1750 - BAPTISTA

Carlos Baptista de Jesus seria descoberto no Paço de Arcos para, na temporada de 1939/40 ingressar na equipa principal do Carcavelinhos. Com o emblema lisboeta a militar na 1ª divisão, o jogador, mesmo sem experiência competitiva no escalão onde estava inserido, depressa conseguiria assegurar um lugar no “onze”. Defesa-central robusto e impetuoso, características que haveriam de valer-lhe a alcunha de “back da morte”, o jogador, daí em diante, manteria a preponderância no idealizar do alinhamento titular das diferentes equipas pensadas pelos responsáveis técnicos.
Mesmo com a fusão do Carcavelinhos com o União Lisboa, casamento que, na campanha de 1942/43, marcaria o arranque do Atlético Clube de Portugal nas provas futebolísticas lusas, o jogador, muito mais do que ser incluído na junção dos dois planteis, também viria a manter-se como um dos pilares da nova agremiação “alfacinha”. Na Tapadinha ajudaria aos grandes feitos do recém-criado clube na década da sua fundação e igualmente na seguinte. Nesse sentido, logo em 1943/44, participaria na estreia no novo emblema na 1ª divisão e no 3º posto da tabela classificativa com que a colectividade terminaria o Campeonato Nacional. No entanto, com a participação na prova de maior monta no calendário português ainda dependente das prestações nos respectivos “regionais”, os homens de Alcântara teriam uma curta sabática e o regresso ao convívio com os “grandes” dar-se-ia em 1945/46.
Mas não seria só no Campeonato Nacional, onde, em 1949/50, o Atlético viria a repetir o 3º lugar, que Baptista conseguiria enormes louvores. Esses destaques que, por diversas vezes o levariam à selecção de Lisboa, também seriam deveras úteis na progressão do colectivo por si representado, na Taça de Portugal. Na apelidada “Prova Rainha”, as duas edições merecedoras de maiores elogios acabariam por ser a de 1945/46 e a de 1948/49. Na primeira dessas campanhas, o emblema sediado no popular bairro “alfacinha” de Alcântara, teria de enfrentar, na final, o Sporting. Chamado ao alinhamento inicial por Cândido Tavares, o defesa-central, em pleno Estádio Nacional, veria o Sporting vencer o seu lado por 4-2. Já três anos depois, dessa feita chamado ao Jamor por Pedro Areso, o jogador teria no Benfica o carrasco dos seus intentos e mais uma vez veria partir o almejado troféu na direcção dos escaparates dados aos rivais.
Até à temporada de 1951/52, última época do defesa na equipa da Tapadinha, não mais o Atlético veria negada a sua participação na 1ª divisão. Tal registo faria com que Baptista, titular na maioria das ocasiões, viesse a registar números a empurrá-lo para o pódio dos jogadores com mais participações pelo clube no escalão máximo. Esse 3º lugar, somente atrás de Carlos Martinho e de Armando Carneiro, resultaria de um total de 157 rondas disputadas. Anos mais tarde, o atleta ainda voltaria a unir-se à colectividade lisboeta. Entretanto, numa altura em que passaria a assumir-se como treinador-jogador, seriam as divisas de Peniche, Águias de Vila Franca e Tramagal a preencher o seu percurso. Depois, como mencionado mais acima, surgiria o regresso a Alcântara e as experiências como técnico das “escolas”, onde orientaria Germano, e até mesmo as funções assumidas à frente do conjunto principal.

1749 - MAKUKULA

Descoberto no Association Sportive Vita Club, emblema sediado na capital Kinshasa, Jean-Baptiste Makukula Kuyangana deixaria o Zaire, actualmente designado por Republica Democrática do Congo, e teria no RFC Seraing o primeiro emblema na Europa. Depois dessa experiência na edição de 1985/86 da divisão máxima da Bélgica, onde ajudaria a referida colectividade na luta pela manutenção, seguir-se-ia a França, a curta passagem pelo modesto Le Touquet AC e a entrada no Amiens. Porém, com o possante avançado a manter-se pelos escalões inferiores do futebol gaulês, o convite de uma agremiação portuguesa fá-lo-ia regressar ao patamar maior de uma das ligas do “Velho Continente” e o ponta-de-lança, para a temporada de 1988/89, seria apresentado como reforço do Leixões.
Em Matosinhos, treinado inicialmente por António Morais, Makukula, apesar do desaire colectivo, apresentar-se-ia como uma das boas surpresas dos homens a actuar em casa no Estádio do Mar. Tal destaque, mesmo com a despromoção do Leixões ao escalão secundário, valer-lhe-ia a transferência para outro emblema com forte tradição nas provas lusas. Já em Setúbal, o jogador saberia igualmente conquistar a titularidade no grupo de trabalho do Vitória Futebol Clube. Num conjunto orientado por Manuel Fernandes e, com a saída deste, guiado por Conhé, o atleta integraria um sector ofensivo onde também estariam em destaque os internacionais Mladenov e Aparício. Apesar da forte concorrência por um lugar no “onze”, o avançado-centro, com bons índices exibicionais, conservar-se-ia como um dos grandes intérpretes daquela que é a prova de maior monta no calendário português. O estatuto mantê-lo-ia no ano seguinte e só na 3ª campanha ao serviço dos “Sadinos”, é que veria a sua valia a ser contestada por outros colegas.
Com um percurso internacional feito pela selecção do Zaire, ao longo do qual viria a cruzar-se com outros nomes bem conhecidos do futebol português, casos de Basaúla , Kipulu, N’Kongolo ou N’Dinga, Makukula, com a saída do Estádio do Bonfim, encontraria no Desportivo de Chaves a nova casa. Com a chegada a Trás-os-Montes a acontecer na campanha de 1992/93, o ponta-de-lança apanharia os “Flavienses” na disputa pela 1ª divisão. No entanto, tal como já tinha acontecido aquando da sua chegada a terras lusas, o jogador veria a sua equipa a falhar na luta pela permanência. Com a descida, a preferência dada pelo atleta recairia no convite endereçado pelo Lusitânia de Lourosa e o atacante, logo no ano de entrada na agremiação do distrito de Aveiro, faria parte do colectivo que conseguiria chegar às meias-finais da edição de 1993/94 da Taça de Portugal.
A contar com um segundo ano como atleta do Lusitânia de Lourosa, é correcto dizer que, posteriormente à época de 1994/95, não consegui encontrar mais nenhum registo a falar-nos da sua carreira. Curiosamente, Makukula, por essa altura, apenas contava com 29 anos, idade um pouco prematura para que pusesse um ponto final à sua caminhada enquanto futebolista. Se foi esse o caso, não poderei garanti-lo. Por outro lado, posso referir a leitura de alguns comentários feitos em fontes pouco fidedignas e a especularem sobre uma possível ida do atleta até às provas francesas. Qual a verdade? Volto a frisar que não sei. Ainda assim, espero por algum esclarecimento dos nossos leitores!

1748 - PADINHA

Ao concluir o percurso formativo ao serviço do Benfica, seria ainda como elemento das “escolas” das “Águias” que Paulo José Vieira Padinha seria chamado aos trabalhos orientados para as jovens equipas sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os actualmente designados como sub-16, a estreia do médio-ofensivo com as cores lusas ocorreria, a 26 de Fevereiro de 1979, pela mão de Peres Bandeira. Depois desse encontro frente à Dinamarca, o atleta, ao demonstrar enorme potencial técnico e táctico, continuaria a ser arrolado aos compromissos agendados para a “camisola das quinas”. Nos anos seguintes passaria por outros escalões, participaria na edição de 1980 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA e arrecadaria, para o currículo, um total de 15 aparições por Portugal.
No que respeita ao caminho clubístico, Padinha teria na temporada de 1981/82 as primeiras oportunidades na equipa principal do Benfica. A esses passos iniciais, dados sob a orientação do magiar Lajos Baróti, seguir-se-iam outros já sob as instruções de Sven-Göran Eriksson. No entanto, na época de 1982/83, que começaria de forma bastante prometedora para o jovem atleta, um enorme revés acabaria por afectar toda a carreira do médio-ofensivo – “A lesão no joelho era grave, mas era recuperável. Fui operado e tudo. O problema foi que, quando voltei a treinar, caí sobre o tal  joelho [direito] e destruí as cartilagens todas. Nunca voltei a ser o que era. Tinha 20 anos. E com 20 anos, tens é que jogar. Quando terminei a minha carreira, com 28 anos, no Estrela da Amadora, já só jogava com o pé esquerdo. A perna direita não servia para nada. E sempre fui destro.”*
Daí em diante, o desenvolvimento de Padinha estagnaria. Com dezena e meia de partidas disputadas em 5 temporadas como sénior, para o jogador começariam a ser equacionados outros cenários competitivos. O primeiro desses plateaus surgiria com o empréstimo ao plantel de 1986/87 do Portimonense. No Algarve, sem deixar o contexto primodivisionário, pouco jogaria. Também no regresso à Luz, já na campanha de 1987/88, seriam escassas as ocasiões em que apareceria em campo. No entanto, uma nova cedência na época de 1988/89, dessa feita à uma AD Fafe estreante entre os “grandes”, revelaria, até pela quantidade de jornadas pelejadas, um médio-ofensivo com alguma esperança no futuro.
É verdade que os anos seguintes, com Padinha já desvinculado do Benfica e com o palmarés recheado pelas conquistas de 2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal, ainda conseguiriam sublinhar essa possível ventura. Todavia, mesmo ao ser um elemento preponderante no par de campanhas que precederiam o regresso do Torreense à 1ª divisão, a mudança para o plantel de 1991/92 do Estrela da Amadora, como destapado mais acima neste texto, serviria para confirmar a gravidade das sequelas deixada pelas lesões sofridas ainda ao serviço do Benfica. Nesse sentido, bastante debilitado fisicamente, o médio-ofensivo, finda a época na Reboleira e com 28 anos apenas, tomaria a decisão de terminar a carreira.  
Anos mais tarde, tendo deixado o futebol profissional, Paulo Padinha ainda voltaria a ligar-se à modalidade. Em 1995/96, pondo fim à longa sabática, voltaria a calçar as chuteiras, dessa feita para envergar a camisola do emblema sediado na sua terra natal, o Alhandra. Passados alguns anos, em 2012/13, surgir-nos-ia um registo do antigo médio-ofensivo no papel de treinador e ao serviço da AR Porto Alto participaria nos “regionais” da Associação de Futebol de Santarém. 

