1721 - SALVADOR

Formado no modesto Leverense, seria também na colectividade inscrita na Associação de Futebol do Porto que Salvador Moreira Silva, na temporada de 1956/57, faria a transição para a equipa principal da referida agremiação. Com os primeiros anos da carreira divididos entre os “regionais” e o 3º escalão, o defesa-central, que também conseguia posicionar-se mais adiantado no terreno de jogo, ainda assim haveria de chamar a atenção de emblemas de outra monta. Porém, nessa evolução, a verdade é que o reconhecimento do seu valor ainda demoraria um pouco a chegar e só cumpridas 7 campanhas seniores é que o jogador viria a dar o salto para outro patamar.
Apresentado como reforço do plantel de 1963/64 do Varzim, Salvador, naquele que é o patamar maior do futebol luso, gravaria o seu nome no rol de atletas participantes na estreia do emblema poveiro. Mesmo tendo em conta que tal facto, a emergir isolado, serviria para inscrevê-lo na história do clube, o defesa-central daria ainda aos cronistas muitas outras razões para o classificarem como um dos mais notáveis atletas a passar pelos “Lobos-do-mar”. Nesse sentido, depois da estreia sob a batuta do treinador Artur Quaresma, viria a cimentação da titularidade conquistada. Mesmo tendo em conta a sua falta de experiência no novo nível competitivo, o jogador, numa inolvidável linha defensiva composta igualmente por Quim, Fernando Ferreira, e Sidónio, depressa viria a consagrar-se como um dos esteios das ideias de jogo pensadas pelos diferentes técnicos a transitar pelo comando dos “Alvi-Negros”. Como membro, quase inquestionável, do “onze” varzinista, o atleta, ao longo de vários anos, acumularia um número espantoso de partidas disputadas pelo listado branco e preto e, no seio de tantas presenças nas fichas de jogo, alguns números viriam a destacar-se.
Das 11 épocas em que serviria o Varzim, 8 delas, consecutivas, seriam cumpridas na 1ª divisão. Durante o mencionado período passado no patamar máximo, a titularidade dar-lhe-ia ao currículo 198 pelejas entre os “grandes” do futebol luso. Tal número faria de Salvador, e ainda hoje faz, o intérprete com mais jogos efectuados pelo emblema poveiro, no patamar máximo português. Ainda assim, de dentro desse enorme feito, é também possível retirar outras proezas igualmente espantosas. Nesse contexto de façanhas, temos então as 166 jornadas disputadas de forma ininterrupta e o facto de em apenas 9 ocasiões ter estado ausente das contendas varzinistas.
Assumindo as 8 temporadas consecutivas no escalão máximo o papel mais relevante desse trecho da história do Varzim, o 6º lugar alcançado, sob a intendência técnica de Joaquim Meirim, tornaria a temporada de 1969/70 na mais emblemática desse nobre ciclo. Não é absurdo voltar a referir a importância de Salvador como um dos pilares do aludido período. Todavia, não seria só por isso que o atleta acabaria acarinhado como um enorme exemplo de dedicação. Aferido como um dos grandes nomes dos cenários primodivisionários, a descida de divisão, ocorrida no termo das provas agendadas para 1970/71, não faria com que o defesa-central procurasse dar outro destino à carreira. Convictamente apaixonado pelos “Lobos-do-mar”, o jogador permaneceria fiel à colectividade nascida no seio de pescadores e só deixaria de representar, dentro de campo, a agremiação nortenha aquando da sua decisão de, em 1973/74, “pendurar as chuteiras”.

