548 - LEAL

Ainda que a sua ligação ao Académico de Viseu não seja uma história muito longa, posso afirmar que Leal terá sido um dos mais notáveis atletas a vestir a camisola dos "Estudantes".
Contratado ao Viseu e Benfica, já depois de aí ter sido promovido à equipa sénior, Leal seria uma das peças fundamentais, naquela que foi a última subida, e presença, dos viseenses na 1ª Divisão. A jogar a central, o defesa seria um dos pilares dessa caminhada. Alto, possante e com uma colocação exemplar, a segurança que dava ao derradeiro sector da equipa, seria essencial ao sucesso do grupo.
Apesar de todos o considerarem como um esteio, a verdade é que a qualidade das suas exibições não seriam suficientes para que o Académico de Viseu conseguisse, ao fim da temporada de 1988/89, manter-se no patamar maior do nosso futebol.
Mesmo com o desaire da equipa, Leal conseguiria, e de que maneira, chamar a atenção de outros emblemas nacionais. Tão boas eram as referências deixadas por si, que logo o Sporting decidiu juntá-lo ao seu plantel. Mesmo não tendo um grande currículo primodivisionário, e, por conseguinte, com muitos a agoirar-lhe sérias dificuldades futuras, o defesa iria surpreender uma série de gente. Ainda assim, a sua passagem por Alvalade não deixa de ser curiosa. Pois, por razão da contratação de Luisinho, que acabaria por fazer dupla no centro da defesa com Venâncio, Leal parecia não ter espaço para se impor.
Seguro da sua qualidade, Manuel José haveria de o adaptar a lateral esquerdo. Foi nessa posição que, de "Leão ao peito", fez carreira. Sem grande velocidade, talvez o seu único ponto fraco, haveria de se afirmar pela segurança que dava a esse lado do campo. Assertivo na maneira de encarar os lances, a fiabilidade transmitida ao lado canhoto da defesa, levá-lo-ia a ser um dos nomes habituais na lista de titulares do Sporting. Consequência dessa regularidade, acabaria por ser a atribuição, em 1991, do Prémio Stromp para Atleta Profissional do ano.
Outra das distinções que acabaria por merecer, seria a convocatória para a selecção nacional. Com a "Camisola das Quinas" conseguiria um total de 15 internacionalizações, jogadas essas partidas na campanha de apuramento para o Euro 92.
Com o aparecimento de Paulo Torres e, ainda por cima, com a contratação de Vujacic, Leal começa a perder espaço em Alvalade. Com muito ainda para dar ao futebol, o seu lugar entre os emblemas da 1ª Divisão estava assegurado. Depois de Belenenses e Felgueiras, chega a vez de representar o Estrela da Amadora. Pelos da Reboleira, e com os trinta anos já para trás, Leal volta a afirmar-se como um dos melhores do Campeonato, a jogar... a defesa central!!!
Foi de volta à sua posição de origem que o internacional "luso" faria o restante da sua carreira. O fim, depois de ter vestido o vermelho do Santa Clara, aconteceria no regresso a casa. Seria em Viseu, novamente com as cores do Académico, que Leal, aos 38 anos e com o "términus" da temporada de 2002/03, decidira “pendurar as chuteiras”.

547 - RODRIGO

Depois de brilhar ao serviço das camadas de formação do Académico de Viseu, a sua integração na equipa principal, corria a temporada de 1965/66, seria entendida como o passo certo na progressão do atleta. Resultado de tais prestações, Rodrigo começa a ser cogitado noutros meios futebolísticos. Nesse sentido, a maior consequência desse sucesso, com o seu nome a aparecer na lista dos eleitos, faria sentir-se aquando da convocatória, por parte dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, para o Europeu de Juniores de 1966.
A notoriedade alcançada pelo jovem médio, logo nesses primeiros passos da sua carreira, faria com que outros emblemas da cena nacional, começassem por ele a despender uma atenção especial. Não foi necessário muito mais tempo, para que de outros patamares surgissem propostas concretas. Ora, seria assim que o médio, no Verão que se seguiria ao referido torneio jovem disputado na antiga Jugoslávia, deixaria a colectividade viseense para, desta feita, integrar o plantel dos "Estudantes" da cidade de Coimbra. Contudo, a mudança não traria os resultados esperados. Pouco utilizado, as dificuldades que haveria de experimentar, acabariam por ser maiores do que a esperança nele depositada.
Um ano após a sua partida, Rodrigo estava de volta ao emblema no qual tinha crescido. A evoluir na 2ª Divisão, a sua carreira desportiva haveria de sofrer um pequeno abalo, ao ser interrompida por "interesses da nação". Incluído nos contingentes militares enviados para as denominadas Províncias Ultramarinas, Rodrigo, por razão da referida "Missão de Soberania", acabaria por ser destacado para Angola.
Após o regresso à metrópole, o "trinco" romaria a outras paragens, um pouco distantes de Viseu. Contratado pelo Vitória de Guimarães para a época de 1971/72, Rodrigo faria, finalmente, a sua estreia na 1ª Divisão. Sem nunca chegar a ser um dos indiscutíveis da equipa, o centrocampista, com todo o mérito, acabaria por merecer o seu lugar no seio do plantel vimaranense. Talhado para tarefas mais defensivas, Rodrigo não deixava de ter qualidades técnicas invejáveis. Dono de um bom passe e com um entendimento de jogo capaz de fazer dele um bom distribuidor, o atleta ia conquistando o seu espaço.
Seria já depois desses três anos na "Cidade Berço", e duas curtas passagens pelo Sp.Braga e Famalicão, que, mais uma vez, o "negro" do Académico de Viseu voltaria a colorir a sua vida profissional. Ora, no final dos anos 70, os viseenses andavam em perseguição de algo que nunca antes tinham conseguido. Para cumprirem esse sonho, tinham agora ao seu serviço um jogador experiente, como o era, por essa altura, Rodrigo. Esse traquejo, incontestavelmente, acabaria por ser um dos pilares da tão almeja promoção ao patamar maior do futebol nacional.
A subida de escalão haveria de permitir a Rodrigo, ele que também era o capitão da formação beirã, jogar mais 4 temporadas (78/79; 80/81; 81/82) na 1ª Divisão. A última dessas épocas, com a descida do Académico de Viseu, marcaria o começo do fim da sua carreira. Esse viria a acontecer, não de uma forma vincada, mas numa espécie de passagem suave. Seria então ao serviço do Gouveia, cumprindo as tarefas de treinador e, ao mesmo tempo, as de jogador, que Rodrigo faria a transição das "quatro linhas" para o "banco" de suplentes.

