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1664 - KEITH BURKINSHAW

Ainda jovem haveria de assinar um contrato amador com o Wolverhampton Wanderers, mas apenas para ser encaminhado para o “satélite” Wath Wanderers, equipa sediada em Yorkshire, o seu condado natal. Não muito tempo depois, naquela que viria a tornar-se na estreia enquanto sénior, Keith Burkinshaw seria apresentado como reforço do Denaby United. No entanto, apesar da modéstia do emblema por si representado, as suas exibições seriam suficientes para despertar a atenção de um dos gigantes do futebol britânico e o médio-interior ou defesa passaria, a partir da temporada de 1953/54, a representar o Liverpool.
Apesar de fazer parte dos quadros de um dos históricos do desporto europeu, a verdade é que Keith Burkinshaw jamais conseguiria afirmar-se no conjunto principal dos “Reds”. Aliás, a única presença em campo haveria de consegui-la, pela mão de Don Welsh, no decorrer da campanha de 1954/55, numa partida a contar para o 2º escalão inglês, frente ao Port Vale. Ainda assim, mesmo só tendo lugar nas categorias inferiores, o jogador ainda haveria de manter-se na equipa por alguns anos e a separação com a colectividade de Merseyside surgiria apenas com o termo da época de 1956/57.
Talvez com o objectivo de uma utilização mais regular, Keith Burkinshaw, para a campanha de 1957/58, escolheria o Workington para prosseguir a carreira. No emblema da Cúmbria, apesar dos objectivos modestos da agremiação, o atleta cumpriria uma grande fatia do seu percurso competitivo. Depois de passar cerca de 8 anos a disputar os jogos caseiros no Borough Park, a temporada de 1965/66 apresentá-lo-ia ao último emblema da caminhada enquanto futebolista. No Scunthorpe United manter-se-ia em actividade durante mais 3 épocas e pouco tempo após o término de 1967/68, o antigo jogador abraçaria as funções de treinador.
Em abono da rectidão, não seria no Newcastle United de 1968/69, para onde acabaria contratado como treinador-adjunto, que Keith Burkinshaw teria a primeira experiência no lugar de técnico. Tal papel já tinha sido, embora de forma interina e adicionado às obrigações de futebolista, interpretado por si no Workington e no Scunthorpe. No entanto, os “Magpies” marcariam o ponto a partir do qual, e em definitivo, o antigo jogador viria a assumir-se no referido cargo. Nessa evolução, não tardaria muito que ficasse à frente da equipa. A promoção aconteceria na temporada de 1971/72 e daria início a uma caminhada com diversos pontos de enorme interesse.
As 4 épocas feitas no escalão cimeiro do futebol inglês e a presença na final da FA Cup de 1973/74 pelo Newcastle elevariam a cotação de Keith Burkinshaw. O resultado imediato desse acréscimo de valor surgiria com o interesse de outros emblemas e com o contrato rubricado com o Tottenham Hotspurs. Apesar de inicialmente apenas ocupar o lugar de adjunto, a descida de divisão logo na época da sua chegada a Londres, faria com que os responsáveis directivos do clube apostassem em si para o cargo de “Manager”. Em boa hora surgiria tal declaração de apoio, pois os anos cumpridos em White Hart Lane traduzir-se-iam na sua entrada para o “Hall of Fame” da colectividade sediada na capital. Para tamanha honra muito contribuiriam os títulos conquistados e depois das vitórias em 2 FA Cups e 1 Charity Shield viria o triunfo na edição de 1983/84 da Taça UEFA.
Seria já como um técnico consagrado e depois de uma curiosa passagem pela selecção do Bahrein que, a meio da temporada de 1986/87, Keith Burkinshaw chegaria a Portugal. Contratado pelo Sporting, o técnico inglês apanharia o clube numa situação periclitante. Ainda assim, conseguiria chegar à final da Taça de Portugal e, com o termo da época em crescendo, os responsáveis pelos “Leões” sublinhariam o voto de confiança depositado no treinador. Já o encetar da campanha seguinte traria a polémica dispensa de Manuel Fernandes. Depois seguir-se-ia uma primeira metade do Campeonato Nacional mal conseguida, a vitória na Supertaça de 1987/88 e, com a passagem de ano à vista, o seu despedimento.
Ao deixar Lisboa, Keith Burkinshaw como que entraria no ocaso da sua ligação ao futebol. Daí em diante passaria por diversos emblemas e em diferentes funções. Nessa caminhada desempenharia o papel de “Manager” no modesto Gillingham e nos malaios do Pahang, aceitaria o cargo de Director do Gabinete de Prospecção do Swindon Town e tornar-se-ia adjunto, e mais tarde “Manager”, do WBA. Por fim, há ainda a registar a sua ligação ao Abeerden, onde seria nomeado como Director para o futebol ou o vínculo ao Watford onde entraria como “Assistant Manager”.

