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1757 - ZEFERINO

Ponta-de-Lança com grande aptidão para o golo, Zeferino Paulo Borges Soares, mesmo sem apresentar uma estampa física espantosa, desde muito cedo, haveria de chamar a atenção para as suas enormes potencialidades. Praticante pertencente às “escolas” do FC Porto, também nas jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador conseguiria destacar-se pelas qualidades desportivas. Com o percurso com as cores lusas encetado nos sub-16, o atacante, num somatório de 46 internacionalizações e 34 remates certeiros, manter-se-ia, durante vários anos, nas cogitações dos diferentes seleccionadores. Tendo a primeira aparição acontecido a 3 de Novembro de 1993, essa partida frente a França, na qual seria orientado por Rui Caçador, serviria de arranque a uma caminhada que iria empurrar o atacante para inúmeros certames de grande monta. Nesse sentido, pelo meio da presença no Europeu sub-16 de 1994, no Mundial sub-17 de 1995 ou no Europeu sub-18 de 1996, o maior destaque emergiria da sua participação no Europeu sub-16 de 1995 e de uma final, onde, frente a Espanha, marcaria um dos golos da vitória por 2-0.
Com o merecido destaque conseguido com a “camisola das quinas”, Zeferino, ainda em idade de formação, começaria a ser cobiçado pelos “gigantes” da Europa. Desse modo, num processo algo conturbado, o avançado deixaria o FC Porto para, com apenas 16 anos de idade, passar a representar o Real Madrid. Incluído no plantel “B” de 1995/96 dos “Merengues”, o avançado ainda manteria a ligação contratual à agremiação da capital espanhola durante vários anos. No entanto, sem nunca ter tido a oportunidade de representar o conjunto principal dos “Madridistas”, o ponta-de-lança primeiro passaria por empréstimos ao Las Palmas de 1997/98, ao Badajoz de 1999/00, até ser, a meio da temporada de 2000/01, libertado de qualquer obrigação. A dispensa faria com que repensasse a sua carreira e o regresso a Portugal levá-lo-ia, lado a lado com Tinaia, seu parceiro na aventura pelo país vizinho, a rubricar uma união com o Alverca.
No emblema ribatejano, inicialmente treinado por Jesualdo Ferreira, Zeferino voltaria a dar a ideia de puder recuperar alguma da magia perdida em Espanha. Todavia, o avançado, apesar da utilidade demonstrada durante a ligação de 3 anos e meio ao Alverca, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares absolutos. Ainda assim, o referido período serviria para que o atleta viesse, não só a fazer a estreia, como a disputar 3 edições do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, surgiriam novas passagens pelo estrangeiro. Tais experiências encaminhá-lo-iam, na campanha de 2004/05, até ao Umm-Salal do Qatar. Após o Médio Oriente, o avançado tentaria a Major Soccer League, mas os treinos no DC United não correriam como o pretendido e o avançado-centro acabaria por não assinar qualquer contrato.
À desilusão vivida nos Estados Unidos da América, suceder-se-ia o regresso ao país de “Nuestros Hermanos” onde, no 4º escalão espanhol, passaria a representar o Logroñes. Por fim, numa errância que caracterizaria os derradeiros anos do seu trajecto competitivo, com uma sabática de um ano pelo meio, emergiria novamente o Umm-Salal. Já em 2008/09, viria uma hipotética e breve passagem pelo Chipre do Norte e pelo Cetinkaya TSK*, para, ainda na última época mencionada, viajar até Malta onde, com as cores do Hibernians, acabaria a sagrar-se campeão daquele país situado no meio do Mar Mediterrâneo.

*não consegui confirmar tal informação. 

