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1805 - MOURA

De António Carvalho Teixeira, popularizado no futebol pela alcunha Moura, também não tive a habilidade para reconstituir os primeiros passos da carreira, nem sequer consegui saber se a mesma terá sido interrompida pela chamada, tão habitual para a altura, ao Serviço Militar Obrigatório. Porém, encontrei um recorte, do qual também não sei a fonte e o qual irei “colar” no final deste texto, que, mesmo sem a correspondente cronologia, diz-nos: “António Teixeira Moura nasceu em Amarante, em 3 de Maio de 1945. Joga a ponta-de-lança. O seu primeiro grupo foi o Amarante. Dali passou para o Futebol Clube do Porto. Depois para o Espinho. Regressou ao Amarante, voltou ao Porto e está no Boavista desde 1966”.
Ao dar continuação à sequência de emblemas acima apresentada, e ao ter como 1966/67 a primeira temporada de Moura ao serviço do Boavista, então a chegada do avançado-centro ao Bessa terá apanhado os “Axadrezados” entregues às disputas da 3ª divisão. Manter-se-iam as “Panteras” no mesmo escalão ainda por mais uma temporada, até que, resultado de duas subidas consecutivas, teriam, na campanha de 1969/70, o regresso às pelejas primodivisionárias. No convívio com os “grandes”, o atacante começaria por ser orientado por António Gama. Mas mesmo numa época atribulada, onde ainda viria a ter mais 3 treinadores, o jogador conseguiria manter-se estável no “onze”, tornando-se, com os mesmos números de Mário João, no mais utilizado do plantel.
A frequência com que haveria de aparecer em campo, no final da década de 1960 e igualmente na primeira metade dos anos de 1970, faria de Moura uma das principais figuras do Boavista. Apesar de não ser um avançado muito prolífero, a força que conferia à dinâmica do conjunto portuense constituir-se-ia como de grande importante para os diferentes treinadores a passar pela liderança da equipa técnica dos “Axadrezados”. Para além deste aspecto, muito mais do que o contributo desportivo dado pelas suas presenças em jogo, a sua liderança em campo dar-lhe-ia o direito de capitanear os colegas e o jogador, a partir da campanha de 1970/71, começaria a exibir-se com a respectiva braçadeira.
Já sob a égide de José Maria Pedroto, nomeadamente no estender da temporada de 1974/75, Moura acabaria por perder algum do protagonismo granjeado em épocas anteriores. Ainda assim, essa que viria a tornar-se na derradeira campanha do jogador ao serviço do Boavista, terminaria com um momento inolvidável. Com as “Panteras” a galgar sucessivas etapas na Taça de Portugal, a chegada à derradeira ronda da competição prometia algo de inédito. Tamanha novidade viria mesmo a concretizar e a vitória na final, frente ao Benfica, faria com que o avançado-centro fosse recordado como um dos elementos pertencentes ao grupo de trabalho que, pela primeira vez na história dos “Axadrezados”, haveria de conquistar a “Prova Rainha”. 
Após 9 anos a envergar as cores do Boavista, 6 deles na disputa do escalão maior, Moura acabaria por mudar de divisas. Com a entrada no Paços de Ferreira a acontecer na campanha de 1975/76, o atacante afastar-se-ia, em definitivo, dos cenários primodivisionários. Seguir-se-iam, com o atleta a cambiar de colectividade a cada ano, o Livração, o Marco, o Vila Meã, o regresso ao Amarante e, como capítulo imediatamente a anteceder o termo da sua carreira, o plantel de 1982/83 do Celoricense.



1777 - CAETANO

Apesar de ter iniciado o percurso futebolístico nas “escolas” do Feirense, seria no Boavista que António de Oliveira Caetano concluiria a fase formativa da carreira. Aliás, a época de mudança para o Bessa coincidiria com a sua estreia nos conjuntos a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Com a primeira partida, no contexto dos sub-16, a acontecer a 12 de Fevereiro de 1983, esse jogo frente à Finlândia, durante o qual seria orientado por José Augusto, encetaria uma caminhada a levá-lo a vestir a “camisola das quinas” em diferentes escalões. A mencionada senda findaria com um total de 23 internacionalizações e teria o seu pináculo com a presença na edição de 1984 do Campeonato da Europa de sub-18.
Na equipa principal dos “Axadrezados”, onde chegaria pela mão de Henrique Calisto, Caetano, apesar de ser visto como uma boa promessa, revelaria algumas dificuldades em conquistar um lugar na equipa. Ao jogar pouco nos 3 primeiros anos, a temporada de 1986/87 parecia querer alterar esse paradigma. No entanto, o que viria a verificar-se na campanha seguinte devolveria o esquerdino ao olvido. Tal contratempo faria com que o defesa, que também actuava com a mesma facilidade no meio-campo, decidisse tentar a sorte noutros cenários e a mudança para o Estrela da Amadora fá-lo-ia reencontrar-se com uma cara muito importante no seu trajecto competitivo.
Com a chegada à Reboleira a suceder em 1988/89, o atleta voltaria a trabalhar com João Alves, seu antigo colega e treinador no Boavista. Sempre na disputa da 1ª divisão, a campanha seguinte à da sua entrada no emblema da Linha de Sintra traria, ao jogador, um dos grandes momentos da carreira. Com o Estrela da Amadora a atingir a derradeira ronda da Taça de Portugal, o jogador seria um dos eleitos do técnico referido neste parágrafo para disputar a final. Com o empate verificado nessa peleja inicial, a entrega do troféu decidir-se-ia numa segunda partida e mesmo afastado da finalíssima, Caetano viria a constar no rol de atletas vencedores da edição de 1989/90 da “Prova Rainha”.
Depois do feito relatado, com o “Luvas Pretas” a trocar os “Tricolores” pelo Boavista, Caetano, no regresso a uma casa bem conhecida, seria um dos reforços a chegar ao Bessa na temporada de 1990/91. Todavia, com João Alves a sair a meio da época e a ser apresentado, já na campanha seguinte, como o “timoneiro” do Vitória Sport Clube, o atleta, acompanhado na viagem do Porto para Guimarães por Jaime Alves e por Frederico, passaria a campanha de 1991/92 ao serviço do emblema sediado na “Cidade Berço”. Com a aludida transferência a gerar uma enorme polémica, a passagem de Caetano e Jaime Alves pelo Minho seria de curta duração e a recusa dos “Conquistadores” em pagar o montante estipulado pelas entidades gestoras do futebol português, faria com que ambos os atletas voltassem a envergar a camisola das “Panteras”.
A terceira passagem de Caetano pelo Boavista, treinado, dessa feita, por Manuel José, entregar-lhe-ia ao palmarés a vitória na Supertaça de 1992/93. Daí em diante, com alguma intermitência a afectar a sua titularidade, o jogador, ainda assim, conseguiria participar num número considerável de partidas. Também em 1992/93, o defesa voltaria a participar na final da Taça de Portugal, jogo perdido frente ao Benfica. Outro foco de interesse no decorrer dos 4 anos da sua derradeira ligação à colectividade da “Cidade Invicta”, emergiria das provas de índole continental, com os “Axadrezados” a atingirem os quartos-de-final da Taça UEFA de 1993/94. Porém, com a temporada de 1995/96 a trazer-lhe poucas oportunidades para aparecer em jogo, uma nova mudança de clube levá-lo-ia a envergar uma camisola diferente.
As duas épocas no Belenenses antecederiam a sua contratação por parte do Beira-Mar. Nessa temporada de 1998/99, como uma das caras habitualmente arrolada ao “onze” do emblema aveirense, Caetano entraria em campo na sua terceira final da Taça de Portugal. Chamado à equipa titular por António Sousa, o defesa-lateral, frente ao Campomaiorense, contribuiria para a inédita vitória dos “Auri-negros”. Na época seguinte à da conquista selada no Jamor, com os homens do Estádio Mário Duarte caídos no escalão secundário, o jogador, sem qualquer partida disputada durante a época de 1999/00, como que daria indícios de estar a aproximar-se do termo da carreira enquanto futebolista. O fim surgiria, então, com o fecho das provas agendadas para 2000/01 e com o atleta de regresso ao Feirense.
Praticamente a seguir a “pendurar as chuteiras”, Caetano encetaria a caminhada como treinador. Numa carreira com bastantes experiências como adjunto, o antigo jogador, nas funções de técnico-principal, orientaria diversos emblemas das divisões secundárias, nomeadamente o Feirense, o Desportivo da Aves, o Académico de Viseu, Sporting de Pombal, Esmoriz, Sanjoanense e Lusitânia de Lourosa.

