1785 - AMADEU

Após cumprir a totalidade do percurso formativo no Amora, seria também na Medideira que João Amadeu Tavares Correia daria o salto para o universo sénior. Chamado à equipa principal por José Moniz, a temporada de 1980/81, numa altura em que ainda era júnior, serviria de arranque para a sua caminhada enquanto profissional.
Com entrada directa na 1ª divisão, numa campanha em que o emblema da Margem Sul também fazia a sua estreia entre os “grandes”, o jovem atacante, como resultado das qualidades apresentadas, depressa conseguiria conquistar algum espaço no plantel principal do Amora. Essa afirmação, mesmo não atingindo a titularidade, começaria a cimentar-se logo na temporada seguinte à referida no começo deste texto. O apogeu dessa sua campanha de 1981/82 emergiria com o golo marcado ao Benfica e que daria a vitória frente às “Águias”. Porém, a evolução do extremo haveria de abrandar abruptamente e o avançado, de forma um pouco surpreendente, pouco vezes apareceria em campo no espraiar da época de 1982/83.
Talvez por ter perdido alguma importância nos desenhos tácticos da equipa, Amadeu, na temporada de 1983/84, acabaria por ser cedido ao Clube de Futebol da Trafaria. A experiência ganha no ano de empréstimo faria com que o jogador regressasse à Medideira com estaleca suficiente para que, em 1984/85, recuperasse algum do brilhantismo perdido em anos transactos. Tal crescimento, com o Amora a insistir nos patamares secundários, faria com o atacante procurasse dar seguimento à carreira noutras paragens. A oportunidade, com o atleta a manter-se no mesmo escalão competitivo, surgiria da Beira Alta e a campanha de 1985/86 marcaria a sua primeira passagem pelo Académico de Viseu.
Já o regresso de Amadeu ao escalão maior do futebol português dar-se-ia no Alentejo. No entanto, esse ano passado com as cores d’ “O Elvas” terminaria com a descida dos “Azul e Oiro”. O desaire desportivo, mais uma vez, levaria o jogador a mudar de rumo e ao invés de empurrar o atacante para uma nova camisola, encaminhá-lo-ia para uma casa por si bem conhecida. De novo a exibir-se no Estádio do Fontelo, o jogador, num grupo de trabalho comandado por Carlos Alhinho, transformar-se-ia num dos pilares da promoção do Académico de Viseu aos palcos principais. Aliás, essa subida viria a permitir ao extremo completar, em 1988/89, aquela que viria a ser a sua derradeira aparição nos cenários primodivisionários. Já em definitivo a vogar pelos patamares secundários, seguir-se-iam, no seu trajecto competitivo, o Vila Real, o Peniche, o União de Lamas e finalmente a viagem de volta à região onde tinha crescido.
Curiosamente, em vez de voltar a envergar a camisola do Amora, Amadeu acabaria por aceitar o convite dos rivais do Seixal. Na nova agremiação a partir da temporada de 1994/95, o atacante, já como um verdadeiro veterano do futebol, ainda teria energia para completar um ciclo de meia dúzia de temporadas com o listado dos homens sediados no Campo do Bravo. Terminada a aludida etapa, o atacante ainda regressaria ao emblema que, aproximadamente duas décadas antes, tinha contribuído para o seu lançamento nas lides do futebol sénior. Mais uma vez na Medideira, o avançado ainda daria um forte colaboração para a subida da colectividade do 3º escalão para a 2ª divisão “B”. Por fim, após cumprir 3 temporadas ao serviço do emblema onde tinha completado a formação, o avançado, com o termo das provas agendadas para 2002/03 e numa altura em que já contava 40 anos de idade, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1784 - VADO


Formado no Grupo Desportivo Torralta, Osvaldo Couto Cardoso Pinto, conhecido no universo futebolístico como Vado, teria também no colectivo sediado no Alvor o encetar da sua caminhada enquanto sénior. Após cumprir essa temporada de 1987/88 na disputa dos desafios lançados pela 3ª divisão, o médio, de características mais ofensivas, passaria a representar o Portimonense. Mesmo tendo em conta o grande salto competitivo, a levá-lo às pelejas primodivisionárias de 1988/89, a verdade é que o jogador assumiria, com o alvinegro da colectividade algarvia, um papel de destaque. Após a estreia ainda com Manuel Cajuda como treinador, a chegada de José Torres haveria de catapultá-lo para a titularidade e o atleta, como membro assíduo do “onze”, conseguiria despertar a atenção de outras entidades.
O destaque conseguido ao serviço do Portimonense levaria a que, a partir da Federação Portuguesa de Futebol, Vado passasse a entrar nas cogitações dadas aos “esperanças”. Inicialmente inserido nos planos dos actualmente designados como sub-21, o médio, a 14 de Fevereiro de 1989, acabaria por fazer a estreia com a “camisola das quinas”. Apenas uns meses após essa partida frente à Bélgica, a 8 de Junho de 1989, seria a vez de, pela mão de Juca, chegar à selecção principal. Também pelo conjunto “A” luso, o atleta teria ainda a oportunidade de fazer mais um par de partidas. Nesse âmbito, surgiria o Torneio Skydome de 1995 e orientado por António Oliveira, o mesmo treinador a trazê-lo ao arranque da caminhada com as cores de Portugal, o jogador, entre os dois escalões já mencionados, viria a somar no currículo 7 internacionalizações.
Regressando ao trajecto clubístico do jogador e com o Portimonense a quedar-se pelo 17º posto do Campeonato Nacional de 1989/90, Vado acabaria por acompanhar o clube na descida de escalão. Ainda assim, e sendo as suas qualidade merecedores de desafios de maior monta, a época de 1991/92 marcaria o regresso do médio ao convívio com os “grandes”. Dessa feita a envergar as cores do Marítimo, o atleta, ao conservar-se como um intérprete exímio no passe e na leitura de jogo, passaria igualmente a erguer-se como um dos esteios da agremiação madeirense. A importância ganha nos destinos colectivos dos “Leões do Almirante Reis” teria o seu apogeu com o 5º posto na tabela classificativa da 1ª divisão e com a consequente qualificação para as provas de índole continental. Inserido o emblema insular na Taça UEFA de 1993/94, a estreia dos “Verde-rubros” nas competições além fronteiras seria apadrinhada pelo Royal Antwerp. O centrocampista, chamado à contenda por Edinho, participaria em ambas as partidas da eliminatória e nem mesmo o golo, por si concretizado, na 2ª mão da referida ronda evitaria o afastamento os funchalenses da aludida prova.
Após 4 temporadas consecutivas a representar o Marítimo, Vado aceitaria o convite do Sporting de Braga. No entanto, a mudança para a “Cidade dos Arcebispos” em 1995/96, onde voltaria a encontrar-se com Manuel Cajuda, não traria os resultados esperados por todos os envolvidos. Curiosamente, esse ano passado entre os “Guerreiros do Minho”, muito mais do que uma mera e passageira desilusão, acabaria a tornar-se no fim do percurso do médio no patamar maior do futebol português. Daí em diante, o atleta passaria a exibir-se, contrariamente ao que as suas capacidades fariam prever, somente nos escalões secundários. Desportivo de Beja, Portimonense, os açorianos do Operário de Lagoa, Silves e Monchiquense constituiriam o resto do seu percurso competitivo, o qual findaria com o encerrar das provas agendadas para 2005/06.

1783 - DJUKIC

Concluída a formação no FK Partizan e depois de ter cumprido o Serviço Militar Obrigatório, Milonja Djukic teria, no decorrer da temporada de 1984/85, o arranque das actividades com a equipa principal do emblema sediado em Belgrado. Ao ser também um dos nomes habituais nas convocatórias das jovens selecções do seu país, os golos que concretizaria logo nas primeiras aparições como sénior serviriam, ainda mais, para sublinhá-lo como uma das grandes promessas da colectividade fundada na capital da antiga Jugoslávia. Todavia, a verdade é que as boas exibições, e até a titularidade conquistada, não teriam grande correspondência no resto da aludida campanha e o fulgor inicial perder-se-ia um pouco.
A campanha seguinte teria a curiosidade de levar o FK Partizan a apadrinhar a estreia do Portimonense nas competições de índole continental. Djukic seria um dos nomes que entraria em jogo frente aos algarvios. No entanto, mesmo ao jogar com alguma regularidade ao longo dessa época de 1985/86, as exibições do avançado-centro denotariam ainda alguma falta de traquejo. Essa verdura faria com que os responsáveis pelo emblema de Belgrado tomassem a decisão de emprestar o jogador. A cedência ocorreria na temporada de 1986/87, mas a experiência ao serviço de FK Vojvodina, mesmo com aspectos deveras positivos, traria um enorme amargo de boca – “ (…) em 1986/87 tive uma grave lesão. Parti a perna, perónio e tíbia. Praticamente estive em risco de não voltar a jogar”*.
Ao ter feito parte do elenco responsável pela subida do FK Vojvodina ao escalão máximo, Djukic, já recuperado, manter-se-ia cedido ao clube da cidade de Novi Sad. Ainda assim, a meio da campanha de 1987/88, o avançado tomaria a decisão de mudar de emblema, passando a representar o FK Sutjeska. Os números apresentados durante os referidos empréstimos acabariam por justificar o seu regresso à colectividade detentora do seu passe. Nesse sentido, 1988/89 marcaria o regresso do atleta ao FK Partizan. Porém, ao imitar o ocorrido em épocas transactas, o ponta-de-lança tardaria em convencer os responsáveis técnicos pela colectividade e acabaria, mais uma vez, por deixar o listado alvinegro. 
Com o palmarés pessoal recheado pelas conquistas de 1 Campeonato e 1 Taça da Jugoslávia, Djukic passaria a temporada de 1989/90 e a de 1990/91 a representar, respectivamente, o Olimpija Ljubljana e os turcos do Trabzonspor. De seguida surgiria a oportunidade de viajar mais para ocidente e para competir nas provas portuguesas. No Farense a partir de 1991/92, o avançado, caracterizado pela forma aguerrida com que disputava cada lance, depressa conseguiria tornar-se num dos pilares das estratégias idealizadas por Paco Fortes. Quase sempre arrolado à titularidade pelo técnico catalão, o jogador, que, ainda hoje, é um dos atletas com mais partidas disputadas, na 1ª divisão, pelo emblema algarvio, acabaria por fazer parte daqueles que são os anos de ouro da colectividade sediada no Sotavento. Nesse rol de momentos inolvidáveis, os quais decorreriam ao longo de uma ligação de 7 campanhas consecutivas, o grande destaque viria com o 5º lugar alcançado no final do Campeonato Nacional de 1994/95 e com a correspondente e inédita classificação para as provas continentais. Com o clube luso inserido na Taça UEFA, a sorte ditaria o Olympique Lyon como o primeiro adversário e o atleta seria um dos escolhidos para, no Estádio São Luís, participar na estreia do conjunto português nas andanças europeias.

