1758 - VIEGAS

Armelim Ferreira Viegas, nascido no concelho de Tondela, viajaria para Coimbra com o intuito de aí dar seguimento aos estudos liceais. Paralelamente, tendo como paixão o futebol, o jovem praticante encontraria na Académica o poiso ideal para alimentar o gosto pela prática da mencionada modalidade. Com o crescimento nas “escolas” da “Briosa” a revelá-lo como um exímio guarda-redes, o atleta conseguiria despertar a atenção dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, o seu nome seria incluído, pelo seleccionador David Sequerra, no elenco que viria a disputar a edição de 1961 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. No entanto, no certame organizado em território luso, o guardião, nas escolhas do treinador José Maria Pedroto, nunca passaria da 3ª opção para ocupar um lugar à baliza. Ainda assim, mesmo não tendo entrado em campo em qualquer desafio disputado pelos rapazes a envergar a “camisola das quinas”, a sua presença também contribuiria para a vitória de Portugal.
No que concerne ao seu percurso clubístico, as primeiras partidas oficiais do guardião na equipa principal da Académica de Coimbra surgiriam no decorrer de 1962/63. Curiosamente, na referida campanha, José Maria Pedroto, dessa feita como o responsável pelo arranque das suas actividades na 1ª divisão, voltaria a surgir como um nome importante na carreira do atleta. Porém, mesmo tendo em conta a relevância da estreia naquela que é a principal prova do calendário português de futebol, a verdade é que o guardião acabaria a quedar-se pela condição de suplente de Maló. Aliás, ainda demoraria algum tempo para que o guarda-redes conseguisse afirmar-se como uma das principais figuras dos “Estudantes”.  Bem! Não é completamente correcta esta minha afirmação, pois na época seguinte à aludida no começo deste parágrafo, numa temporada em que a escolha para ocupar a baliza acabaria dividida entre 3 jogadores (falta fazer referência a Américo), Viegas seria o que mais vezes apareceria como titular.
A época de 1966/67 voltaria a trazer um momento importante na senda competitiva de Viegas. Dessa feita, com a sua participação em duas das eliminatórias, seria na Taça de Portugal que o guardião viria a contribuir para outro episódio colectivo de alguma relevância histórica. Infelizmente, a final, à qual não seria chamado por Mário Wilson, não correria de feição para o seu lado e seria o Vitória Futebol Clube a arrecadar o almejado troféu. Ainda na apelidada “Prova Rainha”, por ocasião da edição de 1968/69 da competição, o guarda-redes voltaria a participar noutra caminhada a levar a “Briosa” até ao Estádio Nacional. No entanto, ao contrário da última referência feita, o jogador, escolhido por Francisco Andrade, marcaria presença no jogo decisivo. Ainda assim, numa partida marcada pelos protestos estudantis contra o governo ditatorial, a Académica de Coimbra não conseguiria superar o Benfica e sairia do Jamor, mais uma vez, como o conjunto derrotado.
Claro está que, no trajecto de Viegas, seria impossível esquecer as provas de índole continental. Ao coincidir a estreia do guarda-redes nestes contextos competitivos com a primeira aparição da Académica de Coimbra nos referidos cenários, o guardião seria um dos escolhidos, por Mário Wilson, para, na Taça das Cidades com Feira de 1968/69, pelejar a ronda inaugural frente aos gauleses do Olympique Lyon. Já em 1969/70 e na disputa das Taças dos Vencedores das Taças, o jogador entraria em campo nas duas mãos da eliminatória a opor a colectividade beirã ao Magdeburg e contribuiria, com as exibições frente aos germânicos, para uma inolvidável campanha a levar os “Estudantes” até aos quartos-de-final.
Seria igualmente na temporada de 1969/70 que guarda-redes, segundo as informações por mim encontradas, deixaria os campos de futebol para dar mais atenção aos estudos na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra. Ainda assim, essa não seria a última inscrição Viegas e na temporada de 1980/81, segundo o “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o antigo atleta de futebol “11” terá feito uma época no futsal (provavelmente futebol de salão) ao serviço da agremiação Os Barrigas.

