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1726 - CARLOS SILVA

Adepto do Belenenses desde pequeno, Carlos Francisco Santos da Silva chegaria às Salésias referenciado como antigo jogador de andebol das camadas jovens do Benfica! No entanto, atentos às suas habilidades desportivas, Augusto Silva e Rodolfo Faroleiro levá-lo-iam para o futebol. Com a aludida entrada a acontecer na época de 1952/53, o defesa-central, que também sabia ocupar o lugar de “trinco”, acabaria integrado no conjunto de juniores. Já na época seguinte, ainda sem grande protagonismo, o jogador passaria a trabalhar com os seniores para, na campanha de 1954/55 e pela mão de Fernando Riera, ter o arranque de actividades no Campeonato Nacional 1ª divisão.
Depois dessa época de estreia, onde o Belenenses viria a perder o título de campeão nos instantes finais da prova, Carlos Silva manter-se-ia como uma peça preponderante no delinear dos esquemas tácticos da equipa. Conhecido pela ferocidade dentro das quatro linhas, característica que, em muitas ocasiões, o levaria a ultrapassar um pouco a entrega necessária ao desenrolar de um jogo de futebol, o defesa-central, ao lado de inúmeras estrelas do desporto luso, transformar-se-ia numa das mais apreciadas figuras dos “Azuis”. Com a “cruz de cristo” ao peito, ajudaria a manter a colectividade lisbonense nas lutas pelos lugares cimeiros das provas nacionais, como daria a sua contribuição nas competições de índole continental. Os melhores exemplos, para além do mencionado no encetar deste parágrafo, seriam a presença na Taça Latina de 1954/55 e principalmente a vitória na edição de 1959/60 da Taça de Portugal. No que concerne à última referência por mim feita, é verdade que o atleta não seria um dos escolhidos por Otto Glória para a disputa da derradeira partida da prova. No entanto, tendo participado nas eliminatórias anteriores, o seu nome também constaria no rol de elementos triunfadores da “Prova Rainha”.
Numa altura em que era capitão de equipa, a surpreendente dispensa por parte do treinador argentino Enrique Vega levá-lo-ia a deixar o clube. Seguir-se-ia, a partir da temporada de 1961/62 a ligação à CUF, onde voltaria a encontrar-se com Fernando Vaz, seu antigo treinador no Belenenses. No Barreiro, mesmo tendo contribuído, logo no ano da sua chegada, para o 4º lugar alcançado no Campeonato Nacional, Carlos Silva perderia muita da preponderância apresentada em anos anteriores. Ainda assim, pelo emblema “fabril”, conseguiria juntar ao currículo outras 3 campanhas cumpridas entre os “grandes”. Por fim, numa caminhada a aproximar-se do termo, tempo para mais 2 épocas ao serviço do Sintrense.
Paralelamente ao futebol, ficou também conhecida a grande relação com Vicente, a qual, dentro de campo, o fez assumir, por diversas vezes, as dores do amigo. Para além disso, Carlos Silva, “penduradas as chuteiras”, viria a dedicar-se às actividades consignadas aos treinadores. Nesse campo, depois dos primeiros passos dados ainda no Sintrense, assomar-se-iam ao seu percurso CUF, Barreirense, Farense, Atlético, Belenenses, Oriental, Nacional da Madeira e Olhanense.
Falta fazer menção à sua veia sindicalista, que o levaria, em diversas ocasiões, a assumir a presidência do órgão dedicado aos futebolistas. Por outro lado, os anos passados como dirigente do Belenenses fá-lo-iam aceitar os cargos de Secretário Técnico, Director Desportivo e Coordenador do Futebol Jovem. Já como Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, viria a ser responsável pelas selecções nacionais.
E talvez tenha sido no âmbito internacional que tenha surgido a maior pecha da sua caminhada desportiva, pois Carlos Silva apenas conseguiria representar Portugal, em meia dúzia de ocasiões, no conjunto militar.