*retirado do artigo de Tiago Palma, publicado a 14 de Maio de 2105, em https://observador.pt

1747 - M'JID

De Abdelmajid Bouyboud ou M’Jid, como ficou conhecido em Portugal, encontrei a maioria dos registos a falar-nos do início da sua carreira sénior como tendo acontecido na temporada de 1990/91. Porém, ao ter como fidedigno Outubro de 1966 como o momento do seu nascimento, então será pouco provável que a época acima apresentada seja a primeira do internacional marroquino. Em abono da verdade, também existe uma fonte a asseverar esse arranque na campanha de 1986/87. Mesmo assim, é bem plausível que, antes dos números apresentados pela última informação referida, possa haver algo mais que, previamente, tenha acontecido.
Tirando o que foi dito no parágrafo introdutório, consensual é ter o WAC como o emblema a representar o começo da sua carreira. Sem sombra de dúvidas, seria também na popular colectividade sediada em Casablanca, que M’Jid, praticante com capacidade para posicionar-se em qualquer dos lugares consignados ao lado direito do campo, viveria a maior parte do trajecto profissional. Esses anos, durante os quais chegaria a partilhar o balneário com Hassan, Fouhami, Fertout, Saber, Daoudi ou Naybet, serviriam igualmente para colorir o seu palmarés com 2 Taças do Trono, 3 Campeonatos, 1 Taça Afro-Asiática, 1 Arab Club Champions Cup e 1 Champions League de África. Por outro lado, seria na cidade a dar o nome ao filme interpretado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid que o jogador ainda chamaria a atenção dos responsáveis pela federação marroquina. No contexto internacional, convocado pelo polaco Werner Olk, o atleta teria a estreia, no principal conjunto do seu país, a 2 de Setembro de 1990 e com o cômputo dessa senda a entregar-lhe ao currículo 34 jogos feitos pelos “Leões do Atlas”, os pontos merecedores de maior destaque acabariam por ser as chamadas à CAN de 1992 e ao Mundial de 1994.
Seria pouco tempo após a sua participação no Campeonato do Mundo realizado nos Estados Unidos da América que o jogador, com a campanha de 1994/95 a meio, chegaria a Portugal. É verdade que na equipa orientada por João Alves, M’Jid ainda demoraria algum tempo para conseguir impor-se como uma das principais figuras. No entanto, ultrapassado o normal período de adaptação, a época seguinte à da sua entrada no Belenenses, mostraria o marroquino como um dos nomes mais vezes chamado ao “onze”. Daí em diante, nas provas agendadas para os “Azuis”, o atleta, que voltaria a partilhar a camisola com Fertout, passaria a figurar como uma das caras regularmente arroladas à ficha de jogo. Durante 3 anos e meio, o polivalente intérprete transformar-se-ia numa referência para os treinadores e ajudaria ao cumprimento dos objectivos, mais ou menos faustosos, traçados para o colectivo a jogar em casa no Estádio do Restelo. O pior surgiria com o termo da temporada de 1997/98 e o jogador, com a agremiação “alfacinha” a claudicar nas pelejas pela manutenção, decidiria ser a hora certa para mudar de rumo.
Nos derradeiros capítulos da carreira como futebolista, M’Jid, ao deixar Portugal, viria a escolher a China como o próximo destino. No Wuhan Hongtao, onde entraria como reforço para a temporada de 1998/99, o atleta manter-se até ao encerrar da caminhada competitiva. Já o “pendurar das chuteiras”, segundo o que veiculam diferentes fontes, poderá ter ocorrido logo no final dessa campanha de chegada ao país asiático ou então, cumprido mais algum tempo, em 2001.

1746 - SERRINHA

Irmão mais novo na tríade familiar também composta por António Serra e José Serra, João Mário de Carvalho Gonçalves, conhecido no universo do desporto como Serrinha, teria no Maximinense a primeira experiência enquanto sénior. Depois dessa temporada de 1982/83, ainda na disputa dos “regionais” da Associação de Futebol de Braga, a subida de degrau dar-se-ia com a mudança de emblema. Já no plantel de 1984/85 do Vieira, o jovem médio de pendor mais ofensivo passaria a experimentar os desafios do 3º escalão. Um novo salto dá-lo-ia para aquela que viria a tornar-se, à imagem dos manos mais velhos, na colectividade mais representativa da sua carreira e entrada no Sporting de Braga aconteceria na época de 1986/87.
À chegada aos “Guerreiros”, Serrinha, com a entrada na 1ª divisão, deparar-se-ia com Humberto Coelho no comando técnico da equipa minhota. Sem grandes oportunidades para demonstrar o seu real valor, a verdade é que a troca de treinadores, com a entrada de Manuel José, não iria melhorar a sua situação no seio do grupo de trabalho. A gritante falta de jogos faria com que os responsáveis pelo clube começassem a equacionar o seu empréstimo. Seguir-se-ia, então, a cedência ao Felgueiras e a curta passagem pelo 2º patamar. Já no regresso ao Estádio 1º de Maio, sob as ordens de Vítor Manuel, o traquejo ganho no ano anterior dar-lhe-ia um lugar de destaque e o médio, daí para a frente, haveria de sublinhar-se como um dos titulares da agremiação sediada na “Cidade dos Arcebispos”. 
Como referido no final do parágrafo anterior, o regresso ao Sporting de Braga na temporada de 1988/89 transformaria Serrinha numa das caras usuais no erigir do alinhamento inicial do conjunto minhoto. Também na época seguinte, o seu nome constituiria um hábito na inscrição das fichas de jogo. No entanto, a campanha de 1990/91 viria a alterar ligeiramente esse paradigma. Perdida alguma da preponderância conquistada anteriormente, o jogador decidir-se-ia por uma mudança de trajecto, com a transferência a levá-lo a aceitar o convite do Beira-Mar. Em Aveiro a partir de 1991/92, o atleta recuperaria o estatuto perdido no Minho e voltaria, ao manter-se no convívio com os “grandes”, a frisar-se como um dos bons intérpretes do futebol português.
Já ao par de temporadas cumpridas no Estádio Mário Duarte, suceder-se-ia uma nova camisola no seu já experiente currículo. Dessa feita, a escolha, de forma um pouco surpreendente, recairia sobre um Desportivo de Chaves orientado por Carlos Garcia, seu antigo treinador no Sporting de Braga, mas a militar no escalão secundário. Em Trás-os-Montes, o jogador constituir-se-ia como um dos pilares dos “Flavienses” na senda a levar o clube de regresso ao patamar maior do futebol luso. No entanto, ao retornar à 1ª divisão, o atleta não conseguiria segurar-se como um dos elementos a figurar, de forma incontestável, no “onze” a envergar o listado azul e grená. Daí em diante, com um currículo a somar 7 anos feitos na principal prova do calendário futebolístico português, Serrinha passaria a dedicar-se, em definitivo, às pelejas dos patamares inferiores. Nesse sentido, aos 3 anos passados no Esposende seguir-se-ia a entrada no Cabeceirense de 2000/01 e finda essa época, o médio decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.

