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1716 - LÁZARO

Cumprido o percurso formativo na AD Oeiras, Lázaro Fonseca Costa Oliveira teria no emblema da Linha de Cascais a oportunidade de, no decorrer da temporada de 1986/87, chegar ao contexto sénior. Já os passos seguintes do médio levá-lo-iam primeiro até Cantanhede, onde integraria o plantel de 1987/88 d’ “Os Marialvas”, para, na campanha seguinte passar a envergar a camisola do Grupo Desportivo da Usseira. Porém, contrariamente ao que poderia ser projectado, essas passagens, respectivamente, pelo escalão secundário e pela 3ª divisão não tirariam visibilidade ao atleta e o jogador, para a campanha de 1989/90, acabaria apresentado como reforço de um dos emblemas com grande tradição no futebol português.
Mesmo com o Estoril Praia a disputar a Zona Sul da 2ª divisão, a chegada de Lázaro à Amoreira serviria de rampa para uma carreira bem mais estruturada. Nesse sentido, a temporada de 1991/92 acabaria por destapar o escalão máximo ao jogador. Porém, as escolhas de Fernando Santos para o alinhamento da equipa recairiam sobre outros atletas. Ainda assim, num plantel que, ao longo desses anos, teria no sector intermediário jogadores como Carlos Manuel, Bouderbala, Borreicho, Sánchez ou Marco Paulo, o seu trabalho continuaria a ser apreciado pelos responsáveis técnicos dos “Canarinhos”. A aferição feita ao médio mantê-lo-ia ligado ao clube durante 5 épocas consecutivas. Todavia, com o termo das provas agendadas para 1993/94, temporada em que os homens a envergar de amarelo também claudicariam na luta pela manutenção, o elo que vinha a ter com a colectividade a jogar em casa no Estádio António Coimbra da Mota quebrar-se-ia e o centrocampista, que nunca havia passado da condição de suplente, decidiria partir para outras aventuras.
O ano passado ao serviço do Louletano e o par de temporadas a defender as divisas do Penafiel constituiriam, na caminhada do médio, um interlúdio na sua experiência primodivisionária. Curiosamente, seria Fernando Santos a resgatar Lázaro desse hiato. Com o treinador à frente do Estrela da Amadora, o jogador seria um dos nomes escolhidos para reforçar o plantel de 1997/98 dos “Tricolores”. Contrariamente ao que tinha acontecido na sua experiência com o Estoril Praia, a sua preponderância no xadrez táctico da nova equipa seria completamente distinto. Em abono da verdade, a época de chegada do atleta à Reboleira não haveria de coincidir com a sua titularidade. Porém, mesmo com poucas aparições no “onze” inicial, o centrocampista começaria a merecer a atenção das pessoas ligadas a outros contextos competitivos.
 O destaque mencionado no final do parágrafo anterior surgiria da Federação Angolana de Futebol. Natural de Gabela, localidade situada na província do Quanza Sul, o médio, com a selecção do seu país apurada para a CAN de 1998, veria o seu nome adicionado pelo Professor Neca à comitiva a participar no mais importante torneio organizado pela CAF. Já no certame disputado no Burkina Faso, o jogador acabaria por entrar em campo nas 3 partidas disputadas pelos “Palancas Negros”, mas os dois empates e uma derrota não permitiram a passagem às eliminatórias.
No que diz respeito à sua caminhada clubística, Lázaro, ao permanecer 7 anos seguidos no Estádio José Gomes, 5 dos quais no convívio com os “grandes”, transformaria o Estrela da Amadora no emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista profissional. “Penduradas as chuteiras” no decorrer da temporada de 2003/04, o antigo médio manter-se-ia ligado à modalidade e transitaria, ainda na aludida época, para o papel de treinador-adjunto dos “Tricolores”. Já a mudança para técnico-principal ocorreria na época de 2009/10, ao serviço do Penafiel. Daí em diante, novas oportunidades surgiriam e o Portimonense, Atlético, Farense, a selecção de Macau e, nesta época de 2025/26, o Portimonense (clube), preencheriam o seu trajecto.

1667 - RODOLFO

Com o percurso formativo cumprido ao serviço do Estrela da Amadora, seria como praticante do emblema sediado na Linha de Sintra que Rodolfo Luís Costa Miguéns Correia acabaria chamado aos trabalhos das jovens selecções portuguesas. Com a primeira aparição a suceder pela mão de Nelo Vingada, essa partida dos sub-15, disputada a 14 de Abril de 1992, no âmbito do Torneio Internacional de Montaigu, serviria de arranque a uma caminhada a levá-lo aos mais diversos escalões e a somar 31 partidas com as cores lusas.
Já no que respeita ao percurso clubístico, haveria de ser também no Estádio José Gomes que o médio-defensivo faria a transição para o patamar sénior. Essa temporada de 1994/95, lançado em campo por Fernando Santos, transformar-se-ia no encetar de uma caminhada de vários anos a participar nas principais pelejas do futebol português. Impondo-se, progressivamente, como um dos elementos basilares dos desenhos tácticos dos “Tricolores”, a sua importância no seio do grupo amadorense, como recordaria o médio Lázaro, começaria a subir – “Era um jogador low profile, não se preocupava em termos individuais, era muito coletivo. Acabou por atingir alguma notoriedade, ao representar o FC Porto, mas sempre foi um jogador de grupo”*.
Com a cotação em alta e com 5 campanhas primodivisionárias a enriquecer-lhe o currículo, o jogador veria colectividades de outra craveira a interessarem-se pelos seus préstimos. Tal como destapado no parágrafo anterior, e como consequência da presença do já mencionado Fernando Santos no comando técnico dos “Dragões”, o “trinco” mudar-se-ia da Reboleira para as Antas. No entanto, a transferência para o FC Porto não correria como esperado e Rodolfo poucas oportunidades conseguiria conquistar na agremiação da “Cidade Invicta”. Ainda assim, o médio-defensivo teria o privilégio de fazer parte, no desenrolar da época de 1999/00, de algumas conquistas e ajudaria às vitórias na Taça de Portugal e na Supertaça.
Sem lugar nos “Azuis e Brancos”, Rodolfo daria início a uma fase da carreira um pouco mais errante. Com os dois primeiros passos a serem dados na sequência de um par de empréstimos, tal périplo levá-lo-ia ao Beira-Mar e ao Varzim. Com ambas as campanhas passadas no contexto competitivo da 1ª divisão, a manutenção dos “Lobos-do-Mar” empurrá-lo-ia para a assinatura, em 2002/03 e em termos definitivos, de um novo contrato com o emblema poveiro. De seguida, sem abandonar os palcos principais do futebol luso, emergiriam as duas temporadas ao serviço da Académica de Coimbra. Após a experiência nos “Estudantes”, onde seria muito afectado pelas lesões num joelho, o médio-defensivo, com o aproximar do termo da carreira, teria ainda tempo para dar um salto até França, onde seria apresentado como reforço do plantel de 2005/06 do Clermont.
No regresso a Portugal, o atleta, por desafio de Raul Oliveira e Vítor Vieira, seus antigos colegas no Estrela da Amadora, ainda viria a treinar-se e a participar em alguns “amigáveis”, pelo Lusitânia dos Açores. Porém, zangado com o futebol e antes do início da temporada oficial, o médio decidiria deixar a modalidade e voltar aos estudos. Já como estudante da Licenciatura de Educação Física e Desporto, surgiriam o Igreja Nova e o Linda-a-Velha, respectivamente no 3º escalão e na disputa dos “distritais” da Associação de Futebol de Lisboa.
Com os estudos terminados e com alguma experiência na orientação de várias equipas de jovens, Rodolfo teria no Panathinaikos, a cumprir o papel de treinador-adjunto, o regresso ao futebol de mais alto nível. Seguir-se-ia o Paraná, onde faria parte da equipa técnica de Milton Mendes. De seguida, após a experiencia no Brasil, já como adjunto de Jorge Paixão, passaria pelos polacos do Zawsza Bydgoszcz e pelo Olhanense. Porém, num trajecto à imagem de um verdadeiro “globetrotter”, o antigo futebolista ainda teria a oportunidade de passar, não só por outros países, como por outro continente. Nesse sentido, excluindo um ou outro capítulo, há ainda a destacar o trabalho efectuado no Tractor Club de Toni, na selecção do Irão a cargo de Carlos Queiroz, nos “olímpicos” do Bahrein, no Sporting de Marcel Kaizer, nos americanos do Harrisburg City Islanders, no Al-Hilal “B”, por conselho de Jorge Jesus, como técnico-principal dos sauditas do Al-Ula FC e, já nesta época de 2025/26, como responsável pelos sub-21 do Neon SC.