1679 - ARSÉNIO

Desde pequeno que revelaria um grande gosto pelo “jogo da bola”. Ainda em criança, a exibir a alcunha Pinga, o craque do FC Porto, Arsénio Trindade Duarte partilharia as pelejas de rua com Vasques. Um pouco mais velho, mas ainda em idade de formação, experimentaria o Galitos Futebol Clube, onde viria a encontrar-se com Albano. Já numa tentativa de caminhar um pouco mais a sério na modalidade, haveria de treinar-se na CUF. Agradaria ao treinador Raul Jorge, mas para sua infelicidade o conjunto “fabril”, naquele ano, decidiria não montar equipa de juniores. Surgiria então o FC Barreirense e o encetar de uma caminhada que depressa iria pô-lo na primeira categoria do listado alvirrubro.
Estrear-se-ia na equipa principal do FC Barreirense, com apenas 15 anos, numa partida de tributo ao colega Francisco Câmara. Logo na campanha seguinte, em 1942/43, fixar-se de vez nos seniores do conjunto sediado na Margem Sul. Mesmo a disputar a 2ª divisão, o jovem avançado conseguiria revelar-se como um goleador sagaz. Apesar de não ser muito habilidoso, Arsénio destacar-se-ia como um elemento veloz, muito esforçado e, acima de tudo, com uma enorme argúcia no momento de enviar a bola para as redes adversárias. Tamanhas habilidades levá-lo-iam a treinar-se, juntamente com o camarada de balneário Francisco Moreira, no Vitória Futebol Clube. Contudo, nem um, nem o outro, acabariam por ficar nos “Sadinos” e depois da tentativa falhada, e com Moreira já vinculado às “Águias”, chegaria a vez de o avançado-centro convencer os responsáveis do Benfica das suas qualidades.
Agradado com as suas características, Janos Biri anuiria à transferência do atacante. Contratado como reforço para a época de 1943/44, a campanha de entrada de Arsénio nos “Encarnados”, mesmo ao marcar na partida de estreia, não entregaria o jogador à titularidade indiscutível. Tal estatuto conquistá-lo-ia na temporada seguinte. A partir desse momento, a importância do avançado no seio do grupo de trabalho benfiquista cimentar-se-ia como fulcral. Nesse sentido, o atleta tornar-se-ia numa das peças centrais das conquistas colectivas do clube. Ao palmarés pessoal, no decorrer dos 12 anos a envergar a camisola das “Águias”, o ponta-de-lança juntaria a conquista de 10 títulos. Nas 6 Taças de Portugal que ajudaria a vencer, estaria presente em todas as finais e marcaria golos em 4 delas. Há igualmente a arrolar a esta lista, 3 Campeonatos Nacionais e, acima de tudo, o triunfo na Taça Latina de 1949/50.
Seria no primeiro grande feito continental do futebol luso que o avançado viveria um dos momentos mais espantosos da carreira. Com o Girondins de Bordeaux a vencer por 1-0, o aproximar do termo da finalíssima quase que dava o emblema gaulês como o dono do almejado troféu. Então, a 15 segundos do fim do tempo regulamentar, sairia da acção de Arsénio o golo a arrastar a decisão da partida para os diferentes prolongamentos e, principalmente, para o golo de Julinho que, aos 146 minutos de jogo, tombaria a resolução da Taça Latina para o lado do Benfica.
Outra circunstância importante, na sua caminhada enquanto futebolista, seriam as chamadas à selecção nacional. Com a estreia a acontecer no âmbito da Fase de Qualificação para o Campeonato do Mundo de 1950, Arsénio, pela mão de Salvador do Carmo, envergaria, pela primeira vez no trajecto desportivo, a “camisola das quinas”. Poucos dias passados sobre o embate disputado, a 2 de Abril de 1950, em Chamartin, o avançado voltaria a entrar em campo frente à “La Roja” e somaria, num cômputo notoriamente escasso para a sua categoria, a 2 internacionalização alcançada na carreira.
Apesar da importância dos seus desempenhos para os objectivos do Benfica, a profissionalização do futebol das “Águias”, mudança posta em curso com a chegada de Otto Glória, iria alterar a posição do atleta no seio do plantel. Relutante em deixar o emprego que mantinha paralelamente às actividades futebolísticas, Arsénio começaria a ser posto de lado pelo referido técnico brasileiro. Com a saída a posicionar-se como a melhor opção para a carreira do atacante, seria o Lusitano de Évora a primeira agremiação a abordar o jogador. Quase de imediato surgiria a CUF na corrida e a proposta apresentada pelo emblema “fabril” levaria o avançado-centro a representar a colectividade da cidade do Barreiro.
Com a entrada na CUF a acontecer na temporada de 1955/56, Arsénio passaria a trabalhar na alçada de Umberto Buchelli. Ao assumir-se como um dos preferidos do treinador uruguaio, o avançado arrancaria para uma colaboração a estender o seu trajecto primodivisionário por mais 4 campanhas. Pelo meio, outro feito fantástico, com o atleta a posicionar-se como o Melhor Marcador da edição de 1957/58 do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Após 16 anos no patamar máximo, 313 partidas disputadas e 212 golos concretizados na prova de maior relevância no calendário futebolístico português, Arsénio, já em plena veterania, ainda revelaria vontade para prolongar a sua caminhada competitiva. Afastado dos grandes palcos a partir do final de 1958/59, o avançado, nos anos seguintes, representaria o Montijo, o Cova da Piedade e o Monte da Caparica.

1586 - FERREIRINHA

Ao começar o percurso formativo nas “escolas” do Tirsense, seria a entrada para a equipa de juniores do FC Porto que, na campanha de 1952/53, viria a dar um enorme impulso na sua carreira. Logo na época de chegada ao jovem conjunto dos “Dragões”, Fernando Ferreira, popularizado no “jogo da bola” por Ferreirinha, daria um enorme contributo para aquele que viria a transformar-se no primeiro título nacional, a nível do futebol de formação, da história dos “Azuis e Brancos”. Com o destaque conseguido pela mencionada conquista, o interior-esquerdo, caracterizado pela excelsa habilidade com o esférico nos pés, entraria no radar dos responsáveis pela Federação Portuguesa de Futebol. Com o conjunto luso a disputar a Fase Final da edição de 1954 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA, o atleta, a 11 de Abril de 1954, seria chamado, por Miguel Costa, à partida frente à República da Irlanda. Ainda no decorrer do certame disputado na República Federal da Alemanha, o jogador entraria em campo em mais 4 ocasiões e a somar à presença alcançada em 1958 pelos “esperanças”, o seu currículo ficaria colorido por um total de 6 internacionalizações.
Curiosamente, apesar de reconhecidas as suas qualidades, Ferreirinha, na altura de subir a sénior, veria o seu lugar tapado por outros colegas. Sem espaço no FC Porto, o atacante regressaria à terra natal para, na temporada de 1954/55, voltar a envergar a camisola do Tirsense. Mesmo com os “Jesuítas” a militar na 2ª divisão, o jogador não deixaria de mostrar ambição suficiente para, cumprido um par de campanhas, chamar a atenção de outras colectividades. A sua contratação pelo Sporting de Braga em 1956/57 mantê-lo-ia pelo degrau secundário do futebol luso. No entanto, a sua estreia no escalão máximo estaria para breve, pois, no final da última época referida, os “Guerreiros” conseguiriam a tão almejada subida.
Já no convívio com os “grandes”, orientado pelo magiar János Szabó, Ferreirinha manter-se-ia como um dos pilares do conjunto minhoto. Esse factor, par a par com as boas classificações colectivas, dar-lhe-iam o ensejo de, mais uma vez, retornar a um dos emblemas já por si representado. No FC Porto de 1959/60 acabaria por perder alguma da preponderância de anos precedentes. Ainda assim, a saída das Antas, um ano após o regresso à “Cidade Invicta” não deixaria de ser algo surpreendente. Seguir-se-ia o Vitória Sport Clube. Todavia, apesar de apresentado como um dos principais reforços dos vimaranenses para 1960/61, o interior, sob a alçada de Artur Quaresma, não conseguiria afirmar-se como um dos nomes habitualmente chamados ao “onze”. A tal titularidade viria a alcança-la logo na temporada seguinte. Ainda assim, ao contrário da esperada continuidade, o jogador voltaria a mudar de emblema e seria o Leixões, dessa feita, a recebê-lo. Após a passagem por Matosinhos, Ferreirinha aceitaria o desafio do Sporting de Braga e, tal como anteriormente, voltaria, na campanha de 1964/65, a disputar a 2ª divisão e, numa espécie de “déjà vu”, seria também uma das principais peças da nova subida e da época cumprida já no patamar maior.
A época de 1965/66 marcaria nova passagem vivida ao serviço da equipa principal do Tirsense. Contudo, essa experiência pelos “Jesuítas” proporcionaria ao atleta, já na temporada de 1967/68, a transição para as funções de treinador-jogador. Manter-se-ia em idênticas funções durante os anos seguintes, mas já com as cores do Famalicão. Depois abraçaria, em exclusivo, as tarefas de técnico. Passaria por clubes, casos do Sporting de Braga, Paços de Ferreira, Desportivo das Aves, Moreirense ou Leixões, mas seria no Riopele, colectividade que levaria à estreia na 1ª divisão, que voltaria a treinar na principal prova do panorama futebolístico português.

