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1721 - SALVADOR

Formado no modesto Leverense, seria também na colectividade inscrita na Associação de Futebol do Porto que Salvador Moreira Silva, na temporada de 1956/57, faria a transição para a equipa principal da referida agremiação. Com os primeiros anos da carreira divididos entre os “regionais” e o 3º escalão, o defesa-central, que também conseguia posicionar-se mais adiantado no terreno de jogo, ainda assim haveria de chamar a atenção de emblemas de outra monta. Porém, nessa evolução, a verdade é que o reconhecimento do seu valor ainda demoraria um pouco a chegar e só cumpridas 7 campanhas seniores é que o jogador viria a dar o salto para outro patamar.
Apresentado como reforço do plantel de 1963/64 do Varzim, Salvador, naquele que é o patamar maior do futebol luso, gravaria o seu nome no rol de atletas participantes na estreia do emblema poveiro. Mesmo tendo em conta que tal facto, a emergir isolado, serviria para inscrevê-lo na história do clube, o defesa-central daria ainda aos cronistas muitas outras razões para o classificarem como um dos mais notáveis atletas a passar pelos “Lobos-do-mar”. Nesse sentido, depois da estreia sob a batuta do treinador Artur Quaresma, viria a cimentação da titularidade conquistada. Mesmo tendo em conta a sua falta de experiência no novo nível competitivo, o jogador, numa inolvidável linha defensiva composta igualmente por Quim, Fernando Ferreira, e Sidónio, depressa viria a consagrar-se como um dos esteios das ideias de jogo pensadas pelos diferentes técnicos a transitar pelo comando dos “Alvi-Negros”. Como membro, quase inquestionável, do “onze” varzinista, o atleta, ao longo de vários anos, acumularia um número espantoso de partidas disputadas pelo listado branco e preto e, no seio de tantas presenças nas fichas de jogo, alguns números viriam a destacar-se.
Das 11 épocas em que serviria o Varzim, 8 delas, consecutivas, seriam cumpridas na 1ª divisão. Durante o mencionado período passado no patamar máximo, a titularidade dar-lhe-ia ao currículo 198 pelejas entre os “grandes” do futebol luso. Tal número faria de Salvador, e ainda hoje faz, o intérprete com mais jogos efectuados pelo emblema poveiro, no patamar máximo português. Ainda assim, de dentro desse enorme feito, é também possível retirar outras proezas igualmente espantosas. Nesse contexto de façanhas, temos então as 166 jornadas disputadas de forma ininterrupta e o facto de em apenas 9 ocasiões ter estado ausente das contendas varzinistas.
Assumindo as 8 temporadas consecutivas no escalão máximo o papel mais relevante desse trecho da história do Varzim, o 6º lugar alcançado, sob a intendência técnica de Joaquim Meirim, tornaria a temporada de 1969/70 na mais emblemática desse nobre ciclo. Não é absurdo voltar a referir a importância de Salvador como um dos pilares do aludido período. Todavia, não seria só por isso que o atleta acabaria acarinhado como um enorme exemplo de dedicação. Aferido como um dos grandes nomes dos cenários primodivisionários, a descida de divisão, ocorrida no termo das provas agendadas para 1970/71, não faria com que o defesa-central procurasse dar outro destino à carreira. Convictamente apaixonado pelos “Lobos-do-mar”, o jogador permaneceria fiel à colectividade nascida no seio de pescadores e só deixaria de representar, dentro de campo, a agremiação nortenha aquando da sua decisão de, em 1973/74, “pendurar as chuteiras”.

1706 - LEOPOLDO

Descoberto pelo FC Porto no Sport Progresso, Leopoldo José Nogueira Amorim teria nos “Azuis e Brancos” o termo do percurso formativo. Curiosamente, o jovem defesa, já com um acordo rubricado com o Amarante, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, estaria à beira de deixar o emblema portuense. Porém, José Maria Pedroto, ao entender no jogador alguém com enorme potencial, convencê-lo-ia a rubricar um contrato profissional e a deixar, com isso, de pensar na conciliação da prática desportiva com o emprego numa fábrica de tintas.
Outra curiosidade, relacionada com o início da sua caminhada com a principal camisola do FC Porto, sairia logo da primeira partida efectuada, pelo jogador, ao serviço dos seniores dos “Dragões”. Numa ronda forasteira com a CUF, uns dias antes do jogo a contar para 22ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1968/69, os elementos normalmente escolhidos para a tarefa de capitão de equipa ver-se-iam envolvidos numa polémica abrangida pelo foro disciplinar. Castigados os tais atletas, a escolha do treinador para liderar os colegas dentro de campo recairia no estreante Leopoldo e a braçadeira, na peleja agendada para o Estádio Alfredo da Silva, acabaria por ficar entregue à responsabilidade do defesa.
Apesar do arranque auspicioso, o homem que, entre as hostes portistas, ficaria conhecido como “Bacalhau”, alcunha posta pelo brasileiro Djalma como resultado do seu aspecto franzino, raramente conseguiria fixar-se como um dos nomes consensuais no alinhamento do FC Porto. Essa excepção, numa época em que pelo comando técnico dos “Azuis e Brancos” passariam três diferentes treinadores, emergiria no decorrer da temporada de 1971/72. Ainda assim, daí em diante, talvez por razão de uma lesão no menisco que vi veiculada em algumas fontes, a verdade é que o defesa poucas oportunidades haveria de conquistar no “onze” da colectividade sediada na “Cidade Invicta” e a época de 1974/75 marcaria o fim da ligação entre o atleta e os “Dragões”.
Com a sua apresentação como reforço do Varzim de 1975/76, Leopoldo voltaria a trabalhar sob o comando de António Teixeira, seu antigo treinador no FC Porto. A transição levaria o defesa a inscrever o seu nome em algumas páginas importantes na história do emblema poveiro. Logo na época de entrada nos “Lobos-do-mar”, o atleta constituir-se-ia como uma das figuras da chegada da agremiação aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Na época seguinte viria o regresso à 1ª divisão. Depois, surgiriam as meias-finais da edição de 1977/78 da “Prova Rainha” e, por fim, o 5º lugar, até hoje um recorde do clube, conquistado na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1978/79.
O pior é, para o jogador, que as metas colectivas alcançadas ao longo do tempo surgiriam paralelamente a um progressivo decréscimo das suas presenças em campo. Mais uma vez, numa altura em que já tinha capitaneado a equipa do Varzim, outra mudança de rumo surgiria no trajecto do defesa. Dessa feita, a transferência ocorrida na campanha de 1980/81 levaria o jogador a assinar um contrato com o Vitória Sport Clube. Em Guimarães, onde cumpriria mais uma temporada entre os “grandes”, Leopoldo também viria a ter a derradeira aparição naquele que é o patamar máximo do futebol português. De seguida surgiriam os últimos capítulos da carreira ao serviço do Macedo de Cavaleiros. Por fim, já “penduradas as chuteiras”, o antigo praticante ainda teria algumas experiências como treinador, as quais levá-lo-iam a passar pelas “escolas” do FC Porto e, por exemplo, pelo Vianense ou pelo Trofense.