*retirado do artigo publicado a 6/11/2018, em https://bancada.pt

1626 - AGATÃO

Após terminar o percurso formativo com as cores do Zona Azul, o salto para os seniores, sem sair da sua cidade natal, levá-lo-ia a ser apresentado como reforço do Desportivo de Beja. Ao juntar-se ao plantel de 1979/80 do emblema alentejano, Francisco José Matos Agatão acabaria a partilhar o balneário com Delfim, um dos seus 5 irmãos, todos mais velhos que o médio-defensivo e todos futebolistas com passagem pela agremiação rubro-negra.
Principiada a caminhada competitiva pela Zona Sul da 2ª divisão, o “trinco”, aquando da passagem pelo Despertar Sporting Clube de 1981/82, acabaria por cair nos “regionais”. Manter-se-ia, 1 ano depois e já de volta ao Desportivo, nas contendas distritais da Associação de Futebol de Beja. No entanto, no regresso ao conjunto mais representativo da fase inicial da sua carreira, o jogador conseguiria a proeza de chamar a atenção de emblemas bem melhor posicionados no cenário luso e seria um pouco mais a norte, com as cores d’ “O Elvas”, que viria a encontrar a rampa de lançamento para um trajecto invejável.
Com a chegada aos “Azuis e Ouro” na temporada de 1983/84, Agatão voltaria a competir na 2ª divisão. Seria ainda no referido escalão que, a trabalhar sob a alçada de Carlos Cardoso, começaria a prometer outros voos. Nesse contexto evolutivo, o médio-defensivo, um par de épocas após a entrada na agremiação raiana, veria o Boavista a apostar na sua contratação. Ao estrear-se no escalão máximo já com 25 anos de idade, o traquejo trazido de meia dúzia de campanhas a pelejar-se no futebol sénior permitir-lhe-ia fixar-se, com relativa facilidade, no plantel de 1985/86 dos “Axadrezados”. Avaliado pelo carácter determinado e aguerrido, o atleta, muito mais do que singrar no grupo de trabalho às ordens de João Alves, transformar-se-ia, ao partilhar o sector intermediário com Casaca e com Phil Walker, num dos pilares do colectivo portuense. Com excelentes exibições nos anos cumpridos no Bessa, o atleta ajudaria as “Panteras” na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa do Campeonato Nacional e, acima de tudo, na qualificação para as provas sob a égide da UEFA.
Após 5 temporadas na “Cidade Invicta”, seguir-se-ia um período idêntico ao serviço do Estrela da Amadora. No emblema sediado no bairro da Reboleira, o “trinco” chegaria num ano deveras importante para os homens a jogar em casa no Estádio José Gomes. Nesse cenário histórico, Agatão participaria na disputa da Supertaça e na estreia dos “Tricolores” nas competições de índole continental, ou seja, entraria em campo na eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças a opor o conjunto português ao Neuchâtel Xamax. Porém, a importância de tais momentos não evitaria a descida do emblema da Linha de Sintra no termo do Campeonato Nacional de 1990/91. Mesmo como um dos mais utilizados na equipa, o desaire colectivo arrastaria o jogador, mais uma vez, para o panorama secundário do futebol português. Já o regresso ao convívio com os “grandes” dar-se-ia na campanha de 1993/94 e permitiria ao médio-defensivo adicionar ao currículo outras 2 épocas primodivisionárias.
A campanha de 1995/96 viria a assumir-se de vital importância para a ligação de Agatão ao futebol. Por um lado, a aludida temporada, durante a qual vestira a camisola do Estoril Praia, tornar-se-ia na última da sua carreira enquanto praticante. Depois, como resultado de ter sido orientado por Carlos Manuel, emergiria a oportunidade de abraçar as tarefas de técnico. Como adjunto do referido treinador, o antigo “trinco” passaria por diversos emblemas do escalão maior. Salgueiros, Sporting, Sporting de Braga, Campomaiorense e Santa Clara coloririam essa fase do seu trajecto. Mais tarde, ao assumir-se como o “timoneiro” principal, regressaria aos cenários insulares onde, para além de voltar ao Santa Clara, encetaria uma longa ligação ao Operário.
Trajecto como treinador, há ainda a destacar as suas passagens pelo Recreativo de Caála e pelos iranianos do Sanat Naft, períodos onde integraria, respectivamente, as equipas de Formosinho e, mais uma vez, de Carlos Manuel. De seguida não resistiria a novo apelo dos Açores e aceitaria os convites do Praiense, do Fontinhas e do Rabo de Peixe. Finalmente, o regresso a casa e o desafio de liderar as “escolas” do Desportivo de Beja.

1528 - PEDRO SIMÕES

Criado na Amadora, seria na colectividade mais emblemática da localidade dos arredores de Lisboa que Pedro Simões terminaria a formação. Porém, sem espaço num Estrela acabado de ser promovido ao escalão máximo, o jogador, que amiúde treinava com o plantel principal dos “Tricolores”, começaria um périplo a levá-lo, já como sénior e por grande influência de Agatão, antigo atleta com forte ligação a ambos os emblemas, a passar a temporada de 1993/94 ao serviço d’ “O Elvas”.
Depois da aventura pelo Alentejo, os dois anos seguintes na carreira de Pedro Simões, ainda com o intuito de ganhar traquejo e envolvido na mudança de Chaínho para a Reboleira, seriam cumpridos com as cores do Casa Pia. Já o retorno ao Estádio José Gomes dar-se-ia na temporada de 1996/97. No entanto, com o Estrela da Amadora na 1ª divisão, a afirmação do “trinco”, que durante algumas fases da carreira também jogou no centro da defesa, não seria fácil. Ainda assim, ao jovem praticante ser-lhe-ia dada a oportunidade de fazer a estreia no escalão máximo e na ronda de abertura do Campeonato Nacional referente à época do seu regresso, entraria em campo pela mão de Fernando Santos.
Apesar das qualidades reconhecidas, Pedro Simões só começaria a ser utilizado com maior frequência a partir da campanha de 1998/99 e numa altura em que já era orientado por Jorge Jesus. Curiosamente, essa regularidade surgiria após ser sondado pelos espanhóis do Ourense. Porém, ainda que gorada a transferência, o jogador continuaria a crescer de forma notória e veria a sua preponderância dentro do plantel do Estrela da Amadora a aumentar. Nessa evolução, os anos seguintes serviriam essencialmente para sublinhar a sua importância para o grupo de trabalho. Por outro lado, mesmo com algumas despromoções à mistura, o jogador manter-se-ia fiel ao clube e essa lealdade contribuiria, ainda mais, para cimentar a sua imagem de nome histórico dos “Tricolores”.
Abordando alguns números da sua carreira, o atleta, entre os dois principais escalões do futebol luso e só tendo em conta o trajecto como sénior, vestira a camisola da colectividade da Linha de Sintra durante 11 anos consecutivos. Tanto tempo dar-lhe-ia, no “ranking” dos futebolistas com mais partidas disputadas pelo emblema da Reboleira na 1ª divisão, o 7º posto. No entanto, apesar de longa, a ligação entre o clube e o jogador conheceria, não um fim, mas um interregno de contornos algo polémicos – “As pessoas do Estrela não foram sinceras e tiveram falta de carácter. Estive 23 anos no clube e não merecia ter sido corrido de uma forma tão inglória. Não sei os motivos, mas a verdade é que outros jogadores sentiram na pele o mesmo tratamento, depois de terem dedicado vários anos ao Estrela”*.
Depois do termo das provas agendadas para temporada de 2006/07, Pedro Simões, como praticante, não mais voltaria a envergar a camisola do emblema amadorense. Começaria, a partir do Outono de 2007, a treinar-se com as cores do Atlético e com a abertura do “mercado de Inverno” de 2008 passaria então a representar a agremiação do bairro de Alcântara. No emblema lisboeta, com apenas alguns meses passados sobre a sua entrada na Tapadinha, o jogador viria mesmo a “pendurar as chuteiras”. No entanto, tal decisão não significaria o afastamento da modalidade. Já reconciliado com o Estrela da Amadora, em 2008/09, o antigo capitão dos “Tricolores” aceitaria orientar os juniores do clube, para, com pouco tempo decorrido nas referidas funções, passar a fazer parte da equipa técnica do conjunto principal, liderada por Lázaro. Desde então tem seguido o antigo colega de balneário e como seu treinador-adjunto, passaria também pelo Penafiel, Portimonense e a pela selecção de Macau.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 04/01/2008