1720 - ARTUR FONTE

Produto da formação do Sporting, seria ainda como membro das “escolas” leoninas que Artur Alberto Ferreira Fonte seria inicialmente chamado às contendas agendadas para as jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. No mencionado contexto competitivo, o lateral-esquerdo acabaria incluído no grupo que, a 22 de Março de 1977, entraria no Estádio Alfredo da Silva, para defrontar a Finlândia. Depois dessa partida, dos actualmente denominados por sub-18, durante a qual seria orientado por Peres Bandeira, ao jogador seriam ainda dadas muitas mais oportunidades para envergar a “camisola das quinas”. Por entre alguns jogos de preparação e a edição de 1977 do Torneio de Cannes, o defesa seria chamado às fases finais do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1978 e ao Mundial sub-20 de 1979. Tais convocatórias, também levariam o atleta, apesar de nunca ter entrado em campo, ao conjunto “olímpico” e entregar-lhe-iam, ao currículo, um total de 20 pelejas disputadas com as cores lusas.
No que concerne ao percurso clubístico, Artur Fonte, após deixar Alvalade, teria no plantel de 1978/79 do Vila Real os primeiros passos da caminhada sénior. Recebido em Trás-os-Montes pelo treinador Mário Nunes, os dois anos passados na disputa da 3ª divisão levá-lo-iam a ganhar traquejo suficiente para merecer a confiança dos responsáveis pelo Penafiel. Na colectividade duriense, muito para além da estreia no escalão maior, a temporada de 1980/81 revelaria o defesa-lateral como um dos titulares da equipa inicialmente orientada por Luís Miguel e de seguida por António Oliveira. Com a sua presença no “onze” a espraiar-se para a época seguinte, o jogador começaria a sublinhar-se como um intérprete de cariz primodivisionário. Porém, a descida de divisão da agremiação por si representada, levá-lo-ia a uma mudança de rumo. Já o ano cumprido com as cores do Vitória Futebol Clube, mesmo com a permanência entre os “grandes”, transformar-se-ia, no plano individual, num pequeno retrocesso evolucional e finda a campanha de 1982/83, passada na cidade de Setúbal, o atleta regressaria ao Norte do país.
A temporada de 1983/84, que representaria a sua segunda passagem pelo Penafiel, serviria de interlúdio para a chegada de Artur Fonte ao Belenenses. No Restelo, onde cumpriria 4 épocas consecutivas, o jogador teria no inglês Jimmy Melia o primeiro timoneiro. Sempre no escalão principal, a segunda campanha a representar os “Azuis” encaminharia o defesa até à final da Taça de Portugal. Chamado, por Henri Depireux, ao “onze”, o decisivo encontro da “Prova Rainha” não correria de feição para o lado do lateral canhoto e haveria de ser o Benfica a deixar o Jamor na posse do almejado troféu.
Já a campanha de 1987/88 traria outro momento de inolvidável importância para a carreira do jogador. Com a participação na Taça UEFA a dar-lhe a estreia nas competições de índole continental, o novo cenário competitivo faria com que fosse o FC Barcelona a calhar em sorte ao conjunto português. Arrolado por Marinho Peres ao embate ibérico, o defesa-lateral participaria em ambas as partidas frente aos “Blaugrana” e o atleta, apesar do afastamento dos homens da “Cruz de Cristo”, teria a honra de ver o seu nome associado à vitória do clube luso na 2ª mão da referida ronda.
Mesmo como um dos homens mais utilizados pelos diferentes técnicos do Belenenses, a temporada de 1988/89 apresentá-lo-ia como reforço do Penafiel. O regresso ao conjunto sediado no Estádio 25 de Abril encetaria um novo período de 4 campanhas sucessivas sempre na disputa do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tal período, muito mais do que transformar os “Durienses” no colectivo mais representativo da sua carreira enquanto praticante, permitiria inscrever no seu trajecto profissional um invejável somatório de 12 campanhas consecutivas a disputar àquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico português. Findo esse capítulo, o lateral-esquerdo ainda teria força para dar seguimento à sua caminhada competitiva e só depois de dividir a época de 1992/93 entre o Valpaços e o Atlético da Malveira é que tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Em jeito de conclusão, como curiosidade, relembro-vos que Artur Fonte é pai do campeão europeu José Fonte e do internacional português Rui Fonte.