1654 - SIDÓNIO

Júnior do Benfica, a época de 1958/59 significaria para Sidónio da Silva Bastos a chegada ao universo sénior. Tendo conseguido apenas segurar um lugar no conjunto de “reservas” das “Águias”, o jovem praticante teria de aguardar até 1960/61 para receber de Béla Guttmann a primeira oportunidade na equipa principal. Na referida temporada e na subsequente, campanhas em que os “Encarnados” triunfariam na Taça dos Clubes Campeões Europeus, o jogador somente entraria em campo nas competições de índole interno. Ainda assim, a meia dúzia de partidas por si disputadas, serviriam para inscrever no seu currículo alguns títulos importantes e as vitórias no Campeonato Nacional de 1960/61 e na Taça de Portugal do ano seguinte passariam a fazer parte do palmarés do defesa-esquerdo.
Já como internacional militar, Sidónio, em busca de mais presenças em campo, seria, na temporada de 1962/63, apresentado como reforço do Atlético. Sem deixar as contendas do escalão máximo, o defesa-esquerdo, a exibir-se no Estádio da Tapadinha, conseguiria afirmar-se como um dos elementos habitualmente arrolados ao “onze” inicial. No entanto, a despromoção da colectividade nascida no lisboeta bairro de Alcântara, faria com que procurasse prosseguir a sua senda competitiva noutras paragens. Nesse sentido, seria o plantel de 1963/64 do Varzim, colectividade a estrear-se na 1ª divisão, a receber o atleta nascido em Moçambique. A trabalhar sob a intendência de Artur Quaresma, o esquerdino voltaria a afirmar-se como uma dos bons elementos a passar pelas provas de maior calibre no calendário futebolístico português. Tal estatuto saberia mantê-lo nas campanhas seguintes e com o acumular de partidas cumpridas pelos “Lobos-do-mar”, o jogador encaminhar-se-ia para o estrito rol de nomes históricos a envergar a camisola da colectividade nortenha.
Tendo passado pelas mãos de diferentes treinadores, como são exemplo, para além do nome referido no parágrafo anterior, José Maria Pedroto, José Valle, Ricardo Perez, Monteiro da Costa, Joaquim Meirim, Rodrigues Dias ou Noé Castro, Sidónio raras vezes perderia a importância no seio do plantel do Varzim. A preponderância apresentada durante 8 temporadas consecutivas, todas elas na disputa da 1ª divisão, faria com que também fosse um dos responsáveis pelas diferentes metas alcançadas pelo clube. Entre os sucessos conseguidos, o maior destaque ira para o 6º posto atingido, na tabela classificativa do Campeonato Nacional, com o termo da campanha de 1969/70. Curiosamente, a época imediatamente a seguir terminaria com a despromoção do colectivo a trajar o listado alvinegro. O desaire marcaria também a separação do emblema e do defesa-esquerdo, o qual, em 1971/72, viria a prosseguir a carreira ao serviço da AD Fafe.
Sem ter conseguido confirmar a veracidade da informação fornecida por algumas fontes, depois da passagem de um ano pela agremiação minhota, Sidónio, hipoteticamente, ainda terá regressado ao Varzim. Infelizmente faltaram-me encontrar outras evidências para que possa considerar tal afirmação como correcta. Todavia, achei relevante torná-la aqui disponível.

1638 - MANUELZINHO


Atleta com a formação terminada ao serviço do Tirsense, Napoleão Manuel Ferreira Moreira Rego Goiana, popularizado no universo do futebol por Manuelzinho, progrediria para o patamar sénior com as cores dos “Jesuítas”. Essa temporada de 1979/80, com a colectividade a militar na 3ª divisão, daria azo a uma caminhada que, desde início, poria o jovem extremo em contacto com praticantes que também viriam a vingar no principal escaparate do futebol português. Ao longo dos primeiros capítulos da sua caminhada competitiva, o atacante haveria de conviver com Louro, Valério, Nini ou Jaime Graça. No entanto, apesar da companhia, o conjunto nortenho teimaria em manter-se na disputa do mencionado escalão. A mudança de paradigma emergiria na 4ª campanha do avançado como elemento da equipa principal e seria a promoção conseguida com o termo das provas agendadas para 1982/83 a despertar, por parte de outros emblemas, o interesse na sua contratação.
A mudança de Manuelzinho para o plantel de 1983/84 do Varzim promoveria um salto deveras qualitativo na carreira do extremo. Ainda assim, o acréscimo de exigência, resultado da passagem do 3º escalão para a 1ª divisão, não sacudiria as convicções competitivas do jogador. Pelo contrário, o atleta conseguiria impor-se como um dos principais elementos às ordens do “magriço” José Torres. Daí em diante, ao preservar, em grande parte das ocasiões, o estatuto de titular, o atleta começaria a reafirmar a sua presença no “onze” inicial. Porém, a época seguinte à da sua entrada nos “Lobos-do-mar”, numa campanha iniciada sob a intendência de José Alberto Torres para, a partir da 18ª ronda do Campeonato Nacional, passar para o comando de Mourinho Félix, traria o desaire da despromoção. Ainda assim, a passagem pelo degrau secundário seria curta e cumprido um ano no apontado patamar, o avançado retornaria ao convívio com os “grandes”.
De volta à 1ª divisão, a época de 1986/87 não só representaria o termo da ligação de Manuelzinho com o Varzim, mas também viria a confirmar o fim-de-linha do avançado naquela que é a prova de maior calibre no panorama luso de futebol. A verdade é que a referida campanha acabaria também por tornar-se, talvez por razão da forte concorrência por um lugar no “onze”, na temporada mais discreta do jogador a envergar o listado alvinegro. Tal conjuntura empurrá-lo-ia para novas mudanças de emblema. O Desportivo das Aves e o Sporting da Covilhã transformar-se-iam nas suas apostas para os 2 anos seguintes. Todavia, mesmo ao ter em conta a ambição de ambos os clubes, a subida de escalão não viria a concretizar-se. Seguir-se-iam, numa caminhada competitiva a aproximar-se do final, o ingresso no Cinfães e o presumível fim de carreira no Ruivanense. No entanto, após uma paragem sabática, o antigo extremo surgiria, em 1992/93, inscrito no futsal do CCDT Santo Tirso. Após essa passagem pelos pavilhões, tempo ainda para um regresso à variante de 11, ao serviço do plantel de 1993/94 da Associação Recreativa São Martinho.

1587 - ALEIXO

Descoberto pelo Sporting nas “escolas” do Montijo, Edmundo Fernando Silva Aleixo, depois de passar pelos “reservas” leoninos e após um regresso, por empréstimo, ao emblema aldegalense, estrear-se-ia na principal equipa dos “Verde e Brancos” na temporada de 1960/61. Porém, essa chamada sob a batuta do técnico argentino Alfredo González, partida disputada na Tapadinha, não teria continuidade. Aliás, o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia, quase de seguida, até Moçambique e o Sporting de Lourenço Marques tornar-se-ia na oportunidade para o médio de características ofensivas prosseguir a carreira.
Pouco tempo passado sobre o regresso à metrópole, Aleixo seria apresentado como reforço do plantel do Varzim. Com os “Lobos-do-mar” a disputar a 1ª divisão, essa campanha de 1964/65, comandado por Artur Quaresma, daria início àquela que viria a tornar-se na maior ligação clubística do atleta. Ao longo de 7 anos consecutivos a servir o emblema nortenho e a partilhar o balneário com ilustres nomes da colectividade, casos de Quim Rosa, Sidónio, Fernando Ferreira ou Salvador, a referida passagem torná-lo-ia numa das figuras com mais jogos disputados pelo clube no escalão máximo. Para além dessas 125 históricas partidas, as quais representariam a titularidade em grande parte das campanhas cumpridas, o médio seria peça fundamental na manutenção do conjunto entre os “grandes” e em boas classificações, como vira a tornar-se o 6º posto conseguido com o termo do Campeonato Nacional de 1969/70. Ainda assim, a despromoção sofrida no fim da época de 1970/71 levá-lo-ia a prosseguir a caminhada competitiva noutras paragens e a mudança para o Boavista encaminhá-lo-ia para uma nova camisola.
A entrada no Estádio do Bessa na campanha de 1971/72, onde voltaria a encontrar-se com o treinador Joaquim Meirim, daria ao seu currículo, num cômputo de uma dezena de temporadas primodivisionárias, outras duas campanhas no patamar máximo do futebol luso. No entanto, ao contrário da titularidade conquistada em maior parte do período passado com as cores do Varzim, Edmundo Aleixo nunca conseguiria impor-se como um dos membros incontestáveis do “onze” inicial dos “Axadrezados”. Já a acusar alguma veterania, o médio tomaria então a decisão de deixar as “Panteras” para, na época de 1973/74 e ao oferecer-se às pelejas da 2ª divisão, passar a representar o Gil Vicente. Já o fim da sua carreira como futebolista ocorreria não muito longe de Barcelos e, ao descer mais um patamar competitivo, seria no Vizela que, com a conclusão das provas agendadas para 1974/75, haveria de “pendurar as chuteiras”.