1430 - FONSECA


Com a curiosidade de ter, durante os anos de formação, mudado de emblema a cada temporada, Fonseca viria a representar as “escolas” do SL Olivais, Sporting, Oriental, Torralta e Benfica. Porém, ao contrário do que tanta alternância poderia deixar adivinhar, as avaliações feitas a António Fonseca dariam o lateral-esquerdo como uma das grandes promessas do futebol luso. A provar essa apreciação, surgiriam as chamadas às jovens equipas da Federação Portuguesa de Futebol. Com a primeira aparição com a “camisola das quinas” a acontecer a 9 de Abril de 1982, a partida dos sub-16 frente à Checoslováquia, com a orientação de José Augusto, levá-lo-ia a uma caminhada por vários escalões. Já no conjunto principal de Portugal, o jogador estrear-se-ia pela mão de Juca e esse particular frente a Angola, agendado a 29 de Março de 1989, lançaria o atleta numa senda que terminaria com 4 internacionalizações A.
Apesar de ser aferido como um jogador de enorme potencial, a verdade é que a sua estreia no patamar sénior dar-se-ia longe do Estádio da Luz e na disputa da 2ª divisão de 1983/84. Depois do plantel do Cova da Piedade, a época sequente traria ao seu trajecto o Ginásio de Alcobaça, para na campanha de 1985/86, sem escapar ao escalão secundário, passar a representar o Tirsense. Com 2 campanhas cumpridas ao serviço dos ”Jesuítas”, a Fonseca ser-lhe-ia dada a oportunidade de competir no degrau maior do futebol luso. Com algum espanto, o convite surgiria por parte dos responsáveis do Benfica e a transferência do lateral-esquerdo dar-se-ia para a temporada de 1987/88.
O regresso à Luz, num plantel inicialmente às ordens do dinamarquês Ebbe Skovdahl, apresentar-lhe-ia como concorrentes Álvaro Magalhães e António Veloso. Tão forte competição faria com que o jovem atleta pouco jogasse. Ainda assim, a destacar-se, surgiria a sua participação na Taça dos Clubes Campeões Europeus que, na temporada a marcar o regresso de Fonseca a Lisboa, levaria o Benfica até à final da prova. Já a época seguinte, com Toni no comando técnico, mostraria o defesa como um dos titulares das “Águias” e um dos pilares da conquista do Campeonato Nacional. Surpreendentemente, a campanha de 1989/90 devolveria o jogador ao rol de escolhas secundárias. Mesmo sem ser grande opção para Sven-Göran Eriksson, ao lateral seria dada a oportunidade de participar, mais uma vez, na principal prova de clubes organizada pela UEFA e, com a sua presença na eliminatória frente ao Derry City, auxiliaria à chegada dos “Encarnados” ao derradeiro desafio da competição.
Ao perder espaço no Benfica, a aposta do jogador recairia no Vitória Sport Clube. Em Guimarães, o defesa, apesar de números satisfatórios, nunca conseguiria agarrar a titularidade de forma inequívoca. Ao fim de duas épocas, o esquerdino deixaria o Minho para ingressar no plantel de 1992/93 do Estrela da Amadora. Nos “Tricolores”, apesar da campanha inicial no 2º escalão, as restantes passá-las-ia no convívio com os “grandes”. Ao recuperar o estatuto de titular, Fonseca contribuiria, de forma bem vincada, para uma sucessão de 6 anos da colectividade da Reboleira na 1ª divisão e cujo 7º posto conseguido com o termo da temporada de 1997/98, constituiria um recorde para a agremiação da Linha de Sintra.
Em 1999, na derradeira fase do seu itinerário enquanto futebolista, Fonseca deixaria Portugal e viajaria até ao Canadá. Nos Vancouver Whitecaps, o defesa-esquerdo acabaria por “pendurar as chuteiras”, para encetar a sua carreira como técnico. Nas novas funções, o maior destaque viria com a sua ligação à Canadian Soccer Association, na qual ocuparia a posição de adjunto da selecção principal, de treinador dos sub-23 e onde, embora de forma interina, também chegaria a assumir o cargo de seleccionador da equipa “A”.

1326 - JOSÉ CARLOS

Ao contrário do pai Marinho, antiga estrela da selecção nacional e leonina, e de Mário Tito, de quem é irmão gémeo, José Carlos faria a sua formação não no Atlético, mas no Sporting Clube de Portugal. Tal facto, muito provavelmente, terá contribuído para que o jogador fosse chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse âmbito, depois da estreia pelos sub-18 lusos a 24 de Setembro de 1985, pela mão do “Magriço” José Augusto e num particular frente à antiga Checoslováquia, o atleta ainda conseguiria adicionar ao currículo outras 3 partidas com a “camisola das quinas”, somando 4 internacionalizações no referido escalão.
Apesar de projectado como um elemento com um futuro promissor, a verdade é que José Carlos, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, acabaria por sair de Alvalade para, a partir da temporada de 1987/88, passar a envergar as cores do Estoril Praia. No emblema da Linha de Cascais, depois das 4 primeiras campanhas a disputar o escalão secundário, a época de 1991/92 levá-lo-ia à estreia no degrau máximo do futebol luso. Já como um dos elementos regulares no lado direito do sector mais recuado, o jogador, daí em diante, manteria o estatuto de titular no esquema táctico idealizado por Fernando Santos. Por essa razão, depressa conseguiria afirmar-se como um dos nomes históricos dos “Canarinhos” e os 8 anos passados com a camisola do clube, muitos deles a partilhar o balneário com o irmão Mário Tito, ainda mais contribuiriam para alimentar essa posição.
Com Fernando Santos a orientar o Estrela da Amadora e com o Estoril Praia na disputa da divisão de Honra, José Carlos seria convidado a vestir as cores do emblema sediado no bairro da Reboleira. Apresentado no Estádio José Gomes como reforço para a temporada de 1995/96, tal como tinha acontecido na maior parte do seu percurso profissional, o defesa, que também podia subir um pouco mais até ao meio-campo, manteria o estatuto de titular. Nos anos sob a alçada do aludido treinador e também com os técnicos seguintes, a situação do atleta, no que ao “onze” inicial concerne, conservar-se-ia. Essa situação, mais uma vez, encaminhá-lo-ia para os anais da colectividade. Muito mais do que contribuir para o 7º lugar na edição de 1997/98 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, a melhor classificação da agremiação a par da conseguida em 1993/94, o jogador tornar-se-ia num dos nomes com mais partidas disputadas pelo emblema da Linha de Sintra no escalão máximo, mais concretamente, 167 jogos.
Com a saída dos “Tricolores” a acontecer com o termo da época de 2001/02, o atleta, já na fase descendente da carreira, teria ainda tempo para disputar mais algumas temporadas. Com o Torreense e o Atlético da Malveira a preencherem as últimas etapas da sua caminhada competitiva, José Carlos, ao “pendurar as chuteiras”, haveria de manter a ligação à modalidade. Praticamente de seguida, o antigo futebolista aceitaria o desafio lançado pelo Estrela da Amadora e regressaria à Reboleira para abraçar as tarefas de técnico nas camadas jovens do clube. Ainda nos patamares formativos, destaque para a sua passagem pelo Futebol Benfica.

