735 - CÂNDIDO COSTA

Após ter começado na Sanjoanense, onde, sem sucesso, também tentaria a sua sorte no hóquei em patins, Cândido Costa vê o Benfica interessar-se na sua contratação. Ainda em idade juvenil, e demonstrando verdadeiros predicados, o atleta deixa São João da Madeira para mudar-se para Lisboa. De “Águia” ao peito, o extremo confirmaria todas as qualidades. Começa a ser chamado aos trabalhos das camadas jovens da selecção nacional e, como “capitão” dos s-18 portugueses, lidera os seus companheiros à vitória no Europeu de 1999.
Sendo considerado como uma das grandes promessas das “escolas encarnadas”, foi com grande surpresa que a sua dispensa foi anunciada. O Benfica, sob o “reinado” de João Vale e Azevedo, deixava sair um dos seus melhores jogadores que, logo de seguida, haveria de encontrar nova “casa”. Sob a orientação de Dito, também ele um antigo atleta do emblema da “Luz”, é no Salgueiros que Cândido Costa faz a sua estreia no patamar sénior. Contudo, a sua estadia em Vidal Pinheiro seria curta e, ainda nessa temporada de 1999/00, o avançado mudar-se-ia para o FC Porto.
A sua estadia nas Antas começaria pela equipa “b”. Só no ano seguinte à sua chegada é que Cândido Costa seria chamado ao plantel principal “Azul e Branco”. Já integrado na equipa, os seus primeiros tempos seriam marcados pelas praxes de um dos mais emblemáticos jogadores do clube – “Quando fiz o primeiro estágio pelo FC Porto em França, com 18 anos, calhou-me como colega de quarto o famoso Paulinho Santos (…).Dirigi-me ao Paulinho, receoso, e lá lhe disse «Senhor Paulinho, somos os dois no quarto», ao qual ele respondeu: «a sério? Então leva-me o saco que estou à rasquinha das costas». E eu, claro, lá peguei no saco, fui para o quarto e esperei por ele. Passados uns 15 minutos lá chegou o Paulinho, que me perguntou logo qual era a cama que eu preferia. Eu, humildemente, respondi que ele é que escolhia. Ele insistiu, e eu acabei por dizer que gostava da cama perto da varanda. E ele prontamente disse: «então ficas na outra!» (…). Ainda nesse dia, durante o treino, deu-me uma porrada que me obrigou a sair mais cedo. No quarto, disse-lhe «Paulinho, para protector quase que me partias a perna», ao que ele respondeu «é para cresceres e ganhares nervo. Um dia vais-me agradecer por isto»”*.
Os anos que passaria no FC Porto, acabariam por não ser muito proveitosos em termos pessoais. Sendo quase sempre uma segunda escolha, muito por culpa de jogadores como Nuno Capucho, o atleta acabaria por ser pouco utilizado. Já na questão dos títulos, as contas seriam um puco diferentes. Tendo feito parte da equipa comanda por José Mourinho, Cândido Costa, a juntar à Taça de Portugal conquistada em 2000/01, ajudaria a vencer a “Dobradinha” e a Taça UEFA de 2002/03.
É já depois de no decorrer dessa temporada de 2002/03, ter sido cedido ao Vitória de Setúbal, que um novo empréstimo acontece na sua carreira. Desta feita no estrangeiro, o sucesso que teria no segundo escalão inglês, levaria a que a pensar que a sua carreira estava relançada. Todavia, depois de deixar o Derby County, a sua ida para o Sporting de Braga não correria como o esperado. Tendo feito uma boa primeira época (2004/05), a segunda campanha devolveria o jogador à condição de pouco utilizado. É então que surge o Belenenses. Ainda com a decisão do “Caso Mateus” por resolver, Cândido Costa, sem saber ainda em que divisão iria jogar, decide regressar a Lisboa – “Eu sabia que vir para o Belenenses seria para mim uma prova de fogo. Depois de ter sido uma das maiores promessas do futebol português aos 18, 20 anos, foi-me dada alguma credibilidade. Mantive-a quando fui para Inglaterra, onde joguei sempre e fui uma das figuras da equipa da altura. Braga tirou-me essa credibilidade, essa notoriedade. Então eu sabia que o meu ingresso no Belenenses seria uma prova de fogo: ou seria a eterna promessa e nunca ia de facto ter consistência, ou não”**.
No Restelo faria 4 temporadas. Durante esse período, e numa altura em que começou a ser mais utilizado como lateral-direito, Cândido Costa voltaria a uma constância exibicional muito positiva. Tendo sempre a disputado a divisão maior do futebol português, os créditos que foi amealhando abrir-lhe-iam as portas de outro histórico do futebol europeu. No Rapid de Bucareste, já depois de no Verão de 2010 ter deixado o Belenenses, o atleta iniciaria aquela que poderá ser vista como a derradeira etapa do seu percurso profissional. Após a experiência na Roménia, Arouca, Tondela, São João de Ver e Ovarense acabariam por marcar os derradeiros passos da sua carreira.
Já depois de, em 2015, ter “pendurado as chuteiras”, Cândido Costa escreveria as primeiras páginas como treinador. No futebol feminino da Ovarense e, mais tarde, como adjunto na Sanjoanense, o antigo jogador acabaria por dar os passos iniciais, num caminho que se espera com novas e longas viagens.
   

*retirado de “www.relato.pt”
**retirado de entrevista dada ao “belematemorrer.blogspot.com”

734 - NUNO VALENTE

Apesar de reconhecido como um potencial bom jogador, os primeiros passos de Nuno Valente, como recorda Aurélio Pereira, não haveriam de ser fáceis – "Quando estava no seu segundo ano de iniciado, o Nuno Valente foi emprestado ao Vitória da Picheleira. Mais tarde, no seu segundo ano de juvenil, com sensivelmente 15/16 anos, voltou ao Sporting. Quando o vi, nessa época, fiquei admirado com a sua altura. Tinha crescido muito. Deu um grande salto nesse período!"*.
Muito para além da desenvoltura física, a postura de trabalho faria do jovem defesa-esquerdo um exemplo a seguir. Essa entrega mantê-lo-ia, até ao fim da formação, como uma das principais promessas “leoninas”. Todavia, na altura de passar para a equipa principal, a opção encontrada levá-lo-ia para longe de Alvalade. No Portimonense, na temporada de 1993/94, Nuno Valente faria a sua estreia como sénior. Esse ano passado na divisão de Honra acabaria por ser proveitoso, levando a que o seu regresso ao Sporting ficasse garantido.
Estando à frente da equipa alguém que era reconhecido pelo trabalho com jovens, a probabilidade de Nuno Valente ter sucesso era maior. A verdade é que Carlos Queiroz, dando preferência a Paulo Torres e à adaptação de Vujacic ao lado canhoto da defesa, acabaria por não apostar muito no lateral. Mesmo depois da saída do técnico, o seu paradigma manter-se-ia inalterado. Essas duas temporadas, para além da vitória na Taça de Portugal de 1994/95, pouco mais renderia ao atleta do que duas dezenas de partidas disputadas.
É já depois de um novo empréstimo, desta feita ao Marítimo, que Nuno Valente passa as últimas temporadas de “leão ao peito”. Curiosamente, com o terminar da época de 1998/99, e mesmo sem ter jogado muito, a renovação do seu contracto ainda haveria de estar em “cima da mesa”. Contudo, o final das férias revelaria uma realidade bem diferente e, para surpresa do atleta, os dirigentes do Sporting informam-no da sua dispensa.
O União de Leiria é o emblema que se segue. Na “Cidade do Lis”, onde passaria 3 temporadas, Nuno Valente conhece aquele que mudaria a sua vida desportiva. Tendo sido orientado por José Mourinho, é a ida deste último para o FC Porto que faz com que a carreira do defesa sofra novo impulso. Contratado pelo novo treinador dos “Dragões”, as duas primeiras épocas de Nuno Valente revelam-se perfeitas. O FC Porto vence tudo o que tinha para vencer e o jogador, muito para além da sua estreia na principal selecção portuguesa, passa a contar no seu currículo com mais 2 Campeonatos (2002/03; 2003/04), 1 Taça de Portugal (2002/03), 1 Supertaça (2003/04), 1 Taça UEFA (2002/03) e 1 Liga dos Campeões (2003/04).
É já depois da vitória na “Champions”, que Luíz Felipe Scolari o chama a disputar o Euro 2004. Organizado no nosso país, o Europeu de selecções acaba por revelar-se muito positivo para a “Equipa das Quinas”. Com Nuno Valente a disputar 5 das 6 partidas, Portugal até chega à final. Contudo, nesse derradeiro jogo, e com o jogador a ocupar um lugar no “onze inicial”, o conjunto “luso” sede perante a congénere grega, perdendo por 1-0.
Com a partida de José Mourinho para o Chelsea, Nuno Valente começou a perder espaço no FC Porto. Pressionado pelo clube para renegar à equipa nacional, o defesa, contrariando tal indicação, acabaria por ser posto de parte. A solução acabaria por vir de Inglaterra e da “Premier League”. Já no Everton, e como na última época de “azul e branco”, o jogador voltaria a ser assolado por imensas lesões. Ainda assim, o internacional português conseguiria manter-se em Goodison Park durante 3 anos. No final desse período, e aceitando um convite do clube para fazer parte da equipa de “scouts”, Nuno Valente poria um ponto final no seu percurso de futebolista.
Depois dessa primeira experiência, Nuno Valente deixaria a cidade de Liverpool para regressar ao Sporting. Em Alvalade começaria por ser adjunto de Paulo Sérgio. Após a saída deste voltaria a assumir o papel de “olheiro”, cargo que ocupou até 2014/15.


