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1723 - PERES

Nascido António Francisco Jesus Moreira, ficaria conhecido como Peres, por razão da alcunha vinda da família. Desde cedo começaria a destacar-se como um intérprete de técnica apurada, dono de um pé esquerdo magistral e com uma capacidade acima da média para ler o jogo. Tais características, muito mais do que levarem o jovem médio-centro, ainda em idade júnior, até à equipa principal do Candal, fariam com que emblemas de outra monta começassem a vê-lo como um hipotético reforço. Nessa caminhada a galgar alguns degraus, depois da estreia, na temporada de 1957/58, pela referida colectividade sediada nas cercanias de Vila Nova de Gaia, seria o Benfica que, na campanha seguinte, conseguiria convencer o atleta a mudar de insígnia e o centrocampista, após chegar a Lisboa, viria a ser integrado no conjunto de “reservas”.
A sua vida de “Águia” ao peito, com a forte concorrência dos jogadores que acabariam a tornar-se bicampeões europeus, não seria muito proveitosa no plano individual. Ainda assim, haveria de ser nesses anos em que o Benfica mais viria a brilhar além-fronteiras que Peres, pela mão de Béla Guttmann, também conseguiria estrear-se na 1ª divisão e na Taça de Portugal. Essas partidas, a contarem para a temporada de 1960/61, muito para além de darem ao médio o direito de adicionar ao currículo a vitória no Campeonato Nacional, lançá-lo-iam para uma carreira deveras resplandecente. Seguir-se-ia, por empréstimo dos “Encarnados”, a época no Atlético e após conquistar a titularidade no período cumprido na Tapadinha, o regresso ao Norte do país desenhar-lhe-ia o resto da caminhada enquanto futebolista.
Envolvido num negócio que levaria até à Luz Pedras e Augusto Silva e em sentido contrário um rol imenso de outros atletas, no qual estariam incluídos os históricos Mendes e Manuel Pinto, Peres chegaria ao Vitória Sport Clube na temporada de 1962/63. Logo na mencionada campanha, treinado por José Valle, o médio tornar-se-ia num dos esteios de um trajecto que teria na final da Taça de Portugal o seu ponto mais alto. No Jamor, arrolado pelo técnico argentino, o atleta, à imagem do resto da época, apareceria em campo como titular. Porém, frente ao Sporting, o seu desempenho seria insuficiente para evitar a derrota por 4-0 e o conjunto minhoto partiria em direcção à “Cidade Berço” sem o almejado troféu.
Tal como na temporada de estreia no Minho, Peres, até aos últimos dias da carreira, manter-se-ia como um dos nomes indiscutíveis no “onze” vimaranense. Com tamanha preponderância nos esquemas tácticos idealizados pelos diferentes treinadores, o médio rapidamente passaria a ser aferido como uma das caras mais estimadas pelos adeptos. Esse estatuto, cevado pela maneira incansável como cumpria as tarefas dentro de campo, levá-lo-ia, meritoriamente, aos anais do emblema minhoto. Ao chegar a capitão de equipa, a relevância que saberia manter no seio balneário conservá-lo-ia como fulcral para as metas alcançadas pelo colectivo. Tal contexto, cimentando-se o Vitória Sport Clube como uma das agremiações presente nas pelejas pelos lugares cimeiros das provas lusas, a chegada à final da Taça de Portugal de 1967/68 e o 3º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional do ano seguinte transformar-se-iam também em pináculos do trajecto competitivo do centrocampista.
Falta ainda fazer referência à estreia do Vitória Sport Clube nas provas de índole continental, com Peres, no âmbito da Taça das Cidades com Feira de 1969/70, a entrar em campo frente aos checoslovacos do Banik Ostrava e também na ronda a opor o emblema português ao Southampton. No entanto, num trajecto repleto de momentos indiscutivelmente importantes, o médio, até pela qualidade do seu jogo, careceria de uma caminhada internacional diferente daquela que haveria de conquistar. Nesse trecho, onde seria chamado aos trabalhos agendados pela Federação Portuguesa de Futebol algumas vezes, o melhor que conseguiria surgiria da sua participação na selecção militar. Por outro lado, as 9 temporadas ao serviço do emblema vimaranense, tal como frisado anteriormente, torná-lo-iam num verdadeiro símbolo. Do mesmo modo, o carinho por si sentido pela colectividade minhota ainda levariam o antigo médio, “penduradas as chuteiras”, a assumir alguns cargos directivos. Já como treinador, para além da passagem pelo Famalicão, também teria uma curta experiência nos “Conquistadores”, assumindo o cargo de técnico-principal, na época em que também findaria as suas actividades enquanto praticante, ou seja em 1970/71.

1641 - VAZ

Já como guardião principal do Penalva do Castelo, António Lopes Vaz veria o Serviço Militar Obrigatório a levá-lo para Viseu. Já na capital do distrito de onde era natural, o guarda-redes, com a fama em alta, receberia de Vieirinha, antigo internacional português e, na temporada de 1965/66, treinador do Académico de Viseu, um convite para participar, pelos “Viriatos”, num “particular” frente ao Sporting. Segundo relatariam as crónicas da altura, o atleta acabaria o desafio como o melhor homem em campo e a grande exibição, conseguida nessa partida frente aos “Leões”, viria a catapultar a sua carreira desportiva.
Com os “Dragões” à procura de reforçar o plantel, nomeadamente a posição de guarda-redes, Vieirinha, entretanto eleito, no FC Porto, como adjunto de José Maria Pedroto, aconselharia a contratação de Vaz. Apresentado como atleta dos “Azuis e Brancos” a partir da temporada de 1967/68, o guardião passaria a enfrentar a concorrência de Américo e de Rui. Tamanha qualidade, na disputa por um lugar à baliza, faria com que o jogador poucas vezes aparecesse em campo. Tal ocaso atenuar-se-ia apenas na terceira campanha do atleta nas Antas. No entanto, o acréscimo de jornadas disputadas ficaria também ligado à tremenda balbúrdia vivida pelo emblema nortenho e o 9º lugar, com que os portistas viriam a concluir o Campeonato Nacional de 1969/70, precipitaria enormes mudanças no grupo de trabalho.
Com o José Maria Pedroto à frente do Vitória Futebol Clube, a sua mudança para a cidade de Setúbal ficaria ligada à presença do referido treinador no comando técnico dos “Sadinos”. Com a entrada no Bonfim a acontecer na campanha de 1970/71, integrado em planteis que, ao longo dos anos, apresentariam Torres como um forte candidato ao “onze”, o guarda-redes nem sempre conseguiria assegurar um lugar como titular. Ainda assim, as 8 épocas vividas na defesa da camisola verde e branca, traduzir-se-iam no melhor período da sua caminhada competitiva. A prová-lo surgiriam as suas contribuições para o 2º lugar no Campeonato Nacional de 1971/72 ou para os quartos-de-final atingidos na edição de 1972/73 da Taça UEFA. Porém, mesmo tido como um dos grandes nomes do período mais áureo da história da agremiação setubalense, o termo da ligação, entre o guardião e o emblema, aconteceria em 1977/78 e, a entrar na fase final da carreira, Vaz ainda revelaria vitalidade para continuar a exibir-se ao mais alto nível.
A época de 1978/79, depois de, em 1966/67, ter estado bem próximo de rubricar um contrato com o clube, serviria para Vaz ingressar num primodivisionário Académico de Viseu. Mesmo com o colectivo beirão a claudicar no objectivo da manutenção, o guardião, com boas exibições, asseguraria nova transferência para um dos emblemas de maior monta no cenário luso. No Sporting, integrado no plantel de 1979/80, o atleta continuaria a sublinhar-se como um elemento capaz de prestações sóbrias e de uma entrega inquestionável. Tais qualidades, logo na temporada de entrada em Alvalade, contribuiriam para a conquista do Campeonato Nacional. Mesmo ao conseguir ultrapassar Fidalgo no segundo ano com os “Verde e Brancos”, a verdade é que a sua ligação aos “Leões” terminaria e o guarda-redes, em 1981/82, num Amora conduzido por José Moniz, seu antigo treinador no Fontelo, conheceria a derradeira presença no patamar máximo português. Por fim, surgiria o regresso à cidade de Setúbal e a conclusão da senda como futebolista, associado ao Comércio e Indústria de 1982/83.