*retirado da entrevista de Berta Rodrigues, publicada a 24/05/2023, em https://maisfutebol.iol.pt/

1782 - FAJARDO

Formado nas “escolas” do Belenenses, João Paulo Silva Freitas Fajardo, ao subir a sénior na temporada de 1997/98, veria o clube sediado no Restelo, por razão da presença de elementos com mais tarimba, a negar-lhe um lugar no plantel principal. Ainda assim, a referida falta de espaço não faria com que os “Azuis” deixassem de acreditar no seu enorme potencial. Tal esperança nos valores futebolísticos do jovem intérprete, fariam com que os homens da “Cruz de Cristo” o indicassem para futuros empréstimos e depois de cumprir duas épocas nos Pescadores da Costa da Caparica, seguir-se-ia outro par de campanhas, dessa feita, com as cores do Atlético.
Depois de 4 anos cedido a outros emblemas, a temporada de 2001/02 marcaria o regresso de Fajardo à casa onde havia cumprido o percurso formativo. No entanto, apesar da confiança dada pelas experiências nomeadas no parágrafo anterior, a verdade é que o extremo, ou médio-ofensivo, nunca viria a conquistar um lugar de destaque no Belenenses. Mesmo com a estreia no escalão maior e com Marinho Peres, responsável por esse arranque primodivisionário, a mantê-lo no plantel de 2002/03, o jogador acabaria por dar outro rumo à carreira. Essa mudança levá-lo-ia, numa altura em que a colectividade militava na 2ª divisão, a rubricar um contrato com a Naval 1ª de Maio. Na Figueira da Foz a partir de 2003/04, embora num aparente passo atrás, o atleta conseguiria recuperar o entusiasmo de anos anteriores e seria com o listado verde e branco que acabaria por regressar ao convívio com os “grandes”. 
Ao fazer parte da estreia da Naval 1º de Maio nas pelejas do degrau maior, Fajardo, só por esse facto, sublinharia o seu registo nos anais do colectivo da Beira Litoral. Curiosamente, tendo envergado, ao longo da caminhada competitiva, diferentes camisolas, o jogador teria também no emblema figueirense a colectividade mais representativa da carreira. Os 4 anos passados no Estádio Municipal José Bento Pessoa, onde seria quase sempre titular, serviriam igualmente para alimentar a sua cotação. Nesse sentido, ao ser visto como um dos valores seguros a exibir-se nas provas lusas, o jogador acabaria por ser cobiçado por agremiações de maior craveira e o Vitória Sport Clube tornar-se-ia no seu novo grupo de trabalho.
Com a chegada a Guimarães a acontecer na temporada de 2007/08, Fajardo passaria a trabalhar sob as ordens de Manuel Cajuda, seu antigo treinador na Naval 1ª de Maio. Na “Cidade Berço”, mesmo sem conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis, o extremo seria utilizado com grande frequência. Nesse contexto competitivo, as suas exibições também contribuiriam para diversos momentos de inolvidável relevância na história do emblema minhoto. Logo na época de entrada, seria uma das caras do 3º lugar conquistado com o fim do Campeonato Nacional. Tal posição na tabela classificativa, naquela que é a prova de maior monta no calendário português, faria com que Fajardo, na campanha imediatamente a seguir, pudesse disputar a Liga dos Campeões. Na pré-eliminatória frente ao FC Basel, apesar do afastamento da agremiação portuguesa, o atleta viria a sublinhar ainda mais a sua importância e marcaria o primeiro golo dos vimaranenses na competição clubística de maior prestígio no cenário futebolístico global.
Talvez à procura de mais protagonismo, Fajardo, na temporada de 2009/10, seria apresentado como reforço do Panthrakikos. Todavia, a aposta no escalão máximo grego ficaria aquém do esperado e ainda no decorrer da aludida campanha, o jogador, de volta a Portugal, regressaria ao Belenenses. De novo a envergar as cores dos “Azuis”, a esperança de, de alguma maneira, relançar a carreira, também sairia gorada. Aliás, essa passagem pelo Restelo constituiria, no trajecto do atleta, a última presença na 1ª divisão. Daí em diante, com várias mudanças de clube, o jogador ainda vestiria as camisolas do Santa Clara, Farense, Moncarapachense e do 11 Esperanças. Depois, já com “as chuteiras penduradas” no termo de 2016/17, enveredaria pelas obrigações dadas a um técnico e após assumir tais tarefas nas camadas de formação do Farense e, como treinador-principal, ter estado à frente do Olhanense e do Louletano, o antigo futebolista aceitou, para esta temporada de 2026/27, o desafio lançado por Mitchell van der Gaag e apossou-se do cargo de adjunto do Marítimo.

1781 - MANU


Com o percurso formativo concluído ao serviço do Alverca, seria num empréstimo ao plantel de 2001/02 do Lourinhanense que Emanuel Jesus Bonfim Evaristo, popularizado no futebol pelo diminutivo Manu, daria os passos iniciais como sénior. Apesar de empurrado até ao 3º escalão luso, a verdade é que o jovem extremo, na sua passagem pela agremiação da região do Oeste, conseguiria exibir-se a um bom nível. Tamanho sinal, faria com que o emblema ribatejano, ainda com a mencionada época a decorrer, decidisse chamar de volta o atleta. No regresso, mesmo com o desaire colectivo a sentenciar o clube à descida de patamar, o atacante teria a oportunidade de jogar na derradeira jornada do Campeonato Nacional e faria, pela mão de Vítor Manuel, a estreia na 1ª divisão.
Mesmo com a época seguinte à da sua estreia como sénior feita na 2ª divisão e ainda com o estatuto de suplente, o atacante também entraria no rol de atletas que ajudariam ao regresso do emblema da metrópole lisboeta ao convívio com os “grandes”. Talvez por nunca ter conseguido assegurar-se como um dos titulares, a época de 2003/04, repetindo a cedência do início da carreira, aconteceria com as cores do Lourinhanense. Mais uma vez, as prestações edificadas com o listado verde e branco fariam com que o regresso a Alverca acontecesse ainda no decorrer da campanha do empréstimo. Já de novo sob a alçada de José Couceiro, Manu passaria a ser utilizado com alguma frequência e o extremo acabaria por ver o Benfica a interessar-se na aquisição dos seus serviços.
Apesar da ligação contratual às “Águias”, Manu seria incapaz de, nos 2 anos seguintes, reservar para si um lugar nos planteis comandados por Giovanni Trapattoni e por Ronald Koeman. A falta de espaço faria com que o avançado voltasse aos empréstimos, tendo passado, na campanha de 2004/05 pelos italianos do Carpenedolo e do Modena, para, na época seguinte, regressar aos “plateaus” primodivisionários, com as cores do Estrela da Amadora. Apesar de tanta errância, o jogador finalmente veria o seu trabalho a dar os frutos desejados e a temporada de 2006/07, com Fernando Santos à frente dos destinos técnicos dos “Encarnados”, oferecer-lhe-ia a oportunidade de “assentar arraiais” na Luz. Ainda assim, o extremo não haveria de convencer o “Engenheiro” a dar-lhe a titularidade e as poucas aparições em campo levá-lo-iam, em 2007/08, aos gregos do AEK de Atenas. 
Já desvinculado do Benfica, Manu acabaria por rubricar um contrato com o Marítimo de 2008/09. Em abono da correcção, a experiência do avançado na Madeira, onde permaneceria por um par de campanhas, acabaria por tornar-se, talvez, no período mais pródigo da sua carreira. Curiosamente, o acréscimo de cotação fá-lo-ia aceitar o convite do Legia Varsóvia. Na capital polaca, o atacante ainda teria uma primeira temporada promissora, com a conquistada da Taça a vincar as suas boas exibições. Contudo, a época seguinte sairia muito aquém das expectativas criadas de início e a meia das provas agendadas para 2011/12, o jogador deixaria o Leste da Europa para seguir em direcção à China.
A experiência asiática, no Beijing Guoan, serviria também para vincar uma caminhada competitiva muito marcada pelas mudanças de emblema. Aliás, daí em diante, Manu ainda vestiria uma boa quantidade de camisolas. Nos anos seguintes, entre as presenças em Portugal e no estrangeiro, o extremo acabaria igualmente por envergar, sempre por pouco tempo, as divisas dos cipriotas do Ermis Aradippou, do Pafos e as cores do Vitória Futebol Clube. Já com o fim da carreira bem à vista, numa temporada de 2018/19 dividida em duas partes, o jogador ainda teria forças para vir a apresentar-se pelo SL Cartaxo e pelo Vilafranquense.

