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1631 - ARTUR JORGE


Formado pelo Vitória Sport Clube, seria ainda com idade de júnior que Artur Jorge Fernandes Ferreira, pela mão de António Oliveira, conseguiria estrear-se pelos seniores. Ainda nessa época de 1987/88, e nas seguintes, o avançado-centro, muito devido à concorrência de nomes como Kipulu, Décio, N’Kama ou Ebongué, poucas oportunidades conseguiria para aparecer na ficha de jogo. Só voltaria a surgir em campo na temporada 1989/90, chamado pelo brasileiro Paulo Autuori. A falta de utilização levá-lo-ia, ao serviço de outras colectividades, a procurar uma solução para alimentar o seu crescimento e a campanha de 1990/91 encetaria, no trajecto competitivo do atacante, uma boa série de empréstimos.
Depois do Benfica e Castelo Branco, do Varzim e de um regresso a Guimarães na temporada de 1992/93, seriam o Vila Real e o Desportivo das Aves os emblemas a antecederem um novo retorno à “Cidade Berço”. No entanto, tal como anteriormente, a época de 1994/95 acabaria a mutar-se em mais uma cedência. Nesse contexto, ainda que a manter-se nas disputas dos escalões secundários, o Sporting de Espinho, muito mais do que uma agremiação de passagem, transformar-se-ia no grupo de trabalho mais representativo da sua experiência enquanto futebolista. Nesse aspecto, após a entrada no Estádio Comendador Manuel Violas, o avançado-centro rapidamente assumiria um papel de protagonista e logo na época de 1995/96 contribuiria para o 3º posto na tabela classificativa da divisão de Honra e para a consequente subida ao escalão máximo.
Já no convívio com os “grandes”, numa equipa a contar, também para o miolo do sector ofensivo, com Artur Jorge Vicente, a temporada começaria sob a intendência técnica de Zinho. Porém, os “Tigres da Costa Verde” não conseguiriam a estabilidade necessária aos objectivos traçados e numa campanha onde Artur Jorge haveria de assumir o papel de titular, o 16º lugar devolveria o Sporting de Espinho aos escalões inferiores. Apesar da descida, o avançado decidiria manter-se fiel ao clube, prolongando a sua ligação por um total de 6 anos. No que diz respeito ao regresso ao patamar máximo do futebol luso, apesar de ter integrado projectos que viriam a conseguir a tão almejada promoção, casos do Varzim de 2000/01 e do Moreirense de 2001/02, a verdade é que o atacante não mais voltaria a pisar tais palcos.
A aproximar-se do fim da caminhada enquanto desportista, Artur Jorge, num trajecto a tornar-se um pouco mais errante, para além dos dois últimos emblemas referidos no parágrafo anterior, teria ainda a oportunidade de envergar outras camisolas. Esse desígnio levá-lo-ia, então, a representar os planteis do Sporting de Espinho, do Lixa, do Vizela e, numa carreira também ela cheia de regressos, voltaria a Moreira de Cónegos, onde, com o termo das provas agendadas para 2007/08, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1430 - FONSECA


