Mostrar mensagens com a etiqueta Rio Ave. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rio Ave. Mostrar todas as mensagens

1687 - ADÉRITO

Apesar de ter concluído o percurso formativo com as cores do Benfica, seria em Trás-os-Montes, de onde é natural, que Adérito Luís Gonçalves Pires daria os primeiros passos como sénior. No GD Bragança a partir da temporada de 1973/74, o médio, que chegaria a actuar como avançado-centro, começaria por disputar a 3ª divisão. Aliás, as épocas seguintes à da sua estreia pelos “Canarinhos” do nordeste português, incluindo uma pequena passagem pelo Vila Real de 1977/78, mantê-lo-iam nas contendas dos escalões inferiores do futebol português. Tal paradigma viria apenas a mudar passados 8 anos e sua transferência para outra colectividade levá-lo-ia a pôr os olhos noutros horizontes.
Com a mudança do GD Bragança para o Rio Ave em 1981/82, Adérito, nessa campanha de chegada a Vila do Conde, faria a estreia no patamar maior. Porém, o médio não ficaria contente apenas com esses primeiros passos dados entre “grandes”. Também na referida temporada, o jogador conseguiria assumir-se como um dos esteios do conjunto a trabalhar sob a alçada de Mourinho Félix. Tal preponderância nos esquemas tácticos idealizados pelo aludido técnico, levá-lo-ia a consagrar-se como um dos principais nomes do 5º lugar conquistado com o termo do Campeonato Nacional. Ao manter o estatuto nos anos vindouros, o centrocampista viria igualmente a ser chamado a outro momento de crucial importância na história dos “Rioavistas”. Com o emblema nortenho a caminhar valentemente na Taça de Portugal de 1983/84, a chegada ao derradeiro encontro da prova, levaria o atleta a ser chamado à peleja agendada para o Estádio Nacional. Titular no Jamor, o atleta veria a sua equipa claudicar perante a forte réplica dada pelo FC Porto e assistira, após a derrota por 4-1, à partida do almejado troféu na direcção da “Cidade Invicta”.
Por razão da boa campanha na “Prova Rainha”, mesmo tendo em conta o desaire ocorrido na final, a cotação do médio subiria. Esse acréscimo de valor levá-lo-ia a ser cobiçado por outras agremiações. Curiosamente, a transferência para o Marítimo de 1984/85 empurrá-lo-ia para a disputa da 2ª divisão. Ainda assim, esse pequeno retrocesso duraria pouco tempo. Com os “Verde-rubro”, logo na campanha seguinte, a regressarem ao degrau maior do futebol luso, o jogador manter-se-ia, nessa aventura funchalense, como um dos titulares de Mário Nunes e, com a saída deste, de António Oliveira. Porém, mesmo cimentado como um elemento de valor primodivisionário, Adérito, mais uma vez, tomaria uma decisão algo surpreendente para o seu trajecto competitivo e na temporada de 1986/87, descendo ao 2º escalão, acabaria apresentado como reforço do Nacional da Madeira.
O regresso do jogador à 1ª divisão dar-se-ia, na temporada de 1987/88, por convite d’ “O Elvas”. No emblema alentejano, onde voltaria a trabalhar sob a intendência de Mário Nunes, o médio-centro viveria a derradeira campanha entre os “grandes”. Depois de uma época ao serviço da colectividade raiana, e com a descida dos “Azuis e Ouro”, o jogador decidir-se-ia pelo regresso a um clube bem conhecido e ao fim de dois anos com as cores do GD Bragança, onde desempenharia as funções de treinador-jogador, Adérito, findas as provas de 1989/90, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Já retirado das lides de futebolista, Adérito abraçaria, em exclusivo, as tarefas de técnico. Nesse papel, teria algumas experiências nos escalões inferiores e chegaria a orientar emblemas como o Montalegre, o Oliveira do Hospital, o Mirandela ou o Marítimo da Graciosa.
Como curiosidade, refira-se o seu regresso à prática desportiva federada, dessa feita no futsal e com as cores do Graciosa FC de 2002/03.

1546 - MARTINS

Descoberto nas “escolas” do Lusitânia de Lourosa, seria já como elemento das camadas de formação do FC Porto que Joaquim dos Santos Martins seria chamado às jovens equipas a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos sub-16, o atleta seria convocado a disputar o Europeu da referida categoria, organizado em França. Arrolado ao “onze” inicial por José Augusto, o jogador entraria em campo frente à equipa da casa e a 25 de Maio de 1987, ao lado de nomes como Paulo Sousa, Pedro Barbosa, Folha, Paulo Madeira, Bilro, entre outros, conseguiria alcançar 1 internacionalização.
Sem espaço no plantel dos “Azuis e Brancos”, Martins estrear-se-ia como sénior com as cores do Vianense. Seguir-se-ia, após essa época de 1989/90 passada no Minho, a chegada ao Varzim, onde, entre a divisão de Honra e a 2ª divisão “B”, cumpriria 2 temporadas. Aliás, os primeiros anos da sua carreira, durante os quais ainda representaria o Maia e, num regresso à sua terra natal, o Lusitânia de Lourosa, seriam despendidos nas lutas dos escalões secundários. Finalmente, a oportunidade de conseguir encetar um caminho entre os “grandes” surgiria e a campanha de 1996/97, após a ajudar o Rio Ave a sagrar-se campeão da divisão de Honra, representaria os primeiros passos do jogador no patamar máximo do futebol português.
A entrada no emblema sediado em Vila do Conde daria início a uma ligação que viria a tornar-se, para o defesa, na mais representativa da sua carreira enquanto futebolista. Como titular, num conjunto inicialmente orientado por Henrique Calisto, o atleta rapidamente conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras do plantel. Paralelamente, mesmo com algumas lutas a estenderem-se praticamente até ao último minuto, os objectivos do colectivo iam sendo executados. Com a manutenção assegurada, o currículo primodivisionário do jogador começaria a crescer e Martins acumularia, no seu trajecto profissional, um total de 4 épocas consecutivas a disputar a 1ª divisão do Campeonato Nacional.
Seria de regresso às pelejas da divisão de Honra que o infortúnio bateria à porta do defesa. Uma gravíssima lesão na coluna impossibilitaria o jogador de continuar a dar os seus préstimos ao Rio Ave. Mesmo ao manter-se contratualmente ligado ao clube vilacondense, com a derradeira partida a ocorrer na época de 2000/01, o atleta, com apenas 29 anos de idade, não mais voltaria a entrar em campo. Passaria, algumas temporadas mais tarde, a abraçar as tarefas de treinador. Como técnico, num percurso feito pelos patamares secundários e pelos escalões de formação, Martins já conta com experiências ao serviço de agremiações como o Arrifanense, o Carregosense, o Cesarense e o Lusitânia de Lourosa.

