Nascido em Inglaterra, mais concretamente na área de Liverpool, Carlton Martin, filho de mãe britânica e pai jamaicano, viajaria para o Canadá em Abril de 1982. Ao chegar ao referido país norte-americano, apaixonado que era pela modalidade, mas sem nunca ter praticado futebol de forma organizada, teria no Oakville Soccer Club o primeiro emblema da carreira. Curiosamente, um momento caricato haveria de encurtar a sua passagem pela mencionada colectividade dos arredores de Toronto – “No meu primeiro jogo, eu saí do banco de suplentes e fui substituído pelo treinador 20 minutos depois (…). À altura, eu era um extremo e fiz aquilo que qualquer um naquela posição faz, que são alguns bons cruzamentos e muita corrida”*.
No rescaldo do acontecido, um amigo da família, desagradado com o tal episódio, haveria de prometer ao jovem praticante uma oportunidade noutro emblema. Essa chance surgiria, pouco tempo depois, no Toronto West Indies United. Com a entrada na nova colectividade, onde passaria a ocupar a posição de defesa-central, a carreira do atleta depressa começaria a alavancar-se. Ao conquistar um lugar no “onze” titular, Martin passaria a ser considerado como um dos pilares do conjunto e seria, nesse sentido, um dos nomes mais consagrados na vitória do clube na Ontario Cup de 1973.
Antes de chegar a Portugal, Carlton Martin haveria de representar os Toronto Italia e o First Portuguese, agremiação na qual chegaria a cruzar-se com nomes como Moniz, Narciso, Marinho ou Jacinto João. Muito à custa dos conhecimentos feitos na colectividade fundada por imigrantes lusos, de seguida, viria a travessia do Oceano Atlântico, a chegada ao “Velho Continente”, onde, na sua caminhada competitiva, emergiria então o Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, ao entrar de imediato para o patamar máximo, o jogador seria apresentado como reforço para a temporada de 1977/78. Lançado por Fernando Vaz na equipa a exibir-se com o listado verde e branco, a verdade é que o atleta, mesmo sem qualquer experiência no futebol europeu, haveria de pegar de estaca no “onze” inicial dos “Sadinos”. Tal estatuto, a asseverá-lo como um dos habituais titulares e em épocas de alguma tranquilidade classificativa, mantê-lo-ia no par de anos vindouros e numa dupla formada mormente com o internacional José Mendes. No entanto, a preponderância verificada no arrolar da equipa principal começaria a desvanecer com a chegada de Rodrigues Dias. Aliás, essa campanha de 1980/81 tornar-se-ia na derradeira do jogador no conjunto a disputar os desafios caseiros no Estádio do Bonfim e o defesa-central, a anteceder o seu regresso ao Canadá, decidir-se-ia por outra experiência na 1ª divisão.
A aposta na entrada no grupo de trabalho do Sporting de Espinho não correria de feição para o jogador. Num plantel primodivisionário que, na temporada de 1981/82, haveria de ser orientado por Manuel José, a concorrência directa por um lugar na equipa, essencialmente composta por Serra e por Balacó, faria com que Carlton Martin tivesse pouquíssimas oportunidades para que, com a camisola dos “Tigres da Costa Verde”, voltasse a sublinhar o valor revelado em Setúbal. Tamanha falta de presenças em campo levá-lo-ia a deixar as provas portuguesas e a voltar ao Canadá. No país que o havia acolhido ainda em adolescente, o defesa-central, segundo alguns dados recolhidos, terá, na época de 1983, representado os Mississauga Croatia. Também li algumas referências a dar conta de uma nova ligação entre o atleta e o First Portuguese. Todavia, não consegui confirmar esta última informação, nem sequer qualquer dado sobre a sua continuidade no futebol.
*retirado do artigo de Ron Fanfair, publicado a 10/03/2023, em https://www.ronfanfair.com/









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