Conhecido no mundo do futebol pelo diminutivo Cao, Carlos Alberto Correia Fortes começaria a dar os primeiros passos na modalidade ainda em Cabo Verde. Numa altura em que, no Mindelo, já tinha representado a Académica e o Derby, o médio-defensivo, muito à custa da maneira aguerrida com que encarava cada desafio, veria o FC Porto a interessar-se pela sua contratação. Com a chegada às Antas a acontecer na temporada de 1988/89, o jogador passaria a integrar a equipa de juniores. Já em 1990/91 começaria também a trabalhar com o conjunto principal e apesar de ter tido o seu nome numa ficha de jogo, o jovem atleta não chegaria, no decorrer da última época indicada, a entrar em campo.
O ano de 1991, também no contexto internacional, deixaria uma grande marca no percurso competitivo do médio-defensivo. Tendo escolhido representar Portugal, o jogador, numa altura em que a primeira internacionalização pelos sub-20 já remontava a 18 de Dezembro de 1990, seria arrolado por Carlos Queiroz à participação no Campeonato do Mundo da referida categoria. No certame realizado em terras lusas, o “trinco” ver-se-ia inserido num grupo de trabalho onde marcaria presença um enorme manancial de jovens craques. Pelo meio de nomes que viriam a brilhar no futebol global, a concorrência de Peixe remetê-lo-ia para o banco de suplentes. Ainda assim, a oportunidade para entrar em campo surgiria na ronda frente à Coreia* e essa partida faria com que o atleta desse o seu contributo para a vitória no Mundial de 1991.
Regressado ao cenário clubístico, Cao, com a subida definitiva ao escalão sénior, mas numa equipa em que, como concorrentes directos para a sua posição de campo, tinha nomes como André ou Kiki, veria o treinador Artur Jorge a listá-lo como um dos atletas a arrepiar caminho na defesa de outras divisas. Sem lugar no plantel dos “Azuis e Brancos”, o “trinco” haveria de encetar uma senda de sucessivos empréstimos, com a primeira cedência, ao lado de outros atletas com ligação contratual ao FC Porto, casos de Bino, Jorge Silva, Rui Jorge, Tulipa, Neto ou Gamboa, a levá-lo até ao Rio Ave orientado por Augusto Inácio. Seguir-se-ia, treinado por Rodolfo Reis, o primodivisionário Tirsense e finalmente o Leça, inicialmente conduzido por António Frasco.
Com a entrada na agremiação do concelho de Matosinhos a ocorrer na temporada de 1993/94, o jogador, depois de experimentar a 1ª divisão ao serviço dos “Jesuítas”, regressaria às pelejas do escalão secundário. No entanto, seria a chegada ao Leça que viria, de certo modo, a cimentá-lo como um atleta merecedor de outros níveis competitivos. O sublinhar dessa aferição surgiria, na campanha de 1995/96, com o regresso do clube ao convívio com os “grandes”. Os dois anos cumpridos por Cao no escalão máximo, quatro no total da sua passagem inicial pelo listado verde e branco, não só fariam do médio-defensivo um dos nomes que mais vezes jogou pela colectividade nortenha no patamar maior do futebol luso, como transformaria o aludido conjunto no mais representativo da caminha sénior do “trinco”.
Sempre no escalão principal e mantendo-se como um dos titulares das equipas por si representadas, seguir-se-iam no caminho do atleta o Salgueiros e o Campomaiorense. Já desligado em definitivo dos “Dragões”, os dois anos cumpridos em Paranhos e outros dois no Estádio Capitão César Correia contribuiriam para um total de 7 campanhas a disputar a prova de maior relevo no calendário futebolístico português. Todavia, com a despromoção do mencionado emblema alentejano a interromper essa contagem, o jogador, ao manter-se ao serviço dos “Galgos”, passaria o resto da sua carreira nos escalões secundários.
Ao entrar na derradeira fase da caminhada competitiva, Cao também regressaria aos percursos marcados pela errância. Em constante mudança de emblema, o “trinco”, daí em diante, passaria pelo Felgueiras, voltaria ao Leça e envergaria as cores do Rio Tinto. Depois, com uma sabática de dois anos, a temporada de 2008/09, feita novamente ao serviço do Salgueiros, serviria para definitivamente pôr um ponto final na sua carreira enquanto futebolista.
*a Coreira apresentou no Mundial sub-20 de 1991 uma equipa unificada, ou seja, um misto de atletas da Coreia do Norte e da Coreia do Sul