856 - HÉLDER POSTIGA


Embora tendo começado pelas “escolas” do Varzim, seria no FC Porto que Hélder Postiga faria grande parte da sua formação. Ainda em idade júnior começaria a ser chamado à equipa “B”, para, na temporada de 2001/02, fazer a estreia pelo conjunto principal dos “Dragões”. Com contratação de José Mourinho para treinador, o avançado passa a ser mais utilizado, acabando por conquistar um lugar no “onze” inicial. Na época seguinte, e já na condição de titular, participa numa das melhores campanhas da história do clube. O Campeonato, a Taça de Portugal e a Taça UEFA, todos conquistados durante 2002/03, acabariam por transformá-lo num dos atletas mais cobiçados na Europa.
Com a cotação em alta, o avançado acabaria por continuar a carreira em Inglaterra. Apesar de ser visto como uma grande promessa, a verdade é que a sua ambientação seria mal conduzida. Para piorar, Glenn Hoddle acabaria despedido. Afastado o “manager” responsável pela sua contratação, a sua adaptação ao Tottenham ficaria ainda mais comprometida – "Fui eu que escolhi o clube, até porque na altura havia alternativas, até mais vantajosas do posto de vista financeiro. Mas eu apontei para ali... Foi complicado: nunca tinha saído do país, não falava a língua, era muito novo. Estava muito habituado à família, aos amigos, aos meus sítios... Cá, quando chegava alguém para a equipa, fazíamos questão de mostrar os melhores restaurantes, os bairros mais simpáticos para viver, de criar um ambiente que acelerasse a adaptação. Eu, em Londres, não tive nada disso (…)”*.
Apesar de 2003/04, em termos de clube, ter acabado por ser uma temporada negativa, a chamada ao Euro 2004 compensaria esse desaire. Convocado por Luíz Felipe Scolari, Hélder Postiga acabaria por ser pouco utilizado no certame organizado em Portugal. Contudo, a sua participação no desafio referente aos quartos-de-final, empurraria a selecção em direcção à derradeira contenda do torneio. Frente à Inglaterra, com a equipa lusa a perder por 0-1, o avançado entraria em campo aos 75 minutos. Já com a segunda parte bem perto do fim, o ponta-de-lança marcaria o golo que levaria o jogo para o prolongamento. Com tudo a acabar num empate a 2, seguir-se-iam os “penaltys”. No desempate, a atrevimento do atleta ficaria na memória de muitos. Chamado à “marca dos 11 metros”, e demonstrando uma calma impressionante, o avançado concretiza o “castigo máximo” à moda do polaco Panenka.
O regresso ao FC Porto, envolvido na ida de Pedro Mendes para o emblema londrino, faria com que Hélder Postiga entrasse numa fase conturbada da sua carreira. Não conseguindo agradar aos treinadores contratados pelos “Azuis e Brancos”, o jogador acabaria por ser emprestado por duas vezes. Saint-Etienne (2005/06) e Panathinaikos (2007/08) acabariam por ser os emblemas que, durante esses 4 anos de contrato, também acolheriam o atleta. Depois, viria uma grande surpresa e a sua transferência para o Sporting. Em Lisboa, o percurso do ponta-de-lança voltaria a estabilizar. Começaria a ser utilizado com mais regularidade e, para além de vencer a Supertaça de 2007/08, acabaria por ver o valor do seu passe aumentar.
 É na sequência dessa caminhada que da “La Liga” surge mais um convite. No Zaragoza, com a transferência a concretizar-se já após o começo da temporada de 2011/12, Hélder Postiga passaria as 2 campanhas seguintes. Apesar do bom desempenho do avançado, o clube acabaria por descer de escalão em 2013. Após a despromoção do emblema de Aragão, a carreira do internacional português como que entraria na derradeira fase. Durante esse último capitulo, tempo ainda para representar clubes como o Valencia, Lazio, Deportivo, Rio Ave e, consigo sagrar-se campeão em 2016, os indianos do Atlético de Kolkata.
Após decidir afastar-se dos campos de futebol, Hélder Postiga continuaria ligado à modalidade. Tendo “pendurado as chuteiras”, o antigo futebolista tem-se destacado como comentador desportivo, com participações em diversos programas da RTP.

