1816 - MALHEIRO

Depois de completar a formação no Paços de Ferreira, Fernando Manuel Malheiro Santos, ainda em idade de júnior e sem sair da colectividade referida, começaria a participar nas pelejas dos seniores – “Ao sábado, jogava nas reservas, e ao domingo na primeira categoria. Fazia dois jogos por fim de semana (…). A vontade era tanta que eu estava sempre disponível. Com essa idade, estamos preparados para tudo”*.
A subida à equipa principal, promovida pelo treinador/jogador Daniel Barreto e com um plantel que ainda contava com Mascarenhas ou Canavarro, daria ao jovem atleta a oportunidade de logo acrescentar ao palmarés a vitória no Campeonato Nacional da 3ª divisão. Daí para a frente, as exibições conseguidas pelo avançado, mesmo estando afastado dos principais holofotes do futebol luso, seriam suficientes para chamar a atenção de um dos “grandes” do cenário português e a transferência para a “Cidade Invicta” dar-se-ia na temporada de 1979/80 e a troco de valores muito pouco usuais para os dias de hoje – “O clube não chegou a receber nada por mim, mas exigi ao Porto que viesse cá fazer um jogo com a equipa completa e vieram. E eu lá joguei metade pelo Paços e metade pelo Porto”*.
Com a chegada às Antas, o atacante ver-se-ia confrontado com uma forte concorrência. A presença, só para o sector mais ofensivo, de elementos como Duda, Gomes, Costa, Vital, entre outros, faria com Malheiro poucas vezes fosse chamado a jogo por José Maria Pedroto. Tamanha falta de utilização, levaria a que o jogador, na temporada de 1980/81, acabasse transferido para o Sporting de Braga. Ainda assim, apesar do desaire vivido com a mudança para os “Azuis e Brancos”, a chegada ao Minho, daria ao avançado a ocasião para encetar uma das melhores etapas da carreira. Com os “Guerreiros”, ainda sob a intendência de Mário Lino, o atleta acabaria por abraçar um lugar no plantel com uma naturalidade espantosa. Depois chegaria Quinito aos comandos dos homens da “Cidade dos Arcebispos” e a presença, nessa época de 1981/82, na final da Taça de Portugal passaria, apesar de perdida para o Sporting, a fazer parte do seu currículo.
Cumpridas 4 temporadas ao serviço do Sporting de Braga, nas quais, em concreto na campanha de 1982/83, ainda jogaria a Supertaça e entraria em campo na eliminatória, da Taça dos Vencedores das Taças, frente a um Swansea orientado por John Toshack e com Ian Rush a dar os primeiros passos na carreira, Malheiro acabaria por regressar ao Paços de Ferreira. De novo a exibir-se no Campo da Mata Real, o avançado, a partir dessa época de 1984/85, entraria na derradeira fase da sua caminhada enquanto futebolista profissional. Com a camisola dos “Castores”, de regresso às contendas agendadas para a Zona Norte da 2ª divisão, o jogador ainda daria bem conta de si. No entanto, ao fim de 4 campanhas com as cores da colectividade a quem devia o percurso formativo, o atacante decidir-se-ia pelo fim do trajecto competitivo e o termo das provas planeadas para 1987/88 traria também a sua resolução de “pendurar as chuteiras”.

*retirado do artigo de Sara Alves, publicado na revista “FCPF Magazine número 44”, em Fevereiro de 2021

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