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1785 - AMADEU

Após cumprir a totalidade do percurso formativo no Amora, seria também na Medideira que João Amadeu Tavares Correia daria o salto para o universo sénior. Chamado à equipa principal por José Moniz, a temporada de 1980/81, numa altura em que ainda era júnior, serviria de arranque para a sua caminhada enquanto profissional.
Com entrada directa na 1ª divisão, numa campanha em que o emblema da Margem Sul também fazia a sua estreia entre os “grandes”, o jovem atacante, como resultado das qualidades apresentadas, depressa conseguiria conquistar algum espaço no plantel principal do Amora. Essa afirmação, mesmo não atingindo a titularidade, começaria a cimentar-se logo na temporada seguinte à referida no começo deste texto. O apogeu dessa sua campanha de 1981/82 emergiria com o golo marcado ao Benfica e que daria a vitória frente às “Águias”. Porém, a evolução do extremo haveria de abrandar abruptamente e o avançado, de forma um pouco surpreendente, pouco vezes apareceria em campo no espraiar da época de 1982/83.
Talvez por ter perdido alguma importância nos desenhos tácticos da equipa, Amadeu, na temporada de 1983/84, acabaria por ser cedido ao Clube de Futebol da Trafaria. A experiência ganha no ano de empréstimo faria com que o jogador regressasse à Medideira com estaleca suficiente para que, em 1984/85, recuperasse algum do brilhantismo perdido em anos transactos. Tal crescimento, com o Amora a insistir nos patamares secundários, faria com o atacante procurasse dar seguimento à carreira noutras paragens. A oportunidade, com o atleta a manter-se no mesmo escalão competitivo, surgiria da Beira Alta e a campanha de 1985/86 marcaria a sua primeira passagem pelo Académico de Viseu.
Já o regresso de Amadeu ao escalão maior do futebol português dar-se-ia no Alentejo. No entanto, esse ano passado com as cores d’ “O Elvas” terminaria com a descida dos “Azul e Oiro”. O desaire desportivo, mais uma vez, levaria o jogador a mudar de rumo e ao invés de empurrar o atacante para uma nova camisola, encaminhá-lo-ia para uma casa por si bem conhecida. De novo a exibir-se no Estádio do Fontelo, o jogador, num grupo de trabalho comandado por Carlos Alhinho, transformar-se-ia num dos pilares da promoção do Académico de Viseu aos palcos principais. Aliás, essa subida viria a permitir ao extremo completar, em 1988/89, aquela que viria a ser a sua derradeira aparição nos cenários primodivisionários. Já em definitivo a vogar pelos patamares secundários, seguir-se-iam, no seu trajecto competitivo, o Vila Real, o Peniche, o União de Lamas e finalmente a viagem de volta à região onde tinha crescido.
Curiosamente, em vez de voltar a envergar a camisola do Amora, Amadeu acabaria por aceitar o convite dos rivais do Seixal. Na nova agremiação a partir da temporada de 1994/95, o atacante, já como um verdadeiro veterano do futebol, ainda teria energia para completar um ciclo de meia dúzia de temporadas com o listado dos homens sediados no Campo do Bravo. Terminada a aludida etapa, o atacante ainda regressaria ao emblema que, aproximadamente duas décadas antes, tinha contribuído para o seu lançamento nas lides do futebol sénior. Mais uma vez na Medideira, o avançado ainda daria um forte colaboração para a subida da colectividade do 3º escalão para a 2ª divisão “B”. Por fim, após cumprir 3 temporadas ao serviço do emblema onde tinha completado a formação, o avançado, com o termo das provas agendadas para 2002/03 e numa altura em que já contava 40 anos de idade, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1377 - HÉLDER

