909 - BOSSIO


Após ser revelado pelo Las Palmas, modesto emblema de Córdoba, seria uma das maiores colectividades da referida cidade argentina que acabaria por apostar na sua contratação. No Belgrano, a sua chegada acabaria por ser auspiciosa. Sendo utilizado com bastante frequência nessa temporada de 1993/94, logo outras agremiações foram no seu encalço
. Ora, o assédio daria jus a nova transferência e, mesmo largando aquelas que eram as cores do seu coração, Bossio daria início a uma das relações mais proveitosas da sua carreira.
A mudança para os Estudiantes, ainda que tendo começado pelo 2º escalão, faria com que o guarda-redes começasse a ser visto como um dos melhores do país a actuar na sua posição. Depois de em Março de 1995 ter feito a estreia pela selecção principal, seguir-se-iam, ainda no decorrer desse ano, a disputa da Copa América e da Taça das Confederações. No seguimento de todas essas chamadas, viria um dos momentos mais importantes passados com a camisola da Argentina. Em 1996, o guardião seria convocado para os Jogos Olímpicos de Atlanta. Nos Estados Unidos da América, onde chegaria a jogar frente a Portugal, ajudaria o seu conjunto a chegar à final do Torneio. Infelizmente para si, no derradeiro desafio, perderia frente à Nigéria e teria de contentar-se com a Medalha de Prata.
Mesmo sem ter ganho grandes troféus com os Estudiantes, as 5 temporadas passadas com o emblema de La Plata, serviriam de trampolim para uma nova experiência. Num Benfica que ainda procurava um homem que pudesse fazer esquecer Michel Preud’Homme, Carlos Bossio seria visto como a solução para ocupar a posição deixada em aberto pelo fim da carreira do atleta belga. No entanto, ninguém estaria à espera que o lugar fosse entregue ao guarda-redes que, na preparação da época de 1999/00, era visto como a 3ª escolha. Na sombra de um emergente Robert Enke, pouco mais restou ao internacional argentino do que aceitar a sua condição de “2ª escolha”. Durante os 4 anos de “Águia” ao peito, intercalados por uma campanha passada ao serviço do Vitória de Setúbal, o jogador raramente conseguiria inverter o estatuto de suplente. Com exibições muitas vezes avaliadas como medíocres, ainda assim, o contexto em que trabalhou na “Luz” jamais alteraria a sua postura. Tido como uma pessoa grata, simpática e bondosa a sua presença no plantel benfiquista seria sempre muito acarinhada pelos colegas de balneário.
Com a Taça de Portugal de 2003/04 na bagagem, Bossio regressaria ao seu país para jogar pelo Lanús. No emblema da Província de Buenos Aires, colectividade pouco dada a disputar os grandes títulos, o guarda-redes conseguiria uma proeza ainda não alcançada no seu percurso profissional. Num plantel que também contava com o antigo atleta do FC Porto e Leixões, Nelson Benítez, a conquista do Torneio Apertura de 2007 surpreenderia o universo futebolístico sul-americano. Depois dessa conquista e já com 35 anos, Bossio decide aventurar-se mais uma vez no estrangeiro. Nos mexicanos do Querétaro pode dizer-se que iniciou a derradeira fase da sua carreira. Ainda assim, a sua caminhada duraria mais alguns anos. Defensa y Justicia e Tiro Federal, já nos escalões inferiores da Argentina, perlongariam o seu trajecto durante mais algumas campanhas.

