1107 - MACHAIRIDIS

Com um percurso que, progressivamente, iria aproximar o jogador dos patamares cimeiros do futebol grego, o Pandramaikos, após aí terminar a formação, tornar-se-ia no primeiro emblema da sua caminhada como sénior. Depois de 3 temporadas a militar nos escalões secundários, as exibições ao serviço do referido emblema levá-lo-iam a merecer a confiança do Xanthi. Já a disputar o escalão máximo helénico, as suas prestações, sempre em crescendo de qualidade, acabariam por elevá-lo ao estatuto de bom intérprete. Como um médio-defensivo de boa compleição física e com uma capacidade de luta bem acima da média, Machairidis (ou Macheridis) depressa entraria na rota dos mais importantes clubes da Grécia.
O passo seguinte encaminhá-lo-ia até à capital do seu país. No AEK de Atenas, muito para além de sublinhar o que vinha a fazer, o “trinco” conseguiria enriquecer o seu currículo com o primeiro título de cariz nacional. Ao assegurar um lugar de destaque na nova equipa, Machairidis em muito contribuiria para os sucessos do colectivo. Com a bela campanha na Taça dos Vencedores das Taças a levar o clube aos quartos-de-final, a vitória na edição de 1996/97 da Taça da Grécia acabaria por embelezar a época da sua chegada aos “Dikéfalos Aetós”.
Outro dos grandes saltos da sua carreira ocorreria com a mudança para o Benfica. Numa altura em que já representava as cores do PAOK, o médio tornar-se-ia numa das figuras de destaque na disputa que, na Taça UEFA de 1999/00, oporia as duas equipas. Surpreendidos com a sua exibição, os responsáveis das “Águias” rapidamente fariam chegar ao emblema sediado em Salónica uma proposta pela aquisição do seu “passe”. Cerca de dois meses depois, Machairidis, num pacote que também envolveria a chegada do egípcio Abdel Sabry, entraria na “Luz” como um dos reforços de Inverno. Mesmo não tendo agradado à grande maioria dos adeptos “encarnados”, a verdade é que o médio grego seria, daí em diante, uma das principais apostas do treinador germânico Jupp Heynckes. Esse facto tornaria ainda mais surpreendente o que viria a passar-se no começo da temporada seguinte. Sem que nada o fizesse prever, o atleta faltaria ao arranque dos trabalhos e daria jus a um diferendo que acabaria por arrastar-se durante largos dias.
Com regresso ao país natal, a sua carreira como que entraria numa espiral descendente. Depois de um empréstimo ao Kalamata, a sua mudança para os cipriotas do Alki Larnaca e as subsequentes passagens por emblemas de menor monta na Grécia, assinalariam os derradeiros capítulos do seu percurso desportivo. Após vestir a camisola do Doxa Dramas e de um interregno competitivo, seriam as cores do Xania que, em 2005/06, apadrinhariam o fim da sua caminhada no futebol.