1485 - NIQUINHA

Formado pelo Francana, agremiação do interior do Estado de São Paulo, seria na mesma colectividade que Édson Pereira de Barros, popularizado no mundo do futebol por Niquinha (ou Nikinha), chegaria, em 1990, ao escalão sénior. Alguns anos depois, o médio-centro, caracterizado pelo trato gentil dado à bola e pela maneira suave como conseguia desarmar os adversários, começaria a ser cobiçado por emblemas de outra monta e a mudança para o Náutico empurrá-lo-ia para a disputa das edições de 1993 e 1994 do principal patamar do “Brasileirão”.
Curiosamente, seria depois de um retrocesso na sua carreira profissional, à altura a representar o modesto Manchete, que de Portugal surgiria o convite a marcar uma enorme mudança na sua carreira enquanto futebolista profissional. No Rio Ave a partir da temporada de 1997/98, seria pela mão do treinador Carlos Brito que, Niquinha, na época da sua chegada a Vila do Conde, conseguiria estrear-se na 1ª divisão. Daí em diante, tirando algumas excepções, o médio, que, por vezes, chegou a actuar como lateral-direito, conseguiria afirmar-se como um dos esteios da “Caravela” e num dos grandes símbolos da história do emblema a disputar as pelejas caseiras no Estádio dos Arcos.
Mesmo com o Rio Ave a alternar períodos primodivisionários, com outros na disputa do escalão secundário, o jogador nunca deixaria o clube nortenho. Nessa senda de 12 temporadas consecutivas, 7 seriam cumpridas no escalão máximo e numa longa passagem pelo emblema vilacondense, o centrocampista viveria alguns momentos merecedores de destaque. Um deles seria a vitória na edição de 2002/03 do Campeonato da 2ª divisão, onde também marcariam presença atletas históricos como Bruno Mendes, Gama, Evandro ou Miguelito. Para além do título referido, emergiria também ao currículo do médio a boa campanha na Taça de Portugal de 1999/00, onde ajudaria a sua equipa a chegar às meias-finais. Claro que o somatório de tudo o que já foi dito também pode ser traduzido por outros números e os 343 jogos oficiais disputados com as cores do colectivo da “Caravela”, 141 dos quais no patamar maior do futebol luso, fazem de Niquinha um dos nomes incontornáveis nos anais do clube.
Já a envergar a braçadeira de capitão, a separação de Niquinha com o Rio Ave dar-se-ia com o termo da temporada de 2008/09. Seguir-se-ia, de volta à casa onde tinha cumprido a sua formação, o regresso ao Francana, onde partilharia o balneário com o irmão Marquinhos, também antigo colega na colectividade com sede em Vila do Conde. Seria igualmente no Francana que viria a “pendurar as chuteiras” e onde, em paralelo com a gestão da “escolinha” por si fundada, daria os primeiros passos como treinador. Nas tarefas de técnico, inicialmente como adjunto, o antigo médio teria a oportunidade de comandar o conjunto principal e seria chamado a tais funções no decorrer da campanha de 2015.

1449 - BALTEMAR BRITO

Com os primeiros anos como sénior passados ao serviço do Sport Recife, seria a transferência para o Santa Cruz que, na temporada de estreia pelo novo clube, levaria Baltemar Brito a juntar ao palmarés pessoal a conquista Da edição de 1973 do Campeonato Estadual de Pernambuco.
Apreciado como um defesa-central fisicamente possante e deveras intrépido, os desempenhos do jogador, após mais uma época ao serviço do Santa Cruz, levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas portugueses. No entanto, apesar de bem cotado, a verdade é que a temporada de 1974/75 e a chegada ao Vitória Sport Clube seriam bem diferentes das expectativas criadas inicialmente. Na cidade de Guimarães, numa equipa orientada por Mário Wilson, Baltemar Brito não conseguiria convencer o referido treinador a dar-lhe grandes oportunidades. Sem qualquer partida oficial disputada, seguir-se-iam os escalões secundários e o Paços de Ferreira. Porém, mesmo afastado dos principais escaparates, as 2 campanhas na “Capital do Móvel”, fariam emergir as qualidades do atleta que, com nova mudança de emblema, conseguiria a almejada estreia em desafios da 1ª divisão.
A passagem pelo plantel de 1977/78 do Feirense introduziria Baltemar Brito ao contexto competitivo daquela que é a prova de maior valor no calendário competitivo português. Contudo, para azar do jogador, os desempenhos colectivos dos “Fogaceiros” não permitiriam a sua consolidação no patamar maior do futebol luso. Tal cenário viria apenas a concretizar-se alguns anos depois e com um regresso, pelo meio, ao Paços de Ferreira. Já como elemento do grupo de trabalho do Rio Ave, após a entrada no emblema de Vila do Conde na campanha de 1980/81, a segunda temporada de “Caravela” ao peito levá-lo-ia a cimentar-se como um praticante de cariz primodivisionário. Nessa época de 1981/82, na alçada de Mourinho Félix, o atleta ajudaria os vilacondenses a superar os objectivos inicialmente traçados e a atingir a melhor posição de sempre no Campeonato Nacional, o 5º posto da tabela classificativa.
A suceder à temporada de 1982/83, passada ao serviço do Vitória Futebol Clube, o defesa-central regressaria a Vila do Conde e para participar em outro momento histórico para a agremiação nortenha. Ainda a trabalhar sob a batuta de Mourinho Félix, o Rio Ave encetaria uma brilhante caminhada na edição de 1983/84 da Taça de Portugal, a qual apenas terminaria no Estádio Nacional. Na derradeira ronda da apelidada “Prova Rainha”, Baltemar Brito, dando jus à sua importância para o colectivo, seria chamado à titularidade. Infelizmente para os “Rioavistas”, a sorte sorriria ao adversário e, com o “placard” final a assinalar 4-1, seria o FC Porto a sair do Jamor em posse do almejado troféu.
A escrever os últimos capítulos da carreira enquanto futebolista, Baltemar Brito, a partir da temporada de 1985/86, ainda envergaria a camisola do Varzim. Mesmo tendo em conta a veterania, a verdade é que o defesa, tal como até ali vinha a fazer, conseguiria manter-se como uma figura primordial no idealizar das manigâncias tácticas. Nos 3 anos a trabalhar com os “Lobos-do-mar”, o jogador manter-se-ia como um dos elementos a merecer maior destaque e concluiria a sua caminhada competitiva, no que ao trajecto feito em Portugal diz respeito, com um somatório de 8 campanhas cumpridas entre os “grandes”.
Depois de “penduradas as chuteiras”, Baltermar Brito passaria a dedicar-se às tarefas de treinador. Encetaria esse trajecto por colectividades de menor monta. Todavia, em 2001/02 receberia o convite que voltaria pô-lo nas “luzes da ribalta”. Como adjunto de José Mourinho, com quem chegou a partilhar o balneário nos tempos do Rio Ave, o antigo defesa trabalharia em equipas como a União de Leiria, o FC Porto e o Chelsea, tendo ajudado o “Special One” a vencer diversos troféus, como a Taça UEFA, a “Champions” ou a Premier League. Já ao assumir-se como técnico-principal, os maiores destaques iriam para as suas passagens por agremiações da Líbia, Emirados Árabes Unidos, Brasil, Luxemburgo ou como seleccionador do Zimbabué.