1780 - RICARDO COSTA

Como um dos elementos em grande evidência nas “escolas” do Boavista, Ricardo Miguel Moreira da Costa depressa passaria a fazer parte dos planos idealizados pelos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Com o jovem defesa-central a conseguir a primeira aparição com a “camisola das quinas” logo no âmbito das partidas agendadas para os sub-15, esse desafio frente à Rússia, disputado a 17 de Fevereiro de 1996 e durante o qual seria orientado por António Violante, serviria de arranque a um total de 113 internacionalizações. Ainda no plano da senda formativa, o atleta começaria por participar nos grandes certames organizados para os respectivos patamares. Nesse contexto, estaria presente no Europeu de sub-16 disputado em 1996, na edição de 2004 do Europeu sub-21 e, já com a equipa de sub-23, treinado por José Romão, nos Jogos Olímpicos de 2004. Contudo, o grande destaque emergiria com a sua chamada ao Europeu sub-18 de 1999. No torneio disputado na Suécia, chamado por Agostinho Oliveira, o jogador participaria como titular na final frente a Itália e ajudaria o conjunto luso a regressar a Portugal com o título de campeão.
Voltando ao percurso clubístico, e apesar de ter concluído a parte formativa com as cores do Boavista, seria ao serviço do FC Porto que Ricardo Costa começaria a caminhada enquanto sénior. Com a entrada na equipa “B” dos “Azuis e Brancos” a acontecer na temporada de 2000/01, essa época a trabalhar sob as instruções de Ilídio Vale, seria suficiente para que, logo na campanha seguinte, o defesa-central pudesse subir ao conjunto principal. Daí em diante, mesmo sem conseguir ser um dos titulares indiscutíveis, o jogador, pela segurança demonstrada, pelo entendimento do jogo, até pela humildade e capacidade de trabalho, começaria a dar indícios de vir a ser um intérprete de elite. A crescer a olhos vistos, 2004/05, numa época bastante conturbada para os “Dragões” e com 3 treinadores diferentes, serviria para que o atleta começasse a afirmar-se como um dos nomes em destaque na equipa sediada na “Cidade Invicta”. Porém, a conquista de um lugar no “onze” acabaria por ser posta em causa no decorrer das competições agendadas para 2006/07 e muito mais do que afastado da titularidade, o termo das referidas provas transformar-se-ia também no final da sua ligação ao FC Porto.
Por altura da sua saída do Estádio do Dragão, onde preencheria o palmarés com a conquista de 4 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal, 3 Supertaças, a Taça UEFA de 2002/03, a Liga dos Campeões de 2003/04 e a Taça intercontinental de 2004/05, Ricardo Costa já tinha conseguido um lugar na selecção “A”. Com um currículo invejável nas equipas jovens lusas e igualmente em termos do trajecto clubístico, o defesa-central, com todo o mérito, passaria a fazer parte dos planos dos diferentes treinadores responsáveis pelos destinos de Portugal. A prova dessa sua importância viria com a chamada a vários certames de grande monta e depois da convocatória a levá-lo, pela mão de Luiz Felipe Scolari, ao Mundial de 2006, ainda surgiram no seu caminho, respectivamente nas listas arroladas por Carlos Queiroz e, nas duas últimas ocasiões, por Paulo Bento, o Mundial de 2010, o Euro 2012 e o Mundial de 2014.
Com a já mencionada separação entre o atleta e o FC Porto, Ricardo Costa partiria em direcção à Alemanha. Ao rubricar um contrato com o Wolfsburg em 2007/08, o atleta encetaria um trajecto de 2 anos e meio a levá-lo, mesmo sem conseguir afirmar-se como um dos nomes mais vistos no “onze” titular, a vencer a edição de 2008/09 da Bundesliga. Depois viria a segunda metade de 2009/10 ao serviço do Lille e a sua contratação, já em 2010/11, por parte do Valência. Em Espanha, assumir-se-ia, quase sempre, como um dos jogadores em destaque nos “Che”. No entanto, seria também o período passado na La Liga, mormente o termo do mesmo, a empurrá-lo para os derradeiros capítulos da carreira. Ainda assim, mesmo ao entrar numa fase mais discreta da caminhada competitiva, a verdade é que o defesa-central ainda competiria durante vários anos e sempre, como aliás seria o apanágio do seu trajecto, ao mais alto nível. Então, a alimentar esses tempos, assomar-se-iam os qataris do Al-Sailyia, o PAOK, onde em 2015/16 seria campeão grego, o Granada, os suíços do Luzern, as duas épocas num Tondela primodivisionário e o “pendurar das chuteiras” no Boavista de 2019/20.
Praticamente com o fim da carreira como jogador, Ricardo Costa passaria a dedicar-se às tarefas de treinador. Inicialmente como adjunto, passaria pela B SAD e pelos juniores do FC Porto. Dando início à caminhada enquanto técnico-principal, o antigo defesa ainda manteria a ligação às “escolas” dos “Azuis e Brancos”. De seguida viria a aventura na Geórgia, à frente do FC Dila. Já de volta a Portugal, passaria a última temporada agarrado aos destinos do Feirense e, para 2026/27, já rubricou um contrato com o Tondela.

1779 - ALFAIA

Nelson Moreira de Lemos Alfaia, depois de terminar a formação nas “escolas” do Estrela de Portalegre teria, sem deixar o mesmo clube, a estreia no patamar sénior. Com essa temporada de 1985/86 a levá-lo às pelejas da 2ª divisão, as campanhas seguintes mantê-lo-iam, embora ao serviço de emblemas com diferentes aspirações e histórias, a envergar as camisolas de diversas colectividades a disputar os escalões inferiores do futebol luso. Nesse contexto, numa caminhada competitiva que, praticamente durante a metade inicial, seria alimentada por constantes mudanças, a seguir à agremiação mencionada no encetar deste texto surgiriam, em anos consecutivos, o Campomaiorense e o Desportivo de Portalegre. Depois viria a transferência para o plantel de 1988/89 d’ “O Elvas” e a entrada numa fase da carreira em que as escolhas do defesa-central recairiam em colectividades com objectivos vincadamente mais ambiciosos.
No emblema raiano, ainda com o clube no rescaldo da última participação no escalão máximo, Alfaia começaria por ser orientado por Mourinho Félix para, com a saída deste, passar a ser treinado por Carlos Cardoso. Sempre na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, mas sem que os “Azul e Oiro” conseguissem alcançar os lugares de subida, o defesa-central veria a Académica de Coimbra a apostar em si para reforço do plantel de 1990/91. Depois da experiência na “Cidade dos Estudantes”, nas duas temporadas seguintes surgiriam, respectivamente, o Rio Ave e o regresso ao “O Elvas”. Mais uma vez, os insucessos desportivos pareciam estar, cada vez, a afastá-lo de uma hipotética estreia nos “plateaus” primodivisionários. Seria então, na campanha de 1993/94, que o jogador rubricaria o contrato que acabaria por altera o seu paradigma competitivo e a chegada ao Leça iria pô-lo mais perto do convívio com os “grandes”. 
Em abono da verdade, o encetar do percurso do defesa-central no patamar mais alto não aconteceria nas imediações da sua entrada para o emblema sediado no concelho de Matosinhos. Primeiramente, o jogador ainda teria de desenovelar 2 campanhas no cumprimento das rondas agendadas para o escalão secundário. No final desse par de épocas, numa altura em que era treinado por Joaquim Teixeira, o atleta num grupo de trabalho onde também marcariam presença nomes como Vladan, Cao, Isaías, Armando, Sérgio Conceição, Constantino ou Serifo, seria um dos nomes arrolados aos vencedores do Campeonato da divisão de Honra. A aludida conquista faria com que os homens a exibirem-se com o listado verde e branco regressassem ao convívio com os “grandes” e Alfaia, com a promoção, teria a oportunidade de mostrar as suas habilidades nos grandes palcos do futebol luso.
Os 3 anos seguintes, com os números a apontá-lo como um dos principais intérpretes do Leça, serviram para cimentar Alfaia como um dos grandes nomes do emblema nortenho. Nesse sentido, mesmo com a descida administrativa do clube em 1998, o estatuto de elemento histórico ainda ficaria mais vincado com a permanência do jogador. Aliás, o total de 7 temporadas, em que permaneceria na colectividade dos arredores do Porto, faria igualmente do Leça o emblema mais representativo da sua carreira. Por fim, segundo a informação oferecida pelo “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o defesa-central aquando do termo da sua ligação aos leceiros, com uma sabática pelo meio, regressaria, em 2001/02, ao “O Elvas”, campanha durante a qual também desempenharia as funções de treinador.

