544 - JOÃO CARLOS

Quando uma carreira desportiva fica, inteiramente, ligada a um só clube, então, é normal que a história desse jogador acabe por se confundir com o emblema em questão. No caso de João Carlos, o laço que o liga ao Sporting de Espinho vem desde que, nos escalões de formação, começou a dar os primeiros passos no mundo do futebol.
Em 1972 chegaria a vez de subir aos seniores. Desse modo, ainda na 2ª Divisão, daria início a um trajecto profissional que, durante década e meia, não conheceria outras cores. Nessa lógica, seria também com o listado dos da Costa Verde que João Carlos faria a sua estreia, corria a época de 1974/75, na Primeira Divisão. Ainda sem ser um dos nomes mais sonantes do plantel, o jovem médio, por essa altura, começava já a destacar-se pela sua aprimorada capacidade técnica. No entanto, seria aquando da segunda subida ao escalão máximo do nosso futebol (1977/78), que a sua presença no "onze" inicial do Sporting de Espinho começou a revestir-se de alguma regularidade.
Com o estatuto de indiscutível, João Carlos começou a ser um dos nomes com mais peso dentro do balneário. A humildade, a maneira como, dentro de campo, lutava pelo clube, ou a paixão que, fora dele, sempre mostrou pela equipa, serviriam para sublinhar essa sua importância. Sentiria, como ninguém, todas as alegrias e tristezas vividas e, acima de tudo, faria (e faz!) dos momentos altos do clube um dos maiores orgulhos da sua vida - “As subidas à I Divisão e as três épocas que passámos nesse escalão, quando o treinador era o Manuel José, são pontos altos da minha carreira”*.
Das 11 temporadas em que o Sporting de Espinho lutou nos maiores palcos do futebol português, 7 delas contam com o nome de João Carlos. No cômputo desses anos passados na Primeira Divisão, as cerca de 180 partidas que realizaria de "Tigre" ao peito, fazem dele, no que diz respeito ao dito escalão, o atleta com mais jogos disputados pelo clube. Ora, tais números são só mais um aspecto da sua relevância para a história da colectividade espinhense. Esse facto, como se tal fosse necessário, acabaria por pôr o antigo futebolista numa restrita lista de atletas que, acima de tudo o que foram no desporto, são, pela razão da sua paixão, exemplos a seguir e, como consequência de tal, símbolos maiores do Sporting Clube de Espinho.


* do artigo no "Público" (21/11/2014), por Manuel Assunção

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