1799 - TOMISLAV IVIC

Médio de características ofensivas, Tomislav Ivic encetaria a sua ligação ao RNK Split, emblema da sua cidade natal, na temporada de 1950. A militar nos escalões inferiores do futebol da antiga Jugoslávia, o jovem jogador, ainda assim, haveria de chamar a atenção de outras colectividades, principalmente no decorrer da campanha de 1956/57, durante a qual seria uma das principais figuras da promoção do seu clube ao escalão principal. Depois da referida subida, o atleta acabaria contratado por uma das agremiações de maior tradição no país. Porém, a mudança para o Hajduk Split não traria para a sua carreira o destaque individual merecido e o número de vezes que viria a ser chamado ao terreno de jogo ficaria bem aquém do esperado.
Após cumprir meia dúzia de temporadas com as cores do Hajduk Split, Tomislav Ivic, com o termo da época de 1962/63, decidiria ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Ainda assim, a sua paixão pela modalidade levá-lo-ia a manter-se ligado ao futebol, mas a encarregar-se de outras tarefas. Nesse sentido, o regresso ao RNK Split permitir-lhe-ia o arranque da carreira como treinador-principal. Passada apenas uma campanha desse primeiro passo, em concreto com o início das actividades de 1968/69, seria o convite do Hajduk Split, dessa feita para assumir o conjunto de juniores do clube, a levá-lo a voltar a outra colectividade bem conhecida na sua caminhada enquanto praticante. Retornaria, anos mais tarde, aos seniores, inicialmente ao comando do plantel de 1972/73 do HNK Sibenik, para, em 1973/74, pegar na equipa principal do, tantas vezes já mencionado, Hajduk Split.
Seria a partir da última temporada aludida no parágrafo anterior que a cotação de Tomislav Ivic começaria a subir em flecha. Para tal, em muito contribuiriam os títulos alcançados, nomeadamente as “dobradinhas” nas edições de 1973/74 e de 1974/75 das provas jugoslavas, e a vitória na Taça de 1975/76. A somar a esses sucessos internos, o Hajduk Split também haveria de erguer-se como uma agradável surpresa na disputa das provas continentais, mormente com a chegada aos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1975/76.
Tantos louvores levariam a que uma das grandes equipas europeias decidisse apostar na sua contratação. Apresentado como o “timoneiro” do Ajax para a campanha de 1976/77, o técnico croata, logo na época de chegada, não deixaria “os créditos em mãos alheias” e, num grupo de trabalho a contar com Ruud Krol, Frank Arnesen, Soren Lerby, entre outros, triunfaria na Liga dos Países Baixos. Já a época seguinte, apesar da luta pelos lugares cimeiros, não traria qualquer título ao conjunto de Amesterdão. Se por essa razão ou por outro motivo, a verdade é que Tomislac Ivic acabaria por voltar à Jugoslávia e ao Hajduk Split. No par de épocas subsequentes, mais uma vitória no Campeonato, outra chegada aos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus e uma nova oportunidade a emergir da Europa Ocidental.
Ao rubricar uma ligação com o Anderlecht em 1980/81, Tomislac Ivic daria início a uma etapa da carreira em que viria a destacar-se na conquista do Campeonato da Bélgica e na chegada, com a eliminação da Juventus pelo meio, às semi-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1981/82. No entanto, apesar de bem cotado, os anos seguintes haveriam de trazer pouco “glamour” à sua carreira. O Galatasaray, como capítulo de entrada nesse período menos brilhante, anteceder-se-ia a uma curta e curiosa experiência no futebol português. Ao ser contratado pelo Benfica liderado por Fernando Martins, seria veiculada à altura a exigência do técnico em ser pago em dólares. Porém, ao ver as suas pretensões negadas pela direcção dos “Encarnados”, o treinador haveria de deixar o clube lisboeta sensivelmente duas semanas após a chegada à Luz e sem qualquer partida disputada.
Com idêntica discrição, viriam depois o Dinamo de Zagreb, o Avellino e o Panathinaikos. Finalmente, como que a recuperar um pouco o entusiasmo de tempos passados, surgiria uma nova passagem pelo Hajduk Split e a vitória na edição de 1986/87 da Taça da Jugoslávia. De seguida, o interesse do FC Porto nos seus serviços levá-lo-iam a voltar a Portugal. Com resultados bem diferentes da primeira passagem por terras lusas, o treinador conduziria os “Dragões” a vitórias históricas. Contudo, não só as conquistas da Supertaça da UEFA, da Taça Intercontinental e da “dobradinha” ficariam marcadas nessa experiência, ocorrida no espraiar  de 1986/87, na “Cidade Invicta”. Como viria a recordar Fernando Gomes, também a sua abordagem ao futebol viria a causar grande furor – “Chegou como um treinador internacional, conceituado (…).Era um treinador já feito, com provas dadas, tinha estado em vários clubes europeus, tinha experiência. Era um verdadeiro homem do futebol (…). Muito profissional e sobre todos os jogos debruçava-se com um enorme estudo”*.
A ida para o PSG e depois para o Atlético de Madrid, onde, numa equipa que tinha como estrela maior Paulo Futre, venceria a Taça del Rey de 1990/91, antecederiam a conquista da Ligue 1 de 1991/92 ao serviço do Marseille de Carlos Mozer e de Papin. De seguida, nova passagem por Portugal, primeiro pelo Benfica de 1992/93 e pelo FC Porto do ano seguinte. Sem sucessos a sublinhar em ambas experiências, ficaria a história de quando, ainda ao serviço das “Águias”, tomaria a decisão de encurtar, em vários metros, a largura do campo, com o singelo objectivo de melhorar a pressão defensiva feita às equipas adversárias!
Ainda com um largo percurso pela Frente, Tomislav Ivic regressaria à Croácia para, em 1993/94 assumir o cargo de seleccionador nacional. Fenerbahçe, a equipa nacional dos Emirados Árabes Unidos, o Al Wasl, a selecção do Irão, mais uma vez o Hajduk Split, o Standard Liège, o Marseille e os sauditas do Al Ittiahd haveriam de completar uma longa caminhada que apenas conheceria o seu termo em 2003/04.