824 - MICHEL


Quando se pertence àquela que ficou conhecida como a “Quinta del Buitre”, então é quase certo que podemos associar a palavra sucesso à carreira do jogador! Com Michel não foi diferente! Melhor ainda… podemos dizer que o médio foi um dos expoentes máximos dessa fornada de jovens atletas que, a par do mítico Emílio Butragueño, saiu dos escalões de formação do Real Madrid.
Também a sua chegada à principal equipa “merengue”, em 1984/85, serviria para provar aquilo que já foi dito no parágrafo anterior. Conseguindo, imediatamente, fixar-se como um dos titulares, Michel, em toda a sua caminhada de “branco”, jamais jogaria menos de 30 partidas para a liga espanhola. Esse facto, já por si deveras importante, a juntar aos títulos ganhos e à qualidade de jogo que sempre apresentou, transformá-lo-ia num dos atletas legendários da história do Real Madrid.
Num desses campos referidos, o da aptidão técnica e táctica, Michel era um médio que actuava preferencialmente pela direita do campo. Tendo uma enorme habilidade para progredir com a bola nos pés e de, nas jogadas ofensivas, ler as movimentações de todos os companheiros, os seus passes eram uma grande arma para municiar os ataques. Não só no clube, mas também pela selecção espanhola, os seus cruzamentos ficaram conhecidos por, em tantos casos, serem meio caminho para o golo.
Como ainda agora foi dito, não foi só no Real Madrid que Michel fez história. Também pela equipa nacional, o médio conseguiu construir um percurso invejável. Com as cores da “Roja”, e já com um largo caminho nas camadas de formação, o atleta seria chamado a disputar as mais importantes competições para selecções. Após ter chegado ao derradeiro desafio do Europeu s-21 de 1984, torneio ganho pela Inglaterra, o jogador participaria no Euro 88 e nos Mundiais de 1986 e 1990. Contudo, pela Espanha ficou a faltar um grande título. Já no que diz respeito ao clube, o saldo é completamente diferente. Pelo Real Madrid venceria quase tudo o que há para ganhar. Conquistou 6 “La Ligas”, incluindo o “penta” entre 1985/86 e 1989/90; venceu 2 “Copas del Rey” e 4 “Supercopas”; e, naquilo que foi a sua carreira nas competições europeias, arrecadou para o seu palmarés 2 Taças UEFA (1984/85; 1985/86).
Já depois da despedida do Real Madrid e de, ao lado dos companheiros “madridistas” Butragueño e Hugo Sanchez, ter tido uma última aventura nos mexicanos do Atletico Celaya, Michel decide pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Depois desse abandono em 1997, muitos foram os anos em que o ex-internacional espanhol ficou arredado da modalidade. Afastado, é certo, num sentido pouco lato. Nesse interregno, o antigo craque ficaria conhecido pelas suas colaborações, tanto como comentador televisivo, como nos artigos escritos para jornais desportivos.
Curiosamente, e ao contrário de tantos outros colegas, a sua carreira como treinador, só daria os primeiros passos, quase uma década após ter “pendurado as chuteiras”. Quem lhe abriria a porta acabaria por ser o Rayo Vallecano que, na temporada de 2005/06 o convidaria para assumir o comando da equipa principal. Nesse percurso como técnico, que já conta com passagens pelo Sevilla, Getafe, Marseille ou Málaga, destaque para a sua “estadia” na Grécia. Dessa colaboração com o Olympiacos resultariam diversos títulos, dos quais 2 Campeonatos e 1 Taça.



