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1806 - XAVIER

José Manuel Xavier Guimarães terminaria o percurso formativo com as cores do FC Porto. No entanto, com o plantel de 1974/75 dos “Azuis e Brancos”, só para o sector intermediário, recheado com nomes como António Oliveira, Peres, Marco Aurélio ou Aílton, o jovem praticante não conseguiria encontrar um lugar para desenvolver as suas qualidades desportivas. Nesse sentido, a solução encontrada para o seu percurso haveria de passar pelo grupo de trabalho do Paços de Ferreira. Na “Capital do Móvel”, o médio-ofensivo, muito mais do que cumprir a primeira temporada enquanto sénior, faria parte de uma página histórica do clube e ajudaria a equipa dos “Castores”a estrear-se na 2ª divisão.
Seguir-se-ia, já na temporada de 1975/76, a sua apresentação como reforço do plantel do Salgueiros. A entrada no conjunto a jogar em casa no Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro empurrá-lo-ia para aquela que viria a tornar-se na colectividade mais representativa da sua caminhada profissional.  Ainda assim, com o clube do popular bairro de Paranhos a militar entre o 2º e o 3º escalão luso, a passagem de 5 anos pela agremiação portuense atrasar-lhe-ia a chegada ao convívio com os “grandes”. Esse merecido prémio competitivo ainda demoraria um pouco mais a chegar e seria necessária outra transferência para que o médio-ofensivo tivesse a merecida oportunidade de mostrar as suas habilidades futebolísticas ao mais alto nível.
A mudança para o Funchal, onde, na campanha de 1980/81, rubricaria um contrato com o Marítimo, daria ao jogador a estreia na 1ª divisão. Orientado inicialmente por António Medeiros, o atleta depressa conseguiria assumir-se com uma das principais referências no sector intermediário dos “Leões do Almirante Reis”. Contudo, as prestações colectivas do conjunto insular seriam insuficientes para que granjeassem de um resultado positivo na árdua luta pela manutenção. O 15º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional levá-lo-ia, de novo, ao patamar secundário e depois de fazer parte da conquista do título de 1981/82 do 2º escalão, o médio-ofensivo, ao deixar os madeirenses, optaria por regressar à cidade do Porto.
Dessa feita ao integrar o plantel do Boavista, Xavier passaria a ser orientado por Hermann Stessl. Mesmo com a saída do treinador austríaco e com as posteriores chegadas de outros 3 timoneiros, o jogador, nessa primodivisionária campanha de 1982/83, nunca conseguiria afirmar-se como um dos nomes habitualmente arrolados ao “onze”. A escassez de presenças em campo faria com que o médio-ofensivo, como a opção mais positiva para o seu trajecto competitivo, equacionasse uma nova mudança de rumo. O passo seguinte nessa senda, num percurso que passaria a caracterizar-se pelas diversas mudanças de divisas, afastá-lo-ia, mais uma vez, da 1ª divisão. Já cumprida a época de 1983/84 com as cores do Famalicão, o atleta voltaria a cambiar de camisola e a entrada no Penafiel de 1984/85, onde tornaria a trabalhar sob a égide de Manuel Barbosa, o seu último técnico nas “Panteras”, coincidiria também com a sua derradeira aparição nos principais palcos lusos.
Depois da experiência com o conjunto duriense, Xavier, entregue, em definitivo, às contendas dos escalões secundários, passaria por mais uma mão cheia de emblemas. Lusitânia de Lourosa, Nacional da Madeira, Pedrouços, Rebordosa e Leça acabariam a colorir uma caminhada que conheceria o seu termo com o encerrar das competições agendadas para a temporada de 1991/92.

1781 - MANU


Com o percurso formativo concluído ao serviço do Alverca, seria num empréstimo ao plantel de 2001/02 do Lourinhanense que Emanuel Jesus Bonfim Evaristo, popularizado no futebol pelo diminutivo Manu, daria os passos iniciais como sénior. Apesar de empurrado até ao 3º escalão luso, a verdade é que o jovem extremo, na sua passagem pela agremiação da região do Oeste, conseguiria exibir-se a um bom nível. Tamanho sinal, faria com que o emblema ribatejano, ainda com a mencionada época a decorrer, decidisse chamar de volta o atleta. No regresso, mesmo com o desaire colectivo a sentenciar o clube à descida de patamar, o atacante teria a oportunidade de jogar na derradeira jornada do Campeonato Nacional e faria, pela mão de Vítor Manuel, a estreia na 1ª divisão.
Mesmo com a época seguinte à da sua estreia como sénior feita na 2ª divisão e ainda com o estatuto de suplente, o atacante também entraria no rol de atletas que ajudariam ao regresso do emblema da metrópole lisboeta ao convívio com os “grandes”. Talvez por nunca ter conseguido assegurar-se como um dos titulares, a época de 2003/04, repetindo a cedência do início da carreira, aconteceria com as cores do Lourinhanense. Mais uma vez, as prestações edificadas com o listado verde e branco fariam com que o regresso a Alverca acontecesse ainda no decorrer da campanha do empréstimo. Já de novo sob a alçada de José Couceiro, Manu passaria a ser utilizado com alguma frequência e o extremo acabaria por ver o Benfica a interessar-se na aquisição dos seus serviços.
Apesar da ligação contratual às “Águias”, Manu seria incapaz de, nos 2 anos seguintes, reservar para si um lugar nos planteis comandados por Giovanni Trapattoni e por Ronald Koeman. A falta de espaço faria com que o avançado voltasse aos empréstimos, tendo passado, na campanha de 2004/05 pelos italianos do Carpenedolo e do Modena, para, na época seguinte, regressar aos “plateaus” primodivisionários, com as cores do Estrela da Amadora. Apesar de tanta errância, o jogador finalmente veria o seu trabalho a dar os frutos desejados e a temporada de 2006/07, com Fernando Santos à frente dos destinos técnicos dos “Encarnados”, oferecer-lhe-ia a oportunidade de “assentar arraiais” na Luz. Ainda assim, o extremo não haveria de convencer o “Engenheiro” a dar-lhe a titularidade e as poucas aparições em campo levá-lo-iam, em 2007/08, aos gregos do AEK de Atenas. 
Já desvinculado do Benfica, Manu acabaria por rubricar um contrato com o Marítimo de 2008/09. Em abono da correcção, a experiência do avançado na Madeira, onde permaneceria por um par de campanhas, acabaria por tornar-se, talvez, no período mais pródigo da sua carreira. Curiosamente, o acréscimo de cotação fá-lo-ia aceitar o convite do Legia Varsóvia. Na capital polaca, o atacante ainda teria uma primeira temporada promissora, com a conquistada da Taça a vincar as suas boas exibições. Contudo, a época seguinte sairia muito aquém das expectativas criadas de início e a meia das provas agendadas para 2011/12, o jogador deixaria o Leste da Europa para seguir em direcção à China.
A experiência asiática, no Beijing Guoan, serviria também para vincar uma caminhada competitiva muito marcada pelas mudanças de emblema. Aliás, daí em diante, Manu ainda vestiria uma boa quantidade de camisolas. Nos anos seguintes, entre as presenças em Portugal e no estrangeiro, o extremo acabaria igualmente por envergar, sempre por pouco tempo, as divisas dos cipriotas do Ermis Aradippou, do Pafos e as cores do Vitória Futebol Clube. Já com o fim da carreira bem à vista, numa temporada de 2018/19 dividida em duas partes, o jogador ainda teria forças para vir a apresentar-se pelo SL Cartaxo e pelo Vilafranquense.

1769 - MATOS

Formado no FC Barreirense, haveria de ser no emblema da Margem Sul que José Fernando Silva Matos faria a estreia enquanto futebolista sénior. Nessa temporada de 1982/83, na qual participaria nas disputas da Zona Sul da 2ª divisão, o defesa-lateral poucas oportunidades conseguiria para demonstrar o seu valor. Nas épocas seguintes, sem deixar o referido patamar competitivo, o cenário pessoal do jogador começaria a mudar progressivamente e a campanha de 1984/85 acabaria a trazer-lhe a titularidade.
A constante chegada ao “onze” do FC Barreirense faria com que outras colectividades, nomeadamente aquelas ligadas às contendas de maior monta, começassem a reparar nas suas habilidades dentro de campo. O acréscimo de importância, verificado nesse período inicial da carreira, faria com que o Marítimo aferisse a sua contratação como benéfica para a valorização do plantel. Nos “Leões do Almirante Reis” a partir da temporada de 1985/86, o lateral-direito, estreante na 1ª divisão, teria em Mário Nunes o treinador a lançá-lo nas sendas do degrau maior do futebol luso. Mesmo sem qualquer experiência no referido plateau competitivo, a verdade é que Matos não ficaria, de todo, atrapalhado. Com presenças na maioria das jornadas do Campeonato Nacional, o atleta revelar-se-ia como um dos grandes destaques do conjunto madeirense. Essa constância exibicional, a levá-lo a merecer a confiança dos demais técnicos, saberia, com algumas excepções, conservá-la no par de campanhas seguintes. O contrário viria a verificar-se já no desenovelar de 1988/89 e a quebra de presenças nas fichas de jogo, ao fim de 4 anos na cidade do Funchal, fá-lo-ia mudar de rumo.
Com uma curiosa inscrição na página electrónica da Federação Portuguesa de Futebol a dá-lo, no arranque da temporada de 1988/89, como elemento do plantel do Beira-Mar, o que consegui apurar é que, no que diz respeito às aparições em campo, na mencionada época, Matos apenas contabilizaria jogos oficiais pelo Portimonense. No Algarve, ainda a pelejar nos cenários competitivos da 1ª divisão, o defesa-lateral, embora utilizado com uma frequência bastante aceitável, não conseguiria recuperar os números alcançados em anos pretéritos. De seguida, consumada a descida do listado alvinegro e a fazer fé na informação dada pelo “site” mencionado no início deste parágrafo, o jogador, mais uma vez, apareceria no encetar da campanha a exibir-se com um emblema para, no que aos registos de jogo diz respeito, apenas contabilizar presenças já ao serviço de outra agremiação. No entanto, independentemente do momento em que haveria de verificar-se a transferência, o que mais interessa retirar dessa mudança, é que o jogador, ao deixar o Barlavento para regressar ao FC Barreirense, jamais voltaria a calçar as chuteiras no universo primodivisionário.
Depois, já encetado o derradeiro trecho da sua carreira com o ano passado no emblema onde havia concluído a formação, Matos, que findaria a vida de futebolista com o termo das provas agendadas para a temporada de 1993/94, também continuaria a alimentar uma fase mais errante da caminhada competitiva. Nesse sentido, com mudanças de agremiação a cada ano cumprido, o lateral-direito ainda viria a representar, apresentados por ordem cronológica, os grupos de trabalho do Vila Real, do Montijo e da Quimigal.