*retirado da entrevista a Aurélio Pereira, por Tiago Silva Pires, em Diário de Noticias (20/06/2006)

733 - NUNO SANTOS

Foi nas escolas do Vitória de Setúbal, onde seria treinado por José Mourinho e Jaime Graça, que Nuno Santos faria grande parte do seu trajecto formativo. Já os primeiros anos como sénior, episódio comum a tantos jovens atletas, passá-los-ia entre empréstimos a outros emblemas e o “banco” sadino.
Caldas SC (1991/92) e Operário dos Açores (1993/94), onde jogaria ao lado de Pauleta, seriam os emblemas que abririam as portas ao guarda-redes. Preparado para os anos vindouros, Nuno Santos acabaria por conseguir um lugar no plantel do Vitória de Setúbal. Todavia, as exigências que enfrentaria, fariam com os seus primeiros jogos no Campeonato ocorressem apenas na temporada de 1996/97. Lançado por Manuel Fernandes, Nuno Santos agarraria a oportunidade de forma imaculada. Fortíssimo no um-contra-um e com uma grande agilidade, o guardião acabaria por manter o seu lugar no “onze” inicial.
A evolução que mostrava, a consistência exibicional e uma inabalável confiança, rapidamente fariam dele uma das boas revelações. Com tal progresso, bastou mais uma campanha para que, de emblemas de outra monta, começasse a surgir algum interesse no seu concurso. É nesse contexto que surge o convite do Leeds United. Orientado por George Graham, o clube, por essa altura, contava nas suas fileiras com Bruno Ribeiro. Juntando as informações dadas pelo ex-setubalense às notas recolhidas em diversas observações, o “manager” inglês decide-se pela sua contratação. Contudo, e num plantel que contava com o internacional Nigel Martyn e com o emergente Paul Robinson, as chances adivinhavam-se difíceis. Ainda assim, o guarda-redes português decide aceitar o desafio e, na temporada de 1998/99, assina contracto com o emblema da “Premier League”.
Excepção feita a algumas presenças no “banco” da equipa principal, Nuno Santos passaria grande parte da época a jogar pelas “reservas” do Leeds United. Apesar das boas exibições feitas pela “segunda equipa”, a escassez de verdadeiras oportunidades levaria o atleta a repensar o seu percurso. Por essa razão, e aquando do convite do Benfica, o guarda-redes decide voltar a Portugal. Contudo, o regresso acabaria por não trazer os resultados esperados e, depois de uma temporada assolada por diversas lesões, seguir-se-iam novos empréstimos.
Badajoz (Espanha) e Santa Clara precederiam uma época bastante positiva com as cores do Beira-Mar. O ano passado em Aveiro (2000/01) revelar-se-ia de tal maneira proveitoso que o Benfica, muito para além de exigir o seu regresso, apresentaria ao atleta uma proposta para renovar o seu contracto. Apesar das espectativas criadas, esse novo período na “Luz” acabaria por ser, mais uma vez, decepcionante. Daí em diante, Nuno Santos entraria num longo períplo, acabando por jogar em diversos emblemas e, inclusive, em diferentes campeonatos.
É no decorrer desta fase que Nuno Santos tem os primeiros registos como técnico. Depois de vestir a camisola do Vitória de Setúbal e do Santa Clara, é já como participante das ligas norte-americanas que aceita o convite da Euro Star Goalkeeper Academy. Jogando pelo Rochester Rhinos e, posteriormente, pelo Toronto FC, o guarda-redes acabaria por dividir o seu tempo entre a defesa das redes e o treino de jovens guardiões. Já a experiência seguinte tê-la-ia ao serviço do Arouca (2009/10). Com clube ainda a militar na 2ª divisão “B”, o atleta acabaria por aceitar o convite de Carlos Secretário e, em simultâneo, desempenhar as funções de futebolista e de treinador de guarda-redes.
É já depois de duas temporadas a jogar pelos cipriotas do Ethnikos Assias, que Nuno Santos decide ser a hora de “pendurar as luvas”. Após o fim da sua carreira como desportista, o antigo guardião manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador de guarda-redes, representaria o Farense. Hoje em dia está ligado à Federação Canadiana de Futebol e, tendo passado pelo futebol de praia, é o actual Coordenador da Formação de Guarda-Redes.

732 - JORDÃO

Após ter terminado a sua formação no Estrela da Amadora, as dificuldades demonstradas na adaptação à primeira equipa, leva o clube a optar pelo empréstimo. Campomaiorense e Leça, também estes a disputar a divisão de Honra, seriam os emblemas que, após duas épocas falhadas no emblema da “Linha de Sintra”, acabariam por acolher o atleta.
O regresso à “casa-mãe” ocorreria em 1995/96. Com o Estrela da Amadora a disputar a divisão maior do nosso futebol, o atleta, ao contrário daquilo que tinha conseguido até então, haveria de impor-se com alguma facilidade. Como um típico médio-defensivo, Jordão tinha na força e resistência as suas melhores armas. Fernando Santos, à altura o treinador, entendendo o que tinha em mãos, encaminharia o atleta no sentido de tirar dele o melhor rendimento. Potenciadas as suas características, Jordão passaria a ser um dos mais utilizados, tornando-se num dos pilares da equipa.
Duas temporadas de bom nível, seriam suficientes para que o “trinco” começasse a ser cotado como um dos melhores a actuar na sua posição. Este crescendo, levaria a que Manuel José, à procura de reforços para o meio-campo benfiquista, visse nele uma boa contratação. Nesse sentido, e tendo chegado a internacional nas camadas jovens portuguesas, Jordão parecia cotar-se como uma boa ajuda. Contudo, o que acabaria por se verificar seria o contrário. Não sendo chamado à equipa com a regularidade esperada, e já com Graeme Souness ao comando das “Águias”, o médio, no mesmo ano da sua chegada à “Luz”, acabaria por ser dispensado.
A sua ida para o Sporting de Braga, em Janeiro de 1988, voltaria a revelar um futebolista de qualidade. Preponderante nas manobras “arsenalistas”, Jordão recupera o seu estatuto de bom jogador e, mais uma vez, passa a ser cobiçado. Desta feita, e depois de duas temporadas e meia no Minho, o convite chega de Inglaterra. Já com a primeira jornada disputada, é o West Bromwich Albion (WBA) que vai no seu encalço. É ainda nessa temporada de 2000/01 que Jordão parte para “Terras de Sua Majestade”. Por lá ficaria 3 temporadas. As duas primeiras, com os “Baggies” a competir no 2º escalão, seriam bastante prolíferas para o jogador. Já a 3ª época, após a promoção do clube à “Premier League”, testemunharia um decréscimo exibicional do jogador que, no final dessa mesma campanha, conduziria ao fim da sua ligação com o emblema britânico.
O último capítulo da sua carreira seria escrito num regresso à Reboleira. No Estrela da Amadora, entre os dois escalões maiores do nosso futebol, Jordão faria mais 4 temporadas. O fim do seu percurso profissional acabaria por chegar com o términus da época de 2006/07, pondo termo a um trajecto com quase duas décadas.

