354 - DIONÍSIO CASTRO; 355 - DOMINGOS CASTRO


Apesar de doidos, mas ainda não varridos de todo, hoje decidimos fazer-vos uma pequena partida e trazer à nossa "caderneta" dois grandes heróis do atletismo nacional! "Mas este blog não é sobre futebol???!!!", perguntarão, e bem, todos vós. É!!! No entanto, Abril foi prometido aos irmãos e, para aqueles que não sabem ainda, os gémeos Castro também estão ligados ao "Universo" da bola... mas a isso já lá vamos!!!
Nascidos no Minho, cedo cresceu neles a paixão pelo atletismo. Foi então, numa prova da modalidade, em Vigo, que o Prof. Moniz Pereira haveria de os descobrir. Inseparáveis, a notícia que o Sporting não queria contratar Dionísio, pois a sua marca era inferior à do irmão, caiu que nem uma bomba no seio dos gémeos. Domingos lá seguiu para Alvalade, enquanto que Dionísio permaneceria pelo antigo emblema, o Lameirinho. Contudo,
as saudades e a distância que os separava, ao invés de desmoralizar Dionísio, levou-o a aprimorar-se nos treinos, perseguindo, também ele, o sonho de se mudar para Lisboa - "Foi muito difícil, estava habituado a treinar todos os dias com ele. Fiz das tripas coração para satisfazer os dirigentes do Sporting, e no Verão de 1984 contrataram-me”.
Juntos, talharam um caminho de sucessos. Muitos desses êxitos deveram-se à maneira abnegada como encararam o desporto e, também, resultado da vontade de aprender que sempre mostraram ao longo da vida - “Somos humildes, gostamos de respeitar toda a gente e assim será sempre. A palavra vedeta jamais nos subirá à cabeça e consideramos isso uma virtude”.
Tanto pelos "Leões", como com o dorsal da selecção nacional, muitas foram as conquistas de ambos. Mas o primeiro grande sucesso e que acabou por os pôr nas "bocas do Mundo", foram os Jogos da Boa Vontade, disputados em Moscovo, em que Domingos e Dionísio, na prova de 10 000 m, haveriam de conseguir, respectivamente, o lugar cimeiro e o terceiro posto no "podium". 

Para Domingos seguiu-se a medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo de 1987 e uma participação na prova de 5 000m dos Jogos Olímpicos, que, ao deixar fugir o Bronze nos derradeiros instantes, tornou a viagem até Seoul um pouco frustrante. Já Dionísio, um pouco abaixo das vitórias do irmão, não deixa, ainda assim, de ter um palmarés invejável, com imensas participações e conquistas, tanto em Portugal como a nível internacional.
Se é que, nas pistas, alguma vez houve rivalidade entre os dois, essa nunca extravasou para fora delas. A prova dessa incontestável amizade, pode contar-se num episódio caricato. Quando foram chamados à tropa, havia na altura, e para os gémeos, a tradição de incorporar apenas o mais velho. Mas Domingos, o chamado a cumprir o serviço militar, estava já numa fase mais adiantada da sua carreira. Então, Dionísio sacrificou-se, dizendo ter sido o primeiro a nascer e acabando ele por ser o eleito pelo exército.
Já depois de abandonarem as sapatilhas de corrida, os irmãos Castro decidiram continuar ligados ao desporto. Fundaram a "Castro Brothers" e agora dedicam-se, para além de outras actividades relacionadas com o universo desportivo, à prospecção de jogadores de futebol e à gestão das suas carreiras.