1718 - CAMACHO

Luís Lourenço Oliveira Camacho, após concluir o percurso formativo no Marítimo, teria a primeira inscrição sénior, mantendo-se ao serviço dos “Leões do Almirante Reis”, na temporada de 1978/79. No entanto, só final da campanha seguinte, numa altura em que a colectividade funchalense era orientada por António Medeiros, é que conseguiria estrear-se na equipa principal. Tendo sido, até a essa altura, tapado por colegas com maior tarimba, casos de Eduardinho, Valter, Bernardino Pedroto, Fernando Martins ou Vítor Gomes, a solução para o crescimento sustentado do jovem centrocampista acabaria a levá-lo na direcção de outro clube e durante um ano, mais concretamente na época de 1980/81, o jogador cumpria as suas funções como futebolista com as cores do União da Madeira.
O regresso de Camacho aos “Verde-rubros” apanharia o clube no patamar secundário. Tendo ajudado à vitória dos madeirenses no referido degrau, o médio, na campanha seguinte, voltaria a enfrentar os desafios do escalão maior. Todavia, tanto em termos colectivos, como na aferição individual das suas exibições, a temporada de 1982/83 ficaria bem abaixo dos objectivos traçados pelos responsáveis do Marítimo. A descida de patamar, resultado do antepenúltimo lugar na tabela classificativa da 1ª divisão, levaria o jogador, no que diz respeito ao convívio com os “grandes”, a um hiato de um par de anos. Ainda assim, a ligação entre o médio e o clube, reconhecida a sua utilidade e paixão pelo emblema insular, manter-se-ia firme e o retorno aos palcos principais do futebol português dar-se-ia em 1985/86.
Numa carreira que, nos anos a envergar o listado do Marítimo, ficaria vincada pelas diversas subidas e descidas de escalão, a verdade é que Camacho, aquando das suas passagens pela 1ª divisão, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis da agremiação sediada na cidade do Funchal. Mesmo com uma utilização bastante positiva na última campanha mencionada no parágrafo anterior, o completo ocaso que viveria no decurso da temporada de 1986/87 empurrá-lo-ia para uma nova cedência e o União da Madeira, dessa feita o plantel de 1987/88, voltaria a acolhê-lo nas contendas do patamar secundário.
Depois de mais uma campanha fraca ao serviço do Marítimo, Camacho, com as 9 épocas passadas na equipa principal funchalense a abrilhantarem o seu currículo competitivo, teria no termo das provas agendadas para 1988/89 o fim da ligação aos “Verde-rubros”. Daí em diante, tendo já cumprido meia dúzia de temporadas na 1ª divisão, o médio, sem nunca deixar o arquipélago da Madeira, teria nas pelejas dos escalões inferiores o seu derradeiro plateau. Nesse contexto futebolístico, Portosantense, Câmara de Lobos, ACD São Vicente e Ribeira Brava transformar-se-iam nas divisas a colorir os capítulos de um trajecto que, com a decisão de “pendurar as chuteiras”, conheceria o fim em 1994/95.

1698 - CALISTO

Cumprida a formação no Marítimo, Luís Calisto Nunes da Silva teria igualmente nos “Verde-rubros” a oportunidade de, na temporada de 1969/70, fazer a estreia no âmbito das competições seniores. No entanto, com o emblema sediado na cidade do Funchal impedido de participar nos diferentes patamares do Campeonato Nacional, as prestações do jovem médio acabariam, durante boa parte da carreira e tirando determinadas prerrogativas, restringidas às provas agendadas para o calendário futebolístico madeirense. Algumas dessas excepções emergiriam com as presenças dos “Leões do Almirante Reis” nas eliminatórias da Taça de Portugal. Na apelidada “Prova Rainha”, o jogador ajudaria o conjunto por si representado a ultrapassar diferentes adversários, chegando a agremiação insular, por um par de vezes, a atingir os oitavos-de-final da referida competição.
Já com o currículo embelezado por vários triunfos nas provas madeirenses, a época de 1973/74, durante a qual viria a ser orientado por Alberto Sachse, marcaria um ponto de viragem na carreira do centrocampista. Com o Marítimo, como o representante do arquipélago, autorizado a participar naquela que é a prova de maior relevo no cenário competitivo luso, Calisto começaria a também a marcar presença nas contendas da 2ª divisão. Ao lado de nomes míticos do emblema funchalense, casos de Ângelo Gomes, Tininho, Noémio, Eduardinho, Rui Gomes, Eduardo Luís, Olavo, Humberto ou Nélson, os anos seguintes à mencionada estreia serviriam para que o atleta conseguisse cimentar-se como um dos principais rostos da luta pelos lugares cimeiros da Zona Sul. Essa ambição, já com Pedro Gomes no comando da equipa, conheceria os seus frutos no final de 1976/77 e o patamar máximo, depois da conquista na 2ª divisão, tornar-se-ia no novo palco para o médio.
Consumada a subida de escalão, a temporada de 1977/78 daria a Calisto a ocasião de apresentar as suas qualidades entre os “grandes” do futebol português. Contudo, numa época em que, depois da saída do treinador responsável pela promoção, ainda seria orientado por Fernando Vaz, o jogador não conseguiria alcançar o protagonismo de anos anteriores. Tal facto, talvez tenha contribuído para a mudança de rumo na sua caminhada competitiva. Nesse sentido, o jogador, para a campanha de 1978/79, apresentar-se-ia como um dos reforços do União da Madeira. No novo clube, o médio passaria a disputar o 3º escalão. Porém, a grande alteração no seu trajecto desportivo surgiria com a entrada nos derradeiros capítulos da carreira e depois de 2 anos a envergar as cores do “União da Bola”, seria ao serviço do Portosantense que, no termo de 1980/81, viria a “pendurar as chuteiras”.
Paralelamente à paixão pelo futebol surgiria o seu gosto pelo jornalismo. No espaço da informação, tal como tinha conseguido no futebol, Calisto destacar-se-ia, ao longo dos anos, como uma das figuras mais respeitadas dos meios de comunicação madeirenses. Nesse campo de acção trabalharia em diferentes casas, nomeadamente na RTP Madeira, Diário de Notícias da Madeira, RDP Madeira e Tribuna da Madeira, onde, em todos os órgãos listados, chegaria ao cargo de director. Ao mesmo tempo, dedicaria o seu tempo aos livros, tendo sido o autor de diversos títulos sobre a Madeira e até sobre o Marítimo. Ainda no futebol, como um dos membros fundadores do emblema sediado na sua terra natal, seria de fulcral importância para a criação do Clube Sport Juventude de Gaula.

1692 - ÂNGELO GOMES

Filho de João Gomes, antigo atleta do Marítimo, Ângelo Gomes também seguiria as pegadas do pai e entraria para os juniores dos “Leões do Almirante Reis”. Em 1962/63 chegaria a sénior e depois de também passar pelos “reservas” do clube insular, acabaria por conseguir fixar-se no conjunto principal.
Como um intérprete dotado de uma belíssima técnica e com um enorme entendimento das diferentes dinâmicas inerentes à prática da modalidade, o jogador, preferencialmente a posicionar-se em diversas funções no sector intermediário, também chegaria a jogar como defesa. Com a enorme disponibilidade revelada dentro de campo e uma atitude pessoal igualmente irrepreensível, Ângelo depressa viria a consolidar-se como um dos símbolos dos “Insulares”. Cimentado como um dos principais esteios da equipa, o atleta viria a participar em variadíssimos momentos de grande importância histórica para o colectivo madeirense e depois de dar o seu enorme contributo em muitas das conquistas regionais, o regresso do Marítimo ao Campeonato Nacional sublinharia o médio como uma das maiores figuras da agremiação funchalense.
É certo que chegaria a ser “namorado” por emblemas do continente, nomeadamente pelo Vitória Futebol Clube comandado por Fernando Vaz. No entanto, porque as propostas não chegariam a interessar ao jogador ou porque a “Lei da Opção”, como seria o caso na aproximação aos “Sadinos”, viria a impedir a sua mudança, a verdade é que Ângelo, no decorrer da sua caminhada competitiva, nunca deixaria o Marítimo. Nesse sentido, numa altura em que já partilhava o balneário com o irmão Rui Gomes e com outros nomes como, Tininho, Noémio, Calisto ou Eduardinho, o médio faria parte do plantel que, sob a alçada do treinador Alberto Sachse, participaria, pela primeira vez na história, nas pelejas agendadas para a 2ª divisão.
Depois dessa campanha de 1973/74, onde logo os “Insulares” mostrariam intenções de lutar pelos lugares cimeiros da Zona Sul, o final da temporada de 1976/77, numa altura em que o Marítimo era comandado por Pedro Gomes, traria a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão e, por merecida consequência, a inédita promoção ao escalão maior do futebol luso.
Ângelo, como um dos mais experientes dos “Verde-rubros”, mesmo no convívio com os “grandes”, saberia, força da sua mestria com a bola nos pés, conservar em si a figura de um dos homens mais importantes nas pelejas primodivisionárias de 1977/78. Consumada essa época de arranque nos cenários da 1ª divisão, no decorrer da qual concorreria por um lugar no sector intermediário também com Valter e com Nélson, a verdade é que o atleta, fruto da sua veterania, perderia algum do fôlego de temporadas anteriores. Ainda assim, manter-se-ia preponderante para o cevar da força anímica, vontade tão necessária aos desempenhos colectivos. Tamanho peso, mantê-lo-ia, sempre no degrau maior, integrado no grupo de trabalho do Marítimo. Já o final da campanha de 1979/80, cumpridas, segundo os dados oficiais fornecidos pelo emblema madeirense, 627 partidas e 357 golos concretizados, traria, àquele que sempre será um dos grandes símbolos dos “Leões do Almirante Reis”, o “pendurar das chuteiras”.

1666 - JOÃO LUÍS

Filho de Ivo Martins, notável dirigente do Marítimo, e bisneto de Cândido Gouveia, um dos fundadores do emblema insular, João Luís Gouveia Martins só poderia ter nos “Verde-rubros” o seu clube de eleição. Nesse sentido, seria nas “escolas” dos “Leões do Almirante Reis” que o defesa-central cumpriria toda a formação. Também na transição para sénior, o jovem atleta encontraria nos “Barreiros” a sua “casa”. No entanto, com a referida passagem a acontecer ainda na temporada de 1985/86, só a campanha seguinte veria o atleta a estrear-se em campo pela equipa principal e essa última ronda do Campeonato Nacional de 1986/87, depois de lançado por Manuel de Oliveira, constituiria o arranque de uma caminhada na quase totalidade dedicada à colectividade do Funchal.
Apesar de ser um jovem talentoso, João Luís ainda demoraria alguns anos até conseguir impor-se como um dos principais elementos do plantel do Marítimo. Tal passo, após 4 campanhas de pouca utilização, dá-lo-ia na época de 1990/91. Orientado, no decorrer dessa temporada, inicialmente por Ferreira da Costa e, com a saída deste, por Paulo Autuori, o defesa-central ganharia a confiança de ambos os técnicos e, por consequência, conquistaria o estatuto de titular. Como um dos esteios do sector mais recuado da agremiação madeirense, o jogador tornar-se-ia um dos pilares do crescimento evidenciado pelo clube. Tal evolução consolidaria os “Insulares” na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa e a 1ª divisão de 1992/93 terminaria com o emblema funchalense num brilhante 5º lugar.
A posição referida no final do parágrafo anterior encaminharia o Marítimo para a estreia nas provas de índole continental. No entanto, apesar do louvor merecido ao colectivo, a verdade é que a temporada de 1993/94, em termos do desempenho individual, seria um pouco madrasta para João Luís. Ainda assim, apesar de perder o lugar no “onze”, o defesa-central, escalonado por Edinho para entrar em campo na condição de capitão de equipa, teria o orgulho de participar, frente ao Royal Antwerp, na 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça UEFA. Daí em diante, ultrapassado por outros colegas nas escolhas dos diferentes treinadores, a sua utilização ficaria bem abaixo daquilo a que tinha habituado os adeptos. Mesmo nas épocas seguintes, o atleta não voltaria, de forma incontestável, a recuperar a titularidade e, nesse sentido, assistiria à final da Taça de Portugal de 1994/95 a partir do banco de suplentes.
A temporada de 1995/96 tornar-se-ia na última de João Luís como atleta do Marítimo. Seguir-se-ia um par de campanhas com as cores do Machico e a decisão de “pendurar as chuteiras”, com o termo das provas agendadas para 1997/98. Alguns anos mais tarde, surgiriam na vida do antigo defesa as tarefas de técnico. Tais funções, encetadas à frente do Cruzado Canicense de 2003/04, levá-lo-iam a regressar aos “Leões do Almirante Reis”, para, durante alguns anos, treinar o conjunto “B”. De seguida, após as passagens por Pontassolense e Machico, surgiriam as oportunidades de trabalhar, como adjunto de Mariano Barreto, no Recreativo do Libolo, no Al-Ahli do Bahrain, nos sauditas do Al-Qadisiyah e no FC Stumbras da Lituânia. Aliás, seria no emblema de Kaunas que voltaria a estar à frente de uma equipa. Andando um pouco mais na sua cronologia profissional, ainda lideraria, sem sair do mencionado país báltico, o FK Zalgiris e o FK Panevezys. Depois retornaria a Portugal onde, novamente ao serviço dos “Verde-rubro” seria, entre 2021 e 2023, Presidente da SAD. Finalmente emergiria, mais uma vez, como treinador-principal, dessa feita ao serviço do plantel de 2024/25 do Camacha.

1629 - PAIVA

Com a formação terminada nas “escolas” do Marítimo, seria nos “Leões do Almirante Reis” que Marco Paulo Paiva Rocha, no decorrer da campanha de 1990/91 faria a transição para as provas de índole sénior. Chamado ao conjunto principal por Ferreira da Costa, o médio defensivo, após a partida do referido técnico e com a chegada ao comando dos “Insulares” do brasileiro Paulo Autuori, depressa conseguiria consolidar-se como um dos elementos mais importantes dos esquemas tácticos idealizados para as pelejas dos “Verde-rubro”.
Não só como um dos titulares do Marítimo, mas igualmente a sobressair-se como uma das grandes figuras da formação funchalense, Paiva seria chamado aos trabalhos dos grupos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído nos planos dos sub-21, o “trinco”, a 14 de Novembro de 1991, faria a estreia, no mencionado escalão, num desafio de preparação agendado frente a Angola. Depois dessa partida comandada pelo treinador Nelo Vingada, o jogador continuaria a merecer a confiança dos responsáveis técnicos da selecção e viria, por mais algumas vezes, a ser convocado a envergar a “camisola das quinas”. Nessa caminhada, a incluir um somatório de 7 jogos feitos pelos “esperanças” e a abranger também a participação na edição de 1993 do Torneio Internacional de Toulon, o médio-defensivo teria ainda a oportunidade de representar a equipa “A”. Numa altura em que já vestia as cores do Vitória Sport Clube, Humberto Coelho chamá-lo-ia para um “amigável” e frente a Moçambique, a 19 de Agosto de 1998, o atleta adicionaria ao currículo 1 internacionalização pelo principal conjunto de Portugal.
Com as cores do Marítimo, Paiva manter-se-ia, ao longo de 4 temporadas, como um dos principais pilares da equipa. Nesse contexto, seria uma das caras a ajudar o emblema da Madeira a atingir o 5º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1992/93. Tal feito, levaria o emblema sediado na cidade do Funchal a conseguir a qualificação para as provas de cariz continental. Já na disputa da Taça UEFA de 1993/94, o jogador, chamado à contenda por Edinho, participaria naquela que viria a tornar-se na ronda de estreia dos “Insulares” em competições além-fronteiras. Tamanha preponderância faria com que emblemas de outra monta começassem a interessar-se pela sua contratação. O Benfica seria a colectividade a convencer o atleta a mudar-se. No entanto, após ter participado, pelas “Águias”, na pré-temporada de 1994/95, o “trinco” seria dispensado por Artur Jorge e, emprestado ao Famalicão, acabaria a disputar a divisão de Honra.
Incluído no negócio da ida de Hassan para a Luz, Paiva, na campanha de 1995/96, daria continuidade à carreira ao serviço do Farense. No Algarve, mais uma vez à custa de uma estreia nas provas continentais, o atleta inscreveria o seu nome na história de outro clube. Comandado pelo catalão Paco Fortes, disputaria a Taça UEFA, numa ronda a contar também com o Olympique de Lyon. Seguir-se-ia mais uma temporada em que, para além de cimentar o estatuto de elemento primodivisionário, ainda conseguiria afirmar-se como um dos praticantes mais apetecíveis a jogar na sua posição. Essa aferição levá-lo-ia a nova transferência e a mudança para o Vitória Sport Clube dar-lhe-ia um novo impulso ao trajecto enquanto desportista.
No Minho a partir de 1997/98, um dos marcos alcançados pelo jogador, como já aludido neste texto, seria a internacionalização “A” por Portugal. Ainda nos anos a representar os “Conquistadores”, o médio-defensivo daria o seu contributo para diferentes momentos na história colectiva do clube, com principal realce para o 3º lugar no Campeonato Nacional, alcançado na temporada da sua chegada à “Cidade Berço”, ou para as qualificações para as provas sob a intendência da UEFA. Nesse contexto, onde poderei afirmar as 4 épocas por si passadas em Guimarães como o período mais consistente da sua carreira, a surpresa da sua partida apanharia desprevenido até o mais atento. De seguida, apresentado no Santa Clara como reforço do plantel de 2000/01, o atleta encetaria em Ponta Delgada o último trecho cumprido entre os “grandes”. Já com a descida da agremiação micaelense, a época de 2003/04 daria azo ao regresso de Paiva aos escalões secundários. Nesse cenário competitivo, naqueles que viriam a tornar-se nos últimos capítulos da sua caminhada como futebolista, o “trinco”, após envergar as camisolas do Maia, do União da Madeira e do Machico, decidir-se-ia pelo fim da senda competitiva, com o termo das provas agendadas para 2009/10.
Logo de seguida assumiria o comando técnico do Machico, numa carreira como técnico que, alguns anos depois, levá-lo-ia também a aceitar um cargo na estrutura de formação do Marítimo.

