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1735 - FUA

Ao terminar o período formativo já serviço do Boavista, Fernando José Gomes Pinto, popularizado no mundo do futebol como Fua, encetaria na temporada de 1987/88 um longo périplo erigido em sucessivos empréstimos. Tendo iniciado essa fase da carreira na equipa principal do Estarreja, o extremo ainda demoraria alguns anos até conseguir assomar-se ao escalão máximo. De seguida, numa errância que viria a caracterizar grande parte do seu percurso competitivo, o jogador, sempre sem sair dos escalões secundários, passaria igualmente pela Ovarense, Leça e Maia. Por fim, a chegada à região do Oeste abrir-lhe-ia as portas de um Torreense de regresso ao convívio com os “grandes” e o atleta, na campanha de 1991/92, acabaria por fazer a estreia na 1ª divisão.
Numa equipa com inúmeros atletas de farta experiência futebolística, a época de Fua no Estádio Manuel Marques seria bastante auspiciosa. No entanto, apesar dos bons números apresentados no ano em que haveria de ser orientado por Manuel Cajuda, a verdade é que a temporada de 1992/93 levaria o extremo de volta ao escalão secundário. Já integrado no plantel da Académica de Coimbra, o atacante, caracterizado pela baixa estatura e igualmente por uma velocidade estonteante, voltaria a retirar do novo empréstimo exibições de indubitável categoria. Tais desempenhos mereceriam a confiança dos responsáveis pelo Boavista e ao fim de 6 cedências em 6 anos, o jogador regressaria ao Bessa.
Nos “Axadrezados”, ao contrário do que as épocas anteriores haviam prometido, Fua acabaria por revelar algumas dificuldades em impor-se no “onze” idealizado pelo técnico Manuel José. Quase sem aparecer em campo no período cumprido pela agremiação sediada na “Cidade Invicta”, o atacante ver-se-ia empurrado para um novo empréstimo. Na União de Leiria a partir de 1994/95, primeiro cedido pelas “Panteras Negras” e a título definitivo desde a segunda temporada, o jogador encetaria aquela que viria a ser a sua ligação clubística mais duradora. A estabilidade alcançada no emblema da Beira Litoral, que o faria também regressar à 1ª divisão, traria os seus frutos. Titular com Vítor Manuel, o extremo transformar-se-ia num dos pilares das boas classificações obtidas pelo clube. O 6º posto no ano da sua chegada ao Estádio Magalhães Pessoa e o 7º lugar conseguido na época seguinte trariam à sua caminhada o reconhecimento além-fronteiras e de Angola chamá-lo-iam para representar a selecção.
Meritoriamente, Fua seria incluído, por Carlos Alhinho, no grupo a disputar a edição de 1996 da CAN. Já no torneio disputado na África do Sul, ao lado de um enorme contingente de atletas a competir nas provas lusas, o atacante disputaria, sempre como titular, todos os jogos dos “Palancas Negros”, agendados no Grupo A. Infelizmente, para Angola e para o atleta, as jornadas frente ao Egipto, à equipa da casa e aos Camarões traduzir-se-iam em duas derrotas e num empate frente à última selecção mencionada. Tão parcos resultados empurrá-lo-iam para fora do principal certame do futebol africano e o extremo voltaria a Portugal com um certo “amargo de boca”.
Com a despromoção da União de Leiria no termo do Campeonato Nacional de 1996/97, a carreira de Fua também sofreria um retrocesso. Surpreendentemente, mesmo tendo em conta as boas exibições conseguidas nos 3 anos passados na colectividade da “Cidade do Lis”, o atacante não mais viria a ter lugar num plantel primodivisionário. Outra curiosidade sobre a sua carreira, é que o avançado, depois de ter ultrapassado a centena de partidas feitas na principal prova do futebol luso, mais uma vez voltaria às constantes mudanças de emblema. Com o Moreirense a encabeçar essa nova fase do seu trajecto profissional, o atleta, numa carreira a durar até 2002/03, ainda envergaria as divisas do Imortal, Machico, Oxford United, Esperança de Lagos, Pedras Rubras, Sporting de Pombal, Macedo de Cavaleiros, Monchiquense e Ferreiras.

1689 - MIROSLAV

Com a entrada na equipa principal do NK Osijek a acontecer na temporada de 1986/87, não demoraria muito tempo até que Miroslav Zitnjak começasse a assumir um papel de alguma relevância no cenário futebolístico da antiga Jugoslávia. A prova da sua crescente importância chegaria com as recorrentes chamadas às jovens selecções do seu país natal. Paralelamente a essas aparições internacionais, a forma recorrente com viria a aparecer no “onze” escolhido para as pelejas do clube serviriam, igualmente, para alimentar a sua cotação e o final da temporada de 1991/92 trariam à caminhada do guarda-redes outros pontos de enorme valorização.
Chamado por Stanko Poklepovic à selecção principal da Croácia, o guardião entraria em campo ao lado de Robert Spehar, avançado que teria uma fugaz passagem pelo Sporting. Essa partida de carácter particular, disputada, a 12 de Julho de 1992 frente à Austrália, antecederia a sua transferência para o NK Zagreb. A mudança para uma colectividade a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa da recém-criada Liga croata, e com números aceitáveis a justificar a sua continuidade no clube, cimentá-lo-ia como um nome de monta naquele cenário competitivo. Ainda assim, a verdade é que a passagem de Miroslav pela nova agremiação duraria apenas um par de campanhas. Seguir-se-ia, na época de 1994/95, o regresso ao NK Osijek e, com a temporada seguinte já em andamento, surgiria a mudança para o futebol de outro país.
A chegada a Portugal dar-se-ia pelas portas da União de Leiria. Treinado, nessa temporada de 1995/96, por Vítor Manuel, o guarda-redes depressa viria a assumir-se como uma das boas contratações do clube sediado na Beira Litoral. Titular do emblema da “Cidade do Lis”, Miroslav contribuiria para alguns dos bons resultados colectivos registados durante a sua passagem pelo clube. No entanto, para além de ajudar a colectividade a atingir as meias-finais da Taça de Portugal no ano da sua entrada no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa ou de ter participado activamente no 6º lugar obtido na edição de 1998/99 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, o guardião também veria o seu currículo manchado pela descida de escalão verificada no termo das provas agendadas para a época de 1996/97.
Mesmo com altos e baixos na sua experiência leiriense, o guarda-redes transformar-se-ia numa das grandes figuras do clube na década de 1990. Numa fase em que já tinha perdido alguma da preponderância de anos anteriores, o jogador, no decorrer da temporada de 2000/01, poria termo à sua ligação à União de Leiria. Depois voltaria ao NK Osijek e, apenas alguns meses após o referido regresso, emergiria o final da carreira.
Já com as “chuteiras penduradas”, o antigo atleta passaria a dedicar-se às questões técnicas. Mantendo-se no emblema croata referido no parágrafo anterior, Miroslav começaria por desempenhar as tarefas de treinador para, posteriormente, experimentar o cargo de director-desportivo.