Com a curiosidade de ter, durante os anos de formação, mudado de emblema a cada temporada, Fonseca viria a representar as “escolas” do SL Olivais, Sporting, Oriental, Torralta e Benfica. Porém, ao contrário do que tanta alternância poderia deixar adivinhar, as avaliações feitas a António Fonseca dariam o lateral-esquerdo como uma das grandes promessas do futebol luso. A provar essa apreciação, surgiriam as chamadas às jovens equipas da Federação Portuguesa de Futebol. Com a primeira aparição com a “camisola das quinas” a acontecer a 9 de Abril de 1982, a partida dos sub-16 frente à Checoslováquia, com a orientação de José Augusto, levá-lo-ia a uma caminhada por vários escalões. Já no conjunto principal de Portugal, o jogador estrear-se-ia pela mão de Juca e esse particular frente a Angola, agendado a 29 de Março de 1989, lançaria o atleta numa senda que terminaria com 4 internacionalizações A.
Apesar de ser aferido como um jogador de enorme potencial, a verdade é que a sua estreia no patamar sénior dar-se-ia longe do Estádio da Luz e na disputa da 2ª divisão de 1983/84. Depois do plantel do Cova da Piedade, a época sequente traria ao seu trajecto o Ginásio de Alcobaça, para na campanha de 1985/86, sem escapar ao escalão secundário, passar a representar o Tirsense. Com 2 campanhas cumpridas ao serviço dos ”Jesuítas”, a Fonseca ser-lhe-ia dada a oportunidade de competir no degrau maior do futebol luso. Com algum espanto, o convite surgiria por parte dos responsáveis do Benfica e a transferência do lateral-esquerdo dar-se-ia para a temporada de 1987/88.
O regresso à Luz, num plantel inicialmente às ordens do dinamarquês Ebbe Skovdahl, apresentar-lhe-ia como concorrentes Álvaro Magalhães e António Veloso. Tão forte competição faria com que o jovem atleta pouco jogasse. Ainda assim, a destacar-se, surgiria a sua participação na Taça dos Clubes Campeões Europeus que, na temporada a marcar o regresso de Fonseca a Lisboa, levaria o Benfica até à final da prova. Já a época seguinte, com Toni no comando técnico, mostraria o defesa como um dos titulares das “Águias” e um dos pilares da conquista do Campeonato Nacional. Surpreendentemente, a campanha de 1989/90 devolveria o jogador ao rol de escolhas secundárias. Mesmo sem ser grande opção para Sven-Göran Eriksson, ao lateral seria dada a oportunidade de participar, mais uma vez, na principal prova de clubes organizada pela UEFA e, com a sua presença na eliminatória frente ao Derry City, auxiliaria à chegada dos “Encarnados” ao derradeiro desafio da competição.
Ao perder espaço no Benfica, a aposta do jogador recairia no Vitória Sport Clube. Em Guimarães, o defesa, apesar de números satisfatórios, nunca conseguiria agarrar a titularidade de forma inequívoca. Ao fim de duas épocas, o esquerdino deixaria o Minho para ingressar no plantel de 1992/93 do Estrela da Amadora. Nos “Tricolores”, apesar da campanha inicial no 2º escalão, as restantes passá-las-ia no convívio com os “grandes”. Ao recuperar o estatuto de titular, Fonseca contribuiria, de forma bem vincada, para uma sucessão de 6 anos da colectividade da Reboleira na 1ª divisão e cujo 7º posto conseguido com o termo da temporada de 1997/98, constituiria um recorde para a agremiação da Linha de Sintra.
Em 1999, na derradeira fase do seu itinerário enquanto futebolista, Fonseca deixaria Portugal e viajaria até ao Canadá. Nos Vancouver Whitecaps, o defesa-esquerdo acabaria por “pendurar as chuteiras”, para encetar a sua carreira como técnico. Nas novas funções, o maior destaque viria com a sua ligação à Canadian Soccer Association, na qual ocuparia a posição de adjunto da selecção principal, de treinador dos sub-23 e onde, embora de forma interina, também chegaria a assumir o cargo de seleccionador da equipa “A”.

1380 - TIMOFTE


Depois de, nos primeiros anos como sénior, representar, nas divisões inferiores do futebol romeno, o Minerul Anina e o CSM Resita, Ion Timofte conseguiria chegar ao escalão máximo do seu país. Integrado no Poli Timisoara a partir da temporada de 1989/90, o atleta confirmaria todas as características que, já por essa altura, faziam dele uma grande promessa. Ao sublinhar-se como um intérprete de excepcionais dotes técnicos, enorme visão de jogo e dotado de um pé canhoto exímio nos passes e nos remates de longa distância, o jogador ajudaria a empurrar o seu emblema para as posições cimeiras do Campeonato e, por consequência, até às provas continentais. Nesse contexto competitivo, o destaque iria para a edição de 1990/91 da Taça UEFA e, após o afastamento do Atlético de Madrid na primeira ronda, para o embate frente ao Sporting. Tal como na eliminatória frente aos “Colchoneros”, o médio-ofensivo marcaria presença em ambas as partidas. Contudo, com uma pesada derrota em Alvalade (7-0), a sorte já não voltaria a sorrir aos “Banatenii”.
Seria ainda como atleta do Poli Timisoara, que Timofte chegaria aos planos da principal selecção do seu país. Chamado por Mircea Radulescu à Fase de Qualificação para o Euro 92, o embate frente à Suíça serviria de estreia para o médio-ofensivo. A ligação às cores romenas prolongar-se-ia por mais alguns anos, com o jogador a acumular um total de 10 internacionalizações “A”, mas com a desilusão de não ter estado no Campeonato do Mundo de 94 e no Europeu realizado em Inglaterra – “Tenho de ser honesto e dizer que a Roménia tinha uma grandíssima equipa. Todos os convocados tinham uma qualidade tremenda. Não digo que seria titular indiscutível, mas vinha de três temporadas de muito bom nível no FC Porto e merecia indiscutivelmente pelo menos estar nos convocados (…). Apenas soube que não ia ao Mundial quando a lista de convocados foi tornada pública. E aceitei, que remédio. Não tive problemas com o senhor Iordanescu. Aliás, depois do Mundial ainda fui chamado para três mais jogos e acho que só não fui ao Euro 96 porque parti a perna num Boavista-Campomaiorense, poucos meses antes”*.
Em termos clubísticos, depois do período passado na Roménia, seguir-se-ia o FC Porto. Com a entrada nas Antas a acontecer na temporada de 1991/92, nos 3 anos passados com os “Azuis e Brancos”, sempre por empréstimo do Poli Timisoara, Timofte assumir-se-ia como um dos atletas mais importantes nas manobras tácticas dos diferentes treinadores. Primeiro com Carlos Alberto Silva e, na última campanha, sob a alçada de Tomislav Ivic e, posteriormente, orientado por Bobby Robson, o médio, com números de enorme valor, constituir-se-ia como um dos grandes pilares da conquista de 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças.
 Ao manter-se, durante o tempo cumprido nas Antas, com um dos titulares dos “Dragões”, a sua saída acabaria por surpreender a maioria os adeptos. Com a indefinição do FC Porto relativa à sua contratação, a verdade é que seria outro emblema da “Cidade Invicta” a adiantar-se na corrida – “Já me estava a preparar para jogar num clube em França. Entretanto, por coincidência, o meu melhor amigo fora do futebol cruzou-se com o treinador Manuel José e disse-lhe que eu ia sair do FC Porto. E que era um jogador livre (…). Meia-hora depois, o major Valentim telefonou-me e marcou uma reunião comigo (…). Estava lá ele, o João Loureiro e o engenheiro Sebastião Fernandes. Cheguei, o major quase não me deixou falar, chegámos facilmente a acordo, tirei uma foto e assinei pelo Boavista. Simples, não? No fundo, o Boavista teve mais vontade do que o FC Porto em ter-me”*.
Apresentado como reforço do Boavista para a temporada de 1994/95, Timofte em nada mudaria no que à sua importância diz respeito. Figura habitual no “onze” dos “Axadrezados”, o internacional romeno tornar-se-ia numa das figuras fulcrais para a ascensão das “Panteras” até ao topo do futebol português. Nessa caminhada, os destaques emergiriam com as duas conquistas sob o comando de Mário Reis: a da Taça de Portugal de 1996/97 e, com um golo seu a ajudar à vitória, o triunfo na Supertaça da época seguinte. É também impossível esquecer a participação do médio nas competições continentais, mormente na “Champions” de 1999/00. Faltou-lhe no currículo, por razão de ter “pendurado as chuteiras” no final da última época mencionada, o título de campeão nacional.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 21/06/2018, em https://maisfutebol.iol.pt