908 - LUÍS LOUREIRO

Apesar de ter feito a transição para a categoria sénior num emblema dos patamares inferiores, esse facto não impediria Luís Loureiro de chegar aos maiores palcos nacionais e internacionais. Mais valor teria essa evolução sabendo que foi feita à custa de muito trabalho. Depois do Sintrense, e de vários anos a batalhar entre as antigas 3ª divisão e 2ª “b”, a sua transição para um dos históricos do futebol português, daria um primeiro empurrão ao seu percurso profissional.
O Portimonense e, já na divisão de Honra, o Nacional da Madeira seriam os degraus necessários para que o médio defensivo chegasse ao convívio dos “grandes”. Essa estreia, na temporada de 2001/02, seria feita com as cores do Gil Vicente. No emblema de Barcelos, o atleta impressionaria pela sua capacidade batalhadora. O médio rapidamente conseguiria transformar-se num dos melhores futebolistas a actuar na sua posição. O posicionamento, a maneira como conseguia ler os ataques adversários e, principalmente, a sua capacidade para desarmar essas mesmas ofensivas, levariam a que começasse a ser muito cobiçado.
Antes dos primeiros convites, a chamada de Luiz Felipe Scolari à selecção nacional levaria a que o seu valor aumentasse ainda mais. Apesar das 6 internacionalizações conseguidas durante os “amigáveis” de preparação para o Euro 2004, o seu nome não seria incluído na lista de convocados para a fase final. Mesmo assim, o interesse na sua contratação não diminuiria e para o Gil Vicente seria impossível aguentar o atleta nos seus quadros. Com o Olympique de Lyon a ser veiculado como um dos emblemas mais bem posicionados na aquisição dos seus préstimos, a verdade é que a transferência acordada levaria o “trinco” para bem perto de Barcelos.
A mudança para o Sporting de Braga, não manteria o médio durante muito tempo na “Cidade dos Arcebispos”. Ainda durante essa temporada de 2004/05, e numa altura em que os futebolistas portugueses estavam na berra para os lados da Rússia, Luís Loureiro seria transferido para o Dínamo de Moscovo. Contudo, e mesmo com Nuno Espírito Santo, Maniche, Jorge Ribeiro, Costinha, Frechaut ou Danny como companheiros de balneário, o jogador não ficaria muito tempo pela “Terra dos Czares”. Aliás, a partir desse momento, a sua carreira começaria a caracterizar-se por alguma errância. Sporting, Estrela da Amadora, os cipriotas do Anorthosis Famagusta, Boavista e um regresso ao Portimonense marcariam, em mudanças constantes, os últimos anos do seu percurso profissional.
Depois de um ano sabático, seria de volta ao primeiro emblema que, em 2010/11, poria um ponto final na sua carreira de desportista. Apesar da decisão, o antigo médio não conseguiria afastar-se da modalidade. Logo na temporada seguinte, sem abandonar o emblema da Vila Património Mundial, abraçaria as funções de treinador. No Sintrense daria os passos iniciais de uma caminhada que, até os dias de hoje, tem sido feita nos escalões secundários. Um pouco à imagem dos primeiros anos como futebolista, Luís Loureiro também já conta com passagens pelo Fátima e 1º de Dezembro. Esse trajecto levá-lo-ia a aceitar mais um desafio no estrangeiro. Em França, para esta temporada de 2018/19, o ex-internacional decidiria abraçar o papel de técnico dos Lusitanos de Saint-Maur.

