1782 - FAJARDO

Formado nas “escolas” do Belenenses, João Paulo Silva Freitas Fajardo, ao subir a sénior na temporada de 1997/98, veria o clube sediado no Restelo, por razão da presença de elementos com mais tarimba, a negar-lhe um lugar no plantel principal. Ainda assim, a referida falta de espaço não faria com que os “Azuis” deixassem de acreditar no seu enorme potencial. Tal esperança nos valores futebolísticos do jovem intérprete, fariam com que os homens da “Cruz de Cristo” o indicassem para futuros empréstimos e depois de cumprir duas épocas nos Pescadores da Costa da Caparica, seguir-se-ia outro par de campanhas, dessa feita, com as cores do Atlético.
Depois de 4 anos cedido a outros emblemas, a temporada de 2001/02 marcaria o regresso de Fajardo à casa onde havia cumprido o percurso formativo. No entanto, apesar da confiança dada pelas experiências nomeadas no parágrafo anterior, a verdade é que o extremo, ou médio-ofensivo, nunca viria a conquistar um lugar de destaque no Belenenses. Mesmo com a estreia no escalão maior e com Marinho Peres, responsável por esse arranque primodivisionário, a mantê-lo no plantel de 2002/03, o jogador acabaria por dar outro rumo à carreira. Essa mudança levá-lo-ia, numa altura em que a colectividade militava na 2ª divisão, a rubricar um contrato com a Naval 1ª de Maio. Na Figueira da Foz a partir de 2003/04, embora num aparente passo atrás, o atleta conseguiria recuperar o entusiasmo de anos anteriores e seria com o listado verde e branco que acabaria por regressar ao convívio com os “grandes”. 
Ao fazer parte da estreia da Naval 1º de Maio nas pelejas do degrau maior, Fajardo, só por esse facto, sublinharia o seu registo nos anais do colectivo da Beira Litoral. Curiosamente, tendo envergado, ao longo da caminhada competitiva, diferentes camisolas, o jogador teria também no emblema figueirense a colectividade mais representativa da carreira. Os 4 anos passados no Estádio Municipal José Bento Pessoa, onde seria quase sempre titular, serviriam igualmente para alimentar a sua cotação. Nesse sentido, ao ser visto como um dos valores seguros a exibir-se nas provas lusas, o jogador acabaria por ser cobiçado por agremiações de maior craveira e o Vitória Sport Clube tornar-se-ia no seu novo grupo de trabalho.
Com a chegada a Guimarães a acontecer na temporada de 2007/08, Fajardo passaria a trabalhar sob as ordens de Manuel Cajuda, seu antigo treinador na Naval 1ª de Maio. Na “Cidade Berço”, mesmo sem conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis, o extremo seria utilizado com grande frequência. Nesse contexto competitivo, as suas exibições também contribuiriam para diversos momentos de inolvidável relevância na história do emblema minhoto. Logo na época de entrada, seria uma das caras do 3º lugar conquistado com o fim do Campeonato Nacional. Tal posição na tabela classificativa, naquela que é a prova de maior monta no calendário português, faria com que Fajardo, na campanha imediatamente a seguir, pudesse disputar a Liga dos Campeões. Na pré-eliminatória frente ao FC Basel, apesar do afastamento da agremiação portuguesa, o atleta viria a sublinhar ainda mais a sua importância e marcaria o primeiro golo dos vimaranenses na competição clubística de maior prestígio no cenário futebolístico global.
Talvez à procura de mais protagonismo, Fajardo, na temporada de 2009/10, seria apresentado como reforço do Panthrakikos. Todavia, a aposta no escalão máximo grego ficaria aquém do esperado e ainda no decorrer da aludida campanha, o jogador, de volta a Portugal, regressaria ao Belenenses. De novo a envergar as cores dos “Azuis”, a esperança de, de alguma maneira, relançar a carreira, também sairia gorada. Aliás, essa passagem pelo Restelo constituiria, no trajecto do atleta, a última presença na 1ª divisão. Daí em diante, com várias mudanças de clube, o jogador ainda vestiria as camisolas do Santa Clara, Farense, Moncarapachense e do 11 Esperanças. Depois, já com “as chuteiras penduradas” no termo de 2016/17, enveredaria pelas obrigações dadas a um técnico e após assumir tais tarefas nas camadas de formação do Farense e, como treinador-principal, ter estado à frente do Olhanense e do Louletano, o antigo futebolista aceitou, para esta temporada de 2026/27, o desafio lançado por Mitchell van der Gaag e apossou-se do cargo de adjunto do Marítimo.

