920 - MANUEL DOS ANJOS "POCAS"

Chegaria à categoria principal do FC Porto, segundo publicações da época, vindo de um modesto emblema da região de Chaves. Com a estreia a acontecer no antigo Estádio do Lima, a relação que ali começava seria, para ambas as partes, bastante proveitosa. Logo nessa temporada de 1935/36, o médio daria boas indicações. Todavia, e nisso de aferições positivas, também o atleta sairia como um dos afortunados.
Para Manuel dos Anjos, o popular “Pocas”, a campanha de estreia com os “Dragões” acabaria por resultar nos primeiros títulos para o seu currículo. Após ajudar a conquistar o “Regional” portuense de 1935/36, o centrocampista continuaria a ser uma peça fundamental para os sucessos do clube. Tecnicamente mais evoluído do que o comum dos futebolistas da época, o jogador também conseguiria destacar-se pela entrega que punha em todas as partidas. Essa razão levaria o transmontano a transformar-se num dos símbolos do clube e num dos grandes responsáveis por uma das mais bem-sucedidas épocas da história “azul e branca”.
Mantendo-se o clube na crista das vitórias regionais, os anos seguintes trariam também conquistas de índole mais vasta. O Campeonato de Portugal de 1936/37 e as edições de 1938/39 e 1939/40 do Campeonato Nacional catapultariam todo o conjunto para um patamar mais alto. Claro está, mesmo estando os ditos êxitos estritamente ligados ao poder do colectivo, houve jogadores que foram merecendo um destaque especial. Acácio Mesquita, Valdemar Mota, Hernâni ou Pinga foram nomes maiores, onde também venceriam Soares dos Reis, Guilhar ou, como é lógico, Pocas.
Nisso de reconhecimentos, e por mais troféus que consigam conquistar, há um que todo o atleta almeja. Para Manuel dos Anjos essa recompensa chegaria sensivelmente a meio do seu percurso como futebolista. A 16 de Março de 1941, com Cândido de Oliveira aos comandos da selecção nacional, o jogador conseguiria a sua primeira internacionalização. Em Bilbao, após o terminar da parte inicial desse amigável frente à Espanha, o médio entraria para o lugar do “belenense” Mariano Amaro.
Já no que restou do seu percurso como futebolista o médio passá-lo-ia, quase na sua totalidade, ao serviço do FC Porto. Ainda com o clube longe de atingir o fulgor dos primeiros anos, os títulos “regionais” sempre serviriam para acalentar alguns espíritos. No meio desse cômputo de 9 Campeonatos portuenses, Manuel do Anjos conseguiria cimentar a sua importância no seio grupo. Como já foi referido, a sua abnegação era admirável e alvo do respeito de todos os que consigo partilhavam os campos. Um bom exemplo dessa egrégia atitude aconteceria em Janeiro de 1941. Os “Dragões” recebiam o Olhanense para o Campeonato Nacional quando, logo no começo da partida, o guarda-redes Valongo é vítima de uma grave pancada. Altruísta, é Pocas que, na defesa da baliza “azul e branca”, toma o lugar do lesionado colega. Mesmo sem ter conseguido evitar que 2 bolas tocassem o interior das redes, o médio acabaria por ser o herói da vitória por 4-2.
Depois de deixar o FC Porto em 1946, Manuel do Anjos regressaria à sua cidade natal de Chaves, passando a vestir as cores da Flávia Sport Clube. No emblema que, alguns anos mais tarde e por fusão com o Clube Atlético Flaviense, daria origem ao Grupo Desportivo de Chaves, o atleta acabaria por pôr um ponto final na sua carreira. Contudo e apesar de afastado dos campos de jogo, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Após ter migrado para Moçambique, seria na província da Beira que voltaria ao futebol. Durante alguns anos, o antigo internacional português exerceria as funções de treinador no Ferroviário.

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