692- JOÃO DOS SANTOS


Na temporada de 1923/24, aquando do primeiro triunfo no “regional alfacinha”, já João dos Santos era um dos mais afamados futebolistas “Sadinos”. Interior-esquerdo, o jogador do Vitória de Setúbal sobressaía por ter uma técnica aprimorada e bem acima do que, para a época, era normal. O controlo da bola e a maneira como conseguia construir as jogadas, eram as suas melhores virtudes. Essas suas características, por altura de uma digressão realizada em Espanha, haveriam de merecer o louvor da imprensa local. João dos Santos, para surpresa de “nuestros hermanos”, seria eleito como um dos melhores atletas da comitiva setubalense e acabaria como o grande destaque dos periódicos desportivos – “João dos Santos e Casaca conduziram três ou quatro avançadas que foram um primor de execução. A bola em suave zig-zag ia de um para o outro, sem que ao fazer a passagem perdessem a elegância das suas figuras”*.
Dois anos passados sobre o primeiro brilharete e o Vitória de Setúbal consegue novo triunfo no Campeonato de Lisboa. Para João dos Santos, um dos pilares de tão importante conquista, a época de 1925/26, também no plano pessoal, haveria de ser de consagração. O merecido reconhecimento chegaria com a primeira chamada à selecção nacional. O particular contra a antiga Checoslováquia, onde também faria a estreia o seu colega Armando Martins, muito mais do que o primeiro jogo com a “Camisola das Quinas”, introduziria o atacante no grupo que acabaria por estar presente nos Jogos Olímpicos de Amesterdão.
Todavia, João dos Santos não era apenas um bom atleta. Era, igualmente, um modelo de integridade e cavalheirismo. Como bom exemplo, a rondar os 20 anos de idade, já envergava a braçadeira de capitão do clube para, alguns anos mais tarde, também de ostentar a da selecção nacional. Depois, e já após ter-se retirado dos campos, seria nomeado para treinar a equipa principal do Vitória de Setúbal. Ora, é por todas essas razões que o antigo internacional português é apontado com um dos grandes símbolos da história do clube. Se mais provas fossem necessárias, então a inauguração do Estádio do Bonfim poria um fim a qualquer dúvida mesquinha. É que, a 16 de Setembro de 1962 haveria de ser ele o chamado para, nas festas de abertura do recém-construído recinto, ter a honra de transportar o estandarte do clube.

 
*retirado de http://viiiexercito.com/, citando o “El Mundo Desportivo”

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