1778 - SEO JUNG-WON

Ao ingressar no ensino superior na Korea University, Seo Jung-Won teria, igualmente na referida instituição, o arranque da carreira sénior. Depois desse início de caminhada na campanha de 1988, o extremo-direito, até concluir o curso, manter-se-ia a envergar a mesma camisola. Depois viria o primeiro contrato profissional e a ligação, a partir de 1992, ao Anyang LG Cheetahs. O jogador, caracterizado pela velocidade, habilidade com a bola nos pés e algum faro para o golo, rapidamente começaria a destacar-se dos demais colegas. Nesse sentido, até pelo percurso internacional já conseguido, não constituiria qualquer surpresa a sua inclusão no conjunto de sub-23 que, também em 1992, seria convocado para disputar os Jogos Olímpicos de Barcelona. As suas exibições seriam de tal ordem convincentes que, com o certame terminado, começariam a surgir alguns convites dos maiores emblemas europeus, incluindo o “gigante” FC Barcelona. O pior é que outros afazeres levariam a que não pudesse aceitar qualquer convite vindo do estrangeiro e o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia de volta à Coreia do Sul.
Durante o tempo em que cumpriria os deveres com o exército, Seo Jung-Won, por empréstimo, ver-se-ia obrigado, nos escalões secundários, a representar o Sangmu FC. Depois de passar a temporada de 1993 no mencionado emblema, o atacante acabaria por retornar à agremiação detentora do seu passe. De volta ao Anyang LG Cheetahs em 1994, seria por esta altura que o extremo, mais uma vez, tentaria a sua sorte na Europa. Reprovaria nos testes feitos na Alemanha e nos Países Baixos. Contudo, esse mesmo ano de 1994 ainda viria a tornar-se deveras importante para o atleta e com a chamada ao Campeonato do Mundo realizado nos Estados Unidos da América, o avançado, ao exibir-se nas cores da selecção coreana, participaria em 3 partidas e concretizaria 1 golo.
Já em 1997/98, Seo Jung-Won voltaria a tentar fixar-se na Europa. Ao rubricar um acordo com o Benfica, o extremo-direito ainda participaria nos desafios da pré-época. Mesmo ao entrar em campo em 4 particulares feitos pelo grupo de trabalho orientado pelo escocês Graeme Souness, e com o estágio realizado nos Países Baixos a dar indicações positivas, a verdade é que o jogador acabaria por ver recusada a intenção de mudar a carreira para Portugal. A razão, à altura especulada, surgiria da intransigência nascida no seio da federação coreana de futebol (KFA) que, com a desculpa de melhor preparar a participação no Mundial de 1998, recusar-se-ia a autorizar a transferência.
Curiosamente, seria antes ainda de disputar o Campeonato do Mundo realizado na França que Seo Jung-Won, finalmente, teria a oportunidade de encetar um trajecto fora de portas. Porém, ao assinar um contrato com os gauleses do Strasbourg, o atacante, com a chegada à Ligue 1 em Janeiro de 1998, não colheria os resultados há tanto perseguidos. Sem grande impacto nos desempenhos colectivos do conjunto sediado na região da Alsácia, o avançado, com a temporada de 1998/99 em andamento, acabaria mesmo por regressar à Coreia do Sul. Ao rubricar um contrato com os Suwon Samsung Bluewings, o atleta manter-se-ia fiel à mesma divisa durante um largo período de tempo e só em 2004/05, ao entrar na derradeira fase da carreira, é que viria a assinar pelo SV Wüstenrot Salzburg.
Com a sua passagem pela Áustria a estender-se até ao final de 2007/08 e depois de, também, vestir as cores do SV Ried e do BW Feldkirch, o jogador, com o termo da temporada ainda agora aludida, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”. Ao manter-se ligado à modalidade, o antigo avançado acabaria por encetar as suas actividades enquanto treinador. Nas novas funções, começaria por colaborar com a Korean Football Association. De seguida viria o regresso ao Suwon Samsung Bluewings e a entrada, em 2021, nos chineses do Chengdu Rongcheng FC.

1777 - CAETANO

Apesar de ter iniciado o percurso futebolístico nas “escolas” do Feirense, seria no Boavista que António de Oliveira Caetano concluiria a fase formativa da carreira. Aliás, a época de mudança para o Bessa coincidiria com a sua estreia nos conjuntos a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Com a primeira partida, no contexto dos sub-16, a acontecer a 12 de Fevereiro de 1983, esse jogo frente à Finlândia, durante o qual seria orientado por José Augusto, encetaria uma caminhada a levá-lo a vestir a “camisola das quinas” em diferentes escalões. A mencionada senda findaria com um total de 23 internacionalizações e teria o seu pináculo com a presença na edição de 1984 do Campeonato da Europa de sub-18.
Na equipa principal dos “Axadrezados”, onde chegaria pela mão de Henrique Calisto, Caetano, apesar de ser visto como uma boa promessa, revelaria algumas dificuldades em conquistar um lugar na equipa. Ao jogar pouco nos 3 primeiros anos, a temporada de 1986/87 parecia querer alterar esse paradigma. No entanto, o que viria a verificar-se na campanha seguinte devolveria o esquerdino ao olvido. Tal contratempo faria com que o defesa, que também actuava com a mesma facilidade no meio-campo, decidisse tentar a sorte noutros cenários e a mudança para o Estrela da Amadora fá-lo-ia reencontrar-se com uma cara muito importante no seu trajecto competitivo.
Com a chegada à Reboleira a suceder em 1988/89, o atleta voltaria a trabalhar com João Alves, seu antigo colega e treinador no Boavista. Sempre na disputa da 1ª divisão, a campanha seguinte à da sua entrada no emblema da Linha de Sintra traria, ao jogador, um dos grandes momentos da carreira. Com o Estrela da Amadora a atingir a derradeira ronda da Taça de Portugal, o jogador seria um dos eleitos do técnico referido neste parágrafo para disputar a final. Com o empate verificado nessa peleja inicial, a entrega do troféu decidir-se-ia numa segunda partida e mesmo afastado da finalíssima, Caetano viria a constar no rol de atletas vencedores da edição de 1989/90 da “Prova Rainha”.
Depois do feito relatado, com o “Luvas Pretas” a trocar os “Tricolores” pelo Boavista, Caetano, no regresso a uma casa bem conhecida, seria um dos reforços a chegar ao Bessa na temporada de 1990/91. Todavia, com João Alves a sair a meio da época e a ser apresentado, já na campanha seguinte, como o “timoneiro” do Vitória Sport Clube, o atleta, acompanhado na viagem do Porto para Guimarães por Jaime Alves e por Frederico, passaria a campanha de 1991/92 ao serviço do emblema sediado na “Cidade Berço”. Com a aludida transferência a gerar uma enorme polémica, a passagem de Caetano e Jaime Alves pelo Minho seria de curta duração e a recusa dos “Conquistadores” em pagar o montante estipulado pelas entidades gestoras do futebol português, faria com que ambos os atletas voltassem a envergar a camisola das “Panteras”.
A terceira passagem de Caetano pelo Boavista, treinado, dessa feita, por Manuel José, entregar-lhe-ia ao palmarés a vitória na Supertaça de 1992/93. Daí em diante, com alguma intermitência a afectar a sua titularidade, o jogador, ainda assim, conseguiria participar num número considerável de partidas. Também em 1992/93, o defesa voltaria a participar na final da Taça de Portugal, jogo perdido frente ao Benfica. Outro foco de interesse no decorrer dos 4 anos da sua derradeira ligação à colectividade da “Cidade Invicta”, emergiria das provas de índole continental, com os “Axadrezados” a atingirem os quartos-de-final da Taça UEFA de 1993/94. Porém, com a temporada de 1995/96 a trazer-lhe poucas oportunidades para aparecer em jogo, uma nova mudança de clube levá-lo-ia a envergar uma camisola diferente.
As duas épocas no Belenenses antecederiam a sua contratação por parte do Beira-Mar. Nessa temporada de 1998/99, como uma das caras habitualmente arrolada ao “onze” do emblema aveirense, Caetano entraria em campo na sua terceira final da Taça de Portugal. Chamado à equipa titular por António Sousa, o defesa-lateral, frente ao Campomaiorense, contribuiria para a inédita vitória dos “Auri-negros”. Na época seguinte à da conquista selada no Jamor, com os homens do Estádio Mário Duarte caídos no escalão secundário, o jogador, sem qualquer partida disputada durante a época de 1999/00, como que daria indícios de estar a aproximar-se do termo da carreira enquanto futebolista. O fim surgiria, então, com o fecho das provas agendadas para 2000/01 e com o atleta de regresso ao Feirense.
Praticamente a seguir a “pendurar as chuteiras”, Caetano encetaria a caminhada como treinador. Numa carreira com bastantes experiências como adjunto, o antigo jogador, nas funções de técnico-principal, orientaria diversos emblemas das divisões secundárias, nomeadamente o Feirense, o Desportivo da Aves, o Académico de Viseu, Sporting de Pombal, Esmoriz, Sanjoanense e Lusitânia de Lourosa.