*retirado do artigo de João Gobern, publicado a 16/07/2016, em www.dn.pt

847 - ALF RAMSEY

A paixão pelo desporto começaria quando ainda era um garoto. Como estudante, haveria de praticar uma série de diferentes modalidades. Desde o cricket ao boxe, passando por várias disciplinas do atletismo, Alf Ramsey haveria de experimentar quase tudo. No entanto, a sua grande paixão era o futebol. A representar a equipa da escola, o jovem jogador conseguiria destacar-se dos demais. Mesmo tendo uma idade bem inferior à de alguns companheiros e adversários, o valor que mostrava em campo disfarçava as suas fragilidades físicas. Apesar do aspecto franzino, as qualidades técnicas faziam dele um excelente futebolista. Muito bom a interpretar as movimentações em campo, era também no passe que tinha outra das suas armas.
Já depois de ter representado a equipa amadora do Five Elms, a chamada ao exército empurrá-lo-ia para uma carreira profissional. Incorporado durante a 2ª Guerra Mundial, Alf Ramsey começaria a jogar pelo seu batalhão. Mesmo tendo como camaradas alguns atletas profissionais, casos de Len Townsend e Cyril Hodges, as suas exibições eram merecedoras de rasgados elogios. Tanto assim era que após uns amigáveis contra o Southampton, o médio recebe uma proposta do clube do Sul de Inglaterra. Impressionados, os responsáveis pelos “The Saints” decidem lançar-lhe um repto. Desafiado a acompanhar a equipa principal numa deslocação ao campo do Luton Town, o jogador decide aceitar o convite. A partida, a contar para a temporada de 1943/44, haveria de correr bem e, mesmo tendo falhado uma grande penalidade, a sua continuidade no grupo ficaria assegurada.
Durante a primeira época seriam poucos os jogos em que participaria. Apesar de continuar ligado ao clube, os afazeres com o exército mantinham-no afastado dos estádios. Nas campanhas seguintes, mesmo estando mais envolvido nos desafios desportivos, continuaria a intercalar a vida militar com o futebol. Só na temporada de 1946/47 é que tudo começaria a mudar. Tendo passado a dedicar-se em exclusivo à modalidade, Alf Ramsey seria integrado nas “Reservas” do Southampton. Relegado para a 2ª equipa, seriam necessários apenas algumas partidas para que o seu destino voltasse a mudar. Depois de, em anos anteriores, já ter experimentado as tarefas de avançado, médio-centro, interior-esquerdo e defesa-central, a mudança para lateral-direito abrir-lhe-ia as portas da categoria principal.
Ainda que titular da equipa, Alf Ramsey continuava sem nunca ter experimentado o principal patamar inglês. Após uma grave lesão e o posterior afastamento do “onze”, desentendimentos com o treinador e com alguns colegas de equipa, levariam a que o atleta exigisse a sua transferência. A mudança acabaria por mesmo por acontecer e, a partir temporada de 1949/50, o lateral passaria a vestir as cores do Tottenham.
