Com os registos na principal equipa do Lusitano Futebol Clube a reportarem a sua primeira presença à época de 1934/35, Joaquim D’Almeida Mortágua começaria por disputar a 2ª divisão. No entanto, com a agremiação do Sotavento a claudicar no necessário apuramento dos anos seguintes, as próximas temporadas do jovem atleta, nascido também em Vila Real de Santo António, seriam cumpridas nas disputas arroladas somente ao panorama desportivo do Algarve.
Depois dessa campanha mencionada no parágrafo anterior, na qual o Lusitano viria a vencer o “regional”, só em 1938/39 é que o clube voltaria às pelejas dos “nacionais”. Numa altura em que Domingos Lopes era, provavelmente, o nome de maior monta na colectividade, Mortágua, à altura ainda a posicionar-se como extremo, também já figurava na lista de praticantes com enorme importância no arrolar da equipa titular.
Mesmo com a importância do clube a cimentar-se peremptoriamente, como provam as sucessivas aparições do emblema algarvio no Campeonato Nacional da 2ª divisão, e com a aparição de novos craques a projectar novos voos, como seria o caso de Isaurindo, Mortágua, na temporada de 1943/44, decidiria aventurar-se por outras paragens e anuir, um pouco mais a norte na raia portuguesa, ao desafio lançado pelo Campomaiorense. No entanto, muito mais do que um simples praticante, o seu papel no plantel dos “Galgos” viria a ultrapassar as funções que, até ao momento, estava habituado. Talvez como reflexo da sua enorme polivalência em campo, característica que faria com que, ao longo da carreira, conseguisse ocupar posições no sector ofensivo, no meio-campo e também em lugares mais recuados nos mais díspares esquemas tácticos idealizados, o jogador, grande entendedor das dinâmicas futebolísticas, aceitaria assumir-se como o treinador-jogador da colectividade alentejana.
Com a passagem por Campo Maior a durar apenas uma temporada, o regresso a Vila Real de Santo António entregá-lo-ia aos melhores anos do Lusitano. Todavia, para o surgimento dessa época áurea em muito contribuiria a emergência de outros atletas. Nesse rol alocado à equipa principal, Manuel Caldeira acabaria por vir a transformar-se num dos grandes ícones da massa adepta. Ainda assim, outros conseguiriam igualmente deixar a sua marca e para além da inscrição de Mortágua nessa lista de notáveis, também Madeira, a exemplo, faria parte do grupo que contribuiria para a ascensão dos homens a jogar em casa no Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro até à 1ª divisão.
Nesse sentido, ao conseguir manter-se como um dos titulares da equipa, Mortágua, na temporada de 1947/48, transfigurar-se-ia numa das principais figuras do Lusitano na estreia entre os “grandes” do futebol luso. Essa estadia no patamar maior, que ao longo dos diferentes anos teria ainda a presença de outros atletas que também viriam a destacar-se nas competições portuguesas, casos de Luís Vasques e do incontornável José Maria Pedroto, serviria conjuntamente para sustentar o polivalente jogador como um dos históricos do conjunto algarvio. É verdade que as 64 partidas, por si disputadas nas 3 épocas passadas no degrau máximo, transformá-lo-iam numa das figuras com mais presenças, pelo clube do Sotavento, na prova de maior importância no calendário nacional. Ainda assim, há números mais surpreendentes na sua carreira e as 17 campanhas realizadas pelo atleta na agremiação sediada na foz do Guadiana, mesmo que mais nada houvesse, serviriam para inscrevê-lo nos anais da colectividade nascida em Vila Real de Santo António.

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