1547 - GARÓFALO

Domenico Garófalo (ou Domingo, depois da castelhanização do nome) nasceria em Bari. No entanto, por razão da mudança da família para a Argentina, cresceria no país sul-americano, a partir dos 9 anos de idade. Seria no La Boca, popular bairro da capital, que começaria a ganhar o gosto pelo “jogo da bola”. Curiosa seria a sua chegada ao futebol profissional, numa altura em que já contava 21 anos de idade. Diz-se que, ao integrar a equipa de veteranos do Boca Juniors, o médio conheceria o popular Roberto Cherro. O avançado, ao reconhecer nele qualidades excepcionais, haveria de recomendá-lo, não aos “Xeneizes”, mas, curiosamente, ao Argentinos Juniors!
No emblema do bairro de La Paternal a partir da campanha de 1948, Garófalo tornar-se-ia numa presença habitual nos alinhamentos da equipa. Dotado de capacidades técnicas acima da média, o jogador, mesmo ao posicionar preferencialmente numa área mais central do rectângulo de jogo, conseguiria igualmente caracterizar-se pela capacidade para chegar às zonas de finalização e ainda hoje, à custa dessa faceta goleadora, é referido como um dos melhores marcadores estrangeiros do clube.
Em 1951, Garófalo decidir-se-ia pela mudança para o Montevideo Wanderers. Na agremiação uruguaia continuaria a mostrar-se como um portento de técnica e as suas habilidades haveriam de colocá-lo numa situação caricata – “Pelo clube uruguaio defrontou Obdulio Varela, símbolo do Peñarol e da seleção uruguaia. Numa ocasião da partida escapou-lhe ao “partir-lhe os rins” e fazendo-lhe uma “cueca”, humilhando o “Negro Jefe”. Na semana seguinte, enquanto passeava com um amigo na 18 de Julho, esbarra com Varela, que pára para conversar com o companheiro de Garófalo. Ao despedir-se diz: «Diz ao teu amigo (…) para não me voltar a fazer isso no domingo»”*.
A temporada de 1954 marcaria o seu regresso à Argentina, dessa feita para representar o Temperley. Apesar de apenas ter representado o novo emblema por alguns meses, a preponderância revelada nos destinos do clube levaria a que fosse recordado pelo prestigiado jornalista Rafael Saralegui de uma forma bem faustosa – “Garófalo era canhoto, tinha as pernas dispostas como as “10:10”, os passos eram curtos e quando corria não levantava muito os calcanhares. Era um virtuoso no drible e no manuseamento da bola, da qual geralmente se desprendia quando acreditava assegurada a recepção por um colega”*.
Os passos seguintes na carreira de Garófalo já seriam dados em Portugal. Contratado pelo Sporting de Braga já no decorrer da campanha de 1954/55, o médio, que no Minho também chegaria a ocupar todas as posições do sector atacante, voltaria a partilhar o balneário com o antigo colega no Argentinos Juniors, José Fantín. Orientado pelo também argentino Mário Imbelloni, o atleta rapidamente viria a afirmar-se como uma das grandes figuras a exibir-se no Campeonato Nacional da 1ª divisão. Nesse cenário, as suas exibições seriam de tal forma apreciadas que, em Fevereiro de 1956, na festa de homenagem a Ben David, o seu nome seria um dos escolhidos para representar os “Argentinos”, que acabariam derrotados pelos “Ultramarinos”.
Seguir-se-ia, depois das 2 temporadas a representar a colectividade minhota e com a descida do Sporting de Braga no termo das provas agendadas para 1955/56, a época de 1956/57 a representar o Caldas. No conjunto do Oeste, onde seria orientado por Fernando Vaz, Garófalo, de forma ainda mais vincada do que nas anteriores experiências nas competições lusas, agarrar-se-ia à titularidade. Um ano depois surgiria a sua experiência primodivisionária mais proveitosa em termos individuais e ao serviço do Oriental, treinado pelo húngaro János Biri, terminaria a campanha como o melhor marcador e o elemento mais utilizado pelos “Guerreiros de Marvila”. Ainda em Portugal, o médio, na condição de treinador/jogador, viria a cumprir a temporada de 1958/59 e a seguinte com as cores do Vila Real. Finalmente, sem deixar Trás-os-Montes, há que fazer referência, ainda a acumular as funções de técnico e atleta, à sua passagem pelo plantel de 1959/60 do Desportivo de Chaves.