1106 - TEIXEIRINHA

Ao destacar-se nos juniores do Estoril Praia, Teixeirinha acabaria incluído nos trabalhos das jovens selecções portuguesas. Para além do prémio das chamadas aos escalões de formação da Federação portuguesa de Futebol, nessa mesma temporada de 1977/78, a qualidade dos seus desempenhos seria reconhecido com a estreia na equipa sénior dos “Canarinhos”. Com tão célere escalada, seria o Benfica que rapidamente iria no seu encalço. Porém, a mudança de emblema não traria os resultados esperados. Ainda que ao manter-se como um dos arrolados dos sub-18 da “equipa das quinas”, a dificuldade apresentada durante o período passado com as “Águias” levaria a que o defesa-lateral nunca conseguisse uma oportunidade no conjunto principal “encarnado”.
Depois da temporada passada na “Luz”, o regresso ao conjunto sediado na Linha de Cascais, devolveria o jogador ao normal caminho evolutivo. No seu crescimento, e de forma progressiva, Teixeirinha acabaria por conquistar um lugar no “onze” do Estoril Praia. Todavia, e tendo voltado numa altura em que o clube disputava a 1ª divisão, seria a época seguinte, e a descida de escalão, que levaria o jogador a assumir uma posição na equipa inicial. O final dessa campanha de 1980/81, com nova promoção ao patamar máximo, serviria também para que o defesa começasse a alicerçar-se como um atleta de cariz primodivisionário. Esse estatuto vincar-se-ia ao ponto do lateral começar a ser visto como um dos melhores intérpretes a jogar na sua posição. Após 3 anos de bom nível exibicional, nova oportunidade surgiria na sua caminhada e a mudança para o Algarve traria novos desafios à sua carreira.
A transferência para o Portimonense, no começo da temporada de 1984/85, entregá-lo-ia a outras metas. Com o conjunto do Barlavento em franco crescimento, o defesa tornar-se-ia numa das mais importantes peças da equipa. Ao assumir a titularidade, o lateral, logo no ano da sua chegada, seria um dos principais nomes na excelente caminhada do emblema algarvio no Campeonato Nacional. Com o 5º posto da tabela classificativa a ficar assegurado no final da já referida campanha, o ano seguinte levaria o clube, e o jogador, à estreia nas competições europeias. Na edição de 1985/86 da Taça UEFA, calharia em sorte o Partizan de Belgrado. Com Teixeirinha a ser chamado ao “onze” em ambos os embates, a vitória caseira por 1-0 encheria o coração de todos com a perspectiva de uma possível qualificação para a ronda seguinte. No entanto, a 2ª mão, disputada na antiga Jugoslávia, seria madrasta para os portugueses. Ainda assim, nem a derrota por 4-0, nem a subsequente eliminação, haveria de tirar o nome do futebolista dos anais da colectividade.
Curiosamente, o fim da sua ligação ao Portimonense transformar-se-ia também no derradeiro capítulo de Teixeirinha no escalão máximo nacional. Sem nunca ter perdido a preponderância no seio do plantel “alvinegro” e ainda numa idade que não justifica a falta de oportunidades, a verdade é que a carreira do defesa, daí em diante, passaria a trilhar os caminhos dos patamares secundárias. Depois de em 1988/89 ter assinado pelo Louletano, as escolhas que faria nos anos seguintes também não contribuiriam para o seu regresso à 1ª divisão. Seguir-se-iam o Sporting de Espinho, Alba e Machico e, seguida a um largo interregno, a sua experiência nos “amadores” do Passil.
Após, em definitivo, ter posto um ponto final na sua caminhada como praticante, fica também o registo da sua experiência como técnico. No papel de adjunto da equipa principal e também como timoneiro em alguns escalões de formação, destaque para a sua passagem pelo Samouquence.

1105 - MÁRIO JORGE

Produto das “escolas” leoninas, Mário Jorge cedo conseguiria destacar-se pelo apurado sentido técnico, rapidez de execução e entendimento táctico de todo o jogo. Ao ser visto como um dos elementos com mais potencial nos patamares de formação “verde e branco”, a sua chamada aos seniores, numa altura em que ainda tinha idade de júnior, serviria também para demonstrar toda a crença que nele estava depositada. Com a primeira chamada a acontecer na temporada de 1979/80, a estreia permitiria ao jovem praticante somar ao seu currículo a vitória no Campeonato Nacional.
Ainda que na época seguinte continuasse a ser visto como um elemento de segunda linha, daí em diante a sua presença no “onze” inicial tornar-se-ia numa constante. Atleta canhoto, a excelsa aptidão para a modalidade rapidamente destacaria o jovem atleta como um intérprete capaz de desempenhar vários papéis. Tendo crescido como extremo-esquerdo, o primeiro treinador a fazer uso da sua polivalência seria o inglês Malcolm Allisson. No entanto, ao alinhar na defesa, Mário Jorge, ainda que sem jogar mal, nunca atingiria os mesmos níveis exibicionais. Mais tarde, já com Manuel José aos comandos do “Leão”, passaria para o meio-campo. Nessas funções, ao conseguir compilar tudo o que de melhor tinha aprendido nas diferentes posições de campo experimentadas por si, esgrimiria os mais bem conseguidos desempenhos pessoais e, provavelmente, acabaria por viver os melhores anos da sua carreira.
Seria também por essa altura que a selecção voltaria ao seu percurso. Com a única presença na principal equipa “das quinas” a remontar a 8 de Junho de 1983, esse regresso acabaria por sublinhar a ideia de justiça feita aos seus desempenhos. Depois da passagem por vários escalões de formação e de, inclusive, ter sido chamado ao Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1980 ou de ter participado na edição de 1981 do Torneio de Toulon, o interregno de mais de 2 anos com as cores portuguesas conheceria o seu fim no derradeiro jogo de qualificação para o Mundial de 1986. Numa partida de boa memória, em que Portugal carimbaria o passaporte para a fase final do certame com a vitória na República Federal Alemã, Mário Jorge seria uma dos nomes arrolados por José Torres para entrar de início na fria noite de Estugarda. Após esse momento inolvidável, o jogador ainda participaria em alguns “amigáveis” de preparação para o Campeonato do Mundo. Mesmo sem ter sido incluído na lista de futebolistas a viajar para o México, as exibições conseguidas durante os referidos jogos mantê-lo-iam no conjunto de seleccionáveis. No rescaldo do “caso Saltillo”, o médio sublinharia ainda mais o seu estatuto, somando outras 5 partidas com a camisola do nosso país e atingindo as 9 internacionalizações.
No Sporting, o final dos anos 80 significariam para Mário Jorge a perda de alguma preponderância nas manobras leoninas. Após um período menos conseguido, durante o qual ainda passaria por um empréstimo ao Beira-Mar, o atleta, em 1991, tomaria a decisão de sair de Alvalade. Após 17 anos de “verde e branco”, em que as 11 temporadas no plantel sénior trariam ao seu palmarés 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças, o jogador passaria a vestir as cores do Estrela da Amadora para, alguns anos mais tarde, terminar a carreira ao serviço do Estoril Praia.
Já em 2018, depois de uma curiosa experiência como co-fundador e director desportivo do conjunto cabo-verdiano Grupo Desportivo Oásis, Sousa Cintra acabaria por apadrinhar o seu regresso ao Sporting, convidando o antigo atleta para desempenhar funções como director-geral da Academia de Alcochete.