1617 - NÓBREGA

Com a formação concluída ao serviço do FC Porto, Francisco Lage Pereira Nóbrega, por altura da sua promoção a sénior, seria emprestado ao Tirsense. Envolvido no negócio da ida de Alberto Festa para as Antas, a época de 1961/62, seria cumprida pelo extremo-esquerdo nas pelejas do 3º escalão. No entanto, mesmo afastado das exigências competitivas endereçadas aos “grandes”, o ano ao serviço dos “Jesuítas” serviria para que ganhasse traquejo suficiente para justificar o seu regresso aos “Azuis e Brancos”. Cumprido o tal desígnio, o atacante, num grupo de trabalho comandado por Jeno Kalmár, seria incluído no plantel de 1962/63 dos “Dragões” e no decorrer dessa campanha faria a estreia na 1ª divisão.
Aferido como um intérprete dotado de uma técnica sublime e de uma velocidade estonteante, Nóbrega não demoraria muito para vir a fixar-se no “onze” do FC Porto. Ao ultrapassar a concorrência de colegas mais experientes, o jogador, já sob a alçada de Otto Glória sublinhar-se-ia, no decorrer da temporada de 1963/64, como uma das principais figuras da colectividade portuense. Nesse sentido, a campanha seguinte traria alguns capítulos inolvidáveis para a caminhada do atleta. O inicial vivê-lo-ia na 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças, com os “Azuis e Brancos”, numa peleja frente aos gauleses do Olympique Lyon, a estrearem as vitórias no contexto das provas continentais. Já o segundo momento surgiria sensivelmente dois meses depois, com o avançado a ser arrolado à principal selecção lusa. Com a mais importante “camisola das quinas”, pela mão da dupla Manuel da Luz Afonso e do já mencionado Otto Glória, a partida de preparação frente a Espanha serviria de arranque a um trajecto que, para além das presenças com as cores da equipa “B” e “militar”, traria ao currículo do extremo-esquerdo 4 internacionalizações “A”. Nessa senda faltar-lhe-ia a chamada ao Mundial de 1966, feito que esteve à beira de acontecer por razão da sua inclusão na lista de pré-convocados para o certame realizado em Inglaterra.
Outro episódio de incontestável importância na caminhada do atleta emergiria com a chegada do FC Porto ao derradeiro desafio da edição de 1967/68 da Taça de Portugal. Depois de, em 1963/64 e frente ao Benfica, ter tido a primeira aparição na final da “Prova Rainha”, Nóbrega voltaria ao Jamor para, dessa feita, enfrentar o Vitória Futebol Clube. Contrariamente à experiência anterior, os “Dragões”, com o treinador José Maria Pedroto aos comandos da equipa, conseguiriam derrotar os seus adversários e com o golo do extremo-esquerdo a selar o triunfo por 2-1, o conjunto sediado na “Cidade Invicta” partiria do Estádio Nacional na posse do tão almejado troféu.
O que restaria do seu trajecto a envergar a camisola do FC Porto serviria para cimentá-lo como uma das grandes figuras dos “Azuis e Brancos” e, sem dúvida, como um dos melhores executantes no panorama futebolístico português. Os números tirados dessa senda revelariam 12 épocas passadas com os “Dragões”, 277 partidas disputadas e 44 golos concretizados em jogos oficiais. De seguida emergiria o regresso à terra natal, o ingresso no plantel de 1974/75 do Vila Real, as quase 3 temporadas cumpridas na agremiação de Trás-os-Montes e a sua saída do clube em solidariedade com o amigo Custódio Pinto, após este ter sido polemicamente demitido do cargo de treinador. No entanto, tendo decidido “pendurar as chuteiras”, Nóbrega manter-se-ia ligado ao futebol e numa carreira como técnico feita nos escalões secundários, o antigo atacante mereceria grandes louvores ao orientar colectividades como o Felgueiras, o Lixa, o Feirense, o Avanca ou o Atlético de Rio Tinto.

1587 - ALEIXO

Descoberto pelo Sporting nas “escolas” do Montijo, Edmundo Fernando Silva Aleixo, depois de passar pelos “reservas” leoninos e após um regresso, por empréstimo, ao emblema aldegalense, estrear-se-ia na principal equipa dos “Verde e Brancos” na temporada de 1960/61. Porém, essa chamada sob a batuta do técnico argentino Alfredo González, partida disputada na Tapadinha, não teria continuidade. Aliás, o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia, quase de seguida, até Moçambique e o Sporting de Lourenço Marques tornar-se-ia na oportunidade para o médio de características ofensivas prosseguir a carreira.
Pouco tempo passado sobre o regresso à metrópole, Aleixo seria apresentado como reforço do plantel do Varzim. Com os “Lobos-do-mar” a disputar a 1ª divisão, essa campanha de 1964/65, comandado por Artur Quaresma, daria início àquela que viria a tornar-se na maior ligação clubística do atleta. Ao longo de 7 anos consecutivos a servir o emblema nortenho e a partilhar o balneário com ilustres nomes da colectividade, casos de Quim Rosa, Sidónio, Fernando Ferreira ou Salvador, a referida passagem torná-lo-ia numa das figuras com mais jogos disputados pelo clube no escalão máximo. Para além dessas 125 históricas partidas, as quais representariam a titularidade em grande parte das campanhas cumpridas, o médio seria peça fundamental na manutenção do conjunto entre os “grandes” e em boas classificações, como vira a tornar-se o 6º posto conseguido com o termo do Campeonato Nacional de 1969/70. Ainda assim, a despromoção sofrida no fim da época de 1970/71 levá-lo-ia a prosseguir a caminhada competitiva noutras paragens e a mudança para o Boavista encaminhá-lo-ia para uma nova camisola.
A entrada no Estádio do Bessa na campanha de 1971/72, onde voltaria a encontrar-se com o treinador Joaquim Meirim, daria ao seu currículo, num cômputo de uma dezena de temporadas primodivisionárias, outras duas campanhas no patamar máximo do futebol luso. No entanto, ao contrário da titularidade conquistada em maior parte do período passado com as cores do Varzim, Edmundo Aleixo nunca conseguiria impor-se como um dos membros incontestáveis do “onze” inicial dos “Axadrezados”. Já a acusar alguma veterania, o médio tomaria então a decisão de deixar as “Panteras” para, na época de 1973/74 e ao oferecer-se às pelejas da 2ª divisão, passar a representar o Gil Vicente. Já o fim da sua carreira como futebolista ocorreria não muito longe de Barcelos e, ao descer mais um patamar competitivo, seria no Vizela que, com a conclusão das provas agendadas para 1974/75, haveria de “pendurar as chuteiras”.

