1770 - ALFREDO GUIMARÃES

Formado nas “escolas” do Vitória Sport Clube, Alfredo da Costa Silva Guimarães teria a primeira oportunidade na equipa principal dos “Conquistadores”no decorrer da temporada de 1972/73. Lançado por Mário Wilson, o jogador, caracterizado pela baixa estatura, mas igualmente pela velocidade e habilidade acima da média, revelaria a capacidade para, ao longo de uma carreira dada mormente aos trabalhos consignados aos intérpretes posicionados nas vertentes periféricas do campo, desempenhar diferentes tarefas. Inicialmente como avançado-centro, mas a destacar-se como extremo-esquerdo para, mais tarde, passar a cumprir as funções de um defesa canhoto ou dextro, o jovem praticante, ainda assim, demoraria algum tempo até conseguir impor-se como um elemento preponderante nas escolhas técnicas. Nesse sentido, após o arranque da caminhada entre os seniores, nomeadamente na campanha seguinte ao já referido encetar de actividades, o atleta haveria de passar por um empréstimo e seria a AD Fafe, depois de uma curta viagem dentro do Minho, a recebê-lo nas contendas agendadas para 1973/74.
Os parâmetros competitivos sublinhados durante a cedência aos homens a equipar de amarelo, serviriam para assegurar o seu regresso à “Cidade Berço”. De volta ao grupo de trabalho do Vitória Sport Clube, Alfredo Guimarães, ainda orientado pelo “Velho Capitão”, teria na época de 1974/75 um acréscimo considerável de presenças em campo. Ainda no que respeita a esses números, a campanha seguinte, em semelhança com a anterior, seria bastante importante. No entanto, a temporada de 1975/76 teria outra magia, com a chegada dos minhotos à derradeira etapa da Taça de Portugal a conferir outro “élan” aos desempenhos do jogador. Na apelidada “Prova Rainha”, chamado por Fernando Caiado à final, o defesa apresentar-se-ia no Estádio das Antas como um dos nomes arrolados à titularidade. Infelizmente para o seu lado, o 2-1 registado no “placard” seria favorável ao Boavista e o troféu partiria em direcção aos escaparates do Bessa.
Daí em diante, Alfredo Guimarães passaria a assumir-se como um dos elementos regularmente chamados ao “onze” inicial. O lateral-esquerdo, que seria convocado aos trabalhos dos conjuntos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol e que, sem nunca ter jogado com as cores lusas, haveria de ocupar um lugar no banco de suplentes da equipa “B”, passaria a ser aferido como uma das figuras mais proeminentes nos desenhos tácticos do Vitória Sport Clube. Todavia, mesmo com a ligação entre a agremiação e o jogador a cimentar-se, só no que à camisola principal diz respeito, no decorrer de 7 anos, o termo da ligação entre ambos conheceria o fim com o remate das provas de 1979/80 e a escolha do atleta, para dar seguimento à carreira enquanto futebolista, recairia no Belenenses.
No Restelo a partir de 1980/81, a entrada de Alfredo Guimarães no grupo de trabalho dos “Azuis” em pouco alteraria a condição de titular trazida de anos anteriores. Já a temporada seguinte, tanto em termos pessoais, mas principalmente na avaliação atribuída ao colectivo “alfacinha”, ficaria bem abaixo do expectável. Alias, a última jornada do Campeonato Nacional de 1981/82 selaria algo de insólito no futebol português. Com a inédita descida do Belenenses a acentuar negativamente um ano menos conseguido por parte do defesa-lateral, a mudança de colectividade, ainda assim, levá-lo-ia até a um Ginásio de Alcobaça a estrear-se no escalão máximo. Como elemento do emblema sediado na Região Oeste, o atleta, em 1982/83, voltaria a desiludir-se na luta pela permanência. No seguimento de mais uma despromoção, uma nova transferência afastá-lo-ia, em definitivo, das contendas primodivisionárias e o Desportivo de Chaves, a AD Fafe, o Beira-Mar, o Paredes e o Celoricense completariam uma caminhada que, como futebolista, findaria em 1990/91.
Depois de “penduradas as chuteiras”, Alfredo Guimarães manter-se-ia ligado à modalidade e entre as funções de treinador-adjunto e técnico-principal, o antigo defesa teria experiências, a exemplo, na AD Fafe e Pevidém.

1769 - MATOS

Formado no FC Barreirense, haveria de ser no emblema da Margem Sul que José Fernando Silva Matos faria a estreia enquanto futebolista sénior. Nessa temporada de 1982/83, na qual participaria nas disputas da Zona Sul da 2ª divisão, o defesa-lateral poucas oportunidades conseguiria para demonstrar o seu valor. Nas épocas seguintes, sem deixar o referido patamar competitivo, o cenário pessoal do jogador começaria a mudar progressivamente e a campanha de 1984/85 acabaria a trazer-lhe a titularidade.
A constante chegada ao “onze” do FC Barreirense faria com que outras colectividades, nomeadamente aquelas ligadas às contendas de maior monta, começassem a reparar nas suas habilidades dentro de campo. O acréscimo de importância, verificado nesse período inicial da carreira, faria com que o Marítimo aferisse a sua contratação como benéfica para a valorização do plantel. Nos “Leões do Almirante Reis” a partir da temporada de 1985/86, o lateral-direito, estreante na 1ª divisão, teria em Mário Nunes o treinador a lançá-lo nas sendas do degrau maior do futebol luso. Mesmo sem qualquer experiência no referido plateau competitivo, a verdade é que Matos não ficaria, de todo, atrapalhado. Com presenças na maioria das jornadas do Campeonato Nacional, o atleta revelar-se-ia como um dos grandes destaques do conjunto madeirense. Essa constância exibicional, a levá-lo a merecer a confiança dos demais técnicos, saberia, com algumas excepções, conservá-la no par de campanhas seguintes. O contrário viria a verificar-se já no desenovelar de 1988/89 e a quebra de presenças nas fichas de jogo, ao fim de 4 anos na cidade do Funchal, fá-lo-ia mudar de rumo.
Com uma curiosa inscrição na página electrónica da Federação Portuguesa de Futebol a dá-lo, no arranque da temporada de 1988/89, como elemento do plantel do Beira-Mar, o que consegui apurar é que, no que diz respeito às aparições em campo, na mencionada época, Matos apenas contabilizaria jogos oficiais pelo Portimonense. No Algarve, ainda a pelejar nos cenários competitivos da 1ª divisão, o defesa-lateral, embora utilizado com uma frequência bastante aceitável, não conseguiria recuperar os números alcançados em anos pretéritos. De seguida, consumada a descida do listado alvinegro e a fazer fé na informação dada pelo “site” mencionado no início deste parágrafo, o jogador, mais uma vez, apareceria no encetar da campanha a exibir-se com um emblema para, no que aos registos de jogo diz respeito, apenas contabilizar presenças já ao serviço de outra agremiação. No entanto, independentemente do momento em que haveria de verificar-se a transferência, o que mais interessa retirar dessa mudança, é que o jogador, ao deixar o Barlavento para regressar ao FC Barreirense, jamais voltaria a calçar as chuteiras no universo primodivisionário.
Depois, já encetado o derradeiro trecho da sua carreira com o ano passado no emblema onde havia concluído a formação, Matos, que findaria a vida de futebolista com o termo das provas agendadas para a temporada de 1993/94, também continuaria a alimentar uma fase mais errante da caminhada competitiva. Nesse sentido, com mudanças de agremiação a cada ano cumprido, o lateral-direito ainda viria a representar, apresentados por ordem cronológica, os grupos de trabalho do Vila Real, do Montijo e da Quimigal.