1104 - MOINHOS

Com um salto directo dos “regionais” para a 1ª divisão nacional, a mudança de Moinhos do Vilanovense para o Boavista acabaria acompanhada por uma boa dose de espanto. Para alimentar, ainda mais, a surpresa da transferência ocorrida no Verão de 1969, a relativa facilidade com o atleta conseguiria afirmar-se no seio da equipa “axadrezada”, reforçaria o espanto de toda a operação. Por certo, nem mesmo os mais atentos e conhecedores das suas qualidades adivinhariam a naturalidade com que o extremo, sem experiência alguma no contexto competitivo mais elevado, conseguiria impor o seu futebol. Veloz e com uma capacidade de drible tremenda, a maneira destemida como partia para cima dos seus adversários rapidamente contribuiria para cimentar a sua importância nas estratégias colectivas. O crescer da sua preponderância, levaria outros emblemas a mostrar interesse na contratação do jogador e, nesse sentido, a sua partida para Lisboa ocorreria em 1973.
A sua entrada no Estádio da “Luz”, ao contrário do que tinha acontecido com a chegada ao Bessa, já tinha o avançado como um praticante consagrado. Ainda assim, a sua integração não seria fácil e o extremo, na temporada de estreia, pouco mais conseguiria do que participar em meia-dúzia de partidas oficiais. Já na campanha seguinte, tudo mudaria de figura. Com a contratação de Milorad Pavic para o comando técnico dos “Encarnados”, Moinhos começaria a assumir um peso maior no esquema táctico da equipa. Como reflexo desse crescimento, também da selecção nacional surgiria o momento para o jogador conseguir a sua primeira oportunidade. A estreia aconteceria a 26 de Abril de 1975 e, pela mão de José Maria Pedroto, o atacante somaria a primeira de 7 internacionalizações por Portugal.
No tempo passado com as cores do Benfica, não seriam só as chamadas à “equipa das quinas” que serviriam para recompensar as boas exibições. Nesse sentido, também os títulos dariam ao seu percurso um brilho especial. As 3 conquistas consecutivas do Campeonato Nacional, ganhos entre 1975 e 1977, tornar-se-iam nos pontos mais altos da sua caminhada clubística. No entanto, a última dessas vitórias coincidiria com a sua despedida do clube. Depois de, com John Mortimore, voltar a perder espaço no seio do plantel benfiquista, Moinhos decidir-se-ia pelo regresso ao Boavista. De volta ao Bessa, o atleta recuperaria o elã perdido no derradeiro ano de “Águia” ao peito. Novamente titular, a qualidade das suas exibições continuariam a projectá-lo como um dos bons intérpretes da modalidade. Mesmo com a barreira dos 30 anos de idade ultrapassada, o avançado manter-se-ia em boa forma e prosseguiria a somar temporadas no patamar máximo do futebol luso.
O seu terceiro e último emblema no mais alto escalão competitivo nacional, acabaria por ser o Sporting de Espinho. Ao serviço dos “Tigres da Costa Verde”, depois da transferência consumada para a temporada de 1980/81, o extremo completaria mais 4 campanhas. Ao notabilizar-se como um atleta de topo, esses derradeiros anos do seu trajecto profissional serviriam para dar ainda mais força aos números que haveriam de compor um trajecto invejável. As 15 temporadas cumpridas por Moinhos na 1ª divisão, desembocariam num total de mais de 350 partidas disputadas e, ainda que longe de ser um goleador nato, num cômputo de 77 golos concretizados naquela que é a mais importante prova do universo português.