951 - WILSON


Filho de João Estrela, futebolista, e Ana Maria Estrela, basquetebolista, pouco parecia restar ao futuro de Wilson do que ficar ligado ao desporto. Nisso de fados também os seus irmãos acabariam arrastados para a prática desportiva e, tal como antigo internacional angolano, Walter e Wagner Estrela conseguiriam trilhar uma carreira profissional no futebol.
Já com a sua família a viver em Portugal, seria entre as camadas jovens do Ginásio de Alcobaça e as do Caldas que Wilson dividiria a sua formação. Após a promoção a sénior, e durante diversos anos, o defesa disputaria com as cores do emblema caldense os patamares secundários do nosso futebol. Ainda com curtas passagens pelo Olhanense e pelo “O Elvas”, as campanhas passadas longe do escalão maior estender-se-iam até por volta dos seus 25 anos de idade. Esse tempo, demasiado para a qualidade que ia demonstrando, terminaria com a intervenção de um antigo internacional português – “Foi através do Francisco Vital, treinador do Caldas, que me indicou ao então treinador do Gil Vicente, Vítor Oliveira. Fui à experiência e ao fim de três dias assinei um contrato de dois anos (…). O Sr. Vital veio ter comigo dizendo que eu tinha condições para almejar a voos mais altos e que havia um clube da I Divisão interessado em mim. Pensei que era brincadeira”*.
Curiosamente, seria o treinador que o haveria de receber no patamar máximo que, alguns anos após a sua chegada ao emblema de Barcelos, acabaria também por ajudá-lo no seu próximo passo. Após 5 anos com o Gil Vicente, entre os quais 3 na 1ª divisão, Wilson passaria a ser visto como um atleta cuja tremenda regularidade exibicional nunca o deixava mal. Sendo um defesa rijo, é também certo que o seu poder de desarme fazia dele um dos melhores a actuar em Portugal na sua posição. Nesse sentido, Vítor Oliveira, que já conhecia as capacidades do líbero durante a passagem de ambos pelo Minho, acabaria por sugerir a sua contratação para reforçar o plantel de 1999/00 do Belenenses.
Por altura da sua chegada ao Restelo, já o atleta usufruía do estatuto de internacional. Convocado por Carlos Alhinho, Wilson, ao lado do seu irmão Walter, partiria para a África do Sul para disputar a edição de 1996 da CAN. Com as cores de Angola o defesa participaria num total de 4 partidas. Seria, contudo, com a camisola do Belenenses que viveria os melhores momentos da sua carreira. Com mais de centena e meia de jogos no Campeonato e 6 temporadas com a “Cruz de Cristo” ao peito, o central transformar-se-ia num dos históricos do clube lisboeta. Esses números acabariam por ser o reflexo daquilo que era dentro de campo. Com grande sentido posicional e uma excelente capacidade para ler o jogo, também a sua rapidez era uma grande ajuda no momento de desempenhar as suas tarefas.
Após deixar o Restelo em 2005, Wilson, por mais alguns anos, ainda haveria de vogar pelas divisões secundárias. Após deixar os relvados, o antigo defesa passaria a dedicar-se às funções de treinador. Tendo, como técnico principal, passado pelos Nazarenos, voltou este ano (2018/19) ao Belenenses SAD para, como adjunto, trabalhar com os sub-23.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 19/10/2001

592 - QUIM BERTO


Depois da formação feita em Guimarães, eis que a sua estreia no escalão sénior se dá a uns quilómetros de distância da sua cidade natal.
É já depois desta passagem por Castelo Branco, e pelo Benfica albicastrense, que Quim Berto regressa ao Vitória. A experiência conseguida nesses anos de Divisão de Honra, principalmente no que ao último diz respeito (1991/92), levaria a que conseguisse ter o traquejo suficiente para, logo à partida, conquistar um lugar de destaque no plantel. Ambidestro, esta sua polivalência, aliada a uma faceta raçuda, fez com ao jovem lateral fossem dadas oportunidades suficientes para revelar o seu valor. As suas qualidades, salvo raras excepções, mantê-lo-iam na linha da frente das escolhas dos técnicos que iam passando pelo comando do emblema minhoto.
No Verão de 1997, o defesa era um jogador de créditos firmados. Com bem mais de um cento de partidas disputadas na 1ª Divisão e, por via das campanhas do Vitória de Guimarães na Taça UEFA, com uma boa dose de experiência em jogos internacionais, Quim Berto merecia o estatuto de um dos melhores do Campeonato Nacional, a jogar na sua posição. Ora, este currículo fez com outros clubes começassem a disputar o seu concurso. Quem conseguiria a sua contratação seria o Sporting que, nesse defeso, começaria a ser orientado pelo argentino Vicente Cantatore.
Aquilo que se espectava como uma boa temporada para os lados de Alvalade, acabaria numa grande confusão. O corrupio de treinadores, 4 no total, levaria a que o Sporting acabasse na 4ª posição da tabela classificativa. Nem a presença na Liga dos Campeões, com 7 pontos em 6 partidas, parecia conseguir acalentar os adeptos. Ainda assim, no meio de tanto desaire, Quim Berto até era um dos que merecia melhor destaque. A jogar regularmente, o lateral começava a justificar a sua transferência. Contudo a passagem para a nova época e a chegada de mais um treinador, acabariam por mudar este paradigma.
É a contratação de Mirko Jozic que marca o início de uma nova era para Quim Berto. A partir desta altura, o defesa pouco mais jogaria de “Leão” ao peito. Entre um empréstimo ao Vitória de Guimarães (1998/99) e mais umas temporadas em que pouco seria utilizado, o atleta ainda consegue amealhar alguns troféus.
Campeão Nacional em 1999/00 e vencedor da Supertaça da época seguinte, Quim Berto acabaria por ver o seu contrato chegar ao fim, sem que nenhuma proposta de renovação fosse apresentada. Livre de compromissos, recebe um convite de um dos outros denominados “Grandes”. No entanto, a mudança para o outro lado da 2ª Circular, não traria nada de excepcional à sua carreira. Sem grandes chances dadas, tirando umas presenças em particulares da pré-temporada, o Benfica, nesse mesmo ano, acaba por ceder o jogador ao Varzim. No emblema poveiro, entretanto promovido ao escalão máximo, Quim Berto volta a mostrar porque havia sido considerado um dos melhores a actuar nas laterais. Lesto a atacar e com a sua abnegação a mostrar o porquê de ser um bom defesa, as duas épocas que se seguiriam haveriam de ser de bons números para si.
Como em tudo o que existe, depois de se atingir o topo, há sempre a fase descendente da vida. Ora, a temporada de 2003/04, ainda ao serviço dos da Póvoa de Varzim, marcaria o fim da sua carreira primodivisionária. De seguida, a sua vida como futebolista passaria por emblemas como Estrela da Amadora, Santa Clara, para terminar, já bem perto dos 40, com as cores do Vizela.
Como um bom apaixonado, Quim Berto não haveria de passar muito tempo afastado da modalidade. Enveredou pelas funções de treinador e, como tal, depois de uma experiência no emblema que o viu “pendurar as chuteiras”, regressou ao Varzim. Actualmente apresenta-se ao leme do clube, naquela que é a temporada (2015/16) de regresso dos poveiros às ligas profissionais.

