1809 - RUI DUARTE

Ao fazer a transição do universo júnior para os seniores ao serviço do Nacional da Madeira, Rui Duarte Fernandes Brás estrear-se-ia na equipa principal dos “Alvinegros” no decorrer da temporada de 1984/85. Com Rui Mâncio como treinador, o defesa, que podia posicionar-se no centro ou na direita do sector mais recuado, ainda demoraria algum tempo até conseguir impor-se como um dos nomes mais utilizados no plantel. Com a equipa funchalense a militar na Zona Sul da 2ª divisão, o atleta haveria de alcançar o estatuto de titular com a campanha de 1986/87. Ao conseguir conservar o seu lugar no “onze”, acabaria a tornar-se numa das figuras daquela que viria a grifar-se nos anais como uma das mais importantes páginas da história da agremiação insular. Tal capítulo escrever-se-ia com o arranque das actividades do clube no patamar principal do futebol português e essa época de 1988/89 transformar-se-ia também na encetar da experiência do jogador entre os “grandes”.
Apesar de figurar no currículo do jogador como um marco inolvidável, a verdade é que a época de estreia do Nacional da Madeira na 1ª divisão, com Paulo Autuori à cabeça da equipa técnica, não seria de grande proveito pessoal para Rui Duarte. Ao partilhar o balneário com nomes como William, Leiz, Toninho ou Tininho, o espaço do defesa acabaria por diminuir drasticamente. Mesmo com poucas aparições em campo, o jogador conseguiria manter o seu lugar no seio do plantel. No entanto, esse privilégio, com a temporada de 1989/90 a correr ligeiramente melhor, viria a expirar com termo das provas agendadas para a última época mencionada e o atleta, sem convencer os responsáveis da equipa, acabaria por deixar o clube.
Com a saída do Clube Desportivo Nacional, Rui Duarte, na temporada de 1990/91, acabaria por ter a única experiência competitiva fora da Região Autónoma da Madeira. Apesar da curiosidade, a sua passagem pelo Paredes seria de curta duração e levá-lo-ia a disputar a 2ª divisão B. Aliás, o tempo cumprido no território continental marcaria, em definitivo, o afastamento do defesa do degrau maior. Seguir-se-ia uma época no Machico e a transferência, ao imitar a mudança do treinador António Pereira, o conhecido “Mourinho dos pobres”, para o grupo de trabalho de 1992/93 do Camacha.
O regresso ao Machico dar-se-ia na temporada de 1995/96, com a ligação entre a colectividade e o jogador a estender-se por outro período de 3 campanhas. De seguida, com o fim da carreira, ainda a alguma distância, mas já a aparecer no horizonte, surgiriam ao caminho do defesa a ACD São Vicente, o GRC Canicense e a conclusão da sua caminhada competitiva com o termo das competições pensadas para 2001/02.
Para terminar esta história, gostaria de partilhar convosco uma pequena curiosidade. Aquando da habitual pesquisa, feita a preceder qualquer das biografias apresentadas neste “blog”, deparei-me com um nome idêntico ao do exposto defesa e associado ao ensino e à investigação na área da Engenharia Informática, cumpridas ambas as tarefas em instituições da Madeira. Coincidência? Não soube descortinar. Ainda assim, deixo o desafio das respostas para os hipotéticos leitores deste texto!