599 - RAÚL

Todos nós identificamos Raúl como um dos símbolos do Real Madrid, certo? E então, se vos disser que foi com as cores do Atlético de Madrid que o avançado começou a ganhar destaque!!!
Pois é, tinha 13 anos quando o seu pai o levou a treinar com os “Colchoneros”. O sucesso foi imediato. Golos atrás de golos, levavam a crer que ali estava uma das maiores pérolas dos da capital espanhola. É então que Jesus Gil y Gil, polémica personagem da história do clube, decide terminar com as camadas jovens. Ora, sem lugar para praticar a modalidade que tanto o apaixonava, Raúl muda-se para os rivais do Real Madrid.
Após terminada a formação, os passos iniciais com a principal camisola dos “Merengues”, surgiriam na temporada de 1994/95. Logo nesse primeiro instante, Raúl, ao bater o recorde de jogador mais novo de sempre a vestir as cores seniores do clube, mostraria que estava ali para assegurar um lugar na história do Real Madrid.
Bem, é certo que numa equipa como a sua, a probabilidade de se atingirem bons resultados é grande. Ainda assim, Raúl, numa carreira que teve 16 anos de Real Madrid, conseguiu desafiar todas as estatísticas. Os números, sem qualquer margem para especulações, falam por si. Eles dizem-nos que Raúl foi considerado, por 5 vezes, o melhor jogador da Liga espanhola; dizem-nos também, que venceu 2 “Pichichis” (troféu para o melhor marcador de “La Liga”). E nisto de vitórias, que tal referir as 6 “La Ligas”, as 4 Supertaças, as 2 Taças Intercontinentais, a Supertaça Europeia e as 3 “Champions” conquistadas?!
Nesta senda dos triunfos, e na imortalidade que trazem a quem os alcança, há que dizer que a Liga dos Campeões desempenhou um papel preponderante na carreira de Raúl. Sem dúvida alguma, os 3 troféus que ajudou a vencer, são os momentos mais altos por si vividos. Contudo, no plano estritamente pessoal, se é que no futebol assim se pode falar, também o avançado escreveria o seu nome nos anais da competição. Ora, durante algum tempo, foram de sua pertença importantes recordes. Raúl chegou a ser o melhor marcador e o atleta com mais presenças na história da competição. Foi, em 1999/00 e em 2000/01, o goleador máximo do torneio. E é, apenas como curiosidade, o único futebolista que conseguiu marcar golos, consecutivamente, durante 14 partidas.
Apesar das glórias que viveu no Santiago Barnabéu, a ligação com o Real Madrid acabaria por ter o seu fim. Após ter conseguido tornar-se no jogador com mais partidas disputadas e golos concretizados pelo clube, o avançado, no Verão de 2010, mudar-se-ia para a Alemanha.
Após ter assinado pelo Schalke 04, seria na “Bundesliga”, e também na “Champions”, que Raúl prosseguiria a sua caminhada de êxitos. É certo que já longe dos seus anos áureos, o atacante continuaria a demonstrar enormes qualidades. Como um os dos principais elementos no plantel, os seus golos acabariam por ser um dos tónicos para as vitórias do conjunto germânico na Taça e Supertaça daquele país.
Já em 2014, e depois de, no ano anterior, ter anunciado que no Al-Sadd (Qatar) terminaria o seu percurso nos relvados, Raúl decide que ainda não era a hora certa para se aposentar! Segue viagem para os Estados Unidos, e em Nova Iorque assina contrato pelo legendário Cosmos.

558 - SANCHÍS


Sabendo-o filho de uma antiga estrela do Real Madrid e da selecção espanhola, também ele de nome Sanchís, o trajecto que seguiria como futebolista acaba por não ser uma tão grande surpresa. Ainda assim, há uma diferença entre ambos que é de destacar. É que enquanto o pai faria a sua carreira à custa de alguns emblemas, o filho acabaria por apenas conhecer uma cor, o branco dos "Merengues".
Ora, Sanchís, o rebento, faria toda a sua formação no clube da capital. Saído de um grupo famoso da "cantera", cujo atleta mais icónico acabaria por ser um miúdo de nome Emilio, a sua estreia na equipa principal consumar-se-ia pela mão de Alfredo Di Stefano.
Por esta altura, na primeira metade dos anos 80, nomes como os de Martín Vázquez, Míchel, Pardeza ou, lá está, Emilio Butragueño, pouco ainda diziam aos fãs do futebol. Contudo, seria da "Quinta del Buitre" que os adeptos do Real Madrid ganhariam mais um grupo de ídolos. Desse conjunto, Sanchís era o defesa. Mas ao contrário de muitos que jogam na sua posição, o central destacava-se pela sua sobriedade e pela maneira tranquila como abordava os lances. Claro, apesar destas características e que, desde muito cedo, o fariam destacar-se dos demais, Sanchís era também um jogador possante, ágil, dotado de um sentido de colocação excepcional e com uma bravura incontestável.
Os primeiros títulos chegariam à sua vida profissional, com o decorrer da temporada de 1984/85. Essa "Copa de la Liga", e, principalmente, a Taça UEFA conquistada ao Videoton (Hungria), pareciam servir de premonição para o que se estava a preparar. O que viria nos anos seguintes, seria a estreia de Sanchís nas vitórias na "La Liga". Mas, perguntam vocês, que de especial têm um campeonato ganho pelo Real Madrid???!!! Bem, tirando o óbvio... Mas, o que tornaria especial esse de 1985/86, é que seria o começo de um "Penta", algo, à data, visto em Espanha uma só vez, e quando o Real Madrid era comandado por nomes como os de Di Stefano, Puskas e afins!!!
O ano de 1986 marcaria para Sanchís, o seu único troféu conquistado pelas selecções seniores do seu país. Esse Europeu de S-21, num grupo feito de bons nomes, surpreendentemente, acabaria por não ter continuidade ao nível da equipa principal. No Euro 88 e no Mundial de 1990, torneios onde Manuel Sanchís participaria, e apesar das esperanças depositadas na equipa, a "La Roja" nunca chegaria às etapas de decisão.
Contrariamente a estes desaires, pelo Real Madrid, os títulos pareciam brotar em catadupa. Ainda assim, e sem desdenhar de todos os sucessos, ao currículo de Sanchís faltava ainda qualquer coisa. Ironicamente, a Liga dos Campeões chegaria à sua vida profissional, quando o ocaso da sua carreira já era um dado adquirido. No entanto, após a primeira conquista, esta ainda como titular e dono da braçadeira de capitão, Sanchís voltaria a ter a honra de, por uma segunda vez, levantar tão almejada taça. Posteriormente à vitória frente à Juventus (1997/98), a equipa do Valencia testemunharia nova conquista. Após entrar aos 80 minutos de jogo, seria ele que teria a honra de erguer o troféu (1999/00), segundo no seu rol e oitavo para o Real Madrid.
Sanchís apenas faria mais uma época. Ao fim da dita, os números não deixariam qualquer equívoco. Com 710 jogos disputados com a camisola branca e, espantoso para alguém da sua posição, com 40 golos marcados, o defesa era dono de uma parte substancial da história do Real Madrid.