1548 - TONI VIDIGAL

Tal como Lito, Luís Vidigal, Jorge Vidigal e Beto, Toni Vidigal, num dos grupos de irmãos mais conhecidos no futebol profissional português, teria n’ “O Elvas”, depois de aí ter feito todo o trajecto formativo, a oportunidade de subir ao escalão sénior. Com a entrada no plantel principal da colectividade alentejana a ocorrer na temporada de 1991/92, o atacante começaria por experimentar as pelejas agendadas para a 2ª divisão B. Desde cedo tido como um dos bons elementos do emblema raiano, a curiosidade de outras colectividades surgiria naturalmente. Seria no âmbito desse interesse que Carlos Manuel, à altura a orientar o Estoril Praia, decidiria observar o jovem atleta. Agradado com as qualidades do extremo, o antigo internacional português endereçar-lhe-ia um convite para que viesse a fazer parte do plantel “canarinho” e a ligação do avançado com a colectividade sediada na Amoreira, depois de um período de adaptação sucedido ainda no decurso da época anterior, aconteceria, oficialmente, na temporada de 1994/95.
Curiosamente, a primeira passagem de Toni Vidigal pelo Estoril Praia dar-se-ia por empréstimo d’ “O Elvas”. Ainda ligado à agremiação alentejana, a campanha de 1995/96, em nova cedência, levaria o extremo até ao Vitória Futebol Clube. A época ao serviço do emblema setubalense, na qual ajudaria os “Sadinos” a subir à 1ª divisão, faria com que a cotação do jogador subisse em flecha. Quem haveria de apostar na sua contratação, acabaria por ser o Sporting. No entanto, ao invés de integrar o plantel leonino, o atacante, após ter feito a pré-temporada de 1996/97 vestido de “verde e branco”, ver-se-ia envolvido numa nova senda de empréstimos, os quais começariam, mais uma vez, pelo Estádio António Coimbra da Mota.
Perto do final da época de regresso aos “Canarinhos”, a inclusão do avançado no plantel leonino chegaria a ser equacionada. Todavia, uma perna partida na derradeira jornada de 1996/97 deitaria por terra o projectado plano. Seguir-se-iam outras 2 campanhas ao serviço do Estoril Praia, outra com as cores do Penafiel e a desvinculação ao Sporting. Liberto do acordo feito com os “Verde e Brancos”, Toni Vidigal pôde rubricar um novo contrato. O acordo que daria seguimento à sua caminhada desportiva emergiria com o desígnio de entrar no plantel do Varzim e sua chegada ao emblema poveiro encetaria, em 2000/01, aquela que provavelmente haveria de tornar-se na melhor fase da sua carreira.
Logo na campanha de chegada à Póvoa de Varzim, Toni Vidigal, mesmo ao não atingir a titularidade na equipa comandada por Rogério Gonçalves, transformar-se-ia numa das figuras da subida ao principal patamar do futebol luso. Tal promoção, depois de 10 temporadas a vogar pelos escalões secundários, dar-lhe-ia a ocasião para fazer a estreia entre os “grandes”. A disputar a edição de 2001/02 da 1ª divisão, numa época que, para além de ser orientado pelo técnico referido no início deste parágrafo, também acabaria treinado por José Alberto Costa, o extremo viria a assegurar um lugar no “onze”, ajudando à sofrida manutenção. Pior viria a acontecer na campanha seguinte, com os “Lobos-do-mar” a não assegurarem os objectivos colectivos e com o extremo, ao lado da sua equipa, a voltar à divisão de Honra.
A experiência com as cores do Varzim, muito para além da passagem de 2 épocas pelo 1º escalão, dar-lhe-ia também a oportunidade de representar a selecção de Angola. Contudo, contactado por Carlos Alhinho, à altura o timoneiro dos “Palancas Negros”, o extremo, com a esperança de uma chamada aos trabalhos de Portugal, recusaria o convite. Já no que diz respeito ao trilho clubístico, o passo seguinte levá-lo-ia ao Portosantense, onde seria treinado pelo irmão Lito. Após a aventura madeirense, Toni Vidigal, a preencher os últimos capítulos da carreira, ainda regressaria ao “O Elvas” para, em 2009/10, já na condição de treinador/jogador, representar o Sintra Football. Aliás, seria na função de técnico que manteria a ligação à modalidade e, para além do mencionado, o antigo atacante também já conduziu os juniores do 1º de Dezembro e as camadas de formação d’ “Os Elvenses”.

1535 - CACHEIRA

Seria ainda como membro das “escolas” do Leixões que António Cacheira seria chamado às jovens equipas a trabalhar sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado aos juniores, o defesa-direito, a 5 de Dezembro de 1969, entraria em campo ao lado de nomes como Laranjeira, Gregório Freixo, João Cardoso ou Edmundo Duarte. Essa partida, disputada no Estádio das Antas frente à Suíça, seria o primeiro passo de um trajecto que daria, alguns anos mais tarde, nova internacionalização ao jogador. Dessa feita, ao serviço do conjunto de “esperanças”, o atleta apresentar-se-ia no Estádio do Restelo e a 29 de Março de 1973 representaria Portugal frente a Itália.
No que concerne ao percurso clubístico, Cacheira subiria à equipa principal do Leixões no decorrer da campanha de 1970/71. Com a colectividade de Matosinhos na disputa da 1ª divisão, o defesa-direito, pela mão de António Medeiros, estrear-se-ia no patamar máximo à 10ª jornada do Campeonato Nacional. Daí em diante, mesmo sem ser um titular indiscutível, o “Bebé do Mar” progressivamente cimentaria o seu lugar no plantel. No entanto, após 5 temporadas a ajudar à manutenção do clube entre os “grandes”, o jogador, no seguimento daquela que terá sido a sua melhor época feita com o listado alvirrubro, decidiria mudar de rumo e em fim de contrato haveria rubricar uma ligação com o Varzim.
Apesar de descer um patamar competitivo, a mudança de insígnia estaria directamente relacionada com a contratação de António Teixeira, seu antigo treinador no Leixões, para o comando técnico dos “Lobos-do-mar”. Na Póvoa, onde chegaria ao lado de Horácio e de Montóia, atletas igualmente saídos do Estádio do Mar, o defesa, inserido na edição de 1975/76 da 2ª divisão, ajudaria o clube a sagrar-se campeão no referido patamar. O mencionado título empurraria o Varzim e o jogador para o regresso ao degrau maior do futebol luso. Nessa senda, como um dos elementos mais vezes arrolado para o “onze”, as épocas seguintes à da sua entrada na nova colectividade dar-lhe-iam a oportunidade de gravar o nome num dos grandes feitos da história da agremiação. Num grupo de trabalho recheado de figuras de monta no contexto do “desporto rei” português, casos de Francisco Mário, Jesus, Festas, Washington, Guedes, Albino, José Domingos ou os nomes indicados nas linhas inicias deste parágrafo, o defesa seria de fulcral importância para a melhor classificação de sempre do emblema poveiro, isto é, o 5º posto alcançado na tabela do Campeonato Nacional.
As boas prestações conseguidas ao serviço do Varzim, onde chegaria a ostentar com a braçadeira de capitão, levá-lo-iam a dar novo salto no trajecto desportivo. Mais uma vez atrás do treinador António Teixeira, Cacheira entraria no Estádio do Bessa como reforço para a temporada de 1980/81. Porém, mesmo a atingir bons números na primeira campanha a exibir-se pelo Boavista, a ligação aos “Axadrezados” apenas duraria mais uma época. Apesar desse facto, o defesa não deixaria a colectividade portuense sem participar noutro momento inesquecível e a vitória caseira por 4-1, a contar para a Taça UEFA de 1981/82, tornaria o embate frente aos espanhóis do Atlético Madrid num dos episódios de cariz inolvidável, vivido pelo jogador com as “Panteras Negras”.
A temporada de 1982/83, a 12ª cumprida pelo atleta na 1ª divisão, seria passada, mais uma vez a desafio de António Teixeira, no Funchal. Todavia, a época com as cores do Marítimo ficaria aquém dos desempenhos alcançados em anos anteriores. Após a experiência na Madeira, existe um par de campanhas em que não consegui encontrar qualquer registo da sua passagem pelo futebol. Se se tratou de um período sabático ou se a omissão é apenas falta de informação, não sei dizer-vos. Para ajudar a decifrar tal enigma, posso assegurar-vos que, no “site” da FPF, o tal período também aparece em branco. Por outro lado, o que parece ser certo é a sua integração no plantel de 1985/86 do Lavrense e a decisão de “pendurar as chuteiras” no fim da época cumprida nos “distritais” do Porto. De seguida emergiria a sua carreira de treinador, o regresso ao Varzim, as funções desempenhadas como adjunto na equipa principal e principalmente o excelente trabalho realizado durante os imensos anos nas camadas de formação do emblema poveiro.