1745 - SERRA

Irmão mais velho de José Serra e de Serrinha, António José Carvalho Gonçalves seria o primeiro de uma linhagem com uma grande tradição no futebol português. Tal como os outros dois nomes mencionados, o defesa-central encontraria no Sporting de Braga, muito mais do que uma rampa de lançamento para uma carreira deveras respeitável, o principal emblema da sua caminhada desportiva.
Ao chegar ao Estádio 28 de Maio – posteriormente rebaptizado como Estádio 1º de Maio – vindo das “escolas” do Maximinense, a mudança, ocorrida na temporada de 1973/74, levaria o jovem jogador a apanhar o emblema minhoto nas disputas do escalão secundário. Porém, o referido cenário competitivo pouco tempo duraria. Num trilho ascendente, a campanha de 1975/76 marcaria o regresso do Sporting de Braga ao convívio com os “grandes”. Já com a colectividade por si defendida de volta às lutas do degrau maior, Serra, numa altura em que já tinha conseguido segurar um lugar no centro do sector mais recuado, teria a oportunidade de fazer a estreia na 1ª divisão. Depois desse ano de arranque nas contendas primodivisionárias, durante o qual seria orientado pelo “magriço” José Carlos, o atleta manter-se-ia como um dos preferidos dos treinadores e acabaria por estar na linha da frente de uma das épocas mais importantes da história dos “Guerreiros”.
A época de 1975/76 marcaria a presença de Serra em duas finais de competições lusas. No decisivo jogo da Taça de Portugal, o defesa-central seria um dos chamados por Mário Lino para, em pleno Estádio das Antas, defrontar o FC Porto. Com a derrota por 1-0 a deixar escapar o troféu para o aludido adversário, a final seguinte, o derradeiro encontro da inédita Taça da Federação Portuguesa de Futebol, correria de forma bastante diferente. Também convocado ao arrolamento inicial, “onze”, dessa feita, idealizado por Hilário, o jogador veria o seu lado a bater o Estoril Praia e à saída do conimbricense Calhabé seria o Sporting de Braga, como resultado do 2-0 registado no placard, a carregar para casa o “caneco”.
Outra campanha de grande relevância para o jogador seria a de 1978/79. Com os homens sediados na “Cidade dos Arcebispos”, na temporada anterior, a terminar o Campeonato Nacional no 4º posto, o referido lugar daria ao jogador a estreia nas competições de índole continental. Inserido o emblema português na Taça UEFA, ao Sporting de Braga calharia em sorte, na ronda inicial da prova, o Hibernians. Chamado por Fernando Caiado, o defesa-central entraria em campo apenas na 2ª mão dos confrontos agendados frente ao emblema maltês. Já na eliminatória seguinte, Serra seria escolhido para ambas as partidas contra o West Bromwich Albion. No entanto, a contenda a opor os “Guerreiros” ao conjunto inglês terminaria de forma contrária aos intentos lusos e os minhotos, mesmo com uma vitória caseira, acabariam afastados.
A época de 1979/80, ao fim de 7 anos consecutivos na equipa principal, marcaria o fim da sua ligação ao Sporting de Braga. Seguir-se-ia, com o atleta a manter-se a competir no escalão máximo, a transferência para um Varzim treinado pelo seu antigo técnico, José Carlos. No entanto, a passagem do defesa pelos poveiros seria curta. Com os “Lobos-do-mar” a claudicarem na luta para a manutenção, Serra preferiria dar seguimento ao trajecto competitivo noutra agremiação. Nesse sentido, na temporada de 1981/82, o atleta viria a ser apresentado como reforço do Sporting de Espinho. A representar os “Tigres da Costa Verde”, as 3 primeiras campanhas passá-las-ia ainda na 1ª divisão. Já época de 1984/85 marcaria, na sua caminhada, o regresso ao patamar secundário. De seguida, num trajecto a aproximar-se do termo, surgiriam o Gil Vicente, o Vila Real e o “pendurar das chuteiras” com o fim das provas planeadas para 1987/88. 

1744 - ALFREDO

Nascido no Brasil, mas de nacionalidade portuguesa, Alfredo Joaquim Pais seria descoberto no Paços de Brandão para, na temporada de 1942/43, ser apresentado como reforço do FC Porto. Nos “Azuis e Brancos”, numa altura em que era treinado por Lipo Herczka, o defesa, numa dupla com Guilhar, desde cedo conseguiria fixar-se no sector mais recuado. Quase sempre titular, o jogador depressa viria a sublinhar-se como uma das caras mais consagradas entre a massa adepta da colectividade sediada na “Cidade Invicta”. A sua importância manter-se-ia ao longo de mais de uma década e apesar de ter envergado a camisola dos “Dragões” numa altura em que a agremiação portuense andava afastada dos títulos de índole nacional, o seu nome viria a inscrever-se como um dos mais notáveis do colectivo nortenho.
No sentido de conquistas das mais importantes provas do calendário futebolístico português, como referido no final do parágrafo anterior, Alfredo nada viria a acrescentar ao palmarés pessoal. Ainda assim, em termos locais, os “Azuis e Brancos”, com o Campeonato do Porto a conhecer o seu fim na campanha de 1946/47, seriam hegemónicos durante a sua passagem pelo clube. Essa dominância reflectir-se-ia também no percurso do jogador, com os 5 títulos no “regional” e 1 vitória na Taça de Honra a somarem-se ao currículo do defesa.
Todavia, mesmo com a falta de troféus, a Alfredo não faltariam momentos de inolvidável relevância na carreira competitiva. Um deles, a 6 de Maio de 1948, emergiria com brilhante amigável que, no Estádio do Lima, viria a opor o FC Porto aos ingleses do Arsenal. Nessa partida, em que o colectivo luso acabaria frente a frente a uma equipa aferida, à altura, como uma das melhores do mundo, o resultado final de 3-2 sorriria aos “Dragões” e o tal embate com os “Gunners” entregaria, ao museu dos “Azuis e Brancos”, uma taça com 250kg e 2,80m de altura!
Outro desses importantes episódios de carreira surgira, a 28 de Maio de 1952, com a inauguração do Estádio das Antas. No entanto, não só das cores do FC Porto viveria o trajecto do jogador. Alfredo, cotado como uma das grandes figuras a exibir-se nos campos lusos, também viria a apresentar-se com as divisas de Portugal. Nesse âmbito, a primeira aparição do defesa com a “camisola das quinas” aconteceria a 20 de Março de 1949. A esse encontro do conjunto “B”, disputado frente à Espanha no Estádio Riazor, suceder-se-ia, ainda nas pelejas agendas para os alinhamentos secundários à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, uma partida com França e essa vitória frente ao agregado gaulês entregar-lhe-ia, à caminhada desportiva, a 2ª internacionalização.
Já como uma figura icónica do FC Porto, Alfredo, com o final da temporada de 1952/53, decidiria ser a altura correcta para “pendurar as chuteiras”. Com o rescaldo da caminhada competitiva a trazer-lhe números surpreendentes, o defesa acabaria a despedir-se das actividades futebolísticas com um fantástico total de 267 partidas oficiais efectuadas pela principal equipa dos “Azuis e Brancos”.

1743 - PEDRO COSTA

Com a formação concluída ao serviço do Boavista, Pedro Miguel Castro Brandão Costa teria a oportunidade de, pela mão de Jaime Pacheco, conseguir encetar o caminho na equipa principal do Boavista. Contudo, essa temporada de 1999/00, a qual ainda dividiria entre os juniores e os seniores, poucos jogos, em contexto primodivisionário, trariam ao jovem atleta. A concorrência de colegas bem mais tarimbados, casos de Paulo Sousa, fariam com que a época seguinte à da estreia do lateral-direito fosse pensada num contexto de um empréstimo e o defesa cumpriria a campanha de 2000/01 com as cores do Gondomar.
Antes ainda dos primeiros passos dados como sénior, já Pedro Costa tinha chamado a atenção dos responsáveis pelas jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse âmbito, o defesa-lateral teria a primeira aparição em campo, ainda no conjunto de sub-15, a 20 de Julho de 1997. Frente ao Azerbaijão, ao lado de nomes como Ricardo Costa, Cândido Costa ou Manuel José, o jogador arrancaria para uma caminhada a levá-lo a diferentes escalões de formação. Com esse percurso, no qual chegaria até aos sub-20, abrilhantado por um total de 32 internacionalizações, os destaques iriam para as suas chamadas ao Euro sub-16 de 1998, e, acima de tudo, à edição de 1999 do Euro sub-19. Nesse último torneio, certame organizado na Suécia, o jogador seria chamado por Agostinho Oliveira a disputar a final e ajudaria Portugal, na partida frente à Itália, a sagrar-se campeão.
Regressando ao seu percurso clubístico, à passagem de Pedro Costa pelo Gondomar, seguir-se-ia, ainda na 2ª divisão “b”, o plantel de 2001/02 do Famalicão. Com números a justificar outros voos, a temporada de 2002/03 serviria para apresentar o atleta como reforço do Sporting de Braga. Na “Cidade dos Arcebispos”, o defesa começaria pela equipa “b”. Já com o final da temporada à vista, finalmente o jogador conquistaria a confiança de Jesualdo Ferreira e assentaria arraiais no principal grupo de trabalho dos “Guerreiros”. A época seguinte confirmá-lo-ia como uma das caras mais utilizadas no “onze”. Todavia, daí em diante, muito por culpa da afirmação de outros atletas, caso de Abel ou de Frechaut, o jogador perderia a sua preponderância no seio do conjunto minhoto e a campanha de 2007/08 marcaria o início de uma nova ligação.
Com a transferência para a Académica de Coimbra, Pedro Costa continuaria o percurso no escalão maior. Apesar de nem sempre conseguir afirmar-se como um dos titulares da “Briosa”, o jogador manteria a sua aferição de praticante, apesar da baixa estatura, com os índices de produtividade a sublinhá-lo como um intérprete ágil, aguerrido e de boas qualidades técnicas e tácticas. As 4 temporadas passadas na “Cidade dos Estudantes”, em que o par inicial seria de bastante melhor proveito individual para o jogador, precederiam a sua entrada na derradeira fase da carreira. Na campanha de 2011/12, depois de deixar o emblema beirão, o lateral voltaria à colectividade sediada na sua terra natal e a na qual tinha igualmente cumprido parte do percurso formativo. Depois do Arouca, ainda a alimentar a senda de regressos, surgiria o ingresso no plantel de 2012/13 do Boavista. Com os “Axadrezados” a militarem nos escalões inferiores, o 3º ano de novo no Bessa traria a subida administrativa das “Panteras” ao patamar mais alto do futebol português e com o “pendurar das chuteiras” a acontecer no final dessa época de 2014/15, o futebolista ainda teria tempo para, num total de 11 temporadas entre os “grandes”, de somar mais uma experiência na 1ª divisão.