*adaptado do artigo publicado a 11/06/2024, em https://temperley9.rssing.com

1491 - OCTÁVIO DE SÁ

Descoberto no Sporting de Lourenço Marques, numa altura em que era tido como um dos maiores activos do emblema moçambicano, Octávio de Sá integraria o plantel de 1956/57 do Sporting Clube de Portugal. No entanto, mesmo vendo reconhecidas qualidades suficientes para fazer parte de um grupo recheado de internacionais, o jovem guarda-redes encontraria em Carlos Gomes, muito mais do que um concorrente, uma autêntica barreira a separá-lo da titularidade. Curiosamente, a sua estreia na equipa principal leonina, segundo algumas fontes resultado da expulsão na ronda anterior do já mencionado colega, aconteceria num cenário a contradizer a sua falta de experiência. Desse modo, o “baptismo” oficial do guardião em Portugal surgiria na 2ª jornada do Campeonato Nacional referente ao ano da sua chegada e logo frente aos rivais do Benfica.
Depois dessa partida frente às “Águias”, escolhido pela mão do argentino Abel Picabêa para alinhamento inicial, Octávio de Sá voltaria à condição de suplente. Tal estatuto manter-se-ia no resto da sua época de chegada à Metrópole e, ainda que com mais partidas disputadas, na campanha seguinte. Seriam essas 4 partidas cumpridas na prova de maior relevo no calendário futebolístico português, a permitir-lhe adicionar ao currículo pessoal aquele que viria a tornar-se no título de maior importância conquistado durante a sua carreira, ou seja, o Campeonato Nacional de 1957/58.
Com a saída de Carlos Gomes para os espanhóis do Granada, a temporada de 1958/59 significaria para Octávio de Sá o assumir da baliza do Sporting, como o dono incontestável da posição. Nesse sentido, também da Federação Portuguesa de Futebol começariam a olhar par o atleta como um elemento capaz de ajudar nos objectivos das diferentes selecções. Essa aferição, ele que também chegaria a condição de internacional militar, levá-lo-ia a ser integrado nos trabalhos do grupo de trabalho da equipa de “esperanças”. Nesse contexto competitivo, a sua estreia e única partida com a “camisola das quinas” ocorreria a 16 de Novembro de 1958, numa partida “amigável” frente à África do Sul e onde o guardião alinharia ao lado de grandes nomes do futebol luso, com especial destaque para os “magriços” Vicente, Mário Coluna ou José Augusto.
Apesar da solidificação da titularidade por si auferida, seria outra vez o Benfica a mudar o rumo à sua vida desportiva. Na 24ª jornada do Campeonato Nacional de 1959/60, numa partida agendada para o Estádio da Luz, Octávio de Sá seria chamado ao “onze”, pelo argentino Mário Imbelloni. Todavia, a peleja começaria deveras azarada para o guardião e ainda antes da meia hora de jogo, já o guarda-redes tinha sofrido 3 golos. Tal como relembraria Carvalho – “Falhava a entrada aos cruzamentos, não segurava as bolas, hesitava nas saídas, enfim estava a ser uma tarde negra”*. Num gesto pouco habitual, numa altura em que só era permitida a substituição do guardião e apenas em caso de lesão, o número 1 dos “Leões” acabaria a fingir a debilidade física e então entraria em campo o suplente Carvalho.
Com o incidente a marcar gravemente a sua progressão, Octávio de Sá deixaria o Sporting com o termo da temporada de 1959/60. Regressaria à capital de Moçambique e voltaria a envergar a camisola do Sporting de Lourenço Marques. A ligação ao emblema que o tinha catapultado anos antes duraria até 1966, altura em que viajaria até à vizinha África do Sul, para representar o Durban United.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 11 de Setembro de 2013

1455 - ARMANDO

Com a ligação ao Sporting de Braga a iniciar-se na temporada de 1948/49, Armando Fernandes Costa entraria para a equipa principal numa altura da história em que o emblema minhoto já tinha feito a sua estreia no patamar máximo do futebol luso. Com a equipa a consolidar-se como um emblema habitual nas contendas primodivisionárias, o jogador, não tão traquejado quanto os seus colegas de balneário, ainda demoraria algum tempo até conseguir, de forma indiscutível, fixar-se no “onze” da colectividade sediada na “Cidade dos Arcebispos”. Esse facto levaria a que os responsáveis pelo grupo de trabalho começassem a equacionar o seu empréstimo e a campanha de 1953/54 passá-la-ia com as cores do FC Braga.
Com o regresso ao Sporting de Braga a acontecer na época de 1954/55, Armando passaria a trabalhar sob o comando do treinador-jogador Mário Imbelloni. Como um elemento cujas habilidades conferiam ao seu jogo uma enorme polivalência, a partir dessa temporada, com algumas excepções pelo meio, o atleta passaria a figurar como um dos nomes com presença habitual nas fichas de jogo. Nesse sentido, ao puder colocar-se em praticamente todas as posições do terreno de jogo, excluindo talvez o lugar de guarda-redes, o futebolista, ainda assim, começaria por merecer maior destaque no sector intermediário. No meio-campo, ao acumular sucessivas jornadas ao currículo pessoal, passaria a auferir do estatuto de titular e meritoriamente começaria a cimentar-se como uma das principais figuras dos “Arsenalistas”.
Os anos seguintes, entre algumas épocas feitas no escalão secundário, serviriam para exaltar a sua atitude responsável, abnegada e a inquestionável paixão pelo Sporting de Braga. A sua postura dentro de campo passaria a ser aferida como de enorme exemplo e, como tal, merecedora de outro status. Já promovido a capitão de equipa, honra que saberia manter durante 7 anos, Armando ajudaria o emblema minhoto a encaminhar-se para aquele que viria a tornar-se no primeiro grande êxito de índole nacional, na história dos “Guerreiros”. Já na recta final da sua carreira como futebolista, e numa altura em que era mais habitual vê-lo a dar o seu contributo como defesa, a campanha de 1965/66, ainda na parte da temporada sob a alçada do argentino José Valle, continuaria a mostrá-lo como um dos mais utilizados. Também na Taça de Portugal, o jogador contribuiria para o fabuloso galgar de eliminatórias e que encaminharia o emblema nortenho até à derradeira peleja da prova. Nessa corrida, apesar de não ter sido chamado por Rui Sim-Sim para a partida agendada no Estádio Nacional do Jamor, o atleta, a exemplo, seria essencial para o afastamento do Benfica nos quartos-de-final e, com merecido valor, veria o seu nome gravado como um dos vencedores da apelidada “Prova Rainha”.

