866 - ANDERS ANDERSSON

Dividida a sua formação entre o Svenstorps IF e o Malmö FF, seria no emblema do Sul da Suécia que Anders Andersson faria a transição para o patamar sénior. Tendo como companheiro de balneário o também ex-benfiquista Stefan Schwarz, a evolução do médio levá-lo-ia, logos nos primeiros anos com o plantel principal, a conquistar uma posição de destaque no meio-campo da sua equipa. De tal forma seria positiva a sua evolução que, em 1992, o seu nome seria adicionado ao rol de atletas a participar nos Jogos Olímpicos de Barcelona.
Para a estreia na selecção “A”, o atleta teria ainda de esperar mais um par de anos. Mesmo tendo conseguido a primeira internacionalização em 1994, só a partir de 1997 é que a sua presença na equipa nacional começa a ser habitual. Ao passar a ser chamado com bastante frequência, também o seu valor aumenta. No decurso dessa evolução, surge então o interesse de um clube inglês. Andersson muda-se para a Premier League na temporada de 1997/98, mas a sua passagem pelo Blackburn Rovers seria tudo menos positiva.
Raramente utilizado, o centrocampista deixa Ewood Park aproximadamente um ano após a sua chegada. Consequência da falta de presenças em campo, Anders Andersson acaba também por perder espaço na selecção sueca. É então que decide deixar Inglaterra para, noutro país, relançar a sua carreira. A escolha levá-lo-ia a viajar até à Dinamarca. As 3 épocas seguintes passá-las-ia ao serviço do Aalborg para, logo na primeira dessas campanhas, conseguir sagrar-se campeão nacional. Muito para além do troféu ganho, o atleta volta a jogar com regularidade. Esse facto fá-lo-ia regressar aos planos da selecção e, como consequência, o seu nome acabaria por fazer parte dos convocados para disputar o Euro 2000.
Com a sua cotação a crescer, é o Benfica que, dessa feita, decide apostar na sua contratação. Em Lisboa, onde chega no Verão de 2001, encontra o clube em fase de transição. Numa altura em que as “Águias” caminhavam de volta aos títulos, o sueco, ao participar nas primeiras rondas da prova, ajuda na conquista da Taça de Portugal de 2003/04. Já a meio da referida temporada, e com os olhos postos na fase final do Euro 2004, o médio decide trocar a Luz pelo Restelo. No Belenenses joga durante época e meia e, pelo meio, participa no Europeu organizado em Portugal.
O final do seu trajecto desportivo levá-lo-ia de volta ao seu país e ao emblema que, no início dos anos 90, o tinha lançado no futebol profissional. No Malmö FF joga desde 2005 até 2008, ano em que decide ser a altura certa para terminar a carreira. Desde então, o antigo internacional sueco tem dedicado o seu tempo ao comentário desportivo. Nessas funções tem colaborado com alguns jornais e programas televisivos.