1347 - DUARTE

Chegaria ao plantel sénior na temporada de 1973/74 e numa altura em que o Rio Ave vogava pelo 3º escalão nacional. Durante os primeiros 4 anos da carreira, Duarte de Sá manter-se-ia na disputa do mesmo degrau competitivo. Porém, com a vitória do “emblema da caravela” no Campeonato do patamar supracitado, a época de 1976/77 marcaria um ponto de viragem na história da colectividade de Vila do Conde e, por conseguinte, na evolução desportiva do defesa.
Com mais uma subida no espaço de dois anos, Duarte faria parte do grupo de trabalho que, na campanha de 1979/80, contribuiria para a estreia do Rio Ave na 1ª divisão. Com o jogador, mesmo sem ser um dos titulares indiscutíveis, a conseguir um bom número de presenças em campo, as prestações colectivas dos vilacondenses seriam insuficientes para manter a equipa entre os “grandes”. Com o defesa-esquerdo, que também sabia posicionar-se a central, sempre a acompanhar o conjunto do listado verde e branco, o regresso ao patamar máximo dar-se-ia um ano após a despromoção e com o clube a caminhar em direcção àqueles que, à altura, viriam a tornar-se nos melhores anos da existência da agremiação.
O primeiro desses grandes feitos, com Mourinho Félix no comando técnico do Rio Ave, aconteceria logo na temporada de 1981/82. Ao marcar presença em todas as rondas do Campeonato, ele que era o capitão de equipa, Duarte transformar-se-ia numa das principais peças do 5º lugar alcançado, pelo colectivo vilacondense, no final da mais importante competição nacional. Já na campanha de 1983/84, novamente com o treinador ainda agora referido, o destaque surgiria na Taça de Portugal e com a chegada do clube ao derradeiro desafio da prova. Na final marcada para o Estádio do Jamor, com o defesa a apresentar-se como titular e a capitanear os seus colegas, os "rioavistas" não conseguiriam levar de vencido o adversário e acabariam por ver o FC Porto a erguer o tão almejado troféu.
Não só pelos factos contados, poderemos ter Duarte como um dos mais ilustres atletas a envergar a camisola do Rio Ave. Para além do já descrito, há também que somar a enorme fidelidade do jogador ao clube. Nesse sentido, não tendo o defesa vestido qualquer outra camisola durante a totalidade da carreira, os números conseguidos durante as 13 temporadas com a “caravela” ao peito, isto é, 155 jogos e 10 golos, também ajudariam a pôr o apelidado “Eterno Capitão” nas mais ilustres páginas dadas aos anais do clube.
Há também, para juntar a tudo o que aqui foi listado, os outros papeis desempenhados ao serviço do Rio Ave. Poderei começar pelas funções de técnico e com a primeira dessas experiências, algo curiosa para os dias de hoje, a emergir ainda na campanha de 1979/80. Com o despedimento de Ruben Garcia, de forma interina e ao lado de Soares e de Mário Reis, Duarte seria um dos atletas escolhidos para compor uma espécie de comissão técnica. Bem mais tarde, já depois de “penduradas as chuteiras” no final da campanha de 1985/86, o antigo defesa aceitaria o desafio de adjuvar o brasileiro Mário Juliatto. Para finalizar, há ainda a sua participação no Conselho Geral do Clube e, igualmente, a sua presença na Comissão de Honra, nomeada a propósito da comemoração dos 75 anos da colectividade.

1248 - SÉRGIO

Com a estreia como sénior a acontecer na temporada de 1978/79 ao serviço do Atlético Clube Marinhense, Luís Manuel David Sérgio ainda demoraria alguns anos para atingir o patamar maior do futebol português. Ao continuar na disputa da 2ª divisão, depois da campanha passada com o listado branco e negro dos “Vidreiros”, surgiria na sua curta carreira o Grupo de Desportivo de Bragança. No nordeste transmontano, longe dos principais holofotes do desporto luso, o defesa conseguiria destacar-se o suficiente para merecer a atenção de colectividades com objectivos mais ambiciosos.
O passo seguinte dá-lo-ia ao serviço do Rio Ave e com o emblema vilacondense a abrir-lhe as portas do escalão máximo. Com Mourinho Félix como o técnico responsável pela sua estreia na 1ª divisão, a temporada de 1981/82 correria de feição para o atleta. Ao granjear da preferência do aludido treinador, a falta de experiência ao mais alto nível não impediria Sérgio de conquistar um lugar no “onze”. Como um dos titulares na maioria das pelejas agendadas, destacando-se na direita do sector mais recuado, também seria dele a responsabilidade pelo honroso 5º lugar no Campeonato Nacional, que, a par da época 2017/18, ficaria registado como a melhor classificação de sempre do clube.
Na senda de episódios memoráveis, é impossível esquecer a campanha de 1983/84 e a excelsa prestação do emblema nortenho na Taça de Portugal. Depois de, nas eliminatórias precedentes, o Rio Ave afastar, a exemplo, o Vitória Sport Clube ou o Estoril Praia, calharia em sorte que, na final, tivessem de defrontar o FC Porto. Na partida agendada para o Estádio Nacional, Sérgio seria um dos escolhidos para integrar o alinhamento inicial. Infelizmente para si e para os seus colegas, o desenrolar dos 90 minutos da derradeira partida da apelidada “Prova Rainha”, traria a derrota para os de Vila de Conde e seriam os “Dragões”, após o apito final, a deixar o Jamor na posse do almejado troféu.
Ao manter-se, nas épocas seguintes, como elemento do plantel do Rio Ave, Sérgio passaria a ser visto como uma das grandes figuras do clube e, hoje em dia, é também tido como um dos históricos da colectividade. Claro está que nem só bons momentos ergueriam essa experiência com os “Rioavistas”. Nas 6 temporadas com a “caravela” ao peito, o lateral-direito acabaria também por provar o sabor amargo da descida. No entanto, a passagem pelo escalão secundário na temporada de 1985/86, rapidamente seria esquecida com a promoção alcançada no final da campanha. Para o defesa, a subida representaria o regresso ao convívio com os “grandes”, mas, por outro lado, revelaria a derradeira campanha passada com o emblema mais representativo da sua carreira de futebolista.
O verão de 1987 daria a Sérgio “Cafeteira”, alcunha cuja origem desconheço, outro rumo à caminhada profissional. Com o fim da ligação ao Rio Ave, o atleta com o registo da naturalidade a indicar-nos a vila de Sintra, tomaria a decisão de rubricar um vínculo contratual com a União de Leiria. Já numa fase descendente do percurso competitivo, as mudanças de emblema suceder-se-iam e o defesa, após passar a campanha de 1987/88 na “Cidade do Lis”, vestiria ainda a camisola do Beira-Mar, para, em 1990 e depois de representar o Feirense, dar por terminada a carreira.