1768 - MILINKOVIC

Natural da antiga Jugoslávia, Nikola Milinkovic teria no Radnicki Zdena o primeiro emblema na carreira sénior. No entanto, com o despoletar da guerra nos Balcãs, o médio-ofensivo largaria o emblema bósnio para vir a juntar-se ao FK Becej. Seria já como elemento do emblema sérvio que o jogador, ao destacar-se na subida da colectividade ao escalão máximo, começaria a ser cobiçado noutros campeonatos, nomeadamente nas ligas situadas na Europa Ocidental. Nesse contexto, o atleta acabaria por ser apresentado como reforço do plantel de 1993/94 do Lleida e passaria, com a transferência consumada, a disputar o principal patamar da La Liga.
A sua primeira temporada em Espanha terminaria com a descida do emblema por si representado. Como um dos titulares, Milinkovic ainda manteria a ligação com a equipa catalã por mais uma temporada. Contudo, falhada a subida, a aposta do jogador, para a campanha de 1995/96, recairia na proposta feita pelo Almería. A passagem do médio-ofensivo pela Andaluzia, com as pelejas colectivas a mantê-lo apenas nas lutas pela manutenção, seria ainda mais curta. Seguir-se-ia, logo na época de 1996/97, o convite do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, como um intérprete maduro, o atleta não teria qualquer dificuldade em impor-se no grupo de trabalho sob as instruções de José Romão e o jogador, estreante na 1ª divisão, seria um dos bons destaques do Campeonato Nacional de 1996/97.
Depois do arranque das actividades profissionais em Portugal, Milinkovic continuaria a envergar as cores dos “Flavienses”. Conservando igualmente os índices exibicionais, o médio-ofensivo, caracterizado pela boa leitura de jogo e pela qualidade de passe acima da média, não resistiria a um novo apelo vindo do outro lado da fronteira e, com a temporada de 1997/98 a meio, regressaria a Espanha. De novo a exibir-se no escalão secundário de “nuestros hermanos”, dessa feita com a camisola do Ourense, o jogador, resultado da forte aposta da agremiação galega no “mercado” português, viria a partilhar o balneário com Vítor Silva, Bizarro, Djurdjevic, Riça e Gaúcho. Porém, cumprida outra metade de época, o atleta acabaria por voltar aos cenários lusos e ao serviço do Alverca, para onde entraria com as provas de 1998/99 em andamento, encontraria a colectividade mais representativa de toda a sua passagem pela Península Ibérica.
Nos ribatejanos, Milinkovic voltaria a trabalhar com José Romão. No que restaria da campanha assinalada no final do parágrafo anterior, como nas duas seguintes, o médio-ofensivo manter-se-ia, sem deixar de ser um dos titulares do Alverca, nas contendas agendadas para a 1ª divisão. As épocas tranquilas vividas em Portugal, nas quais vincaria as suas qualidades futebolísticas, antecederiam outro dos grandes capítulos do seu trajecto profissional. Nesse trecho, a chegada à Áustria em 2001/02, mesmo tendo em conta os 33 anos de idade, revelaria um jogador com uma enorme vontade para dar seguimento à senda competitiva. Logo na campanha de chegada ao Grazer AK, o atleta contribuiria para a vitória na ÖFB-Cup. O mesmo título repeti-lo-ia em 2003/04, época em que também faria parte da lista de vencedores da Bundesliga austríaca.
Daí em diante, segundo a página oficial da Österreichischer Fußball-Bund, Milinkovic, na temporada de 2004/05, ainda representaria o Admira Wacker. Na campanha seguinte, neste caso tendo em conta outras fontes, o médio-ofensivo, começaria pelos sérvios do Radnicki Nis para, como nos diz outra vez o “site” da federação austríaca, terminar a época no USV Müllex Markt Hartmannsdorf. Depois viria a longa sabática de 5 anos e o espantoso regresso, em Janeiro de 2011, ao serviço do ESV Florio Ehlers. Mesmo tendo em conta a barreira dos 40 bem ultrapassada, o jogador ainda revelaria energia para prolongar a carreira e depois de vestir as camisolas do FC Celik Pötzleinsdorf, do UFC Schützen am Gebirge e do AS Koma, já com 45 anos de idade e no final da temporada de 2013/14, decidiria ser o momento certo para “pendurar as chuteiras”.
Paralelamente à derradeira fase da caminhada enquanto futebolista, Milinkovic também experimentaria as tarefas de treinador e nessas funções passaria pelas “escolas” do SK Cro-Vienna, pelo SV Albania e pelo 1.Simmeringer Sportclub.
Por fim, em jeito de curiosidade, falta referir que Nikola Milinkovic é pai dos futebolistas internacionais sérvios  Sergej Milinkovic-Savic e Vanja Milinkovic-Savic  e da basquetebolista, também internacional pela Sérvia, Jana Milinković-Savic.

1767 - JOSÉ MANUEL

Descoberto no CA Rio Tinto, para onde entraria em 1971/72, José Manuel Martins Moreira começaria a destacar-se como um intérprete rápido e com habilidade para chegar a zonas de golo. Ainda assim, apesar de reconhecidos os seus predicados, só alguns anos mais tarde é que o atacante teria a oportunidade de subir alguns degraus competitivos. A ocasião surgiria no Alto Alentejo e o atleta, na temporada de 1974/75, seria apresentado como reforço do Estrela de Portalegre.
Mesmo com o enorme pulo competitivo, salto a levá-lo dos “distritais” da Associação de Futebol do Porto até à 2ª divisão nacional, José Manuel não revelaria qualquer dificuldade em adaptar-se. Num grupo de trabalho onde, ao longo dos anos, iria a encontrar-se com nomes de tradição no futebol português, casos de Paris, Prieto, Figueiredo ou Leitão, as exibições que, dai em diante, iria conseguir levantar, nomeadamente na temporada de 1976/77, levá-lo-iam a ser cobiçado por outros emblemas. A referida campanha, na qual o Estrela de Portalegre, conduzido por Mourinho Félix, ficaria à beira de conseguir uma inédita subida ao escalão maior, servira de grande tónico para o seu crescimento e a transferência, consumada após o termo da aludida época, levá-lo-ia de novo ao Norte do país.
Apesar de rondado pelo FC Porto de José Maria Pedroto, José Manuel, em 1976/77, preferiria a proposta feita pelo Boavista. No entanto, no Bessa, onde passaria a ser orientado por Fernando Caiado, aquela que prometia ser a temporada da sua afirmação ficaria manchada pelas lesões. Também na época seguinte, as mazelas físicas viriam a afectá-lo. Ainda assim, jogaria com um pouco mais de frequência. Nesse sentido, nas provas internas, o extremo participaria na gloriosa campanha da Taça de Portugal, a levar os “Axadrezados” até à derradeira ronda da competição. No Jamor, tanto na final, como na finalíssima, o avançado não seria chamado, por Jimmy Hagan, a entrar em campo. Porém, com a sua participação nas eliminatórias anteriores e com a vitória, no Estádio Nacional, consumada frente ao Sporting, o atleta acabaria também arrolado como um dos homens responsáveis pela conquista do troféu correspondente à vitória na “Prova Rainha” de 1977/78.
O desaire pessoal vivido com as “Panteras” faria com que José Manuel fosse empurrado para as contendas do patamar secundário. No entanto, a entrada no plantel de 1979/80 do Amarante teria como principal proveito o regresso do jogador aos índices exibicionais de anos anteriores. Volvidas duas temporadas, surgiria a oportunidade do extremo voltar a exibir-se entre os “grandes”. Contratado pelo Rio Ave, o atacante encontrar-se-ia novamente a trabalhar sob as instruções de Mourinho Félix. Logo nessa temporada de 1981/82 seria peça importante no histórico 5º lugar, alcançado pela colectividade de Vila do Conde, no termo do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, numa caminhada que ficaria marcada por inúmeros regressos, surgiria a contratação pelo Boavista e o atleta, de volta ao Estádio do Bessa, integraria o grupo de trabalho pensado para 1982/83.
Duas épocas, algo discretas, ao serviço dos “Axadrezados” precederiam a sua entrada no Salgueiros. Em Paranhos, inicialmente treinado por Henrique Calisto, o jogador ainda viria a recuperar alguma da preponderância passada. Porém, as mazelas trazidas de pretéritos episódios e a entrada na veterania, progressivamente acabariam por afastá-lo da titularidade. Ainda assim, a passagem de 4 temporadas pelo Estádio Vidal Pinheiro teria o condão de dar ao currículo do jogador um somatório de 9 campanhas cumpridas nos cenários primodivisionários. De seguida, com a experiência no Felgueiras de 1989/90 pelo meio, emergiriam, em definitivo nos patamares secundários, as épocas de 1988/89 e de 1990/91 com as cores do Rio Ave. Seria nesses anos de “caravela” ao peito que o atacante acabaria por ser orientado por Mário Reis e a ligação criada entre o treinador e o atleta ira alterar o futuro de José Manuel. 
Com as “chuteiras penduradas”, José Manuel passaria a dedicar-se às actividades de técnico. Como ajunto do treinador referido no final do parágrafo passado, o antigo futebolista passaria por diversos emblemas e por entre Felgueiras, Rio Ave, Salgueiros e União de Leira, o grande destaque viria para o período no Boavista e para a sua ajuda nas conquistas da Taça de Portugal de 1996/97 e na Supertaça da temporada seguinte. 