1103 - FORBS

Ao exibir-se nas camadas de formação do Ténis Clube de Bissau como um atleta veloz e dotado de uma boa técnica, Forbs rapidamente mostraria estar talhado para tarefas de maior monta. Nesse sentido, a sua transferência para a equipa principal da União de Bissau, daria ao jovem praticante a visibilidade necessária para sonhar com contextos competitivos bem mais ambiciosos. Pouco tempo depois da sua estreia como sénior, e ainda sem clubes de grande calibre no seu encalce, a oportunidade para dar outro salto emergiria de um convite nascido na 3ª divisão portuguesa. Porém, o Bombarralense depressa revelaria ser modesto demais para a qualidade do avançado. Pequeno tornar-se-ia também o 2º escalão e o Peniche. Surgiria então o Sporting e, 2 anos após a sua chegada a Portugal, a estreia no mais importante patamar do futebol luso.
Apesar dos inegáveis atributos, a sua integração no plantel leonino de 1984/85 cobrir-se-ia de grandes dificuldades. Sem surpresa, a presença de atletas como Jordão, Manuel Fernandes, Saucedo ou Eldon, acabariam por dificultar a vida do atacante. Com poucos jogos disputados nas 2 primeiras campanhas de “verde e branco”, a solução para o crescimento de Forbs seria encontrada na cedência dos seus préstimos a outro emblema. A passagem por Portimão, sem retirar o atleta do escalão máximo, entregá-lo-ia a temporadas de grande valor. Ao sublinhar-se como um dos elementos de maior destaque no conjunto algarvio, o avançado tornar-se-ia determinante nos desempenhos colectivos. Essa afirmação pessoal levá-lo-ia a carimbar o seu regresso a Lisboa. Ao contrário do que tinha acontecido anteriormente, o avançado conseguiria jogar com bastante regularidade. No entanto, a qualidade das suas exibições acabariam por não agradar a todos e, no final da época de retorno à “casa-mãe”, a sua dispensa empurrá-lo-ia, em definitivo, para fora do Sporting.
O ingresso no Boavista na temporada de 1989/90, serviria de ponte para a entrada no emblema que viria a tornar-se no mais representativo da sua carreira. Nos 5 anos ao serviço do Sporting de Braga, o atleta prosseguiria o seu trajecto como um futebolista de boas características. Não sendo um avançado muito prolífero em termos de golos, o entendimento que tinha do jogo assegurá-lo-ia como um elemento de grande aptidão no desenho dos movimentos atacantes. A competência revelada no municiamento dos colegas do sector ofensivo, serviria também para alimentar a sua importância. Mesmo com a passagem de vários treinadores pelo comando técnico da equipa minhota, Forbs manter-se-ia como uma das peças mais preponderantes do plantel “arsenalista”. Para consolidar tal valor, os números revelados durante a sua caminhada desportiva, serviriam para desmentir qualquer classificação medíocre. Com 11 épocas cumpridas na 1ª divisão, 260 partidas disputadas e mais de meia centena de remates certeiros no patamar máximo do Campeonato Nacional, o avançado ficaria para a história do desporto luso como um elemento valioso.
 Após deixar o Minho e antes de pôr termo à sua caminhada competitiva, Forbs teria ainda tempo para cumprir mais algumas temporadas. Penafiel e Tirsense, já longe dos principais palcos, serviriam as 3 últimas campanhas da sua carreira e precederiam a sua retirada em 1998.