1557 - CARLOS MANUEL

Natural de São Miguel das Aves, localidade actualmente denominada por Vila das Aves, Carlos Manuel Gomes Dias nasceria para o futebol no emblema da sua terra natal. Porém, apesar dos primeiros passos dados nos juniores do Desportivo das Aves, seria na sede de concelho que o esquerdino conseguiria estrear-se como sénior. Com o Tirsense a disputar a 2ª divisão de 1958/59, o atleta que, na banda canhota, podia posicionar-se na defesa ou no sector intermediário, depressa começaria a assumir-se como um membro de grande valor. Pior viria com as épocas seguintes, com os “Jesuítas” a serem despromovidos e a passarem a disputar o 3º degrau do futebol luso e até os “regionais” da Associação de Futebol do Porto. Ainda assim, o jogador não deixaria de mostrar uma boa habilidade e a prova disso mesmo, com um hiato de 2 campanhas em que desconheço o seu trajecto desportivo*, sublinhar-se-ia pela caminhada competitiva a culminar no interesse e contratação de um dos emblemas de maior monta no contexto português.
Com a entrada no Estádio das Antas a acontecer em 1964/65, Carlos Manuel voltaria a encontrar-se com Nóbrega, Festa e, um ano depois, com Manuel António, todos eles antigos atletas do Tirsense. Inicialmente orientado pelo brasileiro Otto Glória, o jogador, mesmo com um registo positivo no que às chamadas a jogo diz respeito, nunca conseguiria cimentar-se como uma figura indiscutível. Tal estatuto manter-se-ia inalterado nas épocas seguintes. Ainda assim, para além da estreia na 1ª divisão, o atleta, nas campanhas cumpridas na “Cidade Invicta”, teria ainda a honra de participar nas edições de 1965/66 e de 1966/67 da Taça das Cidades com Feira. Porém, os números arrecadados a defender os “Dragões” seriam insuficientes para manterem o esquerdino por muito tempo no plantel do FC Porto e conservá-lo-iam, como elemento dos “Azuis e Brancos”, apenas até ao termo da última temporada aludida.
A saída dos “Dragões”, muito mais do que dar azo ao regresso de Carlos Manuel à colectividade que o tinha lançado no futebol, fá-lo-ia assinar um contrato com um Tirsense a cumprir a primeira aparição no escalão máximo. Todavia, não seria somente a época de 1967/68 a inscrevê-lo nos anais do emblema. Ao serviço dos “Jesuítas”, o atleta manter-se-ia activo por mais uns bons anos e mesmo com a despromoção do clube no final da campanha de estreia na divisão maior, o jogador manter-se-ia fiel camisola negra. Nesse cenário, contribuiria para o retorno do colectivo nortenho ao convívio com os “grandes” e as temporadas de 1970/71 e de 1971/72 somar-se-iam ao seu currículo primodivisionário.
Finalmente surgiria a época de 1972/73, a mesma que, com o atleta de volta ao patamar secundário, emergiria como a derradeira ao serviço do Tirsense. De seguida, numa altura em que já tinha nascido o seu filho Rui Alberto, Carlos Manuel daria entrada no plantel de 1973/74 do Desportivo das Aves.

*desconheço a existência de qualquer registo nas campanhas de 1961/62 e 1962/63. Aliás, as informações encontradas indicam que Carlos Manuel não terá competido durante as referidas épocas.

1536 - ARCANJO

Natural de Olhão, Joaquim Arcanjo daria os primeiros passos no futebol com as cores do Sport Faro e Benfica. Ainda no Algarve, ao destacar-se como avançado, o jovem jogador despertaria a atenção da “casa mãe” e na temporada de 1961/62 viajaria para Lisboa. Na Luz daria continuidade às boas prestações e numa altura em que já era habitual vê-lo nas “reservas” das “Águias”, seria chamado a envergar a “camisola das quinas”. Integrado nos juniores lusos, o atacante, a 17 de Fevereiro de 1963, entraria em campo ao lado de outros jovens que também acabariam por brilhar no desporto luso, casos de Godinho, Melo ou Guerreiro. Depois desse encontro frente a França, o atleta, sempre no escalão agora denominado como sub-18, ainda teria mais oportunidades para representar a selecção e acabaria a preencher o currículo com 4 internacionalizações por Portugal.
Ao subir à equipa principal do Benfica no decorrer da campanha de 1964/65, Arcanjo, pela mão do romeno Elek Schwartz, estrear-se-ia na 1ª divisão. Essa partida, uma estrondosa goleada por 11-3 frente ao Seixal, em que o avançado inauguraria o placard, dar-lhe-ia a oportunidade de integrar a lista de vencedores do Campeonato Nacional. Porém, apesar do título a colorir-lhe o palmarés, a sua situação de elemento pouco ou nada utilizado manter-se-ia. Tal ocaso faria com que os responsáveis directivos do clube “alfacinha” envolvessem o atleta, ao lado de Pedras e do já referido Guerreiro, no negócio da vinda de Jaime Graça para os “Encarnados” e desse modo, no começo da época de 1966/67, o jovem praticante seria apresentado como reforço do Vitória Futebol Clube.
A mudança para o emblema sediado na cidade de Setúbal não traria resultados imediatos. Só na época de 1968/69 é que o avançado, numa campanha em que seria o melhor marcador da equipa no Campeonato Nacional, começaria a ser tido como um elemento a ter em conta para o “onze” inicial. Nessa mesma época participaria também na brilhante campanha do Vitória Futebol Clube na Taça das Cidades com Feira. Nessa edição da prova, na qual os “Sadinos” chegariam aos quartos-de-final, Arcanjo marcaria golos em todas as rondas e ajudaria a eliminar o Olympique Lyon e a Fiorentina. Aliás, seria nas competições de índole continental que o atacante viveria grandes momentos competitivos. Sempre na competição já aludida neste parágrafo, o jogador, em 1969/70, ajudaria a afastar o Liverpool, para na época seguinte participar em nova caminhada até aos quartos-de-final. Já a competir na Taça UEFA, o atleta continuaria a ter um papel preponderante no galgar das eliminatórias e em 1972/73 e em 1973/74, ao participar nos triunfos frente a Fiorentina, Inter Milan ou Leeds United, por mais duas vezes atingiria os quartos-de-final.
Naquela que foi a época áurea dos “Sadinos”, Arcanjo, sob a intendência de José Maria Pedroto, ainda teria a oportunidade de disputar a final da Taça de Portugal de 1972/73. No entanto, depois de uma época menos conseguida, o atacante, sem sair da 1ª divisão, passaria a campanha de 1974/75 ao serviço do Atlético. Mesmo tendo voltado ao Estádio do Bonfim após o ano cumprido na Tapadinha, a verdade é que só a temporada de regresso é que mostraria o avançado a exibir-se de forma condizente com períodos anteriores. Talvez por essa razão, a sua ligação ao Vitória Futebol Clube concluir-se-ia com o termo das provas agendadas para 1976/77. Ainda assim, retornaria à actividade e inscrito como treinador/jogador apareceria à frente do Coruchense e do Campinense, respectivamente em 1978/79 e 1980/81.