1766 - ELISEU

Formado no Internacional de Porto Alegre, Eliseu Erhart encetaria a carreira sénior igualmente ao serviço do emblema do Rio Grande do Sul. Ao subir a sénior em 1987, as duas primeiras campanhas passá-las-ia ainda com os “reservas”. Já na temporada de 1989 surgiria a oportunidade de fazer a estreia pelo conjunto principal. No entanto, seria na campanha seguinte que começaria a aparecer com alguma regularidade no “onze” do “Colorado”. Curiosamente, numa altura em começava a impor-se, talvez como resultado da despromoção da equipa à Serie B do “Brasileirão”, o defesa-central, na época de 1991, acabaria por ser emprestado ao Aimoré. Ainda assim, com o atleta cotado como um praticante de porte físico imponente e com grande capacidade de luta, a sua fama de bom intérprete não desapareceria e do outro lado do Oceano Atlântico acabariam por mostrar interesse na sua contratação. 
A mudança para o plantel de 1991/92 do Gil Vicente daria azo a uma caminhada a manter o jogador por largos anos a actuar em Portugal. Essa campanha da sua chegada coincidiria logo com a estreia do defesa-central na 1ª divisão. Mesmo ao assumir-se como um dos titulares da equipa a cargo de António Oliveira, curiosamente essa seria a única temporada do atleta a exibir-se com as cores do colectivo de Barcelos. De seguida viria a sua entrada no Beira-Mar e, treinado por Vítor Urbano, um inesperado decréscimo de presenças em campo. Ainda assim, logo na temporada subsequente, o jogador viria a recuperar o merecido lugar no “onze”. O mesmo estatuto conservá-lo-ia em 1994/95, Porém, para a infelicidade do grupo de trabalho por si representado, a referida época terminaria com a despromoção da agremiação aveirense e ao fugir à descida, Eliseu, na época de 1995/96, apresentar-se-ia com uma camisola diferente.
No Estrela da Amadora, onde passaria a trabalhar sob a alçada de Fernando Santos, o defesa-central voltaria a revelar algumas dificuldades em impor-se. Tal contrariedade faria com que o jogador, passado apenas um ano, voltasse a mudar de ares. A transferência para o Felgueiras teria como principal consequência o seu afastamento, por um largo período, dos principais cenários competitivos portugueses. Mesmo a actuar já há 4 anos e meio na divisão de Honra, o jogador teria a capacidade de manter bem vivas as suas qualidades desportivas. Essa constância exibicional faria com que, a meio da temporada de 2000/01, o Vitória Futebol Clube apostasse em si como um dos nomes a reforçar a luta pela subida de escalão. O risco corrido pelo emblema setubalense seria compensado e o regresso, dos “Sadinos” e do atleta, ao convívio com os “grandes” viria a materializar-se.
Com o Vitória Futebol Clube de volta às pelejas primodivisionárias, Eliseu, a escrever os derradeiros do seu trajecto enquanto futebolista, teria na temporada de 2001/02 a última presença no escalão máximo. Depois viria a aventura pela China e em 2003, ainda com as cores do Shenyang Ginde, a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1765 - BILLY RAFFERTY

Ao terminar a sua formação com as cores do Coventry City, seria também ao serviço dos “Sky Blues” que Billy Henry Rafferty, no final da temporada de 1969/70, começaria a caminhada enquanto sénior. Apesar de bem constituído fisicamente, com uma agilidade e velocidade surpreendentes, a verdade é que o atacante nascido na Escócia não teria a vida facilitada nos anos a competir no clube. A esgrimir-se no principal escalão inglês, onde começaria a ser orientado por Noel Cantwell, o jovem jogador ver-se-ia ultrapassado pela concorrência de colegas bem mais experientes. Ainda assim, logo na época a seguir à da sua estreia, o avançado-centro teria a oportunidade de participar na Taça das Cidades com Feira. No entanto, a recorrente falta de jogos faria com a mudança de emblema fosse quase uma premissa e já com a campanha de 1972/73 em andamento, o negócio a envolver a chegada de Tommy Hutchison fá-lo-ia, em sentido inverso, partir na direcção do Blackpool.
A ida para a agremiação de Lancashire, onde chegaria a encontrar-se com Mikey Walsh, teria a vantagem de pôr o ponta-de-lança, mesmo com a descida de um escalão, a jogar com mais frequência. Ainda assim, seria uma nova mudança, a levá-lo a descer ainda outro patamar competitivo, a dar-lhe espaço para que, finalmente, começasse a demonstrar o seu real valor. Com a entrada no Plymouth Argyle concretizada na segunda metade de 1973/74, o ponta-de-lança passaria a fazer dupla com o futuro internacional inglês Paul Mariner. A referida parelha, deveras prolifera, acabaria por tornar-se numa das sociedades mais recordada na história da agremiação sediada no condado de Devon. Até ao final de 1975/76, com uma subida de escalão pelo meio, os dois jogadores apaixonariam os adeptos dos “Pilgrims” e as suas exibições valeriam, para ambos, um verdadeiro acréscimo nas suas cotações.
A mudança para o Carlisle serviria, quase, como de interlúdio para o seu regresso ao patamar máximo do futebol inglês. Tal aconteceria perto do final da temporada de 1977/78, com a contratação por parte do Wolverhampton Wanderers. No “Wolves”, onde partilharia o balneário com John Richards, jogador com passagem pelo Marítimo, o avançado até jogaria com alguma frequência. Porém, o registo de golos ficaria um pouco aquém do conseguido em campanhas anteriores. Ainda assim, até pela capacidade de também municiar outros colegas do sector mais ofensivo, o jogador manter-se-ia como um dos atletas de maior preponderância nos homens a jogar em casa no Molineux Stadium. No entanto, a relação entre o jogador e a colectividade do centro de Inglaterra viria mesmo a cessar. Seguir-se-ia, já após o arranque das provas agendadas para 1979/80, a transferência para o Newcastle e a entrada, sensivelmente um ano depois, no Portsmouth.
A chegada aos “Pompey” marcaria, poderá dizer-se, o início da sua veterania. Contudo, com a barreira dos 30 anos de idade ultrapassada, o avançado-centro ainda daria muito ao futebol. Aproximadamente 3 anos após o regresso à costa sul de Inglaterra, o atleta, depois de participar activamente na vitória do Portsmouth no campeonato da Division Three, mudar-se-ia para o plantel de 1983/84 do Bournemouth. A transição para os “Cherries” antecederia aquela que viria a tornar-se na única aventura do atacante fora das ilhas britânicas. Apresentado como reforço do Farense para a temporada de 1985/86, o “stricker”, num grupo de trabalho orientado por Dinis Vital, contribuiria para o regresso dos algarvios ao convívio com os “grandes”. Curiosamente, o ponta-de-lança não seguiria com os restantes colegas para o escalão máximo do futebol português e viria a assinar por outro emblema. No Louletano, onde acabaria por terminar a carreira, ficaria por um par de épocas, tendo “pendurado as chuteiras” com o termo de 1987/88.

1764 - JUSTINO

Com a formação feita no Sporting, seria ainda como elemento das “escolas” leoninas que Fernando Justino começaria a ser arrolado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. No campo internacional, começaria pelos actualmente designados como sub-16. Essa partida frente à Suíça, à qual seria convocado por Peres Bandeira, serviria de arranque a uma caminhada a levá-lo à soma de 19 encontros disputados com as cores lusas. No desenovelar do mencionado trajecto, o guardião teria a oportunidade de comparecer em certames de alto gabarito. A primeira dessas participações, talvez a mais importante, surgiria no Japão, por altura do Campeonato do Mundo de sub-20 de 1979, onde, ao lado de colegas como Diamantino, Nascimento, Alberto Bastos Lopes, Zé Beto, Parente, Adão, entre outros, ajudaria Portugal a atingir os quartos-de-final da prova. Igualmente merecedor de destaque seria a sua presença na edição de 1981 do Torneio de Toulon, chamada que, no conjunto de “esperanças”, encerraria o seu percurso como jogador a envergar a “camisola das quinas”.
No que concerne ao percurso clubístico, Justino teria na temporada de 1978/79 o arranque das actividades enquanto sénior. Lançado por Milorad Pavic na equipa principal dos “Leões”, as escassas ocasiões em que apareceria em jogo, nesse novo contexto competitivo, levariam a que os responsáveis pelo Sporting começassem a equacionar a sua cedência a outros emblemas. A senda de empréstimos começaria, então, com a passagem pelo plantel de 1980/81 do Recreio de Águeda e, na época seguinte, pelo primodivisionário União de Leiria. Porém, o esperado regresso a Alvalade nunca viria a acontecer e de volta ao distrito de Aveiro, o guarda-redes, na campanha de 1982/83, voltaria a rubricar um contrato com a referida agremiação sediada nas margens do Rio Vouga.
Depois de ajudar à inédita promoção do Recreio de Águeda à 1ª divisão, o destino de Justino levá-lo-ia a assinar por outro clube. Ao retornar a Lisboa, o atleta acabaria a encetar aquela que viria a tornar-se na maior ligação da sua vida enquanto futebolista profissional. No Belenenses a partir de 1983/84, o guarda-redes viria a apanhar os “Azuis” na disputa do escalão secundário. Logo de seguida, com o título de campeão a abrilhantar o episódio, viria a subida de patamar. De novo entre os “grandes”, a época de 1984/85, durante a qual partilharia o lugar à baliza com Melo, ainda daria bons presságios para o futuro da carreira do guardião. O pior é que a campanha subsequente ficaria marcada pela contratação de Jorge Martins, com as dificuldades, no plano pessoal de afirmação, a crescerem consideravelmente. Daí em diante, poucas seriam as ocasiões em que viria a demonstrar o seu incontestável valor e a condição de suplente prolongar-se-ia por diversas épocas.
Mesmo na sombra de outros colegas, Justino, ainda assim, faria parte de grupos de trabalho que conseguiriam alcançar bonitas metas. Um desses momentos surgiria com a presença do Belenenses na final da Taça de Portugal de 1985/86. Melhor ainda, igualmente na “Prova Rainha”, a edição de 1988/89 da competição traria a vitória sobre o Benfica, com o guarda-redes, chamado ao Jamor por Marinho Peres, sentado no banco de suplentes. Ainda assim, só na campanha seguinte ao mencionado triunfo, é que o guardião voltaria a ter a oportunidade de aparecer, mais uma vez, nas pelejas do Campeonato Nacional. Curiosamente, essa e a época seguinte tornar-se-iam nas derradeiras do jogador com a “Cruz de Cristo” ao peito e na temporada de 1991/92 acabaria apresentado como reforço do Amora.
Cumpridas 8 épocas no Belenenses, Justino teria na Medideira a nova casa. Afastado em definitivo dos cenários maiores do futebol luso, o guarda-redes passaria 3 anos no emblema da Margem Sul. Entretanto, concretamente em 1994/95, voltaria a Lisboa para assinar pelo Atlético. Na Tapadinha, depois da aludida campanha, surgiriam, registados no “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol , um curioso hiato e o regresso à actividade competitiva, mais uma vez ao serviço dos homens sediados no bairro de Alcântara, já em 1997/98.
Com o termo definitivo da carreira enquanto praticante, Justino, não muito tempo depois, viria a aparecer como treinador de guarda-redes. Na nova actividade profissional, em grande parte ligada às equipas técnicas de Fernando Santos, teria, entre outras, passagens pelo Sporting, PAOK e na selecção de Portugal, para além da presença no Mundial de 2022, o antigo guardião faria parte da caminhada campeã no Euro 2016.

