1725 - MITO

Apesar de ter nascido em Angola, Manuel Anselmo Lourenço Simões, popularizado no universo do futebol por Mito, viveria no distrito de Viseu a maior parte do seu percurso formativo. Nesse sentido, depois de dar os primeiros passos no Besteiros FC, onde chegaria também a integrar os trabalhos do conjunto sénior, seria como atleta das “escolas” do Académico de Viseu que, a 12 de Fevereiro de 1983, o jovem jogador acabaria por conseguir estrear-se com as cores de Portugal. Incluído nas contendas agendadas para os actualmente designados como sub-16, o médio-defensivo encontraria nessa partida frente à Finlândia, na qual seria orientado por José Augusto, o arranque de uma caminhada a levá-lo a diferentes escalões lusos. Nesse périplo, um dos grandes destaque viria da edição de 1984 do Europeu sub-18. Ainda assim, com participações em certames como o Torneio de Saint-Malo ou o Torneio de Toulon, as 27 internacionalizações alcançadas com a “camisola das quinas” tornar-se-iam num grande marco da sua caminhada desportiva.
Ao concluir a formação já com as cores do FC Porto, seria também com a camisola da colectividade sediada na “Cidade Invicta” que Mito, em definitivo, passaria a abraçar os desafios lançados ao cenário competitivo sénior. Nessa temporada de 1984/85, sob a alçada de Artur Jorge, a verdade é que o jovem praticante, tapado por colegas bem mais experientes, casos de André, Frasco ou Quim, não conquistaria um lugar no “onze” dos “Azuis e Brancos”. Mesmo tendo conseguido sagrar-se campeão nacional e de ter participado na final da Taça de Portugal, a sua falta de utilização levaria a que os responsáveis do emblema nortenho procurassem arranjar uma solução para o crescimento do médio-defensivo e a oportunidade para a necessária evolução emergiria da Académica de Coimbra.
A primeira passagem pela “Briosa”, na sua grande parte feita por empréstimo do FC Porto, daria a Mito o traquejo para conseguir afirmar-se como um elemento de indubitável cariz primodivisionário. Com a entrada no Calhabé a acontecer em 1985/86, o jogador logo viria a afirmar-se como um dos bons elementos do conjunto a trabalhar sob as ordens de Vítor Manuel. Titular daí em diante, o médio-defensivo em muito contribuiria para a manutenção dos “Estudantes” na 1ª divisão. Contudo, o final da época de 1987/88 viria a alterar esse cenário competitivo. Com descida de escalão, o atleta ainda continuaria a envergar as divisas da Académica de Coimbra. Porém, com a insistência do clube beirão em manter-se afastado dos principais palcos do futebol português, o jogador, na temporada de 1990/91, passaria a defender as cores de outra agremiação.
A sua chegada ao Beira-Mar em 1990/91, apanharia o clube de Aveiro a escrever uma das páginas mais relevantes da sua história. Com Vítor Urbano aos comandos da equipa, muito mais do que o 6º lugar alcançado no fim do Campeonato Nacional da 1ª divisão, a época ficaria igualmente marcada pela presença dos “Auri-negros” na final da Taça de Portugal. No Jamor, o atleta faria parte do rol de jogadores escolhidos, pelo treinador já referido neste parágrafo, para entrar de início frente ao FC Porto. Todavia, apesar do inolvidável momento, a verdade é que os homens a jogar em casa no Mário Duarte, não conseguiriam levar de vencido o desafio a opô-los aos “Dragões” e o almejado troféu, após uma derrota por 3-1, sairia do Estádio Nacional na posse do conjunto adversário.
Cumpridos 3 anos no Beira-Mar, sempre em cenário primodivisionário, Mito, que viria a perder algum peso na primeira equipa, tomaria a decisão de retornar à “Cidade dos Estudantes”. Novamente ao serviço da Académica de Coimbra, o regresso à “Briosa” afastaria o médio-defensivo das contendas disputadas entre os “grandes”. Por outro lado, o referido período serviria também para cimentar o jogador como uma figura história da colectividade. Ao abraçar a tão carismática figura do atleta-estudante, o centrocampista, durante esse intervalo de tempo, concluiria o Bacharelato em Contabilidade e Administração. Paralelamente ao sucesso escolar, o jogador seria também deveras importante no cimentar dos triunfos desportivos e a época de 1997/98, no fim da qual concluiria a carreira enquanto futebolista, seria passada de volta à 1ª divisão.