1767 - JOSÉ MANUEL

Descoberto no CA Rio Tinto, para onde entraria em 1971/72, José Manuel Martins Moreira começaria a destacar-se como um intérprete rápido e com habilidade para chegar a zonas de golo. Ainda assim, apesar de reconhecidos os seus predicados, só alguns anos mais tarde é que o atacante teria a oportunidade de subir alguns degraus competitivos. A ocasião surgiria no Alto Alentejo e o atleta, na temporada de 1974/75, seria apresentado como reforço do Estrela de Portalegre.
Mesmo com o enorme pulo competitivo, salto a levá-lo dos “distritais” da Associação de Futebol do Porto até à 2ª divisão nacional, José Manuel não revelaria qualquer dificuldade em adaptar-se. Num grupo de trabalho onde, ao longo dos anos, iria a encontrar-se com nomes de tradição no futebol português, casos de Paris, Prieto, Figueiredo ou Leitão, as exibições que, dai em diante, iria conseguir levantar, nomeadamente na temporada de 1976/77, levá-lo-iam a ser cobiçado por outros emblemas. A referida campanha, na qual o Estrela de Portalegre, conduzido por Mourinho Félix, ficaria à beira de conseguir uma inédita subida ao escalão maior, servira de grande tónico para o seu crescimento e a transferência, consumada após o termo da aludida época, levá-lo-ia de novo ao Norte do país.
Apesar de rondado pelo FC Porto de José Maria Pedroto, José Manuel, em 1976/77, preferiria a proposta feita pelo Boavista. No entanto, no Bessa, onde passaria a ser orientado por Fernando Caiado, aquela que prometia ser a temporada da sua afirmação ficaria manchada pelas lesões. Também na época seguinte, as mazelas físicas viriam a afectá-lo. Ainda assim, jogaria com um pouco mais de frequência. Nesse sentido, nas provas internas, o extremo participaria na gloriosa campanha da Taça de Portugal, a levar os “Axadrezados” até à derradeira ronda da competição. No Jamor, tanto na final, como na finalíssima, o avançado não seria chamado, por Jimmy Hagan, a entrar em campo. Porém, com a sua participação nas eliminatórias anteriores e com a vitória, no Estádio Nacional, consumada frente ao Sporting, o atleta acabaria também arrolado como um dos homens responsáveis pela conquista do troféu correspondente à vitória na “Prova Rainha” de 1977/78.
O desaire pessoal vivido com as “Panteras” faria com que José Manuel fosse empurrado para as contendas do patamar secundário. No entanto, a entrada no plantel de 1979/80 do Amarante teria como principal proveito o regresso do jogador aos índices exibicionais de anos anteriores. Volvidas duas temporadas, surgiria a oportunidade do extremo voltar a exibir-se entre os “grandes”. Contratado pelo Rio Ave, o atacante encontrar-se-ia novamente a trabalhar sob as instruções de Mourinho Félix. Logo nessa temporada de 1981/82 seria peça importante no histórico 5º lugar, alcançado pela colectividade de Vila do Conde, no termo do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, numa caminhada que ficaria marcada por inúmeros regressos, surgiria a contratação pelo Boavista e o atleta, de volta ao Estádio do Bessa, integraria o grupo de trabalho pensado para 1982/83.
Duas épocas, algo discretas, ao serviço dos “Axadrezados” precederiam a sua entrada no Salgueiros. Em Paranhos, inicialmente treinado por Henrique Calisto, o jogador ainda viria a recuperar alguma da preponderância passada. Porém, as mazelas trazidas de pretéritos episódios e a entrada na veterania, progressivamente acabariam por afastá-lo da titularidade. Ainda assim, a passagem de 4 temporadas pelo Estádio Vidal Pinheiro teria o condão de dar ao currículo do jogador um somatório de 9 campanhas cumpridas nos cenários primodivisionários. De seguida, com a experiência no Felgueiras de 1989/90 pelo meio, emergiriam, em definitivo nos patamares secundários, as épocas de 1988/89 e de 1990/91 com as cores do Rio Ave. Seria nesses anos de “caravela” ao peito que o atacante acabaria por ser orientado por Mário Reis e a ligação criada entre o treinador e o atleta ira alterar o futuro de José Manuel. 
Com as “chuteiras penduradas”, José Manuel passaria a dedicar-se às actividades de técnico. Como ajunto do treinador referido no final do parágrafo passado, o antigo futebolista passaria por diversos emblemas e por entre Felgueiras, Rio Ave, Salgueiros e União de Leira, o grande destaque viria para o período no Boavista e para a sua ajuda nas conquistas da Taça de Portugal de 1996/97 e na Supertaça da temporada seguinte. 

1753 - TRINDADE

Leonel Fernando Fuzeta Trindade tinha apenas jogado pelo Comércio e Industria quando o Serviço Militar Obrigatório haveria de obrigá-lo à viagem até à Guiné-Bissau. Em África, nas jogatanas entre militares, continuaria a destacar-se pelas habilidades acima da média. Então, durante uma licença a trazê-lo de volta à cidade de Setúbal, o defesa-central, com o intuito de manter a forma física, acabaria por ser autorizado a treinar-se com um Vitória Futebol Clube, à altura orientado por José Maria Pedroto. De tal forma seriam positivas as suas prestações que, num acordo de cavalheiros, técnico e jogador combinariam que, no regresso definitivo à metrópole, este último haveria de juntar-se aos “Sadinos”. Porém, cumprida a comissão a levá-lo à Guerra Colonial e com mencionado treinador já distante do Estádio do Bonfim, a solução para finalmente agarrar uma carreira profissional surgiria de outro lado e a viagem para norte entregá-lo-ia a um novo emblema.
Ao estar previamente avisado para as suas qualidades, Aymoré Moreira, treinador campeão do mundo pelo Brasil, convidaria Trindade para treinar com o Boavista. Forte na compleição física e com um enorme poder de impulsão, o jogador, que já contava com 23 anos de idade, seria imediatamente integrado no plantel de 1973/74 do Boavista. Mesmo sem ter qualquer experiência no futebol de mais alto nível, a verdade é que a falta de traquejo competitivo na senda profissional não atrapalharia a integração do defesa-central. Depressa, mesmo no meio da concorrência de nomes como Mário João, Bernardo da Velha, Amândio ou Carolino, o atleta, apesar de não ter agarrado a titularidade logo de início, vira a impor o seu jogo, conseguiria cimentar um lugar no grupo de trabalho e ajudaria, desse modo, aos títulos conquistados pelas “Panteras”.
Seria já na 2ª temporada ao serviço dos “Axadrezados” que o defesa-central voltaria a encontrar-se com José Maria Pedroto. Com o apelidado “Zé do Boné” à frente do Boavista, logo nessa temporada de 1974/75, a equipa portuense chegaria à final da Taça de Portugal. Com a presença de Trindade no “onze” arrolado para defrontar o Benfica, as “Panteras” venceriam o almejado troféu. Na época seguinte, o clube e o atleta voltariam a repetir a participação na derradeira partida da “Prova Rainha” e o triunfo, dessa feita numa contenda agendada com o Vitória Sport Clube, mais uma vez recairia para o lado da colectividade a digladiar-se em casa no Bessa. Nessa senda de sucessos, há também a destacar a presença do jogador nas rondas correspondentes à Taça dos Vencedores das Taças, na Taça UEFA e nas pelejas que conduziriam a agremiação por si representada a lutar pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional. Tamanha preponderância levaria a que a surpresa fosse ainda maior na hora do atleta deixar a “Cidade Invicta”. Contudo, as saudades de casa sobrepor-se-iam à gratidão sentida pelo Boavista e Trindade, na época de 1978/79, apresentar-se-ia como reforço de outra agremiação.
Após 5 anos a representar o Boavista, o defesa-central daria entrada no plantel do FC Barreirense. Curiosamente, a sua inclusão no grupo de trabalho da associação sediada na Margem Sul, dar-lhe-ia a oportunidade, não pelas melhores razões, de participar noutro momento histórico. A referida época, durante a qual os timoneiros seriam Manuel de Oliveira e José Augusto, marcaria, até aos dias de hoje, a derradeira campanha do listado alvirrubro no patamar máximo do futebol português. Mesmo com a despromoção, o atleta decidiria manter-se fiel ao emblema. Após cumprir mais uma época no Estádio D. Manuel de Mello, o jogador, em 1980/81, regressaria ao Comércio e Indústria. Depois, ficando-se pelos escalões inferiores e já com o final da caminhada competitiva a aproximar-se, Trindade ainda viria a envergar as camisolas do UDR Pontes e, com o termo do trajecto enquanto futebolista a acontecer nesse clube, vestiria as cores do Águas de Moura.

