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1793 - VIEIRA

António Manuel Martins Vieira teria no Nacional da Madeira o emblema onde viria a concluir o percurso formativo. Sem deixar o listado dos “Alvi-negros”, o médio, com o cunho de Carlos Cardoso e numa altura em que ainda era júnior, acabaria também por fazer a estreia na equipa principal. Ainda nessa temporada de 1981/82, a actuar na 2ª divisão, o destaque alcançado com as suas exibições levá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos dos jovens grupos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado na agenda dos sub-18, o jogador, a 8 de Dezembro de 1981, acabaria, num rol a incluir nomes como Jaime, Venâncio ou Morato, a ser escolhido, por José Augusto, para um jogo de preparação. Depois dessa partida frente à Espanha, seguir-se-iam outras e no final do trajecto internacional, sem sair do escalão já indicado, o atleta somaria um total de 9 presenças feitas por Portugal. 
No que diz respeito à caminhada clubística, como destapado no parágrafo anterior, o Nacional da Madeira haveria de desempenhar um papel fulcral na carreira do médio. Importante não só pela estreia como sénior, mas igualmente pela extensão do laço entre o atleta e a divisa nascida na cidade do Funchal, tal ligação não terminaria, mesmo tendo em conta o estatuto internacional de Vieira, com o emblema insular a manter-se pelo patamar secundário. Fiel às refregas do clube, o centrocampista estenderia a sua caminhada com as cores nacionalistas bem para além de atingir a maturidade enquanto praticante profissional. Tal fidelidade traria os seus frutos e com a colectividade a fazer a estreia entre os “grandes” do futebol português, o atleta, na campanha de 1988/89, teria igualmente a oportunidade de experimentar a 1ª divisão.
Com Paulo Autuori, na última época aludia, à frente do Nacional da Madeira, Vieira, ao lado do capitão Ladeira, de Heitor, de Cristiano ou de Paulo Sérgio, constituir-se-ia como um dos esteios das projecções técnicas, para o sector intermediário, idealizadas pelo treinador brasileiro. Tal preferência faria com que o médio, no espraiar dessa temporada de 1988/89, conseguisse acumular um número considerável de presenças em campo. No par de campanhas seguintes, com algumas excepções pelo meio, conservaria o estatuto de titular. Todavia, contrariamente ao idealizado pela colectividade madeirense, a época de 1990/91 não terminaria com o sucesso desejado. Com o emblema insular a claudicar na luta pela manutenção, o último lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional significaria, para o jogador e para os seus colegas, a queda na divisão de Honra. Ainda assim, a fidelidade do centrocampista manter-se-ia inabalável e a ligação entre o futebolista e a divisa do Funchal continuaria até ao termo dos desafios planeados para 1993/94.
Já a abraçar a veterania, Vieira seria apresentado como reforço do plantel de 1994/95 do Machico. No emblema fundado no lado nascente da ilha da Madeira, o médio, sem mais regressar aos principais patamares competitivos, viria a manter-se durante 3 campanhas.
Tendo, em 1996/97, “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta ainda voltaria a unir-se à modalidade. Ao abraçar as tarefas de treinador, a ligação ao Camacha em 2004/05 transformar-se-ia num passo essencial para o seu futuro profissional. Nesse sentido, depois de ainda liderar o Machico e de ter regressado ao Nacional para orientar as camadas jovens, um novo convite de Leonardo Jardim, o técnico-principal durante a sua experiência na agremiação das serranias madeirenses, levá-lo-ia a aceitar ser um dos seus adjuntos. O aludido vínculo, a manter-se até aos dias de hoje, empurrá-lo-ia para as mais diferentes paragens e o Desportivo de Chaves, o Beira-Mar, o Sporting de Braga, o Sporting e, no estrangeiro, o Olympiacos, o AS Monaco, os sauditas do Al-Hilal, os cataris do Al-Rayyan, os emiradenses do Al Ahli e do Al Ain e ainda os brasileiros do Cruzeiro e do Flamengo fazem já parte do seu currículo.

