1719 - CHICO FARIA

Saído da famosa fornada dos “Bebés do Mar”, onde também estariam incluídos nomes como o seu irmão Horácio, Fonseca, Praia, Neca, ou Montóia, Francisco Delfim Dias Faria, popularizado pelo diminutivo Chico ou, se preferirem, Chico Faria, teria na temporada de 1967/68 a estreia na equipa principal do Leixões. Logo nessa campanha, orientado por António Teixeira, o extremo-direito conseguiria, não só conquistar a confiança do referido treinador, como chamaria, com a titularidade alcançada no sector mais ofensivo da agremiação matosinhense, a atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído nos trabalhos agendados para os, actualmente designados, sub-18, o atacante teria na edição de 1968 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA o arranque da caminhada pelos diferentes escalões lusos. Chamado ao certame organizado na França, o avançado conseguiria no desafio frente à Escócia, disputado a 7 de Abril de 1968, dar o primeiro passo com a “camisola das quinas”. Com um golo marcado nessa partida, e mais 3 nas seguintes rondas, o jogador haveria de ajudar o seu conjunto a chegar à disputa pelo 3º lugar e deixaria o torneio na posse da medalha de bronze e com o título de Melhor Marcador.
No que diz respeito ao trajecto clubístico, a Chico Faria bastaria um ano a exibir-se na 1ª divisão para que, de outros lados, surgissem algumas solicitações para uma eventual mudança de emblema – “Tive convites dos outros dois "grandes" e da Académica, mas já tinha a inclinação para o Sporting e não me arrependo nada. Eu era leão...”*.
Com a chegada a Alvalade em 1968/69, o extremo-direito depressa viria a consagrar-se como um dos favoritos dos diferentes treinadores que, nessa campanha, haveriam de passar pelo comando técnico dos “Verde e Brancos”. A época seguinte, no que diz respeito à assiduidade com que apareceria em campo, seria mais intermitente. Porém, daí em diante, muito por razão de uma atitude incansável e de qualidades físicas e técnicas bem acima da média, o jogador passaria a colher, de forma quase unanime, a preferência no arrolar do alinhamento inicial. A importância que viria a revelar teria um enorme peso nas conquistas colectivas e o seu currículo, nas temporadas vindouras, ficaria colorido pelos triunfos em 2 Campeonatos Nacionais e 3 Taças de Portugal.
Também no plano internacional, a passagem de Chico Faria por Lisboa traria ao atleta grandes proveitos. Para além de diferentes chamadas aos escalões de formação, o atacante teria a oportunidade de, a 10 de Maio de 1972, fazer a estreia pelos “AA” de Portugal. Chamado à partida frente ao Chipre por José Augusto, o avançado também marcaria um golo nessa partida a contar para a Fase de Apuramento para o Mundial de 1974. Daí em diante, no escalão já referido neste parágrafo, o extremo-direito ainda acumularia outras 3 partidas e naquele que viria a ser o seu somatório de aparições nos diferentes patamares consagrados à “camisola das quinas”, o jogador conseguiria acumular um total de 19 jogos por Portugal.
Ao fim de 8 anos a representar os “Leões”, Chico Faria decidiria deixar Alvalade – "Não fui mandado embora do Sporting. Saí porque quis, num período conturbado, a seguir à revolução de 74. O ambiente em Lisboa não era o melhor. A minha mulher (de quem me vim a divorciar) era de Braga e fui aliciado pela família dela para aceitar um convite do Sp. Braga. Mas acho que vim prematuramente, porque o Sporting tudo fez para eu continuar lá."*. Nesse sentido, à chegada ao Minho, o avançado seria apresentado como reforço para a temporada de 1976/77. Nos “Guerreiros” manteria uma qualidade de jogo inabalável, voltando a ser incluído nos planos da selecção nacional. Essa meia dúzia de anos passados na “Cidade dos Arcebispos” continuariam a revelá-lo como um dos melhores intérpretes primodivisionários e o avançado, logo na campanha de chegada, contribuiria para dois momentos de grandiosa importância na história do clube. Num contexto inolvidável, depois de marcar presença no decisivo jogo da Taça de Portugal, perdida para o FC Porto, o atleta ainda participaria na vitória frente ao Estoril Praia e ajudaria, nessa final disputada em Coimbra, ao triunfo dos “Arsenalistas” na única edição da Taça da FPF.
Já com o final da carreira à vista, após participar, pelo Sporting de Braga, na final da Taça de Portugal de 1981/82, o extremo-direito encetaria um périplo que, em quatro anos, levá-lo-ia a representar 4 emblemas diferentes. Sempre nos escalões secundários, Penafiel, Marítimo, Lusitânia de Lourosa e Ponte da Barca preencheriam, pela ordem apresentada, uma caminhada que conheceria o fim com o termo das provas agendadas para a temporada de 1985/86. “Penduradas as chuteiras”, o antigo jogador passaria a dar mais atenção aos negócios pessoais. Ainda assim, não deixaria de vez o futebol e entre os cargos assumidos no Joane, no Limianos ou como adjunto de Manuel José no Sporting de Braga, Chico Faria alimentaria o “bichinho” pelo “jogo da bola”.

*retirado da entrevista publicada a 29/12/2000, em www.record.pt

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