1763 - GARCÊS

Descoberto nas “escolas” do Olhanense, Fernando de Jesus Colucas Garcês teria no Sporting o fim da caminhada formativa. Ainda em Alvalade, concretamente no desenovelar da temporada de 1974/75, o médio-ala direito teria a oportunidade de fazer a estreia nos desafios seniores. Numa época em que os “Leões” apresentariam 3 treinadores diferentes, seria pela mão do chileno Fernando Riera que o jovem intérprete encetaria a sua presença nas principais provas do calendário luso. No entanto, apesar do potencial revelado, o atleta, tanto na campanha já referida, como na seguinte, jamais conseguiria impor-se como um elemento de alguma preponderância no desenhar táctico da equipa lisboeta e com apenas 7 jogos em 2 anos, o jogador deixaria Alvalade no final de 1975/76.
Apesar do ligeiro desaire vivido com os “Verdes e Brancos”, Garcês, na campanha de 1976/77, mesmo com a mudança de colectividade, haveria de manter o seu lugar na 1ª divisão. Aliás, a temporada a vestir a camisola do Beira-Mar tornar-se-ia numa das melhores da sua carreira. Para tal avaliação, muito mais do que a titularidade alcançada no conjunto nascido na cidade de Aveiro, viriam as chamadas para as equipas sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os sub-21 lusos, o médio-ala teria a estreia internacional em pleno Torneio de Toulon. Arrolado para a edição de 1977 do certame organizado em França, o futebolista entraria nas 3 rondas em que Portugal participaria e, desse modo, acrescentaria ao currículo 3 partidas com a “camisola das quinas”.
Embora tenha realizado uma temporada de enorme valor, a despromoção do emblema a jogar em casa no Estádio Mário Duarte, faria com que o percurso de Garcês, na temporada de 1977/78, passasse pelo Riopele. Curiosamente, também a agremiação de Pousada de Saramagos haveria de claudicar na luta pela manutenção. Porém, o médio-ala, mais uma vez, conseguiria escapar aos escalões secundários. De novo ao serviço do Beira-Mar, o jogador continuaria a trilhar o seu caminho pelos cenários primodivisionários. Ainda assim, numa carreira que viria a caracterizar-se por alguma errância, a estadia em Aveiro, tal como em épocas anteriores, duraria apenas um ano. De seguida viria o União de Leiria que, em 1979/80, faria a estreia entre os “grandes” e também desceria de divisão. Depois emergiria o interesse do Vitória Futebol Clube e a entrada numa fase ligeiramente mais estável do seu trajecto competitivo.
A chegada a Setúbal no arranque da época de 1980/81, onde trabalharia com Rodrigues Dias, daria início a um par de ciclos de 2 anos cada um. No primeiro desses biénios, Garcês conseguiria consagrar-se como um dos homens com mais presenças no “onze” dos “Sadinos”. No entanto, a época seguinte exprimir-se-ia exactamente pelo oposto. Tamanho decréscimo nas partidas disputadas faria com que o médio procurasse, no Estoril Praia, outra solução para a carreira. Por coincidência, a transferência para o emblema da Linha de Cascais em nada mudaria o panorama competitivo do atleta e com Mário Nunes no comando dos “Canarinhos” poucas oportunidades haveria de alcançar.
Apesar das duas temporadas menos conseguidas, 1983/84, ainda a jogar na colectividade da Amoreira, devolveria o atleta aos patamares exibicionais de campanhas anteriores. Todavia, como aconteceria algumas vezes durante a carreira do médio, a descida do Estoril Praia levá-lo-ia, mais uma vez, a dar outro rumo à sua caminhada. Dessa feita, a escolha pelo plantel do União da Madeira afastá-lo-ia do patamar máximo do futebol português. Aliás, a época de 1984/85, passada no Funchal, muito mais do que encetar aquela que acabaria a tornar-se na derradeira fase da sua senda enquanto futebolista, viria a pôr fim a um ciclo de uma década consecutiva na 1ª divisão. Seguir-se-iam, com um ano apenas em cada colectividade, o Paços de Ferreira, o Lousada, o Valpaços e, com o “pendurar das chuteiras” a surgir com a conclusão da campanha de 1988/89, a experiência no Vila Meã.

1762 - GALILEU

Terminado o percurso formativo com as cores do Sporting, Galileu Morgado de Moura teria igualmente nos “Leões” o início da sua carreira sénior. Nesse arranque, em 1946/47, o avançado começaria pela 2ª categoria, passaria depois pelos “reservas” para, em 1950/51, vir a estrear-se na equipa principal. Com Randolph Galloway, por essa altura, no comando técnico dos “Verdes e Brancos”, o polivalente atacante passaria a ser encarado, ao lado de Mário Wilson e de Pacheco Nobre, como um dos possíveis substitutos do “reformado” Peyroteo. A verdade é que as escolhas do técnico inglês não dariam muitas oportunidades ao jogador e com apenas duas partidas disputadas não passaria de terceira escolha para a posição de ponta-de-lança.
Apesar de reconhecidas as boas qualidades do jogo por si apresentado, que chegariam a valer-lhe o epíteto de “suplente de luxo”, a época seguinte à da sua estreia no conjunto principal não seria muito diferente em termos de utilização. Já a campanha de 1952/53, com o atleta mormente colocado no lugar de extremo-direito, chegaria a dar a ideia que o estatuto do atacante no seio do grupo de trabalho sportinguista estaria prestes a mudar. No entanto, a contratação de Hugo Sarmento ao Estrela de Vendas Novas, com a mudança a efectivar-se em 1953/54, deitaria por terra a imagem de Galileu como titular. Ainda assim, a utilidade do avançado jamais seria posta em causa e a sua continuidade no plantel, mesmo com a mudança de treinadores, nunca seria posta em causa.
Ao manter-se, no que diz respeito ao arrolar do alinhamento inicial, numa segunda partição de opções, Galileu, em 4 anos a trabalhar com a equipa principal, ainda assim daria um bom contributo para os vários títulos alcançados pelo Sporting. Para além da sua participação no triunfo conseguido na edição de 1953/54 da Taça de Portugal, o atacante, entre 1950/51 e a já mencionada campanha de 1953/54, também faria parte da lista de atletas a conquistar o primeiro tetracampeonato alcançado em Portugal. Já as 3 últimas épocas em que jogaria pelos “Verdes e Brancos” seriam bem diferentes em termos de vitórias colectivas. Mesmo sem qualquer troféu a enriquecer-lhe o palmarés pessoal, a época de 1955/56 voltaria a dar a impressão da possível chegada do jogador ao “onze”. Porém, a adaptação a defesa-direito, idealizada por Alejandro Scopelli, permitir-lhe-ia somente disputar pouco mais de uma dezena de partidas. Mesmo com esse novo fôlego, o jogador, na campanha do suposto alento alimentado pelo aludido técnico argentino, acabaria por ficar de fora de um dos momentos históricos do futebol mundial, ou seja, a partida de arranque da recém-criada Taça dos Clubes Campeões Europeus, disputada entre os “Leões” e os jugoslavos do Partizan Belgrado.
Com o fim da sua ligação ao Sporting a acontecer no termo das provas agendadas para a temporada de 1956/57, Galileu ainda continuaria na prática do futebol. Ao manter-se na disputa da 1ª divisão, o jogador escolheria então o Torreense como o novo emblema da sua carreira desportiva. Já depois do encerrar da campanha de 1957/58, com o atleta apenas a contar com 29 anos de idade, para grande surpresa minha, não mais encontrei qualquer registo da actividade do atacante na modalidade, o que poderá indiciar um fim precoce do seu trajecto enquanto futebolista.

