785 - KAROGLAN

Já ia longo o seu percurso, quando rebenta a guerra nos Balcãs. Depois de passagens por alguns emblemas da antiga Jugoslávia, Karoglan, por razão do referido conflito armado, decide então deixar o seu país – “Se não fosse a guerra nunca tinha ido. Tinha 26 anos e não me passava pela cabeça sair daqui, ainda por cima para um país como Portugal, tão longe. É a vida. É a guerra e é a vida…”*.
Fixa-se em Trás-os-Montes e aí encontra o seu antigo colega do NK Iskra Bugojno, Rudez Thiomir. Tendo como companheiro na frente de ataque Rudi (foi assim que o seu compatriota ficou conhecido), o atleta adapta-se na perfeição ao Desportivo de Chaves. Mesmo com uma carreira que, até então, tinha sido feita, maioritariamente, de passagens por clubes mais modestos, o jogador consegue destacar-se com facilidade e começa a merecer uma atenção especial.
Naquele que seria o seu caminho, Hajduk Split, Dinamo Vinkovci, NK Zagreb e os já falados emblemas precederiam um dos clubes com mais tradição em Portugal. Após duas temporadas a envergar as cores da colectividade flaviense, o Sporting de Braga decide apostar na contratação do atacante croata. Rápido e, principalmente, com uma postura bastante aguerrida, Karoglan conseguiria, com relativa facilidade, conquistar os adeptos do seu novo clube. Na “Cidade dos Arcebispos”, o avançado acabaria por dar um enorme contributo para os bons resultados do conjunto. A chegada à final de Portugal de 1997/98 ficaria na memória dos que acompanham os bracarenses. Já a eliminatória jogada frente às “Águias” é uma das melhores recordações do futebolista – “Olha, foi na meia-final da Taça, dois golos, há um vídeo na internet, vai ver (…). Foi uma grande alegria, uma festa. O estádio estava cheio, muita gente a festejar, foi um dia para não esquecer. E o Benfica era muito forte, não era fácil marcar ao Preud'homme”**.
Apesar da final perdida frente ao FC Porto (3-1), os 6 anos ao serviço do Sporting de Braga transformar-se-iam em tempo mais do que suficiente para que Karoglan conseguisse tornar-se num dos grandes ídolos da massa associativa minhota. Ainda sem nunca ter sido um atacante muito prolífero, a sua atitude dentro de campo e a ajuda que prestava aos seus colegas, valer-lhe-iam esse estatuto.
Em 1998/99, Karoglan decide ser hora para pôr um ponto final no seu percurso como futebolista. Ainda que afastado dos grandes palcos, o antigo atacante continua a estar bem atento ao futebol. Muito para além de acompanhar a carreira do filho (Bruno Karoglan), a sua relação com a modalidade, principalmente em Portugal e na Croácia, mantem-se – “Continuo ligado ao futebol. Tento manter sempre esta ligação, mesmo que não a nível profissional. Trabalhei como olheiro e também numa equipa juvenil aqui da cidade. Cheguei a falar com o Braga para descobrir talentos mas nunca foi nada em concreto. Não tenho ligação a um clube, faço de olheiro para alguns amigos, seja para a Croácia, Inglaterra, Alemanha…”*.

 
*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, em http://www.maisfutebol.iol.pt, publicado a 03/12/2014
**adaptado da entrevista de Mariana Cabral, em http://tribunaexpresso.pt, publicado a 19/09/2016

784 - MICKEY


Já depois de passar pelas “escolas” de diversos emblemas da Beira Litoral, é já na Académica de Coimbra que termina o seu percurso formativo. Rui Miguel Alegre do Nascimento Lopes, que ficaria conhecido no mundo do futebol por Mickey, acabaria por encontrar no emblema da “Cidade dos Estudantes” um meio propício a lançar-se na referida modalidade. Ainda assim, e já depois de, na temporada de 1990/91, ter conseguido estrear-se na categoria principal, a falta de oportunidades daria jus a um pequeno périplo de empréstimos.
A cedência ao Mirandense (1991/92) e, no ano seguinte, à Naval 1º de Maio (1992/93), abrir-lhe-iam as portas do regresso a Coimbra. De volta à “casa mãe”, a sua ascensão ao “onze” inicial não seria imediata e o médio-ofensivo ainda teria de penar um pouco mais. Esse estatuto, o de titular, consegui-lo-ia apenas em 1994/95. Sendo um jogador que primava pela excelente leitura de jogo, e tendo uma técnica de passe acima da média, Mickey começaria a cimentar-se como o “playmaker” do grupo.
A importância que, no decorrer das temporadas seguintes, conseguiria granjear, serviria para sublinhar as suas excelsas qualidades. Todavia, não era só dentro de campo que o centrocampista personificava o espírito da “Briosa”. Também fora dele, mormente no desenrolar da sua vida académica, Mickey era um bom exemplo. Como estudante-atleta, o futebolista serviria para preservar uma das tradições mais vincada na história da instituição conimbricense.
Já numa altura em que o seu lugar na equipa inicial era inquestionável, Mickey, finalmente, consegue disputar a mais importante competição em Portugal. Infelizmente para o jogador, e uma injustiça para a consistência que sempre mostrou dentro de campo, o seu percurso no nosso maior patamar não atingiria a duração que este merecia. Com os “Estudantes”, o médio estaria 2 temporadas na 1ª divisão (1997 a 1999). Já sua saída do clube coincidiria com a despromoção do grupo e com a necessidade de reduzir o orçamento da equipa – ”É doloroso sair da Académica, sinto alguma mágoa porque estou muito ligado a esta casa (…). Sei que ainda tenho muito a dar ao futebol e chegou a hora de pensar também em mim (…). “As negociações com o Campomaiorense estão muito bem encaminhadas, o que me permitirá continuar a jogar na I Divisão (…). A possibilidade de ir para Espanha continua de pé”*.
A sua escolha recairia no emblema da raia alentejana. Incrivelmente, a partir dessa mudança de clube, a sua carreira, e de uma forma repentina, encurtar-se-ia. Depois de uma época ao serviço do Campomaiorense, Mickey assina pelo Sporting de Espinho e mergulha nos escalões inferiores. Maior tornar-se-ia a surpresa quando, sem ainda ter chegado aos 30 anos de idade, decide pôr um ponto final no seu percurso profissional. Depois dessa temporada com os “Tigres da Costa Verde”, e numa decisão que, aos olhos de um normal adepto, parece sempre prematura, o atleta afastar-se-ia dos “campos da bola”.

 
*adaptado de artigo publicado no jornal “Record”, a 02/07/99

783 - GONZÁLEZ

Estrela no Club Guaraní, ao avançado seria apresentada uma proposta para a sua transferência para o Real Madrid. Tal sugestão, ainda que dependente de um período experimental, seria aceite pelo atleta que, desse modo, teria a oportunidade de jogar num dos maiores emblemas a nível mundial.
O que passa a ser complicado é tentar explicar o que terá acontecido entre a proposta dos “Merengues” e a sua chegada ao Restelo. Segundo alguns relatos, o facto de o seu empresário ser amigo do técnico Alejandro Scopelli, à altura ao serviço do Belenenses, terá feito com que a viagem tenha sofrido um pequeno desvio. No entanto, há ainda a versão que nos conta as dificuldades burocráticas, pelas quais o jogador terá sido impedido de jogar pelo emblema da capital espanhola. Seja qual for a verdade, a única certeza é que na temporada de 1972/73, González faz a sua estreia com a “Cruz de Cristo”.
Como viria a afirmar o já referido treinador argentino, o extremo paraguaio era um “Jogador extraordinário pela sua velocidade e técnica, muito oportuno dentro da área com grande poder de remate e colocação. Um autêntico operário da equipa. Um profissional que se alheia da sua categoria para se integrar numa equipa sem vedetas, embora um jogador de grande classe tinha a humildade dos predestinados ao sucesso”*. Tais qualidades fizeram com que o esquerdino rapidamente conseguisse tornar-se num dos elementos mais preponderantes do plantel. A sua importância seria tal que, nas campanhas seguintes, poucos foram os jogos que o atleta falharia. Durante essas 5 épocas, o Belenenses também viveria momentos de sucesso e o 2º lugar conseguido no ano da sua chegada ou as participações nas competições europeias, seriam disso prova.
Os bons resultados conseguidos com as cores do Belenenses, fariam com que o FC Porto visse nele um bom reforço. Sob o comando de José Maria Pedroto, González acabaria por vencer os primeiros troféus em Portugal. Aliás, esse bicampeonato (1977/78; 1978/79), e que marcaria o fim de um jejum de 19 anos para o clube, acabaria por tornar-se no melhor registo do seu currículo. Ainda assim, a sua passagem pelas Antas seria tudo menos feliz. Assolado por graves lesões, a utilização do ala-esquerdo ficaria resumida a menos de uma dezena de partidas disputadas. Esses números, bem longe do seu real valor, acabariam por ditar a sua saída e o regresso ao Estádio do Restelo.
De volta ao Belenenses, as mazelas acumuladas no decorrer das temporadas anteriores fariam com que o atacante não conseguisse alcançar o nível de antigos desempenhos. González, ainda não tendo ultrapassado a barreira dos 30 anos de idade, acabaria por entrar no ocaso do seu percurso. Um par de épocas a vestir de Azul e mais uma, já a jogar nos escalões inferiores, ao serviço do Atlético, haveriam de pôr um ponto final na sua carreira de futebolista.
Já depois de retirado da alta competição, o antigo internacional pelo Paraguai continuaria ligado ao futebol e ao Belenenses. Para ser exacto, González fixar-se-ia em Portugal, onde ainda reside, e, durante vários anos, trabalharia nas escolas do clube lisboeta.