907 - ERIKSSON

Após ter passado pela formação e conjunto “b” do Hammarby, seria já com 21 anos que Lars Eriksson teria a primeira oportunidade na principal equipa do emblema de Estocolmo. A partir desse momento, isso já no final da temporada de 1986, o jovem guarda-redes tomaria o lugar para si. A titularidade conquistada levaria a que os responsáveis da selecção começassem a equacionar o seu nome para as futuras convocatórias. Já em 1988, o guardião surge como “número 1” da equipa nacional. Depois dessa partida frente à Alemanha de Leste, seguir-se-ia a sua estreia numa grande competição. Mesmo sem ter entrado em campo, os Jogos Olímpicos de Seul acabariam por servir esse referido propósito.
Curiosamente, e no que diz respeito à selecção, Eriksson raramente conseguiria livrar-se da condição de suplente. Ainda que chamado durante anos a fio, e de ter sido convocado para os Mundiais de 1990 e 1994 e ainda para o Euro 92, seriam poucas as vezes que sairia da sombra de Thomas Ravelli. Já no que ao seu percurso clubístico diz respeito, as coisas seriam um pouco diferentes. Depois de no final de 1988, o Hammarby ter sido relegado ao 2º escalão, é no IFK Norrköping que prosseguiria a sua carreira. Logo no primeiro ano com o novo clube, o guarda-redes torna-se num dos principais pilares da vitória no Campeonato. Aliás, seriam as campanhas passadas no sudoeste do país que mais valorizariam o seu currículo. Essa caminhada de 7 épocas acabaria por trazer mais troféus ao seu currículo, entre eles 2 Taças da Suécia.
Mesmo com uma carreira em ascensão, só em 1995 é que Eriksson teria a primeira oportunidade para jogar fora do seu país. Contudo, a experiência nos belgas do Charleroi acabaria por não ser a esperada pelo atleta. Sem conseguir agarrar a titularidade, seria em Portugal que o jogador tentaria relançar a sua carreira. Num FC Porto que, com a possível venda do passe de Vítor Baía, tentava assegurar a sucessão para o lugar “à baliza”, a contratação do sueco parecia uma boa solução. Tendo chegado às “Antas” já a meio da temporada de 1995/96, a verdade é que o internacional nunca seria a primeira escolha para os seus treinadores. Ainda assim, como o viria a declarar, a passagem pela “Invicta” não seria negativa e, para além dos 3 Campeonatos, 1 Supertaça e 1 Taça adicionada ao seu palmarés, a experiência ficaria na sua memória – “Estive sempre muito feliz no Porto, adorava os adeptos, o clube a cidade e, além disso, estava numa grande equipa. Toda a gente andava feliz. Ganhámos três campeonatos consecutivos e uma Taça ao Benfica. Não joguei muito, sei que não deixei muita gente feliz, mas adorei a vida em Portugal e no Porto. Foram tempos muito positivos para mim”*.
O resto da sua carreira seria dedicada ao emblema que o tinha lançado anos antes. Tendo regressado à Suécia, seria no Hammarby que em 1998 voltaria à competição. Até 2001 não voltaria a conhecer outras cores. Depois, e já com as “luvas penduradas”, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Para além dos trabalhos nos resumos televisivos de jogos de futebol, Lars Eriksson tem trabalhado na selecção sueca como treinador de guarda-redes.

*retirado do artigo de Ricardo Gouveia, publicado a 05/03/2014, em http://www.maisfutebol.iol.pt

906 - CHIQUINHO CARLOS

Após conseguir destacar-se no Botafogo de Ribeirão Preto, os “gigantes” do futebol brasileiro começaram a ir no seu encalço. Numa corrida em que também participariam Corinthians e Santos, seria a proposta de um clube do Rio de Janeiro que atrairia o atleta. Com o acordo consumado, seria no Flamengo que, no meio de um plantel recheado de craques, Chiquinho Carlos continuaria a mostrar o porquê da sua aquisição. Nem as estrelas Zico e Sócrates, nem os emergentes Mozer e Bebeto teriam força suficiente para intimidar o jovem atacante. No emblema “carioca”, pelo qual jogaria um par de temporadas, as suas exibições e golos acabariam por empurrá-lo para outros voos. Como sequência lógica, a Europa entraria no seu percurso e essa viagem mudaria o correr da sua vida.
Seria o Benfica o emblema a recebê-lo no “Velho Continente”. Com as “Águias” a atravessar uma fase muito positiva, logo nessa temporada de 1986/87 Chiquinho começaria por adicionar importantes títulos ao currículo. Como um elemento bastante utilizado pelo inglês John Mortimore, o atacante teria um papel importante na conquista do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal. Também o ano seguinte seria, no campo desportivo, de grande satisfação para o avançado. Mesmo sem conseguir amealhar qualquer título, a brilhante caminhada dos “Encarnados” nas competições internacionais levá-lo-ia a estar presente num dos momentos mais importantes de toda a época. Depois de ter sido utilizado na grande maioria dos embates e, inclusive, ter marcado um golo numa das partidas dos quartos-de-final, o atacante seria escolhido para entrar de início na derradeira partida da competição. Infelizmente para o clube português, a “lotaria dos penalties” não correria de feição e a Taça dos Clubes Campeões Europeus seria ganha pelo PSV Eindhoven.
Surpreendentemente, a sua ligação ao Benfica terminaria no Verão de 1988. Mesmo assim, Chiquinho Carlos haveria de mostrar que ainda tinha muito a dar ao futebol português. Nas 7 temporadas seguintes, continuaria a prová-lo na 1ª divisão. No Vitória de Guimarães, Sporting de Braga e ainda no Vitória de Setúbal manter-se-ia como um elemento preponderante. Destaque para a sua passagem pela “Cidade Berço”, onde contribuiria para a vitória na Supertaça de 1988/89.
Já após ter passado a barreira dos 30 anos de idade, pode dizer-se que Chiquinho Carlos entra na última fase da carreira. Contudo, e mesmo afastado das principais competições nacionais, não é possível afirmar que esse capítulo tenha sido desinteressante. Muito pelo contrário, é a partir da temporada de 1995/96 que o seu percurso profissional começa a alimentar uma das curiosidades do mesmo. Tendo assinado contrato pelo Académico de Viseu, a mudança para a Beira Alta seria o primeiro passo para a sua “longevidade”. Seguir-se-iam o Atlético e o Mafra. No emblema saloio, com o terminar da campanha de 2000/01, o fim do seu trajecto como futebolista parecia adivinhar-se. Mais um engano. É então que o avançado decide dedicar-se à prática amadora e passa a defender as cores do Igreja Nova. A disputar os “regionais” de Lisboa, o atleta ainda consegue mais um par de surpresas. Primeiro passa a conciliar a vida de técnico no Mafra, com a do jogador dos “distritais”. Depois, provando que a sua habilidade dava para tudo, passa das zonas mais ofensivas do terreno de jogo para, como líbero, evitar os golos adversários.
Já em 2007, com 44 anos de idade, Chiquinho Carlos decide ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Desde então, seria às funções de técnico que o antigo craque passaria a dedicar-se em exclusivo. No Mafra, onde já orientou os guarda-redes e até foi treinador principal, é agora (2018/19) um dos adjuntos de Filipe Martins.