1240 - GAÚCHO

Com alguns anos de carreira sénior e passagens pelos Estudantes de Timbaúba ou Ypiranga, seria como atleta do Sport Recife que Eric Freire Gomes, mais conhecido no mundo do desporto por Gaúcho, chamaria a atenção do Estrela da Amadora. Em abono da verdade, o ponta-de-lança já anteriormente tinha despertado a cobiça de outra colectividade portuguesa – “Antes de eu vir para Portugal, eu estive – muitas pessoas não conhecem essa história – eu estive no FC Famalicão, à experiência. Passei lá uns 15 ou 16 dias, mas o treinador, o Francisco Vital, ele falou para mim que não ia ficar comigo porque eu não era um ponta-de-lança «trombador»”*
Decorrido o episódio aludido no parágrafo anterior, o avançado, inicialmente por empréstimo, chegaria ao Estrela da Amadora para reforçar o plantel de 1996/97. Com 23 anos de idade, e depois de ter trabalhado com a equipa do Sport Recife que, em 1996, acabaria por vencer o “Estadual” Pernambucano, a sua entrada no contexto competitivo português viria acompanhada de fortes expectativas. Mesmo tendo em conta a falta de um físico impressionante, Gaúcho não desiludiria. Astuto e ágil, o atacante confirmar-se-ia como um goleador nato. Logo na temporada de entrada no Campeonato Nacional, os 16 golos por si concretizados levá-lo-ia ao 3º posto da tabela dos Melhores Marcadores. Curiosamente, as épocas seguintes desenrolar-se-iam de forma mais discreta e uma certa incompatibilidade com o treinador, levariam o jogador a uma passagem pelos espanhóis do Ourense – “(…) quando o Jorge Jesus assumiu o Estrela da Amadora, então eu não concordava muito do jeito, do estilo dele trabalhar, de «descomunicar», sabe? Então foi um choque muito grande, do jeito dele falar com os jogadores, eu não aceitava, não dava para mim e também nunca falou comigo como falava com outros jogadores, com todo o respeito. Então aquilo foi um choque muito grande e eu, cheguei a um momento que falei com o presidente para arranjar um clube para mim(…)”*.
Meia temporada depois, Gaúcho retornaria ao emblema da “Linha de Sintra”. Voltaria para uma campanha de 1999/00, em muitos aspectos, brilhante. Com 21 remates certeiros, o atleta, mais uma vez, subiria ao 3º posto do pódio dos goleadores do Campeonato e regressaria ao “radar” de um dos “grandes” do futebol luso – “No primeiro ano no Estrela falava-se do Sporting, o presidente acertou tudo verbalmente, mas não saí. No segundo, quando o Nelo Vingada era adjunto do Souness, estive perto do Benfica, só que, uma semana depois de me contactarem, foi despedida a equipa técnica. A terceira vez foi quando marquei 21 golos. Ia para o Porto se o Fernando Santos não metesse um travão. Não quis levar mais jogadores do Estrela, além do Jorge Andrade e do Chainho”**.
A mudança de emblema surgiria em 2001/02 e na direcção da Ilha da Madeira. No Marítimo, depois de, pelo Estrela da Amadora ter participado na edição de 1998/99 da Taça Intertoto, Gaúcho entraria nos “Verde-rubros” numa campanha de Taça UEFA. Ao repetir as “performances” de anos anteriores, o avançado brindarias as provas, agendadas nesse primeiro ano no Funchal e nos seguintes, com mais um alargado rol de golos. Aferido pelos números faustosos dos seus desempenhos, o avançado conservar-se-ia como um dos melhores intérpretes a actuar em Portugal e o ano de 2004 haveria de trazer à sua caminhada a aventura nos sul-coreanos do Busan i.Cons.
Já com a barreira dos 30 anos de idade ultrapassada, na temporada de 2004/05, mais uma vez, voltaria a Portugal e ao serviço do Rio Ave enfrentaria mais duas temporadas de 1ª divisão. Seria ao serviço do emblema de Vila do Conde que Gaúcho superaria a marca dos 100 golos no escalão máximo. Seguir-se-iam, já a disputar os patamares secundários, Feirense, Beira-Mar, Moreirense e o regresso ao Brasil, com a ideia de já não retornar às actividades de futebolista. No entanto, Nivaldo, antigo jogador com passagens pelo Benfica, Vitória de Guimarães e Portimonense, conseguiria convencer o atleta a vestir a camisola do Santa Cruz, com a qual, em 2009, venceria a Copa Pernambuco e sagrar-se-ia no Melhor Marcador da prova.
Depois de retirado, Gaúcho repartiria o seu tempo em diversas actividades. Para além da criação de uma empresa de transportes, ainda no Brasil ficaria ligado à fundação de uma “escola” de futebol e, à abertura de um salão de cabeleireiro. Ao mudar a residência para Santa Maria da Feira, o antigo futebolista voltaria a investir noutro salão. Daria também mais alguns passos na carreira de treinador e acrescentaria ao currículo experiências a orientar o União de Lamas “b” e a Associação Desportiva Escolinha Rui Dolores.

*retirado da entrevista conduzida por Afonso Viana Santos, publicada em https://bolanarede.pt, a 14 de Março de 2022
**retirado da entrevista conduzida por Matilde Rocha Dias, publicada https://www.publico.pt, a 18/03/2006

1224 - RUI NEVES

Produto das “escolas” do Estrela da Amadora, para onde entraria ao lado do irmão gémeo Jorge, Rui Neves acabaria promovido à equipa principal numa das mais importantes temporadas da história da colectividade. Ao coincidir o começo da sua caminhada sénior com o ano de estreia dos “Tricolores” na 1ª divisão, o defesa-lateral, lançado nessa época de 1988/89 pelo técnico João Alves, rapidamente conseguiria assegurar um lugar no “onze”. Partiria como titular para a campanha seguinte, durante a qual o emblema da “Linha de Sintra” disputaria a final e a finalíssima da Taça de Portugal e, frente ao Farense, conquistaria o referido troféu – “Foi o ponto mais alto da minha careira. Por isso, as recordações que guardo são as melhores (…). Tudo aquilo ficou gravado na memória, uma vez que aquele ambiente é simplesmente fantástico. O Jamor estava muito bonito, repleto de público (…). Para o clube foi um marco muito importante (…). Lembro-me com alegria dos meus colegas e treinadores. Era um conjunto fantástico”*.
À terceira época no patamar sénior, já Rui Neves, lateral ambidestro, andava nas andanças europeias. Antes ainda da participação na Taça dos Vencedores das Taças, as boas prestações naquele que é o principal patamar luso, dar-lhe-iam outro prémio. Da Federação Portuguesa de Futebol, pela mão do seleccionador Agostinho de Oliveira, seria chamado aos trabalhos dos sub-21 de Portugal. Frente à Alemanha Federal, num particular agendado a 28 de Agosto de 1990, o defesa, ao ocupar um lugar no alinhamento inicial, conseguiria a única internacionalização da sua carreira. Ao lado de outras promessas como Paulo Madeira, Paulo Sousa, João Vieira Pinto, Jorge Couto ou Pedro Barbosa, integraria o grupo que, com um resultado de 1 a 1, empataria o encontro de cariz “amigável”.
Voltando às competições continentais, o defesa participaria em 3 das 4 partidas do Estrela da Amadora na edição de 1990/91 da Taça dos Vencedores das Taças. Na mesma temporada em que, por razão da vitória na Taça de Portugal, o clube, com Rui Neves a entrar em campo nas duas mãos da prova, também disputaria a Supertaça Cândido de Oliveira, o Neuchâtel Xamax emergiria como a primeira colectividade a enfrentar os portugueses nas jornadas fora de fronteiras. Depois de jogar as 2 partidas frente aos helvéticos, seguir-se-ia o RFC Liège. Nessa eliminatória, o lateral apenas seria chamado por Manuel Fernandes a participar numa das pelejas relativas à 2ª eliminatória da prova. Ao lado dos seus colegas, não evitaria o afastamento do conjunto “estrelista”. No entanto, a sucessão de eventos até agora relatados seriam mais que suficientes para inscrever o seu nome na memória colectiva da agremiação.
Ao fazer coincidir os primeiros anos da carreira com os momentos mais emocionantes dessa caminhada, o que restaria do seu trajecto competitivo seria passado, com um pequena excepção, com as cores do Estrela da Amadora. Acompanharia o grupo, depois da despromoção no final da temporada de 1990/91, até ao patamar secundário. Manter-se-ia no clube durante essa passagem de 2 anos e ajudaria à nova subida. Todavia, seria com o regresso dos “Tricolores” ao convívio dos “grandes” que Rui Neves decidiria mudar de rumo e, em 1993/94, assinar pelo Gil Vicente. Curto o passo dado no Minho, pois, ao fim da aludida campanha, o defesa regressaria ao Estádio José Gomes. Daí em diante, não mais mudaria de camisola. Mesmo sem o “glamour” experimentado no arranque da marcha profissional, ainda assim, o lateral ajudaria à edificação de bons momentos. Nesse sentido, há que fazer referência ao 7º lugar, igualando a melhor classificação de sempre na prova, conseguido no Campeonato Nacional de 1997/98 ou participação na Taça Intertoto de 1998/99.
Para concluir, há que sublinhar as 15 temporadas como sénior a defender o emblema estrelista e os 379 jogos partilhados entre os Campeonatos Nacionais da 1ª e 2ª divisão. Tais números, somados aos das restantes provas, fazem de Rui Neves, que “penduraria as chuteiras” no final de 2003/04, num dos atletas que mais vezes envergou a camisola do Estrela da Amadora. Já depois de assumido o fim da caminhada como futebolista, o antigo lateral manteria a sua ligação ao clube e à modalidade, nomeadamente como treinador das camadas jovens.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 02/03/2005

1130 - DUÍLIO

Duílio Dias, para além de herdar o nome, haveria de dar os primeiros passos no futebol ao serviço do emblema que já tinha notabilizado o seu pai. No entanto, ao contrário do progenitor, famoso pelos golos, seria no centro da defesa que, durante largos anos, haveria de mostrar os seus dotes desportivos.
Depois de completar a formação no Coritiba, seria também no conjunto do Paraná que o jovem jogador, na segunda metade da década de 70, faria a transição para o escalão sénior. Durante as temporadas passadas com a camisola do “Coxa” ajudaria à vitória nas edições de 1976, 1978 e 1979 do Campeonato Estadual. Os títulos conquistados catapultariam a sua carreira e seguir-se-iam as experiências na Portuguesa dos Desportos e no América do Rio de Janeiro. No entanto, seria noutro emblema “carioca” que Duílio, a partir da campanha de 1983, viveria os melhores anos do seu percurso profissional.
Apesar da entrada num plantel com nomes bem conhecidos do público português, casos de Ricardo Gomes e Branco, Duílio conseguiria impor-se no Fluminense. Como um defesa possante e com habilidade para os livres-directos, a sua presença regular no “onze” “tricolor” seria decisiva para que a equipa alcançasse importantes troféus. Porém, após a conquista do Campeonato Carioca de 1983 e 1984 e do “Brasileirão” de 1984 dar-se-ia a separação entre o atleta e o clube – “Eu era o capitão da equipa, tinha recebido duas convocatórias para a selecção do Brasil, mas continuava a ser um dos jogadores com o salário mais baixo. Falei com presidente, disse que havia a proposta de um clube grande e que precisava de fazer o meu pé-de-meia. Senti que o Fluminense só valorizava os avançados, os extremos e os médios atacantes. Era o momento certo para sair”*.
Seguir-se-ia o Sporting. Contudo, a adaptação ao futebol europeu faria com que o atleta, tapado por Venâncio e Morato, demorasse um pouco mais a impor-se. Com a temporada de estreia em Portugal a correr de forma discreta, aos poucos, o defesa conseguiria ganhar um lugar na equipa leonina. Nesse percurso e depois da chegada em 1985/86, a Supertaça de 1987/88 pautar-se-ia como o único título do central nos 3 anos passados em Alvalade. Ainda assim, Duílio viveria a glória de um dos episódios míticos da história dos “Leões”. Convocado pelo técnico Manuel José para a 14ª ronda de 1986/87, o jogador marcaria presença na vitória frente ao Benfica por 7-1 – “Entrei nesse dérbi, joguei os últimos 25 minutos. Estava 5-1 quando entrei. Participei nos últimos dois golos e tenho a certeza de que se o jogo durasse mais dez minutos seriam oito, nove ou dez”*.
Com a entrada de Jorge Gonçalves para a presidência do Sporting, Duílio seria dispensado. Escolheria o Estrela da Amadora para prosseguir a carreira e em boa hora o faria. Já a cumprir a segunda temporada com o conjunto da Linha de Sintra, ajudaria o clube a atingir o derradeiro desafio da Taça de Portugal. Ao jogar de início na final e na finalíssima, para além de contribuir para a inédita vitória do seu emblema, a condição de capitão de equipa faria com que fosse ele a receber e a erguer o troféu na tribuna do Estádio do Jamor.
No que restaria da sua carreira em Portugal, e a militar nos escalões secundários, tempo ainda para vestir as camisolas da Ovarense e do Portimonense. No regresso ao seu país, depois de terminada a carreira como futebolista, Duílio passaria a dedicar-se às tarefas de técnico. Com passagens pelos portugueses do Machico, e por equipas do Cazaquistão e do Kuwait, tem sido no Brasil que tem trilhado grande parte do seu percurso como treinador. Hoje em dia (2021), já a trabalhar nas “escolas” do clube desde 2018, é o Coordenador de Formação do Fluminense.

*retirado da entrevista de Pedro Jorge da Cunha, publicada em https://maisfutebol.iol.pt, a 24/09/2020

961 - MARCO PAULO

Com passagem por diferentes “escolas”, entre as quais a do Benfica, seria no Estoril-Praia que Marco Paulo terminaria o percurso formativo. Após uma temporada em que, no “O Elvas”, encetaria o seu trajecto sénior, o regresso ao emblema da Linha de Cascais daria oportunidade ao jovem atleta para conseguir estrear-se no principal patamar do futebol português. Logo nessa temporada de 1992/93, num grupo de trabalho que incluía nomes como os dos “veteranos” Carlos Manuel ou Stoycho Mladenov, Marco Paulo teria a capacidade de, mesmo sem a experiência habitual a tais missões, convencer Fernando Santos a entregar-lhe a titularidade. Tanto na referida campanha, como na seguinte, o médio acabaria por ser um dos nomes mais vezes inscrito nas fichas de jogo. Esse facto alimentaria o seu estatuto e, rapidamente, passaria a ser visto como um jogador de calibre primodivisionário.
À cotação que foi ganhando logos nesses primeiros anos como sénior, também não é indiferente as diversas chamadas aos sub-21 de Portugal. Essas internacionalizações, somadas à atitude batalhadora que revelava em todos os desafios disputados, mostrariam que Marco Paulo podia ambicionar a um pouco mais. Porém, a verdade é que a despromoção do Estoril-Praia no final da época de 1993/94 arrastaria o centrocampista, durante vários anos, para os patamares secundários. A passagem pela Divisão de Honra, ainda com as cores dos “Canarinhos”, acabaria por não o devolver à 1ª divisão. Aliás, seria após mais uma descida da sua equipa que, a mudança para o Paços de Ferreira, traria ao seu percurso um novo alento.
Tendo os “Castores”, com a vitória na Divisão de Honra de 1999/00, assegurado um lugar na 1ª divisão, Marco Paulo voltaria a assumir uma incumbência de que há muito estava afastado. Preponderante no capítulo da subida, o papel assumido já no patamar maior do nosso futebol devolvê-lo-ia à sua cotação antiga. Tido, mais uma vez, como um futebolista de calibre maior, não foi estranho vê-lo perpetuar-se pelos palcos primodivisionários. Primeiro, e como referido, com as cores do Paços de Ferreira e, a partir da temporada 2001/02 ao serviço do Belenenses, o médio cimentar-se-ia como uma das figuras do Campeonato português.
Em 2005/06 teria uma fugaz passagem pelo Estoril-Praia. Esse regresso às divisões inferiores, onde desempenharia as funções de treinador-jogador, seria um pequeno passo para que, na época seguinte, voltasse à companhia dos “grandes”. Com 3 campanhas realizadas pelo Estrela da Amadora, Marco Paulo conseguiria cumprir, naquilo que seria o seu trajecto como futebolista, uma dezena de temporadas na 1ª divisão. Esses anos na “Reboleira” sublinhariam também os derradeiros capítulos dessa sua caminhada como desportista. O fim da sua carreira, já no Mafra, assumi-lo-ia em 2010. Ainda assim, e com o afastamento dos relvados decidido, o antigo atleta resolveria manter-se ligado à modalidade. Assumindo a exclusividade das tarefas de técnico, destaque para as suas passagens pelo comando da equipa principal do Belenenses.