*retirado de http://belenenses.blogspot.pt/

782 - AUGUSTO

Tendo feito praticamente toda a sua formação no Olhanense, foi ainda na primeira metade da década de 80 que Augusto subiria à equipa principal “Rubro-Negra”. Extremo irrequieto e dotado de uma técnica acima da média, rapidamente conseguiria conquistar a atenção do mundo do desporto. Mesmo com o emblema de Olhão a militar na 2ª divisão, as boas exibições que, desde muito cedo, começou a averbar, conseguiriam chamar a atenção de outro clube algarvio. O Portimonense, por indicação de Manuel José, haveria de conduzir as negociações para que a transferência se consumasse. No entanto, com a saída do referido técnico, seria pela mão de Vítor Oliveira que o avançado faria a estreia no patamar cimeiro do nosso futebol.
Como, por certo, já adivinharam, a primeira temporada de Augusto no Portimonense coincidiria com a estreia do clube nas competições europeias. Essa eliminatória frente ao Partizan de Belgrado haveria de ser um dos momentos altos da sua carreira. Ainda assim, durante essa época de 1985/86, as oportunidades que haveria de merecer não serviriam para confirmar todos os seus predicados. Seria já na campanha seguinte, durante a qual conseguiria afirmar-se no “onze” inicial, que tudo mudaria. Com o estatuto de titular, e com as chamadas às selecções de “Esperanças” e “Olímpica”, o seu valor aumentaria exponencialmente. Ora, com tudo isto e sendo ainda um atleta jovem, não foi grande a surpresa quando chegou o convite do Benfica.
Para a “Luz”, num negócio que também envolveria a transferência de Pacheco, Augusto chegaria na temporada de 1987/88. Contudo, e ao contrário do que até então tinha acontecido, a sua adaptação não correria da melhor maneira. “Tapado” por Diamantino, o jovem ala-direito acabaria por jogar pouco. Essa parca utilização faria com que, logo no final dessa época de chegada a Lisboa, a solução encontrada para Augusto fosse procurar um novo clube. Ainda na 1ª divisão, o extremo iria representar, nas duas campanhas seguintes, Portimonense e Beira-Mar. A partir desse momento, e surpreendentemente, aquele que tinha sido uma das grandes promessas do futebol “luso” deixa-se engolir pelos escalões inferiores. União de Leiria e Olhanense, seriam os clubes que se seguiriam. Numa incrível sucessão de mudanças, o atleta ainda jogaria por mais 7 clubes, terminado nos “distritais” e com as cores do Monchiquense.

781 - DIAMANTINO

Apesar de ser um homem da casa e de, nos dias de hoje, ser visto como um dos históricos do emblema transmontano, a afirmação de Diamantino no plantel sénior flaviense não foi um processo tão fácil quanto o podemos imaginar. Já após ter terminado a sua formação, os sucessivos empréstimos afastariam o médio da “casa-mãe”. Durante anos a fio, essa foi a realidade para o jogador e, com a excepção da temporada de 1980/81, a sua presença no grupo principal do Desportivo de Chaves ocorreria apenas na época de 1983/84.
Depois de ter vestido as cores de emblemas mais modestos, como o Ribeirense de Loivos, Vidago, Vilafranquense ou Boticas, Diamantino, finalmente, merece uma oportunidade na “casa” que o tinha formado. A chance, dada pelo antigo internacional “luso” Álvaro Carolino, faria com que o atleta desse o seu contributo para um dos mais importantes episódios da história do clube. Esse memorável virar de página, dar-se-ia dois anos após o seu regresso. Com o Desportivo de Chaves a militar na 2ª divisão, é então que, pela primeira vez na existência da colectividade de Trás-os-Montes, a promoção ao escalão máximo do nosso futebol é conseguida. A subida tornar-se-ia sinónimo de uma nova vida e, tanto para o grupo, como para o centrocampista, esse momento empurrá-los-ia para a estreia na 1ª divisão.
No convívio com os “grandes”, o Desportivo de Chaves não haveria de mostrar qualquer tipo de acanhamento. À boa imagem do espírito da região, todos os intervenientes nessa nova aventura mostrar-se-iam destemidos. O resultado dessa bravura não tardaria muito a trazer os seus resultados. Passados poucos anos após a subida, o emblema que normalmente era visto na luta pela permanência, entra na disputa pelos lugares cimeiros da tabela classificativa. Com o 5º lugar alcançado durante a temporada de 1986/87, o prémio acabaria por ser a qualificação para as provas europeias. Incluídos na Taça UEFA, logo na primeira ronda os flavienses deixariam pelo caminho os romenos da Universitatea Craiova. O pior viria na segunda eliminatória. Tendo calhado em sorte os húngaros do Honvéd, a viagem a Budapeste não só confirmaria a derrota dos portugueses, como, para Diamantino, teria como resultado uma das piores lesões da sua carreira.
Depois de atravessar um longo período de recuperação, face à referida fractura na perna esquerda, o percurso de Diamantino continuaria normalmente. O “Leão da Torre”, alcunha dada pelo carácter mostrado dentro de campo (combinado com o nome da sua freguesia – Torre de Ervededo), acompanharia o trajecto do Desportivo de Chaves pela 1ª divisão. Esses 7 anos, e durante os quais teria a responsabilidade da braçadeira de “capitão”, conheceriam o seu fim já na década de 90. O final da temporada de 1991/92 marcaria essa separação. Tendo entrado já numa fase descendente da carreira, o jogador decide então dar seguimento ao seu percurso profissional, vestindo a camisola de outros clubes. Penafiel e Macedo de Cavaleiros acabariam por ser os seus últimos emblemas.
Apesar de se ter afastado do rectângulo de jogo, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Tendo, logo na época seguinte a “pendurar as chuteiras”, abraçado as tarefas de técnico, Diamantino continuaria ligado ao futebol. Nessas suas novas obrigações, o antigo futebolista conta com passagens por diversos clubes. Destaque para o seu trabalho no Desportivo de Chaves, onde assumiu funções nas “escolas” e como adjunto, ou ainda para a sua passagem pela Federação de São Marino, onde tomou as rédeas dos s-21.

780 - SOBRINHO


Já com algumas internacionalizações pelas camadas jovens de Portugal, Sobrinho emerge das “escolas” do Vitória de Setúbal como uma das grandes esperanças do clube. Com a sua promoção aos seniores a acontecer no início dos anos 80, as suas qualidades como jogador haveriam de o pôr na linha da frente dos “Sadinos”. Nesse seu rápido evoluir, ao defesa bastariam 2 temporadas para que começasse a despertar a cobiça de emblemas de outra monta. É então que o FC Porto decide nele apostar. O jogador chega às Antas na época de 1982/83, mas problemas físicos e o serviço militar acabariam por atrapalhar a sua adaptação.
Um ano após o começo dessa sua aventura a Norte, Sobrinho regressa ao Vitória de Setúbal. Continua, tal como antes da sua partida, a demonstrar uma consistência admirável. A sua força física, tenacidade e a capacidade que tinha para “marcar” um atleta adversário eram qualidades espantosas. Se a tudo isso, ainda somarmos a sua polivalência, então é fácil entender porque é que o atleta era um dos defesas mais cobiçados no Campeonato Nacional.
Curiosamente, e sem tirar mérito algum ao clube, o jogador decidiria que a aposta seguinte seria o Belenenses. A transferência para o Restelo, em abono da verdade, haveria de contribuir para o melhor período na sua carreira como futebolista. Logo no final do primeiro ano de “Azul”, e numa altura em que ainda não tinha jogado pela selecção principal, Sobrinho é chamado a disputar a fase final do Campeonato Mundial de 1986. O caso “Saltillo”, despoletado durante a preparação da participação no certame, acabaria por adiar esse jogo de estreia, que aconteceria apenas em 1988.
Não foi a sua ida até ao México que tornaria esse período de 4 anos tão especial. As boas classificações do Belenenses, e consequentes qualificações para as provas europeias, também contribuiriam para tal. Depois, como é lógico, houve também as campanhas na Taça de Portugal. Nessa prova, enfrentando em ambas as ocasiões o Benfica, Sobrinho conseguiria chegar à disputa de duas finais. Contudo, a primeira dessas suas passagens pelo Jamor (1985/86), daria a vitória às “Águias”. Já na segunda (1988/89), e em jeito de “vendetta”, a sorte sorriria aos do Restelo e Sobrinho ganharia aquele que foi o principal troféu da sua carreira.
Logo após a referida conquista, e tendo em conta as boas exibições que foi conseguindo durante os anos anteriores, Sobrinho teria uma passagem pela Liga francesa. No Matra Racing de Paris, onde encontraria Jorge Plácido e, ainda, um jovem de seu nome David Ginola, o internacional português acabaria por viver a primeira, e única, experiência no estrangeiro. Já o regresso, mais uma vez ao Vitória de Setúbal, marcaria uma viragem no seu trajecto profissional. Tendo ultrapassado a barreira dos 30, a sua carreira entraria numa fase mais errante e descendente. No preencher dessa etapa, Paços de Ferreira (ainda na 1ª divisão), Felgueiras e Grandolense, seriam os emblemas que completariam a sua passagem pelos campos de jogo.
Já depois de “pendurar as chuteiras”, Sobrinho daria início à sua carreira como treinador. Sem grandes destaques, e com uma caminhada feita de clubes modestos, realce para a sua passagem pelos Emirados Árabes Unidos onde, nesta última temporada de 2016/17, foi adjunto de Rui Nascimento.