1781 - MANU


Com o percurso formativo concluído ao serviço do Alverca, seria num empréstimo ao plantel de 2001/02 do Lourinhanense que Emanuel Jesus Bonfim Evaristo, popularizado no futebol pelo diminutivo Manu, daria os passos iniciais como sénior. Apesar de empurrado até ao 3º escalão luso, a verdade é que o jovem extremo, na sua passagem pela agremiação da região do Oeste, conseguiria exibir-se a um bom nível. Tamanho sinal, faria com que o emblema ribatejano, ainda com a mencionada época a decorrer, decidisse chamar de volta o atleta. No regresso, mesmo com o desaire colectivo a sentenciar o clube à descida de patamar, o atacante teria a oportunidade de jogar na derradeira jornada do Campeonato Nacional e faria, pela mão de Vítor Manuel, a estreia na 1ª divisão.
Mesmo com a época seguinte à da sua estreia como sénior feita na 2ª divisão e ainda com o estatuto de suplente, o atacante também entraria no rol de atletas que ajudariam ao regresso do emblema da metrópole lisboeta ao convívio com os “grandes”. Talvez por nunca ter conseguido assegurar-se como um dos titulares, a época de 2003/04, repetindo a cedência do início da carreira, aconteceria com as cores do Lourinhanense. Mais uma vez, as prestações edificadas com o listado verde e branco fariam com que o regresso a Alverca acontecesse ainda no decorrer da campanha do empréstimo. Já de novo sob a alçada de José Couceiro, Manu passaria a ser utilizado com alguma frequência e o extremo acabaria por ver o Benfica a interessar-se na aquisição dos seus serviços.
Apesar da ligação contratual às “Águias”, Manu seria incapaz de, nos 2 anos seguintes, reservar para si um lugar nos planteis comandados por Giovanni Trapattoni e por Ronald Koeman. A falta de espaço faria com que o avançado voltasse aos empréstimos, tendo passado, na campanha de 2004/05 pelos italianos do Carpenedolo e do Modena, para, na época seguinte, regressar aos “plateaus” primodivisionários, com as cores do Estrela da Amadora. Apesar de tanta errância, o jogador finalmente veria o seu trabalho a dar os frutos desejados e a temporada de 2006/07, com Fernando Santos à frente dos destinos técnicos dos “Encarnados”, oferecer-lhe-ia a oportunidade de “assentar arraiais” na Luz. Ainda assim, o extremo não haveria de convencer o “Engenheiro” a dar-lhe a titularidade e as poucas aparições em campo levá-lo-iam, em 2007/08, aos gregos do AEK de Atenas. 
Já desvinculado do Benfica, Manu acabaria por rubricar um contrato com o Marítimo de 2008/09. Em abono da correcção, a experiência do avançado na Madeira, onde permaneceria por um par de campanhas, acabaria por tornar-se, talvez, no período mais pródigo da sua carreira. Curiosamente, o acréscimo de cotação fá-lo-ia aceitar o convite do Legia Varsóvia. Na capital polaca, o atacante ainda teria uma primeira temporada promissora, com a conquistada da Taça a vincar as suas boas exibições. Contudo, a época seguinte sairia muito aquém das expectativas criadas de início e a meia das provas agendadas para 2011/12, o jogador deixaria o Leste da Europa para seguir em direcção à China.
A experiência asiática, no Beijing Guoan, serviria também para vincar uma caminhada competitiva muito marcada pelas mudanças de emblema. Aliás, daí em diante, Manu ainda vestiria uma boa quantidade de camisolas. Nos anos seguintes, entre as presenças em Portugal e no estrangeiro, o extremo acabaria igualmente por envergar, sempre por pouco tempo, as divisas dos cipriotas do Ermis Aradippou, do Pafos e as cores do Vitória Futebol Clube. Já com o fim da carreira bem à vista, numa temporada de 2018/19 dividida em duas partes, o jogador ainda teria forças para vir a apresentar-se pelo SL Cartaxo e pelo Vilafranquense.