1697 - PARENTE

Nascido a 8 de Abril de 1961, o destaque merecido às suas qualidades fariam com que Carlos Alberto Bastos Parente, ainda numa idade deveras precoce, fosse chamado aos trabalhos da equipa sénior do Sintrense. No entanto, essa temporada de 1977/78 não acabaria marcada apenas por esse fantástico feito. Mesmo a competir na 2ª divisão, também da Federação Portuguesa de Futebol haveriam de reparar no seu talento e o jovem médio, a 4 de Fevereiro de 1978 e no âmbito dos actuais sub-16, participaria, convocado por Peres Bandeira, numa partida de Portugal frente à Bélgica.
Ao evidenciar-se pelos passos relatados no parágrafo anterior, Parente teria na equipa de juniores do Benfica o passo seguinte da carreira. Porém, depois de um ano nas “escolas” dos “Encarnados”, na época de 1979/80 o médio-centro apareceria, treinado por José Torres, ao serviço do conjunto principal do Estoril Praia. Seguir-se-ia, mantendo-se o atleta nas pelejas da 1ª divisão, a Académica de Coimbra. Para infelicidade do jogador, a temporada de estreia na “Cidade dos Estudantes”, tal como tinha acontecido na agremiação da Linha de Cascais, terminaria com a descida do conjunto por si defendido. Na sequência do aludido desaire, as 3 campanhas subsequentes seriam passadas no 2º escalão e tal cenário só viria a modificar-se com nova mudança de clube.
Na chegada ao Boavista, Parente voltaria a trabalhar sob a alçada de Mário Wilson, o seu primeiro treinador na Académica de Coimbra. A justificar a contratação dos “Axadrezados”, essa temporada de 1984/85, muito mais do que devolver o centrocampista às contendas primodivisionárias, levá-lo-ia a ser tido como um dos grandes destaques do conjunto portuense. Contudo, contrariamente à evolução revelada até aí, a época seguinte, por razões que não consegui aferir, transformar-se-ia num autêntico ocaso para o jogador. Aliás, a titularidade, de forma inquestionável, recuperá-la-ia apenas em 1987/88, mas ainda a tempo de proporcionar para a sua carreira outro feito de contornos inolvidáveis.
Ao dar seguimento a uma série de chamadas às mais diversas selecções portuguesas, incluindo, nessas convocatórias, a participação no Mundial sub-20 de 1979, o jogador, a 11 de Novembro de 1987, teria a oportunidade de fazer a estreia com a principal “camisola das quinas”. Nessa partida frente à Suíça, a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, o médio-centro entraria em campo pela mão de Juca. Seguir-se-ia, ainda no âmbito da mesma qualificação, a contenda frente à Itália e, como resultado da última partida mencionada, num total de 25 internacionalizações, Parente ficaria também a contar com 2 jogos efectuados pelos “AA” de Portugal.
No que diz respeito ao percurso clubístico, Parente teria no Boavista o emblema mais representativo da sua caminhada profissional. Com os “Axadrezados” a lutar pelos lugares cimeiros das diferentes competições internas, os grandes destaques desse trajecto de 7 temporadas ao serviço das “Panteras Negras”, viriam com as várias participações nas competições sob a intendência da UEFA e com o 3º lugar, conquistado no termo da campanha de 1988/89, no Campeonato Nacional. Depois, sempre nas pelejas da 1ª divisão, surgiriam os 3 anos com as cores do Salgueiros. Por fim, como o derradeiro capítulo de um trajecto com laivos de enorme brilhantismo, emergiria a época de 1994/95 cumprida ao serviço do Marco.

1643 - AMÂNDIO

Apesar do início de carreira no modesto Torre de Moncorvo de 1969/70, Amândio Ramiro Barreiras depressa subiria uma boa quantidade de degraus no futebol português. Primeiro, um ano após o ingresso no emblema da sua terra natal, surgiria o interesse do Desportivo de Chaves. No entanto, com os “Flavienses” na disputa do 3º escalão, ainda faltavam ao defesa-central galgar mais alguns patamares para que conseguisse chegar ao topo. A oportunidade para dar tal salto surgiria na época de 1971/72 e o jogador, ao deixar Trás-os-Montes, passaria a fazer parte do plantel do Boavista.
Com a entrada no Bessa a ocorrer num altura em que os “Axadrezados” eram comandados por Joaquim Meirim, o jovem praticante, numa temporada com várias trocas de treinador, ainda conseguiria conquistar um número aceitável de chamadas a campo. Mesmo tendo em conta a sua inexperiência competitiva, a verdade é que não tardaria muito para que Amândio viesse a confirmar todo o potencial como futebolista e passasse, ao lado de Mário João ou de Bernardo da Velha, a tomar uma posição de destaque no sector mais recuado dos boavisteiros. Tal preponderância, sob a intendência do brasileiro Aimoré Moreira, levá-lo-ia a ser convocado aos trabalhos das equipas na alçada da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia, incluída nas obrigações calendarizadas para os “esperanças”, aconteceria a 13 de Outubro de 1973. Após essa partida frente à Bulgária, sempre ao serviço do aludido escalão, o atleta ainda teria outras oportunidades para envergar a “camisola das quinas” e somaria, após cumprir mais um par de partidas, um total de 3 internacionalizações por Portugal.
Apesar da franca ascensão, a campanha verdadeiramente a catapultá-lo seria a época correspondente às provas agendadas para 1974/75. A trabalhar sob as instruções de José Maria Pedroto, o defesa-central assumir-se-ia de fulcral importância para as metas colectivas das “Panteras”. Nesse sentido, para além do 4º posto alcançado com o termo do Campeonato Nacional, a época referida no início deste parágrafo, destacar-se-ia pela chegada do Boavista ao derradeiro jogo da Taça de Portugal. Numa final disputada no Estádio de Alvalade, Amândio, apesar de começar o importante desafio sentado no banco de suplentes, teria a oportunidade, ao substituir o “amarelado” Mané, de contribuir para o triunfo frente ao Benfica e, dessa maneira, dar uma preciosa ajuda para levar, até cidade do Porto, o tão almejado troféu.
A conquista da “Prova Rainha”, mesmo que não tenha sido o principal motivo, daria ao Sporting outra razão para apostar na sua contratação. Como um elemento possante, com um bom jogo de cabeça e rijo na marcação, Amândio chegaria a Alvalade para integrar o plantel de 1975/76. Porém, com Juca como treinador-principal dos “Verde e Brancos”, a sua primeira temporada em Lisboa, ao ser ultrapassado nas preferências tácticas por José Mendes, Laranjeira e Zezinho, não correria de feição. Também na campanha seguinte, já com Jimmy Hagan como timoneiro, o atleta não conseguiria impor-se como um dos titulares. Sem grande espaço no “onze”, o jogador, em 1977/78, decidiria voltar ao Boavista, onde, após ter começado a trabalhar com Fernando Caiado, terminaria a época orientado pelo já mencionado técnico inglês. Aliás, seria com o britânico, depois de a época ter começado sob a alçada de José Carlos, que o defesa-central arrecadaria o segundo grande troféu da carreira. Com os “Axadrezados” a repetir a presença na mais importante ronda da Taça de Portugal, seria do banco que, na final e na finalíssima de 1978/79, sairia a sua ajuda para o triunfo frente aos “Leões”.
De forma um pouco surpreendente, Amândio, na temporada de 1979/80, seria apresentado como reforço do Sporting de Espinho. Logo nessa campanha de entrada no Estádio Comendador Manuel Violas, o jogador faria parte do grupo de trabalho que, comandado por Manuel José, atingiria o 7º lugar no Campeonato Nacional. Após ajudar, à altura, à melhor classificação dos “Tigres” naquela que é a prova de maior calibre no calendário luso de futebol, o defesa-central ainda viria a manter-se, por mais um ano, com o listado alvinegro. Seguir-se-ia, sem deixar a 1ª divisão, a contratação pela União de Leiria e a transferência para o plantel de 1982/83 do Vitória Sport Clube. A passagem por Guimarães antecederia um novo momento histórico na sua caminhada competitiva, com o regresso ao Desportivo de Chaves, em 1984/85, a permitir a sua participação na promoção e, sempre com Raul Águas à frente da agremiação transmontana, na posterior estreia dos “Flavienses” no patamar máximo português.
Já com o fim da carreira no horizonte, Amândio ainda voltaria a envergar a camisola do Sporting de Espinho. Nessa segunda experiência na colectividade sediada na Costa Verde, encetada na temporada de 1986/87, o defesa-central, num conjunto liderado por Quinito, muito mais do que contribuir para o regresso do clube ao convívio com os “grandes”, participaria no quebrar de outro recorde, ou seja, o 6º lugar alcançado na 1ª divisão de 1987/88. Curiosamente, numa soma de dezena e meia de campanhas no escalão máximo, a meta ultrapassada no emblema da Beira Litoral transformar-se-ia no último grande marco da sua senda enquanto futebolista.
Seguir-se-iam as funções de técnico. Ao assumir-se, ainda no Sporting de Espinho, como treinador, o trabalho empurrá-lo-ia para uma longa caminhada. Num trajecto mormente feito com as divisas, a si entregues, a disputar os escalões secundários, Amândio Barreiras passaria pelo comando de equipas como Leixões, União de Leiria, Feirense, Vila Real, União de Montemor, União de Lamas, Esposende, Torres Novas, Estrela de Portalegre, Paredes, Pampilhosa, Santana, Eléctrico de Ponte de Sor, Anadia e Boavista.

