1739 - VINHA

Popularizado no mundo do futebol como Vinha, Alves Nilo Marcos Lima Fortes, cabo-verdiano de nascimento, chegaria a Portugal para representar o Atlético. No emblema lisboeta, onde terá chegado, segundo algumas fontes que não consegui confirmar, transferido de um “estranho” Castilla Luanda, o jogador entraria na temporada de 1988/89. Inicialmente orientado por Norton de Matos, as prestações do, à altura, médio-centro, captariam a atenção de outras colectividades no cenário competitivo luso e a mudança, ao fim de duas campanhas passadas na Tapadinha, levá-lo-ia até ao Norte de Portugal.
Com a inclusão no plantel de 1990/91 do Salgueiros, Vinha, muito mais do que o arranque de caminhada na 1ª divisão, teria a oportunidade de participar numa histórica época em que o emblema portuense haveria de terminar o Campeonato Nacional num estrondoso 5º posto. Titular no “onze” idealizado por Zoran Filipovic, o atleta, logo na temporada seguinte, entraria em campo na estreia do clube português nas competições de índole continental. Inserida a agremiação de Paranhos na disputa da Taça UEFA, em sorte calhar-lhes-ia um Cannes onde pontuavam nomes como o jovem Zinedine Zidane, Luis Fernández, Oman-Biyik ou Aliosa Asanovic . Tendo entrado em campo nas duas mãos do referido confronto, o jogador ainda contribuiria para a vitória lusa na disputa inicial. Porém, a derrota por 1-0 já em França levaria a eliminatória para o desempate por grandes penalidades e o desfecho tombaria para o lado dos gauleses.
Com o Salgueiros a manter-se no convívio entre os “grandes”, Vinha, para além de somar épocas no escalão principal, começaria também a adoçar o apetite de alguns treinadores. Apesar de não ser um intérprete vistoso, a sua alta estatura, entrega e disponibilidade para, em situações de aperto, passar do miolo do terreno para o centro do ataque, valer-lhe-ia muitos pontos. Nesse sentido, quem ficaria deveras impressionado com os seus desempenhos, nomeadamente com as suas prestações como ponta-de-lança improvisado, seria Tomislav Ivic. Essa “paixão” do treinador jugoslavo levaria o atleta até às Antas e o jogador, na temporada de 1993/94, acabaria apresentado como o novo reforço do FC Porto para o sector avançado. 
Apesar da estranheza provocada pela transferência, o certo é que Vinha teria, de imediato, um impacto deveras positivo nos intuitos colectivos dos “Azuis e Brancos”. Um desses momentos, no contexto da Supertaça, seria o golo marcado aos 84 minutos da 2ª mão e que, levada a decisão para a finalíssima, permitiria a vitória do FC Porto frente ao Benfica. Também num jogo a opor os “Dragões” às “Águias”, dessa feita a contar para o Campeonato Nacional, o avançado-centro acabaria a fazer o “gosto ao pé”. Já no resto da campanha, mesmo não tendo assumido um papel de inquestionável relevância, outro dos seus remates certeiros seria contra o Sporting. Com tudo isso, mesmo tapado maioritariamente pela dupla formada por Kostadinov e por Domingos, não seria de espantar a sua presença na finalíssima da Taça de Portugal e a entrada em campo do ponta-de-lança, ordenada por Bobby Robson, ajudaria, em pleno Jamor, a derrotar os “Leões”.
Com a falta de oportunidades nas Antas, a decisão de Vinha, logo para a temporada de 1994/95, seria a de regressar ao Estádio Vidal Pinheiro. De volta a Paranhos, o jogador, dessa feita num ciclo que duraria outros 4 anos, faria do Salgueiros a colectividade mais representativa da sua carreira futebolística. O mencionado período, exclusivamente disputado na 1ª divisão, permitiria ao avançado que, num total de carreira, somasse ao currículo um cômputo de 8 épocas primodivisionárias. De seguida, ao entrar na derradeira fase da caminhada competitiva, o jogador, definitivamente afastado do escalão maior, ainda teria forças para representar o Paços de Ferreira, o Lousada, o Imortal e o Tirsense. Já com a decisão de “pendurar as chuteiras” no termo de 2000/01, o antigo atacante decidiria regressar ao curso de Engenharia Civil e o regresso a Cabo Verde, anos mais tarde e com a licenciatura concluída, permitir-lhe-ia exercer funções na área em que havia tido a formação académica.

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