1757 - ZEFERINO

Ponta-de-Lança com grande aptidão para o golo, Zeferino Paulo Borges Soares, mesmo sem apresentar uma estampa física espantosa, desde muito cedo, haveria de chamar a atenção para as suas enormes potencialidades. Praticante pertencente às “escolas” do FC Porto, também nas jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador conseguiria destacar-se pelas qualidades desportivas. Com o percurso com as cores lusas encetado nos sub-16, o atacante, num somatório de 46 internacionalizações e 34 remates certeiros, manter-se-ia, durante vários anos, nas cogitações dos diferentes seleccionadores. Tendo a primeira aparição acontecido a 3 de Novembro de 1993, essa partida frente a França, na qual seria orientado por Rui Caçador, serviria de arranque a uma caminhada que iria empurrar o atacante para inúmeros certames de grande monta. Nesse sentido, pelo meio da presença no Europeu sub-16 de 1994, no Mundial sub-17 de 1995 ou no Europeu sub-18 de 1996, o maior destaque emergiria da sua participação no Europeu sub-16 de 1995 e de uma final, onde, frente a Espanha, marcaria um dos golos da vitória por 2-0.
Com o merecido destaque conseguido com a “camisola das quinas”, Zeferino, ainda em idade de formação, começaria a ser cobiçado pelos “gigantes” da Europa. Desse modo, num processo algo conturbado, o avançado deixaria o FC Porto para, com apenas 16 anos de idade, passar a representar o Real Madrid. Incluído no plantel “B” de 1995/96 dos “Merengues”, o avançado ainda manteria a ligação contratual à agremiação da capital espanhola durante vários anos. No entanto, sem nunca ter tido a oportunidade de representar o conjunto principal dos “Madridistas”, o ponta-de-lança primeiro passaria por empréstimos ao Las Palmas de 1997/98, ao Badajoz de 1999/00, até ser, a meio da temporada de 2000/01, libertado de qualquer obrigação. A dispensa faria com que repensasse a sua carreira e o regresso a Portugal levá-lo-ia, lado a lado com Tinaia, seu parceiro na aventura pelo país vizinho, a rubricar uma união com o Alverca.
No emblema ribatejano, inicialmente treinado por Jesualdo Ferreira, Zeferino voltaria a dar a ideia de puder recuperar alguma da magia perdida em Espanha. Todavia, o avançado, apesar da utilidade demonstrada durante a ligação de 3 anos e meio ao Alverca, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares absolutos. Ainda assim, o referido período serviria para que o atleta viesse, não só a fazer a estreia, como a disputar 3 edições do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, surgiriam novas passagens pelo estrangeiro. Tais experiências encaminhá-lo-iam, na campanha de 2004/05, até ao Umm-Salal do Qatar. Após o Médio Oriente, o avançado tentaria a Major Soccer League, mas os treinos no DC United não correriam como o pretendido e o avançado-centro acabaria por não assinar qualquer contrato.
À desilusão vivida nos Estados Unidos da América, suceder-se-ia o regresso ao país de “Nuestros Hermanos” onde, no 4º escalão espanhol, passaria a representar o Logroñes. Por fim, numa errância que caracterizaria os derradeiros anos do seu trajecto competitivo, com uma sabática de um ano pelo meio, emergiria novamente o Umm-Salal. Já em 2008/09, viria uma hipotética e breve passagem pelo Chipre do Norte e pelo Cetinkaya TSK*, para, ainda na última época mencionada, viajar até Malta onde, com as cores do Hibernians, acabaria a sagrar-se campeão daquele país situado no meio do Mar Mediterrâneo.

*não consegui confirmar tal informação. 

1756 - JAIME

Natural de Fiães, Jaime Ferreira da Silva teria na colectividade da terra natal o primeiro emblema do percurso formativo. Já com 15 anos de idade seria conduzido, por um tio, até ao Campo da Constituição. Ficaria aprovado nos testes e a partir desse momento passaria a ser treinado por nomes deveras importantes no cenário das “escolas” portistas, como Artur Baeta, José Valle ou Reboredo. Já a temporada de 1959/60 representaria, na caminhada do extremo-direito, a chegada ao contexto sénior. Ainda durante essa campanha, cumprida praticamente ao serviço dos “reservas”, o atacante teria a oportunidade de fazer a estreia na equipa principal e chamado por Otto Vieira, o jovem jogador participaria numa partida agendada para a Taça de Portugal.
Depois de uma época algo discreta, a época de 1960/61 marcaria o acréscimo da sua assiduidade no primeiro conjunto dos “Azuis e Brancos”. Nesse sentido, seria também durante a referida temporada que o jogador faria a estreia no patamar máximo do Campeonato Nacional. No entanto, apesar da importância desses primeiros passos na prova de maior monta do calendário luso, seria a campanha de 1961/62 a consagrá-lo como um dos titulares do FC Porto. Daí em diante, o avançado, caracterizado pela velocidade e pelos bons centros para a área contrária, passaria a ser visto como um dos principais rostos na hora de nomear o “onze” e a titularidade no FC Porto abrir-lhe-ia as portas de outros contextos competitivos.
Com a sua reputação a crescer, seria no cenário internacional que Jaime também viria a destacar-se. A primeira dessas oportunidades surgiria com a selecção militar. De seguida, a 14 de Abril de 1963, viria a chamada aos “promessas”. A partida frente à Grécia, na qual jogaria ao lado de outros nomes seus companheiros no FC Porto, casos de Custódio Pinto e de Serafim, anteciparia a chamada à equipa “B”. Nesse trajecto, ainda emergiriam as algumas convocatórias ao conjunto principal, inclusive a sua entrada no rol de pré-convocados para o Mundial de 1966. Infelizmente para o jogador, a oportunidade para envergar a mais importante “camisola das quinas” nunca surgiria e o extremo-direito quedar-se-ia pelas 2 partidas feitas pelos agregados afectos à Federação Portuguesa de Futebol.
Apesar da importância das metas internacionais alcançadas pelo jogador, Jaime, pelo FC Porto também viveria momentos de inolvidável importância. Um deles surgira no âmbito da edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças, na qual participaria na primeira vitória de sempre dos “Dragões” no contexto continental. Para além do referido triunfo, 3-0 frente ao Olympique Lyon, talvez o momento de maior glória no trajecto competitivo do extremo-direito tenha brotado da Taça de Portugal de 1967/68. No derradeiro encontro da prova, disputado no Jamor, o atleta veria José Maria Pedroto a escolhê-lo para o alinhamento inicial e ao ajudar a selar a vantagem dos “Azuis e Brancos” por 2-1, sairia do Estádio Nacional como um dos conquistadores da “Prova Rainha”.
Curiosamente, essa partida frente ao Vitória Futebol Clube, mencionada no final do último parágrafo, constituiria uma das últimas aparições de Jaime com o listado portista. A razão para tal, prender-se-ia com uma grave lesão sofrida pelo jogador praticamente no começo da temporada de 1968/69, a qual faria com o jogador terminasse a carreira de forma precoce. Antes ainda, precisamente na 1ª jornada da referida época, o atacante participaria noutro momento histórico, sendo o primeiro jogador de campo a ser substituído numa partida oficial do FC Porto, entrando Lisboa para o seu lugar.