*retirado do artigo de Filipe Escobar de Lima, publicado a 25/06/2011, em https://www.publico.pt/ 

1798 - PAULO MORAIS

Com a formação concluída ao serviço do Sporting, Paulo Jorge Matos Morais teria também nos escalões jovens da Federação Portuguesa de Futebol um bom contexto de aprendizagem. A envergar a “camisola das quinas”, ainda no âmbito dos sub-16, o guardião estrear-se-ia num jogo de preparação frente à antiga União Soviética. Depois dessa partida, disputada a 1 de Março de 1990, os seus préstimos continuariam a ser requisitados. Tal caminhada permitir-lhe-ia participar nos maiores certames a nível global. Nesse conjunto de torneios, o principal destaque iria para a sua chamada, por parte de Nelo Vingada, aos Jogos Olímpicos de Atlanta. Para além do mencionado evento, organizado em 1996, há ainda que aludir a outros momentos importantes na sua carreira e a participação do guarda-redes no Mundial sub-20 de 1993 e nos Europeus sub-18 de 1992 e de 1993 fariam igualmente parte de um trajecto que terminaria, entre os diferentes patamares competitivos, com um total de 36 internacionalizações.
Também no plano clubístico, Paulo Morais seria encarado como uma grande promessa do futebol luso. Chamado à equipa principal do Sporting na temporada de 1993/94, as presenças no plantel de Lemajic e de Costinha fariam com que Bobby Robson e, depois da saída do técnico inglês, Carlos Queiroz remetessem o jovem atleta para o 3º lugar nas escolhas para ocupar o lugar à baliza. Provavelmente à procura de mais oportunidade, o jogador, logo na campanha seguinte à da sua inclusão nos seniores leoninos, decidiria cambiar de rumo. A mudança levá-lo-ia a 3 temporadas consecutivas a disputar a divisão de Honra. Porém, apesar deste aparente retrocesso competitivo, as passagens pelo Estoril Praia e posteriormente pelo Desportivo de Beja dar-lhe-iam traquejo suficiente para que voltasse a ser uma aposta válida para os emblemas primodivisionários. Nesse sentido, seria o Sporting de Braga a apresentá-lo como reforço para 1997/98. No entanto, apesar do regresso aos principais palcos portugueses, a sua chegada ao Minho não seria traduzida em chamadas a jogo e só no segundo ano ao serviço dos “Guerreiros” é que esse cenário ameaçaria mudar.
A titularidade conquistada no encetar da temporada de 1998/99 dar-lhe-ia uma perspectiva futura bem mais ambiciosa. Contudo, a expulsão ocorrida numa partida a contar para a Taça UEFA levá-lo-ia a perder o lugar em favor de Quim. Daí em diante não mais conseguiria, de forma consistente, integrar o “onze” dos homens sediados na “Cidade dos Arcebispos”. Ainda assim, a qualidade do trabalho por si apresentado faria com que a sua presença no plantel fosse considerada, pelos diferentes técnicos do Sporting de Braga, como positiva e Paulo Morais, mesmo ao somar poucos jogos, manter-se-ia pelos “Arsenalistas” até ao termo das provas agendadas para 2000/01.
A época de 2001/02, com a entrada no Campomaiorense, marcaria a sua despedida, em definitivo, da 1ª divisão. Nos anos seguintes, numa carreira a tornar-se deveras errante, o guarda-redes passaria por imensas colectividades. Marco, Estrela da Amadora, Moura, Madalena do Pico, Peniche, Oliveira do Hospital, Carregado e Estrela de Vendas Novas, em constantes mudanças, acabariam por preencher o seu percurso ainda nos escalões “nacionais”. De seguida, numa carreira a prolongar-se para além dos 40 anos de idade, emergiriam as experiências nos “regionais”. Nesta última fase do seu trajecto competitivo, o Operário de Lisboa, o Fayal, o Cedrense e os Flamengos ocupariam um lugar numa carreira que terminaria em 2015/16.