1627 - ANTÓNIO CAIADO

Irmão mais velho da trindade saída de uma das famílias mais afamadas do futebol português das décadas de 1940 e de 1950, onde também figurariam Fernando Caiado e José Caiado, António Augusto Amaral Caiado, apesar da naturalidade em Leça da Palmeira, teria no sul do país o arranque da sua carreira na modalidade.
Como indicaria a revista “Crónica Desportiva”, publicada a 17 de Novembro de 1957, o jogador teria no Atlético a sua primeira aparição oficial no “jogo da bola”. Nesse sentido, indo até contra algumas fontes a dá-lo anteriormente como praticante do Almada, seria no emblema da Tapadinha que disputaria, na temporada de 1942/43, a 2ª divisão nacional e o escalão máximo do Campeonato de Lisboa. No entanto, essa campanha que, após a junção do União Lisboa com o Carcavelinhos, corresponderia ao arranque das actividades futebolísticas do recém-criado clube do bairro de Alcântara, seria a única do médio na capital. Logo na temporada seguinte viajaria para o Algarve e encetaria um período de 3 anos, durante o qual passaria a envergar as divisas do Farense.
Com a agremiação do Sotavento a manter-se nas pelejas secundárias, seria no regresso às proximidades da sua terra natal que António Caiado viria a ingressar no emblema mais representativo da sua carreira. Nesse sentido, com a entrada no Boavista a acontecer na temporada de 1946/47 o médio que, no desenovelar da sua caminhada desportiva, jogaria em todas as posições de campo, passaria a partilhar o balneário com os dois irmãos mencionados no começo deste texto. Para além dessa curiosidade, o grande destaque no encetar da sua ligação aos “Axadrezados” emergiria da estreia do atleta no escalão maior do futebol luso. Brilhantemente, ao não acusar o salto dado, o jogador, num plantel a contar igualmente com o futuro internacional Serafim, rapidamente conquistaria um lugar de destaque e, muito mais do que a habilidade a dar-lhe a louvada polivalência, seria a sua entrega ao jogo a empurrá-lo para a galeria de figuras notáveis do colectivo portuense.
Nos 12 anos passados com as “Panteras Negras”, António Caiado viveria diversos momentos, uns de maior sucesso, outros de menor glória. Sem desprimor para as 8 temporadas que, durante o aludido período, o jogador cumpriria nas contendas primodivisionárias, o maior destaque surgiria com as prestações colectivas conseguidas no decorrer da campanha de 1951/52. Nessa época, orientado o Boavista pelo técnico Lino Taioli, o médio, à imagem dos números conseguidos até então, assumir-se-ia como um dos esteios da estratégia idealizada pelo treinador argentino. Numa caminhada de excelência, com vitórias frente ao Belenenses, ao FC Porto e ao Sporting, os “Axadrezados” somariam pontos suficientes para terminar o Campeonato Nacional da 1ª divisão no 5º lugar, posição à altura a constituir um recorde na história do clube.

1568 - ISAÍAS

Seria no Esporte Clube de Propriá, emblema sediado na sua terra natal, que Isaías Silva Aragão completaria o percurso formativo e onde faria, na temporada de 1986, a transição para o patamar sénior. Defesa-central de recursos físicos possantes e de processos simples e eficazes, o jovem jogador depressa começaria a revelar capacidades bem acima das modestas ambições da colectividade por si representada. No desenrolar do seu percurso, depois de uma curta passagem pelo plantel de 1988 do Lagartense, seria a transferência para o Clube Sportivo Sergipe de 1989 que empurraria o atleta para os primeiros sucessos colectivos. As 3 campanhas cumpridas pelo novo agrupamento, intercaladas pela época de 1991 ao serviço do Naútico Capibaribe, haveriam de trazer-lhe as almejadas vitórias e as conquistas das edições de 1989 e de 1992 do “estadual” colorir-lhe-iam o currículo pessoal.
Com cerca de 7 anos de caminhada sénior, a Isaías ser-lhe-ia dada a primeira oportunidade no estrangeiro. Convidado pelo Penafiel, o defesa-central chegaria a Portugal para competir na divisão de Honra de 1992/93. Lançado por Carlos Garcia, o jogador rapidamente ganharia um lugar como titular dos “Durienses”. Porém, mesmo com o clube longe das lutas pela promoção, a verdade é que as suas exibições fariam com que os responsáveis pelo Leça olhassem para si como uma boa “arma” para o ataque à almejada subida. Esse objectivo seria alcançado logo na época da sua entrada na agremiação do concelho de Matosinhos e após ajudar à vitória no Campeonato Nacional do patamar secundário, a campanha de 1995/96 oferecer-lhe-ia a estreia no convívio com os “grandes”.
Com uma época brilhante num Leça inicialmente comandado por Fernando Festas e recheado de bons jogadores, casos de Jaime Magalhães, Constantino, Vladan, Matias ou Paulo Fonseca, Isaías daria o salto para o Boavista. Com a entrada no Bessa a ocorrer na temporada de 1996/97, o defesa-central, muito para além de manter os níveis exibicionais em padrões bem elevados, tornar-se-ia numa das figuras dos sucessos colectivos. Um desses êxitos, atingido na primeira época com as “Panteras”, seria a vitória na Taça de Portugal. Chamado ao “onze” por Mário Reis, o atleta daria um enorme contributo para os 3-2 a derrotar o Benfica. Logo na época seguinte, na disputa da Supertaça Cândido de Oliveira, o jogador entraria em campo na 2ª mão da referida competição e ajudaria, dessa feita frente ao FC Porto, ao triunfo dos “Axadrezados”. Claro, é impossível olvidar a época de 1998/99 e o 2º posto da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, alcançado sob a alçada de Jaime Pacheco.
Após o vice-campeonato conseguido pelo Boavista, Isaías decidir-se-ia pelo regresso ao Brasil. Contratado pelo histórico Cruzeiro, a curta experiência vivida no emblema de Belo Horizonte, teria como curiosidade o balneário partilhado com Valdo e com Geovanni, duas figuras do Benfica e do futebol luso. Poucos meses após a passagem pela agremiação do Estado de Minas Gerais, o defesa-central voltaria a Portugal e ao Leça de 2000/01. Já numa fase terminal da sua carreira, mantendo-se em exclusivo pelos escalões inferiores, o jogador ainda vestiria as cores do Tirsense, onde, na campanha de 2001/02, voltaria a encontrar-se com Fernando Festas. Por fim, emergiria a aventura chinesa, no termo da qual e depois de envergar as divisas do Chongqing FC de 2002, viria a “pendurar as chuteiras”.
Mais uma vez de volta à cidade natal, Isaías manter-se-ia ligado ao futebol e por altura do acidente rodoviário a ceifar-lhe a vida, o antigo defesa cumpria o papel de director do América de Propriá.

1556 - JOSÉ AUGUSTO

José Augusto Pereira Leite é mais um dos atletas, talvez pela similaridade com o nome do conhecido “magriço”, a preencher o meu imaginário infantil. Por tal razão, tomei a decisão de investigar um pouco mais a sua carreira que, para além de algumas aparições primodivisionárias, desconhecia em grande parte. No entanto, como em tantas ocasiões aqui relatadas, as parcas informações encontradas na pesquisa prévia à redacção deste texto, logo destaparam as dificuldades com que haveria de deparar-me na elaboração deste pequeno trecho biográfico. Todavia, achei que merecia a pena arriscar alguns erros e outras tantas omissões. Assim sendo, aqui vai…
Segundo as informações retiradas da página electrónica da Federação Portuguesa de Futebol, José Augusto ou “somente” Leite, segundo o “baptismo” do “site” da maior instituição lusa da referida modalidade, terá sido chamado aos trabalhos do conjunto agora designado como sub-14. Sem ter conseguido apurar mais dados sobre esta chamada, sou forçado a deduzir que tal convocatória, que não resultaria numa internacionalização, terá ainda ocorrido no desenovelar do período formativo do jovem atleta. Tal percurso, ainda segundo a mesma fonte, terá findado em 1979/80 e ao serviço dos juniores do Pedrouços. Já a transição para o patamar sénior terá ocorrido, na época seguinte à ainda agora mencionada, com as cores de uma agremiação sediada no Concelho de Gondomar, ou seja, o Clube Recreativo Ataense.
Tendo iniciado a sua caminhada sénior pelas pelejas “distritais”, José Augusto, antes de chegar ao convívio com os “grandes”, teria ainda de enfrentar mais alguns anos cumpridos nas divisões inferiores. Ainda assim, as duas passagens pelo Lixa e outra pelo Valonguense sublinhariam um crescimento bem vincado. Essa acentuada evolução, já na temporada de 1984/85, abrir-lhe-ia as portas do escalão maior do futebol português. Ao fazer parte da equipa do Vizela que, de forma inédita na existência do clube, haveria de marcar a estreia na 1ª divisão, o atacante entraria para a história da colectividade minhota. Contudo, a trabalhar sob a alçada de José Romão, as oportunidades conquistadas seriam poucas e só após a despromoção da equipa é que sua preponderância viria a mudar radicalmente.
A campanha de 1985/86, ainda com as cores do Vizela, serviriam, mesmo no segundo escalão, para promover o atacante. Tal seriam os indícios deixados durante a referida época que o jogador acabaria como alvo da cobiça de uma dos emblemas de maior monta no cenário luso. Apresentado como reforço do plantel de 1986/87 do Boavista, José Augusto seria uma das agradáveis surpresas no grupo de trabalho inicialmente às ordens de João Alves, para, com a saída deste, passar a trabalhar na intendência de José Torres. Porém, apesar de ser um dos atletas utilizados com uma boa frequência e de ter, com a presença das “Panteras” na Taça UEFA, ajudado à eliminação dos italianos da Fiorentina, o avançado não conseguiria cimentar-se como uma das figuras dos “Axadrezados”.
Pouco utilizado na época seguinte à da sua chegada ao Estádio do Bessa, José Augusto, na temporada de 1988/89 encetaria um périplo de “empréstimos” a levá-lo ao primodivisionário Leixões e, na campanha seguinte, afastado de vez do convívio com os “grandes”, ao Rio Ave. De seguida, segundo as informações mais uma vez retiradas do “site” da Federação Portuguesa de Futebol, surgiriam as provas agendadas para 1990/91, repartidas entre o Régua e o Oliveira do Douro, e o fim da carreira do atacante, antes ainda de completar 30 anos de idade.