1755 - DJOINCEVIC

Numa caminhada feita a pulso, Cedomir Djoincevic (ou Doincevic), após chegar a sénior, ainda cumpriria alguns anos nas disputas dos patamares inferiores da antiga Jugoslávia. Nesse trilho, começaria pelo plantel de 1983/84 do Zarkovo, para, na temporada seguinte, vir a representar o Elektrobosna Jajce. Já do segundo escalão surgiria a oportunidade de, no decorrer da campanha de 1985/86, passar a envergar as insígnias do FK Crvenka. A presença na última colectividade mencionada dar-lhe-ia o traquejo e a visibilidade suficientes para que outros emblemas começassem a reparar no seu trabalho e a entrada nos primodivisionários do Rad Beograd aconteceria na época de 1987/88.
Na agremiação da capital, o jogador começaria a lutar por outras metas colectivas. Nesse sentido, em planteis que, ao longo dos anos, viriam a incluir nomes bem conhecidos do futebol europeu, casos de Miroslav Djukic, Vladimir Jugovic, Ljubinko Drulovic ou o “ex-setubalense” Vlada Stosic, o momento mais alto dessa sua passagem pelos “Gradevinari” coincidiria com a presença do clube nas provas de índole continental. Com o 4º lugar alcançado no final da temporada de 1988/89, época onde também participariam na Taça Intertoto, a dar direito à participação na Taça UEFA do ano seguinte, Djoincevic, arrolado por Ivan Brzic, entraria em campo na 1ª mão da ronda inicial, disputada frente ao Olympiacos. Porém, a segunda partida, sem o defesa-central no “onze”, não correria de feição para os jugoslavos e a derrota por 2-0, a somar à vitória caseira por 2-1, faria com que os apurados fossem os gregos.
Já com a temporada de 1990/91 em andamento, Djoincevic seria contratado pelo Salgueiros. No popular bairro de Paranhos, o jogador, numa altura em que a aposta no mercado do seu país era bem evidente, encontrar-se-ia com vários conterrâneos. Orientado por Zoran Filipovic e a partilhar o balneário com Nikolic, Dragan Djukic, Milovac ou Besic, a época de chegada ao Estádio Eng. Vidal Pinheiro dar-lhe-ia a oportunidade, não só de contribuir, como titular, para o histórico 5º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, como, já na campanha seguinte, de inscrever o seu nome na lista de atletas a participarem na estreia do emblema portuense nas pelejas continentais. Outra vez no contexto da Taça UEFA, o possante defesa-central entraria em campo apenas na 2ª partida frente ao Cannes. A derrota forasteira por 1-0 levaria a contenda para o prolongamento, em seguida para o desempate por grandes penalidades e na decisiva roleta, seria o emblema português a claudicar.
Apesar da idade com que haveria de chegar a Portugal, 29 anos, Djoincevic, com uma atitude deveras substantiva e uma experiência com competência suficiente para colmatar qualquer hipotética debilidade física, conseguiria manter-se como um elemento preponderante no pensar dos esquemas tácticos da equipa sediada na “Cidade Invicta”. As 4 temporadas em que jogaria pela equipa do Salgueiros, todas elas cumpridas no patamar maior do futebol luso, serviriam para que, na memória dos adeptos, viesse a cimentar-se a ideia de um praticante cumpridor dos seus deveres enquanto ocupante do sector mais recuado. A prova da importância granjeada pelo defesa-central verificar-se-ia pelos mais de 100 partidas oficiais que o jogador faria pelo colectivo nortenho. Ainda assim, a ligação às provas portuguesas findaria com o termo das contendas agendadas para 1993/94 e o atleta jugoslavo regressaria ao seu país.
De volta à zona de Belgrado, seria o Radnicki a apadrinhar, em 1994/95, a sua decisão de “pendurar as chuteiras”. Daí em diante, como um verdadeiro apaixonado pela modalidade, Djoincevic passaria a dedicar-se às funções de técnico. Como treinador principal tem feito carreira, principalmente, na Sérvia, mas também na Bósnia, Bulgária e Grécia. Entre vários emblemas, onde merecem destaque os diferentes regressos ao Rad, o grande feito nessas novas funções surgiria ao serviço do Zeleznik, emblema pelo qual, na temporada de 2004/05 e numa final frente ao Estrela Vermelha, venceria a Taça da Sérvia e Montenegro.