A ida para White Hart Lane acabaria por empurrá-lo para os melhores anos da sua carreira. Logo para começar, e com a titularidade asseverada, Alf Ramsey ajuda os “Spurs” a vencer a 2ª divisão inglesa e a assegurar um lugar no patamar superior. Ainda assim, essa temporada de 1949/50 conseguiria garantir ao jogador mais algumas felicidades. Tendo feito a estreia pela selecção principal ao serviço do Southampton, as prestações do lateral ao longo dessa época devolvê-lo-iam às convocatórias dos “3 Lions”. O regresso ao conjunto inglês seria coroado com a chamada ao Mundial. No entanto, a prestação da equipa ficaria aquém do esperado e a Inglaterra claudicaria na 1ª fase do torneio.
Depois do desaire vivido no Brasil ao serviço da selecção, o regresso ao Tottenham garantiria ao atleta o primeiro grande troféu da sua carreira profissional. Com a promoção conseguida na campanha anterior, Alf Ramsey enceta assim o seu trajecto na “First division”. Sendo apenas um estreante nessas andanças, o lateral continuaria a destacar-se como um dos melhores jogadores do conjunto londrino. Ora, essa sua ajuda seria preciosa para o sucesso do grupo. Catapultados pelas suas exibições, os “Spurs”, longe do escalão maior há cerca de 15 anos, acabariam por surpreender mesmo os mais optimistas e sagrar-se-iam campeões.
Sucessos como os que referi apenas voltaria a vivê-los como técnico. Nessas funções, o primeiro clube a dar-lhe uma oportunidade seria o Ipswich. Aliás, o emblema de Suffolk, que para a época de 1955/56 preparava-se para disputar a 3ª divisão, haveria de sugerir ao internacional algo um pouco diferente. A proposta de um contrato como treinador-jogador seria recusada por Alf Ramsey, abraçando apenas o comando da equipa.
O trabalho realizado no Ipswich excederia todas as expectativas. Em poucos anos conseguiria transformar uma equipa sem brilho, num conjunto capaz de enfrentar os maiores desafios. Em 5 temporadas apenas haveria de levar o clube à “First Division”. Após conseguir a promoção, e tal como já tinha acontecido durante o seu percurso de jogador, a estreia no patamar maior seria brilhante. Mais uma vez, e contra todas as probabilidades, o seu clube surpreenderia o mundo do desporto e conseguiria vencer o campeonato inglês de 1961/62.
Menos de um ano após a conquista do referido título, o treinador começaria a trabalhar na federação. Como seleccionador inglês, o momento mais alto vivê-lo-ia no Campeonato do Mundo de 1966. Para o certame disputado no seu país, conseguiria juntar um grupo onde pontuariam alguns dos melhores atletas do futebol britânico. Com Booby Moore como “capitão” e com craques como os irmãos Charlton, Gordon Banks ou Geoff Hurst, a Inglaterra conseguiria bater os principais adversários e, tal como Alf Ramsey tinha previsto aquando da sua chegada aos comandos da equipa nacional, venceria o torneio.

