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1768 - MILINKOVIC

Natural da antiga Jugoslávia, Nikola Milinkovic teria no Radnicki Zdena o primeiro emblema na carreira sénior. No entanto, com o despoletar da guerra nos Balcãs, o médio-ofensivo largaria o emblema bósnio para vir a juntar-se ao FK Becej. Seria já como elemento do emblema sérvio que o jogador, ao destacar-se na subida da colectividade ao escalão máximo, começaria a ser cobiçado noutros campeonatos, nomeadamente nas ligas situadas na Europa Ocidental. Nesse contexto, o atleta acabaria por ser apresentado como reforço do plantel de 1993/94 do Lleida e passaria, com a transferência consumada, a disputar o principal patamar da La Liga.
A sua primeira temporada em Espanha terminaria com a descida do emblema por si representado. Como um dos titulares, Milinkovic ainda manteria a ligação com a equipa catalã por mais uma temporada. Contudo, falhada a subida, a aposta do jogador, para a campanha de 1995/96, recairia na proposta feita pelo Almería. A passagem do médio-ofensivo pela Andaluzia, com as pelejas colectivas a mantê-lo apenas nas lutas pela manutenção, seria ainda mais curta. Seguir-se-ia, logo na época de 1996/97, o convite do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, como um intérprete maduro, o atleta não teria qualquer dificuldade em impor-se no grupo de trabalho sob as instruções de José Romão e o jogador, estreante na 1ª divisão, seria um dos bons destaques do Campeonato Nacional de 1996/97.
Depois do arranque das actividades profissionais em Portugal, Milinkovic continuaria a envergar as cores dos “Flavienses”. Conservando igualmente os índices exibicionais, o médio-ofensivo, caracterizado pela boa leitura de jogo e pela qualidade de passe acima da média, não resistiria a um novo apelo vindo do outro lado da fronteira e, com a temporada de 1997/98 a meio, regressaria a Espanha. De novo a exibir-se no escalão secundário de “nuestros hermanos”, dessa feita com a camisola do Ourense, o jogador, resultado da forte aposta da agremiação galega no “mercado” português, viria a partilhar o balneário com Vítor Silva, Bizarro, Djurdjevic, Riça e Gaúcho. Porém, cumprida outra metade de época, o atleta acabaria por voltar aos cenários lusos e ao serviço do Alverca, para onde entraria com as provas de 1998/99 em andamento, encontraria a colectividade mais representativa de toda a sua passagem pela Península Ibérica.
Nos ribatejanos, Milinkovic voltaria a trabalhar com José Romão. No que restaria da campanha assinalada no final do parágrafo anterior, como nas duas seguintes, o médio-ofensivo manter-se-ia, sem deixar de ser um dos titulares do Alverca, nas contendas agendadas para a 1ª divisão. As épocas tranquilas vividas em Portugal, nas quais vincaria as suas qualidades futebolísticas, antecederiam outro dos grandes capítulos do seu trajecto profissional. Nesse trecho, a chegada à Áustria em 2001/02, mesmo tendo em conta os 33 anos de idade, revelaria um jogador com uma enorme vontade para dar seguimento à senda competitiva. Logo na campanha de chegada ao Grazer AK, o atleta contribuiria para a vitória na ÖFB-Cup. O mesmo título repeti-lo-ia em 2003/04, época em que também faria parte da lista de vencedores da Bundesliga austríaca.
Daí em diante, segundo a página oficial da Österreichischer Fußball-Bund, Milinkovic, na temporada de 2004/05, ainda representaria o Admira Wacker. Na campanha seguinte, neste caso tendo em conta outras fontes, o médio-ofensivo, começaria pelos sérvios do Radnicki Nis para, como nos diz outra vez o “site” da federação austríaca, terminar a época no USV Müllex Markt Hartmannsdorf. Depois viria a longa sabática de 5 anos e o espantoso regresso, em Janeiro de 2011, ao serviço do ESV Florio Ehlers. Mesmo tendo em conta a barreira dos 40 bem ultrapassada, o jogador ainda revelaria energia para prolongar a carreira e depois de vestir as camisolas do FC Celik Pötzleinsdorf, do UFC Schützen am Gebirge e do AS Koma, já com 45 anos de idade e no final da temporada de 2013/14, decidiria ser o momento certo para “pendurar as chuteiras”.
Paralelamente à derradeira fase da caminhada enquanto futebolista, Milinkovic também experimentaria as tarefas de treinador e nessas funções passaria pelas “escolas” do SK Cro-Vienna, pelo SV Albania e pelo 1.Simmeringer Sportclub.
Por fim, em jeito de curiosidade, falta referir que Nikola Milinkovic é pai dos futebolistas internacionais sérvios  Sergej Milinkovic-Savic e Vanja Milinkovic-Savic  e da basquetebolista, também internacional pela Sérvia, Jana Milinković-Savic.