1754 - BOZINOVSKI

Nascido na antiga Jugoslávia, Vlado Bozinovski, ainda em idade adolescente e juntamente com a família, emigraria para a Austrália. No país de acolhimento continuaria a alimentar a paixão pelo futebol e seria no South Melbourne, mais precisamente na equipa satélite do Hellas-Hakoah, que o médio-defensivo, em 1982, daria os primeiros passos na caminhada competitiva. De seguida, depois de ter ajudado à conquista da edição de 1984 da National Soccer League, surgiria no seu caminho o plantel de 1985 do Footscray JUST. O crescimento verificado nesse último emblema levá-lo-ia a ser cogitado pelos responsáveis da Australian Soccer Federation para as suas equipas e o maior prémio saído dessa fase da sua carreira surgiria com a chamada do “trinco” aos Jogos Olímpicos de 1988.
Com a presença nas olimpíadas organizadas em Seul a contribuir para o acréscimo do seu valor, Bozinovski veria o Club Brugge a interessar-se na sua contratação. Contudo, a passagem do médio-defensivo pelas provas belgas de 1988/89 não surtiria o resultado esperado inicialmente. Tal contrariedade faria com que o jogador procurasse dar seguimento à carreira noutras paragens e a escolha recairia em Portugal. No Beira-Mar a partir da campanha de 1989/90, onde inicialmente seria orientado por Jean Thissen, a titularidade conquistada levaria o atleta destacar-se de tal maneira que, no ano seguinte à chegada a Aveiro, conseguiria transferir-se para o Sporting. Já em Alvalade, a forte concorrência de nomes como Douglas, Filipe ou Oceano faria com que Marinho Peres não atribuísse grande espaço ao internacional australiano. A mencionada falta de jogos faria com que o “trinco” regressasse ao Estádio Mário Duarte e de novo ao serviço dos “Auri-negros” voltaria a recupera o élan perdido com a partida para Lisboa.
O destaque ganho no decorrer da época de 1991/92, novamente a envergar a camisola do Beira-Mar, faria com que Bozinovski viesse a lançar-se numa nova aventura. Dessa feita a aposta viria de Inglaterra e do Ipswich Town. Porém, tal como em ocasiões anteriores, a passagem do médio-defensivo pela Premier League de 1992/93 ficaria aquém do projectado. Mais uma vez, a solução para a sua carreira emergiria de Portugal. Já integrado no plantel do Paços de Ferreira de 1993/94, o atleta voltaria a afirmar-se como um pilar. Ainda assim, as suas exibições, na difícil luta pela manutenção, não seriam suficientes para garantir a permanência da equipa sediada na “Capital do Móvel”. Seguir-se-iam, ainda com a camisola dos “Castores” a experiência na divisão de Honra e a transferência para um Felgueiras a estrear-se no convívio com os “grandes”.
Treinado por Jorge Jesus, Bozinovski entraria para a história do Felgueiras como um dos elementos do plantel que, pela primeira vez, disputaria o escalão máximo. Todavia, com o termo da temporada de 1995/96, repetir-se-ia a descida de divisão vivida também no Paços de Ferreira. Paralelamente, a época cumprida ao serviço do conjunto da sub-região do Tâmega e Sousa, determinaria o fim da sua passagem por Portugal. Nos anos seguintes, o jogador, que envergaria as divisas do Ankaragücü, Kirikkalespor, Tanjong Pagar, Home United e Balestier Khalsa, passaria a dividir a carreira, respectivamente, entre os desafios das competições turcas e as provas futebolísticas de Singapura.
Após “pendurar as chuteiras” ao serviço da última equipa mencionada no parágrafo anterior, clube onde chegaria a assumir as funções de treinador-jogador, o antigo médio ainda voltaria a ligar-se à modalidade e como agente de atletas seria responsável, a exemplo, pela chegada ao Vitória Sport Clube de 2014/15 do internacional costa-marfinense Adama Traoré.