1742 - CHAROUCO

Com a formação a terminar no Benfica, onde chegaria a partilhar o balneário com Humberto Coelho, Vítor Martins ou Raul Águas, Joaquim António Farinha Charouco, por altura de subir ao plantel principal, esbarraria na forte concorrência de um grupo de trabalho a teimar na alta-roda do futebol europeu. Avançado, o jovem jogador seria então emprestado a um Peniche com ambições à subida ao patamar máximo do futebol português. Cumprida essa temporada de 1967/68 nos desígnios das pelejas do escalão secundário, seguir-se-ia, sem deixar a 2ª divisão, a sua passagem pelo Gouveia. Depois emergiria o tempo do Serviço Militar Obrigatório, a incorporação a levá-lo até Angola e as camisolas do Sporting do Negage e do ASA a colorirem-lhe o ainda curto percurso competitivo.
De regresso à metrópole, Charouco, ao conseguir despertar o interesse do Sporting, chegaria a rubricar um contrato com os “Verde e Brancos”. No entanto, mais uma vez sem lugar num dos denominados “grandes”, um novo empréstimo encaminhá-lo-ia até ao União de Lamas. A época de 1972/73, de volta aos cenários secundários e com o jogador ao serviço da agremiação sediada no distrito de Aveiro, até correria de feição. Tal facto valer-lhe-ia a confiança de um emblema a batalhar por objectivos de outra monta e a nova transferência levá-lo-ia a ser apresentado como reforço do Montijo.
Com a integração no plantel de 1973/74 da colectividade da Margem Sul, o atacante teria a oportunidade de fazer a estreia na 1ª divisão. Ainda assim, apesar do importante marco vivido na sua carreira, a verdade é que o avançado ver-se-ia ultrapassado, nas escolhas técnicas, por outros colegas, mormente por Gijo e por Francisco Mário. Nesse sentido, a campanha cumprida na intendência do treinador José Caraballo, em termos individuais, mas igualmente no que à avaliação do colectivo diz respeito, ficaria muito aquém das expectativas criadas e para azar do avançado, como para infortúnio de todo o grupo de trabalho, o último lugar da tabela classificativa do Campeonato Nacional daria direito à descida de patamar.
A despromoção do Montijo faria com que o atleta, num percurso que continuaria a caracterizar-se por uma enorme errância, decidisse mudar de ares. Num salto tão habitual para aquela época, o avançado viajaria então até ao lado ocidental do Oceano Atlântico para, na Canadian National Soccer League, entrar no plantel de 1974 do First Portuguese. Os meses passados na América do Norte antecederiam a sua inclusão no FC Barreirense. Seguir-se-ia, sem que tenha conseguido confirmar a informação, a temporada de 1975/76, no Eléctrico de Ponte Sor. Finalmente, a entrada no Sesimbra, colectividade mais representativa da sua caminhada sénior, e o fim da carreira como atleta profissional em 1982.
Após “pendurar as chuteiras”, Charouco ficaria ligado à modalidade. Por um lado vestiria a camisola do Sport Lisboa e Saudade, agremiação composta por veteranos do emblema da Luz e onde viria a tornar-se no maior goleador da história do projecto. Por outro, o antigo avançado manter-se-ia como colaborador do Departamento de Prospecção das “Águias”.

1741 - MORTÁGUA

Com os registos na principal equipa do Lusitano Futebol Clube a reportarem a sua primeira presença à época de 1934/35, Joaquim D’Almeida Mortágua começaria por disputar a 2ª divisão. No entanto, com a agremiação do Sotavento a claudicar no necessário apuramento dos anos seguintes, as próximas temporadas do jovem atleta, nascido também em Vila Real de Santo António, seriam cumpridas nas disputas arroladas somente ao panorama desportivo do Algarve.
Depois dessa campanha mencionada no parágrafo anterior, na qual o Lusitano viria a vencer o “regional”, só em 1938/39 é que o clube voltaria às pelejas dos “nacionais”. Numa altura em que Domingos Lopes era, provavelmente, o nome de maior monta na colectividade, Mortágua, à altura ainda a posicionar-se como extremo, também já figurava na lista de praticantes com enorme importância no arrolar da equipa titular.
Mesmo com a importância do clube a cimentar-se peremptoriamente, como provam as sucessivas aparições do emblema algarvio no Campeonato Nacional da 2ª divisão, e com a aparição de novos craques a projectar novos voos, como seria o caso de Isaurindo, Mortágua, na temporada de 1943/44, decidiria aventurar-se por outras paragens e anuir, um pouco mais a norte na raia portuguesa, ao desafio lançado pelo Campomaiorense. No entanto, muito mais do que um simples praticante, o seu papel no plantel dos “Galgos” viria a ultrapassar as funções que, até ao momento, estava habituado. Talvez como reflexo da sua enorme polivalência em campo, característica que faria com que, ao longo da carreira, conseguisse ocupar posições no sector ofensivo, no meio-campo e também em lugares mais recuados nos mais díspares esquemas tácticos idealizados, o jogador, grande entendedor das dinâmicas futebolísticas, aceitaria assumir-se como o treinador-jogador da colectividade alentejana.
Com a passagem por Campo Maior a durar apenas uma temporada, o regresso a Vila Real de Santo António entregá-lo-ia aos melhores anos do Lusitano. Todavia, para o surgimento dessa época áurea em muito contribuiria a emergência de outros atletas. Nesse rol alocado à equipa principal, Manuel Caldeira acabaria por vir a transformar-se num dos grandes ícones da massa adepta. Ainda assim, outros conseguiriam igualmente deixar a sua marca e para além da inscrição de Mortágua nessa lista de notáveis, também Madeira, a exemplo, faria parte do grupo que contribuiria para a ascensão dos homens a jogar em casa no Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro até à 1ª divisão.
Nesse sentido, ao conseguir manter-se como um dos titulares da equipa, Mortágua, na temporada de 1947/48, transfigurar-se-ia numa das principais figuras do Lusitano na estreia entre os “grandes” do futebol luso. Essa estadia no patamar maior, que ao longo dos diferentes anos teria ainda a presença de outros atletas que também viriam a destacar-se nas competições portuguesas, casos de Luís Vasques e do incontornável José Maria Pedroto, serviria conjuntamente para sustentar o polivalente jogador como um dos históricos do conjunto algarvio. É verdade que as 64 partidas, por si disputadas nas 3 épocas passadas no degrau máximo, transformá-lo-iam numa das figuras com mais presenças, pelo clube do Sotavento, na prova de maior importância no calendário nacional. Ainda assim, há números mais surpreendentes na sua carreira e as 17 campanhas realizadas pelo atleta na agremiação sediada na foz do Guadiana, mesmo que mais nada houvesse, serviriam para inscrevê-lo nos anais da colectividade nascida em Vila Real de Santo António.