353 - JORGE SILVA

Depois de em muito novo, junto com toda a família, ter-se mudado de Lisboa para Moçambique, seria, naturalmente, em África que Jorge Silva começaria, influenciado ou não pela existência no seu meio mais próximo de um profissional da modalidade, a ganhar o gosto pela prática do futebol. Os primeiros passos, orientados pelo seu tio e antiga estrela do Sporting e também do Benfica, José Pérides, dá-los-ia na capital do país que agora o acolhia e na Académica de Lourenço Marques. O registo que mostrava era de tal modo inspirador de confiança que o Benfica, não quis esperar muito mais tempo e decidiu que boa aposta era que ele e o seu irmão mais velho, regressassem à cidade que os tinha visto nascer - "juntamente com o José Luís embarcamos com destino ao Benfica, que entretanto e depois de nos ter visto jogar quando lá esteve num torneio havia encetado negociações com o meu pai e o meu tio, para que viéssemos para cá.".
No Benfica, tanto na extrema-esquerda do campo como, até preferencialmente, a jogar a avançado centro, Jorge Silva, rapidamente começou a deixar ver as suas qualidades. A rapidez, boa técnica e uma capacidade intuitiva para conseguir estar onde os golos aconteciam, faziam dele uma das melhores promessas da formação encarnada e das camadas jovens da "Selecção das Quinas". Já com o seu irmão a jogar junto da equipa principal, o atacante, também ele debaixo de olho de John Mortimore, prometia ser o próximo a querer juntar-se ao plantel dos seniores.
Começa então a temporada de 1977/78 e o técnico inglês chama-o para junto dele. Apesar da aposta parecer ser bem segura, Jorge Silva, com concorrentes ao lugar como, Nené, Vítor Batista e até, nos anos posteriores, Reinaldo, acaba por se ver sempre preterido nas escolhas para o "onze" titular. Por ver que o seu estatuto de suplente não se alterava, os responsáveis na "Luz", decidem que o melhor para a progressão do jovem atleta era o empréstimo. Primeiro o Amora e depois o Boavista, serviram, principalmente nos 3 anos ao serviço dos "Axadrezados", para mostrar um futebolista de belíssimos préstimos e pronto para atacar a titularidade no Benfica. Pelo menos foi essa a crença do treinador Pal Csernai que, em 1984/85, dá ordens para que ele regressasse à "casa mãe". Com o húngaro aos comandos das "Águias", Jorge Silva até começa por se impor na equipa, mas as oportunidades que lhe iam sendo dadas acabaram por não mostrar um avançado muito em sintonia com as balizas, acabando isso por se traduzir no regresso de Jorge Silva ao leque das segundas e terceiras escolhas.
Depois de terminar a ligação com os "Encarnados", o avançado inicia um novo périplo na sua carreira e que o faz sonhar, mais uma vez, com outros voos. Após representar o Desp. Chaves, na estreia do emblema na Primeira Divisão, o passo seguinte seria dado na ilha da Madeira. Ao serviço do Marítimo, as suas boas exibições juntamente com os golos marcados no Campeonato (25 em duas temporadas) puseram-no no lote de seleccionáveis para equipa "A" de Portugal, onde, aliás, chegaria a 26 de Abril de 1989, numa partida para a qualificação do Mundial de 1990 em Itália, frente à Suíça.

