Com a formação a terminar no Benfica, onde chegaria a partilhar o balneário com Humberto Coelho, Vítor Martins ou Raul Águas, Joaquim António Farinha Charouco, por altura de subir ao plantel principal, esbarraria na forte concorrência de um grupo de trabalho a teimar na alta-roda do futebol europeu. Avançado, o jovem jogador seria então emprestado a um Peniche com ambições à subida ao patamar máximo do futebol português. Cumprida essa temporada de 1967/68 nos desígnios das pelejas do escalão secundário, seguir-se-ia, sem deixar a 2ª divisão, a sua passagem pelo Gouveia. Depois emergiria o tempo do Serviço Militar Obrigatório, a incorporação a levá-lo até Angola e as camisolas do Sporting do Negage e do ASA a colorirem-lhe o ainda curto percurso competitivo.
De regresso à metrópole, Charouco, ao conseguir despertar o interesse do Sporting, chegaria a rubricar um contrato com os “Verde e Brancos”. No entanto, mais uma vez sem lugar num dos denominados “grandes”, um novo empréstimo encaminhá-lo-ia até ao União de Lamas. A época de 1972/73, de volta aos cenários secundários e com o jogador ao serviço da agremiação sediada no distrito de Aveiro, até correria de feição. Tal facto valer-lhe-ia a confiança de um emblema a batalhar por objectivos de outra monta e a nova transferência levá-lo-ia a ser apresentado como reforço do Montijo.
Com a integração no plantel de 1973/74 da colectividade da Margem Sul, o atacante teria a oportunidade de fazer a estreia na 1ª divisão. Ainda assim, apesar do importante marco vivido na sua carreira, a verdade é que o avançado ver-se-ia ultrapassado, nas escolhas técnicas, por outros colegas, mormente por Gijo e por Francisco Mário. Nesse sentido, a campanha cumprida na intendência do treinador José Caraballo, em termos individuais, mas igualmente no que à avaliação do colectivo diz respeito, ficaria muito aquém das expectativas criadas e para azar do avançado, como para infortúnio de todo o grupo de trabalho, o último lugar da tabela classificativa do Campeonato Nacional daria direito à descida de patamar.
A despromoção do Montijo faria com que o atleta, num percurso que continuaria a caracterizar-se por uma enorme errância, decidisse mudar de ares. Num salto tão habitual para aquela época, o avançado viajaria então até ao lado ocidental do Oceano Atlântico para, na Canadian National Soccer League, entrar no plantel de 1974 do First Portuguese. Os meses passados na América do Norte antecederiam a sua inclusão no FC Barreirense. Seguir-se-ia, sem que tenha conseguido confirmar a informação, a temporada de 1975/76, no Eléctrico de Ponte Sor. Finalmente, a entrada no Sesimbra, colectividade mais representativa da sua caminhada sénior, e o fim da carreira como atleta profissional em 1982.
Após “pendurar as chuteiras”, Charouco ficaria ligado à modalidade. Por um lado vestiria a camisola do Sport Lisboa e Saudade, agremiação composta por veteranos do emblema da Luz e onde viria a tornar-se no maior goleador da história do projecto. Por outro, o antigo avançado manter-se-ia como colaborador do Departamento de Prospecção das “Águias”.

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