1551 - GARRIDO

Com o percurso formativo terminado com as cores do Monção, seria na agremiação do Alto Minho que José Garrido haveria de encetar a caminhada enquanto sénior. Tal passo, a levá-lo a partilhar o balneário com o avançado Penteado, fá-lo-ia entrar nas disputas do Campeonato Nacional da 3ª divisão de 1978/79. Aliás, seria nos escalões inferiores que o defesa-central trilharia praticamente toda a primeira metade da carreira. Ainda assim, 4 épocas cumpridas sobre a estreia do atleta na equipa principal do emblema raiano, surgiria a transferência para uma colectividade com outras ambições. No Gil Vicente a partir da campanha de 1982/83, o jogador começaria a ganhar o traquejo e a visibilidade que, alguns anos mais tarde, o levariam a ser cobiçado pelo Desportivo de Chaves.
A entrada nos “Flavienses” na temporada de 1986/87 coincidiria, não só com a sua estreia nas pelejas da 1ª divisão, como com a melhor classificação de sempre da colectividade sediada em Trás-os-Montes, no escalão máximo do futebol luso. Orientado por Raul Águas, sob as ordens do qual o conjunto “azul-grená” atingiria o 5º posto no Campeonato Nacional, o defesa-central, como um dos nomes mais utilizados no “onze”, seria também um dos responsáveis pela brilhante e inédita qualificação para as provas de índole continental. Apurado para a edição de 1987/88 da Taça UEFA, ao Desportivo de Chaves calharia em sorte disputar a ronda inicial da referida competição com Universitatea Craiova e o jogador, após participar nas duas mãos a com o conjunto romeno, também entraria em campo em ambos os jogos frente aos húngaros do Hónved.
As excelsas exibições conseguidas com a camisola do Desportivo de Chaves valer-lhe-iam, pela mão de Juca, algumas chamadas à selecção nacional. No entanto, apesar de ter chegado, em Dezembro de 1987, ao banco de suplentes em duas partidas a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, Garrido nunca alcançaria a tão almejada internacionalização “A”. Ainda assim, alguns meses após as aludidas presenças frente a Malta e a Itália, surgiria, sob a intendência do treinador referido no começo deste parágrafo, a convocatória para os “olímpicos” e o jogo, agendado frente à Islândia, a 24 de Maio de 1988, daria ao currículo do atleta 1 partida com a “camisola das quinas”.
Outro dos prémios alcançados com as exibições ao serviço dos “Flavienses” seria a transferência para o Benfica. Na Luz, a trabalhar sob as instruções de Toni, Garrido, na condição de suplente de Mozer e de Ricardo Gomes, daria um bom contributo para a conquista do Campeonato Nacional de 1988/89. Já na campanha seguinte, depois da contratação de Sven-Göran Eriksson, o defesa-central ainda participaria na pré-temporada das “Águias”. Contudo, seria preterido pelo técnico sueco e a alternativa surgiria no Boavista. Com a chegada ao Bessa na época de 1989/90, o jogador acabaria por regressar à titularidade. Escolhido em grande parte das partidas disputadas pelos “Axadrezados”, excepção feita a 1991/92, seria também dele a responsabilidade por momentos de relevo na história do clube portuense. Nesse contexto, ajudaria a vencer a Supertaça de 1992/93 e marcaria presença, ainda no mesmo ano, na final da Taça de Portugal.
Já na derradeira fase da carreira como futebolista, Garrido teria no plantel de 1993/94 do Famalicão a última presença no patamar maior português. Seguir-se-iam os dois anos ao serviço do Desportivo das Aves e o “pendurar das chuteiras” com o termo das provas agendadas para a temporada de 1995/96. No ano seguinte, encetaria o trajecto como treinador. Depois das primeiras épocas como técnico cumpridas em Portugal, o antigo defesa começaria uma extensa aventura pelo estrangeiro. Durante esse longo périplo, passaria pela Malásia, por vários países do Médio Oriente, onde chegaria a campeão pelos sauditas do Al-Batin, e teria ainda um experiência na selecção do Gabão, mas como Coordenador Técnico.

1530 - CAROLINO

Como atleta das “escolas” do Benfica, Álvaro Carolino seria chamado aos trabalhos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia, feita no âmbito das disputas agendadas para os juniores, aconteceria, numa partida frente a França, a 11 de Novembro de 1968. O mencionado desafio daria início a uma caminhada que terminaria, anos mais tarde, com o atleta a vestir a principal “camisola das quinas”. Nesse contexto, a primeira aparição do jogador surgiria durante a Fase de Apuramento para o Euro 76. Chamado por José Maria Pedroto, o defesa, a 19 de Novembro de 1975, participaria na jornada a opor Portugal a Inglaterra. Daí em diante, sempre pela equipa “A”, o atleta teria ainda nova oportunidade para entrar em campo e, na soma das aparições feitas pelos dois escalões referidos neste parágrafo, juntaria ao currículo 5 internacionalizações com as cores lusas.
Apesar de revelar um enorme potencial, a verdade é que, na altura de subir a sénior, Carolino, tapado no Benfica por nomes como Humberto Coelho, Jacinto ou Zeca, ver-se-ia obrigado a rumar noutra direcção. O destino acabaria por levá-lo ao Peniche e à 2ª divisão. Porém, o jovem atleta aproveitaria esses anos longe dos principais escaparates desportivos para ganhar o traquejo necessário a um crescimento sustentado. Já mais experiente, veria o Montijo a apostar na sua contratação e a apresentá-lo como reforço para o plantel de 1972/73. De regresso ao escalão principal, o defesa-central assumir-se-ia como um dos titulares da agremiação sediada na Margem Sul do Rio Tejo. Tamanho destaque faria com que o Boavista olhasse para si como uma boa aposta e o jogador, com Francisco Mário e João Alves como companheiros de viagem, deixaria a área metropolitana de Lisboa para partir em direcção ao Porto.
Ao entrar no Bessa na temporada de 1974/75, o defesa ajudaria a erguer uma das melhores fases da história dos “Axadrezados”. Com José Maria Pedroto como treinador, para além das boas prestações no Campeonato Nacional, como prova a 2ª posição em 1975/76, a Taça de Portugal transformar-se-ia num dos grandes palcos do colectivo sediado na “Cidade Invicta”. No contexto da “Prova Rainha”, Carolino, muito para além de participar nas finais de 1974/75 e de 1975/76, inscreveria o seu nome como um dos vencedores de ambas as edições. No entanto, mesmo tendo em conta todo o sucesso vivido, os últimos anos da sua ligação às “Panteras” seriam ingratos para o atleta, com o defesa-central afastado dos campos de jogo. Na sequência desse longo ocaso, a meio da temporada de 1980/81 o futebolista transferir-se-ia para a Académica de Coimbra e seria como atleta dos “Estudantes” que haveria de pôr um ponto final na carreira como praticante.
Apesar de “penduradas as chuteiras”, Álvaro Carolino manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador, mesmo com um trajecto maioritariamente relacionado a emblemas dos escalões secundários, o antigo defesa também teria experiencias na 1ª divisão. Aliás, dos primeiros anos como técnico tiramos as experiências à frente dos primodivisionários Boavista e Sporting de Espinho. Também nesse cenário competitivo, há ainda a destacar as suas passagens pelo Académico de Viseu e pelo Feirense. Merecedor de realce, temos igualmente de relembrar os anos cumpridos à frente do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, seria o grande responsável pela primeira subida da história dos “Flavienses” ao patamar maior do futebol luso e só não celebrou junto aos seus discípulos porque, por razão de um desentendimento com os dirigentes do clube, sairia antes da Liguilha que selaria a inédita promoção.