1219 - PAULO ASSUNÇÃO

Promovido à equipa principal do Palmeiras por Luiz Felipe Scolari, Paulo Assunção deparar-se-ia com uma forte concorrência no meio-campo. Ainda assim, e com o internacional César Sampaio a ter a primazia para o lugar de “trinco”, as oportunidades conseguidas na temporada de 1999, seriam suficientes para merecer a atenção da Confederação Brasileira de Futebol. Integrado nos trabalhos dos sub-20, o jogador, com a respectiva comitiva “canarinha”, atravessaria o Oceano Atlântico e veria um torneio disputado em Portugal tornar-se numa espécie de premonição. Nesse sentido, por “empréstimo” do emblema paulista, o médio acabaria a representar o FC Porto de 2000/01. Mesmo a treinar com o plantel sob a alçada de Fernando Santos, a referida campanha passá-la-ia a disputar os desafios do conjunto “B”. Contaria, sem entrar em campo, com uma única passagem pelo “banco” da equipa principal. Todavia, e mesmo sem ter conseguido convencer os responsáveis pelo emblema portista, o traquejo ganho na passagem pela “Cidade Invicta”, faria com o regresso ao Palestra Itália desse um forte ímpeto à sua caminhada.
Com o crescimento revelado, 2002 levaria o atleta a ser visto como uma das figuras em ascensão no Palmeiras. O crescimento demonstrado no retorno ao Brasil, faria com que o Nacional da Madeira, com a aproximação do “mercado de Inverno” de 2002/03, visse em Paulo Assunção um reforço seguro. Como elemento do plantel a cargo de José Peseiro, o médio-defensivo rapidamente assumiria um lugar de relevo no esquema táctico desenhado pelo treinador. Na campanha seguinte, já sob a alçada de Casemiro Mior, o “trinco” manteria a importância no “onze” e terminaria a época como uma das principais figuras do 4º lugar alcançado no Campeonato Nacional 2003/04.
Ao destacar-se como um futebolista tacticamente evoluído, capaz de executar transições ofensivas e com uma enorme presença em todas as acções defensivas da equipa, Paulo Assunção voltaria ao “radar” do FC Porto. Época e meia depois do regresso a Portugal, o horizonte do centrocampista parecia, novamente, pintar-se de “azul e branco”. Todavia, tal como da primeira passagem, o intuito de integrar o plantel principal acabaria por escapar aos objectivos do atleta. Após assinar o vínculo laboral, sem espaço no grupo de trabalho, o jogador seria encaminhado para um “empréstimo”. Ao juntar-se a Bruno Alves no AEK de Atenas, voltaria também a reencontrar-se com o técnico Fernando Santos. Esse período passado na Grécia, com a titularidade garantida, serviria para alimentar positivamente a sua evolução e, com uma base sólida, garantir a afirmação do jogador no Estádio do Dragão.
Transformado num dos esteios do FC Porto, Paulo Assunção começaria a engrossar o currículo. Campeão Nacional nas 3 temporadas disputadas pelo emblema nortenho, também a vitória na edição de 2005/06 da Taça de Portugal passaria a figurar no seu palmarés. Tais prestações, com as várias participações na “Champions” a ajudar ainda mais à valorização do médio, levariam outros emblemas a irem no seu encalço. Ora, já com o Atlético de Madrid assumidamente interessado no atleta e a renovação com os “Dragões” num impasse, o impensável ocorreria – “Saí do Olival e vieram cinco indivíduos e disseram-me que se não renovasse até quarta-feira levava um tiro no joelho, eu expliquei que as coisas não são assim. Depois, saí dali e fui directo à polícia, enquanto eles me perseguiam de carro. Isso transtornou-me e perdi a confiança”*.
O episódio levaria Paulo Assunção a decidir-se, em definitivo, pela partida. Ao abrigo da Lei Webster, rescindiria com o FC Porto e, com início da ligação na campanha de 2008/09, passaria a representar o Atlético de Madrid. Nos “Colchoneros”, onde partilharia o balneário com Seitaridis, Maniche ou Simão Sabrosa, o médio manteria os níveis exibicionais bem elevados. Seria também durante o tempo passado na capital espanhola que, mais uma vez, voltaria a ser veiculado para a equipa nacional portuguesa. Depois de, em 2008 e ainda com Luiz Felipe Scolari como seleccionador, ter visto o seu nome associado a uma possível convocatória lusa, a imprensa desportiva, com o Mundial de 2010 a abeirar-se, voltaria a pô-lo como um dos hipotéticos arrolados à “camisola das quinas”. Tal internacionalização nunca viria a acontecer. Porém, mesmo sem a passagem por um grande evento de selecções, a verdade é que o palmarés do jogador, enquanto elemento do conjunto madrileno, continuaria a somar troféus. As vitórias nas edições da Liga Europa de 2009/10 e de 2011/12 transformar-se-iam em momentos icónicos. Para compor um ramalhete já bem colorido, a sua carreira acabaria também por contar com os triunfos na Supertaça da UEFA de 2010/11 e na Copa del Rey de 2009/10.
Já numa fase descendente do seu percurso competitivo, Paulo Assunção envergaria ainda as camisolas do São Paulo, do Deportivo La Coruña e dos gregos do Levadiakos. Daria por terminado o percurso enquanto atleta em 2014, já depois de findada a experiência helénica. Durante vários anos viveria afastado das lides futebolísticas, para, nesta época de 2021/22, assumir-se como treinador nos “distritais” da Associação de Futebol do Porto, ao serviço do FC Pedroso.