1683 - HUGO COSTA

Filho de Vicente Costa, antigo avançado de equipas como o Tramagal ou o Sintrense, Hugo Alexandre Esteves Costa acabaria a seguir as passadas desportivas do pai. Antes ainda de terminar o período formativo com as cores do Benfica, já o defesa-central era visto como uma das grandes promessas do futebol luso. A provar o seu valor surgiriam as chamadas às equipas sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse trilho, começaria por representar os actualmente denominados sub-16. A estreia, a 27 de Dezembro de 1989, levaria o jogador a entrar em campo frente à Hungria. Depois dessa partida, à qual seria chamado por Carlos Queiroz, o atleta continuaria a avançar no seu trajecto internacional. Participaria em grandes competições como o Euro sub-16 de 1990, o Euro sub-18 de 1992, a edição de 1993 do Torneio de Toulon ou, no mesmo ano do certame francês, no Mundial sub-20.
O acumular de partidas com a “camisola das quinas” levá-lo-ia até às 48 pelejas disputadas por Portugal. Contudo, a riqueza do seu trajecto enquanto praticante das camadas jovens, não daria o direito a Hugo Costa para conquistar um lugar na equipa principal do Benfica. Sem lugar nos “Encarnados”, o defesa-central acabaria cedido a outras colectividades. Ao descobrir um espaço na 1ª divisão, o capítulo inicial da carreira sénior levá-lo-ia a envergar as cores do plantel de 1992/93 do Gil Vicente, grupo comandado por Vítor Oliveira. De seguida, ainda por empréstimo das “Águias”, surgiriam o par de anos passados com o Beira-Mar e finalmente o Estrela da Amadora. No entanto, e mesmo tendo em conta que, com excepção feita à agremiação da Reboleira, o jogador conseguiria apresentar-se sempre como titular, a verdade é que o regresso à Luz nunca viria a acontecer e a solução, para a época de 1996/97, haveria de emergir vinda do estrangeiro.
A entrada no Stoke City, à altura a disputar o segundo escalão de Inglaterra, não seria assim tão proveitosa quanto o projectado inicialmente. Esse pequeno desaire levaria o jovem jogador, a meio da campanha britânica, a equacionar o regresso a Portugal. Já com o tal plano em marcha, seria o Alverca, numa altura em que o emblema ainda era “satélite” do Benfica, a abrir as suas portas ao defesa-central. A entrada no novo clube fá-lo-ia também participar noutro capítulo de enorme monta para os ribatejanos e a estreia da colectividade na 1ª divisão daria ao atleta a oportunidade de voltar, em 1998/99, às pelejas do patamar máximo luso.
Os 4 anos e meio cumpridos com as cores do Alverca, transformaria o clube na camisola mais representativa da sua carreira. Ainda assim, impulsionado pela perda da titularidade, a ligação de Hugo Costa com a agremiação ribatejana conheceria o fim com o termo das provas agendadas para 2000/01. Seguir-se-ia o também primodivisionário Vitória Futebol Clube, onde, durante as duas épocas seguintes, o defesa-central regressaria aos melhores índices exibicionais. Os números apresentados no Bonfim, alimentar-lhe-iam nova aventura além-fronteiras e seria na Alemanha que o atleta decidiria dar seguimento ao trajecto profissional.
Está bem que no escalão secundário germânico, mas a entrada no RW Oberhausen serviria para que Hugo Costa voltasse a sonhar com outros voos. Curiosamente, seria nessa experiência pela Alemanha que o defesa-central entraria numa fase menos consentânea com o valor já antes demonstrado. Mesmo ao revelar algum decréscimo exibicional, a 1ª divisão portuguesa, na temporada de 2005/06, voltaria a acolhê-lo. Porém, como destapado neste parágrafo, a entrada na União de Leiria não devolveria à sua carreira a ambicionada titularidade. Após 3 anos na “Cidade do Lis”, o atleta ainda viria a aventurar-se brevemente nos cipriotas do Atromitos Yeroskipou. Por fim, surgiria o Pinhalnovense e o “pendurar das chuteiras” na conclusão da campanha de 2010/11.
Já com a carreira de futebolista terminada, Hugo Costa manter-se-ia ligado à modalidade e no papel de treinador ainda viria a trabalhar com clubes dos escalões inferiores, como são exemplo o Fabril do Barreiro, a AD Oiras ou o Mineiro Aljustrelense.