865 - HERIVELTO

Transferido do Flamengo ainda em idade júnior, os primeiros tempos de Herivelto no Marítimo seriam gastos entre os trabalhos da equipa principal e os escalões de formação do conjunto madeirense. Ainda antes de conseguir afirmar-se no plantel sénior, o atacante passaria também por um empréstimo ao Machico. Já depois de “rodar” na 2ª divisão “B”, o regresso aos Barreiros em 1997/98, mostraria um atleta com capacidade para ajudar os “Verde-Rubro”. Veloz, com boa técnica e um bom sentido posicional, o avançado conseguia-se posicionar-se no centro ou no lado direito do ataque. Seria nessas posições que o atleta, sem nunca conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis, passaria a evoluir nos anos seguintes.
Surpreendentemente, e numa altura em que o seu estatuto dentro da equipa poderia até evoluir, o jogador decide “mudar de ares”. No Verão de 1999, Herivelto aceita o convite de Mário Reis e ingressa na União de Leiria. Contudo, e ao contrário daquilo que o atleta estaria à espera, a mudança não correria de feição. Poucos meses após a sua chegada à cidade do Liz, o avançado é afastado da equipa. Volta ao Brasil e, sem conseguir novo contrato, ficaria afastado do futebol por algum tempo. Felizmente, o interregno duraria apenas até Março de 2000. Por essa altura vincula-se ao Vitória de Setúbal. Ainda assim, o regresso aos relvados acabaria por não ser o mais feliz. Com os “Sadinos” em posição difícil na tabela classificativa, a despromoção acabaria mesmo por acontecer e, mais uma vez, o avançado vêr-se-ia sem clube.
No seguimento da sua carreira, e já depois de ter vestido a camisola do Nacional da Madeira, Herivelto decide aventurar-se por “Terras de Sua Majestade”. No Walsall encontrar-se-ia com vários atletas bem conhecidos no futebol português. Ao lado de nomes como Marcelo, Jorge Leitão ou Carlos André, o jogador começaria por animar os adeptos do emblema britânico. A sua técnica, as prestações conseguidas nas primeiras rondas e, inclusive, alguns golos, haveriam de pô-lo nos corações dos “Saddlers”. O pior é que o atacante acabaria por não conseguir manter o mesmo nível exibicional durante o resto da temporada de 2001/02. Irregular, o avançado seria preterido em favor de outros colegas. Já com a campanha seguinte em andamento, o brasileiro, sem espaço na equipa, ver-se-ia na lista de transferíveis, acabando por aceitar a mudança para a Liga grega.
Na 1ª divisão helénica, na qual representaria o Ionikos, a sua passagem também não se prolongaria por muito tempo. Aliás, a partir dessa temporada de 2002/03 o seu percurso profissional tornar-se-ia um pouco errante.  Daí em diante, Herivelto mudaria de emblema praticamente todos os anos. Tendo regressado ao seu país natal, o avançado vestiria cerca de meia-dúzia de camisolas diferentes, numa carreira que terminaria em 2010.

864 - EMERSON

A falta de espaço na equipa sénior do Flamengo, levaria a que Emerson, atleta saído das “escolas” do emblema carioca, acabasse cedido ao Coritiba. No entanto, a passagem pelo 3º patamar do “Brasileirão” seria bem curta. Com a campanha de 1992 já a decorrer, surge o interesse de um clube português. O Belenenses, orientado pelo técnico brasileiro Moisés de Andrade, decide apostar no jovem médio e contrata-o. Nessa temporada, ajuda os “Azuis” a regressar ao escalão máximo, para em 1992/93 fazer a sua estreia na 1ª divisão.
As temporadas no “Restelo”, com destaque para aquelas passadas entre os “grandes”, levariam a que a cotação do médio subisse em flecha. Falar-se-ia na transferência para o Benfica, também no Sporting, mas acabaria por ser o FC Porto a tomar a dianteira. Por recomendação de Sir Bobby Robson, por essa altura no comando dos “Dragões”, Emerson mudar-se-ia para as Antas. Estreia-se na temporada de 1994/95 e, de imediato, torna-se num dos pilares dos primeiros Campeonatos do “Penta”.
2 anos a jogar na “Invicta” seriam suficientes para que, mais uma vez, desse um salto na carreira. Com 2 Campeonatos e 2 Supertaças a embelezaram o seu currículo, é da “Premier League” que surge novo convite. O Middlesbrough, treinado por Brian Robson, aposta no atleta para reforçar um plantel que já contava com estrelas como Juninho Paulista, Branco, Nick Barmby ou Fabrizio Ravanelli. Com um plantel forte, o conjunto do nordeste inglês chega às finais da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga. Em sentido oposto, o desempenho da equipa no Campeonato de 1996/97 deixaria muito a desejar. O 19º lugar na tabela classificativa significaria a descida do clube e, mais uma vez, a transferência de Emerson.
O desaire britânico acabaria, em bom nome da verdade, por empurrá-lo para um dos melhores períodos da sua caminhada profissional. Na “La Liga”, onde chegaria na temporada de 1997/98, começaria por vestir as cores do Tenerife. Durante as épocas passadas em Espanha viveria 3 anos nas Ilhas Canárias. Depois viria a mudança para o Deportivo e o sonho de vestir a camisola do “Escrete” – "Esteve perto! Em 1998 eu ainda era um desconhecido e não tinha muitas esperanças, mas em 2002 o selecionador, o Emerson Leão, foi à Corunha e disse que ia chamar-me para um jogo com o Peru, mas não me convocou. Depois ele foi substituído pelo Luiz Felipe Scolari e o meu nome nunca mais foi falado"*.
Tirando a passagem pelo Atlético Madrid, onde ainda manteve o estatuto de titular, o resto da sua carreira, caracterizar-se-ia por constantes mudanças de clube. Essa “roda-viva” levá-lo-ia nos últimos anos do seu percurso, a representar 6 clubes, em 4 países diferentes. Rangers (Escócia), Vasco da Gama (Brasil), Skoda Xhanti e AEK de Atenas (Grécia) e ainda o APOEL Nicósia (Chipre), seriam os emblemas de uma carreira que, em mais um regresso ao seu país, conheceria o fim com a camisola do Madureira.
Depois de abandonar os relvados, o futebol passou para segundo plano na sua vida. Apesar de ver o filho Michel a tentar seguir os seus passos, Emerson decidiu apostar noutros ramos. Em parceria com Djalminha, seu colega no “Depor”, o antigo jogador começou a investir no ramo imobiliário. Paralelamente, a sua entrada na política foi a maneira que encontrou para tentar ajudar a sua comunidade. Tento concorrido a Perfeito de Japeri, o seu sonho não termina aqui e, para 2018, tem planos para uma candidatura a Deputado Federal.