*retirado do artigo publicado em www.rtp.pt a 26/01/2009

1072 - PAULINHO

Formado no Estoril Praia, seria também com as cores da equipa da Linha de Cascais que Paulinho, na temporada de 1984/85, subiria à categoria sénior. A disputar o 2º escalão nacional, o defesa-central cedo deixaria boas indicações. Embora longe dos palcos mais mediáticos, a verdade é que as exibições do jovem atleta haveriam de chamar a atenção de emblemas com outras ambições. A regularidade com que passaria a ser chamado ao “onze”, faria com o Benfica visse nele um potencial bom reforço. Destacando-se como um dos jogadores com melhores aptidões no plantel “canarinho”, a sua transferência para a “Luz” acabaria por concretizar-se.
A estreia com as cores do Benfica, pela mão de Sven-Göran Eriksson, aconteceria a 26 de Agosto de 1989. Chamado à titularidade logo à 2ª jornada do Campeonato Nacional, esse jogo frente ao Vitória de Guimarães acabaria por dar a ilusão que Paulinho poderia agarrar a oportunidade na equipa “encarnada”. Já a realidade haveria de ser um pouco diferente. Os internacionais brasileiros Aldair e Ricardo Gomes tomariam a dianteira por um lugar na equipa. Ainda assim, nessa primeira metade da época, o central conseguiria disputar outra importante partida. Frente ao Derry City, o defesa inscreveria o nome na caminhada “europeia” que, nessa campanha de 1989/90, levaria as “Águias” a mais uma final da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Sem espaço no Benfica, Paulinho acabaria por transitar para o Nacional da Madeira. De volta às boas exibições, a titularidade conquistada serviria para elevar a sua cotação. Cimentado como atleta de cariz primodivisionário, o regresso ao Estoril Praia, um ano após a chegada ao Funchal, desembocaria naquela que, provavelmente, terá sido a sua melhor temporada enquanto futebolista profissional. Como um dos bons intérpretes do Campeonato, Carlos Queirós tomaria a decisão de chamá-lo à selecção. Por Portugal, tendo também representado os sub-21, o defesa faria a estreia pelo conjunto principal em Fevereiro de 1992. Frente à Holanda, num “amigável” disputado em Faro, o atleta conseguiria a sua internacionalização “A”.
A temporada de 1993/94 marcaria a sua transferência do Estoril Praia para o Estrela da Amadora. A mudança para o emblema da Reboleira daria continuidade a um percurso que, só na 1ª divisão, acabaria colorido por 12 temporadas. O Salgueiros seria outro dos emblemas representado por Paulinho no escalão maior do futebol português. Pelos 4 emblemas já referenciados, a carreira do defesa somaria um total de quase 3 centenas de partidas disputadas no patamar máximo dos nossos Campeonatos.
Depois de, mais uma vez, voltar ao Estoril Praia, Paulinho, no final da campanha de 2001/02, decidir-se-ia pelo fim do trajecto enquanto jogador. Mantendo a ligação à modalidade, o antigo internacional encetaria a carreira de treinador. Como técnico, tem vogado por equipas dos escalões secundários. Destaque também para sua passagem pela China, onde, no papel de adjunto, trabalhou no Beijing Renhe e no Shenzhen FC. Para a temporada de 2020/21, marcando o seu regresso a Portugal, o “agora” Paulo Mendes já foi apresentado como timoneiro do 1º de Dezembro.

665 - SERGINHO CUNHA

Havendo na temática deste mês o ensejo de recordar alguns futebolistas que, tendo participado no Mundial S-20 de 1991, também fizeram carreira ao serviço de emblemas portugueses, era impossível esquecer um que foi tão marcante no futebol do nosso país. Bem, talvez haja algum exagero em querer elevar o avançado ao estatuto de figura nacional. No entanto, e esta é a mais pura das verdades, Serginho Cunha, pelo que conseguiu nas nossas competições, é uma das figuras de proa na história de um dos clubes com grande tradição em Portugal.
Sem obter dados suficientes para, indubitavelmente, conseguir reconstituir a sua carreira de desportista, há dois momentos nela que, como já referi, ligam o atacante ao futebol português. Não é difícil adivinhar, até pelo que está escrito no parágrafo anterior, que o Mundial S-20 organizado por Portugal, terá sido o primeiro. Ora, no certame em que a “Equipa das Quinas” acabaria por, na final, levar de vencida a sua congénere brasileira, Serginho era um dos elementos da jovem “Canarinha”. Sem o destaque de alguns dos seus colegas de balneário, a contribuição do atacante para a caminhada da sua selecção, resumir-se-ia a pouco mais do que alguns minutos. Com o Brasil já na fase das eliminatórias, Serginho acabaria por ser chamado a participar nos quartos-de-final. Esses 15 minutos, jogados na vitória frente à Coreia, seriam a sua ajuda para a conquista da medalha de prata.
O segundo momento na sua carreira e que, em definitivo, o ligaria a Portugal, ocorreria uns anos mais tarde. Já com alguma experiência no futebol brasileiro, mas, talvez, sem a projecção que estaria à espera, o avançado viaja até ao Funchal. A sua chegada ao Nacional da Madeira, isto na temporada de 1994/95, apanha um clube que, tendo no começo da década disputado o escalão principal, havia descido para a 2ª divisão de “honra”.
As boas exibições que foi conseguindo, aliado a uma boa série de golos, rapidamente conquistariam o coração dos adeptos e responsáveis pelo emblema. Mesmo sem que o clube conseguisse o regresso ao patamar máximo, o avançado foi-se mantendo nas suas fileiras. Essa fidelidade, nutrida por uma paixão que, em tantos sentidos, ficou provada como sendo recíproca, faria com que Serginho, durante 10 anos, vestisse a camisola do Nacional – “Sei que fui importante para o clube e digo, sem qualquer dúvida, que foi o melhor clube que joguei”*.
Durante tamanha ligação, suficiente para que o avançado conseguisse tornar-se no melhor marcador da história “alvinegra”, Serginho Cunha, muito mais do que uma mera testemunha, seria personagem activa nos mais variados episódios. Desde a queda na 2ª divisão “b”, à recuperação e regresso ao convívio dos “grandes”, o atacante tornar-se-ia numa das maiores lendas do clube. Apesar da importância de tantos outros momentos, haveria um que, pelo seu caracter de “recorde”, exaltaria esta união. Ora, numa equipa que também contava com atletas como o guarda-redes Hilário, Paulo Assunção, Rossato ou Adriano, o Nacional consegue algo de inédito. Com o 4º lugar assegurado na temporada de 2003/04, os madeirenses apurar-se-iam para as provas da UEFA – “No ano em que pela primeira vez conseguimos colocar o Nacional nas competições europeias, foi uma sensação maravilhosa. Tínhamos uma equipa bem montada e com grandes jogadores (…).Nos jogos das eliminatórias da Liga Europa contra o Sevilha, não joguei porque estava em recuperação da lesão que tive. Não posso falar muito sobre esses jogos, mas foram muito importantes para o Nacional e para a Região Autónoma da Madeira”**.


*retirado do artigo escrito por Serginho Cunha, em www.agoramadeira.pt, a 16/01/2015
**retirado do artigo escrito por Serginho Cunha, em www.agoramadeira.pt, a 09/03/2015

610 - MANUEL MACHADO

Filho de um histórico do Vitória de Guimarães, o guarda-redes António Machado, a sua ligação ao futebol esculpir-se-ia de outras oportunidades. Sem grande carreira dentro das quatro linhas, ou, pelo menos, sem nada de relevante a apontar nesse contexto, Manuel Machado talhar-se-ia no banco dos suplentes.
Treinador de aferido em Portugal, o seu trajecto começaria a delinear-se no emblema onde seu pai é um símbolo. As camadas jovens vimaranenses, naquilo que era o começo dos anos 90, tornar-se-iam no seu tubo de ensaio. Depois veio a intermitência que, ora o punha como adjunto ou interino no Vitória, ora fazia dele o treinador principal de equipas de escalões secundários.
Após estes caboucos, Manuel Machado começaria a solidificar a sua carreira. A transição do Fafe para o Moreirense, haveria de se tornar num ponto fulcral do seu evoluir. Ao encetar esta nova etapa na 2ª divisão “B”, o sucesso que conseguiria ao serviço da formação de Moreira de Cónegos, chamaria a atenção para o trabalho perpetrado. Duas promoções consecutivas e a veleidade de, na época de estreia do clube na 1ª divisão (2002/03), conseguir um lugar tranquilo na tabela classificativa, convertê-lo-iam num treinador a ter em conta.
A partir desta altura, Manuel Machado cimentar-se-ia como um treinador de topo. A sua carreira, que jamais se afastaria do convívio dos grandes palcos, haveria de se construir de emblemas como os da Académica, Sp.Braga, Nacional, de uma curta passagem pelos gregos do Aris de Salónica e, claro, dos regressos a Guimarães. Seria mesmo na “Cidade Berço” que Manuel Machado daria um passo importante na consolidação do seu estatuto de primodivisionário. A obtenção de um 5º lugar na temporada de 2004/05, e a consequente qualificação para as competições europeias da época seguinte, seriam o sustento disso mesmo.
Hoje em dia no Nacional da Madeira, clube que conduziu à estreia europeia, Manuel Machado continua com uma postura singular e, de salutar no mundo do futebol, nada ortodoxa. Muito para além daquilo que põe em campo, da maneira ardilosa como monta as suas estratégias, há as acutilantes tiradas. Dono de uma eloquência distinta, a faculdade com que articula os seus raciocínios, faz dele um orador peculiar. Não é necessário muita pesquisa para que encontremos variadíssimos exemplos. Um desses momentos passar-se-ia após o embate contra o Sporting (2015/16), em que sofreria uma polémica derrota em Alvalade – “Isto deixa-me um pouco triste, ver este país de espinha dobrada, sempre a bater palmas aos Salgados e aos Azevedos e afins e que continua a espezinhar quem ganha o ordenado mínimo e que ainda tem de pagar impostos sobre isso."*.

