de 2 anos pelo Al-Arabi, de onde traria o título de campeão do Qatar, o regresso ao Cruzeiro revelaria um atleta de competências superiores. A valentia física, o bom sentido posicional e a aptidão no jogo aéreo levá-lo-iam à titularidade. Em 1984 tornar-se-ia numa das referências do “onze” gaúcho. Nesse mesmo ano, ajudaria a quebrar a hegemonia do Atlético Mineiro, com a conquista do Campeonato Estadual. A façanha voltaria a repeti-la em 1987. Porém, seria o capítulo seguinte na sua carreira que mais títulos traria ao seu palmarés.
Numa altura em que o seu nome começava a ser um dos habituais nas convocatórias para a selecção do Brasil e já com a presença na Copa América de 1987 no horizonte, chega da Europa um novo desafio – “Estava com a selecção brasileira, era o capitão aliás, em Londres a jogar a Taça Stanley Rous. O FC Porto mandou lá alguém ver-me e quando dei por mim já estava a assinar”*. Acercar-se-ia da “Invicta” na temporada seguinte à conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Ao comando dos “Dragões” estava Tomislav Ivic e como concorrentes ao lugar tinha Celso, Lima Pereira, Eduardo Luís e um jovem Fernando Couto. Todavia, nada do que era o contexto vivido nas Antas intimidaria o defesa. Logo nesse ano conseguiria impor-se e acabaria por ser uma pedra basilar na conquista de vários títulos. Aliás, troféus não faltariam ao jogador nos 4 anos de “Dragão” ao peito. A Taça Intercontinental e a Supertaça da UEFA, ambas vencidas na campanha da sua chegada, seriam rematadas pelas vitórias em 2 Campeonatos, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça.
Outra das marcas deixadas pela sua passagem no FC Porto seriam os golos. Com 25 remates certeiros em todas as competições, marca próxima dos 30 conseguidos durante os anos no Cruzeiro, o central tornar-se-ia num fenómeno. Com um remate fortíssimo, os livres directos, fossem lá de onde fossem, eram a sua especialidade. Na retina, e na memória de muitos, ficaria a execução magistral conseguida em Alvalade – “O Domingos sofreu uma falta logo no início do Clássico e lá fui eu. O Ivkovic inverteu a posição normal da barreira, mas eu nem quis saber. Ele pensou que a bola ia para fora (risos). No final fui ter com o Marinho Peres, técnico do Sporting e meu amigo, e disse-lhe isto: «seu Marinho, diz ao goleirão que contra o Geraldão ninguém pode estar preparado. É impossível»”**.
A verdade é que a passagem de Geraldão pelos “Azuis e Brancos” ficaria marcada também por um grande celeuma. Já perto do final do contrato, começariam a surgir os rumores que o jogador já tinha um acordo com as “Águias”. Os responsáveis do FC Porto, convencidos da veracidade das notícias veiculadas, acabariam por afastar o atleta que, entretanto haveria de ser obrigado a um “exílio” no Brasil – “estava na hora de renovar o contrato mas nunca mais falavam comigo. Eu tudo bem, na minha, aliás já tinha uma série de golos no campeonato dessa época quando falhei um penálti com o Salgueiros, num jogo em que ganhámos 3-0. Houve logo quem se aproveitasse para dizer que eu ia assinar contrato com o Benfica no final da época”*.
Geraldão acabaria mesmo por sair, um ano depois da polémica, mas para ficar ligado ao Paris Saint-Germain. Com Artur Jorge ao comando dos gauleses, a contratação do defesa iria reforçar o contingente brasileiro da equipa francesa. Contudo, a experiência ao lado de Ricardo Gomes e de Valdo, nessa temporada de 1991/92, não agradaria ao jogador que acabaria por deixar a Ligue 1. Antes ainda de regressar ao Brasil, naquela que seria a recta final da sua caminhada como futebolista, dar-se-ia a passagem pelos mexicanos do América. Já de volta ao seu país, Grêmio e Portuguesa seriam os emblemas a apadrinhar a sua despedida. As mazelas deixadas por lesões antigas apressariam o seu afastamento dos relvados. Aos 30 anos de idade, o antigo internacional “canarinho” deixaria o desporto para passar a dedicar-se à agricultura. Todavia, as saudades devolvê-lo-iam ao futebol. Como técnico ou director, o seu caminho haveria de levá-lo a agremiações como o Ipatinga, Democrata GV ou CRB Alagoas. Ainda assim, o destaque terá que ir para a sua colaboração com o Marítimo, onde, com um cargo de dirigente, ficaria intimamente ligado às chegadas à Madeira de Ezequias, Léo Lima, Pepe e Alan.