1724 - DÚ

Com a formação concluída com as cores do Sporting, Hidraldo José Carvalho Nogueira, conhecido no universo do futebol pela alcunha Dú, encontraria na concorrência de Vítor Damas, Vital e Rui Correia a principal razão para a falta de espaço no principal plantel dos “Leões”. Dispensado pela agremiação lisboeta, o jovem guardião teria no plantel de 1987/88 do Santa Clara a oportunidade para encetar, pelas mãos do “magriço” Jaime Graça, o percurso enquanto sénior. No entanto, a mudança para o arquipélago dos Açores levá-lo-ia a trilhar uma longa caminhada pelos escalões inferiores. Ao começar essa senda na zona sul da 2ª divisão, os anos seguintes, com constantes mudanças de emblema, fariam ainda com que envergasse as camisolas do Olhanense, Seixal e Caldas. Por fim, apresentado como reforço para a época de 1991/92, chegaria à sua carreira o Estoril Praia e a oportunidade de experimentar outro contexto competitivo.
Com os “Canarinhos”, na última época mencionada no parágrafo anterior, a militarem nas pelejas primodivisionárias, Dú conseguiria convencer Fernando Santos a entregar-lhe os deveres da titularidade. Aliás, o guarda-redes tornar-se-ia numa das principais figuras do Estoril Praia na luta pela manutenção. Porém, não obstante a preponderância conquistada na luta por um lugar à baliza, a verdade é que a temporada seguinte e principalmente a campanha de 1993/94 trariam um contexto competitivo bem diferente daquele vivido por si na época de chegada ao Estádio António Coimbra da Mota. Nesse sentido, a fraca presença no “onze” e também a descida de divisão levá-lo-iam, ao fim de 3 anos consecutivos nas contendas do escalão maior, a procurar um novo rumo para a carreira e seria na raia do Alto Alentejo que viria a encontrar um novo poiso.
Com as cores do Campomaiorense, Dú, muito mais do que regressar aos patamares secundários, voltaria ao ritmo errante verificado nos anos iniciais da sua carreira. Após representar os “Galgos”, onde em 1994/95 ajudaria à subida de divisão, o jogador escolheria prosseguir o seu trajecto com as cores do Feirense e a seguir ao serviço do Torres Novas. Subsequentemente surgiria o convite vindo da Índia e a passagem pelo Kanataka. Já de novo em Portugal, a temporada de 1998/99 empurrá-lo-ia, mais uma vez, na direcção de São Miguel. Aliás, a nova entrada no Santa Clara, onde, tal como no Alentejo, trabalharia sob o comando de Manuel Fernandes, viria a transformar a agremiação micaelense na mais representativa da sua carreira. Nos “Insulares”, o guarda-redes, logo no ano de entrada, ajudaria à promoção do clube ao escalão maior do futebol luso. Outra subida, à qual juntaria o título correspondente à conquista da 2ª Liga, ocorreria em 2000/01. No entanto, apesar da utilidade da sua presença no grupo de trabalho açoriano, a verdade é que o atleta nunca viria a emergir com um dos titulares e ao fim de 5 anos, em plena veterania, o guardião tomaria a decisão de trocar de divisas.
A chegada a Pina Manique em 2003/04 devolveria Dú a um dos emblemas responsáveis pela sua formação. No Casa Pia, com o final da carreira enquanto futebolista a aproximar-se, o guarda-redes ainda cumpriria um par de temporadas. Curiosamente, após uma longa sabática, a época de 2009/10 levá-lo-ia a calçar de novo as luvas e a referida época seria passada com as cores do Operário de Lagoa.