1604 - LEONEL

Com passagens pelo Benfica e pelo Sporting no decorrer do percurso formativo, Leonel Augusto Graniço Morais, segundo a informação retirada do “site” da Federação Portuguesa de Futebol, seria inscrito como sénior dos “Leões” na temporada de 1987/88. Contudo, o jovem defesa-esquerdo, nem sob a batuta do inglês Keith Burkinshaw, nem já na alçada de António Morais, teria qualquer oportunidade no conjunto principal dos “Verdes e Brancos”. Tapado por Fernando Mendes e por Vítor Santos, a falta de presenças em campo levaria o lateral a procurar outro rumo para a carreira. Nesse sentido, o plantel de 1988/89 do Salgueiros abrir-lhe-ia as portas e as próximas 3 temporadas seriam cumpridas ao serviço do emblema portuense.
Curiosamente, a estadia no bairro de Paranhos poderia ter dado a Leonel a estreia na 1ª divisão. Contudo, o ocaso verificado na temporada de 1990/91 adiaria o início desse capítulo competitivo. Seguir-se-ia a transferência para a União de Leiria treinada pelo seu conterrâneo Amândio Barreiras. Na colectividade da “Cidade do Lis”, o lateral canhoto, mesmo de volta ao 2º escalão, começaria a jogar com bastante regularidade. Tal frequência torná-lo-ia num dos pilares dos esquemas tácticos dos diferentes treinadores escolhidos para orientar a equipa. Nesse sentido, Leonel tornar-se-ia numa das figuras de proa da agremiação sediada na Beira Litoral, contribuiria de forma vincada para o regresso do emblema ao convívio com os “grandes” e conseguiria, finalmente, a tão almejada partida no patamar maior do futebol luso.
A época de 1994/95, tal como destapado nas últimas linhas do parágrafo anterior, apresentaria a 1ª divisão a Leonel. A trabalhar sob as ordens de Vítor Manuel, o defesa-esquerdo manter-se-ia como um dos nomes mais badalados da União de Leiria. Ao contribuir para o 6º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional, seria com alguma estranheza que os adeptos viriam o jogador, na campanha seguinte, ser apresentado como reforço do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, região de onde é natural, encetaria uma nova fase da carreira que, ao mantê-lo no escalão máximo, fá-lo-ia entrar numa senda mais errante. Todavia, nada disso afectaria a sua cotação e mesmo com a descida dos “Flavienses”, o lateral veria rapidamente surgirem outros interessados na sua contratação.
No Sporting de Braga de 1996/97, Leonel manteria os bons números de anos transactos. Ainda assim, depois de ajudar à qualificação dos “Arsenalistas” para as provas de índole continental, o jogador voltaria a mudar de rumo. Dessa feita, a transferência encaminhá-lo-ia para o Alto Alentejo. No distrito de Portalegre, mais concretamente a envergar a camisola do Campomaiorense, o defesa, naquela que viria a tornar-se na 4ª campanha consecutiva em contexto primodivisionário, perderia algum do protagonismo vivido até então. A consequência imediata seria a despedida dos palcos principais. No entanto, a caminhada desportiva do lateral, longe do fim, ainda daria diversas cores ao seu currículo. Em definitivo a actuar nos cenários secundários, o Varzim surgiria como a colectividade seguinte e mais adiante, nomeadamente a partir de temporada de 2000/01, a Madeira tornar-se-ia na nova casa do jogador.
O União da Madeira, o Pontassolense e o Câmara de Lobos, por essa ordem e num total de 7 campanhas passadas na aludida região insular, inscrever-se-iam no percurso profissional de Leonel como os derradeiros capítulos dessa caminhada. Já época de 2005/06 transformar-se-ia na última etapa da sua senda enquanto futebolista.

1522 - ÁLVARO

Tendo cumprido um longo percurso nas “escolas” do Belenenses, Álvaro Augusto Ribeiro Fernandes, seria chamado às pelejas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Inserido na equipa de juniores, actuais sub-18, o atacante teria a oportunidade de fazer a estreia com as cores lusas a 22 de Março de 1977. Chamado à partida frente à Finlândia por Peres Bandeira, o jovem atleta apresentar-se-ia num “onze” onde também marcariam presença Zé Beto, Spencer, Artur Fonte, Luís Tomás ou Alberto Bastos Lopes. Tido como uma forte promessa do futebol português, o avançado, que chegaria a capitanear a referida selecção, passados alguns dias entraria em acção no Torneio Internacional de Saint-Malo e com a presença no certame francês alcançaria, para o currículo pessoal, um total de 6 partidas disputadas com a “camisola das quinas”.
Pouco tempo após a senda referida no parágrafo anterior, Álvaro, pela mão de Artur Quaresma, seria chamado à estreia no Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tendo, nessa temporada de 1976/77, efectuado ainda outra partida pelos seniores do Belenenses, da época seguinte, o atleta, por certo esperaria mais tempo de jogo. No entanto, as opções do treinador António Medeiros recairiam noutros elementos do plantel dos “Azuis”, com o atacante a conseguir somente alguns minutos na equipa principal. Por razão da falta de oportunidades, a opção para o atacante passaria por prosseguir a carreira com outro emblema e tal decisão marcaria o início de um trajecto a encaminhar o jogador para um itinerário marcadamente errante.
A mudança para o plantel de 1978/79 da União de Leiria permitiria a Álvaro inscrever o seu nome na história do clube. Com a promoção conseguida nessa época de entrada na colectividade, o avançado, para além de somar ao seu percurso competitivo mais uma campanha a disputar a prova de maior calibre do calendário desportivo luso, também faria parte do rol de atletas a participar na estreia do conjunto beirão na 1ª divisão. Porém, a passagem pelo emblema da “Cidade do Lis”, num grupo de trabalho a incluir elementos como os experientes Dinis ou Fernando Tomé e ainda nomes como Nascimento, Barrinha ou José Dinis, não correria conforme o planeado. Tanto em termos individuais, com o jogador a ser pouco utilizado, como colectivamente, as prestações seriam modestas e o termo das provas agendadas para 1979/80 ditaria a descida patamar da equipa sediada na Beira Litoral.
Afastado definitivamente do convívio com os “grandes”, o Ginásio de Alcobaça, onde voltaria a ajudar à subida ao escalão máximo, seria o clube seguinte na sua senda desportiva. Após 3 temporadas no emblema da Região Oeste, intercaladas por uma curta passagem ao serviço do Juventude de Évora, o jogador, numa sucessão bem ritmada e já posta a descoberto neste texto, acabaria a envergar diversas camisolas. Atlético, Vizela, o regresso à União de Leiria, Felgueiras, Sporting da Covilhã, União de Santiago e Sacavenense, em todos com apenas um ano de ligação, transformar-se-iam nas novas cores do seu currículo. Por fim, como os derradeiros trechos de uma longa caminhada, surgiriam o Fanhões, o Angrense e, novamente ao serviço do Sacavenense, a decisão de “pendurar as chuteiras” com o termo da temporada de 1995/96.