352 - JOSÉ LUÍS



15 anos de Águia ao peito, entre o tempo da formação e os anos de sénior, seriam mais do que suficientes para o pôr na galeria dos históricos do clube da "Luz", mas José Luís foi muito mais do que isso!
Quando na temporada de 1976/77 o britânico John Mortimore chegou a Lisboa para comandar os destinos dos "Encarnados", encetou uma pequena revolução no plantel. Para junto da equipa principal decidira então chamar alguns dos jogadores que despontavam nas camadas jovens do Benfica. Um deles dava pelo nome de José Luís. De ar franzino, nada nesse seu aspecto, para alguém que nunca o tivesse visto jogar, poderia antever um atleta abnegado e que entrava sempre em campo com imensa garra e o espírito de equipa na mente. Batalhador, disciplinado tacticamente, era um jogador que, sem ser de grandes brilhantismos, procurava no seu futebol descomplicado uma forma de se impor no relvado. Talvez tenha sido por isso que o técnico inglês, ele que também era todo rigor na sua forma de trabalhar, tenha gostado imediatamente dele. A prova é que, fosse no centro ou na direita do meio campo, José Luís rapidamente conquistou a confiança dos responsáveis e a consequente titularidade. Todo o respeito que foi ganhando, tanto da parte dos adeptos, como de todos aqueles que trabalhavam pelo futebol do Benfica, reflecte-se na quantidade de anos que permaneceu no clube e, com isso, na quantidade de títulos que aí conseguiu arrecadar: 5 Campeonatos; 6 Taças de Portugal; 2 Supertaças... claro, sem esquecer a presença na final da Taça UEFA da época de 1982/83!
Depois de deixar o emblema da capital lisboeta, José Luís decidiu mudar-se para a ilha da Madeira. Aí, como é lógico, mesmo distante das disputas a que se habituara, não deixou, como seria de esperar e até pelo carácter que sempre demonstrou, de ser um futebolista decisivo nos intuitos do clube que agora defendia. Por isso, acho que não exagero ao dizer que o centrocampista foi um daqueles que ajudou os "Verde-Rubros" a consolidar o estatuto que hoje em dia auferem, o de clube intrinsecamente ligado ao primeiro escalão do nosso futebol.
Já depois de abandonar os relvados, nos quais ainda representou a Ovarense, José Luís decidiu mudar de papel no desporto que sempre amou e passou para o banco. A sua vida de treinador, longe do virtuosismo de outros seus pares, tem tido alguns pontos curiosos. Por exemplo a sua passagem por Timor, onde encabeçou a selecção do país ou ainda as suas aventuras na Malásia e, mais recentemente, na China.

351 - AYEW

A sua mudança para França aos 17 anos, talvez um pouco à custa da fama do seu irmão mais velho, Abedi Pelé, fazia prever um futuro promissor. A verdade é que essa escolha revelar-se-ia pouco acertada e a imaturidade do jovem atleta haveria de fazer com este não conseguisse alcançar um grande sucesso no emblema escolhido, o Metz. Apesar deste pequeno desaire, a aposta no avançado continuava a ser uma realidade, pelo menos por parte dos responsáveis das selecções ganesas, e assim, Ayew, no Verão de 1992, veria o seu nome incluído na convocatória para os Jogos Olímpicos de Barcelona, onde, alias, sairia com a medalha de bronze.
A segunda aventura do avançado pela Europa, surgiria não muito distante, no tempo e no espaço, da primeira. Em Itália representaria o Lecce, mas o clube, em franca queda divisões abaixo, acabaria por não ser, mais uma vez, a escolha acertada para quem queria mostrar as suas qualidades no mundo do futebol. É então por esta altura, 1995, que do União de Leiria lhe acenam com uma nova oportunidade. Em Portugal, a sua rapidez, destreza com a bola nos pés e, também, alguma apetência para o golo, fazem-no conseguir uma carreira meteórica. Depois da "Cidade do Liz", segue-se Setúbal, um Boavista em ascensão e na senda do título nacional e, finalmente, o Sporting.
Em Alvalade, procurava-se, em 1999/00, construir uma equipa que pudesse devolver aos "Verde e Brancos" as faixas de Campeão, conquistadas pela última vez, havia à altura, quase 18 anos!!! Peter Schmeichel era o nome mais sonante dessa aposta do "Leão". Se o grupo agradeceu a sua contratação, mais contente ficou Ayew, pois com o "gigante" dinamarquês acabaria por fazer uma grande amizade, como, aliás, recorda o guardião: "Ayew era o meu melhor amigo no Sporting (...). Vim para Portugal sem falar português. Ele falava, mas o nosso treinador era italiano e ele falava italiano, assim ele era o meu tradutor".
Depois de conquistado o Campeonato Nacional pelo Sporting, a utilização intermitente a que aí se sujeitava levaram-no, novamente, a procurar outro rumo para a sua carreira. Na Turquia, país que se seguiu, muito para lá do futebol, a sua vida iria sofrer um enorme "volte-face" - "Estava no quarto a dormir e alguém chegou e disse-me «Levanta-te, que quero mostrar-te uma coisa». Eu perguntei «Quem és tu?» e essa pessoa disse-me que isso não interessava. Era um anjo. No meu sonho, saímos os dois pela janela e fomos a uma casa, onde havia muitas pessoas, de todas as raças e cores. Chegámos lá e esse anjo disse-me «Quero que faças coisas boas na Terra. Chamei-te para falares às pessoas da palavra de Deus»". Depois deste episódio, e de ter posto fim a actividade profissional de futebolista (que ainda o levou à China e de volta a Portugal e ao Vitória de Setúbal), Ayew decidiu enveredar pela religião. Regressou ao Gana, fundou a igreja "Pastores de Jesus Cristo, o Senhor", e hoje, em Accra, divide o seu tempo entre as tarefas de padre, as funções de missionário, que o levam a todo o país, e a ajuda aos mais necessitados.