739 - RICARDO ROCHA

Depois de um período de formação onde passaria por diversos emblemas, é o regresso ao Famalicão que, em 1997/98, marca o começo da sua caminhada como sénior. Ainda a actuar na 2ª divisão “b”, as boas exibições do defesa levariam a que o Sporting de Braga apostasse na sua contratação. Ainda assim, e mesmo sendo tido como um bom investimento, Ricardo Rocha, ao invés de ser colocado no plantel principal, acabaria a trabalhar com os “bb” bracarenses.
Após a época de estreia na “Cidade dos Arcebispos”, e de uma segunda em que, na primeira equipa, começaria a aparecer com relativa frequência, é a temporada de 2001/02 que, em definitivo, o põe nas “bocas” do futebol nacional. Extremamente seguro na hora de defender, Ricardo Rocha mostrava qualidades que, ao contrário de muitos dos seus colegas de posição, também faziam com que a bola, sempre que na sua posse, fosse o mais “bem tratada” possível. Esses predicados, que haveriam de pô-lo na primeira linha de escolhas do Sporting de Braga, acabariam por ser os mesmos que atrairiam os responsáveis do Benfica. Sendo os “Encarnados”, como o próprio haveria confessar, o “clube do seu coração”, a mudança para a “Luz” como que tomaria contornos de inevitabilidade. A estreia acabaria por acontecer no Verão de 2002 e, desde logo, o central afirmar-se-ia como um dos principais elementos da equipa.
Incontornavelmente, terei de referir os títulos como os pontos mais altos da sua passagem pelo Benfica. Também é certo que houve outros momentos bem marcantes. Ora, sendo Ricardo Rocha um atleta que, pelas suas aptidões técnicas, podia ocupar diversas posições na defesa, um desses episódios acabaria por estar relacionado com uma adaptação – “Embora o ‘mister’ alternasse entre mim e o Anderson a central, com a lesão do Nélson, faltavam opções naquela posição e, embora com dúvidas, Koeman chamou-me ao gabinete e disse que ia apostar em mim a lateral-direito no jogo antes da Champions, para a Liga, precisamente com o Braga. Como a experiência correu bem, tive a oportunidade de defrontar o melhor jogador do mundo na altura, Ronaldinho Gaúcho. Lembro-me perfeitamente na altura de tanto adeptos, como comentadores dizerem que era um erro eu jogar, que ao fim de 10 minutos seria expulso. A verdade é que fiz um grande jogo, sem cartões e sem uma única falta feita”*.
Resultado dos troféus ganhos, presença na Liga dos Campeões e das chamadas à selecção nacional, Ricardo Rocha vê a sua cotação a aumentar. Nesse sentido, o assédio por parte de outros emblemas começa também a sentir-se. É já com 1 Taça de Portugal (2003/04), 1 Campeonato (2004/05) e 1 Supertaça (2005/06) que, a meio da temporada de 2006/07, o jogador deixa Lisboa para viajar até Londres. Ao serviço do Tottenham, muito por culpa das lesões, Ricardo Rocha vê-se posto de parte. Apesar das propostas de outros emblemas, inclusive de Portugal, os responsáveis do clube londrino teimariam em não deixar sair o atleta. Praticamente sem jogar durante os 2 anos e meio de vínculo, só mesmo no final do contrato é que o defesa conseguiria ir em busco de um novo rumo.
A solução apareceria vinda da Bélgica. Com László Bölöni aos comandos do Standard de Liège, a ida de Ricardo Rocha para aquele país tornar-se-ia fácil. Com o clube a atravessar uma boa fase, como comprova a presença na “Champions”, o atleta conseguiria projectar-se de tal modo que, após meio ano afastado de Inglaterra, volta a receber nova proposta de “Terras de Sua Majestade”. Desta feita, o convite apareceria do Portsmouth.
Mesmo estando à beira de uma crise financeira, ainda assim, o emblema do Sul do país, nessa temporada de 2009/10, conseguiria o feito de atingir a final da Taça de Inglaterra. Nessa caminhada, destaque para o embate nas meias-finais com o Tottenham, o antigo clube de Ricardo Rocha – “Graças a Deus, ganhámos o jogo por 2-0 e eu fui considerado o melhor jogador em campo, o que me deu uma satisfação do outro mundo!”*.
Com a queda do Portsmouth nos escalões secundários, também a carreira de Ricardo Rocha começou a entrar na fase descendente. Já depois de ter sido distinguido pelo clube com o prémio de Jogador do Ano, o atleta acabaria por deixar o Fratton Park no final desse 2011/12. Entretanto, sem conseguir arranjar novo clube, o jogador começaria a treinar à experiência noutros emblemas. Ipswich Town e Leeds United acabariam por ser testes falhados. Nisto dá-se o regresso ao Portsmouth e, com o terminar da temporada de 2012/13, o ponto final na sua vida como futebolista.