1797 - CÂNDIDO TAVARES

Cândido Coelho Tavares, aluno da Casa Pia de Lisboa, encontraria no emblema também baptizado com o nome da instituição já referida a agremiação a proporcionar-lhe o cumprimento do trajecto formativo no futebol. Paralelamente, com a licença internacional emitida em 1920, o guarda-redes transformar-se-ia igualmente num excelso praticante de esgrima. No entanto, apesar da aptidão para diversas modalidades, seria o “jogo da bola” a destacá-lo no universo português do desporto. Nesse sentido, o guardião, na temporada de 1930/31, teria nos “Gansos” o início das actividades sénior. Porém, esse arranque seria interrompido no ano seguinte e o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia até Évora.
Já no Alentejo, o jogador aproveitaria a sua incorporação para, a partir da temporada de 1931/32, passar a representar o Lusitano Ginásio Clube. Não contente com a sua integração na equipa de futebol, o multifacetado atleta acabaria também inscrito no basquetebol. Nos “Giraldos”, nas três campanhas como guarda-redes, ajudaria a duas vitórias no “regional” e continuaria, tal como ao serviço do Casa Pia, a participar no Campeonato de Portugal. Depois da aventura eborense, Cândido Tavares acabaria por regressar a Lisboa e de volta à baliza dos “Gansos”, numa época de 1934/35 modesta em termos colectivos, as suas exibições empurrá-lo-iam para uma nova transferência.
Contratado pelo Benfica como reforço para a temporada de 1935/36, Cândido Tavares, apesar da concorrência do internacional Augusto Amaro, conquistaria a preferência de Lipo Herckza e acabaria por ganhar, em grande parte das ocasiões, a titularidade à baliza. A preponderância revelada nos dois anos a representar os “Encarnados”, num grupo de trabalho a contar também com nomes como Gaspar Pinto, Gustavo Teixeira, Domingos Lopes, Albino, Luís Xavier, Valadas ou Vítor Silva, levá-lo-ia a transformar-se num dos ícones das vitórias nas edições de 1935/36 e de 1936/37 do Campeonato da Liga da Primeira Divisão. Ainda assim, apesar da relevância demonstrada no par de anos a jogar pelas “Águias”, o atleta acabaria por regressar ao Casa Pia e participaria, após ajudar ao apuramento na época anterior, na estreia dos “Gansos”, na campanha de 1938/39, no patamar máximo do futebol luso.
Já com o fim da carreira à vista, a época de 1939/40 seria marcada pelas novidades. Por um lado, a convite do Lusitano de Évora, Cândido Tavares assumiria as funções de treinador-jogador, para, como praticante, passar a exibir-se no meio-campo da equipa alentejana! Antes ainda de transitar, em definitivo, para as tarefas de técnico, seriam os açorianos do Clube União Sportiva, com o encerrar das provas agendas para 1941/42, a levá-lo a “pendurar as chuteiras”. De seguida, exclusivamente a partir do banco, viriam o Atlético, o Ginásio de Alcobaça, o SL Évora e finalmente o regresso ao Benfica.
De volta às “Águias” em 1951/52, Cândido Tavares começaria como adjunto de Ted Smith. Contudo, com a saída do treinador inglês a meio da campanha referida, o antigo atleta dos “Encarnados” assumiria o cargo de técnico-principal. Como “timoneiro”, encaminharia a sua equipa até à derradeira etapa da Taça de Portugal. Na final, disputada no Estádio Nacional, um “hat-trick” de Rogério de Carvalho e também os golo de José Águas e de Corona, levariam o Benfica à vitória, por 5-4, frente ao Sporting. Todavia, mesmo com o importante triunfo a colorir-lhe o palmarés, o seu trabalho no clube terminaria surpreendentemente e na época de 1952/53 seria apresentado no Vitória Sport Clube.
O par de épocas na colectividade sediada em Guimarães precederia outras experiências como treinador. Num percurso que registaria passagens por variados emblemas, Cândido Tavares ainda preencheria o percurso como técnico com as cores do Lusitano de Évora, do Torreense, como adjunto da selecção nacional, no Oriental, na CUF e à frente da selecção militar.