1492 - RICARDO SILVA


Ao terminar a formação no Boavista, seria também nos “Axadrezados” que Ricardo Emídio Ramalho da Silva teria a primeira experiência a trabalhar no escalão sénior. No entanto, na temporada de 1994/95, o jovem defesa-central não veria o treinador Manuel José a conceder-lhe qualquer oportunidade. Tal facto transformar-se-ia na provável causa para uma alteração de rumo. Todavia, é na sua mudança para o plantel de 1995/96 do Esposende, para onde partiria acompanhado de Petit, que reside a grande dúvida que tenho acerca do seu percurso. Terá o jogador integrado a nova equipa na condição de cedido pelas “Panteras”?; terá sido com um contrato a ligá-lo somente ao Esposende?; ou terá partido para a nova aventura após rubricar uma ligação ao FC Porto e na condição de emprestado? Curiosamente, em diferentes fontes, já encontrei essas 3 respostas como donas da verdade!
O que parece ser certo é que, nos anos seguintes, apesar de emprestado, Ricardo Silva já estava contratualmente ligado aos “Dragões”. Nesse sentido, no plantel de 1996/97 do Felgueiras, ainda na divisão de honra, o defesa-central, ao conseguir estabelecer-se como titular, acabaria também a merecer a atenção dos responsáveis técnicos pelos grupos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia com a “camisola das quinas”, no âmbito dos sub-21, aconteceria a 21 de Janeiro de 1997. Esse embate frente à Dinamarca, sob a alçada da dupla Rui Caçador/Jesualdo Ferreira, levaria o jogador a encetar uma caminhada que, entre o escalão referido e a equipa “B”, terminaria com 9 internacionalizações. Faltar-lhe-ia apenas uma partida pelo conjunto “A”, a qual esteve à beira de acontecer na preparação para o Euro 2004, quando Agostinho Oliveira, a 20 de Novembro de 2002 e frente à Escócia, haveria de sentar o atleta no banco de suplentes.
No que diz respeito à sua carreira clubística, Ricardo Silva estrear-se-ia na 1ª divisão ao serviço do Marítimo. Com a campanha de 1997/98 a correr-lhe de feição, o trabalho realizado com o treinador Augusto Inácio, ainda assim, não mereceria por parte do FC Porto a confiança necessária para que o atleta passasse a vestir de “azul e branco”. Tal só aconteceria na temporada de 1999/00, depois de mais uma brilhante época no escalão máximo, dessa feita ao serviço da União de Leiria. Contudo, a sua entrada no grupo orientado por Fernando Santos não traria ao defesa o destaque esperado e a sua utilização ficaria aquém dos números apresentados anteriormente. Depois de 3 épocas como suplente dos “Dragões”, o jogador, mais uma vez por empréstimo, passaria pelo plantel de 2002/03 do Vitória Sport Clube e, no ano subsequente, pelo Boavista. Seguir-se-ia, já a título definitivo, o vínculo com o Beira-Mar e, em 2005/06, o início de mais uma ligação à colectividade a jogar em casa no Estádio do Bessa.
Depois de 2 anos e meio com os “Axadrezados”, a Ricardo Silva assomar-se-ia a oportunidade de voltar a mudar de rumo. Com a ocasião a surgir do estrangeiro, o defesa-central mudar-se-ia para a Rússia. Porém, a escolha do FC Shinnik, onde, em 2008, encontraria Bruno Basto e onde chegaria a trabalhar sob as ordens de Sergei Yuran, dar-lhe-ia apenas a primeira temporada no escalão máximo. Com a campanha seguinte já efectuada no patamar secundário do país do Leste europeu, tal cenário faria com o jogador regressasse a Portugal, para integrar o Vitória Futebol Clube de 2009/10. As 4 campanhas entre os “grandes”, cumpridas pela agremiação de Setúbal, dar-lhe-iam um total de 16 inscrições feitas na 1ª divisão portuguesa. Tal número antecederia os últimos capítulos da sua carreira, nos quais vestiria a camisola de um Boavista já a militar nos escalões inferiores e, numa época e merecer a sua transição para as funções de treinador, a envergar as cores do Padroense.
Como treinador tem trabalhado, essencialmente, nas equipas de Nuno Capucho, com o seu currículo a mencionar passagens pelo Varzim, Rio Ave e Mafra.

1463 - ARTUR

Concluiria a formação no emblema da sua terra natal. Porém, a passagem dos juniores para os seniores não correria como o esperado e as 4 primeiras campanhas após a dita transição passá-las-ia ao serviço das “reservas” do Varzim. Na sequência desse primeiro desaire, seria apenas na temporada de 1971/72 que o defesa-central finalmente conseguiria convencer os responsáveis técnicos do clube. Após um arranque de carreira um pouco “lento”, a verdade é que daí em diante o jogador impor-se-ia como um elemento fulcral no arranjo táctico dos “Lobos-do-mar”. Ainda assim, com o conjunto do listado alvinegro a manter-se apenas pelas lutas dos escalões secundários, seriam precisos mais alguns anos para que Artur Nogueira Ferreira chegasse ao convívio com os “grandes”. Depois de ajudar o Varzim a sagrar-se campeão da edição de 1975/76 do Campeonato Nacional da 2ª divisão, Artur seria desafiado a mudar de clube. Com a entrada no Bessa a acontecer na temporada de 1976/77, numa altura em que já contava 28 anos de idade, o defesa-central depressa começaria a conquistar um lugar de destaque no plantel do Boavista. Orientado por Mário Wilson, logo na época inicial com as “Panteras”, o jogador seria chamado à novidade da disputa da Taça dos Vencedores das Taças. Num crescimento deveras rápido, mas condizente com a regularidade, eficácia e maturidade apresentadas dentro de campo, o atleta, na época seguinte, acabaria puxado para os trabalhos dos conjuntos sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia, no âmbito da equipa “B” de Portugal, aconteceria a 8 de Março de 1978, num particular frente à França. Seguir-se-ia, numa altura em que o escalão admitia alguns convocados excepcionalmente fora da idade prevista, um jogo pelos “esperanças”. Por fim, com um novo desafio pelos “BB” lusos, viria a 3ª internacionalização a colorir o seu currículo. No Boavista, já na alçada de Jimmy Hagan, o jogador adicionaria ao palmarés pessoal o primeiro grande título da carreira. Chamado pelo técnico inglês para a final e para a finalíssima da Taça de Portugal de 1978/79, o defesa-central, como um dos titulares indiscutíveis nas “Panteras”, tornar-se-ia num dos elementos fulcrais para a vitória frente ao Sporting. À glória do título ganho, seria também dele o regozijo de, na condição de capitão de equipa, receber o troféu correspondente ao triunfo na “Prova Rainha”. Já na sequência da competição conquistada no Estádio Nacional do Jamor, a colectividade portuense, com Mário Lino como treinador, entraria na disputa da primeira edição da Supertaça. Num “derby” da “Cidade Invicta”, frente ao FC Porto, mais uma vez os “Axadrezados” conseguiriam superiorizar-se ao adversário. Nesse novo sucesso colectivo e depois de ajudar a derrotar os “Azuis e Brancos”, seria novamente de Artur a honra de erguer o “caneco”. Após 7 épocas ao serviço do Boavista, durante as quais conseguiria somar um total de 231 jogos oficiais, o atleta despedir-se-ia das “Panteras” para, nos derradeiros capítulos como futebolista, ainda cumprir um par de temporadas com as cores do Vitória Futebol Clube. Ao “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 1984/85, o antigo defesa-central passaria a assumir as funções de treinador. Como técnico-principal, numa senda que começaria ao serviço dos alentejanos do Estrela de Portalegre, Artur construiria uma carreira feita essencialmente em colectividades dos escalões secundários. Para além do já referido, ainda guiaria emblemas como o Oriental, “Os Marialvas”, o Recreio de Águeda, AD Guarda, o Sporting de Lamego, o Gondomar ou o Rio Tinto. No entanto, nesse trilho, o destaque iria para o seu regresso ao Bessa, para trabalhar com o plantel de 1990/91.