1808 - MARQUES


Após terminar o percurso formativo com as cores do Benfica, José Marques regressaria ao emblema onde tinha sido juvenil para encetar a caminhada enquanto sénior. De volta ao Varzim na temporada de 1967/68, o médio, a trabalhar sob a alçada do argentino Ricardo Perez, muito mais do que fazer a estreia na 1ª divisão, assumir-se-ia como um dos titulares da equipa. No entanto, com a chegada de Monteiro da Costa, aos comandos dos “Lobos-do-Mar”, na campanha seguinte, o médio-centro, que também sabia posicionar-se à esquerda do sector intermediário, perderia algum do protagonismo alcançado. Aliás, as 4 primeiras épocas do jogador a envergar o listado alvi-negro ficariam caracterizadas por alguma alternância, com anos em que saberia arcar com um lugar no “onze” para, logo a seguir, quedar-se apenas como um dos suplentes do conjunto nortenho.
Com despromoção do Varzim no termo da campanha de 1970/71, Marques, depois de arrecadar para o currículo 4 temporadas entre os “grandes”, viveria idêntico período afastado do convívio com a elite do futebol luso. Tal deserto competitivo findaria após ajudar os “Lobos-do-Mar” a voltar à 1ª divisão. Curiosamente, o aludido regresso dar-se-ia com o atleta a exibir-se noutras cores. A mudança de divisas, a constituir-se como uma excepção àquilo que vinha e viria a ser a sua carreira clubística, levá-lo-ia ao plantel de 1975/76 do Sporting de Braga. Nos “Guerreiros” granjearia do mesmo destaque que até aí vinha a merecer. No entanto, a sua decisão, um ano cumprido sobre a sua chegada ao Minho, seria a de não só partir novamente, como a de retornar aos quadros do Varzim. 
Mais uma vez ao serviço da colectividade poveira, agora com António Teixeira ao leme, Marques somaria ao percurso outras duas campanhas de índole primodivisionário. Ainda assim, e tendo em conta os bons índices pessoais revelados no decorrer de 1977/78, o mesmo resultado haveria de ser impossível de frisar na temporada seguinte. Nesse sentido, após participar na mítica campanha de 1978/79, em que o Varzim concluiria o Campeonato Nacional na 5ª posição, mas com as suas presenças em campo a diminuírem drasticamente, o médio acabaria por procurar a sorte noutras paragens. Tal decisão, para além de levá-lo ao Ribeirão de 1979/80, faria com que o seu trajecto desportivo, depois de um somatório de 7 anos no patamar maior, ingressasse, em definitivo, nas sendas dos degraus inferiores.
Ao entrar nos derradeiros capítulos da caminhada como futebolista, com constantes mudanças de emblema a exprimir essa fase, Marques, posteriormente à última agremiação mencionada no parágrafo anterior, ainda vestiria as camisolas de mais algumas colectividades. Assim, ao Salgueiros seguir-se-iam o Neves, o Arcozelo, o Fão, o Gandra e o “pendurar das chuteiras” no fecho das provas planeadas para 1986/87.

1807 - MÁRIO SÉRGIO

Com o percurso formativo concluído ao serviço do Paços de Ferreira, seria também com os “Castores” que Mário Sérgio Leal Nogueira, lançado por José Mota, encetaria a caminhada entre os seniores. Depois dessa primodivisionária época de 2000/01, durante a qual pouco jogaria, a campanha seguinte, com um acréscimo substancial de presenças em campo, seria de enorme valor para o jovem atleta. Como consequência desse aumento de participações, também da Federação Portuguesa de Futebol começariam a reparar nas suas qualidades. Por Portugal, o defesa-direito entraria em jogo, pela primeira vez, a 5 de Fevereiro de 2002. No seguimento da contenda frente à Eslováquia, cumprida no âmbito dos trabalhos agendados para os sub-20, o atleta continuaria a somar internacionalizações. Nesse percurso, concluído com um total de 27 pelejas com a “camisola das quinas”, os maiores destaques emergiriam com as suas chamadas à edição de 2004 do Euro sub-21 e, ainda no mesmo ano, aos Jogos Olímpicos realizados em Atenas. O defesa chegaria igualmente a ser convocado para a equipa “A”. No entanto, no particular frente à Escócia, realizado a 20 de Novembro de em 2002, Agostinho Oliveira mantê-lo-ia no banco de suplentes e a possibilidade de participar numa contenda da principal selecção lusa gorar-se-ia nessa ocasião.
Potenciado pelas 3 temporadas feitas ao serviço do Paços de Ferreira, Mário Sérgio começaria a despertar o interesse de emblemas de maior monta. Em 2003/04, cotado como um dos intérpretes do futebol luso com maior potencial, o defesa seria apresentado como reforço do Sporting. Em Alvalade, primeiro por razão da presença de Miguel Garcia e depois com a contratação do brasileiro Rogério, o jogador, tanto com Fernando Santos, como sob a égide de José Peseiro, não viria a ter muito espaço para demonstrar as qualidades desportivas – “Já o disse anteriormente e não tenho problemas em dizê-lo novamente. Se calhar não estava 100 por cento preparado quando fui para o Sporting. Encontrei uma realidade totalmente diferente e as coisas não correram como queria”*.
A solução encontrada para a falta de jogos surgiria com o empréstimo ao Vitória Sport Clube. Concluída a temporada de 2005/06, a surpreendente despromoção do emblema de Guimarães faria com que Mário Sérgio procurasse outro emblema. Já liberto de qualquer obrigação contratual a ligá-lo aos “Leões”, o defesa-direito rubricaria uma ligação com a Naval 1º de Maio. Na Figueira da Foz, ao conquistar a titularidade, o atleta viveria o melhor período passado em Portugal. Valorizado por duas campanhas de bom nível, seria do estrangeiro que viriam os novos convites e o Leste da Europa transformar-se-ia no seu próximo destino – “Fui para a Ucrânia através do Ricardo Fernandes. Ele já lá estava e o treinador do Metalurg Donetsk disse-lhe que precisava de um lateral-direito. Ele falou-me da Ucrânia e aceitei o que me foi oferecido”*.
Instalado na colectividade sediada no Donbass a partir de 2008/09, Mário Sérgio, para além do nome referido no parágrafo anterior, jogaria ao lado do arménio Mkhitaryan e de outros atletas com passagens pelo futebol luso, casos de Filipe Teixeira, China e Kingsley. Pelo Metalurg, no decorrer de 4 campanhas, o defesa voltaria às competições continentais e na final da Taça da Ucrânia de 2009/10 marcaria presença em campo, concretizaria um golo, mas o resultado final de 3-2 penderia para o lado do SC Tavriya.
O capítulo seguinte da sua carreira viria com a mudança para o Chipre. Com a entrada no APOEL a acontecer 2012/13, Mário Sérgio, apesar de disputar as provas de um país na terceira linha do futebol europeu, cumpriria o sonho de, na temporada de 2014/15, atingir a Fase de Grupos da Liga dos Campeões. Também a nível interno, a passagem do defesa-direito pela agremiação de Nicosia haveria de trazer ao seu currículo momentos inolvidáveis e em pouco mais de 4 anos ajudaria a conquistar 5 Campeonatos, 2 Taças e 1 Supertaça.
Depois de, ainda em 2016/17, vir a integrar o plantel do Apollon Limassol, Mário Sérgio, na campanha seguinte, regressaria a Portugal. No Varzim, como posteriormente ao serviço do Felgueiras, o jogador passaria um par de campanhas. Em 2021/22, ainda com muita vontade de competir, surgiriam as provas amadoras e o Maia Lidador, para, no termo da campanha seguinte e já com as cores dos Aliados de Lordelo, tomar a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Paralelamente aos últimos capítulos da carreira enquanto atleta, Mário Sérgio, nas camadas jovens do Aliados de Lordelo, haveria de dar os primeiros passos como treinador. Também experimentaria as funções executivas, ao aceitar o cargo de director-desportivo do São Martinho. Em 2023/24 passaríamos a vê-lo de novo com a camisola do Sporting e nestas últimas 4 épocas tem actuado nas provas organizadas para as “Lengends”.