1796 - PAULÃO


Depois de completar a formação no Atlético de Minas Gerais, Paulo Afonso Santos Júnior, conhecido no mundo do futebol como Paulão, teria igualmente no “Galo” a oportunidade de fazer a transição para o patamar sénior. Contudo, as presenças em campo pela equipa principal, tanto nessa temporada de 2000, como nas duas seguintes, seriam escassas. Ainda assim, no ano de estreia acabaria a festejar a conquista do Campeonato Mineiro. O pior viria nas épocas subsequentes e sua dispensa, já com a preparação da campanha de 2003 em andamento, seria anunciada.
O anúncio da rescisão, aludido no final do parágrafo anterior, seria disseminado, a exemplo, pela “Folha de São Paulo”, a 2 de Fevereiro de 2003*. Curiosamente, logo no dia seguinte, o mesmo órgão de comunicação social haveria de informar os seus leitores a respeito da declaração emitida pela direcção do Botafogo-SP, a comunicar a contratação do defesa-central**. Todavia, espantem-se! Pois, logo a 5 de Fevereiro, 3 dias após a notícia do novo vínculo laboral, sairia outra informação, dessa feita a transmitir o cancelamento da tal união mencionada anteriormente!
O que terá ocorrido, no que refere à carreira de Paulão, nas temporadas de 2003 e de 2004, por mais que tenha procurado esclarecimentos fidedignos, permanece um mistério para mim. Em abono da verdade, até há algumas páginas “on-line” a sublinhar a tal passagem pelo Botafogo-SP e, posteriormente, pelo Ituiutaba de Minas Gerais. Por outro lado, existem também fontes a referir a sua permanência no Atlético de Minas Gerais, mas numa equipa secundária. O que parece ser certo, num virar de página e depois desse acinzentado hiato de um par de campanhas, é sua integração no plantel de 2005 do América Mineiro e a passagem pelo Gama de 2006.
Já do outro lado do Atlântico, a época de 2006/07 marcaria a chegada de Paulão a Portugal. Recebido pela Naval 1º de Maio, o jogador acabaria inicialmente por ser orientado por Rogério Gonçalves. O defesa-central, mesmo tendo em conta o cenário diferente, não deixaria intimidar-se pelas novidades competitivas e acabaria por afirmar-se como um dos esteios da colectividade sediada na Figueira da Foz. Os 3 anos cumprido no emblema a jogar em casa no Estádio Municipal José Bento Pessoa, serviriam para cevar a sua cotação e frisar o atleta como um dos bons nomes a actuar nas provas lusas. Tal acréscimo de valor levaria a que outras agremiações fossem no seu encalço e a temporada de 2009/10 marcaria uma nova mudança de rumo.
A sua contratação por parte do Sporting de Braga, justiça há que ser feita, acabaria abaixo das expectativas criadas.  Ainda assim, tapado inicialmente pela concorrência de Alberto Rodríguez e de Moisés, a segunda campanha cumprida no Minho até traria ao currículo do jogador números bem positivos. O aludido crescimento faria com que outras portas viessem a abrir-se para o defesa-central e após marcar presença, chamado à titularidade por Domingos Paciência, na final da edição de 2010/11 da Liga Europa, Paulão acabaria transferido para o Saint-Étienne.
Sem grande sucesso na curta passagem pela França, o jogador, de começo por empréstimo, tentaria a sua sorte em Espanha. Com a mudança a ocorrer a meio da campanha de 2011/12, Paulão, contrariamente ao ocorrido em “Terras Gaulesas”, acabaria por confirmar o seu valor desportivo. No Betis Balompié, o defesa-central pegaria de estaca e num grupo de trabalho onde chegaria a partilhar o balneário com nomes conhecidos do futebol português, casos de Nélson ou Salvador Agra, os números alcançados sensivelmente no decorrer de 2 anos e meio dariam razão à sua contratação.
Já a preencher os derradeiros capítulos da carreira, Paulão ainda experimentaria o México e as cores do Atlético San Luis. Por fim, viria o regresso às competições lusas e com o Olhanense a disputar a 2ª divisão, a entrada no colectivo algarvio em 2016/17 antecederia, no termo da época referida, o termo da sua caminhada competitiva.

*https://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u54942.shtml
**https://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u55000.shtml
***https://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u55094.shtml

1795 - QUINITO


Fiando-nos na informação fornecida pelo “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol, seria ainda como atleta dos Coimbrões que Joaquim José Ferreirinha Moreira, popularizado pelo diminutivo Quinito, teria a estreia nos jovens conjuntos lusos. Continuando a confiar nos dados proporcionados pelo órgão máximo da modalidade em Portugal, o dia 18 de Abril de 1976, durante o qual, no âmbito dos sub-14, curiosamente terá disputado duas partidas – frente à França e com a Bélgica – viria a servir-lhe de arranque para uma caminhada a colorir-lhe o currículo com um total de 52 pelejas feitas com a “camisola das quinas”. Pelo meio desses jogos, os principais destaques iriam para as suas participações, em 1978 e em 1980, no Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Chamado na primeira edição referida por Peres Bandeira e, na segunda, por Jesualdo Ferreira, o médio entraria em todas as rondas disputadas pela equipa nacional. Ainda no que diz respeito à senda cumprida com as cores do seu país, há também a referir as presenças do atleta no Torneio de Toulon, em 1981 e em 1982, e as contendas feitas em nome dos “esperanças” e pelos “olímpicos”.
O destaque merecido ainda enquanto atleta do Coimbrões faria com que o FC Porto visse em Quinito um bom elemento para reforçar os contingentes das suas “escolas”. Aferido como um praticante de enorme potencial, o médio, ainda em idade juvenil, haveria de ser chamado, por José Maria Pedroto, à primeira equipa. Essas partidas disputadas durante a temporada de 1978/79 permitir-lhe-iam festejar a conquista da prova de maior renome no calendário luso. Mais para a frente, no que diz respeito a troféus, viriam também as vitórias em mais 1 Campeonato Nacional, numa Taça de Portugal e em 2 Supertaças. No entanto, mesmo com o palmarés a dizê-lo numa senda de sucessos, a verdade é que a sua afirmação no seio do grupo de trabalho dos “Azuis e Brancos” tardaria em chegar. Inicialmente, como resposta à falta de utilização, surgiria o empréstimo ao Varzim de 1981/82. De seguida, com o traquejo ganho na passagem pela 2ª divisão, o regresso ao Estádio das Antas até daria sinais positivos, com o centrocampista, em 1982/83, a entrar em campo com uma boa frequência. Por fim, com mais um ciclo de 3 anos cumprido pelos “Dragões e sem que alguma vez tenha, de forma incontestável, assumido a titularidade, emergiria o final da ligação aos “Portistas” e a mudança de rumo em direcção a outra colectividade.
Com a entrada no Boavista a ocorrer em 1985/86, Quinito iniciaria uma fase da vida profissional um pouco errante. Após um ano no Bessa, com números bastante modestos, surgiria então a Académica de Coimbra. Contrariamente a anos anteriores, o médio, ao serviço da “Briosa”, na qual seria inicialmente recebido pelo técnico Vítor Manuel, conseguiria desempenhos bem condizentes com as suas capacidades competitivas. Nessas duas temporadas passadas na “Cidade dos Estudantes”, muito para além da titularidade alcançada, o jogador, arrisco-me a dizer, viveria os melhores anos da carreira. Ainda assim, a despromoção ocorrida no final da campanha de 1987/88, fá-lo-ia deixar o emblema beirão para rubricar um contrato com o Leixões orientado por António Morais. Todavia, como se de uma “malapata” se tratasse, o ano cumprido em Matosinhos, mais uma vez, terminaria com a descida de divisão e com a consequente procura por um novo rumo a dar à carreira.
Vitória Futebol Clube, onde também assumiria a titularidade, e Marítimo, com um ano de ligação a cada um dos emblemas, serviriam para que Quinito somasse ao currículo duas campanhas primodivisionárias. Todavia, com um total de 12 épocas erguidas entre os “grandes”, daí em diante o médio não mais voltaria a actuar debaixo dos principais holofotes do futebol português. Nesse novo desígnio, os 4 anos a envergar as cores da Ovarense precederiam a temporada de 1995/96, dividida entre os Dragões Sandinenses e o Sporting de Lamego. Por fim, surgiria o plantel de 1996/97 do Maia e o “pendurar das chuteiras” com o termo da última campanha mencionada.
Depois de retirado das actividades como futebolista, Quinito abraçaria as tarefas consignadas aos treinadores. Nas funções de técnico, caminhada feita pelos degraus secundários e nos escalões de aprendizagem, o antigo médio contaria com experiências em colectividades como o Nogueirense, o Canelas, o Vilanovense, o Candal ou o Oliveira do Douro.