1222 - PIRES


Atleta com facilidade em posicionar-se nos vários lugares da linha mais ofensiva, Manuel Pires haveria de emergir num dos emblemas da sua terra natal. No Grupo Desportivo “Os Nazarenos”, o avançado, depois de terminada a formação, seria promovido às competições seniores. Apesar das qualidades reveladas, a verdade é que demoraria alguns anos até conseguir atingir os patamares cimeiros das provas portuguesas. Após disputar o Campeonato da Associação de Futebol de Leiria e da breve passagem pela 3ª divisão nacional, seria o regresso aos “distritais” que, sem abandonar o clube, daria novo impulso à sua caminhada.
Já depois da transferência que o tornaria num elemento do plantel de 1978/79 do Ginásio de Alcobaça, Pires, de forma sistemática, começaria a subir degraus na carreira. Nesse sentido, a época imediata à da sua entrada no novo emblema, apresentar-lhe-ia o escalão secundário. Seguir-se-ia, sem deixar a 2ª divisão, a mudança para o Rio Ave. Com a chegada ao emblema de Vila do Conde, o jogador veria a sua vida competitiva transformar-se. Mesmo ao demorar algum tempo a afirmar-se no “onze”, a temporada de 1981/82, pela mão do treinador Mourinho Félix, apresentá-lo-ia ao patamar máximo do nosso futebol. A referida campanha, com o 5º posto na tabela de classificação, inscreveria o nome do avançado no rol de atletas a dar ao clube a melhor posição de sempre no Campeonato Nacional.
As campanhas seguintes, já com Pires alinhado como um dos titulares, trariam ao seu currículo outras ocasiões dignas de registo. A primeira, a 24 de Abril de 1983, chegaria na sequência dos trabalhos agendados pela Federação Portuguesa de Futebol. Integrado na selecção olímpica, o avançado, numa partida marcada para o Jamor, entraria em campo na peleja frente à República Federal Alemã. Ao sair do banco, o atacante daria um enorme contributo para a vitória frente à congénere germânica e, com um golo aos 79 minutos, ajudaria a inscrever no placard final o resultado de 3-1.
Seria também no Estádio Nacional que Pires viveria outros dos episódios mais marcantes da sua passagem pela colectividade vilacondense. Mais uma vez sobre a alçada do técnico Mourinho Félix, a chegada do Rio Ave ao derradeiro encontro da edição de 1983/84 da Taça de Portugal, registaria o momento no álbum de memórias do avançado, como inesquecível. Depois de ajudar a eliminar, entre outros emblemas, o Estoril Praia e o Vitória Sport Clube, o atacante seria chamado à titularidade na disputa da final. Infelizmente para si e para os seus colegas, a sorte do jogo sorriria ao adversário e, substituído aos 65 minutos, assistiria já do banco de suplentes ao último apito e ao FC Porto confirmado como o lado triunfador.
Com a evolução demonstrada no percurso percorrido, Pires começaria a ser cobiçado por outros emblemas. Com o Rio ave a não evitar a despromoção no final da temporada de 1984/85, o avançado prosseguiria a carreira no Boavista. A primeira grande novidade resultante da nova transferência, seria a participação nas competições europeias. Na campanha de estreia no Bessa, ao ser chamado por João Alves à disputa da Taça UEFA, entraria em campo frente aos belgas do Club Brugge.
O fim da ligação com os “Axadrezados”, acabaria por representar duas coisas para o atleta. Para começar seria a despedida da 1ª divisão. A segunda, já depois de uma passagem pela União de Leiria, representaria o regresso ao Ginásio de Alcobaça e, como fim de carreira, o retorno ao Grupo Desportivo “Os Nazarenos”. Já retirado das lides competitivas, Pires não ficaria afastado do desporto. Para além dos negócios na área da restauração, o antigo atleta é Presidente da Associação Recreativa do Planalto, colectividade em que sobressai a prática do Futsal.

1170 - HERMÓGENES

É impossível desassociar a vida desportiva de Hermógenes de uma boa e importante parte da história do Rio Ave. Ao ter entrado para as “escolas” do emblema vila-condense com 14 anos, a subida dos diferentes degraus formativos levariam o defesa a chegar ao conjunto principal, ainda a colectividade militava nas “distritais” da Associação de Futebol do Porto. Com a estreia pelos seniores a acontecer na primeira metade da década de 70, o jogador, ao tornar-se numa figura importante para o evoluir da equipa, acabaria por fixar-se no lado direito do sector mais recuado.
Acompanharia, num crescimento partilhado entre a sua pessoa e o colectivo, as subidas que, na temporada de 1976/77, levariam os rioavistas a conseguir arrecadar o título de campeão da 3ª divisão nacional. Numa senda vitoriosa, a ambição de clube e atletas, com o lateral a comportar-se como um exemplo de combatividade e paixão pelo listado vertical verde e branco, levá-los-ia a nova promoção. Ao partilhar o balneário com nomes como Alberto, Duarte, Samuel, Mário Reis, Quim, entre outros atletas que também acabariam por inscrever a sua identidade nos anais do clube, Hermógenes imortalizar-se-ia como um dos elementos que viria a participar na inédita subida do Rio Ave ao 1º escalão.
Curiosamente, a campanha de 1979/80, a tal da estreia do clube e do jogador no degrau maior do nosso futebol, terminaria, depois de mais de duas décadas de união, com a separação entre Hermógenes e o emblema de Vila do Conde. Seguir-se-iam na sua caminhada competitiva, sempre nos escalões secundários, União de Coimbra, Leça, AD Fafe e Bragança. Finalmente, já na época de 1985/86, dar-se-ia o regresso ao Rio Ave, para ajudar a nova subida ao patamar máximo e, igualmente, para pôr um ponto final na sua carreira enquanto futebolista.
O “pendurar das chuteiras” não significaria para Hermógenes o fim da sua relação com o futebol. Continuaria, ligado ao emblema da caravela, a labutar em prol dos sucessos colectivos. Cumpriria diferentes papéis, dentro dos quais trabalharia no departamento de “scouting”. Também passaria pela função de treinador-adjunto da equipa sénior e, como interino, chegaria a ocupar a posição de técnico-mor da equipa principal.

1046 - CABUMBA


Produto das "escolas" do Vitória de Setúbal, Cabumba acabaria promovido à equipa principal em meados da década de 70. Com Fernando Vaz a lançá-lo no patamar sénior, a verdade é que o extremo nunca conseguiria impor-se como um dos indiscutíveis do conjunto sadino. Durante 4 temporadas, sempre a disputar o patamar máximo do futebol nacional, as campanhas do atacante, sem que conseguisse fixar-se na titularidade, iriam variar entre a utilização regular e anos de um penoso ocaso. Talvez por essa razão, o final da época de 1981/82 ditaria a separação entre o jogador e o emblema onde havia cumprido grande parte da sua formação desportiva. O Rio Ave tornar-se-ia na solução para intermitência vivida nessa fase inicial da sua carreira e a mudança para o Norte do país concretizar-se-ia no Verão de 1982.
Já com "morada" no Estádio da Avenida, a regularidade com que passaria a ser chamado a jogo levá-lo-ia a cimentar-se como um atleta de cariz primodivisionário. Mourinho Félix, figura histórica setubalense, seria de fulcral importância na sua evolução. A confiança depositada pelo treinador no esquerdino, seria correspondida pelas boas exibições do avançado. Cabumba, à custa do trabalho apresentado em campo, conseguiria sublinhar-se como um dos principais pilares na estratégia da equipa vilacondense. Porém, outros factores, um misto deles, também contribuiriam para esse sucesso – “Nessa equipa reinava a simpatia, a vontade e o querer (…), nós dávamos tudo o que tínhamos e ainda íamos buscar mais o bocadinho que não tínhamos(…). Cada viagem que fazíamos era uma festa. Tínhamos o massagista, que acho que era o senhor Manel, e o motorista, que também era outra figura. Cada vez que parava nas viagens, para beber café, nós púnhamos uma toalha no espelho e o gajo passava-se dos carretos. Era uma figura engraçada”*.
O seu sucesso, e o do colectivo, segundo as palavras do próprio assentariam nesse viver de família. A união que o grupo mostraria durante as 3 temporadas de Cabumba em Vila do Conde, culminaria com um dos episódios mais importantes da carreira do avançado. Com Mourinho Félix de volta ao banco do Rio Ave, o clube atingiria a final da Taça de Portugal de 1983/84. Curiosamente, naquela que seria a temporada mais modesta do extremo com o emblema da caravela, o seu nome apareceria na ficha de jogo como um dos titulares. No Jamor, o desenrolar da partida tornar-se-ia desfavorável para si e para o conjunto rioavista. Tendo sido substituído ainda no decorrer da 1ª metade, o extremo veria o “placard” a avolumar-se e a aferir o FC Porto como vencedor do troféu.
O resto do seu percurso profissional passá-lo-ia já longe dos holofotes primodivisionários. A União de Leiria, o Farense e, por fim, o Mirense seriam os emblemas que acabariam por colorir o resto do seu currículo. Na colectividade sediada em Mira de Aire, já em 1993, Cabumba decidir-se-ia pelo fim da caminhada competitiva. Antes, tempo ainda para experimentar, como treinador-jogador, as tarefas de técnico.