1603 - TEIXEIRINHA

Saído das “escolas” do FC Porto, Manuel Fernando da Silva Teixeira, popularizado no mundo do desporto como Teixeirinha, chegaria à equipa principal dos “Azuis e Brancos” na temporada de 1975/76 e já com o estatuto de internacional a colorir-lhe o trajecto. Por Portugal, o defesa-central haveria de ser chamado à estreia no contexto competitivo dos actuais sub-18. Essa partida frente aos Países Baixos, disputada a 23 de Março de 1975, serviria de arranque para uma senda a levá-lo a um total de 17 jogos cumpridos com as cores lusas. Nessa vivência com a “camisola das quinas” viriam igualmente a ser incluídas as pelejas pelos “esperanças” e pela equipa “B” e o maior destaque surgiria com as chamadas para o Torneio de Toulon de 1976 e de 1977.
De regresso ao FC Porto, inicialmente ultrapassado por elementos mais experientes, casos de Simões ou de Carlos Alhinho, a estreia sénior para o defesa-central chegaria, no decorrer da campanha aludida no parágrafo anterior, pelas mãos de Monteiro da Costa. Porém, após a estreia numa partida a contar para a 1ª divisão, o jovem jogador, nas temporadas seguintes, poucas oportunidades conseguiria alcançar. Sem espaço nos “Dragões”, o atleta arrancaria num périplo a levá-lo a diferentes colectividades. Já com o palmarés recheado pelas conquistas de 1 Taça de Portugal e de 1 Campeonato Nacional, ambos os troféus vencidos sob a intendência de José Maria Pedroto, a entrada no plantel de 1978/79 do Académico de Viseu, muito mais do que conferir experiência, começaria por ajudá-lo a cimentar-se como um praticante de qualidade bem acima da média. Sem sair do escalão máximo, depois da época cumprida no Fontelo, o defesa ainda envergaria as camisolas do Beira-Mar e do Vitória Futebol Clube. Tanto no emblema de Aveiro, como a representar os “Sadinos”, Teixeirinha, com a titularidade assegurada em ambas as agremiações, categorizar-se-ia como um intérprete de indubitável cariz primodivisionário. Tal preponderância, onde o treinador Rodrigues Dias desempenharia um papel fulcral, empurrá-lo-ia de novo para as cogitações dos “Azuis e Brancos” e o regresso às Antas aconteceria na temporada de 1981/82.
Outras 3 campanhas no plantel dos “Dragões”, não trariam ao defesa-central muito mais do que algumas partidas disputadas nas provas agendadas para as respectivas temporadas. Com o triunfo numa Supertaça a preencher o seu currículo e a participação na caminhada da Taça dos Vencedores das Taças a levar o FC Porto, em 1983/84, à primeira final nas competições organizadas pela UEFA, Teixeirinha acabaria por abandonar o conjunto da “Cidade Invicta”. Outra vez sem grandes oportunidades sob a alçada de José Maria Pedroto, seguir-se-ia, dessa feita, o Vitória Sport Clube orientado por Raymond Goethals. No entanto, apesar de aceitáveis os números alcançados na passagem de 2 anos pelo emblema minhoto, a modéstia da temporada de 1985/86, na qual trabalharia com um velho conhecido do tempo nas Antas, o técnico António Morais, levá-lo-ia a mudar de colectividade e a escolher o Marítimo para prosseguir a carreira.
Na Madeira acabaria por conhecer o emblema mais representativo da caminhada enquanto futebolista. Nos “ Leões do Almirante Reis”, as 4 temporadas aí cumpridas, entregar-lhe-iam, quase sempre, o lugar de titular. Muita da tranquilidade das campanhas feitas pelo Marítimo na 1ª divisão, dever-se-ia à segurança oferecida pelo jogador ao sector mais recuado dos funchalenses. Mesmo tendo em conta a veterania ou a concorrência de diversos craques, como Oliveira, Carlos Jorge, Colin Hill, entre outros, o defesa saberia conservar o estatuto dentro da equipa. Para consolidar uma caminhada notável, faltaria juntar à carreira a passagem pelo Penafiel de 1990/91, a qual daria ao atleta um cômputo de 16 campanhas feitas no patamar maior do futebol luso. Para terminar, resta-me apenas fazer alusão à campanha de 1991/92, ao serviço da Ovarense, onde Teixeirinha viria a “pendurar as chuteiras”.

1588 - GOTTARDO

Lançado pelo União Barbarense, emblema da sua cidade natal, seria a contratação por parte do Guarani que lançaria o defesa-central na ribalta do futebol brasileiro. No conjunto sediado em Campinas a partir da temporada de 1982, nesse momento e nos anos vindouros, o jogador passaria a partilhar o balneário com nomes bem conhecidos do futebol português, casos de João Luiz, Roldão, Ricardo Rocha, Chiquinho Carioca, Gil Baiano, Zé Mário, Moroni e Marlon Brandão. Como um dos elementos do plantel chamado ao “onze” com bastante regularidade, o atleta começaria a ver a sua cotação a crescer e seria após uma curta experiência ao serviço do Náutico que o atleta teria no Botafogo o maior interessado na sua contratação.
Com a entrada no emblema “carioca” a acontecer na campanha de 1987, os anos seguintes, onde manteria a preponderância de épocas anteriores, empurrá-lo-iam para as vitórias nos“estaduais” de 1989 e de 1990. No entanto, apesar dos sucessos colectivos alcançados ao lado de Luís Gustavo ou de Donizete, Wilson Gottardo, talvez à procura de outros voos, decidiria mudar novamente de emblema. A verdade é que a aposta no Flamengo de 1991 viria a tornar-se na mais acertada e o defesa, logo no ano da chegada ao “Mengão”, estrear-se-ia pela principal selecção do Brasil. Integrado no “Escrete”, participaria na edição de 1991 da Copa América. No certame organizado no Chile, comandado por Falcão e ao lado de Ricardo Rocha e Branco, alinharia em 3 partidas como titular, mas veria a Argentina vencer o torneio. De volta ao percurso clubístico, as conquistas do “Rubro- negro” acrescentariam mais troféus ao seu palmarés pessoal e ao “estadual” e à Copa Rio de 1991, o atleta ainda somaria o “Brasileirão” de 1992.
Como um dos jogadores mais conceituados no Brasil, Gottardo, para a temporada de 1993/94, seria apresentado como o principal reforço do Marítimo. Inicialmente orientado por Edinho para, mais tarde, passar a ser treinado por Paulo Autuori, o defesa-central entraria para a história do emblema madeirense, como um dos elementos a participar na estreia dos “Insulares” nas competições de índole continental. Na Taça UEFA seria chamado à 1ª mão do embate frente ao Royal Antwerp, mas depois da presença em campo na derrota forasteira por 2-0, o jogador veria a agremiação belga a passar para a ronda seguinte.
Também no plano das provas internas, a passagem de Gottardo por Portugal não seria a mais pródiga. Apesar de utilizado com regularidade, algumas lesões atrapalhariam a sua afirmação no plantel dos “Leões do Almirante Reis”. Ao procurar tratar-se das mazelas num joelho, alguns meses após a chegada ao Funchal, o defesa-central regressaria ao Brasil e com a recuperação concluída assinaria um novo contrato com o Botafogo. No “Estrela Solitária”, integrado no plantel de 1994, o atleta iniciaria mais uma senda marcada pelo sucesso. Nesse sentido, com um curto empréstimo ao São Paulo pelo meio, o jogador seria figura fulcral na conquista, sob a alçada técnica de Paulo Autuori e lado-a-lado com o seu irmão Gerson Gottardo, do “Brasileirão” de 1995.
Após deixar o listado alvinegro por suposto atraso nos pagamentos salariais, o jogador prosseguiria a carreira no Fluminense de 1997. Seguir-se-ia, ainda no decorrer da mesma temporada, o Cruzeiro. Com a chegada a Minas Gerais, à imagem de momentos anteriormente vividos, o defesa-central tornar-se-ia numa das principais figuras dos desenhos tácticos da equipa. A referida preponderância, tal como no Botafogo, entregar-lhe-ia a braçadeira de capitão e, para além dessa responsabilidade, teria também o privilégio de vencer pelo colectivo de Belo Horizonte o Campeonato Mineiro de 1997 e de 1998, a Copa Libertadores de 1997 e a Recopa Sul-americana de 1998.
Com a carreira como futebolista a conhecer o fim ao serviço do Sport Recife, onde ainda venceria o Campeonato Pernambucano de 1999, a nova ligação de Wilson Gottardo com a modalidade seria já nas tarefas de treinador. Nas referidas funções, o antigo defesa passaria por diversos emblemas e para além de abraçar os projectos do Vila Nova, Bonsucesso, São José, Tupi ou CRAC Catalão, ainda aceitaria representar o Botafogo e o Resende, mas como dirigente.