1740 - HANUCH

Mauricio Fabio Hanuch, alcunhado como “El Turquito”, apareceria na equipa principal do Platense na temporada de 1994. Médio de características ofensivas, que podia posicionar ao centro ou à direita, o jovem jogador ainda demoraria algum tempo até conseguir afirmar-se como um dos principais nomes do emblema sediado na cidade de Vicente López. A crescer, o seu empréstimo ao Deportivo Móron, serviria para que o jovem jogador ganhasse a estaleca necessária à sua afirmação. No decorrer da referida cedência, as exibições conseguidas durante essa temporada de 1996 permitir-lhe-iam assegurar o regresso ao clube detentor do seu passe e o atleta, progressivamente, iria ganhar o seu espaço nos “Calamares”.
Já como um dos membros do “onze” do Platense, Hanuch veria o Independiente a apostar na sua contratação. A mudança para Avellaneda sublinhá-lo-ia como um dos intérpretes mais interessantes no cenário futebolístico argentino. Com números bem interessantes conseguidos durante a campanha de 1999, o seu nome começaria também a ser cogitado por colectividades europeias. Com os meios de comunicação social desportivos a dar o médio-ala como um dos alvos do Benfica, a verdade é que o jogador aterraria mesmo em Lisboa, porém para representar o Sporting.
Com a entrada em Alvalade a acontecer na temporada de 1999/00, Hanusch, inicialmente treinado por Guiseppe Materazzi para, com a saída do italiano, passar a ser orientado por Augusto Inácio, teria na concorrência de outros colegas o grande obstáculo à sua afirmação. Preterido nas escolhas para “onze”, o jogador veria Ayew e, mais tarde, por Mbo Mpenza, a ultrapassá-lo nas selecções feitas pelos já mencionados técnicos. Ainda assim, o argentino daria o seu contributo para a brilhante caminhada dos “Leões” e ao ajudar a pôr termo a jejum de 18 anos sem vitórias no Campeonato Nacional, o médio-ala também inscreveria o seu nome no rol de atletas a conquistar a prova de maior relevo no calendário português de futebol.
Ao não conseguir convencer os responsáveis pelos “Verde e Brancos” do seu valor, Hanuch encetaria, na temporada a seguir à sua chegada a Lisboa, um périplo por diferentes empréstimos. No regresso à Argentina, os Estudiantes antecederiam a sua passagem pelo Santa Clara. No entanto, de volta às competições lusas em 2001/02, a sua entrada na agremiação açoriana também não produziria os resultados esperados e o atleta, tendo poucas vezes aparecido em campo pela equipa da ilha de São Miguel, teria no plantel de 2002/03 do Badajoz a próxima camisola a colorir-lhe o percurso competitvo.
Já desvinculado do Sporting, Hanuch, mais uma vez, teria no país natal a oportunidade para relançar a carreira. Olimpo, Defensores Belgrano e Talleres de Córdoba, seriam os emblemas que, entre o primeiro e o segundo escalão argentino, acolheriam o jogador. De seguida, numa caminhada a manter-se deveras errático, o médio-ala ainda passaria pelos brasileiros do Rio Branco. Depois ainda emergiriam ao seu caminho o Nueva Chicago, os albaneses do Dinamo de Tirana e finalmente, num regresso ao emblema onde tinha iniciado o trajecto desportivo, o Platense.
Já retirado das actividades de futebolista, Hanuch manter-se-ia ligado à modalidade e como agente de outros atletas, negociaria, a exemplo, as transferências para o FC Porto do guarda-redes Marchesín e do defesa Saravia.

1739 - VINHA

Popularizado no mundo do futebol como Vinha, Alves Nilo Marcos Lima Fortes, cabo-verdiano de nascimento, chegaria a Portugal para representar o Atlético. No emblema lisboeta, onde terá chegado, segundo algumas fontes que não consegui confirmar, transferido de um “estranho” Castilla Luanda, o jogador entraria na temporada de 1988/89. Inicialmente orientado por Norton de Matos, as prestações do, à altura, médio-centro, captariam a atenção de outras colectividades no cenário competitivo luso e a mudança, ao fim de duas campanhas passadas na Tapadinha, levá-lo-ia até ao Norte de Portugal.
Com a inclusão no plantel de 1990/91 do Salgueiros, Vinha, muito mais do que o arranque de caminhada na 1ª divisão, teria a oportunidade de participar numa histórica época em que o emblema portuense haveria de terminar o Campeonato Nacional num estrondoso 5º posto. Titular no “onze” idealizado por Zoran Filipovic, o atleta, logo na temporada seguinte, entraria em campo na estreia do clube português nas competições de índole continental. Inserida a agremiação de Paranhos na disputa da Taça UEFA, em sorte calhar-lhes-ia um Cannes onde pontuavam nomes como o jovem Zinedine Zidane, Luis Fernández, Oman-Biyik ou Aliosa Asanovic . Tendo entrado em campo nas duas mãos do referido confronto, o jogador ainda contribuiria para a vitória lusa na disputa inicial. Porém, a derrota por 1-0 já em França levaria a eliminatória para o desempate por grandes penalidades e o desfecho tombaria para o lado dos gauleses.
Com o Salgueiros a manter-se no convívio entre os “grandes”, Vinha, para além de somar épocas no escalão principal, começaria também a adoçar o apetite de alguns treinadores. Apesar de não ser um intérprete vistoso, a sua alta estatura, entrega e disponibilidade para, em situações de aperto, passar do miolo do terreno para o centro do ataque, valer-lhe-ia muitos pontos. Nesse sentido, quem ficaria deveras impressionado com os seus desempenhos, nomeadamente com as suas prestações como ponta-de-lança improvisado, seria Tomislav Ivic. Essa “paixão” do treinador jugoslavo levaria o atleta até às Antas e o jogador, na temporada de 1993/94, acabaria apresentado como o novo reforço do FC Porto para o sector avançado. 
Apesar da estranheza provocada pela transferência, o certo é que Vinha teria, de imediato, um impacto deveras positivo nos intuitos colectivos dos “Azuis e Brancos”. Um desses momentos, no contexto da Supertaça, seria o golo marcado aos 84 minutos da 2ª mão e que, levada a decisão para a finalíssima, permitiria a vitória do FC Porto frente ao Benfica. Também num jogo a opor os “Dragões” às “Águias”, dessa feita a contar para o Campeonato Nacional, o avançado-centro acabaria a fazer o “gosto ao pé”. Já no resto da campanha, mesmo não tendo assumido um papel de inquestionável relevância, outro dos seus remates certeiros seria contra o Sporting. Com tudo isso, mesmo tapado maioritariamente pela dupla formada por Kostadinov e por Domingos, não seria de espantar a sua presença na finalíssima da Taça de Portugal e a entrada em campo do ponta-de-lança, ordenada por Bobby Robson, ajudaria, em pleno Jamor, a derrotar os “Leões”.
Com a falta de oportunidades nas Antas, a decisão de Vinha, logo para a temporada de 1994/95, seria a de regressar ao Estádio Vidal Pinheiro. De volta a Paranhos, o jogador, dessa feita num ciclo que duraria outros 4 anos, faria do Salgueiros a colectividade mais representativa da sua carreira futebolística. O mencionado período, exclusivamente disputado na 1ª divisão, permitiria ao avançado que, num total de carreira, somasse ao currículo um cômputo de 8 épocas primodivisionárias. De seguida, ao entrar na derradeira fase da caminhada competitiva, o jogador, definitivamente afastado do escalão maior, ainda teria forças para representar o Paços de Ferreira, o Lousada, o Imortal e o Tirsense. Já com a decisão de “pendurar as chuteiras” no termo de 2000/01, o antigo atacante decidiria regressar ao curso de Engenharia Civil e o regresso a Cabo Verde, anos mais tarde e com a licenciatura concluída, permitir-lhe-ia exercer funções na área em que havia tido a formação académica.

1738 - CAO

Conhecido no mundo do futebol pelo diminutivo Cao, Carlos Alberto Correia Fortes começaria a dar os primeiros passos na modalidade ainda em Cabo Verde. Numa altura em que, no Mindelo, já tinha representado a Académica e o Derby, o médio-defensivo, muito à custa da maneira aguerrida com que encarava cada desafio, veria o FC Porto a interessar-se pela sua contratação. Com a chegada às Antas a acontecer na temporada de 1988/89, o jogador passaria a integrar a equipa de juniores.  Já em 1990/91 começaria também a trabalhar com o conjunto principal e apesar de ter tido o seu nome numa ficha de jogo, o jovem atleta não chegaria, no decorrer da última época indicada, a entrar em campo.
O ano de 1991, também no contexto internacional, deixaria uma grande marca no percurso competitivo do médio-defensivo. Tendo escolhido representar Portugal, o jogador, numa altura em que a primeira internacionalização pelos sub-20 já remontava a 18 de Dezembro de 1990, seria arrolado por Carlos Queiroz à participação no Campeonato do Mundo da referida categoria. No certame realizado em terras lusas, o “trinco” ver-se-ia inserido num grupo de trabalho onde marcaria presença um enorme manancial de jovens craques. Pelo meio de nomes que viriam a brilhar no futebol global, a concorrência de Peixe remetê-lo-ia para o banco de suplentes. Ainda assim, a oportunidade para entrar em campo surgiria na ronda frente à Coreia* e essa partida faria com que o atleta desse o seu contributo para a vitória no Mundial de 1991.
Regressado ao cenário clubístico, Cao, com a subida definitiva ao escalão sénior, mas numa equipa em que, como concorrentes directos para a sua posição de campo, tinha nomes como André ou Kiki, veria o treinador Artur Jorge a listá-lo como um dos atletas a arrepiar caminho na defesa de outras divisas. Sem lugar no plantel dos “Azuis e Brancos”, o “trinco” haveria de encetar uma senda de sucessivos empréstimos, com a primeira cedência, ao lado de outros atletas com ligação contratual ao FC Porto, casos de Bino, Jorge Silva, Rui Jorge, Tulipa, Neto ou Gamboa, a levá-lo até ao Rio Ave orientado por Augusto Inácio. Seguir-se-ia, treinado por Rodolfo Reis, o primodivisionário Tirsense e finalmente o Leça, inicialmente conduzido por António Frasco.
Com a entrada na agremiação do concelho de Matosinhos a ocorrer na temporada de 1993/94, o jogador, depois de experimentar a 1ª divisão ao serviço dos “Jesuítas”, regressaria às pelejas do escalão secundário. No entanto, seria a chegada ao Leça que viria, de certo modo, a cimentá-lo como um atleta merecedor de outros níveis competitivos. O sublinhar dessa aferição surgiria, na campanha de 1995/96, com o regresso do clube ao convívio com os “grandes”. Os dois anos cumpridos por Cao no escalão máximo, quatro no total da sua passagem inicial pelo listado verde e branco, não só fariam do médio-defensivo um dos nomes que mais vezes jogou pela colectividade nortenha no patamar maior do futebol luso, como transformaria o aludido conjunto no mais representativo da caminha sénior do “trinco”.
Sempre no escalão principal e mantendo-se como um dos titulares das equipas por si representadas, seguir-se-iam no caminho do atleta o Salgueiros e o Campomaiorense. Já desligado em definitivo dos “Dragões”, os dois anos cumpridos em Paranhos e outros dois no Estádio Capitão César Correia contribuiriam para um total de 7 campanhas a disputar a prova de maior relevo no calendário futebolístico português. Todavia, com a despromoção do mencionado emblema alentejano a interromper essa contagem, o jogador, ao manter-se ao serviço dos “Galgos”, passaria o resto da sua carreira nos escalões secundários.
Ao entrar na derradeira fase da caminhada competitiva, Cao também regressaria aos percursos marcados pela errância. Em constante mudança de emblema, o “trinco”, daí em diante, passaria pelo Felgueiras, voltaria ao Leça e envergaria as cores do Rio Tinto. Depois, com uma sabática de dois anos, a temporada de 2008/09, feita novamente ao serviço do Salgueiros, serviria para definitivamente pôr um ponto final na sua carreira enquanto futebolista.