1723 - PERES

Nascido António Francisco Jesus Moreira, ficaria conhecido como Peres, por razão da alcunha vinda da família. Desde cedo começaria a destacar-se como um intérprete de técnica apurada, dono de um pé esquerdo magistral e com uma capacidade acima da média para ler o jogo. Tais características, muito mais do que levarem o jovem médio-centro, ainda em idade júnior, até à equipa principal do Candal, fariam com que emblemas de outra monta começassem a vê-lo como um hipotético reforço. Nessa caminhada a galgar alguns degraus, depois da estreia, na temporada de 1957/58, pela referida colectividade sediada nas cercanias de Vila Nova de Gaia, seria o Benfica que, na campanha seguinte, conseguiria convencer o atleta a mudar de insígnia e o centrocampista, após chegar a Lisboa, viria a ser integrado no conjunto de “reservas”.
A sua vida de “Águia” ao peito, com a forte concorrência dos jogadores que acabariam a tornar-se bicampeões europeus, não seria muito proveitosa no plano individual. Ainda assim, haveria de ser nesses anos em que o Benfica mais viria a brilhar além-fronteiras que Peres, pela mão de Béla Guttmann, também conseguiria estrear-se na 1ª divisão e na Taça de Portugal. Essas partidas, a contarem para a temporada de 1960/61, muito para além de darem ao médio o direito de adicionar ao currículo a vitória no Campeonato Nacional, lançá-lo-iam para uma carreira deveras resplandecente. Seguir-se-ia, por empréstimo dos “Encarnados”, a época no Atlético e após conquistar a titularidade no período cumprido na Tapadinha, o regresso ao Norte do país desenhar-lhe-ia o resto da caminhada enquanto futebolista.
Envolvido num negócio que levaria até à Luz Pedras e Augusto Silva e em sentido contrário um rol imenso de outros atletas, no qual estariam incluídos os históricos Mendes e Manuel Pinto, Peres chegaria ao Vitória Sport Clube na temporada de 1962/63. Logo na mencionada campanha, treinado por José Valle, o médio tornar-se-ia num dos esteios de um trajecto que teria na final da Taça de Portugal o seu ponto mais alto. No Jamor, arrolado pelo técnico argentino, o atleta, à imagem do resto da época, apareceria em campo como titular. Porém, frente ao Sporting, o seu desempenho seria insuficiente para evitar a derrota por 4-0 e o conjunto minhoto partiria em direcção à “Cidade Berço” sem o almejado troféu.
Tal como na temporada de estreia no Minho, Peres, até aos últimos dias da carreira, manter-se-ia como um dos nomes indiscutíveis no “onze” vimaranense. Com tamanha preponderância nos esquemas tácticos idealizados pelos diferentes treinadores, o médio rapidamente passaria a ser aferido como uma das caras mais estimadas pelos adeptos. Esse estatuto, cevado pela maneira incansável como cumpria as tarefas dentro de campo, levá-lo-ia, meritoriamente, aos anais do emblema minhoto. Ao chegar a capitão de equipa, a relevância que saberia manter no seio balneário conservá-lo-ia como fulcral para as metas alcançadas pelo colectivo. Tal contexto, cimentando-se o Vitória Sport Clube como uma das agremiações presente nas pelejas pelos lugares cimeiros das provas lusas, a chegada à final da Taça de Portugal de 1967/68 e o 3º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional do ano seguinte transformar-se-iam também em pináculos do trajecto competitivo do centrocampista.
Falta ainda fazer referência à estreia do Vitória Sport Clube nas provas de índole continental, com Peres, no âmbito da Taça das Cidades com Feira de 1969/70, a entrar em campo frente aos checoslovacos do Banik Ostrava e também na ronda a opor o emblema português ao Southampton. No entanto, num trajecto repleto de momentos indiscutivelmente importantes, o médio, até pela qualidade do seu jogo, careceria de uma caminhada internacional diferente daquela que haveria de conquistar. Nesse trecho, onde seria chamado aos trabalhos agendados pela Federação Portuguesa de Futebol algumas vezes, o melhor que conseguiria surgiria da sua participação na selecção militar. Por outro lado, as 9 temporadas ao serviço do emblema vimaranense, tal como frisado anteriormente, torná-lo-iam num verdadeiro símbolo. Do mesmo modo, o carinho por si sentido pela colectividade minhota ainda levariam o antigo médio, “penduradas as chuteiras”, a assumir alguns cargos directivos. Já como treinador, para além da passagem pelo Famalicão, também teria uma curta experiência nos “Conquistadores”, assumindo o cargo de técnico-principal, na época em que também findaria as suas actividades enquanto praticante, ou seja em 1970/71.

1722 - JESUALDO FERREIRA

Apesar de uma curta carreira enquanto praticante, mormente cumprida nas equipas de formação do Desportivo de Chaves e da Ovarense, Manuel Jesualdo Ferreira nunca perderia a paixão pelo futebol. Porém, nessa caminhada competitiva, o médio-ofensivo depressa tomaria a decisão de trocar as chuteiras pelos livros. Já em Lisboa, como aluno do ISEF, concluiria o curso em Educação Física e, ao aproveitar o convénio celebrado entre o referido estabelecimento de ensino e a Federação Portuguesa de Futebol, numa ideia onde também caberiam Peres Bandeira e José Moniz, desde cedo começaria a trabalhar com os jovens a envergarem a “camisola das quinas”.
Numa altura em que já tinha igualmente abraçado a carreira de docente no ISEF, onde viria a ser professor de Carlos Queiroz, o jovem treinador seria convidado por Gaspar Ramos para ficar à frente das “escolas” do Benfica. Depois, a fase seguinte da sua carreira apresentá-lo-ia aos desafios de orientar algumas equipas seniores. No entanto, mesmo com a excepção que viria a tornar-se a passagem pelo plantel de 1984/85 da Académica de Coimbra, as experiências à frente do Rio Maior, Torreense, Atlético e Silves não levariam o jovem treinador para além da 2ª divisão. Então, numa altura em que já contava com alguns anos de traquejo, surgiria o convite para regressar às “Águias”, para onde, na temporada de 1987/88, entraria como adjunto de Toni.
Seguir-se-ia, em 1990, a passagem à frente da selecção de Angola. Não muito tempo depois, na sua caminhada enquanto treinador, emergiria uma nova experiência primodivisionária, dessa feita com o Estrela da Amadora de 1990/91. Em paralelo ao tempo cumprido na Reboleira, surgiria também o convite endereçado por Artur Jorge, para que o coadjuvasse nos trabalhos da selecção portuguesa. Mais tarde, com a época de 1992/93 em andamento, reunir-se-ia mais uma vez a Toni no Benfica e, ainda como seu adjunto, após ano e meio na Luz, partiriam os dois em direcção a um Girondins de Bordeaux, onde, em 1994/95, brilhavam nomes como Lizarazu, Dugarry ou Zidane.
FAR Rabat e uma nova entrada nos quadros da Federação Portuguesa de Futebol, onde, entre 1996 e 2000, orientaria os sub-21, precederiam os anos que, em definitivo, viriam a consagrar Jesualdo Ferreira como um treinador de elite. Ao começar essa senda pelo plantel de 2000/01 do Alverca, a entrada num Benfica no rescaldo dos anos negros de João Vale e Azevedo, não teria grande proveito em termos de resultados colectivos. Já o grande salto na carreira dá-lo-ia, a partir de 2002/03, ao serviço do Sporting de Braga. Do Minho, onde começaria a habituar-se a lutar pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional, transitaria para o FC Porto. Com a entrada no Estádio do Dragão a acontecer na campanha de 2006/07, chegaria o tempo do experiente treinador começar a ver o currículo a ficar colorido por diversos títulos. Nesse contexto vitorioso, destacar-se-iam os triunfos em 2 Taças de Portugal, 1 Supertaça e, acima de tudo, o “tri” conquistado entre a sua chegada aos “Azuis e Brancos” e a época de 2008/09.
Com a despedida da “Cidade Invicta”, Jesualdo Ferreira encetaria um longo périplo, ainda que interrompido um par de vezes, por emblemas estrangeiros. Nesse trecho da sua caminhada pelo futebol, surgiria à cabeça a passagem pela edição de 2010/11 da La Liga e pelo Málaga. De seguida apareceriam o Panathinaikos, o regresso a Portugal para orientar o Sporting e o Sporting de Braga, as vitórias do Campeonato e da Taça do Egipto ao serviço do Zamalec e o Al-Sadd onde ganharia vários troféus nas provas do Qatar. Para terminar, as curtas passagens pelo Santos, pelo Boavista e mais um período à frente do já referido emblema egípcio.