*retirado do artigo de Vítor Maia, publicado a 9/10/2021, em https://maisfutebol.iol.pt/

1806 - XAVIER

José Manuel Xavier Guimarães terminaria o percurso formativo com as cores do FC Porto. No entanto, com o plantel de 1974/75 dos “Azuis e Brancos”, só para o sector intermediário, recheado com nomes como António Oliveira, Peres, Marco Aurélio ou Aílton, o jovem praticante não conseguiria encontrar um lugar para desenvolver as suas qualidades desportivas. Nesse sentido, a solução encontrada para o seu percurso haveria de passar pelo grupo de trabalho do Paços de Ferreira. Na “Capital do Móvel”, o médio-ofensivo, muito mais do que cumprir a primeira temporada enquanto sénior, faria parte de uma página histórica do clube e ajudaria a equipa dos “Castores”a estrear-se na 2ª divisão.
Seguir-se-ia, já na temporada de 1975/76, a sua apresentação como reforço do plantel do Salgueiros. A entrada no conjunto a jogar em casa no Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro empurrá-lo-ia para aquela que viria a tornar-se na colectividade mais representativa da sua caminhada profissional.  Ainda assim, com o clube do popular bairro de Paranhos a militar entre o 2º e o 3º escalão luso, a passagem de 5 anos pela agremiação portuense atrasar-lhe-ia a chegada ao convívio com os “grandes”. Esse merecido prémio competitivo ainda demoraria um pouco mais a chegar e seria necessária outra transferência para que o médio-ofensivo tivesse a merecida oportunidade de mostrar as suas habilidades futebolísticas ao mais alto nível.
A mudança para o Funchal, onde, na campanha de 1980/81, rubricaria um contrato com o Marítimo, daria ao jogador a estreia na 1ª divisão. Orientado inicialmente por António Medeiros, o atleta depressa conseguiria assumir-se com uma das principais referências no sector intermediário dos “Leões do Almirante Reis”. Contudo, as prestações colectivas do conjunto insular seriam insuficientes para que granjeassem de um resultado positivo na árdua luta pela manutenção. O 15º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional levá-lo-ia, de novo, ao patamar secundário e depois de fazer parte da conquista do título de 1981/82 do 2º escalão, o médio-ofensivo, ao deixar os madeirenses, optaria por regressar à cidade do Porto.
Dessa feita ao integrar o plantel do Boavista, Xavier passaria a ser orientado por Hermann Stessl. Mesmo com a saída do treinador austríaco e com as posteriores chegadas de outros 3 timoneiros, o jogador, nessa primodivisionária campanha de 1982/83, nunca conseguiria afirmar-se como um dos nomes habitualmente arrolados ao “onze”. A escassez de presenças em campo faria com que o médio-ofensivo, como a opção mais positiva para o seu trajecto competitivo, equacionasse uma nova mudança de rumo. O passo seguinte nessa senda, num percurso que passaria a caracterizar-se pelas diversas mudanças de divisas, afastá-lo-ia, mais uma vez, da 1ª divisão. Já cumprida a época de 1983/84 com as cores do Famalicão, o atleta voltaria a cambiar de camisola e a entrada no Penafiel de 1984/85, onde tornaria a trabalhar sob a égide de Manuel Barbosa, o seu último técnico nas “Panteras”, coincidiria também com a sua derradeira aparição nos principais palcos lusos.
Depois da experiência com o conjunto duriense, Xavier, entregue, em definitivo, às contendas dos escalões secundários, passaria por mais uma mão cheia de emblemas. Lusitânia de Lourosa, Nacional da Madeira, Pedrouços, Rebordosa e Leça acabariam a colorir uma caminhada que conheceria o seu termo com o encerrar das competições agendadas para a temporada de 1991/92.

