1705 - VOYNOV

Com o termo da caminhada formativa a acontecer no Botev Vratsa, seria também no emblema da terra natal que Ilia Tsevetanov Voynov, com o desenovelar da temporada de 1981/82, teria a oportunidade de cumprir a estreia pelos seniores. Depois dessa partida frente à Akademik Sofia, o atacante, muito à custa da qualidade de “dribble” e de passe, rapidamente viria a afirmar-se como uma das grandes figuras do emblema situado no noroeste da Bulgária. Com a evolução apresentada a apontá-lo a outros voos, o avançado, que podia posicionar-se no centro ou em qualquer uma das alas do sector mais ofensivo, teria no Serviço Militar Obrigatório a necessidade de mudar de colectividade e a partir da campanha de 1983/84 passaria a representar o emblema do exército, o CSKA de Sofia.
A entrada no colosso do futebol búlgaro, onde passaria a partilhar o balneário com caras bem conhecidas do cenário desportivo luso, casos de Nedialko Mladenov, Tanev, Radi, Stoycho Mladenov ou Slavkov, não assustaria o jovem avançado. No entanto, a verdade é que os números apresentados pelo jogador baixariam um pouco relativamente a temporadas anteriores. Ainda assim, o atleta viveria, pelos “Vermelhos”, momentos de grande importância. Um deles surgiria com a vitória na edição de 1984/85 da Taça do Exército Soviético. Para além do aludido troféu, o triunfo, nesse mesmo ano, da Taça da Bulgária traria à sua caminhada, principalmente pelo golo concretizado no jogo decisivo, outro colorido. Porém, numa partida conhecida como a “Final Sangrenta”, aquilo que ficaria na memória colectiva seria a polémica saída do embate frente aos rivais da capital – “Muito foi dito e escrito sobre esse jogo – que tinha havido uma luta, que quase arrancamos olhos, que a taça e as medalhas ficaram partidas… e a verdade é completamente diferente. Sim, houve algumas altercações verbais e os jogadores do Levski estavam um pouco nervosos. Naquele tempo – estamos a falar do regime comunista, em que a polícia não permitia quaisquer excessos – era impossível que tais eventos tivessem ocorrido, tal como mais tarde foram descritos, como sendo a verdade. Houve palavrões, mas é normal uma pessoa estar zangada quando perde uma final. Nós levantamos a taça com os adeptos do “Exército do Povo” e celebramos a vitória ali. Deixaram-nos com as medalhas”*.
Já com a temporada de 1985/86 em andamento, o “Príncipe de Vratsa”, alcunha com que ficaria conhecido no futebol da Bulgária, regressaria ao Botev. Tal período, no qual voltaria a trabalhar ao lado de Tzvetan Danov, atleta com passagens pelo Farense e pelo Olhanense, traria a Voynov um dos acontecimentos mais importantes da carreira. O referido momento emergiria com a chamada à selecção principal. Nesse sentido, o avançado, que contava com diversas presenças nos escalões de formação, teria, no dia 10 de Setembro de 1986, a primeira presença pelos “AA”. Chamado ao jogo frente à Escócia por Hristo Mladenov, outro nome com ligação ao futebol luso, o atacante encetaria no Hampden Park uma caminhada a levá-lo a outras internacionalizações e, num trajecto mormente trilhado em partidas da Fase de Qualificação do Euro 88, o atleta somaria 8 partidas pela primeira equipa do seu país.
Com a ligação ao Botev Vratsa a prolongar-se até à campanha de 1988/89, a temporada seguinte apresentaria Voynov ao cenário português. À chegada ao Portimonense, recebido pelo treinador José Torres, o jogador voltaria a cruzar-se com inúmeros conterrâneos, casos de Plamen Getov, Kachmerov, Bezinski, Preslav Getov e Demirev. Contudo, mesmo tendo em conta a experiência competitiva acumulada, a alteração de contexto traria algumas dificuldades ao atleta – “Nós os búlgaros estávamos afastados dos jogadores locais. A barreira linguística também era um problema. Foi bom o Plamen ter-nos dado a mão. A adaptação foi muito difícil para mim”*. Após dois anos no Algarve, com o último vivido nas disputas da divisão de Honra, o atacante, aconselhado por Mladenov, transferir-se-ia para o plantel de 1991/92 do Estoril Praia. Nesse regresso ao convívio com os “grandes”, o avançado, orientado por Fernando Santos, rapidamente conseguiria transformar-se num dos principais elementos a actuar pelos “Canarinhos”. No emblema da Linha de Cascais, sempre em posição de destaque, o atacante manter-se-ia por 4 épocas consecutivas. Mais uma vez, após cumprir nova passagem pelo escalão secundário, o jogador trocaria de colectividade e a presença de Fernando Santos no comando técnico do Estrela da Amadora não estaria, de todo, desassociada à sua mudança para a Reboleira.
O regresso ao país natal ocorreria na temporada de 1996/97 e para um emblema por si bem conhecido. Ao envergar de novo a camisola do CSKA Sofia, Voynov viveria a temporada, em termos de títulos, mais prolífera da carreira. Para tal, em muito contribuiriam as conquistas do Campeonato e da Taça da Bulgária. De seguida, com o início da ligação a partir da temporada de 1997/98, surgiria Spartak Pleven onde, no termo da campanha de 2000/01, decidiria “pendurar as chuteiras”.
Por fim, há que fazer referência à sua transição para as funções técnicas, onde tem desempenhado diferentes papeis e em colectividades como o Botev Vratsa, o Spartak Pleven, o Partizan Cherven Bryag ou o Juventus Malchika.

*traduzido do artigo de Georgi Alexandrov, publicado em www.konkurent.bg, entre 10/10/2021 e 12/12/2021

Sem comentários: