442 - BIZARRO


Por altura do Mundial sub-20 disputado na Arábia Saudita, Bizarro, com anterior passagem pelo Leixões e pelo FC Porto,  era um dos frutos das escolas benfiquistas. No entanto, como com tantas outras promessas saídas da formação dos clubes portugueses, as oportunidades para o jovem guarda-redes escassearam. É certo que, em 1988/89, a baliza do Benfica estava à guarda de Silvino e de Manuel Bento e que, em certa medida, esse cenário até justifica o seu insucesso para as bandas da Luz. Mas daí a ter tido, apenas, a chance de ocupar o banco de suplentes, também parece, acho que todos concordamos, muito pouco.
Especulações à parte, Bizarro conseguiu uma carreira bem sustentada. É certo, dirão muito dos que estão a ler este texto, nunca foi um guarda-redes exuberante, daqueles que dá nas vistas pelas defesas estonteantes e humanamente designadas como impossíveis. Bizarro era, acima de tudo, um guardião seguro e de quem os seus colegas de equipa podiam depositar bastante confiança. Com isto pergunto-vos: não é isso o exigido a alguém da sua posição?! Adiante…
Durante todo o torneio referido no parágrafo inicial, Bizarro só sofreu 3 golos. Contudo, muito para além desse feito, da titularidade conseguida no Mundial da Arábia Saudita, ou do título aí conquistado, foi a segurança que demonstrou entre os postes a levar o Marítimo, no começo da temporada de 1992/93, a contratá-lo. Chegava assim, à divisão maior do Campeonato Nacional e depois de passagens pelo Louletano e pela Ovarense, o guarda-redes a ostentar o título de campeão do mundo de sub-20 e cujo prestígio daí retirado, ao contrário do que possam pensar, não foi suficiente para entregar ao atleta um lugar no “onze”. Esse estava a cargo de Ewerton e, incrivelmente, durante a sua experiência de 5 anos no Funchal, não pode dizer-se que Bizarro tenha, incontestavelmente, usufruído do estatuto de titular. Aliás, só durante a sua estadia em Espanha, nomeadamente quando representou o plantel de 1997/98 e 1998/99 do Ourense, é que foi o dono absoluto da baliza.
Em 2000/01, depois de também ter envergado as cores do Leganés, Bizarro voltou, em definitivo, ao nosso país e mais concretamente a Vila do Conde. O espantoso de tal regresso é que, por essa altura, as portas da 1ª divisão pareciam estar fechadas para ele. Má aposta na escolha do clube? Outra razão qualquer? Não sei! A verdade é que Bizarro, com 30 anos e, como ditam as regras, no auge da vida profissional, não voltou, até ao fim da sua caminhada como futebolista, a calçar as luvas no patamar máximo do futebol português. De seguida, após representar o Rio Ave, o Leixões e o Maia, e de, na cidade dos subúrbios do Porto, em 2004/05, ter posto um ponto final na carreira, em 2006 decidiu enveredar pela vida de treinador-principal. Nessas funções tem militado, essencialmente, nos escalões inferiores, onde, nesta época de 2013/14, assumiu o controlo do Coimbrões.

11 comentários:

Gonçalo Nuno Neves disse...

That's "wierd"! :D

Gonçalo Nuno Neves disse...

Mas já agora, houve o México 86, os mundiais costumam ser de 4 em 4 anos, como é possível haver um Arábia 89?

Tiago Cardoso disse...

Gonçalo, o MÉXICO'86 e outros de 4 em quatro anos são os Campeonatos Mundiais de Selecções de Futebol de 11 Masculino Séniores. O ARÁBIA SAUDITA'89 foi um dos Campeonatos Mundiais de Selecções de Futebol de 11 Masculino Juniores, que se realiza em todos os anos cujo o número da casa das unidades é ímpar.
Já o Bizarro e o guarda-redes titular da equipa que ficou em 1º lugar no PORTUGAL'91, o Brassard (curiosamente, suplente durante a campanha do ARÁBIA SAUDITA'89), tiveram umas carreiras no desporto federado mais ou menos.

Gonçalo Nuno Neves disse...

Está explicado!... ... Grato, Tiago!

Tiago Cardoso disse...

De nada, meu!

Gonçalo Nuno Neves disse...

:D

cromosemcaderneta@gmail.com disse...

Tudo bem explicado... mas uma pequena correcção. Tiago, o suplente na Arábia Saudita foi realmente o Brassard, mas que viria a ser o titular no Mundial de Lisboa, dois anos depois.

cromosemcaderneta@gmail.com disse...

Já agora só mais uma história! Quem era para ter sido o guarda-redes no Mundial de 89 era o Vítor Baía, mas uma lesão do Mlynarczyk fez com o primeiro saltasse para a titularidade no FC Porto, impedindo-o, por assim dizer, de estar presente na Arábia.

Gonçalo Nuno Neves disse...

;)

Tiago Cardoso disse...

Sim, essa do Vítor Baía também sabia, mas acho que foi mesmo a equipa técnica dos «Dragões», ou mesmo o próprio Pinto da Costa (que na altura já devia estar em guerra com tudo o que tivesse a ver com selecções nacionais), que o impediu de estar no ARÁBIA SAUDITA'89

Anónimo disse...

Então cá fica mais uma historia do Bizarro. O primeiro treino do Bizarro no Leixões foi num dia de calor insuportável. Nos Iniciados. O Bizarro não estava presente no inicio do treino, chegaria atrasado. Nesse momento, foi necessario recrutar alguem para a baliza..e esta alma que vos escreve, foi para entre os postes, tarefa que até então só desempenhara esporadicamente nas balizas de Andebol da Escola Augusto Gomes.
Com minutos de atraso, lá chegou Bizarro. E a primeira defesa que faz, frente aos meus olhos, num mergulho faz com que bata com a cabeça no poste. Nunca mais esqueci esse momento na minha vida.
Nessa equipa estava tambem o Tozé, sobre quem cometi um penalty nesse treino :)
Um abraço para todos os que estiveram nesse dia, que marcou a carreira do que viriam a ser 2 campeões do Mundo.