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1753 - TRINDADE

Leonel Fernando Fuzeta Trindade tinha apenas jogado pelo Comércio e Industria quando o Serviço Militar Obrigatório haveria de obrigá-lo à viagem até à Guiné-Bissau. Em África, nas jogatanas entre militares, continuaria a destacar-se pelas habilidades acima da média. Então, durante uma licença a trazê-lo de volta à cidade de Setúbal, o defesa-central, com o intuito de manter a forma física, acabaria por ser autorizado a treinar-se com um Vitória Futebol Clube, à altura orientado por José Maria Pedroto. De tal forma seriam positivas as suas prestações que, num acordo de cavalheiros, técnico e jogador combinariam que, no regresso definitivo à metrópole, este último haveria de juntar-se aos “Sadinos”. Porém, cumprida a comissão a levá-lo à Guerra Colonial e com mencionado treinador já distante do Estádio do Bonfim, a solução para finalmente agarrar uma carreira profissional surgiria de outro lado e a viagem para norte entregá-lo-ia a um novo emblema.
Ao estar previamente avisado para as suas qualidades, Aymoré Moreira, treinador campeão do mundo pelo Brasil, convidaria Trindade para treinar com o Boavista. Forte na compleição física e com um enorme poder de impulsão, o jogador, que já contava com 23 anos de idade, seria imediatamente integrado no plantel de 1973/74 do Boavista. Mesmo sem ter qualquer experiência no futebol de mais alto nível, a verdade é que a falta de traquejo competitivo na senda profissional não atrapalharia a integração do defesa-central. Depressa, mesmo no meio da concorrência de nomes como Mário João, Bernardo da Velha, Amândio ou Carolino, o atleta, apesar de não ter agarrado a titularidade logo de início, vira a impor o seu jogo, conseguiria cimentar um lugar no grupo de trabalho e ajudaria, desse modo, aos títulos conquistados pelas “Panteras”.
Seria já na 2ª temporada ao serviço dos “Axadrezados” que o defesa-central voltaria a encontrar-se com José Maria Pedroto. Com o apelidado “Zé do Boné” à frente do Boavista, logo nessa temporada de 1974/75, a equipa portuense chegaria à final da Taça de Portugal. Com a presença de Trindade no “onze” arrolado para defrontar o Benfica, as “Panteras” venceriam o almejado troféu. Na época seguinte, o clube e o atleta voltariam a repetir a participação na derradeira partida da “Prova Rainha” e o triunfo, dessa feita numa contenda agendada com o Vitória Sport Clube, mais uma vez recairia para o lado da colectividade a digladiar-se em casa no Bessa. Nessa senda de sucessos, há também a destacar a presença do jogador nas rondas correspondentes à Taça dos Vencedores das Taças, na Taça UEFA e nas pelejas que conduziriam a agremiação por si representada a lutar pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional. Tamanha preponderância levaria a que a surpresa fosse ainda maior na hora do atleta deixar a “Cidade Invicta”. Contudo, as saudades de casa sobrepor-se-iam à gratidão sentida pelo Boavista e Trindade, na época de 1978/79, apresentar-se-ia como reforço de outra agremiação.
Após 5 anos a representar o Boavista, o defesa-central daria entrada no plantel do FC Barreirense. Curiosamente, a sua inclusão no grupo de trabalho da associação sediada na Margem Sul, dar-lhe-ia a oportunidade, não pelas melhores razões, de participar noutro momento histórico. A referida época, durante a qual os timoneiros seriam Manuel de Oliveira e José Augusto, marcaria, até aos dias de hoje, a derradeira campanha do listado alvirrubro no patamar máximo do futebol português. Mesmo com a despromoção, o atleta decidiria manter-se fiel ao emblema. Após cumprir mais uma época no Estádio D. Manuel de Mello, o jogador, em 1980/81, regressaria ao Comércio e Indústria. Depois, ficando-se pelos escalões inferiores e já com o final da caminhada competitiva a aproximar-se, Trindade ainda viria a envergar as camisolas do UDR Pontes e, com o termo do trajecto enquanto futebolista a acontecer nesse clube, vestiria as cores do Águas de Moura.

