1706 - LEOPOLDO

Descoberto pelo FC Porto no Sport Progresso, Leopoldo José Nogueira Amorim teria nos “Azuis e Brancos” o termo do percurso formativo. Curiosamente, o jovem defesa, já com um acordo rubricado com o Amarante, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, estaria à beira de deixar o emblema portuense. Porém, José Maria Pedroto, ao entender no jogador alguém com enorme potencial, convencê-lo-ia a rubricar um contrato profissional e a deixar, com isso, de pensar na conciliação da prática desportiva com o emprego numa fábrica de tintas.
Outra curiosidade, relacionada com o início da sua caminhada com a principal camisola do FC Porto, sairia logo da primeira partida efectuada, pelo jogador, ao serviço dos seniores dos “Dragões”. Numa ronda forasteira com a CUF, uns dias antes do jogo a contar para 22ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1968/69, os elementos normalmente escolhidos para a tarefa de capitão de equipa ver-se-iam envolvidos numa polémica abrangida pelo foro disciplinar. Castigados os tais atletas, a escolha do treinador para liderar os colegas dentro de campo recairia no estreante Leopoldo e a braçadeira, na peleja agendada para o Estádio Alfredo da Silva, acabaria por ficar entregue à responsabilidade do defesa.
Apesar do arranque auspicioso, o homem que, entre as hostes portistas, ficaria conhecido como “Bacalhau”, alcunha posta pelo brasileiro Djalma como resultado do seu aspecto franzino, raramente conseguiria fixar-se como um dos nomes consensuais no alinhamento do FC Porto. Essa excepção, numa época em que pelo comando técnico dos “Azuis e Brancos” passariam três diferentes treinadores, emergiria no decorrer da temporada de 1971/72. Ainda assim, daí em diante, talvez por razão de uma lesão no menisco que vi veiculada em algumas fontes, a verdade é que o defesa poucas oportunidades haveria de conquistar no “onze” da colectividade sediada na “Cidade Invicta” e a época de 1974/75 marcaria o fim da ligação entre o atleta e os “Dragões”.
Com a sua apresentação como reforço do Varzim de 1975/76, Leopoldo voltaria a trabalhar sob o comando de António Teixeira, seu antigo treinador no FC Porto. A transição levaria o defesa a inscrever o seu nome em algumas páginas importantes na história do emblema poveiro. Logo na época de entrada nos “Lobos-do-mar”, o atleta constituir-se-ia como uma das figuras da chegada da agremiação aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Na época seguinte viria o regresso à 1ª divisão. Depois, surgiriam as meias-finais da edição de 1977/78 da “Prova Rainha” e, por fim, o 5º lugar, até hoje um recorde do clube, conquistado na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1978/79.
O pior é, para o jogador, que as metas colectivas alcançadas ao longo do tempo surgiriam paralelamente a um progressivo decréscimo das suas presenças em campo. Mais uma vez, numa altura em que já tinha capitaneado a equipa do Varzim, outra mudança de rumo surgiria no trajecto do defesa. Dessa feita, a transferência ocorrida na campanha de 1980/81 levaria o jogador a assinar um contrato com o Vitória Sport Clube. Em Guimarães, onde cumpriria mais uma temporada entre os “grandes”, Leopoldo também viria a ter a derradeira aparição naquele que é o patamar máximo do futebol português. De seguida surgiriam os últimos capítulos da carreira ao serviço do Macedo de Cavaleiros. Por fim, já “penduradas as chuteiras”, o antigo praticante ainda teria algumas experiências como treinador, as quais levá-lo-iam a passar pelas “escolas” do FC Porto e, por exemplo, pelo Vianense ou pelo Trofense.

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