1719 - CHICO FARIA

Saído da famosa fornada dos “Bebés do Mar”, onde também estariam incluídos nomes como o seu irmão Horácio, Fonseca, Praia, Neca, ou Montóia, Francisco Delfim Dias Faria, popularizado pelo diminutivo Chico ou, se preferirem, Chico Faria, teria na temporada de 1967/68 a estreia na equipa principal do Leixões. Logo nessa campanha, orientado por António Teixeira, o extremo-direito conseguiria, não só conquistar a confiança do referido treinador, como chamaria, com a titularidade alcançada no sector mais ofensivo da agremiação matosinhense, a atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído nos trabalhos agendados para os, actualmente designados, sub-18, o atacante teria na edição de 1968 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA o arranque da caminhada pelos diferentes escalões lusos. Chamado ao certame organizado na França, o avançado conseguiria no desafio frente à Escócia, disputado a 7 de Abril de 1968, dar o primeiro passo com a “camisola das quinas”. Com um golo marcado nessa partida, e mais 3 nas seguintes rondas, o jogador haveria de ajudar o seu conjunto a chegar à disputa pelo 3º lugar e deixaria o torneio na posse da medalha de bronze e com o título de Melhor Marcador.
No que diz respeito ao trajecto clubístico, a Chico Faria bastaria um ano a exibir-se na 1ª divisão para que, de outros lados, surgissem algumas solicitações para uma eventual mudança de emblema – “Tive convites dos outros dois "grandes" e da Académica, mas já tinha a inclinação para o Sporting e não me arrependo nada. Eu era leão...”*.
Com a chegada a Alvalade em 1968/69, o extremo-direito depressa viria a consagrar-se como um dos favoritos dos diferentes treinadores que, nessa campanha, haveriam de passar pelo comando técnico dos “Verde e Brancos”. A época seguinte, no que diz respeito à assiduidade com que apareceria em campo, seria mais intermitente. Porém, daí em diante, muito por razão de uma atitude incansável e de qualidades físicas e técnicas bem acima da média, o jogador passaria a colher, de forma quase unanime, a preferência no arrolar do alinhamento inicial. A importância que viria a revelar teria um enorme peso nas conquistas colectivas e o seu currículo, nas temporadas vindouras, ficaria colorido pelos triunfos em 2 Campeonatos Nacionais e 3 Taças de Portugal.
Também no plano internacional, a passagem de Chico Faria por Lisboa traria ao atleta grandes proveitos. Para além de diferentes chamadas aos escalões de formação, o atacante teria a oportunidade de, a 10 de Maio de 1972, fazer a estreia pelos “AA” de Portugal. Chamado à partida frente ao Chipre por José Augusto, o avançado também marcaria um golo nessa partida a contar para a Fase de Apuramento para o Mundial de 1974. Daí em diante, no escalão já referido neste parágrafo, o extremo-direito ainda acumularia outras 3 partidas e naquele que viria a ser o seu somatório de aparições nos diferentes patamares consagrados à “camisola das quinas”, o jogador conseguiria acumular um total de 19 jogos por Portugal.
Ao fim de 8 anos a representar os “Leões”, Chico Faria decidiria deixar Alvalade – "Não fui mandado embora do Sporting. Saí porque quis, num período conturbado, a seguir à revolução de 74. O ambiente em Lisboa não era o melhor. A minha mulher (de quem me vim a divorciar) era de Braga e fui aliciado pela família dela para aceitar um convite do Sp. Braga. Mas acho que vim prematuramente, porque o Sporting tudo fez para eu continuar lá."*. Nesse sentido, à chegada ao Minho, o avançado seria apresentado como reforço para a temporada de 1976/77. Nos “Guerreiros” manteria uma qualidade de jogo inabalável, voltando a ser incluído nos planos da selecção nacional. Essa meia dúzia de anos passados na “Cidade dos Arcebispos” continuariam a revelá-lo como um dos melhores intérpretes primodivisionários e o avançado, logo na campanha de chegada, contribuiria para dois momentos de grandiosa importância na história do clube. Num contexto inolvidável, depois de marcar presença no decisivo jogo da Taça de Portugal, perdida para o FC Porto, o atleta ainda participaria na vitória frente ao Estoril Praia e ajudaria, nessa final disputada em Coimbra, ao triunfo dos “Arsenalistas” na única edição da Taça da FPF.
Já com o final da carreira à vista, após participar, pelo Sporting de Braga, na final da Taça de Portugal de 1981/82, o extremo-direito encetaria um périplo que, em quatro anos, levá-lo-ia a representar 4 emblemas diferentes. Sempre nos escalões secundários, Penafiel, Marítimo, Lusitânia de Lourosa e Ponte da Barca preencheriam, pela ordem apresentada, uma caminhada que conheceria o fim com o termo das provas agendadas para a temporada de 1985/86. “Penduradas as chuteiras”, o antigo jogador passaria a dar mais atenção aos negócios pessoais. Ainda assim, não deixaria de vez o futebol e entre os cargos assumidos no Joane, no Limianos ou como adjunto de Manuel José no Sporting de Braga, Chico Faria alimentaria o “bichinho” pelo “jogo da bola”.

*retirado da entrevista publicada a 29/12/2000, em www.record.pt

1718 - CAMACHO

Luís Lourenço Oliveira Camacho, após concluir o percurso formativo no Marítimo, teria a primeira inscrição sénior, mantendo-se ao serviço dos “Leões do Almirante Reis”, na temporada de 1978/79. No entanto, só final da campanha seguinte, numa altura em que a colectividade funchalense era orientada por António Medeiros, é que conseguiria estrear-se na equipa principal. Tendo sido, até a essa altura, tapado por colegas com maior tarimba, casos de Eduardinho, Valter, Bernardino Pedroto, Fernando Martins ou Vítor Gomes, a solução para o crescimento sustentado do jovem centrocampista acabaria a levá-lo na direcção de outro clube e durante um ano, mais concretamente na época de 1980/81, o jogador cumpria as suas funções como futebolista com as cores do União da Madeira.
O regresso de Camacho aos “Verde-rubros” apanharia o clube no patamar secundário. Tendo ajudado à vitória dos madeirenses no referido degrau, o médio, na campanha seguinte, voltaria a enfrentar os desafios do escalão maior. Todavia, tanto em termos colectivos, como na aferição individual das suas exibições, a temporada de 1982/83 ficaria bem abaixo dos objectivos traçados pelos responsáveis do Marítimo. A descida de patamar, resultado do antepenúltimo lugar na tabela classificativa da 1ª divisão, levaria o jogador, no que diz respeito ao convívio com os “grandes”, a um hiato de um par de anos. Ainda assim, a ligação entre o médio e o clube, reconhecida a sua utilidade e paixão pelo emblema insular, manter-se-ia firme e o retorno aos palcos principais do futebol português dar-se-ia em 1985/86.
Numa carreira que, nos anos a envergar o listado do Marítimo, ficaria vincada pelas diversas subidas e descidas de escalão, a verdade é que Camacho, aquando das suas passagens pela 1ª divisão, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis da agremiação sediada na cidade do Funchal. Mesmo com uma utilização bastante positiva na última campanha mencionada no parágrafo anterior, o completo ocaso que viveria no decurso da temporada de 1986/87 empurrá-lo-ia para uma nova cedência e o União da Madeira, dessa feita o plantel de 1987/88, voltaria a acolhê-lo nas contendas do patamar secundário.
Depois de mais uma campanha fraca ao serviço do Marítimo, Camacho, com as 9 épocas passadas na equipa principal funchalense a abrilhantarem o seu currículo competitivo, teria no termo das provas agendadas para 1988/89 o fim da ligação aos “Verde-rubros”. Daí em diante, tendo já cumprido meia dúzia de temporadas na 1ª divisão, o médio, sem nunca deixar o arquipélago da Madeira, teria nas pelejas dos escalões inferiores o seu derradeiro plateau. Nesse contexto futebolístico, Portosantense, Câmara de Lobos, ACD São Vicente e Ribeira Brava transformar-se-iam nas divisas a colorir os capítulos de um trajecto que, com a decisão de “pendurar as chuteiras”, conheceria o fim em 1994/95.