1500 - MIRANDA

Com o percurso formativo terminado ao serviço do Varzim, António Miranda subiria à equipa principal dos poveiros na temporada de 1983/84. Orientado pelo “magriço” José Torres na época da sua estreia pelos seniores, a participação do clube na 1ª divisão e a presença no plantel de atletas mais experientes impediriam o médio-ofensivo, que podia posicionar-se à direita ou ao centro, de alcançar mais oportunidades. Porém, o virtuosismo apresentado pelo jovem atleta, logo na campanha seguinte, começaria a destapar outros voos. Progressivamente, a confirmação do jogador como um elemento merecedor de um lugar no “onze” levá-lo-ia, ao aproveitar a curta passagem da colectividade nortenha pelo escalão secundário, a assumir-se como uma das principais figuras dos “Lobos-do-mar”. Já o regresso ao convívio com os “grandes” na campanha de 1986/87, serviria apenas para confirmá-lo como um das maiores promessas a actuar nas provas lusas e as chamadas aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol viria a provar todo o seu valor desportivo.
Ao alinhar no “onze” orientado por António Oliveira, a partida forasteira disputada, a 22 de Setembro de 1987, frente à Suécia, serviria de arranque a uma caminhada que, no escalão sub-21, daria ao médio-ofensivo um total de 3 internacionalizações. A acompanhar essas partidas com a camisola de Portugal, o melhor emergiria com o desenrolar da campanha de 1987/88, com o jogador, muito mais do que titular no conjunto sob a alçada de Henrique Calisto, a pautar-se como um dos melhores intérpretes do Varzim. As boas exibições conseguidas serviriam de base para o capítulo seguinte na sua carreira. Com a transferência para o Benfica, Miranda passaria a envergar um emblema com ambições condizentes com as suas habilidades. No entanto, a entrada no Estádio da Luz não traria ao atleta os resultados esperados e as poucas oportunidades alcançadas durante a temporada de 1988/89 não iriam garantir a continuidade do jogador no grupo de trabalho das “Águias”.
Ao deixar os “Encarnados”, Miranda, com a vitória no Campeonato Nacional a colorir-lhe o currículo, encetaria um périplo caracterizado pelas mudanças anuais de colectividade. Desportivo de Chaves, Estrela da Amadora, Beira-Mar, Paços de Ferreira e Sporting de Espinho fariam parte desse trecho da sua carreira. Com todas as passagens, à excepção da ligação com os “Tigres da Costa Verde”, a caracterizarem-se por experiências primodivisionárias, há, mesmo assim, a destacar a época de 1990/91, vivida na Reboleira. Com os “Tricolores”, em estreias para o clube e para o atleta, surgiria primeiro a disputa da Supertaça e, em seguida, emergiriam as competições de cariz continental. No troféu a opor a sua equipa ao FC Porto, apesar da derrota, há a registar o golo marcado pelo médio-ofensivo. Já na disputa da Taça dos Vencedores das Taças, o jogador entraria em campo nas eliminatórias frente aos suíços do Neuchâtel Xamax e aos belgas do RFC Liège, sublinhando-se como um dos participantes nesse episódio de enorme importância histórica para a agremiação da Linha de Sintra.
Seguir-se-ia o regresso ao Varzim. De volta, na campanha de 1994/95, ao emblema onde tinha concluído o percurso formativo, Miranda apanharia os “Lobos-do-mar” nas contendas da 2ª divisão “B”. Pautando-se como um pêndulo nas exibições do conjunto poveiro, o médio-ofensivo tornar-se-ia num dos pilares do regresso da equipa ao convívio com os “grandes”. Essa temporada de 1997/98 marcaria a sua despedida do colectivo mais representativo do seu percurso enquanto futebolista. Paralelamente, a referida época transformar-se-ia, numa caminhada competitiva preenchida por 10 anos primodivisionários, na última do jogador no patamar máximo do futebol luso.
Apesar de estar a avançar, a passos largos, para o final da carreira, Miranda teria ainda tempo, dividida essa campanha de 1998/99 entre o Leixões e o Santa Clara, para disputar mais uma temporada. Depois viria a carreira de treinador, a qual levaria o antigo atleta a diversas experiências no Médio Oriente, nomeadamente no Kuwait e Bahrain.

1471 - JOSÉ DOMINGOS


Ao concluir o percurso formativo como atleta do Benfica, José Domingos já contava com várias chamadas aos escalões jovens das equipas a trabalhar na égide da Federação Portuguesa de Futebol. Com a estreia a acontecer a 1 de Dezembro de 1971, essa partida frente à Suíça ocorreria no âmbito das competições de juniores e com José Augusto como treinador. Seguir-se-iam outras chamadas e no somatório dos desafios disputados pelos escalões agora denominados como sub-18, sub-21 e equipa “B”, o avançado envergaria a “camisola das quinas” em 10 ocasiões.
Apesar da presença assídua nas jovens selecções portuguesas, o atleta não conseguiria reservar para si um lugar no plantel principal do Benfica. Com as “Águias” recheadas de grandes nomes para o sector ofensivo, a solução encontrada para o atacante emergiria da Margem Sul do Rio Tejo. Com a CUF de 1973/74 a acolher os passos iniciais do atleta enquanto sénior, José Domingos encontrar-se-ia com outro grande nome do universo benfiquista, o treinador Fernando Caiado. Como elemento da agremiação sediada no Lavradio, o avançado cumpriria 2 temporadas no escalão máximo luso e o traquejo ganho durante esses anos, apesar de nunca ter atingido a titularidade, justificaria o seu regresso à Luz.
De volta ao Benfica, o atleta não teria a vida facilitada. Com Mário Wilson como líder da equipa técnica “encarnada”, o avançado, na temporada de 1975/76, enfrentaria a forte concorrência de nomes como Nené, Jordão ou Vítor Baptista. Na campanha subsequente, já com o inglês John Mortimore à frente dos destinos das “Águias, José Domingos passaria a ser um pouco mais chamado à ficha de jogo, mas em quantidade insuficiente para prolongar a sua continuidade no plantel lisboeta. Por essa razão, o jogador voltaria a mudar de rumo e anos seguintes, em colectividades situadas mais a norte, transformar-se-iam, em termos individuais, nos mais prolíferos da sua carreira desportiva.
Com o currículo recheado pela vitória no Campeonato Nacional de 1976/77 e pela participação, na mesma época, na Taça dos Clubes Campeões Europeus, José Domingos mudar-se-ia para o plantel primodivisionário do Feirense. Depois da experiência com os “Fogaceiros”, o avançado, sem deixar a 1ª divisão, transferir-se-ia para o Varzim. Logo na temporada de estreia pelos “Lobos-do-mar”, o jogador, eleito como um dos esteios da equipa a trabalhar sob a alçada de António Teixeira, contribuiria para a 5ª posição do clube na tabela classificativa do Campeonato Nacional. Tal proeza, um recorde na história do emblema poveiro, dar-lhe-ia a honra de gravar o seu nome nos anais da colectividade. Seguir-se-iam outras 2 épocas com o listado alvinegro e a sua consolidação como um praticante com capacidades para continuar nas pelejas do escalão maior.
Ironicamente, a mudança para o plantel de 1981/82 do Amora surgiria em contraciclo com os registos conseguidos pelo atleta em anos anteriores. Habituado ao “onze”, a temporada passada na Medideira empurrá-lo-ia de volta aos números modestos. Daí em diante, José Domingos, depois de 9 campanhas consecutivas cumpridas nos principais palcos lusos, passaria a abraçar as competições dos escalões secundários. O Benfica e Castelo Branco, a União de Leiria e o Caldas, preencheriam também a recta final de um trajecto que viria a conhecer o seu fim no termo da época de 1986/87, ao serviço do Grupo Desportivo “Os Nazarenos”.

1417 - QUIM

Joaquim Marques da Rosa, popularizado no mundo do futebol pelo diminutivo Quim, nasceria na Póvoa de Varzim e, como tantos na sua terra natal, teria no mar a fuga para pobreza – “Aos 14 anos fui para a pesca da sardinha numa catraia a remos e à vela que era do meu cunhado. Ia sempre a chorar mas tinha que ser porque a minha mãe mandava e era preciso ajudar a família”*. Desde muito novo, a faina passaria a moldar-se ao seu quotidiano. No entanto, outra actividade manter-se-ia nos tempos livres como a predilecta e os “jogos da bola”, disputados aos Domingos com os amigos, mudariam a sua vida.
Como resultado dessas pelejas desportivas, Quim haveria de ser convidado para representar o Varzim. Integrado na equipa de juniores, logo passaria de destacar-se como um defesa-central batalhador, corajoso e seguro. Ainda assim, o seu ganha-pão continuaria a estar nas linhas e redes de pesca e o jogador, muito para além do tempo passado com a camisola alvinegra, manteria as actividades marítimas, como a prioridade do seu dia-a-dia. Tudo mudaria aquando do convite dos dirigentes do clube poveiro para que assinasse um contrato profissional. Já na equipa principal, conquistaria um lugar de relevo e inscreveria o seu nome como um dos históricos futebolistas dos “Lobos do Mar”.
Inicialmente nas disputas dos patamares secundários, não demoraria muito tempo para que Quim experimentasse o sabor das contendas maiores do futebol português. Tendo entrado para os seniores varzinistas na temporada de 1960/61, o defesa transformar-se-ia numa peça fulcral para a ascensão da colectividade nortenha ao convívio com os “grandes”. A tão almejada subida aconteceria com a classificação conseguida no final da campanha de 1962/63, com a consequente promoção a levar o clube à estreia na 1ª divisão. Logicamente, esse Campeonato Nacional de 1963/64 também ficaria registado como o passo inicial do atleta no maior degrau luso. Orientado por Artur Quaresma e ao lado de outros nomes bem populares no futebol do Varzim, tais como Fernando Ferreira, Sidónio, Justino ou Salvador, a sua presença no esquema táctico do referido treinador, e dos seguintes, manter-se-ia deveras relevante e a importância revelada levá-lo-ia a apontar a outros voos – “Tive convites para jogar no Guimarães e no FC do Porto, mas o Varzim não vendeu a minha carta. Representei a selecção militar e fui chamado à selecção A e B, para defrontar a Espanha, em Córdoba. Perdemos 3-0, mas não cheguei a jogar”*.
Com as possíveis transferências chumbadas pelos directores do Varzim, Quim manteve-se no clube por vários anos, dos quais viriam a destacar-se as 8 temporadas consecutivas vividas na 1ª divisão. Em suma, o defesa passaria 16 anos com a equipa principal dos “Lobos do Mar”, número apenas ultrapassado pelo também defesa-central Alexandre. Contudo, muito mais do que alicerçada em algarismos, a sua carreira desportiva, dedicada em exclusivo aos “Alvi-Negros”, seria sublinhada pela paixão à modalidade e pelo respeito com todos os que com ele viriam a cruzar-se.