1780 - RICARDO COSTA

Como um dos elementos em grande evidência nas “escolas” do Boavista, Ricardo Miguel Moreira da Costa depressa passaria a fazer parte dos planos idealizados pelos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Com o jovem defesa-central a conseguir a primeira aparição com a “camisola das quinas” logo no âmbito das partidas agendadas para os sub-15, esse desafio frente à Rússia, disputado a 17 de Fevereiro de 1996 e durante o qual seria orientado por António Violante, serviria de arranque a um total de 113 internacionalizações. Ainda no plano da senda formativa, o atleta começaria por participar nos grandes certames organizados para os respectivos patamares. Nesse contexto, estaria presente no Europeu de sub-16 disputado em 1996, na edição de 2004 do Europeu sub-21 e, já com a equipa de sub-23, treinado por José Romão, nos Jogos Olímpicos de 2004. Contudo, o grande destaque emergiria com a sua chamada ao Europeu sub-18 de 1999. No torneio disputado na Suécia, chamado por Agostinho Oliveira, o jogador participaria como titular na final frente a Itália e ajudaria o conjunto luso a regressar a Portugal com o título de campeão.
Voltando ao percurso clubístico, e apesar de ter concluído a parte formativa com as cores do Boavista, seria ao serviço do FC Porto que Ricardo Costa começaria a caminhada enquanto sénior. Com a entrada na equipa “B” dos “Azuis e Brancos” a acontecer na temporada de 2000/01, essa época a trabalhar sob as instruções de Ilídio Vale, seria suficiente para que, logo na campanha seguinte, o defesa-central pudesse subir ao conjunto principal. Daí em diante, mesmo sem conseguir ser um dos titulares indiscutíveis, o jogador, pela segurança demonstrada, pelo entendimento do jogo, até pela humildade e capacidade de trabalho, começaria a dar indícios de vir a ser um intérprete de elite. A crescer a olhos vistos, 2004/05, numa época bastante conturbada para os “Dragões” e com 3 treinadores diferentes, serviria para que o atleta começasse a afirmar-se como um dos nomes em destaque na equipa sediada na “Cidade Invicta”. Porém, a conquista de um lugar no “onze” acabaria por ser posta em causa no decorrer das competições agendadas para 2006/07 e muito mais do que afastado da titularidade, o termo das referidas provas transformar-se-ia também no final da sua ligação ao FC Porto.
Por altura da sua saída do Estádio do Dragão, onde preencheria o palmarés com a conquista de 4 Campeonatos Nacionais, 2 Taças de Portugal, 3 Supertaças, a Taça UEFA de 2002/03, a Liga dos Campeões de 2003/04 e a Taça intercontinental de 2004/05, Ricardo Costa já tinha conseguido um lugar na selecção “A”. Com um currículo invejável nas equipas jovens lusas e igualmente em termos do trajecto clubístico, o defesa-central, com todo o mérito, passaria a fazer parte dos planos dos diferentes treinadores responsáveis pelos destinos de Portugal. A prova dessa sua importância viria com a chamada a vários certames de grande monta e depois da convocatória a levá-lo, pela mão de Luiz Felipe Scolari, ao Mundial de 2006, ainda surgiram no seu caminho, respectivamente nas listas arroladas por Carlos Queiroz e, nas duas últimas ocasiões, por Paulo Bento, o Mundial de 2010, o Euro 2012 e o Mundial de 2014.
Com a já mencionada separação entre o atleta e o FC Porto, Ricardo Costa partiria em direcção à Alemanha. Ao rubricar um contrato com o Wolfsburg em 2007/08, o atleta encetaria um trajecto de 2 anos e meio a levá-lo, mesmo sem conseguir afirmar-se como um dos nomes mais vistos no “onze” titular, a vencer a edição de 2008/09 da Bundesliga. Depois viria a segunda metade de 2009/10 ao serviço do Lille e a sua contratação, já em 2010/11, por parte do Valência. Em Espanha, assumir-se-ia, quase sempre, como um dos jogadores em destaque nos “Che”. No entanto, seria também o período passado na La Liga, mormente o termo do mesmo, a empurrá-lo para os derradeiros capítulos da carreira. Ainda assim, mesmo ao entrar numa fase mais discreta da caminhada competitiva, a verdade é que o defesa-central ainda competiria durante vários anos e sempre, como aliás seria o apanágio do seu trajecto, ao mais alto nível. Então, a alimentar esses tempos, assomar-se-iam os qataris do Al-Sailyia, o PAOK, onde em 2015/16 seria campeão grego, o Granada, os suíços do Luzern, as duas épocas num Tondela primodivisionário e o “pendurar das chuteiras” no Boavista de 2019/20.
Praticamente com o fim da carreira como jogador, Ricardo Costa passaria a dedicar-se às tarefas de treinador. Inicialmente como adjunto, passaria pela B SAD e pelos juniores do FC Porto. Dando início à caminhada enquanto técnico-principal, o antigo defesa ainda manteria a ligação às “escolas” dos “Azuis e Brancos”. De seguida viria a aventura na Geórgia, à frente do FC Dila. Já de volta a Portugal, passaria a última temporada agarrado aos destinos do Feirense e, para 2026/27, já rubricou um contrato com o Tondela.

1779 - ALFAIA

Nelson Moreira de Lemos Alfaia, depois de terminar a formação nas “escolas” do Estrela de Portalegre teria, sem deixar o mesmo clube, a estreia no patamar sénior. Com essa temporada de 1985/86 a levá-lo às pelejas da 2ª divisão, as campanhas seguintes mantê-lo-iam, embora ao serviço de emblemas com diferentes aspirações e histórias, a envergar as camisolas de diversas colectividades a disputar os escalões inferiores do futebol luso. Nesse contexto, numa caminhada competitiva que, praticamente durante a metade inicial, seria alimentada por constantes mudanças, a seguir à agremiação mencionada no encetar deste texto surgiriam, em anos consecutivos, o Campomaiorense e o Desportivo de Portalegre. Depois viria a transferência para o plantel de 1988/89 d’ “O Elvas” e a entrada numa fase da carreira em que as escolhas do defesa-central recairiam em colectividades com objectivos vincadamente mais ambiciosos.
No emblema raiano, ainda com o clube no rescaldo da última participação no escalão máximo, Alfaia começaria por ser orientado por Mourinho Félix para, com a saída deste, passar a ser treinado por Carlos Cardoso. Sempre na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, mas sem que os “Azul e Oiro” conseguissem alcançar os lugares de subida, o defesa-central veria a Académica de Coimbra a apostar em si para reforço do plantel de 1990/91. Depois da experiência na “Cidade dos Estudantes”, nas duas temporadas seguintes surgiriam, respectivamente, o Rio Ave e o regresso ao “O Elvas”. Mais uma vez, os insucessos desportivos pareciam estar, cada vez, a afastá-lo de uma hipotética estreia nos “plateaus” primodivisionários. Seria então, na campanha de 1993/94, que o jogador rubricaria o contrato que acabaria por altera o seu paradigma competitivo e a chegada ao Leça iria pô-lo mais perto do convívio com os “grandes”. 
Em abono da verdade, o encetar do percurso do defesa-central no patamar mais alto não aconteceria nas imediações da sua entrada para o emblema sediado no concelho de Matosinhos. Primeiramente, o jogador ainda teria de desenovelar 2 campanhas no cumprimento das rondas agendadas para o escalão secundário. No final desse par de épocas, numa altura em que era treinado por Joaquim Teixeira, o atleta num grupo de trabalho onde também marcariam presença nomes como Vladan, Cao, Isaías, Armando, Sérgio Conceição, Constantino ou Serifo, seria um dos nomes arrolados aos vencedores do Campeonato da divisão de Honra. A aludida conquista faria com que os homens a exibirem-se com o listado verde e branco regressassem ao convívio com os “grandes” e Alfaia, com a promoção, teria a oportunidade de mostrar as suas habilidades nos grandes palcos do futebol luso.
Os 3 anos seguintes, com os números a apontá-lo como um dos principais intérpretes do Leça, serviram para cimentar Alfaia como um dos grandes nomes do emblema nortenho. Nesse sentido, mesmo com a descida administrativa do clube em 1998, o estatuto de elemento histórico ainda ficaria mais vincado com a permanência do jogador. Aliás, o total de 7 temporadas, em que permaneceria na colectividade dos arredores do Porto, faria igualmente do Leça o emblema mais representativo da sua carreira. Por fim, segundo a informação oferecida pelo “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o defesa-central aquando do termo da sua ligação aos leceiros, com uma sabática pelo meio, regressaria, em 2001/02, ao “O Elvas”, campanha durante a qual também desempenharia as funções de treinador.