1379 - VÍTOR MANUEL

Apesar de emergir dos patamares de formação do Marinhense, a evolução de Vítor Manuel dentro de campo depressa abriria ao avançado outras portas. Antes ainda da subida a sénior, o atacante, resultado das promissoras virtudes, seria chamado aos trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. No escalão agora conhecido como sub-18, a 11 de Novembro de 1968, o jogador faria a estreia com a “camisola das quinas”, numa partida frente à França. Ao lado de atletas como Carolino, Nicolau Vaqueiro, Jacinto, entre outros, o atacante daria o passo que o levaria, entre o já referido patamar e as “esperanças”, a conseguir, para a sua carreira, um total de 5 internacionalizações.
No que diz respeito ao percurso clubístico, Vítor Manuel, com a promoção aos seniores a acontecer na temporada de 1969/70, desde muito cedo começaria a ser assediado por agrupamentos de outra monta. Ao resistir aos apelos de uma mudança de emblema, o avançado prolongaria a sua estadia pela agremiação sediada na Marinha Grande por mais anos do que a sua qualidade deixaria adivinhar. Sempre na disputa da 2ª divisão, o avançado, ainda assim, viveria alguns momentos emotivos. Nessa senda, destacar-se-ia a campanha que quase levaria o conjunto da “Cidade do Vidro” à promoção ao escalão maior. No entanto, num colectivo com alguns elementos de tradição primodivisionária, casos de Florival, Carlos Pinho ou Naftal, a presença na Liguilha de 1970/71 não daria à colectividade a tão almejada subida.
Só na temporada de 1977/78 é que Vítor Manuel cambiaria de rumo futebolístico. Sem deixar a 2ª divisão, a mudança para a União de Leiria abrir-lhe-ia as portas há muito prometidas. Depois de realizar uma boa campanha ao serviço do emblema da “Cidade do Lis”, o avançado veria o Sporting a endereçar-lhe um convite. Irrecusável, o desafio levá-lo-ia a entrar em Alvalade na época de 1978/79. Porém, numa equipa que, para o sector ofensivo, contava com elementos como Manuel Fernandes, Keita, Manoel ou Jordão, as oportunidades dadas por Milorad Pavic nunca permitiriam ao atacante afirmar-se como um dos mais utilizados pelo treinador jugoslavo. Ainda assim, a sua experiência com os “Leões” não seria de avaliação negativa. Para além da estreia nas competições sob a alçada da UEFA, aos 2 jogos feitos na Taça dos Clubes Vencedores das Taças, o jogador ainda somaria, entre a Taça de Portugal e Campeonato Nacional, outras 16 partidas.
O passo seguinte encaminhá-lo-ia até ao Minho. Em Guimarães, com as cores do Vitória Sport Clube, Vítor Manuel cumpriria aquela que, atrevo-me a dizer, terá sido uma das melhores campanhas por si realizadas. Sob o comando de Mário Imbelloni e posteriormente treinado por Cassiano Gouveia, o avançado, numa linha ofensiva também composta por Joaquim Rocha e Mundinho, conseguiria ser um dos mais utilizados pelo emblema da “Cidade Berço”. Curiosamente, com o termo dessa temporada de 1979/80, dar-se-ia o regresso do atleta ao União de Leiria. De volta à Beira Litoral, às épocas seguintes, à excepção da de 1981/82, seriam passadas no segundo escalão e com a última campanha referida a tornar-se na derradeira do avançado entre os “grandes”.
Com um interregno a levá-lo, na temporada de 1983/84 até ao Desportivo de Chaves, a ligação com o União de Leiria terminaria com a campanha de 1985/86. De seguida, Vítor Manuel regressaria àquele que seria o emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista e, de novo a envergar a camisola do Marinhense, a sua carreira de praticante terminaria na época de 1987/88.

1295 - LUÍS VOUZELA

Terminaria a formação já como atleta do Académico de Viseu e numa altura em que ainda conciliava o desporto com a profissão numa pastelaria. Impossibilitado de manter ambas as actividades, daria prioridade ao desporto, mas os primeiros anos como atleta profissional, até pela intromissão do Serviço Militar Obrigatório, revelar-se-iam complicados. Ainda assim, depois da estreia nos seniores na temporada de 1992/93, Luís Miguel Silva Tavares, já por essa altura popularizado pelo nome da sua terra, a vila de Vouzela, acabaria por singrar no “mundo da bola”. Na campanha de 1994/95, ainda comandado por João Cavaleiro, o treinador que o tinha lançado na equipa principal, assumiria um papel de relevo no seio do conjunto “estudante”. Nessa evolução, bastaria mais uma época para que conseguisse um dos saltos mais importantes da carreira e as boas exibições na divisão de honra levá-lo-iam ao patamar máximo português.
A transferência para a União de Leiria na temporada de 1996/97, serviria de primeiro passo para afirmar o “trinco” como um futebolista de cariz primodivisionário. Durante as 6 temporadas passadas com o emblema sediado nas margens do Rio Lis, 5 das quais na 1ª divisão, Luís Vouzela viveria os melhores momentos da carreira. A valorização conseguida durante os esses anos, por culpa das boas campanhas nas provas internas, levariam o Sporting, no decorrer da época de 1999/00, a sondar o emblema leiriense com vista à mudança do médio para Alvalade. Contudo, as exigências feitas pela colectividade beirã inviabilizariam a ligação aos “Leões” que, meses mais tarde, consagrar-se-iam como campeões nacionais.
Também pelas posições cimeiras conquistadas pela União de Leiria, Luís Vouzela assumir-se-ia como um dos bons jogadores a exibir-se em Portugal. A grande prova do seu valor viria com a convocatória aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Arrolado por Rui Caçador à partida disputada em Marco de Canaveses frente à Alemanha, o médio-defensivo, a 15 de Agosto de 2000, acrescentaria ao currículo 1 internacionalização “B”. Porém, nem essa chamada faria com que o “trinco” desse o salto para um emblema com ambições de outra monta. Ainda assim, o jogador saberia manter-se na 1ª divisão e Santa Clara e Moreirense dar-lhe-iam ao percurso outras 3 temporadas entre os “grandes”.
Em 2006/07, após uma temporada no Beira-Mar, Luís Vouzela teria a oportunidade de dar azo às primeiras aventuras no estrangeiro. No entanto, as curtas passagens pelos cipriotas do Olympiakos Nicósia e pelos gregos do Niki Volou esbarrariam em incumprimentos salariais. Já de volta a Portugal, sensivelmente um ano após a partida, o médio continuaria a sua senda pelos palcos secundários. Desportivo de Chaves, Nelas, Penalva do Castelo, Académico de Viseu, Nogueirense e Oliveira de Frades acabariam por colorir uma carreira que terminaria em 2014 e com o atleta já com os 40 anos de idade cumpridos.
Após “pendurar as chuteiras” Luís Vouzela manter-se-ia ainda ligado à modalidade e durante alguns meses assumiria um cargo como dirigente do Académico de Viseu. Depois viria o trabalho na Câmara Municipal de Vouzela, a experiência como técnico dos Vouzelenses e a passagem pelos Estados Unidos da América, onde voltaria à prática do futebol. Já de regresso à sua terra e às funções no município, o antigo atleta retornaria também às tarefas de treinador, nomeadamente à frente do Campia e do Santacruzense.

1249 - MACIEL

Após passar por uma série de clubes nos primeiros anos da carreira, seria já como atleta do Volta Redonda que Maciel, em 2001 e numa partida frente ao Flamengo, acabaria observado por José Mourinho. Agradado com a sua velocidade e capacidade de decisão, o treinador aconselharia a contratação do extremo à União de Leiria. Já do lado de cá do Atlântico e depois de ultrapassado um pequeno imprevisto, o atacante rubricaria a ligação que daria início à sua passagem por Portugal – “Tínhamos combinado dez mil euros mensais, mas o Leiria afinal só me queria pagar cinco mil. Desci, saí da sala – onde estava o Mourinho, o senhor João Bartolomeu e o Derlei também – e de repente sinto o mister Mourinho a vir atrás de mim. «Olha, se jogas tanto como dizes, assinas o contrato agora e em dezembro de certeza que o clube renova contigo e aumenta a verba»”*.
A disputar o Campeonato Nacional a partir da temporada de 2001/02, Maciel continuaria a desenvolver as características que tinham maravilhado o “Special One”. Ao destacar-se na equipa da Beira Litoral que terminaria a campanha de 2002/03 nos lugares de acesso às provas europeias, o atacante começaria a ser cobiçado por clubes de ambições maiores. Já com o Benfica na corrida, José Mourinho, entretanto a treinar o FC Porto, convenceria o jogador a mudar-se para a “Cidade Invicta”. Entraria no plantel “azul e branco” a meio da temporada de 2003/04 e depois de, na primeira metade da época, ter, pela União de Leiria, disputado a Taça UEFA. Tal facto impediria o extremo de, pelos “Dragões”, participar na “Champions”. Todavia, e sem fazer qualquer minuto na campanha que terminaria em Gelsenkirchen com a vitória portista, o atacante seria também um dos atletas condecorados – “Fiquei triste por não jogar, mas o presidente falou comigo e até me deu uma medalha de vencedor, tal como a da Taça Intercontinental”**.
Com José Mourinho no Chelsea, surgiria a oportunidade de Maciel ir jogar para o emblema londrino. Contudo, o facto de ser extracomunitário e de não ter qualquer internacionalização pelo Brasil, inviabilizaria a transferência. Para alimentar o azar, a entrada do espanhol Victor Fernandez para o comando técnico do FC Porto tiraria protagonismo ao atleta. Sem praticamente jogar, nem o facto de ter sido uma peça fulcral na conquista da edição de 2003/04 do Campeonato Nacional salvaria o atacante da saída. Por empréstimo, os anos seguintes passá-los-ia com as cores do Atlético Paranaense, União de Leiria e Sporting de Braga.
Desvinculado do FC Porto, o extremo encetaria uma terceira passagem pela “Cidade do Lis”, para, no final dessa temporada de 2007/08, acabar transferido para os gregos do Xanthi. Aliás, aí começaria uma senda deveras errante. Já de volta ao Brasil, Maciel daria início a um périplo muito idêntico àquele que tinha trilhado no começo da carreira. Depois de vestir um número quase incontável de camisolas, seria com as cores do Cabofriense que, em 2015, daria por terminada a caminhada como futebolista.
Mesmo depois de largar os “gramados”, o avançado não conseguiria afastar-se da bola. Já como atleta federado de futevolei, o antigo avançado, ao brilhar na areia, continuaria a manter-se em boa forma.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha e publicada a 08/04/2021, em https://maisfutebol.iol.pt
**retirado da entrevista publicada a 09/12/2013, em www.record.pt

1134- KIMMEL

Depois de, na temporada de 1988/89, ajudar o Fortuna de Düsseldorf a bela uma campanha, a subida de divisão levaria Michael Kimmel à estreia na 1 Bundesliga. Já a disputar o principal escalão do seu país, a escassez de partidas jogadas faria com que o médio alemão começasse a procurar outro rumo para a carreira. De volta ao patamar secundário, acabaria por ser no FC 08 Homburg que o jogador daria um novo impulso à sua, ainda curta, caminhada.
Seria do emblema sediado no estado germânico do Sarre que o centrocampista chegaria a Portugal. Com a União de Leiria a abrir-lhe as portas das provas nacionais, Kimmel rapidamente conseguiria tornar-se numa das referências do conjunto da “Cidade do Lis”. Logo na época de chegada, a de 1992/93, o atleta ocuparia no miolo do terreno um lugar de destaque. Já na temporada seguinte, mantendo-se como um dos titulares, continuaria a ser uma das peças fundamentais do esquema táctico da equipa e, sob a alçada do técnico Manuel Cajuda, tornar-se-ia numa das principais figuras do emblema beirão no regresso à 1ª divisão.
No escalão maior do futebol português, já sob o comando do treinador Vítor Manuel, Kimmel conseguiria perpetuar-se como um dos esteios do meio-campo defensivo. Durante mais duas temporadas, sempre como um dos bons elementos do conjunto leiriense, continuaria a ser o “pulmão” e o “músculo” necessário às metas colectivas. Ao pautar os 4 anos ao serviço da União de Leiria pela capacidade de luta e abnegação, seria com grande surpresa que os adeptos acompanhariam o anúncio da saída do futebolista.
Após empurrar o emblema beirão para lugares na metade superior da tabela classificativa e depois de, igualmente, pôr o seu cunho na participação na Taça Intertoto de 1995/96, a partida do médio dar-se-ia em direcção a Trás-os-Montes. No Vila Real, com o clube a apostar fortemente na promoção à divisão de Honra, Kimmel, acompanhado pelos colegas Abel e Manuel Lavos, seria recebido como um dos principais reforços para a temporada de 1996/97. No entanto, falhado o objectivo da subida, o médio decidir-se-ia por deixar o emblema transmontano para fixar-se de novo na Região Centro. Sem voltar ao escalão máximo, passaria a representar emblemas de menor monta e, um ano volvido sobre a sua partida de Leiria, o jogador assinaria contrato pelo Beneditense.
Sempre nos escalões inferiores, o atleta continuaria a caminhada desportiva em colectividades mais modestas. Para além do já referido, Bidoeirense e Alqueidão da Serra haveriam também de colorir um trajecto que conheceria o fim já na segunda metade da primeira década do século XXI. “Penduradas a chuteiras”, mas sem deixar a modalidade, Kimmel passaria a dedicar-se às artes de treinador. Após alguns anos em que conciliaria as actividades de futebolista com as de técnico, ao retirar-se dos relvados começaria a dedicar-se a uma carreira que acabaria por ter uma forte ligação às camadas jovens da União de Leira.