1753 - TRINDADE

Leonel Fernando Fuzeta Trindade tinha apenas jogado pelo Comércio e Industria quando o Serviço Militar Obrigatório haveria de obrigá-lo à viagem até à Guiné-Bissau. Em África, nas jogatanas entre militares, continuaria a destacar-se pelas habilidades acima da média. Então, durante uma licença a trazê-lo de volta à cidade de Setúbal, o defesa-central, com o intuito de manter a forma física, acabaria por ser autorizado a treinar-se com um Vitória Futebol Clube, à altura orientado por José Maria Pedroto. De tal forma seriam positivas as suas prestações que, num acordo de cavalheiros, técnico e jogador combinariam que, no regresso definitivo à metrópole, este último haveria de juntar-se aos “Sadinos”. Porém, cumprida a comissão a levá-lo à Guerra Colonial e com mencionado treinador já distante do Estádio do Bonfim, a solução para finalmente agarrar uma carreira profissional surgiria de outro lado e a viagem para norte entregá-lo-ia a um novo emblema.
Ao estar previamente avisado para as suas qualidades, Aymoré Moreira, treinador campeão do mundo pelo Brasil, convidaria Trindade para treinar com o Boavista. Forte na compleição física e com um enorme poder de impulsão, o jogador, que já contava com 23 anos de idade, seria imediatamente integrado no plantel de 1973/74 do Boavista. Mesmo sem ter qualquer experiência no futebol de mais alto nível, a verdade é que a falta de traquejo competitivo na senda profissional não atrapalharia a integração do defesa-central. Depressa, mesmo no meio da concorrência de nomes como Mário João, Bernardo da Velha, Amândio ou Carolino, o atleta, apesar de não ter agarrado a titularidade logo de início, vira a impor o seu jogo, conseguiria cimentar um lugar no grupo de trabalho e ajudaria, desse modo, aos títulos conquistados pelas “Panteras”.
Seria já na 2ª temporada ao serviço dos “Axadrezados” que o defesa-central voltaria a encontrar-se com José Maria Pedroto. Com o apelidado “Zé do Boné” à frente do Boavista, logo nessa temporada de 1974/75, a equipa portuense chegaria à final da Taça de Portugal. Com a presença de Trindade no “onze” arrolado para defrontar o Benfica, as “Panteras” venceriam o almejado troféu. Na época seguinte, o clube e o atleta voltariam a repetir a participação na derradeira partida da “Prova Rainha” e o triunfo, dessa feita numa contenda agendada com o Vitória Sport Clube, mais uma vez recairia para o lado da colectividade a digladiar-se em casa no Bessa. Nessa senda de sucessos, há também a destacar a presença do jogador nas rondas correspondentes à Taça dos Vencedores das Taças, na Taça UEFA e nas pelejas que conduziriam a agremiação por si representada a lutar pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional. Tamanha preponderância levaria a que a surpresa fosse ainda maior na hora do atleta deixar a “Cidade Invicta”. Contudo, as saudades de casa sobrepor-se-iam à gratidão sentida pelo Boavista e Trindade, na época de 1978/79, apresentar-se-ia como reforço de outra agremiação.
Após 5 anos a representar o Boavista, o defesa-central daria entrada no plantel do FC Barreirense. Curiosamente, a sua inclusão no grupo de trabalho da associação sediada na Margem Sul, dar-lhe-ia a oportunidade, não pelas melhores razões, de participar noutro momento histórico. A referida época, durante a qual os timoneiros seriam Manuel de Oliveira e José Augusto, marcaria, até aos dias de hoje, a derradeira campanha do listado alvirrubro no patamar máximo do futebol português. Mesmo com a despromoção, o atleta decidiria manter-se fiel ao emblema. Após cumprir mais uma época no Estádio D. Manuel de Mello, o jogador, em 1980/81, regressaria ao Comércio e Indústria. Depois, ficando-se pelos escalões inferiores e já com o final da caminhada competitiva a aproximar-se, Trindade ainda viria a envergar as camisolas do UDR Pontes e, com o termo do trajecto enquanto futebolista a acontecer nesse clube, vestiria as cores do Águas de Moura.