1717 - LIBÂNIO

Produto das “escolas” da CUF, Libânio Gomes Avelar teria também no emblema do Barreiro a oportunidade de, no decorrer da temporada de 1948/49, subir às contendas dedicadas aos seniores. Com a colectividade “fabril” na disputa do escalão secundário, o jovem guarda-redes acabaria por demorar ainda alguns anos até ficar sob os principais holofotes do desporto português. Ainda assim, as boas exibições, conseguidas no decorrer desses primeiros anos de competição, fariam com que sua cotação rapidamente subisse e o guardião depressa passaria a ser vistos como um dos bons elementos a actuar entre os postes nacionais.
Antes ainda de conseguir sublinhar-se como um dos nomes mais admirados no cenário competitivo luso, Libânio, por razão do Serviço Militar Obrigatório, haveria de passar a temporada de 1950/51 a envergar as cores do SL Olivais. De regresso à CUF na campanha imediatamente a seguir à sua passagem pelo referido emblema de Lisboa, o guarda-redes continuaria, com boas prestações, a alimentar, de forma crescente, a sua cotação. Como um dos pilares da agremiação barreirense, o jogador acabaria por, na temporada de 1953/54, ser de extrema importância nos desempenhos colectivos e após ajudar à vitória no Campeonato Nacional da 2ª divisão, a época seguinte, orientado por Humberto Buchelli, transformar-se-ia no ano de estreia do guardião entre os “grandes”.
Titular em 1954/55 e dono de um lugar no “onze” também na campanha subsequente, Libânio, naquela que viria a tornar-se a sua terceira época primodivisionária, ver-se-ia, na luta pela titularidade, ultrapassado por José Maria. Possivelmente agastado com a situação, certo é que o guardião, em rota de colisão com o treinador magiar János Biri, acabaria por deixar a CUF. Ao manter-se no patamar máximo do futebol luso, o atleta, na campanha de 1957/58, seria apresentado como reforço do Vitória Futebol Clube. A verdade é que a mudança para o emblema da cidade de Setúbal, ao enfrentar a concorrência de Justino e de um jovem de nome Mourinho Félix, não haveria de trazer facilidades ao guarda-redes natural do Barreiro. Nesse sentido, a primeira época cumprida com os “Sadinos” ainda viria a trazer-lhe algum destaque. Porém, os anos seguintes não seriam tão proveitosos em termos individuais e o jogador ver-se-ia apartado do alinhamento inicial.
Seria após uma temporada nas pelejas da 2ª divisão que Libânio deixaria o Vitória Futebol Clube para dar o maior salto na carreira. Com o Sporting, consumada a saída de Octávio de Sá, à procura de alguém com traquejo suficiente para fazer concorrência a Carvalho, as escolhas dos responsáveis leoninos recairiam sobre a sua contratação. Com a chegada a Alvalade a acontecer na temporada de 1961/62, só no final dessa campanha é que o guarda-redes convenceria Juca a entregar-lhe a titularidade. Ainda assim, com a corrida pelo título a ser feita, taco a taco, pelo emblema “alfacinha” e pelo FC Porto, a sua presença entre os postes tornar-se-ia deveras relevante para o sucesso do colectivo. No referido contexto competitivo, o guardião, reconhecido pela tranquilidade, destreza e arrojo nas acções defensivas, tornar-se-ia de extrema importância e na derradeira jornada do Campeonato Nacional, ao contribuir para o triunfo caseiro frente ao Benfica, ajudaria a selar a conquista daquela que é a prova de maior monta no calendário luso.
O resto da sua caminhada de “leão” ao peito não traria, ao currículo pessoal, notas de maior destaque. Mesmo tendo como certa esta afirmação, é impossível de deixar de referir a sua presença no plantel do Sporting, aquando da vitória do clube português na edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças. Também não é menos verdade que, com o avançar dos anos, o jogador, igualmente atrás de Barroca, acabaria como a terceira escolha para os técnicos leoninos. Tal facto, após o termo das provas agendadas para 1964/65, empurrá-lo-ia para aventuras fora de Alvalade. Seguir-se-iam, na divisão secundária, o Atlético e o FC Barreirense. Já na 2ª época com o mencionado emblema da Margem Sul, o guardião regressaria ao escalão máximo para, na temporada de 1967/68, ter as últimas aparições no patamar maior. Depois viram as duas campanhas ao serviço do Seixal e o “pendurar das luvas” no final de 1969/70.