546 - ACADÉMICO de VISEU

Quando um grupo de estudantes do Liceu Alves Martins e do Colégio da Via Sacra decidiram juntar-se para formar um clube, longe estariam de imaginar que tal ideia resultasse num dos emblemas centenários do desporto português.
A génese estudantil de tal agremiação, acabaria por justificar as cores negras dos equipamentos e a designação de Académico. A vontade de praticar desporto, sem se saber muito bem desde que altura, acabaria por ter o seu primeiro reflexo palpável, quando, a 7 de Junho de 1914, o conjunto de Viseu convida os de Tondela para um desafio de futebol. Desde aí, e durante mais de uma década, poucos são os registos das actividades promovidas pelos jovens entusiastas. Já o ano de 1927, marca um ponto de viragem na história do emblema beirão. É nesse ano que os estatutos do clube dão entrada na Federação Desportiva de Viseu, organismo que antecederia a Associação de Futebol daquela cidade. A data oficializada como a da fundação do recém-registado Clube Académico de Futebol, haveria de ser, segundo consta nos documentos, a de 1917. Esta falácia, juntamente com outras notícias que falam do surgimento em 1908, é só mais um dos dados que, durante anos a fio, lançou a confusão no que diz respeito à nascença do emblema viseense.
Sem que isso fosse de grave importância, e com a já referida data de 1914 mais comumente aceite para a da fundação do Académico de Viseu, a vida dos "Estudantes" continuaria a sua caminhada. Seria já para a temporada de 1935/36 que a notoriedade do clube ganharia, com a disputa da 2ª Liga, mais alguns pontos. Daí em diante, o nome do Académico de Viseu seria recorrentemente listado como um dos emblemas presentes nos campeonatos nacionais, sem, no entanto, conseguir alguma vez auferir do estatuto de primodivisionário.
Essa glória atingi-la-ia uma série de anos depois, terminava a década de 70. Após uma temporada bastante positiva, os da Beira Alta acabariam por assegurar, com a conquista do segundo posto na Zona Centro da 2ª Divisão, um lugar na Liguilha. Ao vencedor de tal torneio era atribuído, para a época que se seguia, a derradeira vaga no escalão maior do nosso futebol. O Académico de Viseu, ao ficar no primeiro lugar de tal classificação, acabaria por merecer tal prémio.
Como resultado do dito sucesso, para temporada de 1978/79, os "Estudantes" fariam a sua entrada nos palcos maiores do futebol português. Apesar de contarem com nomes de alguma monta no cenário nacional - casos de António Vaz, Teixeirinha, José Freixo, Rachão ou Joaquim Rocha -, a verdade é que os "Beirões", acabariam por ceder a alguma inexperiência.
Ainda assim, esta estreia serviria de mote para que, nos anos vindouros, o Académico se afirmasse como um dos habituais neste grandes cenários competitivos. Mas se os anos que se seguiram, com um total de 4 temporadas na 1ª Divisão, serviriam de pano para as melhores páginas da história do clube, a entrada num novo milénio, como que empurrou os viseenses para o abismo. Mergulhados numa gravíssima crise financeira, o ano de 2006 acabaria por determinar, por ordem judicial, a insolvência do emblema. Contudo, a vontade de um grupo de sócios haveria de dar a volta à situação, e, num verdadeiro conto de paixão e entrega, conseguiriam fazer ressurgir a alma do emblema estudantil.
A solução para o tal descalabro, passaria pelo acordo feito com Grupo Desportivo de Farminhão que, daí em diante, passaria a designar-se como Académico de Viseu Futebol Clube. Este ressuscitar começaria com o emblema a disputar as competições regionais do Distrito de Viseu. Daí para a frente, a vontade de devolver a grandeza de outrora ao escudo que mantinham nas camisolas, fez com que, numa ascensão transcendente, os homens à frente deste sonho conseguissem assegurar um lugar nos meios mais competitivos. O passo decisivo para cimentar o ressurgimento do Académico de Viseu, dar-se-ia em 2013/14, com o regresso do clube aos campeonatos profissionais e à denominada Liga II.