 
*Em declarações à SportTV, a 21/09/2015

583 - WILLIAM

Depois de crescer no Botafogo, William, a convite de um antigo treinador seu, decide aventurar-se no lado de cá do Atlântico. Conhecedor das capacidades do atleta, Paulo Autuori, que acabava de abraçar um outro projecto, decide que o jovem central era o homem certo para liderar a defesa, no seu novo clube.
É deste modo que, para a temporada de 1987/88, William deixa o Brasil para, em Portugal, dar continuidade à sua carreira. No Nacional da Madeira encontra um emblema que, apesar de se encontrar no segundo escalão, tinha outras ambições. Esse sonho, alicerçado numa possível promoção, tornava o desafio bastante aliciante.
A tão almejada subida de divisão, aconteceria logo na temporada seguinte. Esse patamar alcançado, acabaria por trazer uma maior visibilidade aos que vestiam o “alvi-negro” do emblema funchalense. Toda essa promoção faria com que Paulo Autuori fosse convidado pelo Vitória de Guimarães, a assumir os destinos do plantel sénior. Contrato assinado, e um dos atletas que seguiria o treinador seria William.
A calma com que enfrentava os lances e o bom sentido posicional, combinados com uma leitura ímpar de todo o jogo, fariam com que, num espaço de um ano, outros horizontes se abrissem para o defesa.
Ora, quem andava atento a todas as suas habilidades, era o Benfica. As boas exibições ao serviço dos da “Cidade Berço”, clube que acabaria a temporada de 1989/90 num honroso 4º lugar, fariam com que da “Luz” chegasse um convite para uma nova mudança.
Já em Lisboa, William passaria as 5 épocas seguintes. Durante esse período, muito para além das experiências vividas – competições europeias; “clássicos” arrebatadores; o convívio com grandes nomes do futebol – o atleta começaria a acrescentar ao seu currículo mais alguns troféus. 2 Campeonatos (1990/91; 1993/94) e 1 Taça de Portugal (1992/93) são o saldo dessa sua passagem pelos “Encarnados”.
Ainda enquanto jogador do Benfica, a vida de William, para além dos números apresentados, era, igualmente, dada a “letras”. Não se esgotando na prática desportiva, o antigo jogador, que no Brasil já havia frequentado o curso de Fisioterapia, acabaria por abraçar os estudos, desta feita Psicologia – “Há uma sequência na nossa vida que não se interrompe quando deixamos de jogar. Não se trata de uma sequência social ou financeira (…), ao que me refiro é à continuidade intelectual (…)”.*
Por esta altura, o fim da carreira de William ainda era um cenário longínquo. E se isto era uma certeza, o que William não estaria à espera, era que a entrada de Artur Jorge no Benfica, levasse a uma “purga” no balneário da “Luz”.
Resultado desta renovação, o defesa acaba por prosseguir a sua vida profissional no estrangeiro. Primeiro com uma curta passagem pelos franceses do Bastia (1995/96) e, de seguida, em Espanha, ao serviço do Compostela, William daria continuidade à sua carreira futebolística.
Seria depois de regressar da Galiza, que o jogador aceitaria voltar a um dos seus antigos emblemas. No Minho, novamente no Vitória de Guimarães, William acabaria por dar os derradeiros passos no sentido da “reforma”, a qual aconteceria no final de 2001/02.
Ainda que afastado dos relvados, o antigo atleta vai continuado ligado à modalidade. Tanto nas funções de técnico, ou no papel de “olheiro”, William tem viajado um pouco pela Europa. Portugal, Espanha, França e Luxemburgo fazem parte deste seu périplo, onde se destaca a sua passagem pelo Olympique de Marseille, como elemento do departamento de prospecção.