350 - ABEDI PELÉ

É tido como o melhor jogador de todos os tempos do Gana. Um dos factores que contribuiu para tal foi o número de golos que marcou pela sua selecção e que fazem dele o melhor de sempre nesse "ranking". Mas apesar deste título, e de ao serviço da equipa nacional do seu país ter conquistado a CAN em 1982, e de 10 anos depois ter sido considerado o melhor jogador do torneio, talvez a maior desilusão da sua carreira esteja ligada a essa camisola. É que Abedi Pelé, faz parte de um restrito número de jogadores que, apesar da fama conquistada, nunca conseguiram estar presentes num Mundial de futebol!
Já a nível de clubes a história é outra. Depois de algumas aventuras no estrangeiro, como por exemplo na Suíça ou no Catar (numa altura em que este destino ainda não era o "el-dorado" dos atletas em fim de carreira), a sua chegada a França para representar o Chamois Niortais, corria o ano de 1986, haveria de mudar o panorama internacional da modalidade. Bem, não foi imediatamente que a "revolução" se deu, mas as suas qualidades de jogo - uma técnica estonteante, uma visão primorosa, a força física ou os golos fantásticos - rapidamente o puseram na senda de emblemas de maior renome e poderio naquele país. Assim, não foi de estranhar que passados alguns anos Adebi Pelé chegasse aquela que era uma das melhores formações do planeta na transição dos anos 80 para os 90, o Olympique de Marseille. Cruzando, em diferentes alturas, ele e outros atletas como Jean-Pierre Papin, Chris Waddle ou Rudi Völler, rapidamente o emblema da cidade gaulesa se empoleirou nos lugares cimeiros do futebol. Após algumas ameaças, e com o Campeonato francês, como provam os diversos títulos consecutivos, totalmente dominado por eles, finalmente em 1992/93, o clube atinge mais uma vez a final e frente ao Milan vence a sua primeira Liga dos Campeões. Nesse encontro disputado em Munique, a exibição de Abedi Pelé haveria de ser deslumbrante, com o médio, não fosse dele a marcação do canto que deu origem ao golo de cabeça de Basile Boli, a empurrar decisivamente os seus colegas em direcção à vitória, ao ponto de ter sido considerado por muitos como o melhor em campo nesse dia.
Terminada a aventura em França, o internacional ganês haveria de se mudar para Itália. Aí, o sucesso em termos de vitórias ficaria bem distante do conseguido anteriormente, até porque o Torino, camisola que envergou, não almejava a tanto. Contudo, a sua qualidade continuava bem patente e Abedi Pelé haveria de ser considerado como o melhor estrangeiro a actuar no "Calcio".
Depois de terminada a carreira, que ainda o levou à Alemanha (1860 München) e de novo ao Médio Oriente, o antigo futebolista decidiu mudar de papel no desporto que sempre o apaixonou. Adedi Pelé é agora o proprietário do modesto FC Nania, com o qual, visto que também é o seu treinador, já conseguiu conquistar a Taça e a Supertaça do Gana.