545 - FILÓ

Formado nas escolas do Sporting de Espinho, seria também no dito clube que Filó, corria a temporada de 1989/90, faria a transição para a categoria principal. Como é normal em jovens jogadores, os primeiros anos com os seniores acabariam por ser os da adaptação a uma nova realidade competitiva. Poucas vezes chamado a jogo durante essa fase, o jovem defesa acabaria por, durante duas épocas, ganhar experiência ao serviço do Fiães.
Depois do traquejo conseguido nos campos da 3ª Divisão, o seu regresso à "casa mãe" aconteceria numa fase ascendente para o Sporting de Espinho. A militar na Divisão de Honra, mas sempre com os olhos postos no patamar acima, os "Tigres" lá iam tentando acercar-se dos lugares cimeiros da tabela classificativa. A tão almejada promoção, numa altura em que Filó já era um dos nomes recorrentes na lista de convocados, aconteceria terminada a temporada 1995/96. Na época que sucederia, Filó continuaria a ser uma das peças fundamentais na manobra da sua equipa. Contudo, e apesar das exibições convincentes do atleta, o conjunto da Costa Verde claudicaria perante uma concorrência mais forte, não conseguindo evitar nova queda no segundo escalão.
Depois desta primeira experiência, e apesar de grande parte da sua vida como desportista estar ligada ao Sporting de Espinho, seria por outro emblema que, alguns anos passados , Filó voltaria aos palcos maiores do futebol português. Com as cores do Paços de Ferreira, já depois de uma passagem pelo Penafiel, o defesa (que também podia jogar a médio defensivo) acrescenta mais três épocas (2001/02; 2002/03; 2003/04) ao seu currículo primodivisionário. Pelos "Castores", a intermitência com que ia aparecendo em campo, nunca lhe permitiria atingir um patamar de importância tão vincado, quando, anteriormente já havia conseguido.
Seria já depois de terminado este capítulo, e numa altura que já tinha passado a casa dos 30 anos de idade, que Filó regressa ao clube que o lançara para o futebol. De volta ao Sporting de Espinho, sob aquele princípio de que "um bom filho a casa volta", Filó percorre os derradeiros passos da sua vida profissional dentro das quatro linhas.
Foi logo a seguir a essas duas últimas temporadas que, sem abandonar a modalidade que sempre o apaixonou, Filó decidiu seguir um novo rumo. Como treinador daria início à sua actividade no Lousada. De seguida, depois de comandar equipas como o Fiães, Paredes e Aliados Lordelo, deu-se novo regresso ao Estádio Comendador Manuel Violas. A passagem pelo "banco" do Sporting de Espinho acabaria, resultado das boas exibições da equipa, por dar alguma notoriedade ao antigo jogador dos "Tigres". No entanto, e apesar da boa prestação, a sua saída do clube, a meio da segunda temporada, haveria de ficar envolta em alguma polémica. Apesar da controvérsia, a verdade é que o convite da Naval 1º de Maio, com entrada directa para os campeonatos profissionais, era bom de mais para ser recusado. Depois de se consolidar neste escalão, e já neste novo ano (2014/15), Filó, ao leme do Freamunde, tem tudo para ser a grande surpresa da Liga II. Para já segue no topo da tabela e, quiçá, para o ano fará a sua estreia enquanto técnico, no principal patamar do nosso futebol.

544 - JOÃO CARLOS

Quando uma carreira desportiva fica, inteiramente, ligada a um só clube, então, é normal que a história desse jogador acabe por se confundir com o emblema em questão. No caso de João Carlos, o laço que o liga ao Sporting de Espinho vem desde que, nos escalões de formação, começou a dar os primeiros passos no mundo do futebol.
Em 1972 chegaria a vez de subir aos seniores. Desse modo, ainda na 2ª Divisão, daria início a um trajecto profissional que, durante década e meia, não conheceria outras cores. Nessa lógica, seria também com o listado dos da Costa Verde que João Carlos faria a sua estreia, corria a época de 1974/75, na Primeira Divisão. Ainda sem ser um dos nomes mais sonantes do plantel, o jovem médio, por essa altura, começava já a destacar-se pela sua aprimorada capacidade técnica. No entanto, seria aquando da segunda subida ao escalão máximo do nosso futebol (1977/78), que a sua presença no "onze" inicial do Sporting de Espinho começou a revestir-se de alguma regularidade.
Com o estatuto de indiscutível, João Carlos começou a ser um dos nomes com mais peso dentro do balneário. A humildade, a maneira como, dentro de campo, lutava pelo clube, ou a paixão que, fora dele, sempre mostrou pela equipa, serviriam para sublinhar essa sua importância. Sentiria, como ninguém, todas as alegrias e tristezas vividas e, acima de tudo, faria (e faz!) dos momentos altos do clube um dos maiores orgulhos da sua vida - “As subidas à I Divisão e as três épocas que passámos nesse escalão, quando o treinador era o Manuel José, são pontos altos da minha carreira”*.
Das 11 temporadas em que o Sporting de Espinho lutou nos maiores palcos do futebol português, 7 delas contam com o nome de João Carlos. No cômputo desses anos passados na Primeira Divisão, as cerca de 180 partidas que realizaria de "Tigre" ao peito, fazem dele, no que diz respeito ao dito escalão, o atleta com mais jogos disputados pelo clube. Ora, tais números são só mais um aspecto da sua relevância para a história da colectividade espinhense. Esse facto, como se tal fosse necessário, acabaria por pôr o antigo futebolista numa restrita lista de atletas que, acima de tudo o que foram no desporto, são, pela razão da sua paixão, exemplos a seguir e, como consequência de tal, símbolos maiores do Sporting Clube de Espinho.