779 - SÉRGIO CRUZ

Oriundo das “escolas” do FC Porto, e com passagens pelas selecções jovens do nosso país, Sérgio Cruz chegaria a posicionar-se como uma das grandes promessas do futebol português. Contudo, e na altura da passagem ao escalão sénior, aquele que se projectava como o seu curso normal, sofreria um pequeno desvio. Por culpa de nomes como Celso, Lima Pereira ou Eurico, centrais que em meados dos anos 80 jogavam de “Azul e Branco”, o jovem defesa acabaria por não conseguir um lugar no grupo de trabalho portista.
Para dar continuidade à sua progressão, a opção encontrada foi a passagem por emblemas mais modestos. Nesse sentido, Sporting de Espinho, Lusitânia de Lourosa e União de Lamas, seriam os clubes que se seguiriam. Passados esses primeiros anos, e sem ainda ter conseguido mostrar as suas qualidades no patamar principal, o ingresso no Paços de Ferreira iria mudar o seu percurso profissional. Tendo como treinador Vítor Oliveira, os da “Capital dos Móveis” acabariam por vencer a edição de estreia do Campeonato da Divisão de Honra. Tal feito, levá-los-ia a subir de escalão e, na temporada de 1991/92, Sérgio Cruz chegaria ao convívio com os “grandes”.
Como um defesa implacável, de postura rija e intrépida, o central começou a conquistar o respeito de colegas e adversários. Tanto no Paços de Ferreira, como no Gil Vicente ou, já mais tarde, com as cores da Académica de Coimbra, Sérgio Cruz cimentar-se-ia como um jogador de valor e cariz primodivisionário. As 8 temporadas que, entre 1991 e 1999, passaria no nosso maior escalão, acabariam por provar aquilo que acabo de dizer. Quase sempre como titular, o central conseguiria, nas equipas em que jogou, tornar-se numa peça fundamental. A importância que foi conquistando, daria um enorme impulso ao seu nome. Nesse evoluir, o atleta tornar-se-ia num dos melhores a jogar na sua posição. Ainda assim, houve algo que não conseguiu e isso foi o regresso a um dos “3 grandes”.
Já depois de uma derradeira época ao serviço do União de Coimbra, e tendo aproveitado o tempo na “Cidade dos Estudantes” para completar o seu percurso académico, Sérgio Cruz deixaria os relvados para passar aos “bastidores“. Como preparador físico, o antigo futebolista deu início a novas tarefas na modalidade. Tendo assumido funções em diversos emblemas e, também, em diferentes países, já conta com passagens por Sporting, Cluj (Roménia), Hearts (Escócia), APOEL (Chipre), entre outros clubes nacionais.

778 - JOÃO CARDOSO

Tendo dividido a sua carreira entre o Sporting de Braga e o Belenenses, foi no Restelo que tudo começou para João Cardoso. Com a “Cruz de Cristo” ao peito, o defesa daria os primeiros passos como sénior. Logo nessa temporada de 1970/71, a qualidade que apresentava, aferida pelos responsáveis técnicos, levá-lo-ia a conquistar um lugar no “onze” inicial. Tanta habilidade faria dele, desde bem novo, um dos nomes habituais no escalonamento da equipa. Como homem da lateral-esquerda, haveria de ajudar o emblema lisboeta a atingir aqueles que foram os melhores resultados do clube durante essa década.
Sob o comando do argentino Alejandro Scopelli ou, posteriormente, orientado por Peres Bandeira, o Belenenses conseguiria atingir os lugares cimeiros da tabela classificativa. Como consequência desses bons resultados, o grupo acabaria por conseguir qualificar-se para as provas europeias. Na Taça UEFA, e apesar de ter ficado sempre pela primeira ronda, os embates frente ao Wolverhampton Wanderers (1973/74) e FC Barcelona (1976/77) ficariam na memória de todos os adeptos da modalidade. Igualmente inesquecível seria a imagem de João Cardoso no final da partida em Camp Nou.Com o terminar da 2ª mão, onde só nos derradeiros instantes da partida os “Blaugrana” derrotariam os portugueses, o defesa não haveria de conseguir disfarçar a sua tristeza e acabaria lavado em lágrimas – “Se há derrotas que custam, esta foi uma das que mais doeu, sofrendo o terceiro golo nos últimos minutos, quando estava 2-2 e já a pensar no prolongamento”*.
Foi durante esse período de maior sucesso do Belenenses, que João Cardoso conseguiu a sua primeira chamada à principal selecção nacional. Ele que até já tinha, nos escalões de formação, um percurso recheado de internacionalizações, conseguiria, em Abril de 1976, o seu primeiro jogo pelos “AA”. Convocado por José Maria Pedroto, o lateral, nesse particular frente à Itália, entraria para o lugar do benfiquista Barros e daria início ao seu percurso com as cores de Portugal.
Com o final da temporada de 1976/77, a sua ligação aos “Azuis” conheceria o fim. Contratado pelo Sporting de Braga, o atleta daria continuidade ao seu trajecto profissional. No Minho, a qualidade exibicional manter-se-ia, como provam as 7 partidas feitas com a “camisola das quinas”. Também no novo clube, João Cardoso ajudaria a atingir metas importantes. Preponderante nas manobras da equipa, onde se manteve como titular, as provas europeias fariam igualmente parte da sua agenda. Mesmo sendo de louvar estas participações na Taça UEFA e na Taça dos Clubes Vencedores das Taças, o maior destaque da sua passagem pelos, agora conhecidos, “Guerreiros do Minho”, acabaria por ser a presença na final da Taça de Portugal de 1981/82. No Estádio do Jamor, com o defesa a jogar a totalidade dos 90 minutos do encontro, os bracarenses seriam derrotados pelo Sporting (4-0). Curiosamente, essa partida acabaria por sublinhar aquele que foi o principal revés da sua carreira. É que apesar de, por algumas vezes, ter conseguido estar à beira de importantes conquistas, João Cardoso abandonaria os relvados sem conseguir para o seu palmarés um troféu importante.