1778 - SEO JUNG-WON

Ao ingressar no ensino superior na Korea University, Seo Jung-Won teria, igualmente na referida instituição, o arranque da carreira sénior. Depois desse início de caminhada na campanha de 1988, o extremo-direito, até concluir o curso, manter-se-ia a envergar a mesma camisola. Depois viria o primeiro contrato profissional e a ligação, a partir de 1992, ao Anyang LG Cheetahs. O jogador, caracterizado pela velocidade, habilidade com a bola nos pés e algum faro para o golo, rapidamente começaria a destacar-se dos demais colegas. Nesse sentido, até pelo percurso internacional já conseguido, não constituiria qualquer surpresa a sua inclusão no conjunto de sub-23 que, também em 1992, seria convocado para disputar os Jogos Olímpicos de Barcelona. As suas exibições seriam de tal ordem convincentes que, com o certame terminado, começariam a surgir alguns convites dos maiores emblemas europeus, incluindo o “gigante” FC Barcelona. O pior é que outros afazeres levariam a que não pudesse aceitar qualquer convite vindo do estrangeiro e o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia de volta à Coreia do Sul.
Durante o tempo em que cumpriria os deveres com o exército, Seo Jung-Won, por empréstimo, ver-se-ia obrigado, nos escalões secundários, a representar o Sangmu FC. Depois de passar a temporada de 1993 no mencionado emblema, o atacante acabaria por retornar à agremiação detentora do seu passe. De volta ao Anyang LG Cheetahs em 1994, seria por esta altura que o extremo, mais uma vez, tentaria a sua sorte na Europa. Reprovaria nos testes feitos na Alemanha e nos Países Baixos. Contudo, esse mesmo ano de 1994 ainda viria a tornar-se deveras importante para o atleta e com a chamada ao Campeonato do Mundo realizado nos Estados Unidos da América, o avançado, ao exibir-se nas cores da selecção coreana, participaria em 3 partidas e concretizaria 1 golo.
Já em 1997/98, Seo Jung-Won voltaria a tentar fixar-se na Europa. Ao rubricar um acordo com o Benfica, o extremo-direito ainda participaria nos desafios da pré-época. Mesmo ao entrar em campo em 4 particulares feitos pelo grupo de trabalho orientado pelo escocês Graeme Souness, e com o estágio realizado nos Países Baixos a dar indicações positivas, a verdade é que o jogador acabaria por ver recusada a intenção de mudar a carreira para Portugal. A razão, à altura especulada, surgiria da intransigência nascida no seio da federação coreana de futebol (KFA) que, com a desculpa de melhor preparar a participação no Mundial de 1998, recusar-se-ia a autorizar a transferência.
Curiosamente, seria antes ainda de disputar o Campeonato do Mundo realizado na França que Seo Jung-Won, finalmente, teria a oportunidade de encetar um trajecto fora de portas. Porém, ao assinar um contrato com os gauleses do Strasbourg, o atacante, com a chegada à Ligue 1 em Janeiro de 1998, não colheria os resultados há tanto perseguidos. Sem grande impacto nos desempenhos colectivos do conjunto sediado na região da Alsácia, o avançado, com a temporada de 1998/99 em andamento, acabaria mesmo por regressar à Coreia do Sul. Ao rubricar um contrato com os Suwon Samsung Bluewings, o atleta manter-se-ia fiel à mesma divisa durante um largo período de tempo e só em 2004/05, ao entrar na derradeira fase da carreira, é que viria a assinar pelo SV Wüstenrot Salzburg.
Com a sua passagem pela Áustria a estender-se até ao final de 2007/08 e depois de, também, vestir as cores do SV Ried e do BW Feldkirch, o jogador, com o termo da temporada ainda agora aludida, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”. Ao manter-se ligado à modalidade, o antigo avançado acabaria por encetar as suas actividades enquanto treinador. Nas novas funções, começaria por colaborar com a Korean Football Association. De seguida viria o regresso ao Suwon Samsung Bluewings e a entrada, em 2021, nos chineses do Chengdu Rongcheng FC.