1776 - ANDRÉ ALMEIDA

Com um percurso formativo preenchido por vários emblemas da área metropolitana de Lisboa, André Gomes Magalhães de Almeida teria no Belenenses o final desse trajecto e igualmente a estreia no universo sénior. Com a chegada à equipa principal dos “Azuis” a acontecer, pela mão de Jaime Pacheco, na temporada de 2008/09, o jovem jogador logo começaria a revelar capacidades competitivas acima da média. Aliás, as suas habilidades já tinham sido sublinhadas pelas chamadas às equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com a “camisola das quinas”, ainda no âmbito dos sub-18, o atleta teria a primeira aparição a 15 de Abril de 2008. Chamado por Ilídio Vale a uma partida frente à Bélgica, o médio-defensivo, que mais tarde viria a destacar-se nas laterais do sector mais recuado, encetaria um longo trajecto internacional e que iria levá-lo ao mais importante dos certames futebolísticos.
Ao serviço dos homens do Restelo, André Almeida chegaria ao final da campanha de 2010/11 já com a cotação bastante elevada. Tal facto levaria a que o Benfica decidisse apostar na sua contratação. Todavia, na chegada ao plantel de 2011/12 das “Águias”, onde, sob o comando de Jorge Jesus, passaria a enfrentar a concorrência de colegas como, Javi Garcia ou Maxi Pereira, a adaptação do jogador não seria fácil. Esse facto, a desaguar na pouca utilização verificada, faria com que a meio da época o atleta fosse emprestado ao União de Leiria. Na “Cidade do Lis”, sem sair do patamar máximo, o polivalente intérprete mostraria estar preparado para os desafios inerentes ao “manto sagrado” e logo na temporada seguinte apresentar-se-ia na Luz como um elemento deveras útil para os objectivos lançados ao colectivo.
Daí em diante, mesmo sem conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis dos “Encarnados”, André Almeida passaria a desempenhar um papel deveras importante no plantel do Benfica. Utilizado com bastante regularidade, o lateral-direito seria muito importante nos inolvidáveis sucessos materializados nessa e nas temporadas seguintes. Na época do seu regresso à Luz, a chegada à última ronda da Liga Europa tornar-se-ia num marco seriamente importante no colorir do seu currículo. Arrolado ao “onze” inicial na final frente ao Chelsea, o defesa veria os londrinos a levar de vencida a prova de cariz continental. Desaire idêntico, na disputa da mesma competição, vivê-lo-ia logo no ano seguinte. Dessa feita frente ao Sevilla, o desfecho da derradeira partida, no desempate por grandes penalidades, seria favorável aos espanhóis e o almejado troféu, mais uma vez, fugiria ao conjunto luso.
Todavia, a campanha de 2013/14 não seria, de todo, infrutífera. Apesar da desilusão experimentada na referida prova organizada pela UEFA, em termos internos, o Benfica, com André Almeida a emergir como uma das principais figuras, venceria praticamente tudo o que havia para ganhar. Na sequência dessa vitórias seguir-se-ia, na carreira do defesa, um dos momentos de maior monta. Chamado por Paulo Bento, o jogador, fruto das boas exibições efectuadas durante a época, acabaria incluído no grupo a viajar para o Brasil. Na disputa do Campeonato do Mundo de 2014, o atleta entraria em campo em 2 partidas de Portugal e apesar da prestação colectiva quedar-se bem aquém do projectado, a sua participação, em tão importante certame, configurar-se-ia, num cômputo de 38 internacionalizações, 8 delas “A”, como um dos principais marcos da sua caminhada competitiva.
Regressado às obrigações com o Benfica, André Almeida voltaria a figurar como um dos principais nomes associados aos sucessos colectivos do clube. Nesse sentido, o defesa, num total de carreira, contribuiria para a conquista de 5 Campeonatos Nacionais, 4 deles consecutivos e a darem às “Águias” o primeiro “tetra” da história do clube, Para além disso, o seu palmarés também ficaria recheado pelas vitórias em 2 Taças de Portugal, 4 Taças da Liga e 3 Supertaças. No entanto, assombrado por graves lesões, o jogador, nos últimos anos da carreira, começaria, eventualmente, a perder alguma preponderância. Já no decorrer da temporada de 2022/23, sem qualquer presença em campo na equipa liderada por Roger Schmidt, o atleta, ainda muito afectado pelas mazelas físicas, decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.
Após o anúncio do fim de carreira, André Almeida tem mantido a ligação ao Benfica e participou nesta época de 2025/26, ao serviço dos “Legends”, nas competições de futebol 6.

1775 - GOMES DA COSTA

Ao chegar à “Cidade Invicta” para dar continuidade aos estudos, Francisco Gomes da Costa também passaria a alimentar a sua paixão pelo “jogo da bola”. Atleta voluntarioso e de fino recorte técnico, o avançado, com apenas 17 anos de idade, logo entraria para a categoria de honra do FC Porto. Porém, mesmo ao causar um grande impacto nessa temporada de 1936/37, durante a qual seria treinado pelo austríaco Franz Gutkas, a verdade é que a prática desportiva jamais viria a transformar-se na grande prioridade da sua vida. Essa importância haveria de oferecê-la ao trajecto académico e o atacante, por razão de frequentar a Licenciatura em Medicina e igualmente pela paixão aos “Azuis e Brancos”, acabaria por recusar convites bem mais sedutores.
Mesmo tendo como companheiro Pinga, o seu grande ídolo, e de conseguir, logo no ano de estreia pela equipa principal dos “Dragões”, adicionar ao palmarés pessoal a vitória no Campeonato de Portugal, Gomes da Costa nunca ficaria tentado a descurar os estudos. Nesse contexto de vida, a exigência que as obrigações académicas obrigavam, fariam com que não actuasse, na época de 1938/39, em qualquer partida oficial agendada para o FC Porto. Tamanha ausência obrigaria o avançado a ficar excluído da lista dos atletas vencedores do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Ainda assim, já de regresso às actividades futebolísticas, o atacante, a posicionar-se, no “onze” idealizado por Miguel Siska, como interior-esquerdo, ajudaria ao “bis”, selado na campanha de 1939/40, na prova de maior monta no calendário luso.
Apesar de nunca, pelas razões perfeitamente explicadas anteriormente, ter tido o destaque que as suas habilidades competitivas mereciam, Gomes da Costa continuaria a participar nas pelejas do FC Porto. Num total de uma dezena de campanhas a vestir o listado vertical dos “Azuis e Brancos”, durante a qual também ajudaria ao triunfo em 8 Campeonatos “regionais”, o atacante, como referido, até poderia ter mudado de camisola. Porém, nem o convite da Académica de Coimbra, nem o vantajoso desafio financeiro lançado pelo Benfica, convenceriam o jogador a trocar de ares.
Mesmo tendo em conta as aludidas recusas, o atleta até defenderia outra divisa. Pela selecção de Portugal, naquela que vira a transforma-se na única internacionalização da sua carreira, o futebolista seria convocado a competir com a “camisola das quinas”. Chamado por Tavares da Silva a uma partida frente a Espanha, essa peleja, disputada a 6 de Maio de 1945, levá-lo-ia a viajar até galego Estádio Riazor e apesar de integrado num grupo de trabalho onde também marcavam presença Peyroteo e mais um enorme rol de ilustres figuras, o resultado de 4-2 seria favorável à “La Roja”.
Depois de retirado das competições futebolísticas no final da campanha de 1946/47, Gomes da Costa eventualmente acabaria por regressar a Vila Pouca de Aguiar. Na terra natal, onde passaria a exercer a profissão de Médico Dentista, também começaria a envolver-se na política e em 1964 tomaria posse como Presidente da Câmara Municipal da mencionada localidade transmontana.

1774 - ROLÃO


Com uma boa fatia da formação feita nas “escolas” do Sporting, Joaquim José Correia Rolão Preto teria no Clube Futebol “Os Unidos” a derradeira etapa do percurso formativo e a transição, na temporada de 1977/78, para o escalão sénior. Do emblema sediado na lisboeta freguesia de Carnide, com um hiato de um ano dedicado à Licenciatura em Desporto (ISEF), o jovem médio entraria para o plantel de 1980/81 do Eléctrico de Ponte de Sor. De seguida, já na 3ª divisão, viria a experiência no plantel de 1981/82 do Carvalhais, para, no ano seguinte, aceitar o convite de um Torreense orientado por Jesualdo Ferreira.
Da entrada no emblema da Região Oeste em diante, a carreira do médio assumiria contornos de maior seriedade. Nesse sentido, as duas épocas passadas no Estádio Manuel Marques, ambas na disputa dos lugares cimeiros da Zona Centro da 2ª divisão, serviriam de montra para que outras colectividades decidissem apostar na sua contratação. Com a mudança de Jesualdo Ferreira do Torreense para a Académica de Coimbra, Rolão transformar-se-ia num dos nomes recomendados pelo aludido treinador, no reforço do plantel. Ao serviço da “Briosa” a partir de 1984/85, o jogador, logo na primeira campanha, teria a estreia no escalão maior e ao assumir-se, daí para a frente, como um elemento importante nos desenhos tácticos dos diferentes técnicos saberia, na maioria das ocasiões, assegurar-se como um dos habituais titulares.
As 5 temporadas passadas na “Cidade dos Estudantes”, com as 4 primeiras cumpridas no degrau mais alto do futebol português, cimentá-lo-iam como um desportista de enorme gabarito e como alguém dono de um entendimento do jogo bem acima da média. Já com a cotação bem cevada, a temporada de 1989/90 levá-lo-ia a rubricar um contrato com um Nacional da Madeira a manter-se nas contendas primodivisionárias. No emblema do Funchal, mesmo sem conseguir reivindicar, com a regularidade esperada, um lugar no “onze”, o atleta veria a sua utilidade a mantê-lo na equipa. Porém, o final da campanha de 1990/91 ditaria a descida de patamar dos “Alvi-Negros”. Ainda assim, o regresso do médio às pelejas secundárias não seria de todo negativa e a época de 1991/92 daria azo a uma importante mudança na sua ligação com a modalidade.
Seria, então, na temporada referida no fechar do parágrafo anterior que Rolão transitaria das actividades como futebolista para as funções de treinador. Após assumir o cargo de técnico-principal dos madeirenses, o antigo médio, como adjunto de Carlos Queiroz, seu professor no ISEF, teria, em 1999, uma passagem pela selecção dos Emiratos Árabes Unidos. Já depois do regresso a Portugal, onde inicialmente aceitaria o comando do Câmara de Lobos, seria do Sporting, para adoptar o papel de adjunto de László Bölöni, que emergiria um novo desafio. Durante a estadia em Alvalade, transformar-se-ia num dos nomes a contribuir para a conquista da “dobradinha” de 2001/02 e para a vitória na Supertaça do ano seguinte. Porém, mesmo terminada a experiência nos “Leões”, a sua relação com o treinador romeno manter-se-ia durante largos anos. Rennes, AS Monaco, Al Jazira, Standard Liège, Al Wahda, Lens, PAOK e Al-Khor, sempre na composição da equipa técnica liderada pelo antigo timoneiro dos “Verde e Brancos”, preencher-lhe-iam o currículo até 2015. De seguida viria o cargo de Coordenador técnico na chinesa Figo Football Academy. Por fim, a passagem pelo Portimonense e o anuência ao convite endereçado pelo Torreense, onde, em 2022/23, preencheria o lugar de Coordenador Geral.
Paralelamente às actividades no futebol, Rolão também tem desempenhado o ofício de comentador desportivo, com o maior destaque a vir das suas participações no canal televisivo SPORT TV.