*retirado do artigo de Carlos Nogueira, publicado a 21/05/2017, em https://www.dn.pt/

863 - ARMANDO SÁ

Nascido em Moçambique, Armando Sá chegaria a Portugal ainda bastante novo. A sorte levá-lo-ia a frequentar um estabelecimento de ensino onde, como docente, trabalhava um dos treinadores das “escolas” do Belenenses. Reconhecendo-lhe o talento necessário para chegar a futebolista, o professor convida-o a treinar com os da “Cruz de Cristo”. No Restelo terminaria a sua formação. Contudo, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, a falta de espaço no plantel “Azul” leva-o a ser “emprestado”.
As temporadas no Vilafranquense, onde seria capitaneado por Rui Vitória, dariam início a uma jornada de alguns anos pelos escalões secundários. Depois do emblema ribatejano, a viagem para Norte e as passagens por Bragança e Vila Real, empurrá-lo-iam em direcção aos emblemas primodivisionários. No Rio Ave, onde entraria em 1998/99, destacar-se-ia como um atleta veloz e de uma entrega singular. Essas suas características fariam com que de outros lados o olhassem como um possível reforço. O convite, numa altura em que disputava a 2ª divisão, chegaria do Minho. Armando Sá, cotado como um dos bons laterais direitos do nosso campeonato, deixa então os vilacondenses para ingressar no Sporting de Braga.
O período passado na “Cidade dos Arcebispos” seria curto. Essa meia temporada, no entanto, seria suficiente para que desse novo salto na sua vida profissional. Incluído num “pacote” que abarcaria também o médio Tiago e o defesa Ricardo Rocha, o negócio levaria o lateral até ao Estádio da “Luz”. Tendo chegado em Janeiro de 2002, Armando Sá atravessaria um dos melhores períodos da sua carreira. Todavia, muito mais do que vencer a edição de 2003/04 da Taça de Portugal, o lateral direito, enquanto atleta das “Águias”, seria pela primeira vez chamado à selecção de Moçambique.
Novos títulos chegariam ao seu palmarés aquando da mudança para Espanha. No Villarreal venceria a Taça Intertoto de 2004/05. Já no Espanyol, para onde se transferiria na temporada a seguir à referida vitória, ajudaria a conquistar a Taça del Rey. Todavia, e apesar de conseguir enriquecer o currículo, a sua carreira começa a perder algum fulgor. Sem espaço no plantel dos catalães, Armando Sá, na época de 2006/07, é cedido ao Leeds United. Ainda assim, a solução encontrada acabaria por não ser satisfatória. Pouco utilizado no emblema de Yorkshire, a experiência no 2º escalão inglês pouco acrescentaria ao seu percurso.
Daí em diante as suas escolhas surpreenderiam muita gente. Após deixar o Reino Unido, o lateral opta por aceitar o convite do seu sogro, Augusto Inácio, e sob a orientação do treinador português assina por uma colectividade da 2ª divisão do Irão. A campanha feita no Foolad leva a que o Sepahan FC, um dos mais importantes emblemas do país, decida endereçar um convite ao internacional moçambicano. A transferência faria com que o defesa conseguisse, ao vencer a Liga iraniana de 2009/10, acrescentasse mais um título ao seu palmarés.
Após retirar-se dos relvados, Armando Sá decide orientar a sua vida em diferentes direcções. Investe no ramo imobiliário e abre também um ginásio. Por outro lado, e sem conseguir afastar-se da modalidade, inaugura uma escola de futebol. Contudo, e apesar desse último projecto não ter corrido como o desejado, a verdade é que a aposta numa carreira de técnico não terminaria por aí. Começa por frequentar cursos em Portugal e no estrangeiro, chega a orientar a selecção portuguesa de futsal para diabéticos e, dando seguimento ao convite de um antigo treinador da Academia do Ajax, aceita orientar a equipa s-16 dos canadianos Kleinburg Nobleton Soccer Club.

