1707 - ALI HASSAN

Ao destacar-se no Grupo Desportivo de Maputo, Ali Mahomed Hassan, eleito o melhor jogador moçambicano do ano de 1988, teria em Portugal a sua próxima paragem no futebol. No entanto, ao ter sido convidado pelo Benfica a treinar à experiência e depois do contrato apresentado pelas “Águias”, o jogador acabaria por deixar a Luz e rumar ao outro lado da 2ª circular – “Fui recebido pelo presidente João Santos e pelo diretor Gaspar Ramos. Estive 15 dias na Luz e o primeiro treino foi no relvado principal (…). Foi um primeiro dia diabólico. Fui-me adaptando, com a ajuda do Mozer, Valdo, Vata e Abel Campos, dois angolanos, e a partir daí melhorei (…).O Toni e o Gaspar Ramos gostaram do que viram e ofereceram-me um contrato de quatro anos, mas nessa noite uns diretores do Sporting foram-me buscar ao Hotel Altis, onde eu estava, e acabei por assinar um contrato com o Sporting(…).Eu era sportinguista desde pequeno e juntei o útil ao agradável. Só peço desculpas ao Benfica pelo sucedido e sei que foi a minha ingenuidade a levar-me a tomar essa decisão”*.
Com a entrada, em Janeiro de 1989, no Sporting, o jogador, já com 24 anos, acabaria por revelar algumas dificuldades de adaptação ao diferente contexto competitivo. Mesmo ao jogar pouco, o médio-centro teria, sob a alçada de Manuel José, o período de melhor rendimento na passagem por Alvalade. Durante esse tempo, destacar-se-ia a sua presença nas partidas refentes à edição de 1989/90 da Taça UEFA. Frente ao Napoli de Diego Armando Maradona, o centrocampista moçambicano haveria de participar em ambas as mãos e acabaria a ronda, mesmo com os “Leões” afastados da prova de índole continental, com uma fotografia tirada ao lado do mencionado astro argentino.
Apesar desse episódio, momento de cariz inolvidável na caminhada competitiva de Ali Hassan, a verdade é que o médio poucas vezes contribuiria para os resultados do colectivo “verde e branco”. Nesse sentido, reconhecidas as suas capacidades, o médio, findo um período de 2 anos e meio passado em Alvalade, teria no Vitória Futebol Clube a oportunidade de prosseguir a carreira. Em Setúbal a partir da temporada de 1991/92, com os “Sadinos” na disputa do segundo escalão português, o impacto produzido pela sua experiência no Bonfim ficaria abaixo das expectativas criadas ao seu redor. Seguir-se-ia uma curta, e mais uma vez infrutífera, passagem pelo primodivisionário Estoril Praia. Ainda nessa época de 1992/93, de volta à divisão de Honra, o jogador passaria a envergar as cores do Amora. Daí em diante, num trajecto que ficaria sempre aquém do projectado para si, o atleta afastar-se-ia, em definitivo, dos principais palcos lusos e o Académico de Viseu e o Torres Novas completariam o resto da sua vida como futebolista.
Curiosamente, seria pela altura em que representava a última agremiação referida no parágrafo anterior que, na caminhada de Ali Hassan, emergiria outro momento de enorme importância. Chamado por Rui Caçador, o médio, que já tinha feito a estreia pela principal selecção do seu país, viria a ser, ao lado de outro nomes conhecidos do futebol luso, casos de Chiquinho Conde, Tico-Tico ou Jojó, arrolado para o grupo a disputar a CAN de 1996. No torneio organizado na África do Sul, o centrocampista entraria em campo, sempre na condição de suplente utilizado, frente à Tunísia e na partida agendada com a Costa do Marfim. No entanto, com Moçambique, na Fase de Grupos, a conseguir apenas um empate, o jogador veria a sua participação a dar-lhe apenas um par de internacionalizações.
Já de regresso ao país natal, o antigo médio passaria a dedicar-se às actividades de treinador. Nas funções de técnico trabalharia durante diversos anos no Liga Desportiva de Maputo e, mais recentemente, ao serviço do Grupo Desportivo Mahafil.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 27/03/2021, em https://maisfutebol.iol.pt

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