1805 - MOURA

De António Carvalho Teixeira, popularizado no futebol pela alcunha Moura, também não tive a habilidade para reconstituir os primeiros passos da carreira, nem sequer consegui saber se a mesma terá sido interrompida pela chamada, tão habitual para a altura, ao Serviço Militar Obrigatório. Porém, encontrei um recorte, do qual também não sei a fonte e o qual irei “colar” no final deste texto, que, mesmo sem a correspondente cronologia, diz-nos: “António Teixeira Moura nasceu em Amarante, em 3 de Maio de 1945. Joga a ponta-de-lança. O seu primeiro grupo foi o Amarante. Dali passou para o Futebol Clube do Porto. Depois para o Espinho. Regressou ao Amarante, voltou ao Porto e está no Boavista desde 1966”.
Ao dar continuação à sequência de emblemas acima apresentada, e ao ter como 1966/67 a primeira temporada de Moura ao serviço do Boavista, então a chegada do avançado-centro ao Bessa terá apanhado os “Axadrezados” entregues às disputas da 3ª divisão. Manter-se-iam as “Panteras” no mesmo escalão ainda por mais uma temporada, até que, resultado de duas subidas consecutivas, teriam, na campanha de 1969/70, o regresso às pelejas primodivisionárias. No convívio com os “grandes”, o atacante começaria por ser orientado por António Gama. Mas mesmo numa época atribulada, onde ainda viria a ter mais 3 treinadores, o jogador conseguiria manter-se estável no “onze”, tornando-se, com os mesmos números de Mário João, no mais utilizado do plantel.
A frequência com que haveria de aparecer em campo, no final da década de 1960 e igualmente na primeira metade dos anos de 1970, faria de Moura uma das principais figuras do Boavista. Apesar de não ser um avançado muito prolífero, a força que conferia à dinâmica do conjunto portuense constituir-se-ia como de grande importante para os diferentes treinadores a passar pela liderança da equipa técnica dos “Axadrezados”. Para além deste aspecto, muito mais do que o contributo desportivo dado pelas suas presenças em jogo, a sua liderança em campo dar-lhe-ia o direito de capitanear os colegas e o jogador, a partir da campanha de 1970/71, começaria a exibir-se com a respectiva braçadeira.
Já sob a égide de José Maria Pedroto, nomeadamente no estender da temporada de 1974/75, Moura acabaria por perder algum do protagonismo granjeado em épocas anteriores. Ainda assim, essa que viria a tornar-se na derradeira campanha do jogador ao serviço do Boavista, terminaria com um momento inolvidável. Com as “Panteras” a galgar sucessivas etapas na Taça de Portugal, a chegada à derradeira ronda da competição prometia algo de inédito. Tamanha novidade viria mesmo a concretizar e a vitória na final, frente ao Benfica, faria com que o avançado-centro fosse recordado como um dos elementos pertencentes ao grupo de trabalho que, pela primeira vez na história dos “Axadrezados”, haveria de conquistar a “Prova Rainha”. 
Após 9 anos a envergar as cores do Boavista, 6 deles na disputa do escalão maior, Moura acabaria por mudar de divisas. Com a entrada no Paços de Ferreira a acontecer na campanha de 1975/76, o atacante afastar-se-ia, em definitivo, dos cenários primodivisionários. Seguir-se-iam, com o atleta a cambiar de colectividade a cada ano, o Livração, o Marco, o Vila Meã, o regresso ao Amarante e, como capítulo imediatamente a anteceder o termo da sua carreira, o plantel de 1982/83 do Celoricense.