862 - GEOVANNI

Estreia-se na categoria principal do Cruzeiro no mesmo ano em que, com a selecção s-17 brasileira, consegue sagrar-se campeão do mundo. Nessa temporada de 1997, mesmo tendo jogado poucas partidas, ajuda também a equipa de Belo Horizonte a vencer o “estadual” de Minas Gerais. Nessa sequência afortunada, houve logo quem o apontasse como um dos futuros craques do futebol “canarinho”. Na verdade, os passos que daria em seguida sublinhá-lo-iam como tal. O empréstimo ao América, a participação nas Olimpíadas de Atlanta ou o golo que selaria a vitória da “Raposa” na Copa do Brasil de 2000, acabariam por fazer dele um jogador muito apetecível.
Após disputar a Copa América de 2001, e fazendo frente ao interesse de Juventus e Arsenal, o Barcelona apresenta uma proposta milionária pela sua aquisição. A mudança para a Catalunha, numa troca que envolveria uma quantia a rondar os €20 milhões, dar-se-ia no começo da temporada de 2001/02. O rescaldo dessa primeira campanha, e tendo ainda em conta o normal período de adaptação, até seria positivo. Já a época seguinte, acabaria por revelar-se ingrata para o jogador e, sem espaço na equipa “Blaugrana”, a solução para Geovanni passaria pela cedência a outro clube.
É então, na abertura do “Mercado de Inverno” de 2003 que surge o interesse do Benfica. Com poucas partidas disputadas na “La Liga”, o extremo-direito aceita a proposta dos “Encarnados” e muda-se para Lisboa. Na “Luz”, consegue mais uma vez afirmar-se como um jogador importante. Mesmo com algumas críticas à mistura, que o apontavam como um jogador lento e que, por vezes, vivia afastado do jogo, Geovanni agarraria um lugar no “onze” inicial. Primeiro pela mão de José António Camacho e, mais tarde, sob a orientação de Giovanni Trapattoni ou Ronald Koeman, o internacional “canarinho” daria um enorme contributo para devolver as “Águias” ao trilho dos títulos. No cômputo dos 3 anos e meio passados ao serviço do clube, o atacante venceria 1 Taça de Portugal (2003/04), 1 Campeonato (2004/05) e 1 Supertaça (2005/06).
Após deixar o Benfica, Geovanni voltaria ao Cruzeiro. Infelizmente, o regresso ao clube que o tinha lançado seria desapontante. Fustigado por lesões, o atacante pouco contribuiria para os objectivos traçados pelo emblema do sul do Brasil. Esse período menos positivo continuaria numa nova aventura pela Europa. Respondendo ao chamamento vindo da “Premier League”, o atleta assina contrato pelo Manchester City. Sem ser muito utilizado, mas apostado em vingar no futebol inglês, um ano após a sua chegada volta a mudar de camisola. Em 2008/09 vincula-se ao Hull City e desempenha um papel de grande importância na permanência dos “Tigers” no escalão máximo.
A última fase da sua carreira distribuir-se-ia entre uma curta passagem pelo futebol norte-americano e algumas trocas de clubes já no seu país natal. Após, na Major League Soccer, defender os San Jose Earthquakes, Geovanni ainda envergaria as cores de mais 3 clubes. Vitória Bahia, América Mineiro e Bragantino, numa caminhada que terminaria em 2013, tornar-se-iam nos derradeiros capítulos da sua história como futebolista profissional. Depois, viria uma nova ocupação. Como agente de outros atletas, Geovanni tem ajudado a colocar jovens talentos nas ligas europeias. Um bom exemplo disso é o guarda-redes do Sporting de Braga, Matheus.