1761 - AUGUSTO

Nascido no Brasil, mas filho de portugueses, Augusto Martins que é, segundo algumas fontes, irmão mais novo de Osvaldo Manoel Martins, atleta igualmente com passagens por Portugal, teria no plantel de 1958 do Bonsucesso o começo da actividade enquanto praticante sénior. No seguimento da mencionada estreia, o extremo-direito manter-se-ia no mesmo emblema até do Fluminense surgir o interesse na sua contratação. Tal intenção materializar-se-ia, ainda que por empréstimo, na temporada de 1961. Contudo, a experiência nos “Tricolor” não correria como esperado e o jogador, findo o período de cedência e ainda no mesmo ano da mudança em direcção às Laranjeiras, retornaria à colectividade detentora do seu passe.
Havendo quem afirme como certa a sua passagem, em 1962, pelo Madureira, verdadeira seria a apresentação de Augusto como reforço do Sporting para a temporada de 1962/63. Em Alvalade, com Juca como treinador, o atacante começaria por ser utilizado com bastante regularidade. Mesmo com a curiosidade de, nessa campanha de chegada a Portugal, ter apenas jogado no Campeonato Nacional, a entrada para a época seguinte prometeria uma afirmação ainda mais contundente por parte do extremo. No entanto, aquilo que viria a verificar-se seria exactamente o oposto. Com o treinador Gentil Cardoso contratado para o arranque da temporada, o atleta, mesmo adaptado ao meio-campo, viria a perder muito do espaço conquistado anteriormente. Ainda assim, seria chamado para disputar 3 partidas da Taça dos Vencedores das Taças e com o Sporting a conquistar a edição de 1963/64 da dita prova, Augusto também seria inscrito no rol de nomes triunfadores da competição organizada pela UEFA.
Dispensado pelos “Leões”, Augusto, para a temporada de 1964/65, teria no Vitória Futebol Clube o capítulo seguinte da carreira. Com a entrada no emblema de Setúbal a coincidir com uma das épocas áureas da colectividade, o extremo seria peça importante nos feitos conseguidos na disputa da Taça de Portugal. Nesse sentido, logo no primeiro ano com o listado vertical verde e branco, o jogador, chamado por Fernando Vaz, entraria em campo no derradeiro desafio da competição. No Jamor, frente ao Benfica, ajudaria a conquistar o referido troféu. Também na época seguinte, repetiria a presença no Estádio Nacional. Contudo, dessa feita, o “caneco” partiria em direcção aos escaparates do Sporting de Braga. Já façanha de triunfar mais uma vez na “Prova Rainha” emergiria novamente na campanha de 1966/67 e, mesmo afastado da final, a sua presença nas rondas anteriores transformá-lo-iam num dos vencedores.
A época de 1967/68 marcaria, na caminhada do futebolista, a chegada ao Minho. No Vitória Sport Clube, muito mais do que reencontrar Juca, o jogador encetaria um trajecto a levá-lo a uma ligação de 4 anos com o conjunto de Guimarães. Durante o aludido período, os grandes destaques dessa passagem pela “Cidade Berço” iriam para o 3º lugar alcançado no termo do Campeonato Nacional de 1968/69 e, principalmente, para os apuramentos para as provas continentais. Repetindo a presença nesse tipo de competições, como já o tinha conseguido nos dois anteriores clubes, o médio teria na edição de 1969/70 da Taça das Cidades com Feira a estreia dos “Conquistadores” nos desafios europeus e entraria, dessa forma, para a história da agremiação minhota.
Depois da possível saída do Vitória Sport Clube no final de 1970/71, com 9 temporadas na 1ª divisão a colorir-lhe o currículo, existem fontes a dar o atleta, na campanha de 1972/73 e nas duas seguintes, a participar nas pelejas do Gil Vicente. Sobre esta hipotética passagem pelos “Galos”, é verdade que encontrei registos de um “Augusto” que, no relato de algumas rondas referentes a esse período, aparece alinhado na equipa inicial. Todavia, a correcção merecida a este singelo texto faz-me confessar que não consegui confirmar as diferentes alusões como sendo sobre o mesmo futebolista.

1760 - JÁNOS BIRI

Guarda-redes, János Biri teria no Kispesti AC o emblema que, na temporada de 1920/21, abriria a sua carreira como sénior. No emblema húngaro, o jogador depressa assumiria um papel de enorme relevância, ao ponto de, passadas algumas temporadas, começar a ser cogitado para a defesa da baliza da principal selecção do seu país. A estreia, pela mão de Gyula Kiss, aconteceria a 23 de Setembro de 1923. Após essa partida frente à Áustria, o guardião continuaria nos planos da equipa nacional e, nesse sentido, acabaria arrolado como um dos atletas a disputar os Jogos Olímpicos de 1924. Posteriormente às olimpíadas realizadas em Paris, o guardião voltaria a chamado e com a camisola magiar somaria um total de 5 internacionalizações.
As exibições conseguidas nos Jogos Olímpicos levariam a que outros emblemas começassem a olhar para si como um bom reforço. Com a cotação a subir, seria então de Itália que surgiria o desafio para que o atleta mudasse de contexto competitivo. Ao rubricar um contrato com o Padova em 1925/26, o guardião tornar-se-ia num dos intérpretes que, na campanha de 1926/27, competiria no arranque da Serie A. Porém, mesmo tendo em conta a importância desse episódio, a verdade é que a caminhada do János Biri no “calcio” resumir-se-ia apenas ao par de épocas mencionadas. De seguida, o jogador regressaria à Hungria e depois de cumprir a época de 1927/28 no MTK Budapest, encetaria um longo périplo que, em constantes mudanças de emblema, levá-lo-ia igualmente a envergar as cores de Budai 33, Sabaria, Pécs-Baranya e III. Kerületi TVE.
A temporada de 1932/33 marcaria uma nova aventura do guarda-redes pelo estrangeiro. O ano passado em França, a representar o AC Amiens, serviria de interlúdio para aquela que viria a ser a mudança mais importante da sua vida. Já em Portugal, János Biri, ainda enquanto futebolista, começaria por vestir as cores do Boavista. Seria também nos “Axadrezados” que, na campanha de 1935/36 e como treinador-jogador, encetaria as funções de técnico. Posteriormente surgiriam os anos à no FC Porto e no Académico do Porto para, em 1939/40, ser apresentado como o “timoneiro” do Benfica. À frente da agremiação lisboeta, o antigo atleta húngaro abraçaria o projecto para modernizar o futebol das “Águias” e em 8 anos tornar-se-ia numa das grandes figuras da história dos “Encarnados”.
Com o Benfica, János Biri começaria por, nos treinos, dar grande ênfase à parte técnica e táctica. Tamanho trabalho rapidamente traria os seus frutos e os títulos começariam a somar-se nos escaparates do clube. De início, logo na época de chegada às Amoreiras, surgiriam o triunfo no Campeonato de Lisboa e a conquista da primeira Taça de Portugal na história dos “Encarnados”. Porém, os troféus vencidos pelas “Águias”, sob a sua orientação, não ficariam por aqui. Em grupos de trabalho que, ao longo dos anos, teriam nomes como Francisco Ferreira, Valadas, Gaspar Pinto, Espírito Santo, Rogério de Carvalho, Julinho, Albino, Arsénio, Francisco Moreira, Jacinto, Martins, Félix Antunes, Joaquim Teixeira, entre tantas outras estrelas, o resultado seriam as conquistas de outras 2 “Provas Rainhas” e de 3 Campeonatos Nacionais.
Com a saída do Benfica no termo da campanha de 1946/47, János Biri manter-se-ia por Portugal. Seguir-se-iam, sempre na 1ª divisão, as experiências no Estoril Praia, no Vitória Sport Clube e no Atlético. No Vitória Futebol Clube, para onde entraria em 1952/53, levaria a colectividade setubalense até à final da Taça de Portugal de 1953/54, infelizmente para os “Sadinos”, perdida para o Sporting. No Oriental sagrar-se-ia campeão do 2º escalão. Depois, numa carreira que, entre outras experiências, contaria com 24 temporadas no patamar máximo, o treinador ainda passaria por diversos emblemas, casos da CUF, do Lusitânia dos Açores, onde daria a conhecer Mário Lino, Académica de Coimbra, Lusitano de Évora, Vila Real e Académico de Viseu.