1804 - MAURO AIREZ

Após ter jogado em emblemas amadores, casos do Club Corcemar de Pipinas e o Club Social y Deportivo Verónica, a mudança, em 1987, para o Gimnasia y Esgrima motivaria o encetar da caminhada profissional de Mauro Gabriel Airez. Destacando-se como um praticante habilidoso e capaz de jogar como avançado-centro, segundo-avançado ou até como extremo, o jogador depressa chamaria a atenção dos responsáveis pela Asociación del Fútbol Argentino. Nesse sentido, no ano do ingresso no “El Lobo”, o atacante seria chamado ao contingente da “Alviceleste”, participaria nos Jogos Panamericanos e, no certame realizado em Indianápolis, ajudaria à conquista da Medalha de Bronze.
Ao dar seguimento à senda internacional, 1988 ficaria marcado pela sua participação nos Jogos Olímpicos de Seul. Pouco tempo depois da sua presença na Coreia do Sul, em concreto a 2 de Setembro, surgiria a oportunidade do avançado fazer a estreia pela selecção “A”. Após esse “amigável” frente a El Salvador, durante o qual seria orientado por Carlos Pachamé, o atleta continuaria a envergar a camisola da Argentina e ao partilhar o balneário com craques como Diego Simeone, Basualdo, Fabbri, Sensini ou Balbo, o jogador acrescentaria, ao currículo pessoal, um somatório de 5 partidas feitas pelo principal conjunto do seu país natal.
No que respeita à carreira clubística, 1989 representaria a sua transferência para o Argentinos Juniors. Ao iniciar um período mais errante, sensivelmente um ano depois dar-se-ia a transição para o Independiente. As boas exibições, conjuntamente com o percurso já traçado a nível internacional, fariam com que Mauro Airez começasse a ser cobiçado noutras paragens. Com o “calcio” a ser, à altura, o universo futebolístico mais bem cotado, a mudança do atacante para o Bari aconteceria na temporada de 1990/91. Porém, o excesso de estrangeiros, presentes no conjunto a militar na Serie A, faria com que a sua estadia no sul de Itália fosse curta. A clara escassez de oportunidades empurrá-lo-ia para outro destino e o convite surgido de Portugal, ainda na mesma campanha da sua chegada à Europa, fá-lo-ia assinar pelo Belenenses.
Com a entrada no Restelo a ocorrer com os “Azuis” a militarem na divisão de Honra, Mauro Airez, como o melhor marcador da equipa, transformar-se-ia num dos grandes pilares do regresso do conjunto lisboeta ao convívio com os “grandes”. No patamar maior do futebol luso a partir da campanha de 1991/92, o avançado continuaria a ser orientado pelo brasileiro Abel Braga e manter-se-ia como um dos nomes frequentemente arrolados ao “onze” inicial. Aliás, o estatuto de titular sabê-lo-ia manter ao longo dos anos ao serviço do Belenenses. A excepção viria na última época de ligação aos “Homens da Cruz de Cristo” e os pedidos "excêntricos" do técnico, paralelamente com os problemas financeiros do clube, acabariam por despoletar o seu afastamento e a consequente rescisão – “Depois de quatro anos como melhor marcador e jogador mais mediático do clube, a jogar com ponta-de-lança ou segundo avançado, o treinador João Alves queria que jogasse a lateral-direito (não sei onde foi buscar isso...). Eu, que já podia ter rescindido por salários em atraso, dei ao presidente dois ou três meses para resolver a situação. E, como não se resolveu, tive de me fazer à vida, como toda a gente”*.
A saída do Restelo levá-lo-ia, a meio da temporada de 1995/96, a assinar pelo Benfica. No entanto, a entrada na Luz, numa equipa que, apesar de não estar no melhor período, ainda assim tinha nos quadros nomes de grande gabarito, faria com que Mauro Airez enfrentasse uma concorrência feroz. Essa luta por um lugar no “onze” não evitaria que Mário Wilson deixasse de equacionar o atacante como um dos intérpretes a entrar em campo na derradeira partida da Taça de Portugal de 1995/96. Titular no Estádio Nacional, o jogador seria de fulcral importância para a vitória frente ao Sporting e um golo seu, seguido do tradicional festejo com acrobacias à mistura, ajudaria ao resultado final de 3-1, a favor das “Águias”.
Com mais uma época ao serviço dos “Encarnados”, mas com números abaixo das expectativas, Mauro Airez prosseguiria a carreira num Estrela da Amadora orientado, na temporada de 1997/98, por Fernando Santos. Após a temporada cumprida no emblema da Reboleira, ao seu caminho emergiria ainda uma campanha no Estoril Praia, o regresso à divisão de Honra e o fim da carreira, quando contava apenas 30 anos de idade, no termo das provas agendadas para 1998/99.
Anos mais tarde viria a sua ligação a uma empresa de agenciamento de atletas, responsável, entre outros exemplos, pela transferência de Duscher e de Quiroga para o Sporting. Porém, a crise económica de 2001 na Argentina, haveria de deitar por terra o mencionado negócio e Mauro Airez ver-se-ia no desemprego. Tal contratempo faria com que outras portas viessem a abrir-se. A oportunidade de emprego surgiria de um mundo, em tudo, desconhecido para o antigo jogador e, através de um amigo, haveria de passar a dedicar-se aos bastidores do cinema e da televisão, onde passaria a trabalhar como técnico de iluminação.