*retirado de “https://belenensesilustrado.blogspot.pt/” (09/12/205), citando a página do “Facebook” de João Cardoso

777 - BANDEIRINHA

Foi no antigo Campo da Constituição que Bandeirinha, juntamente com o irmão mais velho, decide ir a um treino de captação. Faz os testes, agrada aos responsáveis e fica a jogar nas camadas jovens do emblema “Azul e Branco”. Curiosamente, e já depois de abandonar o desporto por uns tempos, um recado transmitido pelo seu irmão fá-lo regressar. Nas Antas, os treinadores lá o convencem a voltar à prática do futebol e o jovem atleta torna-se numa das principais estrelas das “escolas” do FC Porto.
Com um percurso exemplar nas camadas jovens dos “Dragões” e com passagem por todos os patamares da selecção portuguesa, foi com naturalidade que a sua promoção à equipa principal aconteceu na temporada de 1981/82. Contudo, a sua falta de experiência acabaria por ser preponderante no desenrolar dessa época e Bandeirinha, tapado por Gabriel, teria apenas uma oportunidade para demonstrar o seu valor.
Já a temporada seguinte ficaria marcada pela troca de treinadores. Com a entrada de José Maria Pedroto e a saída de Hermann Stessl para o Estádio do Bessa, surgiria a chance do defesa também mudar de clube. O convite do técnico austríaco, solicitando a ida de Bandeirinha para os “Axadrezados”, iria, no entanto, esbarrar na intransigência do novo responsável pelos portistas – “Para o Boavista? Nem penses nisso! Tu já viste se vens jogar aqui e fazes um bom jogo… Já viste, esta gente toda contra mim! Não. Ou ficas aqui ou vais para 2ª Liga”*. Empurrado para esse dilema, a escolha de Bandeirinha recairia pela opção que dava mais garantias de poder ser mais utilizado. No Paços de Ferreira, cujo Presidente mantinha uma relação estreita com Pedroto, o lateral acabaria por ficar durante duas temporadas. Depois, e já ao serviço de emblemas primodivisionários, seria cedido ao Varzim e Académica.
É no final da temporada passada em Coimbra, que Bandeirinha é convocado para o Campeonato do Mundo de 1986. Depois de António Veloso ser afastado por pretenso uso de substâncias dopantes, o defesa é chamado ao grupo orientado por José Torres, acabando por viajar para o México. Engraçado é que, apesar de contar no seu percurso com a presença no maior certame mundial de futebol, o atleta nunca chegaria a estrear-se com a principal “camisola das quinas”.
Depois dos sucessivos empréstimos, o regresso ao FC Porto aconteceria numa altura em que o emblema estava à beira de conquistar o seu primeiro troféu internacional. Na Taça dos Campeões Europeus, e apesar de apenas ter participado nos dois encontros da 1ª ronda, o defesa ajudaria os seus companheiros a vencer a edição de 1986/87. É claro que, tendo envergado as cores do clube durante um período tão prolífero, a sua lista de conquistas não ficou por aqui. Ganha no ano seguinte, a Supertaça da UEFA também faria parte do seu currículo. Já no plano nacional, as vitórias suceder-se-iam a um ritmo ainda maior. 6 Campeonatos (2 deles na caminhada para o “Penta”), 3 Taças de Portugal e 2 Supertaças acabariam por completar o seu palmarés.
Talvez a única contrariedade na sua carreira, tenha sido a presença de outro grande jogador. Obrigado a competir com João Pinto por um lugar no “onze” portista, o número de jogos por si disputados acabariam por ficar aquém da sua real capacidade. Ainda assim, o mérito do seu trabalho haveria de manter-se inabalável e a entrega ao FC Porto elevá-lo-ia à condição de histórico.
Já depois de deixar o Estádio das Antas, uma derradeira temporada ao serviço do Felgueiras põe fim ao percurso de Bandeirinha como futebolista. Apesar de afastado dos relvados, a sua ligação ao futebol manter-se-ia. No FC Porto desempenharia diversas tarefas, nas quais podemos destacar a sua presença como técnico da equipa “b”, o trabalho feito no departamento de prospecção e a coordenação das “escolas” do clube.

 
*retirado da entrevista no programa “45 minutos à Porto”, Porto Canal (25/05/2015)

776 - RUI CORREIA

Descoberto por Osvaldo Silva, antigo craque leonino, Rui Correia deixaria a Sanjoanense para integrar o plantel de juniores “Verde e Branco”. Cumprindo um sonho de menino, o jovem guardião chega a Alvalade com apenas 16 anos de idade e passa a fazer parte de uma equipa que contava com promessas como Jorge Cadete.
Duas temporadas nas “escolas” do Sporting e, terminada essa etapa formativa, a sua passagem à categoria principal dá-se no início da época de 1986/87. Todavia, num plantel que contava com Vítor Damas e Vital, as oportunidades já se previam escassas e o atleta pouco haveria de jogar. Curiosamente, e logo na campanha seguinte, a chegada de Keith Burkinshaw iria alterar esse cenário. Tendo consciência que Rui Correia tinha tudo para conseguir afirmar-se como titular, o técnico inglês passa a incluí-lo no “onze” inicial.
O despedimento do referido treinador faz com o destino do guarda-redes sofra uma pequena contrariedade. Já depois de perder espaço no escalonamento da equipa, o Verão de 1988 torna-se ainda mais penoso. Sem lugar no Sporting, é Manuel Fernandes, outra estrela dos “Leões”, que o leva para Setúbal. Ainda assim, pouco muda para si e, durante os anos que seguiriam, as chances que teria para demonstrar o seu valor seriam praticamente inexistentes.
Poder-se-á dizer que o seu caminho só voltou a entrar nos eixos, já no início da década de 90. Ainda que sem nunca abandonar a 1ª divisão, só a sua ida para Trás-os-Montes é que acabaria por trazer uma lufada de ar fresco à sua carreira. O Desportivo de Chaves acabaria por marcar uma verdadeira mudança de paradigma e elevá-lo à condição de um dos melhores a defender as redes no Campeonato Nacional.
Bem, para dizer a verdade, o emblema flaviense acabaria por servir apenas de passagem. É certo que a titularidade aí conseguida muito contribuiu para aos sucessos vindouros. Todavia, seria já no Sporting de Braga, para onde se transferiria na temporada de 1992/93, que conheceria aquele que, segundo o próprio, daria um enorme alento à sua progressão – “Quando dizem que treinador x dá-se bem com jogador y, isso é verdade. O meu caso com António Oliveira é elucidativo e nem o consigo explicar. Eu gostava muito dele, pronto. E eu dava-me bem com ele. Tão simples com isso. Por isso, joguei com ele em Braga e depois na selecção e depois no Porto. São aquelas relações de empatia imediata”*.
Como dá para entender, a convivência com António Oliveira terá tido grande influência naquilo que Rui Correia conseguiria alcançar como profissional. Como já tiveram oportunidade de ler, seria pelas mãos do antigo seleccionador nacional que o guarda-redes faria a sua estreia por Portugal. Aliás, muito mais do que esse jogo de qualificação frente ao Liechtenstein, a sua presença num dos maiores certames futebolísticos, neste caso o Euro 96, muito se deve à admiração que o técnico sempre teve por ele.
É esse mesmo respeito que faria com que Oliveira, já aos comandos do FC Porto, o escolhesse para defender o último reduto “Azul e Branco”. Já nas Antas, onde chegaria para a temporada de 1997/98, o atleta faria parte das equipas que ajudariam a selar o inesquecível “Penta”. Na “Cidade Invicta” e nos 4 anos que passaria de “Dragão” ao peito, Rui Correia acrescentaria ao seu currículo nada mais, nada menos, do que 2 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e, ainda, 1 Supertaça.
Depois desse período no FC Porto, e numa altura em que já entrava na fase descendente da sua carreira, a passagem pelo Salgueiros marcaria a sua despedida do nosso escalão máximo. No que restou do seu percurso de futebolista, Rui Correia acabaria por representar Feirense, União de Lamas e Estoril-Praia.
No “Emblema da Linha” decidiria, então, ser a altura certa para “pendurar as luvas”. Ainda assim, logo de seguida, daria os primeiros passos como técnico e, no Portimonense, aceitaria o cargo de treinador de guarda-redes. Nestas funções, o antigo internacional ainda passou por diversos emblemas nacionais e pelos gregos do OFI Creta. Neste momento (2017) é o coordenador da formação dos guardiões do Shandong Luneng (China).


*retirado de https://ionline.sapo.pt/; entrevista publicada a 26/02/2015

CROMOS PEDIDOS 2017

No mês em que completamos o 7º ano de trabalhos, voltamos a uma tradição que tem acompanhado o nosso “blog” desde o primeiro aniversário. Lançámos uma lista de possíveis cromos a colar e, com a ajuda dos nossos leitores, elegemos o melhor “onze”. Assim, e durante o mês de Junho, não deixe de acompanhar os “Cromos Pedidos 2017”.