*adaptado do artigo publicado em https://bancada.pt, a 23/08/2017

971 - N'HABOLA


Nasceria como Armando Fati. Porém, seria o seu “nome de guerra” que, nas tardes de Domingo, o elevaria à condição de estrela dos relatos radiofónicos. Ora, o exotismo emanado da sua alcunha acabaria por tornar-se na principal razão para que, todos aqueles que acompanharam as jornadas do Campeonato Nacional com o ouvido colado a pequenos transístores, ainda conservem no seu imaginário a memória das suas aparições. Ainda assim, é impossível dissociar o avançado das boas exibições. Nesse sentido, podemos também afirmar que N’Habola foi um dos bons goleadores da década de 80.
Apesar do sucesso que conseguiria alcançar, os anos iniciais da sua carreia profissional não seriam, de todo, fáceis. Saído das fileiras do Benfica, as primeiras temporadas como sénior vivê-las-ia nas “reservas”. Assolado por diversas lesões, esse arranque acabaria por não deixar o atleta patentear todo o potencial exibido durante o tempo passado nas “escolas” benfiquistas. Seguir-se-ia a Académica de Coimbra. Todavia, a campanha de 1973/74 pouco mais servira do que de passagem para outra experiência na 1ª divisão. No União de Tomar, mesmo sem conseguir conquistar um lugar como titular, N’Habola voltaria a mostrar algumas qualidades futebolísticas.
Com dificuldades em potenciar o seu valor, as épocas seguintes trajar-se-iam de alguma discrição e constantes mudanças. Diversos emblemas e a disputa da 2ª divisão acabariam por caracterizar grande parte desse período. Ainda assim, passaria por algumas excepções. Uma delas aconteceria aquando da sua mudança para o Académico de Viseu. No emblema da Beira Alta, tornar-se-ia numa das principais figuras da subida ao escalão máximo. Todavia, os golos concretizados durante essa caminhada não seriam suficientes para abrirem as portas do principal patamar português. Curiosamente, e ao invés de manter-se no plantel beirão, ao avançado transferir-se-ia para a União de Leiria.
A mudança para a “Cidade do Lis” mostrar-se-ia acertada. Sendo, mais uma vez, um dos principais intérpretes na promoção do clube, o início da temporada de 1981/82 devolveria o ponta-de-lança ao convívio dos “grandes”. Uma época vivida sobre esse regresso e o Rio Ave apareceria como o principal interessado no seu concurso. A transferência, acima de tudo, serviria para sublinhar aqueles que acabariam por ser os melhores anos da sua carreira. Com os de Vila do Conde, os golos que concretizaria transformá-lo-iam no melhor marcador do clube na 1ª divisão*. O atacante também estaria presente noutro dos capítulos históricos dos vilacondenses. A presença na final da Taça de Portugal de 1983/84 seria esse momento e apesar da derrota por 4-1 frente ao FC Porto, seria de N’Habola o tento de honra.
Pouco depois dessa passagem pelo Jamor, a ligação de N’Habola ao Rio Ave terminaria. Daí até ao final da sua caminhada profissional pouco restaria. Sporting de Espinho e Varzim colorariam essa derradeira etapa que, no final da temporada de 1985/86, chegaria ao fim.

*Marca entretanto ultrapassada pelo internacional João Tomás

863 - ARMANDO SÁ

Nascido em Moçambique, Armando Sá chegaria a Portugal ainda bastante novo. A sorte levá-lo-ia a frequentar um estabelecimento de ensino onde, como docente, trabalhava um dos treinadores das “escolas” do Belenenses. Reconhecendo-lhe o talento necessário para chegar a futebolista, o professor convida-o a treinar com os da “Cruz de Cristo”. No Restelo terminaria a sua formação. Contudo, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, a falta de espaço no plantel “Azul” leva-o a ser “emprestado”.
As temporadas no Vilafranquense, onde seria capitaneado por Rui Vitória, dariam início a uma jornada de alguns anos pelos escalões secundários. Depois do emblema ribatejano, a viagem para Norte e as passagens por Bragança e Vila Real, empurrá-lo-iam em direcção aos emblemas primodivisionários. No Rio Ave, onde entraria em 1998/99, destacar-se-ia como um atleta veloz e de uma entrega singular. Essas suas características fariam com que de outros lados o olhassem como um possível reforço. O convite, numa altura em que disputava a 2ª divisão, chegaria do Minho. Armando Sá, cotado como um dos bons laterais direitos do nosso campeonato, deixa então os vilacondenses para ingressar no Sporting de Braga.
O período passado na “Cidade dos Arcebispos” seria curto. Essa meia temporada, no entanto, seria suficiente para que desse novo salto na sua vida profissional. Incluído num “pacote” que abarcaria também o médio Tiago e o defesa Ricardo Rocha, o negócio levaria o lateral até ao Estádio da “Luz”. Tendo chegado em Janeiro de 2002, Armando Sá atravessaria um dos melhores períodos da sua carreira. Todavia, muito mais do que vencer a edição de 2003/04 da Taça de Portugal, o lateral direito, enquanto atleta das “Águias”, seria pela primeira vez chamado à selecção de Moçambique.
Novos títulos chegariam ao seu palmarés aquando da mudança para Espanha. No Villarreal venceria a Taça Intertoto de 2004/05. Já no Espanyol, para onde se transferiria na temporada a seguir à referida vitória, ajudaria a conquistar a Taça del Rey. Todavia, e apesar de conseguir enriquecer o currículo, a sua carreira começa a perder algum fulgor. Sem espaço no plantel dos catalães, Armando Sá, na época de 2006/07, é cedido ao Leeds United. Ainda assim, a solução encontrada acabaria por não ser satisfatória. Pouco utilizado no emblema de Yorkshire, a experiência no 2º escalão inglês pouco acrescentaria ao seu percurso.
Daí em diante as suas escolhas surpreenderiam muita gente. Após deixar o Reino Unido, o lateral opta por aceitar o convite do seu sogro, Augusto Inácio, e sob a orientação do treinador português assina por uma colectividade da 2ª divisão do Irão. A campanha feita no Foolad leva a que o Sepahan FC, um dos mais importantes emblemas do país, decida endereçar um convite ao internacional moçambicano. A transferência faria com que o defesa conseguisse, ao vencer a Liga iraniana de 2009/10, acrescentasse mais um título ao seu palmarés.
Após retirar-se dos relvados, Armando Sá decide orientar a sua vida em diferentes direcções. Investe no ramo imobiliário e abre também um ginásio. Por outro lado, e sem conseguir afastar-se da modalidade, inaugura uma escola de futebol. Contudo, e apesar desse último projecto não ter corrido como o desejado, a verdade é que a aposta numa carreira de técnico não terminaria por aí. Começa por frequentar cursos em Portugal e no estrangeiro, chega a orientar a selecção portuguesa de futsal para diabéticos e, dando seguimento ao convite de um antigo treinador da Academia do Ajax, aceita orientar a equipa s-16 dos canadianos Kleinburg Nobleton Soccer Club.