905 - VITAL

Com a formação dividida entre o Caldas e o Benfica, a possibilidade de continuar na equipa “encarnada” ficaria inviabilizada pela presença de avançados mais experientes. Artur Jorge, Nené, Jordão, Vítor Baptista e, principalmente, Eusébio empurrariam Vital para fora da “Luz”. Nesse sentido, Famalicão e Marinhense seriam os emblemas que acolheriam o jovem atleta nos dois primeiros anos como sénior. Seguir-se-ia o Riopele.
No emblema do concelho de Famalicão, Vital participaria num dos mais importantes capítulos da “colectividade fabril”. Tendo chegado na temporada de 1974/75, o jogador participaria nas campanhas que levariam o clube à estreia na 1ª divisão. O destaque merecido durante essas 3 temporadas faria com que José Maria Pedroto, à altura técnico principal do FC Porto, decidisse apostar na sua contratação. Apesar de pouco utilizado, as exibições pelo emblema da “Invicta” levariam a que, a 16 de Novembro de 1977, conseguisse estrear-se com a principal camisola da selecção portuguesa. Chamado por Juca, o avançado, que já contava com algumas internacionalizações nas camadas jovens, entraria na segunda metade da partida frente ao Chipre. Mesmo sendo essa a sua única presença na equipa “A” o atleta deixaria a sua marca no desfecho da partida e, com um golo, daria o seu contributo para a vitória por 4-0.
A sua saída do FC Porto, a meio da temporada de 1979/80, levá-lo-ia a entrar numa fase mais errante da carreira. Mesmo não conseguindo fixar-se por muito tempo no mesmo clube, a verdade é que as suas qualidades, mormente o jogo aéreo, mantê-lo-iam em emblemas de topo. Nos anos seguintes, Betis, na única aventura pelo estrangeiro, o regresso ao Benfica e ainda o Boavista seriam as cores que passaria a envergar.
Curiosamente, aquela que seria a última fase da sua carreira afastá-lo-ia dos principais palcos competitivos. Sem ainda ter chegado aos 30 anos de idade, Vital passaria a competir nas divisões secundárias do futebol português. Apesar desse final um pouco surpreendente, o percurso do atacante não ficaria desvirtuado. Tendo representado importantes emblemas, também os títulos conseguidos serviriam de testemunho do seu sucesso. Divididos entre os anos no FC Porto e no Benfica, o avançado ajudaria as suas equipas a conquistar 3 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça.
Com o final da carreira de futebolista, a passagem para as funções de técnico seria imediata. No Vizela, onde ainda desempenharia o papel de treinador-jogador, daria os primeiros passos de uma longa caminhada. Tendo orientado diversos clubes, principalmente nos escalões inferiores, há que destacar a sua passagem pelo Sporting. Em Alvalade, onde entraria como adjunto de Octávio Machado, chegaria a comandar a equipa principal. Em 1997/98 seria dele a responsabilidade de dirigir os “Leões” durante algumas partidas. Contudo, e numa altura conturbada para o emblema de Alvalade, os resultados não ajudariam à sua continuidade. Ao fim de apenas algumas semanas, seria demitido e o argentino Vicente Cantatore acabaria por ocupar aquele que tinha sido o seu lugar
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NOTA INFORMATIVA