775 - ANCELOTTI

Apesar de ter dado os primeiros passos nas divisões inferiores do “Calcio”, as boas prestações que foi conseguindo durante esses anos levá-lo-iam a despertar a cobiça de outros clubes. No Parma, onde faria a transição das “escolas” para o patamar sénior, Ancelotti haveria de conquistar a fama de jogador combativo. Curiosamente, contrastando com essa apreciação, o seu papel dentro de campo até era mais dado a funções ofensivas. Nessas tarefas, o médio ajudaria o clube a atingir a “Serie B” e tornar-se-ia numa das principais revelações saídas do conjunto orientado por Cesare Maldini.
Já com o Inter de Milão na sua peugada, é a AS Roma que, para a temporada de 1979/80, consegue contratá-lo. Integrando-se com relativa facilidade, a sua presença no meio-campo romano torna-se num dos principais esteios da dupla vitória na Taça de Itália (1979/80, 1980/81). Sempre na senda dos sucessos, aos quais não é alheio o trabalho do técnico Nils Liedholm, Ancelotti enriquece o seu palmarés com a conquista do “Scudetto” de 1982/83. Ainda sob a alçada do treinador sueco, alcança novo triunfo na “Coppa”. Contudo, essa temporada de 1983/84 ficaria marcada pelas provas continentais. Conseguindo, resultado da vitória na época anterior, marcar presença na Taça dos Campeões Europeus, os “Lupi” atingiriam a final da referida prova. O centrocampista, lesionado, falharia o derradeiro encontro e, num desafio que até seria disputado no Olímpico de Roma, nada pôde fazer para evitar a derrota imposta pelo Liverpool.
Os últimos anos com a camisola da AS Roma, onde ganharia mais uma Taça (1985/86), elevariam o estatuto de Ancelotti. Com a chegada de Sven-Göran Eriksson à capital italiana, o médio vê a sua importância aumentar e passa a envergar a braçadeira de capitão. Estando, ou não, relacionado, é também durante esse período que a sua presença na equipa nacional começa a ser mais regular. Essa assiduidade levá-lo-ia a ser chamado aos principais certames para selecções. Pela “Squadra Azzurra”, o atleta é chamado ao México 86 – onde não chega a entrar em campo –, participa no Euro 88 e no Mundial de 1990.
Por altura desses dois últimos torneios, já Ancelotti tinha deixado a AS Roma para representar o AC Milan. A jogar pelos “Rossoneri”, as metas atingidas triplicariam o valor do seu currículo. Aproveitando o início do melhor período da história do clube, o médio acrescentaria ao seu rol de vitórias 2 “Scudettos” (1987/88; 1991/92) e 1 “Supercoppa” (1988/89). Todavia, e sem menosprezar tais vitórias, seria no plano internacional que o jogador conseguiria maior realce. As 2 Taças Intercontinentais e as 2 Supertaças ganhas nas campanhas de 1989/90 e 1990/91, seriam o reflexo dos sucessos conseguidos na disputa da Taça dos Campeões Europeus. Na referida competição, e tendo já vencido a edição de 1988/89, destaque para a final de 1990, onde ajudaria o seu clube a derrotar o Benfica.
Tendo “pendurado as chuteiras” no Verão de 1992, a sua carreira como treinador começaria de imediato. Nessas funções, o antigo futebolista, muito para além de igualar os sucessos alcançados dentro de campo, tornar-se-ia num dos melhores técnicos a nível mundial. Com um percurso que já o levou a disputar as melhores ligas, o seu currículo conta com títulos em Itália, Inglaterra, Espanha, França e Alemanha. Entre tantas vitórias, divididas por clubes como Juventus, Milan, Chelsea, Paris SG, Real Madrid ou Bayern Munique, há que destacar as 3 “Champions” conquistadas. A última final (2013/14), vencida ao serviço dos “Merengues”, seria disputada no Estádio da Luz e contaria com a presença e um golo de Cristiano Ronaldo.

774 - ROGÉRIO

Com especial aptidão para jogar no meio-campo, Rogério emerge das camadas jovens do União de São João com a fama de atleta voluntarioso. Essa característica, lado-a-lado com as suas qualidades técnicas, valer-lhe-iam a transferência para um dos maiores clubes brasileiros. Já no Palmeiras, onde chegaria em 1996 e passado um ano após a promoção ao patamar sénior, algumas coisas iriam alterar-se na sua carreira. Por exemplo, ao ser adaptado a lateral-direito, Rogério passaria a ser visto como um jogador de qualidades polivalentes. Também no que a vitórias diz respeito, a ambição do novo clube permitir-lhe-ia ganhar uma nova aura. Logo na primeira época consegue para o seu currículo o Campeonato Paulista; já em 1998, viriam as conquistas da Copa do Brasil e da Copa Mercosul, para, na temporada seguinte, ajudar a vencer a Libertadores da América.
Ora, o sucesso que alcançaria ao serviço do conjunto de São Paulo, levaria a que fosse chamado à selecção brasileira. Aliás, é já depois de ter conseguido 4 internacionalizações que, em 2000, a sua ida para o Corinthians fica envolta em polémica. Com a troca de clubes, e tendo como justificação a “lei do passe” (algo similar à antiga “lei da opção”, em Portugal), o Palmeiras exige o pagamento de uma elevada maquia. Os argumentos esgrimir-se-iam e o jogador diria que, por parte do seu antigo emblema, nunca houve vontade de prolongar o contrato e que, inclusive, treinava à parte do restante plantel.
O caso arrastar-se-ia durante anos a fio, até que, em 2011, a decisão acabaria por pender a favor do Palmeiras. Claro está que, durante esse longo hiato, o jogador não seria obrigado a interromper a carreira. No Corinthians, onde esteve até 2004, voltaria a engordar o seu palmarés, tendo conquistado mais 2 “estaduais” de São Paulo (2001; 2003) e uma Copa do Brasil (2002). Foi também durante esse período que Rogério passou por Portugal. Em ano e meio de “Leão” ao peito, ainda que longe de anteriores conquistas, o seu percurso haveria de ficar marcado por histórias importantes. A final da Taça UEFA de 2005/06 tornar-se-ia num desses momentos. Estando o referido encontro marcado para o Estádio de Alvalade, o favoritismo dos “Verde e Brancos” era enorme. A probabilidade de uma vitória leonina tornar-se-ia ainda maior quando, com 28 minutos decorridos, Rogério inaugura o marcador. O pior viria na 2ª metade do encontro. Com 3 golos, o CSKA de Moscovo conseguiria inverter o destino do jogo e o Sporting deixaria escapar o título europeu.
Foi em 2006 que o seu regresso ao Brasil aconteceu. Tendo assinado pelo Fluminense, o que restou da carreira de Rogério acabaria por ser vivido em constante corrupio. Já após ter representado mais uns quantos emblemas, o atleta, em 2008, decide pôr termo à sua actividade como futebolista. Contudo, e depois dessa primeira aposentação, o desafio lançado por uma outra estrela do futebol brasileiro fá-lo-ia voltar atrás. Vampeta, que por essa altura já tinha abraçado as funções de treinador, convida-o a jogar pelo seu clube. Essa aparição com as cores do Grêmio Osasco, faria com que o percurso de Rogério ganhasse novo folego, prolongando-se, ainda que pelos escalões inferiores, por mais alguns anos.

773 - ETTORI

Depois de ter entrado para a INF Vichy, famosa academia criada pela Federação Francesa de Futebol, a sua ida para o AS Monaco dar-lhe-ia a conhecer o único emblema profissional de toda a carreira. Tendo chegado para a campanha de 1975/76, as primeiras épocas no Principado não seriam fáceis para o guarda-redes. Com 20 anos de idade e sem conseguir um lugar no “onze” inicial, Jean-Luc Ettori, no final dessa temporada de estreia, veria ainda o clube descer de divisão.
Já o regresso ao escalão máximo do futebol gaulês, traria uma mudança de paradigma ao trajecto do guardião. Titular do conjunto monegasco, estatuto que conseguiria manter até aos últimos dias como atleta, Ettori tornar-se-ia peça fulcral nos sucessos alcançados durante essa temporada de 1977/78. Sendo a sua equipa uma das recém-promovidas à “division 1”, foram poucos a apostar no desfecho dessa época. A verdade é que, muito mais do que lutar pela permanência, ou fazer um campeonato tranquilo, o Monaco haveria de pasmar muita gente e conseguiria conquistar a Liga francesa.
Nisto de títulos, o percurso do guarda-redes ainda teria mais para contar. No cômputo da sua vida como futebolista, Ettori conseguiria arrecadar 3 Campeonatos (1977/78; 1981/82, 1987/88) e 3 Taças (1979/80; 1984/85; 1990/91). No entanto, houve outras situações, ainda que sem troféus, que marcariam a sua carreira. O Mundial de 1982 seria um desses episódios. Tendo conseguido, até ao começo do referido certame, alcançar apenas duas internacionalizações, o seu nome, ainda assim, seria incluído por Michel Hidalgo na lista de convocados. Mas se a chamada para a fase final, tendo em conta a sua qualidade, até seria bem aceite, já a escolha do seu nome para o “onze” inicial causaria algum espanto. Independentemente da surpresa, o que é certo é que das 7 partidas disputadas pela sua equipa, o guardião estaria presente em 6. Seria nessa caminhada, na qual ajudaria a França a chegar ao 4º lugar, que faria aquele que, por muitos, é recordado como o seu melhor jogo. Na meia-final disputada com a República Federal Alemã, conseguiria segurar a igualdade a 3 golos, arrastando o encontro para o desempate por grandes penalidades. Já no tira-teimas, o jogador seria incapaz de travar os adversários e, desse modo, falharia a presença no derradeiro embate do torneio.
Outra ocasião marcante, seria a final da Taça dos Clubes Vencedores das Taças de 1991/92. Nessa partida, marcada para o Estádio da “Luz”, Ettori, segundo palavras do próprio, viveria o pior momento da sua carreira. Num grupo que contava com jovens craques como Emmanuel Petit, Lilian Thuram, George Weah, Youri Djorkaeff ou, ainda, com o português Rui Barros, as projecções davam grandes chances aos monegascos. Todavia, um golo de Klaus Allofs e outro de Wynton Rufer levariam a mais uma desilusão.
Após essa final de Lisboa, o percurso profissional de Ettori começou a aproximar-se do fim. Tendo jogado 19 temporadas com as cores do seu clube, os números que alcançaria durante esses anos, levá-lo-iam a bater alguns recordes. 755 partidas em todas as competições, 602 das quais na Liga, fariam dele, com o terminar da época de 1993/94, o jogador que mais vezes vestiu a camisola do Monaco e o atleta com mais jogos na principal prova francesa.