1193 - TINAIA

Ainda uma criança, viajaria para Portugal para ingressar nas “escolas” do FC Porto. Apesar das dificuldades de deixar Cabo Verde em tão tenra idade, a verdade é que Tinaia, a cada degrau subido na hierarquia dos escalões formativos “Azuis e Brancos”, rapidamente demonstraria qualidades bem acima da média. Como um elemento, ainda que franzino, mas dono de uma técnica surpreendente, o jovem atleta depressa seria perfilado como uma das maiores esperanças do clube. O estatuto de “estrela”, auferido desde tenra idade, seria sublinhado na temporada de 1993/94, pelo concretizar de uma transferência que até ao mais atento deixaria boquiaberto. Pela mão do empresário Manuel Barbosa, o médio de propensões ofensivas, deixaria a “Cidade Invicta” e, depois de atravessar a fronteira, acabaria por dar entrada num dos maiores emblemas mundiais.
Ao lado de Zeferino, seu colega nas jovens equipas dos “Dragões”, Tinaia, não mais do que um adolescente, passaria a representar o Real Madrid. Integrado nas “escolas” do emblema castelhano, depressa daria sinais que a sua contratação estaria longe de ser um erro. Em 1995/96, a partilhar o balneário com Guti ou com o avançado português Agostinho, encetaria trabalhos com a equipa “b” dos “Merengues”. Mesmo ao enfrentar novos desafios, o jovem, mas virtuoso intérprete, continuaria a destacar-se como um bom elemento. Já numa altura em que o conjunto maior dos “Blancos” era orientado por Fabio Capello, as suas exibições começariam a chamar a atenção do “allenatore” e a presença nos treinos da primeira equipa tornar-se-ia numa constante.
A saída do treinador italiano no final da temporada de 1996/97, faria cair por terra a promessa de Tinaia vir a integrar o plantel principal, na época seguinte. O médio veria igualmente recusada a intenção do técnico em levá-lo consigo para o AC Milan. Falar-se-ia também na saída do esquerdino para o Valência, mas, declinada a proposta, o jogador manter-se-ia pela capital espanhola. Com o avançar dos anos, a oportunidade do médio subir à equipa “A”, nunca ganharia corpo. Já na campanha de 1999/00, o jogador seria “emprestado” a um emblema do escalão secundário. Com Silas como companheiro de balneário, o atleta passaria a envergar a camisola do Elche. “Sol de pouca dura”, pois o fim da ligação ao Real Madrid e o regresso a Portugal acabariam por surgir no horizonte da sua carreira.
Mais uma vez com Zeferino como companheiro de “aventuras”, Tinaia, para a temporada de 2000/01, rubricaria uma ligação contratual com o Alverca. No novo emblema, o médio estrear-se-ia na 1ª divisão do Campeonato Nacional. Nem sempre como um elemento incontestável do “onze”, ainda assim vestiria as cores da colectividade ribatejana por 4 temporadas. Com 3 dessas passadas a disputar o escalão máximo português, nem o novo capítulo da sua caminhada profissional daria grandes frutos. A prova disso mesmo, e de uma carreira brilhante que nunca passaria de uma ideia vaga, sublinhar-se-ia com a metade final do trajecto competitivo do centrocampista. De volta a Espanha, as únicas oportunidades que conquistaria seriam dadas por agremiações de cariz mais modesto. Antes ainda de uma longa etapa a representar conjuntos dos “regionais” galegos e que terminaria em 2019, destaque para as passagens do atleta pelo Pontevedra e pelo Logroñes.