1721 - SALVADOR

Formado no modesto Leverense, seria também na colectividade inscrita na Associação de Futebol do Porto que Salvador Moreira Silva, na temporada de 1956/57, faria a transição para a equipa principal da referida agremiação. Com os primeiros anos da carreira divididos entre os “regionais” e o 3º escalão, o defesa-central, que também conseguia posicionar-se mais adiantado no terreno de jogo, ainda assim haveria de chamar a atenção de emblemas de outra monta. Porém, nessa evolução, a verdade é que o reconhecimento do seu valor ainda demoraria um pouco a chegar e só cumpridas 7 campanhas seniores é que o jogador viria a dar o salto para outro patamar.
Apresentado como reforço do plantel de 1963/64 do Varzim, Salvador, naquele que é o patamar maior do futebol luso, gravaria o seu nome no rol de atletas participantes na estreia do emblema poveiro. Mesmo tendo em conta que tal facto, a emergir isolado, serviria para inscrevê-lo na história do clube, o defesa-central daria ainda aos cronistas muitas outras razões para o classificarem como um dos mais notáveis atletas a passar pelos “Lobos-do-mar”. Nesse sentido, depois da estreia sob a batuta do treinador Artur Quaresma, viria a cimentação da titularidade conquistada. Mesmo tendo em conta a sua falta de experiência no novo nível competitivo, o jogador, numa inolvidável linha defensiva composta igualmente por Quim, Fernando Ferreira, e Sidónio, depressa viria a consagrar-se como um dos esteios das ideias de jogo pensadas pelos diferentes técnicos a transitar pelo comando dos “Alvi-Negros”. Como membro, quase inquestionável, do “onze” varzinista, o atleta, ao longo de vários anos, acumularia um número espantoso de partidas disputadas pelo listado branco e preto e, no seio de tantas presenças nas fichas de jogo, alguns números viriam a destacar-se.
Das 11 épocas em que serviria o Varzim, 8 delas, consecutivas, seriam cumpridas na 1ª divisão. Durante o mencionado período passado no patamar máximo, a titularidade dar-lhe-ia ao currículo 198 pelejas entre os “grandes” do futebol luso. Tal número faria de Salvador, e ainda hoje faz, o intérprete com mais jogos efectuados pelo emblema poveiro, no patamar máximo português. Ainda assim, de dentro desse enorme feito, é também possível retirar outras proezas igualmente espantosas. Nesse contexto de façanhas, temos então as 166 jornadas disputadas de forma ininterrupta e o facto de em apenas 9 ocasiões ter estado ausente das contendas varzinistas.
Assumindo as 8 temporadas consecutivas no escalão máximo o papel mais relevante desse trecho da história do Varzim, o 6º lugar alcançado, sob a intendência técnica de Joaquim Meirim, tornaria a temporada de 1969/70 na mais emblemática desse nobre ciclo. Não é absurdo voltar a referir a importância de Salvador como um dos pilares do aludido período. Todavia, não seria só por isso que o atleta acabaria acarinhado como um enorme exemplo de dedicação. Aferido como um dos grandes nomes dos cenários primodivisionários, a descida de divisão, ocorrida no termo das provas agendadas para 1970/71, não faria com que o defesa-central procurasse dar outro destino à carreira. Convictamente apaixonado pelos “Lobos-do-mar”, o jogador permaneceria fiel à colectividade nascida no seio de pescadores e só deixaria de representar, dentro de campo, a agremiação nortenha aquando da sua decisão de, em 1973/74, “pendurar as chuteiras”.