1567 - BLAGOJEVIC

Nascido na Bósnia-Herzegovina ainda no contexto da antiga Jugoslávia, Cvijetin Blagojevic iniciaria a sua caminhada sénior na temporada de 1976/77, ao serviço do FK Sloboda Tuzla. No emblema da sua região natal, depressa começaria a dar sinais de uma enorme qualidade técnica e de um entendimento do jogo acima da média. Esses predicados fariam com que emblemas de outra monta começassem a ir no seu encalço, com especial destaque para as duas principais colectividades sediadas na capital Belgrado. No entanto, com o Partizan inicialmente a oferecer-lhe uma boa proposta, a escolha do jovem atleta recairia no desafio lançado pelo Estrela Vermelha e a transferência para os de vermelho e branco aconteceria na temporada de 1978/79.
Logo na campanha de entrada no novo emblema, o médio-ala depressa alcançaria uma posição de destaque no plantel. Arrolado amiúde às pelejas futebolísticas, Blagojevic seria premiado pelo treinador Branko Stankovic com a chamada à final da Taça UEFA. Frente aos alemães do Borussia Mönchengladbach, o atleta participaria em ambas as mãos da decisiva ronda europeia. Infelizmente para os do seu lado, os germânicos, onde marcavam presença Simonsen ou Vogts, levariam a melhor. Todavia, os títulos não faltariam à sua caminhada competitiva e num grupo de trabalho onde, ao longo dos anos, partilharia o balneário com imensos craques, de onde destacaria, pela proximidade ao desporto luso, Zoran Filipovic, Zivanovic e Ivkovic, o médio-ala ainda arrecadaria para o palmarés pessoal a conquista de 3 Campeonatos e de 1 Taça da Jugoslávia.
Cumpridas praticamente 6 temporadas com a camisola da agremiação sediada em Belgrado, durante as quais disputaria 141 jogos oficiais, Blagojevic, com a abertura do Bloco de Leste, iniciaria um périplo por outros países da Europa. A primeira paragem, ainda no decorrer da temporada de 1983/84, seria nos gregos do Egaleo. De seguida viria a experiência nos suecos do Vasalunds IF, para, na época de 1985/86, aterrar em Portugal. Apresentado como reforço do Marítimo, o médio-ala, ao sublinhar as suas qualidades, conseguiria adaptar-se com relativa facilidade às competições portuguesas. Mesmo a entrar na veterania, o jogador afirmar-se-ia como uma das figuras do grupo de trabalho funchalense. Inicialmente à guarda de Mário Nunes, para, com a saída do aludido treinador, passar a trabalhar sob os comandos de António Oliveira, o jugoslavo contribuiria em boa parte para os objectivos do colectivo insular e deixaria a sua marca no tranquilo 12º posto da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Ao deixar o arquipélago da Madeira e após terminar a carreira de futebolista, num regresso a casa, integrado no plantel 1986/87 do FK Sloboda Tuzla, Cvijetin Blagojevic passaria a dedicar-se às tarefas de técnico. Ao abraçar tais funções, o antigo médio-ala, no começo, voltaria à Suécia, para, em Estocolmo, treinar o FK Sumarice e o FC Plavi. Seguir-se-iam emblemas da antiga Jugoslávia, rol onde o treinador acabaria por englobar o Zeleznik, Kozara Gradiska, Radnicki Obrenovac, Radnicki Pirot, Radnik Surdulica, Drina Zvornik ou as camadas jovens do Estrela Vermelha de Belgrado.

1534 - VAN DER STRAETEN

Após terminar o percurso formativo nas “escolas” do KVC Jong Lede, seria com as cores do do referiemblema do norte da Bélgica que Yves van der Straeten, na temporada de 1987/88, iniciaria o percurso como sénior. Guarda-redes de bons predicados, não tardaria muito até começar a chamar a atenção de outros conjuntos. A evolução promissora, revelada logo durante os primeiros anos da carreira, faria com que o RC Malines decidisse endereçar-lhe um convite. Ao aceitar o repto, a mudança dar-se-ia na campanha de 1990/91. Porém, apesar da egrégia existência do seu novo clube, a verdade é que o guardião haveria de apanhar a colectividade numa fase menos boa da sua história. Ainda assim, a passagem pela 2ª divisão do seu país natal daria frutos e o atleta, sensivelmente 3 anos após chegar à agremiação da Flandres, subiria de patamar competitivo.
A chegada ao Royal Antwerp como reforço para a temporada de 1993/94, não só abriria as portas do escalão maior ao jogador, como, num altura em que já era visto como um dos elementos mais preponderantes do plantel, daria ao guardião visibilidade suficiente para que da Royal Belgium Football Association começassem a olhar para si como um elemento a ter em conta. Nesse sentido, após ter jogado 1 vez pela equipa “B”, van der Straeten seria convocado ao conjunto principal. Arrolado por Wilfried Van Moer, o jogador, a 24 de Abril de 1996, teria a oportunidade de, pela primeira vez, ser chamado a sentar-se no banco de reservas. Curiosamente, depois desse amigável frente à Rússia, o atleta, especificamente em Maio de 1996, Outubro de 2000 e Março de 2003, voltaria a aparecer na lista de eleitos a representar a selecção. Todavia, a sorte não estaria do lado do guarda-redes e em nenhuma dessas situações conseguiria passar da condição de suplente não utilizado.
No que concerne ao percurso clubístico, van der Straeten, com a titularidade perdida na Bélgica, acabaria por trocar, sensivelmente a meio da campanha de 1996/97, o Royal Antwerp pelo Marítimo. No Funchal depressa asseguraria um lugar no “onze” do conjunto madeirense e ao estrear-se, pela mão de Manuel José, à 15ª jornada do Campeonato Nacional, depressa conquistaria um lugar de destaque. Daí em diante, nas 3 épocas e meia em que o jogador representaria o emblema insular, seriam raras as vezes em que a baliza dos “Leões do Almirante Reis” a ele não haveria de ser entregue. Como “dono” da posição mais recuada no rectângulo de jogo, o guardião transformar-se-ia num dos principais responsáveis por alguns dos marcos atingidos pelos “Verde-rubro”. Um dos melhores exemplos seria o 5º lugar na tabela classificativa de 1997/98 e o apuramento para a Taça UEFA do ano seguinte, prova na qual, frente aos ingleses do Leeds United, o conjunto luso seria eliminado apenas no desempate por grandes penalidades.
Ao deixar o Marítimo com o termo das provas agendadas para a campanha de 1999/00, Yves van der Straeten regressaria à Bélgica e ao patamar máximo daquele país. Seguir-se-ia, então, o Lierse, emblema que, ao defender por meia dúzia de épocas, haveria de tornar-se na insígnia mais representativa da sua caminhada enquanto praticante. Mais tarde ainda vestiria as cores do SK Berlare, colectividade onde faria a transição para o papel de treinador. Nessas funções, o antigo guarda-redes tem trabalhado nas provas organizadas no seu país, onde também já orientou agremiações como o Eendracht Zele, o KSV Temse ou o KRC Gent.