1476 - MÁRIO NUNES

Filho de António Nunes, antiga estrela do FC Porto e do Estoril Praia, Mário Nunes ainda nasceria na “Cidade Invicta”, mas, por razão da mudança do pai para a agremiação da Linha de Cascais, acabaria por crescer na área de Lisboa. Seria mesmo nos arredores da capital que o jovem praticante daria os primeiros passos na modalidade, aquando da sua entrada nas camadas de formação do Sintrense. Do emblema saloio, resultado da boa evolução demonstrada, transitaria para as “escolas” do Benfica e seria já como atleta das “Águias” que participaria num dos momentos mais importantes da sua carreira desportiva.
Convocado por David Sequerra, Mário Nunes faria parte do grupo de trabalho que, sob a alçada técnica de José Maria Pedroto, participaria no Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961. No certame organizado em Portugal, o médio-ofensivo, apesar de não ser um dos habituais titulares, entraria em campo num par de ocasiões. O primeiro jogo, a 30 de Março e a coincidir com a sua estreia de “quinas ao peito”, aconteceria frente à Itália. Ainda na fase de grupos, o atleta conseguiria a segunda internacionalização e na partida com a Inglaterra, ao juntar 1 golo da sua autoria aos remates certeiros de António Simões e de Serafim, ajudaria à vitória por 4-0.
Com a vitória no torneio acima referido a colorir o currículo de Mário Nunes, o final da temporada de 1960/61 marcaria o fim do seu percurso formativo. No entanto, apesar de ser visto como uma das grandes promessas do futebol luso, o jogador não asseguraria um lugar no plantel à guarda de Béla Guttmann. Afastado da Luz, a sua estreia como sénior aconteceria ao serviço do Olhanense. No entanto, mesmo a disputar a 1ª divisão de 1961/62, a verdade é que as prestações do médio-ofensivo ficariam aquém do esperado e o atleta, no conjunto comandado por Francisco André, poucas presenças em campo haveria de somar.
Os anos seguintes levá-lo-iam a uma longa senda por diversos emblemas dos escalões secundários. Peniche, Desportivo de Beja, Cova da Piedade, Sintrense e Almada precederiam o seu ingresso no Farense. No emblema algarvio desde 1968/69, Mário Nunes viveria outro momento de enorme relevância. Com a colectividade do Sotavento a militar na 3ª divisão, o médio tornar-se-ia numa das principais figuras da incrível escalada do clube, em que a agremiação, em dois anos seguidos, conseguiria duas subidas consecutivas.
Com tal êxito, a época de 1970/71, não só marcaria o regresso de Mário Nunes ao degrau maior do futebol luso, como assinalaria o arranque do Farense entre os “grandes”. Com Manuel de Oliveira como o treinador da estreia primodivisionária dos algarvios, o médio-ofensivo continuaria a manter-se como um nome habitual nas fichas de jogo. Porém, a temporada seguinte, ainda no patamar máximo e com o mesmo técnico, emergiria de forma completamente diferente e o jogador praticamente não jogaria. O mencionado ocaso empurrá-lo-ia na direcção de outra colectividade e a partir da campanha de 1972/73, o atleta passaria a representar o Portimonense.
Com a camisola alvinegra, o médio-ofensivo começaria apenas como atleta. Contudo, 1974/75 marcaria um ponto de viragem na sua ligação à modalidade e após aceitar o papel de treinador-jogador, a temporada seguinte levá-lo-ia a assumir-se, em exclusivo, como técnico. Seria já no desempenho das novas funções que o antigo futebolista entraria para a história do Portimonense. Com a colectividade do Barlavento a fazer uma belíssima campanha de 1975/76, o termo da época daria os algarvios como uma das equipas promovidas à 1ª divisão. O sucesso alcançado com a subida, faria com que continuasse à frente da equipa e seria de Mário Nunes a responsabilidade de conduzir o clube na estreia no escalão máximo.
Daí em diante, Mário Nunes alimentaria uma longa carreira como treinador que, apesar de construída em grande parte ao serviço de agremiações a militar nos escalões secundários, ainda teria, como testemunham as suas passagens pelo Estoril Praia, Marítimo e “O Elvas”, outras experiências na 1ª divisão. Nessa caminhada destaque também para a experiência em Marrocos, onde orientaria o Ittihad Riadhi de Tanger.

1452 - HOMERO SERPA

Se existem nomes, de estatura imensurável, que tiverem a habilidade de, com a obra erigida, alimentar a consciência desportiva de um povo, Homero Serpa, com indubitável nobreza e enorme sabedoria, soube ser uma dessas figuras. A atestar a grandeza do trabalho por si apresentado, posso aludir, como a primeira de muitas provas, a reconhecida relação ao Belenenses. No entanto, apesar de assumida a paixão – porque não? – nunca esse laço afectou a imparcialidade do seu pensamento e, mormente, a isenção dos seus textos.
Apesar de outras ligações ao desporto, por exemplo como nadador, foi na escrita jornalística que Homero Serpa conseguiria almejar grande relevo e merecidos louvores. Tendo cooperado com diversos títulos, o maior destaque nessas colaborações, depois de participar no jornal do Belenenses, viria em 1955 com a sua entrada na “A Bola”. Naquele que ainda é, aos dias de hoje, um dos principais cabeçalhos da imprensa portuguesa, a publicação fundada, a par de Vicente de Melo, por outros dois grandes vultos do futebol luso, isto é, Cândido de Oliveira e Ribeiro dos Reis, serviria de principal alicerce à incontornabilidade com que no tempo presente, e igualmente em tempos futuros, o seu nome é citado.
Para além de um imenso rol de funções sabiamente desempenhadas no jornalismo, há a destacar, como principal interesse neste pequeno texto de alusão à sua preenchida vida, a ligação ao comando técnico da equipa sénior do Belenenses. Nesse sentido, numa época de 1970/71, iniciada com Joaquim Meirim como timoneiro principal, os maus desempenhos colectivos levariam os dirigentes do clube a repensar a estratégia erguida no encetar da referida campanha. Com a troca de treinadores a acontecer no rescaldo da 18ª ronda do Campeonato Nacional da 1ª divisão, a solução encontrada para a desejada salvação do emblema a disputar as contendas caseiras no Estádio do Restelo, emergiria de uma surpreendente dupla. Convidado Mourinho Félix para, em paralelo com o exercício de guarda-redes, assumir as tarefas relacionadas com os trabalhos efectuados em campo, a Homero Serpa, na empreitada a comandar o destino dos “Azuis”, caberia o cargo de Director Técnico.
Mesmo sem grande experiência nas respectivas incumbências, o par, usando os bons recursos disponíveis, casos de Freitas, Alfredo Quaresma, Estêvão, Alfredo Murça, João Cardoso, Godinho, Quinito, entre outros, conseguiria, no que ainda havia der sobrar da época, alimentar de ânimo um grupo de trabalho a revelar incontestável categoria. A partir do momento em que viriam a assumir o repto lançado pelos corpos directivos do Belenenses, até ao termo da prova de maior relevo no calendário futebolístico luso, Homero Serpa e Mourinho Félix levariam o emblema da “Cruz de Cristo” a uma senda positiva e que, na sua essência, afastaria a agremiação lisboeta de uma hipotética e indesejada descida de escalão.

1438 - ZECA

Ao começar a carreira no Ferroviário de Lourenço Marques, Zeca rapidamente começaria a ser aferido como um praticante seguro defensivamente e, apesar da posição no sector mais recuado da equipa, como um jogador com um índice técnico elevado. Em balneários onde também chegaria a marcar presença o seu irmão mais novo, o avançado Abel Miglietti, o jogador depressa haveria de habituar-se à glória dos títulos. Seriam essas conquistas, das quais haveria de ser um dos principais pilares, que acabariam por catapultá-lo como uma das estrelas do futebol moçambicano e, ao perseguir o sucesso de tantos outros nomes, o passo seguinte na sua caminhada desportiva seria dado em Portugal.
Após ter ajudado a vencer os Campeonatos de Moçambique de 1963 e de 1965*, não demoraria muito tempo para que Zeca fosse convidado por um dos “grandes” do cenário desportivo luso. Ao entrar primeiramente para o conjunto de “reservas”, a época de 1968/69 apresentaria o defesa à equipa principal do Benfica. Como um praticante tarimbado, o atleta adaptar-se-ia com alguma facilidade à nova realidade competitiva. Actuando preferencialmente no centro do sector mais recuado, mas também com boas performances à esquerda, seria pela mão de Otto Glória que faria a estreia nas principais provas do espectro competitivo português. Logo nessa temporada de arranque, arrecadaria para o palmarés pessoal a “dobradinha”. Nos anos seguintes, ao destacar-se na dupla com Humberto Coelho, seguir-se-iam outros títulos e o currículo do jogador ficaria colorido, para além do rol já aludido, com outros 2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal.
Com a ligação às “Águias” a terminar numa campanha cujos seus desempenhos seriam afectados por uma grave lesão, as temporadas de 1972/73 e a de 1973/74, sempre a disputar o escalão máximo, seriam, respectivamente, passadas com as cores do Atlético orientado por Ted Smith e do Oriental treinado por Pedro Gomes. A suceder às épocas a envergar as cores das duas agremiações “alfacinhas”, Zeca seria desafiado pelos responsáveis do União de Tomar a enfrentar, pelos nabantinos, as pelejas primodivisionárias. Ao entrar no emblema ribatejano em 1974/75, o defesa  trabalharia com outra grande figura do universo benfiquista, o antigo internacional Artur Santos e partilharia o balneário com figuras emblemáticas do futebol português, casos de Raul Águas, Florival, Bolota, Pavão ou N’Habola.
Apesar de conseguir manter-se com um dos titulares a abrilhantar as jornadas do patamar maior do futebol luso, a 14ª posição do União de Tomar no termo da edição de 1975/76 do Campeonato Nacional e, já depois de disputada a Liguilha, a consequente despromoção, levaria o jogador a dar outro rumo à caminhada profissional. Já a caminho da veterania, Zeca, para os dois anos seguintes, escolheria o Vila Real como a nova colectividade. Seria também durante esse período que o futebolista daria, tão habitual para a época, um salto até ao futebol norte-americano. Ao lado de Malta da Silva e do acima mencionado Florival, o defesa integraria o grupo de trabalho dos New England Oceaneers e participaria nas contendas desportivas, agendadas para a época de 1977, da American Soccer League.
O que restaria da sua carreira competitiva, passada no Norte de Portugal e na disputa das divisões inferiores, seria comprida entre o Bragança, o Mogadourense e ainda o Freamunde. Depois de “penduradas as chuteiras”, Zeca voltaria ligar-se à modalidade, nomeadamente como técnico. Nas funções de treinador, destaque para a sua passagem por agremiações sediadas no Arquipélago dos Açores.