861 - CHIPPO

Com o início da caminhada sénior a acontecer no Kénitra AC, logo no final dessa primeira temporada Youssef Chippo seria chamado à equipa nacional para disputar os Jogos Olímpicos de 1992. Com Marrocos a ter uma prestação bem discreta no torneio de Barcelona, pouco haveria de mudar na sua carreira. Essa mudança aconteceria apenas no final da 4ª campanha ao serviço do emblema sediado no seu país. Com o convite vindo do Médio Oriente, o médio, nos dois anos seguintes, acabaria por representar o Al-Hilal (Arábia Saudita) e o Al-Harabi (Qatar).
Já ao serviço dos emblemas da Península Arábica, Chippo seria, pela primeira vez, chamado à selecção principal de Marrocos. A partir dessa altura o nome do “trinco” começa a ser habitual nas convocatórias da equipa nacional e, consequência disso mesmo, a sua cotação começa a subir. Nisto, os responsáveis do FC Porto, impressionados com as capacidades do atleta, decidem apostar na sua contratação. Chegado às Antas nos anos do “Penta”, António Oliveira faz dele uma aposta válida. No final da primeira temporada de “Azul e Branco”, corolário das boas prestações, o centrocampista é chamado a disputar o Mundial de 98. No entanto, a vinda de outro técnico viria a mudar o paradigma vivido até então. Com o desenrolar da época de 1998/99, o médio perde algum espaço e acabaria por pedir a sua transferência – “(…) chegou um novo treinador, Fernando Santos, que preconizava outra táctica, na qual as minhas características talvez não se enquadrassem. Não tive outra alternativa senão treinar, trabalhar bem, mas, mesmo assim continuava a não jogar. E comecei a ficar preocupado com a minha selecção, pois se não tinha lugar no FC Porto, também o podia perder com Marrocos (…). Então, falei com Fernando Santos e com Pinto da Costa e disse-lhes que estava com 26 anos e que não podia ficar no banco. Tinha de jogar. Os dois compreenderam a minha posição e não se opuseram a que saísse. Estou-lhes muito grato”*.
A solução encontrada para dar continuidade ao seu percurso profissional, viria de Inglaterra. Em 1999/00, e com 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça a embelezaram o seu currículo, Chippo estreia-se na Premier League. Ao serviço do Coventry City, o atleta volta a dar novo alento à carreira. Ao lado do ex-sportinguista Mustapha Hadji, agarra um lugar no meio-campo do emblema britânico e cimenta a sua posição como internacional. Durante o período passado em “Terras de Sua Majestade”, o médio voltaria a participar nos mais importantes torneios de selecções, sendo chamado às edições de 2000 e 2002 da CAN.
A última participação de Chippo na Taça das Nações Africanas (2006) aconteceria durante a derradeira fase da sua carreira e com o regresso a um país por si já conhecido. Após vestir a camisola do Coventry City por 4 temporadas, 2 das quais no 2º patamar inglês, Chippo volta ao Qatar. Representa o Al-Sadd e o Al-Wakrah e, ao fim de mais uma experiência no Médio Oriente, reingressa nos marroquinos do Kénitra AC. Antes de pôr um ponto final na sua carreira, o centrocampista, ainda tenta a sorte na Europa. Em 2007, participa em treinos nos escoceses do Hibernian e nos suecos do Hammarby, mas, sem obter grande sucesso, acaba recusado em ambos os emblemas.
Curiosamente, 7 anos após os testes falhados, dá-se o seu regresso à competição. Juntamente com outros veteranos, Chippo assina pelos amadores do Kells United e “dá uma perninha” nos regionais ingleses.

*adaptado da entrevista dada a Luís Milhano, em www.record.pt, publicada a 31/01/2000