442 - BIZARRO


Por altura do Mundial sub-20 disputado na Arábia Saudita, Bizarro, com anterior passagem pelo Leixões e pelo FC Porto,  era um dos frutos das escolas benfiquistas. No entanto, como com tantas outras promessas saídas da formação dos clubes portugueses, as oportunidades para o jovem guarda-redes escassearam. É certo que, em 1988/89, a baliza do Benfica estava à guarda de Silvino e de Manuel Bento e que, em certa medida, esse cenário até justifica o seu insucesso para as bandas da Luz. Mas daí a ter tido, apenas, a chance de ocupar o banco de suplentes, também parece, acho que todos concordamos, muito pouco.
Especulações à parte, Bizarro conseguiu uma carreira bem sustentada. É certo, dirão muito dos que estão a ler este texto, nunca foi um guarda-redes exuberante, daqueles que dá nas vistas pelas defesas estonteantes e humanamente designadas como impossíveis. Bizarro era, acima de tudo, um guardião seguro e de quem os seus colegas de equipa podiam depositar bastante confiança. Com isto pergunto-vos: não é isso o exigido a alguém da sua posição?! Adiante…
Durante todo o torneio referido no parágrafo inicial, Bizarro só sofreu 3 golos. Contudo, muito para além desse feito, da titularidade conseguida no Mundial da Arábia Saudita, ou do título aí conquistado, foi a segurança que demonstrou entre os postes a levar o Marítimo, no começo da temporada de 1992/93, a contratá-lo. Chegava assim, à divisão maior do Campeonato Nacional e depois de passagens pelo Louletano e pela Ovarense, o guarda-redes a ostentar o título de campeão do mundo de sub-20 e cujo prestígio daí retirado, ao contrário do que possam pensar, não foi suficiente para entregar ao atleta um lugar no “onze”. Esse estava a cargo de Ewerton e, incrivelmente, durante a sua experiência de 5 anos no Funchal, não pode dizer-se que Bizarro tenha, incontestavelmente, usufruído do estatuto de titular. Aliás, só durante a sua estadia em Espanha, nomeadamente quando representou o plantel de 1997/98 e 1998/99 do Ourense, é que foi o dono absoluto da baliza.
Em 2000/01, depois de também ter envergado as cores do Leganés, Bizarro voltou, em definitivo, ao nosso país e mais concretamente a Vila do Conde. O espantoso de tal regresso é que, por essa altura, as portas da 1ª divisão pareciam estar fechadas para ele. Má aposta na escolha do clube? Outra razão qualquer? Não sei! A verdade é que Bizarro, com 30 anos e, como ditam as regras, no auge da vida profissional, não voltou, até ao fim da sua caminhada como futebolista, a calçar as luvas no patamar máximo do futebol português. De seguida, após representar o Rio Ave, o Leixões e o Maia, e de, na cidade dos subúrbios do Porto, em 2004/05, ter posto um ponto final na carreira, em 2006 decidiu enveredar pela vida de treinador-principal. Nessas funções tem militado, essencialmente, nos escalões inferiores, onde, nesta época de 2013/14, assumiu o controlo do Coimbrões.

349 - PAULO PEREIRA

Continuando na senda dos gémeos (acreditem, foi pura coincidência), chamo hoje à nossa "caderneta", Paulo Pereira. Pois é, o antigo atleta, que durante vários anos jogou em Portugal, é irmão do ex-sportinguista (reparem no nome próprio) Paulo Silas. Curiosamente, o emblema de Alvalade, dentro daqueles a que nos acostumámos a chamar de "três grandes", foi o único que o antigo defesa, na passagem pelo nosso país, não envergou.
Vindo dos mexicanos do Monterrey, depois de alguns anos a actuar no Brasil, Paulo Pereira chegou à cidade do Porto para reforçar o efectivo do sector mais recuado do plantel "azul e branco" de 1988/89. Cotado como um futebolista que, sem ser brilhante no desempenho das suas funções, era bastante aplicado, o defesa acabou por provar a sua utilidade e mais-valia no seio do grupo de trabalho. Nem sempre como primeira escolha, a sua inclusão na equipa, até pela polivalência apresentada, tornou-se numa vantagem. Raramente comprometia, fosse no centro da grande-área ou na lateral-esquerda. Outra das características apresentadas pelo jogador tornou-se no forte pontapé e, por consequência a habilidade revelada na marcação de bolas paradas, nomeadamente os livres-directos e as grandes penalidades.
Com um breve interlúdio, na temporada de 1992/93, feito com as cores do Vitória Sport Clube, Paulo Pereira cumpriu 5 campanhas pelo FC Porto. Após ajudar o clube nortenho a vencer 2 Campeonatos Nacionais e 2 Taças de Portugal, em final de contrato e como um dos atletas pouco utilizados no plantel dos “Dragões”, o defesa veria o Benfica, com o treinador Artur Jorge no comando técnico, a “lançar-lhe as redes” e a aliciá-lo para uma mudança até Lisboa. Já ao serviço dos antigos rivais, o atleta encontrou um clube acabadinho de entrar numa das piores fases da sua história. Sem vencer qualquer troféu, mas com a presença, no ano de estreia pelas “Águias”, na edição de 1994/95 da “Champions”, o jogador conseguiria alguma visibilidade no estrangeiro. Essa projecção, veio a materializar-se com a sua mudança para o “Calcio”, onde, em 1996/97, passou a representar o Genoa, para na campanha de 1998/99 ainda vestir as cores do Reggina.
Já depois de, na última época referida e com 33 anos de idade, pôr um ponto final na vida como futebolista, o antigo defesa começou a dedicar-se às tarefas de treinador. Após alguns anos como adjunto do irmão Paulo Silas, Paulo Pereira, para esta época de 2012/13, aceitou o cargo de técnico-principal do Guarani. Curiosamente, no passo dado emergiu algo de engraçado: é que foi Paulo Pereira acabou a substituir Branco, de quem, durante muito tempo, foi visto como o sucessor no FC Porto.