731 - HILÁRIO

Produto das escolas portistas, Hilário, por conta de uma forte concorrência, acabaria por nunca conseguir afirmar-se de “Dragão” ao peito. Logo após o fim da sua formação, uma primeira cedência à Naval 1º de Maio (1994/95), para, logo de seguida, vestir as cores da Académica de Coimbra (1995/96), daria início a um périplo que, salvo algumas excepções, o manteria afastado do FC Porto.
O primeiro regresso ao Estádio das Antas ocorreria na temporada de 1996/97. Ainda que a saída de Vítor Baía para o Barcelona tenha dado mais chances ao guardião, a preferência por outros atletas, casos de Rui Correia, Costinha ou Wozniak, acabaria por, em grande parte das jornadas, afastar Hilário do “onze” titular. Novos empréstimos, num atleta em franca evolução, acabariam por solucionar a sua falta de jogos. Nesse sentido, Estrela da Amadora, Varzim e Académica, entre as temporadas que seria chamado a defender as redes do FC Porto, tornar-se-iam numa espécie de novos interlúdios.
É já com importantes títulos a colorir o seu currículo, que Hilário chega à ilha da Madeira. 2 Campeonatos e 3 Taças de Portugal seriam os principais títulos conquistados pelos “Dragões”, durante o período passado pelo guarda-redes na “Cidade Invicta”. Por essa razão, a sua chegada ao Nacional na época de 2003/04, acabaria por fazer dele um dos principais reforços para a referida temporada.
Inicialmente por empréstimo, a partir do 2º ano Hilário passa, em termos definitivos, a fazer parte do plantel “Alvi-Negro”. Tendo conseguido agarrar a titularidade, a verdade é que a chegada do suíço Benaglio acabaria, mais uma vez, por pôr em causa esse seu estatuto. Surpreendentemente, e após uma temporada intermitente, chega o convite do Chelsea (2006/07). Com José Mourinho aos comandos do clube, Hilário é contratado pelos londrinos. Quase sempre na sombra de Petr Cech, e durante os anos que passou ao serviço dos “Blues”, o jogador pouco mais passou da condição de suplente. Ainda assim, a temporada da sua chegada, com a grave lesão sofrida pelo guarda-redes da República Checa, daria ao português a oportunidade de justificar a sua transferência.
Mesmo sem ser utilizado com regularidade, da selecção chega uma oportunidade. Hilário, que já tinha internacionalizações nas camadas jovens e, inclusive, tinha sido chamado a jogar pela equipa “b”, é convocado por Carlos Queiroz. A sua estreia com a “camisola das quinas” acabaria por acontecer após a campanha de apuramento para o Mundial de 2010. Num particular frente à China, e entrando para o lugar de Eduardo, Hilário, e pela primeira vez, representaria a principal equipa de Portugal.
É no final de 2013/14, que Hilário decide anunciar o fim da sua carreira como futebolista. Depois de, pelo Chelsea, ter conquistado mais uma brilhante série de títulos (1 Liga; 4 FA Cup), o guarda-redes decide aceitar o convite do clube e passar para o corpo técnico. Desde então, tem feito parte das equipas de treinadores e, com os conhecimentos conseguidos ao longo de duas décadas, tem ajudado os atletas do clube a melhorar os seus atributos.

AT HER MAJESTY'S PLEASURE 2017

"Ano novo, vida nova"!!!
Com a entrada num novo ano, o "Cromo sem caderneta" prepara-se para uma nova mudança. De malas aviadas, Janeiro será o último mês do "blog" em Inglaterra. Por essa razão decidimos recordar alguns dos atletas que por cá passarem. Assim, durante os próximos dias viveremos "At her Majesty's Pleasure"!!!!

730 - RUI CARLOS

Já depois da Académica de Santarém, Rui Carlos prosseguiria a sua formação no Caldas Sport Clube. É no emblema das Caldas da Rainha que vai terminar o seu percurso nas camadas jovens e que, na temporada de 1987/88, faz a transição para a equipa principal.
Jogador aguerrido, com índices físicos impressionantes, Rui Carlos conseguiria, progressivamente, conquistar o seu lugar. Logo na segunda temporada como sénior, com o grupo a disputar a 2ª divisão nacional, o seu nome já era um dos mais regulares na ficha de jogo. A qualidade que, por essa altura, já demonstrava, faz com que a sua visibilidade aumente. Começam a surgir alguns interessados e, para a época de 1990/91, a tão esperada transferência concretiza-se.
O salto leva-o à estreia na 1ª divisão nacional. Com as cores do Gil Vicente, que também fazia a sua primeira temporada entre os “grandes”, Rui Carlos acabaria por confirmar aquilo que dele já se sabia. Veloz a atacar e intrépido na hora de defender, o lado canhoto do campo não tinha segredos para o, ainda jovem, jogador. Tanto na defesa, como no meio-campo, o esquerdino, nas 2 épocas que passa em Barcelos, acabaria por sublinhar o seu estatuto de primodivisionário. Por essa razão, foi até com alguma surpresa que, no final de 1991/92, Rui Carlos deixa o Gil Vicente para, na divisão de Honra, assinar contracto com o Vitória de Setúbal. Todavia, esse suposto passo atrás acabaria por revelar-se como frutuoso. Os “Sadinos”, logo nesse campeonato, conseguem a promoção e o jogador, mais uma vez, passa a disputar o escalão máximo do nosso futebol.
Com o Vitória de Setúbal, quase sempre na 1ª divisão, Rui Carlos disputaria 9 temporadas. Durante esse período, onde grande parte das vezes conseguiria ser titular, o jogador passaria a figurar como um dos mais respeitáveis atletas na história do clube. Destaque para a temporada de 1998/99, onde, com o 5º lugar na tabela classificativa, o Vitória de Setúbal consegue conquistar um lugar nas competições europeias.
Não tendo participado na eliminatória contra Roma, essa mesma temporada 1999/00 também marcaria uma mudança de paradigma na sua carreira. Assolado por uma grave lesão, que o manteria afastado dos relvados por um longo período, a relevância de Rui Carlos no seio do grupo acabaria por diminuir. Mesmo recuperado da mazela, os níveis exibicionais do atleta nunca voltariam a ser os mesmos. É então, no final da temporada de 2000/01, que a ligação que mantinha com o emblema setubalense conhece o fim.
Com a barreira dos 30 anos já passada, é depois de deixar o Bonfim que Rui Carlos começa a última fase do seu trajecto como jogador. Dando início a um périplo que, sempre nos escalões inferiores, o levaria a vestir as cores de clubes como o Seixal, Portimonense, Alcochetense, Estrela de Vendas Novas, é nos Açores, e no Vitória do Pico, que termina a sua carreira.
Na verdade ainda voltaria aos relvados. Em 2008/09 haveria de aceitar o cargo de jogador/treinador-adjunto e com o emblema do Fabril (antiga CUF), Rui Carlos faria a transição do rectângulo de jogo para o banco de suplentes. Já como técnico tem-se destacado pelo trabalho feito nas camadas jovens daquele que foi o seu primeiro emblema, a Académica de Santarém.