*retirado do artigo de José Peixoto, publicado a 22/04/2016, em www.correiodoporto.pt

1393 - LITO


Saído das “escolas” do Varzim, Manuel António Morim Milhazes, conhecido por Lito, subiria à equipa principal na temporada de 1982/83. Apesar de ser a campanha de estreia do médio no patamar sénior, da presença do clube na 1ª divisão e da forte concorrência de nomes como André, Adão ou Pinto, a verdade é que o jovem praticante assumir-se-ia como um dos elementos mais utilizados pelo treinador José Torres. Nas campanhas seguintes, mesmo ao ver diminuídas as chamadas a jogo, o centrocampista conseguiria provar aos diferentes técnicos a sua importância na boa dinâmica do plantel. Ao manter-se no grupo de trabalho, depois de uma curta passagem dos “Lobos-do-mar” pelo escalão secundário, o regresso ao convívio dos “grandes” revelá-lo-ia já como um dos titulares no sector intermediário, estatuto que manteria daí em diante.
Com o Varzim, a partir da temporada de 1988/89, a conservar-se nas disputas da 2ª divisão, Lito, à procura de um nível competitivo mais condizente com a sua capacidade, acabaria por dar outro rumo à carreira. Ao fim de mais de uma década em exclusiva dedicação à colectividade poveira, o jogador viria a rubricar um novo contrato, dessa feita com outra agremiação. No Minho, com a camisola do Famalicão a partir da campanha de 1991/92, o médio voltaria a competir no cenário primodivisionário. Apesar de trabalhar com diferentes técnicos, casos de Skoblar, Professor Neca e José Romão, o atleta, à custa da sua dedicação, saberia manter-se como uma das peças fundamentais no miolo do terreno. Às duas primeiras épocas no novo clube, seguir-se-iam então outro par delas na mesma província, no mesmo escalão, mas já em representação do Gil Vicente. Sem nunca abdicar de lutar pela titularidade, os anos passados sob a alçada de Vítor Oliveira fariam de si um dos pilares do emblema sediado na cidade de Barcelos.
O regresso ao Varzim, na temporada de 1995/96, representaria a entrada do atleta na última fase da sua caminhada enquanto desportista profissional. Com o emblema da Póvoa a militar nos patamares secundários do Campeonato Nacional, o médio seria importante nas duas subidas consecutivas, as quais dariam a Lito a oportunidade de, por mais uma vez, disputar o escalão máximo luso. Nesse sentido, a campanha de 1997/98 tornar-se-ia, numa caminhada com uma dezena de épocas feitas na 1ª divisão, a derradeira do jogador a exibir-se nos mais importantes palcos do futebol português. Seguir-se-ia a mudança para o Leixões e, com o termo das provas de 1999/00, o final da sua carreira.
Como técnico, Lito tem estado muito associado ao Varzim, ocupando posições nas camadas jovens ou, como treinador-adjunto, integrado na equipa principal.

1362 - LÚCIO


Ao surgir no plantel sénior do Leixões ainda na metade inicial da década de 1970, Lúcio teria a primeira campanha de destaque durante a temporada de 1975/76. No decorrer da referida época primodivisionária, o jogador haveria de sobrepor-se ao seu concorrente directo, o guarda-redes João Serrão. Curiosamente, a chegada do Benje, como reforço para o plantel do ano seguinte, devolvê-lo-ia ao banco de suplentes e, para piorar a situação, as prestações colectivas, findo o Campeonato Nacional, levariam à despromoção do emblema matosinhense.
Com a mencionada descida, Lúcio ver-se-ia vetado à disputa do escalão secundário luso. Ainda assim, mesmo afastado dos holofotes maiores do futebol, o guardião conseguiria exibições de tal forma positivas que levariam os responsáveis por outros emblemas a aferirem o atleta como um possível elemento a contratar. Porém, essa situação só viria a concretizar-se passados 5 anos a vogar na 2ª divisão. No Varzim de 1982/83, numa altura que já era um praticante com bastante traquejo competitivo, teria a oportunidade de regressar ao patamar máximo e desse modo encetar aquela que viria a tornar-se na melhor fase da sua carreira.
No Varzim, o “magriço” José Torres seria o primeiro técnico a dar ao guarda-redes a titularidade. Aliás, daí em diante, o jogador tornar-se-ia num dos principais esteios da equipa e um dos elementos que, tirando raras excepções, passaria a ilustrar o “onze” inicial dos “Lobos-do-mar”. Essa preponderância, constante durante a primeira passagem pelo clube, seria suficiente para dar ao atleta o estatuto de histórico. Outro dos factores que contribuiriam para tal avaliação, prender-se-ia com as chamadas aos vários escalões sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, depois de já ter representado, por 4 vezes, o conjunto “olímpico” português, o guardião acabaria por conseguir a sua oportunidade pelos “AA”. Frente a Itália, numa partida a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, o treinador Juca ver-se-ia forçado a substituir o lesionado António Jesus e, com a entrada em campo no Stadio Giuseppe Meazza, Lúcio conseguiria 1 internacionalização com a principal “camisola das quinas”.
Depois da meia-dúzia de anos cumpridos com as cores do equipamento alvinegro, Lúcio decidir-se-ia pela mudança de emblema, passando, a partir da temporada de1988/89, a representar o Tirsense. Ao integrar o plantel dos “Jesuítas” ainda na 2ª divisão, o guarda-redes ajudaria a equipa a voltar ao escalão máximo. Nas duas épocas seguintes, ambas primodivisionárias, manter-se-ia sempre em plano de destaque e, apesar da veterania, conservar-se-ia como um dos nomes mais vezes chamados à titularidade. Porém, com a idade a deixar adivinhar um fim de carreira a aproximar-se, o guardião, com a saída da agremiação sediada em Santo Tirso, poria um ponto final na caminhada entre os “grandes”. Seguir-se-ia o regresso ao Varzim e para finalizar uma caminhada sénior de mais de duas dezenas de anos, o termo do trajecto enquanto futebolista, em 1993/94, já com as cores da AD São Pedro da Cova.
Apesar de arrumadas as luvas, Lúcio não ficaria afastado da modalidade. Como treinador-adjunto, construiria uma longa e sólida carreira. Sobretudo ao lado de Carlos Brito, o antigo guarda-redes passaria por emblemas como Rio Ave, Estrela da Amadora, Boavista, Nacional, Leixões, Penafiel e Freamunde.

