1727 - JOSÉ LUÍS

Nascido em Cabo Verde, José Luís Ramos Pina Furtado viajaria para Portugal para ingressar na Marinha. Já com 19 anos de idade, sem nunca ter cumprido qualquer passo no percurso formativo, mas como um jovem deveras entusiasmado pela modalidade, tomaria a decisão de prestar provas no futebol e acabaria incluído no plantel sénior do União de Montemor. Ao encetar a carreira na temporada de 1972/73, o jogador depressa viria a destacar-se como um praticante portador de surpreendentes índices físicos. Veloz, forte e com uma enorme resistência, começaria por colocar-se nas posições mais extremas do ataque. Aliás, as laterais, entre a defesa, o sector intermédio ou os lugares mais ofensivos, muito por culpa da referida rapidez, tornar-se-iam no seu campo predilecto. Assim continuaria na primeira meia dúzia de anos do seu percurso desportivo e entre o clube inicialmente a acolhê-lo e as outras 3 campanhas já cumpridas no Juventude de Évora, o atleta conseguiria despertar a atenção de agremiações de maior monta.
Sem nunca, anteriormente, ter pisado os palcos primodivisionários, a entrada no Vitória Futebol Clube levá-lo-ia a experimentar a 1ª divisão. Mesmo sem a aludida experiência, o traquejo ganho nos anos precedentes permitir-lhe-ia fixar-se no emblema da cidade de Setúbal como um dos grandes destaques para a campanha de 1978/79. Lançado por Carlos Cardoso no “onze”, José Luís, a partir do lado canhoto, faria parte de um quarteto defensivo que também incluiria Rebelo, Carlton Martin e José Mendes. Titular durante essa temporada de chegada ao Bonfim e igualmente na seguinte, o lateral-esquerdo, como resultado das boas exibições conseguidas nas provas de índole interno, continuaria a acrescentar valor ao seu currículo e a ganhar popularidade entre aqueles que assistiam às suas prestações dentro de campo. Tamanho crescimento faria com que começasse a ser cobiçado por um dos gigantes lusos e a viagem para norte apresentá-lo-ia a um listado diferente daquele a que estava habituado a envergar.
Com a entrada no FC Porto a acontecer na época de 1980/81, a verdade é que José Luís não causaria o impacto projectado com a sua contratação. Tapado, nas opções tácticas do austríaco Hermann Stessl, por Lima Pereira e também por Teixeira, poucas seriam as oportunidades que o jogador granjearia no ano passado na “Cidade Invicta”. Sem somar um grande úmero de presenças em campo pelos “Dragões”, o atleta decidiria continuar a carreira ao serviço da Sanjoanense e, logo na campanha seguinte, com as cores do Lusitano de Évora. No entanto, o par de temporadas cumprido longe do patamar máximo não faria com que viesse a perder qualquer predicado e 1983/84 voltaria a sinalizar o seu regresso ao convívio com os “grandes”.
No Farense, inicialmente comandado por Hristo Mladenov, José Luís voltaria a encontrar-se, isto na 1ª divisão, com a titularidade. Porém, mesmo tendo contribuído para a manutenção do conjunto algarvio, a verdade é que a sua continuidade no clube, de forma algo surpreendente, acabaria por não acontecer. Nesse sentido, o regresso a um emblema bem conhecida do seu trajecto competitivo atirá-lo-ia, em definitivo, para as pelejas dos degraus secundários do futebol luso. Com o percurso feito, daí em diante, também com as cores do FC Barreirense, Lusitano Arraiolense, Vasco da Gama de Sines e Mourão, o jogador, que viria a “pendurar as chuteiras com o termo das provas agendadas para 1994/95, só haveria de pôr um ponto final na carreira já depois de bem ultrapassados os 40 anos de idade!

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