*retirado do artigo publicado a 16/07/2017, em https://www.dn.pt/

1803 - FIGUEIREDO

Natural de Sátão, distrito de Viseu, seria no futebol gaulês que Pedro Martins de Figueiredo teria a primeira oportunidade no universo competitivo dos seniores. Integrado no conjunto principal do Lille, o defesa-central, nessa temporada de 1986/87, começaria por ser orientado pelo belga Georges Heylens. No entanto, apesar de ver reconhecidas as suas qualidades futebolísticas, o jogador, num plantel fortemente enriquecido por vários internacionais, casos de Lacombe, Desmet, Bernard Lama, Vandenbergh, Angloma ou Abedi Pelé, poucas oportunidades conseguiria alcançar. Nesse sentido, após 3 campanhas na Ligue 1, anos em que a escassez de presenças em campo seria a regra, o atleta decidir-se-ia pela mudança de rumo e o regresso a Portugal acabaria por ser a solução encontrada para a sua carreira.
Contratado pelo Vitória Futebol Clube como reforço para a temporada de 1989/90, Figueiredo, inicialmente sob a batuta de Manuel Fernandes, depressa viria a constituir-se como uma das principais figuras do plantel dos “Sadinos”. Daí em diante, mesmo com a concorrência de grandes praticantes do futebol luso, como são exemplo Dito, Sobrinho, Jorge Ferreira ou Quim, a sua preponderância no desenho táctico dos diferentes treinadores em pouco mudaria. Por outro lado, no que respeita aos desempenhos colectivos, a sua segunda temporada a jogar em casa no Estádio do Bonfim haveria de culminar com uma descida de divisão. A aludida despromoção faria com que o jogador, pela primeira vez na caminhada competitiva, tivesse de enfrentar as condicionantes do escalão secundário. Ainda assim, ao manter-se como um dos homens mais utilizados no seio da equipa sediada em Setúbal, o defesa-central, juntamente com os colegas de balneário e corridas um par de épocas sobre o desaire desportivo, voltaria a apresentar-se aos palcos principais.
Mesmo ao fazer a quase totalidade do trajecto profissional a exibir-se nas pelejas primodivisionárias, a verdade é que Figueiredo teria de voltar a experimentar, em concreto no decorrer das provas programadas para a campanha de 1995/96, a divisão de Honra. No entanto, essa situação, como a anteriormente veiculada, seriam as excepções a confirmar a regra. Norma igualmente a relatar-nos as vicissitudes de uma caminhada preenchida por uma década consecutiva ao serviço do Vitória Futebol Clube e na qual arrecadaria para o currículo 7 épocas a disputar o patamar máximo.
Concluído o laço ao histórico emblema setubalense, Figueiredo, com o treinador Manuel Fernandes a tornar-se, mais uma vez, numa importante parcela no formular da equação, ainda rubricaria uma ligação aos açorianos do Santa Clara. Todavia, essa temporada de 1999/00 tornar-se-ia num terrível amargo de boca para o defesa-central. Uma pavorosa lesão acabaria por pôr em causa a continuidade da sua senda desportiva e o atleta, em Novembro de 1999 e sem disputar qualquer partida pela colectividade insular, acabaria por rescindir o contrato laboral a ligá-lo à agremiação fundada em Ponta Delgada. De seguida, tendo em conta a gravidade das mazelas sofridas e a impossibilidade de dar seguimento ao seu trajecto competitivo, viria a decisão de, com 32 anos de idade, “pendurar as chuteiras”.