1752 - PASSOS

Seria no Lusitânia de Machico, agremiação da sua terra natal, que Manuel Passos Fernandes viveria as primeiras experiências no futebol. Revelando, desde muito cedo, grande habilidade para os desafios apresentados pela modalidade, o jovem praticante depressa começaria a despertar a atenção de outras colectividades. Nesse sentido, do Funchal chegariam os primeiros convites para que mudasse de divisas. Escolheria o União da Madeira, onde entraria com a tenra idade de 15 anos. No entanto, sensivelmente um par de épocas após a chegada ao novo emblema, findada a temporada de 1938/39, o desejo de continuar a alimentar o sonho de uma carreira mais cimentada, levá-lo-ia a seguir a peugada do irmão mais velho, Vasco Fernandes. Partiria, então, na direcção da capital, onde rubricaria um contrato com o Unidos de Lisboa e, com referida colectividade associada às empresas da CUF, também aí encontraria um novo emprego.
Estrear-se-ia no emblema lisboeta na temporada de 1939/40. Contudo, com o sistema de apuramento para o Campeonato Nacional a depender dos resultados no “regional”, Passos apenas na época seguinte viria a participar na prova de maior monta do calendário luso. Essa campanha de 1940/41 seria deveras pródiga para o atleta. Por um lado, em termos individuais, as suas exibições, assentes numa atitude vincadamente aguerrida, começariam a pô-lo nas “bocas do mundo”. Paralelamente, as prestações da equipa por si representada, com a chegada às meias-finais da Taça de Portugal, contribuiriam para que a sua cotação igualmente subisse. Também a terceira época no Unidos de Lisboa, com idêntico desempenho na “Prova Rainha”, serviria para acentuar o seu valor. Então, numa altura em que chegaria a ser cogitado, por Cândido de Oliveira, para uma chamada à selecção nacional, a vida boémia do jogador sobrepor-se-ia às necessidades futebolísticas e uma tuberculose empurrá-lo-ia para um internamento no sanatório do Caramulo e para um longuíssimo período de restabelecimento.
Dado como irrecuperável para a prática desportiva, a vontade de Passos iria determinar um caminho oposto.Com José Maria Antunes, o médico que haveria de acompanhá-lo na doença, a aferir a sua cura. O interior, que mais tarde passaria a jogar a médio e principalmente a defesa-central, encetaria o caminho a levá-lo de novo ao futebol. Primeiro, viria a perda de 22kg! De seguida, os treinos no Operário Vilafranquense e, sem nunca ter jogado pelo emblema ribatejano, os testes prestados no Sporting. Nos “Leões”, diz-se que os responsáveis pelo clube, apesar de agradados com as suas qualidades, só viriam a aceitar o vínculo com o atleta depois deste prometer uma mudança radical no estilo de vida e também após assumir a rescisão do contrato caso voltasse a adoecer. As juras do jogador seriam cumpridas. Ainda assim, na temporada de 1947/48 não passaria das “reservas”. Na campanha seguinte, mais uma vez com Cândido de Oliveira na equação, estrear-se-ia no conjunto principal. Com Sándor Peics, em 1949/50, começaria a jogar com mais regularidade e com a chegada de Randolph Galloway em 1950/51, viria a assumir a titularidade.
A partir da última temporada referida no parágrafo anterior, Passos, de forma recorrente, passaria a ocupar um lugar no sector mais recuado do Sporting. Como membro habitual do “onze”, o jogador seria deveras importante para os sucessos dos “Verde e Brancos”. No que diz respeito aos títulos colectivos, ele que já tinha ajudado os “Leões” a vencer o Campeonato Nacional de 1948/49, o defesa tornar-se-ia num dos esteios daquele que viria a tornar-se no primeiro Tetracampeonato da história do futebol português. Em simultâneo surgiriam, na sua carreira, as internacionalizações. Inicialmente chamado à equipa “B” de Portugal, o atleta, depois dessa partida, disputada a 13 de Maio de 1951 frente à França, teria, a 23 de Novembro de 1952, a estreia pelo conjunto “A” luso. A chamada à peleja com a Áustria, feita por Cândido de Oliveira, encetaria uma longa caminhada e que levaria o defesa a somar 17 partidas feitas com a principal “camisola das quinas”.
Entretanto, cotado como uma das grandes figuras do futebol nacional, uma digressão pelo Brasil, em 1953, resultaria em vários convites para que o atleta ficasse do outro lado do Oceano Atlântico. Recusadas as propostas que chegariam aos 500 contos, uma enormidade para a altura, Passos regressaria ao Sporting. Como um símbolo do clube, as 9 temporadas com os “Leões” e mormente a integridade das suas exibições levá-lo-iam, por diversas vezes, a exibir a braçadeira de capitão. Nesse galgar de tempo, seria já com 35 anos de idade, mas a manter a preponderância de épocas anteriores, que viria a decidir-se pelo fim da carreira e a campanha de 1956/57 levá-lo-ia, em definitivo, a “pendurar as chuteiras”.