1446 - TAVARES

Seria como atleta do Oliveira do Douro que José Tavares terminaria o percurso formativo para, na campanha de 1983/84, fazer a transição para o patamar sénior. Com os primeiros 5 anos da carreira passados na disputa dos “Regionais” e da 3ª divisão, a mudança para o Infesta iria alterar pouca coisa no cenário competitivo a que estava habituado. Porém, com o final da segunda campanha na colectividade dos arredores da “Cidade Invicta”, a surpresa surgiria e após a época de 1989/90 cumprida nas pelejas da 2ª divisão, o médio-defensivo veria o FC Porto a interessar-se pela sua contratação.
Com a entrada no Estádio das Antas a acontecer na temporada de 1990/91, o “trinco” passaria a trabalhar sob as ordens de Artur Jorge. Tapado pelo internacional André e também por Kiki, Tavares não teria muitas ocasiões para demonstrar o seu valor. Ainda assim, apesar de pouco utilizado, as oportunidades conquistadas levá-lo-iam, para além das partidas disputadas na Taça dos Clubes Campeões Europeus, a jogar e a vencer a Taça de Portugal.
Apesar da discrição da sua passagem pelo FC Porto, Tavares veria na transferência para o Boavista uma nova oportunidade para vingar no patamar máximo. Sem deixar os seus créditos por mãos alheias, o centrocampista, logo na campanha de 1991/92, tornar-se-ia numa das peças fundamentais do esquema táctico idealizado por Manuel José. Nessa época de estreia pelos “Axadrezados”, o jogador, dessa feita a garantir a presença na final marcada para o Estádio do Jamor, acrescentaria ao palmarés pessoal outra vitória na Taça de Portugal. Seguir-se-ia, na campanha subsequente, a conquista da Supertaça. Depois, viria mais uma campanha no Bessa e com as “Panteras” nas competições continentais e, em paralelo, na disputa dos lugares cimeiros da tabela classificativa do Campeonato Nacional, a cobiça de outros emblemas far-se-ia sentir.
A transferência para o Benfica na época de 1994/95, onde chegaria acompanhado por Nelo, levá-lo-ia a competir na Liga dos Campões. Novamente com Artur Jorge como técnico, Tavares seria uma das vítimas daquela que viria a transformar-se numa das piores alturas da história do Benfica. Mesmo utilizado com alguma frequência, o momento conturbado em que as “Águias” estavam a entrar, faria com que a sua passagem pela colectividade lisboeta ficasse aquém do esperado. Após uma temporada com os “Encarnados”, o médio-defensivo retornaria ao Bessa e de novo ao serviço do Boavista, muito para além de voltar a ser aferido como um intérprete influente, o atleta entraria provavelmente na melhor fase do trajecto profissional.
Com o fim da campanha de regresso ao Bessa, Tavares viveria o momento de maior monta na carreira. Depois de ter conseguido estrear-se com as cores de Portugal a 20 de Abril de 1994, esse amigável frente à Noruega, ainda com Nelo Vingada como seleccionador, marcaria o arranque de uma caminhada que, com a “camisola das quinas”, passaria também pela Fase de Qualificação para o Euro 96. Já com Portugal apurado para a Fase Final do torneio organizado em Inglaterra, o médio veria o seu nome a ser arrolado, por António Oliveira, para o conjunto de atletas a viajar até às “Terras de Sua Majestade”. Incluído no grupo apelidado como “Lusitanos”, o atleta participaria em 3 partidas e, com esses jogos, encerraria o percurso ao serviço da selecção com 8 internacionalizações.
No que diz respeito ao trajecto clubístico, Tavares estaria presente no “onze” que disputaria e acabaria por vencer a edição de 1996/97 da final da Taça de Portugal. Curiosamente, a partida disputada no Estádio Nacional transformar-se-ia na última do médio pelo Boavista. Ainda na 1ª divisão, o jogador integraria o plantel de 1997/98 da União de Leiria. Por fim, a partir da época de 1999/00, dar-se-ia o seu regresso ao Infesta e o fim da carreira com o termo da campanha de 2002/03.

1437 - LOBO

Mais uma vez, e começa a parecer fado, escolhi escrever a biografia de um atleta que, sem saber de antemão, iria revelar-se, em boa parte da carreira, um verdadeiro mistério. Nesse sentido, de Joaquim Lopes Lobo, natural de Vieira de Leiria, posso dizer-vos que encontrei como referência a um primeiro emblema, sem contudo encontrar a(s) correspondente(s) temporada(s), a sua passagem pelo Sport Lisboa e Marinha.
Mais consistente surgiu-me a informação da sua integração no plantel do Belenenses de 1965/66. Com os “Azuis”, o defesa-esquerdo, a trabalhar às ordens do brasileiro Jorge Vieira, terá feito, na campanha ainda agora referida, a estreia na 1ª divisão. Será dessa mesma época a única de 3 internacionalizações que, através da deficiente comunicação encontrada no “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol, consegui confirmar como pertencente ao currículo do atleta. A partida, disputada a 23 de Maio de 1966, frente à Bulgária, fez parte do calendário agendado para o Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Nessa ficha de jogo, que nos dá a conhecer José Maria Canhoto como “timoneiro”, podemos ainda encontrar nomes que haveriam de singrar no desporto luso, casos de Damas, Rebelo, Camolas ou Brasfemes.
Também no escalão máximo do futebol português, parece ser certa a sua passagem pelo Atlético Clube de Portugal de 1966/67. Na colectividade sediada no bairro lisboeta de Alcântara, o defesa terá dado continuidade à sua caminhada primodivisionária. O pior, no que ao conhecimento diz respeito, emergiu dos anos seguintes. Num somatório de dados contraditórios, omissos e, acima de tudo, muito confusos, as poucas coisas que consegui aferir foram as experiências do atleta com as camisolas do Salgueiros e, na tão habitual passagem por África e pelo Serviço Militar Obrigatório, as jornadas feitas com o emblema do Sporting de Lourenço Marques.
Com a chegada da temporada de 1972/73, e avante no tempo, quero pensar nos dados encontrados, em diversas fontes, como fidedignos. Com essa ideia presente, posso asseverar-vos a chegada de Lobo ao Estádio do Bessa como reforço para a temporada mencionada no encetar deste parágrafo. Num grupo de trabalho comandado por Aymoré Moreira e com nomes como Bernardo da Velha, Mário João, Taí, Acácio Casimiro, Barbosa ou Moinhos, o defesa-canhoto conseguiria erigir aquela que, em prestações pessoais, terá sido a época de maior constância na sua carreira como futebolista. Daí em diante, ainda que tendo perdido alguma da preponderância inicial, o atleta manter-se-ia como um elemento de boa presença no plantel dos “Axadrezados”. Os grandes destaques terão de ir para as duas últimas épocas realizadas pelo jogador ao serviço do conjunto com os jogos domésticos disputados na “Cidade Invicta” e para as prestações colectivas na Taça de Portugal. Já com José Maria Pedroto à frente das “Panteras”, a equipa portuense chegaria, consecutivamente, a 2 finais. Quanto a Lobo, esse contexto glorioso, apesar da única presença na derradeira contenda da competição ter-se cingido à segunda edição aqui aludida, traria ao seu palmarés as vitórias nas edições de 1974/75 e 1975/76 da apelidada “Prova Rainha”.
O resto do seu trajecto competitivo seria feito, exclusivamente, nos patamares secundários. Após a transferência para a União de Leiria na temporada de 1976/77, Lobo, com um par de campanhas cumpridas na agremiação da “Cidade do Lis”, arrepiaria caminho para o Rio Maior. Seguir-se-iam, com experiências como treinador-jogador à mistura, as passagens por Vieirense, Marinhense e, num regresso ao emblema da terra natal, o fim da carreira com o termo da época de 1982/83.

1414- PALHARES

Com a formação terminada no “escolas” do Sporting, seria ainda como atleta das camadas jovens que Rui Palhares começaria a ser chamado aos trabalhos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Naquele que hoje é denominado por escalão sub-18, o extremo-esquerdo faria a sua estreia, pela mão de José Augusto, a 13 de Novembro de 1972. Após os primeiros passos, ao lado de nomes que ficariam bem conhecidos do público português, tais como Tozé Fonseca, Abreu, Barrinha ou José Domingos, o canhoto prosseguiria a sua caminhada com a “camisola das quinas”. No trajecto com as cores lusas, que incluiria chamadas aos “esperanças” e aos “olímpicos”, o destaque iria para a entrada nos planos da equipa principal. Nesse contexto, a primeira aparição em campo surgiria alguns anos depois. A 15 de Abril de 1981, com Juca no papel de seleccionador, dar-se-ia o arranque de uma caminhada que terminaria em 1985 e com um somatório de 6 internacionalizações “A”.
No que diz respeito ao seu trajecto clubístico, seria no Sporting Clube de Portugal que Palhares daria os primeiros passos como sénior. Ao ser aferido como um atleta de enorme potencial, com as chamadas às jovens selecções nacionais a sublinhar essa avaliação, a sua primeira aparição na equipa principal dar-se-ia, sob as ordens de Mário Lino, numa partida a contar para a edição de 1973/74 da Taça de Honra. Porém, nesses anos iniciais com o conjunto leonino, o extremo, ou médio-ala, poucas vezes seria chamado às pelejas futebolísticas. A mudança começaria a notar-se apenas na temporada de 1976/77, já com Jimmy Hagan aos comandos do “Leão”. Ainda assim, com o termo da referida campanha e com o fim da ligação contratual, o jogador preferiria deixar Alvalade e daria continuidade à sua carreira noutro emblema.
Ao serviço do Vitória Futebol Clube a partir da época de 1977/78, Palhares começaria a vincar as qualidades que nele haviam desenhado um tremendo potencial. No emblema da cidade de Setúbal, inicialmente orientado por um homem também com forte ligação ao Sporting, o treinador Fernando Vaz, o atleta daria passos decisivos para a sua afirmação como um intérprete de cariz primodivisionário. Seguir-se-ia, sem abandonar o escalão máximo, o Varzim de António Teixeira. Cumprida a temporada de 1979/80 com o listado dos “Lobos do Mar”, durante a qual contribuiria para o 9º lugar no Campeonato Nacional, o jogador arrepiaria caminho para o Bessa e com os “Axadrezados” viveria aqueles que, poderei afirmar com segurança, viriam a tornar-se nos melhores anos da sua carreira profissional.
Com a entrada no plantel do Boavista a acontecer na campanha de 1980/81, Palhares encetaria um capítulo da sua caminhada competitiva que, muito para além de fazer da colectividade portuense a mais representativa da sua carreira, dar-lhe-ia, como mencionado no parágrafo inicial desta biografia, a maioria das tão almejadas internacionalizações “A”. Tendo, na transição da Póvoa de Varzim para o Estádio do Bessa, acompanhado o técnico António Teixeira, o ala-canhoto, também sob a orientação dos treinadores seguintes, manteria a preponderância para os excelsos resultados colectivos, com o maior relevo, resultado das posições cimeiras no Campeonato Nacional, a irem para as provas continentais. Na Taça UEFA, o jogador destacar-se-ia principalmente na edição de 1981/82, na ronda frente ao Atlético de Madrid, onde um golo seu ajudaria a eliminar os “Colchoneros”.
A entrada na derradeira fase da sua senda profissional levá-lo-ia a vestir mais duas cores. Depois da temporada de 1985/86 a envergar a camisola do Sporting de Braga, período durante o qual ainda seria chamado à selecção nacional, Palhares, pela primeira vez, conheceria os meandros dos patamares secundários. Ao serviço do Estrela da Amadora, o atleta faria parte de um momento histórico para a agremiação da Reboleira e, consumada a subida no final da campanha de 1987/88, o médio-ala acompanharia os “Tricolores” na estreia na 1ª divisão.
Depois de “pendurar as chuteiras” com o fim da época de 1988/89, Palhares manter-se-ia ligado à modalidade e viria a evidenciar-se como treinador das camadas jovens do Sporting, tendo conquistado diversos títulos nacionais.