*a Coreira apresentou no Mundial sub-20 de 1991 uma equipa unificada, ou seja, um misto de atletas da Coreia do Norte e da Coreia do Sul

1737 - BARRIGA

Formado nas “escolas” do Paços de Ferreira, seria igualmente ao serviço dos homens a jogar em casa no Estádio da Mata Real que Joaquim Ângelo Brandão Ferreira, popularizado no desporto pela alcunha Barriga, encetaria o trajecto enquanto sénior. No principal conjunto dos “Castores” a partir da temporada de 1982/83, o jovem atleta, num plantel orientado por Ferreirinha, começaria por disputar a zona norte da 2ª divisão. No entanto, mesmo actuando, numa mão cheia de anos, apenas nos cenários secundários, o defesa-esquerdo, baixo em estatura, mas enorme na entrega e na ousadia, começaria a destacar-se no seio da sua equipa e veria um dos “grandes” do futebol português, numa altura em que já tinha conseguido afirmar-se como titular indiscutível da agremiação pacense, a interessar-se pelo seu concurso.
Com a aposta do FC Porto a levá-lo até às Antas na campanha de 1987/88, Barriga entraria nos “Azuis e Brancos” ainda no rescaldo da vitória da colectividade na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Recebido no comando técnico pelo jugoslavo Tomislav Ivic, a concorrência de Inácio faria com que o jogador tivesse muitas dificuldades em conquistar diversas oportunidades para demonstrar o seu valor dentro de campo. Ainda assim, mesmo com poucas inscrições na ficha de jogo, o atleta teria o direito a figurar no rol de nomes associados aos triunfos na Taça de Portugal e no Campeonato Nacional.
As poucas aparições em campo fariam com que os responsáveis pelos “Dragões” vissem no seu empréstimo uma boa oportunidade para a carreira do lateral-esquerdo. Nesse sentido, sem deixar o escalão máximo, Barriga passaria a temporada de 1988/89 com as cores do Sporting de Espinho. As boas exibições conseguidas pelos “Tigres da Costa Verde” viriam a garantir-lhe, na campanha seguinte, um lugar no plantel do FC Porto. Contudo, tal como na experiência anterior, o atleta ver-se-ia tapado por outro colega e na sombra do internacional brasileiro Branco, o defesa, apesar de acrescentar ao palmarés pessoal a conquista do Campeonato Nacional de 1989/90, poucas vezes viria a exibir-se com o listado dos “Azuis e Brancos”.
Embora envolto na desilusão vivida nas Antas, a verdade é que a sua qualidade continuaria a ser apreciada por outros emblemas. Continuando a acrescentar campanhas na principal prova do calendário luso, a saída da “Cidade Invicta” levá-lo-ia até ao plantel de 1990/91 do Marítimo. Após a estadia na Madeira, seguir-se-ia o regresso ao Paços de Ferreira para inscrever o seu nome no grupo de trabalho que, sob as ordens de Vítor Oliveira e pela primeira vez na história, haveria de estrear-se no escalão máximo. Ainda no mesmo contexto competitivo, completando desse modo meia dúzia de temporadas consecutivas no cenário primodivisionário, Barriga manter-se-ia pela Mata Real por mais uma campanha. Já com o fim do percurso como futebolista à vista, o defesa-esquerdo acabaria por rubricar um contrato com o Leixões e no fim da época de 1993/94 tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Mesmo ao terminar a carreira como praticante profissional, Barriga ainda voltaria a ligar-se ao futebol e no papel de treinador, como são exemplo as passagens pelo Citânia de Sanfins e pelos Leões da Citânia, o antigo atleta manteria acesa a sua paixão pela modalidade.

1736 - BARTOLOMEU

Natural da Guiné-Bissau, onde nasceria a 11 de Novembro de 1959, a primeira referência encontrada sobre Bartolomeu Só Silva viria a transportar-nos para a época de 1980/81, durante a qual representaria o Alcanenense. Tal campanha, cumprida na disputa da 3ª divisão, seria proveitosa para o portentoso avançado-centro. As boas exibições levá-lo-iam, logo na época seguinte, a escalar um degrau competitivo e a entrada no SL Cartaxo fixá-lo-ia como um intérprete capaz de manter bons números também nesse patamar, bem como em contextos mais ambiciosos.
Ao sublinhar-se como um atleta de qualidades apreciáveis, Bartolomeu, ainda dentro do escalão secundário, começaria a despertar o interesse de colectividades de maior tradição no futebol português. Nesse sentido, o plantel de 1982/83 do Sporting da Covilhã, treinado por José Domingos, daria início a uma caminhada a levá-lo igualmente a representar o União de Coimbra, o Peniche e o Gil Vicente. No entanto, com excepção do emblema sediado na histórica localidade piscatória, onde permaneceria por duas campanhas consecutivas, o ponta-de-lança nunca conseguiria fixar por mais de um ano em cada uma das outras agremiações mencionadas. Ainda assim, a experiência em Barcelos, onde acabaria orientado pelo “magriço” José Carlos, abrir-lhe-ia as portas para outras paragens e as provas de 1987/88 seriam já efectuadas ao serviço d’ “O Elvas”.
No Alto Alentejo, o avançado-centro depressa conseguiria instalar-se como um das principais figuras arroladas ao “onze” inicial. Ao ultrapassar, primeiro nas escolhas Mário Nunes e depois nas opções de Vieira Nunes, colegas como Ulisses Morais, Bartolomeu, não só conquistaria a titularidade, como viria a afirmar-se como o melhor marcador da equipa. Todavia, as prestações colectivas, abaixo do desejado pelos responsáveis directivos do clube, fariam com que a temporada aludida no final do parágrafo anterior viesse a quedar-se como a única do atleta cumprida no convívio com os “grandes”. Mesmo com a despromoção dos “Azuis e Oiro”, a verdade é que o jogador manter-se-ia fiel aos desígnios da camisola raiana e com mais dois anos a jogar no Campo Demétrio Patalino, “O Elvas” viria a transformar-se no emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista.
A entrar na derradeira fase da carreira, Bartolomeu, afastado de vez dos cenários primodivisionários, ainda teria força para, durante mais alguns anos, representar outras agremiações. Nessa última senda, o rumo escolhido pelo avançado-centro voltaria a devolvê-lo, tal como no início da sua jornada futebolística, a um percurso deveras marcado pela errância. Mirense, onde voltaria a partilhar o balneário com Ulisses Morais, o Vila Real, Lusitânia dos Açores, Beneditense e Sacavenense seriam as divisas a precederem a conclusão de um trajecto competitivo, com o ponto final assinalado pelo termo das provas planeadas para 1993/94.