1773 - RAUL FIGUEIREDO

Filho de Raul Figueiredo “Tamanqueiro” e irmão mais velho de Manuel Filipe Figueiredo, antigo atleta do Benfica e do Torreense, Raul António Leandro de Figueiredo também viria a brilhar no futebol. Curiosamente, só com alguma idade é que o futuro defesa-central acabaria convencido a iniciar-se na modalidade. Primeiro, ao dar seguimento à sugestão de um velho amigo do pai, tentaria o Benfica. Ao falhar nos testes, passados uns tempos, por insistência do patrão da altura, viria a prestar provas no Belenenses. Mais uma vez ficaria aquém do esperado e só numa segunda tentativa haveria de conseguir ser aprovado pelos responsáveis técnicos dos “Azuis”.
Com a entrada nas “escolas” do Belenenses a acontecer em 1945, Raul Figueiredo teria na temporada de 1948/49 a derradeira campanha como júnior. Depois viria a passagem pelos “reservas” e ainda na época de 1949/50, no âmbito de uma digressão pela Alemanha, a estreia pelo conjunto principal. No entanto, apesar de aferido como um elemento de enorme potencial, o jogador, durante alguns anos, apenas conseguiria conquistar um lugar na equipa de secundária dos homens da “Cruz de Cristo”. A mudança de paradigma, com a primeira aparição, numa partida oficial da equipa de honra a acontecer pela mão de Fernando Vaz, começaria a despontar apenas em 1952/53. Ainda assim, a titularidade só viria a assumi-la na época seguinte e numa altura em que Feliciano já começava a aproximar-se do final da ligação ao clube lisboeta.
Daí em diante Raul Figueiredo passaria a figurar como um das figuras centrais nas metas traçadas pelo grupo de trabalho. Um dos momentos que viria a marcar a sua carreira acabaria por ser o Campeonato Nacional de 1954/55, perdido nos instantes finais da prova – “Foi a quatro minutos do fim, Di Pace cometeu falta a meio campo: Travassos marcou o «livre» para Mokuna. Avancei para o congolês e ele rematou contra a minha perna direita, ressaltando a bola para o lado de Martins, que estava desmarcado, pois Pires, na ânsia de me ajudar, deixara-o em liberdade. O Martins estava em «off-side», mas como a bola me batera na perna, estava em jogo quando rematou e fez o tento… Nem quero pensar na mágoa que senti… Foi tremendo!”*
Outro desses episódios surgiria, já com Raul Figueiredo a capitanear a equipa, na inauguração do Estádio do Restelo, a 23 de Setembro de 1956. Também entraria nesse rol de importância, apesar da sua ausência na final, a vitória na Taça de Portugal de 1959/60. No entanto, pelo meio de tantos momentos inolvidáveis, as 3 internacionalizações alcanças por Portugal tomariam outro peso na edificação da sua carreira. Tido como um intérprete incansável, de invejável estampa física, bom no jogo aéreo e com capacidade para controlar a bola com ambos os pés, o defesa-central teria, a 3 de Junho de 1959, a primeira partida disputada com as cores lusas. Depois de já ter sido convocado, sem entrar em campo, para os trabalhos da equipa “B” e até ter representado a selecção de Lisboa, o “amigável” frente à Escócia, durante o qual seria conduzido por José Maria Antunes, daria início a um trajecto que, ainda no decorrer do mesmo ano civil, dar-lhe-ia, no âmbito do apuramento para o Europeu de 1960, mais duas partidas frente à Republica Democrática da Alemanha.
Por fim, com termo da sua carreira como futebolista a acontecer no encerramento das provas agendadas para a temporada de 1959/60, falta assinalar os números a consagrar uma caminhada dedicada, em exclusivo, ao Belenenses e no espraiar da qual, num total de 11 épocas enquanto sénior, o defesa-central participaria em 126 jogos oficiais.

*retirado da entrevista publicada na revista “Crónica Desportiva nº25”, a 29/09/1957

1772 - YULIAN

Irmão mais novo de Nikola Spasov, Yulian Asanov Spasov também teria no futebol uma das suas grandes paixões. Descoberto por um “olheiro” da Akademik Sófia, o jovem praticante seria levado para as “escolas” do clube, onde cumpriria a totalidade do percurso formativo. Porém, com o Serviço Militar Obrigatório a coincidir com a idade da sua subida a sénior, o jogador ver-se-ia forçado a mudar de emblema. Já como elemento do plantel de 1981/82 do Lokomotiv de Ruse, o atleta, com habilidade para posicionar-se a médio-ofensivo ou a extremo-esquerdo, começaria a destacar-se dos demais colegas. Ainda que a disputar o escalão secundário da Bulgária, as suas exibições chamariam a atenção dos responsáveis por uma das históricas agremiações daquele país e concluídos os deveres com o exército, seria o Lokomotiv de Sófia a recebê-lo.
Com a entrada no emblema da capital a acontecer em 1983/84, a verdade é que chegada de Yulian ao escalão máximo não traria os resultados esperados. Com pouquíssima utilização por parte do Lokomotiv de Sófia, o médio, ao fim de um ano, viria a rescindir o contrato. De seguida viria o Cherno More e a campanha de 1984/85, durante a qual, pela primeira vez na carreira, viria a partilhar o balneário com o irmão mais velho. No emblema do Mar Negro, o jogador, de volta às pelejas primodivisionárias, teria uma primeira época de bons índices. Contudo, a temporada seguinte, traria ao emblema sediado em Varna, uma “chicotada psicológica” e a chegada de Spas Kirov ao comando técnico dos “Marinheiros”, ao empurrar o atleta para a lista de elementos a dispensar, acabaria por alterar todo o seu contexto competitivo.
Com a descida do Cherno More no final de 1985/86,Yulian, juntamente com o irmão, mudar-se-ia para os rivais do Spartak de Varna. No novo emblema, onde encontraria o internacional Gospodinov, nome com futura ligação ao futebol luso, o jogador conseguiria impor-se como um intérprete importante para os destinos da colectividade. Nos 3 anos subsequentes conservaria o mencionado estatuto. Seguidamente, já bastante valorizado pelas exibições esgrimidas, o jogador veria um convite a alterar-lhe o rumo da carreira. Desafiado pelo Paços de Ferreira a mudar de contexto competitivo, o médio-ofensivo chegaria a Portugal, onde, mais uma vez, partilharia o balneário com o Spasov. Rubricada a ligação com os “Castores”, na “Capital do Móvel” começaria por competir no 2º escalão. A preponderância revelada nos propósitos colectivos levá-lo-iam, principalmente na época a seguir à sua chegada às provas lusas, a tornar-se num pilar da equipa. Fulcral para os desenhos tácticos de Vítor Oliveira, numa altura em que tinha como parceiros outros conterrâneos, casos de Radi e Kasakov (antigo colega no Spartak de Varna), o atleta seria substancial na conquista da edição de 1990/91 do Campeonato da divisão de Honra e, com a consequente subida de degrau, para a estreia do clube ao convívio com os “grandes”.
O arranque das actividades na 1ª divisão de 1991/92, daria continuidade a uma ligação que levaria o médio-ofensivo a exibir-se durante 8 anos consecutivos com as cores do Paços de Ferreira. As 3 campanhas seguintes disputá-las-ia, de forma brilhante, no escalão máximo. Já a descida de patamar, confirmada no final de 1993/94, não faria com que o jogador deixasse o clube a exibir-se em casa no Estádio do Mata Real. Todavia, essa separação viria mesmo a acontecer e no começo da temporada de 1997/98, a derradeira campanha de Yulian enquanto futebolista, o Lusitânia de Lourosa apareceria na sua caminhada competitiva.
Após “pendurar as chuteiras”, Yulian regressaria à Bulgária e ao Cherno More. Na agremiação que tinha representado como jogador, o antigo médio, numa altura em que o lugar de treinador era ocupado por Radi, assumiria a função de Director-Administrativo. Mais tarde viria a aceitar o cargo de Director-Executivo e ainda, numa ligação a espraiar-se por cerca de uma década, passaria pela “pasta” de Administrador.