1102 - FRANCISCO MOREIRA

Descoberto numa altura em que representava os Leões do Barreiro, Francisco Moreira, ainda em idade adolescente, acabaria transferido para um dos históricos do futebol português. Com a sua entrada no Barreirense a acontecer na temporada de 1932/33, e numa altura em que Campeonato de Portugal e as provas regionais assumiam o papel principal no cenário competitivo nacional, o médio transformar-se-ia numa das figuras de proa do emblema da Margem Sul.
Atleta de pendor defensivo, as presenças em campo dá-lo-iam a conhecer como um praticante aguerrido e com uma enorme capacidade para desarmar os adversários. No entanto, e mesmo ao conseguir destacar-se como um dos melhores praticantes do conjunto alvi-rubro, a verdade é que o centrocampista demoraria vários anos até chegar a um dos maiores emblemas nacionais. Porém, esse suposto atraso acabaria por dar a Moreira o traquejo necessário para que, desde a sua época de estreia no Benfica, conseguisse ocupar um lugar de destaque na equipa “encarnada”. Com a mudança para Lisboa a acontecer na época de 1944/45, a titularidade imediatamente conquistada, colocá-lo-ia a jogar ao lado do “capitão” Francisco Ferreira. Numa altura em que os 29 anos já indicavam a proximidade do fim de carreira, o atleta decidiria fazer da referida idade um número sem grande significado. Aliás, seria a partir desse momento que viveria os melhores anos da sua caminhada futebolística.
Com um dos elementos mais equilibradores da manobra táctica benfiquista, o médio começaria a acrescentar títulos ao seu currículo. Logo na campanha de chegada, tornar-se-ia num dos principais intérpretes da caminhada triunfante das “Águias” no Campeonato Nacional. A vitória na maior prova portuguesa voltaria a repeti-la em 1949/50. Também a Taça de Portugal viria a fazer parte do seu palmarés, com as 4 conquistas consecutivas entre 1948/49 e 1952/53, a tornarem-se num dos grandes marcos do seu percurso desportivo. Contudo, haveria um troféu que conseguiria destacar-se dos demais. Na edição de 1950 da Taça Latina, o treinador inglês Ted Smith escolheria Moreira para alinhar em todas as 3 partidas jogadas pelo Benfica na competição. Depois de ajudar a eliminar os italianos da Lazio na meia-final, também contra o Bordeaux seria chamado à peleja. Após um empate na final e com o jogo da finalíssima já em prolongamento, seria dele a assistência para o golo que resolveria a disputa da prova europeia.
Mas numa carreira que passou dos 40 anos, não foi só com os supracitados emblemas que Francisco Moreira brilhou. Também no trajecto da selecção nacional, o jogador conseguiria inscrever o seu nome. Numa altura em que os jogos internacionais escasseavam, o atleta, ainda assim, participaria em 7 partidas com a principal “camisola das quinas”. Sob a alçada de Tavares da Silva, encetaria a caminhada por Portugal a 6 de Maio de 1945, num encontro frente à Espanha. Porém, os dois maiores destaques da sua caminhada com as cores do nosso país viriam alguns anos após o desafio inicial. Um deles, em Janeiro de 1947, surgiria com um novo confronto ibério e com a primeira vitória frente à congénere de “nuestros hermanos”. Alguns meses passados sobre esse brilharete, emergiria o segundo desses inolvidáveis momentos. Numa viagem à República da Irlanda, o médio faria parte daquela que ficou para a história como a estreia lusa em triunfos na condição de visitante.