1716 - LÁZARO

Cumprido o percurso formativo na AD Oeiras, Lázaro Fonseca Costa Oliveira teria no emblema da Linha de Cascais a oportunidade de, no decorrer da temporada de 1986/87, chegar ao contexto sénior. Já os passos seguintes do médio levá-lo-iam primeiro até Cantanhede, onde integraria o plantel de 1987/88 d’ “Os Marialvas”, para, na campanha seguinte passar a envergar a camisola do Grupo Desportivo da Usseira. Porém, contrariamente ao que poderia ser projectado, essas passagens, respectivamente, pelo escalão secundário e pela 3ª divisão não tirariam visibilidade ao atleta e o jogador, para a campanha de 1989/90, acabaria apresentado como reforço de um dos emblemas com grande tradição no futebol português.
Mesmo com o Estoril Praia a disputar a Zona Sul da 2ª divisão, a chegada de Lázaro à Amoreira serviria de rampa para uma carreira bem mais estruturada. Nesse sentido, a temporada de 1991/92 acabaria por destapar o escalão máximo ao jogador. Porém, as escolhas de Fernando Santos para o alinhamento da equipa recairiam sobre outros atletas. Ainda assim, num plantel que, ao longo desses anos, teria no sector intermediário jogadores como Carlos Manuel, Bouderbala, Borreicho, Sánchez ou Marco Paulo, o seu trabalho continuaria a ser apreciado pelos responsáveis técnicos dos “Canarinhos”. A aferição feita ao médio mantê-lo-ia ligado ao clube durante 5 épocas consecutivas. Todavia, com o termo das provas agendadas para 1993/94, temporada em que os homens a envergar de amarelo também claudicariam na luta pela manutenção, o elo que vinha a ter com a colectividade a jogar em casa no Estádio António Coimbra da Mota quebrar-se-ia e o centrocampista, que nunca havia passado da condição de suplente, decidiria partir para outras aventuras.
O ano passado ao serviço do Louletano e o par de temporadas a defender as divisas do Penafiel constituiriam, na caminhada do médio, um interlúdio na sua experiência primodivisionária. Curiosamente, seria Fernando Santos a resgatar Lázaro desse hiato. Com o treinador à frente do Estrela da Amadora, o jogador seria um dos nomes escolhidos para reforçar o plantel de 1997/98 dos “Tricolores”. Contrariamente ao que tinha acontecido na sua experiência com o Estoril Praia, a sua preponderância no xadrez táctico da nova equipa seria completamente distinto. Em abono da verdade, a época de chegada do atleta à Reboleira não haveria de coincidir com a sua titularidade. Porém, mesmo com poucas aparições no “onze” inicial, o centrocampista começaria a merecer a atenção das pessoas ligadas a outros contextos competitivos.
 O destaque mencionado no final do parágrafo anterior surgiria da Federação Angolana de Futebol. Natural de Gabela, localidade situada na província do Quanza Sul, o médio, com a selecção do seu país apurada para a CAN de 1998, veria o seu nome adicionado pelo Professor Neca à comitiva a participar no mais importante torneio organizado pela CAF. Já no certame disputado no Burkina Faso, o jogador acabaria por entrar em campo nas 3 partidas disputadas pelos “Palancas Negros”, mas os dois empates e uma derrota não permitiram a passagem às eliminatórias.
No que diz respeito à sua caminhada clubística, Lázaro, ao permanecer 7 anos seguidos no Estádio José Gomes, 5 dos quais no convívio com os “grandes”, transformaria o Estrela da Amadora no emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista profissional. “Penduradas as chuteiras” no decorrer da temporada de 2003/04, o antigo médio manter-se-ia ligado à modalidade e transitaria, ainda na aludida época, para o papel de treinador-adjunto dos “Tricolores”. Já a mudança para técnico-principal ocorreria na época de 2009/10, ao serviço do Penafiel. Daí em diante, novas oportunidades surgiriam e o Portimonense, Atlético, Farense, a selecção de Macau e, nesta época de 2025/26, o Portimonense (clube), preencheriam o seu trajecto.