1771 - SPASOV

Nikola Asenov Spasov teria no Lokomotiv de Sofia o início da carreira sénior. Com o encetar das actividades a acontecer na temporada de 1977/78, logo na referida campanha, o avançado-centro, ao lado de colegas como Radi, daria a sua ajuda para que o emblema situado na capital búlgara viesse a sagrar-se campeão. No entanto, mesmo com o estímulo dado pelo troféu ganho e pela presença nas competições de cariz continental, a verdade é que o ponta-de-lança, no par de anos a suceder-se, nunca conseguiria afirmar-se como um dos elementos preponderantes no desenho táctico e em 1980/81 seria apresentado como reforço de uma nova colectividade.
A transferência para o FC Dunav, primordialmente assente no pressuposto de que iria começar a aparecer com maior regularidade, levaria Spasov a descer ao 2º escalão das provas búlgaras. Aliás, a aposta no emblema sediado na cidade de Ruse, onde voltaria a cruzar-se com um atleta com passagem por Portugal, nesse caso Tzvetan Danov, vetaria o jogador a uma experiência de 3 anos longe do patamar máximo. Por outro lado, o traquejo ganho durante o mencionado período levá-lo-ia a ser novamente cobiçado por uma colectividade com metas mais ambiciosas. O acréscimo no seu valor faria com que o Cherno More aferisse a sua contratação como bastante positiva e a mudança empurraria o avançado não só de volta à 1ª divisão, mas também a um dos melhores capítulos da carreira.
Os anos passados no Cherno More, mais a meia temporada vivida ao serviço do Spartak Varna, ciclo durante o qual teria sempre como companheiro de equipa o irmão Yulian, sublinhariam o avançado-centro como um intérprete de qualidade primodivisionária e como um goleador capaz de manter, ao nível da finalização, números bastante interessantes. A regularidade apresentada, numa altura em que a chegada a Portugal de atletas do antigo Bloco de Leste começaria a ser habitual, fá-lo-ia também a arriscar nas provas lusas. Porém, recebido pelo Farense a meio da campanha de 1986/87, Spasov nunca conseguiria impor-se no plantel algarvio. Nesse sentido, cumprido um ano e meio na colectividade do Sotavento, o ponta-de-lança tomaria a decisão de voltar a mudar de emblema e, ao partir em direcção a norte, rubricaria um contrato com o Salgueiros.
A entrada na agremiação do portuense bairro de Paranhos, após experimentar a 1ª divisão, levá-lo-ia, na campanha de 1988/89, a descer um degrau competitivo. Ainda assim, numa caminhada que viria a tornar-se deveras errante, o jogador com a passagem pelo Salgueiros e principalmente com a época de 1989/90 vivida com as cores do Paços de Ferreira, recuperaria o “élan” goleador. Com 34 remates certeiros ao serviço do emblema da “Capital do Móvel”, Spasov veria um acréscimo no seu valor a levá-lo, outra vez, a ser cobiçado, com o Beira-Mar a apostar na sua contratação seria o Beira-Mar. Já a exibir-se com o equipamento aurinegro, a campanha de retorno ao convívio com os “grandes” teria como pináculo, mesmo sem a presença do atacante no jogo decisivo, a chegada dos aveirenses à final da Taça de Portugal de 1990/91. O pior é que a sua importância no colo da equipa comandada por Vítor Urbano, contrariando os índices revelados anteriormente, não permitiriam que conservasse o lugar no grupo a trabalhar em casa no Estádio Mário Duarte. Mesmo tendo em conta o pequeno desaire, o avançado conseguiria manter-se pelo escalão máximo e, em 1991/92, regressaria à Mata Real.
O ano cumprido com as divisas do Paços de Ferreira findaria a sua passagem pelo patamar maior do futebol luso. De seguida viriam, sempre com um ano em cada emblema, o Rio Ave, o regresso aos búlgaros do Cherno More e o fim da carreira no Freamunde de 1994/95. Logo de seguida encetaria a sua caminhada como treinador. Sucedendo-se ao tempo passado entre Portugal e Espanha, emergiriam os anos no Leste da Europa, nomeadamente no seu país natal. Por entre um rol considerável de diferentes emblemas, nos quais viriam a incluir-se as passagens pelo Casaquistão e pela Macedónia do Norte, os grandes destaques surgiriam com mais uma ligação ao Cherno More, pelo qual, nas temporadas de 2014/15 e na seguinte, venceria respectivamente a Taça e a Supertaça da Búlgaria. 

1770 - ALFREDO GUIMARÃES

Formado nas “escolas” do Vitória Sport Clube, Alfredo da Costa Silva Guimarães teria a primeira oportunidade na equipa principal dos “Conquistadores”no decorrer da temporada de 1972/73. Lançado por Mário Wilson, o jogador, caracterizado pela baixa estatura, mas igualmente pela velocidade e habilidade acima da média, revelaria a capacidade para, ao longo de uma carreira dada mormente aos trabalhos consignados aos intérpretes posicionados nas vertentes periféricas do campo, desempenhar diferentes tarefas. Inicialmente como avançado-centro, mas a destacar-se como extremo-esquerdo para, mais tarde, passar a cumprir as funções de um defesa canhoto ou dextro, o jovem praticante, ainda assim, demoraria algum tempo até conseguir impor-se como um elemento preponderante nas escolhas técnicas. Nesse sentido, após o arranque da caminhada entre os seniores, nomeadamente na campanha seguinte ao já referido encetar de actividades, o atleta haveria de passar por um empréstimo e seria a AD Fafe, depois de uma curta viagem dentro do Minho, a recebê-lo nas contendas agendadas para 1973/74.
Os parâmetros competitivos sublinhados durante a cedência aos homens a equipar de amarelo, serviriam para assegurar o seu regresso à “Cidade Berço”. De volta ao grupo de trabalho do Vitória Sport Clube, Alfredo Guimarães, ainda orientado pelo “Velho Capitão”, teria na época de 1974/75 um acréscimo considerável de presenças em campo. Ainda no que respeita a esses números, a campanha seguinte, em semelhança com a anterior, seria bastante importante. No entanto, a temporada de 1975/76 teria outra magia, com a chegada dos minhotos à derradeira etapa da Taça de Portugal a conferir outro “élan” aos desempenhos do jogador. Na apelidada “Prova Rainha”, chamado por Fernando Caiado à final, o defesa apresentar-se-ia no Estádio das Antas como um dos nomes arrolados à titularidade. Infelizmente para o seu lado, o 2-1 registado no “placard” seria favorável ao Boavista e o troféu partiria em direcção aos escaparates do Bessa.
Daí em diante, Alfredo Guimarães passaria a assumir-se como um dos elementos regularmente chamados ao “onze” inicial. O lateral-esquerdo, que seria convocado aos trabalhos dos conjuntos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol e que, sem nunca ter jogado com as cores lusas, haveria de ocupar um lugar no banco de suplentes da equipa “B”, passaria a ser aferido como uma das figuras mais proeminentes nos desenhos tácticos do Vitória Sport Clube. Todavia, mesmo com a ligação entre a agremiação e o jogador a cimentar-se, só no que à camisola principal diz respeito, no decorrer de 7 anos, o termo da ligação entre ambos conheceria o fim com o remate das provas de 1979/80 e a escolha do atleta, para dar seguimento à carreira enquanto futebolista, recairia no Belenenses.
No Restelo a partir de 1980/81, a entrada de Alfredo Guimarães no grupo de trabalho dos “Azuis” em pouco alteraria a condição de titular trazida de anos anteriores. Já a temporada seguinte, tanto em termos pessoais, mas principalmente na avaliação atribuída ao colectivo “alfacinha”, ficaria bem abaixo do expectável. Alias, a última jornada do Campeonato Nacional de 1981/82 selaria algo de insólito no futebol português. Com a inédita descida do Belenenses a acentuar negativamente um ano menos conseguido por parte do defesa-lateral, a mudança de colectividade, ainda assim, levá-lo-ia até a um Ginásio de Alcobaça a estrear-se no escalão máximo. Como elemento do emblema sediado na Região Oeste, o atleta, em 1982/83, voltaria a desiludir-se na luta pela permanência. No seguimento de mais uma despromoção, uma nova transferência afastá-lo-ia, em definitivo, das contendas primodivisionárias e o Desportivo de Chaves, a AD Fafe, o Beira-Mar, o Paredes e o Celoricense completariam uma caminhada que, como futebolista, findaria em 1990/91.
Depois de “penduradas as chuteiras”, Alfredo Guimarães manter-se-ia ligado à modalidade e entre as funções de treinador-adjunto e técnico-principal, o antigo defesa teria experiências, a exemplo, na AD Fafe e Pevidém.

1769 - MATOS

Formado no FC Barreirense, haveria de ser no emblema da Margem Sul que José Fernando Silva Matos faria a estreia enquanto futebolista sénior. Nessa temporada de 1982/83, na qual participaria nas disputas da Zona Sul da 2ª divisão, o defesa-lateral poucas oportunidades conseguiria para demonstrar o seu valor. Nas épocas seguintes, sem deixar o referido patamar competitivo, o cenário pessoal do jogador começaria a mudar progressivamente e a campanha de 1984/85 acabaria a trazer-lhe a titularidade.
A constante chegada ao “onze” do FC Barreirense faria com que outras colectividades, nomeadamente aquelas ligadas às contendas de maior monta, começassem a reparar nas suas habilidades dentro de campo. O acréscimo de importância, verificado nesse período inicial da carreira, faria com que o Marítimo aferisse a sua contratação como benéfica para a valorização do plantel. Nos “Leões do Almirante Reis” a partir da temporada de 1985/86, o lateral-direito, estreante na 1ª divisão, teria em Mário Nunes o treinador a lançá-lo nas sendas do degrau maior do futebol luso. Mesmo sem qualquer experiência no referido plateau competitivo, a verdade é que Matos não ficaria, de todo, atrapalhado. Com presenças na maioria das jornadas do Campeonato Nacional, o atleta revelar-se-ia como um dos grandes destaques do conjunto madeirense. Essa constância exibicional, a levá-lo a merecer a confiança dos demais técnicos, saberia, com algumas excepções, conservá-la no par de campanhas seguintes. O contrário viria a verificar-se já no desenovelar de 1988/89 e a quebra de presenças nas fichas de jogo, ao fim de 4 anos na cidade do Funchal, fá-lo-ia mudar de rumo.
Com uma curiosa inscrição na página electrónica da Federação Portuguesa de Futebol a dá-lo, no arranque da temporada de 1988/89, como elemento do plantel do Beira-Mar, o que consegui apurar é que, no que diz respeito às aparições em campo, na mencionada época, Matos apenas contabilizaria jogos oficiais pelo Portimonense. No Algarve, ainda a pelejar nos cenários competitivos da 1ª divisão, o defesa-lateral, embora utilizado com uma frequência bastante aceitável, não conseguiria recuperar os números alcançados em anos pretéritos. De seguida, consumada a descida do listado alvinegro e a fazer fé na informação dada pelo “site” mencionado no início deste parágrafo, o jogador, mais uma vez, apareceria no encetar da campanha a exibir-se com um emblema para, no que aos registos de jogo diz respeito, apenas contabilizar presenças já ao serviço de outra agremiação. No entanto, independentemente do momento em que haveria de verificar-se a transferência, o que mais interessa retirar dessa mudança, é que o jogador, ao deixar o Barlavento para regressar ao FC Barreirense, jamais voltaria a calçar as chuteiras no universo primodivisionário.
Depois, já encetado o derradeiro trecho da sua carreira com o ano passado no emblema onde havia concluído a formação, Matos, que findaria a vida de futebolista com o termo das provas agendadas para a temporada de 1993/94, também continuaria a alimentar uma fase mais errante da caminhada competitiva. Nesse sentido, com mudanças de agremiação a cada ano cumprido, o lateral-direito ainda viria a representar, apresentados por ordem cronológica, os grupos de trabalho do Vila Real, do Montijo e da Quimigal.

