1708 - LUÍS HORTA

Sem ter conseguido confirmar a informação que irei replicar, algumas fontes dão os primeiros anos da carreira de Luís Manuel Alfar Horta ao serviço de emblemas como o Casalense, o Leiria e Marrazes e o Belas. O que parece ser mais consensual, nestes capítulos iniciais da sua caminhada futebolística, é a sua inclusão no plantel de 1973/74 do Sintrense.
Terá sido também a envergar o emblema saloio, onde partilharia o balneário com Nelo Vingada e com Rui Reis, que o atleta haveria de despertar a cobiça do Atlético. Na Tapadinha a partir da temporada de 1974/75, o defesa-central teria na agremiação do popular bairro de Alcântara a estreia no patamar maior do futebol português e, logo no ano de chegada à colectividade “alfacinha”, conquistaria um lugar de destaque no seio do grupo de trabalho.
Lançado nas pelejas primodivisionárias por Fernando Vaz, o atleta, ainda no decorrer da última temporada referida, e na seguinte, também ficaria às ordens de Carlos Silva. Aliás, a sua mudança para o Belenenses, após cumpridas duas campanhas na 1ª divisão, em muito ficaria a dever-se à contratação, pelos “Azuis”, do mencionado treinador. Já no Restelo, onde chegaria ao lado de Manuel Amaral, seu companheiro no Atlético, o defesa-central, que podia ocupar lugares mais avançados no terreno de jogo, continuaria a sublinhar-se como um dos bons intérpretes a exibir-se nas provas lusas. Curiosamente, um dos grandes destaques dessa sua época de chegada ao novo emblema, emergiria das provas de índole continental. Com os homens da “Cruz de Cristo” inseridos na Taça UEFA, calhar-lhes-ia em sorte, logo na ronda inicial da prova, defrontar o FC Barcelona. Nessa eliminatória frente aos catalães, a colectividade portuguesa recusar-se-ia a ser o “bombo da festa” e com Luís Horta a marcar um golo no empate caseiro por 2-2, em Camp Nou, só bem perto do termo da 2ª mão, é que o resultado, com 5-4 no somatório das 2 partidas, cairia para o lado dos “Culés”.
Nos anos seguintes, Luís Horta, como um dos membros a aparecer com maior frequência nas fichas de jogo, passaria a caracterizar-se como um elemento deveras zeloso na postura apresentada. Ainda assim, na sua passagem pelo Belenenses, no desenovelar da época de 1978/79, uma polémica haveria de surgir na antecâmara de um jogo frente ao FC Porto – “A seguir à prelecção no hotel, antes do jogo, o António Medeiros avisou-nos que tínhamos de fazer uma vénia à bandeira que estava num mastro dentro do estádio (…). Respondi-lhe que só fazia vénia a uma bandeira, à de Portugal, e a mais nenhuma. Que estava ali para jogar futebol e não para fazer vénias. Além disso, a tradição era transportar a bandeira ao entrar em campo. Ele não gostou e disse-me logo que, ou fazia a vénia, ou não jogava. E não joguei mesmo”*.
Obviamente, num jogador reconhecido pela sua ética, o episódio relatado no parágrafo anterior constituir-se-ia como uma excepção. A regra seria ver Luís Horta como um dos habituais nomes a integrar o “onze” do Belenenses. A mencionada titularidade, ao surgir de forma bastante regular, viria a abrir-lhe outras portas, nomeadamente a dos grupos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse âmbito, a primeira aparição em campo, a propósito dos trabalhos agendados para a equipa “B” lusa, aconteceria a 8 de Março de 1978. Na partida frente a França, no qual entraria ao lado de outros colegas nos “Azuis”, casos de Alexandre Alhinho e de Sambinha, o defesa-central, com um golo da sua autoria, ajudaria ao empate a uma bola. Já em Novembro do mesmo ano, dessa feia numa partida com o conjunto secundário da Áustria, o jogador voltaria a ser chamado às contendas internacionais e juntaria ao currículo pessoal outra partida com a “camisola das quinas”.
Em 1980/81 Luís Horta teria uma incursão de 1 temporada ao serviço do Sporting de Braga. Finda a curta passagem pelo Minho, o jogador voltaria ao Belenenses. No entanto, o regresso ao emblema lisboeta culminaria, não só num dos piores momentos colectivos da história dos “Azuis”, como noutra situação caricata para o jogador. O episódio começaria no jogo forasteiro frente à União de Leiria, referente à 26ª ronda do Campeonato Nacional. A partida disputada na “Cidade do Lis” terminaria com a vitória, por 1-0, do conjunto da casa. Tal resultado ajudaria a vincar aquela que viria a tornar-se na primeira descida à 2ª divisão da longa existência dos homens da “Cruz de Cristo”. Para piorar a situação, entre outras expulsões, ao defesa-central seria mostrado o cartão vermelho directo. O castigo aplicado acabaria por afastar o jogador, até ao final da prova, dos restantes desafios. No rescaldo do incidente, o atleta pediria para deixar o clube. Os dirigentes da colectividade sediada no Restelo anuiriam ao solicitado, mas, em troca, exigir-lhe-iam uma indeminização!
Finda a época de 1981/82, Luís Horta deixaria mesmo o Belenenses para, também no escalão secundário do futebol luso, passar a representar a Académica de Coimbra. A passagem pela “Briosa”, numa caminhada já a contar com 8 anos consecutivos entre os “grandes”, afastá-lo-ia em definitivo das contendas primodivisionárias. De seguida viriam o par de temporadas no FC Barreirense, o Pêro Pinheiro de 1985/86 e, numa carreira de futebolista já aproximar-se do final, tempo ainda para envergar, com umas sabáticas pelo meio, as cores do Mortágua de 1987/88 e do Figueiró dos Vinhos de 1989/90.

*retirado de um artigo publicado a 18/01/2003, em www.record.pt

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