1715 - CESÁRIO

Cesário da Ponte Fernandes teria no Sporting de Braga os derradeiros capítulos do percurso formativo. No entanto, na altura de subir ao patamar sénior, seria no regresso à terra natal que encontraria uma porta aberta. Nessa temporada de 1947/48, o jovem guarda-redes, após a viagem de volta ao Alto Minho, passaria a representar o Desportivo de Monção. No emblema sediado na raia do distrito de Viana do Castelo, os seus préstimos seriam de tal ordem que a ordem para retornar à “Cidade dos Arcebispos” emergiria ao fim de uma campanha e o guardião, em 1948/49, apresentar-se-ia de novo com a camisola dos “Guerreiros”.
A exibir-se no Campo da Ponte, Cesário rapidamente conseguiria alcançar um lugar de destaque no seio do plantel minhoto. Titular na maior parte das partidas agendadas para o calendário competitivo do Sporting de Braga, o guarda-redes passaria a ser aferido como um dos responsáveis pela consolidação do emblema nortenho nas sendas do patamar máximo do ludopédio português. Paralelamente ao cumprimento dos objectivos colectivos dos “Arsenalistas”, a cotação do guardião, como um dos grandes activos da colectividade, também encetaria uma senda em crescendo. Esse acréscimo de valor, bem vincado desde os primeiros passos a envergar a principal divisa dos “Guerreiros”, contribuiria para que, de outros lados, começassem a olhar par si como um dos grandes intérpretes do plateau luso e o prémio, para as boas exibições alcançadas dentro do rectângulo de jogo, viria com a convocatória a levá-lo aos trabalhos sob a intendência dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol.
Chamado para o Áustria – Portugal agendado para a Fase de Qualificação do Mundial de 1954, Cesário tornar-se-ia no primeiro atleta na história do Sporting de Braga arrolado para uma partida da principal selecção lusa. Ao lado de grandes vultos do futebol nacional, casos de José Águas, Virgílio, Rogério de Carvalho, Vasques, Martins, Serafim, Travassos, entre outros, o guarda-redes apresentar-se-ia na comitiva a viajar até à contenda a disputar, a 27 de Setembro de 1953, no Praterstadion. Já em Viena, as escolhas para compor o alinhamento a envergar a “camisola das quinas” dariam preferência, no lugar entre os postes, ao portista Frederico Barrigana. Suplente do “onze” orientado por Salvador do Carmo, o guarda-redes minhoto, para além de perder a oportunidade de juntar ao currículo uma internacionalização “A”, assistiria de fora à copiosa goleada sofrida pelo agregado português e o regresso a Lisboa far-se-ia com um desastroso 9-1 a ocupar demasiado espaço na bagagem.
No caminho trilhado com o Sporting de Braga, ao lado de Elói, António Marques, Antunes, Ezequiel Baptista, Corona, Eduardo Vital, José Maria Azevedo, Ferreirinha, Imbelloni, Jorge Mendonça, Fernando Mendonça, João Mendonça ou Armando, todos com uma grande presença no futebol da agremiação minhota, como no desporto luso, Cesário tornar-se-ia numa das principais figuras das 11 campanhas dos “Arsenalistas” cumpridas na disputa da 1ª divisão. Todavia, o ciclo de uma dúzia de temporadas consecutivas terminaria, para o guardião, com o fim das provas agendadas para 1959/60. Decidido a “pendurar as luvas”, ainda assim, o apelo para regressar às lides futebolísticas, com um par de anos a alimentar uma sabática, fá-lo-ia integrar o plantel de 1962/63 dos “Guerreiros”. Adiada a reforma competitiva por mais algum tempo, o guarda-redes permaneceria outra época na colectividade da “Cidade dos Arcebispos” e viria, após alguns jogos efectuados ao serviço do Desportivo de Monção, a cessar as actividades à baliza já em 1964/65.

1714 - GOSPODINOV

Zhivko Gospodinov Hristov apareceria na equipa principal do Spartak Varna na temporada de 1974/75. Aferido como um intérprete de enormes qualidades técnicas, o médio-ofensivo viria a destacar-se como uma das grandes figuras da história do clube. No entanto, antes ainda de conseguir afirmar-se como um dos maiores pilares da colectividade sediada na costa do Mar Negro, onde chegaria a partilhar o balneário com Getov, o jovem jogador ainda passaria a campanha de 1977/78 ao serviço do Vatev Beloslav.
Já de regresso ao clube onde tinha cumprido a estreia enquanto sénior, Gospodinov começaria a impor-se no cenário competitivo búlgaro, como um dos intervenientes dono de um sério entendimento das dinâmicas de jogo e com uma capacidade de servir os colegas de equipa muito acima da média. Nesse sentido, a primeira das grandes distinções recebidas pelo atleta viria da equipa nacional. Chamado à principal selecção búlgara, a estreia aconteceria, pela mão de Yanko Dinkov, a 12 de Outubro de 1982. A partida de preparação, agendada frente à Roménia, transformar-se-ia no tiro de partida para um caminhada a levá-lo, com as cores do seu país, ao mais importante certame organizado no contexto da modalidade. Numa altura em que já era considerado como um dos pináculos futebolísticos da Bulgária, o “criativo” viria a ser arrolado, por Ivan Vutsov, para a comitiva a participar no Mundial de 1986. No certame calendarizado para o México, ao lado de inúmeros nomes bem conhecidos do panorama desportivo português, casos de Mihaylov, Petrov, Sadakov, Mladenov, Radi, Getov, Dragolov e Kostadinov, o atleta participaria em 3 rondas do torneio e ajudaria a sua equipa a chegar aos oitavos-de-final da competição.
Paralelamente ao percurso internacional, Gospodinov também seria um dos grandes impulsionadores dos sucessos alcançados pelo clube por si representado. Nesse campo, as melhores épocas verificar-se-iam em 1982/83 e também na temporada seguinte. Para o facto, em muito contribuiria a chegada à final da Taça da Bulgária. A actuar de início no “onze” idealizado por Ivan Vutsov, técnico mencionado no parágrafo anterior, o médio-ofensivo veria o CSKA Sofia a levar para os escaparates do clube da capital o almejado troféu. Ainda assim, a presença do Spartak Varna no decisivo jogo, faria com que conseguissem apurar-se para a vaga na Taça dos Vencedores das Taças do ano seguinte. Na competição organizada pela UEFA, após ajudar à eliminação dos turcos do Mersin Idman Yurdu, o jogador também seria chamado à ronda seguinte e frente ao Manchester United participaria em ambas as mãos.
Ainda no que respeita à caminhada clubística, depois de uma curiosa passagem, na segunda metade da temporada de 1986/87, pelo Spartak Pleven, o regresso ao Spartak Varna precederia a única aventura do médio-ofensivo no estrangeiro. Contratado pela AD Fafe para reforçar o plantel de 1988/89, Gospodinov apresentar-se-ia à 1ª divisão portuguesa já com a época a meio. Numa altura em que o grupo de trabalho minhoto era orientado por Manuel de Oliveira, o atleta estrear-se-ia numa vitória, por 2-1, frente ao Portimonense e logo com um golo da sua autoria. Todavia, apesar do seu arranque auspicioso no Campeonato Nacional, a verdade é que os homens a equipar de amarelo não conseguiriam cumprir os objectivos delineados e claudicariam na luta pela manutenção. Mesmo com a descida, o internacional búlgaro manter-se-ia ao serviço da equipa e a campanha de 1989/90 viria a passá-la já nas disputas do escalão secundário.
O regresso à Bulgária representaria para Gospodinov a entrada naqueles que seriam os derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto praticante profissional. Mais uma vez o Spartak Varna, mas também o Cherno More e o Beroe acabariam a colorir essas últimas etapas. Já o “pendurar das chuteiras” seria decidido após o termo das provas agendadas para 1991/92.

