Cândido Coelho Tavares, aluno da Casa Pia de Lisboa, encontraria no emblema também baptizado com o nome da instituição já referida a agremiação a proporcionar-lhe o cumprimento do trajecto formativo no futebol. Paralelamente, com a licença internacional emitida em 1920, o guarda-redes transformar-se-ia igualmente num excelso praticante de esgrima. No entanto, apesar da aptidão para diversas modalidades, seria o “jogo da bola” a destacá-lo no universo português do desporto. Nesse sentido, o guardião, na temporada de 1930/31, teria nos “Gansos” o início das actividades sénior. Porém, esse arranque seria interrompido no ano seguinte e o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia até Évora.
Já no Alentejo, o jogador aproveitaria a sua incorporação para, a partir da temporada de 1931/32, passar a representar o Lusitano Ginásio Clube. Não contente com a sua integração na equipa de futebol, o multifacetado atleta acabaria também inscrito no basquetebol. Nos “Giraldos”, nas três campanhas como guarda-redes, ajudaria a duas vitórias no “regional” e continuaria, tal como ao serviço do Casa Pia, a participar no Campeonato de Portugal. Depois da aventura eborense, Cândido Tavares acabaria por regressar a Lisboa e de volta à baliza dos “Gansos”, numa época de 1934/35 modesta em termos colectivos, as suas exibições empurrá-lo-iam para uma nova transferência.
Contratado pelo Benfica como reforço para a temporada de 1935/36, Cândido Tavares, apesar da concorrência do internacional Augusto Amaro, conquistaria a preferência de Lipo Herckza e acabaria por ganhar, em grande parte das ocasiões, a titularidade à baliza. A preponderância revelada nos dois anos a representar os “Encarnados”, num grupo de trabalho a contar também com nomes como Gaspar Pinto, Gustavo Teixeira, Domingos Lopes, Albino, Luís Xavier, Valadas ou Vítor Silva, levá-lo-ia a transformar-se num dos ícones das vitórias nas edições de 1935/36 e de 1936/37 do Campeonato da Liga da Primeira Divisão. Ainda assim, apesar da relevância demonstrada no par de anos a jogar pelas “Águias”, o atleta acabaria por regressar ao Casa Pia e participaria, após ajudar ao apuramento na época anterior, na estreia dos “Gansos”, na campanha de 1938/39, no patamar máximo do futebol luso.
Já com o fim da carreira à vista, a época de 1939/40 seria marcada pelas novidades. Por um lado, a convite do Lusitano de Évora, Cândido Tavares assumiria as funções de treinador-jogador, para, como praticante, passar a exibir-se no meio-campo da equipa alentejana! Antes ainda de transitar, em definitivo, para as tarefas de técnico, seriam os açorianos do Clube União Sportiva, com o encerrar das provas agendas para 1941/42, a levá-lo a “pendurar as chuteiras”. De seguida, exclusivamente a partir do banco, viriam o Atlético, o Ginásio de Alcobaça, o SL Évora e finalmente o regresso ao Benfica.
De volta às “Águias” em 1951/52, Cândido Tavares começaria como adjunto de Ted Smith. Contudo, com a saída do treinador inglês a meio da campanha referida, o antigo atleta dos “Encarnados” assumiria o cargo de técnico-principal. Como “timoneiro”, encaminharia a sua equipa até à derradeira etapa da Taça de Portugal. Na final, disputada no Estádio Nacional, um “hat-trick” de Rogério de Carvalho e também os golo de José Águas e de Corona, levariam o Benfica à vitória, por 5-4, frente ao Sporting. Todavia, mesmo com o importante triunfo a colorir-lhe o palmarés, o seu trabalho no clube terminaria surpreendentemente e na época de 1952/53 seria apresentado no Vitória Sport Clube.
O par de épocas na colectividade sediada em Guimarães precederia outras experiências como treinador. Num percurso que registaria passagens por variados emblemas, Cândido Tavares ainda preencheria o percurso como técnico com as cores do Lusitano de Évora, do Torreense, como adjunto da selecção nacional, no Oriental, na CUF e à frente da selecção militar.


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