1777 - CAETANO

Apesar de ter iniciado o percurso futebolístico nas “escolas” do Feirense, seria no Boavista que António de Oliveira Caetano concluiria a fase formativa da carreira. Aliás, a época de mudança para o Bessa coincidiria com a sua estreia nos conjuntos a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Com a primeira partida, no contexto dos sub-16, a acontecer a 12 de Fevereiro de 1983, esse jogo frente à Finlândia, durante o qual seria orientado por José Augusto, encetaria uma caminhada a levá-lo a vestir a “camisola das quinas” em diferentes escalões. A mencionada senda findaria com um total de 23 internacionalizações e teria o seu pináculo com a presença na edição de 1984 do Campeonato da Europa de sub-18.
Na equipa principal dos “Axadrezados”, onde chegaria pela mão de Henrique Calisto, Caetano, apesar de ser visto como uma boa promessa, revelaria algumas dificuldades em conquistar um lugar na equipa. Ao jogar pouco nos 3 primeiros anos, a temporada de 1986/87 parecia querer alterar esse paradigma. No entanto, o que viria a verificar-se na campanha seguinte devolveria o esquerdino ao olvido. Tal contratempo faria com que o defesa, que também actuava com a mesma facilidade no meio-campo, decidisse tentar a sorte noutros cenários e a mudança para o Estrela da Amadora fá-lo-ia reencontrar-se com uma cara muito importante no seu trajecto competitivo.
Com a chegada à Reboleira a suceder em 1988/89, o atleta voltaria a trabalhar com João Alves, seu antigo colega e treinador no Boavista. Sempre na disputa da 1ª divisão, a campanha seguinte à da sua entrada no emblema da Linha de Sintra traria, ao jogador, um dos grandes momentos da carreira. Com o Estrela da Amadora a atingir a derradeira ronda da Taça de Portugal, o jogador seria um dos eleitos do técnico referido neste parágrafo para disputar a final. Com o empate verificado nessa peleja inicial, a entrega do troféu decidir-se-ia numa segunda partida e mesmo afastado da finalíssima, Caetano viria a constar no rol de atletas vencedores da edição de 1989/90 da “Prova Rainha”.
Depois do feito relatado, com o “Luvas Pretas” a trocar os “Tricolores” pelo Boavista, Caetano, no regresso a uma casa bem conhecida, seria um dos reforços a chegar ao Bessa na temporada de 1990/91. Todavia, com João Alves a sair a meio da época e a ser apresentado, já na campanha seguinte, como o “timoneiro” do Vitória Sport Clube, o atleta, acompanhado na viagem do Porto para Guimarães por Jaime Alves e por Frederico, passaria a campanha de 1991/92 ao serviço do emblema sediado na “Cidade Berço”. Com a aludida transferência a gerar uma enorme polémica, a passagem de Caetano e Jaime Alves pelo Minho seria de curta duração e a recusa dos “Conquistadores” em pagar o montante estipulado pelas entidades gestoras do futebol português, faria com que ambos os atletas voltassem a envergar a camisola das “Panteras”.
A terceira passagem de Caetano pelo Boavista, treinado, dessa feita, por Manuel José, entregar-lhe-ia ao palmarés a vitória na Supertaça de 1992/93. Daí em diante, com alguma intermitência a afectar a sua titularidade, o jogador, ainda assim, conseguiria participar num número considerável de partidas. Também em 1992/93, o defesa voltaria a participar na final da Taça de Portugal, jogo perdido frente ao Benfica. Outro foco de interesse no decorrer dos 4 anos da sua derradeira ligação à colectividade da “Cidade Invicta”, emergiria das provas de índole continental, com os “Axadrezados” a atingirem os quartos-de-final da Taça UEFA de 1993/94. Porém, com a temporada de 1995/96 a trazer-lhe poucas oportunidades para aparecer em jogo, uma nova mudança de clube levá-lo-ia a envergar uma camisola diferente.
As duas épocas no Belenenses antecederiam a sua contratação por parte do Beira-Mar. Nessa temporada de 1998/99, como uma das caras habitualmente arrolada ao “onze” do emblema aveirense, Caetano entraria em campo na sua terceira final da Taça de Portugal. Chamado à equipa titular por António Sousa, o defesa-lateral, frente ao Campomaiorense, contribuiria para a inédita vitória dos “Auri-negros”. Na época seguinte à da conquista selada no Jamor, com os homens do Estádio Mário Duarte caídos no escalão secundário, o jogador, sem qualquer partida disputada durante a época de 1999/00, como que daria indícios de estar a aproximar-se do termo da carreira enquanto futebolista. O fim surgiria, então, com o fecho das provas agendadas para 2000/01 e com o atleta de regresso ao Feirense.
Praticamente a seguir a “pendurar as chuteiras”, Caetano encetaria a caminhada como treinador. Numa carreira com bastantes experiências como adjunto, o antigo jogador, nas funções de técnico-principal, orientaria diversos emblemas das divisões secundárias, nomeadamente o Feirense, o Desportivo da Aves, o Académico de Viseu, Sporting de Pombal, Esmoriz, Sanjoanense e Lusitânia de Lourosa.