315 - SERIFO


Quase uma vida inteira dedicada ao mesmo emblema, faz dele um dos notáveis do Leça Futebol Clube e um dos jogadores que não poderíamos deixar passar, neste mês que também fala um pouco da história do emblema sediado no Concelho de Matosinhos.
Como é que este natural da Guiné-Bissau conseguiu manter-se à volta de década e meia no plantel dos leceiros?! Com certeza, muitas vezes foi equacionada esta questão pelas pessoas que acompanham de perto o futebol. É certo que Serifo nunca foi um primor de técnica; nunca foi um virtuoso com a bola nos pés. Todavia, por reconhecer essas falhas, soube compensar as suas lacunas com uma atitude irrepreensível, com muito trabalho nos treinos e nos jogos, com uma postura que, ao longo dos anos, serviu de exemplo para todos os colegas de balneário. É também verdade que muita dessa vontade traduziu-se em excesso de ímpeto e o resultado foram umas belas “caneladas” em pernas alheias e algumas sanções disciplinares!
Por toda a dedicação; pelo jeito incansável como, com o auxílio da sua excepcional velocidade, carregou a ofensiva colectiva pelas alas do ataque; pela maneira como, durante anos a fio, usou ao braço, sempre com orgulho, a faixa de capitão; também por nunca ter abandonado o clube, nem mesmo quando este foi assolado pelo escândalo da corrupção a árbitros, Serifo é, e será sempre, uma referência para todos que com ele jogaram e, acima de tudo, para as próximas gerações a envergar as cores do Leça.

274 - AFONSO MARTINS


Filho de emigrantes portugueses em França, Afonso Martins começou a actividade no futebol, formação e primeiros anos como sénior, no Nancy. Com a estreia na "Ligue 1" feita com apenas 18 anos, as temporadas seguintes, à custa de ver o seu emblema relegado, foram passadas no segundo escalão. Contudo, as boas exibições levaram os responsáveis das camadas jovens da selecção portuguesa a ver em si um potencial bom praticante. Rapidamente, com o jovem a preferir envergar as cores lusas, Afonso Martins começou a ser chamado à equipa de sub-21. Essas convocatórias, aliadas às já referidas boas prestações nas competições gaulesas, serviram para aguçar o interesse dos “grandes” em Portugal e o passo seguinte foi trocar a colectividade francesa, onde era orientado por László Bölöni, pelo Sporting de Carlos Queiroz.
A primeira época em Alvalade, provavelmente uma das melhores de Afonso Martins em Portugal, transformou-o, de forma quase imediata, numa das principais escolhas do plantel leonino. Ao ocupar um dos lugares no meio-campo “verde e branco”, a frequência com que auferiu da titularidade, em conjunto com as habituais presenças na selecção nacional de “esperanças”, fizeram do atleta uma das escolhas para integrar a comitiva que acabou por viajar em direcção aos Estados Unidos da América e em Atlanta, no Verão de 1996, participar em mais uma edição dos Jogos Olímpicos.
Cumpridas outras duas campanhas, com Afonso Martins a manter-se como peça importante no plantel leonino, a chegada à agremiação lisboeta do técnico Mirko Jozic, transforma o jogador numa a mais. Ao recusar-se a sair ou mesmo a ser cedido por empréstimo, o médio entra em conflito com os responsáveis pelo Sporting. As represálias pouco demoraram e, como um proscrito, foi recambiado para a recém-criada equipa “B”. Incompreensivelmente, nunca mais conseguiu ver-se livre do estatuto de abolido e os últimos 4 anos dos 7 de contrato, passou-os, quase sempre, longe do conjunto principal.
Desde o início da contenda, poucas foram as oportunidades dadas ao médio. Ainda assim o seu nome ficou ligado aos grupos que, primeiro com Inácio e depois com o seu velho conhecido Bölöni, venceram os dois últimos Campeonatos para os “Leões”. Já liberto da ligação ao Sporting, Afonso Martins decidiu partir em direcção ao Norte do país. Ao serviço do Moreirense, o jogador mostrou que as suas habilidades futebolísticas, com o longo calvário passado na equipa secundária leonina, não tinham desaparecido. Com a temporada de 2002/03 a revelá-lo como um elemento moralizado e a praticar um futebol de qualidade superior, a transferência para o Vitória Sport Clube, um ano após a chegada ao Minho, assumiu-se como um passo inevitável.
 A viagem para a vizinha cidade de Guimarães trouxe à caminhada do jogador uma temporada de valor mediano e a revelar alguma perda de fulgor. Ainda regressou a Moreira de Cónegos na época de 2004/05, mas apenas para confirmar a fase descendente da carreira. Nesse derradeira etapa, com um ano sabático pelo meio, o Lixa assumiu-se como o derradeiro emblema. Aliás, a história não é bem assim, pois em 2011/12, após vários anos de inactividade, Afonso Martins apareceu inscrito ao serviço do GDR Trandeias.