349 - PAULO PEREIRA

Continuando na senda dos gémeos (acreditem, foi pura coincidência), chamamos hoje à nossa "caderneta", Paulo Pereira. Pois é, o antigo atleta, que durante vários anos jogou em Portugal, é irmão do ex-sportinguista Silas. Por coincidência, foi o emblema de Alvalade, dentro daqueles que por cá nos acostumámos a chamar de "Grandes", o único que Paulo Pereira não envergou na sua passagem pelo nosso país. Vindo do Monterrey do México, chegou à cidade do Porto para reforçar o efectivo do sector mais recuado dos "Azuis e Brancos". Cotado como um futebolista, que sem ser brilhante no desempenho das suas funções, era bastante aplicado, acabou por provar a sua utilidade e mais valia no seio do grupo, pelas suas capacidades polivalentes. Nem sempre como primeira escolha, a inclusão de Paulo Pereira na equipa acabaria por ser uma vantagem, pois, raramente comprometendo, tanto podia ocupar uma posição no centro da grande-área, como, preferencialmente à esquerda, na lateral da mesma. Outra das suas características era o seu forte pontapé, o que fazia com que, muitas vezes, fosse chamado à marcação de livres-directos e grandes penalidades.
Após conquistar, a Norte, 2 Campeonatos Nacionais e uma Taça de Portugal (haveria de vencer mais uma no derradeiro ano como portista), e de, em jeito de interlúdio, ter tido uma passagem de uma temporada pelo Vitória de Guimarães, Paulo Pereira, em fim de contrato com os "Dragões", vê-se como um dos atletas menos utilizados do plantel. Aproveitando o fim da ligação contratual ao clube da "Invicta", o Benfica, agora ao comando de Artur Jorge, seu antigo técnico no FC Porto, "lança-lhe as redes", fazendo-o mudar-se para Lisboa. Ao serviço dos antigos rivais, o brasileiro encontra um clube acabadinho de entrar numa das piores fases da sua história. Sem vencer qualquer título, mas com a presença, nesse seu ano de estreia pelos "Encarnados" (1994/95), na Liga dos Campeões, o defesa acaba por se ver com alguma projecção no estrangeiro. Muda-se então para o "Calcio", onde representaria Genoa e Reggina, e onde, com 33 anos, decide pôr um ponto final na vida de futebolista.
Depois de, durante alguns anos, ter adjuvado o seu irmão, Paulo Silas, no comando técnico de algumas equipas, Paulo Pereira, já esta época (2012/13), chegou a treinador principal do Guarani. Com isto só mais uma curiosidade: é que foi substituir Branco, antigo lateral da "Canarinha", e de quem, durante muito tempo, foi visto como sucessor no FC Porto.

