Descoberto enquanto praticante das “escolas” do Recreio de Águeda, David Figueiredo Guerra Sucena chegaria ao FC Porto ainda para integrar os patamares de formação. Depois de ter ajudado a vencer o Campeonato Nacional de Juniores de 1963/64, o defesa-lateral, pela mão do brasileiro Otto Glória, teria na campanha seguinte a estreia no conjunto principal. Porém, mesmo vendo reconhecidas as suas qualidades futebolísticas, o jovem atleta ainda demoraria um par de anos até conseguir aparecer em campo, com alguma regularidade. A entrada de José Maria Pedroto para o comando técnico dos “Dragões” tomaria contornos de grande importância para tal mudança e seria a alteração do esquema táctico para quatro defesas a proporcionar ao jogador um maior número de oportunidades no “onze”.
Na primeira metade dos trabalhos agendados para 1967/68, com Sucena a assumir-se como o dono do lado direito da defesa portista, chegariam as chamadas aos conjuntos sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os “esperanças”, o jogador, ao lado de outros colegas nos “Azuis e Brancos”, casos de Malagueta e de Pavão, entraria no Estádio de Alvalade a 22 de Novembro de 1967, numa partida frente a Espanha. Seguindo-se a esse primeiro jogo com a “camisola das quinas”, o atleta ainda teria a oportunidade de, mais uma vez, representar os actualmente designados por sub-21. Novamente com “Nuestros Hermanos” como adversários, o jogador seria arrolado para a peleja organizada em Las Palmas e acabaria a somar um total de 2 internacionalizações com as cores lusas.
Seria também na temporada referida no encetar do parágrafo anterior, em concreto no fechar da mesma, que Sucena acrescentaria, ao palmarés pessoal, o único título nacional ganho ao serviço do FC Porto. Curiosamente, o defesa, titular em praticamente toda a campanha, ao ser preterido em nome de Bernardo da Velha e de Atraca, acabaria afastado do derradeiro encontro da Taça de Portugal. No entanto, mesmo ao não entrar em campo na final disputada, frente ao Vitória Futebol Clube, no Estádio Nacional, o lateral jogaria nas eliminatórias precedentes e teria o direito a figurar como um dos vencedores da edição de 1967/68 da “Prova Rainha”.
O afastamento da final da Taça de Portugal acabaria por não ser a única curiosidade relacionada com a sua carreira de futebolista. Outra dessas particularidades seria o fim da ligação com o FC Porto, numa altura em que era visto como uma das figuras mais notáveis dentro do plantel, para retornar ao Recreio de Águeda. O que tornaria essa decisão ainda mais bizarra seria o facto do clube, onde tinha feito parte da formação como atleta, estar somente a disputar as provas organizadas pela Associação de Futebol de Aveiro. Ainda assim, o regresso aos “Galos do Botaréu”, concretizado na temporada de 1970/71 e quando contava apenas 24 anos de idade, permitir-lhe-ia entrar na história do clube, com a vitória no “regional” de 1973/74 a dar à colectividade a primeira subida à 3ª divisão nacional.
Talvez desiludido com o futebol profissional, a verdade é que Sucena, aos 29 anos e concluída a época a suceder-se à mencionada promoção, daria como concluída a sua carreira de futebolista. Todavia, o antigo defesa, que sabia posicionar em ambas as laterais ou que também viria a ocupar posições no sector intermediário, não abandonaria de vez a modalidade. Anos mais tarde viria a ser reconhecido como um ilustre dirigente do Recreio de Águeda. Porém, o papel que, depois de “penduradas as chuteiras”, viria a representar com maior destaque seria o de treinador-adjunto de José Carlos, aquando da estreia dos aguedenses na 1ª divisão, na temporada de 1983/84.