1502 - EUSÉBIO

Apesar de ter passado pelas “escolas” de vários emblemas da Madeira, seria com a camisola do Marítimo que Eusébio Malho Sousa terminaria o percurso formativo. Ao subir à equipa principal no decorrer da temporada de 1992/93, o defesa-esquerdo participaria logo numa campanha histórica para o emblema insular. Com o 5º posto no Campeonato Nacional, alcançado com o termo da campanha de estreia do lateral como sénior, os “Verde-rubro” conquistariam, pela primeira vez na existência da colectividade, o direito de participar nas competições de índole continental. Na edição de 1993/94 da Taça UEFA, aos “Leões do Almirante Reis” calharia em sorte o Royal Antwerp. O jovem jogador, chamado ao embate pelo técnico Paulo Autuori, entraria em campo no decorrer da partida referente à 1ª mão da 1ª eliminatória. Porém, para infelicidade do conjunto luso, seriam os belgas a passar a referida ronda.
Depois deste arranque inolvidável, demorariam ainda alguns anos até Eusébio conseguir afirmar-se, de forma indiscutível, como merecedor de um lugar no “onze” da agremiação funchalense. Com o sentido de ganhar alguma experiência, o primeiro empréstimo ocorreria com a campanha de 1994/95 em andamento e levá-lo-ia até ao Sporting de Espinho. A passagem pela divisão de Honra e pelos “Tigres da Costa Verde” não seria de todo negativa. No entanto, o traquejo ganho não seria suficiente para alcançar a meta da titularidade. Para tal, seria necessária outra cedência e após cumprir uma época com as cores do Camacha, o jogador regressaria ao Estádio dos Barreiros.
Já com outra preparação e de volta ao Marítimo para integrar o plantel de 1997/98, o atleta encontraria Augusto Inácio no comando técnico da equipa insular. Sob a alçada do referido treinador, o lateral canhoto assumir-se-ia como um dos grandes esteios da agremiação funchalense. Nessa época e nas duas seguintes, Eusébio ganharia e manteria a titularidade. O pior emergiria com a temporada de 2000/01, na qual uma grave lesão num dos joelhos empurraria o jogador para o calvário de uma longa recuperação. Para agravar o problema, o defesa acabaria também por falhar a final da Taça de Portugal. A verdade é que daí em diante o jogador começaria, gradualmente, a perder algum do habitual fulgor e mesmo com registos aferidos como suficientes para justificar a sua continuidade no grupo de trabalho, o lateral começaria a perder alguma importância nos desenhos tácticos do conjunto madeirense.
Curiosamente, seria numa época de bons números que Eusébio veria a sua ligação ao Marítimo terminar. Dispensado com o fim da temporada de 2004/05, o defesa despedir-se-ia do clube mais representativo da sua carreira, como um dos nomes históricos dos “Leões do Almirante Reis” – “Apaixonei-me pela bola com a camisola verde-rubra vestida. Foram 388 jogos e não foram mais porque os problemas físicos não me deixaram”*. Já a solução para o seu caminho profissional surgiria vinda do continente. No Estrela da Amadora de 2005/06, o atleta continuaria a esgrimir-se no contexto primodivisionário. No entanto, a campanha feita a trabalhar sob o comando de Toni Conceição, ficaria bem abaixo das expectativas e um ano após a chegada à Reboleira, o lateral-esquerdo decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.

*retirado do artigo de João Manuel Fernandes, publicado a 14/09/2018, em www.record.pt

1483 - PAULO RICARDO

Não tendo conseguido encontrar mais informações que permitissem adicionar outros dados àquilo que terão sido os primeiros anos da caminhada futebolística de Paulo Ricardo dos Santos, parece certo que a primeira metade da época de 1982, tal como a campanha de 1981, terá sido cumprida ao serviço do Esporte Clube Novo Hamburgo. Nesse sentido, acabaria por ser do emblema “gaúcho” que o atacante sairia para o Vitória Sport Clube, mas não sem uma atribulada passagem por Espanha – “Estive lá três meses mas, como era estrangeiro, tinha de casar para assinar contrato. Na altura estava com 22 anos e nem tinha namorada. Recusei essa situação, está a perceber? Vim para Portugal com o meu agente desportivo e cheguei ao V. Guimarães, onde o técnico Manuel José e o presidente Pimenta Machado me acolheram bem. Foram três anos maravilhosos”*.
Integrado no plantel de 1982/83 do emblema minhoto referido no parágrafo anterior, o avançado, aos poucos, começaria a ganhar o seu espaço no grupo de trabalho. Nesse trajecto, ao ajudar o conjunto vimaranense na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa do Campeonato Nacional, Paulo Ricardo, consequência do 4º posto conquistado com o termo da sua primeira época em Portugal, viveria um dos momentos de maior destaque e, na temporada de 1983/84, participaria na eliminatória da Taça UEFA, frente aos ingleses do Aston Villa.
Curiosamente, seria no ano de menor sucesso colectivo que o jogador mais preponderância haveria conquistar no Vitória Sport Clube. As boas exibições levá-lo-iam a uma nova transferência e, com Paquito como companheiro da viagem, Paulo Ricardo acabaria apresentado como reforço do FC Porto de 1985/86. Nos “Dragões” orientados por Artur Jorge, apesar de pouco utilizado, o atacante teria a oportunidade de viver os momentos mais gloriosos de toda a sua carreira e, com isso, vencer troféus de enorme monta. Nesse rol, na campanha de estreia nas Antas, começaria pela conquista do Campeonato Nacional. Porém, o maior destaque merecê-lo-ia na temporada seguinte quando, ao completar 90 minutos na 2ª mão da eliminatória frente aos malteses do Rabat Ajax, entraria na lista de atletas vencedores da edição de 1986/87 da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Apesar das importantes conquistas enquanto atleta dos “Azuis e Brancos”, a falta de partidas disputadas pela equipa nortenha, levaria o jogador a mudar de rumo. No Marítimo a partir de 1987/88, Paulo Ricardo voltaria à titularidade. Desde a chegada à Madeira, nesse caso concreto a trabalhar com o treinador Manuel de Oliveira, o avançado notabilizar-se-ia como um dos nomes mais vezes inscritos na ficha de jogo. Seria ainda sob a alçada do mencionado técnico que viveria outro momento marcante e que, com o golo da sua autoria, daria aos insulares a primeira vitória frente às “Águias” – “Foi uma perda de bola do lado esquerdo do Benfica e o Jorge Silva, que era um jogador rápido e muito bom em termos técnicos, ganhou a bola, progrediu para a frente e cruzou da linha de fundo. Eu antecipei-me aos centrais e consegui rematar para longe do Silvino”*.
A suceder a passagem de 3 anos pelo Funchal, Paulo Ricardo mudar-se-ia para o plantel de 1990/91 do Portimonense, onde haveria de encontrar-se novamente com Manuel de Oliveira. No entanto, a jornada a levá-lo para o Algarve traduzir-se-ia, ao fim de 8 campanhas sucessivas na disputa do escalão maior do futebol luso, no encetar de um trajecto longe dos palcos primodivisionários. Nessa derradeira fase da carreira de futebolista, o atacante teria ainda tempo para, nos dois anos seguintes ao passado no Barlavento, envergar os emblemas de Varzim e Académico de Viseu.

*retirado do artigo de David Marques, publicado a 02/03/2018, em https://maisfutebol.iol.pt

1445 - HEITOR

Tendo, durante o percurso formativo, transitado do Guarani para o Ponte Preta, seria no emblema de Campinas que, depois de ajudar à conquista do título sub-20 paulista de 1982, Heitor Camarin Júnior seria promovido ao plantel sénior de 1983. Seria também durante o último ano referido que o lateral acabaria chamado, pela selecção brasileira de sub-20, a disputar dois importantes certames. Após ajudar a vencer o Sudamericano, o jovem atleta viria também a ser convocado à disputa do Campeonato do Mundo da categoria. No torneio organizado no México, ao lado de Dunga, Bebeto ou Jorginho e de outros nomes bem conhecidos do futebol luso como Aloísio, Guto ou o guardião Hugo, o defesa faria parte do “onze” inicial escolhido para a final e, frente à Argentina, auxiliaria a “Canarinha” a conquistar o ceptro mundial.
No que diz respeito à sua carreira clubística, o emblema seguinte seria o Flamengo. Com a entrada na Gávea em 1983, Heitor passaria a partilhar o balneário com Mozer, Carlos Alberto, Zico, Leandro, Júnior, Baltazar, entre outros grandes nomes do futebol brasileiro. Todavia, num grupo de tanto valor, as oportunidades não seriam muitas e a mudança para o Náutico serviria para dar maior traquejo ao defesa. Na colectividade sediada no Recife, as exibições conseguidas, mormente em partidas a contar para o “Brasileirão”, levariam o Vasco da Gama a olhar para si como um bom reforço. Nesse sentido, pouco tempo depois da mudança para o Estado de Pernambuco, surgiria a transferência para os “Cruzmaltinos” e, num emblema com origens lusas, seguir-se-ia a cobiça de emblemas sediados em Portugal.
Após aceitar o convite do Vitória Sport Clube, a mudança para Guimarães dar-se-ia na temporada de 1986/87. Orientado pelo conterrâneo Marinho Peres, ainda que pouco utilizado, o defesa teria a oportunidade de entrar em campo em algumas partidas a contar para a Taça UEFA. Numa competição em que o emblema minhoto chegaria aos quartos-de-final, as pelejas disputadas na eliminatória agora mencionada, revelariam Heitor, muito mais do que desacertado, com um enorme azar. Frente aos germânicos do Borussia Mönchengladbach treinado por Jupp Heynckes, o lateral seria chamado às duas mãos. Porém, em ambos os jogos, que ditariam o afastamento do conjunto luso, teria a infelicidade de marcar um autogolo. Aliás, muitos afirmariam que seria esse infortúnio a carimbar a sua saída do clube. A verdade dificilmente a saberemos, mas o certo é que a temporada seguinte apresentar-lhe-ia outra camisola.
Com a chegada ao Nacional da Madeira a ocorrer na temporada de 1987/88, seria a disputa do escalão secundário a dar a Heitor a chance de entrar na história da colectividade insular. Membro integrante do conjunto a carimbar, nessa mesma época, a subida de escalão, a consequência maior desse passo inicial emergiria com o arranque dos “Alvinegros” nas contendas da 1ª divisão. Seguir-se-iam, após a estreia colectiva nos contextos primodivisionários, outro par de campanhas na companhia dos “grandes”. Porém, a descida do clube no final do Campeonato Nacional de 1990/91, precipitaria a sua saída e a transferência para os rivais do Marítimo.
Nos “Leões do Almirante Reis” a partir de 1991/92, Heitor voltaria a trabalhar sob as ordens do treinador que o tinha recebido no Nacional. Com Paulo Autuori no comando técnico, o lateral manteria a preponderância revelada em temporadas anteriores. Pautando-se como um dos habituais titulares, o defesa tornar-se-ia num dos pilares de uma página histórica para o conjunto da ilha da Madeira. Sempre a afrontar os lugares cimeiros da tabela classificativa, o colectivo funchalense conseguiria terminar a campanha de 1992/93 no 5º posto do Campeonato Nacional. Já depois de uma abordagem feita pelo Benfica no sentido de contratar o atleta, mas rejeitada pelo Marítimo, o jogador acompanharia os “Verde-rubro” na estreia nas competições de âmbito continental. Na eliminatória inicial da Taça UEFA, frente ao Royal Antwerp, o brasileiro entraria em campo na 2ª mão, mas nem o golo por si concretizado seria suficiente para eliminar o agremiado belga.
Ainda como atleta do Marítimo, Heitor participaria em outros momentos merecedores de destaque. Nesse sentido, muito para além de, no calendário para 1994/95, repetir a presença na Taça UEFA, ainda no mesmo ano seria a Taça de Portugal a trazer uma novidade para a sua carreira. Curiosamente, a presença na final da competição apelidada como a “Prova Rainha”, na qual entraria de início e de onde sairia o Sporting como vencedor, marcaria o fim da sua caminhada como atleta.
Após “pendurar as chuteiras”, numa caminhada que sublinharia a sua habilidade para os lances de bola parada, mormente os livres-directos, Heitor passaria a dedicar-se a outras actividades. O antigo atleta, dono de um forte pontapé e que, com 35 golos marcados em Portugal, findaria o trajecto desportivo no segundo lugar dos defesas que, no Campeonato Nacional, mais golos somaria, passaria a ocupar o seu tempo nas actividades agrícolas. Mais tarde surgiria a política e depois de experimentar as tarefas de vereador, acabaria eleito como o Perfeito de Laranjal Paulista.