348 - SILAS

Com um início de carreira fulgurante, que o chegou a colocar como uma das maiores promessas do futebol brasileiro da altura, Silas haveria de se destacar no Mundial S-20, disputado em 1985. Na antiga U.R.S.S., para além do título por equipas conquistado no referido torneio, o centrocampista haveria de lá sair nomeado como o melhor jogador do certame. Ora, tudo isto, a juntar às boas exibições que vinha amealhando ao serviço do São Paulo, rapidamente o puseram na rota dos emigrantes brasileiros da modalidade. Como futebolista, o seu futuro, invariavelmente, teria que estar ligado à Europa. Agora o que poucos desconfiariam é que esse incontornável destino, com tantos outros mercados existentes e mais aliciantes, passasse por Portugal e pelo Sporting. Mas assim foi, e em 1988, já depois da sua participação no Mundial do México de 1986, o médio-ofensivo acabaria por aterrar em Lisboa.
O investimento feito no internacional brasileiro parecia não trazer risco de maior e, rapidamente, este provou ser aposta ganha. As suas grandes exibições, em que jogava e fazia jogar, e os belíssimos golos, depressa fizeram ver aos adeptos leoninos que estavam na presença de um grande craque! No entanto, o Sporting tinha, anda há bem pouco tempo, entrado no "reinado" de Jorge Gonçalves, o "Bigodes". O que daí adveio, como sabemos, não foi nada de gratificante para os "Leões", com o clube a entrar numa espiral de incertezas e instabilidade, tanto em termos desportivos como, mais tarde se veio a confirmar, a nível financeiro.
Mesmo com uma segunda temporada em Alvalade assolada por uma grave lesão, e já depois de ter participado e vencido a Copa América de 1989, Silas acaba por fazer parte dos planos de Sebastião Lazaroni (haveria de ser treinador do Marítimo) e junta-se ao grupo "canarinho" que parte para Itália, na disputa do Mundial de 1990.
A segunda etapa de Silas pela Europa faz-se logo de seguida, e quase com uma lógica de continuidade, ao serviço de emblemas do "Calcio": primeiro o Cesena e em seguida os genoveses da Sampdoria. sem grande fulgor, daqui em diante a carreira de Paulo Silas tomou o formato de muitos outros dos seus conterrâneos. Feito numa espécie de "Globetrotter", o médio acabaria por passar por cerca de uma dezena de outros emblemas e por campeonatos como o argentino ou o japonês, até que, já bem perto dos 40, "pendurou as chuteiras" e passou a dedicar-se à vida de treinador.

347 - ALBERTINO

Como já conseguiram adivinhar, até pela lógica imposta neste mês de Abril no "Cromo sem caderneta", Albertino é irmão do antigo internacional português Nélson. O que provavelmente não sabem, é que a hora de nascimento dos dois atletas não dista assim tanto tempo uma da outra. É verdade, Albertino e Nélson são gémeos!!! Assim sendo, não é difícil de adivinhar que esta condição de ambos deve ter servido, muitas vezes, para se fazerem algumas comparações entre os dois percursos. Não houve assim tantas coisas em comum, é certo, no entanto, não deixa de ser curioso que ambos tenham feito carreira a jogar na mesma posição de campo, a lateral-direito, ou ainda o facto - menos transcendente - de terem terminado a formação no Salgueiros.
A partir daqui já pouco pontos em comum podemos encontrar. Albertino acabaria por se consolidar como jogador no emblema de Paranhos, onde, apesar das suas qualidades técnicas como a velocidade, sentido táctico, responsabilidade e abnegação defensiva, que faziam dele, muito mais do que um jovem promissor, um elemento importante no seio do plantel, nunca chegaria, com a presença de Pedro Reis, que tantas vezes ocupava o seu lugar em campo, a conseguir conquistar a titularidade absoluta. Assim, ao fim de vários anos a vestir o vermelho do clube portuense, o defesa decide rumar a outras paragens e, deste modo, à Académica de Coimbra. Com os "Estudantes" militou na divisão secundária do nosso futebol, mas ao contrário do que se possa pensar, esta sua "descida de escalão" não seria uma má decisão. É que ao serviço da "Briosa", Albertino passaria a jogar com regularidade, ao ponto do interesse do Marítimo se ter revelado. Acabaria mesmo por ser na Madeira que o lateral percorreria grande parte do seu caminho como futebolista profissional. Foram 7 temporadas quase sempre ao mais alto nível em que se habituaria, entre outras coisas, a lutar pelos lugares nas competições europeias.
O que se seguiu após os "Verde-Rubros", foi o regresso à divisões secundárias. Após as passagens por Marco e Gondomar, o, por uma vez, internacional S-21 português deixaria os emblemas profissionais, para, ao mesmo tempo que se saciava a "fome de bola" em colectividades de menor monta, tirar o diploma em Osteopatia, para assim poder ajudar o próximo - "Não imagina o orgulho que tenho, a felicidade que tenho, por ver os pacientes conforme eles vêm e conforme eles saem daqui".
Já perto dos 40 anos, o apelo das origens, tal como a seu irmão, fê-lo regressar. Ao invés de Nélson, que seguiu as pisadas do pai e se tornou dirigente do Rio Tinto, Albertino voltou, ainda na condição de atleta, ao Salgueiros. Aí traçou objectivos bem delineados - “O nosso intuito é regressar o mais rápido possível aos Nacionais (...). A alma do Salgueiros está a renascer, depois de ter estado nas cinzas, e está no bom caminho”. Depois deste primeiro passo cumprido, Albertino e o Salgueiros 08, militam, nesta época de 2012/13, na 3ª divisão, mas, por certo, com outras ambições e o desejo de devolver ao clube a glória do seu passado.

