1726 - CARLOS SILVA

Adepto do Belenenses desde pequeno, Carlos Francisco Santos da Silva chegaria às Salésias referenciado como antigo jogador de andebol das camadas jovens do Benfica! No entanto, atentos às suas habilidades desportivas, Augusto Silva e Rodolfo Faroleiro levá-lo-iam para o futebol. Com a aludida entrada a acontecer na época de 1952/53, o defesa-central, que também sabia ocupar o lugar de “trinco”, acabaria integrado no conjunto de juniores. Já na época seguinte, ainda sem grande protagonismo, o jogador passaria a trabalhar com os seniores para, na campanha de 1954/55 e pela mão de Fernando Riera, ter o arranque de actividades no Campeonato Nacional 1ª divisão.
Depois dessa época de estreia, onde o Belenenses viria a perder o título de campeão nos instantes finais da prova, Carlos Silva manter-se-ia como uma peça preponderante no delinear dos esquemas tácticos da equipa. Conhecido pela ferocidade dentro das quatro linhas, característica que, em muitas ocasiões, o levaria a ultrapassar um pouco a entrega necessária ao desenrolar de um jogo de futebol, o defesa-central, ao lado de inúmeras estrelas do desporto luso, transformar-se-ia numa das mais apreciadas figuras dos “Azuis”. Com a “cruz de cristo” ao peito, ajudaria a manter a colectividade lisbonense nas lutas pelos lugares cimeiros das provas nacionais, como daria a sua contribuição nas competições de índole continental. Os melhores exemplos, para além do mencionado no encetar deste parágrafo, seriam a presença na Taça Latina de 1954/55 e principalmente a vitória na edição de 1959/60 da Taça de Portugal. No que concerne à última referência por mim feita, é verdade que o atleta não seria um dos escolhidos por Otto Glória para a disputa da derradeira partida da prova. No entanto, tendo participado nas eliminatórias anteriores, o seu nome também constaria no rol de elementos triunfadores da “Prova Rainha”.
Numa altura em que era capitão de equipa, a surpreendente dispensa por parte do treinador argentino Enrique Vega levá-lo-ia a deixar o clube. Seguir-se-ia, a partir da temporada de 1961/62 a ligação à CUF, onde voltaria a encontrar-se com Fernando Vaz, seu antigo treinador no Belenenses. No Barreiro, mesmo tendo contribuído, logo no ano da sua chegada, para o 4º lugar alcançado no Campeonato Nacional, Carlos Silva perderia muita da preponderância apresentada em anos anteriores. Ainda assim, pelo emblema “fabril”, conseguiria juntar ao currículo outras 3 campanhas cumpridas entre os “grandes”. Por fim, numa caminhada a aproximar-se do termo, tempo para mais 2 épocas ao serviço do Sintrense.
Paralelamente ao futebol, ficou também conhecida a grande relação com Vicente, a qual, dentro de campo, o fez assumir, por diversas vezes, as dores do amigo. Para além disso, Carlos Silva, “penduradas as chuteiras”, viria a dedicar-se às actividades consignadas aos treinadores. Nesse campo, depois dos primeiros passos dados ainda no Sintrense, assomar-se-iam ao seu percurso CUF, Barreirense, Farense, Atlético, Belenenses, Oriental, Nacional da Madeira e Olhanense.
Falta fazer menção à sua veia sindicalista, que o levaria, em diversas ocasiões, a assumir a presidência do órgão dedicado aos futebolistas. Por outro lado, os anos passados como dirigente do Belenenses fá-lo-iam aceitar os cargos de Secretário Técnico, Director Desportivo e Coordenador do Futebol Jovem. Já como Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, viria a ser responsável pelas selecções nacionais.
E talvez tenha sido no âmbito internacional que tenha surgido a maior pecha da sua caminhada desportiva, pois Carlos Silva apenas conseguiria representar Portugal, em meia dúzia de ocasiões, no conjunto militar.

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