1776 - ANDRÉ ALMEIDA

Com um percurso formativo preenchido por vários emblemas da área metropolitana de Lisboa, André Gomes Magalhães de Almeida teria no Belenenses o final desse trajecto e igualmente a estreia no universo sénior. Com a chegada à equipa principal dos “Azuis” a acontecer, pela mão de Jaime Pacheco, na temporada de 2008/09, o jovem jogador logo começaria a revelar capacidades competitivas acima da média. Aliás, as suas habilidades já tinham sido sublinhadas pelas chamadas às equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com a “camisola das quinas”, ainda no âmbito dos sub-18, o atleta teria a primeira aparição a 15 de Abril de 2008. Chamado por Ilídio Vale a uma partida frente à Bélgica, o médio-defensivo, que mais tarde viria a destacar-se nas laterais do sector mais recuado, encetaria um longo trajecto internacional e que iria levá-lo ao mais importante dos certames futebolísticos.
Ao serviço dos homens do Restelo, André Almeida chegaria ao final da campanha de 2010/11 já com a cotação bastante elevada. Tal facto levaria a que o Benfica decidisse apostar na sua contratação. Todavia, na chegada ao plantel de 2011/12 das “Águias”, onde, sob o comando de Jorge Jesus, passaria a enfrentar a concorrência de colegas como, Javi Garcia ou Maxi Pereira, a adaptação do jogador não seria fácil. Esse facto, a desaguar na pouca utilização verificada, faria com que a meio da época o atleta fosse emprestado ao União de Leiria. Na “Cidade do Lis”, sem sair do patamar máximo, o polivalente intérprete mostraria estar preparado para os desafios inerentes ao “manto sagrado” e logo na temporada seguinte apresentar-se-ia na Luz como um elemento deveras útil para os objectivos lançados ao colectivo.
Daí em diante, mesmo sem conseguir afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis dos “Encarnados”, André Almeida passaria a desempenhar um papel deveras importante no plantel do Benfica. Utilizado com bastante regularidade, o lateral-direito seria muito importante nos inolvidáveis sucessos materializados nessa e nas temporadas seguintes. Na época do seu regresso à Luz, a chegada à última ronda da Liga Europa tornar-se-ia num marco seriamente importante no colorir do seu currículo. Arrolado ao “onze” inicial na final frente ao Chelsea, o defesa veria os londrinos a levar de vencida a prova de cariz continental. Desaire idêntico, na disputa da mesma competição, vivê-lo-ia logo no ano seguinte. Dessa feita frente ao Sevilla, o desfecho da derradeira partida, no desempate por grandes penalidades, seria favorável aos espanhóis e o almejado troféu, mais uma vez, fugiria ao conjunto luso.
Todavia, a campanha de 2013/14 não seria, de todo, infrutífera. Apesar da desilusão experimentada na referida prova organizada pela UEFA, em termos internos, o Benfica, com André Almeida a emergir como uma das principais figuras, venceria praticamente tudo o que havia para ganhar. Na sequência dessa vitórias seguir-se-ia, na carreira do defesa, um dos momentos de maior monta. Chamado por Paulo Bento, o jogador, fruto das boas exibições efectuadas durante a época, acabaria incluído no grupo a viajar para o Brasil. Na disputa do Campeonato do Mundo de 2014, o atleta entraria em campo em 2 partidas de Portugal e apesar da prestação colectiva quedar-se bem aquém do projectado, a sua participação, em tão importante certame, configurar-se-ia, num cômputo de 38 internacionalizações, 8 delas “A”, como um dos principais marcos da sua caminhada competitiva.
Regressado às obrigações com o Benfica, André Almeida voltaria a figurar como um dos principais nomes associados aos sucessos colectivos do clube. Nesse sentido, o defesa, num total de carreira, contribuiria para a conquista de 5 Campeonatos Nacionais, 4 deles consecutivos e a darem às “Águias” o primeiro “tetra” da história do clube, Para além disso, o seu palmarés também ficaria recheado pelas vitórias em 2 Taças de Portugal, 4 Taças da Liga e 3 Supertaças. No entanto, assombrado por graves lesões, o jogador, nos últimos anos da carreira, começaria, eventualmente, a perder alguma preponderância. Já no decorrer da temporada de 2022/23, sem qualquer presença em campo na equipa liderada por Roger Schmidt, o atleta, ainda muito afectado pelas mazelas físicas, decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.
Após o anúncio do fim de carreira, André Almeida tem mantido a ligação ao Benfica e participou nesta época de 2025/26, ao serviço dos “Legends”, nas competições de futebol 6.

