1805 - MOURA

De António Carvalho Teixeira, popularizado no futebol pela alcunha Moura, também não tive a habilidade para reconstituir os primeiros passos da carreira, nem sequer consegui saber se a mesma terá sido interrompida pela chamada, tão habitual para a altura, ao Serviço Militar Obrigatório. Porém, encontrei um recorte, do qual também não sei a fonte e o qual irei “colar” no final deste texto, que, mesmo sem a correspondente cronologia, diz-nos: “António Teixeira Moura nasceu em Amarante, em 3 de Maio de 1945. Joga a ponta-de-lança. O seu primeiro grupo foi o Amarante. Dali passou para o Futebol Clube do Porto. Depois para o Espinho. Regressou ao Amarante, voltou ao Porto e está no Boavista desde 1966”.
Ao dar continuação à sequência de emblemas acima apresentada, e ao ter como 1966/67 a primeira temporada de Moura ao serviço do Boavista, então a chegada do avançado-centro ao Bessa terá apanhado os “Axadrezados” entregues às disputas da 3ª divisão. Manter-se-iam as “Panteras” no mesmo escalão ainda por mais uma temporada, até que, resultado de duas subidas consecutivas, teriam, na campanha de 1969/70, o regresso às pelejas primodivisionárias. No convívio com os “grandes”, o atacante começaria por ser orientado por António Gama. Mas mesmo numa época atribulada, onde ainda viria a ter mais 3 treinadores, o jogador conseguiria manter-se estável no “onze”, tornando-se, com os mesmos números de Mário João, no mais utilizado do plantel.
A frequência com que haveria de aparecer em campo, no final da década de 1960 e igualmente na primeira metade dos anos de 1970, faria de Moura uma das principais figuras do Boavista. Apesar de não ser um avançado muito prolífero, a força que conferia à dinâmica do conjunto portuense constituir-se-ia como de grande importante para os diferentes treinadores a passar pela liderança da equipa técnica dos “Axadrezados”. Para além deste aspecto, muito mais do que o contributo desportivo dado pelas suas presenças em jogo, a sua liderança em campo dar-lhe-ia o direito de capitanear os colegas e o jogador, a partir da campanha de 1970/71, começaria a exibir-se com a respectiva braçadeira.
Já sob a égide de José Maria Pedroto, nomeadamente no estender da temporada de 1974/75, Moura acabaria por perder algum do protagonismo granjeado em épocas anteriores. Ainda assim, essa que viria a tornar-se na derradeira campanha do jogador ao serviço do Boavista, terminaria com um momento inolvidável. Com as “Panteras” a galgar sucessivas etapas na Taça de Portugal, a chegada à derradeira ronda da competição prometia algo de inédito. Tamanha novidade viria mesmo a concretizar e a vitória na final, frente ao Benfica, faria com que o avançado-centro fosse recordado como um dos elementos pertencentes ao grupo de trabalho que, pela primeira vez na história dos “Axadrezados”, haveria de conquistar a “Prova Rainha”. 
Após 9 anos a envergar as cores do Boavista, 6 deles na disputa do escalão maior, Moura acabaria por mudar de divisas. Com a entrada no Paços de Ferreira a acontecer na campanha de 1975/76, o atacante afastar-se-ia, em definitivo, dos cenários primodivisionários. Seguir-se-iam, com o atleta a cambiar de colectividade a cada ano, o Livração, o Marco, o Vila Meã, o regresso ao Amarante e, como capítulo imediatamente a anteceder o termo da sua carreira, o plantel de 1982/83 do Celoricense.