Apesar da ligação ao FC Porto e de também ter sido um dos nomes históricos das primeiras sendas do Tirsense no escalão maior, a verdade é que, por mais fontes que considerasse, não consegui reconstruir, de forma inabalável, a carreira desportiva de Sebastião Lopes Oliveira. Ainda assim, os poucos registos por mim encontrados permitiram-me edificar uma ideia desse mesmo percurso competitivo e tendo como únicas alusões as experiências nas duas colectividades já mencionadas, então poderei afirmar que tudo terá começado de azul e branco.
Com a formação, feita com as cores do FC Porto, encetada na temporada de 1954/55 e concluída na campanha 1958/59, esse trecho de 5 fatias iguais acabaria dividido em 4 partes oferecidas aos conjuntos de juvenis e 1 fracção associada aos deveres dos juniores. Daí em diante, sem que o defesa-direito aparentemente deixasse os “Dragões”, aparecer-me-ia a referência à sua subida a sénior, isto na época de 1959/60. Contudo, por mais que vasculhasse nos assentamentos, por mim encontrados, a falarem-me das disputadas da equipa principal dos “Azuis e Brancos”, jamais consegui ver sublinhada, em qualquer que fosse a competição ou certame, alguma participação sua nesse contexto. Tal omissão ter-me-á levado a concluir, de forma abusiva ou então numa dedução com alguns alicerces lógicos, que Sebastião, no intervalo entre 1959/60 e 1961/62 apenas terá representado as “reservas”, ou outra categoria inferior, da equipa com sede na “Cidade Invicta”.
O que também parece ser certo, será a sua entrada no Tirsense, como reforço para a temporada de 1964/65. Tendo como correcto este esclarecimento, há então que levantar outra questão: o que terá feito ou por onde terá andado Sebastião durante o hiato de duas épocas em que não encontrei qualquer cadastro seu? A resposta, sem que tenha descoberto qualquer informação nesse sentido, poderá estar relacionada com o Serviço Militar Obrigatório. É que os atletas, por essas alturas e por razão dos deveres da sua chamada à tropa, eram, muitas vezes, forçados a paragens prolongadas. Se a esse facto juntarmos o começo da Guerra Colonial em 1961, há também uma forte probabilidade do defesa-direito ter passado o aludido período de tempo numa comissão cumprida em África.
Especulações à parte… A entrada de Sebastião no plantel do Tirsense de 1964/65 levá-lo-ia a entrar em competição nos cenários do 3º patamar. Surpreendentemente, as campanhas seguintes levariam os “Jesuítas” a 2 subidas consecutivas e o enorme feito transformaria 1967/68 na época de estreia do clube entre os “grandes”. Num plantel sob a intendência do treinador/jogador Ferreirinha e com Carlos Manuel, Cristóvão, Amândio ou Naftal a preencher o balneário, o defesa-direito haveria de consagrar-se como um dos elementos com maior utilização durante o desenovelar das competições lusas. Ainda assim, a chegada ao final da última temporada referida traria a despromoção da colectividade nortenha. O hiato, fora daquela que é a competição de maior monta em Portugal, duraria um par de anos e seria só com o hipotético final da carreira à vista que o jogador voltaria à 1ª divisão.
Esse regresso, após a consagração do Tirsense como vencedor da 2ª divisão, aconteceria na temporada de 1970/71. Orientado inicialmente por Orlando Ramín e, com a saída deste, por Mário Wilson, mais uma vez Sebastião haveria de destacar-se como um dos membros a registar maior assiduidade no “onze”. A época seguinte, ainda nos “plateaus” primodivisionários, também correria em bons termos para o jogador. O pior, tal como em anos anteriores, viria com o fecho das contas referentes ao Campeonato Nacional e com o 16º lugar na tabela classificativa a indicar a descida de escalão. O resultado deste desaire, no que diz respeito ao defesa-direito, não sei bem dizer qual terá sido! O que posso garantir é que da campanha de 1971/72 para a frente nada mais consegui encontrar sobre a sua ligação ao futebol.




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