1040 - MARCO FREITAS

Nascido em Angola, a mudança da sua família para a Ilha da Madeira permitir-lhe-ia dar os primeiros passos no futebol. Ainda em idade adolescente, ligar-se-ia às escolas do Machico. Porém, as boas prestações rapidamente levariam o Nacional a contratá-lo. Nesse sentido, seria nos escalões jovens da equipa funchalense que o médio acabaria por terminar a etapa formativa. Curiosamente, e por altura da subida a sénior, um empréstimo levá-lo-ia a voltar ao primeiro emblema. A cedência, sempre a pensar na sua evolução competitiva, dar-lhe-ia o traquejo necessário para singrar, no regresso aos “Alvi-negros”. Mesmo a competir na divisão de Honra, Marco Freitas conseguiria chamar a atenção de colectividades primodivisionárias. Depois de 4 temporadas nos patamares secundários, o Vitória de Guimarães chegaria ao seu trajecto profissional e a mudança para o Minho acabaria por catapultar a sua carreira.
A chegada à “Cidade Berço” na temporada de 1995/96, levaria o “trinco” a viver os melhores anos da sua caminhada profissional. Com um começo ainda ofuscado pela presença de atletas mais experientes, a mudança de treinador viria a alterar esse panorama. A contratação de Jaime Pacheco, faria com que Marco Freitas passasse de suplente para um dos atletas mais utilizados no plantel. Com isso, transformar-se-ia num pilar das boas classificações conseguidas pelo emblema minhoto nesse ano e nas campanhas seguintes. A participação do médio-defensivo nas competições europeias e, principalmente, os lugares cimeiros na tabela classificativa do Campeonato, levariam clubes de outra monta a olhar para si como um bom reforço.
Sendo um atleta de características essencialmente defensivas, mas que, por razão do seu bom remate, também gostava de subir no terreno de jogo, não causaria qualquer surpresa o surgimento do interesse do Benfica. No entanto, a mudança para a “Luz” não traria ao atleta as vantagens prometidas. Depois de cumprir a pré-época de 1998/99 com as “Águias”, o treinador Graeme Souness decidiria emprestá-lo ao Alverca. Já a chegada ao comando técnico do alemão Jupp Heynckes, daria ao jogador uma nova esperança. A verdade é que, mesmo integrado no plantel, Marco Freitas nunca conseguiria tornar-se numa opção válida. Pouco jogaria na temporada de 1999/00 e, finda a dita campanha, regressaria ao emblema sediado no Ribatejo.
A carreira de Marco Freitas, daí em diante, acabaria por decrescer em qualidade. Mesmo mantendo-se na 1ª divisão, a sua passagem pelo já referido Alverca e, posteriormente, pelo Salgueiros, revelaria o atleta longe das exibições que, em anos anteriores, o tinham posto num lugar de destaque. Aliás, seria ao serviço do emblema de Paranhos que o médio voltaria aos escalões secundários. A excepção a esse progressivo ocaso, surgiria com a sua primeira internacionalização. Depois de, muitas vezes, ter sido veiculada a sua integração nos trabalhos da selecção portuguesa, o “trinco” acabaria por vestir as cores do seu país natal. Tendo a sua estreia por Angola acontecido em 2001, o jogador representaria a nação africana ainda por mais 2 vezes.
Felgueiras, e na volta à Madeira, o Pontassolense e o Machico, tornar-se-iam nos derradeiros emblemas do seu trajecto desportivo. Em abono da verdade, o fim da sua ligação ao futebol não aconteceria na temporada de 2007/08. Existem, após alguns anos de interregno, registos do seu regresso. Em 2011/12, sem que tenha conseguido confirmar fidedignamente tal informação, Marco Freitas ligar-se-ia aos amadores do Porto da Cruz e como “Massagista-Jogador”!