1400 - MANUEL de OLIVEIRA

Futebolista polivalente que, durante a carreira, haveria de posicionar-se tanto a extremo, como a interior e também a médio, Manuel de Oliveira seria descoberto por Fernando Vaz. Convidado pelo referido treinador para fazer testes com os “Leões”, o jovem praticante agradaria aos responsáveis pelo emblema “alfacinha” e acabaria por ingressar nas “escolas” do Sporting Clube de Portugal. Alguns anos mais tarde viria a subida ao escalão sénior. Porém, apesar de ser aferido como uma grande promessa, a verdade é que, num plantel tão rico, onde ainda marcavam presença  quatro dos “5 violinos”, o atleta não conseguiria convencer o técnico Randolph Galloway e passaria a temporada de 1951/52 entre as “reservas”.
As épocas seguintes pouco mais trariam a Manuel de Oliveira do que uma mão cheia de desafios disputados pela equipa principal do Sporting. Ainda assim, as poucas partidas cumpridas de “verde e branco” serviriam, mormente, para duas coisas. Primeiro, ao dar o seu contributo em 3 jornadas, surgiria a vitória no Campeonato Nacional de 1952/53. Mais tarde, viriam as chamadas à Selecção Militar e as 8 internacionalizações cumpridas ao serviço desse conjunto.
Com Manuel de Oliveira a usufruir de poucas oportunidades, uma alteração de rumo começaria a justificar-se para a sua carreira. Então, a propósito da hipotética transferência de Germano para o Sporting, mudança que nunca chegaria a concretizar-se, surgiria o compromisso com Atlético. Apresentado na Tapadinha para a temporada de 1956/57, o atleta passaria a assumir-se como um elemento imprescindível e de cariz primodivisionário. Mesmo com a passagem para a CUF na época seguinte, o estatuto de titular manter-se-ia. Na colectividade do Lavradio, emblema que viria a tornar-se no mais representativo do seu trajecto enquanto praticante, o jogador passaria o resto da sua caminhada de futebolista. No entanto, mais importante do que ter “pendurado as chuteiras” ao serviço da agremiação barreirense, seria a passagem para as funções de treinador e, com essa decisão, o encetar de funções que sublinhariam o antigo médio como um dos melhores técnicos portugueses durante mais de três décadas.
Começaria nas funções de treinador já com a campanha de 1962/63 em andamento e com a saída do argentino Anselmo Pisa. Aos comandos da CUF, logo na temporada de 1964/65, atingiria, com o final do Campeonato Nacional, o 3º posto da tabela classificativa. Essa brilhante posição, a melhor de sempre na história da colectividade, levaria o grupo de trabalho às suas ordens a qualificar-se, também em jeito de novidade, para a edição da época seguinte da Taça das Cidades com Feira. Porém, no que a bons resultados diz respeito, não só o já referido faria parte da sua carreira como técnico. Também no FC Barreirense, o rigor de Manuel de Oliveira traria frutos e o 4º lugar alcançado em 1969/70 daria ao listado “vermelho e branco” a possibilidade de fazer a estreia nas provas da UEFA e de participar na já aludida competição continental.
Numa longa caminhada a desempenhar as funções de treinador, Manuel de Oliveira, apelidado como o “Mestre da Táctica”, seria responsável por diversas inovações a nível mundial, como por exemplo a implementação do hoje tão popularizado esquema 3-4-3. Nesse trajecto, ao representar mais de duas dezenas de clubes, os destaques, como é lógico, acabariam entregues às suas passagens pela 1ª divisão. Naquele que é o escalão máximo luso orientaria, para além do mencionado, Farense, Leixões, Belenenses, Sanjoanense, Olhanense, Beira-Mar, Marítimo, Portimonense, Vitória Futebol Clube, AD Fafe e Nacional da Madeira. Também há a registar os diferentes serviços prestados nos escalões inferiores e as experiências no estrangeiro. Falta ainda dizer da sua importância, como professor, para a formação dos seus pares ou falar acerca do seu papel como comentador desportivo, como Presidente do Sindicato dos Treinadores de Futebol ou como fundador da Associação Nacional de Treinadores de Futebol.

1383 - JOSÉ PEDRO

Apesar de possuir um perfil físico franzino, José Pedro Bileú caracterizar-se-ia pela enorme energia demonstrada dentro de campo. Ao despontar no Luso Morense, agremiação da sua terra natal, depressa as habilidades futebolísticas haveriam de pô-lo no caminho de emblemas de outra monta. Duas épocas cumpridas na principal equipa da colectividade sediada em Mora e a mudança para a cidade de Évora, após anuir ao convite endereçado pelo Lusitano Ginásio Clube, aconteceria na temporada de 1952/53.
Extremo-esquerdo de apurado sentido táctico, veloz, com boa técnica e com um belíssimo “faro” para o golo, José Pedro depressa conseguiria assegurar um lugar na nova equipa. Sem nunca deixar amedrontar-se pelo salto competitivo a levá-lo até ao patamar máximo do futebol português, o atacante, logo na época de estreia com o listado verde e branco, assumir-se-ia como um dos nomes a ter em conta no grupo inicialmente comandado pelo técnico argentino Anselmo Pisa. Já nas épocas seguintes, raras seriam as vezes em que o jogador ficaria de fora das fichas de jogo. Nesse contexto, ao assumir-se frequentemente como um dos titulares, o atleta contribuiria para os feitos conseguidos pelos eborenses nas 14 campanhas consecutivas nas pelejas primodivisionárias. Para além do longo período em que ininterruptamente disputaria a 1ª divisão, outros momentos emergiriam em que o avançado seria visto como um dos mais fortes pilares. Destacar-se-iam, durante o mencionado intervalo de tempo, o 5º lugar alcançado no Campeonato Nacional de 1956/57 e as duas vezes em que o colectivo alentejano atingiria as meias-finais da Taça de Portugal.
Com a importância demonstrada, não só no seio do grupo de trabalho do Lusitano de Évora, mas ao revelar-se como um dos melhores intérpretes a jogar nas provas lusas, a chegada de José Pedro às convocatórias das diferentes selecções portuguesas não causaria grande surpresa. Com o currículo abrilhantado por 4 jogos pela equipa “b” e mais 6 pelo conjunto “militar”, ao extremo-esquerdo também chegaria a oportunidade de envergar a principal “camisola das quinas”. Com a primeira partida, pela mão de Tavares Silva, a acontecer a 22 de Maio de 1955, a mítica vitória por 3-1 frente à Inglaterra precederia o encontro, disputado quase um ano depois, com a Turquia. Nesse “match”, com o mesmo resultado final do anterior, o atacante conseguiria a sua segunda internacionalização e fecharia o percurso ao serviço do colectivo “A” de Portugal.
Depois de cumprir 15 anos com as cores do Lusitano de Évora, com a última temporada já na disputa do escalão secundário, José Pedro tomaria a decisão de rumar em outro sentido. Com 302 jogos disputados na 1ª divisão e 85 remates certeiros no mesmo patamar, o extremo-esquerdo ficaria para história, atrás do guarda-redes Vital, mas à frente de nomes míticos como Falé, Paixão ou Caraça, como o segundo atleta com mais presenças pela agremiação alentejana, no convívio com os “grandes”. Já os golos concretizados deixá-lo-iam na posição cimeira dos melhores marcadores, ao serviço do colectivo eborense, no degrau máximo do Campeonato Nacional.
Após deixar o Lusitano Ginásio Clube com o fim da temporada de 1966/67, José Pedro ainda continuaria ligado à modalidade por mais algum tempo, tendo, posteriormente, representado o Juventude de Évora e ainda o Atlético de Reguengos de Monsaraz.