1802 - JOÃO MENDONÇA

João Francisco de Mendonça, com o florescimento da modalidade em Portugal, depressa haveria de constituir-se como um dos grandes apaixonados pelo futebol. Ainda na posse das qualidades dadas pelo vigor da mocidade, seria enviado para Angola, onde, em Luanda, ficaria a trabalhar como membro do Observatório Meteorológico. No entanto, muito mais do que os deveres profissionais, o que movia a sua essência de jovem desportista era, em abono da mais pura das verdades, o “jogo da bola”. Seria, então, envolto por essa enorme paixão, que a 15 de Agosto de 1920, juntamente com outros entusiastas das práticas atléticas, fundaria o, à altura baptizado, Loanda Sporting Clube.
Dois anos após a fundação do clube, como registado no “site” oficial do mesmo, o nome da agremiação angolana viria a alterar-se para Sporting Clube de Luanda, para, a 1 de Setembro de 1922, passar a fazer parte do rol de filiais do Sporting “alfacinha”. Paralelamente à evolução da história da colectividade, João Mendonça, alcunhado “Fala de Homem”, depois da incontornável importância do acto de fundação, continuaria a cimentar-se como uma das figuras mais proeminentes do listado verde e branco. Nesse sentido, destacar-se-iam as suas exibições regularmente espraiadas pelos rectângulos futebolísticos da antiga colónia portuguesa, as funções excelsamente desempenhadas como dirigente e a habilidade, em semelhança de qualidade com as suas características de praticante, para desempenhar as tarefas adjudicadas aos melhores treinadores.
Muito mais haveria dizer sobre esta multifacetada figura do desporto luso-angolano. No entanto, com repetidamente terei veiculado, as informações sobre os primórdios do nosso futebol são escassas, confusas e, neste caso em específico, a fornecer pouco mais do que neste singelo texto compilei. Ainda assim, falta fazer referência a outra matéria de, permitam-me o entusiasmo, de relevância maior do que tudo o que já aqui disse! É que João Mendonça “pai”, paralelamente ao que registei e como resultado directo do casamento com uma senhora luandense de nome Catalina, haveria de arrogar-se como o progenitor e principal inspirador de uma tríade sobejamente conhecida no futebol português, para o caso, João Mendonça Junior, Fernando Mendonça e Jorge Mendonça.

1801 - LÚCIO

Nascido no Brasil, mas com filiação portuguesa, Lúcio Soares desde cedo mostraria fortes aptidões para a prática do futebol. Depois de uma fase inicial, ainda com estatuto de amador, durante a qual representaria agremiações como o Estrelinha do Reduto, o Minas Atlético Clube de Manhumirim ou Fluvasan de Manhuaçu, a mudança para o Rio de Janeiro levá-lo-ia a encetar um percurso profissional. Primeiramente ao serviço da Portuguesa da Ilha do Governador, onde ficaria até ao ingresso no América (RJ), seria no último emblema mencionado, onde chegaria a ser treinado por Dorival Yustrich, que o defesa-central, depois de uma digressão europeia, chamaria a atenção do Sporting.
Com a mudança para Alvalade a ocorrer na temporada de 1959/60, Lúcio, ainda sob a batuta de Fernando Vaz, conseguiria logo fixar-se no “onze” dos “Leões”. A preponderância demonstrada nos desenhos tácticos da equipa, onde o forte pontapé e a exímia habilidade para a marcação de livres directos constituiriam motivo de grande destaque ao longo da sua carreira, levá-lo-iam a ser cogitado para a equipa nacional. Chamado por José Maria Antunes aos trabalhos da principal selecção portuguesa, o defesa-central estrear-se-ia com a “camisola das quinas”, a 27 de Abril de 1960. Com o arranque da caminhada internacional a dar-se num particular frente à Republica Federal da Alemanha, esse jogo, que teria como treinador de campo Otto Glória, serviria de arranque a uma caminhada que, com algum tempo de intervalo, teria continuidade cerca de um ano e meio depois. Tal reatamento empurrá-lo-ia para mais disputas com as cores lusas e o jogador embelezaria o currículo com um total de 5 partidas feitas ao serviço de Portugal e, como revelado no encetar dessa aventura, com um enorme sentido de brio – “Nem me pergunte se isso me dá prazer. Estou feliz e honrado mas sei que não sou o único. Lá longe, numa casinha em Niterói [arredores do Rio de Janeiro], onde deixei parte do meu coração, um homem e uma mulher devem ter chorado de alegria e de orgulho quando souberam que o seu filho fora chamado para defender as cores de Portugal. Nasci no Brasil, sim, mas sou português de direito e de sangue. Sabe, é que eu não sou estrangeiro, não”*.
Não só do trajecto internacional, no qual viria a tornar-se, a par de David Júlio, num dos primeiros naturalizados a representar Portugal, viveria a caminhada competitiva de Lúcio. Também no Sporting, o atleta saberia constituir-se como uma figura de referência no panorama desportivo da colectividade “alfacinha”. Curiosamente, após uma época de arranque bem auspiciosa, o defesa-central, numa segunda campanha, orientado pelo argentino Alfredo González, viria a perder a visibilidade alcançada de início. A importância desportiva viria a recuperá-la não muito tempo depois. Já restituído à titularidade, Lúcio transformar-se-ia num dos pilares de várias conquistas. O Campeonato Nacional de 1961/62 emergiria como o primeiro desses triunfos colectivos. Também a Taça de Portugal viria a enriquecer o seu palmarés. Na final de 1962/63, época em que mais vezes seria chamado a campo pelo Sporting, o jogador seria um dos escolhidos, por Juca, para defrontar o Vitória Sport Clube e, no Estádio Nacional do Jamor, um golo seu ajudaria à vitória por 4-0.
Outro importante triunfo alcançado enquanto membro do Sporting, seria a Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64. Curiosamente, seria este importante marco que, tempos depois, levaria ao fim da ligação do jogador com os “Verde e Brancos”. A história conta-se depressa e no rescaldo da 1ª mão dos quartos-de-final da prova, derrota forasteira, por 4-1, frente ao Manchester United, o jogador, resultado de uma fraca exibição, acabaria acusado, pelos colegas de equipa, de uma enorme falta de compromisso. Após o tamanho desentendimento, o defesa-central ver-se-ia afastado da titularidade, substituído por Alexandre Baptista nas tarefas do sector mais recuado e com o termo da aludida temporada a trazer-lhe o fim da experiência enquanto atleta dos “Leões”.
Regressado ao Brasil, Lúcio ainda daria muito ao futebol. Contratado em 1964 pelo Flamengo da Varginha, o defesa-central, em 1967 regressaria, por pouco tempo, à Portuguesa do Rio de Janeiro. Por fim, voltaria ao emblema referido no começo deste parágrafo e após também exercer as funções de treinador-jogador, o final da sua carreira surgiria com o termo das provas agendadas para a campanha de 1971.

