Seria no Lusitânia de Machico, agremiação da sua terra natal, que Manuel Passos Fernandes viveria as primeiras experiências no futebol. Revelando, desde muito cedo, grande habilidade para os desafios apresentados pela modalidade, o jovem praticante depressa começaria a despertar a atenção de outras colectividades. Nesse sentido, do Funchal chegariam os primeiros convites para que mudasse de divisas. Escolheria o União da Madeira, onde entraria com a tenra idade de 15 anos. No entanto, sensivelmente um par de épocas após a chegada ao novo emblema, findada a temporada de 1938/39, o desejo de continuar a alimentar o sonho de uma carreira mais cimentada, levá-lo-ia a seguir a peugada do irmão mais velho, Vasco Fernandes. Partiria, então, na direcção da capital, onde rubricaria um contrato com o Unidos de Lisboa e, com referida colectividade associada às empresas da CUF, também aí encontraria um novo emprego.
Estrear-se-ia no emblema lisboeta na temporada de 1939/40. Contudo, com o sistema de apuramento para o Campeonato Nacional a depender dos resultados no “regional”, Passos apenas na época seguinte viria a participar na prova de maior monta do calendário luso. Essa campanha de 1940/41 seria deveras pródiga para o atleta. Por um lado, em termos individuais, as suas exibições, assentes numa atitude vincadamente aguerrida, começariam a pô-lo nas “bocas do mundo”. Paralelamente, as prestações da equipa por si representada, com a chegada às meias-finais da Taça de Portugal, contribuiriam para que a sua cotação igualmente subisse. Também a terceira época no Unidos de Lisboa, com idêntico desempenho na “Prova Rainha”, serviria para acentuar o seu valor. Então, numa altura em que chegaria a ser cogitado, por Cândido de Oliveira, para uma chamada à selecção nacional, a vida boémia do jogador sobrepor-se-ia às necessidades futebolísticas e uma tuberculose empurrá-lo-ia para um internamento no sanatório do Caramulo e para um longuíssimo período de restabelecimento.
Dado como irrecuperável para a prática desportiva, a vontade de Passos iria determinar um caminho oposto.Com José Maria Antunes, o médico que haveria de acompanhá-lo na doença, a aferir a sua cura. O interior, que mais tarde passaria a jogar a médio e principalmente a defesa-central, encetaria o caminho a levá-lo de novo ao futebol. Primeiro, viria a perda de 22kg! De seguida, os treinos no Operário Vilafranquense e, sem nunca ter jogado pelo emblema ribatejano, os testes prestados no Sporting. Nos “Leões”, diz-se que os responsáveis pelo clube, apesar de agradados com as suas qualidades, só viriam a aceitar o vínculo com o atleta depois deste prometer uma mudança radical no estilo de vida e também após assumir a rescisão do contrato caso voltasse a adoecer. As juras do jogador seriam cumpridas. Ainda assim, na temporada de 1947/48 não passaria das “reservas”. Na campanha seguinte, mais uma vez com Cândido de Oliveira na equação, estrear-se-ia no conjunto principal. Com Sándor Peics, em 1949/50, começaria a jogar com mais regularidade e com a chegada de Randolph Galloway em 1950/51, viria a assumir a titularidade.
A partir da última temporada referida no parágrafo anterior, Passos, de forma recorrente, passaria a ocupar um lugar no sector mais recuado do Sporting. Como membro habitual do “onze”, o jogador seria deveras importante para os sucessos dos “Verde e Brancos”. No que diz respeito aos títulos colectivos, ele que já tinha ajudado os “Leões” a vencer o Campeonato Nacional de 1948/49, o defesa tornar-se-ia num dos esteios daquele que viria a tornar-se no primeiro Tetracampeonato da história do futebol português. Em simultâneo surgiriam, na sua carreira, as internacionalizações. Inicialmente chamado à equipa “B” de Portugal, o atleta, depois dessa partida, disputada a 13 de Maio de 1951 frente à França, teria, a 23 de Novembro de 1952, a estreia pelo conjunto “A” luso. A chamada à peleja com a Áustria, feita por Cândido de Oliveira, encetaria uma longa caminhada e que levaria o defesa a somar 17 partidas feitas com a principal “camisola das quinas”.
Entretanto, cotado como uma das grandes figuras do futebol nacional, uma digressão pelo Brasil, em 1953, resultaria em vários convites para que o atleta ficasse do outro lado do Oceano Atlântico. Recusadas as propostas que chegariam aos 500 contos, uma enormidade para a altura, Passos regressaria ao Sporting. Como um símbolo do clube, as 9 temporadas com os “Leões” e mormente a integridade das suas exibições levá-lo-iam, por diversas vezes, a exibir a braçadeira de capitão. Nesse galgar de tempo, seria já com 35 anos de idade, mas a manter a preponderância de épocas anteriores, que viria a decidir-se pelo fim da carreira e a campanha de 1956/57 levá-lo-ia, em definitivo, a “pendurar as chuteiras”.


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