1794 - LOPES


Formado nas “escolas” do Vitória Sport Clube, António da Silva Lopes Martins teria igualmente no emblema de Guimarães a ocasião para dar seguimento ao percurso desportivo. Chamado aos trabalhos da primeira equipa no decorrer da temporada de 1983/84, o jovem guardião acabaria por ser ofuscado por nomes gigantes do cenário futebolístico português. Preterido em favor de Jesus e de Silvino e, já na época seguinte à da sua integração no conjunto principal, também atrás de Neno, as escolhas dos diferentes treinadores à frente dos “Conquistadores” levá-lo-iam a estrear-se na 1ª divisão somente na campanha de 1985/86. Essa partida, onde seria orientado por António Morais e a contar para a 21ª ronda da prova de maior relevo no cenário luso, ainda alimentaria a ilusão do atleta poder contrariar o ocaso em que vivia. No entanto, tal não viria a acontecer e o guarda-redes, nos anos vindouros, ainda teria de enfrentar a concorrência de outros colegas como, por exemplo, de Peres ou de Vítor Pontes.
Mesmo sem ser muito utilizado no Vitória Sport Clube, Lopes, que anteriormente já havia sido chamado aos trabalhos dos, hoje em dia denominados, sub-14 e sub-18, teria a oportunidade de fazer a estreia com a “camisola das quinas”. Chamado, por Juca, a uma partida de preparação, esse jogo frente à Espanha, disputado a 21 de Janeiro de 1987, dar-lhe-ia a chance de, mais à frente, participar noutros desafios. Nessa senda, o principal destaque viria com a sua integração no grupo que acabaria a viajar até França, para disputar a edição de 1987 do Torneio de Toulon. Já na luta pelo certame equacionado para o contexto dos “esperanças”, o jogador veria António Oliveira a escolhê-lo para a maioria das contendas e tais rondas também contribuiriam para um total de 5 internacionalizações obtidas por Portugal.
No trajecto clubístico, depois de não conseguir agarrar um lugar como titular no Vitória Sport Clube, Lopes decidiria tentar a sua sorte ao serviço da AD Fafe. A transferência teria como grande vantagem o facto do emblema minhoto, nessa temporada de 1988/89, fazer a estreia na 1ª divisão. No entanto, mesmo ao manter-se no convívio com os “grandes”, o guarda-redes não haveria de ser uma das prioridades de José Rachão e, depois da saída deste, de Manuel de Oliveira. Também no plano colectivo, os objectivos traçados, nomeadamente a luta pela manutenção, não correriam de feição. A descida levaria o atleta a experimentar, pela primeira vez, os desígnios dos patamares secundários. Tal despromoção levá-lo-ia a um longo hiato e o regresso ao escalão máximo só aconteceria com as cores de outra agremiação.
Com a entrada no Felgueiras a acontecer na temporada de 1992/93, Lopes encontraria o emblema mais representativo da carreira sénior. Porém, muito para além desta curiosidade, o guarda-redes, ao defender as divisas do emblema sediado na sub-região do Tâmega e Sousa, teria a oportunidade de participar na estreia de mais uma colectividade na 1ª divisão. Tal momento, após ter ajudado à promoção, aconteceria na época de 1995/96. Sob a batuta de Jorge Jesus, mais uma vez o guardião viria a enfrentar a concorrência de outro nome de uma inequívoca grandeza. Dessa feita suplente do internacional brasileiro José Carlos, o atleta ainda assim conseguiria somar mais de uma dezena de partidas. Porém, tal como já tinha acontecido no clube anterior, o seu contributo seria insuficiente para fazer cumprir os desígnios colectivos e a descida de degrau levá-lo-ia, de novo, para longe dos principais holofotes.
Com a ligação ao Felgueiras a terminar no final de 1997/98, Lopes ainda sentiria energia para procurar outro emblema. Com a mudança de colectividade, a escolha do guardião recairia sobre o plantel do Lousada. Contudo, com o fim da carreira à vista, a ligação ao clube seria curta e o fecho das provas planeadas para 1998/99 traria, em definitivo, o fim da sua carreira enquanto futebolista.

