Na temporada de 1960/61, a C.U.F., a militar na 1ª divisão, estreava, na equipa principal, um novo jogador de seu nome José Carlos. O sector mais recuado da equipa do Barreiro passava a contar com um intérprete que, desde início, havia mostrado qualidades inegáveis. Concentração, posicionamento, desarme e abnegação eram, e continuam a ser, algumas das características a fazerem um bom central. O tal jovem atleta parecia tê-las a todas e de tal maneira estavam presentes no seu jogo que, logo no ano de arranque como sénior, o ainda inexperiente atleta, com apenas 19 anos de idade, acabou chamado aos trabalhos da selecção “A”.
Como é lógico, tal ascensão não deixou indiferentes os "grandes" do futebol português. Por isso mesmo, bastou mais uma época e outras duas internacionalizações, para que o Sporting ficasse convencido que o jovem defesa preenchia todos os requisitos para merecer um lugar no plantel. Depois de atravessar o Rio Tejo e como reforço dos “Leões”, José Carlos, à chegada a Alvalade, fez aquilo que era da sua competência. Não defraudou qualquer expectativa e insistiu, desde o primeiro instante nos "Verde e Brancos", em ser um dos jogadores mais influentes na equipa.
Ao lado de Alexandre Baptista, imediatamente ganhou um lugar no "onze" inicial. Manteve esse estatuto, excepção feita à última temporada, durante a quase totalidade dos 12 anos passados no Sporting. Ajudou a conquistar títulos – 3 Campeonatos Nacionais; 4 Taças de Portugal; 1 Taça dos Vencedores das Taças –, mas acima de tudo deu ao grupo uma voz de comando. Sim, o defesa também pertence à história dos “Leões” pelo número de jogos e pelos troféus conquistados. Contudo, foi pela postura íntegra, sacrifício e capacidade de encorajar os companheiros que ficou na memória de todos os que com ele partilharam os campos de futebol e igualmente na lembrança de todos os que o viram jogar. Com tudo isso a conclusão é fácil de se fazer: José Carlos foi um dos maiores capitães que o Sporting teve e esse, como um enorme exemplo que foi, será para sempre o seu maior legado.
Tal como em Alvalade, também com a "camisola das quinas", José Carlos foi preponderante. No prelúdio da campanha dos "Magriços", nas partidas a servirem de qualificação para o Campeonato do Mundo de 1966, o jogador esteve presente em todas. Surpreendentemente, já na Fase Final disputada em Inglaterra, acabou preterido, jogando apenas em dois encontros. Ainda assim, a sua escolha para essas duas partidas mostrou a importância que tinha para o grupo de trabalho. É certo que apenas jogou frente à Inglaterra e contra a U.R.S.S., mas também não é menos verdade dizer-se que esses foram os desafios de maior responsabilidade para Portugal e as rondas a dar, ao conjunto luso, o 3º lugar no certame.
Depois de deixar o Sporting no final de 1973/74, José Carlos ainda vestiu, por uma temporada, a camisola do Sporting de Braga. Foi também na “Cidade dos Arcebispos” que deu início à caminhada como treinador. Durante esse trajecto, mesmo sem destaques de maior, o antigo defesa ainda teve algumas passagens pela 1ª divisão e uma dessas experiências pô-lo também na história de outro emblema português, como o responsável pela única subida ao escalão máximo do Recreio de Águeda.

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