1775 - GOMES DA COSTA

Ao chegar à “Cidade Invicta” para dar continuidade aos estudos, Francisco Gomes da Costa também passaria a alimentar a sua paixão pelo “jogo da bola”. Atleta voluntarioso e de fino recorte técnico, o avançado, com apenas 17 anos de idade, logo entraria para a categoria de honra do FC Porto. Porém, mesmo ao causar um grande impacto nessa temporada de 1936/37, durante a qual seria treinado pelo austríaco Franz Gutkas, a verdade é que a prática desportiva jamais viria a transformar-se na grande prioridade da sua vida. Essa importância haveria de oferecê-la ao trajecto académico e o atacante, por razão de frequentar a Licenciatura em Medicina e igualmente pela paixão aos “Azuis e Brancos”, acabaria por recusar convites bem mais sedutores.
Mesmo tendo como companheiro Pinga, o seu grande ídolo, e de conseguir, logo no ano de estreia pela equipa principal dos “Dragões”, adicionar ao palmarés pessoal a vitória no Campeonato de Portugal, Gomes da Costa nunca ficaria tentado a descurar os estudos. Nesse contexto de vida, a exigência que as obrigações académicas obrigavam, fariam com que não actuasse, na época de 1938/39, em qualquer partida oficial agendada para o FC Porto. Tamanha ausência obrigaria o avançado a ficar excluído da lista dos atletas vencedores do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Ainda assim, já de regresso às actividades futebolísticas, o atacante, a posicionar-se, no “onze” idealizado por Miguel Siska, como interior-esquerdo, ajudaria ao “bis”, selado na campanha de 1939/40, na prova de maior monta no calendário luso.
Apesar de nunca, pelas razões perfeitamente explicadas anteriormente, ter tido o destaque que as suas habilidades competitivas mereciam, Gomes da Costa continuaria a participar nas pelejas do FC Porto. Num total de uma dezena de campanhas a vestir o listado vertical dos “Azuis e Brancos”, durante a qual também ajudaria ao triunfo em 8 Campeonatos “regionais”, o atacante, como referido, até poderia ter mudado de camisola. Porém, nem o convite da Académica de Coimbra, nem o vantajoso desafio financeiro lançado pelo Benfica, convenceriam o jogador a trocar de ares.
Mesmo tendo em conta as aludidas recusas, o atleta até defenderia outra divisa. Pela selecção de Portugal, naquela que vira a transforma-se na única internacionalização da sua carreira, o futebolista seria convocado a competir com a “camisola das quinas”. Chamado por Tavares da Silva a uma partida frente a Espanha, essa peleja, disputada a 6 de Maio de 1945, levá-lo-ia a viajar até galego Estádio Riazor e apesar de integrado num grupo de trabalho onde também marcavam presença Peyroteo e mais um enorme rol de ilustres figuras, o resultado de 4-2 seria favorável à “La Roja”.
Depois de retirado das competições futebolísticas no final da campanha de 1946/47, Gomes da Costa eventualmente acabaria por regressar a Vila Pouca de Aguiar. Na terra natal, onde passaria a exercer a profissão de Médico Dentista, também começaria a envolver-se na política e em 1964 tomaria posse como Presidente da Câmara Municipal da mencionada localidade transmontana.

1774 - ROLÃO


Com uma boa fatia da formação feita nas “escolas” do Sporting, Joaquim José Correia Rolão Preto teria no Clube Futebol “Os Unidos” a derradeira etapa do percurso formativo e a transição, na temporada de 1977/78, para o escalão sénior. Do emblema sediado na lisboeta freguesia de Carnide, com um hiato de um ano dedicado à Licenciatura em Desporto (ISEF), o jovem médio entraria para o plantel de 1980/81 do Eléctrico de Ponte de Sor. De seguida, já na 3ª divisão, viria a experiência no plantel de 1981/82 do Carvalhais, para, no ano seguinte, aceitar o convite de um Torreense orientado por Jesualdo Ferreira.
Da entrada no emblema da Região Oeste em diante, a carreira do médio assumiria contornos de maior seriedade. Nesse sentido, as duas épocas passadas no Estádio Manuel Marques, ambas na disputa dos lugares cimeiros da Zona Centro da 2ª divisão, serviriam de montra para que outras colectividades decidissem apostar na sua contratação. Com a mudança de Jesualdo Ferreira do Torreense para a Académica de Coimbra, Rolão transformar-se-ia num dos nomes recomendados pelo aludido treinador, no reforço do plantel. Ao serviço da “Briosa” a partir de 1984/85, o jogador, logo na primeira campanha, teria a estreia no escalão maior e ao assumir-se, daí para a frente, como um elemento importante nos desenhos tácticos dos diferentes técnicos saberia, na maioria das ocasiões, assegurar-se como um dos habituais titulares.
As 5 temporadas passadas na “Cidade dos Estudantes”, com as 4 primeiras cumpridas no degrau mais alto do futebol português, cimentá-lo-iam como um desportista de enorme gabarito e como alguém dono de um entendimento do jogo bem acima da média. Já com a cotação bem cevada, a temporada de 1989/90 levá-lo-ia a rubricar um contrato com um Nacional da Madeira a manter-se nas contendas primodivisionárias. No emblema do Funchal, mesmo sem conseguir reivindicar, com a regularidade esperada, um lugar no “onze”, o atleta veria a sua utilidade a mantê-lo na equipa. Porém, o final da campanha de 1990/91 ditaria a descida de patamar dos “Alvi-Negros”. Ainda assim, o regresso do médio às pelejas secundárias não seria de todo negativa e a época de 1991/92 daria azo a uma importante mudança na sua ligação com a modalidade.
Seria, então, na temporada referida no fechar do parágrafo anterior que Rolão transitaria das actividades como futebolista para as funções de treinador. Após assumir o cargo de técnico-principal dos madeirenses, o antigo médio, como adjunto de Carlos Queiroz, seu professor no ISEF, teria, em 1999, uma passagem pela selecção dos Emiratos Árabes Unidos. Já depois do regresso a Portugal, onde inicialmente aceitaria o comando do Câmara de Lobos, seria do Sporting, para adoptar o papel de adjunto de László Bölöni, que emergiria um novo desafio. Durante a estadia em Alvalade, transformar-se-ia num dos nomes a contribuir para a conquista da “dobradinha” de 2001/02 e para a vitória na Supertaça do ano seguinte. Porém, mesmo terminada a experiência nos “Leões”, a sua relação com o treinador romeno manter-se-ia durante largos anos. Rennes, AS Monaco, Al Jazira, Standard Liège, Al Wahda, Lens, PAOK e Al-Khor, sempre na composição da equipa técnica liderada pelo antigo timoneiro dos “Verde e Brancos”, preencher-lhe-iam o currículo até 2015. De seguida viria o cargo de Coordenador técnico na chinesa Figo Football Academy. Por fim, a passagem pelo Portimonense e o anuência ao convite endereçado pelo Torreense, onde, em 2022/23, preencheria o lugar de Coordenador Geral.
Paralelamente às actividades no futebol, Rolão também tem desempenhado o ofício de comentador desportivo, com o maior destaque a vir das suas participações no canal televisivo SPORT TV.