772 - WYNTON RUFER

Num país onde o “rugby” é a modalidade com maior expressão, Wynton Rufer cresceria como adepto de futebol. Dando seguimento a essa paixão, seria no Wellington Diamond United que o avançado daria os primeiros passos como sénior. No emblema da capital neozelandesa, e em simultâneo com as presenças nas camadas jovens da equipa nacional, o avançado começaria a revelar um enorme potencial. Como resultado da habilidade demonstrada, o jogador acabaria por ser incluído nas convocatórias para a fase de apuramento do Mundial de 1982. Ainda assim, e apesar da sua estreia na selecção principal ter acontecido quando contava apenas 17 anos, a sua inclusão nessa fase adiantada da qualificação, causaria, entre os outros atletas, algum mal-estar. No entanto, essa desconfiança rapidamente desapareceria e o atacante, com os seus golos, tornar-se-ia decisivo para o sucesso do conjunto “Kiwi”.
Ainda antes da presença em Espanha, Wynton Rufer, acompanhado pelo seu irmão Shane Rufer, partiria para a Europa. A viagem até Inglaterra teria como destino o Norwich City. No emblema de Norfolk, e apesar de agradados os responsáveis técnicos, os dois atletas só vestiriam a camisola dos “Canaries” em jogos amigáveis. Tendo esbarrado em questões burocráticas, a transferência acabaria por não se concretizar e ambos os jogadores, após negada a Licença de Trabalho, regressariam a casa.
Alguns meses após a experiência no Reino Unido, é sem surpresa alguma que o nome de Wynton Rufer surge na lista de convocados para o Mundial de “nuestros hermanos”. A Nova Zelândia, estreante neste tipo de certames, acabaria por só averbar derrotas. Todavia, e apesar do desaire, a qualidade do jogador não sairia beliscada. Novos convites foram aparecendo e, numa altura em que representava o Miramar Rangers, surge a proposta do FC Zürich. Ora, tendo o seu pai nacionalidade suíça, a permissão para jogar no campeonato helvético seria conseguida com facilidade. Mais uma vez com o irmão como companheiro, Wynton Rufer partiria para nova aventura. Desta feita, e ao contrário da vivência anterior, o avançado tiraria enormes dividendos dessa sua participação. Ainda assim, e sendo considerado pela imprensa desportiva como a “descoberta do ano”, o jogador acabaria por envolver-se numa enorme polémica. Com o clube a querer impedir os irmãos Rufer de representar a selecção, atletas e dirigentes entrariam em rota de colisão. A contenda prolongar-se-ia durante anos a fio e o desfecho, 5 anos após a sua chegada, levaria à rescisão do contrato.
FC Aarau e Grasshoppers, onde, em ambos os casos, teria como treinador Ottmar Hitzfeld, seguir-se-iam na sua carreira e serviriam para alavancar o melhor capítulo da sua vida profissional. Já no Werder Bremen, onde chegaria na temporada de 1989/90, os seus golos ajudá-lo-iam a consagrar-se como um dos mais valiosos avançados a actuar na Europa. Os troféus conseguidos pelo emblema germânico haveriam de colorir o seu currículo. Contudo, a conquista da “Bundesliga” em 1992/93, as 2 Taças da Alemanha (1990/91; 1993/94) e ainda as 2 Supertaças ganhas (1993/94; 1994/95), seriam suplantadas por outra vitória. Com a derradeira partida marcada para o Estádio da “Luz”, os “Die Grün-Weißen” tinham pela frente o Monaco de Rui Barros. Um golo de Klaus Allofs e outro de Wynton Rufer serviriam para resolver a final europeia e a Taça dos Vencedores das Taças de 1991/92 seria entregue ao conjunto alemão.
Já depois de deixar o Werder Bremen, o percurso do avançado passaria por diversos emblemas. JEF United (Japão) e Kaiserslautern precederiam o regresso ao seu país. De volta à Nova Zelândia, assinaria pelo Central United. Pouco tempo depois, decide assumir outras responsabilidades e passa a conciliar o papel de jogador com o de técnico. Nessas novas funções representaria o North Shore e ainda os Auckland Kingz. Destaque também, ele que seria eleito pela FIFA como o melhor futebolista do século XX na Oceânia, para a sua passagem pelo comando da selecção da Papua-Nova Guiné.

771 - STEVIE CHALMERS

Filho de David Chalmers, um antigo futebolista do Clydebank, Stevie começaria a sua carreira por modestas colectividades juvenis. Já com 23 anos e a jogar no Ashfield, decide tentar a sorte naquele que era o clube do seu coração. Ao contrário do que tinha acontecido com o seu pai, os testes feitos com a equipa do Celtic correriam de feição e o jovem avançado seria aceite no emblema de Glasgow.
Antes da chegada do técnico Jock Stein ao clube, Stevie Chalmers, que era ponta-de-lança, haveria de ser testado noutras posições. Com o Celtic a atravessar momentos conturbados, a condução da equipa era, igualmente, dada a algumas confusões. Ora, seria num desses episódios que o jogador seria adaptado a extremo esquerdo. Como era de esperar, a experiência seria desastrosa e o atleta acabaria por ser o alvo da ira dos adeptos. Ainda assim e tendo, no meio de tanta desorganização, servido como bode-expiatório, o atacante seria incapaz de uma atitude menos educada. Aliás, o avançado ficaria conhecido pela sua índole aprazível, bem-formada e generosa, servindo, ao longo da sua carreira, como o exemplo a seguir.
Com o passar dos anos, as críticas a Stevie Chalmers tornar-se-iam unanimemente positivas. O consenso que conseguiria reunir à sua volta dever-se-ia, maioritariamente, à sua afinada pontaria. Nesse campo, e nas 13 temporadas em que representaria os “The Bhoys”, o avançado acabaria por tornar-se num dos atletas com mais remates certeiros feitos pelo Celtic. Os seus 231 tentos deixá-lo-iam, por altura da sua despedida, como o 2º melhor marcador da história do clube. Todavia, e no cômputo dos golos por si concretizados, houve um que ficaria na memória de todos. No Estádio Nacional do Jamor, na final da Taça dos Campeões Europeus de 1966/67, o 1-1 entre a equipa escocesa e o Inter de Milão parecia querer levar o encontro para prolongamento. É então que, à entrada da pequena-área, Chalmers desvia um pontapé de Bobby Murdoch. O esférico acabaria dentro da baliza italiana e esse 2-1, conseguido nos momentos finais do encontro, faria com que o Celtic vencesse o troféu.
Numa carreira recheada de sucessos, foram muitos os momentos inesquecíveis. A 3 de Janeiro de 1966, o avançado haveria de fazer um “hat-trick” no “derby” de Glasgow. Desde então, mais nenhum atleta do Celtic repetiria tal feito, fazendo de Chalmers o 3º e último a consegui-lo. Ainda nesse mesmo ano, desta feita com a camisola do seu país, o jogador é escalonado para defrontar o Brasil. Estando os “Canarinhos” a preparar o Mundial de Inglaterra, o “amigável” com a selecção da Escócia previa-se um bom teste. No entanto, a resposta dada pela equipa anfitriã, que no primeiro minuto faz mexer o “placard”, surpreenderia toda a gente. O “Escrete” ainda empataria o encontro, mas o golo de Stevie Chalmers mereceria inúmeros louvores e, no final da partida, valer-lhe-ia a troca de camisolas com Pelé.
Após ter vencido 6 Ligas, 4 Taças da Escócia, 5 Taças da Liga e a já referida Taça dos Campeões Europeus, o avançado acabaria por deixar o Celtic. A perna partida no decorrer da temporada de 1969/70, faria com o atleta começasse a perder algum espaço. É então que, para a época de 1971/72, aceita o convite do Morton e assume o cargo de treinador-jogador. Antes de regressar a Parkhead, desta feita como técnico das camadas jovens, o atacante haveria de ter uma passagem pelo Patrick Thistle, onde terminaria a sua carreira como futebolista.