Com o início de uma nova temporada, o "Cromo Sem Caderneta" decidiu alterar o seu curso. A primeira mudança está à mostra de todos e passou por uma renovação do “visual”. A segunda prende-se com algumas das directrizes que, durante vários anos, serviram de pilar à edificação do nosso “blog”. Resolvemos, nesse sentido, pôr de parte os temas mensais com que brindávamos os nossos leitores. Em troca, as publicações passarão a ser mais regulares. Doravante, 3ª feira e 6ª feira serão os dias para as nossas “colagens”.

904 - ARNALDO

Depois de ter encantado no Sport Bissau e Benfica, seria na CUF que o jovem Arnaldo Silva faria a estreia no principal escalão português. No grupo do Barreiro, sob o comando de Manuel de Oliveira, o médio seria lançado na temporada de 1964/65. A segunda metade da referida época mostraria um jogador que, apesar da tenra idade, mereceria a confiança do treinador. No entanto, esse belo arranque acabaria por não ter continuidade nas campanhas seguintes. A irregularidade mostrada levaria os responsáveis da equipa a procurar nova solução. A resposta para a sua carreira viria na forma de empréstimo e, durante os 3 anos seguintes, o centrocampista evoluiria longe da Margem Sul.
Seria no regresso que Arnaldo conseguiria, finalmente, afirmar-se como um atleta fundamental na manobra da sua equipa. Com a ascensão do emblema do Barreiro, expressa na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, o médio começaria a ser cobiçado por emblemas de outra monta. Com a “Lei da Opção” a dificultar a sua saída, os “grandes” do futebol português acabariam por ser dissuadidos da, tantas vezes veiculada, contratação. Apesar de nunca conseguir a tão almejada transferência, o prémio para as suas excelsas qualidades acabaria por vir da Federação Portuguesa de Futebol. Já com 30 anos de idade, o médio, com José Maria Pedroto no lugar de seleccionador, envergaria pela primeira vez a camisola das “quinas”.
Até 1976 manter-se-ia como uma das maiores estrelas da CUF. É já com a entrada em decadência da empresa que dava nome ao clube, que o internacional português acaba por deixar a camisola que, durante 10 temporadas, tinha envergado. Com a sua saída, seriam o Montijo, Barreirense e Amora as colectividades que, daí em diante, permitiriam ao jogador dar continuidade à sua carreira. Entre os 2 principais escalões nacionais, o atleta passaria aquela que pode ser vista como a segunda parte do seu percurso. A maior curiosidade desse período prender-se-ia com a polivalência revelada pelo futebolista. Durante essa meia dúzia de anos, o antigo médio acabaria por experimentar diferentes lugares. Ainda assim, e tendo jogado a avançado e defesa, a qualidade do seu jogo pouco diminuiria. Preponderante, Arnaldo poucas vezes seria esquecido na altura de delinear a táctica de jogo.
Bem perto de completar a sua quarta década de vida, e numa altura em que qualquer atleta estaria a pensar na reforma, Arnaldo decidiria manter as chuteiras nos pés. Já a distanciar-se da vontade e técnica mostrados nos mais importantes palcos do futebol português, a sua determinação levá-lo-ia ainda a jogar durante mais algumas temporadas. É em 1987, com 43 anos e a disputar os “distritais”, que decide ser a hora certa para afastar-se dos “jogos da bola”. Curiosamente, seria como segurança em estádios de futebol que, anos mais tarde, o antigo jogador passaria a ganhar a vida.