1706 - LEOPOLDO

Descoberto pelo FC Porto no Sport Progresso, Leopoldo José Nogueira Amorim teria nos “Azuis e Brancos” o termo do percurso formativo. Curiosamente, o jovem defesa, já com um acordo rubricado com o Amarante, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, estaria à beira de deixar o emblema portuense. Porém, José Maria Pedroto, ao entender no jogador alguém com enorme potencial, convencê-lo-ia a rubricar um contrato profissional e a deixar, com isso, de pensar na conciliação da prática desportiva com o emprego numa fábrica de tintas.
Outra curiosidade, relacionada com o início da sua caminhada com a principal camisola do FC Porto, sairia logo da primeira partida efectuada, pelo jogador, ao serviço dos seniores dos “Dragões”. Numa ronda forasteira com a CUF, uns dias antes do jogo a contar para 22ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1968/69, os elementos normalmente escolhidos para a tarefa de capitão de equipa ver-se-iam envolvidos numa polémica abrangida pelo foro disciplinar. Castigados os tais atletas, a escolha do treinador para liderar os colegas dentro de campo recairia no estreante Leopoldo e a braçadeira, na peleja agendada para o Estádio Alfredo da Silva, acabaria por ficar entregue à responsabilidade do defesa.
Apesar do arranque auspicioso, o homem que, entre as hostes portistas, ficaria conhecido como “Bacalhau”, alcunha posta pelo brasileiro Djalma como resultado do seu aspecto franzino, raramente conseguiria fixar-se como um dos nomes consensuais no alinhamento do FC Porto. Essa excepção, numa época em que pelo comando técnico dos “Azuis e Brancos” passariam três diferentes treinadores, emergiria no decorrer da temporada de 1971/72. Ainda assim, daí em diante, talvez por razão de uma lesão no menisco que vi veiculada em algumas fontes, a verdade é que o defesa poucas oportunidades haveria de conquistar no “onze” da colectividade sediada na “Cidade Invicta” e a época de 1974/75 marcaria o fim da ligação entre o atleta e os “Dragões”.
Com a sua apresentação como reforço do Varzim de 1975/76, Leopoldo voltaria a trabalhar sob o comando de António Teixeira, seu antigo treinador no FC Porto. A transição levaria o defesa a inscrever o seu nome em algumas páginas importantes na história do emblema poveiro. Logo na época de entrada nos “Lobos-do-mar”, o atleta constituir-se-ia como uma das figuras da chegada da agremiação aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Na época seguinte viria o regresso à 1ª divisão. Depois, surgiriam as meias-finais da edição de 1977/78 da “Prova Rainha” e, por fim, o 5º lugar, até hoje um recorde do clube, conquistado na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1978/79.
O pior é, para o jogador, que as metas colectivas alcançadas ao longo do tempo surgiriam paralelamente a um progressivo decréscimo das suas presenças em campo. Mais uma vez, numa altura em que já tinha capitaneado a equipa do Varzim, outra mudança de rumo surgiria no trajecto do defesa. Dessa feita, a transferência ocorrida na campanha de 1980/81 levaria o jogador a assinar um contrato com o Vitória Sport Clube. Em Guimarães, onde cumpriria mais uma temporada entre os “grandes”, Leopoldo também viria a ter a derradeira aparição naquele que é o patamar máximo do futebol português. De seguida surgiriam os últimos capítulos da carreira ao serviço do Macedo de Cavaleiros. Por fim, já “penduradas as chuteiras”, o antigo praticante ainda teria algumas experiências como treinador, as quais levá-lo-iam a passar pelas “escolas” do FC Porto e, por exemplo, pelo Vianense ou pelo Trofense.

1692 - ÂNGELO GOMES

Filho de João Gomes, antigo atleta do Marítimo, Ângelo Gomes também seguiria as pegadas do pai e entraria para os juniores dos “Leões do Almirante Reis”. Em 1962/63 chegaria a sénior e depois de também passar pelos “reservas” do clube insular, acabaria por conseguir fixar-se no conjunto principal.
Como um intérprete dotado de uma belíssima técnica e com um enorme entendimento das diferentes dinâmicas inerentes à prática da modalidade, o jogador, preferencialmente a posicionar-se em diversas funções no sector intermediário, também chegaria a jogar como defesa. Com a enorme disponibilidade revelada dentro de campo e uma atitude pessoal igualmente irrepreensível, Ângelo depressa viria a consolidar-se como um dos símbolos dos “Insulares”. Cimentado como um dos principais esteios da equipa, o atleta viria a participar em variadíssimos momentos de grande importância histórica para o colectivo madeirense e depois de dar o seu enorme contributo em muitas das conquistas regionais, o regresso do Marítimo ao Campeonato Nacional sublinharia o médio como uma das maiores figuras da agremiação funchalense.
É certo que chegaria a ser “namorado” por emblemas do continente, nomeadamente pelo Vitória Futebol Clube comandado por Fernando Vaz. No entanto, porque as propostas não chegariam a interessar ao jogador ou porque a “Lei da Opção”, como seria o caso na aproximação aos “Sadinos”, viria a impedir a sua mudança, a verdade é que Ângelo, no decorrer da sua caminhada competitiva, nunca deixaria o Marítimo. Nesse sentido, numa altura em que já partilhava o balneário com o irmão Rui Gomes e com outros nomes como, Tininho, Noémio, Calisto ou Eduardinho, o médio faria parte do plantel que, sob a alçada do treinador Alberto Sachse, participaria, pela primeira vez na história, nas pelejas agendadas para a 2ª divisão.
Depois dessa campanha de 1973/74, onde logo os “Insulares” mostrariam intenções de lutar pelos lugares cimeiros da Zona Sul, o final da temporada de 1976/77, numa altura em que o Marítimo era comandado por Pedro Gomes, traria a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão e, por merecida consequência, a inédita promoção ao escalão maior do futebol luso.
Ângelo, como um dos mais experientes dos “Verde-rubros”, mesmo no convívio com os “grandes”, saberia, força da sua mestria com a bola nos pés, conservar em si a figura de um dos homens mais importantes nas pelejas primodivisionárias de 1977/78. Consumada essa época de arranque nos cenários da 1ª divisão, no decorrer da qual concorreria por um lugar no sector intermediário também com Valter e com Nélson, a verdade é que o atleta, fruto da sua veterania, perderia algum do fôlego de temporadas anteriores. Ainda assim, manter-se-ia preponderante para o cevar da força anímica, vontade tão necessária aos desempenhos colectivos. Tamanho peso, mantê-lo-ia, sempre no degrau maior, integrado no grupo de trabalho do Marítimo. Já o final da campanha de 1979/80, cumpridas, segundo os dados oficiais fornecidos pelo emblema madeirense, 627 partidas e 357 golos concretizados, traria, àquele que sempre será um dos grandes símbolos dos “Leões do Almirante Reis”, o “pendurar das chuteiras”.

1685 - LINO

Defesa-lateral que podia posicionar-se em ambos os lados do sector mais recuado, José Lino Brás de Sousa, antes ainda de encetar a caminhada na equipa principal do Vitória Futebol Clube, teria nos conjuntos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol o primeiro grande escaparate. Chamado, a 11 de Novembro de 1968, aos actualmente designados por sub-18, o jovem jogador, ao lado de outros intérpretes que haveriam de singrar no mais alto patamar luso, casos de Peixoto, Jacinto, Carolino, Vítor Manuel, Vieirinha ou Nicolau Vaqueiro, daria o primeiro passo num trajecto internacional a levá-lo, alguns meses após esse particular frente a França e sem sair do referido escalão competitivo, a uma segunda partida com a “camisola das quinas”.
Já no que diz respeito ao trajecto sénior, o defesa teria nas escolhas de José Maria Pedroto a sua grande oportunidade. Nesse sentido, ao ser arrolado, pelo referido treinador, às pelejas dos “Sadinos”, o atleta, na temporada de 1969/70, não só faria a estreia na 1ª divisão, como ajudaria o colectivo a jogar em casa no Estádio do Bonfim a terminar o Campeonato Nacional na 3ª posição da tabela classificativa. No entanto, apesar de reconhecido todo o seu potencial, a verdade é que ainda demorariam alguns anos até que Lino conseguisse ganhar algum protagonismo no seio do plantel do Vitória Futebol Clube. Tapado por outros colegas mais tarimbados, como são exemplo os internacionais Rebelo, Carriço ou Conceição, tal preponderância começaria a emergir apenas na campanha de 1973/74. Coincidentemente, a referida época traduzir-se-ia por um novo 3º lugar na principal prova do calendário futebolístico português e pela chegada do emblema luso, com a participação directa do lateral nas rondas frente ao Beerschot e ao Stuttgart, até aos quartos-de-final da Taça UEFA.
As 3 campanhas subsequentes trariam, de forma quase incontestada, a titularidade ao defesa-lateral. A verdade é que, mesmo com essa tríade de temporadas a representar, em partidas jogadas, praticamente o mesmo número das restantes épocas em que representou o emblema setubalense, Lino, com o termo das competições planeadas para 1976/77, veria o seu paradigma competitivo a mudar radicalmente. Daí em diante perderia a preponderância que havia conquistado anteriormente e, por conseguinte, deixaria de ser aferido como um dos habituais futebolistas a inscrever o seu nome no “onze” do Vitória Futebol Clube.
Mesmo perdida alguma importância, Lino manter-se-ia como um membro relevante nas dinâmicas do conjunto. Esse inegável peso, segurá-lo-ia a trabalhar com o listado verde e branco durante mais uns bons anos. A continuidade no emblema sediado na cidade de Setúbal, no total da sua carreira sénior, dar-lhe-ia a oportunidade de criar uma ligação a ultrapassar a década de duração. Numa união que, segundo os dados oficiais da Federação Portuguesa de Futebol viria a prolongar-se, inclusive, até à temporada de 1981/82,o defesa-lateral, de forma inata, juntar-se-ia aos notáveis daquela agremiação e mereceria a inscrição do seu nome no restrito rol de desportistas históricos do Vitória Futebol Clube.