1713 - CAVUNGI

 
Manuel Francisco Salvador, popularizado no mundo do futebol por Cavungi, teria no Benfica os últimos anos de formação. Aliás, seria no derradeiro ano como júnior das “Águias” que o atacante, fruto das habilidades reveladas dentro de campo, acabaria chamado aos jovens conjuntos sob a batuta da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos trabalhos dos actualmente designados por sub-18, o extremo estrear-se-ia com a “camisola das quinas” a 10 de Dezembro de 1974. Essa partida frente à Finlândia, onde o 4-1 final contaria com dois golos seus e dois de Chalana, daria início a uma caminhada a levá-lo a outros desafios. No referido percurso, o jogador teria a oportunidade participar em certames como o Torneio de Cannes e acumularia, sem sair do escalão acima mencionado, um total de 8 internacionalizações com as cores lusas.
No que respeita ao percurso clubístico, seria pela mão de Mário Wilson que o atacante, no decorrer da temporada de 1975/76, viria a aparecer, pela primeira vez, na equipa principal. No entanto, com o sector ofensivo dos “Encarnados” povoado por elementos como Nené, Moinhos, o já mencionado Chalana, Jordão, Vítor Batista, Nelinho, entre outros, a verdade é que as oportunidades não seriam muitas. Também nas campanhas seguintes, Cavungi veria a escolha dos treinadores recair sobre outros intérpretes. A excepção a esse ocaso emergiria na época de 1977/78, durante a qual, chamado por John Mortimore, apareceria amiúde nas pelejas calendarizadas para as “Águias”.
Mesmo nunca tendo conseguido afirmar-se como um elemento indiscutível nos alinhamentos do “Glorioso”, o extremo, ainda assim, viria a participar em momentos inolvidáveis para o Benfica. Para além da conquista de vários títulos, para o caso 2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal, o atacante participaria noutro capítulo que acabaria inscrito nos anais do futebol português. A história, ocorrida no Benfica – Sporting de 1977/78, ficaria conhecida pelo desaparecimento do brinco de Vítor Batista. O que poucos sabem é da intervenção directa de Cavungi no episódio. Primeiro, seria do atacante o centro que daria o passe para o golo. Depois, já no rescaldo da ronda a contar para a 1ª divisão portuguesa, viria a revelação do dono da jóia, a revelar que a peça de joalharia teria saltado da sua orelha na sequência do abraço recebido pelo homem que, instantes antes, havia efectuado a assistência para o seu remate certeiro!
Para além desta curiosidade, como revelado nos parágrafos precedentes, Cavungi nunca haveria de conquistar um lugar no “onze” do Benfica. Tal facto levaria a que o avançado fosse, na temporada de 1980/81, emprestado ao Sporting de Braga. Os desempenhos conseguidos ao serviço da agremiação minhota justificariam o seu regresso à Luz. Todavia, de novo a envergar o “manto sagrado”, o atacante voltaria a claudicar. Seguir-se-ia, naquela que viria a tornar-se na única época do conjunto sediado na Região do Oeste entre os “grandes”, a campanha de 1982/83 cumprida no Ginásio de Alcobaça. O pior é que, com a descida da equipa por si representada, o atleta jamais retornaria ao patamar máximo do futebol luso. De seguida emergiria, na caminhada do extremo, o Leixões de 1984/85 e num trecho competitivo caracterizado pela errância, o Cova da Piedade, o CD Luso, o Almancilense, o Estrela de Vendas Novas e o “pendurar das chuteiras” com o termo das provas agendadas para 1989/90.