1083 - PAULO DUARTE

Com o percurso formativo a cumprir-se com as cores do Boavista, haveria de ser a União de Coimbra a abrir-lhe as portas do patamar sénior. Com o referido passo dado na 2ª divisão de 1987/88, seria nesse mesmo escalão que Paulo Duarte competiria nos anos vindouros. Nesse correr, seguir-se-ia a União de Leiria. Ainda sem alcançar o degrau máximo do futebol português, a primeira passagem do defesa-central pela “Cidade do Lis” permitir-lhe-ia evoluir. O crescimento demonstrado durante essas 3 temporadas aguçariam o apetite de outros emblemas e o resultado saldar-se-ia pela sua transferência para o Salgueiros.
A ida para Paranhos, quando contava 22 anos de idade, encetaria um longo périplo pelo escalão máximo. Durante mais de uma década, com a excepção de uma curta despromoção à divisão de Honra, Paulo Duarte vogaria pelos principais palcos do futebol nacional. As 2 épocas passadas no emblema portuense e outras 2 com as cores do Marítimo transmitiriam a ideia de um jogador com características fiáveis e permitir-lhe-iam alcançar o estatuto de atleta primodivisionário. Com nova mudança para Leiria, o “status” alcançado nas campanhas anteriores torná-lo-iam num dos pilares do plantel e, ao ser uma das figuras mais importantes do emblema leiriense, em muito contribuiria para cimentar a equipa beirã como um conjunto de topo.
Ao conseguir, quase sempre, ser eleito para o “onze” inicial, Paulo Duarte sublinharia o seu peso na estratégia montada pelos diversos treinadores que, durante 9 anos consecutivos, orientariam o jogador na União de Leiria. A regularidade das suas aparições torná-lo-iam num dos ícones de etapas memoráveis. Às participações na Taça Intertoto e na Taça UEFA, juntar-se-iam as temporadas de 2000/01 ou 2002/03, onde o conjunto conseguiria o 5º posto no Campeonato Nacional. Na senda de glórias, há também que fazer referência para a sua presença na final da Taça de Portugal de 2002/03 e na Supertaça Cândido de Oliveira disputada na época seguinte.
O Verão de 2004 marcaria a sua passagem para as funções de técnico. Como adjunto, daria os primeiros passos na União de Leiria. Ainda na agremiação da Beira Litoral, em 2006/07 teria a oportunidade de estrear-se como treinador-principal. Pouco mais tempo estaria em Portugal. Em 2008, depois de, várias vezes, ter recusado o repto lançado por Ousséni Zongo, seu antigo pupilo no emblema leiriense, Paulo Duarte assumiria o comando da selecção do Burkina Faso. Pela nação africana, com diversas passagens, participaria em 3 edições da CAN. Em 2017, no âmbito do referido certame, o antigo defesa conseguiria uma verdadeira proeza e levaria os seus discípulos ao 3º lugar do pódio.
Por entre as experiências na selecção do Burkina Faso, Paulo Duarte acumularia outros trabalhos. O Le Mans, na francesa “Ligue 1”, a selecção do Gabão ou os tunisinos do CS Sfaxien, tornar-se-iam nesses referidos projectos. Já para esta temporada de 2020/21, sem nunca deixar o continente africano, Angola acabaria por revelar-se como o seu destino e o 1º de Agosto no novo desafio do treinador português.