1371 - AMÍLCAR CAVÉM

Eu diria impossível, no contexto futebolístico, alguém não reconhecer o apelido deste jogador. No entanto, para os mais distraídos, posso assegurar-vos Amílcar Cavém como o filho de Norberto Cavém, ilustre figura do Olhanense e do Lusitano de Vila Real de Santo António, como o irmão mais velho de Domiciano Cavém, bicampeão europeu pelo Benfica e, para não falar de outros parentes, como primo de Tamagnini Nené e de José Rita
Deixando a árvore genológica e arribando caminho para o desporto, Amílcar Cavém, ainda em idade adolescente, daria os primeiros passos no futebol com a camisola do Grupo Desportivo “O Celeiro”, popular emblema de Vila Real de Santo António. De seguida, ao ver os seus créditos tidos como capazes de outras ambições, a temporada de 1948/49 traria no FC Serpa o emblema a asseverá-lo como um potencial praticante, quiçá, profissional.
Bem, talvez haja algum exagero meu na apreciação feita à ligação do atleta com a colectividade alentejana. Todavia, as duas temporadas passadas pelo jogador no emblema sediado no distrito de Beja, serviriam para que o jogador desse o salto para os escalões “nacionais”. No Lusitano de Vila Real de Santo António a partir da temporada de 1950/51, Amílcar Cavém passaria a partilhar o balneário com o irmão Domiciano. Mesmo a disputar os escalões secundários, a verdade é que os seus desempenhos destacá-lo-iam, mais uma vez, como um elemento com habilidade para voos de maior monta. Nessa lógica, logo surgiria o Sporting da Covilhã interessado na sua contratação e na época de 1952/53 o defesa, que também sabia ocupar posições no sector intermediário do terreno de jogo, apresentar-se-ia como reforço dos “Leões da Serra”.
Mesmo tendo em conta o pulo que levaria o atleta a transitar da 3ª divisão para o escalão máximo do futebol português, a sua adaptação ao novo cenário competitivo tornar-se-ia, surpreendentemente, num pormenor fácil de ultrapassar. Com a sua estreia a acontecer pela mão do treinador János Szabó, daí em diante seria aferido pelos responsáveis técnicos como alguém essencial ao “onze”. Como um dos titulares da equipa, logo na época seguinte à da sua chegada, haveria de receber no clube o irmão Domiciano Cavém. Como é óbvio, não seria apenas dos episódios até aqui relatados que o jogador viveria. Ora, com Amílcar Cavém a integrar os grupos de trabalho que desenhariam os melhores anos da história do Sporting da Covilhã, então é certo dizer-se que o defesa teria um papel fundamental em dois importantes momentos.
A primeira situação a merecer menção, terá de ser aquela que é a melhor classificação de sempre dos “Serranos”, isto é, o 5º lugar alcançado, na temporada de 1955/56, na disputa do Campeonato Nacional. Naquela que é a principal prova do calendário futebolístico português, , logicamente na já aludida campanha e num plantel a incluir nomes como Fernando Cabrita ou José Rita, o atleta seria um dos preferidos do técnico húngaro mencionado no parágrafo anterior. Já na época seguinte, o destaque viria com o avançar nas eliminatórias da Taça de Portugal e com a chegada à final da prova. No Estádio Nacional do Jamor, numa partida frente a um Benfica onde já brilhava o seu irmão Domiciano Cavém, Amílcar Cavém seria chamado ao “onze”. Infelizmente para o conjunto liderado pela dupla Tavares da Silva e, na condição de jogador-treinador, por Fernando Cabrita, a derrota por 3-1 levaria o troféu a seguir para os escaparates da Luz.
Daí em diante, talvez com uma presença não tão preponderante, o jogador ainda iria manter-se no Sporting da Covilhã por mais 5 temporadas. Ao fim de 11 anos no emblema beirão, 9 dessas campanhas e 145 jogos disputados na 1 ª divisão, Amílcar Cavém deixaria a Serra da Estrela para regressar ao Algarve. Voltaria ao Lusitano de Vila Real de Santo António e no final da época de 1963/64 daria por terminada a sua caminhada enquanto futebolista.

