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1251 - MASSANO

Manuel Massano, natural da histórica cidade raiana, cresceria para a prática do desporto numa das mais representativas colectividades da sua terra natal. No Sport Lisboa e Elvas, filial nº6 do Benfica, o jovem atleta cumpriria a formação. Contudo, com a equipa sénior a militar nos escalões mais baixos, a procura por agremiações com metas mais ambiciosas e condizentes com as suas capacidades futebolísticas, levá-lo-ia até à capital de distrito.
No Grupo Desportivo Portalegrense, onde venceria algumas edições do “regional”, Massano apuraria as suas qualidades. Tecnicamente dotado, o jogador destacar-se-ia na linha ofensiva, como um elemento capaz de carregar a bola, de municiar os colegas e, dono de uma boa finalização, com a habilidade para também marcar muitos golos. A extremo-direito, mas preferencialmente a interior do mesmo lado, depressa começaria a desenhar-se como um verdadeiro craque. A disputar a 2ª divisão, ganharia o traquejo suficiente para ambicionar outros voos e, já com algumas épocas de experiência nos seniores, dar-se-ia o seu regresso às “Águias” alentejanas.
De volta ao Sport Lisboa e Elvas na temporada de 1944/45, o jogador encontrar-se-ia, como é o exemplo de Demétrio Patalino, com um numeroso leque de craques. Com o clube a crescer vigorosamente, logo nessa campanha de entrada do interior-direito, o emblema elvense conquistaria o Campeonato Regional de Portalegre, o primeiro da sua história. Nessa mesma época registar-se-ia outro marco importantíssimo. Com Massano visto como um dos grandes nomes do colectivo, as prestações dos “Encarnados” levá-lo-iam a alcançar os lugares de promoção e, com isso, a conseguirem empurrar a agremiação para a estreia no escalão máximo do futebol português.
O encetar dos episódios primodivisionários na carreira de Massano, ocorreria num embate caseiro frente ao Boavista e com um golo por si concretizado a carimbar a vitória por 6-3. Como um dos mais utilizados no plantel, o atleta cevaria o estatuto de titular nessa temporada de 1945/46, tal como nos anos vindouros. Com a fusão do Sport Lisboa e Elvas com o Sporting Clube Elvense a dar origem ao “O Elvas” Clube Alentejano de Desportos, o jogador, a partir da campanha de 1947/48 e sem descurar as exibições, prosseguiria a caminhada competitiva com o “azul e ouro” das recém-criadas camisolas. Aliás, seria sob a alçada da nova divisa que cumpriria as melhores temporadas. Tido como um dos grandes intérpretes das provas nacionais, o atacante marcaria presença em todos as partidas agendadas para as três primeiras épocas da agremiação na 1ª divisão. Essas 78 pelejas transformá-lo-iam, ainda hoje está assim o registo, no elemento com mais jogos disputados pelo emblema no patamar máximo. Paralelamente ao referido número, o avançado seria chamado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Infelizmente, apesar de bem cotado, o futebolista não teria a honra de envergar as “quinas” em eventos oficiais.
Com a descida do “O Elvas” à 2ª divisão de 1950/51, a carreira de Massano entraria igualmente numa fase descendente. Depois de 3 temporadas em que apenas dedicaria o tempo às actividades de atleta, a época de 1953/54, sem deixar o emblema alentejano, serviria de transição para outras tarefas. Ainda durante alguns anos a apresentar-se como treinador-jogador, o avançado também representaria o Marinhense, o Ginásio de Alcobaça e “Os Nazarenos”. De seguida, em exclusivo nas funções de técnico, passaria por Tramagal, Alferrarede, Campomaiorense e ainda regressaria ao mais popular emblema da sua cidade.