1720 - ARTUR FONTE

Produto da formação do Sporting, seria ainda como membro das “escolas” leoninas que Artur Alberto Ferreira Fonte seria inicialmente chamado às contendas agendadas para as jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. No mencionado contexto competitivo, o lateral-esquerdo acabaria incluído no grupo que, a 22 de Março de 1977, entraria no Estádio Alfredo da Silva, para defrontar a Finlândia. Depois dessa partida, dos actualmente denominados por sub-18, durante a qual seria orientado por Peres Bandeira, ao jogador seriam ainda dadas muitas mais oportunidades para envergar a “camisola das quinas”. Por entre alguns jogos de preparação e a edição de 1977 do Torneio de Cannes, o defesa seria chamado às fases finais do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1978 e ao Mundial sub-20 de 1979. Tais convocatórias, também levariam o atleta, apesar de nunca ter entrado em campo, ao conjunto “olímpico” e entregar-lhe-iam, ao currículo, um total de 20 pelejas disputadas com as cores lusas.
No que concerne ao percurso clubístico, Artur Fonte, após deixar Alvalade, teria no plantel de 1978/79 do Vila Real os primeiros passos da caminhada sénior. Recebido em Trás-os-Montes pelo treinador Mário Nunes, os dois anos passados na disputa da 3ª divisão levá-lo-iam a ganhar traquejo suficiente para merecer a confiança dos responsáveis pelo Penafiel. Na colectividade duriense, muito para além da estreia no escalão maior, a temporada de 1980/81 revelaria o defesa-lateral como um dos titulares da equipa inicialmente orientada por Luís Miguel e de seguida por António Oliveira. Com a sua presença no “onze” a espraiar-se para a época seguinte, o jogador começaria a sublinhar-se como um intérprete de cariz primodivisionário. Porém, a descida de divisão da agremiação por si representada, levá-lo-ia a uma mudança de rumo. Já o ano cumprido com as cores do Vitória Futebol Clube, mesmo com a permanência entre os “grandes”, transformar-se-ia, no plano individual, num pequeno retrocesso evolucional e finda a campanha de 1982/83, passada na cidade de Setúbal, o atleta regressaria ao Norte do país.
A temporada de 1983/84, que representaria a sua segunda passagem pelo Penafiel, serviria de interlúdio para a chegada de Artur Fonte ao Belenenses. No Restelo, onde cumpriria 4 épocas consecutivas, o jogador teria no inglês Jimmy Melia o primeiro timoneiro. Sempre no escalão principal, a segunda campanha a representar os “Azuis” encaminharia o defesa até à final da Taça de Portugal. Chamado, por Henri Depireux, ao “onze”, o decisivo encontro da “Prova Rainha” não correria de feição para o lado do lateral canhoto e haveria de ser o Benfica a deixar o Jamor na posse do almejado troféu.
Já a campanha de 1987/88 traria outro momento de inolvidável importância para a carreira do jogador. Com a participação na Taça UEFA a dar-lhe a estreia nas competições de índole continental, o novo cenário competitivo faria com que fosse o FC Barcelona a calhar em sorte ao conjunto português. Arrolado por Marinho Peres ao embate ibérico, o defesa-lateral participaria em ambas as partidas frente aos “Blaugrana” e o atleta, apesar do afastamento dos homens da “Cruz de Cristo”, teria a honra de ver o seu nome associado à vitória do clube luso na 2ª mão da referida ronda.
Mesmo como um dos homens mais utilizados pelos diferentes técnicos do Belenenses, a temporada de 1988/89 apresentá-lo-ia como reforço do Penafiel. O regresso ao conjunto sediado no Estádio 25 de Abril encetaria um novo período de 4 campanhas sucessivas sempre na disputa do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tal período, muito mais do que transformar os “Durienses” no colectivo mais representativo da sua carreira enquanto praticante, permitiria inscrever no seu trajecto profissional um invejável somatório de 12 campanhas consecutivas a disputar àquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico português. Findo esse capítulo, o lateral-esquerdo ainda teria força para dar seguimento à sua caminhada competitiva e só depois de dividir a época de 1992/93 entre o Valpaços e o Atlético da Malveira é que tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Em jeito de conclusão, como curiosidade, relembro-vos que Artur Fonte é pai do campeão europeu José Fonte e do internacional português Rui Fonte.