803 - NELO


Produto das escolas “axadrezadas”, Nelo, durante os primeiros anos como profissional, cumpriria o tão habitual périplo de empréstimos. Tendo, durante esse período, sido cedido a Felgueiras e, em por duas ocasiões diferentes, também ao Farense, a experiência ganha durante essas épocas iniciais permitiriam ao atleta conquistar o seu lugar no plantel do Boavista.
O seu regresso em definitivo aconteceria na temporada de 1990/91. À altura com 23 anos, o traquejo que já tinha, acrescido à chamada à selecção s-21, dar-lhe-ia a oportunidade de conseguir afirmar-se como um dos titulares. Preferencialmente pela esquerda, podendo actuar no meio-campo ou mais recuado, Nelo tornar-se-ia num dos homens mais importantes da manobra boavisteira. O seu sucesso seria de tal ordem que, poucos meses cumpridos após a sua reintegração no clube, da principal “equipa das quinas” receberia a primeira internacionalização. Nas Antas, numa partida frente à Holanda, o jogador passaria a fazer parte das contas do apuramento para o Euro 92. Todavia, e tendo participado noutras qualificações, ao atleta faltaria uma presença numa fase final de uma grande competição. Como que a compensar essa “falha”, destaque para a sua presença no Torneio Skydome de 1995, onde, na condição de “capitão”, ergueria o troféu organizado no Canadá.
Regressando ao Boavista, e numa altura em que o emblema sediado na cidade do Porto já estava a ser orientado por Manuel José, Nelo faria parte de um dos períodos áureos da história do clube. Batendo-se em todas as provas pelos lugares cimeiros, as “Panteras”, muito para além de afrontaram a hegemonia dos “3 grandes”, acabariam por vencer algumas competições. Tendo Nelo como um dos pilares dessas conquistas, o Boavista, sob a alçada do referido treinador, haveria de sair vitorioso numa Taça de Portugal (1991/92) e numa Supertaça (1992/93).
Claro está, também as competições europeias, resultado das boas classificações obtidas no Campeonato Nacional, fizeram parte do percurso de Nelo. Temporadas como a de 1993/94, na qual o Boavista conseguiria atingir os quartos-de-final da Taça UEFA, contribuiriam muito para exponenciar o seu valor. Neste sentido, nada teve de estranho o aparecimento de interessados na sua contratação. Quem acabaria por ganhar essa corrida, seria o Benfica. No entanto, a sua ida para a “Luz” acabaria por ser pouco positiva. Tendo a transferência ocorrido no início de uma fase conturbada para o clube lisboeta, a sua passagem pelas “Águias” não mostraria um jogador em posse de todas as suas capacidades. Provavelmente, e como o próprio viria a afirmar, alguns problemas familiares acabariam por prejudicar essa “aventura” – "Artur Jorge queria que continuássemos, mas a minha mulher não se adaptou a Lisboa, as minhas filhas choravam e a minha cabeça já não estava lá"*. No final, sobraria a experiência vivida na “Champions” de 1994/95, onde os “Encarnados” cairiam apenas aos pés do poderoso Milan.
O regresso ao Boavista acabaria por ficar marcado por dois acontecimentos de distinta importância. Primeiro, a vitória na Taça de Portugal de 1996/97. Já o segundo momento, logo a seguir à conquista da “Prova Rainha”, seria o fim da ligação com o clube. Com 30 anos de idade, ainda prosseguiria a sua actividade profissional na 1ª divisão. Contudo, e após esses 2 anos com o Rio Ave, o seu percurso conheceria uma realidade bem diferente da vivida até então e Nelo passaria a disputar os escalões inferiores do nosso futebol.
Tendo, durante essa derradeira fase do seu trajecto como futebolista, representado diversos emblemas, o jogador estenderia a sua carreira ainda durante vários anos. Com os 40 bem à vista, e ao serviço do Tirsense, Nelo decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. Desde a sua retirada dos relvados, o antigo internacional luso tem tido diversas experiências como treinador. Nessa nova caminhada, destaque para o seu trabalho no Boavista, onde é um dos responsáveis pelo trabalho com os craques das camadas jovens.

*retirado do artigo de Rui Frias, publicado em http://www.dn.pt, a 20/03/2016

745 - GASPAR

É a 6ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão que, na temporada de 1995/96, marca a estreia de Gaspar no nosso escalão máximo. Contudo, esse desafio frente ao Felgueiras, não era o primeiro do jogador como sénior. Antes de envergar as cores do Tirsense, já o defesa tinha representado o Trofense. Aliás, seria pelo emblema da Trofa que o jogador terminaria a sua formação.
A temporada ao serviço do Tirsense acabaria por, em termos colectivos, não correr como esperado. Mesmo tendo um plantel forte, onde os internacionais Caetano (Portugal), Daoudi (Marrocos) e Siasia (Nigéria) eram as estrelas da companhia, o clube acabaria por não evitar a descida de divisão. Apesar desse desaire, as boas exibições do central permitir-lhe-iam captar a atenção de outros emblemas. O Vitória de Setúbal decide-se então pela sua contratação, fazendo com que o atleta continuasse a exibir-se nos principais campos nacionais.
Nisto do seu percurso profissional, a 1ª divisão acabaria por ser uma quase constante. Ainda que, durante a sua carreira, tenha representado quase uma dezena e meia de clubes, a firmeza com que se apresentava em campo torná-lo-ia num jogador muito apreciado. Conhecido pelo seu físico possante, Gaspar valia-se desses atributos para vingar no futebol. Duro nas disputas de bola, inabalável nas marcações e com um grande poder de impulsão, o atleta ganharia a fama de agressivo.
Apesar de ter sido sempre apontado pelos excessos de ímpeto, a verdade é que seria essa sua faceta que o manteria ao mais alto nível. Foi isso mesmo que viram os responsáveis do FC Porto quando, para a temporada de 1997/98, o contrataram. Nos “Azuis e Brancos”, ainda que pouco utilizado, Gaspar conseguiria as mais importantes vitórias da sua carreira. Todavia, nem a conquista da “dobradinha” haveria de conseguir manter o defesa no plantel. Tapado por Jorge Costa, Aloísio, Lula e ainda por João Manuel Pinto, as oportunidades para Gaspar eram poucas. Ao fim de 1 ano nas Antas, durante o qual contribuiria para o inesquecível “Penta”, Gaspar é preterido por Fernando Santos e, inicialmente, cedido a outros clubes.
Num percurso que caracterizado pela sua errância, Gaspar, nos anos que se seguiram à sua saída do FC Porto, representaria os mais diversos emblemas. Leça, Alverca, Paços de Ferreira e Gil Vicente acabariam por preencher essa parte do seu caminho. Nisto, reflexo dos bons desempenhos, surge a oportunidade de experimentar outro campeonato. Na Liga francesa, para a temporada de 2004/05, o jogador iria reforçar o sector mais recuado do Ajaccio. Todavia, essa passagem por terras gaulesas acabaria por não surtir os resultados esperados e, um ano após a sua partida, o central estava de volta a Portugal.
Naquela que seria a última metade da sua carreira desportiva, e, a todos os níveis, a mais estável, Gaspar, vestiria as camisolas do Belenenses e Rio Ave. Na equipa de Vila do Conde, ainda que sem conseguir perder o estigma de agressivo, o atleta consolida-se como um dos bons praticantes em Portugal. Esse estatuto, para o qual a sua entrega muito contribuiu, acabaria por fazer dele um exemplo. A prova disso mesmo viria com a época de 2010/11, durante a qual passaria a envergar a braçadeira de capitão dos vilacondenses.
Já depois de, nos escalões inferiores, ter representado Sp.Covilhã e Varzim, eis que Gaspar tenta a sua sorte em Espanha. A curta passagem pelo modesto Repilado acabaria por tornar-se na sua derradeira aparição nos rectângulos de jogo. O que veio a seguir tornar-se-ia numa surpresa para todos. Mesmo tendo tirado o curso de treinadores, o antigo internacional s-21 decidiria afastar-se do futebol. Abraçaria uma nova profissão e hoje é técnico especializado no ramo da metalo-mecânica de precisão.