1539 - MÁRIO WILSON

Depois de passar pelas camadas de formação do Belenenses e da Académica de Coimbra, Mário Valdez Wilson, filho de “Velho Capitão” Mário Wilson, teria a oportunidade de estrear-se na 1ª divisão ao serviço do Leixões. No emblema de Matosinhos, o médio, lançado por António Teixeira, daria os primeiros passos entre os “grandes” do futebol luso. No entanto, a falta de experiência levá-lo-ia a conquistar poucas oportunidades e o jogador, finda a temporada de 1973/74, regressaria à “Cidade dos Estudantes”.
De novo ao serviço da “Briosa”, agora inserido na equipa principal, Mário Wilson mais uma vez demonstraria algumas dificuldades em expor toda a sua habilidade. Seguir-se-ia a entrada no plantel de 1975/76 do Atlético, que levaria o atleta, logo à chegada à Tapadinha, a encetar uma fase bem mais proveitosa da carreira. A manter-se na 1ª divisão, num grupo de trabalho orientado pelo técnico Carlos Silva, o jogador, contrariamente ao ocorrido nos anos anteriores, conseguiria impor-se no “onze”. Daí em diante, enquanto membro da colectividade sediada no bairro de Alcântara, o centrocampista destacar-se-ia como um intérprete de enorme capacidade técnica e com uma habilidade de passe superior à dos demais colegas de equipa.
As exibições de bom nível, conseguidas pelo Atlético, levá-lo-iam a ser cobiçado por outra agremiação lisboeta. No entanto, a envergar a camisola do Benfica a partir de 1977/78, o médio daria de caras com um sector intermediário recheado de estrelas. Ultrapassado nas escolhas de John Mortimore por Toni, Shéu e Vítor Martins, ainda assim, a campanha de entrada na Luz seria, em termos individuais, a mais proveitosa. Reconhecidas todas as competências referidas no parágrafo anterior, a verdade é que Mário Wilson seria amiúde apontado como um elemento sem a garra necessária para vingar de “Águia” ao peito. Tal facto faria com que, durante as 3 temporadas ao serviço dos “Encarnados”, pouco jogasse e com o clube alfacinha a atravessar uma fase mais discreta, o centrocampista deixaria o “Glorioso” sem conquistar qualquer título colectivo.
A Académica de Coimbra, dando continuidade à sua caminhada no escalão maior, recebê-lo-ia como reforço para a campanha de 1980/81. No entanto, de volta à Beira Litoral, o médio, no final da época referida, acabaria por enfrentar a despromoção da equipa. A descida empurrá-lo-ia, pela primeira vez na carreira sénior, para o contexto competitivo da 2ª divisão. Já o regresso ao degrau maior do futebol luso surgiria bem longe dos “Estudantes”. Ao serviço do Farense a partir de 1983/84, Mário Wilson, sem abandonar o estatuto de titular recuperado nos 3 anos com as cores da colectividade conimbricense, destacar-se-ia como um dos bons nomes a actuar no sector intermediário dos algarvios. Porém, a época seguinte à da sua chegada traria ao seu percurso um novo desaire colectivo, com os “Leões de Faro” a falhar o objectivo da manutenção. Daí em diante, o atleta não mais regressaria ao patamar máximo e depois de vestir as cores do Estoril Praia, onde seria treinado pelo seu pai, o jogador retornaria ao Barlavento.
A aproximar-se do termo da carreira enquanto futebolista, Mário Wilson, na temporada de 1986/87 assinaria pelo Louletano. Novamente no Algarve, o médio, em 1988/89, ainda viria a unir-se ao Almancilense, época onde passaria a desempenhar as funções de treinador/jogador. Como curiosidade, falta mencionar a informação fornecida pelo “site” da Federação Portuguesa de Futebol que dá o jogador, após dois longos hiatos, como elemento dos planteis do Oeiras de 1994/95 e de 2001/02.