549 - KOPA

Filho de emigrantes polacos na França ocupada da Segunda Guerra Mundial, ao pequeno Raymond pouco mais havia a fazer do que seguir as pegadas dos homens mais velhos da casa - "Eu via o meu pai e o meu irmão a irem para o trabalho (...). Eles lavavam-se e vestiam-se e iam para as minas. E eu observava-os e entendi tudo. Eu sabia que aquela vida horrível, cedo havia de ser a minha vida também"*.
Com o destino aparentemente traçado, Kopa acabaria por se ver a empurrar, túnel acima, carros cheios do carvão minerado 600 metros abaixo. Mas apesar deste fado, os seus sonhos tinham a forma redonda de uma bola. Por causa deles, nada mais o instigava do que um bom desafio de futebol. Com os seus amigos, também filhos de polacos e igualmente apaixonados pela modalidade, acabaria por fundar um pequeno clube de rua, ao qual se daria o nome de "Chemin-Perdu" (caminho perdido). Jogavam com os meninos franceses; usavam bolas de trapos ou latas velhas; e, por conta da desfaçatez de infância, num verdadeiro acto de insurreição, roubariam uma bola a um grupo de soldados alemães.
A escapatória para rotina vivida nas minas, encontrá-la-ia no clube de Noeux-les-Mines, a sua cidade natal. Daí, até a um concurso que pretendia eleger o melhor jovem jogador francês, foi o passo que, radicalmente, mudaria a sua vida. Apesar de ter apenas conseguido o segundo lugar, as suas qualidades futebolísticas destacá-lo-iam dos demais concorrentes. Clubes de nomeada entraram, assim, na sua peugada, e Kopa acabaria por assinar pelo Angers.
A passagem pela Segunda Divisão gaulesa serviria de experiência e, principalmente, de rampa para o maior clube francês da década de 50. No Stade de Reims, integrado num grupo onde coabitou com inúmeros internacionais franceses, como Just Fontaine, ou outros craques, como o nosso conhecido Fernando Riera (treinador do Benfica, Belenenses, Sporting e FC Porto), Kopa cresceria para se tornar numa das maiores estrelas do futebol mundial. Rápido e dono de uma técnica estonteante, o atacante, para além de conseguir driblar qualquer adversário, era uma sumidade na perfeita colocação da bola nos companheiros.
O seu contributo, fez com que o clube crescesse muito para além-fronteiras. Para acrescentar aos títulos nacionais que, entre 1951/52 e 1955/56, ajudou a conquistar (2 Campeonatos; 1 Supertaça), podemos ainda acrescentar as campanhas europeias que permitiram ao Stade de Reims a conquista da Taça Latina de 1953 (disputada em Lisboa) e a presença na final da primeira edição da Taça dos Campeões Europeus, em 1956.
Seria este desafio, perdido frente ao Real Madrid, que levaria Kopa a deixar o emblema gaulês para se juntar... nada mais, nada menos, que aos "Merengues". Na capital espanhola, numa equipa que já contava com Di Stéfano, Puskás ou Gento, Kopa perfilava-se para ser apenas mais um!!! Pior ainda, era saber que, no seio tantas estrelas, era o astro hispano-argentino que ocupava a sua posição de campo. No entanto, desengane-se quem pensou que o francês estaria vetado ao esquecimento. Adaptado à ala-direita do ataque “madridista”, Kopa continuaria a mostrar as suas qualidades.
Nos três anos em que vestiu de branco, acabaria por conquistar 3 Taças do Campeões Europeus. Curiosamente, seria uma dessas finais que, mais uma vez, mudaria o rumo do avançado. Ao que parece, após o terceiro desses confrontos (1958/59), jogado com o Stade de Reims, Kopa recebe um convite do seu antigo clube. Não consegue resistir e, por essa razão, na viragem para a temporada de 1959/60, voltaria a trajar o branco e vermelho dos franceses.
Ora, por esta altura já o atleta era uma figura consagrada do desporto. Para tal, muito tinham contribuído as presenças nos Mundiais de 1954 e 1958. Contudo, e se no primeiro, disputado na Suíça, a França não iria para além da Fase de Grupos, já no torneio que se sucedeu, os "Bleus" seriam uma das melhores equipas. Para além da medalha de bronze conseguida, Kopa, que muito contribuiria para o título de melhor marcador de Just Fontaine (13 golos), acabaria por ser considerado o melhor atleta do certame sueco. Esse prémio, juntamente com aquilo que havia feito ao serviço do Real Madrid, acabaria por levá-lo à vitória num dos melhores prémios individuais de sempre, o "Ballon d'Or" da "France Football".
Mas o regresso ao Stade de Reims, que, ainda assim, acrescentou ao seu rol de conquistas mais 2 títulos franceses, haveria de marcar o início da fase descendente da sua carreira. Muito afectado pela doença do filho, que acabaria por falecer na sequência da tal leucemia, Kopa acabaria por perder o fulgor de outros tempos. Abatido animicamente, a vontade de jogar parecia ter-se esgotado. Para piorar este cenário, o próprio clube entraria em franca decadência, acabando mesmo por ser relegado ao segundo escalão. Kopa acabaria por se retirar aos 35 anos de idade.