1751 - RAYMOND GOETHALS

Com a formação terminada ao serviço do Daring Club Bruxelles, Raymond Goethals teria também no emblema sediado na capital o primeiro capítulo enquanto sénior. Depois dessa campanha de 1940/41, parece ser consensual que o guarda-redes ter-se-á mantido no clube até ao termo da temporada de 1946/47. O pior é que, daí para a frente, não consegui confirmar, de forma fiel, o resto da sua carreira como futebolista. Por um lado, existem fontes a dar-nos a curta passagem de 1 época pelo Royal Racing Club Brussels, seguida da permanência, por 4 anos, no Hannutois e por fim os derradeiros 5 anos dessa caminhada competitiva com as cores do AS Renaisiènne. Já outras fontes garantem a ligação ao Royal Racing Club Brussels até 1951/52, antes do seu ingresso no KSK Ronse e o termo do trajecto como guarda.redes no plantel de 1956/57 do Hannutois.
No meio de tanta confusão, outra das coisas que parece ser transversal a diferentes fontes informativas, é que Raymond Goethals terá encetado a carreira de treinador com uma época no Hannutois e outra no Stade Waremmien, respectivamente em 1957/58 e em 1958/59. No entanto, o arranque modesto dessa sua nova faceta no futebol não impediria que o antigo atleta, com a entrada no plantel de 1959/60 do Sint-Truiden, não começasse a fabricar um dos seus grandes sucessos enquanto técnico. Aliás, seria o 2º lugar conquistado pelo aludido emblema, no termo do Campeonato de 1965/66, que haveria de convencer os responsáveis pela Royal Belgian FA a convidá-lo para adjunto. Na equipa nacional do seu país, começaria por adjuvar Constant Vanden Stock. Todavia, a partir de 1969, o cargo de seleccionador principal ficaria à sua responsabilidade e ao pegar nos “Diables Rouges” a meio da Fase de Qualificação, conseguiria apurar a Bélgica para o Mundial de 1970.
À frente da selecção até 1976, Raymond Goethals teria no Europeu de 1972, mormente no 3º lugar conquistado, talvez o maior feito enquanto timoneiro da Bélgica. Depois, a partir de 1976/77, viria o Anderlecht, com o já mencionado Constant Vanden Stock como presidente. Naquele que é um dos maiores emblemas do país, o treinador, em 3 temporadas, iria chegar aos grandes palcos europeus. Nesse sentido, muito mais do que sucessos internos, emergiriam os êxitos no plano continental. Tudo começaria, logo no ano da sua chegada, com o triunfo na Supertaça europeia, feito repetido em 1978/79. Para além disso, há também a arrolar o par de presenças na final da Taça dos Vencedores das Taças. Na primeira, na campanha coincidente com a sua contratação por parte da agremiação de Bruxelas, os “Les Mauve et Blanc” defrontariam e claudicariam perante o Hamburger. Já a segunda, em 1977/78, correria de forma bem distinta, com o conjunto por si orientado, onde também brilhava Franky Vercauteren, homem que viria a passar pelo comando técnico do Sporting, a bater o Austria Wien.
Seguir-se-ia a primeira experiência no estrangeiro e após a época de 1979/80 à frente do Bordeaux, viria a “escapadinha” até ao Brasil, onde, como “conselheiro” para o futebol do São Paulo, teria na relação pouco pacifica com o treinador Carlos Alberto Silva a principal fonte de notícias. De regresso à Europa, o Standard Liège, onde brilhava Michel Preud’Homme, devolvê-lo-ia aos sucessos. Como novidade no seu palmarés, viriam logo os 2 Campeonatos conquistados. Também como motivo de destaque surgiriam outras 2 vitórias, dessa feita na Supertaça da Bélgica. Por fim, os triunfos num par de edições da Taça Intertoto e mais uma presença na final da Taça dos Vencedores das Taças, concretamente na edição de 1981/82, onde, na derradeira partida da prova, sairia derrotado pelo FC Barcelona.
Seria também por essa altura que viveria uma das grandes polémicas da carreira. Com o emblema por si orientado inserido na Taça dos Vencedores das Taças, as vésperas da já referida final trariam um episódio descoberto anos mais tarde. Segundo veio a saber-se, Raymond Goethals acabaria envolvido num caso de corrupção, no qual os jogadores do Waterschei terão sido aliciados, numa partida a anteceder o embate frente ao FC Barcelona, a não magoarem os atletas do Standard Liège. Castigado e proibido de trabalhar na Bélgica, o técnico aceitaria o convite do Vitória Sport Clube e mudar-se-ia para Portugal. Em Guimarães na temporada de 1984/85, o treinador passaria a orientar um grupo de trabalho onde brilhavam nomes como Neno, Miguel, Laureta, Paquito, Costeado, Paulo Ricardo, Roldão, entre outros. Porém, apesar da qualidade do plantel, o treinador belga não iria além do 9º lugar no Campeonato Nacional e ao fim de uma campanha deixaria o Minho.
Cumprido um período mais discreto, durante o qual treinaria o Racing Jet de Bruxelles, o regresso ao Anderlecht dar-lhe-ia a vitória na Taça da Bélgica de 1988/89. Seguir-se-ia nova passagem pelo Bordeaux e a contratação pelo Olympique Marseille. No emblema do sul de França, Raymond Goethals voltariaos focos novamente para si. Logo em 1990/91, para além da vitória na Ligue 1, triunfo que repetiria nas 2 campanhas seguintes, o belga levaria o seu grupo à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Perdida a decisiva contenta frente ao Estrela Vermelha de Belgrado, a época de 1992/93, dessa feita na 1ª edição da recém-criada Champions League, traria ao técnico outra oportunidade para conquistar o almejado troféu. Na partida disputada em Munique, numa equipa com Abedi Pelé, Völler, Boksic, Deschamps, Angloma, Desailly, Sauzée e o ex-benfiquista Jean-Jacques Eydelie, um golo de Basile Boli, serviria para derrotar o AC Milan.
Para finalizar um longa carreira como treinador, Raymond Goethals, em 1995, ainda teria uma curta passagem pelo Anderlecht.

1750 - BAPTISTA

Carlos Baptista de Jesus seria descoberto no Paço de Arcos para, na temporada de 1939/40 ingressar na equipa principal do Carcavelinhos. Com o emblema lisboeta a militar na 1ª divisão, o jogador, mesmo sem experiência competitiva no escalão onde estava inserido, depressa conseguiria assegurar um lugar no “onze”. Defesa-central robusto e impetuoso, características que haveriam de valer-lhe a alcunha de “back da morte”, o jogador, daí em diante, manteria a preponderância no idealizar do alinhamento titular das diferentes equipas pensadas pelos responsáveis técnicos.
Mesmo com a fusão do Carcavelinhos com o União Lisboa, casamento que, na campanha de 1942/43, marcaria o arranque do Atlético Clube de Portugal nas provas futebolísticas lusas, o jogador, muito mais do que ser incluído na junção dos dois planteis, também viria a manter-se como um dos pilares da nova agremiação “alfacinha”. Na Tapadinha ajudaria aos grandes feitos do recém-criado clube na década da sua fundação e igualmente na seguinte. Nesse sentido, logo em 1943/44, participaria na estreia no novo emblema na 1ª divisão e no 3º posto da tabela classificativa com que a colectividade terminaria o Campeonato Nacional. No entanto, com a participação na prova de maior monta no calendário português ainda dependente das prestações nos respectivos “regionais”, os homens de Alcântara teriam uma curta sabática e o regresso ao convívio com os “grandes” dar-se-ia em 1945/46.
Mas não seria só no Campeonato Nacional, onde, em 1949/50, o Atlético viria a repetir o 3º lugar, que Baptista conseguiria enormes louvores. Esses destaques que, por diversas vezes o levariam à selecção de Lisboa, também seriam deveras úteis na progressão do colectivo por si representado, na Taça de Portugal. Na apelidada “Prova Rainha”, as duas edições merecedoras de maiores elogios acabariam por ser a de 1945/46 e a de 1948/49. Na primeira dessas campanhas, o emblema sediado no popular bairro “alfacinha” de Alcântara, teria de enfrentar, na final, o Sporting. Chamado ao alinhamento inicial por Cândido Tavares, o defesa-central, em pleno Estádio Nacional, veria o Sporting vencer o seu lado por 4-2. Já três anos depois, dessa feita chamado ao Jamor por Pedro Areso, o jogador teria no Benfica o carrasco dos seus intentos e mais uma vez veria partir o almejado troféu na direcção dos escaparates dados aos rivais.
Até à temporada de 1951/52, última época do defesa na equipa da Tapadinha, não mais o Atlético veria negada a sua participação na 1ª divisão. Tal registo faria com que Baptista, titular na maioria das ocasiões, viesse a registar números a empurrá-lo para o pódio dos jogadores com mais participações pelo clube no escalão máximo. Esse 3º lugar, somente atrás de Carlos Martinho e de Armando Carneiro, resultaria de um total de 157 rondas disputadas. Anos mais tarde, o atleta ainda voltaria a unir-se à colectividade lisboeta. Entretanto, numa altura em que passaria a assumir-se como treinador-jogador, seriam as divisas de Peniche, Águias de Vila Franca e Tramagal a preencher o seu percurso. Depois, como mencionado mais acima, surgiria o regresso a Alcântara e as experiências como técnico das “escolas”, onde orientaria Germano, e até mesmo as funções assumidas à frente do conjunto principal.