589 - PATALINO

Foi um fenómeno do futebol nos anos 40 e 50, a par de outros nomes como Rogério Carvalho ou Peyroteo. Então, se foi assim tão prodigioso, porque quase ninguém o conhece???!!!
A história de Patalino é bastante peculiar e de uma paixão estranha aos dias de hoje. É Elvas, a sua cidade natal, que acaba por marcar a sua vida. Nela, dá os primeiros chutos na bola e seria também aí que atingiria o estrelato!
Já depois de ter vestido as camisolas do Sporting Elvense e do Clube de Futebol "Os Elvenses", aceita o convite para representar o Sport Lisboa e Elvas. A sucursal do Benfica, e, por esses tempos, a maior potência do Distrito de Portalegre, haveria de ser a sua porta de entrada para o futebol de alta competição. É, então, pela mão das "Águias" alentejanas, e após um curto empréstimo as Lanifícios de Portalegre, que Patalino chega à 1ª Divisão.
Nessa temporada de 1945/46, onde o seu nome era ainda uma incógnita, as suas qualidades iriam alterar o seu estatuto. De um porte físico imponente e com capacidades bem acima dos demais companheiros da modalidade, Patalino era um atacante rápido, possante e com um bom poder de elevação. Essas suas características faziam dele um avançado-centro de alto gabarito. O seu forte remate, a boa técnica ou até o jogo de cabeça, eram uma graça para quem o via jogar. Os golos, muitos, acabariam por o pôr lado-a-lado com grandes astros da altura.
É já com as cores do "O Elvas", clube nascido da fusão entre o Sport Lisboa e Elvas e Sporting de Elvas, que Patalino, em Maio de 1949, faz a sua estreia pela Selecção Nacional. Por essa altura, já o avançado era um nome consensual nos meios desportivos. Este sucesso, aliado à sua posição dentro de campo, projectava-o como o natural sucessor de outro grande nome do futebol lusitano. Ora, tanto para o Sporting, como com a "Camisola das Quinas", Patalino era o preferido para suceder a Peyroteo.
Mas, tal como agora, a imprensa da altura era pródiga em especulações. Muito se falou sobre a tal “sucessão” e, infundadamente, sobre as disputas entre ambos os atletas - "Eu e o Fernando [Peyroteo] somos bons amigos! Todas as rivalidades existentes entre nós são derivadas da imaginação, por vezes «maliciosa», de alguns jornalistas... Inclusivamente houve um que, interpretando mal as minhas palavras, declarou ao grande público que eu estava convencido que, se jogasse entre 2 interiores da categoria de Vasques e Travassos, já seria há muito tempo o melhor avançado-centro português!"*.
Apesar da muita tinta gasta no anúncio da passagem de testemunho, a verdade é que a transferência para os "Leões" nunca ocorreria. Patalino jamais haveria de se mudar... nem para o Sporting, nem para o Benfica, nem sequer para nenhum dos emblemas estrangeiros (Bordeaux; Atletico de Madrid; Sevilla; Real Madrid) que, igualmente, o assediariam. Estranho?!!! Sim!!! Mas a recusa do jogador era simples. Prendia-se, como o próprio chegaria a confessar, com "uma questão sentimental"; prendia-se com a vontade de nunca abandonar Elvas!
No entanto, o divórcio entre a cidade e o atleta, acabaria mesmo por acontecer. Com "O Elvas" relegado para o escalão secundário, e com o clube a mostrar sérias dificuldades para regressar aos patamares maiores do nosso futebol, Patalino acabaria por aceitar o convite de outro primodivisionário. O novo capítulo da carreira do internacional português, não o levaria para muito longe. Em Évora, agora com as cores do Lusitano, Patalino passaria as próximas temporadas.
Numa equipa recheada de bons jogadores, casos dos internacionais José Pedro e Dinis Vital, Patalino saberia conquistar o seu lugar. A jogar a extremo, ou como a ponta-de-lança, rapidamente se tornaria num dos elementos chave do “onze” eborense. A prova da sua relevância ficaria demonstrada a cada jornada disputada. No entanto, há jogos que perduram na memória. Um deles seria a deslocação do Lusitano à "Cidade Invicta". Essa partida, a contar para a Taça de Portugal, ficaria marcada pelo eliminação do FC Porto (0-2), com as assistências para golo, a serem ambas da autoria de Patalino.
O ano de 1956 marca o seu afastamento dos palcos maiores do nosso futebol. Longe das luzes da ribalta, o avançado começou a vogar por clubes dos escalões secundários. Esse seu périplo levá-lo-ia a representar o FC Serpa, o Luso do Barreiro e, numa carreira que perduraria para além dos 40 anos, a terminar no Arrentela.


* Publicado na Revista "Flama"; artigo de João J. Xara