1793 - VIEIRA

António Manuel Martins Vieira teria no Nacional da Madeira o emblema onde viria a concluir o percurso formativo. Sem deixar o listado dos “Alvi-negros”, o médio, com o cunho de Carlos Cardoso e numa altura em que ainda era júnior, acabaria também por fazer a estreia na equipa principal. Ainda nessa temporada de 1981/82, a actuar na 2ª divisão, o destaque alcançado com as suas exibições levá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos dos jovens grupos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado na agenda dos sub-18, o jogador, a 8 de Dezembro de 1981, acabaria, num rol a incluir nomes como Jaime, Venâncio ou Morato, a ser escolhido, por José Augusto, para um jogo de preparação. Depois dessa partida frente à Espanha, seguir-se-iam outras e no final do trajecto internacional, sem sair do escalão já indicado, o atleta somaria um total de 9 presenças feitas por Portugal. 
No que diz respeito à caminhada clubística, como destapado no parágrafo anterior, o Nacional da Madeira haveria de desempenhar um papel fulcral na carreira do médio. Importante não só pela estreia como sénior, mas igualmente pela extensão do laço entre o atleta e a divisa nascida na cidade do Funchal, tal ligação não terminaria, mesmo tendo em conta o estatuto internacional de Vieira, com o emblema insular a manter-se pelo patamar secundário. Fiel às refregas do clube, o centrocampista estenderia a sua caminhada com as cores nacionalistas bem para além de atingir a maturidade enquanto praticante profissional. Tal fidelidade traria os seus frutos e com a colectividade a fazer a estreia entre os “grandes” do futebol português, o atleta, na campanha de 1988/89, teria igualmente a oportunidade de experimentar a 1ª divisão.
Com Paulo Autuori, na última época aludia, à frente do Nacional da Madeira, Vieira, ao lado do capitão Ladeira, de Heitor, de Cristiano ou de Paulo Sérgio, constituir-se-ia como um dos esteios das projecções técnicas, para o sector intermediário, idealizadas pelo treinador brasileiro. Tal preferência faria com que o médio, no espraiar dessa temporada de 1988/89, conseguisse acumular um número considerável de presenças em campo. No par de campanhas seguintes, com algumas excepções pelo meio, conservaria o estatuto de titular. Todavia, contrariamente ao idealizado pela colectividade madeirense, a época de 1990/91 não terminaria com o sucesso desejado. Com o emblema insular a claudicar na luta pela manutenção, o último lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional significaria, para o jogador e para os seus colegas, a queda na divisão de Honra. Ainda assim, a fidelidade do centrocampista manter-se-ia inabalável e a ligação entre o futebolista e a divisa do Funchal continuaria até ao termo dos desafios planeados para 1993/94.
Já a abraçar a veterania, Vieira seria apresentado como reforço do plantel de 1994/95 do Machico. No emblema fundado no lado nascente da ilha da Madeira, o médio, sem mais regressar aos principais patamares competitivos, viria a manter-se durante 3 campanhas.
Tendo, em 1996/97, “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta ainda voltaria a unir-se à modalidade. Ao abraçar as tarefas de treinador, a ligação ao Camacha em 2004/05 transformar-se-ia num passo essencial para o seu futuro profissional. Nesse sentido, depois de ainda liderar o Machico e de ter regressado ao Nacional para orientar as camadas jovens, um novo convite de Leonardo Jardim, o técnico-principal durante a sua experiência na agremiação das serranias madeirenses, levá-lo-ia a aceitar ser um dos seus adjuntos. O aludido vínculo, a manter-se até aos dias de hoje, empurrá-lo-ia para as mais diferentes paragens e o Desportivo de Chaves, o Beira-Mar, o Sporting de Braga, o Sporting e, no estrangeiro, o Olympiacos, o AS Monaco, os sauditas do Al-Hilal, os cataris do Al-Rayyan, os emiradenses do Al Ahli e do Al Ain e ainda os brasileiros do Cruzeiro e do Flamengo fazem já parte do seu currículo.