*algumas fontes dão o Campeonato de 1965 como não terminado (https://www.rsssf.org/tablesm/mozchamp.html
)

1372 - JOSÉ MENDES

Ao subir a sénior na temporada de 1965/66, José Mendes, tendo em atenção a qualidade do plantel onde acabaria inserido, revelaria bastantes dificuldades em impor o seu futebol. Num Vitória Futebol Clube orientado por Fernando Vaz e que, para a posição de defesa-central, contava com nomes como os experientes Carlos Cardoso, Torpes ou Herculano, as oportunidades conquistadas pelo jovem praticante seriam quase nulas. Nesse sentido, durante os primeiros 5 anos da carreira, o defesa manter-se-ia na sombra de outros companheiros de balneário. No entanto, a campanha de 1970/71 revelaria um atleta já mais preparado para os desafios competitivos e, daí em diante, o jogador passaria a ser um dos titulares do conjunto sadino.
Já treinado por José Maria Pedroto, José Mendes passaria a ser um dos nomes habituais no alinhamento do sector mais recuado do Vitória Futebol Clube. Seria nessa condição que o defesa-central, pela primeira vez na carreira, acabaria chamado à disputa da final da Taça de Portugal. No Estádio Nacional do Jamor, na derradeira partida da edição de 1972/73 da apelidada “Prova Rainha”, o jogador acabaria escalonado para o “onze” do conjunto setubalense. Todavia, o desafio frente ao Sporting não correria de feição aos “Sadinos” e o troféu terminaria nos escaparates de Alvalade.
Também nas demais competições, José Mendes contribuiria para as boas prestações da agremiação sediada na cidade de Setúbal. Para além de ter sido titular no Campeonato Nacional de 1971/72, durante o qual o conjunto do listado vertical verde e branco conseguiria ser vice-campeão, outros bons exemplos chegariam com as campanhas nas provas continentais. No referido contexto competitivo, sempre com o defesa em plano de destaque, há que relembrar as 3 ocasiões em que o emblema setubalense, primeiro na Taça das Cidades com Feira e depois na Taça UEFA, atingiria os quartos-de-final.
Claro está que o maior prémio para o jogador chegaria com as chamadas aos trabalhos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Para além de contar com 3 partidas disputadas pelos “esperanças”, José Mendes também acabaria integrado na principal selecção lusa. Com a estreia a acontecer a 3 de Abril de 1974, a peleja, orientada por José Maria Pedroto, frente a Inglaterra, serviria de arranque a uma caminhada que terminaria com o defesa a acumular no currículo um total 8 internacionalizações “A”.
Depois surgiria no seu trajecto o Sporting. Em Alvalade a partir de 1975/76, treinado por Juca, o atleta, ao manter-se como um elemento forte nas marcações individuais e bom na interpretação táctica do jogo, rapidamente assumiria um papel de relevo no eixo da defesa leonina. No entanto, apesar do plano de destaque merecido durante o par de temporadas realizadas pelos “Leões”, a verdade é que a época de 1977/78 marcaria o seu regresso a Setúbal. De volta ao Vitória Futebol Clube, José Mendes ainda realizaria outras 3 campanhas de alto gabarito. Já naquela que viria a tornar-se na última passagem primodivisionária do jogador, ainda emergiria o plantel de 1980/81 do Amora. Finalmente, na derradeira experiência como futebolista, a camisola do Comércio e Indústria assinalaria o fim da sua carreira como desportista.
Após “pendurar as chuteiras”, José Mendes manter-se-ia ligado à modalidade, mas, dando continuidade às tarefas abraçadas durante o tempo despendido na Medideira. Já a tempo inteiro no papel técnico, primeiro como adjunto do Vitória e, alguns anos mais tarde, como treinador-principal, o antigo defesa, sempre nos escalões secundários, orientaria emblemas como o União de Almeirim, o Cova da Piedade ou “O Elvas”.

1349 - BERNARDO DA VELHA

Natural da Guiné-Bissau, Bernardo da Velha chegaria ao Sporting na temporada de 1962/63 e vindo do FC Teixeira Pinto. No entanto, mesmo tido como um praticante de forte potencial, a verdade é que o atacante não conseguiria qualquer oportunidade no conjunto principal dos “Leões”. Sem conquistar qualquer espaço nas duas épocas passadas em Alvalade, onde não passaria da equipa de “reservas”, o jogador acabaria por dar seguimento à sua carreira noutras paragens e o destino levá-lo-ia até ao norte de Portugal.
No FC Porto a partir da campanha de 1964/65, Bernardo da Velha estrear-se-ia sob a batuta do brasileiro Otto Glória. Titular logo na 1ª jornada do Campeonato Nacional, curiosamente, apesar do arranque de época auspicioso, o jogador apenas participaria noutro desafio da Taça de Portugal. Seria somente no 3º ano de “azul e branco “, já com José Maria Pedroto como treinador dos “ Dragões”, que o atleta conseguiria ter algum protagonismo no “onze” portista. Aliás, seria sob a alçada do referido treinador português que outra mudança iria alterar a sua caminhada desportiva. Habituado a jogar na linha ofensiva, a ideia do técnico luso em recuá-lo no campo levá-lo-ia até à defesa e, na opinião de muitos, empurrá-lo-ia até às melhores prestações da sua carreira.
Seria já na posição de lateral-direito que participaria e venceria um dos mais importantes desafios futebolísticos da sua vida. Com a final da Taça de Portugal de 1967/68 agendada para o Estádio Nacional, o jogador acabaria arrolado, por José Maria Pedroto, para o alinhamento inicial. Frente ao Vitória Futebol Clube, num jogo em que o golo inicial haveria de ser concretizado pelo emblema setubalense, os remates certeiros de Nóbrega e de Valdemar virariam o placard e entregariam ao currículo de Bernardo da Velha o único título nacional conquistado durante a carreira em Portugal.
Cumpridas 5 temporadas no FC Porto, Bernardo da Velha, após a campanha em que mais vezes seria chamado a jogo, daria por terminada a ligação aos “Azuis e Brancos”. Apresentado em Guimarães como reforço para a época de 1969/70, o jogador, logo nesse ano inicial, entraria para a história do Vitória Sport Clube. Ao fazer parte do grupo de trabalho que, pela primeira vez, disputaria uma competição continental com a colectividade sediada na “Cidade Berço”, o jogador teria o direito de inscrever o seu nome no rol de atletas a participar em tão honrado momento. Apesar de não entrar em campo na ronda inicial frente ao Baník Ostrava, o defesa acabaria por ser chamado, por Fernando Caiado, para a disputa da 2ª eliminatória e, em ambas as mãos, jogaria frente aos ingleses do Southampton.
Já cimentado como um jogador de cariz primodivisionário, Bernardo da Velha ainda teria oportunidade de, nas provas portuguesas, envergar as camisolas de outros clubes. Depois de 3 temporadas ao serviço do Boavista, o atleta, sem abandonar a 1ª divisão, ainda vestiria as cores do Sporting de Espinho e do Leixões. Daí em diante, segundo algumas informações, o futebolista terá viajado para o Canadá, onde passaria a representar o Toronto First Portuguese. De regresso a Portugal, dados confirmados no “site” da Federação Portuguesa de Futebol, as temporadas de 1978/79 e de 1979/80 tê-las-á passado, respectivamente, no Oliveira do Douro e no Cinfães. Já após “pendurar as chuteiras”, o encetar da sua caminhada enquanto treinador empurrá-lo-ia de novo para a América do Norte e para a agremiação sediada na província de Ontário e já referida neste parágrafo.