912 - FILIPE AZEVEDO

Filho de emigrantes em França, seria no Marseille que Filipe Azevedo faria quase toda a sua formação. Chegaria também a representar os sub-18 gauleses, mas, incontornavelmente, o seu destino profissional estava fadado a Portugal. Ainda seria promovido à equipa sénior, onde haveria de partilhar o balneário com Rui Barros e Paulo Futre. Depois rebentaria o escândalo de corrupção, envolvendo o Presidente Bernard Tapie. Na debandada daí resultante, e com a maioria dos atletas à procura de novos destinos, também ele acabaria por partir.
Apesar de ter um convite do Sporting, o atacante daria a sua preferência ao recém-promovido Felgueiras. Com receio de não conseguir conquistar um lugar no conjunto de Alvalade, a sua escolha acabaria por incidir no emblema de onde eram oriundos os seus pais. A estreia na 1ª divisão portuguesa, com Jorge Jesus como treinador e um jovem Sérgio Conceição como colega, aconteceria no decorrer da campanha de 1995/96. Contudo, a escolha feita pelo avançado no início dessa temporada, revelar-se-ia pouco acertada e, depois de uma 2ª volta desastrosa, o emblema duriense não conseguiria evitar a descida.
Após 2 anos a disputar a Divisão de Honra, sem nunca conseguir a tão almejada promoção, o regresso de Filipe Azevedo ao patamar máximo do nosso futebol dar-se-ia com a mudança de clube. Tendo deixado o Felgueiras para ingressar no Alverca, o atacante daria novo elã à sua carreira. Depois de 2 campanhas em que os seus golos mereceriam o devido destaque, é do Leste da Europa que surge novo desafio – “Perguntaram-me: queres ir jogar na Liga dos Campeões? E eu fui para lá atrás desse sonho. Íamos participar na pré-eliminatória, que na altura era só a uma mão, só que calhou-nos jogar em Istambul contra o Besiktas e acabámos por ser eliminados”*.
A admiração que Yuriy Semin, à altura o treinador do Lokomotiv de Moscovo, tinha pelo trabalho do avançado, faria com que o mesmo tivesse um lugar assegurado no “onze” do emblema russo. Sendo o primeiro português a jogar no “País dos Czares” muitos estariam à espera que o avançado tivesse alguns problemas de adaptação. Contudo, e depois de um início bastante auspicioso, aquilo que deixaria a sua experiência um pouco aquém do esperado seria uma grave lesão. Tendo fracturado o pé, Filipe Azevedo ver-se-ia afastado dos relvados durante grande parte da temporada. Depois, e vivendo longe daqueles que deveria ter mais próximo, viriam os problemas familiares. Ora, a conjunção desses dois factores, mesmo com os responsáveis dos “Zheleznodorozhniki” (Ferroviários) a pedir a sua continuidade, levá-lo-iam a voltar a Portugal. A meio da temporada de 2000/01, o atacante passaria a vestir as cores de um primodivisionário Campomaiorense. Esse regresso marcaria a entrada na segunda metade da sua carreira, fase que acabaria por caracterizar-se pela passagem por vários clubes e campeonatos.
França, Índia, Espanha e Chipre seriam os países que também acabariam por colorir o seu trajecto. Tendo passado maior parte do seu tempo, desde a saída do clube alentejano, a disputar os escalões secundários, ainda assim há que destacar alguns momentos do que restou no seu percurso como futebolista. O regresso à “Ligue 1”, com as cores do Sedan ou a experiência num exótico Mahindra Utd, transformar-se-iam em pontos de interesse na carreira do avançado.
Mesmo afastado dos maiores palcos do futebol, a sua caminhada prolongar-se-ia até aos 35 anos. Já depois de em 2010 ter “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta tem procurado aprender outras realidades dentro da modalidade. Entre vários estágios feitos em França, cursos de treinador e uma experiência na Arábia Saudita como treinador-adjunto do Al-Qadisiya, foi na AD Camacha que aceitou um cargo como dirigente. Em 2017, com a criação da SAD do emblema madeirense, Filipe Azevedo seria escolhido para as funções de Director Desportivo.