1339 - NOÉMIO

Com a totalidade do percurso futebolístico dedicado ao Marítimo, Noémio, ao jogar em três décadas diferentes pelo emblema madeirense, tornar-se-ia parte integrante de vários momentos de cabal importância para a vida da colectividade insular. Curiosamente, não só o aspecto cronológico da sua carreira seria traduzido num largo espectro de existências. Também dentro de campo, haveria de mostrar uma extensão enorme de qualidades, o que permitiria ao jogador actuar em funções ofensivas, intermediárias e igualmente no sector defensivo.
Com a estreia na equipa principal maritimista a reportar-se ao começo da segunda metade da década de 1960, Noémio, com os emblemas madeirenses e açorianos sem consentimento para participar no Campeonato Nacional, veria testadas as suas capacidades apenas na disputa das provas regionais. Ainda assim, afastado que estava dos maiores holofotes do desporto português, a qualidade apresentada nessa etapa inicial da carreira, levá-lo-ia a ser cobiçado por um dos maiores emblemas nacionais. No Sporting, depois de prestar provas com resultados bastante promissores, algumas questões de cariz familiar haveriam de fazê-lo recuar na altura de optar pela mudança para o continente e os “Verde-rubro” rapidamente voltariam ao quotidiano competitivo do jogador.
O forçado regresso, ironicamente, empurraria Noémio, versado nas habilidades técnicas, tal como grande exemplo de robustez e altruísmo, para dois dos maiores momentos da cronologia do clube sediado na cidade do Funchal. O primeiro, com os emblemas insulares a conseguir licença para entrar na mais importante prova do calendário luso, seria a participação do jogador na zona sul da 2ª divisão de 1973/74. Sob a alçada do treinador Alberto Sachse, o atleta ver-se-ia escolhido para a jornada inicial da referida temporada e acabaria por concretizar um golo na peleja forasteira, frente ao União de Leiria.
Não muitos anos depois, o futebolista participaria no segundo momento de vital importância para o Marítimo. Ainda na disputa do escalão secundário, seria, pelo técnico Pedro Gomes, chamado à folha de jogo, correspondente à última jornada da campanha de 1976/77. Na recepção ao Olhanense, num grupo que contava com nomes que mereceriam grande destaque no desporto nacional, casos do guardião Amaral, dos defesas Olavo e Eduardo Luís, ou do “capitão” Eduardinho, Noémio acabaria escolhido para o banco de suplentes. Já com o marcador a indicar 3-0 a favor do emblema da casa, o jogador seria chamado a entrar em campo e dos seus pés sairia o passe para o golo de Arnaldo Silva, elemento do plantel maritimista que viria também a merecer um lugar de destaque na história das competições portuguesas, selando-se, nessa jogada, a subida de divisão da agremiação madeirense.
A época seguinte à da aludida promoção, transformar-se-ia no ano de estreia do atleta e do clube na 1ª divisão. Naquele que é o degrau mais alto do futebol nacional, Noémio, sempre com números bem positivos, participaria em 3 temporadas consecutivas. Com a descida do Marítimo no termo da época de 1979/80, também o jogador desapareceria dos palcos principais e já com o final da carreira no horizonte, a decisão de “pendurar as chuteiras” surgiria depois de cumprida a campanha de 1981/82.