770 - PICCHI

Aquando da sua estreia na equipa principal do Livorno, Armando haveria de partilhar o balneário com o irmão. Mas ao contrário de Leo, que nessa temporada de 1953/54 punha termo à sua caminhada, o mais novo da dupla Picchi estava ainda a dar os primeiros passos como profissional.
O pior é que, com o clube a militar entre a “Serie B” e a “Serie C”, a carreira de Armando Picchi parecia querer arrastar-se pelos escalões inferiores do “Calcio”. Só em 1959, meia dúzia de épocas após a sua promoção aos seniores, é que da divisão maior chega o primeiro convite. O SPAL, emblema recém-promovido ao patamar máximo do futebol italiano, decide apostar na sua contratação. O salto de dois patamares não assusta o atleta e, sem grandes dificuldades, consegue conquistar um lugar no “onze” inicial.
A sua permanência na equipa de Ferrara seria curta. Para esse facto contribuiria, e muito, a boa prestação que o conjunto conseguiria nessa temporada de 1959/60. O 7º lugar, melhor classificação de sempre do clube, faria com que os seus jogadores começassem a ser cobiçados por outros emblemas. O Inter, onde Helenio Herrera estava a preparar uma revolução, vai buscá-lo para reforçar o sector mais recuado. No conjunto de Milão, Picchi, que já tinha ocupado posições no meio-campo e na direita da defesa, passa a cumprir as funções de líbero.
No “catenaccio” imaginado pelo técnico argentino, Picchi, com todo o seu pragmatismo, passa a ser o jogador que serve de salva-vidas. Curiosamente, e não tendo como missão jogadas muito bonitas, o defesa até era um atleta que, sempre que podia, saía com a bola dominada ou tentava pô-la de forma jogável nos seus companheiros. Ainda assim, como poderão recordar aqueles que ainda o viram jogar, as suas maiores habilidades eram a força física e a maneira simples como tirava as bolas da grande área.
Foi nesses exercícios defensivos que o atleta auxiliou o Inter numa das fases mais prolíferas da história do clube. Apesar ter participado na obtenção de 3 “Scudettos” (1962/63; 1964/65; 1965/66), seria nas competições internacionais que alcançaria os maiores feitos da sua carreira. Já depois de ajudar à conquista da Taça dos Campeões Europeus de 1963/64, logo no ano seguinte, e frente ao Benfica, Picchi consegue mais uma vitória na referida competição. Já na edição de 1967, numa final disputada no Estádio Nacional, o defesa, que por essa altura era também o capitão de equipa, vê o seu grupo ser batido pelos escoceses do Celtic. Contudo, e muito mais que a derrota, a sua atitude surpreenderia muita gente. Esmagado pelo poderio adversário, Picchi, como haveria de relembrar o seu colega Tacisio Burgnich, claudicaria e desiste de lutar por um resultado positivo – “Lembro-me que, a certa altura, Picchi virou-se para o nosso guarda-redes e disse: «Giuliano, deixa estar, deixar estar. Mais cedo ou mais tarde vão marcar o golo da vitória.» Nunca imaginei ouvir aquelas palavras. Nunca imaginei que o meu capitão dissesse ao nosso guarda-redes para deixar cair a toalha ao chão. Mas aquilo apenas mostra o quanto estávamos destruídos naquele momento. É como se não quiséssemos prolongar a agonia”*.
Seria no final dessa temporada de 1966/67, que o atleta deixaria o Inter para representar o Varese. A mudança de emblema levá-lo-ia também a fazer a passagem dos campos para a vida de treinador. A transição ocorreria ainda no seu último ano como futebolista, quando, após o convite dos dirigentes, assume o papel de treinador-jogador.
 Já no desempenho, em exclusivo, das funções de técnico, a progressão de Picchi dar-se-ia de forma espantosa. Uma temporada no já referido clube, outra no regresso ao Livorno e, para a época de 1970/71, a Juventus decide apostar na sua contratação. Tragicamente, a sua carreira terminaria de forma abrupta. Alguns meses após ter sido contratado pela “Vecchia Signora”, os médicos detectam-lhe um tumor em estado terminal. A sua morte, quando estava perto de completar 36 anos de idade, ocorreria em Maio de 1971.


*retirado do artigo de Luís Mateus, em www.maisfutebol.iol.pt, publicado a 15 de Abril de 2015

769 - BILLY McNEILL

Em 1957, contratado à equipa juvenil do Blantyre Victoria, apresenta-se no Celtic aquele que viria ser considerado o maior craque da história da colectividade. Curiosamente, os primeiros anos de Billy McNeill no emblema de Glasgow haveriam de ser muito conturbados.
Mesmo tendo conseguido, logo ao fim de um par de anos, ganhar um lugar no “onze” inicial, a balbúrdia em que o clube vivia, mantinha o jogador afastado da conquista de títulos. Com o seu descontentamento a atingir níveis insuportáveis, chegar-se-ia a falar da sua transferência para o Tottenham. No entanto, com a chegada de Jock Stein ao comando técnico da equipa, o cenário iria alterar-se radicalmente. A partir desse Março de 1965, o Celtic regressaria à senda dos sucessos. A primeira dessas vitórias, com o defesa a fazer o golo que decidiria o desafio, seria a Taça da Escócia de 1964/65. Daí em diante, o currículo de McNeill cresceria exponencialmente e os “The Bhoys”, durante a década seguinte, passariam a dominar o futebol escocês.
A preponderância que o atleta teve nessa ascensão é incontestável. Sendo um central que conseguia, tanto pelo ar ou com a bola no chão, impor-se a qualquer atacante, a sua importância em jogo era fulcral. Ainda assim, não foi só nos aspectos desportivos que Billy McNeill conseguiu destacar-se. Disciplinado tacticamente, era ele também que fazia cumprir a organização dentro de campo. A sua voz de comando, ou a maneira imperial como conduzia os seus companheiros, levá-lo-ia a assumir a braçadeira de capitão. Aliás, seria nessa condição que em Maio de 1967, participaria no maior feito do Celtic. Em Lisboa, no Estádio Nacional, estava marcado o embate entre a equipa escocesa e os italianos do Internazionale. Naquele que era o derradeiro jogo da Taça dos Campeões Europeus de 1966/67, e ao pé das estrelas “Nerazzurri “, a derrota da equipa de Glasgow era mais que certa. Todavia, McNeill era uma grande fonte de inspiração e como o próprio haveria de dizer – “A melhor coisa que tinha a fazer como capitão era mostrar à equipa que nós não tínhamos nada a temer”*. Independentemente do favoritismo do Inter, a verdade é que o Celtic soube agigantar-se. Depois do encontro ter terminado com 2-1, Billy McNeill, já com os seus colegas nos balneários, subiria à tribuna de honra e, das mãos de Américo Thomaz , receberia o almejado troféu.
Voltando ao plano nacional, os títulos ganhos pelo jogador são reflexo de uma época gloriosa. O Celtic, tendo o defesa como um dos principais esteios dessas vitórias, conseguiria conquistar 9 Ligas consecutivas, 7 Taças e 6 Supertaças da Escócia. Para o jogador, tamanho sucesso só poderia resultar em diversas chamadas à equipa do seu país. Nesse campo, a estreia, num desafio frente à Inglaterra, aconteceria em 1961. Nos 10 anos seguintes, a sua presença na formação nacional foi uma constante. Billy McNeill acumularia 29 internacionalizações, faltando-lhe, nesse seu percurso, a participação num dos grandes certames para selecções.
Em 1975, na sequência de mais uma vitória na Taça da Escócia, Billy McNeill é levado em ombros pelos colegas. Esse encontro frente ao Airdrie, marcaria o fim da sua carreira como futebolista. Ora, e já depois de “pendurar as chuteiras”, não tardou muito para que o antigo defesa abraçasse novas funções. Como treinador, a sua vida também haveria de ter imensos sucessos. Após ter começado no Clyde, e de uma curta passagem pelo Aberdeen, o regresso à cidade de Glasgow levá-lo-ia à conquista de novos troféus. Nas duas passagens que teve pelo Celtic, McNeill venceria 4 Ligas, 3 Taças e 1 Supertaça. Destaque ainda para uma mão cheia de épocas nos campeonatos ingleses, durante as quais treinaria o Aston Villa e o Manchester City.