*retirado da entrevista conduzida por Rui Miguel Tovar, publicada em https://ionline.sapo.pt, a 13/06/2013
**retirado do artigo de Pedro Jorge da Cunha, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 29/09/2016

1034 - JOSÉ MARIA GRALHA

Seria impossível não ligar a carreira desportiva de José Maria Gralha aos tempos da fundação do Casa Pia Atlético Clube. No entanto, não seria só como atleta dos “Gansos” que o avançado ficaria associado ao pioneirismo do futebol português. Também na selecção portuguesa, e logo por duas razões distintas, o jogador conseguiria gravar o seu nome na história da equipa nacional.
Vamos por partes. Aquando do nascimento do, também conhecido por, Ateneu Casapiano, José Maria Gralha apareceria logo como um dos atletas da linha da frente. Nesse sentido, e com a fundação do emblema lisboeta a acontecer a 3 de Julho de 1920, o início das actividades futebolísticas ficaria marcado por alguns desafios de cariz amigável. Naquela que acabaria por tornar-se na primeira peleja, o Casa Pia defrontaria a colectividade de onde tinham saído a grande maioria dos seus fundadores, o Benfica. Agendada a partida a 3 de Outubro, o avançado entraria de início no jogo disputado no Campo da Palhavã, contribuindo assim para a vitória por 2-1.
Com arranque dos “Gansos” nas competições oficiais, nomeadamente no Campeonato de Lisboa, José Maria Gralha veria a sua fama ainda mais fortalecida. Apesar da tenra idade – o atleta tinha apenas 15 anos aquando da fundação do clube – a sua habilidade dentro de campo torná-lo-ia num dos nomes inquestionáveis do “onze” inicial. Nesse sentido, a sua presença no conjunto casapiano seria deveras importante para o que viria a tornar-se numa época brilhante.
Mesmo sem grande experiência colectiva, o Casa Pia, por razão da qualidade individual dos seus praticantes, acabaria por triunfar na edição de 1920/21 do “regional” lisboeta. Ganharia igualmente, na disputa entre os vencedores do Norte e do Sul, a Taça 27 de Julho. Já a temporada imediata, e na sequência dos sucessos alcançados, continuaria a trazer novos desafios ao recém-formado conjunto. Com José Maria Gralha a merecer também honras de destaque, o clube continuaria a ser chamado para participar em digressões pelo estrangeiro. Ora, por força das razões já descritas, o capítulo seguinte na carreira do avançado a poucos surpreenderia. Com a União Portuguesa de Futebol, percursora da FPF, criada a 31 de Março de 1914, a marcação do 1º jogo surgiria para 18 de Dezembro de 1921. Para Espanha seguiria uma comitiva onde estariam presentes os melhores futebolistas portugueses. Em Madrid o atacante dos “Gansos” seria um dos elementos escalonados para a 1ª equipa de Portugal. A curiosidade desse episódio é que os seus 16 anos, 9 meses e 4 dias fariam do atacante, até aos dias de hoje, no jogador mais novo de sempre a actuar com a “camisola das quinas”.
Outra particularidade da sua carreira desportiva seria a inclusão numa digressão do FC Porto. Coisa estranha para o futebol actual, a prática, entre os emblemas da altura, era normal aquando das viagens pelo estrangeiro. Assim, ao lado dos seus colegas no Casa Pia, Cândido de Oliveira e Augusto Gomes, José Maria Gralha haveria de vestir de azul e branco. Em Dezembro de 1922, o avançado partiria para Sevilha, para, já após a passagem de ano, disputar mais um par de partidas em Gibraltar.