1773 - RAUL FIGUEIREDO

Filho de Raul Figueiredo “Tamanqueiro” e irmão mais velho de Manuel Filipe Figueiredo, antigo atleta do Benfica e do Torreense, Raul António Leandro de Figueiredo também viria a brilhar no futebol. Curiosamente, só com alguma idade é que o futuro defesa-central acabaria convencido a iniciar-se na modalidade. Primeiro, ao dar seguimento à sugestão de um velho amigo do pai, tentaria o Benfica. Ao falhar nos testes, passados uns tempos, por insistência do patrão da altura, viria a prestar provas no Belenenses. Mais uma vez ficaria aquém do esperado e só numa segunda tentativa haveria de conseguir ser aprovado pelos responsáveis técnicos dos “Azuis”.
Com a entrada nas “escolas” do Belenenses a acontecer em 1945, Raul Figueiredo teria na temporada de 1948/49 a derradeira campanha como júnior. Depois viria a passagem pelos “reservas” e ainda na época de 1949/50, no âmbito de uma digressão pela Alemanha, a estreia pelo conjunto principal. No entanto, apesar de aferido como um elemento de enorme potencial, o jogador, durante alguns anos, apenas conseguiria conquistar um lugar na equipa de secundária dos homens da “Cruz de Cristo”. A mudança de paradigma, com a primeira aparição, numa partida oficial da equipa de honra a acontecer pela mão de Fernando Vaz, começaria a despontar apenas em 1952/53. Ainda assim, a titularidade só viria a assumi-la na época seguinte e numa altura em que Feliciano já começava a aproximar-se do final da ligação ao clube lisboeta.
Daí em diante Raul Figueiredo passaria a figurar como um das figuras centrais nas metas traçadas pelo grupo de trabalho. Um dos momentos que viria a marcar a sua carreira acabaria por ser o Campeonato Nacional de 1954/55, perdido nos instantes finais da prova – “Foi a quatro minutos do fim, Di Pace cometeu falta a meio campo: Travassos marcou o «livre» para Mokuna. Avancei para o congolês e ele rematou contra a minha perna direita, ressaltando a bola para o lado de Martins, que estava desmarcado, pois Pires, na ânsia de me ajudar, deixara-o em liberdade. O Martins estava em «off-side», mas como a bola me batera na perna, estava em jogo quando rematou e fez o tento… Nem quero pensar na mágoa que senti… Foi tremendo!”*
Outro desses episódios surgiria, já com Raul Figueiredo a capitanear a equipa, na inauguração do Estádio do Restelo, a 23 de Setembro de 1956. Também entraria nesse rol de importância, apesar da sua ausência na final, a vitória na Taça de Portugal de 1959/60. No entanto, pelo meio de tantos momentos inolvidáveis, as 3 internacionalizações alcanças por Portugal tomariam outro peso na edificação da sua carreira. Tido como um intérprete incansável, de invejável estampa física, bom no jogo aéreo e com capacidade para controlar a bola com ambos os pés, o defesa-central teria, a 3 de Junho de 1959, a primeira partida disputada com as cores lusas. Depois de já ter sido convocado, sem entrar em campo, para os trabalhos da equipa “B” e até ter representado a selecção de Lisboa, o “amigável” frente à Escócia, durante o qual seria conduzido por José Maria Antunes, daria início a um trajecto que, ainda no decorrer do mesmo ano civil, dar-lhe-ia, no âmbito do apuramento para o Europeu de 1960, mais duas partidas frente à Republica Democrática da Alemanha.
Por fim, com termo da sua carreira como futebolista a acontecer no encerramento das provas agendadas para a temporada de 1959/60, falta assinalar os números a consagrar uma caminhada dedicada, em exclusivo, ao Belenenses e no espraiar da qual, num total de 11 épocas enquanto sénior, o defesa-central participaria em 126 jogos oficiais.

*retirado da entrevista publicada na revista “Crónica Desportiva nº25”, a 29/09/1957