715 - GAMA

Nascer no seio de uma família de futebolistas, como que obriga um indivíduo a ter uma postura de dever perante a modalidade. Mas se a obrigação para com a geração dos pais e tios é uma realidade, a responsabilidade de ser o irmão e o primo mais velho, é ainda maior. Augusto Gama, com grande sobriedade e muito trabalho, conseguiu ser sempre um bom exemplo no futebol.
Já depois do pai, os irmãos Augusto, Rui, José, Bruno, e Feliciano e, ainda, o primo Jorge, dariam continuidade ao legado dos Gama. Augusto começaria a destacar-se nas camadas jovens do Sporting de Braga e, por altura da sua transição para os seniores, perdido o primeiro nome não se sabe bem onde, já se apresentava apenas como Gama. Encargo acrescido, o de carregar o apelido sem o escudo de um nome próprio. Contudo, o atacante não deixava atormentar-se por tal e, no decorrer da temporada de 1987/88, apresenta-se com a equipa principal bracarense.
Como é sabido, a chegada à categoria sénior é um momento delicado para qualquer praticante. Neste campo, e apesar do valor já demonstrado, reforçado até por algumas chamadas às selecções jovens, para Gama nada estava garantido. A prova disso mesmo viria nos anos seguintes, e os esforços feitos nas primeiras temporadas, as exibições conseguidas durante o empréstimo ao Fafe e a passagem pelo Arsenal de Braga (equipa satélite), seriam insuficientes para convencer os responsáveis bracarenses.
Pouco utilizado, é então que o jogador decide mudar de ares. Deixa o seu Minho natal e, sem se afastar muito, viaja até Vila do Conde. Para o Rio Ave entra na época de 1992/93. O clube estava então na Divisão de Honra, patamar ideal para o atleta cimentar o já aprendido. Esses anos passados no nosso patamar secundário, voltariam a mostrar aquilo que já se sabia do atleta. Veloz e tecnicista, tinha na garra e no crer as suas maiores armas. Pelas alas do ataque, Gama começava a ser conhecido pela maneira como conseguia vencer as defesas contrárias. No transporte de jogo, no último passe ou, até, em inspirados momentos de finalização, Gama, rapidamente, tornar-se-ia num dos favoritos da massa adepta.
15 anos como jogador, muitos dos quais embelezados pelo uso da braçadeira de capitão, fariam dele o atleta com mais partidas disputadas na história do clube. A dedicação que sempre pôs ao serviço do emblema vila-condense foi, e para sempre será, reconhecida como exemplar. Os agradecimentos, ainda enquanto atleta, foram uma constante. Um desses momentos, que reflecte o apreço conseguido, ser-nos-ia relato pelo próprio – “Num jantar de aniversário do clube, um sócio ofereceu-me o seu emblema de prata que tinha acabado de receber. Recusei, mas ele insistiu e acabei por aceitar”*.
Seria em 2006/07, com o Rio Ave no segundo escalão nacional, que Gama poria um ponto final na sua carreira de futebolista. Todavia, a sua paixão pela modalidade impedi-lo-ia de estar muito tempo afastado do jogo. Já com alguns anos de experiência no cargo, Gama é um dos adjuntos de Nuno Capucho, no Rio Ave de 2016/17.

 
*retirado de http://reisdoave.blogspot.co.uk/, publicado a 17/03/2011

428 - SANTANA

Não gosto que uma pessoa, por razão da sua ascendência, tenha um valor previamente adquirido. Igualmente, penso que cada individuo deve ser aferido exclusivamente pelo caminho que vai traçando e nunca em termos comparativos com o trajecto, por exemplo, dos seus pais. Contudo, é impossível não fazer esta referência e, por certo, a mesma é, para este antigo jogador, um motivo de enorme orgulho. É verdade, o Santana aqui hoje apresentado é filho de outro Santana, isto é, descente da antiga estrela benfiquista e bicampeão europeu pelo emblema lisboeta.
 Quase de forma natural, o seu começo como atleta far-se-ia de "águia" ao peito. Todavia, José Santana, ao contrário do pai, iria preferir a ponta contrária do campo para mostrar as suas habilidades. A jogar como defesa, o atleta nunca chegaria a vestir a camisola dos “Encarnados” na categoria principal. Como júnior deixaria a Luz para rumar ao Estoril Praia. Ainda na época da chegada aos “Canarinhos”, a 1978/79, o jogador faria a sua estreia entre os seniores sem, contudo, conseguir somar um número substancial de jogos. Já a campanha seguinte, depois da participação no Mundial sub-20 de 1979, revelaria um jovem praticante com capacidade suficiente para ocupar um lugar a titular e essa regularidade valer-lhe-ia, no defeso estival de 1980, a transferência para a Académica de Coimbra.
Nos 2 anos cumpridos na cidade da Beira Litoral, Santana acabaria por viver uma das grandes polémicas do futebol nacional. O episódio conta-se depressa. Num dos últimos jogos da edição de 1981/82 da 2ª divisão, a Académica, que tinha descido de escalão na época anterior, preparava-se para disputar, frente à AD Guarda, os pontos que poderiam garantir a sua promoção. Um golo haveria de ser marcado aos 78 minutos, mas um coro de protestos que, dizem, cercou o árbitro durante mais de 10 minutos, contribuiria para que o juiz anulasse o lance. Na sequência da referida confusão, os protestos da "Briosa" fariam com que o jogo tivesse repetição. Nessa segunda partida, num "ambiente de cortar à faca", a Académica acabaria mesmo por vencer. O pior é que a contenda seria posteriormente anulada e os "Estudantes" haveriam de permanecer no escalão secundário.
Seria pouco tempo depois do episódio relatado no parágrafo anterior que a transferência de Santana encaminhá-lo-ia até ao clube mais representativo da sua carreira. No Rio Ave, onde permaneceria por 6 temporadas, o defesa disputaria largas dezenas de partidas. Tais números transformá-lo-iam num dos nomes inesquecíveis do emblema vilacondense. Porém, outro feito ficaria para história e a campanha que levaria o emblema da caravela à final da Taça de Portugal de 1983/84, mesmo com o jogador a não entrar em campo na final disputada no Estádio Nacional, ficaria registado como uma das grandes memórias do atleta.
Depois do Rio Ave, de onde sairia em 1988, o defesa haveria de vogar por emblemas das divisões secundárias. Um ano no Paredes e outro com as cores do Olhanense precederiam o seu ingresso no plantel de 1990/91 do Amora. No emblema da Margem Sul, o jogador cumpriria as últimas 3 campanhas da sua caminhada competitiva e o termo da temporada de 1992/93 haveria de trazer o fim da sua carreira.