1101 - AILTON

Sem ter encontrado uma fonte que, de forma fidedigna, contasse o seu percurso desportivo no Brasil, certo é que Ailton Ballesteros chegaria a Portugal na campanha de 1974/75 e vindo do maranhense Sampaio Corrêa.
Já no FC Porto e tendo sido apresentado como um reforço sonante, a sua integração acabaria por ficar aquém dos resultados projectados com a sua contratação. Com o seu conterrâneo Aimoré Moreira a liderar os “Azuis e Brancos” no primeiro terço da referida temporada, as oportunidades dadas ao médio seriam quase nulas. Porém, com entrada de Monteiro da Costa para o comando técnico, a realidade do jogador iria alterar-se um pouco. Ainda assim, e tendo em conta a sua utilização mais regular, a verdade é que Ailton demoraria a impor-se como um elemento de uma preponderância indiscutível. Essa realidade reverter-se-ia na sua última campanha no Estádio das Antas. Como um elemento capaz de produzir um pouco mais do que o suficiente para conseguir preservar um lugar no plantel, o atleta tornar-se-ia importante na vitória da Taça de Portugal de 1976/77.
No Verão de 1977, à procura de melhores condições contratuais, Ailton aceitaria a proposta do Presidente João Rocha e tomaria a decisão de trocar o FC Porto pelo Sporting. Em Alvalade, continuaria a manter-se como um atleta que, ainda que longe do virtuosismo de alguns dos seus colegas, conseguiria ser relevante para o equilíbrio do grupo de trabalho. De “Leão” ao peito, também venceria a Taça de Portugal. Logo na campanha da sua chegada ao emblema de Lisboa, o esquerdino seria chamado a disputar a final e a finalíssima da “Prova Rainha”. Frente à sua antiga equipa, Ailton entraria de início na partida que entregaria o troféu às estantes leoninas.
A 3ª conquista em Portugal aconteceria ao serviço do Boavista. Aliás, o seu regresso à cidade do Porto e a entrada no Estádio do Bessa entregariam Ailton, em termos individuais, às melhores épocas passados no nosso país. Sob a alçada de Mário Lino, começaria logo por vencer a Supertaça de 1979/80. Contribuiria também para as boas prestações no Campeonato Nacional e para a qualificação e participação dos “Axadrezados” nas provas europeias. Seguir-se-ia, já no ocaso da sua carreira, o Varzim. Com o emblema poveiro, o médio brasileiro cumpriria a 9ª campanha no escalão máximo luso e chegaria às 163 partidas primodivisionárias.

1100 - GUTO

Num percurso formativo que transportaria o jogador por diferentes emblemas, seria a entrada no XV de Jaú que, em 1981, proporcionaria ao atleta o primeiro grande salto na sua caminhada. No emblema paulista, duas semanas após a sua integração nos juniores, a qualidade do trabalho por si apresentado faria com que a promoção ao conjunto principal fosse inevitável. Dando jus a uma rápida ascensão, os anos seguintes levá-lo-iam ao radar da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e às convocatórias para as jovens selecções. Ainda sob a alçada do emblema do Estado de São Paulo, participaria na edição de 1983 do Campeonato sul-americano sub-20 e ajudaria à vitória do “Escrete” na competição.
Depois da glória dessa primeira conquista internacional, ainda em 1983, os responsáveis do Flamengo decidir-se-iam pela sua contratação. Passado pouco tempo, mais uma vez com as cores dos sub-20 “canarinhos”, Guto acrescentaria outro troféu ao seu palmarés. No Mundial da categoria, seria chamado pelo técnico Jair Pereira para disputar o torneio organizado no México. O Brasil voltaria a sair vitorioso e, ao lado de nomes conhecidos do futebol português, casos do lateral Heitor ou do guarda-redes Hugo, o central começaria a alicerçar a sua fama.
Para o crescimento da sua popularidade também contribuiriam as prestações conseguidas com as cores do Flamengo. Mesmo não sendo um dos titulares indiscutíveis, a sua presença no plantel seria bastante importante para a glória do conjunto “carioca”. As vitórias na Taça Guanabara de 1984, no Estadual do Rio de Janeiro de 1986 e no “Brasileirão” de 1987, tornar-se-iam em importantes marcos da sua carreira. Outros números, como as 126 partidas disputadas pelo “Mengão”, seriam igualmente relevantes para cimentar o defesa na memória colectiva dos “rubro-negros”. Tudo combinado, traria ao jogador a almejada oportunidade de jogar na Europa. Curiosamente, a sua mudança seria para um clube que, tendo em conta o seu currículo, acabaria por afigurar-se um pouco modesto.
Com o “O Elvas” a disputar o patamar máximo do futebol luso, a época de 1987/88 permitiria a Guto a sua estreia na 1ª divisão. Mesmo ao destacar-se como um dos elementos mais importantes da colectividade alentejana, a despromoção da equipa no final da referida temporada arrastaria também o defesa para os escalões inferiores. Continuaria no clube por mais 3 anos para, em 1991/92, chegar a um acordo com o Belenenses. A transferência para o Restelo, ainda que dentro do mesmo patamar competitivo, permitiria ao defesa sonhar com o regresso ao convívio dos “grandes”. A subida aconteceria 1 ano após a sua mudança para Lisboa e tal facto como que relançaria a sua carreira. Nos da “Cruz de Cristo”, o central conseguiria consagrar-se como um dos bons intérpretes do Campeonato Nacional. Igualmente forte no desarme, no sentido posicional e na marcação homem-a-homem, a constância das suas exibições levariam o brasileiro a ser visto como um dos melhores jogadores das nossas competições. Manteria esse estatuto no ano seguinte, mas, de forma surpreendente, o Verão de 1994 traria o fim da sua ligação a Portugal.
De volta ao Brasil, o defesa passaria a representar o Vitória Bahia, para, posteriormente, ainda vestir a camisola do Paraná Clube e do Rio Branco de Andradas. Em 1996, depois de pôr um ponto final na sua carreira, Guto deixaria o futebol e passaria a gerir o investimento feito por si, no ramo imobiliário.