 
*retirado de www.thecelticwiki.com

768 - ROBERT JONQUET

Depois de ter mudado de residência para a cidade de Reims, onde o seu pai abriria uma barbearia, o jovem Robert Jonquet entra para as “escolas” do clube local. Tendo já passado por outros emblemas, é no Stade de Reims que acaba a sua formação. Ora, terminado esse capítulo, é também na referida equipa que o defesa faz a passagem para o patamar sénior.
Com o fim da 2ª Guerra Mundial na Europa, o campeonato francês retoma o seu rumo. Foi exactamente nessa temporada de 1945/46 que Jonquet, treinado pelo antigo internacional gaulês Albert Batteux, faz a sua estreia na equipa principal. Sendo um defesa muito mais aprimorado que os restantes colegas de posição, a sua ascensão seria rápida. Elegante e capaz de tratar a bola com igual graciosidade, por norma, eram dele os primeiros passes no desenvolver das jogadas ofensivas. Essa sua capacidade, tal como a segurança defensiva que transmitia, ajudá-lo-ia a tornar o seu clube num dos melhores conjuntos franceses dos anos 50.
Para ser mais exacto, a soberania do Stade de Reims começaria ainda no final da década de 40. Na temporada de 1948/49, o emblema da zona de Champagne ganha o primeiro campeonato da sua história. O clube, tendo Jonquet como esteio defensivo, para além de vencer mais 4 edições da dita prova, conquistaria ainda 2 Taças de França e 3 Supertaças. Todavia, o sucesso não seria alcançado apenas nas competições internas. Aliás, o estatuto que a equipa conseguiria alcançar, reflexo de planteis que, ao longo dos anos, contaria não só com o central, mas também com craques como Kopa, Piantoni, Hidalgo ou Fontaine, seria resultado das excelsas campanhas continentais. Nesse campo, a Taça Latina conquistada no Estádio Nacional (1953), precederia mais uma final perdida com o Real Madrid (1955). Depois, e apesar de novas derrotas frente aos “Merengues”, os franceses marcariam presença na final da Taça dos Campeões Europeus de 1956 e 1959.
Também ao serviço da selecção francesa, Robert Jonquet seria digno de grandes louvores. Após a sua estreia a 17 de Dezembro de 1953, partida frente ao Luxemburgo, o defesa é chamado a disputar os Mundiais de 1954 e 1958 e o Europeu de 1960. Apesar dos bons desempenhos em todos os torneios, aquele que ainda perdura na memória dos adeptos é o Campeonato do Mundo organizado pela Suécia. Na disputa do dito certame, a França atingiria as meias-finais. Já no referido jogo, os gauleses seriam eliminados pelo Brasil, onde brilhava um jovem atleta de seu nome Pelé. A dúvida que ainda paira no ar é: o que teria acontecido se, nessa partida, Jonquet não tivesse contraído uma grave lesão? Bem, o que nos contam as crónicas, é que os “Les Bleus” estavam a equilibrar a contenta. É então que, com o “placard” a marcar 1-1, Vavá atinge o defesa, fracturando-lhe a perna. A partir desse momento, a circunstância altera-se e a “Canarinha” acaba por vencer o desafio.
Seria depois de todas essas façanhas que, em 1960, Robert Jonquet deixa o seu clube para envergar outras cores. No Strasbourg disputaria os últimos jogos como futebolista e daria os primeiros passos na carreira de treinador. No desempenho dessas novas tarefas, e longe da ribalta que viveu dentro de campo, o antigo internacional regressaria ainda ao Stade de Reims. Depois, desiludido com a faceta capitalista do desporto, passaria apenas a colaborar com clubes amadores.

767 - ROGÉRIO de CARVALHO

Tendo deixado os estudos após concluir a 4ª classe, Rogério de Carvalho começa a trabalhar no Grémio das Carnes, no Rossio. Alguns anos mais tarde, e tendo como colega Fernando Peyroteo, foi por ele convidado para jogar uma partida de futebol entre os funcionários. O atleta do Sporting ficaria de tal maneira impressionado que, na sequência do desafio, dirige-se ao jovem jogador e convida-o a participar num treino do seu clube. Todavia, o dia das provas não correria de feição. Haveria dizer-se que os outros jogadores o tinham “sabotado”; haveria dizer-se que, durante o tal treino, ninguém lhe passou a bola; haveria dizer-se que ao saber do interesse do clube do seu coração, nem pensou duas vezes e preferiu o Benfica.
A sua estreia com a camisola das “Águias” aconteceria no Outono de 1942, mas numa altura em que a sua carreira já contava com alguns anos. No Chelas FC, onde o seu irmão Armindo França era a estrela do conjunto, Rogério de Carvalho tinha a fama de futebolista de fino recorte. Com uma técnica de excelência, rápido, ágil e com habilidade para o golo, o avançado era conhecido pela maneira subtil como tratava a bola. Por essa razão, o técnico Janos Biri daria ao jovem atleta uma oportunidade no “onze” inicial. Começando como extremo direito e, já mais para o fim dessa temporada, mudando-se para a ponta oposta, o atacante não decepcionaria. Aliás, ao apontar um golo na final da Taça de Portugal de 1942/43, seria fulcral na conquista da primeira “dobradinha” do futebol benfiquista.
Curiosamente, foi na disputa da Taça de Portugal que Rogério de Carvalho estabeleceu um recorde. Os 15 golos que conseguiria concretizar nas 8 finais que disputou, fazem dele o atleta com mais remates certeiros nesses desafios. Claro está que a sua carreira não se resume a esse pormenor. A sua qualidade era tal que, passados 5 anos após a sua entrada no Benfica, e numa altura em que já tinha feito a estreia pela selecção nacional, do outro lado do Oceano surge uma nova proposta – “Um dia entra-me um tipo todo aprumado no ‘Grémio’ e diz que quer conversar comigo. Eu topei-lhe logo a pinta: fatinho branco, bem engomado, bigodinho… era brasileiro. «Oi, seu Rogério, eu venho do Botafogo, conhece?» Conheço, conheço. «Nós queremos contratar um jogador estrangeiro, e você é o cara». Disse-lhe que não. E ele voltou lá, duas ou três vezes, e quando me ofereceu cinco mil cruzeiros – uma fortuna!, que você nem faz ideia – de ordenado, casa em Copacabana, e tudo pago, não pensei duas vezes e fui.”*.
Pela primeira vez, um futebolista português atravessava o Atlântico para envergar a camisola de um emblema brasileiro. Num clube onde o craque maior era o internacional “canarinho” Heleno de Freitas, a estrela “lusa” adaptar-se-ia facilmente. Todavia, com a sua esposa gravida, o desejo de que o seu filho nascesse em Portugal, fá-lo-ia voltar a Lisboa. Depois desses meses no estrangeiro, é em Março de 1948 que Rogério de Carvalho veste novamente a camisola dos “Encarnados”.
Não muito tempo após o seu regresso, a contratação de Ted Smith daria um novo sentido ao seu desempenho. Entendo que as suas capacidades serviriam melhor noutra posição, o técnico inglês adapta-o a interior-esquerdo. É já nesse lugar que em 1950, o atleta ajuda o Benfica à conquista do seu primeiro título internacional. Em pleno Estádio Nacional, frente aos franceses do Bordeaux, as “Águias” são forçadas a uma finalíssima. Nesse derradeiro encontro, e depois de um segundo prolongamento, os portugueses lá conseguem bater os gauleses e, pelas mãos de Rogério de Carvalho, é erguido o almejado troféu.
A chegada de outro mítico treinador vai, mais uma vez, alterar o rumo da sua carreira. Com a vinda de Otto Glória, o Benfica torna-se num clube profissional. A exigência desse novo paradigma, com treinos duas vezes ao dia, impossibilitaria Rogério de Carvalho de compatibilizar a sua actividade profissional, com a prática do desporto. Sabendo que como vendedor de automóveis iria receber mais dinheiro, o atacante decide deixar o clube para dar continuidade à sua carreira noutro emblema.
É no Oriental, clube fundado pela junção do Chelas FC com outras duas colectividades, que o avançado passa os derradeiros anos como futebolista. Nessas 4 temporadas, para além de ajudar o clube a voltar à 1ª divisão, o antigo atleta do Benfica viveria um momento caricato. Aquando do reencontro com as “Águias”, o atleta afirmar-se-ia incapaz de defrontar o antigo clube. Os seus colegas, perante tal recusa, diriam que, assim sendo, também eles não entrariam em campo. Perante tal prenúncio, o avançado não teve outro remédio: cedeu e disputou o encontro.
Rogério “Pipi”, alcunha ganha pelo seu aspecto sempre aprumado, terminaria a carreira no final da temporada de 1957/58. Apesar de ter posto um ponto final ao seu percurso federativo, o antigo internacional continuaria adepto e praticante de diversas actividades desportivas. Um bom exemplo dessa dedicação, foi a admiração que manteve pelo ténis. Muito para além do futebol, foi nos “courts” da modalidade que, daí em diante, passou a distrair-se e a exercitar o corpo.

 
*retirado do artigo de Tiago Palma, em www.observador.pt, publicado a 30/05/2015