* do artigo no "Público" (21/11/2014), por Manuel Assunção

543 - SPORTING ESPINHO


Foi a 11 de Novembro de 1914 que um grupo de jovens da terra, entusiastas do desporto e conhecidos pelos bravos embates frente a outras turmas do Porto, decide formar uma nova agremiação. Talvez pela ligação à "Cidade Invicta", tanto no quotidiano das pessoas, como na prática do tal "foot-ball", ser tão vincada, o recém-nascido Sporting Clube de Espinho começaria a sua vida ligado a Associação de Futebol do Porto.
Seria nesta condição que, poucos anos após o seu aparecimento, o emblema da Costa Verde conquistaria o seu primeiro grande troféu. Ora, depois de nas meias-finais ter eliminado o Boavista, o adversário que para o Sporting de Espinho se seguiria, era o Salgueiros. O derradeiro encontro da competição estava marcado para o Campo de Ramalde. Por coincidência, para esse mesmo dia estava agendada uma corrida de touros. É então que os representantes do Salgueiros, por certo mais interessados em tal evento, requerem um adiamento do jogo. Contudo, e apesar de verem recusado tal pedido, os de Paranhos decidem faltar ao jogo da final. Como é óbvio, e na sequência da tal falta, a Associação de Futebol do Porto acaba por atribuir a Taça de Honra de 1918 ao Sporting de Espinho. Ainda assim, os "Tigres" decidem, em jeito de tira-teimas, desafiar os adversários para um jogo. O embate, desta feita, seria marcado para o Campo da Avenida, na cidade de Espinho. O resultado, a favor dos da casa, acabaria por ficar em 4-0 e, para aqueles que haviam ficado com algumas dúvidas, consagraria o Sporting de Espinho como o justo vencedor.
Saltando até 1967, podemos recordar outro dos grandes momentos da história do clube. Na Taça Ribeiro do Reis, prova organizada pela Federação Portuguesa de Futebol, a progressão do Sporting de Espinho ia de "vento em popa". Com tais prestações, para final da competição ficaria reservado um lugar para o clube. Em Lisboa, no Estádio da Tapadinha, decidia-se o destino do troféu. Ora, para além dos espinhenses, também tinha garantido a presença nesse último jogo, o Vitória de Setúbal. Como é óbvio, frente a um grupo onde nomes como os de Conceição, Jacinto João, José Maria ou Fernando Tomé eram estrelas, o Sporting de Espinho, por essa altura na 2ª Divisão, era visto como "carne para canhão"!!! No entanto, bastou um golo - concretizado por Jardim - para que o pequeno "David" saísse como ganhador de tamanha contenda.
Mas apesar destes momentos de sucesso, havia ainda um tal passo na vida do Sporting de Espinho que faltava dar. Esse, a tão almejada subida à 1ª Divisão, aconteceria já em 1974. Daí em diante, com algumas intermitências, o Sporting de Espinho começaria a entrar na rota dos palcos maiores do futebol português. O destaque das passagens, depois da inicial subida e de uma segunda presença na temporada 1977/78, aconteceria em 1979/80. Nessa época, que precederia outras quatro no principal escalão, os "Tigres" acabariam por fazer uma das melhores classificações de sempre no Campeonato Nacional. Num plantel comandado por Manuel José, e composto por históricos como João Carlos, Moía ou Raúl, uma série de bons resultados acabaria por levar o clube a uma honrosa sétima posição.
Depois de em 1996/97 ter marcado, pela última vez, presença no nosso principal escalão, o Sporting de Espinho acabaria por entrar numa rota negativa. Afectado, tanto no plano desportivo, como a nível financeiro, o clube da Costa Verde milita agora (2014/15) no Campeonato Nacional de Seniores. As perspectivas, com os de “branco e preto” a insistirem em permanecer nos últimos lugares da tabela classificativa, não se afiguram muito animadoras.
Noutro sentido, pensa-se na restruturação dos equipamentos, onde, um projecto para um novo estádio está na linha da frente dos planos directivos.
Claro, e apesar deste "blog" ser, maioritariamente, ligado ao futebol, não poderemos deixar de fazer referência àquela que é a modalidade que, além-fronteiras, tem erguido o nome do clube. No voleibol, o Sporting de Espinho é o emblema que, a nível nacional mais campeonatos venceu. Mas se isso não fosse motivo para aqui fizéssemos este pequeno apontamento, então a conquista da Top Teams Cup de 2000-01, faz com que os espinhenses sejam os únicos que em Portugal, possam ostentar a conquista de uma competição europeia.