1346 - BELMIRO

Tendo já representado como sénior, pela seguinte ordem cronológica, as agremiações amadoras do Futebol Clube Malta e do Grupo Desportivo da Maconde, Belmiro Marques Graça seria apresentado como reforço do Varzim, para a temporada de 1982/83. Natural das Caxinas, nascido no seio de uma família de pescadores, o defesa-esquerdo depressa revelaria o carácter físico e batalhador. Estrear-se-ia sob o comando do “Magriço” José Torres e, testemunho da grande aposta feita pelos responsáveis dos “Lobos-do-mar”, logo na disputa do escalão máximo.
Talvez por razão do enorme salto competitivo, a verdade é que a sua primeira época entre os “grandes”, em termos individuais, não seria muito proveitosa para o atleta, com o lateral a aparecer em campo em apenas 3 jornadas do Campeonato Nacional. Já a temporada seguinte destaparia um jogador completamente diferente e lançado para uma das melhores campanhas da carreira. A prová-lo, Belmiro, muito para além de titular indiscutível, seria um dos elementos do plantel do Varzim, naquela que é a mais importante prova do calendário futebolístico português, a marcar presença em todas as rondas da competição
 Curiosamente, na temporada de 1984/85, o defesa, depois de ter conseguido ser um dos nomes sempre arrolado ao “onze” inicial, voltaria ao ocaso da primeira época passada com o emblema sediado na Póvoa do Varzim. Também em termos colectivos, a referida campanha teria um saldo negativo, com o clube a ver-se relegado para o segundo escalão. Uma época cumprida e o sonho de regressar à 1ª divisão cumprir-se-ia. Sob a alçada do treinador Henrique Calisto, num plantel composto por nomes como os de Vata, Reinaldo, Rui Barros, José Maria, Miranda ou o guardião Lúcio, Belmiro faria parte do grupo de trabalho que, no final da época de 1987/88, alcançaria, para a colectividade alvinegra, o 7º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional.
Ao perder alguma preponderância no esquema táctico varzinista, talvez à procura de jogar com mais regularidade, o Desportivo das Aves apresentar-se-ia como uma boa solução para o seu trajecto competitivo. Porém, essa época de 1987/88, ao serviço da agremiação do concelho de Santo Tirso, encetaria na carreira do defesa-esquerdo uma nova etapa. Ao escolher representar um emblema a disputar a 2ª divisão, o jogador não mais conseguiria apresentar-se no patamar máximo luso. Daí em diante, sempre a vogar pelos escalões secundários, Belmiro ainda regressaria ao Varzim, onde completaria outras 3 campanhas. Depois, numa caminhada desportiva que acabaria com o termo da temporada de 1993/94, seguir-se-iam Oliveira do Bairro, Joane e Freamunde.
Após “pendurar as chuteiras”, apesar de presença assídua nas bancadas, Belmiro não mais retornaria às actividades do futebol. Ao voltar às tradições familiares, o antigo atleta passaria a dedicar-se às artes da pesca. Ao fim de vários anos no mar, numa senda que o levaria a passar por diversos países, a notícia de um naufrágio ao largo da costa de França, traria a triste notícia do seu falecimento.

1279 - MONTÓIA

Foram poucos os apontamentos, por mim descobertos, a retratar, com maior minúcia, a carreira deste jogador que, para ser correcto, só recordo como pertença assídua das colecções de cromos. A primeira nota que encontrei, numa altura em que o atleta já contava com 19 anos de idade, refere-se à temporada de 1967/68, num Leixões treinado por António Teixeira e numa partida alusiva à disputa da Taça de Portugal. No que diz respeito à campanha seguinte, posso garantir que os arquivos acabaram por revelar-se um pouco mais generosos com a minha procura. Mais uma vez ao serviço da equipa de Matosinhos, Montóia, já orientado pelo mítico José Águas, aparece como um dos elementos do plantel com casa no Estádio do Mar e que disputaria a edição de 1968/69 do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Quando tudo parecia estar a compor-se, é então que novo mistério surge nesta minha busca. Sem qualquer dado encontrado, durante 3 temporadas consecutivas nada consegui apurar sobre a vida do atleta. Bem! Nada, não é o caso! Tendo “escavado” mais um pouco, haveria de ler uma curiosa crónica que dá Montóia, em determinado momento do tal hiato temporal, integrado, ao lado de José Carlos, antigo atleta do Vitória Sport Clube, no contingente que, na Guiné-Bissau, viveria os horrores da guerra colonial. Ora, ao saber que era bastante comum para os futebolistas, quando destacados em África, passarem a envergar emblemas desses países, pensei ser fácil deparar-me com algumas pistas elucidativas e prontas a encaminhar-me nesse sentido. Que posso mais dizer?! Sabem o que descobri?! Nada!
A partir da temporada de 1972/73, tanto para Montóia, como para pesquisa feita para esta modesta biografia, tudo mudaria. No Leixões, o atleta, que podia posicionar-se na defesa ou no miolo do terreno de jogo, passaria a jogar com bastante regularidade. Mais uma vez sob a batuta de António Teixeira, o jogador começaria a afirmar-se como um das figuras de proa do colectivo matosinhense. Por tal razão, após 3 temporadas de bom nível passadas no escalão máximo, a admiração chegaria com a sua transferência e, ainda por cima, para uma equipa a militar no 2º escalão.
Para ser correcto, a mudança para o Varzim até terá tido uma boa explicação. A razão, por certo, terá estado relacionada com a presença de António Teixeira à frente dos destinos técnicos da equipa sediada na Póvoa. A opção do atleta, a envergar o listado alvinegro a partir da temporada de 1975/76, levá-lo-ia a participar em momentos históricos. Depois do regresso ao patamar maior do futebol luso, no final do 3º ano consecutivo entre os “grandes”, o jogador daria o contributo para aquela que viria a transformar-se na melhor prestação de sempre do clube no Campeonato Nacional. Sendo um dos nomes utilizados com maior regularidade nas épocas anteriores, Montóia faria também parte do grupo de trabalho que, sob a alçada do treinador referido no começo deste parágrafo, terminaria a campanha de 1978/79 na 5ª posição da tabela classificativa.
Depois deste feito, a carreira de Montóia, fazendo fé nos “tais” registos, não duraria muito mais tempo. Com outra temporada ao serviço dos “Lobos-do-mar” a conferir ao currículo do atleta um total de 9 campanhas na 1ª divisão, seria no regresso ao Leixões que o futebolista, terminada a época de 1980/81, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
 
PS: Já depois da publicação desta biografia, chegou-me a informação que Montóia, durante a passagem na Guiné-Bissau, terá representado a União Desportiva Internacional de Bissau

1207 - JOSÉ MARIA


Oriundo de uma família pobre, a pesca, ainda em criança, tomaria conta da sua vida. Porém, apesar de muito ocupado pela actividade profissional, José Maria conseguiria arranjar tempo para alimentar a paixão pelo futebol. Seria assim que, em idade adolescente, tentaria a sorte no Varzim. Ficaria. No entanto, as faltas dadas por razão dos labores da faina, levariam os responsáveis pelas camadas jovens do emblema poveiro a mandá-lo embora. Dispensado, desistiu da modalidade. Só passado um par anos é que voltaria ao desporto e, dessa feita, ao Futebol de Salão. Regresso suficiente para chamar a atenção da modesta Associação Cultural e Desportiva de Fajozes e, daí em diante, abraçar a variante de “11”com outra força.
Depois de uma curta passagem pelo Castêlo da Maia, o Famalicão daria um novo fôlego à sua caminhada e logo em dois aspectos. Primeiro e com um contrato profissional, José Maria acabaria por deixar a vida no mar. Já o segundo pormenor viria com a substituição de dois colegas – “Eu era ponta de lança, sempre fui ponta de lança. Mas num jogo do Famalicão no terreno do Riopele ficámos sem dois jogadores de combate, que se lesionaram, logo aos vinte minutos: um central e um médio. O treinador era o Fernando Tomé, chamou-me ao banco e disse que só tinha um recurso: tinha de me meter a central. Acabámos por ganhar. A partir daí joguei como trinco, embora às vezes pudesse ser central ou lateral-direito”*.
Apesar de militar na 2ª divisão, os seus desempenhos fariam com que as 2 temporadas ao serviço da equipa minhota contribuíssem para cevar o seu valor. Esse crescimento levaria o Varzim a apostar na sua contratação. Ao mudar-se para o emblema da sua terra, orientado pelo “magriço” José Torres, José Maria, na campanha de 1983/84, teria a oportunidade para fazer a estreia no escalão máximo. Pouco afectado pelo acréscimo da exigência competitiva, o “trinco” logo assumiria um lugar no “onze” inicial. Aliás, a titularidade seria uma constante durante toda a sua caminhada desportiva. Como um atleta de raça, durinho e incapaz de virar as costas à luta, o médio tornar-se-ia indispensável para os treinadores. Poucas vezes seria preterido no alinhar da equipa e só o enorme azar de duas graves lesões contraídas, afastariam o médio dos campos da bola.
A primeira lesão, para além de um longo período de recuperação, interromperia as negociações e impediria mesmo a transferência do jogador para o Sporting. Já o segundo incidente, mais uma vez uma perna partida, aconteceria quando José Maria defendia as cores do Tirsense. Com convites de vários emblemas, a opção do médio-defensivo pelo emblema “jesuíta” levá-lo-ia, na temporada de 1988/89, a abraçar um novo projecto. Contribuiria, na campanha da sua chegada, para o regresso do clube à 1ª divisão. Depois, ajudaria a colectividade a manter-se no convívio com os “grandes”, mas o final da época de 1990/91, não evitada a despromoção, marcaria também o regresso do atleta à Póvoa de Varzim.
Pouco mais duraria a sua carreira desportiva. Ainda na primeira metade da década de 90, ao aceitar o desafio lançado pelos dirigentes dos “Lobos do Mar”, passaria a dedicar-se às tarefas de técnico, no papel de treinador-adjunto do Varzim. “Sol de pouca dura”, pois a decisão de José Maria, após um convite para orientar as camadas jovens da colectividade poveira que nunca chegaria a concretizar-se, seria a de voltar às lides da pesca.

*retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado a 26/04/2018, em https://maisfutebol.iol.pt

1140 - FORMOSINHO

Depois de terminar a formação no emblema mais representativo da sua cidade, seria também no Vitória de Setúbal que Formosinho, na temporada de 1974/75, conseguiria estrear-se no patamar sénior. Todavia, e mesmo sendo um nome chamado regularmente aos trabalhos das jovens selecções portuguesas, a verdade é que o médio demonstraria algumas dificuldades em conquistar um lugar no “onze” dos “Sadinos”.
Após ser lançado pelo “magriço” José Augusto e tendo em conta um crescimento que, ao longo das épocas seguintes, revelar-se-ia positivo, a verdade é que o centrocampista seria várias vezes tido como uma escolha secundária. Ainda que sempre a disputar a 1ª divisão, Formosinho, 5 temporadas após a promoção à equipa principal, tomaria a decisão de dar outro rumo ao percurso profissional. Escolheria, sem abandonar o escalão máximo, o Varzim orientado por António Teixeira. Na nova equipa, para onde entraria na temporada de 1979/80, o atleta veria a mudança trazer os seus frutos e, como um dos jogadores mais vezes chamados à ficha de jogo, atingiria a titularidade de forma regular.
Seguir-se-ia, 2 anos passados sobre a chegada à Póvoa do Varzim, a entrada no Amora. Com mais uma experiência gratificante no seu percurso, o traquejo ganho pelo médio levá-lo-ia, em 1982/83, a voltar ao Estádio do Bonfim já com outro estatuto. Estimado como um atleta de indubitável cariz primodivisionário, no regresso ao Vitória de Setúbal, Formosinho, de forma quase indiscutível, agarraria um lugar na equipa inicial. Acrescentaria, nessa segunda passagem pelo conjunto do listado “verde e branco”, outras 5 campanhas na 1ª divisão e, desse modo, justificaria a sua entrada para o rol de históricos do emblema setubalense.
Já na fase final do seu trajecto enquanto praticante, o médio viajaria até ao Sul do país. No Algarve, depois de algumas épocas ao serviço do Farense, o Olhanense surgiria na caminhada do atleta como a oportunidade para fazer a transição dos relvados para as tarefas de técnico. Com essa temporada de 1990/91, no papel de jogador-treinador, a marcar o arranque de outra fase na vida profissional de Formosinho, o seu percurso como “timoneiro” empurrá-lo-ia para uma longa carreira. Apesar de nunca ter conseguido orientar uma equipa no escalão máximo português, as passagens por diferentes clubes de grande tradição em Portugal serviriam para valorizar as suas competências. Destaque também para as experiências na Arábia Saudita, Vietname, Angola, Tunísia, Malásia e Sudão ou ainda as diversas colaborações com José Mourinho que levaria o antigo futebolista a trabalhar no FC Porto, Real Madrid, Manchester United e Tottenham.

1117 - JÚLIO SÉRGIO

Ao terminar a formação no FC Porto como um dos atletas em maior destaque, a Júlio Sérgio seria profetizado um futuro de grande sucesso. Para sublinhar o vaticínio, as inúmeras chamadas às jovens selecções portuguesas serviriam para asseverá-lo como um valor seguro no panorama futebolístico nacional. Com 40 internacionalizações entre os sub-14 e os sub-21 lusos e a presença em importantes certames, como são exemplo o Euro sub-18 de 1984 ou as edições de 1986 e 1987 do Torneio de Toulon, o atleta parecia não enganar ninguém. Porém, a carreira sénior do jogador, que chegou a partilhar o balneário com Paulo Futre, Vítor Paneira, Pacheco, José Carlos ou Rui Barros, ficaria muito aquém do projectado nesses primeiros passos.
Com a estreia na equipa principal “azul e branca” a acontecer numa altura em que ainda era júnior, a verdade é que as oportunidades conseguidas nessa temporada de 1983/84, sob a alçada de António Morais, seriam insuficientes para, na campanha seguinte, assegurar um lugar no plantel do FC Porto. Seguir-se-ia a passagem de um ano pelo Varzim e, para a época de 1985/86, o ingresso no Desportivo de Chaves. No emblema flaviense, recém-promovido e estreante na 1ª divisão, o médio faria parte de uma das páginas de maior glória do clube transmontano. Para além da sua participação no conjunto que, pela primeira vez, participaria no escalão máximo do futebol português, o atleta também inscreveria o seu nome no rol de elementos que contribuiriam para o 5º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1986/87 e, respectivamente, para qualificação para as provas europeias.
A temporada de 1987/88, com a presença na Taça UEFA a assumir-se como um dos momentos icónicos da sua carreira, tornar-se-ia numa das melhores campanhas do percurso profissional do desportista. Como um dos elementos mais utilizados e com a titularidade a manter-se no ano seguinte, o estatuto alcançado em Trás-os-Montes tudo faria crer que a sua caminhada primodivisionária estaria mais do que lançada. Ao ir atrás do treinador Raúl Águas na viagem de Chaves para a cidade do Porto, a transferência para o Boavista no defeso de 1989, transformar-se-ia numa prova do seu crescimento. No entanto, o atleta claudicaria no intento de afirmação e, sem espaço no plantel das “Panteras”, a saída, pouco depois da entrada no Estádio do Bessa, levá-lo-ia ao União da Madeira.
No emblema funchalense os seus préstimos contribuiriam, ainda que de forma mais intermitente no derradeiro terço da prova, para a manutenção dos madeirenses no escalão máximo. Com uma temporada em contracorrente à sua evolução, a nova mudança de clube e o regresso à 2ª divisão não deixariam de ser um motivo para algum espanto. Surpreendentemente, e sem que, à altura, alguma coisa o fizesse adivinhar, Júlio Sérgio jamais voltaria a disputar a maior prova do futebol nacional. No entanto, o seu ingresso no Feirense iniciaria aquele que viria a tornar-se no laço mais representativo do seu currículo futebolístico. Com a entrada a acontecer em 1990, a sua ligação aos “Fogaceiros”, manter-se-ia, no seu cômputo, por quase uma década. Pelo meio as passagens, de uma época cada, pelo Penafiel e pelo Desportivo das Aves.
Seria também na agremiação sediada em Santa Maria da Feira que, no papel de treinador-jogador, teria a primeira experiência como técnico. Depois desse tempo cumprido como interino, e já terminada a passagem pelos relvados, outras oportunidades surgiriam. Com uma carreira modesta, o seu palmarés tem sido erguido em emblemas dos patamares secundários e amadores.