953 - PAULO FERREIRA

Após ter passado pelas “escolas” do Sporting e, ainda, pelas do Damaiense, a sua chegada ao Estrela da Amadora faria com que novos olhares nele poisassem. Os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, tendo reparado nas qualidades técnicas do extremo, começariam a chamá-lo aos trabalhos das jovens selecções lusas. As esperanças nele depositadas começariam a tomar corpo no começo dos anos 90, com as primeiras convocatórias aos sub-18. Dando resposta à boa evolução do atleta seguir-se-iam novas chamadas. Em 1993, pela mão de Agostinho Oliveira, é então que Paulo Ferreira participa num dos principais torneios organizados pela FIFA. Na Austrália, ao lado de jogadores como Costinha, Porfírio, Litos ou Andrade, participa em 2 partidas do Mundial sub-20.
Por altura do certame disputado na Oceânia, já o avançado, na campanha de 1991/92, tinha feito a estreia pelos seniores do Estrela da Amadora. Na Reboleira, com o emblema ainda a militar na Divisão de Honra, o extremo acabaria por ter que trabalhar muito para conseguir algumas oportunidades. Após essas primeiras temporadas, vividas na sombra dos seus colegas de balneário, seria com o regresso do clube ao escalão maior que Paulo Ferreira começaria a merecer mais chamadas à ficha de jogo. No entanto, a grande mudança na sua carreira chegaria com a contratação de um novo treinador. Com Fernando Santos, o esquerdino passaria a merecer mais oportunidades. A partir de 1994/95, ainda sem conseguir ser um dos titulares indiscutíveis, a regularidade com aparecia em campo começaria a cimentá-lo como um dos bons futebolistas presentes no Estádio José Gomes.
A relevância que tinha para a estratégia montada cresceria a cada época passada. A admiração que o técnico tinha pelos seus atributos, baseada nas suas exibições, tornar-se-ia inegável. De tal forma era a certeza nas capacidades do atleta que, já Fernando Santos estava há um ano à frente dos destinos do FC Porto, e o seu nome é sugerido como novo reforço dos “Dragões”. Contudo, e contrariamente àquilo que a aposta do treinador faria acreditar, Paulo Ferreira não conseguiria impor-se de “Azul e Branco”. Essa temporada de 1999/00 tornar-se-ia numa enorme desilusão para o atacante. Com apenas algumas partidas disputadas pela equipa “B”, a meio da referida campanha o jogador seguiria para Sul e, por empréstimo, passaria o resto da época a defender as cores do Farense.
Na sequência dessa primeira cedência e, posteriormente, após a rescisão que o ligava ao FC Porto, Paulo Ferreira entra numa fase mais errática da sua carreira profissional. As duas passagens por Faro, o regresso ao Estrela da Amadora e ainda o Varzim marcariam a última parte da sua caminhada como atleta de alta competição. Destaque, ainda antes de um adeus definitivo, para o tempo passado nos “regionais” lisboetas e ao serviço do 9 Abril Trajouce.
Depois do final da sua carreira, ainda que longe dos palcos de outrora, Paulo Ferreira tem mantido a sua ligação à modalidade. Tendo sido internacional pelas camadas jovens de Portugal, é na área da formação que tem trabalhado. Como treinador, tem estado vinculado a colectividades de cariz amador.

923 - VÍTOR VIEIRA

Vítor Vieira foi um autêntico “globetrotter”! Doze clubes em dezoito anos de carreira profissional, muito mais do que atestar tal afirmação, poderiam indicar alguma incapacidade do atleta em adaptar-se ao futebol de alta competição. Muito pelo contrário! Para testemunhar a favor do seu percurso, há números que muitos jogadores apenas conseguiram sonhar. Nesse sentido, estão as onze temporadas passadas a disputar a 1ª divisão e as quase duas centenas e meia de partidas naquele que é o principal escalão português.
Muito antes das dezoito temporadas que completariam a sua carreira, o extremo haveria de emergir das “escolas” do Penafiel. Seria também no emblema duriense que, na temporada de 1991/92, Vítor Vieira faria a primeira aparição por um conjunto sénior. Para além da estreia na categoria principal, essa campanha acabaria também por levar o atacante à primeira partida no patamar mais importante do nosso futebol.
Rápido e com uma técnica bem acima da média, o extremo depressa começaria a ser visto como uma das grandes promessas do futebol português. Com o Penafiel relegado à Divisão de Honra, não tardaria muito para que emblemas mais bem posicionados fossem no seu encalço. A proposta que mais agradou ao atleta acabaria por vir de um dos históricos do nosso desporto. No entanto, a mudança para o Belenenses não correria tão bem quanto o esperado. Mesmo tendo em conta as capacidades que apresentava, Vítor Vieira nunca chegaria a conquistar espaço suficiente para ser uma presença regular no “onze” inicial. Por outro lado, e reflexo das características já aqui apregoadas, da Federação chegam as primeiras convocatórias para os Sub-21. Com as “Quinas” ao peito, o atacante seria chamado a disputar o Torneio Internacional de Toulon e ajudaria Portugal a atingir a final de 1994.
O seu regresso à 1ª divisão, após a saída do Belenenses e uma passagem pelo Paços de Ferreira, traria a confirmação de que o lugar de Vítor Vieira era, sem sombra de dúvida, o “escalão máximo”. Daí em diante, e pelos diversos clubes por que passou, o extremo seria sempre uma peça fulcral no desenho táctico dos seus treinadores. Marítimo, Desportivo de Chaves, Estrela da Amadora, Gil Vicente, Santa Clara e Académica acabariam por testemunhar aquilo que de melhor o atleta tinha para oferecer. Mesmo tendo em conta as constantes mudanças de clube, a verdade é que, independentemente das cores representadas, a importância do atleta no desempenho do conjunto raramente seria posta em causa.
No que restou da sua carreira, naquela que pode ser vista como a curva descendente da mesma, Vítor Vieira acabaria por ter a sua primeira e única experiência no estrangeiro. No Gansu Tianma, o extremo experimentaria o futebol chinês. Claro está, e sendo essa uma constante no seu percurso profissional, o atacante, durante os últimos anos como futebolista, ainda passaria por mais alguns emblemas. O final acabaria por aparecer em 2008 e após estar ao serviço do Lusitânia dos Açores.
Sem conseguir estar muito tempo afastado da modalidade, seria logo na temporada de 2008/09 que o antigo jogador testaria as suas capacidades como técnico. Com a porta aberta no clube que o tinha lançado na modalidade, Vítor Vieira agarraria o comando dos Sub-17 do Penafiel. Nos anos seguintes, tirando uma curta experiência como adjunto no Machico, seria com os jovens que mais trabalharia. Nesse sentido, o seu currículo também já conta com uma passagem pelos sub-19 penafidelenses.