*retirado da entrevista em “grandecirculo.net”, a 24 de Outubro de 2014

506 - PEDRO MENDES

A sua estreia na categoria sénior dar-se-ia ao serviço do Felgueiras. Um ano após este empréstimo, Pedro Mendes regressaria ao Estádio Afonso Henriques, a casa que o viu crescer. Foi então, com as cores do Vitória de Guimarães que o médio fez, praticamente, toda a sua formação. Logo desde os primeiros tempos, mostrou que a disciplina com se apresentava em campo era a sua maior arma. Passes certeiros, a maneira rápida como fazia circular o jogo e a faculdade de estar sempre no lugar certo, eram outros dos seus predicados e um aviso de que ali estava um futuro craque. Quem não descurou de tais sinais foram os responsáveis técnicos da Federação que, rapidamente, o começaram a convocar para os trabalhos das selecções jovens.
Quatro temporadas no Vitória de Guimarães, em que as exibições conseguidas, principalmente no último ano, valer-lhe-iam a chamada à principal "Equipa das Quinas", foram suficientes para que José Mourinho o quisesse a seu lado. Ora, numa equipa que acaba de vencer a Taça UEFA, as oportunidades dadas a um recém-chegado, por norma, não são muitas. Ao contrário do que seria normal, este facto não atemorizou Pedro Mendes. A sua resposta foi simples e passaria por uma exibição positiva a cada oportunidade oferecida. Aliás, a sua constância exibicional, outra das suas grandes marcas, faria dele um dos elementos de maior valia no seio do FC Porto. Se a isso juntarmos a sua polivalência dentro do meio campo, então é fácil entendermos porque é que num sector do terreno que, preferencialmente, era ocupado por Costinha, Maniche e Deco, Pedro Mendes haveria de ser um dos nomes com mais presenças.
O prémio para a dedicação que demonstrava, haveria de vir em forma de títulos. Campeonato, Supertaça e a Liga dos Campeões foram os troféus que nessa época de 2003/04, Pedro Mendes juntou ao seu currículo. Tais conquistas fizeram com que outros emblemas, olhassem para ele como um bom reforço. Quem levaria avante tal aposta, seria o Tottenham. Em Londres, logo à chegada, assumiria um papel principal no sector intermediário dos "Spurs". Utilizado com bastante frequência, a sua inteligência era como um bálsamo para os seus companheiros. Bons lances conseguiu, mas nenhum deles ficará na memória dos adeptos como aquele golo... aquele que nunca foi!!! A história conta-se depressa. Numa partida em Old Trafford, o resultado permanecia 0-0. Num rasgo de brilhantismo, percebendo que o guarda redes de Manchester Utd estava avançado, Pedro Mendes, do meio campo, remata à baliza. A bola entra e já depois de, inequivocamente, passar a linha de baliza, Roy Carrol dá-lhe uma sapatada para fora. Golo, por certo... todos o viram!!! Todos, não! O arbitro nada assinalaria!!!
Já segunda temporada em White Hart Lane, acabaria por ser madrasta para o jogador. Algumas lesões e poucas partidas jogadas, fariam com que o internacional português partisse em Janeiro de 2006. O destino foi o Sul. A ida para o Portsmouth, uma equipa que estava habituada a posições longes dos lugares cimeiros, poderia parecer um passo atrás na carreira de Pedro Mendes. Ironicamente, esta sua mudança coincidiria com um dos momentos históricos do clube, e a Taça de Inglaterra conquistada em 2008, acabaria por ser o seu único título conquistado em Inglaterra.
O capítulo seguinte ocorreria no sentido cardinal oposto. Na Escócia, agora ao serviço do Rangers, a sua estreia não poderia ter sido mais auspiciosa. Numa partida frente ao Hearts, Pedro Mendes começa por marcar um golo. Não satisfeito com o tento, acaba por rubricar uma exibição tal que o leva a vencer o "Man of the Match". Sucesso à chegada, sucesso também para o resto da temporada, com a equipa de Glasgow a embalar para a uma dupla conquista interna, a da Taça e a do Campeonato.
A Liga Escocesa voltaria a entrar para o rol títulos de Pedro Mendes. Contudo, o médio "luso" já não estaria presente no momento da entrega do novo troféu. A segunda metade dessa temporada de 2009/10, passá-la-ia já em Portugal. A apadrinhar o regresso do jogador de (quase) 31 anos estava agora o Sporting. No entanto, desengane-se quem pensou que a idade do atleta era, por essa altura, sinónimo de perda de qualidade. Muito pelo contrário! Tal facto ficaria provado dentro de campo, com Pedro Mendes a assegurar um papel relevante na manobra da equipa comandada por Carlos Carvalhal. As exibições de Pedro Mendes seriam de tal ordem boas, que Carlos Queiroz não teve dúvidas em convocar o médio para os trabalhos da selecção. Nessas duas derradeiras partidas de qualificação para o Mundial de 2010, o centrocampista seria titular e acabaria por ganhar o direito de estar presente na fase final, disputada na África do Sul.
O fim da carreira de Pedro Mendes, tal como o próprio sempre fez questão, seria passada no Vitória de Guimarães. Recebido em clima apoteótico, tudo apontava para mais uns anos brilhantes. O pior é que essa época de 2011/12, seria marcada por uma grave lesão, a qual, terminada a temporada, levaria o jogador a decidir-se pelo "pendurar das botas".