1099 - JAIME ALVES

Depois de um empréstimo ao Cortegaça em 1982/83, emblema onde faria a sua estreia como sénior, Jaime Alves acabaria por voltar ao clube onde tinha terminado o percurso formativo. Após a cedência de um ano, o regresso ao Sporting de Espinho permitiria ao atleta cumprir os primeiros jogos no escalão máximo do futebol português. Ainda que pouco utilizado, essas partidas possibilitariam ao jovem praticante perfilar-se como um elemento válido num futuro próximo. Tal aconteceria logo na época seguinte e, com a descida dos “Tigres” à 2ª divisão, o jogador passaria a ocupar um lugar no “onze” inicial.
Ainda que longe dos principais escaparates, bastaria uma temporada para que os serviços de Jaime Alves fossem requisitados por um emblema de outra monta. Mesmo sem grande traquejo primodivisionário, os responsáveis do Boavista tomariam a decisão de juntá-lo ao plantel “axadrezado”. Para aferir a validade da sua contratação, e ao contrário do esperado num atleta recém-chegado, logo à partida o jogador conseguiria conquistar a titularidade. Porém, com a saída do treinador João Alves no final dessa campanha de 1985/86, a sua condição alterar-se-ia substancialmente e deixaria de jogar com tanta regularidade. Demoraria algum tempo para conseguir voltar a ser um dos indiscutíveis na ficha de jogo. Tal aconteceria em 1988/89 e, como reflexo dessa a sua afirmação, também da Federação Portuguesa de Futebol surgiria o aval para a sua integração nos trabalhos da selecção principal.
Após ter vestido a camisola dos sub-21 e, com as cores de Portugal, ter participado na edição de 1986 do Torneio Internacional de Toulon, o dia 16 de Novembro de 1988 marcaria a estreia de Jaime Alves pela selecção “A”. Numa partida disputada no Estádio do Bessa, Juca escolheria o lateral para entrar de início na peleja a contar para a fase de apuramento do Mundial de 1990. Depois desse jogo com o Luxemburgo, seguir-se-iam ainda mais algumas chamadas. Nesses “amigáveis”, marcados já na 2ª metade da temporada, o defesa, frente a Angola e ao Brasil, conquistaria outras 2 internacionalizações que, num cômputo de 3, abrilhantariam a sua carreira.
Depois das convocatórias à selecção portuguesa, Jaime Alves continuaria a mostrar a sua importância no seio do plantel boavisteiro. Fosse no sector mais recuado ou no meio-campo, os anos seguintes serviriam para sublinhá-lo como um dos pilares da estratégia montada pelos diversos treinadores. No Bessa voltaria também a trabalhar com João Alves e, desse “rendez-vous”, sairia uma das poucas excepções à sua caminhada com as “Panteras”. Ao seguir na peugada do referido treinador, o jogador passaria a temporada de 1991/92 com as cores do Vitória de Guimarães. Pouco tempo demoraria essa experiência e, com um ano volvido sobre a partida para o Minho, o defesa tornaria a envergar a camisola do Boavista.
No regresso ao emblema da “Cidade Invicta”, Jaime Alves já encontraria Manuel José no comando técnico do grupo. Mesmo ao perder alguma da preponderância conquistada antes da sua saída, o jogador nunca deixaria de ser importante para o equilíbrio do grupo. Porém, essa perda acabaria por acarretar alguma frustração para a sua caminhada. Sem marcar presença em várias provas, o seu nome ficaria excluído do rol de atletas vencedores das Supertaças de 1992/93 e 1997/98 e da Taça de Portugal de 1996/97. Ainda assim, é impossível falar do defesa sem incluí-lo na lista de históricos do Boavista. As 12 épocas passadas no Bessa dar-lhe-iam, só com a camisola “axadrezada”, 221 jogos na 1ª divisão. Tal número empurrá-lo-ia para o “Top 10” dos atletas que, pelo clube, mais partidas disputaram no escalão máximo.