1719 - CHICO FARIA

Saído da famosa fornada dos “Bebés do Mar”, onde também estariam incluídos nomes como o seu irmão Horácio, Fonseca, Praia, Neca, ou Montóia, Francisco Delfim Dias Faria, popularizado pelo diminutivo Chico ou, se preferirem, Chico Faria, teria na temporada de 1967/68 a estreia na equipa principal do Leixões. Logo nessa campanha, orientado por António Teixeira, o extremo-direito conseguiria, não só conquistar a confiança do referido treinador, como chamaria, com a titularidade alcançada no sector mais ofensivo da agremiação matosinhense, a atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído nos trabalhos agendados para os, actualmente designados, sub-18, o atacante teria na edição de 1968 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA o arranque da caminhada pelos diferentes escalões lusos. Chamado ao certame organizado na França, o avançado conseguiria no desafio frente à Escócia, disputado a 7 de Abril de 1968, dar o primeiro passo com a “camisola das quinas”. Com um golo marcado nessa partida, e mais 3 nas seguintes rondas, o jogador haveria de ajudar o seu conjunto a chegar à disputa pelo 3º lugar e deixaria o torneio na posse da medalha de bronze e com o título de Melhor Marcador.
No que diz respeito ao trajecto clubístico, a Chico Faria bastaria um ano a exibir-se na 1ª divisão para que, de outros lados, surgissem algumas solicitações para uma eventual mudança de emblema – “Tive convites dos outros dois "grandes" e da Académica, mas já tinha a inclinação para o Sporting e não me arrependo nada. Eu era leão...”*.
Com a chegada a Alvalade em 1968/69, o extremo-direito depressa viria a consagrar-se como um dos favoritos dos diferentes treinadores que, nessa campanha, haveriam de passar pelo comando técnico dos “Verde e Brancos”. A época seguinte, no que diz respeito à assiduidade com que apareceria em campo, seria mais intermitente. Porém, daí em diante, muito por razão de uma atitude incansável e de qualidades físicas e técnicas bem acima da média, o jogador passaria a colher, de forma quase unanime, a preferência no arrolar do alinhamento inicial. A importância que viria a revelar teria um enorme peso nas conquistas colectivas e o seu currículo, nas temporadas vindouras, ficaria colorido pelos triunfos em 2 Campeonatos Nacionais e 3 Taças de Portugal.
Também no plano internacional, a passagem de Chico Faria por Lisboa traria ao atleta grandes proveitos. Para além de diferentes chamadas aos escalões de formação, o atacante teria a oportunidade de, a 10 de Maio de 1972, fazer a estreia pelos “AA” de Portugal. Chamado à partida frente ao Chipre por José Augusto, o avançado também marcaria um golo nessa partida a contar para a Fase de Apuramento para o Mundial de 1974. Daí em diante, no escalão já referido neste parágrafo, o extremo-direito ainda acumularia outras 3 partidas e naquele que viria a ser o seu somatório de aparições nos diferentes patamares consagrados à “camisola das quinas”, o jogador conseguiria acumular um total de 19 jogos por Portugal.
Ao fim de 8 anos a representar os “Leões”, Chico Faria decidiria deixar Alvalade – "Não fui mandado embora do Sporting. Saí porque quis, num período conturbado, a seguir à revolução de 74. O ambiente em Lisboa não era o melhor. A minha mulher (de quem me vim a divorciar) era de Braga e fui aliciado pela família dela para aceitar um convite do Sp. Braga. Mas acho que vim prematuramente, porque o Sporting tudo fez para eu continuar lá."*. Nesse sentido, à chegada ao Minho, o avançado seria apresentado como reforço para a temporada de 1976/77. Nos “Guerreiros” manteria uma qualidade de jogo inabalável, voltando a ser incluído nos planos da selecção nacional. Essa meia dúzia de anos passados na “Cidade dos Arcebispos” continuariam a revelá-lo como um dos melhores intérpretes primodivisionários e o avançado, logo na campanha de chegada, contribuiria para dois momentos de grandiosa importância na história do clube. Num contexto inolvidável, depois de marcar presença no decisivo jogo da Taça de Portugal, perdida para o FC Porto, o atleta ainda participaria na vitória frente ao Estoril Praia e ajudaria, nessa final disputada em Coimbra, ao triunfo dos “Arsenalistas” na única edição da Taça da FPF.
Já com o final da carreira à vista, após participar, pelo Sporting de Braga, na final da Taça de Portugal de 1981/82, o extremo-direito encetaria um périplo que, em quatro anos, levá-lo-ia a representar 4 emblemas diferentes. Sempre nos escalões secundários, Penafiel, Marítimo, Lusitânia de Lourosa e Ponte da Barca preencheriam, pela ordem apresentada, uma caminhada que conheceria o fim com o termo das provas agendadas para a temporada de 1985/86. “Penduradas as chuteiras”, o antigo jogador passaria a dar mais atenção aos negócios pessoais. Ainda assim, não deixaria de vez o futebol e entre os cargos assumidos no Joane, no Limianos ou como adjunto de Manuel José no Sporting de Braga, Chico Faria alimentaria o “bichinho” pelo “jogo da bola”.