1712 - CATANHA

Nascido como Henrique Guedes da Silva, seria pela alcunha Catanha que o avançado ficaria conhecido no universo do futebol.
Até aqui, tudo bem! O pior surgiu no momento em que tentei reconstruir a sua caminhada competitiva! Nesse sentido, com diferentes fontes a veicularem trajectos bem diferentes, foi deveras difícil – no meu caso, impossível – conseguir recriar essa sua passagem pelo “jogo da bola”, com uma certeza inabalável. Ainda assim, e para encetar esta tentativa de biografia, a informação a aparecer com maior frequência é aquela a dizer-nos o início da carreira sénior de Catanha no plantel de 1991 do São Caetano.
Os passos seguintes da caminhada do atleta, numa ordem que depende da origem da informação, surgiriam da sua ligação a CSA, União São João, Paysandu e fazendo fé em fontes a aparecerem de forma mais esparsa, igualmente ao Rio Branco. Finalmente, tendo em conta que, daí em diante e durante vários anos, o seu percurso reveste-se de uma certeza bem alicerçada, emergiria a ligação de Catanha ao Belenenses de 1995/96. Já no Restelo, onde chegaria com a referida temporada a meio, o avançado-centro passaria a ser orientado por João Alves. Porém, com a ida do “Luvas Pretas” para o Salamanca, o jogador, numa “senda lusa” que englobaria nomes como Ivkovic, Paulo Torres, Miguel Serôdio, Nuno Afonso, Taira, Agostinho, Giovanella, Pauleta e César Brito, também acabaria a mudar-se para as provas espanholas agendadas para 1996/97.
Curiosamente, a sua passagem pelos “Charros” ficaria bem aquém do já revelado anteriormente. A fraca prestação obtida nessa época cumprida no emblema sediado na região de Castela e Leão levá-lo-ia, na campanha seguinte, a ser emprestado ao Leganés. Ainda no escalão secundário, os números conseguidos pelo novo clube, fariam com que o Málaga decidisse apostar na sua contratação. Na colectividade sediada no Sul do país, o avançado finalmente veria a sua “veia goleadora” a despontar e após a consagração como o Melhor Marcador da Segunda División de 1998/99, a subida de patamar, ainda ligado aos “Boquerones”, catapultá-lo-ia para os melhores anos da carreira.
Com a época de 1999/00 a mostrá-lo como o goleador máximo do Málaga e o 3º na tabela do Pichichi, Catanha veria a sua cotação a subir em flecha. Esse acréscimo de valor, fá-lo-ia ser cobiçado por emblemas com ambições maiores e a transferência para o Celta de Vigo, à altura por um montante recorde para o clube galego, transformar-se-ia num dos grandes acontecimentos do defeso estival de 2000. Nos Balaídos, onde começaria por ser treinado por Víctor Fernandéz, técnico que viria a ter uma ligação com o FC Porto, o avançado-centro conservar-se-ia como um dos bons intérpretes da La Liga. Paralelamente à confirmação das suas habilidades surgiria, então, a oportunidade do atacante vir a naturalizar-se e, com o termo do processo inerente à obtenção da nacionalidade espanhola, abrir-se-lhe-iam as portas da “La Roja”.
A estreia pela principal selecção de Espanha aconteceria, pela mão de José António Camacho, a 7 de Outubro de 2000. Depois dessa partida frente a Israel, agendada para o Estádio Santiago Bernabéu, Catanha teria a ocasião de disputar outras partidas do foro internacional. Igualmente no âmbito da Fase de Qualificação para o Mundial de 2002, participaria também no embate com a Áustria. Por fim, num trajecto que daria ao seu currículo um total de 3 partidas efectuadas com a camisola da “La Roja”, o avançado seria ainda convocado para, em Novembro do mesmo ano, entrar em campo num “amigável” frente aos Países Baixos.
Após 3 anos e meio passados na Galiza, Catanha decidiria ser a hora de mudar de rumo. Daí em diante, a sua carreira assumiria os contornos de uma caminhada extremamente errante. Depois dos russos do Krylya Sovetov, o avançado, a meio da temporada de 2004/05 regressaria ao Belenenses. De seguida, num trajecto dividido entre o Brasil e a Espanha surgiriam uma larga série de emblema que, como já destapei anteriormente, não tive como assegurar a sua veracidade no currículo do jogador. Ainda assim, pelo meio de diversas informações a dar-nos a sua união a clubes como o Marília, Sport Atalaia, CSA, Corinthians Alagoano, Sete de Setembro, Santa Rita, ou, já na fase espanhola, a Linares, Unión Estepona, Zenit de Torremolinos e Atlético Estación, há a destacar a sua passagem pelo Atlético Mineiro de 2005 e pelo Dos Hermanas San Andrés, onde, aos 44 anos, partilharia o balneário com o filho.
Já como treinador e também nas funções de dirigente, o antigo avançado parece ter tido algumas experiências. Sem que tenha conseguido confirmar tais informações, deixo-vos uma lista do que tem sido veiculado para Catanha nas aludias tarefas, nomeadamente os gibraltarinos do Leo FC, o Almuñécar City, o Nerja, o Unión Estepona ou as camadas de formação do Málaga.