*retirado da entrevista de Carlos Torres, publicada em www.sabado.pt, a 18.06.2017

873 - FAIZULIN


Surgiria na primeira equipa do CSKA de Moscovo em 1991 e, tendo crescido de forma exponencial, conseguiria tornar-se na estrela do conjunto russo. Para tal, como é lógico, muito contribuiriam as suas prestações no campeonato. Contudo, também é inegável que a noite que mudaria a sua carreira aconteceria na disputa das provas da UEFA.
É em Camp Nou que, em Novembro de 1992, o CSKA chega para discutir a 2ª mão da 2ª ronda de qualificação para a fase de grupos da “Champions”. Com o 1-1 da 1ª volta, poucos foram os que tiveram o atrevimento de apostar na passagem da formação moscovita. Ainda assim, o conjunto de Leste vinha apostado em contrariar todas probabilidades. A sua grande arma acabaria por ser um jovem atacante que, durante toda a partida, conseguiria surpreender o mundo do futebol. Faizulin, como o motor ofensivo, conseguiria alimentar a dinâmica da equipa. Mesmo sem concretizar qualquer golo, a sua exibição empurraria os colegas para a baliza dos “blaugrana” e, com duas assistências, ajudaria os russos a vencer por 3-2.
A partir desse jogo, muitos clubes começaram a acompanhar a evolução do jovem atleta. Mantendo-se como um dos elementos mais preponderantes do CSKA de Moscovo, a sua cotação continuaria a subir. Para essa ascensão muito contribuiria a sua chamada à principal selecção russa em 1993 ou, logo no ano seguinte, a participação no Euro S-21. Com o seu valor a crescer cada vez mais, quem arriscaria a contratação do avançado seria o Racing de Santander. É então que, em 1995/96, Faizulin chega à região da Cantábria. Todavia, a mudança para o Norte de Espanha tornar-se-ia numa desilusão. Apesar do rótulo de craque, a sua adaptação à “La Liga” seria bastante difícil. Mesmo sendo um jogador com uma técnica acima da média, com uma visão de jogo soberba e uma mobilidade tal que tornava penosa a sua marcação, o atleta não conseguiria conquistar um lugar na nova equipa.
Duas temporadas após a sua chegada a Espanha, Faizulin deixa o Racing de Santander. Começa então um périplo que, com o avançar dos anos, faria esquecer o brilhantismo dos seus primeiros tempos como profissional. Villarreal, na 2ª liga espanhola, Alverca e Farense no principal escalão português, não seriam mais do que discretas tentativas para tentar relançar a sua carreira. Após mais esses fracassos, o percurso do russo ensombrar-se-ia ainda mais. Turquia, os regressos à Rússia e um final de carreira passado em modestos emblemas espanhóis, dariam corpo a uma caminhada que ficaria marcada por alguma decepção e frustração por algo desperdiçado.
Já após ter “pendurado as chuteiras” em 2007, Faizulin começaria a trabalhar na sua carreira de treinador e de dirigente. Nessas funções, o antigo internacional russo já conta com passagens pela equipa técnica do Rubin Kazan, ou como director das “escolas” do Lokomotiv de Moscovo e dos arménios do Banants.