1793 - VIEIRA

António Manuel Martins Vieira teria no Nacional da Madeira o emblema onde viria a concluir o percurso formativo. Sem deixar o listado dos “Alvi-negros”, o médio, com o cunho de Carlos Cardoso e numa altura em que ainda era júnior, acabaria também por fazer a estreia na equipa principal. Ainda nessa temporada de 1981/82, a actuar na 2ª divisão, o destaque alcançado com as suas exibições levá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos dos jovens grupos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado na agenda dos sub-18, o jogador, a 8 de Dezembro de 1981, acabaria, num rol a incluir nomes como Jaime, Venâncio ou Morato, a ser escolhido, por José Augusto, para um jogo de preparação. Depois dessa partida frente à Espanha, seguir-se-iam outras e no final do trajecto internacional, sem sair do escalão já indicado, o atleta somaria um total de 9 presenças feitas por Portugal. 
No que diz respeito à caminhada clubística, como destapado no parágrafo anterior, o Nacional da Madeira haveria de desempenhar um papel fulcral na carreira do médio. Importante não só pela estreia como sénior, mas igualmente pela extensão do laço entre o atleta e a divisa nascida na cidade do Funchal, tal ligação não terminaria, mesmo tendo em conta o estatuto internacional de Vieira, com o emblema insular a manter-se pelo patamar secundário. Fiel às refregas do clube, o centrocampista estenderia a sua caminhada com as cores nacionalistas bem para além de atingir a maturidade enquanto praticante profissional. Tal fidelidade traria os seus frutos e com a colectividade a fazer a estreia entre os “grandes” do futebol português, o atleta, na campanha de 1988/89, teria igualmente a oportunidade de experimentar a 1ª divisão.
Com Paulo Autuori, na última época aludia, à frente do Nacional da Madeira, Vieira, ao lado do capitão Ladeira, de Heitor, de Cristiano ou de Paulo Sérgio, constituir-se-ia como um dos esteios das projecções técnicas, para o sector intermediário, idealizadas pelo treinador brasileiro. Tal preferência faria com que o médio, no espraiar dessa temporada de 1988/89, conseguisse acumular um número considerável de presenças em campo. No par de campanhas seguintes, com algumas excepções pelo meio, conservaria o estatuto de titular. Todavia, contrariamente ao idealizado pela colectividade madeirense, a época de 1990/91 não terminaria com o sucesso desejado. Com o emblema insular a claudicar na luta pela manutenção, o último lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional significaria, para o jogador e para os seus colegas, a queda na divisão de Honra. Ainda assim, a fidelidade do centrocampista manter-se-ia inabalável e a ligação entre o futebolista e a divisa do Funchal continuaria até ao termo dos desafios planeados para 1993/94.
Já a abraçar a veterania, Vieira seria apresentado como reforço do plantel de 1994/95 do Machico. No emblema fundado no lado nascente da ilha da Madeira, o médio, sem mais regressar aos principais patamares competitivos, viria a manter-se durante 3 campanhas.
Tendo, em 1996/97, “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta ainda voltaria a unir-se à modalidade. Ao abraçar as tarefas de treinador, a ligação ao Camacha em 2004/05 transformar-se-ia num passo essencial para o seu futuro profissional. Nesse sentido, depois de ainda liderar o Machico e de ter regressado ao Nacional para orientar as camadas jovens, um novo convite de Leonardo Jardim, o técnico-principal durante a sua experiência na agremiação das serranias madeirenses, levá-lo-ia a aceitar ser um dos seus adjuntos. O aludido vínculo, a manter-se até aos dias de hoje, empurrá-lo-ia para as mais diferentes paragens e o Desportivo de Chaves, o Beira-Mar, o Sporting de Braga, o Sporting e, no estrangeiro, o Olympiacos, o AS Monaco, os sauditas do Al-Hilal, os cataris do Al-Rayyan, os emiradenses do Al Ahli e do Al Ain e ainda os brasileiros do Cruzeiro e do Flamengo fazem já parte do seu currículo.

