Ao chegar à “Cidade Invicta” para dar continuidade aos estudos, Francisco Gomes da Costa também passaria a alimentar a sua paixão pelo “jogo da bola”. Atleta voluntarioso e de fino recorte técnico, o avançado, com apenas 17 anos de idade, logo entraria para a categoria de honra do FC Porto. Porém, mesmo ao causar um grande impacto nessa temporada de 1936/37, durante a qual seria treinado pelo austríaco Franz Gutkas, a verdade é que a prática desportiva jamais viria a transformar-se na grande prioridade da sua vida. Essa importância haveria de oferecê-la ao trajecto académico e o atacante, por razão de frequentar a Licenciatura em Medicina e igualmente pela paixão aos “Azuis e Brancos”, acabaria por recusar convites bem mais sedutores.
Mesmo tendo como companheiro Pinga, o seu grande ídolo, e de conseguir, logo no ano de estreia pela equipa principal dos “Dragões”, adicionar ao palmarés pessoal a vitória no Campeonato de Portugal, Gomes da Costa nunca ficaria tentado a descurar os estudos. Nesse contexto de vida, a exigência que as obrigações académicas obrigavam, fariam com que não actuasse, na época de 1938/39, em qualquer partida oficial agendada para o FC Porto. Tamanha ausência obrigaria o avançado a ficar excluído da lista dos atletas vencedores do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Ainda assim, já de regresso às actividades futebolísticas, o atacante, a posicionar-se, no “onze” idealizado por Miguel Siska, como interior-esquerdo, ajudaria ao “bis”, selado na campanha de 1939/40, na prova de maior monta no calendário luso.
Apesar de nunca, pelas razões perfeitamente explicadas anteriormente, ter tido o destaque que as suas habilidades competitivas mereciam, Gomes da Costa continuaria a participar nas pelejas do FC Porto. Num total de uma dezena de campanhas a vestir o listado vertical dos “Azuis e Brancos”, durante a qual também ajudaria ao triunfo em 8 Campeonatos “regionais”, o atacante, como referido, até poderia ter mudado de camisola. Porém, nem o convite da Académica de Coimbra, nem o vantajoso desafio financeiro lançado pelo Benfica, convenceriam o jogador a trocar de ares.
Mesmo tendo em conta as aludidas recusas, o atleta até defenderia outra divisa. Pela selecção de Portugal, naquela que vira a transforma-se na única internacionalização da sua carreira, o futebolista seria convocado a competir com a “camisola das quinas”. Chamado por Tavares da Silva a uma partida frente a Espanha, essa peleja, disputada a 6 de Maio de 1945, levá-lo-ia a viajar até galego Estádio Riazor e apesar de integrado num grupo de trabalho onde também marcavam presença Peyroteo e mais um enorme rol de ilustres figuras, o resultado de 4-2 seria favorável à “La Roja”.
Depois de retirado das competições futebolísticas no final da campanha de 1946/47, Gomes da Costa eventualmente acabaria por regressar a Vila Pouca de Aguiar. Na terra natal, onde passaria a exercer a profissão de Médico Dentista, também começaria a envolver-se na política e em 1964 tomaria posse como Presidente da Câmara Municipal da mencionada localidade transmontana.