1048 - TOMÉ

Nascido na “Cidade Invicta” por culpa da carreira de futebolista do seu pai, Fernando, desde os primeiros minutos de vida, haveria de conviver com aquela que seria uma das grandes paixões da sua existência. João Tomé, o seu progenitor, arrastá-lo-ia pelos campos da bola. Emblemas como o Académico do Porto ou o Sporting da Covilhã acabariam por fazer parte desse seu universo infantil. Porém, seria a chegada à terra da sua família que, em definitivo, conduziria o jovem para uma caminhada, em tudo, exemplar.
Os primeiros passos, pequenos ainda, dá-los-ia no emblema do seu bairro. O preâmbulo no modesto Vasco da Gama, até à entrada no Vitória Futebol Clube, em tudo apontariam para o sucesso. Um êxito, talvez ainda em forma de promessa, mas com toda a crença num caminho trilhado em glória. Nesse sentido, o listado verde e branco dos sadinos daria a oportunidade ao médio para, aos poucos, conseguir agigantar-se. Estrear-se-ia na equipa principal, no decorrer da temporada de 1965/66. Logo ali, nesse primeiro embate sénior, mostraria ter estofo suficiente para partilhar o balneário com mitos como Jaime Graça, Jacinto João, José Maria, Carriço, Mourinho, Carlos Cardoso ou Conceição. Nada haveria de amedrontar o jovem praticante. Nem a constelação de estrelas, nem a pressão primodivisionária conseguiriam esmorecer uma vontade enorme de vencer.
Talhado para as funções do sector intermediário, o jogador rapidamente conseguiria cimentar-se como um pilar do conjunto setubalense. Nessa afirmação, um nome surgiria como o principal responsável pelo seu crescimento. O treinador Fernando Vaz surgiria como o homem que, para além de lançar o clube numa senda de grandes sucessos, transformá-lo-ia numa das estrelas da equipa. É certo que o triunfo individual em muito depende das metas alcançadas pelo colectivo. Nesse campo, o Vitória, naquelas que seriam as 5 primeiras temporadas do centrocampista como sénior, viveria um rol de êxitos inolvidáveis. Sempre com o médio como uma das figuras maiores, há que referir a luta pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional. Depois, e tendo à cabeça a chegada aos quartos-de-final da Taça das Cidades com Feira e os golos marcados por Fernando Tomé a Sepp Maier e Ray Clemence, chegariam as excelsas presenças nas provas europeias. Claro está que, nunca poderia esquecer a Taça de Portugal e, com atleta no “onze” inicial, a conquista da edição de 1966/67 ficaria na história.
Curiosamente, seria a presença de outro grande nome do futebol luso que empurraria o jogador para um novo salto. Com José Maria Pedroto como timoneiro, as exibições de Tomé na campanha de 1969/70, levariam Figueiredo, outra lenda leonina, a sugerir a sua contratação. Não seria difícil convencer os responsáveis do Sporting, até porque no seu percurso já existia outra importante camisola. Tomé, que também haveria de representar os “B” e os sub-21 nacionais, já tinha alcançado o estatuto de internacional. A estreia pelo conjunto “A” de Portugal, em Novembro de 1969, aconteceria numa partida de qualificação para o Mundial de 1970. Lançado por José Maria Antunes, a sua presença no “onze” inicial contribuiria para um empate frente à Suíça.
Já a viagem até Alvalade continuaria a mostrar um atleta de grandes predicados. Tomé tornaria a encontrar-se com Fernando Vaz e, mais uma vez, voltaria a mostrar-se como um dos principais valores da equipa. A passagem pelos “Leões”, num cômputo de 6 temporadas, transfigurar-se-ia, incontornavelmente, na fase mais faustosa da sua carreira. Assim testemunharia o pródigo rol de títulos ganhos. A conquista do Campeonato Nacional de 1973/74, adornada por mais 3 triunfos na Taça de Portugal, serviriam para aferir o, mais que merecido, sucesso individual. Sublinhado também, ficaria um carácter forte, lutador, mas sempre bem-disposto.
A última parte da sua carreira enquanto jogador, levá-lo-ia a voltar a Setúbal e ao Vitória Futebol Clube. Porém, e sem desconsiderar o regresso à margem direita do Rio Sado, o médio haveria de envergar outro emblema que, na minha modesta opinião, marcaria ainda mais essa última fase. Nesse sentido, a União de Leiria, para onde seguiria em 1978/79, dar-lhe-ia a oportunidade de dar os primeiros passos nas tarefas de técnico. Na 1ª divisão de 1979/80, ao substituir Fernando Peres, Tomé assumiria as funções de treinador-jogador. Essa experiência daria jus a uma carreira que, em grande parte, ficaria ligada aos escalões de formação do emblema sadino. Ainda assim, destaque também para as suas passagens por Penafiel, Famalicão ou pelo Oriental.

1021 - DINIS

Formado no Sporting e com várias presenças nos sub-18 portugueses, pelos quais jogaria o Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1974, seria já ao serviço do Olhanense que Dinis faria a sua estreia como sénior. No Algarve, e a disputar a 1ª divisão de 1974/75, o lateral-direito haveria de continuar, dessa feita nos sub-21, a representar a selecção. Contudo, e com tão auspicioso arranque, os anos seguintes manteriam o jovem desportista afastado dos palcos principais do nosso futebol.
Dinis passaria 7 anos a representar a União de Leiria. Aliás, o emblema para o qual sairia após a experiência no Sul do país, tornar-se-ia no mais representativo da sua carreira enquanto futebolista. Terá sido o mais emblemático, porém não poderei dizer que terá sido o mais grato. Bem, até posso estar a ser injusto, pois, em abono da verdade, seria o conjunto da “Cidade do Lis” que, após 4 anos no escalão secundário, voltaria a pôr o atleta no cenário primodivisionário.
Com uma efémera primeira passagem em 1979/80, e com o regresso depois de um ano na 2ª divisão, Dinis, ao tornar-se num dos incontornáveis peões das manobras da União de Leiria, conseguiria, em termos nacionais, firmar-se no mais alto nível competitivo. Na senda da 1ª divisão e com nova despromoção do conjunto leiriense, o lateral mudar-se-ia para o Sporting de Espinho. Os “Tigres”, em duas temporadas, ajudariam a alimentar o estatuto até aí conseguido e, acima de tudo, serviriam de rampa para aquela que viria a ser uma das experiências mais enriquecedoras do seu trajecto internacional.
De volta ao Algarve, dessa feita para vestir a camisola do Portimonense, Dinis acabaria por escrever o seu nome na mais bonita página da história do clube. Depois de ter ajudado ao 5º lugar conseguido na campanha de 1984/85, o lateral voltaria a ser um dos principais intérpretes nas aventuras da época seguinte. Com a qualificação para as provas europeias, o jogador seria escalonado para disputar ambas as partidas frente ao Partizan de Belgrado. Apesar da vitória caseira na 1ª mão, o conjunto orientado por Vítor Oliveira não conseguiria levar de vencida a eliminatória. Mesmo tendo sido afastados, a experiência na Taça UEFA tornar-se-ia num dos momentos de maior orgulho para o currículo do jogador.
Seria também no Algarve, e, mais uma vez, com as cores do Olhanense, que o defesa faria a transição de atleta para treinador. Nas referidas funções, o “agora” José Dinis tem tido diversas passagens por vários históricos do desporto português. Apesar de ter trilhado o seu trajecto nos escalões secundários, o técnico conta com experiências em equipas como a União de Leiria, União de Tomar, Naval 1º de Maio, Feirense, Varzim ou Sporting da Covilhã. Numa já longa carreira passada no banco de suplente, destaque ainda para os anos passados com o ASA, na 1ª divisão angolana.