* retirado de "Mon Football", Raymond Kopa e Paul Katz

437 - ZIDANE

Por sair de casa, ainda muito novo, para jogar nas camadas jovens do Cannes, Zinedine Zidane acabou bastante acarinhado pelos responsáveis do clube. A primeira prova disso teve como protagonista um dos dirigentes que, ao vê-lo perturbado por estar longe de casa, convidou-o para ir morar consigo e com a sua família. A segunda história passou-se já o antigo médio pertencia aos quadros principais do referido emblema gaulês e por razão do primeiro golo por ele marcado. Ao que parece a promessa do Presidente já era antiga e acabou por ser paga numa vitória frente ao Nantes, corria a temporada de 1990/91, a terceira do jogador como sénior. O prémio: um Peugeot 205 vermelho.
Sensivelmente 4 anos após a estreia sénior e sem ser um elemento muito consensual entre os adeptos, os quais acusavam o atleta de não jogar bem nas partidas difíceis, Zidane viu surgir o convite do Bordeaux. Ao aceitar o convite, 1992/93 transformou-se na temporada da mudança do médio-ofensivo para os Girondins da afamada região vinhateira, onde, umas épocas mais tarde, veio a ser treinado por Toni. No sudoeste gaulês, o jogador encontrou uma ambição e um nível futebolístico superior ao que estava habituado. É certo que no Cannes já tinha provado o sabor das grandes competições – havia feito a estreia na Taça UEFA frente ao Salgueiros – mas em abono da verdade, a mudança conduziu-o por um caminho melhor. No emblema sediado na região da Nova Aquitânia começou a conviver com um plantel recheado de belíssimos jogadores, onde podemos destacar os nomes de Lizarazu ou de Dugarry. Tal ambiente, com toda a competitividade inerente, fê-lo melhorar muito as suas capacidades futebolísticas. Pelo crescimento revelado, foi chamado à estreia na principal selecção francesa e apesar de nunca ter conquistado a Ligue 1, conseguiu chamar a atenção de emblemas de maior monta.
É certo que foi pelo Bordeaux que conseguiu o primeiro título, isto é, a Taça Intertoto de 1995/96. No entanto, muito mais importante para o evoluir da sua carreira, que cresceu igualmente à custa da chegada à final da Taça UEFA da época referida no começo deste parágrafo, foi a notoriedade que começou a ganhar a nível internacional. No âmbito desse crescimento, o Manchester United tornou-se num dos nomes a cogitar-se como a nova morada de Zidane. Contudo, o destino do gaulês veio a desenhar-se, literalmente, em sentido oposto. Foi assim que, em 1996, ano em que venceu o título de Melhor Jogador da Liga francesa, o médio mudou o rumo da sua caminhada para Itália. Com a Juventus a tornar-se na sua nova casa, o jogador acabou empurrado para o estrelato. Foi com a entrada no Calcio que a vida profissional do craque começou a tomar os contornos daquilo que hoje conhecemos, com as vitórias, tanto a nível individual, como colectivamente, a sucederem-se. As conquistas de 1 Supertaça UEFA, 1 Taça Intercontinental, 2 Scudettos e 1 Supertaça italiana elevaram-no para um patamar de excelência. Ainda assim, seriam os dois golos de cabeça na final do Mundial de 1998 – vitória da França, por 3-0, frente ao Brasil – que o catapultaram como um dos maiores intérpretes da sua época.
