1723 - PERES

Nascido António Francisco Jesus Moreira, ficaria conhecido como Peres, por razão da alcunha vinda da família. Desde cedo começaria a destacar-se como um intérprete de técnica apurada, dono de um pé esquerdo magistral e com uma capacidade acima da média para ler o jogo. Tais características, muito mais do que levarem o jovem médio-centro, ainda em idade júnior, até à equipa principal do Candal, fariam com que emblemas de outra monta começassem a vê-lo como um hipotético reforço. Nessa caminhada a galgar alguns degraus, depois da estreia, na temporada de 1957/58, pela referida colectividade sediada nas cercanias de Vila Nova de Gaia, seria o Benfica que, na campanha seguinte, conseguiria convencer o atleta a mudar de insígnia e o centrocampista, após chegar a Lisboa, viria a ser integrado no conjunto de “reservas”.
A sua vida de “Águia” ao peito, com a forte concorrência dos jogadores que acabariam a tornar-se bicampeões europeus, não seria muito proveitosa no plano individual. Ainda assim, haveria de ser nesses anos em que o Benfica mais viria a brilhar além-fronteiras que Peres, pela mão de Béla Guttmann, também conseguiria estrear-se na 1ª divisão e na Taça de Portugal. Essas partidas, a contarem para a temporada de 1960/61, muito para além de darem ao médio o direito de adicionar ao currículo a vitória no Campeonato Nacional, lançá-lo-iam para uma carreira deveras resplandecente. Seguir-se-ia, por empréstimo dos “Encarnados”, a época no Atlético e após conquistar a titularidade no período cumprido na Tapadinha, o regresso ao Norte do país desenhar-lhe-ia o resto da caminhada enquanto futebolista.
Envolvido num negócio que levaria até à Luz Pedras e Augusto Silva e em sentido contrário um rol imenso de outros atletas, no qual estariam incluídos os históricos Mendes e Manuel Pinto, Peres chegaria ao Vitória Sport Clube na temporada de 1962/63. Logo na mencionada campanha, treinado por José Valle, o médio tornar-se-ia num dos esteios de um trajecto que teria na final da Taça de Portugal o seu ponto mais alto. No Jamor, arrolado pelo técnico argentino, o atleta, à imagem do resto da época, apareceria em campo como titular. Porém, frente ao Sporting, o seu desempenho seria insuficiente para evitar a derrota por 4-0 e o conjunto minhoto partiria em direcção à “Cidade Berço” sem o almejado troféu.
Tal como na temporada de estreia no Minho, Peres, até aos últimos dias da carreira, manter-se-ia como um dos nomes indiscutíveis no “onze” vimaranense. Com tamanha preponderância nos esquemas tácticos idealizados pelos diferentes treinadores, o médio rapidamente passaria a ser aferido como uma das caras mais estimadas pelos adeptos. Esse estatuto, cevado pela maneira incansável como cumpria as tarefas dentro de campo, levá-lo-ia, meritoriamente, aos anais do emblema minhoto. Ao chegar a capitão de equipa, a relevância que saberia manter no seio balneário conservá-lo-ia como fulcral para as metas alcançadas pelo colectivo. Tal contexto, cimentando-se o Vitória Sport Clube como uma das agremiações presente nas pelejas pelos lugares cimeiros das provas lusas, a chegada à final da Taça de Portugal de 1967/68 e o 3º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional do ano seguinte transformar-se-iam também em pináculos do trajecto competitivo do centrocampista.
Falta ainda fazer referência à estreia do Vitória Sport Clube nas provas de índole continental, com Peres, no âmbito da Taça das Cidades com Feira de 1969/70, a entrar em campo frente aos checoslovacos do Banik Ostrava e também na ronda a opor o emblema português ao Southampton. No entanto, num trajecto repleto de momentos indiscutivelmente importantes, o médio, até pela qualidade do seu jogo, careceria de uma caminhada internacional diferente daquela que haveria de conquistar. Nesse trecho, onde seria chamado aos trabalhos agendados pela Federação Portuguesa de Futebol algumas vezes, o melhor que conseguiria surgiria da sua participação na selecção militar. Por outro lado, as 9 temporadas ao serviço do emblema vimaranense, tal como frisado anteriormente, torná-lo-iam num verdadeiro símbolo. Do mesmo modo, o carinho por si sentido pela colectividade minhota ainda levariam o antigo médio, “penduradas as chuteiras”, a assumir alguns cargos directivos. Já como treinador, para além da passagem pelo Famalicão, também teria uma curta experiência nos “Conquistadores”, assumindo o cargo de técnico-principal, na época em que também findaria as suas actividades enquanto praticante, ou seja em 1970/71.

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