*retirado da entrevista publicada a 29/12/2000, em www.record.pt

1718 - CAMACHO

Luís Lourenço Oliveira Camacho, após concluir o percurso formativo no Marítimo, teria a primeira inscrição sénior, mantendo-se ao serviço dos “Leões do Almirante Reis”, na temporada de 1978/79. No entanto, só final da campanha seguinte, numa altura em que a colectividade funchalense era orientada por António Medeiros, é que conseguiria estrear-se na equipa principal. Tendo sido, até a essa altura, tapado por colegas com maior tarimba, casos de Eduardinho, Valter, Bernardino Pedroto, Fernando Martins ou Vítor Gomes, a solução para o crescimento sustentado do jovem centrocampista acabaria a levá-lo na direcção de outro clube e durante um ano, mais concretamente na época de 1980/81, o jogador cumpria as suas funções como futebolista com as cores do União da Madeira.
O regresso de Camacho aos “Verde-rubros” apanharia o clube no patamar secundário. Tendo ajudado à vitória dos madeirenses no referido degrau, o médio, na campanha seguinte, voltaria a enfrentar os desafios do escalão maior. Todavia, tanto em termos colectivos, como na aferição individual das suas exibições, a temporada de 1982/83 ficaria bem abaixo dos objectivos traçados pelos responsáveis do Marítimo. A descida de patamar, resultado do antepenúltimo lugar na tabela classificativa da 1ª divisão, levaria o jogador, no que diz respeito ao convívio com os “grandes”, a um hiato de um par de anos. Ainda assim, a ligação entre o médio e o clube, reconhecida a sua utilidade e paixão pelo emblema insular, manter-se-ia firme e o retorno aos palcos principais do futebol português dar-se-ia em 1985/86.
Numa carreira que, nos anos a envergar o listado do Marítimo, ficaria vincada pelas diversas subidas e descidas de escalão, a verdade é que Camacho, aquando das suas passagens pela 1ª divisão, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis da agremiação sediada na cidade do Funchal. Mesmo com uma utilização bastante positiva na última campanha mencionada no parágrafo anterior, o completo ocaso que viveria no decurso da temporada de 1986/87 empurrá-lo-ia para uma nova cedência e o União da Madeira, dessa feita o plantel de 1987/88, voltaria a acolhê-lo nas contendas do patamar secundário.
Depois de mais uma campanha fraca ao serviço do Marítimo, Camacho, com as 9 épocas passadas na equipa principal funchalense a abrilhantarem o seu currículo competitivo, teria no termo das provas agendadas para 1988/89 o fim da ligação aos “Verde-rubros”. Daí em diante, tendo já cumprido meia dúzia de temporadas na 1ª divisão, o médio, sem nunca deixar o arquipélago da Madeira, teria nas pelejas dos escalões inferiores o seu derradeiro plateau. Nesse contexto futebolístico, Portosantense, Câmara de Lobos, ACD São Vicente e Ribeira Brava transformar-se-iam nas divisas a colorir os capítulos de um trajecto que, com a decisão de “pendurar as chuteiras”, conheceria o fim em 1994/95.

1717 - LIBÂNIO

Produto das “escolas” da CUF, Libânio Gomes Avelar teria também no emblema do Barreiro a oportunidade de, no decorrer da temporada de 1948/49, subir às contendas dedicadas aos seniores. Com a colectividade “fabril” na disputa do escalão secundário, o jovem guarda-redes acabaria por demorar ainda alguns anos até ficar sob os principais holofotes do desporto português. Ainda assim, as boas exibições, conseguidas no decorrer desses primeiros anos de competição, fariam com que sua cotação rapidamente subisse e o guardião depressa passaria a ser vistos como um dos bons elementos a actuar entre os postes nacionais.
Antes ainda de conseguir sublinhar-se como um dos nomes mais admirados no cenário competitivo luso, Libânio, por razão do Serviço Militar Obrigatório, haveria de passar a temporada de 1950/51 a envergar as cores do SL Olivais. De regresso à CUF na campanha imediatamente a seguir à sua passagem pelo referido emblema de Lisboa, o guarda-redes continuaria, com boas prestações, a alimentar, de forma crescente, a sua cotação. Como um dos pilares da agremiação barreirense, o jogador acabaria por, na temporada de 1953/54, ser de extrema importância nos desempenhos colectivos e após ajudar à vitória no Campeonato Nacional da 2ª divisão, a época seguinte, orientado por Humberto Buchelli, transformar-se-ia no ano de estreia do guardião entre os “grandes”.
Titular em 1954/55 e dono de um lugar no “onze” também na campanha subsequente, Libânio, naquela que viria a tornar-se a sua terceira época primodivisionária, ver-se-ia, na luta pela titularidade, ultrapassado por José Maria. Possivelmente agastado com a situação, certo é que o guardião, em rota de colisão com o treinador magiar János Biri, acabaria por deixar a CUF. Ao manter-se no patamar máximo do futebol luso, o atleta, na campanha de 1957/58, seria apresentado como reforço do Vitória Futebol Clube. A verdade é que a mudança para o emblema da cidade de Setúbal, ao enfrentar a concorrência de Justino e de um jovem de nome Mourinho Félix, não haveria de trazer facilidades ao guarda-redes natural do Barreiro. Nesse sentido, a primeira época cumprida com os “Sadinos” ainda viria a trazer-lhe algum destaque. Porém, os anos seguintes não seriam tão proveitosos em termos individuais e o jogador ver-se-ia apartado do alinhamento inicial.
Seria após uma temporada nas pelejas da 2ª divisão que Libânio deixaria o Vitória Futebol Clube para dar o maior salto na carreira. Com o Sporting, consumada a saída de Octávio de Sá, à procura de alguém com traquejo suficiente para fazer concorrência a Carvalho, as escolhas dos responsáveis leoninos recairiam sobre a sua contratação. Com a chegada a Alvalade a acontecer na temporada de 1961/62, só no final dessa campanha é que o guarda-redes convenceria Juca a entregar-lhe a titularidade. Ainda assim, com a corrida pelo título a ser feita, taco a taco, pelo emblema “alfacinha” e pelo FC Porto, a sua presença entre os postes tornar-se-ia deveras relevante para o sucesso do colectivo. No referido contexto competitivo, o guardião, reconhecido pela tranquilidade, destreza e arrojo nas acções defensivas, tornar-se-ia de extrema importância e na derradeira jornada do Campeonato Nacional, ao contribuir para o triunfo caseiro frente ao Benfica, ajudaria a selar a conquista daquela que é a prova de maior monta no calendário luso.
O resto da sua caminhada de “leão” ao peito não traria, ao currículo pessoal, notas de maior destaque. Mesmo tendo como certa esta afirmação, é impossível de deixar de referir a sua presença no plantel do Sporting, aquando da vitória do clube português na edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças. Também não é menos verdade que, com o avançar dos anos, o jogador, igualmente atrás de Barroca, acabaria como a terceira escolha para os técnicos leoninos. Tal facto, após o termo das provas agendadas para 1964/65, empurrá-lo-ia para aventuras fora de Alvalade. Seguir-se-iam, na divisão secundária, o Atlético e o FC Barreirense. Já na 2ª época com o mencionado emblema da Margem Sul, o guardião regressaria ao escalão máximo para, na temporada de 1967/68, ter as últimas aparições no patamar maior. Depois viram as duas campanhas ao serviço do Seixal e o “pendurar das luvas” no final de 1969/70.