729 - ANTÓNIO PEDRO

Indo assistir aos treinos do Operário Vilafranquense, a sua pequena estatura fazia com que os responsáveis pela equipa achassem que não tinha condições para singrar no futebol. Todavia, e por falta de um dos jogadores, um dia pedem ao jovem adepto para se juntar ao grupo. Mesmo jogando à defesa, posição a que não estava habituado, as suas habilidades haveriam de impressionar o responsável técnico da equipa, que pede a António Pedro para voltar a aparecer no campo.
Por razões burocráticas a sua inscrição seria adiada até à data do seu 17º aniversário. É por essa altura que, então, o médio faz a sua estreia pela equipa de juniores do Operário Vilafranquense:
 
“- Joguei a interior e marquei um golo... que me custou um olho negro !
- Bateram-lhe?
Sem querer, um adversário ao tentar aliviar com um pontapé "de bicicleta", apanhou-me a vista, quando meti a cabeça à bola para marcar o golo...
- De modo que deve ter recebido os abraços de felicitações a ver estrelas...
António Pedro riu-se e concordou (…)”*.

 
Já no seu segundo ano como júnior, António Pedro haveria de marcar presença em algumas das partidas das “reservas” e, igualmente, da primeira equipa. Contudo, só a partir da temporada de 1947/48 é que, em definitivo, passa a fazer parte do plantel principal.
Ainda que sem a experiência dos seus colegas, o jovem futebolista, que tanto podia jogar a médio centro como a interior, depressa começaria a exibir excelentes qualidades. Apesar de franzino, a disponibilidade que mostrava em campo, tornavam-no num dos melhores jogadores do emblema ribatejano. Rápido, com um bom passe e uma leitura de jogo superior, o atleta gostava de assumir a responsabilidade pela organização das jogadas. O peso que tinha no seio do grupo era enorme, e com o clube a abandonar a Associação de Futebol de Santarém para se juntar à de Lisboa (1949/50), António Pedro tornar-se-ia num dos principais responsáveis pelas consecutivas subidas de divisão.
Seria durante um encontro disputado em Pombal, partida a contar para a final da 3ª divisão, que António Pedro é descoberto por um antigo árbitro vila-franquense. Com residência nas Caldas da Rainha, o ex-juiz de jogo, que tinha por amigos alguns dos responsáveis do Caldas SC, dá boas indicações sobre o atleta. Convencidos do seu real valor, os dirigentes do clube, no intuito de o contratarem, partem para Vila Franca de Xira. Depois de muitas ofertas e outras tantas contrapropostas, é a altas-horas da noite, e já em plena rua, que o acordo é conseguido: para o clube – 12.500 escudos; para o atleta – um subsídio mensal de 500 escudos e a promessa de um emprego, onde iria auferir de um salário de 1.200 escudos.
Depois de trocar de emblema, mesmo tendo continuado a jogar na 3ª divisão, António Pedro começa a ser alvo de cobiça. O Sporting seria o primeiro a tentar a sua sorte e o atleta chegaria mesmo a treinar em Alvalade. Todavia, e achando o treinador Álvaro Cardozo que o médio não tinha qualidade suficiente para se juntar à equipa principal, a proposta para integrar a equipa de “reservas” e as fracas contrapartidas financeiras acabariam por não convencer António Pedro, que recusaria a oferta.
Com o avançar dos anos, e com o Caldas a subir na hierarquia das divisões, outras propostas foram surgindo. Sporting de Braga, Belenenses, Benfica e até o Ferroviário de Luanda, por diversas razões, foram sendo recusados. É nisto que o Caldas surge na 1ª divisão. No patamar mais alto do nosso futebol, o médio torna-se num dos atletas mais influentes do grupo. Tão importante era, que chega a ser chamado aos trabalhos da Selecção Nacional. Mesmo sem ter conseguido a tão almejada internacionalização, António Pedro continuaria como um dos mais utilizados no Caldas SC e peça fulcral das 4 campanhas feitas pelo emblema caldense nos grandes palcos do futebol português.
O seu caminho continuaria e terminaria no Caldas SC. Já depois de aí ter merecido a braçadeira de capitão e de ter granjeado a devoção de todos os que o viram jogar no Campo da Mata, António Pedro decide pôr um ponto final na sua vida de futebolista. Ainda assim, o antigo médio, que, ainda hoje, é tido como o melhor jogador a ter passado pelo emblema das Caldas da Rainha, continuaria ligado à modalidade. Nas funções de treinador, faria carreira no Caldas SC e, a exemplo, também no União de Santarém.

 
*excerto da entrevista dada à revista “Crónica Desportiva”, a 30 de Março de 1958

728 - FERNANDO VAZ


Dividindo a sua meninice entre Angola, onde nasceu, Trás-os-Montes e Lisboa, seria na capital que, desde os seus 9 anos, a sua família decide fixar-se. Órfão de pai e com mais 3 irmãos, é na Casa Pia que Fernando Vaz encontra a solução para prosseguir a sua educação. Todavia, muito mais do que dar continuidade aos estudos, seria na instituição lisboeta que, ainda petiz, começa a dar os primeiros passos no futebol.
Apaixonado pela modalidade, é nas equipas escolares e, mais tarde, nas camadas jovens do clube que enceta o seu caminho como jogador. Ao ser descoberto pelo técnico Arthur John, que muito admirou as suas qualidades, Fernando Vaz, ainda adolescente, passa a fazer parte do plantel sénior do Casa Pia Atlético Clube. É aí, na principal equipa dos “Gansos”, que faz toda a carreira de futebolista. Participa na edição de 1938/39 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, para, na temporada seguinte, pôr um ponto final na sua vida de desportista.
Com 22 anos apenas, Fernando Vaz decide pôr de parte o futebol, para dar prioridade ao emprego como bancário. A ajuda que precisava dar à família, leva-o a tomar esta difícil decisão. Mas, mesmo afastado do rectângulo de jogo, a sua paixão pela modalidade não diminuía e, colaborando com o Jornal de Lisboa e com a revista Stadium, a ligação ao “jogo da bola” manter-se-ia. Já alguns anos depois, e numa altura em que estava sem emprego, recebe uma proposta de Cândido de Oliveira. O convite leva-o a desempenhar as funções de redactor no jornal A Bola e a cimentar a amizade entre os dois homens do futebol.
No desempenho das funções de jornalista, Fernando Vaz acabaria por chegar a Chefe de Redacção. Contudo, o seu conhecimento profundo do jogo, das suas tácticas e psicologias, leva a que Cândido de Oliveira decida apostar em si para o auxiliar no Sporting. Em Alvalade, naquele que era o clube do seu coração, começa uma carreira que, de muito rica, o levaria a passar por diversos emblemas nacionais. Belenenses, Caldas (onde é considerado um dos melhores que por lá passaram), Vitória de Guimarães, CUF, Sporting de Braga, Académica, Atlético, Beira-Mar ou Marítimo, são, entre outros, alguns dos emblemas que representaria.
 Além dos já citados, houve outros emblemas que, porém, marcariam ainda mais a sua longa carreira de treinador. Podemos referir o FC Porto ou até a sua passagem pela Selecção Nacional. No entanto, há dois clubes que ficariam para sempre marcados no seu percurso. Um deles já aqui foi falado. No Sporting, Fernando Vaz acabaria por conseguir alguns dos seus maiores feitos. Primeiro, em 1969/70, venceria o Campeonato Nacional. Depois, e já na época seguinte, consegue conquistar a Taça de Portugal.
O emblema que aqui falta referir é o Vitória de Setúbal. Espalhadas por diversos períodos, as 10 temporadas passadas à frente dos “Sadinos”, fazem do clube o mais emblemático da sua carreira. Muito mais do que a longa ligação, o que Fernando Vaz realmente representa para o clube são os títulos conquistados durante a sua passagem. As Taças de Portugal de 1964/65 e 1966/67, adornadas ainda pela vitória na Taça Ribeiro dos Reis de 1968/69, são bem o exemplo da sua genialidade e competência.

