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852 - DAÚTO FAQUIRÁ

Com uma carreira que, nos escalões de formação, também passaria pelo Mem Martins SC, seria no Sintrense que Daúto Faquirá faria a transição para o patamar sénior. No emblema da histórica vila de Sintra, sem nunca deixar as divisões inferiores do futebol nacional, o médio construiria uma carreira discreta. Durante esse tempo, mesmo tendo na modalidade a sua maior paixão, manteria bem acesa uma serie de outros sonhos. Nunca tendo descurado os estudos, o ensino superior acabaria por ser o seu destino. Licenciar-se-ia em Educação Física e Desporto pela Faculdade de Motricidade Humana, para, já uns anos mais tarde, completar uma segunda licenciatura em Educação Física e Desporto, na Universidade Lusófona.
Numa altura em que já era Professor de Educação Física, tomaria a decisão de deixar os campos para abraçar as tarefas de técnico. Tendo começado como adjunto, Daúto Faquirá chegaria a trabalhar sob alçada do conceituado Manuel de Oliveira. Já no decorrer da temporada de 1994/95, é convidado para assumir o cargo de treinador principal. Aceita e, mantendo-se no Sintrense, inicia uma caminhada que o levaria até à 1ª divisão.
Antes de chegar ao patamar máximo do futebol português, o percurso que tomaria após deixar o Sintrense, levá-lo-ia a orientar outros emblemas de divisões inferiores. O trabalho realizado nessas colectividades pô-lo-ia na mira de clubes de maior monta. No Odivelas, para onde entraria em 1999/00, conseguiria, no espaço de 2 temporadas, levar o clube dos “regionais” à 2ª divisão “B”. Já ao serviço do Barreirense alcançaria um feito idêntico e, em 2004/05, orienta o clube da “Margem Sul” rumo à divisão de honra.
Com tamanha prova, o salto para os campeonatos profissionais era o que ainda faltava na sua carreira. Após uma curta passagem, ainda na divisão de honra, pelo Estoril-Praia, acabaria por receber a primeira proposta vinda de um emblema primodivisionário. A sua estreia nos “grandes palcos” aconteceria na época de 2006/07 e com as cores do Estrela da Amadora. Depois, surgiria a oportunidade de liderar o Vitória de Setúbal. Nos “Sadinos”, resultado da qualificação conseguida por Carlos Carvalhal, Daúto Faquirá teria a oportunidade de disputar a Taça UEFA. Contudo, essa campanha de 2008/09 não correria como planeado e, antes de atingir o meio da temporada, o treinador seria dispensado.
Após o referido despedimento, Daúto Faquirá só voltaria ao activo cerca de ano e meio depois. No Olhanense, numa primeira temporada tranquila, consegue cumprir os objectivos delineados pela direcção e terminar o Campeonato a meio da tabela classificativa. Todavia, a época de 2011/12 voltaria a pôr no seu caminho a terrível “chicotada psicológica”. Sem se entender o motivo concreto, e com o conjunto a ocupar a 10ª posição, o treinador é afastado do comando do emblema algarvio.
Tendo, entre 2013 e 2014, passado pelos angolanos do 1º de Agosto, Daúto Faquirá tem estado afastado da competição. Esse distanciamento, ainda assim, não tem esmorecido a sua vontade de regressar. Paralelamente ao interregno, o técnico tem-se dedicado mais aos seus passatempos, caso da pintura, ou ao comentário desportivo. Nessas funções, destaque para a sua presença habitual em programas do canal televisivo SIC.

690 - ARMANDO MARTINS

Tendo, nos meados da década de 20, surgido na equipa principal do Vitória de Setúbal, Armando Martins, cumpridos apenas alguns meses na dita categoria, faria por merecer a chamada à selecção nacional portuguesa. O jogo com a antiga Checoslováquia, de carácter particular, como que marcaria o ponto de partida para uma carreira que, desde o seu começo, alcançaria enorme realce.
É já depois do primeiro jogo por Portugal, disputado em Janeiro de 1926, que o extremo direito conseguiria um dos mais importantes títulos da sua vida desportiva. Ora, como ainda não havia sido formada a Associação de Futebol de Setúbal, os “Sadinos”, à altura, estavam incluídos nas provas sediadas na capital. Nesse sentido, a temporada de 1926/27 haveria de ter, para o Vitória, uma primeira metade de excelência. Conseguindo sobrepor-se aos favoritos Benfica, Sporting e Belenenses, e com Armando Martins a auferir de um grande destaque, os setubalenses sagrar-se-iam vencedores do Campeonato Regional de Lisboa.
Também no Campeonato de Portugal, na já referida época, os de Setúbal embarcariam em mais uma campanha memorável. Armando Martins, como um dos mais chamados ao “onze” inicial, assumiria novamente um papel de grande importância. Ao lado de nomes como os de Octávio Cambalacho, João dos Santos, Francisco Silva ou Artur Camolas (todos eles chegariam a internacionais) o atleta ajudaria o clube, pela primeira vez na sua história, a chegar à final daquela que era a prova maior do calendário nacional. Na derradeira partida, o Vitória acabaria por claudicar frente ao Belenenses, perdendo por 2-0.
Sensivelmente 1 ano após esta final, Armando Martins, que, de forma continuada, via o seu nome a ser incluído nas convocatórias da selecção portuguesa, é mais uma vez chamado por Cândido de Oliveira. Desta a feita, ao invés dos habituais particulares, a ocasião levaria o jogador a vestir a “camisola das quinas” naquele que era, à altura, o certame de maior importância no universo do futebol. Nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, o atleta, com entrada em duas das partidas disputadas, ajudaria Portugal a alcançar os quartos-de-final.
Não foi só como praticante que Armando Martins viveu a sua relação com o futebol. Também na função de técnico, o internacional “luso” haveria de deixar o seu legado. Aos comandos do Vitória de Setúbal, levaria os seus pupilos à primeira final da Taça de Portugal, na história do clube. Mesmo tendo perdido essa edição de 1943/44 para o Benfica, o seu nome é um dos que mais estima merece a estima por parte dos adeptos “sadinos”. No percurso do emblema setubalense, o valor da sua figura é incalculável. Tendo sido um dos melhores futebolistas nas primeiras décadas de vida do clube, também a ele se deve o lançamento de outros atletas. Como exemplo, pode referir-se o nome de um outro craque do futebol português, Emídio Graça.