1345 - VIEIRA NUNES

Com a formação feita nas “escolas” do FC Porto, Vieira Nunes conseguiria estrear-se no patamar sénior, na temporada de 1964/65, com as cores da Académica. Contudo, a mudança para a cidade de Coimbra, com o objectivo primeiro de dar continuidade aos estudos, integraria o defesa-central num plantel riquíssimo. Num conjunto que, só no sector mais recuado, contava com nomes míticos como Mário Torres, Rui Rodrigues, António Marques ou ainda Curado, o jovem praticante encontraria bastantes dificuldades para alcançar um lugar no “onze” orientado por Mário Wilson. Ainda assim, o jogador, tido como um elemento extremamente inteligente, haveria de participar em momentos de inolvidável importância para a história da “Briosa”.
Sem ser um elemento de fulcral preponderância nos desenhos tácticos da equipa beirã, Vieira Nunes tomaria o seu lugar numa das mais incríveis campanhas da Académica. Com os “Estudantes” a lutar pelos lugares cimeiros das competições nacionais, a temporada de 1966/67 terminaria com a agremiação coimbrã no 2º posto do Campeonato Nacional e com a participação na final da Taça de Portugal. No derradeiro jogo da prova, o defesa seria escolhido para o alinhamento inicial que, frente ao Vitória Futebol Clube, acabaria por não conseguir levar de vencido o aludido desafio. Já na época de 1968/69, finalmente como um elemento, no grupo de trabalho, a auferir do estatuto de titular, o atleta voltaria a entrar em campo no derradeiro embate da apelidada “Prova Rainha”. No Estádio do Jamor, na tarde que ficaria marcada pelo protesto estudantil contra o vigente regime totalitarista, o jogador, mais uma vez, veria o troféu a ser entregue ao adversário, dessa feita, o Benfica.
Com tamanhas prestações colectivas e com os desempenhos individuais a levá-lo a uma evolução ascendente, outros horizontes começariam a abrir-se à caminhada do defesa-central. Uma dessas portas acabaria por ser a da Federação Portuguesa de Futebol. Ao serviço das “esperanças” lusas, actuais sub-21, Vieira Nunes, na primeira e única internacionalização da sua carreira, seria chamado a uma peleja frente a Espanha. Na partida disputada no Estádio de Alvalade, a 22 de Novembro de 1967, teria como companheiros Damas, Artur Jorge, Pavão, Toni, Tomé ou Vítor Batista. Presente no seio de uma equipa recheada de craques, a sua participação no eixo defensivo, acabaria a contribuir para o empate a duas bolas.
Com o termo da ligação de 5 temporadas à Académica de Coimbra, o passo seguinte no seu trajecto clubístico levá-lo-ia a retornar à “Cidade Invicta”. De regresso ao FC Porto, como reforço para 1969/70, Vieira Nunes, numa campanha em que teria três treinadores diferentes, conseguiria manter-se como um dos elementos a merecer a confiança tanto de Elek Schwartz, de Vieirinha e de Tommy Docherty. Curiosamente, depois do arranque auspicioso, o defesa só voltaria a ter uma tão grande preponderância no “onze” dos “Azuis e Brancos”, na época de 1974/75, o último ano em que representaria os “Dragões”. Pelo meio, um episódio bem curioso que, em Janeiro de 1970, no Brasil e na inauguração da casa do São Paulo, inscreveria o seu nome como o do primeiro atleta a marcar no famoso Estádio do Morumbi.
Com o final da carreira ainda a contar com passagens de uma temporada ao serviço do Sporting de Braga e, depois do Minho, com mais uma campanha com a camisola do Salgueiros, não demoraria muito mais tempo para que Vieira Nunes passasse a abraçar as funções de treinador. Como técnico-principal, num trajecto que começaria em 1979 e ultrapassaria a viragem do milénio, destaque para as campanhas realizadas na 1ª divisão. Desse modo, há que nomear as experiências à frente do Sporting da Covilhã e do “O Elvas” CAD, como as de maior realce.

1306 - AMÂNDIO

Adepto apaixonado pelo Benfica, Amândio Gonçalves, com a adolescência ainda na metade inicial, tomaria a decisão de prestar provas no Campo Grande. Pela ordem do técnico argentino José Valdivieso, acabaria por chumbar na primeira tentativa, na segunda… Porém, apesar dos sucessivos desaires, ao jovem praticante do Estrelas de Campolide nunca a palavra desistir emergiria como uma opção. Finalmente, com 16 anos, os treinos de “captação” do Verão de 1959 correriam de forma distinta e, pela mão de Fernando Caiado, o emblema da “Águia” entraria no seu quotidiano.
Nas “escolas encarnadas”, destacar-se-ia como um dos melhores elementos a actuar no plantel júnior. Essa aferição, ainda na época de entrada no Benfica, seria sublinhada pela chamada às equipas de formação sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com a “camisola das quinas” logo entraria no grupo que seria convocado à disputa do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1960. No certame altercado na Áustria, os jovens atletas lusos conseguiriam alcançar o 3º lugar mas, acima de tudo, o evento serviria para serem lançadas as bases para a gloriosa participação do ano seguinte.
A edição de 1961 da competição referida no parágrafo anterior, seria organizada em Portugal. Ao lado de António Simões, Melo, Nogueira e Jorge, Amândio faria parte do elenco benfiquista que engrossaria o grupo português. Com David Sequerra como seleccionador e José Maria Pedroto como treinador, o defesa-direito destacar-se-ia como um dos esteios da equipa. Aliás, o atleta participaria em todas as pelejas. A sua importância seria de tal ordem que, logo na primeira ronda frente à Itália, acabaria avaliado como o melhor em campo. Já no jogo seguinte, faria duas assistências para o “bis” de Serafim, na vitória por 4-0 contra a Inglaterra. Obviamente, entraria também em campo na final e ajudaria a derrotar a Polónia por 4-0.
Apesar do excelso percurso trilhado nas camadas de formação das “Águias”, na subida à equipa sénior, Amândio deparar-se-ia com o grupo que, nessa temporada de 1960/61, traria para os escaparates da “Luz” a primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus. Nesse sentido, o  defesa que, na faixa direita do terreno de jogo, também ocuparia posições mais avançadas, ver-se-ia tapado por colegas bem mais tarimbados. Apesar desse facto, o jogador teria a oportunidade de alinhar no conjunto principal. A primeira ocasião surgiria numa partida agendada para a Taça de Portugal, a 1 de Junho de 1961. A referida peleja frente ao Vitória Futebol Clube, ficaria famosa por duas razões. A primeira emergiria pela circunstância do habitual “onze” benfiquista, após vencer a aludida prova da UEFA no dia anterior, estar ainda em trânsito. Já a segunda surgiria com outra estreia, a do promissor avançado Eusébio da Silva Ferreira.
Sem conseguir assegurar um lugar na equipa do Benfica, mas com o currículo já preenchido pela vitória na edição de 1961/62 da Taça de Portugal, Amândio, na temporada de 1964/65 encetaria uma longa ligação ao Tirsense. Com um ano de intervalo em que representaria a Naval 1º de Maio, o jogador passaria 8 temporadas ao serviço da equipa nortenha. Nos “Jesuítas”, entre descidas e promoções, disputaria 3 campanhas primodivisionárias e chegaria a partilhar o balneário com atletas como o “magriço” Alberto Festa ou o avançado Chico Gordo.
Com o final da época de 1972/73 e apenas com 30 anos de idade, Amândio, desiludido com os bastidores da modalidade, abandonaria a carreira de futebolista profissional, para, no regresso a Lisboa, abraçar as tarefas de bancário. Paralelamente, nas mais diversas funções, passaria a dedicar-se aos veteranos do Benfica, o Sport Lisboa e Saudade. Como curiosidade, segundo a informação partilhada pelo “site” da Federação Portuguesa de Futebol, ainda voltaria à prática desportiva federada, mas na vertente de pavilhão e de regresso ao Estrelas de Campolide.