Ainda sobre o Mundial de 1998, aos jornalistas, Zidane tinha prometido vencer o torneio de selecções disputado no seu país. Cumpriu e o maior reconhecimento chegou, ainda nesse ano, ao ser laureado com as duas maiores distinções individuais que um futebolista pode almejar: o Ballon d'Or da France Football e o FIFA World Player of the Year. Ora, por essa altura, já o médio-ofensivo, revelava a plenitude das suas capacidades. Era um jogador de uma técnica refinada, com um drible estonteante, uma visão de jogo primorosa e uma capacidade de passe mortífera. Em resumo, um verdadeiro “número 10”! Por tudo isso, também pelo Europeu conquistado, em 2000 voltou a vencer o FIFA World Player of the Year que repetiu, já como jogador do Real Madrid, em 2003. Aliás, foi para a capital espanhola que, pouco tempo depois da sua segunda consagração, o atleta viajou. Ao chegar aos "Merengues", onde, ao longo dos anos, encontrou estrelas como Luís Figo, Roberto Carlos, Casillas, Raul ou Beckham, a sua transferência transformou-se num novo recorde mundial e os 75 milhões de euros gastos na mudança de emblema sublinharam a inscrição do seu nome no rol daqueles que ficaram conhecidos como os “Galácticos”.
Se o objectivo do ajuntamento de tantos craques em Madrid era o de dominar, incontestavelmente, o futebol, é verdade que tal meta ficou um pouco aquém. Claro, no meio de tanta classe, os títulos também foram aparecendo e as vitórias na Champions League  de 2001/02, na Supertaça UEFA, na Taça Intercontinental e na “La Liga”, as três em 2002/03, mereceram um bom destaque. Já 2006 marcou o final da brilhante carreira de Zidane. Não sem antes, como tantos recordarão, do episódio mais polémico da carreira do gaulês. Nesse ano, a final do Mundial disputado na Alemanha, pôs, frente a frente, a França e a Itália. E se é verdade que o facto de estar a perder o jogo já era suficientemente perturbador para o médio, mais danado ficou quando Marco Materazzi, defesa-central transalpino que ficou conhecido por tudo menos pelo “fair-play”, decidiu vilipendiar o nome de alguns familiares de "Zizou". Bom, a reacção do francês todos a conhecemos e a mesma, essa famosa cabeça no peito do seu adversário, está hoje imortalizada numa estátua, autoria do artista franco-argelino Adel Abdessemed.

162 - GARAY

Finalmente, e só com meia temporada de atraso, chegou ao Benfica o jogador capaz de recompor o seu centro da defesa. Depois da saída de David Luiz para o Chelsea, nenhuma das soluções apresentadas para o substituir, conseguiram, em altura alguma, fazê-lo da forma mais consistente. Contudo, com a aposta no internacional argentino, que chega incluído no negócio da venda de Fábio Coentrão, tudo parece agora estar mais seguro para os lados da "Luz". Mas afinal, com que é podem contar os adeptos benfiquistas? Para já, podem esperar um futebolista capaz de acrescentar jogo aéreo e, principalmente, força física ao seu sector mais recuado.
É certo que nos dois últimos anos, ambos passados no Real Madrid, poucas foram as vezes em que Garay apareceu nos relvados. Com certeza, ao argumentar isso mesmo, haverá quem levante algumas questões quanto à sua habilidade. Para ser sincero, duvido muito que, por ter estado um pouco arredado da titularidade, tenha esquecido tudo aquilo que aprendeu nas quatro temporadas ao serviço do Racing Santander. Há que concordar, alguma coisa terá feito bem para que os "Merengues" voltassem a apostar nele. A prova dessa valia tem-se visto nos jogos que já fez pelo Benfica. Assim, arrisco-me a dizer que é um atleta fiável e, juntamente com o “capitão” Luisão, capaz de formar uma dupla que sirva de base para novas conquistas.