337 - JAIME GRAÇA

Nascido como Jaime Pinto, onde terá o jogador ido buscar o apelido "Graça"? Talvez ao antigo craque benfiquista com o mesmo nome! Porque não?! A verdade é que esta ideia não passa de uma dedução que de lógica pode ter pouco! Talvez seja melhor dizer que não tem congruência alguma, pois não tenho qualquer indício em que consiga apoiar tal afirmação.
Facto é que Jaime Graça, natural da Guiné-Bissau, veio para Portugal, corria a temporada de 1979/80, com 20 anos de idade. Começaria por representar o modesto Estarreja para, logo na época seguinte, ser chamado a vestir a camisola do clube onde mais haveria de notabilizar-se, o Rio Ave. É certo que a estreia pelo emblema de Vila do Conde, pouco acrescentaria à sua carreira. O destaque de “Caravela” ao peito, os anos que fariam do extremo-direito uma das figuras do Campeonato Nacional e, principalmente, uma das inolvidáveis estrelas do clube, aconteceriam alguns anos depois.
Na evolução da sua carreira desportiva, após as passagens por Tirsense, União de Coimbra e, já na 1ª Divisão, pelo Boavista, o avançado, na temporada de 1985/86, regressaria ao conjunto a jogar em casa no Estádio dos Arcos. Dessa feita a sua velocidade iria oferecer ao ataque do Rio Ave uma dinâmica espantosa. Para além da reconhecida rapidez, os golos que concretizaria, 8 em 1986/87 e 7 em 1987/88, serviriam, em muito, os intuitos do clube vilacondense. Por esse motivo ficará para sempre ligado à colectividade. Conseguir-se-ia arranjar outras razões para justificar a sua importância na história rioavista. No entanto, muito para além do que sobre isto possa dizer-se, o cimentar da relação atleta/colectividade viria também a fazer-se pelo facto de aí ter crescido, como atleta, um dos seus filhos. Falo do promissor, e igualmente rápido, Yazalde.

91 - TÓ ZÉ

Com passagem pela formação do Sport Lisboa e Olivais, o jovem futebolista tem a sua estreia como sénior já no Atlético. Após a descida do clube e de 2 temporadas na 2ª divisão, o aguerrido defesa-central decide aceitar o convite do seu antigo treinador no emblema de Alcântara. Sob a alçada do técnico Carlos Silva, e para abraçar um projecto de subida, vai para o Algarve no Verão de 1979 e assina um contrato com o Farense. Contudo, o plano do emblema “algarvio” acaba por sair gorado e a promoção não acontece. Ainda assim, as suas boas prestações chamam a atenção de um dos históricos do futebol português. Tó Zé regressa a Lisboa e, dessa feita, para vestir a camisola azul do Belenenses.
O primeiro ano com o emblema da "Cruz de Cristo", com Tó Zé a participar em pouco mais de metade dos jogos, não corre como o desejado. Já a época seguinte, no plano estritamente pessoal, revela-se bem mais proveitosa. O defesa consegue ser um dos atletas com mais presenças no “onze” titular. No entanto, o Campeonato de 1981/82 acaba por não correr de feição e o Belenenses, pela primeira vez na sua longa história, vê-se relegado à divisão secundária do nosso futebol.
O jogador "esquiva-se" à despromoção e ruma ao Norte, mais precisamente ao Rio Ave. Em Vila do Conde ainda começa por ser utilizado com alguma frequência, mas o regresso ao clube de Baltemar Brito e um joelho em condições débeis, impossibilitam-no de lutar por um lugar no eixo da defesa. Na segunda temporada não disputa qualquer jogo e, no final da mesma, acaba por sair. Na campanha seguinte ainda assina contrato pela Académica de Coimbra, mas as mazelas contraídas impedem-no de atingir boas prestações.
Terminada a carreira futebolística, troca a luta nos relvados pela defesa dos seus concidadãos. No Município onde reside, funda a Comissão de Utentes de Saúde do Concelho de Sintra. Nessa luta pelo povo, é também normal encontrar o seu nome, António Manuel Gonçalves Carrasco, nas listas da CDU para as Eleições Autárquicas. Assim, e com a mesma bravura que entrava em campo, Tó Zé está sempre pronto a "morder as canelas" a quem atacar os mais desfavorecidos.

59 - FÁBIO FARIA

Quem diria que seria numa reunião familiar que começaria a história deste jovem futebolista?!
Ao que parece, a família Faria e a família Postiga têm elementos comuns. Num desses encontros, um casual jogo da bola haveria de ser proveitoso para Fábio Faria. Segundo consta, o pai de Hélder Postiga terá gostado das suas características. Nesse sentido, terá sido ele a aconselhá-lo ao FC Porto. Não descurando a dica, os responsáveis do clube não terão demorado muito a endereçar-lhe um convite e, ao ter agradado, lá ficou nas “escolas” do “Dragão”.
Passados alguns anos, Fábio Faria acabaria por ingressar nos escalões de formação do Rio Ave. Em Vila do Conde dar-se-ia a primeira reviravolta na sua carreira, quando o seu treinador decidiu passá-lo de médio esquerdo para a defesa. Terá sido por essa altura que Jorge Jesus, na altura pelo Restelo, conseguiria ver nele uma boa aposta - "Quando estive no Belenenses, era ele júnior no Rio Ave, tentei levá-lo para lá, mas não consegui."*. A oportunidade de tê-lo sobre a sua alçada surgiria nos “Encarnados” desta temporada. E se sobre muitos aspectos, o filho de Chico Faria ainda terá que ser limado pelo "Mister", já a sua ambição sempre esteve bem delineada – “O sonho é jogar no Estádio da Luz com a camisola do Benfica, depois ser campeão nacional e quem sabe isso me leve à selecção”**.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 04/09/2010
** retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 08/07/2010

58 - CHICO FARIA

Formado no Benfica, nunca chegou a vestir a camisola sénior das “Águias”. Ainda assim, e apesar da falta de oportunidades na “Luz”, as suas qualidades como jogador fizeram da sua carreira uma sequência de agradáveis desafios. Esses momentos, passados maioritariamente em partidas da 1ª divisão, fariam de Chico Faria um dos melhores avançados portugueses, da década de 80. Mas se a combatividade era uma das características mais apreciadas em si, tenho também na memória mais três imagens suas. Passo a enumerar: primeira, o bigode; segunda, as meias enroladas ao fundo das canelas; terceira, o salto e o bater dos calcanhares quando festejava os seus golos.
Chico Faria, que também representou clubes como Rio Ave, Famalicão, Sporting de Espinho, Académica de Coimbra, Salgueiros e Esposende, teve a fase mais prestigiante da sua vida desportiva, quando envergou as cores do Belenenses. A jogar pelos “Azuis” do Restelo, um golo seu ajudou o clube a vencer a Taça de Portugal de 1988/89… ironicamente, frente ao Benfica!