741 - TAHAR EL-KHALEJ

Tendo ganho fama ao serviço do Kawkab, clube pelo qual conseguiria sagrar-se campeão de Marrocos, Tahar cria a reputação de ser um dos melhores jogadores a actuar no seu país. Este facto, aliado às constantes convocatórias para a selecção, faz com que o seu prestígio comece a aumentar. As chamadas à CAN de 1992 e, posteriormente, ao Mundial de 1994, serviriam apenas para reavivar a ideia de que o jogador já merecia uma mudança na sua carreira.
A transferência acabaria mesmo por acontecer. É então, na União de Leiria que surge a “porta” que permitiria ao atleta fazer a sua estreia na Europa. Mesmo tratando-se de um emblema modesto – lembre-se que o clube, nesse ano 1994, tinha conseguido a promoção à 1ª divisão – a verdade é que para Tahar esta era a oportunidade de mostrar as suas habilidades num contexto competitivo de maior valor.
No campeonato português, Tahar afirma-se como um jogador determinado e muito aguerrido. Tendo até começado por posições mais avançadas, é nas estratégias defensivas que o jogador acaba por melhor conseguir expor as suas qualidades. Como “trinco”, mas podendo também ocupar um lugar no centro da defesa, o internacional marroquino seria peça fulcral nas boas campanhas do clube leiriense.
Duas temporadas após a sua chegada a Portugal, é então que o Benfica decide apostar na sua contratação. Com 28 anos de idade, Tahar daria o maior passo no seu percurso como profissional. Na “Luz”, com o clube a atravessar uma das piores fases da sua história, a vida do médio nem sempre foi fácil. Por razão da sua excessiva agressividade, as constantes expulsões acabam por fazê-lo desperdiçar muitas das chances conseguidas. Ainda assim, e durante os primeiros anos, o jogador acaba por cotar-se com um dos mais utilizados e merece a chamada ao Mundial de 1998. Todavia, a sua situação acabaria por alterar-se. Com a chegada de Jupp Heynckes, a sua impetuosidade começa a merecer algumas críticas. Após um empate caseiro frente ao Boavista, em que Tahar, com um duplo amarelo, é expulso cerca de 20 minutos após “saltar do banco”, o técnico alemão como que perde a paciência – “Como é óbvio, não apreciei a expulsão de El Khalej. É uma situação que não deve suceder a um profissional como ele. Por intermédio de Chano, avisei-o antes da expulsão para não efectuar faltas tontas. Isso não deve tornar a acontecer. Ele sabe-o, pois já falámos sobre o assunto”*.
O último jogo realizado com a camisola das “Águias” haveria de ser a derrota por 7-0, frente ao Celta de Vigo. Depois desse jogo no Estádio de Balaídos, Tahar enfrentaria um longo período sem ser chamado às opções de Jupp Heynckes. Em Março de 2000, vinda de Inglaterra, surge a opção para dar continuidade à sua carreira. Depois de alguns jogos à experiência, Tahar consegue convencer Glenn Hoddle e acaba por assinar pelo Southampton.
Já nos “Saints”, Tahar mantém toda a sua fogosidade. Mesmo num futebol conhecido pela sua dureza, a rispidez do jogador acaba por trazer alguns dissabores. Um dos episódios mais polémicos na sua passagem pela “Premier League”, acabaria por ser um lance com Kieron Dyer. Numa entrada duríssima, Tahar acaba por magoar o atleta do Newcastle. A lesão, bastante grave, haveria de pôr em dúvida a presença do internacional inglês no Mundial de 2002. Irritado com a situação, Dyer ainda ameaça processar o atleta marroquino – “Eu estava extremamente zangado porque pensei que a bola já estava longe e ele teve apenas uma intenção – deitar-me abaixo (…). Se as minhas chances de ir à fase final, forem roubadas por aquela entrada, vai ser muito difícil aceitá-lo (…). Se o perdoo-o? Se for à fase final do Mundial, então, sim. É tão simples quanto isso. Se vou tomar alguma acção legal? Não decidi e estou a deixar tudo em aberto, neste momento”**.
Já depois de, no decorrer da temporada de 2002/03, ter sido emprestado ao Charlton, Tahar decide terminar a sua carreira como desportista. O seu regresso a Marrocos e a Marraquexe, dar-lhe-ia a oportunidade para retomar a sua ligação ao futebol. Como Presidente do Kawkab, o antigo jogador acabaria por ajudar o clube que o lançou, a regressar ao patamar principal daquele país.

 
*retirado da reportagem de Nuno Pombo no jornal “Record”, a 31/10/1999
**retirado da reportagem do jornal “The Guardian”, a 20/05/2002

395 - QUARESMA

Parceiro de uma vida de Jorge Jesus, actual técnico-principal do Benfica, os dois, por razão de terem apenas um ano de diferença, fariam um trajecto muito parecido nos escalões de formação. Com passagem pelo Estrela da Amadora, para depois terminar nos juniores do Sporting, Miguel Quaresma subiria à categoria sénior dos “Leões”, para jogar principalmente na equipa de “reservas”. De seguida surgiria o primeiro empréstimo da sua carreira e o jogador, a caminho do plantel de 1973/74 do Peniche, haveria de ter a companhia do já referido Jorge Jesus, com a experiência na 2ª divisão a servir para ambos ganharem mais traquejo.
Quaresma ainda regressaria a Alvalade na época de 1975/76. No entanto, a forte concorrência por um lugar no eixo do sector mais recuado do Sporting, onde os internacionais Laranjeira e Mendes impunham a sua qualidade, traria muitas dificuldades ao defesa. Sem qualquer partida oficial registada, o atleta deixaria os “Leões” no termo da campanha mencionada no início deste parágrafo. De seguida, encetaria um périplo a levá-lo, na carreira de futebolista, a percorrer uma larga lista de outros emblemas. Quase sempre na divisão maior do futebol luso, mas também com passagens pelos escalões secundários, destacar-se-iam os anos cumpridos no Beira-Mar, na União de Leiria – onde voltaria a cruzar-se com Jorge Jesus – e no Portimonense. Temporadas que, muito mais do que a titularidade conquistada, serviriam para sublinhá-lo como um dos principais defesas-centrais a actuar em Portugal.
Com um vasto currículo nas tarefas de técnico, 7 anos dos quais a trabalhar com Jorge Jesus, Miguel Quaresma faz hoje parte dos quadros do Benfica. Curiosamente, a sua primeira experiência nas funções, acumulando também o papel de jogador, seria no Benfica e Castelo Branco. Mas há outra particularidade nesse arranque de carreira. Quem, nessa temporada de 1989/90, haveria de ser seu discípulo na colectividade albicastrense? A resposta é fácil! É claro que só podia ser Jorge Jesus!