268 - COSTINHA

No Verão de 1993, o Sporting, no intuito de substituir Ivkovic, foi buscar ao Boavista, não um, mas dois guarda-redes: Lemajic e uma das grandes promessas do futebol luso e internacional nos escalões de formação. No entanto, a tenra idade do jovem guardião, em comparação com a experiência do colega montenegrino, fez com o treinador Sir Bobby Robson mantivesse a ordem de preferência vinda do Bessa. Na verdade, não tardou muito para que a tendência mudasse e com já Carlos Queiroz já no comando “verde e branco”, a realidade inverteu-se e Paulo Costinha conquistou o lugar de titular.
Nas duas épocas seguintes, o lugar na baliza dos “Leões” manteve-se seu. Com isso, ajudou o Sporting a erguer a Taça de Portugal de 1994/95, o primeiro troféu ganho pelo clube desde 1982. Porém, o maior prémio alcançado com a regularidade no "onze" leonino foi a convocatória para os Jogos Olímpicos de 1996, disputados na cidade de Atlanta. Ainda assim, mesmo com a experiência conseguida, o guardião continuou a mostrar alguma imaturidade, o que foi provocando, mais do que o desejado, alguns calafrios à massa associativa do emblema lisboeta. Por tal razão, não foi assim tão grande a surpresa quando, no regresso das referidas olimpíadas, Costinha encontrou De Wilde como o dono das redes “verde e brancas”.
A perda do lugar no “onze” sportinguista para o internacional belga, até não admirou muito os adeptos. Já a sua saída para o FC Porto, provavelmente, até causou alguma surpresa. A verdade é que a troca não foi proveitosa para a sua progressão desportiva e Costinha só voltou a destacar-se no papel de guarda-redes depois de representar os espanhóis do Tenerife e após ingressar na União de Leira. Já com a chegada à "Cidade do Lis" na temporada de 2000/01, Costinha passou a escrever um novo capítulo na carreira. Por um lado, foi no emblema beirão onde disputou mais partidas. Por outro, revelada a sua maturidade, segurança e agilidade entre os postes, a sua passagem pelo clube consagrou-o como um dos melhores da sua posição a actuar em Portugal.
Foi também na União de Leiria que viveu um dos episódios mais caricatos enquanto futebolista. Numa partida na Póvoa do Varzim, viu ser-lhe arremessada uma galinha preta, a qual, pelas próprias luvas, atirou de novo para as bancadas. O que se passou de seguida arrepiou até os mais incrédulos sobre o mundo esotérico. Costinha começou a sentir-se mal, com muitos a encontrar relação entre o sucedido com a ave e a indisposição. Mas como o próprio chegou a contar – "o que se passou foi que eu estava, efectivamente, doente. Passara toda a semana sem comer nada, com uma gastroenterite, e, no dia do próprio jogo, só comi uma sopa. Vomitei tudo, como nos dias anteriores. Ainda assim, achei-me com força para jogar, mas, como estava muito calor, tive uma recaída e tive de ser substituído, ao intervalo"*.

*retirado do artigo publicado em www.jn.pt, a 17/10/2009

225 - MIELCARSKI

Também Mielcarski, para além da passagem por um clube em Portugal, tem em comum com os dois jogadores a precedê-lo neste "blog", Juskowiak e Adamczuk, a conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1992. Tal como eles, o evento disputado em Barcelona, talvez de forma não tão efectiva quanto para o referido colega de ataque, serviu para o avançado conseguir alguma projecção no estrangeiro e, de certo modo, alavancar a sua carreira. Nesse sentido, a primeira oportunidade fora da Polónia e do Olimpia Poznan surgiu através dos suíços do Servette. No entanto, a aposta saiu-lhe gorada e, alguns meses após a partida, o regresso ao país natal emergiu como algo inevitável.
Mielcarski, apesar do desaire helvético, recusou-se a encarar tal episódio como uma contrariedade irreversível. A experiência helvética acabou mesmo por dar novo fôlego à sua carreira. Já depois de chegar ao Widzew Lodz, as portas do estrangeiro voltaram a abrir-se. Com o FC Porto à procura de alguém para, em conjunto com Domingos e Rui Barros, dar mais força ao ataque “azul e branco”, o ponta-de-lança, com o poder físico e habilidade concretizadora, afigurou-se como o homem certo para reforçar o plantel de 1995/96.
Não fosse uma terrível lesão no joelho, e consequentes recaídas, e o avançado, com certeza, não acabaria aferido como uma escolha medíocre. Todavia, a verdade é que o problema físico, quase desde a sua entrada nas Antas, manteve o jogador, por demasiadas vezes, afastado das opções dos diferentes corpos técnicos. Infelizmente para o atleta, o saldo das 4 épocas passadas com os “Dragões” jamais foi visto como animador. Com os golos a contarem-se pelos dedos e o parco número de partidas disputadas durante o referido, nada acabou por favorecer o atacante.
Mesmo depois da saída do FC Porto, sem ainda ter chegado aos 30 anos de idade, Mielcarski, de forma legítima, recusou-se a dar por terminada a sua vida nos relvados. Tentou o Salamanca, o Pogon Szczecin e o AEK de Atenas. Contudo, nem sempre a vontade conseguiu fazê-lo triunfar. Já no Amica Wronki, colectividade da Polónia, por razão das mazelas que carregava e que não o deixavam mostrar tudo o que acreditava valer, acabou por “pendurar as chuteiras”.

