Médio de características ofensivas, Tomislav Ivic encetaria a sua ligação ao RNK Split, emblema da sua cidade natal, na temporada de 1950. A militar nos escalões inferiores do futebol da antiga Jugoslávia, o jovem jogador, ainda assim, haveria de chamar a atenção de outras colectividades, principalmente no decorrer da campanha de 1956/57, durante a qual seria uma das principais figuras da promoção do seu clube ao escalão principal. Depois da referida subida, o atleta acabaria contratado por uma das agremiações de maior tradição no país. Porém, a mudança para o Hajduk Split não traria para a sua carreira o destaque individual merecido e o número de vezes que viria a ser chamado ao terreno de jogo ficaria bem aquém do esperado.
Após cumprir meia dúzia de temporadas com as cores do Hajduk Split, Tomislav Ivic, com o termo da época de 1962/63, decidiria ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Ainda assim, a sua paixão pela modalidade levá-lo-ia a manter-se ligado ao futebol, mas a encarregar-se de outras tarefas. Nesse sentido, o regresso ao RNK Split permitir-lhe-ia o arranque da carreira como treinador-principal. Passada apenas uma campanha desse primeiro passo, em concreto com o início das actividades de 1968/69, seria o convite do Hajduk Split, dessa feita para assumir o conjunto de juniores do clube, a levá-lo a voltar a outra colectividade bem conhecida na sua caminhada enquanto praticante. Retornaria, anos mais tarde, aos seniores, inicialmente ao comando do plantel de 1972/73 do HNK Sibenik, para, em 1973/74, pegar na equipa principal do, tantas vezes já mencionado, Hajduk Split.
Seria a partir da última temporada aludida no parágrafo anterior que a cotação de Tomislav Ivic começaria a subir em flecha. Para tal, em muito contribuiriam os títulos alcançados, nomeadamente as “dobradinhas” nas edições de 1973/74 e de 1974/75 das provas jugoslavas, e a vitória na Taça de 1975/76. A somar a esses sucessos internos, o Hajduk Split também haveria de erguer-se como uma agradável surpresa na disputa das provas continentais, mormente com a chegada aos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1975/76.
Tantos louvores levariam a que uma das grandes equipas europeias decidisse apostar na sua contratação. Apresentado como o “timoneiro” do Ajax para a campanha de 1976/77, o técnico croata, logo na época de chegada, não deixaria “os créditos em mãos alheias” e, num grupo de trabalho a contar com Ruud Krol, Frank Arnesen, Soren Lerby, entre outros, triunfaria na Liga dos Países Baixos. Já a época seguinte, apesar da luta pelos lugares cimeiros, não traria qualquer título ao conjunto de Amesterdão. Se por essa razão ou por outro motivo, a verdade é que Tomislac Ivic acabaria por voltar à Jugoslávia e ao Hajduk Split. No par de épocas subsequentes, mais uma vitória no Campeonato, outra chegada aos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus e uma nova oportunidade a emergir da Europa Ocidental.
Ao rubricar uma ligação com o Anderlecht em 1980/81, Tomislac Ivic daria início a uma etapa da carreira em que viria a destacar-se na conquista do Campeonato da Bélgica e na chegada, com a eliminação da Juventus pelo meio, às semi-finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1981/82. No entanto, apesar de bem cotado, os anos seguintes haveriam de trazer pouco “glamour” à sua carreira. O Galatasaray, como capítulo de entrada nesse período menos brilhante, anteceder-se-ia a uma curta e curiosa experiência no futebol português. Ao ser contratado pelo Benfica liderado por Fernando Martins, seria veiculada à altura a exigência do técnico em ser pago em dólares. Porém, ao ver as suas pretensões negadas pela direcção dos “Encarnados”, o treinador haveria de deixar o clube lisboeta sensivelmente duas semanas após a chegada à Luz e sem qualquer partida disputada.
Com idêntica discrição, viriam depois o Dinamo de Zagreb, o Avellino e o Panathinaikos. Finalmente, como que a recuperar um pouco o entusiasmo de tempos passados, surgiria uma nova passagem pelo Hajduk Split e a vitória na edição de 1986/87 da Taça da Jugoslávia. De seguida, o interesse do FC Porto nos seus serviços levá-lo-iam a voltar a Portugal. Com resultados bem diferentes da primeira passagem por terras lusas, o treinador conduziria os “Dragões” a vitórias históricas. Contudo, não só as conquistas da Supertaça da UEFA, da Taça Intercontinental e da “dobradinha” ficariam marcadas nessa experiência, ocorrida no espraiar de 1986/87, na “Cidade Invicta”. Como viria a recordar Fernando Gomes, também a sua abordagem ao futebol viria a causar grande furor – “Chegou como um treinador internacional, conceituado (…).Era um treinador já feito, com provas dadas, tinha estado em vários clubes europeus, tinha experiência. Era um verdadeiro homem do futebol (…). Muito profissional e sobre todos os jogos debruçava-se com um enorme estudo”*.
A ida para o PSG e depois para o Atlético de Madrid, onde, numa equipa que tinha como estrela maior Paulo Futre, venceria a Taça del Rey de 1990/91, antecederiam a conquista da Ligue 1 de 1991/92 ao serviço do Marseille de Carlos Mozer e de Papin. De seguida, nova passagem por Portugal, primeiro pelo Benfica de 1992/93 e pelo FC Porto do ano seguinte. Sem sucessos a sublinhar em ambas experiências, ficaria a história de quando, ainda ao serviço das “Águias”, tomaria a decisão de encurtar, em vários metros, a largura do campo, com o singelo objectivo de melhorar a pressão defensiva feita às equipas adversárias!
Ainda com um largo percurso pela Frente, Tomislav Ivic regressaria à Croácia para, em 1993/94 assumir o cargo de seleccionador nacional. Fenerbahçe, a equipa nacional dos Emirados Árabes Unidos, o Al Wasl, a selecção do Irão, mais uma vez o Hajduk Split, o Standard Liège, o Marseille e os sauditas do Al Ittiahd haveriam de completar uma longa caminhada que apenas conheceria o seu termo em 2003/04.
*retirado do artigo de Filipe Escobar de Lima, publicado a 25/06/2011, em https://www.publico.pt/




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