1792 - PELÉ

Nascido no Algarve, seria no Imortal que Pedro Miguel Cardoso Monteiro, popularizado no desporto pela alcunha Pelé, encetaria a caminhada no futebol. Ao concluir a etapa formativa no emblema de Albufeira, a sua transição para o universo sénior, sem que abandonasse a mencionada colectividade, dar-se-ia no decorrer da temporada de 1996/97. Ao exibir-se na Zona Sul da 2ª divisão “B”, o defesa-central, que também podia posicionar-se como médio-defensivo, começaria por partilhar o balneário com colegas de enorme traquejo competitivo, casos de Stefan, Pitico, Nilsson ou Alexandro. A experiência ganha durante essas campanhas disputadas entre o 3º e o 2º escalão luso fariam com que o seu nome começasse a ficar gravado na memória de algumas das pessoas com que havia trabalhado e seria Paco Fortes que, ao orientar o atleta na agremiação referida no início deste texto, haveria de encaminhá-lo até a uma nova divisa.
A passagem de Pelé pelo Farense de 2002/03, embora a competir na divisão de Honra, serviria, em grande medida, para abrir novos horizontes para o defesa-central. Nesse sentido, bastar-lhe-ia uma temporada cumprida no Estádio São Luís para que de outros lados emergissem convites para uma nova mudança. Com a entrada no Belenenses a acontecer em 2003/04, o jogador, já como um intérprete maduro, acabaria por ter a primeira oportunidade no escalão máximo. Orientado por Manuel José à chegada a Lisboa, o atleta, mesmo com a concorrência de Filgueira, Wilson, Hélder Rosário, Tuck, Marco Paulo ou Andersson, rapidamente assumiria um lugar de destaque no plantel dos “Azuis”. A titularidade em 3 anos de Restelo, resultado da regularidade com que apresentava boas exibições, teria como efeito o aumento da sua cotação e haveria ser do estrangeiro que surgiria um novo desafio.
Com os “media” a difundir o interesse de diversos emblemas, nomeadamente o do Newcastle, West Ham e Portsmouth, surpreendentemente Pelé acabaria a escolher um emblema a militar no 2º escalão – “Estou maravilhado por me juntar ao Southampton. Eu vi muitos jogos ingleses na televisão e penso que eu irei encaixar-me bem. Eu estou muito ansioso para jogar aqui. O Southampton é um clube grande que devia estar a jogar na Premiership e eu espero que consiga ajudá-los a regressar lá esta época”*. Já ao serviço dos “Saints”, onde jogaria ao lado do jovem Gareth Bale, o defesa-central, mesmo cimentado como um dos titulares, apenas permaneceria durante a temporada de 2006/07. Todavia, o grande destaque dessa primeira época em Inglaterra, viria com a sua estreia internacional. Chamado por José Rui aos trabalhos da selecção de Cabo Verde, o jogador teria a estreia pelo país da sua ascendência numa partida, disputada frente à Gâmbia, a 3 de Setembro de 2006. Depois dessa peleja a contar para a fase de apuramento da CAN 2008, o atleta continuaria a ser convocado e conseguiria alcançar um total de 11 presenças em campo pelos “Tubarões Azuis”. 
De regresso ao plano clubístico, e sem sair do mesmo patamar competitivo, surgiria o West Bromwich Albion. No WBA, mantendo-se como uma figura fulcral no desenho táctico da equipa, a sorte, para o atleta e para o colectivo por si representado, seria bem diferente. Com a promoção conseguida no final da época de 2007/08, a campanha subsequente seria a da estreia de Pelé na Premiership. Todavia, a senda entre os “grandes” de Inglaterra não correria de feição para o cabo-verdiano e poucas seriam as oportunidades que conseguiria alcançar. À procura de jogar com mais regularidade, seguir-se-ia na sua carreira a divisão maior da Escócia e a sua contratação por parte do Falkirk. No entanto, mais uma vez, a fortuna não bafejaria a escolha do defesa-central para a campanha de 2009/10. Daí em diante, mesmo com o regresso aos campeonatos profissionais ingleses, onde representaria o MK Dons, a sua caminhada competitiva espraiar-se-ia pelos escalões inferiores britânicos e colectividades como o Northwich Victoria, o Hednesford Town, o Hayes & Yeading, o Havant & Waterlooville ou o AFC Totton acabariam a preencher um trajecto que conheceria o seu termo em 2017/18.

*retirado do artigo de Andrew Scurr, publicado em Julho de 2006, em https://www.skysports.com/

1791 - RAUDNEI

Produto das “escolas” do Clube Atlético Juventus, Raudnei Anversa Freire, desde muito cedo, seria aferido como uma das grandes promessas da colectividade de São Paulo. Fruto dessa avaliação, o avançado, com a estreia sénior a acontecer no decorrer da temporada de 1985, depressa começaria a ser cobiçado por emblemas com maiores ambições. No entanto, mesmo cimentado como uma das figuras centrais do emblema sediado no bairro da Mooca, o atleta, ainda assim, manter-se-ia no clube por mais algum tempo. Tal cenário viria a alterar-se durante a 3ª campanha do atacante no “Moleque Travesso” e a viagem a levá-lo até à Europa apresentá-lo-ia a um cenário competitivo bem diferente.
Como reforço para o plantel de 1987/88 do FC Porto, num contrato com a durabilidade de 6 anos, Raudnei, mesmo ao exibir qualidades diferenciadoras, teria grandes dificuldades em conquistar o seu espaço. Tamanha contrariedade, em muito, teria a ver com a forte concorrência de Fernando Gomes, Madjer, Jorge Plácido e até de Domingos. Porém, outro factor haveria igualmente de contribuir para o seu ocaso e a maneira atribulada como tinha chegado às Antas teria um peso gigantesco na falta de oportunidades – “O Ivic e a equipa técnica tinham pedido outro jogador. Naquele momento, o meu empresário – Delane Vieira, muito ligado ao FC Porto e a Pinto da Costa – acabou por convencer o presidente que eu era uma melhor opção, até por ser um atleta mais jovem. Isso acabou por me prejudicar, porque o treinador não me queria. Tive muitas dificuldades”*.
Mesmo com poucas presenças em campo, as partidas disputadas por Raudnei dar-lhe-iam o direito de fazer parte do rol de atletas a inscrever o seu nome na conquista da “dobradinha” de 1987/88. Ainda assim, e ao começar a temporada seguinte com as divisas dos “Azuis e Brancos”, o avançado acabaria por ser emprestado. Duas épocas no Deportivo La Coruña, à altura a competir no segundo escalão espanhol, precederiam o seu regresso a Portugal e as passagens discretas, ambas com a duração de apenas uma campanha, pelo Belenenses e pelo Gil Vicente.
A seguir a envergar o emblema de Barcelos, onde seria orientado por António Oliveira, Raudnei, já livre do acordo contratual a ligá-lo ao FC Porto, voltaria ao Brasil. No país natal, com algumas experiências, pelo meio, feitas no estrangeiro, casos dos espanhóis do Castellon ou dos nipónicos do Kyoto Purple Sanga, o avançado construiria uma carreira numa base em que as transferências de um emblema para outro viriam a tornar-se numa constante. Ainda assim, mesmo tendo em conta as inúmeras mudanças de colectividade, uma delas haveria de conferir à sua caminhada profissional um dos momentos mais importantes e o golo, concretizado pelo Bahia numa partida frente ao Vitória, daria o empate a uma bola e selaria a conquista da edição de 1994 do “Estadual” Baiano pelo conjunto da cidade de Salvador.
Como destapado no parágrafo anterior, a carreira de Raudnei haveria de ficar colorida por um enorme número de emblemas. Pelo meio de 20 colectividades diferentes, e ao não querer repetir os nomes das agremiações mencionadas ao longo deste texto, posso também fazer referência às suas passagens pelo Guarani, América do Rio de Janeiro, Paraná, Ituano, Santo André ou Portuguesa dos Desportos. Já com o fim da caminhada enquanto praticante profissional, anunciada em 1999, o antigo atacante haveria de encontrar outras funções para desempenhar dentro da modalidade e tanto como empresário, como nas tarefas de dirigente, o ex-jogador tem vindo a manter a sua ligação ao futebol.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 1/10/2020, em https://maisfutebol.iol.pt/