Defesa polivalente, Hélder Jerónimo das Mercês, depois de emergir no Cova da Piedade, seria já ao serviço do Amora que, em plena caminhada sénior, conseguiria um destaque maior. No emblema com casa no Estádio da Medideira, participaria naquela que viria a tornar-se na época de ouro do clube. Ao ajudar, com o final da campanha de 1976/77, à subida ao patamar secundário, o atleta, depois de uma curta passagem de um ano pelo Seixal, retornaria à agremiação a vestir de azul para fazer parte do plantel que daria corpo a um feito inédito. Nesse sentido, após garantida a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1979/80, o jogador integraria o grupo de trabalho que, ao serviço da colectividade da Margem Sul, disputaria, pela primeira vez, o degrau máximo do futebol português.
No convívio com os “grandes”, as temporadas de 1980/81 e 1981/82 serviriam para confirmar o atleta como um praticante dono de uma sólida constância exibicional e, por essa razão, aferido como um elemento deveras confiável. Titular do Amora com o treinador Mourinho Félix e, posteriormente, sob a intendência técnica de José Moniz, a sua cotação começaria a subir. Cimentado como um dos bons intérpretes a actuar nas provas lusas, Hélder acabaria por ser cobiçado por emblemas de maior tradição e, ainda que de volta ao escalão secundário, a transferência para o Belenenses seria sinónimo do referido acréscimo de valor.
Com a entrada no Restelo a acontecer na temporada de 1982/83, Hélder, ao fazer-se acompanhar na mudança pelos antigos colegas de balneário Simões e Pereirinha, voltaria a trabalhar com Mourinho Félix. Já a época seguinte traria ao defesa dois momentos de destaque. O primeiro seria o reencontro com Jaime, o irmão mais novo e antigo parceiro no Amora. O segundo, esse de maior realce, emergiria com o trabalho feito sob o comando do inglês Jimmy Melia e que terminaria com a conquista da 2ª divisão e com o regresso do Belenenses ao escalão principal.
Os dois anos seguintes, sempre na disputa da 1ª divisão e a envergar a camisola da “Cruz de Cristo”, revelariam Hélder como um elemento importante, mas a acusar alguma veterania e a ocupar um lugar menos relevante nas escolhas dos técnicos. Ao entrar na última fase da carreira, o defesa deixaria o emblema lisboeta no final da campanha que levaria o Belenenses à disputa do derradeiro encontro da edição de 1985/86 da Taça de Portugal. Já afastado dos principais palcos nacionais, o atleta prosseguiria a caminhada competitiva no Recreio Desportivo de Águeda. Depois de uma época na colectividade sediada no distrito de Aveiro, dar-se-ia o seu regresso ao Seixal e com o termo da temporada de 1989/90, quando já contava com 38 anos de idade, o jogador decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.

1059 - PAULO OLIVEIRA

Pode não ter sido um jogador de topo; pode não ter sido um dos futebolistas mais populares. Ainda assim, há algo que ninguém poderá subtrair ao seu percurso na modalidade. E isso foi aquilo com que muitos atletas sonham e poucos conseguem atingir, foi a passagem pelo Campeonato Nacional da 1ª divisão!
Paulo Oliveira começaria o seu trajecto desportivo como atleta das “escolas” do Belenenses. Porém, e como tantos outros jovens sujeitos ao escrutínio da subida a sénior, o fim do trajecto formativo levá-lo-ia para longe dos palcos mais glamorosos. No Caldas, ainda assim um histórico do futebol português, ganharia a vontade necessária para entender que, por mais sinuoso que possa afigurar-se o caminho, os sonhos são tónico suficiente para irmos avante. No entanto, a experiência na 3ª divisão de 1977/78 acabaria por não trazer os resultados, pelo menos para si, esperados. O Palmense, popular emblema da capital, consumar-se-ia no passo seguinte da sua carreira. A passagem pelo “regional” lisboeta em nada enfraqueceria a vontade do defesa e a aposta em tão modesto emblema, ao contrário de um espectável mau agoiro, acabaria transformada num verdadeiro impulso.
Passado apenas um ano após o seu ingresso no clube de Lisboa, o Amora veria em Paulo Oliveira um elemento com capacidades para reforçar o seu plantel. Recebido pelo técnico Mourinho Félix, seria sob a alçada do antigo internacional português que o central, arrisco-me a dizer, viveria os melhores momentos da sua carreira. Logo no ano da chegada ao emblema da Margem Sul, o defesa, ainda que longe de conseguir a titularidade, seria um dos elementos que ajudaria o conjunto não só à subida de escalão, como à conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão. A referida promoção acabaria, invariavelmente, por inscrever o nome do jogador nos anais do clube. A subida ao patamar máximo, a primeira na história da Medideira, permitiria também ao jogador estrear-se nos principais cenários do futebol português. A sua entrada em campo nesse novo contexto competitivo, aconteceria logo à 1ª jornada da temporada de 1981/82. Frente ao Vitória de Setúbal, aos 56 minutos e depois da expulsão de dois colegas do sector mais recuado, entraria para o lugar do avançado Jorge Silva e com o objectivo de equilibrar a equipa.
Com Mourinho aos comandos da equipa, haveria ainda de conquistar mais algumas oportunidades para mostrar o seu talento. No entanto, com a saída do técnico a meio da temporada, só voltaria a entrar em campo já na derradeira fase do Campeonato Nacional. A pouca utilização viria a ditar a sua saída do Amora. Após a partida do Estádio da Medideira, Paulo Oliveira regressaria aos escalões secundários. Nessa, que seria a última fase da sua carreira de futebolista, destaque ainda para as suas passagens pelo Estrela da Amadora, Cova da Piedade, Olivais e Moscavide e Casa Pia.