871 - PROKOPENKO

Tendo iniciado o percurso sénior no Tom Tomsk, a sua presença nos escalões secundários da antiga União Soviética seria suficiente para que um dos emblemas históricos do país equacionasse a sua contratação. Já no Torpedo de Moscovo, ainda que na sombra de atletas com mais experiência, o avançado começaria a ganhar o seu espaço. Numa equipa conhecida também por lançar jovens, mas talentosos, atletas, Prokopenko passaria a disputar os lugares cimeiros da 1ª divisão.
Na campanha de 1993, para além da presença da equipa moscovita nas competições europeias, o avançado viveria um dos melhores momentos da sua carreira. A Taça da Rússia, numa final ganha ao CSKA de Moscovo, passaria a fazer parte do seu currículo. Apesar de no derradeiro jogo da competição não ter conseguido concretizar qualquer golo, a verdade é que o ponta-de-lança, eleito pelo técnico Yuri Mironov, faria parte do “onze” inicial. Como demonstra essa escolha, Prokopenko era tido como um jogador relevante para o plantel. Tal como nessa temporada, também nas épocas seguintes, a importância do jogador manter-se-ia. Por isso mesmo, terá sido com algum espanto que, alguns anos após a referida vitória, os adeptos receberiam a notícia da sua mudança para o Chernomorets Novorossiysk.
É depois de um ano passado no novo emblema que a sua carreira toma novo rumo. Indicado pelo treinador espanhol Fernando Castro Santos, o atacante é contratado pelo Sporting de Braga. Contudo, e tido com um dos principais reforços dos minhotos para 1997/98, a adaptação de Prokopenko ao Campeonato português não seria a mais fácil. Com exibições intermitentes, o jogador só por raras ocasiões é que consegue chegar à equipa inicial. Na época seguinte, e para colmatar a falta de presenças em campo, a solução encontrada passaria pelo empréstimo do atleta a outro clube. Já no Santa Clara, ainda que a disputar a divisão de Honra, o russo volta às exibições de outrora. Por essa razão, e com a promoção assegurada, novo acordo é conseguido e a ligação do atacante com os açorianos estender-se-ia por mais uma temporada.
A 2ª época passada em Ponta Delgada, haveria de pôr o atacante numa situação bastante complicada. Devido a um desacordo entre o Santa Clara e o Sporting de Braga, sobre quem deveria pagar os salários ao jogador, Prokopenko ficaria sem receber durante toda a temporada de 1999/00. Sem que as duas partes chegassem a um acordo, é o empresário do futebolista que decide avançar com uma acção judicial contra a colectividade sediada no Arquipélago dos Açores. Depois do litígio, o avançado deixaria os insulares para, dessa feita, ingressar no Varzim. Tal como anteriormente, o atleta apanharia o emblema na 2ª divisão e, mais uma vez, seria peça importante no regresso do clube ao escalão máximo do futebol português.
Depois de 2001/02 ter acompanhado os poveiros em mais uma aventura primodivisionária, a carreira de Prokopenko entraria numa fase mais discreta. Ainda em Portugal, numa curta passagem pelo Estrela da Amadora, e no regresso à Russia, o atleta passaria a disputar as divisões secundárias. Luch Vladivostok, Fakel Voronezh e FC Sportacademclub, numa caminhada que terminaria em 2008, seriam os emblemas que completariam o seu currículo como futebolista.

811 - NIVALDO

Saído das “escolas” do Londrina, Nivaldo rapidamente conseguiria destacar-se como uma das grandes promessas do clube. Nesse seu primeiro ano como sénior, ainda sem a importância que viria a merecer nos anos vindouros, o avançado faria parte do grupo de trabalho que, no final da edição de 1977 do “Brasileirão”, conseguiria alcançar a 4ª posição da referida competição.
O feito conseguido pela equipa do Paraná, faria com que todas as atenções se virassem para os seus atletas. Nesse sentido, Nivaldo continuaria a mostrar as suas qualidades no ataque às áreas adversárias. Logo no ano seguinte ao da sua estreia, com a frequência das suas chamadas a jogo a crescer, torna-se num dos elementos de maior preponderância no esquema táctico da colectividade. Esse estatuto manter-se-ia ao longo das temporadas vindouras. Nem a rápida passagem do seu clube pelo 2º escalão brasileiro afectaria as suas capacidades. Se dúvidas houvesse acerca de tal assunto, então o Campeonato Estadual viria a dissipá-las. Tendo nesse mesmo ano conseguido regressar ao convívio dos “grandes”, o Londrina, com o ponta-de-lança em destaque, alcançaria também o título de campeão paranaense de 1981.
Já depois da sua mudança para o São Bento de Sorocaba, onde jogaria durante as próximas 4 temporadas, o valor de Nivaldo, em consonância com aquilo que eram as suas belas exibições, subiria exponencialmente. Já com o Santos no seu encalço, surge então uma proposta vinda da Europa. Nessa corrida, o contrato oferecido pelo Vitória de Guimarães acabaria por ser mais vantajoso para o atleta. Preferindo o emblema minhoto em detrimento do lendário clube do astro Pelé, o atacante deixa o “Paulistão” e segue em direcção a Portugal.
Apesar de ser uma escolha pessoal de Paulo Autuori, à altura o treinador-adjunto de Marinho Peres nos vimaranenses, a verdade é que a adaptação do avançado a um universo futebolístico diferente acabaria por não trazer os frutos esperados. Tendo chegado com o rótulo de craque, Nivaldo não conseguiria um rendimento condizente com a sua fama. Preterido por outros colegas da mesma posição, como é exemplo Paulinho Cascavel, a época de 1986/87 transformar-se-ia numa campanha bem discreta para o ponta-de-lança.
No rescaldo desse seu primeiro campeonato em Portugal, Nivaldo acabaria por ser incluído na lista de dispensáveis do Vitória de Guimarães. Posto de parte pelos novos responsáveis técnicos, a solução encontrada para o atleta seria a sua saída para o Varzim. Mantendo-se a disputar o patamar máximo do nosso futebol, o jogador passaria a ser uma das referências do sector mais ofensivo dos da Póvoa. Mesmo não tendo conseguido evitar a despromoção da sua equipa, o avançado manter-se-ia no clube. Já na 2ª divisão nacional, disputaria mais duas temporadas com os “Lobos do Mar”, para, na época de 1990/91, fazer a sua derradeira temporada no nosso país.
Depois dessa passagem pelo União de Leiria, Nivaldo decidiria regressar ao Brasil. Tendo já ultrapassado a barreira dos 30 anos de idade, o avançado fixar-se-ia no Estado de Santa Catarina e acabaria por vestir as camisolas dos dois emblemas mais representativos da cidade de Florianópolis, o Avaí e o Figueirense.

717 - PEPA

Minuto 84 do jogo frente ao Rio Ave, Graeme Souness põe em campo, para o lugar de Nuno Gomes, um dos mais prometedores atletas das camadas jovens do Benfica. Pouco tempo passado após a sua entrada e o incrível acontece – “Foi um passe do João Pinto. Se tivesse apanhado um fiscal-de-linha que tivesse dormido pouco se calhar tinha assinalado fora-de-jogo, mas eu não estava. Recebi de pé direito, ajeitei com o esquerdo e depois rematei de bico, à Romário”*. Referente à 19ª jornada da temporada de 1999/00, essa partida poderia ter sido o começo de uma história brilhante… mas não foi!
Pepa, que por essa altura tinha apenas 17 anos, era um prodígio. Talvez não tão grande quanto o próprio terá sentido, ou tanto quanto os adeptos quereriam. O avançado haveria de ser traído pela sua imaturidade. A ansiedade, o deslumbramento e, a contenda entre o seu empresário e o Presidente Luís Filipe Vieira, terão destruído o resto.
E o que foi o resto? O resto seria apenas um pequeno resquício daquilo que o jogador poderia ter conseguido, daquilo que tanto havia prometido. Nessas sobras, naquilo que sobejaria do seu trajecto enquanto atleta, restam as passagens por diferentes emblemas, sem que, em nenhuma delas, nada de gratificante dali tirasse.
Primeiro, viria o empréstimo ao Lierse. Problemas burocráticos e dificuldades de adaptação a um contexto bem diferente, fariam com que a estadia do avançado na Bélgica fosse apenas tempo perdido. Depois, Pepa teria a passagem pela equipa “b” do Benfica, uns escassos minutos entre o plantel principal e, como foi referido, a zanga entre o seu representante e o clube “encarnado”. Na resolução desta equação, a saída do atacante seria o resultado. A caminho estaria o ingresso no Varzim e, como muito se especulou por essa altura, a promessa de um lugar nas Antas.
Na Póvoa, com o emblema a disputar o escalão máximo português, o avançado até conseguiria mostrar algumas das suas qualidades. Contudo, a despromoção a que o clube seria vetado no final dessa temporada de 2002/03, como que voltaria a despertar em si os piores momentos. A partir daí, a carreira de Pepa ficaria entregue aos patamares secundários e, já depois de vestir as cores de Paços de Ferreira e Olhanense, uma grave lesão acabaria por pôr um ponto final no seu curto caminho como futebolista.
O seu regresso ao futebol dar-se-ia já depois de uma sincera reflexão sobre os anos despendidos nos relvados. Arrependido pelo percurso escolhido, a atitude que, desde então, haveria de assumir, abrir-lhe-ia diversas portas. Tendo apostado na carreira de treinador, e sendo reconhecido como um árduo e idóneo profissional, as competências que foi ganhando, levá-lo-iam a progredir nessa nova tarefa. Os anos investidos nas camadas jovens de diversos clubes, as funções de adjunto no Tondela ou o papel como coordenador das escolas benfiquistas, prepará-lo-iam para os primeiros trabalhos com técnico principal. Nesse exercício registam-se as passagens pela Sanjoanense e Feirense, que, para o começo desta época de 2016/17, levariam os responsáveis do Moreirense a dar-lhe a primeira oportunidade no universo primodivisionário.

 
*retirado do artigo de Nuno Travassos, em http://www.maisfutebol.iol.pt, publicado a 31/12/2007