727 - CALDAS SC


O Team Misto Caldense juntava-se para disputa de jogos com equipas de outras cidades. Os atletas que formavam este grupo terão, posteriormente, decidido rebaptizar o conjunto, que passaria a exibir o nome de Caldas Sport Clube. Já a fundação do grupo original, ainda que com alguma controvérsia, tem o consenso do ano de 1916. Para a data em si, o assentimento já não é tão grande, sendo que a que consta no “site” oficial do clube é a de 15 de Maio.
Tendo sido um dos membros fundadores da Associação de Futebol de Leiria (20 de Maio de 1929), foi com alguma naturalidade que, em termos do distrito, o clube começou por tomar a dianteira. O sucesso do conjunto, bem patente já nos anos 30, levaria os das Caldas da Rainha a vencer 4 “regionais” (1930/31; 1932/33; 1933/34; 1935/36). Já no panorama nacional, o “assalto” aos Campeonatos começaria no início da década de 50. Este crescimento, exponencial, reflectir-se-ia em periódicas subidas e levaria o Caldas, na temporada de 1955/56, a atingir a 1ª divisão.
O desenvolvimento do clube também deve, e em muito, à passagem de excelentes treinadores. Mariano Amaro, antigo internacional e craque do Belenenses, acabaria por ser o grande responsável pela ascensão do Caldas ao escalão máximo do futebol português. Tendo orientado a equipa durante a época de 1954/55, o antigo médio levaria os seus pupilos à disputa da “liguilha”. Com o Boavista como adversário, as “duas mãos” seriam insuficientes para determinar quem, na temporada seguinte, jogaria a 1ª divisão. A terceira partida, disputada no Estádio Municipal de Coimbra, acabaria com as dúvidas e, com o resultado de 4-1, a promoção do Caldas ficava assegurada.
Pelo Campo da Mata, alojamento que sucederia a recintos como o do Bairro da Ponte ou o do Borlão, outros nomes passariam pelo comando técnico do clube. Já no patamar maior do nosso futebol, Jóseph Szabó e Fernando Vaz abrilhantariam o percurso primodivisionário do Caldas Sport Clube. Esse trajecto, que duraria 4 temporadas consecutivas, acabaria por ser abalado por alguns episódios caricatos. Num deles, num jogo a contar para a Taça de Portugal de 1955/56, dá-se a expulsão do atacante Bispo. O curioso desta situação é que a indicação para o atleta sair de campo não seria dada, como mandam as regras, pelo árbitro do jogo. A ordem surgiria de Leandro, o “capitão” do Caldas, que constatando a falta de empenho do colega, indica ao mesmo o caminho dos balneários.
Na temporada de 1958/59 o Caldas não iria além de um 13º lugar. A inevitável despromoção conduziria o emblema caldense a uma fase mais negativa e que, até aos anos 70, o levaria a disputar, em grande parte das épocas, os “distritais”. Num passado mais recente, o Caldas também passaria por uma fase muito atribulada. Alguns anos após a viragem do milénio, e resultado de graves problemas económicos, a sua extinção esteve em cima da mesa. Felizmente para este histórico do desporto nacional, foi possível atingir a estabilidade e, neste que é o ano do seu centenário, o clube tem saldadas as suas dívidas e encontra-se a disputar o Campeonato de Portugal (3º escalão).

726 - MARCO NUNO

Diversos foram os encontros que, entre 1995 e 2003, Marco Nuno disputaria na 1ª divisão. Essas 8 temporadas, fariam do antigo atacante um dos nomes mais falados naquele que é o principal escalão do futebol português. Para além desse registo, existe outro de igual importância na sua carreira e que, desta feita, o põe na lista de históricos do Lusitano Futebol Clube.
Com as cores do emblema de Vila Real de Santo António, o extremo, para além de passar as diversas etapas de formação, também faria a sua estreia no escalão sénior. A primeira dessas partidas ocorreria durante a temporada de 1993/94 e, desde logo, ficaria a ideia que as escolas do clube algarvio, mais uma vez, tinham produzido um atleta de excelência.
Bastariam duas épocas para que, daquele que era o clube de maior projecção no Sul do país, surgisse o interesse na sua contratação. O Farense, sob a batuta do catalão Paco Fortes, era, por essa altura, um dos emblemas que habitualmente militava na primeira metade da tabela classificativa. Atletas como o guardião Peter Rufai, Hajry, Punisic ou Djukic, mostravam toda a força desse plantel, sublinhando a ideia que a inclusão de Marco Nuno não poderia ser um mero acaso.
A primeira temporada do atacante com o novo emblema, coincidiria com a estreia dos “Leões de Faro” na Taça UEFA. Meta histórica para o clube e uma oportunidade para o atleta inscrever o seu nome em tão solene capítulo. Esse momento acabaria por acontecer na 1ª mão da ronda inicial. Tendo ao Farense calhado em sorte o Olympique de Lyon, Marco Nuno, ao minuto 57 do referido jogo, acabaria por ser chamado a entrar para o lugar de Tozé.
 Mesmo tendo a vitória sorrido à equipa gaulesa, a importância do momento, só por si, faria com que o nome de Marco Nuno já merecesse um lugar nos anais do clube. Todavia, outro factor acabaria por tornar-se bem mais relevante e o total de anos que o atleta passaria no Estádio de São Luís, torná-lo-iam num dos jogadores mais estimados pelos adeptos.
Seria ao fim de 6 temporadas que a dita ligação conheceria o seu fim. Com o Farense a sofrer os efeitos de uma grave crise económica, a transferência de Marco Nuno para o Gil Vicente pareceu ser o caminho mais racional. O que de pouca lógica teve, seria o seu regresso ao Lusitano. Ainda sem ter cruzado a barreira dos 30 anos de idade, e depois da sua saída do emblema de Barcelos, o extremo, estranhamente, prosseguiria a sua carreira com uma nova passagem pela 3ª divisão. O bom de tal “despromoção” acabaria por ser, neste seu segundo ingresso, o cimentar de uma antiga união. A ligação tornar-se-ia ainda mais forte quando, já depois de representar o Beira-Mar de Monte Gordo, Marco Nuno tem a sua terceira passagem pelas “Águias do Algarve”. Este novo vínculo acabaria por materializar uma história que, só na equipa principal, atingiria a dezena de anos.
Já depois de em 2014, e à beira de completar 40 anos, ter posto um ponto final no seu percurso de futebolista, eis que um novo convite fez com que voltasse a calçar as chuteiras. Do São Marcos, clube que tem apostado em antigas glórias do desporto nacional para promover o seu futebol (casos de Cadete, Pitico ou Fernando Mendes), Marco Nuno recebe um novo desafio. Disputando os “distritais” de Beja, o atacante regressaria aos rectângulos de jogo para, em 2015/16, fazer mais uma série de partidas.

725 - MANUEL FERNANDES

Tendo passado pelos diversos escalões de formação, a sua chegada à principal equipa do Lusitano Futebol Clube aconteceria na temporada de 1971/72. A jogar tanto no meio-campo, como em lugares mais avançados do terreno, era encostado à esquerda que Manuel Fernandes mais rendia.
Dono de um forte remate, o jovem atleta rapidamente conseguiria destacar-se entre os demais colegas de equipa. As suas prestações, logo nessa época de estreia entre os seniores, levaria a que o Farense, orientado pelo consagrado Manuel de Oliveira, visse nele um bom reforço. A troca de emblemas, que o conduziria da 3ª divisão nacional para o escalão máximo português, aconteceria logo no defeso seguinte.
 Já depois de deixar Vila Real de Santo António, e a jogar entre os “grandes”, Manuel Fernandes, sem conseguir atingir o estatuto de titular, era, sem dúvida, um elemento importante. Essa relevância levaria a que conseguisse manter o seu lugar no plantel do Farense durante diversas temporadas. Esses anos passados em Faro, tendo partilhado o balneário com jogadores de grande traquejo, casos de Manuel José ou dos brasileiros Adílson, José Farias e Mirobaldo, fariam do ala-esquerdo um futebolista primodivisionário. Tanto assim foi que, mesmo com a despromoção dos “Leões algarvios”, Manuel Fernandes conseguiria manter-se na 1ª divisão.
A passagem pelo Estoril-Praia (1976/77), onde também estaria às ordens de José Torres, serviria de interlúdio para o ingresso em mais um clube do Algarve. No Portimonense, onde voltaria a cruzar-se com diversas caras suas conhecidas, casos dos já referidos Manuel de Oliveira e Mirobaldo, Manuel Fernandes ficaria por 3 anos. Destaque para a temporadas de 1978/79, durante a qual se sagraria campeão nacional da 2ª divisão.
Já depois de vestir as cores do Amora, naquela que seria a sua 8ª época no patamar mais alto do futebol nacional, Manuel Fernandes prosseguiria o seu caminho nos escalões secundários. Juventude e Lusitano, ambos emblemas da cidade eborense, Vasco da Gama de Sines e Quarteirense, completariam o leque de clubes que representaria durante a sua carreira. A mesma chegaria ao fim com o terminar da época de 1986/87 e de volta ao Lusitano de Évora.