860 - PHIL BABB

Tendo saído das “escolas” do Millwall, a única oportunidade dada a Phil Babb seria na equipa de “reservas”. Sem conseguir conquistar o seu espaço no conjunto de Londres, o jogador decidiria prosseguir a carreira noutro emblema. A mudança, no entanto, acarretaria uma certa privação. Ao contrário dos “The Lions”, que em 1989/90 frequentavam o patamar máximo inglês, o seu novo clube disputava uns escalões mais abaixo.
Na época seguinte, a de 1990/91, Phil Babb faria a primeira partida numa equipa sénior. Na “third division”, o atleta acabaria por ganhar um lugar no meio-campo do Bradford City. As boas prestações, conseguidas durante os 2 anos passados no clube, trariam os seus resultados. Mesmo estando a competir num patamar inferior, a verdade é que as suas qualidades começariam a ser apreciadas por emblemas de maior nomeada. Nesse sentido, é apresentado como reforço do Coventry e, em 1992/93, volta ao convívio dos “grandes”.
Na época a seguir à sua chegada às West Midlands, a carreira do jogador sofre um verdadeiro impulso. Já a jogar mais recuado no terreno, as suas exibições deixá-lo-iam bem visto. Como defesa, o atleta veria a sua velocidade, a capacidade de desarme e de marcação a inflacionarem a sua cotação. Para juntar às qualidades como futebolistas, também como Homem começa a ser visto como um grande exemplo. Por essa razão, a braçadeira de capitão fica ao seu encargo. No final da temporada mais um prémio e o central é votado pelos adeptos como o jogador do ano.
Paralelamente a tudo isso, aparecem na carreira do jogador as cores nacionais. Apesar de nascido em Inglaterra, o central daria a sua preferência à camisola da República da Irlanda. Depois da estreia em Março de 1994, Phil Babb veria o seu nome incluído por Jack Charlton na lista de jogadores a disputar o Mundial de 1994. No torneio organizado nos Estados Unidos da América o atleta é chamado a jogo em todas as partidas, ajudando o seu país a chegar aos oitavos-de-final.
No regresso a Inglaterra, Phil Babb ainda volta ao Coventry. Começa a temporada nos “Sky Blues”, mas a sua cotação já era alta de mais para que o clube conseguisse segurá-lo. É nesse contexto que aparece o Liverpool. Procurando resolver os problemas defensivos das campanhas anteriores, os “Red” decidem apostar forte no reforço do sector mais recuado. Pela mudança do internacional irlandês, o emblema de Merseyside pagaria qualquer coisa como £3,6 milhões. Parece pouco, mas na altura haveria de estabelecer um novo recorde para a transferência mais cara de um defesa na Premier League.
Entre 1994/95 e 1998/99, e apesar de só ter conseguido 1 League Cup (1994/95) para o seu palmarés, Phil Babb afirmar-se-ia como um dos atletas mais utilizados. Contudo, a chegada de Gérard Houllier viria alterar esse paradigma. Apoquentado por algumas lesões, que o deixariam em baixo de forma, o defesa acabaria por perder algum protagonismo. Na sequência desses episódios, o técnico francês, que já tinha ao seu dispor Sami Hyypia e Henchoz, decide emprestar o atleta. Em Janeiro de 1999 muda-se para o Tranmere Rovers e ajuda o clube do 2º escalão inglês a chegar à final da League Cup.
Já o Sporting entraria na sua carreira na temporada de 2000/01. O período em que representaria os “Leões” tornar-se-ia no mais prolífero em termos de troféus. No entanto, muito mais do que conseguir amealhar a Supertaça de 2000/01 e o Campeonato e Taça de Portugal da campanha seguinte, há um episódio que Phil Babb jamais esquecerá – “ «Lembro-me quando entrou no balneário: magrinho, com um cabelo enorme, ao estilo do Steve McManaman... Recordo-me que estávamos a fazer um exercício de ataque contra defesa. Aí, todos os atacantes vinham para cima de nós e vem na minha direcção um miúdo... Finta para aqui, finta para ali, passa por mim e coloca a bola no ângulo. Viraram-se todos para mim 'Babbsy, o miúdo deu cabo de ti' e coisas assim...". Ora, a seguinte tentativa foi ligeiramente diferente... "Finta para aqui, finta para ali, consegue o remate e eu acerto-lhe com o braço e mandei-o ao chão! Ele está no chão e viro-me para ele 'nunca mais!'. Começou a olhar para mim, sem saber o que raio se estava a passar. Ficou tudo em silêncio no treino... Acho que tive uma importante influência na carreira dele. Não será preciso dizer que foi para o outro lado e nunca mais voltou"»*.
Apesar de oferecido ao jogador um novo contrato, o defesa, por razões familiares, decidiria deixar Lisboa. No regresso às provas britânicas assinaria pelo Sunderland, onde, ao cabo de 2 temporadas, decidiria pôr um ponto final na sua caminhada como futebolista. Depois do “adeus” aos relvados, o antigo internacional orientaria a sua vida em diversas direcções. Para além de ter comprado parte da revista “Golf Punk” e de, como comentador, participar em programas da Sky Sports, Phil Babb daria primeiros passos como treinador nos amadores do Hayes & Yeading.