175 - RUI BENTO

Na temporada que terminou com a vitória de Portugal do Mundial sub-20, Rui Bento, com apenas 18 anos e vindo da formação do clube, já trabalhava com o plantel principal benfiquista. Com uma época de estreia pelos seniores discreta, a seguinte – 1991/92 – embalou-o para a titularidade. Talvez inspirado pelo título ganho com as cores da jovem selecção lusa, o seu desempenho, a cada partida disputada, começou a solidificar-se. Desafios como o de Highbury Park, no inesquecível 1-3 que daria a qualificação das “Águias” para a fase de grupos da Taça dos Clubes Campeões Europeus, tornaram-no num dos atletas indiscutíveis no eixo da defesa "encarnada" e, com isso, levaram-no à primeira internacionalização "A".
À custa das boas exibições, acabou baptizado por Sven-Göran Eriksson como “o pequeno Baresi”. Curiosamente, a sua baixa estatura – 1,75m – serviu de razão para, já como atleta do Boavista, sofrer um ajuste posicional. Recebido no Bessa em 1992, como parte da transferência de João Vieira Pinto para o Benfica, Rui Bento passou a actuar como médio-defensivo. Nas novas funções transformou-se num jogador de cariz superior. Mesmo sem ser um virtuoso, tornou-se num intérprete que, ao utilizar métodos simples e imensa vontade, passou a dominar a arte da marcação individual, da leitura de jogo e do posicionamento.
É verdade que não era um primor com a bola nos pés. Talvez falhasse um pouco nas transições ofensivas. Ainda assim, não era tosco e a consistência defensiva que dava revelou-se essencial para as cores que, durante a carreira, representou. Nesse sentido, ainda no Bessa, foi peça fulcral na vitória da Taça de Portugal de 1996/97 e, já na temporada de 2000/01, fez parte do plantel “axadrezado” que, pela primeira vez na história do clube, conquistou o Campeonato Nacional.
Já no Verão de 2001 deixou o emblema portuense para rumar de novo a Lisboa e envergar a camisola verde e branca do Sporting. Logo na temporada de entrada em Alvalade, voltou a sagrar-se campeão. Porém, a sua carreira estava a aproximar-se do fim e dois anos após a conquista do Campeonato, já ao serviço do Académico de Viseu, Rui Bento deu por terminada a caminhada de futebolista.
Foi também no emblema da Beira Alta que começou a vida de treinador. Nessas funções, até ao ano passado, apenas contava com passagens por clubes dos escalões secundários. Porém, já nas derradeiras jornadas da época transacta, ao substituir Leonardo Jardim, assumiu o comando técnico do Beira-Mar e, desse modo, conseguiu estrear-se na 1ª divisão. Ao manter-se em Aveiro, a curiosidade passa por saber o que conseguirá fazer neste Campeonato. É que, com a compra do emblema aurinegro por um magnata iraniano, o treinador poderá querer ambicionar a um pouco mais do que a luta pela manutenção.

106 - DÍAZ

Diaz é um verdadeiro desafio para a memória! As recordações que retenho deste defesa-central não são muitas. No entanto, lembro-me da sua chegada; lembro-me da pompa com que foi anunciada a sua contratação.
Em 1996, Alejandro Díaz era visto uma das grandes promessas do futebol uruguaio. Aos 22 anos de idade, quando chegou ao FC Porto vindo do Liverpool de Montevideu, dizia-se que era cobiçado por alguns dos "gigantes" da Europa, mormente, Barcelona e Real Madrid. O pior veio depois e o atleta não cumpriu nenhuma das projecções feitas para sua carreira. Nos 3 anos seguintes, os que passou em Portugal ao serviço dos "Dragões", apenas jogou 10 minutos. Nas 2 últimas temporadas, treinou à margem do restante plantel e acabaria por voltar ao Uruguai.
 O seu regresso, nem as várias internacionalizações que tinha conseguido em muitos dos escalões de formação, serviram de base para catapultar, novamente, a sua carreira. Alguns anos mais tarde, segundo um currículo publicado no "site" do seu antigo empresário, Díaz ainda tentou a sua sorte nos italianos do Sambenedettese. Mais uma vez, não teve sucesso.
Após o fim da carreira decidiu continuar ligado ao futebol, no entanto de forma peculiar. O antigo jogador criou uma ONG, cujo objectivo é auxiliar jogadores vítimas das máfias associadas à modalidade!