1033 - FREDERICO

CUF e Barreirense, os históricos emblemas da Margem Sul do Tejo, iriam fazer parte dos primeiros anos da carreira de Frederico. Depois de, na colectividade fabril, ter feito a transição de júnior para sénior e ainda ter conseguido estrear-se na 1º divisão, seria nos rivais que o defesa conseguiria lançar-se no estrelato. Depois de 3 temporadas na equipa principal do primeiro clube, em que as duas últimas seriam vividas no 2º escalão, a campanha de 1978/79 devolvê-lo-ia ao patamar principal. Nos “Alvi-Rubros”, onde a sua titularidade mereceria louvores, o atleta seria orientado por Manuel de Oliveira e pelo bicampeão europeu, o antigo atleta benfiquista José Augusto. Ora, seria exactamente nas “Águias” que o central daria o passo seguinte no seu percurso.
À chegada à “Luz”, Frederico deparar-se-ia com uma grande concorrência. As presenças de Humberto Coelho, Carlos Alhinho, Laranjeira e António Bastos Lopes empurrariam o recém-chegado jogador para uma posição ingrata. Sem conseguir de Mário Wilson as oportunidades que, por certo, desejaria, o defesa quase não jogaria nessa temporada de 1979/80. Porém, e após a entrada nos quadros técnicos do húngaro Lajos Baróti, a frequência com que apareceria em campo aumentaria. Ainda assim, essa assiduidade não seria suficiente para sustentar o atleta nos “Encarnados”. Depois de 4 anos, durante os quais acrescentaria ao seu currículo a presença na final da Taça UEFA de 1983, 2 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e 1 Supertaça, o futebolista trocaria Lisboa pela cidade do Porto.
A mudança do Benfica para o Boavista transportá-lo-ia, arrisco-me a dizer, para a fase mais importante da sua caminhada profissional. É certo que durante os 8 anos passados no Bessa, Frederico não ganharia o que havia conquistado aquando da sua passagem pelo Estádio da “Luz”. Todavia, seria pelos “Axadrezados” que o defesa conseguiria cimentar a sua carreira, passando a ser tido como um dos melhores na sua posição, a actuar em Portugal. Nesse sentido, muito contribuiriam as chamadas à selecção “A”. Depois de, ainda como atleta das “Águias” ter jogado pelos “Olímpicos” de Portugal, seria em Setembro de 1985 que faria a estreia pela principal equipa lusa. Ao tornar-se, na fase de qualificação para o Mundial de 1986, num dos nomes habituais nas convocatórias de José Torres, não surpreenderia ninguém a decisão do “Bom Gigante” de arrolar o central para a disputa da fase final do torneio, organizado no México.
Tendo deixado o Boavista no final da época de 1990/91, e já após ter completado 34 anos de idade, Frederico ainda haveria de dar muito ao futebol. Ainda que um pouco errante, o derradeiro troço no trajecto profissional do defesa, dar-lhe-ia bonitas recordações. Mantendo a sobriedade que sempre caracterizou as suas prestações, o central passaria a emprestar a sua experiência a emblemas como o Vitória de Guimarães, Estrela da Amadora ou Leixões. Sempre como um dos elementos mais importantes dos referidos planteis, a sua preponderância levá-lo-ia a manter-se como um dos titulares. Depois de 1 temporada na “Cidade Berço” e de, na Reboleira, ter disputado o último capítulo na 1ª divisão, o emblema de Matosinhos acabaria por acolher o remate da sua vida como futebolista. A campanha de 1994/95, vivida no Estádio do Mar, marcaria assim o fim de uma carreira que, em termos desportivos e humanos, só poderá ser adjectivada como notável.