1759 - CARLTON MARTIN

Nascido em Inglaterra, mais concretamente na área de Liverpool, Carlton Martin, filho de mãe britânica e pai jamaicano, viajaria para o Canadá em Abril de 1982. Ao chegar ao referido país norte-americano, apaixonado que era pela modalidade, mas sem nunca ter praticado futebol de forma organizada, teria no Oakville Soccer Club o primeiro emblema da carreira. Curiosamente, um momento caricato haveria de encurtar a sua passagem pela mencionada colectividade dos arredores de Toronto – “No meu primeiro jogo, eu saí do banco de suplentes e fui substituído pelo treinador 20 minutos depois (…). À altura, eu era um extremo e fiz aquilo que qualquer um naquela posição faz, que são alguns bons cruzamentos e muita corrida”*.
No rescaldo do acontecido, um amigo da família, desagradado com o tal episódio, haveria de prometer ao jovem praticante uma oportunidade noutro emblema. Essa chance surgiria, pouco tempo depois, no Toronto West Indies United. Com a entrada na nova colectividade, onde passaria a ocupar a posição de defesa-central, a carreira do atleta depressa começaria a alavancar-se. Ao conquistar um lugar no “onze” titular, Martin passaria a ser considerado como um dos pilares do conjunto e seria, nesse sentido, um dos nomes mais consagrados na vitória do clube na Ontario Cup de 1973. 
Antes de chegar a Portugal, Carlton Martin haveria de representar os Toronto Italia e o First Portuguese, agremiação na qual chegaria a cruzar-se com nomes como Moniz, Narciso, Marinho ou Jacinto João. Muito à custa dos conhecimentos feitos na colectividade fundada por imigrantes lusos, de seguida, viria a travessia do Oceano Atlântico, a chegada ao “Velho Continente”, onde, na sua caminhada competitiva, emergiria então o Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, ao entrar de imediato para o patamar máximo, o jogador seria apresentado como reforço para a temporada de 1977/78. Lançado por Fernando Vaz na equipa a exibir-se com o listado verde e branco, a verdade é que o atleta, mesmo sem qualquer experiência no futebol europeu, haveria de pegar de estaca no “onze” inicial dos “Sadinos”. Tal estatuto, a asseverá-lo como um dos habituais titulares e em épocas de alguma tranquilidade classificativa, mantê-lo-ia no par de anos vindouros e numa dupla formada mormente com o internacional José Mendes. No entanto, a preponderância verificada no arrolar da equipa principal começaria a desvanecer com a chegada de Rodrigues Dias. Aliás, essa campanha de 1980/81 tornar-se-ia na derradeira do jogador no conjunto a disputar os desafios caseiros no Estádio do Bonfim e o defesa-central, a anteceder o seu regresso ao Canadá, decidir-se-ia por outra experiência na 1ª divisão.
A aposta na entrada no grupo de trabalho do Sporting de Espinho não correria de feição para o jogador. Num plantel primodivisionário que, na temporada de 1981/82, haveria de ser orientado por Manuel José, a concorrência directa por um lugar na equipa, essencialmente composta por Serra e por Balacó, faria com que Carlton Martin tivesse pouquíssimas oportunidades para que, com a camisola dos “Tigres da Costa Verde”, voltasse a sublinhar o valor revelado em Setúbal. Tamanha falta de presenças em campo levá-lo-ia a deixar as provas portuguesas e a voltar ao Canadá. No país que o havia acolhido ainda em adolescente, o defesa-central, segundo alguns dados recolhidos, terá, na época de 1983, representado os Mississauga Croatia. Também li algumas referências a dar conta de uma nova ligação entre o atleta e o First Portuguese. Todavia, não consegui confirmar esta última informação, nem sequer qualquer dado sobre a sua continuidade no futebol.

*retirado do artigo de Ron Fanfair, publicado a 10/03/2023, em https://www.ronfanfair.com/

1758 - VIEGAS

Armelim Ferreira Viegas, nascido no concelho de Tondela, viajaria para Coimbra com o intuito de aí dar seguimento aos estudos liceais. Paralelamente, tendo como paixão o futebol, o jovem praticante encontraria na Académica o poiso ideal para alimentar o gosto pela prática da mencionada modalidade. Com o crescimento nas “escolas” da “Briosa” a revelá-lo como um exímio guarda-redes, o atleta conseguiria despertar a atenção dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, o seu nome seria incluído, pelo seleccionador David Sequerra, no elenco que viria a disputar a edição de 1961 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. No entanto, no certame organizado em território luso, o guardião, nas escolhas do treinador José Maria Pedroto, nunca passaria da 3ª opção para ocupar um lugar à baliza. Ainda assim, mesmo não tendo entrado em campo em qualquer desafio disputado pelos rapazes a envergar a “camisola das quinas”, a sua presença também contribuiria para a vitória de Portugal.
No que concerne ao seu percurso clubístico, as primeiras partidas oficiais do guardião na equipa principal da Académica de Coimbra surgiriam no decorrer de 1962/63. Curiosamente, na referida campanha, José Maria Pedroto, dessa feita como o responsável pelo arranque das suas actividades na 1ª divisão, voltaria a surgir como um nome importante na carreira do atleta. Porém, mesmo tendo em conta a relevância da estreia naquela que é a principal prova do calendário português de futebol, a verdade é que o guardião acabaria a quedar-se pela condição de suplente de Maló. Aliás, ainda demoraria algum tempo para que o guarda-redes conseguisse afirmar-se como uma das principais figuras dos “Estudantes”.  Bem! Não é completamente correcta esta minha afirmação, pois na época seguinte à aludida no começo deste parágrafo, numa temporada em que a escolha para ocupar a baliza acabaria dividida entre 3 jogadores (falta fazer referência a Américo), Viegas seria o que mais vezes apareceria como titular.
A época de 1966/67 voltaria a trazer um momento importante na senda competitiva de Viegas. Dessa feita, com a sua participação em duas das eliminatórias, seria na Taça de Portugal que o guardião viria a contribuir para outro episódio colectivo de alguma relevância histórica. Infelizmente, a final, à qual não seria chamado por Mário Wilson, não correria de feição para o seu lado e seria o Vitória Futebol Clube a arrecadar o almejado troféu. Ainda na apelidada “Prova Rainha”, por ocasião da edição de 1968/69 da competição, o guarda-redes voltaria a participar noutra caminhada a levar a “Briosa” até ao Estádio Nacional. No entanto, ao contrário da última referência feita, o jogador, escolhido por Francisco Andrade, marcaria presença no jogo decisivo. Ainda assim, numa partida marcada pelos protestos estudantis contra o governo ditatorial, a Académica de Coimbra não conseguiria superar o Benfica e sairia do Jamor, mais uma vez, como o conjunto derrotado.
Claro está que, no trajecto de Viegas, seria impossível esquecer as provas de índole continental. Ao coincidir a estreia do guarda-redes nestes contextos competitivos com a primeira aparição da Académica de Coimbra nos referidos cenários, o guardião seria um dos escolhidos, por Mário Wilson, para, na Taça das Cidades com Feira de 1968/69, pelejar a ronda inaugural frente aos gauleses do Olympique Lyon. Já em 1969/70 e na disputa das Taças dos Vencedores das Taças, o jogador entraria em campo nas duas mãos da eliminatória a opor a colectividade beirã ao Magdeburg e contribuiria, com as exibições frente aos germânicos, para uma inolvidável campanha a levar os “Estudantes” até aos quartos-de-final.
Seria igualmente na temporada de 1969/70 que guarda-redes, segundo as informações por mim encontradas, deixaria os campos de futebol para dar mais atenção aos estudos na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Ainda assim, essa não seria a última inscrição Viegas e na temporada de 1980/81, segundo o “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o antigo atleta de futebol “11” terá feito uma época no futsal (provavelmente futebol de salão) ao serviço da agremiação Os Barrigas.