1315 - JOÃO MENDONÇA

Baptizado com o mesmo nome do pai, não seria só na identidade que João Mendonça seguiria as passadas paternas. Nesse sentido, também o futebol prenderia a sua atenção. No Sporting de Luanda, emblema fundado pelo progenitor, daria os primeiros passos na modalidade, para, ainda em idade de “formação” e a abrir caminho para os irmãos Fernando e Jorge, transitar para os “Leões” da metrópole. Já em Lisboa, findo o percurso nos “juniores”, ainda chegaria a representar, na temporada de 1949/50, as “reservas” dos “Verde e Brancos”. No entanto, num plantel com 4 dos “Cinco Violinos” no activo e com Mário Wilson nomeado como o substituto de Peyroteo, a falta de oportunidades levá-lo-ia a tentar a sorte no Alentejo.
Sempre a disputar a 2ª divisão, João Mendonça manter-se-ia até o final da campanha de 1952/53 com a camisola do Juventude de Évora. Seguir-se-ia, resultado de uma evolução francamente afirmativa, a transferência para o Vitória Futebol Clube. Sob a batuta do húngaro János Biri, dar-se-ia a estreia do avançado no escalão máximo português. Para além desse facto, nessa temporada de 1953/54, a colectividade setubalense conseguiria na Taça de Portugal trilhar uma excelente participação. Com os “Sadinos” a atingirem o derradeiro desafio da prova, o atacante seria chamado ao “onze” a entrar no Estádio Nacional. Porém, com os 2 golos do irmão Fernando a ajudar ao triunfo do Sporting por 3-2, a sua presença na final não terminaria com a conquista do almejado troféu.
Apesar de uma época positiva, João Mendonça, um ano após a entrada no Vitória acabaria por rumar ao Torreense. No emblema do Oeste a partir da temporada de 1954/55, o avançado transformar-se-ia num elemento de fulcral importância na subida da agremiação ao escalão máximo. O regresso à divisão de maior monta na campanha de 1955/56, traria à carreira do jogador a curiosidade de, pela primeira vez como sénior, partilhar o balneário com um dos seus irmãos. No término dessa época, ao lado de Fernando Mendonça e de outros colegas como os argentinos Juan Forneri ou Américo Belen, o atleta ajudaria o conjunto orientado Oscar Tellechea a chegar à final da Taça de Portugal. Infelizmente, tal como da primeira passagem pelo Jamor, o atacante veria o adversário, nesse caso o FC Porto, a superiorizar-se à sua equipa e a vencer a “Prova Rainha”.
A mudança para o Sporting de Braga na campanha de 1956/57, juntaria aos irmãos referidos no parágrafo anterior a companhia de um mais novo, o também avançado Jorge. O realce conseguido pela tríade Mendonça começaria na época de chegada ao Minho, com a promoção dos “Guerreiros” às lides primodivisionárias. Ao destacarem-se ainda mais na 1ª divisão, os três jogadores, findas as provas lusas de 1957/58, mas com as competições espanholas ainda a decorrer, veriam o Deportivo La Coruña a aliciá-los. Porém, as questões burocráticas relacionadas com o limite de estrangeiros, fariam com que João Mendonça acabasse preterido na contratação. De regresso a Portugal, o atacante voltaria a rubricar um contrato com o Vitória Futebol Clube. Em Setúbal manter-se-ia nas 2 campanhas seguintes, para, em 1960/61, passar a envergar as cores do Gil Vicente.

1259 - FERNANDO MENDONÇA

Segundo a nascer no quarteto dos irmãos futebolistas Mendonça, também no amor da família pela modalidade, haveria de fazer parte João, o pai dos quatro e fundador do Sporting de Luanda.
Fernando Mendonça, com o destaque alcançado no emblema da capital angolana, faria com que os responsáveis pelos “Leões” da Metrópole requisitassem a sua presença para que, na temporada de 1949/50, passasse a integrar a equipa de juniores de Alvalade. Mesmo tido como um atacante habilidoso, que podia posicionar-se como extremo-esquerdo ou interior do mesmo lado, a possível inclusão do jovem jogador na categoria principal do Sporting Clube de Portugal esbarraria com a presença de uma linha ofensiva cheia de craques. Na impossibilidade de subir aos seniores dos “Verde e Brancos”, o avançado seria cedido ao Juventude de Évora para, na 2ª divisão, ganhar mais traquejo. A aventura alentejana, durante a qual partilharia o balneário com o irmão João, tornar-se-ia bem proveitosa e numa altura em que a Académica de Coimbra já rondava o atleta, os “Leões” voltariam a chamá-lo a Alvalade.
De regresso ao Sporting, seria o inglês Randolph Galloway a lançá-lo na primeira equipa. Ainda que longe de conseguir segurar-se como um dos titulares indiscutíveis, Fernando Mendonça, nessa temporada de 1952/53, marcaria presença num número bem razoável de partidas. Com as referidas chamadas a campo, o avançado acabaria também por inscrever o seu nome no rol de atletas vencedores do Campeonato Nacional. Todavia, a época seguinte, durante a qual faria parte do alinhamento tipo, traria números bem mais faustosos à sua folha de serviço. A trabalhar sob a alçada de Álvaro Cardoso e, depois da saída deste, com o treinador luso-magiar Joseph Szabo, o atacante, ao integrar o “onze” por 29 vezes e ao concretizar 13 golos, 2 dos quais na final da Taça de Portugal, daria um precioso empurrão na conquista da “dobradinha”.
Curiosamente, numa altura em que tudo apontava o jogador como um dos elementos mais importantes do esquema táctico leonino, a temporada de 1954/55 mudaria esse paradigma. Ao passar a mencionada época na sombra de outros colegas, com o encetar de uma nova campanha, encontrando-se mais uma vez com o irmão João, o atleta passaria a representar o Torreense. No conjunto sediado no Oeste, para além de fazer parte do “onze” que disputaria a final da edição de 1955/56 da Taça de Portugal, Fernando Mendonça, resultado das boas exibições, seria convocado pelos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol e, com a camisola da selecção “b”, somaria 2 internacionalizações.
O capítulo seguinte da caminhada enquanto futebolista levá-lo-ia ao emblema mais representativo da sua carreira. Com entrada no Sporting de Braga de 1956/57, mais uma vez na companhia de João e com irmão Jorge a juntar-se à dupla pouco tempo depois, Fernando voltaria a disputar o 2º escalão. No entanto, esse passo atrás serviria para, depois de assegurada a subida, devolver o emblema minhoto à 1ª divisão. Logo na campanha de regresso, a tríade da família Mendonça destacar-se-ia com a 5ª posição atingida no Campeonato Nacional. Com a fama alcançada, após a conclusão das provas portuguesas, os irmãos seriam convidados a viajar até à Galiza. Com a temporada espanhola a terminar mais tarde do que a época lusa, o Deportivo, com o emblema aflito para evitar a descida ao 3º patamar, veria nos três atletas uma bóia de salvação.
Com o limite de estrangeiros a ditar a presença de apenas dois jogadores vindos de além-fronteiras, os escolhidos para encetar o plano de recuperação do emblema galego seriam Jorge e Fernando. Juntos carregariam o Deportivo às costas e, já no “play-off” de despromoção, lá evitariam a queda. Contudo, ao contrário do que tal cartão de visitas parecia prometer, apenas Jorge Mendonça continuaria a carreira em Espanha. Em abono da verdade, Fernando também retornaria ao convívio de “nuestros hermanos”. Porém, ainda regressaria ao Sporting de Braga e apenas na temporada de 1961/62 voltaria a rubricar um contrato com a colectividade de La Coruña.
Depois de ajudar à promoção e de gravar o seu nome nos registos da divisão maior da “La Liga”, o verão de 1963 marcaria o fim da ligação entre o jogador e o emblema “coruñés”. Com um convite endereçado pela Lazio, Fernando Mendonça seguiria viagem até Maiorca onde, com a camisola dos “Aquilotti”, cumpriria um jogo “amigável” frente ao Constancia. Não tendo agradado ao técnico argentino Juan Carlos Lorenzo, o avançado não chegaria a partir para Roma. Na vez do “calcio”, alinhar-se-iam no seu trajecto os espanhóis do Elche e, já no regresso a Portugal, o fim da carreira em 1966, após a passagem pelo Penafiel.

