Umas semanas após a derrota do Benfica na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1962/63 – dois golos de Altafini (AC Milan) –, logo o Sporting, ainda por cima em pleno "Estádio da Luz", forçaria o Benfica a sair da Taça de Portugal. O principal responsável pela eliminação das "Águias", seria um atleta leonino de seu nome Figueiredo. Dois golos do dito atacante valeriam, para além da posterior vitória no troféu, um lugar no derradeiro jogo da competição. Como a "oportunidade faz o ladrão", então que melhor momento haveria para rebaptizar o autor desses dois tentos?! Nenhum! E a partir desse momento, Ernesto Figueiredo ficaria conhecido como o "Altafini de Cernache", terra onde havia crescido!
Por altura da história retratada no final do parágrafo anterior, já o avançado, depois das passagens pelo Matrena, União de Tomar e Cernache, cumpria no plantel do Sporting a 3ª temporada. Porém, desde a sua época de estreia, 1960/61, que Figueiredo, pela combatividade apresentada dentro de campo, força, sentido de baliza e, como é lógico, pelos golos que marcava, era tido como uma peça fulcral no escalonamento do "onze" inicial. Tal importância levá-lo-ia a ser umas das figuras centrais da conquista, tanto da referida Taça de Portugal, como do Campeonato Nacional de 1961/62. Contudo, seria na época 1963/64 que Figueiredo gravaria o seu nome a ouro, naquela que é a página mais importante da história do Sporting. Começaria frente ao Atalanta, sendo dele o primeiro tento na vitoriosa campanha da Taça dos Vencedores das Taças. Já na final da prova, meteria mais duas bolas nas redes do MTK de Budapeste, o que adiaria a decisão para a derradeira finalíssima.
Tendo os golos como a sua maior alegria, ele que até tinha começado a carreira como guarda-redes, houve um remate certeiro a trazê-lo bem aziado. Numa das partidas para o Campeonato Nacional de 1965/66, contra o Lusitano de Évora, um dos tentos por si concretizado ser-lhe-ia retirado… Anulado?! Não! Apenas considerado como marcado na própria baliza" - "Os jornais desportivos escreveram que foi autogolo do guarda-redes Vital, mas como, se eu rematei à baliza?!"*. Claro que este momento poderia não ter tido peso algum. No entanto, terminada a temporada, no topo da lista dos goleadores, tal episódio, acabaria por colocar Eusébio e Figueiredo, par a par. Ora, como o benfiquista tinha menos partidas jogadas, acabaria por ser ele, em detrimento do avançado do Sporting, o vencedor do prémio para o "Melhor Marcador"!
Figueiredo penduraria as chuteiras, em 1969/70, ao serviço do Vitória Futebol Clube. Após o fim da carreira de futebolista profissional, aquele que foi um dos "Magriços" no Mundial de 1966, decidiria deixar o futebol para dar lugar às memórias. Depois, seria vê-lo a passar pelas ruas de Lisboa, mas nas funções de taxista!
*retirado de "101 cromos da bola" (Lua de Papel), Rui Miguel Tovar, Março de 2012

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