1749 - MAKUKULA

Descoberto no Association Sportive Vita Club, emblema sediado na capital Kinshasa, Jean-Baptiste Makukula Kuyangana deixaria o Zaire, actualmente designado por Republica Democrática do Congo, e teria no RFC Seraing o primeiro emblema na Europa. Depois dessa experiência na edição de 1985/86 da divisão máxima da Bélgica, onde ajudaria a referida colectividade na luta pela manutenção, seguir-se-ia a França, a curta passagem pelo modesto Le Touquet AC e a entrada no Amiens. Porém, com o possante avançado a manter-se pelos escalões inferiores do futebol gaulês, o convite de uma agremiação portuguesa fá-lo-ia regressar ao patamar maior de uma das ligas do “Velho Continente” e o ponta-de-lança, para a temporada de 1988/89, seria apresentado como reforço do Leixões.
Em Matosinhos, treinado inicialmente por António Morais, Makukula, apesar do desaire colectivo, apresentar-se-ia como uma das boas surpresas dos homens a actuar em casa no Estádio do Mar. Tal destaque, mesmo com a despromoção do Leixões ao escalão secundário, valer-lhe-ia a transferência para outro emblema com forte tradição nas provas lusas. Já em Setúbal, o jogador saberia igualmente conquistar a titularidade no grupo de trabalho do Vitória Futebol Clube. Num conjunto orientado por Manuel Fernandes e, com a saída deste, guiado por Conhé, o atleta integraria um sector ofensivo onde também estariam em destaque os internacionais Mladenov e Aparício. Apesar da forte concorrência por um lugar no “onze”, o avançado-centro, com bons índices exibicionais, conservar-se-ia como um dos grandes intérpretes daquela que é a prova de maior monta no calendário português. O estatuto mantê-lo-ia no ano seguinte e só na 3ª campanha ao serviço dos “Sadinos”, é que veria a sua valia a ser contestada por outros colegas.
Com um percurso internacional feito pela selecção do Zaire, ao longo do qual viria a cruzar-se com outros nomes bem conhecidos do futebol português, casos de Basaúla , Kipulu, N’Kongolo ou N’Dinga, Makukula, com a saída do Estádio do Bonfim, encontraria no Desportivo de Chaves a nova casa. Com a chegada a Trás-os-Montes a acontecer na campanha de 1992/93, o ponta-de-lança apanharia os “Flavienses” na disputa pela 1ª divisão. No entanto, tal como já tinha acontecido aquando da sua chegada a terras lusas, o jogador veria a sua equipa a falhar na luta pela permanência. Com a descida, a preferência dada pelo atleta recairia no convite endereçado pelo Lusitânia de Lourosa e o atacante, logo no ano de entrada na agremiação do distrito de Aveiro, faria parte do colectivo que conseguiria chegar às meias-finais da edição de 1993/94 da Taça de Portugal.
A contar com um segundo ano como atleta do Lusitânia de Lourosa, é correcto dizer que, posteriormente à época de 1994/95, não consegui encontrar mais nenhum registo a falar-nos da sua carreira. Curiosamente, Makukula, por essa altura, apenas contava com 29 anos, idade um pouco prematura para que pusesse um ponto final à sua caminhada enquanto futebolista. Se foi esse o caso, não poderei garanti-lo. Por outro lado, posso referir a leitura de alguns comentários feitos em fontes pouco fidedignas e a especularem sobre uma possível ida do atleta até às provas francesas. Qual a verdade? Volto a frisar que não sei. Ainda assim, espero por algum esclarecimento dos nossos leitores!