1757 - ZEFERINO

Ponta-de-Lança com grande aptidão para o golo, Zeferino Paulo Borges Soares, mesmo sem apresentar uma estampa física espantosa, desde muito cedo, haveria de chamar a atenção para as suas enormes potencialidades. Praticante pertencente às “escolas” do FC Porto, também nas jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador conseguiria destacar-se pelas qualidades desportivas. Com o percurso com as cores lusas encetado nos sub-16, o atacante, num somatório de 46 internacionalizações e 34 remates certeiros, manter-se-ia, durante vários anos, nas cogitações dos diferentes seleccionadores. Tendo a primeira aparição acontecido a 3 de Novembro de 1993, essa partida frente a França, na qual seria orientado por Rui Caçador, serviria de arranque a uma caminhada que iria empurrar o atacante para inúmeros certames de grande monta. Nesse sentido, pelo meio da presença no Europeu sub-16 de 1994, no Mundial sub-17 de 1995 ou no Europeu sub-18 de 1996, o maior destaque emergiria da sua participação no Europeu sub-16 de 1995 e de uma final, onde, frente a Espanha, marcaria um dos golos da vitória por 2-0.
Com o merecido destaque conseguido com a “camisola das quinas”, Zeferino, ainda em idade de formação, começaria a ser cobiçado pelos “gigantes” da Europa. Desse modo, num processo algo conturbado, o avançado deixaria o FC Porto para, com apenas 16 anos de idade, passar a representar o Real Madrid. Incluído no plantel “B” de 1995/96 dos “Merengues”, o avançado ainda manteria a ligação contratual à agremiação da capital espanhola durante vários anos. No entanto, sem nunca ter tido a oportunidade de representar o conjunto principal dos “Madridistas”, o ponta-de-lança primeiro passaria por empréstimos ao Las Palmas de 1997/98, ao Badajoz de 1999/00, até ser, a meio da temporada de 2000/01, libertado de qualquer obrigação. A dispensa faria com que repensasse a sua carreira e o regresso a Portugal levá-lo-ia, lado a lado com Tinaia, seu parceiro na aventura pelo país vizinho, a rubricar uma união com o Alverca.
No emblema ribatejano, inicialmente treinado por Jesualdo Ferreira, Zeferino voltaria a dar a ideia de puder recuperar alguma da magia perdida em Espanha. Todavia, o avançado, apesar da utilidade demonstrada durante a ligação de 3 anos e meio ao Alverca, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares absolutos. Ainda assim, o referido período serviria para que o atleta viesse, não só a fazer a estreia, como a disputar 3 edições do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, surgiriam novas passagens pelo estrangeiro. Tais experiências encaminhá-lo-iam, na campanha de 2004/05, até ao Umm-Salal do Qatar. Após o Médio Oriente, o avançado tentaria a Major Soccer League, mas os treinos no DC United não correriam como o pretendido e o avançado-centro acabaria por não assinar qualquer contrato.
À desilusão vivida nos Estados Unidos da América, suceder-se-ia o regresso ao país de “Nuestros Hermanos” onde, no 4º escalão espanhol, passaria a representar o Logroñes. Por fim, numa errância que caracterizaria os derradeiros anos do seu trajecto competitivo, com uma sabática de um ano pelo meio, emergiria novamente o Umm-Salal. Já em 2008/09, viria uma hipotética e breve passagem pelo Chipre do Norte e pelo Cetinkaya TSK*, para, ainda na última época mencionada, viajar até Malta onde, com as cores do Hibernians, acabaria a sagrar-se campeão daquele país situado no meio do Mar Mediterrâneo.

*não consegui confirmar tal informação. 

1756 - JAIME

Natural de Fiães, Jaime Ferreira da Silva teria na colectividade da terra natal o primeiro emblema do percurso formativo. Já com 15 anos de idade seria conduzido, por um tio, até ao Campo da Constituição. Ficaria aprovado nos testes e a partir desse momento passaria a ser treinado por nomes deveras importantes no cenário das “escolas” portistas, como Artur Baeta, José Valle ou Reboredo. Já a temporada de 1959/60 representaria, na caminhada do extremo-direito, a chegada ao contexto sénior. Ainda durante essa campanha, cumprida praticamente ao serviço dos “reservas”, o atacante teria a oportunidade de fazer a estreia na equipa principal e chamado por Otto Vieira, o jovem jogador participaria numa partida agendada para a Taça de Portugal.
Depois de uma época algo discreta, a época de 1960/61 marcaria o acréscimo da sua assiduidade no primeiro conjunto dos “Azuis e Brancos”. Nesse sentido, seria também durante a referida temporada que o jogador faria a estreia no patamar máximo do Campeonato Nacional. No entanto, apesar da importância desses primeiros passos na prova de maior monta do calendário luso, seria a campanha de 1961/62 a consagrá-lo como um dos titulares do FC Porto. Daí em diante, o avançado, caracterizado pela velocidade e pelos bons centros para a área contrária, passaria a ser visto como um dos principais rostos na hora de nomear o “onze” e a titularidade no FC Porto abrir-lhe-ia as portas de outros contextos competitivos.
Com a sua reputação a crescer, seria no cenário internacional que Jaime também viria a destacar-se. A primeira dessas oportunidades surgiria com a selecção militar. De seguida, a 14 de Abril de 1963, viria a chamada aos “promessas”. A partida frente à Grécia, na qual jogaria ao lado de outros nomes seus companheiros no FC Porto, casos de Custódio Pinto e de Serafim, anteciparia a chamada à equipa “B”. Nesse trajecto, ainda emergiriam as algumas convocatórias ao conjunto principal, inclusive a sua entrada no rol de pré-convocados para o Mundial de 1966. Infelizmente para o jogador, a oportunidade para envergar a mais importante “camisola das quinas” nunca surgiria e o extremo-direito quedar-se-ia pelas 2 partidas feitas pelos agregados afectos à Federação Portuguesa de Futebol.
Apesar da importância das metas internacionais alcançadas pelo jogador, Jaime, pelo FC Porto também viveria momentos de inolvidável importância. Um deles surgira no âmbito da edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças, na qual participaria na primeira vitória de sempre dos “Dragões” no contexto continental. Para além do referido triunfo, 3-0 frente ao Olympique Lyon, talvez o momento de maior glória no trajecto competitivo do extremo-direito tenha brotado da Taça de Portugal de 1967/68. No derradeiro encontro da prova, disputado no Jamor, o atleta veria José Maria Pedroto a escolhê-lo para o alinhamento inicial e ao ajudar a selar a vantagem dos “Azuis e Brancos” por 2-1, sairia do Estádio Nacional como um dos conquistadores da “Prova Rainha”.
Curiosamente, essa partida frente ao Vitória Futebol Clube, mencionada no final do último parágrafo, constituiria uma das últimas aparições de Jaime com o listado portista. A razão para tal, prender-se-ia com uma grave lesão sofrida pelo jogador praticamente no começo da temporada de 1968/69, a qual faria com o jogador terminasse a carreira de forma precoce. Antes ainda, precisamente na 1ª jornada da referida época, o atacante participaria noutro momento histórico, sendo o primeiro jogador de campo a ser substituído numa partida oficial do FC Porto, entrando Lisboa para o seu lugar.

1755 - DJOINCEVIC

Numa caminhada feita a pulso, Cedomir Djoincevic (ou Doincevic), após chegar a sénior, ainda cumpriria alguns anos nas disputas dos patamares inferiores da antiga Jugoslávia. Nesse trilho, começaria pelo plantel de 1983/84 do Zarkovo, para, na temporada seguinte, vir a representar o Elektrobosna Jajce. Já do segundo escalão surgiria a oportunidade de, no decorrer da campanha de 1985/86, passar a envergar as insígnias do FK Crvenka. A presença na última colectividade mencionada dar-lhe-ia o traquejo e a visibilidade suficientes para que outros emblemas começassem a reparar no seu trabalho e a entrada nos primodivisionários do Rad Beograd aconteceria na época de 1987/88.
Na agremiação da capital, o jogador começaria a lutar por outras metas colectivas. Nesse sentido, em planteis que, ao longo dos anos, viriam a incluir nomes bem conhecidos do futebol europeu, casos de Miroslav Djukic, Vladimir Jugovic, Ljubinko Drulovic ou o “ex-setubalense” Vlada Stosic, o momento mais alto dessa sua passagem pelos “Gradevinari” coincidiria com a presença do clube nas provas de índole continental. Com o 4º lugar alcançado no final da temporada de 1988/89, época onde também participariam na Taça Intertoto, a dar direito à participação na Taça UEFA do ano seguinte, Djoincevic, arrolado por Ivan Brzic, entraria em campo na 1ª mão da ronda inicial, disputada frente ao Olympiacos. Porém, a segunda partida, sem o defesa-central no “onze”, não correria de feição para os jugoslavos e a derrota por 2-0, a somar à vitória caseira por 2-1, faria com que os apurados fossem os gregos.
Já com a temporada de 1990/91 em andamento, Djoincevic seria contratado pelo Salgueiros. No popular bairro de Paranhos, o jogador, numa altura em que a aposta no mercado do seu país era bem evidente, encontrar-se-ia com vários conterrâneos. Orientado por Zoran Filipovic e a partilhar o balneário com Nikolic, Dragan Djukic, Milovac ou Besic, a época de chegada ao Estádio Eng. Vidal Pinheiro dar-lhe-ia a oportunidade, não só de contribuir, como titular, para o histórico 5º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, como, já na campanha seguinte, de inscrever o seu nome na lista de atletas a participarem na estreia do emblema portuense nas pelejas continentais. Outra vez no contexto da Taça UEFA, o possante defesa-central entraria em campo apenas na 2ª partida frente ao Cannes. A derrota forasteira por 1-0 levaria a contenda para o prolongamento, em seguida para o desempate por grandes penalidades e na decisiva roleta, seria o emblema português a claudicar.
Apesar da idade com que haveria de chegar a Portugal, 29 anos, Djoincevic, com uma atitude deveras substantiva e uma experiência com competência suficiente para colmatar qualquer hipotética debilidade física, conseguiria manter-se como um elemento preponderante no pensar dos esquemas tácticos da equipa sediada na “Cidade Invicta”. As 4 temporadas em que jogaria pela equipa do Salgueiros, todas elas cumpridas no patamar maior do futebol luso, serviriam para que, na memória dos adeptos, viesse a cimentar-se a ideia de um praticante cumpridor dos seus deveres enquanto ocupante do sector mais recuado. A prova da importância granjeada pelo defesa-central verificar-se-ia pelos mais de 100 partidas oficiais que o jogador faria pelo colectivo nortenho. Ainda assim, a ligação às provas portuguesas findaria com o termo das contendas agendadas para 1993/94 e o atleta jugoslavo regressaria ao seu país.
De volta à zona de Belgrado, seria o Radnicki a apadrinhar, em 1994/95, a sua decisão de “pendurar as chuteiras”. Daí em diante, como um verdadeiro apaixonado pela modalidade, Djoincevic passaria a dedicar-se às funções de técnico. Como treinador principal tem feito carreira, principalmente, na Sérvia, mas também na Bósnia, Bulgária e Grécia. Entre vários emblemas, onde merecem destaque os diferentes regressos ao Rad, o grande feito nessas novas funções surgiria ao serviço do Zeleznik, emblema pelo qual, na temporada de 2004/05 e numa final frente ao Estrela Vermelha, venceria a Taça da Sérvia e Montenegro.