1043 - RIBEIRO

Se quiséssemos sumariar a sua passagem pelo futebol, poderíamos dizer o seguinte: indivíduo de posições bem vincadas, cujas inconstâncias desportivas e tantas outras irreverências de cariz pessoal, acabariam por prejudicar um enorme talento. Verdade? Talvez! No entanto, houve sempre um pouco mais em José Ribeiro…
Ao despontar nas camadas jovens do Vitória Futebol Clube, o atacante, na altura da transição para o patamar sénior haveria de tomar uma decisão que, para todos, emergiria como uma surpresa enorme. Apesar do convite de Fernando Vaz para que o promissor atleta assumisse um lugar no plantel principal, a resposta à chamada do treinador seria a de abandonar a modalidade!
Após arranjar um emprego numa afamada cimenteira da zona de Setúbal, a verdade é que a sua paixão pelo “jogo da bola” acabaria por levar a melhor. Depois da inopinada decisão, o desafio de vestir as cores dos amadores do Águas de Moura seria aceite. Para a sua sorte, pouco tempo passaria até que novo convite surgisse. Mais uma vez, o Vitória voltaria à carga. Fernando Vaz, na tentativa de resgatar aquele que tinha sido visto como um dos grandes valores em evolução nas “escolas” sadinas, lançar-lhe-ia novo repto. Anuída a provocação, e após alguns jogos de treino, José Ribeiro voltaria ao famoso listado verde e branco da cidade que, ainda em tenra idade, o tinha acolhido.
Depois da temporada de 1977/78, com desempenhos modestos por parte do recuperado extremo, o serviço militar haveria de atirá-lo para um novo desafio. Com o União de Tomar, em termos de conveniência geográfica, a posicionar-se como o clube mais próximo do quartel para o qual tinha sido convocado, a chegada às margens do Rio Nabão daria um sério empurrão aos intuitos de Ribeiro em vingar no futebol. Apesar de ter passado a disputar a 2ª divisão, a verdade é que o assumido passo atrás tornar-se-ia vital para o seu crescimento. Seria ainda nesse escalão, com a ligação a um novo emblema, que o esquerdino veria ratificado o grande engenho futebolístico. Na União de Coimbra, para onde transitaria na campanha de 1979/80, os seus desempenhos levariam a que diversas colectividades primodivisionárias reconhecessem nele um bom reforço. Com a aferição positiva, chegaria também a oportunidade de mudar a morada para o Minho e de envergar a insígnia de um outro Vitória.
As duas temporadas passadas na cidade de Guimarães seriam importantes para sua afirmação no patamar máximo do nosso futebol. Todavia, a sua alicerçagem como um atleta de topo viria com o regresso ao Distrito de Setúbal. Depois de nunca ter conseguido mostrar-se como um titular no Vitória Sport Clube – dizem que chocava muito com José Maria Pedroto –, ao vestir a camisola do Amora na época de 1982/83, Ribeiro sublinharia os seus excepcionais dotes. A estadia na Medideira salientaria o canhoto como um intérprete de uma técnica e de um ritmo de execução superiores. Essas características, volvido um ano, levá-lo-iam de novo a Coimbra. Já com camisola da Académica, o atleta continuaria a mostrar-se a um nível que, aos olhos de todos, prometia novos horizontes. Após ajudar na subida da “Briosa”, com a conclusão da temporada seguinte começaria a veicular-se a sua mudança de clube. Falar-se-ia do Benfica, do Sporting, do Salamanca e até de uma possível ligação à Liga norte-americana. No entanto, o destino levá-lo-ia a outras paragens.
Já como internacional “A”, por razão do “amigável” disputado em Abril de 1985, Ribeiro ingressaria no Boavista. A primeira época passada no Bessa, a de 1985/86, tornar-se-ia mítica no percurso profissional do atleta. Avaliado como uma das “estrelas” do Campeonato Nacional e ao manter-se no grupo de convocados por José Torres, o fim da referida temporada premiaria o esquerdino com a presença na lista de atletas arrolados para o Campeonato do Mundo de 1986. No certame disputado no México, muito badalado pelos episódios de bastidores, o “Bom Gigante” acabaria por nunca chamar o extremo a jogo. Ainda assim, a falta de presenças em campo e a eliminação de Portugal na fase de grupos em nada beliscariam a imagem desportiva do atacante. Já no rescaldo do “Caso Saltillo”, o jogador, a par de outros colegas, ver-se-ia castigado e afastado da selecção.
De regresso ao Boavista, a sua longevidade com o “axadrezado” portuense seria muito prejudicada por arreliantes lesões. Daí em diante, a sua carreira acabaria mesmo por entrar num precoce declínio. Ainda na 1ª divisão, o Farense e o Estádio de São Luís, com Ribeiro um pouco distante das habituais e exuberantes exibições, tornar-se-iam no cenário para mais alguns contributos do extremo. Seguir-se-iam, já longe dos palcos maiores do futebol luso, o Olhanense e os modestos Alcacerense e a UCRD Praiense.