*Retirado de “A Bola Magazine nº 79”, Dezembro 1993

570 - PHIL MURPHY


Por mais que queiramos revolver todo um manancial de dados, por mais que o mundo da "internet" nos dê as mais variadas histórias, há, de quando em vez, um qualquer jogador que escapa a toda essa rede de informação. Hoje, esse atleta é Phil Murphy!
Pelo menos para quem, de mais perto, tem por hábito acompanhar o desporto, é certo que o antigo avançado inglês tem um lugar num imaginário longínquo. A frequência com o seu nome saltava dos “relatos da bola”, numa altura em que a informação estava restrita às telefonias ou aos jornais desportivos, faz com que a sua imagem ainda perdure na memória de alguns. Esses anos 80, distantes demais para que, de uma forma mais consistente, se conseguisse arrecadar algumas histórias, ainda assim, deu-nos ferramentas para que possamos apresentar mais este "cromo"!!!
De Phil Murphy, então, sabemos ser natural de Liverpool. Com certeza, como todos os que se dedicaram, e dedicam, à modalidade, o atacante há-de ter tido um qualquer percurso nos patamares de formação. Sendo isto muito fácil de entender, já o que de palpável nos sobra, ou seja, informação concreta, é que Phil Murphy chegaria a Portugal, adolescência deixada para trás, com o intuito de representar o Nacional da Madeira.
É desse modo que, para a temporada de 1982/83, ainda militavam os funchalenses na 2ª Divisão Nacional, o avançado é apresentado aos adeptos. Esse seu ano de estreia, marcaria uma relação curiosa entre o jogador e o clube sediado na cidade do Funchal. É que, se por um lado, a ligação de Phil Murphy com os "alvi-negros" tem um cômputo de meia dúzia de anos, a verdade é que essa união não seria feita de forma continuada. O que quero dizer com isto, é que, desde esse instante em que aterraria no arquipélago, a sua carreira iria alternar o rumo entre Portugal e Inglaterra.
Depois deste primeiro período no nosso futebol, o Blackpool haveria de entrar no seu currículo. Mesmo estando a falar de um clube histórico no futebol britânico, essa época de 1984/85, acabaria por não trazer nada de mais a Phil Murphy, do que uma presença no quarto escalão. Para além disto, e da pouca frequência com viria a ser utilizado, de destaque só mesmo o facto de o jogador ter partilhado o balneário com Paul Stewart (internacional inglês) e com o antigo defesa do Maia, Alex Dyer.
Seria já após uma segunda passagem por Portugal e de contratos assinados pelo Burnley e Witton Albion, que o seu regresso ao nosso futebol é, mais uma vez, saudado. Mais três anos de boas exibições, com uma quantidade de golos "q.b.", já davam a Phil Murphy um cantinho nas recordações dos que vivem o Nacional. Contudo, o que o levaria atingir o estatuto de "histórico" seria a primeira presença do clube na mais importante divisão portuguesa.
Essa estreia, resultado da promoção conseguida em 1987/88, haveria de ter a participação, em ambos os capítulos, do avançado. No entanto numa equipa onde Dino era "rei e senhor" no sector ofensivo, Paulo Autori nunca elevaria o inglês a titular absoluto.
O seu laço com o clube madeirense desfazer-se-ia na época de 1989/90. Depois dessa saída, e de ainda ter estado associado ao Workington, não tenho qualquer conhecimento de como terá evoluído a sua carreira. Reformado, ou não, é uma incógnita! A única verdade é que, depois dos 30 anos, o rasto de Phil Murphy parece ter desaparecido!!!

405 - CHAÍNHO

Com os pontapés iniciais dados nas “escolas” do Carcavelos, seria o fim da formação feita no Casa Pia, onde partilharia o balneário com Calado e Rui Borges, que permitiria a Chaínho, inserido no plantel de 1992/93 do emblema de Pina Manique, subir ao escalão sénior. No entanto, o primeiro grande salto da sua carreira ocorreria 2 anos após essa promoção, aquando da sua contratação pelo Estrela da Amadora. A transição da 3ª divisão directamente para o patamar máximo do futebol nacional, revelar-se-ia tranquila e com o médio a conseguir confirmar as qualidades que o destacavam nos "Gansos".
Médio trabalhador, de físico portentoso, Chaínho, ao nunca virar as costas à luta, facilmente conquistaria um lugar na equipa titular “tricolor” e, acima de tudo, ganharia a confiança dos treinadores sob a batuta dos quais ia trabalhando. A meia da quarta época a jogar pelo Estrela da Amadora, já cotado como um dos melhores intérpretes das provas lusas, o médio assinaria um contrato pelo FC Porto, à altura ainda orientado por António Oliveira. Curiosamente, a sua saída do estádio José Gomes em direcção às Antas, coincidiria com a mudança de Fernando Santos do Estrela da Amadora para os “Azuis e Brancos”. Com a chegada à “Cidade Invicta” a acontecer ao lado daquele que o médio viria a considerar o melhor treinador na sua carreira, Chaínho, na temporada de 1998/99, integrar-se-ia no grupo que viria a selar, pelos "Dragões", o ciclo de cinco vitórias consecutivas no Campeonato Nacional, o inolvidável “Penta”. As restantes épocas passadas nos “Azuis e Brancos”, três no total, serviriam, para além dos troféus conquistados – 1 Campeonato; 2 Taças de Portugal; 1 Supertaça –, para vincar o atleta como um dos nomes mais valiosos a jogar no nosso país. O reflexo dessa avaliação emergiria com a aposta do Zaragoza na sua contratação. Contudo a passagem por Espanha, consequência da descida do clube aragonês ao segundo escalão, seria curta, com o centrocampista, no fim dessa temporada de 2001/02 a procurar outras paragens.
No encalço de Fernando Santos, o destino levá-lo-ia a Atenas, para envergar a camisola do Panathinaikos de 2002/03. Com a saída do técnico português da intendência do emblema helénico, o médio ainda conseguiria recuperar a titularidade, mas a morte súbita da mãe fá-lo-ia, passados alguns tempos sobre o trágico acontecimento familiar, decidir-se pelo regresso a Portugal. No Funchal a partir da campanha de 2003/04, primeiro em duas épocas ao serviço do Marítimo e depois, igualmente num par de anos, a defender as cores do Nacional da Madeira, o médio voltaria a recuperar o estatuto de peça fulcral das suas equipas. Seria por essa altura, com o aproximar do Mundial de 2006, que surgiria o convite para representar a selecção de Angola, país onde tinha nascido. Contudo, tendo já sido internacional sub-21 por Portugal, Chaínho, por razão de não cumprir os pressupostos exigidos pela FIFA, veria o organismo a negar-lhe o intuito de vestir a camisola dos "Palancas Negros" nesse grande certame desportivo, realizado na Alemanha.
Daí em diante, poucos mais seriam os anos durante os quais Chaínho praticaria futebol. Após as passagens pelos cipriotas do Alki Lanarca e pelos iranianos do Shahin Bushehr, o médio, com o termo da campanha de 2008/09, decidiria pôr fim à carreira como desportista profissional. Desde então, a sua rotina diária, sempre perto do futebol, tem sido feita de várias valências. Assim, para além de estar à frente de uma Dragon Force, reconhecida “escolinha” do FC Porto, o antigo jogador, ao assumir-se como comentador, tem dado uma perninha nos canais desportivos nacionais, para o caso, Sportv e A Bola TV. Contudo, a saudade dos balneários empurrá-lo-ia de volta às chuteiras e para que quem quis ver o futebolista conhecido pela frase “Posso não ser o melhor jogador português, mas sou o jogador com os lábios mais giros”*, foi só assistir às disputas dos Biqueiras d´Aço.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 12/05/2009, em https://maisfutebol.iol.pt

