Nascido no Algarve, seria no Imortal que Pedro Miguel Cardoso Monteiro, popularizado no desporto pela alcunha Pelé, encetaria a caminhada no futebol. Ao concluir a etapa formativa no emblema de Albufeira, a sua transição para o universo sénior, sem que abandonasse a mencionada colectividade, dar-se-ia no decorrer da temporada de 1996/97. Ao exibir-se na Zona Sul da 2ª divisão “B”, o defesa-central, que também podia posicionar-se como médio-defensivo, começaria por partilhar o balneário com colegas de enorme traquejo competitivo, casos de Stefan, Pitico, Nilsson ou Alexandro. A experiência ganha durante essas campanhas disputadas entre o 3º e o 2º escalão luso fariam com que o seu nome começasse a ficar gravado na memória de algumas das pessoas com que havia trabalhado e seria Paco Fortes que, ao orientar o atleta na agremiação referida no início deste texto, haveria de encaminhá-lo até a uma nova divisa.
A passagem de Pelé pelo Farense de 2002/03, embora a competir na divisão de Honra, serviria, em grande medida, para abrir novos horizontes para o defesa-central. Nesse sentido, bastar-lhe-ia uma temporada cumprida no Estádio São Luís para que de outros lados emergissem convites para uma nova mudança. Com a entrada no Belenenses a acontecer em 2003/04, o jogador, já como um intérprete maduro, acabaria por ter a primeira oportunidade no escalão máximo. Orientado por Manuel José à chegada a Lisboa, o atleta, mesmo com a concorrência de Filgueira, Wilson, Hélder Rosário, Tuck, Marco Paulo ou Andersson, rapidamente assumiria um lugar de destaque no plantel dos “Azuis”. A titularidade em 3 anos de Restelo, resultado da regularidade com que apresentava boas exibições, teria como efeito o aumento da sua cotação e haveria ser do estrangeiro que surgiria um novo desafio.
Com os “media” a difundir o interesse de diversos emblemas, nomeadamente o do Newcastle, West Ham e Portsmouth, surpreendentemente Pelé acabaria a escolher um emblema a militar no 2º escalão – “Estou maravilhado por me juntar ao Southampton. Eu vi muitos jogos ingleses na televisão e penso que eu irei encaixar-me bem. Eu estou muito ansioso para jogar aqui. O Southampton é um clube grande que devia estar a jogar na Premiership e eu espero que consiga ajudá-los a regressar lá esta época”*. Já ao serviço dos “Saints”, onde jogaria ao lado do jovem Gareth Bale, o defesa-central, mesmo cimentado como um dos titulares, apenas permaneceria durante a temporada de 2006/07. Todavia, o grande destaque dessa primeira época em Inglaterra, viria com a sua estreia internacional. Chamado por José Rui aos trabalhos da selecção de Cabo Verde, o jogador teria a estreia pelo país da sua ascendência numa partida, disputada frente à Gâmbia, a 3 de Setembro de 2006. Depois dessa peleja a contar para a fase de apuramento da CAN 2008, o atleta continuaria a ser convocado e conseguiria alcançar um total de 11 presenças em campo pelos “Tubarões Azuis”.
De regresso ao plano clubístico, e sem sair do mesmo patamar competitivo, surgiria o West Bromwich Albion. No WBA, mantendo-se como uma figura fulcral no desenho táctico da equipa, a sorte, para o atleta e para o colectivo por si representado, seria bem diferente. Com a promoção conseguida no final da época de 2007/08, a campanha subsequente seria a da estreia de Pelé na Premiership. Todavia, a senda entre os “grandes” de Inglaterra não correria de feição para o cabo-verdiano e poucas seriam as oportunidades que conseguiria alcançar. À procura de jogar com mais regularidade, seguir-se-ia na sua carreira a divisão maior da Escócia e a sua contratação por parte do Falkirk. No entanto, mais uma vez, a fortuna não bafejaria a escolha do defesa-central para a campanha de 2009/10. Daí em diante, mesmo com o regresso aos campeonatos profissionais ingleses, onde representaria o MK Dons, a sua caminhada competitiva espraiar-se-ia pelos escalões inferiores britânicos e colectividades como o Northwich Victoria, o Hednesford Town, o Hayes & Yeading, o Havant & Waterlooville ou o AFC Totton acabariam a preencher um trajecto que conheceria o seu termo em 2017/18.
*retirado do artigo de Andrew Scurr, publicado em Julho de 2006, em https://www.skysports.com/






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