870 - OVCHINNIKOV

Apesar de ter terminado a formação no Dínamo de Moscovo e de, ainda no clube, ter representado a equipa “B”, seria noutro emblema da capital que Ovchinnikov chegaria à ribalta do futebol russo. Após ter passado uma temporada no Dínamo Sukhumi (actual Geórgia), é em 1991 que o guarda-redes chega a acordo com o Lokomotiv. Nos “Ferroviários”, às muitas oportunidades conseguidas logo durante a época de estreia, seguir-se-ia a titularidade. Sendo um atleta com um excelente porte físico, seria na agilidade que o guardião mostraria a maior habilidade. Essa qualidade levá-lo-ia a conseguir, durante as campanhas seguintes, um lugar de destaque no conjunto moscovita. Depois viriam os títulos colectivos, os prémios de “Guarda-Redes Russo do Ano” em 1994 e 1995, a selecção e a chamada ao Euro 96.
Em 1997 Ovchinnikov mudar-se-ia para o Benfica. Apesar do estatuto de internacional e das boas qualidades, a verdade é que o russo não conseguiria impor-se no emblema da “Luz”. Tendo Michel Preud’Homme como principal oponente, a conquista de um lugar a titular acabara por ficar comprometida. Com o fim da carreira do belga, ainda chegou a pensar-se que seria para si o lugar à baliza. Contudo, a chegada de Jupp Heynckes ao comando técnico das “Águias” mostraria exactamente o contrário e a saída do atleta acabaria por ser negociada.
Com as notícias de alguns clubes espanhóis interessados na sua aquisição, seria a empresa de Paulo Barbosa, o seu empresário à altura, que acabaria por adquirir o “passe” do jogador. Já com uma futura transferência em vista, Ovchinnikov seria colocado no Alverca, na época de 1999/00. No ano seguinte, e depois de uma temporada bastante positiva nos ribatejanos, o guarda-redes mudar-se-ia para o FC Porto. Nas Antas, sob a alçada de Fernando Santos, o russo consegueria manter o nível exibicional demonstrado na campanha anterior. É então que, durante esse primeiro ano na “Invicta”, rebenta uma polémica referente ainda à sua passagem pelos “Encarnados”. Com o clube lisboeta a reclamar a falta de pagamento relacionada com a sua saída, as autoridades policiais acabariam por apontar o dedo a João Vale e Azevedo. Tendo sido descoberto um registo dessa maquia nos “cofres” do antigo Presidente “Encarnado”, o dirigente seria acusado de peculato e, mais tarde, acabaria por ser preso.
O último terço da carreira do jogador passar-se-ia no seu país natal. Após ter deixado os “Dragões” em 2002, Ovchinnikov regressaria ao clube que, sem sombra de dúvida, mais peso acabaria por ter no seu percurso profissional. De volta ao Lokomotiv de Moscovo, o atleta, muito mais do que recuperar o estatuto como titular, conseguiria resgatar o seu lugar na selecção. Depois de ter voltado a vencer, por mais duas vezes, o prémio de “Guarda-Redes Russo do Ano” (2002; 2003), é com a equipa nacional que o atleta volta a Portugal. Com as cores da Rússia o guardião seria chamado a disputar o Euro 2004.
Tendo decido terminar a carreira após uma derradeira temporada já ao serviço do Dínamo de Moscovo, o ex-guardião daria os primeiros passos como técnico. Nessas funções desde 2007, tendo desempenhado as tarefas de adjunto, treinador de guarda-redes e treinador principal, Ovchinnikov conta já com passagens por Dínamo de Kiev, Dínamo de Minsk ou Federação Russa de Futebol. Neste momento (2017/18), o antigo internacional é parte integrante dos quadros do CSKA de Moscovo.