725 - MANUEL FERNANDES

Tendo passado pelos diversos escalões de formação, a sua chegada à principal equipa do Lusitano Futebol Clube aconteceria na temporada de 1971/72. A jogar tanto no meio-campo, como em lugares mais avançados do terreno, era encostado à esquerda que Manuel Fernandes mais rendia.
Dono de um forte remate, o jovem atleta rapidamente conseguiria destacar-se entre os demais colegas de equipa. As suas prestações, logo nessa época de estreia entre os seniores, levaria a que o Farense, orientado pelo consagrado Manuel de Oliveira, visse nele um bom reforço. A troca de emblemas, que o conduziria da 3ª divisão nacional para o escalão máximo português, aconteceria logo no defeso seguinte.
 Já depois de deixar Vila Real de Santo António, e a jogar entre os “grandes”, Manuel Fernandes, sem conseguir atingir o estatuto de titular, era, sem dúvida, um elemento importante. Essa relevância levaria a que conseguisse manter o seu lugar no plantel do Farense durante diversas temporadas. Esses anos passados em Faro, tendo partilhado o balneário com jogadores de grande traquejo, casos de Manuel José ou dos brasileiros Adílson, José Farias e Mirobaldo, fariam do ala-esquerdo um futebolista primodivisionário. Tanto assim foi que, mesmo com a despromoção dos “Leões algarvios”, Manuel Fernandes conseguiria manter-se na 1ª divisão.
A passagem pelo Estoril-Praia (1976/77), onde também estaria às ordens de José Torres, serviria de interlúdio para o ingresso em mais um clube do Algarve. No Portimonense, onde voltaria a cruzar-se com diversas caras suas conhecidas, casos dos já referidos Manuel de Oliveira e Mirobaldo, Manuel Fernandes ficaria por 3 anos. Destaque para a temporadas de 1978/79, durante a qual se sagraria campeão nacional da 2ª divisão.
Já depois de vestir as cores do Amora, naquela que seria a sua 8ª época no patamar mais alto do futebol nacional, Manuel Fernandes prosseguiria o seu caminho nos escalões secundários. Juventude e Lusitano, ambos emblemas da cidade eborense, Vasco da Gama de Sines e Quarteirense, completariam o leque de clubes que representaria durante a sua carreira. A mesma chegaria ao fim com o terminar da época de 1986/87 e de volta ao Lusitano de Évora.