204 - SYLVANUS OKPALA

Quando a Nigéria decidiu candidatar-se à organização da CAN de 1980, poucos apostariam no nome de Sylvanus Okpala para figurar na lista dos eleitos a participar no certame disputado no país. A verdade é que, com o avizinhar do torneio, o jovem, que já brilhava no Enugu Rangers e até capitaneava a selecção de sub-20, começaria a mostrar-se como uma hipótese a ter em conta. Seria esse valor que levaria o conhecido técnico Otto Glória a incluí-lo na lista dos eleitos. Em boa hora o faria, pois as "Super Eagles" haveriam de vencer o troféu pela primeira vez, reservando, para os membros daquele grupo, um lugar na história do futebol da nação.
Passados alguns anos sobre essa grande conquista, depois de ter vencido Taças e Campeonatos no seu país, Sylvanus decidiria, num tempo em que poucos dos seus conterrâneos tinham tal privilégio, ser a altura certa para tentar a sorte na Europa. A oportunidade surgiria no União da Madeira, emblema que, em 1983/84, disputava a 2ª divisão. Em Portugal continuaria a mostrar ser o jogador que imprimia um ritmo alucinante às partidas, que corria desenfreadamente atrás do esférico e a quem, por essas mesmas razões, carinhosamente baptizariam como "Quicksilver".
Fosse no meio-campo, a atacar ou a defender, ou mesmo no sector mais recuado do terreno, Sylvanus transformar-se-ia no exemplo de uma polivalência bem distante da, tantas vezes alvitrada, falta de categoria. Essas incontestáveis qualidades, passada apenas uma temporada após a sua chegada a Portugal, levá-lo-iam até ao Marítimo. Com um novo contrato, Sylvanus manter-se-ia a jogar na ilha. Aliás, a sua carreira futebolística tem uma curiosidade! É que à imagem de outros atletas, como por exemplo Jokanovic, o internacional nigeriano, por cá, só jogaria em emblemas da Madeira!
Seria mesmo ao serviço do Nacional que, precocemente e com apenas 29 anos de idade, haveria de pôr um ponto final na sua vida nos relvados. Contudo, continuaria ligado à modalidade, como “olheiro” nos mais importantes clubes nigerianos ou como representante de novos atletas. Já em 2011, assumiria as funções de adjunto de Stephen Keshi, na selecção principal do seu país.