156 - SECRETÁRIO

Quando pensei em escrever sobre um jogador que, no seu currículo, tivesse uma passagem pelo Real Madrid, pareceu-me óbvio que teria de, obrigatoriamente, utilizar adjectivos como “fenomenal”. Fiquei também ciente que, ao ouvirem tão faustosa palavra, muitos pudessem ficar na dúvida sobre o meu propósito e cogitassem que, ironicamente, estava a pôr em causa o primor futebolístico do tal intérprete. Nunca foi esse o meu fim!
Alinhando as coisas de forma correcta, há que dizer que nem os adeptos dos “Merengues”, os poucos que do jogador ainda têm recordações, alguma vez puseram em cheque o seu singular talento! Dito isto, temos igualmente de concordar que sentir a exaltação do “speaker”, ao mesmo tempo que vemos surgir Carlos Secretário em pleno Santiago Barnabéu, dá azo a que se apelide o negócio perpetrado por Jorge Nuno Pinto da Costa, como um fenómeno! Infelizmente para o atleta, a ilusão pouco passou da apoteótica apresentação no Verão de 1996. Ingrato como só o mundo do futebol sabe ser, depois de temporada e meia a alimentar o riso dos aficionados espanhóis, o português passou a ser tido como trapalhão, lento e pouco seguro. Ao “esquecer-se” de voltar às posições mais recuadas, ao expor constantemente os colegas a grandes aflições, as gargalhadas depressam começaram a transverter-se em apupos. Para piorar a situação do defesa, ou talvez não, ainda surgiu outro momento anedótico. Falo do tal episódio em que, aliando-se completamente do jogo, ingloriamente correu atrás de um "perro" que invadiu o relvado.
Secretário terminou a diáspora devolvido – por certo dentro da garantia – ao FC Porto. Bem sei que é difícil entender a sua dispensa! Se pensarmos que o desporto, aos dias de hoje, também é "merchandising" e que o defesa, uns tempos antes, tinha sido transformado numa das mais mediáticas figuras do “desporto rei”, então é incompreensível a decisão tomada pelos responsáveis do Real Madrid. Foi peremptória a falta de visão! Foi um erro tremendo não reconhecer nele um potencial "vendedor de camisolas", quando, na sequência de uma reportagem emitida pelo programa da SIC, "Os Donos da Bola", "Paula", a mercenária contratada, humilhou o seu desempenho durante um estágio da Selecção.
De volta às Antas, para bem ou para mal, estava aquele que chegou a ser vaticinado como o sucessor do mítico João Pinto. Talvez esse ousado profeta tivesse vislumbrado, entre os dois, algumas semelhanças... coisas! Para mim, tirando a eloquência argumentativa, nada mais vi em comum! Nada, não é bem assim! Há também os troféus! É que Carlos Secretário aposentou-se com o palmarés pessoal, entre muitos outros números, recheado pelas conquistas de 1 “La Liga”, 6 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal, 4 Supertaças Cândido de Oliveira, 1 Taça UEFA e 1 “Champions League”!