732 - JORDÃO

Após ter terminado a sua formação no Estrela da Amadora, as dificuldades demonstradas na adaptação à primeira equipa, leva o clube a optar pelo empréstimo. Campomaiorense e Leça, também estes a disputar a divisão de Honra, seriam os emblemas que, após duas épocas falhadas no emblema da “Linha de Sintra”, acabariam por acolher o atleta.
O regresso à “casa-mãe” ocorreria em 1995/96. Com o Estrela da Amadora a disputar a divisão maior do nosso futebol, o atleta, ao contrário daquilo que tinha conseguido até então, haveria de impor-se com alguma facilidade. Como um típico médio-defensivo, Jordão tinha na força e resistência as suas melhores armas. Fernando Santos, à altura o treinador, entendendo o que tinha em mãos, encaminharia o atleta no sentido de tirar dele o melhor rendimento. Potenciadas as suas características, Jordão passaria a ser um dos mais utilizados, tornando-se num dos pilares da equipa.
Duas temporadas de bom nível, seriam suficientes para que o “trinco” começasse a ser cotado como um dos melhores a actuar na sua posição. Este crescendo, levaria a que Manuel José, à procura de reforços para o meio-campo benfiquista, visse nele uma boa contratação. Nesse sentido, e tendo chegado a internacional nas camadas jovens portuguesas, Jordão parecia cotar-se como uma boa ajuda. Contudo, o que acabaria por se verificar seria o contrário. Não sendo chamado à equipa com a regularidade esperada, e já com Graeme Souness ao comando das “Águias”, o médio, no mesmo ano da sua chegada à “Luz”, acabaria por ser dispensado.
A sua ida para o Sporting de Braga, em Janeiro de 1988, voltaria a revelar um futebolista de qualidade. Preponderante nas manobras “arsenalistas”, Jordão recupera o seu estatuto de bom jogador e, mais uma vez, passa a ser cobiçado. Desta feita, e depois de duas temporadas e meia no Minho, o convite chega de Inglaterra. Já com a primeira jornada disputada, é o West Bromwich Albion (WBA) que vai no seu encalço. É ainda nessa temporada de 2000/01 que Jordão parte para “Terras de Sua Majestade”. Por lá ficaria 3 temporadas. As duas primeiras, com os “Baggies” a competir no 2º escalão, seriam bastante prolíferas para o jogador. Já a 3ª época, após a promoção do clube à “Premier League”, testemunharia um decréscimo exibicional do jogador que, no final dessa mesma campanha, conduziria ao fim da sua ligação com o emblema britânico.
O último capítulo da sua carreira seria escrito num regresso à Reboleira. No Estrela da Amadora, entre os dois escalões maiores do nosso futebol, Jordão faria mais 4 temporadas. O fim do seu percurso profissional acabaria por chegar com o términus da época de 2006/07, pondo termo a um trajecto com quase duas décadas.

661 - SERGINHO

Era ainda uma criança quando, com os Pequeninos do Jockey, viaja para a Europa. Na Escandinávia, o clube sitiado na zona de São Paulo, participa em vários torneios para jovens. Aí, incrivelmente, o sucesso atingido pela sua equipa é tal, que tudo extravasa o que estaria planeado. No meio do singular prodígio, há um nome que consegue destacar-se ainda um pouco mais. Serginho, com as suas fintas e golos, acabaria por conquistar tudo e todos, tornando-se num verdadeiro fenómeno, até para o fundador do clube, João Guimarães Júnior – “Ele foi o mais badalado da excursão. Driblou todos os «joões» que encontrou pela frente. O seu objectivo foi cumprido, pois saiu do Brasil para jogar bola, e o fez de maneira que só Garrincha fizera em 58. Foi um verdadeiro show-boy”*.
A comparação com o astro “das pernas tortas” não era assim tão descabida, pois, Serginho, de uma forma peculiar, tinha sido transformado numa verdadeira estrela. Tanto assim foi que o Palmeiras, não deixando o jovem atleta terminar a sua formação, levá-lo-ia para as suas escolas. A transferência faria com que a visibilidade do avançado crescesse. Nesse sentido, as convocatórias para a selecção brasileira começariam a aparecer e a transformar-se uma constante da sua vida.
Com a camisola “canarinha”, começa a participar nos principais torneios da FIFA. Ainda antes de passar por Portugal, Serginho disputaria o Mundial S-17, organizado em 1989, pela Escócia. Já em 1991, sem ser uma das principais escolhas do seleccionador Ernesto Paulo (viria a orientar o União da Madeira), o atacante acabaria por dar a sua contribuição na caminhada do Brasil até à final de Lisboa. Com a participação em 3 partidas, o jogador acabaria por ajudar a sua equipa à conquista da medalha de prata.
Mas, como para tantos outros futebolistas, a passagem dos juniores para o nível sénior, acabaria por inverter o sentido da sua evolução. Tanto no Palmeiras, como já no Santos, aquilo que Serginho mostraria em campo distanciar-se-ia muito do que, ainda nas camadas de formação, havia prometido.
Tido apenas como uma solução de derradeiro recurso, isto nos emblemas pelos quais tinha actuado, ao atleta pouco mais restaria do que procurar novo poiso. No intuito de relançar a sua carreira, o avançado liga-se ao São José e, já numa fase seguinte, transfere-se para o América. Sem nada de relevante a registar, a passagem por estes dois últimos clubes serviria apenas de interlúdio para nova etapa na sua carreira profissional.
A aposta, desta feita, passaria por tentar a sua sorte no estrangeiro. É assim que Serginho, na temporada de 1997/98, assina pelo União da Madeira. Ora, o curioso desta sua vinda para Portugal, e esta possível correlação é mera especulação, prende-se com Ernesto Paulo. É que o treinador brasileiro, que, como já referimos, era o seleccionador do Brasil no Mundial S-20 de 1991, havia sido até à época anterior, o responsável técnico pelos insulares.
É já depois de uma ida até à Tunísia, onde, durante uma época jogaria pelo Stade Tunisien, que o futebolista regressa a Portugal. Agora, com o destino norteado para a 1ª divisão, veste as cores do Estrela da Amadora. Mais uma vez, a sua fortuna condena-o ao insucesso. Desta feita, a culpa imputar-se-ia às lesões. As mesmas que, aos 28 anos, acabariam por forçar Serginho Fraldinha, nome pelo qual ficaria popularizado no Brasil, a retirar-se das competições oficiais.


*retirado de http://www.pequeninos.com.br/

236 - REBELO

Ao retirar-se em 2001 da actividade de futebolista, Rebelo conseguiu tornar-se, dentro da modalidade, num dos atletas com uma das maiores longevidades de sempre em Portugal. Como é lógico, o começo do seu trajecto deu-se muitos anos antes e, talvez isto já não saibam, ainda bem longe dos palcos da 1ª divisão. Assim, foi já depois de ter passado pelos seniores do Trafaria, dos Pescadores da Costa da Caparica e do Almada que, na temporada de 1986/87, ainda no 2º escalão nacional e ao serviço do Sacavenense, conseguiu tornar-se num jogador profissional.
Apesar desse importante passo, a estreia no patamar maior do nosso futebol só chegou dois anos depois, contava 27 anos e representava o Estrela da Amadora. Com uma chegada tão tardia ao seio dos melhores emblemas nacionais, Rebelo tinha de fazer algo para compensar esse atraso. A receita, para além de uma entrega excepcional, foi uma vida "extra relvados" regrada e, claro está, uma combinação genética que conferiu ao atleta a tal resistência física e, mais importante ainda, o manteve afastado das lesões graves. O resultado foram 11 temporadas e mais de 300 partidas entre os “grandes”, sempre a envergar a camisola dos “Tricolores”.
Inevitavelmente, o grande momento da sua carreira aconteceu também ao serviço do clube da Linha de Sintra. A proeza foi a vitória na final da Taça de Portugal de 1989/90, onde a disputa do troféu, na derradeira partida da prova, opôs o emblema do subúrbio lisboeta aos algarvios do Farense. O primeiro encontro, após 90 minutos regulamentares e mais 30 de prolongamento, trouxe um empate a uma bola. Já na finalíssima, com Rebelo a alinhar mais uma vez como titular, o desfecho deu a conquista ao Estrela da Amadora.
Nisso da sua caminhada competitiva, falta apenas referir que Rebelo terminou a carreira aos 40 anos de idade, com mais 3 anos do que o seu treinador Carlos Brito e, espantem-se, como um dos elementos habituais no sector mais recuado da equipa.