1716 - LÁZARO

Cumprido o percurso formativo na AD Oeiras, Lázaro Fonseca Costa Oliveira teria no emblema da Linha de Cascais a oportunidade de, no decorrer da temporada de 1986/87, chegar ao contexto sénior. Já os passos seguintes do médio levá-lo-iam primeiro até Cantanhede, onde integraria o plantel de 1987/88 d’ “Os Marialvas”, para, na campanha seguinte passar a envergar a camisola do Grupo Desportivo da Usseira. Porém, contrariamente ao que poderia ser projectado, essas passagens, respectivamente, pelo escalão secundário e pela 3ª divisão não tirariam visibilidade ao atleta e o jogador, para a campanha de 1989/90, acabaria apresentado como reforço de um dos emblemas com grande tradição no futebol português.
Mesmo com o Estoril Praia a disputar a Zona Sul da 2ª divisão, a chegada de Lázaro à Amoreira serviria de rampa para uma carreira bem mais estruturada. Nesse sentido, a temporada de 1991/92 acabaria por destapar o escalão máximo ao jogador. Porém, as escolhas de Fernando Santos para o alinhamento da equipa recairiam sobre outros atletas. Ainda assim, num plantel que, ao longo desses anos, teria no sector intermediário jogadores como Carlos Manuel, Bouderbala, Borreicho, Sánchez ou Marco Paulo, o seu trabalho continuaria a ser apreciado pelos responsáveis técnicos dos “Canarinhos”. A aferição feita ao médio mantê-lo-ia ligado ao clube durante 5 épocas consecutivas. Todavia, com o termo das provas agendadas para 1993/94, temporada em que os homens a envergar de amarelo também claudicariam na luta pela manutenção, o elo que vinha a ter com a colectividade a jogar em casa no Estádio António Coimbra da Mota quebrar-se-ia e o centrocampista, que nunca havia passado da condição de suplente, decidiria partir para outras aventuras.
O ano passado ao serviço do Louletano e o par de temporadas a defender as divisas do Penafiel constituiriam, na caminhada do médio, um interlúdio na sua experiência primodivisionária. Curiosamente, seria Fernando Santos a resgatar Lázaro desse hiato. Com o treinador à frente do Estrela da Amadora, o jogador seria um dos nomes escolhidos para reforçar o plantel de 1997/98 dos “Tricolores”. Contrariamente ao que tinha acontecido na sua experiência com o Estoril Praia, a sua preponderância no xadrez táctico da nova equipa seria completamente distinto. Em abono da verdade, a época de chegada do atleta à Reboleira não haveria de coincidir com a sua titularidade. Porém, mesmo com poucas aparições no “onze” inicial, o centrocampista começaria a merecer a atenção das pessoas ligadas a outros contextos competitivos.
 O destaque mencionado no final do parágrafo anterior surgiria da Federação Angolana de Futebol. Natural de Gabela, localidade situada na província do Quanza Sul, o médio, com a selecção do seu país apurada para a CAN de 1998, veria o seu nome adicionado pelo Professor Neca à comitiva a participar no mais importante torneio organizado pela CAF. Já no certame disputado no Burkina Faso, o jogador acabaria por entrar em campo nas 3 partidas disputadas pelos “Palancas Negros”, mas os dois empates e uma derrota não permitiram a passagem às eliminatórias.
No que diz respeito à sua caminhada clubística, Lázaro, ao permanecer 7 anos seguidos no Estádio José Gomes, 5 dos quais no convívio com os “grandes”, transformaria o Estrela da Amadora no emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista profissional. “Penduradas as chuteiras” no decorrer da temporada de 2003/04, o antigo médio manter-se-ia ligado à modalidade e transitaria, ainda na aludida época, para o papel de treinador-adjunto dos “Tricolores”. Já a mudança para técnico-principal ocorreria na época de 2009/10, ao serviço do Penafiel. Daí em diante, novas oportunidades surgiriam e o Portimonense, Atlético, Farense, a selecção de Macau e, nesta época de 2025/26, o Portimonense (clube), preencheriam o seu trajecto.