Produto das “escolas” do Clube Atlético Juventus, Raudnei Anversa Freire, desde muito cedo, seria aferido como uma das grandes promessas da colectividade de São Paulo. Fruto dessa avaliação, o avançado, com a estreia sénior a acontecer no decorrer da temporada de 1985, depressa começaria a ser cobiçado por emblemas com maiores ambições. No entanto, mesmo cimentado como uma das figuras centrais do emblema sediado no bairro da Mooca, o atleta, ainda assim, manter-se-ia no clube por mais algum tempo. Tal cenário viria a alterar-se durante a 3ª campanha do atacante no “Moleque Travesso” e a viagem a levá-lo até à Europa apresentá-lo-ia a um cenário competitivo bem diferente.
Como reforço para o plantel de 1987/88 do FC Porto, num contrato com a durabilidade de 6 anos, Raudnei, mesmo ao exibir qualidades diferenciadoras, teria grandes dificuldades em conquistar o seu espaço. Tamanha contrariedade, em muito, teria a ver com a forte concorrência de Fernando Gomes, Madjer, Jorge Plácido e até de Domingos. Porém, outro factor haveria igualmente de contribuir para o seu ocaso e a maneira atribulada como tinha chegado às Antas teria um peso gigantesco na falta de oportunidades – “O Ivic e a equipa técnica tinham pedido outro jogador. Naquele momento, o meu empresário – Delane Vieira, muito ligado ao FC Porto e a Pinto da Costa – acabou por convencer o presidente que eu era uma melhor opção, até por ser um atleta mais jovem. Isso acabou por me prejudicar, porque o treinador não me queria. Tive muitas dificuldades”*.
Mesmo com poucas presenças em campo, as partidas disputadas por Raudnei dar-lhe-iam o direito de fazer parte do rol de atletas a inscrever o seu nome na conquista da “dobradinha” de 1987/88. Ainda assim, e ao começar a temporada seguinte com as divisas dos “Azuis e Brancos”, o avançado acabaria por ser emprestado. Duas épocas no Deportivo La Coruña, à altura a competir no segundo escalão espanhol, precederiam o seu regresso a Portugal e as passagens discretas, ambas com a duração de apenas uma campanha, pelo Belenenses e pelo Gil Vicente.
A seguir a envergar o emblema de Barcelos, onde seria orientado por António Oliveira, Raudnei, já livre do acordo contratual a ligá-lo ao FC Porto, voltaria ao Brasil. No país natal, com algumas experiências, pelo meio, feitas no estrangeiro, casos dos espanhóis do Castellon ou dos nipónicos do Kyoto Purple Sanga, o avançado construiria uma carreira numa base em que as transferências de um emblema para outro viriam a tornar-se numa constante. Ainda assim, mesmo tendo em conta as inúmeras mudanças de colectividade, uma delas haveria de conferir à sua caminhada profissional um dos momentos mais importantes e o golo, concretizado pelo Bahia numa partida frente ao Vitória, daria o empate a uma bola e selaria a conquista da edição de 1994 do “Estadual” Baiano pelo conjunto da cidade de Salvador.
Como destapado no parágrafo anterior, a carreira de Raudnei haveria de ficar colorida por um enorme número de emblemas. Pelo meio de 20 colectividades diferentes, e ao não querer repetir os nomes das agremiações mencionadas ao longo deste texto, posso também fazer referência às suas passagens pelo Guarani, América do Rio de Janeiro, Paraná, Ituano, Santo André ou Portuguesa dos Desportos. Já com o fim da caminhada enquanto praticante profissional, anunciada em 1999, o antigo atacante haveria de encontrar outras funções para desempenhar dentro da modalidade e tanto como empresário, como nas tarefas de dirigente, o ex-jogador tem vindo a manter a sua ligação ao futebol.
*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 1/10/2020, em https://maisfutebol.iol.pt/





.jpg)