724 - PILOTO


Meia dúzia de anos a jogar na principal equipa do Lusitano, davam a entender que poucos tinham reparado na qualidade deste extremo-esquerdo. No entanto, ele que também aí tinha terminado a sua formação, vê chegar o dia em que, dos escalões acima, começam a interessar-se pelas suas habilidades.
É para a temporada de 1972/73 que o Barreirense, então comandado pelo técnico Carlos Silva, apresenta Piloto como reforço. O salto, que o levaria a abandonar a 3ª divisão para o pôr a disputar o nosso escalão máximo, faz com o jogador se despeça de Vila Real de Santo António. Mesmo tendo deixado a sua terra natal, e um contexto competitivo deveras diferente, a adaptação à nova equipa, e à nova cidade, seria surpreendente. Como estreante, e apesar dos 24 anos já darem a Piloto alguma experiência, poucos foram aqueles que, à sua chegada, vaticinaram o seu sucesso. Todavia, seria quase de imediato que o atacante conseguiria conquistar o seu lugar no “onze” inicial. Depois de uma época, a sua primeira, em que seria um dos mais utilizados, o segundo ano ao serviço do emblema do Barreiro, traria a Piloto um pouco mais de competição. Mesmo vendo abalado o seu estatuto de “inquestionável”, o jogador daria uma boa contribuição ao conjunto.
Tendo, no plano pessoal, conseguido bons resultados, a verdade é que as prestações colectivas seriam insuficientes para evitar a despromoção da equipa. Após a temporada de 1973/74, Piloto nunca mais voltaria aos palcos maiores do nosso futebol. Continuaria, isso sim, ligado ao Barreirense. 7 anos a representar os da margem Sul do Tejo, divididos entre duas passagens, fariam de José Piloto um dos históricos do clube. Também no Algarve, as recordações deste ala-esquerdo são as melhores. Já o resto da sua carreira far-se-ia entre a 2ª e a 3ª divisão, onde envergaria as cores de Amora, Cova da Piedade e Montijo.

723 - CALDEIRA

Apaixonado pelo futebol, decide formar um clube onde, com os seus amigos, pudesse praticar a modalidade. O Onze Estrelas, muito mais do que uma inocente brincadeira de rapazes, acabaria por servir de impulso para lançar Manuel Caldeira naquela que viria a ser a sua carreira como jogador.
É já após esses primeiros passos que, anos mais tarde, decide treinar-se no Lusitano Futebol Clube. A experiência acabaria por correr de feição e, tendo agradado aos responsáveis do clube, Caldeira começa por integrar as camadas jovens dos algarvios. Em 1944/45, com o emblema ainda na 3ª divisão nacional, dá-se a sua subida aos seniores. Depressa consegue afirmar-se com um dos bons elementos do grupo e, sendo um dos esteios da defesa, seria fulcral na ascensão dos de Vila Real de Santo António.
Com a chegada do Lusitano à 1ª divisão, Manuel Caldeira começa a merecer maior destaque no panorama do desporto nacional. Durante essas 3 temporadas que, entre 1947 e 1950, manteriam o clube entre os “grandes” do nosso futebol, o atleta consegue afirmar-se como um dos melhores a actuar no sector defensivo. Reconhecido como um batalhador nato, essa sua faceta guerreira, faz com o Sporting, à procura de renovar a sua equipa, o vá contratar àquela que era a principal delegação benfiquista no Algarve. Já em Lisboa, também não demorou muito tempo a conseguir um lugar no “onze” inicial. Os 9 anos que se seguiram, serviriam, salvas raras excepções, para o sublinhar com um dos principais esteios do futebol leonino.
Tendo partilhado o balneário com nomes como os de Albano, Jesus Correia, Travassos, Peyroteo, Vasques ou o guarda-redes Azevedo, Manuel Caldeira fez parte de um dos períodos de ouro da história do Sporting Clube de Portugal. Nesse sentido, não é estranho constatar que o seu currículo, no que toca aos títulos, é um dos mais recheados da sua época. 5 Campeonatos Nacionais, entre os quais o primeiro “tetra” do futebol português, e ainda 1 Taça de Portugal, abrilhantam uma carreira que também se vestiu com as cores das “cinco quinas”. Pela selecção, conseguiria 3 internacionalizações. Depois da estreia em Dezembro de 1954, frente à República Federal Alemã, eis que o seu percurso com a camisola do nosso país terminaria naquela que foi a primeira vitória de Portugal frente à Inglaterra.
Quando em 1959 termina a sua ligação ao Sporting, Manuel Caldeira volta ao Algarve. Na região onde nasceu, o jogador cumpre os derradeiros capítulos da sua vida como futebolista. Já nos escalões secundários, representa o Portimonense e, por fim, o Silves. Seria neste último emblema que faz a transição do “rectângulo de jogo” para o banco de suplentes. Ainda como treinador-jogador, consegue levar o clube da 3ª à 2ª divisão nacional. Depois, numa carreira que, durante largos anos, foi dedicada à formação de jovens, passou pelas “escolas” do Esperança de Lagos e do Portimonense. Como treinador no escalão sénior, o maior destaque acabariam por ser os serviços prestados ao emblema de Portimão.