729 - ANTÓNIO PEDRO

Indo assistir aos treinos do Operário Vilafranquense, a sua pequena estatura fazia com que os responsáveis pela equipa achassem que não tinha condições para singrar no futebol. Todavia, e por falta de um dos jogadores, um dia pedem ao jovem adepto para se juntar ao grupo. Mesmo jogando à defesa, posição a que não estava habituado, as suas habilidades haveriam de impressionar o responsável técnico da equipa, que pede a António Pedro para voltar a aparecer no campo.
Por razões burocráticas a sua inscrição seria adiada até à data do seu 17º aniversário. É por essa altura que, então, o médio faz a sua estreia pela equipa de juniores do Operário Vilafranquense:
 
“- Joguei a interior e marquei um golo... que me custou um olho negro !
- Bateram-lhe?
Sem querer, um adversário ao tentar aliviar com um pontapé "de bicicleta", apanhou-me a vista, quando meti a cabeça à bola para marcar o golo...
- De modo que deve ter recebido os abraços de felicitações a ver estrelas...
António Pedro riu-se e concordou (…)”*.

 
Já no seu segundo ano como júnior, António Pedro haveria de marcar presença em algumas das partidas das “reservas” e, igualmente, da primeira equipa. Contudo, só a partir da temporada de 1947/48 é que, em definitivo, passa a fazer parte do plantel principal.
Ainda que sem a experiência dos seus colegas, o jovem futebolista, que tanto podia jogar a médio centro como a interior, depressa começaria a exibir excelentes qualidades. Apesar de franzino, a disponibilidade que mostrava em campo, tornavam-no num dos melhores jogadores do emblema ribatejano. Rápido, com um bom passe e uma leitura de jogo superior, o atleta gostava de assumir a responsabilidade pela organização das jogadas. O peso que tinha no seio do grupo era enorme, e com o clube a abandonar a Associação de Futebol de Santarém para se juntar à de Lisboa (1949/50), António Pedro tornar-se-ia num dos principais responsáveis pelas consecutivas subidas de divisão.
Seria durante um encontro disputado em Pombal, partida a contar para a final da 3ª divisão, que António Pedro é descoberto por um antigo árbitro vila-franquense. Com residência nas Caldas da Rainha, o ex-juiz de jogo, que tinha por amigos alguns dos responsáveis do Caldas SC, dá boas indicações sobre o atleta. Convencidos do seu real valor, os dirigentes do clube, no intuito de o contratarem, partem para Vila Franca de Xira. Depois de muitas ofertas e outras tantas contrapropostas, é a altas-horas da noite, e já em plena rua, que o acordo é conseguido: para o clube – 12.500 escudos; para o atleta – um subsídio mensal de 500 escudos e a promessa de um emprego, onde iria auferir de um salário de 1.200 escudos.
Depois de trocar de emblema, mesmo tendo continuado a jogar na 3ª divisão, António Pedro começa a ser alvo de cobiça. O Sporting seria o primeiro a tentar a sua sorte e o atleta chegaria mesmo a treinar em Alvalade. Todavia, e achando o treinador Álvaro Cardozo que o médio não tinha qualidade suficiente para se juntar à equipa principal, a proposta para integrar a equipa de “reservas” e as fracas contrapartidas financeiras acabariam por não convencer António Pedro, que recusaria a oferta.
Com o avançar dos anos, e com o Caldas a subir na hierarquia das divisões, outras propostas foram surgindo. Sporting de Braga, Belenenses, Benfica e até o Ferroviário de Luanda, por diversas razões, foram sendo recusados. É nisto que o Caldas surge na 1ª divisão. No patamar mais alto do nosso futebol, o médio torna-se num dos atletas mais influentes do grupo. Tão importante era, que chega a ser chamado aos trabalhos da Selecção Nacional. Mesmo sem ter conseguido a tão almejada internacionalização, António Pedro continuaria como um dos mais utilizados no Caldas SC e peça fulcral das 4 campanhas feitas pelo emblema caldense nos grandes palcos do futebol português.
O seu caminho continuaria e terminaria no Caldas SC. Já depois de aí ter merecido a braçadeira de capitão e de ter granjeado a devoção de todos os que o viram jogar no Campo da Mata, António Pedro decide pôr um ponto final na sua vida de futebolista. Ainda assim, o antigo médio, que, ainda hoje, é tido como o melhor jogador a ter passado pelo emblema das Caldas da Rainha, continuaria ligado à modalidade. Nas funções de treinador, faria carreira no Caldas SC e, a exemplo, também no União de Santarém.

 
*excerto da entrevista dada à revista “Crónica Desportiva”, a 30 de Março de 1958