1284 - FRANCISCO CALÓ

Promissor elemento das “escolas” do Sporting, o destaque merecido pelas suas exibições, levá-lo-ia, ainda durante esse período formativo, a ser chamado aos trabalhos das jovens selecções nacionais. Com a “camisola das quinas” jogaria as edições de 1964 e 1965 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Nesse âmbito, o maior destaque consegui-lo-ia na disputa do primeiro dos dois referidos certames. Na competição organizada nos Países Baixos, Francisco Caló, numa equipa orientado pelo treinador Marco Linhares, entraria em campo em todas as partidas e ajudaria Portugal à conquista do terceiro lugar do pódio.
Com a sua chegada aos seniores leoninos a acontecer na temporada de 1965/66, o jovem defesa deparar-se-ia com uma forte concorrência para ocupar um lugar no centro do sector mais recuado. Num plantel que contava com José Carlos e Alexandre Baptista, poucas seriam as presenças de Francisco Caló em jogo. Ainda assim, depois da estreia sob a batuta de Otto Glória, as oportunidades conseguidas naquela que é a principal competição lusa de futebol, permitir-lhe-iam, logo na primeira época a jogar na equipa principal, listar o seu nome no rol de atletas vencedores do Campeonato Nacional.
As duas épocas seguintes não trariam um cenário muito diferente para o defesa-central. Com poucas partidas disputadas de “verde e branco”, a solução para alimentar correctamente a sua evolução surgiria, no desenrolar da campanha de 1968/69, com o empréstimo ao União de Tomar. Com a temporada ao serviço da agremiação nabantina, o jogador, sem deixar de competir no escalão principal do futebol português, finalmente conseguiria confirmar as qualidades que tinham feito dele uma das maiores promessas do universo leonino. Como um atleta dono de uma estampa física possante e capaz de marcações ferozes, Francisco Caló, com o argentino Oscar Tellechea como treinador, afirmar-se-ia como um dos titulares da colectividade ribatejana e, como prémio por tão boa prestação, asseguraria o regresso a Alvalade.
De volta ao Sporting, já com Fernando Vaz ao leme dos destinos técnicos do “Leão”, Francisco Caló conseguiria impor-se como uma das principais figuras das estratégias delineadas pelo aludido treinador. Como um dos elementos com presença regular no “onze” inicial, o defesa tornar-se-ia de fulcral importância para as conquistas do Campeonato Nacional de 1969/70 e da vitória na Taça de Portugal do ano seguinte. Curiosamente, mesmo como figura central de tais feitos, só mais tarde é que conseguiria merecer a convocatória para a selecção principal. Depois de também ter representado as “esperanças” lusas, a disputa de uma das jornadas referentes à Fase de Qualificação para o Euro 72, transformar-se-ia num merecido prémio. Chamado por José Gomes Silva para a peleja frente à Escócia, a partida agendada para o Hampden Park a 13 de Outubro de 1971, daria ao atleta a sua internacionalização “A”.
Depois do completo ocaso verificado durante a temporada de 1972/73, Francisco Caló deixaria o Sporting para ingressar no Atlético. Naquele que seria o único ano da sua carreira passado no patamar secundário, o defesa ajudaria o emblema do bairro “alfacinha” de Alcântara a regressar ao convívio dos “grandes”. Ainda jogaria outra época na Tapadinha e, mantendo a presença na 1ª divisão, faria uma derradeira campanha já com as cores do Estoril Praia. Finda a época esgrimida ao serviço dos “Canarinhos”, o atleta, com apenas 29 anos de idade, decidiria terminar a caminhada enquanto futebolista.

1265 - NELINHO

Ainda nos capítulos iniciais da sua carreira como futebolista profissional, Nelinho, filho e neto de portugueses da zona de Ovar, deixaria o Rio de Janeiro para, no escalão máximo português, ter aquela que viria a tornar-se na primeira aventura do defesa pelo estrangeiro – “O Otto Glória era o nosso treinador no América e me indicou para o Barreirense, porque o técnico lá era o Edsel Rodrigues, que havia trabalhado com ele como preparador físico do América. Aí, ele foi e me levou.”*.
Apesar da pouca experiência, o lateral-direito conseguiria agarrar um lugar no sector mais recuado do emblema sediado na Margem Sul do Rio Tejo. Jogaria, inclusive, na Taça das Cidades com Feira. Porém, as boas indicações dadas no arranque da temporada de 1970/71, seriam insuficientes para afastar do seu caminho uma verdadeira “malapata”. Assolado por uma lesão na virilha, a extensão da recuperação, bem para além do espectável, levaria alguns dirigentes a desconfiar das intensões do jogador. O estranho caso continuaria em Fevereiro, com a rescisão de contrato, mas sem que o Barreirense devolvesse o “passe” ao atleta. Para completar a “novela”, o final da época ficaria marcado pela queixa de vários emblemas, na qual era posta em causa a inscrição do defesa como portador de dupla-nacionalidade. Face à possível perda de pontos relativa a todas as partidas disputadas pelo lateral, o que implicaria a despromoção do clube, é então que um acordo é posto em cima da mesa. Nesse sentido e em troca da real desvinculação, o pai de Nelinho acabaria por entregar a prova a aferir a nacionalidade portuguesa do defesa.
Antes ainda do regresso competitivo ao Brasil, Nelinho teria uma breve passagem pela Venezuela. Depois viria o Bonsucesso, o Remo e, em 1973, o emblema que mudaria o rumo da sua carreira. Integrado no plantel principal do Cruzeiro, a sua fama torná-lo-ia numa das grandes estrelas do futebol “canarinho” das décadas de 1970. Com uma enorme disponibilidade física, o lateral ficaria também conhecido pela técnica excepcional, pelos cruzamentos precisos e, resultado de um forte pontapé, pela quantidade de golos marcados em livres-directos ou em jogadas corridas.
Nessa ligação de cerca de uma década, o sucesso alcançado no emblema de Belo Horizonte, com a vitória em 4 Campeonatos Mineiros e na Taça dos Libertadores de 1976, levá-lo-ia à selecção brasileira. Pelo “Escrete”, num total de 21 internacionalizações “A”, Nelinho, para além das chamadas às edições de 1975 e de 1979 da Copa América, teria a oportunidade de participar nos Mundiais de 1974 e de 1978. No decorrer do último Campeonato do Mundo referido, um momento ficaria na memória de todos os adeptos do futebol. Na disputa referente à atribuição do 3º e 4º lugar, um forte remate, desferido pelo defesa a partir da lateral exterior da grande-área, daria à trajectória da bola um vincado arco, fazendo o esférico entrar junto ao poste contrário da baliza à guarda do italiano Dino Zoff. Esse fantástico golo levaria a “Canarinha” a encetar a reviravolta no marcador e, com o “placard” final a assinalar 2-1, o Brasil ascenderia ao último lugar do pódio.
Além do já aludido para a caminhada clubística do jogador, o resto da sua carreira traria muitos mais sucessos. Com uma curta passagem pelo Grêmio a servir de interlúdio na experiência vivida com as cores do Cruzeiro, o defesa envergaria também a camisola do Atlético Mineiro. Em 5 temporadas feitas pelo “Galo”, ao currículo do lateral-direito somar-se-iam outros 4 “estaduais”. No entanto, com a conclusão do seu percurso futebolístico a acontecer em 1986, mais cômputos emergiriam. A juntar às 4 Bolas de Prata, distinção entregue pela “Revista Placard” ao melhor jogador do “Brasileirão”, as 348 partidas disputadas no “Mineirão”, fariam dele o atleta com mais desafios cumpridos no mencionado “estadual”. Claro está, como conclusão, falta ainda fazer referência aos 210 remates certeiros conseguidos em jogos oficiais e que transformariam Nelinho no defesa brasileiro com mais golos concretizados durante a carreira.