181 - VÍTOR PONTES

Como jogador, Vítor Pontes sofreu da síndrome que só os guarda-redes costumam padecer, a do “eterno suplente”. Os indícios surgiram após completar a formação na União de Leiria e, depois do curto empréstimo ao Vieirense, na volta à “Cidade do Lis”. Durante as épocas seguintes ao regresso, pouco mais alcançou do que a sombra de nomes como Padrão ou Álvaro. Passados 5 anos, a ida para o Vitória Sport Clube só veio agudizar a sua condição. Em Guimarães encontrou-se com o internacional luso, Jesus. De início ainda conseguiu sentar-se no banco. Porém, o que o destino trouxe daí em diante acabou por ser bem pior e com o fim da segunda temporada no Minho, ao não conseguir ser convocado uma única vez, restou-lhe a saída. Seguiram-se outros clubes na 1ª divisão. Porém, tanto no "O Elvas", como no Nacional da Madeira ou ainda no Tirsense, a sua história teimou em repetir-se, acabando por agrilhoar o guardião a à ideia de uma carreira bem recatada.
Como treinador parece estar a delinear uma trajectória igualmente discreta. Após o estágio com José Mourinho e de, pelo "Special One", ter sido avaliado como uma das grandes promessas na função, Vítor Pontes pouco mais tem feito do que acumular desaires. Este ano não foi excepção! Não sei se deram por isso, mas o treinador passou pelo nosso Campeonato! É verdade, o técnico substituiu Pedro Caixinha à 4ª ronda para, após a 6ª jornada, abandonar o comando da União de Leiria!
Agora pensem bem! Quem quer ser honesto, tem que ser coerente na maneira de viver. Como já fiz referência, a imagem de Vítor Pontes no futebol, tem sido a discrição. A prová-lo temos números a dizerem-nos que, nas suas 7 épocas primodivisionárias enquanto atleta, participou em cerca de meia-dúzia de partidas. Tal registo torna óbvio que o antigo futebolista e agora técnico tem aversão ao estrelato!

172 - IVO

Reflexo dos tempos modernos e da globalização que, igualmente, veio a instalar-se no desporto, é cada vez mais raro encontrarmos no futebol dos dias de hoje, pessoas cuja vida profissional esteja identificada, praticamente, com um emblema só. Ivo é uma dessas excepções.
Apesar de ter dado os primeiros passos nas camadas jovens do emblema da sua terra, o Machico, foi no Clube Desportivo Nacional que o actual líder da equipa técnica "alvi-negra" passou grande parte da carreira. Na Choupana terminou a formação como jogador. Também aí deu entrada na equipa sénior que, na época de 1994/95, militava na divisão de Honra. Mesmo ao ter passado a maior parte do trajecto como jogador dos escalões secundários, o antigo médio, sinal da paixão pela colectividade insular, nunca deixou o clube e essa lealdade levou-o a ser um dos atletas que empurrou o clube madeirense para o regresso à 1ª Liga.
Dois anos após a dita subida, terminada a vida nos relvados, Ivo abraçou o papel de treinador. Ao entregar-se à exigência de exibir um segundo nome, passou a sentar-se no banco de suplentes já sob a graça de Ivo Vieira. Começou como adjunto do conjunto sénior para, decorridos alguns anos de aprendizagem, transitar para o leme da equipa de juniores. Nessas funções manteve-se até ao ano passado, altura em que foi convidado a assumir o lugar deixado vago na equipa principal pelo despedimento de Jokanovic. Terminou a temporada em “lugar europeu” e, para campanha que ainda agora começou, o técnico, com idêntica ambição, já traçou o rumo do colectivo funchalense, ao afirmar que o lugar do Nacional é no primeiro terço da tabela classificativa e numa posição que ofereça a qualificação para as provas europeias.

142 - PATACAS

Com percurso feito nas “escolas” do Sporting e tendo concluído a caminhada formativa numa altura em que o clube de Alvalade, à imagem de alguns emblemas da altura, tinha uma “equipa satélite”, a coisa mais normal para Patacas acabou por ser a alternância entre o “verde e branco” do conjunto lisboeta e o do Lourinhanense.
Assim aconteceu e apesar de grande parte dos primeiros tempos como sénior, tê-los passado na equipa da Zona Oeste, de vez em quando lá era chamado à "casa mãe", para “dar uma perninha”. Sob o comando de Carlos Manuel, acabou por disputar o seu primeiro encontro pelos "Leões", corria a época de 1997/98. A estreia, com lugar no onze titular, até poderia ter sido bem auspiciosa, não fosse uma tal derrota, por 3-2, imposta em Trás-os-Montes, pelo Desportivo de Chaves. Mau agoiro, ou não, a verdade é que poucas mais foram as vezes que o defesa-direito teve oportunidade de jogar pela equipa principal leonina.
Depois de mais uns anos de empréstimos, durante os quais passou pelos açorianos do Santa Clara e pelo Campomaiorense, a sua ligação contratual com o Sporting terminou e os responsáveis pelo clube decidiram não apostar mais no jovem atleta. Quem agarrou a oportunidade para ver do seu lado um jogador que, com as suas 29 internacionalizações sub-21, até já tinha algum traquejo, foi o Nacional da Madeira. Nos “Insulares”, a sua carreira mudou e o lateral, a quem pareceu nunca faltar pulmão e vontade para mais uma corrida, finalmente começou a ser visto como um dos melhores e mais preponderantes no seu flanco.
Das 13 temporadas na divisão maior do nosso campeonato, 9 passá-las-ia ao serviço do emblema madeirense. No entanto, este ano chegou ao fim a vida nos relvados do capitão "Alvi-Negro". Segundo o mesmo, “Terminar a carreira agora foi a melhor decisão”*. Patacas "pendurou" de vez as botas e aceitou novo desafio. É agora o Director-Desportivo do Nacional.

*retirado do artigo do jornal “A Bola”, publicado a 23/05/2011