722 - LUSITANO FC

Nascido em meados da década de 10, o contexto político-social vivido na época, iria moldar, logo à sua fundação, todo o clube. Numa altura em que, por razão da Grande Guerra ou da recente Proclamação da República, a ideia de nação estava ao rubro, a escolha do nome estaria envolta num enorme sentimento patriótico.
Contando, ao que consta, com inspiração do romance histórico “Santa Pátria” de António de Campos Júnior, os primeiros membros da colectividade decidem baptizá-la de Lusitano Futebol Clube. Tendo o primeiro passo sido dado a 15 de Abril de 1916, o emblema de Vila Real de Santo António, como a lógica o haveria de ditar, começa por impor-se no Algarve. Já depois de Farense e Olhanense tomarem a dianteira no futebol da região, eis que na temporada de 1922/23, o clube, que era uma das principais delegações do Benfica, quebra a hegemonia dos seus mais directos adversários. Depois dessa primeira vitória no “regional” algarvio, o interregno de 4 épocas sem conseguir erguer o troféu, serviria de antecâmara para o feito que se seguiria. O Tricampeonato, conquistado entre 1927/28 e 1929/30, acabaria, sem qualquer dúvida, por lançar o clube na senda do sucesso e da afirmação nacional.
Já após conseguir, por mais duas vezes, levar de vencida a prova, é na temporada de 1934/35 que o Lusitano consegue apurar-se para o Campeonato da 2ª divisão. Contudo, e apesar de não disputar os “nacionais” com a regularidade esperada, o crescimento que o clube vinha a conquistar, faria com que, alguns anos mais tarde, conseguisse superar outra barreira. Seria já na época de 1946/47, que o Lusitano escreveria uma nova página na sua história. Depois de uma primeira fase imaculada, durante a qual não consentiria qualquer derrota, as “Águias Algarvias” enfrentariam a etapa final do Campeonato da 2ª divisão de uma forma intrépida. Batendo-se de forma gloriosa com os rivais mais próximos, a 2ª posição conquistada acabaria por levar o emblema à estreia no escalão máximo português.
Entre os “grandes”, o Lusitano conseguiria manter-se por 3 anos consecutivos. Mesmo sem conseguir resultados significativos, tendo como um 12º lugar (1947/48) a sua melhor classificação, a presença do emblema na alta-roda do futebol nacional teria as suas particularidades. Uma delas, talvez a maior, seria a passagem pelo Campo Francisco Gomes Socorro de grandes nomes da modalidade. Os internacionais José Maria Pedroto e Manuel Caldeira terão sido os que, fazendo parte desse grupo, mais brilharam no desporto português. No entanto, atletas como Germano ou Isaurindo, mesmo sem ter atingido a notoriedade dos já citados futebolistas, acabariam por mostrar toda a sua raça e elevar o emblema à condição de um dos históricos de Portugal.
A vida mais recente do Lusitano narra-nos algumas dificuldades. Sem condições financeiras para se manter no topo, o emblema algarvio tem alternado a presença nos “nacionais” com algumas despromoções aos “distritais”. Procurando, em termos financeiros e humanos, estabilizar o clube, o trabalho que os seus dirigentes têm feito é no sentido de o sustentar durante os anos vindouros. No campo desportivo, sem estar a prever qual será o futuro, há que relembrar a capacidade das suas “escolas”; há que relembrar que jogadores como Paulo Madeira, Jacques ou Cavém sairiam do sudeste português para abrilhantar o resto do país.

CENTENÁRIOS 2016

Como tem vindo a ser tradição no “Cromo sem caderneta”, Dezembro é dedicado a emblemas que, virando uma página importante na sua existência, chegam à brilhante idade dos 100. Durante o ano que agora chega ao fim, houve duas instituições que, tendo tido a sua passagem pelo escalão maior do nosso futebol, atingiram esta secular marca. Nesse sentido, este mês será dedicado aos “Centenários 2016”.

721 - FILIPE ANUNCIAÇÃO

Tendo sido um produto das escolas do Boavista, Filipe Anunciação só conseguiria integrar a primeira equipa “axadrezada”, uns bons anos após terminar a sua formação. Seria então, com as cores do Feirense, que o atleta acabaria por fazer a estreia na categoria principal. Depois, apareceria o Paços de Ferreira e, passadas duas temporadas sobre a sua estreia a sénior, os primeiros passos na 1ª divisão.
Apesar de 2000/01 ter marcado o início do seu percurso no escalão máximo, o caminho que, até aí, já tinha feito, contava com diversas presenças na selecção nacional. Pelas camadas jovens de Portugal, o médio tornar-se-ia numa presença habitual. Combativo, como um dos primeiros entraves às ofensivas adversárias, Filipe Anunciação era uma preciosa ajuda nas manobras defensivas. Nesse sentido, a sua integração no grupo que disputaria o Mundial s-20 de 1999, acabaria por não surpreender ninguém.
Já depois da curta passagem pelos principais palcos do futebol português, na qual não conseguiria grande destaque, seria o regresso à divisão de honra que devolveria o trinco às exibições de excelência. No Desportivos das Aves, o médio voltaria a demonstrar as suas qualidades de batalhador incansável. Os seus predicados, que haveriam de o manter em evidência durante esse ano e meio, acabariam por merecer a atenção do Boavista. À procura de alguém que, com características semelhantes, pudesse suprimir a ida de Petit para o Benfica, Jaime Pacheco decide apostar na contratação de um jogador acostumado à “filosofia da casa”.
Habitual presença no “onze” boavisteiro, foi confuso constatar que o final da temporada de 2003/04, levasse à sua saída do Bessa. A carreira do médio, sem que abandonasse o escalão principal, acabaria por prosseguir no Moreirense. Depois, mais uma vez, viria o emblema da Vila das Aves e, por fim, o início do capítulo mais marcante do seu percurso profissional.
Na verdade, esse virar de página, um pouco como no caminho até aí percorrido, não traria nada de muito novo à sua vida. A grande diferença, é que este novo ingresso no Paços de Ferreira conseguiria, em primeiro lugar, cimentá-lo como um dos bons futebolistas do nosso campeonato. A seguir, e reconhecidas as suas qualidades pelos responsáveis e adeptos do clube, viria a progressiva elevação a um dos históricos do emblema da “Capital do Móvel”.
As temporadas que se seguiriam, desde o seu começo em 2007/08, fariam de Filipe Anunciação numa das mais respeitáveis figuras do clube. Conseguindo, com todo o mérito, tornar-se num dos esteios, e figura de proa, dos pacenses, não tardou muito que a braçadeira de capitão fosse a si confiada. Seria nesse estatuto que, dentro de campo, comandaria os seus companheiros naqueles que seriam os melhores capítulos da história do Paços de Ferreira. Com o 3º lugar conquistado na classificação de 2012/13, a época seguinte traria à localidade nortenha as competições europeias. Depois de ter liderado a equipa no “Play-off” da Liga dos Campeões, a eliminação perante os russos do Zenit, levaria Filipe Anunciação, e os seus colegas, a disputar a Liga Europa. Num grupo que contava com Pandurii, Dnipro e Fiorentina, o Paços de Ferreira terminaria na 3ª posição.
O fim da carreira de Filipe Anunciação viria em 2014/15. Sem conseguir atingir o nível exibicional dos anos anteriores, o médio, já com a temporada a decorrer, decide mudar o rumo da sua vida. Aceitando o convite dos dirigentes do clube, o atleta acede em deixar os relvados, para, integrando a equipa técnica de Paulo Fonseca, dar início ao seu percurso como treinador. Nas funções de adjunto, tem, desde então, estado ao serviço dos “Castores”.

720 - ALFREDO

Tendo feito a sua formação no Rio Ave, Alfredo não demoraria muito a tornar-se num dos melhores guardiões do campeonato nacional. Já depois da estreia a sénior na temporada de 1981/82, o ano seguinte traria ao atleta a responsabilidade da titularidade. Tal cargo não haveria de fazer tremer o jovem jogador que, daí em diante, tomaria o lugar como seu.
Como parte do “onze” vila-condense, e integrando um plantel cheio de futebolistas feitos na casa, Alfredo tornar-se-ia num dos esteios das contendas do Rio Ave. Nessas caminhadas, o ano de 1984 haveria de ficar para história do emblema. Já depois de terem deixado para trás equipas como o Vitória de Guimarães, eis que chega o momento de disputar a final da Taça de Portugal. No Estádio Nacional, frente a um FC Porto que nesse mesmo ano haveria de atingir a final da Taça dos Vencedores das Taças, os vareiros acabariam por claudicar. Para a história ficariam os 4-1 que selaria a vitória “azul e branca”. No entanto, muito mais do que o resultado, a histórica partida serviria para catapultar a carreira de alguns dos futebolistas do Rio Ave.
No rescaldo da partida do “Jamor”, alguns dos jogadores vila-condenses começariam a ser cobiçados por outros emblemas. Tal como Quim, que sairia em direcção ao FC Porto, Alfredo (acompanhado por Casaca) veria o destino levá-lo ao Estádio do Bessa. Quase década e meia a defender as balizas axadrezadas, fariam dele, como é óbvio, uma das referências do clube. Todavia, muito mais do que a longevidade alcançada, a postura que sempre apresentou em campo foi o seu melhor legado. A bravura que mostraria entre os postes, uma pitada de loucura e estiradas memoráveis, fariam dele um exemplo a seguir. Depois, havia o resto. O resto era a sua voz, a voz que, desde lá de trás, ecoava pelo campo fora. Esses seus comandos torná-lo-iam num dos atletas mais respeitados dentro e fora do rectângulo de jogo; torná-lo-iam, durante muitos anos, no capitão de equipa.
Ao serviço do Boavista, Alfredo passaria os melhores anos da sua carreira. Tendo conquistado 2 Taças de Portugal (1991/92; 1996/97), o seu currículo ficaria ainda mais preenchido com a vitória das “Panteras” nas Supertaças de 1992/93 e 1997/98. Seria também durante os anos em que estaria ao serviço do emblema portuense, que o guarda-redes faria a sua estreia pela principal selecção portuguesa. Com a “camisola das quinas”, em Oslo, Alfredo jogaria a sua primeira partida, em Abril de 1994. No entanto, muito mais do que esse particular frente à Noruega, ou as duas internacionalizações que se sucederiam, a sua presença na fase final do Euro 96 seria o reconhecimento pela sua brilhante carreira.
Depois de estar presente no Campeonato Europeu disputado em Inglaterra, o seu trajecto profissional duraria apenas mais um par de anos. Tendo posto um ponto final na carreira com o terminar da época de 1997/98, o jogador voltaria à principal equipa boavisteira já depois da viragem do milénio. Fazendo parte da equipa técnica liderada por Jaime Pacheco, Alfredo seria umas das peças de um dos mais importantes episódios da história do clube. Como treinador de guarda-redes, o antigo atleta ajudaria na conquista do Campeonato Nacional de 2000/01.
É nas já referidas funções que Alfredo tem mantido a sua ligação com o futebol. Principalmente no Boavista, mas também com passagens pelo Rio Ave e pelos romenos do Pandurii, o seu trabalho tem sido reconhecido como valoroso. De volta ao Bessa desde 2012/13, tem, desde as divisões inferiores, ajudado na recuperação do emblema. Já nesta temporada de 2016/17, fez parte do “staff” de Erwin Sánchez. Já depois da saída deste último, Alfredo continuaria de “xadrez” e auxiliando o treinador Miguel Leal.