*retirado do artigo publicado em http://www.record.pt, a 12/11/2016

859 - COLIN HILL

Após destacar-se como avançado nos amadores do Hillingdon Borough FC, Colin Hill chegaria ao Arsenal ainda em tenra idade. Curiosamente, já no clube de Londres começa a ser ajustado à defesa. Adaptado a central e, principalmente, a defesa direito, é como elemento do sector mais recuado que, na temporada de 1982/83, consegue estrear-se pela equipa principal dos “Gunners”.
A época seguinte à da estreia, revelaria um jogador essencial no escalonamento da equipa. Titular em grande parte dos jogos, Colin Hill afigurar-se-ia como uma das futuras estrelas do conjunto londrino. Como resposta ao seu sucesso, também da selecção chega a primeira chamada. Apesar de ter nascido em Inglaterra, o defesa, por razão da sua ascendência, optaria por representar a Irlanda do Norte. Contudo, a convocatória não seria suficiente para que conseguisse a almejada internacionalização. Só em 1990, seis anos e meio depois, é que o atleta entraria em campo com a camisola do seu país.
No clube, a chegada de Viv Anderson acabaria também por alterar o curso da sua carreira. Com a contratação do lateral-direito ao Nottingham Forest, Colin Hill seria afastado do “onze” inicial. Sem grande espaço na equipa principal, o atleta seria relegado para as “reservas” e, finalmente, emprestado ao Brighton & Hove Albion. A mudança não agradaria ao jogador e, no Verão de 1986, aquele que tinha sido visto como uma promessa do Arsenal deixaria o emblema inglês.
Para espanto de muitos, e talvez do próprio, a sua carreira prosseguiria em Portugal. No Funchal, num Marítimo orientado por Manuel de Oliveira, o jogador passa a ocupar uma posição mais avançada no terreno. Começa a ser utilizado no meio campo e torna-se num dos destaques da 1ª divisão de 1986/87. No ano seguinte, mais uma surpresa. Já com a temporada a decorrer, Colin Hill regressa a Inglaterra. Curiosa seria a escolha do novo emblema. Ao invés de dar continuidade ao seu trajecto num clube de maior nomeada, o atleta opta por trocar os madeirenses por uma colectividade do 4º escalão inglês.
Envergaria as cores do Colchester, sempre no último escalão profissional, até 1989. Tempo suficiente para que um dos emblemas com mais tradição em terras britânicas decidisse apostar na sua contratação. A mudança para o Sheffield United daria um novo empurrão à sua carreira. Colin Hill regressaria às convocatórias da selecção e, após conseguir as primeiras internacionalizações, voltaria a disputar a “divison one”. Também ao serviço do Leicester City conseguiria jogar no patamar máximo. Mesmo tendo ficado, durante grande parte do seu percurso, afastado da alta-roda do futebol, as temporadas de 1994/95 e 1996/97 devolveriam o atleta ao convívio dos “grandes”.
A última parte da sua vida como futebolista desenrolar-se-ia no final dos anos 90. Durante esse período, ainda viveria mais uma experiência no estrangeiro. Depois da passagem pelos suecos do Trelleborgs, dar-se-ia o regresso à Grã-Bretanha e a despedida no Northampton Town. Após “pendurar as chuteiras”, o ex-jogador ficaria ligado a um dos seus antigos clubes. A ocupar cargos directivos, Colin Hill representaria o Leicester City durante uma década. Aliás, tem sido em cargos idênticos que, desde então, tem assumido funções. Neste momento é Director Comercial da PFA (Professional Footballers' Association).