579 - CHIQUINHO CONDE

Em 1987, depois de no seu currículo já ter um Campeonato de Moçambique, Chiquinho Conde vê-se alvo de uma acesa disputa entre dois dos clubes de Lisboa. Nessa corrida entre Benfica e Belenenses, o poderio das "Águias", que até tinham sido os primeiros a fazer a abordagem, dava-lhes alguma vantagem. No entanto, a eventual superioridade não se verificaria. Os "Azuis" conseguiriam convencer clube e atleta, acabando por vencer o concurso pelo internacional do Maxaquene.
A mudança para o Restelo, faria com que o jogador se transformasse no primeiro futebolista moçambicano, depois da independência daquele país, a transferir-se para Portugal. Tendo este aspecto a sua relevância, e que, de alguma forma, mostra a sua qualidade, a real prova das habilidades de Chiquinho Conde apareceriam em pleno relvado.
Sendo dono de características importantes, o atacante tinha na sua força e velocidade as principais armas. Ainda assim, a adaptação a um universo competitivo diferente, demoraria algum tempo. A espera valeria a pena, e no seu segundo ano com a "Cruz de Cristo", Chiquinho Conde já era um dos mais chamados à equipa.
Inserido num plantel recheado de grandes nomes, o avançado passaria a fazer parte de uma estratégia ofensiva que também contava com Mladenov e Chico Faria. Muito para além das competições da UEFA ou da 6ª posição que conseguiriam alcançar no Campeonato, o que marcaria essa temporada de 1988/89, seria o brilhante percurso que o grupo conseguiria fazer na Taça de Portugal. Depois de eliminarem o FC Porto e o Sporting, o Belenenses chega ao Jamor. No Estádio Nacional tinham agora pela frente o Benfica. Com Chiquinho Conde a repetir a titularidade das eliminatórias já referidas, os do Restelo não se deixariam intimidar. Entram em campo e, com dois golos, em resposta a um dos seus oponentes, acabariam por erguer o troféu.
Alguns anos depois, Chiquinho Conde voltaria a repetir a vitória na Taça de Portugal. Por essa altura, 1994/95, já o avançado moçambicano era um jogador consagrado no cenário competitivo português. Com passagem pelo Sp. Braga e um par temporadas que, ao serviço do Vitória de Setúbal, o elevariam a um dos melhores na sua posição, o atleta estava preparado para outros horizontes. Quem lhe abriria as portas para esse novo desafio, seria o Sporting. Em Alvalade, sob o comando de Carlos Queiroz, Chiquinho Conde conseguiria, logo nesse ano de estreia, uma posição de destaque. Mas se a conquista da Taça era um bom prenuncio para os anos vindouros, o que se passaria na época seguinte viria a revelar-se bem diferente.
Com as sucessivas alterações no comando técnico leonino, Chiquinho Conde vê-se afastado das escolhas para o "onze" inicial. Com falta de oportunidades, a solução passaria por um empréstimo. Assim, a meio da temporada de 1995/96, o moçambicano é cedido ao Belenenses. Este empréstimo acabaria por marcar o fim da ligação do jogador com os "Leões" e o início de um périplo que o levaria, depois de mais uma passagem por Setúbal, aos Estados Unidos e à Major League Soccer.
O seu regresso a Portugal dar-se-ia já depois de envergar as cores dos New England e dos Tampa Bay. Mais uma vez, quem o acolhe é a cidade da foz do Sado. No Vitória, e apesar de já contar com mais de 30 anos, repete as boas exibições. Quem também não pareceu dar muita importância à sua idade, seria o, à altura, seleccionador moçambicano. Arnaldo Salvado, encarregue de elaborar a lista de convocados, inclui o atleta nos eleitos para participar na CAN. Até aqui nada de espantoso. Contudo, a participação do atacante nesse torneio de 1998, faria com que Chiquinho Conde, repetindo as presenças de 1986 e 1996, se tornasse no primeiro moçambicano, a marcar presença em 3 Taças das Nações Africanas.
Como os anos pesam a todos, a sua carreira começa a aproximar-se do fim. Seria depois de um saltitar entre diversos clubes, que ainda o levaria a França (Créteil-Lusitanos), que Chiquinho Conde toma a decisão de pôr um fim na sua vida nos relvados.
Mas quem pensou que o afastamento do desporto iria durar muito, enganou-se. De volta ao seu país natal, e com o nível 4 do Curso de Treinadores no bolso, Chiquinho Conde encetaria a sua carreira de técnico. Tendo estado ao leme de diversos clubes e, também, da equipa nacional, o antigo jogador já conta com uma vitória no Campeonato (Ferroviário, 2009).
Apesar de um caminho brilhante, a ambição de Chiquinho Conde não para por aqui. Como o próprio já fez questão de referir, o seu próximo objectivo passa por retomar os estudos. Desta feita, não irá optar pelo Instituto Industrial de Construção Civil, o qual abandonou nos primeiros anos como profissional. Agora o sonho é diferente e passa pelo Curso de Relações Internacionais... etapa para, um dia mais tarde, abraçar a pasta de Ministro do Desporto!!!