1768 - MILINKOVIC

Natural da antiga Jugoslávia, Nikola Milinkovic teria no Radnicki Zdena o primeiro emblema na carreira sénior. No entanto, com o despoletar da guerra nos Balcãs, o médio-ofensivo largaria o emblema bósnio para vir a juntar-se ao FK Becej. Seria já como elemento do emblema sérvio que o jogador, ao destacar-se na subida da colectividade ao escalão máximo, começaria a ser cobiçado noutros campeonatos, nomeadamente nas ligas situadas na Europa Ocidental. Nesse contexto, o atleta acabaria por ser apresentado como reforço do plantel de 1993/94 do Lleida e passaria, com a transferência consumada, a disputar o principal patamar da La Liga.
A sua primeira temporada em Espanha terminaria com a descida do emblema por si representado. Como um dos titulares, Milinkovic ainda manteria a ligação com a equipa catalã por mais uma temporada. Contudo, falhada a subida, a aposta do jogador, para a campanha de 1995/96, recairia na proposta feita pelo Almería. A passagem do médio-ofensivo pela Andaluzia, com as pelejas colectivas a mantê-lo apenas nas lutas pela manutenção, seria ainda mais curta. Seguir-se-ia, logo na época de 1996/97, o convite do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, como um intérprete maduro, o atleta não teria qualquer dificuldade em impor-se no grupo de trabalho sob as instruções de José Romão e o jogador, estreante na 1ª divisão, seria um dos bons destaques do Campeonato Nacional de 1996/97.
Depois do arranque das actividades profissionais em Portugal, Milinkovic continuaria a envergar as cores dos “Flavienses”. Conservando igualmente os índices exibicionais, o médio-ofensivo, caracterizado pela boa leitura de jogo e pela qualidade de passe acima da média, não resistiria a um novo apelo vindo do outro lado da fronteira e, com a temporada de 1997/98 a meio, regressaria a Espanha. De novo a exibir-se no escalão secundário de “nuestros hermanos”, dessa feita com a camisola do Ourense, o jogador, resultado da forte aposta da agremiação galega no “mercado” português, viria a partilhar o balneário com Vítor Silva, Bizarro, Djurdjevic, Riça e Gaúcho. Porém, cumprida outra metade de época, o atleta acabaria por voltar aos cenários lusos e ao serviço do Alverca, para onde entraria com as provas de 1998/99 em andamento, encontraria a colectividade mais representativa de toda a sua passagem pela Península Ibérica.
Nos ribatejanos, Milinkovic voltaria a trabalhar com José Romão. No que restaria da campanha assinalada no final do parágrafo anterior, como nas duas seguintes, o médio-ofensivo manter-se-ia, sem deixar de ser um dos titulares do Alverca, nas contendas agendadas para a 1ª divisão. As épocas tranquilas vividas em Portugal, nas quais vincaria as suas qualidades futebolísticas, antecederiam outro dos grandes capítulos do seu trajecto profissional. Nesse trecho, a chegada à Áustria em 2001/02, mesmo tendo em conta os 33 anos de idade, revelaria um jogador com uma enorme vontade para dar seguimento à senda competitiva. Logo na campanha de chegada ao Grazer AK, o atleta contribuiria para a vitória na ÖFB-Cup. O mesmo título repeti-lo-ia em 2003/04, época em que também faria parte da lista de vencedores da Bundesliga austríaca.
Daí em diante, segundo a página oficial da Österreichischer Fußball-Bund, Milinkovic, na temporada de 2004/05, ainda representaria o Admira Wacker. Na campanha seguinte, neste caso tendo em conta outras fontes, o médio-ofensivo, começaria pelos sérvios do Radnicki Nis para, como nos diz outra vez o “site” da federação austríaca, terminar a época no USV Müllex Markt Hartmannsdorf. Depois viria a longa sabática de 5 anos e o espantoso regresso, em Janeiro de 2011, ao serviço do ESV Florio Ehlers. Mesmo tendo em conta a barreira dos 40 bem ultrapassada, o jogador ainda revelaria energia para prolongar a carreira e depois de vestir as camisolas do FC Celik Pötzleinsdorf, do UFC Schützen am Gebirge e do AS Koma, já com 45 anos de idade e no final da temporada de 2013/14, decidiria ser o momento certo para “pendurar as chuteiras”.
Paralelamente à derradeira fase da caminhada enquanto futebolista, Milinkovic também experimentaria as tarefas de treinador e nessas funções passaria pelas “escolas” do SK Cro-Vienna, pelo SV Albania e pelo 1.Simmeringer Sportclub.
Por fim, em jeito de curiosidade, falta referir que Nikola Milinkovic é pai dos futebolistas internacionais sérvios  Sergej Milinkovic-Savic e Vanja Milinkovic-Savic  e da basquetebolista, também internacional pela Sérvia, Jana Milinković-Savic.

1767 - JOSÉ MANUEL

Descoberto no CA Rio Tinto, para onde entraria em 1971/72, José Manuel Martins Moreira começaria a destacar-se como um intérprete rápido e com habilidade para chegar a zonas de golo. Ainda assim, apesar de reconhecidos os seus predicados, só alguns anos mais tarde é que o atacante teria a oportunidade de subir alguns degraus competitivos. A ocasião surgiria no Alto Alentejo e o atleta, na temporada de 1974/75, seria apresentado como reforço do Estrela de Portalegre.
Mesmo com o enorme pulo competitivo, salto a levá-lo dos “distritais” da Associação de Futebol do Porto até à 2ª divisão nacional, José Manuel não revelaria qualquer dificuldade em adaptar-se. Num grupo de trabalho onde, ao longo dos anos, iria a encontrar-se com nomes de tradição no futebol português, casos de Paris, Prieto, Figueiredo ou Leitão, as exibições que, dai em diante, iria conseguir levantar, nomeadamente na temporada de 1976/77, levá-lo-iam a ser cobiçado por outros emblemas. A referida campanha, na qual o Estrela de Portalegre, conduzido por Mourinho Félix, ficaria à beira de conseguir uma inédita subida ao escalão maior, servira de grande tónico para o seu crescimento e a transferência, consumada após o termo da aludida época, levá-lo-ia de novo ao Norte do país.
Apesar de rondado pelo FC Porto de José Maria Pedroto, José Manuel, em 1976/77, preferiria a proposta feita pelo Boavista. No entanto, no Bessa, onde passaria a ser orientado por Fernando Caiado, aquela que prometia ser a temporada da sua afirmação ficaria manchada pelas lesões. Também na época seguinte, as mazelas físicas viriam a afectá-lo. Ainda assim, jogaria com um pouco mais de frequência. Nesse sentido, nas provas internas, o extremo participaria na gloriosa campanha da Taça de Portugal, a levar os “Axadrezados” até à derradeira ronda da competição. No Jamor, tanto na final, como na finalíssima, o avançado não seria chamado, por Jimmy Hagan, a entrar em campo. Porém, com a sua participação nas eliminatórias anteriores e com a vitória, no Estádio Nacional, consumada frente ao Sporting, o atleta acabaria também arrolado como um dos homens responsáveis pela conquista do troféu correspondente à vitória na “Prova Rainha” de 1977/78.
O desaire pessoal vivido com as “Panteras” faria com que José Manuel fosse empurrado para as contendas do patamar secundário. No entanto, a entrada no plantel de 1979/80 do Amarante teria como principal proveito o regresso do jogador aos índices exibicionais de anos anteriores. Volvidas duas temporadas, surgiria a oportunidade do extremo voltar a exibir-se entre os “grandes”. Contratado pelo Rio Ave, o atacante encontrar-se-ia novamente a trabalhar sob as instruções de Mourinho Félix. Logo nessa temporada de 1981/82 seria peça importante no histórico 5º lugar, alcançado pela colectividade de Vila do Conde, no termo do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, numa caminhada que ficaria marcada por inúmeros regressos, surgiria a contratação pelo Boavista e o atleta, de volta ao Estádio do Bessa, integraria o grupo de trabalho pensado para 1982/83.
Duas épocas, algo discretas, ao serviço dos “Axadrezados” precederiam a sua entrada no Salgueiros. Em Paranhos, inicialmente treinado por Henrique Calisto, o jogador ainda viria a recuperar alguma da preponderância passada. Porém, as mazelas trazidas de pretéritos episódios e a entrada na veterania, progressivamente acabariam por afastá-lo da titularidade. Ainda assim, a passagem de 4 temporadas pelo Estádio Vidal Pinheiro teria o condão de dar ao currículo do jogador um somatório de 9 campanhas cumpridas nos cenários primodivisionários. De seguida, com a experiência no Felgueiras de 1989/90 pelo meio, emergiriam, em definitivo nos patamares secundários, as épocas de 1988/89 e de 1990/91 com as cores do Rio Ave. Seria nesses anos de “caravela” ao peito que o atacante acabaria por ser orientado por Mário Reis e a ligação criada entre o treinador e o atleta ira alterar o futuro de José Manuel. 
Com as “chuteiras penduradas”, José Manuel passaria a dedicar-se às actividades de técnico. Como ajunto do treinador referido no final do parágrafo passado, o antigo futebolista passaria por diversos emblemas e por entre Felgueiras, Rio Ave, Salgueiros e União de Leira, o grande destaque viria para o período no Boavista e para a sua ajuda nas conquistas da Taça de Portugal de 1996/97 e na Supertaça da temporada seguinte.