903 - RYAN GIGGS

Filho do jogador de rugby, e internacional galês Danny Wilson, Ryan Giggs haveria de escolher os pés como ferramenta principal para manobrar a bola. No entanto, e com toda a ironia que tal acarreta, seria a carreira do pai que acabaria por ter grande influência no seu trajecto profissional. Ora, quando era apenas uma criança, a transferência do seu progenitor para o Swinton RLFC levá-lo-ia para a Grande Manchester. Sendo um apaixonado pelo futebol, o jovem praticante teria a primeira oportunidade nos “Citizens”. Curiosamente, seria nos grandes rivais do United, para onde seria transferido passados alguns anos, que faria toda a sua caminhada sénior e onde conquistaria os mais diversos troféus.
Tendo evoluído junto com a fornada que ficaria conhecida como a “Class of 92”, seria ao lado de Gary Neville, Phill Neville, Paul Scholes, Nicky Butt e David Beckham que o extremo apareceria na primeira equipa do Manchester United. Apesar do baptismo do grupo ter sido inspirado na vitória na FA Youth Cup de 1992, a estreia de Ryan Giggs com a principal camisola dos “Red Devils” aconteceria na temporada de 1990/91. Nas mãos de Sir Alex Ferguson, o consagrado “manager” escocês, não tardou muito até que o seu nome passasse a figurar como um dos elementos mais utilizados do plantel. Pelo lado esquerdo do ataque, o destaque que mereceria seria de tal ordem que, logo na segunda e terceira época como sénior, haveria de vencer o “PFA Young Player of the Year”.
Os prémios que, nesses primeiros anos, fariam dele uma revelação no futebol britânico, haveriam de ser um prenúncio para uma carreira recheada de êxitos. Tantos sucessos teriam sempre, como é lógico, de ficar associados a uma das mais brilhantes páginas da história do Manchester United. Durante o tempo em que representou a equipa, atingiu números que conseguirão espantar qualquer um. Podemos começar com as 24 temporadas que passou com a camisola sénior do clube. Depois, temos ainda os 963 jogos seniores pelos “Red Devils” que adicionadas às partidas feitas pelas selecções (sim, plural!!!), ultrapassam as 1000 partidas. Claro está que falta aqui referir o número mais importante. Esse, um cômputo de 34 títulos, faz dele o atleta mais premiado colectivamente no universo britânico.
Nessa sua longa carreira, como é fácil de desvendar, Ryan Giggs vestiu outras camisolas. Agora, o que não é difícil de adivinhar é que, no que a selecções diz respeito, o extremo haveria de vestir 3 camisolas diferentes. Ainda nos “Schoolboys”, a sua escolha recairia pela Inglaterra. Contudo, a ligação que sempre nutriu pela sua nação natal faria com que, ainda nos sub-18, passasse a representar o País de Gales. Pelos “Dragões” faltou ao jogador disputar uma das grandes competições dedicadas às equipas nacionais. No entanto, uma excepção concedida por altura das olimpíadas de 2012, faria com que tivesse a honra de capitanear a Grã-Bretanha nos Jogos disputados em Londres.
Com a sorte de nunca ter sofrido uma lesão grave, a longevidade de Ryan Giggs no desporto também é devida a muita disciplina. Por outro lado, no campo, seriam tudo menos as regras que fariam dele um dos melhores futebolistas de todos os tempos. O atacante foi um virtuoso. Excelso na maneira como lia o jogo, o pé esquerdo, fosse no passe ou no remate, tratava a bola com delicadeza. Essas suas características permitir-lhe-iam, não só marcar muitos golos, como municionar os seus colegas de área. As 162 assistências dar-lhe-iam mais um recorde que, desde o seu afastamento dos relvados em 2014 (a meses de completar 41 anos de idade), ainda não foi batido.