1397 - BRAVO

Ainda como elemento pertencente às “escolas” do Benfica, João Bravo viria a ser convocado para os trabalhos das jovens selecções portuguesas. No escalão hoje conhecido como sub-18, o atacante seria incluído num grupo de trabalho onde marcariam também presença nomes que acabariam por ficar bem conhecidos no futebol luso, casos de Formosinho, Cavungi ou Chalana. Nesse “particular” frente a França, disputado no barreirense Estádio D. Manuel de Mello, o atleta entraria em campo já no decorrer da partida e, com disputa calendarizada para 1 de Janeiro de 1975, o jogador conseguiria embelezar o seu currículo com 1 internacionalização.
Com o fim do percurso formativo, Bravo seria chamado aos seniores do Benfica. No entanto, a forte concorrência de elementos com mais traquejo no plantel sob o comando de Mário Wilson, faria com o jogador passasse a temporada de 1975/76 com as “reservas” “encarnadas”. Sem conseguir somar qualquer minuto pela equipa principal, o avançado terminaria a sua ligação às “Águias” e arrepiaria caminho com outros emblemas ao peito. No ano seguinte à saída da Luz, o jovem atleta, a vogar pela 2ª divisão, passaria a envergar a camisola do Torres Novas. Na campanha subsequente, já ao serviço do União de Tomar, o maior destaque, sem menosprezar outros acontecimentos, haveria de ir para o balneário partilhado com António Simões e com Eusébio. Falta ainda fazer referência, nesses primeiros anos, à época vivida com cores do Benfica de Castelo Branco, a qual permitiria ao atleta dar um salto qualitativo na sua caminhada profissional.
Com a sua evolução a justificar outros patamares competitivos, seria o Boavista a apostar na sua contratação. No Bessa a partir da temporada de 1980/81, Bravo conseguiria, no comando de diferentes técnicos, assumir-se como um dos principais esteios da equipa. Logo na primeira campanha com as “Panteras”, para além da estreia naquele que é o patamar maior do futebol português, também as competições continentais surgiriam na sua caminhada, com o atleta a participar nas eliminatórias da Taça UEFA frente ao Vasas e ao Sochaux, como uma verdadeira novidade. Já na quarta campanha cumprida com os “Axadrezados”, Bravo acabaria por desperdiçar algum do fulgor até aí apresentado. Com a perda de preponderância no seio do grupo de trabalho do Boavista, brilho que em anos anteriores chegaria a prometer outros voos, o fim da época de 1983/84 traria igualmente o termo da sua ligação à colectividade portuense.
Seguir-se-ia a aposta no Tirsense. Porém, aquela que viria a tornar-se na agremiação mais representativa do seu trajecto competitivo levá-lo-ia, por outro lado, a afastar-se em definitivo dos contextos competitivos primodivisionários. Daí em diante, durante meia-dúzia de temporadas consecutivas, os “Jesuítas” configurar-se-iam como a sua nova morada. Já mesmo na fase derradeira da carreira, num regresso à zona de Lisboa, o atacante ainda teria tempo para exibir a camisola do Bairro da Boavista e, na campanha de 1992/93, o emblema do Atlético do Cacém.

1380 - TIMOFTE


Depois de, nos primeiros anos como sénior, representar, nas divisões inferiores do futebol romeno, o Minerul Anina e o CSM Resita, Ion Timofte conseguiria chegar ao escalão máximo do seu país. Integrado no Poli Timisoara a partir da temporada de 1989/90, o atleta confirmaria todas as características que, já por essa altura, faziam dele uma grande promessa. Ao sublinhar-se como um intérprete de excepcionais dotes técnicos, enorme visão de jogo e dotado de um pé canhoto exímio nos passes e nos remates de longa distância, o jogador ajudaria a empurrar o seu emblema para as posições cimeiras do Campeonato e, por consequência, até às provas continentais. Nesse contexto competitivo, o destaque iria para a edição de 1990/91 da Taça UEFA e, após o afastamento do Atlético de Madrid na primeira ronda, para o embate frente ao Sporting. Tal como na eliminatória frente aos “Colchoneros”, o médio-ofensivo marcaria presença em ambas as partidas. Contudo, com uma pesada derrota em Alvalade (7-0), a sorte já não voltaria a sorrir aos “Banatenii”.
Seria ainda como atleta do Poli Timisoara, que Timofte chegaria aos planos da principal selecção do seu país. Chamado por Mircea Radulescu à Fase de Qualificação para o Euro 92, o embate frente à Suíça serviria de estreia para o médio-ofensivo. A ligação às cores romenas prolongar-se-ia por mais alguns anos, com o jogador a acumular um total de 10 internacionalizações “A”, mas com a desilusão de não ter estado no Campeonato do Mundo de 94 e no Europeu realizado em Inglaterra – “Tenho de ser honesto e dizer que a Roménia tinha uma grandíssima equipa. Todos os convocados tinham uma qualidade tremenda. Não digo que seria titular indiscutível, mas vinha de três temporadas de muito bom nível no FC Porto e merecia indiscutivelmente pelo menos estar nos convocados (…). Apenas soube que não ia ao Mundial quando a lista de convocados foi tornada pública. E aceitei, que remédio. Não tive problemas com o senhor Iordanescu. Aliás, depois do Mundial ainda fui chamado para três mais jogos e acho que só não fui ao Euro 96 porque parti a perna num Boavista-Campomaiorense, poucos meses antes”*.
Em termos clubísticos, depois do período passado na Roménia, seguir-se-ia o FC Porto. Com a entrada nas Antas a acontecer na temporada de 1991/92, nos 3 anos passados com os “Azuis e Brancos”, sempre por empréstimo do Poli Timisoara, Timofte assumir-se-ia como um dos atletas mais importantes nas manobras tácticas dos diferentes treinadores. Primeiro com Carlos Alberto Silva e, na última campanha, sob a alçada de Tomislav Ivic e, posteriormente, orientado por Bobby Robson, o médio, com números de enorme valor, constituir-se-ia como um dos grandes pilares da conquista de 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças.
 Ao manter-se, durante o tempo cumprido nas Antas, com um dos titulares dos “Dragões”, a sua saída acabaria por surpreender a maioria os adeptos. Com a indefinição do FC Porto relativa à sua contratação, a verdade é que seria outro emblema da “Cidade Invicta” a adiantar-se na corrida – “Já me estava a preparar para jogar num clube em França. Entretanto, por coincidência, o meu melhor amigo fora do futebol cruzou-se com o treinador Manuel José e disse-lhe que eu ia sair do FC Porto. E que era um jogador livre (…). Meia-hora depois, o major Valentim telefonou-me e marcou uma reunião comigo (…). Estava lá ele, o João Loureiro e o engenheiro Sebastião Fernandes. Cheguei, o major quase não me deixou falar, chegámos facilmente a acordo, tirei uma foto e assinei pelo Boavista. Simples, não? No fundo, o Boavista teve mais vontade do que o FC Porto em ter-me”*.
Apresentado como reforço do Boavista para a temporada de 1994/95, Timofte em nada mudaria no que à sua importância diz respeito. Figura habitual no “onze” dos “Axadrezados”, o internacional romeno tornar-se-ia numa das figuras fulcrais para a ascensão das “Panteras” até ao topo do futebol português. Nessa caminhada, os destaques emergiriam com as duas conquistas sob o comando de Mário Reis: a da Taça de Portugal de 1996/97 e, com um golo seu a ajudar à vitória, o triunfo na Supertaça da época seguinte. É também impossível esquecer a participação do médio nas competições continentais, mormente na “Champions” de 1999/00. Faltou-lhe no currículo, por razão de ter “pendurado as chuteiras” no final da última época mencionada, o título de campeão nacional.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 21/06/2018, em https://maisfutebol.iol.pt