542 - SKODA

João Rafael dos Santos - nome de guerra: Skoda - haveria de terminar a sua formação ao serviço dos "Leões de Faro". E se no Farense pôs fim a essa etapa, seria também nos da capital algarvia que o atleta faria a sua estreia entre os seniores. Algumas épocas depois, com o clube a manter-se sempre no segundo escalão nacional, já o centrocampista era um dos nomes em destaque no seio do plantel. Ora, com a referida teima do Farense em fugir à promoção, que melhor haveria de surgir para o jogador, do que uma proposta do Boavista? Com novo contrato assinado, malas na mão e, agora que estava na melhor montra do futebol português, com o futuro a sorrir-lhe, o sucesso esperava-o na cidade do Porto. Mas se esta era a sua, legítima, expectativa, então, o passo que acabava de dar serviria para o esconder atrás de outros, bem mais experientes na matéria da bola. Pouco utilizado por Henrique Calisto, a sua vida no Estádio do Bessa era tudo menos um sonho. Sem se conseguir impor, talvez com algumas dificuldades em adaptar-se à nova realidade, mas, essencialmente, tapado por nomes como os dos internacionais João Alves e Rui Palhares, Skoda acabaria por regressar ao seu Algarve.
Um ano após a sua partida para o Norte do país, Skoda estava de volta. No entanto, aqueles que pensavam que o regresso seria para o clube da sua terra, e que o tinha lançado na roda do desporto, acabariam por ver o médio a assinar pelos rivais do Portimonense. Mais uma vez, os primeiros tempos no clube não haveriam de correr de feição. Já a sua afirmação, com Skoda a confirmar-se como um dos elementos mais preponderantes na dinâmica da equipa, ocorreria nessa tão mítica temporada para os "Alvi-Negros"... a de 1985/86. Ironicamente, aquele que ficaria, para a história do Portimonense, como um momento inesquecível, Skoda não o viveria. A eliminatória frente ao Partizan de Belgrado estava para breve. Por certo, o nome do médio era um dos equacionados por Vítor Oliveira, para o "onze" inicial. Mas uma lesão frente a Académica, num jogo para o Campeonato, ditaria o afastamento do jogador, daquela que seria a primeira participação dos do Barlavento numa competição organizada pela UEFA.
Independentemente desta desilusão, a carreira de Skoda no Portimonense talhou-se pelo sucesso. Para tal, muito contribuiu a sua boa visão de jogo, que, juntamente com uma técnica bem acima da média, permitiam que fosse um dos principais municiadores do sector mais ofensivo da sua equipa. Estas qualidades, e a preponderância que tinha no seio do seu grupo, levá-lo-iam, na ressaca do "Caso Saltillo", a ser chamado à Selecção Nacional. A sua estreia, que por sinal seria a sua única internacionalização, aconteceria frente a Malta, numa das partidas a contar para o apuramento do Euro 88.
O resto da sua vida de desportista passar-se-ia sempre em representação dos barlaventinos. Nove temporadas no total, fizeram com que Skoda se tornasse num dos ídolos predilectos da massa associativa. A sua entrega ao clube, mesmo quando este claudicou e entrou numa fase descendente, fez dele um exemplo a seguir por outros atletas. Essa sua dedicação valeu-lhe a braçadeira de capitão; já os nove anos em que vestiu as riscas verticais do Portimonense, consagrá-lo-iam como o futebolista que, nos campeonatos profissionais, mais vezes representou o emblema algarvio.

541 - GETOV

Foi no início dos anos 80 que no Spartak Pleven, emblema que por essa altura frequentava a divisão maior búlgara, começa a destacar-se um atleta que, sem ter um grande poder físico, brilhava pelas suas qualidades técnicas. A evolução do jogador seria de tal ordem positiva que, a 9 de Março de 1983, para um particular frente à Suíça, Getov faz a sua estreia na lista de convocados para a principal selecção do seu país. Não parecendo contente (apenas) com a sua primeira chamada à equipa nacional, o médio ofensivo, que havia começado o desafio na condição de suplente, haveria de deixar a sua marca no dito encontro. Sai do banco aos 76 minutos, numa altura em que o "placard" dava 1-0 para os adversários, e, bem perto do apito final do árbitro, conseguiria empatar a partida.
Aliás, esta sua veia goleadora haveria de ser uma das marcas mais vincadas na sua carreira. Essa sua aptidão para o golo, ele que, preferencialmente, até se posicionava atrás dos "verdadeiros" avançados, era uma das suas grandes armas. Sabia, sorrateiramente, aparecer na área; sabia, como ninguém, ludibriar as marcações dos seus oponentes; e, acima de tudo, tinha um pontapé terrivelmente certeiro. Todos estes predicados, levá-lo-iam a destacar-se como um dos bons artilheiros na Bulgária. A prova de que, tal "faro", era para ser levado a sério, é que, ainda ao serviço do Spartak Pleven, Getov haveria de conquistar, finda a temporada de 1984/85, o prémio de Melhor Marcador do Campeonato.
Ora, por essa altura já ele era um dos jogadores habituais nas chamadas à selecção. Essa assiduidade faria com que o seu nome, sem qualquer tipo de espanto, aparecesse como um dos eleitos para disputar o Mundial de 1986. No México, o atleta haveria de ser uma das figuras em destaque no seio do seu grupo. Disputaria todas as partidas e, mais uma vez, marcaria um dos golos (desafio frente à Coreia do Sul) que permitiria à sua equipa, na condição de um dos melhores terceiros, qualificar-se para os oitavos-de-final da competição.
Com o estatuto de estrela alcançado, foi normal que um dos maiores emblemas do seu país se interessasse na sua contratação. A transferência para o CSKA de Sofia ocorreria, deste modo, no início da época de 1988/89. No entanto, aquilo que parecia um passo em frente na progressão da sua carreira, acabaria por se tornar num, não direi grande, mas num pequeno desaire. Pouco utilizado, a solução para Getov foi a de procurar um novo rumo para a sua vida profissional. Como já tinha passado os 28 anos, idade mínima estipulada pelo governo para que pudesse ir jogar para outro país, a hipótese "estrangeiro" pôs-se. Ora, seria neste contexto que a meio da dita temporada (há que dizer que o CSKA sagrar-se-ia campeão nesse ano), Getov chega a Portugal.
No Portimonense, emblema para o qual se transferiu, jogaria dois anos e meio. A sua estreia, serviria para provar que, ao Algarve, acabava de chegar um grande craque. Nessa partida frente ao Marítimo, o internacional búlgaro mostraria aos adeptos um dos seus melhores atributos: a marcação de livres! O golo, um dos tantos que marcaria ao serviço dos "alvi-negros", foi uma pequena amostra daquilo que tinha para oferecer. Também é verdade que Getov evitava aquelas disputas onde se adivinhava algum contacto maior; igualmente, não é mentira dizer-se que poderia ter corrido um pouco mais. Contudo, e apesar de lhe serem apontados alguns defeitos, o médio era aquele que mais vezes fazia levantar o público; era o que mais vezes o fazia vibrar; era magia; era a verdadeira paixão do futebol. Por essa razão, e apesar de não ser, nem de perto nem de longe, um dos atletas com mais jogos realizados pelo clube, Getov é, ainda hoje, recordado como um dos melhores futebolistas que passou pela aquela cidade do Barlavento.
Já depois de voltar ao seu país, e com uma idade (34 anos) em que muitos já o consideravam como acabado, Getov mostra o porquê da sua fama. A vestir as cores do Levski de Sofia, acabaria por realizar uma das melhores temporadas da sua vida. Primeiro, com a quantidade de golos que concretizaria, ajuda o emblema da capital a conquistar o título de campeão. Esses ditos golos, 26, fariam com que, mais uma vez, se destacasse como o "rei dos goleadores"... e depois, em jeito de "cereja no topo do bolo", acabaria por ser eleito o Melhor Jogador do Campeonato de 1992/93.