80 - REDONDO

Um dia, Fernando Redondo explicou o porquê do seu sítio em campo – “Sou trinco porque é a melhor posição. Ali cruzam-se todos os caminhos. Se Cristo tivesse jogado futebol escolheria esse lugar”*. Com tais declarações, talvez quisesse esclarecer os que diziam que, ao jogar naquele ponto, estava a ser desperdiçado um atleta de grande habilidade técnica. A verdade é que, avaliações à parte, foram muitos, e ilustres, os que reconheceram no médio formado no Argentinos Juniors, habilidades excepcionais. Sir Alex Ferguson foi um dos seus admiradores. Depois de uma partida dos quartos-de-final da “Champions”, na qual uma assistência de Redondo ajudou à eliminação do Manchester United, o treinador chegou a interrogar-se – "O que é que este jogador tem nas suas botas, um íman?"**.
Elegante, era o jogo de Redondo. Palavra atípica para um jogador da sua posição. Porém, a maneira como, sem abusar de força física, roubava o esférico aos adversários, serviu de sustento a essa avaliação. Melhor ainda, e sensata aferição da sua graciosidade, era a mestria do seu pé esquerdo e a maneira como, com ele, conseguia colocar a bola nos seus colegas.
Essas imagens acabaram por cativar os dirigentes do Tenerife. Em 1990, antes da "Lei Bosman" entrar em vigor, os responsáveis pelo emblema das Canárias haveriam de tomar a decisão de preencher uma das vagas para estrangeiros, com o jovem de 21 anos descoberto na Argentina. Foi Valdano, também ele originário do referido país sul-americano, que treinou o médio no emblema insular. Em 1994, aquando da ida do técnico para o Real Madrid, foi também ele que pediu a sua contratação. Logo no ano de estreia, Redondo ajudaria os “Merengues” a conquistar a “La Liga”. Repetiu a vitória mais uma vez, mas o maior destaque foi para outra prova. Venceu por 3 vezes a “Champions”. Na última, para além do título colectivo, saiu da prova como o Melhor Jogador da competição.
Sofredor, como o Cristo de que falou, Redondo teve também o seu calvário. As lesões atormentaram-no. E se no Real Madrid foi fustigado, no AC Milan as mazelas revelaram-se devastadoras. Nos 4 anos em que esteve em Itália quase não jogou. Consciente de que a sua contratação tinha sido desastrosa, antes de pôr termo ao contrato, quis, numa forma de ressarcir o clube, devolver a casa que tinha sido oferecida pelo emblema milanês, aquando da sua chegada.
Sim, ter convicções rectas também era a sua marca. Foram essas ideias, inabaláveis, que o fizeram recusar um lugar nos Mundiais de 1990 e 1998. No primeiro, apesar de muito terem sido especulados os desacordos entre o jogador e o seleccionador Carlos Bilardo, Redondo desculpou-se, dizendo que não podia interromper os estudos para estar presente no certame. Já no segundo Campeonato do Mundo, foi peremptória a sua opinião em relação às ideias de Passarella - "Eu estava em grande forma. Mas ele tinha ideias muito particulares sobre disciplina e queria-me com o meu cabelo curto. Eu não vi o que é que isso tinha a ver com jogar futebol, então, eu disse que não outra vez"***.

*retirado do artigo de “neumannigor”, publicado em https://futebolarena.wordpress.com, a 25/03/2009
**retirado do artigo publicado em https://justanothermadridista.wordpress.com, a 06/09/2008
***retirado do artigo publicado em https://en.wikipedia.org/wiki/Fernando_Redondo

46 - JÚLIO CÉSAR

Homónimo do histórico líder romano, é certo que não deve a alcunha à ampla distribuição geográfica que a sua carreira atingiu. Então, porquê "O Imperador"?
É um facto que os primeiros anos como profissional prometê-lo-iam como um dos futuros valores do futebol mundial. A sua contratação pelo Valladolid, quando contava apenas 17 anos, e os 60 jogos feitos em 3 épocas de “La Liga”, serviriam para sublinhar a referida projecção. Ao sustentar a sua acção nesses números, o Real Madrid, em 1999, haveria de avançar para a sua contratação. Porém, às vezes a passada é maior que a perna e a mudança para a capital espanhola acabaria por reforçar tal verdade.
A sua passagem pelos “Merengues” ficaria muito aquém do esperado e nem os empréstimos ao AC Milan, à Real Sociedad e ao Benfica, serviriam para que Júlio César conseguisse recuperar o seu prestígio. Começaria aí uma verdadeira aventura futebolística, que levaria o defesa brasileiro, nunca por mais de uma ou duas temporadas, a percorrer diversos Campeonatos. Áustria de Viena, Bolton, Tigres UANL, Olympiakos, Dinamo Bucaresti e Gaziantepspor transformar-se-iam nos emblemas dessa verdadeira epopeia.
Voltou este ano a Portugal para representar o Marítimo e já começou mal! Naquela que poderia ter sido encarada como uma grande oportunidade para relançar a sua carreira, o atleta, que ainda não conseguiu estrear-se, já está envolto em polémica e tudo por chegar atrasado a um treino.