*retirado da entrevista conduzida por Marcos Vinicius Cabral, publicada 27/07/2020, em https://www.museudapelada.com

1228 - JOAQUIM JORGE

Com o início da carreira no Sporting da Beira, seria como praticante no emblema moçambicano que Joaquim Jorge viria a ser descoberto pelo FC Porto. Aferido como um bom reforço, viajaria até Portugal para, na temporada de 1962/63, ingressar no plantel principal dos “Azuis e Brancos”. Porém, ao contrário de tantos atletas vindos do continente africano, o jogador entraria na “Cidade Invicta” já com 4 anos de experiência no patamar sénior. Esse traquejo, logo no ano da chegada, permitir-lhe-ia assumir um papel preponderante na equipa titular e, sob a alçada do treinador Janos Kalmar, fixar-se como um dos elementos em destaque no meio-campo.
Na campanha seguinte, mesmo ao ser recuado no terreno de jogo, não perderia o lugar no “onze” inicial. Aliás, seria já posicionado no lado esquerdo do trio defensivo que participaria na final da edição de 1963/64 da Taça da Portugal. Outro dos momentos áureos da passagem do jogador pelo emblema portista, coincidiria com a temporada de 1964/65. Com a estreia do atleta nas competições continentais a reportar-se à época da sua entrada nas Antas, seria uma ronda da Taça dos Vencedores das Taças a sublinhá-lo, ainda mais, na história dos “Dragões”. Com o Olympique Lyonnais a calhar em sorte ao FC Porto na eliminatória inicial da referida prova, o embate frente ao conjunto gaulês, com Joaquim Jorge a titular na 1ª mão, daria à agremiação portuguesa a primeira vitória nas pelejas europeias.
Ao perder algum protagonismo na 3ª temporada de “azul e branco”, Joaquim Jorge acabaria por assumir outro rumo para a sua caminhada profissional. Ao escolher o Vitória Sport Clube, o defesa recuperaria o estatuto de titular. Com o começo da ligação a dar-se na época de 1965/66 e ao longo de várias temporadas com as cores do emblema vimaranense, o jogador, no contexto nacional, destacar-se-ia como um dos melhores a actuar na sua posição. A prová-lo chegariam as chamadas aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Com 2 jogos pelo conjunto “B”, para depois chegar à equipa “A”, o atleta somaria um total de 4 internacionalizações. Nesse trajecto, destaque para a primeira partida feita pela principal selecção lusa a 6 de Abril de 1969, num particular frente ao México e pela mão de José Maria Antunes.
Depois de 7 anos em Guimarães, onde o pináculo desse período emergiria com o 3º posto no Campeonato Nacional de 1968/69, Joaquim Jorge voltaria a trocar de emblema. A mudança assinalaria a entrada na derradeira etapa da sua carreira como futebolista e caracterizar-se-ia por alguma errância e pelos escalões secundários. UD Oliveirense, Penafiel e Paredes seriam as colectividades que preencheriam os últimos passos dados pelo atleta dentro de campo. “Penduradas as chuteiras, o antigo desportista não ficaria muito tempo afastado da modalidade. Regressaria ao Penafiel e com algumas passagens como técnico-principal da equipa sénior mas, principalmente, a trabalhar nas camadas jovens, arrepiaria caminho nas funções de treinador.

1137 - JACINTO JOÃO

Por ser ainda muito novo acabaria impedido de jogar no campeonato de juniores pelo São Paulo. Porém, o afastamento do emblema fundado pelos missionários que também regiam o colégio que frequentava, levá-lo-ia, ao lado dos meninos do bairro de Luanda onde morava, a fundar o Brazzaville Futebol Clube. Curiosamente, alguns anos depois seria o Sport Congo e Benfica a abrir-lhe as portas da competição organizada. Seguir-se-ia, sempre na capital angolana, a entrada no Benfica de Luanda e, por razão das boas exibições, a curiosidade revelada pelas “Águias” da metrópole.
Em Lisboa, num Benfica acabado de sagrar-se bicampeão europeu, o extremo-esquerdo pouco mais conseguiria do que algumas oportunidades na equipa de “reservas”. Dispensado após alguns meses de treinos, o atacante decidir-se-ia pelo retorno a Angola e, ao afastar-se das camisolas encarnadas, para representar o FC Luanda. Conta-se que logo após o regresso ao país natal, Jacinto João continuaria a receber convites vindos das principais colectividades portuguesas. Talvez por razão do desaire da primeira experiência, haveria de recusá-los a todos. No entanto, tanta insistência traria os seus frutos e, em 1965, o Vitória de Setúbal conseguiria convencer o atleta a fazer nova viagem até Portugal.
Nos “Sadinos”, apesar da primeira temporada e meia pautada pela discrição, Jacinto João iria tornar-se na figura maior da história do clube setubalense. Com uma técnica superior, que permitia ao atacante executar fintas maravilhosas, também o aspecto físico das suas arrancadas e o forte remate contribuiriam para o estatuto granjeado com o galgar dos anos. O avançado em muito alimentaria o “período de áureo” do Vitória Futebol Clube e as metas alcançadas pelo colectivo. Sob a batuta de Fernando Vaz e, posteriormente, de José Maria Pedroto, o extremo brilharia no lado canhoto e seria peça fundamental no 2º lugar alcançado no Campeonato de 1971/72, nas diferentes participações nas competições europeias e, com um golo concretizado após driblar dois adversários, na vitória da Taça de Portugal de 1966/67.
Tamanha importância e igual brilhantismo dariam ao futebolista um lugar na selecção nacional. Com a estreia pelo principal conjunto de Portugal a acontecer pela mão de José Maria Antunes, o avançado passaria a ser um dos nomes normalmente listado nas convocatórias da “equipa das quinas”. Depois dessa partida frente à Roménia, disputada a 27 de Outubro de 1968, e ainda no âmbito dos encontros referentes à Qualificação para o Mundial de 1970, o atleta seria chamado a participar noutros desafios. Ao conseguir, ao longo do seu percurso profissional, somar mais alguns jogos após a referida a fase de acesso, Jacinto João terminaria a participação com as cores lusas com um total de 10 internacionalizações e 2 golos.
Apesar das 13 temporadas ao serviço do Vitória de Setúbal associarem, incontornavelmente, a carreira do avançado ao emblema da margem norte do Rio Sado, Jacinto João ainda vestiria outras cores. Para além das camisolas já referidas no começo desta pequena biografia, o atleta, num interregno dado à sua longa experiência com o listado vertical verde e branco, envergaria também as cores da paulista Portuguesa dos Desportos. Já nos últimos anos da sua carreira, a qual terminaria no início da década de 80, destaque ainda para as passagens pela AD Fafe e pelo Caldas*.

*Li uma alusão à sua contratação pela UD Seia na época 1981/82. Como não consegui confirmar a informação, decidi não incluir tal referência no texto principal.