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508 - KENEDY

Com um percurso feito nas camadas jovens do clube, seria pela mão de Sven-Göran Eriksson que Kenedy chegaria à principal equipa benfiquista. Duas temporadas depois e a sua preponderância no seio do plantel, começa a ganhar contornos de alguma importância. Aquando do início dessa época de 1993/94, os da "Luz" contavam já com um defeso bem atribulado. A saída de alguns jogadores para o rival Sporting e uma grave crise financeira, assombravam o futuro próximo do emblema. Não se deixando atormentar por tal, o carismático Toni reuniria à sua volta um grupo de jogadores com uma grande vontade de vencer. Kenedy, sem ser um dos nomes de primeira linha, não deixava de ser um dos tais escolhidos pelo técnico português. No final, das agruras previstas, sairia a vitória no Campeonato. Para Kenedy era o arrecadar de mais um troféu... mais um, a juntar à Taça de Portugal vencida no ano anterior.
Daí em diante a carreira do esquerdino tomou os contornos de quem evolui normalmente. Começou, progressivamente, a jogar mais; as suas qualidades melhoravam a cada passar de época; e começou a ser visto como um bom reforço para alguns planteis. Seria por essa altura, já depois de nova vitória na Taça de Portugal (1995/96), que Kenedy decide não renovar pelo Benfica. No horizonte, por certo, estariam já as promessas de outros clubes e o mesmo veio a confirmar-se pouco tempo depois. Foi com o 4º lugar conseguido por Portugal, nos Jogos Olímpicos de Atalanta, que o jogador chega a Paris. Em cima da mesa estava um contrato com o PSG, orientado pelo seu antigo colega Ricardo Gomes. Na "Cidade Luz", a vida de Kenedy, ao lado de craques como Paul Le Guen, Leonardo ou Anelka superaria as mais optimistas previsões. Contudo, e apesar da sua boa utilização e de melhores expectativas futuras, o defesa/médio, ao fim de um ano, toma a decisão de deixar o clube - "Eu era jovem, tinha 23 anos. Eu tinha feito uma grande temporada. Dos 70 jogos que, aproximadamente, tínhamos jogado, eu estava envolvido em quase todos. Na altura o FC Porto queria-me e eu queria voltar para casa. Foi-me oferecido as mesmas condições que na França. Era tentador. Mas as coisas não correram como eu esperava no Porto. Se eu pudesse voltar atrás, eu ficaria no PSG. Cometi um erro ao deixar Paris...".
O tal arrependimento, entende-se bem quando analisamos a temporada que Kenedy faria pelos "Dragões". Poucas partidas disputadas e exibições de fraco calibre, acabariam por ter mais peso que os títulos que, ainda assim, adicionaria ao seu palmarés. Com mais 1 Campeonato, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça no seu currículo, o atleta, já depois de um fracassado empréstimo ao Albacete, tenta relançar a sua carreira no Estrela da Amadora. A sua opção revelar-se-ia a mais acertada. Apesar do clube da Linha de Sintra não ter o peso dos emblemas a que estava habituado até então, a mudança permitir-lhe-ia jogar com regularidade.
Já como um futebolista renascido e com a sua cotação a subir, o Marítimo decide contratá-lo. Na Madeira, a época de 2001/02 revela-se para o jogador como uma das melhores da sua carreira. Merecido, mas com alguma surpresa à mistura, o seu nome é apresentado por António Oliveira, como um dos escolhidos para o Mundial de 2002. O pior vem a seguir, com Kenedy a acusar positivo num controlo anti-doping. Afastado da convocatória para o torneio disputado no Japão e Coreia do Sul, o atleta continua a afirmar a sua inocência, revelando que o medicamento que utilizava era com o intuito de manter o peso e receitado pelo seu médico. Nem a confirmação do clínico lhe valeria de nada... e a sanção disciplinar das entidades competentes cairia sobre Kenedy.
Assombrada pelo episódio, a sua vida profissional nunca mais voltou a entrar no rumo certo. Os anos que seguiram, ao serviço do Marítimo, do Sp.Braga e Académica, mostrariam um Kenedy com uma forma física débil. Os resultados não poderiam ser outros, senão os piores.
A última fase da sua carreira, já acima dos 30 anos, passaria pelos campeonatos cipriota (APOEL) e grego. Com as cores de clubes de menor monta, entre os quais alguns de escalões inferiores, Kenedy decidir-se-ia pelo "arrumar das botas". Nesse seu último capítulo, destaque para a experiência que teve como treinador-jogador que, "quiçá", o poderá ajudar, futuramente, a relançar-se no mundo do futebol.