353 - JORGE SILVA

Depois de, ainda novo e com toda a família, ter-se mudado de Lisboa para Moçambique, seria em África que Jorge Silva começaria a ganhar o gosto pelo futebol. Influenciado, ou não, pela existência na família de antigos praticantes da modalidade, casos de Manuel Jorge, pai e antigo atleta do Belenenses, e de Pérides, seu tio e internacional português, a verdade é que seria este último a orientá-lo nos primeiros passos e a encaminhá-lo até à Académica de Lourenço Marques.
Ainda em idade formativa, a sua habilidade rapidamente inspiraria a confiança do Benfica e sem que as “Águias” quisessem esperar muito mais tempo, tudo ficaria acordado para que o atacante, ao lado do irmão mais velho José Luís, regressasse à cidade de onde era natural. Em Lisboa, tanto na extrema-esquerda do campo ou preferencialmente a jogar a avançado-centro, Jorge Silva começaria a revelar as suas habilidades. Rapidez, boa técnica e uma capacidade intuitiva para conseguir estar onde os golos aconteciam, fariam dele uma das melhores promessas da “escolas encarnadas” e, em paralelo, das camadas jovens da "Equipa das Quinas".
Já com o seu irmão a jogar com o plantel sénior, o atacante, também a merecer a atenção de John Mortimore, seria chamado à equipa principal no decorrer da temporada de 1977/78. Contudo, apesar das qualidades demonstradas, Jorge Silva, com concorrentes como Nené, Vítor Batista ou Reinaldo, acabaria preterido nas escolhas dos técnicos. Por ser pouco utilizado, os responsáveis pelo emblema da “Luz” decidiriam o empréstimo como a melhor solução para o crescimento do jovem atleta. Amora e Boavista, principalmente os 3 anos ao serviço dos “Axadrezados”, serviriam para mostrar um futebolista de belíssimos préstimos e pronto para atacar a titularidade no Benfica. Com essa certeza, Pal Csernai, para a campanha de 1984/85, daria instruções para que o jogador regressasse à “casa mãe”. A trabalhar com o técnico húngaro, o atacante começaria por impor-se na equipa. No entanto, as oportunidades conseguidas acabariam por mostrar um avançado um pouco abaixo das expectativas criadas e a regressar, progressivamente, ao leque das segundas e terceiras escolhas.
Ao terminar a ligação com os “Encarnados”, o avançado iniciaria um novo périplo que fá-lo-ia apontar, mais uma vez, a voos de outra monta. Após representar o Desportivo de Chaves, de acompanhar, na temporada de 1985/86, a estreia do emblema transmontano na 1ª divisão e de, na campanha seguinte, ajudar à qualificação dos flavienses para as provas sob a alçada da UEFA, o passo seguinte na sua carreira seria dado na ilha da Madeira.
Ao serviço do Marítimo a partir de 1987/88, as boas exibições, juntamente com os golos marcados nas provas de índole nacional, haveriam de pô-lo no lote de seleccionáveis para a principal equipa a trabalhar sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol. Esse passo dá-lo-ia a 26 de Abril de 1989, pela mão de Juca, numa partida a contar para a Fase Qualificação do Mundial de 1990. Nesse jogo frente à Suíça, a juntar às 25 pelejas que, entre diversos escalões, o avançado já contava no trajecto competitivo, Jorge Silva passaria a somar ao currículo 1 internacionalização “A”.
No que restaria da senda desportiva do atacante, a qual ainda viria a estender-se por quase uma década, Jorge Silva passaria por diversos emblemas. O Belenenses de 1988/89 e, subsequentemente à única época passada no Restelo, a temporada feita ao serviço do Vitória Futebol Clube poriam um fim ao seu trajecto primodivisionário. Seguir-se-iam, na divisão de Honra, outra campanha com as cores da agremiação da cidade de Setúbal e os dois anos na Ovarense. Já como o último capítulo na sua caminhada enquanto futebolista, surgiria o Lusitano de Vila Real de Santo António e o fim da carreira com o termo das provas agendadas para 1997/98 e com o jogador à beira de completar 40 anos de idade.