719 - HUMBERTO

Fez sua estreia pela equipa principal do Marítimo, numa temporada que haveria de ficar para a história do emblema madeirense. Em 1976/77, nesse que seria também o seu primeiro ano no escalão sénior, os do Funchal disputavam a 2ª divisão. Tentando voltar aos palcos maiores do futebol nacional, coisa inédita no formato de “liga”, o clube acabaria na 1ª posição da Zona Sul.
Com a promoção alcançada, veio também a estreia de Humberto no patamar máximo do nosso futebol. Preferencialmente ocupando posições defensivas, a vida de Humberto, por essa altura, não era das mais fáceis. Jogando tanto no meio campo, como na direita da defesa, o jovem futebolista estava tapado por outros atletas. A presença de colegas mais experientes, caso do histórico Olavo, faria com que Humberto tivesse algumas dificuldades em impor-se. Todavia, este cenário alterar-se-ia e na temporada de 1980/81, o jogador consegue alterar o seu estatuto no seio do plantel.
Já como elemento do “onze” inicial, Humberto acompanharia a equipa na descida de escalão e numa nova promoção. Contudo, por altura do regresso à primeira divisão (1982/83), o seu percurso com os “verde-rubro” estava para terminar. Na época seguinte, Humberto regressaria ao emblema no qual havia feito toda a sua formação. De volta ao União da Madeira, o jogador acabaria, mais uma vez, por fazer parte de um momento muito importante. Já depois de, durante 6 anos, disputar o campeonato da 2ª divisão, Humberto ajudaria o seu clube a estrear-se no convívio com os “grandes” do futebol português.
A derradeira parte da sua carreira passar-se-ia, também, ao serviço de colectividades da Ilha da Madeira. Já depois de vestir as cores de Machico e São Vicente, Humberto decide ser a altura certa para pôr um ponto final na sua vida como futebolista. Tendo, logo de seguida, dado início ao seu percurso como treinador, seria igualmente no São Vicente que surgiria a oportunidade de encetar novo caminho. Aos primeiros passos, suceder-se-iam passagens por diversos emblemas madeirenses. Esse caminho, encetado a meio da década de 90, levá-lo-ia a também ao Marítimo. Já esta temporada (2016/17), depois de, em anos anteriores, ter orientado as camadas jovens e a equipa “b”, Paulo César Gusmão escolhê-lo-ia para adjunto da sua equipa técnica.

718 - VITAL

Jogava hóquei em patins pelo Sporting de Tomar, quando recebe um pedido de ajuda. João Segorbe, guardião que por essa altura era atleta do GD Matrena, e que ao mesmo tempo aí treinava os iniciados, vê-se sem jogadores para ocupar a baliza. Sabendo que Vital estava habituado a funções semelhantes, lá consegue convencer o jovem a trocar os ringues pelos campos da bola.
Apesar da pequena estatura, a sua elasticidade, poder de elevação e segurança entre os postes, faziam de Vital um bom guarda-redes. Nesse sentido, não tardou muito que do União de Tomar chegasse o interesse na sua contratação. No emblema da “cidade templária”, criadas que estavam as condições para o surgimento dos escalões de formação, o jovem atleta é chamado a ocupar a baliza dos juniores. A aprendizagem demonstrada levaria a que, ainda em 1978/79, começasse a aparecer junto da equipa principal. No entanto, a sua integração definitiva apenas aconteceria na temporada seguinte.
É então, pelo União de Tomar que faz a sua estreia no nível sénior. Num plantel onde também estava João Segorbe, Vital acabaria por tornar-se numa enorme revelação. Mesmo sendo muito jovem, o lugar à baliza rapidamente é por si ocupado. Com tamanha evolução não foi de estranhar que, com a descida do União de Tomar à 3ª divisão, logo viessem outros emblemas no seu encalce. Rio Maior e, logo de seguida, o Lusitano de Évora acabariam por servir de trampolim para o escalão maior.
A sua estreia pelo Portimonense dá-se na temporada de 1984/85. Com Manuel José aos comandos da equipa, o clube consegue a melhor classificação na sua existência. Com o 5º lugar conquistado no ano da sua chegada, é Vital que, no ano seguinte, tem o dever de defender as redes algarvias nas provas europeias. Frente ao Partizan, o guardião é chamado ao “onze inicial”. Todavia, a sua prestação seria incapaz de evitar a passagem dos de Belgrado.
Mesmo sem nunca ter obtido uma internacionalização pela selecção principal portuguesa, Vital acabaria por integrar a lista de pré-convocados para o México 86. Ainda que sem conseguir um lugar no grupo que iria disputar a fase final do Campeonato do Mundo, as boas exibições levam a que o Sporting o vá buscar a Portimão. Em Alvalade, apesar de reconhecidas as suas qualidades, a concorrência de outros grandes futebolistas tornaria a sua afirmação muito difícil. Vítor Damas, Rui Correia e, mais tarde Rodolfo Rodriguez ou Ivkovic, acabariam por tornar a sua estadia em Lisboa em algo muito discreto.
Seriam necessários mais alguns anos, e passagens por Estrela da Amadora e Tirsense, para que Vital voltasse ao nível exibicional que havia atingido nos primeiros anos da sua carreira. No Gil Vicente, onde chegaria na temporada de 1993/94, o guardião volta a ser um atleta preponderante. Com os de Barcelos a disputar o patamar maior, o jogador acabaria por tornar-se numa das figuras do clube.
Depois de 4 anos em contendas primodivisionárias, os “gilistas” acabariam despromovidos. Essa descida coincidiria com a entrada de Vital na derradeira fase do seu percurso como atleta. A partir desse momento, o guarda-redes manter-se-ia nos escalões secundários. Já ao serviço do Esposende, quando estava bem perto de completar 40 anos de idade, o jogador decide ser altura certa para deixar os relvados. Logo de seguida, enceta as suas tarefas como treinador de guarda-redes. No cumprimento das mesmas, tirando uma curta passagem pelos “Leões”, tem defendido as cores do Sporting de Braga. Esta temporada (2016/17), coadjuvando José Peseiro, Vital continua a trabalhar em prol do sucesso dos minhotos.