902 - AMARAL

Apesar do apelido “Coveiro”, Amaral nunca abriu qualquer sepultura – “Eu trabalhava numa funerária, mas não fazia covas. Eu enfeitava e maquiava os defuntos, que já estavam com a cara triste e eu fazia na cara deles uma risada no caixão”*. Já a sua passagem pelo futebol, ao contrário da alcunha pouco rigorosa, seria feita de algo completamente diferente. Abnegado em todos os momentos do seu percurso, a carreira do médio acabaria por caracterizar-se, para além da longevidade, por uma assertividade exemplar.
Tendo começado nas “escolas” do Palmeiras, Amaral largaria o já referido emprego para profissionalizar-se no desporto. No Palestra Italia, as suas exibições cedo começariam a merecer os mais rasgados elogios. Também colectivamente tudo corria de feição e os sucessos do clube acabariam por entrega-los a outros voos. Já após ter vencido alguns títulos nacionais e estaduais, merece a primeira chamada à selecção “canarinha”. Em seguida, e com o palmarés colorido pela Medalha de Bronze nas Olimpíadas de Atlanta, por 2 “brasileirões” e 3 Campeonatos de São Paulo é da Europa que surge novo desafio. A oportunidade de participar num das melhores ligas do mundo, chegaria com o convite do Parma. Todavia, no “Calcio” as coisas não correriam da melhor maneira e, num plantel que tinha como estrelas Thuram, Buffon, Cannavaro, Brolin ou Sensini, o “trinco” brasileiro poucas vezes apareceria em campo.
Surge então o empréstimo ao Benfica. Poucos meses após a sua chegada a Itália, Amaral transfere-se para as “Águias”. Num clube marcado pela instabilidade, o médio surge como um oásis de força e de vontade. Os fãs reconheceriam o seu esforço e entrega e, finda a época de 1996/97, desponta o movimento “Fica Amaral”. Com os cofres da “Luz” muito debilitados, estando os “Encarnados” longe de conseguir o exigido pelo emblema italiano, é dos adeptos que surgiria o esforço para que a contratação do médio fosse uma realidade. Contudo, a benquerença e o dinheiro angariado pela campanha seriam insuficiente para manter o médio em Lisboa. Ainda assim, as saudades do jogador levariam a que novo esforço fosse feito. Depois de, também por empréstimo, ter regressado ao Palmeiras, o “passe” de Amaral é finalmente adquirido pelo Benfica. Com a aquisição a acontecer na segunda metade de 1997/98, o médio volta a apresentar-se na “Luz”. No entanto, a presença de Graeme Souness ao comando técnico das “Águias”, levaria o jogador a enfrentar uma realidade bem diferente da encarada durante a sua primeira passagem. Pouco conseguiria jogar e acabaria por voltar ao Brasil.
Corinthians e Vasco da Gama dariam ao médio-defensivo uma chance para relançar a carreira. Dessa feita seria a Fiorentina, onde jogavam Rui Costa e Nuno Gomes, a ver em si um bom reforço para o meio-campo. Seguir-se-iam louvadas exibições, tudo para ter êxito e, todavia, mais um contratempo nos intentos do brasileiro. Com o conjunto de Florença a “declarar” falência, não restaria outra opção para o futebolista senão a de procurar um novo destino. Ora, outra mudança só daria mais força à ideia de que a carreira de Amaral era a de um verdadeiro “globetrotter”. Aliás, esse saltitar não pararia por aí. Depois do Besiktas, viriam ainda passagens por diversos emblemas no Brasil, o Catar, a Polónia, a Austrália e a Indonésia. Com tantas paragens, a caminhada do centrocampista só terminaria aos 42 anos de idade e no emblema da sua terra natal, o Capivariano.

*retirado do artigo de Luís Castro Martins, publicado a 21/12/2016 em http://www.maisfutebol.iol.pt

TERNURA DOS 40

Apesar de cada vez mais contrariada a tendência, há ainda quem insista que, a partir dos 30 anos idade, o futebolista começa o seu trajecto descendente. Negando essa máxima, houve muitos praticantes que, em melhor ou pior forma, conseguiram estender o seu caminho competitivo. Ora, é para recordar muitos desses resistentes que o mês de Agosto será dedicado à “Ternura dos 40”.