257 - VÍTOR BATISTA

No primeiro dia na "Luz", na apresentação aos adeptos, intitulou-se "O Maior". Já na partida onde marcou último golo pelo Benfica, um monumental remate à entrada da grande-área do Sporting, pôs toda a gente à procura de um brinco perdido durante os festejos, impedindo o normal reinício da partida. Pelo meio, muita luta ao jeito de "Dr.Jekyll and Mr. Hyde", entre uma personalidade conturbada e o génio do futebol.
Nascido em meio desfavorecido na cidade de Setúbal, desde muito cedo começou a sublinhar a sua personalidade. Ora a vaguear pelo meio de prostitutas, para quem, como o próprio contou, era moço de recados; ora a participar em pequenos torneios da bola, o miúdo Vítor já era uma figura de destaque. Quem primeiro deitou a mão ao pequeno craque, foi o Vitória Futebol Clube. No emblema sadino começou a vincar a sua marca no mundo do desporto nacional. A aferir o seu crescimento, logo emergiu a conquista da Taça de Portugal de 1966/67, durante a qual, com apenas 18 anos de idade, teve um papel de grande importância. Por fim, na última época do avançado no Bonfim, o brinde do jogador aos adeptos do emblema setubalense, com os 22 golos concretizados no Campeonato Nacional.
Fez-se sempre acompanhar de uma boa dose de excentricidade e tantas as histórias para contar, como aquela em foi apanhado pelos colegas em frente a um espelho e a perguntar – "Ó meu Deus, porque me fizeste tão belo?"*. Ainda assim, o "gargantas", alcunha ganha por razão de uma imensidão de episódios semelhantes ao relato, começou por ser cobiçado por Sporting e Benfica. Depois de apalavrado com os “Leões”, virou-se para o outro lado da 2ª circular, onde o clube, para contratar o jogador, fez, à altura, o maior esforço financeiro da história do futebol luso. 3 mil contos, mais 750 de "luvas" para o atleta, e a cedência de três atletas – José Torres, Matine e Praia – fizeram o negócio. De seguida veio aquilo que já destapei: lances e golos de levantar estádios, cães presos à baliza durante os treinos, a adoração do público, grandes bólides com "chauffeur", muito futebol e outros tantos vícios.
Foram mesmo as dependências que, após terminada a carreira, levaram Vítor Batista ao mundo do crime. Condenado por roubo, cumpriu pena. Muitos foram os que, por essa altura, tentaram ajudá-lo… em vão! Pouco sobrou do futebolista que, no Estádio da Antas, por marcar 3 golos ao serviço dos "Sadinos", ganhou de aposta o isqueiro de ouro ao seu treinador, José Maria Pedroto. A toxicodependência e o álcool deixaram-no, até à morte aos 50 anos, na maior das misérias. Restou a memória de um enorme futebolista e também, como recordou o seu grande amigo e colega no Vitória de Futebol Clube, Fernando Tomé – "um bom coração. No regresso a Setúbal, depois de jogar no Benfica, não quis jogo de apresentação. Preferiu uma tourada, que ele próprio organizou. A receita, fez saber, seria metade para ele e metade para o Asilo Paula Borba. Mas nunca houve tourada porque se esqueceu de arranjar os touros"*.

*retirado do artigo de Mário Pereira, publicado em Outubro de 2008, em https://www.cmjornal.pt