346 - NÉLSON

Com uma estreia auspiciosa na equipa principal do Salgueiros, à altura comandada por Zoran Filipovic, seria, no entanto, a convocatória de Carlos Queiroz e a respectiva participação, no final dessa mesma temporada, no Mundial de s-20, que o confirmariam como um defesa capaz de voos bem maiores do aqueles que o emblema do bairro portuense de Paranhos lhe permitia. Assim, não foi de admirar que após a conquista do torneio disputado em Portugal, o sucesso da selecção jovem portuguesa se espelhasse na aposta que, clubes de maior projecção, acabaram por fazer nos atletas vitoriosos. Como um defesa direito cumpridor, mas cuja sua melhor arma era a maneira como, dando uso à sua boa técnica e velocidade, se impunha nas missões ofensivas da equipa, Nélson tornar-se-ia, nesse Verão de 1991, num dos atletas mais cobiçados do panorama nacional. O Sporting acabaria por ser o seu destino. Contudo a sua vida em Lisboa, inicialmente sob o comando do brasileiro Marinho Perez, não seria de todo fácil, com a concorrência de jogadores como Marinho ou João Luís a vetá-lo à condição de opção (mais que) secundária. A verdade é que tudo isto foi passageiro e com a chegada de Sir Bobby Robson, o cenário veio completamente a alterar-se, passando Nélson a ser visto como uma opção válida dentro do plantel e, daí em diante, a passar a ter um lugar no "onze" leonino.
Mesmo não tendo alcançado grandes títulos na sua passagem por Alvalade, excepção feita a uma Taça de Portugal e a uma Supertaça, o lateral começou a ter alguma projecção fora de portas, ao ponto de o Aston Villa, corria o Verão de 1997, ter feito uma proposta ao Sporting (£1,700,000) o que o fez mudar-se para a cidade britânica de Birmingham.
Apesar de ser utilizado com frequência, Nélson, ao fim de dois anos, decide abandonar Inglaterra para se voltar a juntar àquele que tinha sido o seu primeiro emblema de sempre, mas no qual apenas tinha vestido a camisola nas camadas de formação, isto é, o FC Porto. O regresso à sua cidade natal seria feito de duas faces: por uma lado a conquista do seu primeiro Campeonato (ao qual ainda juntou mais duas Taças), mas por outro a falta de uma utilização regular. Esta constatação haveria de o levar a Setúbal, onde, ao serviço do Vitória local, acabaria por terminar a sua carreira ao mais alto nível. Teve ainda uma passagem pelo Rio Tinto, clube do qual, e seguindo as pisadas do seu pai, antigo dirigente do dito emblema, acabaria por se tornar Presidente!!!

FAMÍLIA E FUTEBOL - IRMÃOS

Depois do sucesso que foi a primeira edição de "Família e Futebol", isto tendo em conta as imensas solicitações que nos chegaram à nossa virtual caixa de correio, tivemos que voltar a tocar no tema. Para tornarmos mais aliciante esta pequena sequela, decidimos, em relação ao primeiro episódio da saga, dar-lhe um pequeno "twist"!!! Assim, em vez de abordarmos o assunto entre pais e filhos, quisemos eliminar o hiato geracional no dito desafio. Por isso, durante Abril, esteja atento e acompanhe o novo mês de "Família e Futebol"... é que desta vez a contenda é entre irmãos!!!

Ver também: Basílio e Miguel; Emídio Graça e Jaime Graça