1790 - SEBASTIÃO

Apesar da ligação ao FC Porto e de também ter sido um dos nomes históricos das primeiras sendas do Tirsense no escalão maior, a verdade é que, por mais fontes que considerasse, não consegui reconstruir, de forma inabalável, a carreira desportiva de Sebastião Lopes Oliveira. Ainda assim, os poucos registos por mim encontrados permitiram-me edificar uma ideia desse mesmo percurso competitivo e tendo como únicas alusões as experiências nas duas colectividades já mencionadas, então poderei afirmar que tudo terá começado de azul e branco.
Com a formação, feita com as cores do FC Porto, encetada na temporada de 1954/55 e concluída na campanha 1958/59, esse trecho de 5 fatias iguais acabaria dividido em 4 partes oferecidas aos conjuntos de juvenis e 1 fracção associada aos deveres dos juniores. Daí em diante, sem que o defesa-direito aparentemente deixasse os “Dragões”, aparecer-me-ia a referência à sua subida a sénior, isto na época de 1959/60. Contudo, por mais que vasculhasse nos assentamentos, por mim encontrados, a falarem-me das disputadas da equipa principal dos “Azuis e Brancos”, jamais consegui ver sublinhada, em qualquer que fosse a competição ou certame, alguma participação sua nesse contexto. Tal omissão ter-me-á levado a concluir, de forma abusiva ou então numa dedução com alguns alicerces lógicos, que Sebastião, no intervalo entre 1959/60 e 1961/62 apenas terá representado as “reservas”, ou outra categoria inferior, da equipa com sede na “Cidade Invicta”.
O que também parece ser certo, será a sua entrada no Tirsense, como reforço para a temporada de 1964/65. Tendo como correcto este esclarecimento, há então que levantar outra questão: o que terá feito ou por onde terá andado Sebastião durante o hiato de duas épocas em que não encontrei qualquer cadastro seu? A resposta, sem que tenha descoberto qualquer informação nesse sentido, poderá estar relacionada com o Serviço Militar Obrigatório. É que os atletas, por essas alturas e por razão dos deveres da sua chamada à tropa, eram, muitas vezes, forçados a paragens prolongadas. Se a esse facto juntarmos o começo da Guerra Colonial em 1961, há também uma forte probabilidade do defesa-direito ter passado o aludido período de tempo numa comissão cumprida em África.
Especulações à parte… A entrada de Sebastião no plantel do Tirsense de 1964/65 levá-lo-ia a entrar em competição nos cenários do 3º patamar. Surpreendentemente, as campanhas seguintes levariam os “Jesuítas” a 2 subidas consecutivas e o enorme feito transformaria 1967/68 na época de estreia do clube entre os “grandes”. Num plantel sob a intendência do treinador/jogador Ferreirinha e com Carlos Manuel, Cristóvão, Amândio ou Naftal a preencher o balneário, o defesa-direito haveria de consagrar-se como um dos elementos com maior utilização durante o desenovelar das competições lusas. Ainda assim, a chegada ao final da última temporada referida traria a despromoção da colectividade nortenha. O hiato, fora daquela que é a competição de maior monta em Portugal, duraria um par de anos e seria só com o hipotético final da carreira à vista que o jogador voltaria à 1ª divisão.
Esse regresso, após a consagração do Tirsense como vencedor da 2ª divisão, aconteceria na temporada de 1970/71. Orientado inicialmente por Orlando Ramín e, com a saída deste, por Mário Wilson, mais uma vez Sebastião haveria de destacar-se como um dos membros a registar maior assiduidade no “onze”. A época seguinte, ainda nos “plateaus” primodivisionários, também correria em bons termos para o jogador. O pior, tal como em anos anteriores, viria com o fecho das contas referentes ao Campeonato Nacional e com o 16º lugar na tabela classificativa a indicar a descida de escalão. O resultado deste desaire, no que diz respeito ao defesa-direito, não sei bem dizer qual terá sido! O que posso garantir é que da campanha de 1971/72 para a frente nada mais consegui encontrar sobre a sua ligação ao futebol.