858 - MARK PEMBRIDGE


Estrear-se-ia no principal escalão inglês ao serviço do Luton Town. Nessa campanha de 1990/91, que seria também a sua primeira como sénior, Mark Pembridge encetaria uma carreira que, sem ser brilhante, caracterizar-se-ia pela robustez.
Longe de ser um virtuoso, o médio esquerdo haveria de revelar-se como um atleta trabalhador. Esforçado, sempre que era chamado a jogo, o galês jamais mostrava falta de empenho. Nesse sentido, foi conquistando o seu lugar na equipa e, progressivamente, o seu nome começou a aparecer, cada vez mais, nas fichas de jogo. No começo da segunda temporada já era um dos jogadores mais utilizados pelo clube e, como um merecido prémio, é chamado a disputar um amigável pela equipa nacional do seu país.
A partir de Setembro de 1991, data desse particular frente ao Brasil, Mark Pembridge passa a ser um dos atletas mais assíduo nas convocatórias do País de Gales. Mesmo depois de mudar de clube, e da passagem pelos escalões secundários britânicos, a sua presença com a camisola dos “Dragons” não esmoreceria. Tendo participado em diversas fases de qualificação, o médio, no espaço de 13 anos, conseguiria amealhar 54 internacionalizações.
Voltando ao seu percurso clubístico, e após a descida do Luton Town em 1992, o “passe” de Mark Pembridge seria adquirido pelo Derby County. Contudo, a mudança não evitaria a passagem do médio pelos escalões secundários. Um ano após a dita transferência, também os “The Rams” acabariam relegados. Ainda assim, as prestações do jogador não passariam despercebidas e, ao invés de o seu valor diminuir, o esquerdino veria a sua cotação aumentar.
Tido como um jogador capaz de dar solidez à sua equipa, é pela mão do Sheffield Wednesday que Mark Pembridge acabaria por regressar aos palcos maiores do futebol britânico. As 3 épocas passadas no emblema de South Yorkshire acabariam por ser as mais consistentes do seu percurso profissional. Esse facto levá-lo-ia a cimentar-se como um atleta de cariz primodivisionário. Tal certeza não passaria despercebida e o médio passaria a ser visto, por muita gente, como um bom reforço a ter nos seus planteis.
Quem viria a apostar no atleta seria Graeme Souness. Na sua passagem pelo Benfica, o técnico escocês acabaria por apoiar-se na contratação de um enorme contingente britânico. Já no arranque da campanha de 1998/99, juntamente com Michael Thomas, Mark Pembridge é apresentado na “Luz”. Desde início, é tido como um dos titulares e dono do lado canhoto do ataque encarnado. Todavia, e nunca esquecendo que os “Encarnados” estavam a passar por uma fase bem conturbada da sua história, o jogador nunca conseguiria afirmar-se plenamente. No fim dessa temporada e empurrado pelo despedimento do já referido treinador, o médio vê-se na lista dos “transferíveis”. Nisto, o Everton faz a sua proposta e o atleta acabaria por regressar a Inglaterra.
Na cidade de Liverpool, e apesar de um arranque marcado por algumas lesões, Mark Pembridge voltaria a afirmar-se como um bom jogador. Recuperando a fama de “batalhador”, os adeptos do Everton começariam a elegê-lo como um dos seus favoritos. Mesmo após a sua saída para o Fulham, o médio continuaria a ser recordado com saudade. No regresso a Goodison Park o internacional galês, num momento de verdadeiro “fair-play”, haveria de ser acarinhado pela assistência – “Eu fui tão bem recebido e foi uma experiência de verdadeira humildade. O facto de os fãs terem ovacionado o meu nome quando foi anunciado antes do jogo e, depois, a maneira como aplaudiram quando eu marquei os cantos, foi algo que nunca mais esquecerei”*.
No final de 2006/07, após a sua mudança para Londres em 2003, Mark Pembridge decide ser a hora certa para terminar a sua carreira como futebolista. A ligação com o clube manter-se-ia, mas, dessa feita, com outras funções. Como treinador pertencente aos quadros do Fulham, para além de uma passagem como adjunto na equipa principal, o antigo jogador tem-se destacado pelo seu trabalho nas camadas de formação.

*retirado de https://toffeeweb.com

AT HER MAJESTY'S PLEASURE 2018

O destino é, sem sombra de dúvida, algo bastante caricato. Ainda em Janeiro do ano passado estávamos a despedir-nos do Reino Unido, para agora anunciar o regresso (já aconteceu no passado mês de Outubro!) a Terras de Sua Majestade. Assim sendo, e para relembrar a mudança acontecida há 4 anos, o mês de Março será dedicado àqueles que, sendo estrangeiros, mostraram o seu futebol em Portugal e em Inglaterra... isto, está claro, sempre "At Her Majesty's pleasure"!!!