*retirado do artigo de Rui Miguel Tovar, publicado a 19/04/2021, em https://www.contacto.lu/

1800 - TITO

Muito mais do que um hábito reiterado, começa a tornar-se num verdadeiro “cliché” o encetar destes singelos textos com uma dissertação sobre a dificuldade em encontrar informações sobre um determinado futebolista. No entanto, mesmo esperançado que o conteúdo das linhas que estou a preparar-me para escrever, tal como na definição do galicismo inicialmente apresentado, não percam o seu impacto, mais uma vez tenho de começar esta biografia por afirmar que pouco, ou quase nada, sei sobre Tito!
Depois desta dramática introdução, deixai-me dizer que Tito, em abono da verdade, terá sido baptizado com o nome Carlos do Rosário Neto. Nascido a 4 de Junho de 1943, em São Nicolau – Santarém, os primeiros registos que encontrei sobre este defesa-central, que também saberia posicionar-se como médio-centro, reportaram-me, imediatamente, para o Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961. Sendo o atleta, por altura do certame disputado em Portugal, elemento dos quadros desportivos do Sport Grupo Scalabitano «Os Leões», popularmente conhecido como Leões de Santarém, tal facto constituiu a primeira grande surpresa sobre a sua convocatória ao grupo de trabalho sob a batuta da Federação Portuguesa de Futebol. Curiosamente, nesse rol elaborado por David Sequerra, não seria o único a fugir ao inventário de emblemas tradicionais nestas andanças e o sanjoanense Calhau, que já foi retratado por este “blog”, também haveria de constituir uma enorme “pedrada no charco”!
Apesar da indubitável importância da sua presença no Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961, sublinhada a relevância da sua convocação pela vitória de Portugal no certame, o jogador acabaria a prova sem que José Maria Pedroto viesse a chamá-lo para qualquer presença em campo. Curiosamente, ao invés do que tal chamada poderia indicar, a porta aberta pela maior entidade do futebol luso não teria qualquer continuidade e o defesa, no resto da carreira, não registaria qualquer internacionalização por Portugal.
Contrariamente à sua experiência com a “camisola das quinas”, o jogador, no que diz respeito à caminhada clubística, haveria de tornar-se numa das figuras icónicas dos Leões de Santarém e também, com a fusão deste emblema com outras colectividades da capital ribatejana, do União de Santarém. Todavia, também neste campo a informação por mim recolhida não dá para reconstituir o seu trajecto de uma forma consistente. Ainda assim, os dados obtidos permitem-me dizer, de forma fidedigna, que o jogador, na temporada de 1961/62 terá vestido a camisola do emblema “leonino” nas disputas consignadas ao Campeonato Nacional da 3ª divisão. Ainda nesse escalão, Tito terá entrado em campo no espraiar da campanha seguinte. A diferença viria na segunda parte da prova, com a colectividade por si representada a chegar à final. Na derradeira partida, disputada frente ao Famalicão, seriam os escalabitanos a conseguir a vitória e a sair de Coimbra, como resultado do 3-2 final, em posse do troféu correspondente à conquista do 3º escalão nacional.
Também o cromo apresentado, referente às provas de 1966/67, pode servir de fonte. Porém, daí para a frente não encontrei qualquer registo de Tito a jogar pelos Leões de Santarém. Já no que diz respeito ao União de Santarém, a sua presença far-se-ia notar nas temporadas de 1969/70 até à campanha de 1971/72. Por essa razão, e também pelo facto dos Leões, como mencionado anteriormente, terem dado origem ao União, não é difícil pressupor que o defesa ter-se-á mantido fiel ao emblema “leonino”, até à dita fusão.