540 - PORTIMONENSE

Foi na loja de Amadeu Figueiras d'Andrade, mestre sapateiro na cidade de Portimão, que um grupo de entusiastas do jogo da bola começou a juntar-se para discutir as incidências dos desafios passados e dos futuros. A localização do dito estabelecimento comercial, com vista privilegiada para o improvisado campo do Aterro do Cais, era, pelo ano de 1914, o sítio certo para os entusiastas do "foot-ball". Ora, tal hábito, com o patrocínio do dono da dita loja, e que víria a ser o sócio nº1 da colectividade, resultaria na fundação do Portimonense Sporting Clube.
Nesse dia 14 de Agosto de 1914, dar-se-iam os passos iniciais daquela que seria a história de um dos maiores clubes algarvios e, porque não dizê-lo, a nível nacional. Mas, se os primeiros anos de existência do clube viveriam muito à custa da carolice dos seus atletas, seria já uma década depois que tudo tomaria contornos mais sérios. Para tal, contribuiria a criação dos estatutos do clube, entregues no Governo Civil de Faro, em 1925. Nesse documento estipulavam-se, entre outras coisas, as cotas de cada associado, o emblema e, claro, as cores e formato do equipamento. Contudo, e apesar do caminho trilhado fazer crer que o Portimonense ia na direcção do sucesso, uma crise financeira quase deitava o sonho por água abaixo. Perder-se-ia a sede, inaugurada em 1923, mas, indo-se os anéis, rapidamente o emblema algarvio voltou a erguer-se.
Outro marco, veio com a construção do estádio, em 1937. Esse empreendimento, materializado no mesmo ano em que o clube se sagra pela primeira vez campeão algarvio, veio trazer aos atletas outras condições de trabalho. Anos mais tarde, já na década de 40, subir-se-ia mais um degrau na vida e progressão do Portimonense, com a chegada do treinador, campeão pelo Benfica e Real Madrid, Lipo Herczka. A contratação do técnico húngaro, com um vasto currículo como jogador e treinador, deu outra dimensão ao clube que, deste modo, e já com a ideia de se juntar aos grandes do futebol português, começa a disputar o campeonato da 2ª divisão.
No entanto, e apesar do perseguição de tal objectivo, o Portimonense apenas se estrearia no principal escalão nacional na temporada de 1976/77. Começa aqui a fase mais brilhante dos do Barlavento, com 13 épocas, excepção feita a 1978/79, de 1ª Divisão. Mas o ponto alto destes anos, seria a inesquecível participação nas competições europeias. Ora, para a temporada de 1984/85, sob o comando de Manuel José, estavam nomes como os de Skoda, Cadorin, Rui Águas ou Simões. Este grupo feito de craques, conseguiria uma campanha, a todos os níveis, memorável. O prémio viria com o 5º posto na tabela classificativa, e com a correspondente qualificação para a Taça UEFA da temporada seguinte.
Já sob alçada de Vítor Oliveira, que entretanto passara de jogador para as funções de treinador, ao Portimonense calha em sorte o Partizan de Belgrado. Com os jugoslavos, a eliminatória até começaria de feição. Vitória por 1-0 em casa, dava à turma algarvia a esperança de continuar em prova. Mas apesar deste alento, um Partizan recheado de internacionais e com alguns nomes bem conhecidos do nosso futebol - Djukic (Farense); Stevanovic (Farense, V.Setúbal, U.Madeira); Zivkovic (Benfica); Bajovic (V.Setúbal); Capljic (Esposende) -, haveria, na segunda mão, conseguir dar a volta ao resultado, com um contundente 4-0.
É já no início dos anos 90 que o Portimonense volta a cair na 2ª Divisão. A esta despromoção não é alheia uma nova crise financeira, que nem a fusão com o Grupo Desportivo Torralta, colectividade associada a um poderoso grupo económico, daria quaisquer frutos. A dita queda levaria o clube a militar, durante uma meia dúzia de anos, pela 2ª Divisão B. A recuperação, depois de a necessária consolidação, começaria já depois da viragem do milénio. Neste caminho, há que destacar nova presença na Liga principal (2010/2011), que, infelizmente, seria de pouca dura. Desde então, com mais ou menos sobressaltos, o Portimonense tem estado presente naquele que é o segundo patamar do nosso futebol. O futuro, num cenário que é o de um país em recessão, é, naturalmente, de contenção. Para já (2014/15), muito para além do que poderia ser um campeonato tranquilo, o Portimonense chega-se aos lugares cimeiros da classificação. Espera-se, para breve, que o mapa desportivo nacional volte a alargar-se a Sul e que possamos contar com os "alvi-negros", de novo, nos palcos principais do futebol.