318 - LAMPTEY

Tudo no começo da sua carreira prometeria sucesso. Fossem os 16 anos aquando da primeira partida na Liga belga, tornando-se, por essa razão, no atleta mais jovem de sempre a conseguir tal estreia, fosse a conquista do Mundial sub-17 de 1991, onde, com 4 golos e empatado com o brasileiro Adriano, haveria de ser o Melhor Marcador do torneio; fosse ainda pela Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de 1992 ou por razão do segundo lugar no Mundial de sub-20 de 1993, Nii Lamptey tornar-se-ia num dos jovens futebolistas que, no início dos anos de 1990, acabaria empurrado para a ribalta. O destaque seria tanto que haveria de ser apelidado como o "Novo Pelé". No entanto, esse arranque auspicioso não passaria disso mesmo e o primeiro passo em falso terá sido dado, provavelmente, com a decisão de deixar o clube que o albergava desde os 15 anos, o Anderlecht.
O destino levá-lo-ia à colectividade com ligação à Philips, o PSV Eindhoven. A temporada passada pelo médio-ofensivo nos Países Baixos até correria de feição e ajudado pela apetência para o golo, o ganês, depois dessa campanha de 1993/94, rapidamente começaria a ser cobiçado por emblemas de campeonatos maiores. Tendo em conta as boas exibições conseguidas, a transferência para o Aston Villa dar-lhe-ia a oportunidade para disputar a Premier League. Todavia, muito acima da vontade do jogador em mudar-se para outro cenário competitivo, haveriam de estar, segundo o especulado à altura, os interesses financeiros do seu empresário, o qual detinha uma percentagem do seu “passe”. A ida do jogador para Inglaterra, numa senda em que nunca demonstraria o real valor dos seus dotes, encetaria uma caminhada que tomaria os contornos de uma errância gigantesca. Seria durante essa fase, com experiências em diversas agremiações, países e continentes que passaria por Portugal. Tal como nas outras colectividades, na União de Leiria o desempenho de Lamptey seria bastante discreto e a sua passagem pelas provas lusas terminaria com pouco mais de uma mão cheia de partidas.
 Depois de uma vida nos relvados que só não o levaria à Oceania, Lamptey, em 2008, decidir-se-ia pela "reforma". Entretanto passaria a assumir as funções de técnico e actualmente, de volta ao Gana, ocupa as funções de treinador-adjunto no Sekondi Wise Fighters.

298 - TOÑITO

Quando falamos em disputas entre os “grandes” emblemas portugueses, principalmente as que não acontecem dentro do rectângulo de jogo, facilmente associamos o nome do Benfica numa peleja com um dos rivais, o FC Porto ou o Sporting. A verdade é que, mais espaçadas as contendas, também os “Dragões” e os “Leões” vão tendo as suas desavenças. Uma delas aconteceu por razão de um avançado espanhol que, depois da ligação ao Tenerife, tinha, na temporada de 1997/98, rubricado uma ligação ao Vitória Futebol Clube.
Toñito, como chegou a relatar, incentivado por Mourinho Félix, à altura dirigente do referido emblema setubalense, desenvolveu muito da sua técnica, velocidade e raça aquando da passagem pelo seio do grupo sadino. Ao contribuir com as suas habilidades para os ataques do Vitória, facilmente veio a tornar-se numa das figuras de proa da equipa. Daí até começar a ser cobiçado por emblemas de maior monta, foi um pequeno passo. Como já foi dito, quem logo ficou na dianteira pela corrida ao atacante espanhol foram o FC Porto e o Sporting, acabando o avançado, talvez por influência de Manuel Fernandes, o seu primeiro treinador em Portugal, por escolher o Estádio José de Alvalade, em detrimento das Antas.
No meio leonino nunca alcançou o destaque auferido em Setúbal. No entanto, mesmo ao não conseguir afirmar-se como titular, coisas houve de que poderá para sempre gabar-se. Uma delas foi ter contribuído, depois de 18 anos de “jejum” para o Sporting, para a conquista do Campeonato Nacional de 1999/00. A outra, bem mais curiosa, está relacionada com a assistência para o primeiro golo sénior de Cristiano Ronaldo – “Era o primeiro jogo de Cristiano a titular e marcou dois golos. Recordo que no primeiro fui eu quem lhe passou a bola, de calcanhar, no meio-campo. Depois, ele fez uma grande jogada, passou por três adversários e marcou (...) Dei-lhe um golo feito!”*.
Depois do tempo passado no Sporting, durante o qual ainda teve um empréstimo aos açorianos do Santa Clara, Toñito acabou por envergar as cores do Boavista e, num regresso ao antigo clube, voltou a vestir a camisola do Tenerife. Ao perder algum fulgor, o avançado rapidamente entrou na fase descendente da carreira, com os últimos anos a fazerem-se de experiências nos croatas do HNK Rijeka, na União de Leiria, nos gregos do Ionikos e no Chipre, já ao serviço do AEK Larnaca. Retirado das lides de atleta aos 32 anos e com o objectivo futuro de vir a tornar-se num técnico-principal de um plantel sénior, assumiu-se como coordenador de uma escola de futebol, a Sporting Tenerife.

*traduzido a partir do artigo de Manu Sainz, publicado em https://as.com, a 17/02/2012

239 - BILRO

Se o seu percurso nas camadas de formação, com Bilro a ser chamado por diversas às jovens equipas da selecção, fazia prever um futuro mais fácil, a transição para os seniores traria ao defesa uma situação muito comum entre diversas esperanças do futebol, ou seja, sucessivos empréstimos até à dispensa final.
Em abono da verdade, Bilro ainda teve uma pequena oportunidade no Sporting, ao ser integrado, por Sir Bobby Robson, no plantel principal de 1992/93. Ainda assim, e apesar de não ter tirado grande proveito desse regresso a Alvalade, onde não alinharia em qualquer partida oficial, os anos em que tinha rodado no Seixal, Atlético, e Olhanense, seriam suficientes para que a União de Leiria apostasse na sua contratação.
Na “Cidade do Lis" a partir da campanha de 1993/94, Bilro continuaria a mostrar que o seu espírito competitivo, aliado a uma regularidade espantosa, fazia do jogador um dos melhores defesas-laterais a actuar nas provas lusas. Manteria esse estatuto durante as 11 temporadas passadas no Estádio Magalhães Pessoa e, pela dedicação e qualidade exibicional, chegaria a capitão de equipa. Nesse percurso, atingiria o espantoso número de 245 jogos na 1ª divisão, registo que faria dele o atleta que mais vezes conseguiria representar a União de Leiria no principal escalão do nosso futebol.
O fim da ligação entre o clube beirão e o jogador haveria de ficar marcado pela discórdia, com Bilro a sair de Leiria em litígio com a direcção. Um ano depois, o lateral-direito terminaria a carreira na “variante de 11”, ao serviço do Lusitânia dos Açores. Algum tempo depois, ressurgiria para o desporto como praticante de futebol de praia. Na "areia" acabaria por atingir metas que nos relvados nunca tinha conseguido alcançar. Chegaria à selecção "A", onde, para além de dois 3ºs lugares no Campeonato do Mundo, venceria por 3 vezes a Liga Europeia. Também no contexto clubístico teria um percurso glorioso e novamente com as cores do Sporting, haveria de conquistar a primeira edição do Circuito Nacional.