477 - ALEXANDRE BAPTISTA

Muito mais do que um adepto da modalidade, Alexandre Baptista, talvez por razão do seu tio, também ele jogador, parecia ter o futebol no sangue. Mas ao contrário de Raúl Baptista, que envergou as camisolas do Barreirense, Benfica e Carcavelinhos, a paixão do antigo defesa foi só uma, o Sporting. Foi, então, em 1960, vindo das escolas do clube, que chega à primeira categoria leonina. Atleta multifacetado, ou um ecléctico do ténis, basquetebol e ténis de mesa, Alexandre Baptista acabaria por se decidir em definitivo pelo "jogo da bola". É verdade que de início, apesar das suas qualidades inegáveis, o central não era um dos mais requisitados dentro do plantel. Categoria, como já o afirmei, não lhe faltava. Tinha um bom físico, sabia colocar-se e era eficaz no momento do desarme. Então, o que lhe faltava? Pois, não o sei!!! E tal como eu não o sei, também admirados andavam os seus colegas de equipa com o seu afastamento! Por esse motivo, conta-se que foram os próprios que começaram a pressionar a equipa técnica, para que Alexandre Baptista começasse a ser mais utilizado. Correcta, ou não, esta versão, o que é certo é que a conquista da sua titularidade coincide com bela campanha do Sporting na Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64. Podem dizer que um jogador não faz uma equipa! E, até, terei que vos dar toda razão! Mas há algo que é inegável, e isso é a importância que Alexandre Baptista teve na conquista do já referido troféu europeu e que, até hoje, é o único que consta na história dos "Leões".
Preponderância havia também de a ter na selecção. No Mundial de 1966, haveria de ser um dos mais utilizados (só não jogou uma partida) e um dos reconhecidos esteios defensivos dos "Magriços", na caminhada para o terceiro lugar. Contudo, e apesar daquilo que já aqui foi dito a seu respeito, o antigo internacional português, não foi, ao longo da sua carreira, um jogador muito regular. Como, então, se justifica isto? Indisciplina; falta de entrega? Não! Diz quem com ele de perto lidou que a sua personalidade estava bem reflectida naquilo que ele era dentro de campo. Alexandre Baptista era conhecido, dentro e fora dos relvados, como um homem de uma elegância, educação e lealdade inabaláveis. Ora, já a sua intermitência desportiva pode ser justificada pelo seguinte. É que muito para além da prática do futebol, o homem por trás do desportista não se esgotava apenas no desporto. O rapaz, que também sabia brilhar dentro de campo, também tinha outros interesses, outros horizontes, e esses levá-lo-iam a concluir, em paralelo com a sua carreira desportiva, a Licenciatura em Economia.
Retirou-se cedo dos relvados, quando ainda contava apenas com 30 anos. No currículo levou a vitória, para além da Taça das Taças de 1964, em 3 Campeonatos Nacionais e 2 Taças de Portugal. No entanto, não se afastou do futebol e muito menos do seu Sporting. Passou a desempenhar funções directivas que, entre outros cargos, o levaram à vice-presidência, no mandato do mítico João Rocha.

1 comentário:

Clin Zorro disse...

pois ...um atleta de classe