539 - FLORIVAL

Se já aqui se falou de muitos jogadores, cujo o título de "globetrotters" assenta que nem uma luva, então, Florival é mais um nome a acrescentar a essa lista.
Formado no Vitória de Setúbal, a falta de espaço no emblema da sua cidade natal faria com que, bem cedo, abandonasse os sadinos, em direcção a outras paragens. Essa sua escolha, numa caminhada, como já o referi, feita de diversas mudanças de rumo, levá-lo-ia à União de Leiria. Nos da cidade do Liz, que por essa altura militavam nos escalões secundários, começa a moldar-se um jogador cuja apetência defensiva era a sua melhor característica. Para isso muito contava a sua veia batalhadora, a maneira como se entregava em cada disputa ou, se quiserem, a bravura que mostrava dentro das quatro linhas. Contudo, e apesar desta ser a melhor maneira de o descrever enquanto futebolista, Florival não era um jogador desprovido de técnica. Essa sua habilidade, fez com que, no decorrer da sua longa carreira, fosse, por diversas vezes, utilizado em lugares mais avançadas do terreno de jogo.
Mas claro, a sua posição natural era a de defesa central ou, também com desempenhos de igual categoria, de médio defensivo. Seria a cumprir estas funções que ganharia notoriedade no seio do mundo desportivo. Ora, essa sua fama, depois de trilhar alguns anos pelas divisões inferiores acaba por fazer com que o Farense aposte na sua contratação. É então, no Algarve que faz, corria a temporada de 1972/73, a sua estreia na Primeira Divisão. Ainda sem grande experiência nos palcos maiores do futebol nacional, Florival acaba por não ter um papel muito preponderante no seio da sua equipa. Joga pouco e só um par de anos depois é que começa a fazer-se notar.
Esse seu, se assim o quisermos classificar, despontar, acabaria por acontecer com a sua transferência para o União de Tomar (1974/75). Nos nabantinos, onde já tinha estado em 1971/72, afirma-se como uma das peças fundamentais na manobra defensiva da equipa. Atravessa, por essa altura, uma das melhores fases da sua carreira e consagra-se como um futebolista de Primeira Divisão.
É derivado a essa razão que, passados dois anos na colectividade da "Cidade dos Templários", e com a despromoção dos mesmos, Florival consegue manter-se no escalão máximo luso. Quem, desta feita, o contrata, haveria de ser o Portimonense que, na época de 1976/77, fazia a sua estreia na Primeira Divisão.
Surpreendentemente, depois de um ano bastante seguro, Florival acabaria por deixar o clube. Não vou dizer que este novo virar de página tenha trazido, desportivamente falando, algo de muito positivo para a sua vida. No entanto, o que se seguiria, ou seja, o regresso ao União de Tomar, faria com que o atleta tivesse uma das experiências mais enriquecedoras da sua vida. Ora, para quem ainda se recorda, a temporada de 1977/78 marca a presença em Tomar, de dois dos maiores astros de futebol português e, porque não dizê-lo, do desporto internacional. Falamos, como é lógico de Eusébio e Simões, que deste modo, partilhariam o balneário com o defesa.
A derradeira presença de Florival na Primeira Divisão, aconteceria ao serviço do Rio Ave. Depois de deixar Vila do Conde no Verão de 1980, a sua carreira entra numa fase, marcadamente descendente. Começa a jogar em clubes de menor monta e terminaria a sua actividade a jogar já bem distante das luzes da ribalta.

538 - FERREIRA PINTO

À beira dos 18 anos, José Ferreira Pinto chega a Lisboa vindo de Angola, de onde é natural. Chega para integrar um plantel dos "Leões" que estava numa fase, podemos assim dizer, entre as gloriosas equipas dos "5 Violinos" e o Sporting que, alguns anos mais tarde, caminharia para a vitória na Taça dos Vencedores das Taças. Desse modo, e num plantel onde pontuavam nomes como os de Vasques, Travassos, David Júlio, Fernando Mendes, Pérides, Hilário, entre tantas outras estrelas, as oportunidades para o jovem atleta seriam muito reduzidas. E se nessa sua temporada de estreia em Alvalade, 1958/59, poucas seriam as partidas onde participaria, então podemos dizer que as restantes 3 épocas de "verde e branco", seriam afinadas, exactamente, pelo mesmo diapasão.
Sem lugar na equipa e, para acumular, com a frustração de no seu derradeiro ano (1961/62), e por motivo de não ter jogado qualquer partida para a respectiva prova, ter ficado de fora da lista dos vencedores do Campeonato Nacional, Ferreira Pinto vê-se no rol de excendentários.
Esta dispensa acabaria por o levar a atravessar o Rio Tejo em direcção à sua margem Sul. No Barreiro, ao serviço da CUF, relança a sua carreira. Joga com regularidade, faz boas exibições, marca golos mas, principalmente, entra nas bocas do mundo do futebol. Este seu caminhar para a ribalta, faz com outras oportunidades acabem por surgir na sua vida profissional. A primeira seria a convocatória para a selecção nacional, onde num particular frente à congénere do Brasil, faz a sua estreia com a principal "Camisola das Quinas". A segunda, acabaria por se revelar com o interesse de clubes de uma outra nomeada, principalmente o Benfica.
Ora, seria a caminho do Estádio da Luz que o médio ofensivo acabaria por se dirigir, na época seguinte. Mais uma vez, para 1965/66, Ferreira Pinto vê-se inserido no seio de um grupo recheado de estrelas. Contudo, ao contrário daquilo que tinha acontecido nos rivais das "Águias", o atleta acaba por assumir um papel bastante importante nessa temporada de 1965/66.
A regularidade com que aparece em campo, faz com que o seu nome volte a aparecer nas listas para os jogos de Portugal. Participa na campanha que qualificaria o nosso país para o Mundial de 1966 e, desse modo, dá corpo àquela que ficaria conhecida como a história dos "Magriços".
Tal como, surpreendentemente, apareceu no meio de nomes como os de Eusébio, Simões, Torres, José Augusto ou Coluna, seria com igual surpresa que, nos anos vindouros, os adeptos do futebol veriam Ferreira Pinto a eclipsar-se. Quase não joga e, tirando o título de campeão nacional que, na temporada de 1967/68, juntaria às suas conquistas, nada mais de relevante se veria do jogador.
Este desaire, dá oportunidade a Ferreira Pinto para fazer parte da consagração de um outro emblema. No União de Tomar faria parte do grupo que, em 1968/69, leva os nabantinos à estreia na Primeira Divisão. Se essa razão já é mais que suficiente para o pôr nos anais do clube, então, o facto de ser ele o escolhido para capitanear a equipa nessa campanha, põe o seu nome, sem sombra de dúvida, como um dos que merece maior destaque nesse pedaço de história dos da "Cidade dos Templários".