1409 - ARNALDO SILVA

Ao emergir dos juniores do Vitória Futebol Clube, Arnaldo Silva chegaria à equipa principal dos “Sadinos” na época de 1969/70. Com a sua estreia na 1ª divisão a ser promovida por José Maria Pedroto, o jovem praticante esbarraria na forte presença de Arcanjo. Com o referido colega a ser o preferido no delinear do esquema táctico, o jogador de origem guineense, na disputa por um lugar no sector mais ofensivo, ainda teria de enfrentar, também no encetar da caminhada sénior, a concorrência de Vítor Batista e do “magriço” Figueiredo. Parcamente utilizado, a verdade é que o ponta-de-lança continuaria a ser encarado como uma grande promessa saída das “escolas” do emblema sediado na cidade de Setúbal. Por essa razão, o avançado-centro manter-se-ia pelo Bonfim durante mais uma temporada. Porém, o Serviço Militar Obrigatório viria, de alguma forma, a atrapalhar a evolução do atleta. Integrado no contingente com destino a Angola, a solução encontrada para o seguimento da sua carreira surgiria no Benfica de Luanda. Já a viagem de volta à metrópole levá-lo-ia de novo a vestir o listado verde e branco. No entanto, com poucas presenças em campo em 1974/75, o atacante acabaria por ver a sua ligação aos “Sadinos” a terminar com o final da campanha de regresso a Portugal.
Com o intuito de jogar mais, seguir-se-ia a sua integração no plantel de 1975/76 do Esperança de Lagos. Com o emblema algarvio, pela primeira vez na história, a disputar a 2ª divisão, Arnaldo Silva tornar-se-ia num dos grandes destaques do grupo de trabalho sob a alçada do treinador Valentim Alexandre. Ao terminar a referida época como o melhor marcador da equipa do Barlavento, o atacante começaria a ser cobiçado por outros emblemas. Nesse sentido, com o Marítimo a ganhar a corrida pelo seu concurso, o jogador cumpriria a campanha de 1976/77 na Madeira. No “Leão do Almirante Reis”, o avançado começaria por conquistar as preferências de Pedro Gomes. Todavia, o grande momento dessa primeira época no Funchal surgiria nas últimas jornadas do Campeonato. Com os “Verde-rubro” a receber o Olhanense, o ponta-de-lança marcaria o último golo da vitória por 4-0 e, com a goleada frente aos algarvios, ajudaria a selar a subida de patamar e a carimbar a consequente estreia da colectividade insular nas lides da 1ª divisão.
Curiosamente, apesar da sua importância na promoção da agremiação funchalense, Arnaldo Silva deixaria os Barreiros. A época de 1977/78, continuando a alimentar aquela que terá sido a melhor fase da sua carreira, passá-la-ia ao serviço do Portimonense. Após o ano realizado no Algarve e que representaria o regresso do avançado à 1ª divisão, o jogador voltaria à ilha da Madeira. Pela segunda vez a envergar as cores do Marítimo, o atacante continuaria a sublinhar-se como um intérprete muito poderoso fisicamente e com habilidade suficiente para justificar a presença nos “plateaus” primodivisionários. Essa ideia, ainda com o atleta a vogar pelos principais palcos do futebol luso, desvanecer-se-ia nos anos vindouros, com a perda de algum fulgor. No escalão máximo, mas com números modestos, o ponta-de-lança ainda representaria o Académico de Viseu e o Belenenses. Já numa fase marcadamente descendente e errante, tempo ainda para várias participações nos degraus secundários e em emblemas como o Beira-Mar, Torreense, Cova da Piedade, Vasco da Gama de Sines, Seixal e Amora.

1363 - TININHO

Tendo feito a temporada de 1971/72 entre os juniores e as “reservas”, António Egídio Fernandes, conhecido no mundo do futebol como Tininho, passaria a campanha seguinte já na equipa principal do Marítimo. Com o conjunto insular apenas na disputa das provas regionais, a época de 1972/73 tornar-se-ia num marco para o clube sediado na cidade do Funchal. Autorizados a discutir as competições de cariz nacional, os “verde-rubros” participariam na Liguilha de acesso à 2ª divisão e, depois de alguns “faits-divers” burocráticos, lá conseguiriam o tão almejado lugar.
Naquele que viria a ser o jogo de estreia do Marítimo no escalão secundário do Campeonato Nacional, Tininho seria escolhido pelo técnico Alberto Sachse para, frente à União de Leiria, incorporar o “onze” funchalense. Daí em diante, como um praticante de índole ofensiva que, no terreno de jogo, podia colocar-se tanto a extremo como a interior, o jogador passaria a assumir-se como um elemento preponderante nas manobras tácticas do conjunto madeirense. Nesse sentido, já com o fim da temporada de 1976/77 à vista, o atleta também seria escolhido para aquela que viria a tornar-se na partida a selar a primeira subida do clube ao escalão principal do futebol português. Frente ao Olhanense, numa ronda disputada no Estádio dos Barreiros, o treinador Pedro Gomes haveria de chamá-lo o ao “onze” inicial e, com o encontro a terminar num 4-0 favorável aos da casa, Tininho daria o seu contributo para a concretização da subida dos “Leões do Almirante Reis” – “Sempre que me lembro desse momento vem-me sempre à cabeça a enchente do Estádio dos Barreiros, quase 30 mil pessoas. Havia gente por todos os lados de pé a apoiar o Marítimo. Só de me lembrar começo a ficar todo arrepiado”*.
Com o início da caminhada de Tininho na 1ª divisão a acontecer na temporada de 1977/78, a mencionada campanha, em termos individuais e também colectivos, corresponderiam às projectadas expectativas. Curiosamente, mesmo ao manter-se como um dos titulares e de ver a sua equipa conseguir a manutenção, o jogador decidir-se-ia pela mudança de emblema e, num regresso ao patamar secundário, assinaria por um emblema do continente. No Rio Ave a partir de 1978/79, a época de estreia pelos vilacondenses daria ao currículo do atacante nova promoção. Porém, ao contrário do ano vivido com o Marítimo no convívio com os “grandes”, o atleta já não conseguiria alcançar números tão faustosos. Talvez por essa razão, a sua preferência para o passo seguinte acabaria por levá-lo de volta à ilha da Madeira, opção que haveria de pôr um fim ao seu trajecto primodivisionário.
Daí em diante, Tininho passaria a alterar períodos a representar emblemas madeirenses, com novas passagens por colectividades do continente. Nacional da Madeira, União de Leiria, União da Madeira, Torreense e Câmara de Lobos preencheriam o resto da sua carreira. Numa senda um pouco errante, mas que ainda prolongaria o seu trajecto no futebol por quase uma década, o jogador decidiria “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 1988/89.