1754 - BOZINOVSKI

Nascido na antiga Jugoslávia, Vlado Bozinovski, ainda em idade adolescente e juntamente com a família, emigraria para a Austrália. No país de acolhimento continuaria a alimentar a paixão pelo futebol e seria no South Melbourne, mais precisamente na equipa satélite do Hellas-Hakoah, que o médio-defensivo, em 1982, daria os primeiros passos na caminhada competitiva. De seguida, depois de ter ajudado à conquista da edição de 1984 da National Soccer League, surgiria no seu caminho o plantel de 1985 do Footscray JUST. O crescimento verificado nesse último emblema levá-lo-ia a ser cogitado pelos responsáveis da Australian Soccer Federation para as suas equipas e o maior prémio saído dessa fase da sua carreira surgiria com a chamada do “trinco” aos Jogos Olímpicos de 1988.
Com a presença nas olimpíadas organizadas em Seul a contribuir para o acréscimo do seu valor, Bozinovski veria o Club Brugge a interessar-se na sua contratação. Contudo, a passagem do médio-defensivo pelas provas belgas de 1988/89 não surtiria o resultado esperado inicialmente. Tal contrariedade faria com que o jogador procurasse dar seguimento à carreira noutras paragens e a escolha recairia em Portugal. No Beira-Mar a partir da campanha de 1989/90, onde inicialmente seria orientado por Jean Thissen, a titularidade conquistada levaria o atleta destacar-se de tal maneira que, no ano seguinte à chegada a Aveiro, conseguiria transferir-se para o Sporting. Já em Alvalade, a forte concorrência de nomes como Douglas, Filipe ou Oceano faria com que Marinho Peres não atribuísse grande espaço ao internacional australiano. A mencionada falta de jogos faria com que o “trinco” regressasse ao Estádio Mário Duarte e de novo ao serviço dos “Auri-negros” voltaria a recupera o élan perdido com a partida para Lisboa.
O destaque ganho no decorrer da época de 1991/92, novamente a envergar a camisola do Beira-Mar, faria com que Bozinovski viesse a lançar-se numa nova aventura. Dessa feita a aposta viria de Inglaterra e do Ipswich Town. Porém, tal como em ocasiões anteriores, a passagem do médio-defensivo pela Premier League de 1992/93 ficaria aquém do projectado. Mais uma vez, a solução para a sua carreira emergiria de Portugal. Já integrado no plantel do Paços de Ferreira de 1993/94, o atleta voltaria a afirmar-se como um pilar. Ainda assim, as suas exibições, na difícil luta pela manutenção, não seriam suficientes para garantir a permanência da equipa sediada na “Capital do Móvel”. Seguir-se-iam, ainda com a camisola dos “Castores” a experiência na divisão de Honra e a transferência para um Felgueiras a estrear-se no convívio com os “grandes”.
Treinado por Jorge Jesus, Bozinovski entraria para a história do Felgueiras como um dos elementos do plantel que, pela primeira vez, disputaria o escalão máximo. Todavia, com o termo da temporada de 1995/96, repetir-se-ia a descida de divisão vivida também no Paços de Ferreira. Paralelamente, a época cumprida ao serviço do conjunto da sub-região do Tâmega e Sousa, determinaria o fim da sua passagem por Portugal. Nos anos seguintes, o jogador, que envergaria as divisas do Ankaragücü, Kirikkalespor, Tanjong Pagar, Home United e Balestier Khalsa, passaria a dividir a carreira, respectivamente, entre os desafios das competições turcas e as provas futebolísticas de Singapura.
Após “pendurar as chuteiras” ao serviço da última equipa mencionada no parágrafo anterior, clube onde chegaria a assumir as funções de treinador-jogador, o antigo médio ainda voltaria a ligar-se à modalidade e como agente de atletas seria responsável, a exemplo, pela chegada ao Vitória Sport Clube de 2014/15 do internacional costa-marfinense Adama Traoré.

1753 - TRINDADE

Leonel Fernando Fuzeta Trindade tinha apenas jogado pelo Comércio e Industria quando o Serviço Militar Obrigatório haveria de obrigá-lo à viagem até à Guiné-Bissau. Em África, nas jogatanas entre militares, continuaria a destacar-se pelas habilidades acima da média. Então, durante uma licença a trazê-lo de volta à cidade de Setúbal, o defesa-central, com o intuito de manter a forma física, acabaria por ser autorizado a treinar-se com um Vitória Futebol Clube, à altura orientado por José Maria Pedroto. De tal forma seriam positivas as suas prestações que, num acordo de cavalheiros, técnico e jogador combinariam que, no regresso definitivo à metrópole, este último haveria de juntar-se aos “Sadinos”. Porém, cumprida a comissão a levá-lo à Guerra Colonial e com mencionado treinador já distante do Estádio do Bonfim, a solução para finalmente agarrar uma carreira profissional surgiria de outro lado e a viagem para norte entregá-lo-ia a um novo emblema.
Ao estar previamente avisado para as suas qualidades, Aymoré Moreira, treinador campeão do mundo pelo Brasil, convidaria Trindade para treinar com o Boavista. Forte na compleição física e com um enorme poder de impulsão, o jogador, que já contava com 23 anos de idade, seria imediatamente integrado no plantel de 1973/74 do Boavista. Mesmo sem ter qualquer experiência no futebol de mais alto nível, a verdade é que a falta de traquejo competitivo na senda profissional não atrapalharia a integração do defesa-central. Depressa, mesmo no meio da concorrência de nomes como Mário João, Bernardo da Velha, Amândio ou Carolino, o atleta, apesar de não ter agarrado a titularidade logo de início, vira a impor o seu jogo, conseguiria cimentar um lugar no grupo de trabalho e ajudaria, desse modo, aos títulos conquistados pelas “Panteras”.
Seria já na 2ª temporada ao serviço dos “Axadrezados” que o defesa-central voltaria a encontrar-se com José Maria Pedroto. Com o apelidado “Zé do Boné” à frente do Boavista, logo nessa temporada de 1974/75, a equipa portuense chegaria à final da Taça de Portugal. Com a presença de Trindade no “onze” arrolado para defrontar o Benfica, as “Panteras” venceriam o almejado troféu. Na época seguinte, o clube e o atleta voltariam a repetir a participação na derradeira partida da “Prova Rainha” e o triunfo, dessa feita numa contenda agendada com o Vitória Sport Clube, mais uma vez recairia para o lado da colectividade a digladiar-se em casa no Bessa. Nessa senda de sucessos, há também a destacar a presença do jogador nas rondas correspondentes à Taça dos Vencedores das Taças, na Taça UEFA e nas pelejas que conduziriam a agremiação por si representada a lutar pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional. Tamanha preponderância levaria a que a surpresa fosse ainda maior na hora do atleta deixar a “Cidade Invicta”. Contudo, as saudades de casa sobrepor-se-iam à gratidão sentida pelo Boavista e Trindade, na época de 1978/79, apresentar-se-ia como reforço de outra agremiação.
Após 5 anos a representar o Boavista, o defesa-central daria entrada no plantel do FC Barreirense. Curiosamente, a sua inclusão no grupo de trabalho da associação sediada na Margem Sul, dar-lhe-ia a oportunidade, não pelas melhores razões, de participar noutro momento histórico. A referida época, durante a qual os timoneiros seriam Manuel de Oliveira e José Augusto, marcaria, até aos dias de hoje, a derradeira campanha do listado alvirrubro no patamar máximo do futebol português. Mesmo com a despromoção, o atleta decidiria manter-se fiel ao emblema. Após cumprir mais uma época no Estádio D. Manuel de Mello, o jogador, em 1980/81, regressaria ao Comércio e Indústria. Depois, ficando-se pelos escalões inferiores e já com o final da caminhada competitiva a aproximar-se, Trindade ainda viria a envergar as camisolas do UDR Pontes e, com o termo do trajecto enquanto futebolista a acontecer nesse clube, vestiria as cores do Águas de Moura.