537 - UNIÃO DE TOMAR


Os primeiros relatos de disputas com bola na cidade de Tomar, reportam-se, pelo menos, ao ano de 1913. Pois assim, é com naturalidade que, desse grupo de entusiastas por esse desporto, que ainda hoje é conhecido como futebol, alguns quisessem praticar a dita modalidade de uma forma mais organizada. Seria na sequência dessa necessidade que, no seio do sector comercial da "Cidade dos Templários", um grupo de empregados decide-se pela criação de uma colectividade. Baptizada com o nome de Sport Grupo Caixeiros de Tomar, é a 4 de Maio de 1914 que o tal empreendimento começa a tomar corpo.
Só em 1922 é que a referida agremiação passa a ser conhecida pelo nome que a familiarizou. O União de Futebol Comércio e Indústria de Tomar começa, então, por se popularizar nos campeonatos locais, organizados, fase à inexistência de uma entidade competente (a Associação de Futebol de Santarém só seria fundada em 1924) pelos emblemas da cidade nabantina.
Já mais a sério, é na temporada de 1936/37 que o União de Tomar marca a sua estreia nos Campeonatos Nacionais, tomando parte da 2ª Liga. Melhor do que esta sua participação (igualada noutras ocasiões), só mesmo a presença naquele que é o maior patamar do nosso futebol. Como é lógico, essa parte da história do clube começa uns anos antes da dita chegada ao primeiro escalão. A época era a de 1964/65, e depois de derrotar a Ovarense na final, o União de Tomar consegue sagrar-se campeão da Terceira Divisão Nacional. De degrau em degrau, subindo-os, bastaram apenas 4 anos para que a abençoada escalada levasse o conjunto tomarense ao convívio dos maiores emblemas portugueses. Comandados pelo argentino Oscar Tellechea, o União de Tomar, depois do primeiro embate frente ao Atlético, haveria de fazer nessa temporada de 1968/69, uma campanha bem acima daquela que muitos estariam à espera. Um 10º lugar na tabela classificativa, a melhor posição que haveriam de conseguir, acabaria por ser obra de um grupo equilibrado, onde pontuavam algumas figuras que fariam história no futebol luso. Mas se nomes como os de Conhé, Francisco Caló, João Barnabé, José Ferreira Pinto não são desconhecidos dos adeptos do desporto, então, o que dizer de Manuel José, Raúl Águas, Fernando Cabrita, Simões ou... Eusébio???!!!
Pois é, todos estas estrelas passariam pelo União de Tomar, fazendo a vida do clube um pouco mais rica. Contudo, depois de nos anos 60 e 70 o União de Tomar ter vivido, com seis participação na 1ª Divisão, a sua época áurea, os anos vindouros nunca mais puseram os holofotes na direcção dos ribatejanos. Desde então o clube tem vindo a perder alguma preponderância no panorama desportivo nacional. Excepção feita aos anos de passagem entre a década de 80 e 90, onde militou na 2ª Divisão "B", o União de Tomar tem disputado os escalões mais baixos do nosso futebol. Este perder de fulgor acabaria por ser agravado por uma profunda crise financeira, que empurraria, definitivamente, a equipa para os Campeonatos Regionais.
Actualmente, a prioridade dos responsáveis directivos é, de algum modo, estabilizar as contas, permitindo, desse modo, a sobrevivência do clube. Militam na 1ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Santarém onde, compreensivelmente, os resultados desportivos tenderão, num futuro próximo, a ficar para segundo plano. Contudo, com a memória de um passado e de pergaminhos gloriosos, estamos cientes que o União de Tomar há-de recuperar a chama de outrora e voltará a pôr o Ribatejo no mapa desportivo português.

CENTENÁRIOS 2014

Se é verdade que as instituições serão sempre superiores ao Homem, não é mentira também dizer-se, que, as ditas, nada serão sem as gentes que as fazem correr. Ora, sob este mote, decidimos recordar as histórias de alguns dos nossos emblemas e, como não poderia deixar de ser, dos jogadores que a talharam. Por isso, em Dezembro será o mês dos "Centenários 2014"!!!