1792 - PELÉ

Nascido no Algarve, seria no Imortal que Pedro Miguel Cardoso Monteiro, popularizado no desporto pela alcunha Pelé, encetaria a caminhada no futebol. Ao concluir a etapa formativa no emblema de Albufeira, a sua transição para o universo sénior, sem que abandonasse a mencionada colectividade, dar-se-ia no decorrer da temporada de 1996/97. Ao exibir-se na Zona Sul da 2ª divisão “B”, o defesa-central, que também podia posicionar-se como médio-defensivo, começaria por partilhar o balneário com colegas de enorme traquejo competitivo, casos de Stefan, Pitico, Nilsson ou Alexandro. A experiência ganha durante essas campanhas disputadas entre o 3º e o 2º escalão luso fariam com que o seu nome começasse a ficar gravado na memória de algumas das pessoas com que havia trabalhado e seria Paco Fortes que, ao orientar o atleta na agremiação referida no início deste texto, haveria de encaminhá-lo até a uma nova divisa.
A passagem de Pelé pelo Farense de 2002/03, embora a competir na divisão de Honra, serviria, em grande medida, para abrir novos horizontes para o defesa-central. Nesse sentido, bastar-lhe-ia uma temporada cumprida no Estádio São Luís para que de outros lados emergissem convites para uma nova mudança. Com a entrada no Belenenses a acontecer em 2003/04, o jogador, já como um intérprete maduro, acabaria por ter a primeira oportunidade no escalão máximo. Orientado por Manuel José à chegada a Lisboa, o atleta, mesmo com a concorrência de Filgueira, Wilson, Hélder Rosário, Tuck, Marco Paulo ou Andersson, rapidamente assumiria um lugar de destaque no plantel dos “Azuis”. A titularidade em 3 anos de Restelo, resultado da regularidade com que apresentava boas exibições, teria como efeito o aumento da sua cotação e haveria ser do estrangeiro que surgiria um novo desafio.
Com os “media” a difundir o interesse de diversos emblemas, nomeadamente o do Newcastle, West Ham e Portsmouth, surpreendentemente Pelé acabaria a escolher um emblema a militar no 2º escalão – “Estou maravilhado por me juntar ao Southampton. Eu vi muitos jogos ingleses na televisão e penso que eu irei encaixar-me bem. Eu estou muito ansioso para jogar aqui. O Southampton é um clube grande que devia estar a jogar na Premiership e eu espero que consiga ajudá-los a regressar lá esta época”*. Já ao serviço dos “Saints”, onde jogaria ao lado do jovem Gareth Bale, o defesa-central, mesmo cimentado como um dos titulares, apenas permaneceria durante a temporada de 2006/07. Todavia, o grande destaque dessa primeira época em Inglaterra, viria com a sua estreia internacional. Chamado por José Rui aos trabalhos da selecção de Cabo Verde, o jogador teria a estreia pelo país da sua ascendência numa partida, disputada frente à Gâmbia, a 3 de Setembro de 2006. Depois dessa peleja a contar para a fase de apuramento da CAN 2008, o atleta continuaria a ser convocado e conseguiria alcançar um total de 11 presenças em campo pelos “Tubarões Azuis”. 
De regresso ao plano clubístico, e sem sair do mesmo patamar competitivo, surgiria o West Bromwich Albion. No WBA, mantendo-se como uma figura fulcral no desenho táctico da equipa, a sorte, para o atleta e para o colectivo por si representado, seria bem diferente. Com a promoção conseguida no final da época de 2007/08, a campanha subsequente seria a da estreia de Pelé na Premiership. Todavia, a senda entre os “grandes” de Inglaterra não correria de feição para o cabo-verdiano e poucas seriam as oportunidades que conseguiria alcançar. À procura de jogar com mais regularidade, seguir-se-ia na sua carreira a divisão maior da Escócia e a sua contratação por parte do Falkirk. No entanto, mais uma vez, a fortuna não bafejaria a escolha do defesa-central para a campanha de 2009/10. Daí em diante, mesmo com o regresso aos campeonatos profissionais ingleses, onde representaria o MK Dons, a sua caminhada competitiva espraiar-se-ia pelos escalões inferiores britânicos e colectividades como o Northwich Victoria, o Hednesford Town, o Hayes & Yeading, o Havant & Waterlooville ou o AFC Totton acabariam a preencher um trajecto que conheceria o seu termo em 2017/18.

*retirado do artigo de Andrew Scurr, publicado em Julho de 2006, em https://www.skysports.com/