92 - WEAH

Com um arranque de carreira vitorioso, George Weah acabaria por vencer vários troféus na Libéria. A “dobradinha” ao serviço do Mighty Barrolle e, já no Invincible Eleven, a repetição da vitória no Campeonato, permitiriam ao atleta preencher o seu currículo com os primeiros títulos colectivos. Nesses capítulos iniciais, seria com as cores do último clube referido que, após ter marcado 24 golos em 23 partidas, despertaria o interesse de clubes no estrangeiro. Todavia, ainda não tinha chegado a hora de partir para a Europa. Seguir-se-iam curtas passagens pelos costa-marfinenses do Africa Sports e pelos Camarões, onde seria campeão ao serviço do Tonnerre Yaoundé.
A jogar no clube camaronês, diz-se que o conselho do seleccionador daquele país, o francês Claude Le Roy, levaria Arsène Wenger a estudar as qualidades do avançado. O treinador, à altura a orientar o AS Monaco, rapidamente chegaria à conclusão que tinha encontrado uma estrela – "Weah foi uma revelação. Ele foi como o ovo de chocolate que uma criança descobre no seu jardim, no Domingo de Páscoa. Eu nunca vi outro jogador a explodir para o palco mundial como ele o fez”*.Todavia, nos 4 anos passados ao serviço dos monegascos, o atacante ganharia apenas 1 Taça de França. Decidir-se-ia, então, pela mudança para a capital gaulesa. Ao assinar pelo Paris Saint-Germain, e com as participações na “Champions”, começaria a ganhar bastante notoriedade. Com um físico poderoso e uma velocidade excepcional, os seus ataques passariam a ser tidos como uma arma mortífera e os seus golos adorados em toda a parte.
Em termos de troféus, seria em Paris que, em 1993/94, haveria de conquistar a “Ligue 1”. Na época seguinte, a última no “Parc des Princes”, ganharia o título de Melhor Marcador da Liga dos Campeões e aguçaria o apetite de outros colossos europeus. O AC Milan acabaria por ganhar essa corrida e, uma vez em Itália, Weah rapidamente confirmaria o seu estatuto de astro maior do futebol mundial. Logo na temporada de estreia, a de 1995/96, o avançado receberia uma série de louvores. Para além de ajudar a vencer a Serie A, seria também eleito o Futebolista Africano do Ano da CAF, o Melhor Jogador do Mundo da FIFA e ganharia o Ballon d’Or da France Football.
Seria ao serviço do emblema milanês que, na sua carreira desportiva, Weah atingiria o apogeu. Contudo, seria também com os “Rossoneri” que haveria de viver um episódio deveras controverso. Numa deslocação ao Estádio das Antas, Jorge Costa e o ponta-de-lança desentender-se-iam durante e após o final do jogo. Ainda no decorrer da partida, uma pisadela do defesa na mão do avançado, haveria de desencadear uma “troca de mimos”. Já no túnel de acesso aos balneários, tudo terminaria com o nariz do futebolista “azul e branco” a ser partido à cabeçada. No rescaldo da contenda, o atacante acusaria o portista de ofensas racista. Já o atleta português falaria de uma emboscada feita de forma cobarde. Como castigo pelo incidente, o internacional liberiano seria penalizado com o afastamento, por 6 partidas, das competições europeias. Curioso seria o que viria a seguir. Mesmo com a aplicação de tão dura punição, nesse ano de 1996, a FIFA galardoaria o elemento do AC Milan com o prémio “Fair Play”.
Mantendo-se em Milão até ao Verão de 2000, Weah teria tempo para ainda erguer o "Scudetto" de 1998/99. Ao deixar o “Calcio”, a carreira do avançado entraria na derradeira fase. Num périplo que, em constantes mudanças, levaria o ponta-de-lança a vestir as camisolas do Chelsea, do Manchester City e do Olympique Marseille, a sua caminhada acabaria por conhecer o fim nos Emirados Árabes Unidos e depois de representar o Al-Jazira.
Apesar de profissionalmente afastado de África, a verdade é que Weah nunca esqueceria o seu país. Muito mais do que jogar pela sua selecção, o desportista faria tudo para ajudar o seu povo. Longe da pobreza que, resultado de uma terrível guerra civil, destruiria a existência de milhares de pessoas, a estrela do futebol mundial demonstraria sempre uma vontade enorme para lutar contras as débeis condições vividas pelos seus conterrâneos. Mesmo ao participar em inúmeras iniciativas de solidariedade ou ao aceitar o papel de Embaixador da Boa-Vontade da UNESCO, o antigo avançado mostraria o desejo de contribuir ainda mais. Em 2005, o cidadão George Manneh Oppong Weah candidatar-se-ia às eleições Presidenciais da Libéria. Acabaria por perder na segunda volta, mas com a promessa de nunca desistir do sonho de, um dia, ser eleito**.

*retirado do artigo “Small countries, big names”, publicado em www.fifa.com, a 24/07/2009
**a 22 de Janeiro de 2018, depois de vencer de vencer o escrutínio de 2017, Weah tomaria posse como Presidente da Republica da Libéria

15 - HEINZE

Não foi de certeza nos poucos jogos feitos pelo Sporting, que Gabriel Heinze aprendeu a ser um grande lateral-esquerdo. Tendo em conta a descrição com que se pautou a sua passagem por Portugal, emprestado que estava pelo Valladolid, este argentino formado no Newell's Old Boys, não deixa de ser mais um dos típicos desperdícios do nosso futebol. A prova veio com o resto da sua carreira: prestações de sucesso no PSG, Manchester Utd, Real Madrid e Marseille (onde actua); e campeão em quase todos os emblemas representados. 
Pela selecção esteve presente na Copa América 2007, nos Mundiais de 2006 e 2010 e foi Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de 2004.  
Bastante impressionante para quem apenas participou em 5 jogos no campeonato português, não acham?!!!