Muito mais do que um hábito reiterado, começa a tornar-se num verdadeiro “cliché” o encetar destes singelos textos com uma dissertação sobre a dificuldade em encontrar informações sobre um determinado futebolista. No entanto, mesmo esperançado que o conteúdo das linhas que estou a preparar-me para escrever, tal como na definição do galicismo inicialmente apresentado, não percam o seu impacto, mais uma vez tenho de começar esta biografia por afirmar que pouco, ou quase nada, sei sobre Tito!
Depois desta dramática introdução, deixai-me dizer que Tito, em abono da verdade, terá sido baptizado com o nome Carlos do Rosário Neto. Nascido a 4 de Junho de 1943, em São Nicolau – Santarém, os primeiros registos que encontrei sobre este defesa-central, que também saberia posicionar-se como médio-centro, reportaram-me, imediatamente, para o Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961. Sendo o atleta, por altura do certame disputado em Portugal, elemento dos quadros desportivos do Sport Grupo Scalabitano «Os Leões», popularmente conhecido como Leões de Santarém, tal facto constituiu a primeira grande surpresa sobre a sua convocatória ao grupo de trabalho sob a batuta da Federação Portuguesa de Futebol. Curiosamente, nesse rol elaborado por David Sequerra, não seria o único a fugir ao inventário de emblemas tradicionais nestas andanças e o sanjoanense Calhau, que já foi retratado por este “blog”, também haveria de constituir uma enorme “pedrada no charco”!
Apesar da indubitável importância da sua presença no Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961, sublinhada a relevância da sua convocação pela vitória de Portugal no certame, o jogador acabaria a prova sem que José Maria Pedroto viesse a chamá-lo para qualquer presença em campo. Curiosamente, ao invés do que tal chamada poderia indicar, a porta aberta pela maior entidade do futebol luso não teria qualquer continuidade e o defesa, no resto da carreira, não registaria qualquer internacionalização por Portugal.
Contrariamente à sua experiência com a “camisola das quinas”, o jogador, no que diz respeito à caminhada clubística, haveria de tornar-se numa das figuras icónicas dos Leões de Santarém e também, com a fusão deste emblema com outras colectividades da capital ribatejana, do União de Santarém. Todavia, também neste campo a informação por mim recolhida não dá para reconstituir o seu trajecto de uma forma consistente. Ainda assim, os dados obtidos permitem-me dizer, de forma fidedigna, que o jogador, na temporada de 1961/62 terá vestido a camisola do emblema “leonino” nas disputas consignadas ao Campeonato Nacional da 3ª divisão. Ainda nesse escalão, Tito terá entrado em campo no espraiar da campanha seguinte. A diferença viria na segunda parte da prova, com a colectividade por si representada a chegar à final. Na derradeira partida, disputada frente ao Famalicão, seriam os escalabitanos a conseguir a vitória e a sair de Coimbra, como resultado do 3-2 final, em posse do troféu correspondente à conquista do 3º escalão nacional.
Também o cromo apresentado, referente às provas de 1966/67, pode servir de fonte. Porém, daí para a frente não encontrei qualquer registo de Tito a jogar pelos Leões de Santarém. Já no que diz respeito ao União de Santarém, a sua presença far-se-ia notar nas temporadas de 1969/70 até à campanha de 1971/72. Por essa razão, e também pelo facto dos Leões, como mencionado anteriormente, terem dado origem ao União, não é difícil pressupor que o defesa ter-se-á mantido fiel ao emblema “leonino”, até à dita fusão.





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