1735 - FUA

Ao terminar o período formativo já serviço do Boavista, Fernando José Gomes Pinto, popularizado no mundo do futebol como Fua, encetaria na temporada de 1987/88 um longo périplo erigido em sucessivos empréstimos. Tendo iniciado essa fase da carreira na equipa principal do Estarreja, o extremo ainda demoraria alguns anos até conseguir assomar-se ao escalão máximo. De seguida, numa errância que viria a caracterizar grande parte do seu percurso competitivo, o jogador, sempre sem sair dos escalões secundários, passaria igualmente pela Ovarense, Leça e Maia. Por fim, a chegada à região do Oeste abrir-lhe-ia as portas de um Torreense de regresso ao convívio com os “grandes” e o atleta, na campanha de 1991/92, acabaria por fazer a estreia na 1ª divisão.
Numa equipa com inúmeros atletas de farta experiência futebolística, a época de Fua no Estádio Manuel Marques seria bastante auspiciosa. No entanto, apesar dos bons números apresentados no ano em que haveria de ser orientado por Manuel Cajuda, a verdade é que a temporada de 1992/93 levaria o extremo de volta ao escalão secundário. Já integrado no plantel da Académica de Coimbra, o atacante, caracterizado pela baixa estatura e igualmente por uma velocidade estonteante, voltaria a retirar do novo empréstimo exibições de indubitável categoria. Tais desempenhos mereceriam a confiança dos responsáveis pelo Boavista e ao fim de 6 cedências em 6 anos, o jogador regressaria ao Bessa.
Nos “Axadrezados”, ao contrário do que as épocas anteriores haviam prometido, Fua acabaria por revelar algumas dificuldades em impor-se no “onze” idealizado pelo técnico Manuel José. Quase sem aparecer em campo no período cumprido pela agremiação sediada na “Cidade Invicta”, o atacante ver-se-ia empurrado para um novo empréstimo. Na União de Leiria a partir de 1994/95, primeiro cedido pelas “Panteras Negras” e a título definitivo desde a segunda temporada, o jogador encetaria aquela que viria a ser a sua ligação clubística mais duradora. A estabilidade alcançada no emblema da Beira Litoral, que o faria também regressar à 1ª divisão, traria os seus frutos. Titular com Vítor Manuel, o extremo transformar-se-ia num dos pilares das boas classificações obtidas pelo clube. O 6º posto no ano da sua chegada ao Estádio Magalhães Pessoa e o 7º lugar conseguido na época seguinte trariam à sua caminhada o reconhecimento além-fronteiras e de Angola chamá-lo-iam para representar a selecção.
Meritoriamente, Fua seria incluído, por Carlos Alhinho, no grupo a disputar a edição de 1996 da CAN. Já no torneio disputado na África do Sul, ao lado de um enorme contingente de atletas a competir nas provas lusas, o atacante disputaria, sempre como titular, todos os jogos dos “Palancas Negros”, agendados no Grupo A. Infelizmente, para Angola e para o atleta, as jornadas frente ao Egipto, à equipa da casa e aos Camarões traduzir-se-iam em duas derrotas e num empate frente à última selecção mencionada. Tão parcos resultados empurrá-lo-iam para fora do principal certame do futebol africano e o extremo voltaria a Portugal com um certo “amargo de boca”.
Com a despromoção da União de Leiria no termo do Campeonato Nacional de 1996/97, a carreira de Fua também sofreria um retrocesso. Surpreendentemente, mesmo tendo em conta as boas exibições conseguidas nos 3 anos passados na colectividade da “Cidade do Lis”, o atacante não mais viria a ter lugar num plantel primodivisionário. Outra curiosidade sobre a sua carreira, é que o avançado, depois de ter ultrapassado a centena de partidas feitas na principal prova do futebol luso, mais uma vez voltaria às constantes mudanças de emblema. Com o Moreirense a encabeçar essa nova fase do seu trajecto profissional, o atleta, numa carreira a durar até 2002/03, ainda envergaria as divisas do Imortal, Machico, Oxford United, Esperança de Lagos, Pedras Rubras, Sporting de Pombal, Macedo de Cavaleiros, Monchiquense e Ferreiras.

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