1735 - FUA

Ao terminar o período formativo já serviço do Boavista, Fernando José Gomes Pinto, popularizado no mundo do futebol como Fua, encetaria na temporada de 1987/88 um longo périplo erigido em sucessivos empréstimos. Tendo iniciado essa fase da carreira na equipa principal do Estarreja, o extremo ainda demoraria alguns anos até conseguir assomar-se ao escalão máximo. De seguida, numa errância que viria a caracterizar grande parte do seu percurso competitivo, o jogador, sempre sem sair dos escalões secundários, passaria igualmente pela Ovarense, Leça e Maia. Por fim, a chegada à região do Oeste abrir-lhe-ia as portas de um Torreense de regresso ao convívio com os “grandes” e o atleta, na campanha de 1991/92, acabaria por fazer a estreia na 1ª divisão.
Numa equipa com inúmeros atletas de farta experiência futebolística, a época de Fua no Estádio Manuel Marques seria bastante auspiciosa. No entanto, apesar dos bons números apresentados no ano em que haveria de ser orientado por Manuel Cajuda, a verdade é que a temporada de 1992/93 levaria o extremo de volta ao escalão secundário. Já integrado no plantel da Académica de Coimbra, o atacante, caracterizado pela baixa estatura e igualmente por uma velocidade estonteante, voltaria a retirar do novo empréstimo exibições de indubitável categoria. Tais desempenhos mereceriam a confiança dos responsáveis pelo Boavista e ao fim de 6 cedências em 6 anos, o jogador regressaria ao Bessa.
Nos “Axadrezados”, ao contrário do que as épocas anteriores haviam prometido, Fua acabaria por revelar algumas dificuldades em impor-se no “onze” idealizado pelo técnico Manuel José. Quase sem aparecer em campo no período cumprido pela agremiação sediada na “Cidade Invicta”, o atacante ver-se-ia empurrado para um novo empréstimo. Na União de Leiria a partir de 1994/95, primeiro cedido pelas “Panteras Negras” e a título definitivo desde a segunda temporada, o jogador encetaria aquela que viria a ser a sua ligação clubística mais duradora. A estabilidade alcançada no emblema da Beira Litoral, que o faria também regressar à 1ª divisão, traria os seus frutos. Titular com Vítor Manuel, o extremo transformar-se-ia num dos pilares das boas classificações obtidas pelo clube. O 6º posto no ano da sua chegada ao Estádio Magalhães Pessoa e o 7º lugar conseguido na época seguinte trariam à sua caminhada o reconhecimento além-fronteiras e de Angola chamá-lo-iam para representar a selecção.
Meritoriamente, Fua seria incluído, por Carlos Alhinho, no grupo a disputar a edição de 1996 da CAN. Já no torneio disputado na África do Sul, ao lado de um enorme contingente de atletas a competir nas provas lusas, o atacante disputaria, sempre como titular, todos os jogos dos “Palancas Negros”, agendados no Grupo A. Infelizmente, para Angola e para o atleta, as jornadas frente ao Egipto, à equipa da casa e aos Camarões traduzir-se-iam em duas derrotas e num empate frente à última selecção mencionada. Tão parcos resultados empurrá-lo-iam para fora do principal certame do futebol africano e o extremo voltaria a Portugal com um certo “amargo de boca”.
Com a despromoção da União de Leiria no termo do Campeonato Nacional de 1996/97, a carreira de Fua também sofreria um retrocesso. Surpreendentemente, mesmo tendo em conta as boas exibições conseguidas nos 3 anos passados na colectividade da “Cidade do Lis”, o atacante não mais viria a ter lugar num plantel primodivisionário. Outra curiosidade sobre a sua carreira, é que o avançado, depois de ter ultrapassado a centena de partidas feitas na principal prova do futebol luso, mais uma vez voltaria às constantes mudanças de emblema. Com o Moreirense a encabeçar essa nova fase do seu trajecto profissional, o atleta, numa carreira a durar até 2002/03, ainda envergaria as divisas do Imortal, Machico, Oxford United, Esperança de Lagos, Pedras Rubras, Sporting de Pombal, Macedo de Cavaleiros, Monchiquense e Ferreiras.

1734 - BOLINHAS

Com a formação concluída no emblema da terra natal, Luís Miguel de Sousa Bolinhas, na altura de transitar para a equipa principal, deixaria o Almada para, na temporada de 1989/90, ingressar no Pescadores da Costa da Caparica. Após cumprir a mencionada época na disputa da 3ª divisão, seguir-se-ia, com a subida de um escalão competitivo, a transferência para o Sacavenense. No entanto, apesar de demonstrar uma evolução prometedora, a verdade é que o extremo ainda demoraria alguns anos até conseguir dar o salto para um emblema com ambições primodivisionárias e feitas 5 campanhas no universo sénior, somando a essa experiência uma passagem de dois anos pelo Quarteirense, o jogador veria na mudança para o Sporting de Espinho a oportunidade que há muito ambicionava.
Com a chegada aos “Tigres da Costa Verde” a acontecer na temporada de 1994/95, Bolinhas, durante um par de campanhas, ainda teria de competir na divisão de Honra. Treinado inicialmente por Luís Norton de Matos, o atacante depressa conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras do conjunto sediado no distrito de Aveiro. Como o dono de um lugar no “onze” inicial, o extremo daria um enorme contributo para as prestações do colectivo alvinegro. Nesse sentido, numa altura em que já era orientado por Adelino Teixeira, o 3º posto na tabela classificativa de 1995/96, alcançado no escalão referido no começo deste parágrafo, dar-lhe-ia, na época seguinte, o direito a estrear-se entre os “grandes”. Apesar da inexperiência no patamar máximo, o avançado não claudicaria perante os requisitos associadas àquela que é a competição de maior monta no calendário português de futebol e num sector ofensivo que também contava com elementos como Artur Jorge Vicente ou com Caetano, o atleta saberia manter-se com um dos pilares da equipa.
Apesar da estreia no patamar máximo ter constituído um marco deveras importante na sua carreira, a verdade é que o jogador rapidamente regressaria às contendas do escalão secundário. Com a descida do Sporting de Espinho, e sem abandonar o clube, Bolinhas passaria a temporada de 1997/98 de volta à divisão de Honra. Já o regresso ao escalão maior dar-se-ia na campanha de 1998/99, numa altura em que já representava o Rio Ave. Contudo, a entrada no emblema de Vila do Conde não recuperaria os resultados anteriormente conseguidos e treinado por Carlos Brito, mesmo tendo alcançado números aceitáveis, o extremo nunca haveria de tornar-se num dos nomes indiscutíveis para o aludido técnico.
O período passado de “caravela” ao peito acabaria mesmo por dar ao jogador a derradeira experiência na 1ª divisão. De seguida, mesmo ao passar por colectividades com ambições à subida, a perseguida promoção jamais aconteceria. Académica de Coimbra e os regressos ao Rio Ave e ao Sporting de Espinho redigir-se-iam como os capítulos dessa parte da carreira do atacante. Fase que antecederia a entrada nos últimos desafios da sua caminhada enquanto futebolista, a qual, após envergar as camisolas do Sintrense e do Almada, findaria, segundo a informação retirada do “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol, com o termo das provas agendadas para temporada de 2004/05.

1733 - COUCEIRO

Apesar de natural de Tentúgal, Bento Silva Soares Couceiro haveria de ter no Sporting o termo do percurso formativo. Também no que diz respeito ao encetar da caminhada sénior, seria no emblema lisboeta que o jogador, inicialmente avançado para mais tarde passar a posicionar-se como defesa, daria os primeiros passos. Porém, nessa temporada de 1951/52, o jovem atleta apenas conseguiria um lugar no conjunto de “reservas”. A época seguinte, com o intuito de ganhar mais estaleca competitiva, passá-la-ia, na disputa da 2ª divisão, ao serviço do Luso do Barreiro. De regresso ao plantel dos “Leões”, a verdade é que a sorte alcançada na campanha de 1953/54 não seria diferente da obtida na experiência anterior e sem lugar na equipa principal, os empréstimos seguintes cumpri-los-ia na Serra da Estrela.
A chegada ao Sporting da Covilhã em 1954/55 daria a oportunidade a Couceiro de fazer a estreia no escalão máximo do futebol português. Treinado por János Szabó, depressa o defesa conseguiria assegurar um lugar na canhota do sector mais recuado. A preponderância conquistada com a titularidade, faria do jogador um dos pilares daquela que viria a ser a melhor posição de sempre dos “Serranos”. Com a agremiação beirã a terminar o Campeonato Nacional de 1955/56 no 5º posto da tabela classificativa, a importância desse feito, lado-a-lado com as suas excelentes prestações, assegurar-lhe-iam o regresso a Lisboa. No entanto, a temporada de 1956/57 resultaria em números bem aquém do esperado e o atleta poucas vezes apareceria em campo pelos “Verde e Brancos”.
Já a título definitivo, Couceiro voltaria à “Capital dos Lanifícios” para, na temporada de 1957/58, passar a integrar o plantel dos “Leões da Serra”. De novo a jogar em casa no Estádio José dos Santos Pinto, o defesa apanharia o clube afastado do convívio com os “grandes”. Ainda assim, a disputa do escalão secundário seria de pouca dura para a colectividade. Campeões da 2ª divisão, a campanha de 1958/59 marcaria o regresso dos homens da Beira Baixa à prova de maior monta no calendário luso de futebol. A mencionada subida de patamar permitiria ao jogador, ao consagrar-se como uma das grandes figuras do “onze” idealizado pelos diferentes treinadores, somar ao currículo outras 4 épocas primodivisionárias. Tal registo permitir-lhe-ia sublinhar o seu nome – ainda hoje o registo é válido – como um dos atletas com mais presenças no degrau máximo, pelo Sporting da Covilhã. Ainda assim, esse não seria o maior reconhecimento dado ao atleta. Nesse sentido, a braçadeira de capitão, entregue à sua responsabilidade, tornar-se-ia num dos maiores prémios concedidos à sua carreira. Por fim, sinal também do seu valor, falta referir a chamada, ao lado de José Rita e de Fernando Cabrita, aos treinos da selecção nacional, pela qual, infelizmente, nunca chegaria a entrar em campo.
Após mais um par de épocas a representar o Sporting da Covilhã, anos cumpridos novamente na 2ª divisão, Couceiro deixaria os “Leões da Serra” para, em 1964/65, como atleta e também como treinador, passar a envergar as divisas do Gouveia. Por fim, segundo algumas fontes, informação que não consegui confirmar, Couceiro, como técnico, ainda teria experiências à frente de colectividades como a AD Fornos de Algodres, Mangualde, Académico de Viseu e AD Guarda.