212 - SABRY

Adquirido ao Tirol Innsbruck, andava o extremo há poucas semanas pela Grécia quando ao seu clube, o PAOK, calhou em sorteio, na 2ª ronda da Taça UEFA, o Benfica. A equipa de Sabry, numa eliminatória caricata, acabou por ficar para trás, mas o avançado, ao fazer um golo no Estádio da “Luz” e numa altura em que todos os jogadores que aí marcavam nas competições europeias eram contratados pelo emblema lisboeta, apareceu, logo na abertura do “mercado de Inverno”, de “Águia” ao peito.
Num conjunto que contava com Poborsky na direita, muitos, ao verem a equipa coxa na ala canhota, pensaram na chegada de Sabry como capaz de trazer algum equilíbrio ao ataque benfiquista. De início, a contratação ainda serviu para alimentar tal ilusão. É que, para além de um currículo onde pontuava a vitória na CAN de 1998, o atacante começou por deliciar o público com estonteantes fintas ou com livres-directos certeiros, como aquele marcado a Peter Schmeichel, aos 88 minutos do “derby” disputado em Alvalade e que, ao provocar a derrota do Sporting, adiaria os festejos do título leonino de 1999/00 para a derradeira jornada.
O pior veio depois! Já com José Mourinho a orientar o Benfica, a falta de concentração demonstrada em campo, que, para além de fazer o avançado perder muitos lances, o levava, demasiadas vezes, a ser apanhado em fora-de-jogo, fizeram o treinador português afastá-lo das suas opções. Para juntar a todas as falhas relatadas, episódios como o de Paços Ferreira, em que, como lembrou técnico, “demorou oito minutos a ajustar as caneleiras antes de entrar em campo”*, ditaram o seu fim na “Luz”.
Por Portugal andou mais uns anos, onde, por empréstimo das “Águias” e sem conseguir justificar o regresso à “casa-mãe”, ainda representou o Marítimo e o Estrela da Amadora. Já a carreira terminou-a a rondar os 36 anos, já de volta ao seu país, e onde, por razão de não ter cumprido o Serviço Militar Obrigatório, acabou “forçado” a representar o emblema do Exército, o modesto El Geish!
 
*retirado do artigo publicado em https://www.record.pt, a 11/11/2000

186 - RICKY

Ainda não tinha atingido a maioridade e já o jovem Richard Owubokiri, nome pelo qual ficou conhecido em várias fases da carreira, espalhava o terror pelas grandes-áreas contrárias. Com a Nigéria espantada com o seu talento, aos 18 anos estreou-se pela equipa nacional. Num trilho ambicioso e em jeito de grandes cavalgadas, o ritmo alucinante da sua evolução levou-o a sagrar-se, enquanto atleta do Sharks FC, o Melhor Marcador do Campeonato. Depois, convocado por um nome bem conhecido do futebol português, o treinador brasileiro Otto Glória, foi vê-lo na Líbia, a participar na edição de 1982 da CAN.
Foi também à custa do técnico “canarinho” que o avançado africano teve a primeira experiência no estrangeiro. Depois de vestir as cores do ACB Lagos, do outro lado do Oceano Atlântico, no América do Rio de Janeiro encontrou alguns obstáculos. Desadaptado a uma realidade nova e tapado por uma linha atacante que não dava grandes oportunidades, foi curta e discreta a “aventura carioca”. Ainda sem deixar o Brasil, tentou a sorte no Vitória, que atravessava uma fase conturbada. Porém, aqui a história foi outra. Logo na primeira partida, no fervoroso “derby” frente ao Bahia, marcou um dos golos da sua equipa e, tal facto, levou-o a entrar no coração dos adeptos.
No emblema nordestino, mostrou ter na velocidade a melhor aliada para a obtenção de golos. Na última temporada ao serviço do Vitória, a de 1985, o, entretanto apelidado, “Gazela Negra”, juntou à vitória no “Estadual”, a conquista do título de Melhor Marcador do Campeonato Baiano. Tão boas prestações aguçaram-lhe o apetite para outros voos e abriram-lhe as portas da Europa. Depois da França, onde representou o Laval e o Metz, chegou a hora de Portugal e do Benfica. De “Águia” ao peito e rebaptizado como Ricky, o atleta viveu momentos em pontos opostos do espectro da felicidade. Se na pré-época teve o azar de fracturar a perna, já a primeira partida pelos “Encarnados” revelou-se memorável. No encontro para a Taça de Portugal, frente ao modesto Riachense, o emblema da “Luz” ganhou por 14-1. Só na lista pessoal do avançado ficaram 6 remates certeiros e, por conta do enorme pedido de autógrafos, o jogador viu-se aflito para sair do Estádio!
Com uma feroz concorrência pelo lugar de ponta-de-lança – Magnusson, Vata, César Brito –, não restou muito mais a Ricky do que, finda a época de 1988/89, aceitar a transferência para o Estrela da Amadora. Na Reboleira, para além dos 28 golos em 2 temporadas, o nigeriano fez parte do conjunto que, em 1990, disputadas a final e a finalíssima, levantou o maior troféu da história do clube, a Taça de Portugal. Apesar do sucesso alcançado na colectividade da “Linha de Sintra”, foi a passagem para o Boavista que catapultou o atacante para um novo patamar. Logo no primeiro ano com os "Axadrezados", o jogador deixou a sua marca e os 30 golos concretizados em 1991/92, incluindo uma “manita” frente ao Estoril Praia, fê-lo vencer a corrida para Melhor Marcador do Campeonato Nacional e a chegar à 2ª posição na corrida pela Bota d’Ouro.
Na Taça de Portugal, ainda na campanha de entrada no Bessa, Ricky, com um golo na final, foi essencial na vitória das “Panteras Negras” na prova. Nesse sentido e com o que já foi relatado, é fácil entender a razão pela qual o jogador, ainda hoje, é tido como uma das grandes “estrelas” boavisteiras. Porém, o seu êxito não ficou alicerçado apenas nas competições internas. Nessa mesma época, o emblema portuense, ao participar na Taça UEFA, eliminou o Inter de Milão. Também foi na dita competição, dois anos passados e frente à Lazio, que o avançado viveu um dos momentos mais caricatos da carreira – “Era a segunda mão dos 16 avos de final da Taça UEFA, e tínhamos perdido 1-0 em Roma. Precisávamos de ganhar. E ele, o major, apareceu no balneário antes do jogo e atirou um saco cheio de dinheiro ali para o meio. Disse-nos: «Isto é vosso se ganharem» Ganhámos 2-0 e eu marquei os dois golos ao Marchegiani”*.
 Por falar em caricato, estranho foi também aquilo que ocorreu na preparação para o Mundial de 1994. Apesar de ter sido chamado durante a qualificação, o avançado, com uma história rocambolesca pelo meio, acabou por falhar a convocatória para a fase final do torneio organizado nos Estados Unidos da América – “O selecionador de então [o holandês Clemens Westerhof] pedia dinheiro aos jogadores. Isto é, quem quisesse jogar, pagava-lhe. Ora eu sou titular da Nigéria porque mereço, trabalho e marco golos, não porque dou um saco de dinheiro a um treinador”*.
Depois de deixar o Bessa, Ricky entrou verdadeiramente na última fase da caminhada enquanto jogador. O regresso ao Brasil e ao Vitória e a posterior passagem pelo Belenenses, precederam a experiência na “Ásia do petróleo”. Mesmo ao entrar na derradeira etapa da carreira, o avançado foi incapaz de deixar a imagem de lutador. Nesse sentido, no Al-Arabi chegou ao lugar cimeiro dos Melhores Marcadores do Qatar. Para terminar, nos sauditas do Al Hilal, tornou-se no artilheiro maior de todo o Médio Oriente.
Ao “pendurar as chuteiras”, o antigo ponta-de-lança mudou-se para o Brasil, onde vive com os filhos e a mulher, uma baiana de gema. Em São Salvador da Bahia criou uma escola de futebol, a “Ricky Soccer Academy”, e é igualmente estimado pela organização de projectos sociais em bairros desfavorecidos.

*adenda feita à publicação original, com texto retirado da entrevista conduzida por Rui Miguel Tovar, publicada em https://observador.pt, a 30/12/2016