1098 - ANSELMO FERNANDEZ

Multifacetado, Anselmo Fernandez transformar-se-ia num homem de mil-ofícios. Nos “Leões”, uma das maiores paixões da sua vida, começaria como futebolista. Subiria pelos diversos escalões de formação, chegaria a sénior pelas “reservas” e quando o treinador “verde e branco” quis promovê-lo à equipa principal, um problema de saúde acabaria por adiar a sua estreia – “Começara a jogar futebol no Sporting aos 14 anos, ao 20, Szabo quis lançar-me na primeira categoria, disse-lhe que seria operado a uma apendicite, que só depois disso valeria a pena apostar em mim”*.
Terminado o longo recobro, ainda regressaria a tempo de dar o seu contributo. Apesar de, maioritariamente, ter jogado nos conjuntos secundários do clube, Anselmo Fernandez, médio-ofensivo, caracterizar-se-ia por ser um atleta com boa técnica e uma grande resistência física. Porém, passados alguns uns anos, tomaria a decisão de deixar a modalidade. O seu eclecticismo levá-lo-ia a dedicar-se ao Rugby, com a mesma dedicação que já tinha posto no basquetebol e no ténis de mesa. Em paralelo, cresceria também no seio da sua profissão e numa carreira que, com obras emblemáticas, haveria de notabilizá-lo como arquitecto. Nesse campo, seriam dele os desenhos da Reitoria da Universidade de Lisboa, da Faculdade de Direito, da Faculdade de Letras e do Hotel Tivoli. Todavia, o seu maior projecto, em parceria com Sá da Costa, acabaria por ser o Estádio de Alvalade.
A verdade é que, a sua ligação ao Sporting, transformá-lo-ia em muito mais do que um praticante. Já retirado de qualquer actividade desportiva, um convite da direcção fá-lo-ia regressar ao futebol, mas na condição de Supervisor Técnico. No entanto, seria como treinador que, em definitivo, ganharia o seu lugar na história do clube. Ao substituir Gentil Martins no comando dos “Leões”, encararia um dos seus primeiros desafios na 2ª mão dos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64. Depois de uma copiosa derrota por 4-1 em Inglaterra, seria de Anselmo Fernandez o planeamento da recepção ao Manchester United em Alvalade. Quase sem hipótese de apuramento e contra todas as probabilidades, os “Verde e Brancos” dariam corpo a uma recuperação memorável e venceriam a partida de Lisboa por 5-0. Seguir-se-ia o Olympique de Lyon e, depois da vitória frente ao MTK Budapeste, a inédita conquista da já referida competição.
Ainda voltaria ao banco do Sporting no decorrer da época seguinte e, mais uma vez, já depois da passagem de outros treinadores. “Sol de pouca dura”, pois um desentendimento com a direcção fá-lo-ia abandonar a posição, pouco tempo depois. Ainda como técnico, abraçaria um desafio lançado pelo CUF e à frente do conjunto do Lavradio chegaria às provas europeias, nomeadamente à Taça das Cidades com Feira. Tragicamente, a sua carreira no futebol terminaria de forma abrupta, num acidente de viação. A caminho dos treinos, ao atravessar a ponte sobre o Tejo, Anselmo Fernandez embateria noutro veículo. Tendo estado à beira da morte, recuperaria apenas com algumas mazelas numa das pernas.

*retirado de “100 figuras do futebol português”, de António Simões e Homero Serpa; A Bola (1995)