*retirado do artigo escrito por João Sá, publicado a 15/05/2021 em www.csmaritimo.org.pt

1339 - NOÉMIO

Com a totalidade do percurso futebolístico dedicado ao Marítimo, Noémio, ao jogar em três décadas diferentes pelo emblema madeirense, tornar-se-ia parte integrante de vários momentos de cabal importância para a vida da colectividade insular. Curiosamente, não só o aspecto cronológico da sua carreira seria traduzido num largo espectro de existências. Também dentro de campo, haveria de mostrar uma extensão enorme de qualidades, o que permitiria ao jogador actuar em funções ofensivas, intermediárias e igualmente no sector defensivo.
Com a estreia na equipa principal maritimista a reportar-se ao começo da segunda metade da década de 1960, Noémio, com os emblemas madeirenses e açorianos sem consentimento para participar no Campeonato Nacional, veria testadas as suas capacidades apenas na disputa das provas regionais. Ainda assim, afastado que estava dos maiores holofotes do desporto português, a qualidade apresentada nessa etapa inicial da carreira, levá-lo-ia a ser cobiçado por um dos maiores emblemas nacionais. No Sporting, depois de prestar provas com resultados bastante promissores, algumas questões de cariz familiar haveriam de fazê-lo recuar na altura de optar pela mudança para o continente e os “Verde-rubro” rapidamente voltariam ao quotidiano competitivo do jogador.
O forçado regresso, ironicamente, empurraria Noémio, versado nas habilidades técnicas, tal como grande exemplo de robustez e altruísmo, para dois dos maiores momentos da cronologia do clube sediado na cidade do Funchal. O primeiro, com os emblemas insulares a conseguir licença para entrar na mais importante prova do calendário luso, seria a participação do jogador na zona sul da 2ª divisão de 1973/74. Sob a alçada do treinador Alberto Sachse, o atleta ver-se-ia escolhido para a jornada inicial da referida temporada e acabaria por concretizar um golo na peleja forasteira, frente ao União de Leiria.
Não muitos anos depois, o futebolista participaria no segundo momento de vital importância para o Marítimo. Ainda na disputa do escalão secundário, seria, pelo técnico Pedro Gomes, chamado à folha de jogo, correspondente à última jornada da campanha de 1976/77. Na recepção ao Olhanense, num grupo que contava com nomes que mereceriam grande destaque no desporto nacional, casos do guardião Amaral, dos defesas Olavo e Eduardo Luís, ou do “capitão” Eduardinho, Noémio acabaria escolhido para o banco de suplentes. Já com o marcador a indicar 3-0 a favor do emblema da casa, o jogador seria chamado a entrar em campo e dos seus pés sairia o passe para o golo de Arnaldo Silva, elemento do plantel maritimista que viria também a merecer um lugar de destaque na história das competições portuguesas, selando-se, nessa jogada, a subida de divisão da agremiação madeirense.
A época seguinte à da aludida promoção, transformar-se-ia no ano de estreia do atleta e do clube na 1ª divisão. Naquele que é o degrau mais alto do futebol nacional, Noémio, sempre com números bem positivos, participaria em 3 temporadas consecutivas. Com a descida do Marítimo no termo da época de 1979/80, também o jogador desapareceria dos palcos principais e já com o final da carreira no horizonte, a decisão de “pendurar as chuteiras” surgiria depois de cumprida a campanha de 1981/82.

1258 - OLAVO


Nascido no seio de uma família com fortes tradições no futebol, com destaque para o avô Alexandre Rodrigues – antigo futebolista, treinador e dirigente do Marítimo –, a Olavo pouco restaria senão dar seguimento ao legado desportivo dos seus antepassados.
No início da carreira sénior, ele que já tinha a estaleca de jogar com as cores dos juvenis e juniores da selecção de Portugal, logo faria parte de um dos mais importantes episódios da história maritimista. Com o emblema insular há muito a tentar estrear-se no escalão máximo do Campeonato Nacional, seria a temporada de 1976/77, com Olavo bem integrado na equipa principal verde-rubra, a selar esse objectivo.
Ao contar 18 anos apenas, a idade não seria impeditiva de, aos olhos do treinador Pedro Gomes, dar ao jovem atleta a responsabilidade de entrar nas partidas mais decisivas dessa gloriosa campanha. Ao lado dos seus ídolos Eduardinho e Noémio, também eles figuras marcantes da colectividade madeirense, as exibições do defesa mereceriam rasgados elogios e como prova do seu valor, acabaria escalonado para o “onze” inicial que, após uma vitória caseira frente ao Olhanense, confirmaria a tão almejada promoção.
A estreia do lateral na 1ª divisão, apesar de mais tarde conseguir afirmar-se como titular, não aconteceria logo no começo da campanha de 1977/78. Ainda assim, da 8ª jornada em diante, tirando algumas excepções, Olavo garantiria o posto na direita do sector mais recuado. Aliás, a regularidade de presenças na equipa do Marítimo, estendida à época seguinte, empurrá-lo-ia novamente para os trabalhos dos colectivos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Após ter jogado, como aqui já foi feita referência, pelos agora designados sub-16 e sub-18, seriam as chamadas aos “esperanças” que adicionariam ao seu currículo outras partidas com a “camisola das quinas”. Nessa caminhada, com o arranque nos sub-21 a ocorrer em Outubro de 1978 numa partida referente ao apuramento para o Europeu da categoria, o contexto de selecções, num cômputo feito pelos diferentes escalões lusos, levá-lo-ia a acumular um total de 7 internacionalizações.
Com o Marítimo ainda a procurar estabilizar-se como um emblema indubitavelmente primodivisionário, as descidas de escalão ainda fariam Olavo retornar às lides dos patamares inferiores. Contudo, numa carreira exclusivamente dedicada à agremiação sediada na cidade do Funchal, o defesa conseguiria disputar várias temporadas no patamar maior. Com a curiosidade de, numa dessas despromoções, ter acrescentado ao palmarés pessoal a vitória na edição de 1981/82 do Campeonato Nacional da 2ª divisão, a carreira do lateral-direito ficaria colorida pela meia-dúzia de campanhas na montra principal do futebol português.
Seria também no degrau máximo que, de forma precoce, viria a despedir-se dos campos da bola. Ao contar 27 anos apenas e depois de integrar o plantel dos “Verde-rubros” durante uma dezena de épocas, o atleta, no final da temporada de 1985/86, decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.

1180 - RUI MARQUES

Apesar do percurso formativo feito no Benfica, seria a ida para a Suíça que lançaria a carreira de Rui Marques no patamar sénior. A experiência nos helvéticos do FC Baden, colectividade distante das mais emblemáticas do país, ainda assim teria o condão de dar ao defesa nascido em Angola visibilidade suficiente para conseguir dar o salto para Alemanha. No escalão principal da Bundesliga, as exibições com as cores do SSV Ulm levá-lo-iam a subir novo degrau na carreira e a temporada de 2000/01 marcaria a sua transferência para o Hertha de Berlim.
Na capital germânica, o defesa-central não conseguiria conquistar as oportunidades desejadas. A falta de jogos faria com que a sua caminhada, a meio da campanha de chegada, passasse a ser equacionada de forma diferente. A alternativa encontrada, encaminhá-lo-ia para um empréstimo e, com o interesse demonstrado pelo Stuttgart, abrir-se-iam as portas para uma boa solução. Após alguns meses cedido, já com os responsáveis do emblema sediado no Estado de Baden-Württemberg convencidos das suas qualidades, a época de 2001/02 selaria, de forma definitiva, a ligação entre o atleta e o emblema do sudoeste da Alemanha. Ainda assim e apesar de ser chamado a jogo com alguma frequência, Rui Marques não seria capaz de afirmar-se como um titular indiscutível. Apesar de tudo, os 3 anos e meio passados com a camisola dos “Die Schwaben”, durante os quais também partilharia o balneário com Fernando Meira, trariam ao jogador momentos inolvidáveis e a vitória na edição de 2002/03 da Taça Intertoto acabaria por abrilhantar o seu currículo.
Ao perder protagonismo no Stuttgart, a campanha de 2004/05 marcaria o seu regresso a Portugal. Com o acordo rubricado com o Marítimo, Rui Marques faria a estreia na 1ª divisão. Porém, a escolha do defesa revelar-se-ia pouco acertada. Sem protagonismo nos “Insulares”, ao fim de um ano de ligação, clube e atleta chegariam a um acordo para a rescisão do contrato. Seguir-se-ia o interesse do Ipswich Town e do Leeds United. A escolha pelo emblema de Yorkshire levá-lo-ia a mais um recomeço atribulado. Ultrapassado por outros colegas nas escolhas para o “onze”, mais uma vez o central viveria momentos complicados. Sem espaço em Elland Road, a passagem pelo Hull City e a presença, por Angola, no Mundial de 2006, dariam um novo ânimo à sua caminhada desportiva.
Depois de, com as cores dos “Palancas Negros”, ter estado no Campeonato do Mundo organizado na Alemanha, Rui Marques, finalmente, conquistaria um lugar no sector mais recuado do Leeds United. A partir desse momento, também a presença nas listas de arrolados aos trabalhos da selecção do seu país, tornar-se-ia numa constante. Por Angola, para além da chamada ao certame já referido, o defesa seria convocado para a disputa das edições de 2008 e de 2010 da CAN. Com o crescimento internacional a ser acompanhado pelas exibições no clube, as partidas feitas pelo emblema do norte de Inglaterra encaminhá-lo-iam em direcção ao coração dos adeptos. Mesmo sem ter vestido a camisola dos “Peacocks” no escalão máximo, a sua atitude fá-lo-ia a ser tido como um membro exemplar. Nesse sentido, chegaria a envergar a braçadeira de capitão e, 5 anos após a sua chegada, passaria a ser recordado como um elemento de cariz histórico.
A temporada de 2009/10 assinalaria o fim de uma carreira que, no derradeiro capítulo, também ficaria marcada por algumas lesões. Hoje em dia, Rui Marques mantem-se ligado à modalidade. Ainda que longe dos relvados, o antigo defesa começaria a assumir novas funções e tem trabalhado na prospecção de novos talentos.