1732 - BOUDERBALA

Abdelaziz Bouderbala El-Idrissi estrear-se-ia na equipa principal do Wydad Casablanca no decorrer da temporada de 1977/78. Desde cedo começaria a destacar-se como um intérprete com uma capacidade técnica e com uma visão de jogo bem acima da média. Resultado do seu crescimento, o médio-centro depressa viria a tornar-se numa das principais figuras do clube por si representado e em 1980, depois da estreia pela selecção do seu país ter ocorrido no ano anterior, ver-se-ia como um dos elementos arrolados à participação na CAN.
Seria após ter ajudado o Wydad Casablanca a conquistar 1 Campeonato marroquino, 3 Taças do Trono e 1 Taça Mohammed V que Bouderbala, já cotado como uma das grandes figuras futebolísticas do seu país, começaria a ser cobiçado por emblemas europeus. Cumpridas 7 campanhas consecutivas no emblema situado na costa atlântica de África, onde também “apadrinharia” a estreia de Hassan, a proposta do FC Sion, onde alguns anos depois viria a partilhar o balneário com Carlos Manuel, levá-lo-ia, em 1984/85 até à Suíça. Na colectividade helvética participaria na vitória da edição de 1985/86 da Taça para, na época seguinte, inserido o clube nas provas de cariz continental, auxiliar a agremiação a chegar aos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças. Porém, o momento mais alto dessa sua primeira experiência europeia surgiria com a chamada ao Mundial de 1986. Incluído, pelo brasileiro José Faria, no elenco a viajar para o México, o jogador, no certame organizado no mencionado país da América Central, entraria em campo em todas as partidas disputadas pelo seu conjunto, contribuiria para a chegada de Marrocos aos oitavos-de-final e, ainda na Fase de Grupos, estaria presente no triunfo, por 3-1, frente a Portugal.
Já com a cotação cevada pela presença no Campeonato do Mundo, Bouderbala, na temporada de 1988/89, viria a estrear-se na Ligue 1. Em França, com as cores do Matra Racing, num grupo de trabalho que também contava com Jorge Plácido, o médio-centro começaria por ser orientado por Artur Jorge. Dois anos volvidos sobre a sua chegada a Paris, uma nova transferência levá-lo-ia até ao plantel do Olympique Lyonnais. No emblema do centro-leste do país transformar-se-ia num dos pilares do apuramento e da participação na Taça UEFA de 1991/92. Contudo, no final de uma campanha em que os “Les Gones” acabariam a lutar pela permanência no principal escalão gaulês, o internacional marroquino decidir-se-ia pela mudança de ares e acabaria a experimentar um novo contexto competitivo.
Com a mudança para Portugal a ocorrer na temporada de 1992/93, Aziz Bouderbala passaria a representar o Estoril Praia. Ao voltar a encontrar-se com Carlos Manuel, o centrocampista desde logo assumiria um papel de relevância no conjunto liderado tecnicamente por Fernando Santos. No entanto, mesmo cotado como um dos pilares da bem-sucedida luta pela manutenção dos “Canarinhos” na 1ª divisão, a verdade é que o atleta, com o termo das provas agendadas para a campanha referida no começo deste parágrafo, decidiria voltar ao futebol helvético. Dessa feita no St. Gallen, o par de anos cumpridos na Suíça precederiam o seu regresso a Marrocos. Mais uma vez a defender as divisas do Wydad Casablanca, onde ainda jogaria ao lado de Saber e de Daoudi, o médio somaria ao palmarés pessoal mais uma vitória na Taça do Trono e findada a época de 1996/97 tomaria a decisão de terminar a carreira enquanto futebolista.
“Penduradas as chuteiras”, o antigo jogador, eleito o Melhor Futebolista da CAN 1998, ainda manteria a ligação ao futebol. Nesse novo contexto, passaria pelas funções treinador-adjunto da principal selecção de Marrocos e também experimentaria as tarefas de director-desportivo do Wydad Casablanca.

1731 - VINCZE

Formado no Tatabánya Bányász, István Vincze subiria aos trabalhos dos seniores na temporada de 1984/85. Depressa o impacto que viria a ter na equipa levaria a que o jovem avançado começasse a ter outro género de projecção. Logo no final da aludida campanha, o ponta-de-lança seria chamado para participar no Campeonato do Mundo de sub-20. O torneio realizado na União Soviética como que serviria de rampa para o seu aparecimento na principal equipa magiar. Pela selecção maior da Hungria, o jogador estrear-se-ia a 30 de Janeiro de 1986, pela mão de György Mezey. Essa partida de preparação frente a um agregado de futebolistas da Ásia, serviria de arranque a uma caminhada que, mesmo sem contar com a participação em qualquer certame de grande monta, terminaria com um somatório de 44 internacionalizações “A”.
Mesmo tendo emergido de um emblema que, à partida, até soa a alguma modéstia, a verdade é que o Tatabánya Bányász, na segunda metade da década de 1980, seria um dos emblemas a lutar pelos lugares cimeiros das provas realizadas na Hungria. Essa ambição, onde Vincze seria um dos esteios, daria ao clube, a exemplo, o direito a figurar, respectivamente nas temporadas de 1986/87 e de 1987/88, na 3ª e na 2ª posição da tabela classificativa do Campeonato ou ainda na final da edição de 1984/85 da Magyar Kupa. Tamanha ousadia, em diversas alturas, entregaria à colectividade situada na região de Komárom-Esztergom um dos lugares oferecidos às pelejas disputadas no contexto continental. Nesse sentido, depois de participar na Taça dos Vencedores das Taças de 1985/86, o avançado também faria parte do elenco que, em 1987/88, seria um dos vencedores da Taça Intertoto e que, já no âmbito da Taça UEFA, acabaria eliminado frente ao Vitória Sport Clube.
Com o crescimento revelado durante os primeiros anos da carreira, Vincze começaria a ser cobiçado noutros lados da Europa. Com a abertura do Bloco de Leste, o avançado, na temporada de 1988/89, teria a oportunidade de disputar a Serie A do “calcio”. Como elemento do plantel do Lecce, a passagem do atacante por Itália, com números até bem interessantes, duraria apenas até à época seguinte da sua chegada a paisagens transalpinas. Todavia, ao contrário do que a sua evolução vinha demonstrar, o jogador decidiria abandonar as ligas mais ocidentais para aceitar o convite de um dos “grandes” do seu país. Com a entrada no Honvéd a acontecer na campanha de 1990/91, a primeira ilação retirada da referida mudança seria o acréscimo de títulos que o ponta-de-lança somaria ao palmarés pessoal e nesse cenário, nos 4 anos cumpridos pelo emblema de Budapeste, o avançado ajudaria a vencer 2 Campeonatos.
Já após fazer um par de temporadas ao serviço do BVSC-Zugló, Vincze viria a encetar a sua segunda aventura por colectividades estrangeiras. Na Bélgica, com as cores do Germinal Ekeren, passaria a campanha de 1996/97. De seguida surgiriam no seu trajecto as provas lusas e o Campomaiorense. Treinado, em 1997/98, por Bernardino Pedroto e, após a saída deste, por João Alves, o avançado, mesmo com a concorrência de Isaías ou de Demétrios, ainda assim conseguiria um registo bastante auspicioso. O pior viria no ano subsequente, no qual ainda participaria na campanha que levaria os “Galgos” até à final da Taça de Portugal, mas onde poucas vezes apareceria em campo pelo emblema alentejano. A falta de jogos levá-lo-ia, a meio da época, a aceitar o convite do Santa Clara orientado por Manuel Fernandes e a mudar-se para os Açores e para a disputa da 2ª divisão.
Apesar de ter ajudado a colectividade de Ponta Delgada a subir de escalão, Vincze optaria por regressar ao seu país. Ao entrar na fase final do trajecto enquanto jogador, o futebolista também voltaria a envergar uma camisola por si bem conhecida e depois do Tatabánya seriam o Pécsi Mecsek e o Vasas a preencher os derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto praticante.
Depois das “chuteiras penduradas”, o antigo ponta-de-lança ainda voltaria a ligar-se à modalidade. Nas funções de treinador tem tido algumas experiências e já leva no currículo as passagens pelo comando técnico da Puskás Akadémia, pelo Csákvári TK ou ainda, dessa feita como treinador-adjunto, no eslovacos do KFC Komárno.